quinta-feira, 30 de abril de 2026

TÚMULOS ABERTOS

De acordo com o evangelho de Mateus, quando Jesus morreu, “os túmulos se abriram, e muitos corpos de santos, já falecidos, ressuscitaram e, saindo dos túmulos depois da ressurreição de Jesus, entraram na cidade santa e apareceram a muitos” (Mt 27:52, 53). Esse evento só está registrado nesse verso da Bíblia e levanta uma série de perguntas para as quais não temos respostas definitivas.

O QUE DIZ O TEXTO?
O texto estabelece uma série de pontos muito claros: (1) confirma que Jesus morreu e ressuscitou; (2) declara que houve um terremoto que abriu os túmulos, e alguns do povo de Deus foram ressuscitados; (3) informa que a ressurreição deles ocorreu paralelamente à morte e à ressurreição de Jesus, indicando que Sua ressurreição beneficiará as gerações passadas; (4) reitera que essa foi uma ressurreição literal, com a intenção de afirmar que Jesus tinha poder sobre a morte; e (5) destaca o fato de que os ressuscitados foram a Jerusalém e “apareceram a muitos”, o que sugere que eles não permaneceram entre os vivos para morrer novamente, mas foram ressuscitados para a vida eterna. 

MUITAS PERGUNTAS
A passagem desperta muitas perguntas. Quem eram eles? Muitos cristãos incluem Adão, José, ­Moisés e Jó entre os santos ressuscitados. Alguns comentaristas sugerem que entre eles estavam patriarcas, profetas e mártires. Outros perguntam sobre os critérios que Deus usou para escolher quem haveria de ressuscitar, e há aqueles que afirmam que eram mártires. A sugestão parece ter algum valor teológico, indicando que aqueles que voluntariamente deram sua vida pelo Senhor foram os primeiros a receber a vida de volta por meio da morte do Filho de Deus. Ellen White diz que "aqueles favorecidos santos ressurgidos saíram glorificados. Eram escolhidos e santos de todos os tempos, desde a criação até os dias de Cristo" (Primeiros Escritos, p. 184). E continua: "Eram os que haviam colaborado com Deus, e que à custa da própria vida tinham dado testemunho da verdade. Agora deviam ser testemunhas dAquele que os ressuscitara dos mortos" (O Desejado de Todas as Nações, p. 786).

QUANDO ELES RESSUSCITARAM?
A versão Nova Almeida Atualizada (NAA) parece sugerir que eles ressuscitaram na sexta-feira, mas permaneceram no túmulo até depois da ressurreição de Jesus. O texto também poderia ser traduzido como: “os túmulos se abriram, e muitos corpos de santos já falecidos ressuscitaram e saindo dos túmulos depois da ressurreição de Jesus…” Assim, as tumbas foram abertas na sexta-feira, mas a ressurreição ocorreu no domingo, após a ressurreição de Jesus. Ellen White diz: "Quando Cristo ressurgiu, trouxe do sepulcro uma multidão de cativos. O terremoto, por ocasião de Sua morte, abrira-lhes o sepulcro e, ao ressuscitar Ele, ressurgiram juntamente" (Idem).

O DESTINO DOS RESSURRETOS
Mateus declara apenas que os santos apareceram a outras pessoas em Jerusalém, provavelmente para testificar sobre a ressurreição de Jesus. Se foram ressuscitados para a vida eterna, teriam ido para o Céu quando Cristo ascendeu. A declaração de Paulo em Efésios 4:8 pode ser útil: “Quando Ele subiu às alturas, levou cativo o cativeiro e concedeu dons aos homens.” O verso descreve dois benefícios da obra de Cristo: em Sua ascensão, Ele concedeu o dom do Espírito a Seu povo e levou consigo um exército de cativos, ­conduzindo-os ao Céu como troféus de Sua vitória sobre a morte e Satanás. Jesus é as primícias dos que dormem (1Co 15:20), e aqueles que ressuscitaram com Ele são a primeira expressão de Seu poder de conceder vida eterna aos seres humanos. A ressurreição deles antecipa a ressurreição escatológica dos justos na segunda vinda.

Ellen White diz: "Aqueles que ressurgiram por ocasião da ressurreição de Cristo, saíram para a vida eterna. Ascenderam com Ele, como troféus de Sua vitória sobre a morte e o sepulcro. Estes, disse Cristo, não mais são cativos de Satanás. Eu os redimi. Trouxe-os da sepultura como as primícias de Meu poder, para estarem comigo onde Eu estiver, para nunca mais verem a morte nem experimentarem a dor" (Idem).

Ellen White finaliza: "Depois que Jesus abençoou os discípulos [na ascensão], separou-Se deles e foi recebido em cima. E, ao subir, a multidão de cativos que ressuscitara por ocasião de Sua ressurreição, seguiu-O. Uma multidão do exército celestial estava no cortejo, enquanto no Céu uma inumerável multidão de anjos aguardava a Sua chegada" (Primeiros Escritos, p. 190). 

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