terça-feira, 27 de outubro de 2026

MEDITAÇÃO #116 - INIMIGOS

"Digo-vos, porém, a vós outros que me ouvis: amai os vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam; bendizei aos que vos maldizem, orai pelos que vos caluniam" (Lucas 6:27, 28).

O pastor protestante e ativista político Martin Luther King, Jr., prêmio Nobel da Paz em 1964, assassinado no dia 4 de abril de 1968 com apenas 39 anos de idade, disse certa vez em um de seus sermões:

"Talvez nenhum ensinamento de Jesus seja, hoje, tão difícil de ser seguido como este mandamento do 'amai os vossos inimigos'. Há mesmo quem sinceramente julgue impossível colocá-lo em prática. Consideramos fácil amar quem nos ama, mas nunca aqueles que abertamente e insidiosamente procuram prejudicar-nos. O mandamento para amarmos os nossos inimigos, longe de ser uma piedosa imposição de um sonhador utópico, é uma necessidade absoluta para podermos sobreviver. O amor pelos inimigos é a chave para a solução dos problemas do nosso mundo. Quando Jesus diz: 'Amai os vossos inimigos', não ignora a dificuldade dessa imposição e conhece bem o significado de cada uma das suas palavras. A responsabilidade que nos cabe como cristãos é a de descobrir o significado desse mandamento e procurar apaixonadamente vivê-lo toda a nossa vida."

Vejamos o que Ellen White nos diz a respeito: "Devemos amar os nossos inimigos com o mesmo amor que Cristo mostrou para com os Seus inimigos, ao dar Sua vida para salvá-los. Muitos podem dizer: 'Este é um mandamento difícil, pois eu quero ficar o mais longe possível de meus inimigos.' Mas agir de acordo com vossa natural inclinação não seria praticar os princípios que nosso Salvador nos deu" (Medicina e Salvação, p. 253).

O Senhor sabe que não se pode ser um crente genuíno tendo um coração cheio de ódio, mesmo quando existam razões que o justifiquem. A resposta do cristão à hostilidade e antagonismo é vencer “o mal com o bem” (Rm 12:21). Observe: Jesus primeiro pede que amemos nossos inimigos e, como resultado, solicita que demonstremos esse amor por meio de boas ações, palavras amáveis e oração de intercessão. Sem o amor inspirado pelo Céu, essas ações, palavras e orações seriam uma ofensiva e hipócrita falsificação do verdadeiro cristianismo.

Por que então devemos amar nossos inimigos? Quais razões foram apresentadas por Jesus?

"Se amais os que vos amam, qual é a vossa recompensa? Porque até os pecadores amam aos que os amam. Se fizerdes o bem aos que vos fazem o bem, qual é a vossa recompensa? Até os pecadores fazem isso. E, se emprestais àqueles de quem esperais receber, qual é a vossa recompensa? Também os pecadores emprestam aos pecadores, para receberem outro tanto. Amai, porém, os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai, sem esperar nenhuma paga; será grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altíssimo. Pois ele é benigno até para com os ingratos e maus" (Lucas 6:32-35).

A fim de nos ajudar a compreender esse elevado mandamento, o Senhor usou três argumentos. Em primeiro lugar, precisamos viver acima dos baixos padrões do mundo. Até mesmo os pecadores amam uns aos outros, e os criminosos se ajudam mutuamente. Qual seria o valor de seguir a Cristo, se isso não nos levasse a viver e amar de maneira superior à virtude dos filhos deste mundo? Em segundo lugar, Deus nos recompensará por amar nossos inimigos. Ainda que não amemos pela recompensa, Ele a concederá graciosamente para nós. Em terceiro lugar, esse tipo de amor é uma evidência de nossa estreita comunhão com nosso Pai celestial, que “é benigno até para com os ingratos e maus” (Lc 6:35).

Os ensinamentos de Jesus estabelecem um ideal tão elevado, de uma vida altruísta e amorosa, que a maioria de nós provavelmente se sinta oprimida e desanimada. Como podemos nós, egoístas por natureza, amar o próximo de maneira altruísta? Além disso, é possível amar os inimigos? Do ponto de vista humano, é absolutamente impossível. Mas o Senhor jamais nos pediria que amássemos e servíssemos os detestáveis e desprezíveis sem nos prover os meios com que alcançar isso. Sobre isso, Ellen White diz: “Essa norma não é impossível de ser alcançada. Em toda ordem ou mandamento dado por Deus, há uma promessa, a mais positiva, a fundamentá-la. Deus tomou as providências para que nos tornemos semelhantes a Ele, e realizará isso para todos quantos não interpuserem uma vontade perversa, frustrando assim Sua graça” (O Maior Discurso de Cristo, p. 76).

Qual promessa está na base do mandamento de amar os inimigos? É a certeza de que Deus é bondoso e misericordioso para com os ingratos e maus (Lc 6:35, 36), o que nos inclui. Podemos amar nossos inimigos, porque Deus nos amou primeiro, embora fôssemos Seus inimigos (Rm 5:10). Quando diariamente reafirmamos nossa aceitação do Seu amoroso sacrifício por nós na cruz, Seu amor abnegado permeia nossa vida. Quanto mais compreendemos e experimentamos o amor do Senhor por nós, mais Seu amor fluirá de nós para os outros, até mesmo aos nossos inimigos. Ellen White afirma: "Representemos diariamente o grande amor de Cristo, amando os nossos inimigos como Cristo os ama. Se assim representássemos a graça de Cristo, fortes sentimentos de ódio seriam subjugados e o amor genuíno de Cristo seria levado a muitos corações. Ver-se-iam muito mais conversões do que se vêem agora" (Medicina e Salvação, p. 254).

Nossa necessidade diária não é apenas a de aceitar novamente a morte de Cristo por nós, mas render nossa vontade a Ele e nEle permanecer. Assim como Jesus não buscou Sua própria vontade, mas a vontade do Pai (Jo 5:30), precisamos confiar nEle e em Sua vontade. Pois, sem Ele, nada podemos fazer (Jo 15:5). Quando a cada dia decidimos nos submeter a Jesus, Ele vive em nós e por meio de nós. Então “já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim” (Gl 2:20), e transforma minhas atitudes egocêntricas em uma vida amorosa e altruísta.

E se você estiver cercado de inimigos, busque a Deus em oração, recorra às preciosas instruções divinas de Sua Palavra, pois através desses meios o Espírito Santo impressionará o seu coração concedendo-lhe sabedoria divina, paz e confiança de que Deus estará sempre ao seu lado. Desse modo você poderá dizer como Davi: “O SENHOR é a minha rocha, a minha cidadela, o meu libertador; o meu Deus, o meu rochedo em que me refugio; o meu escudo, a força da minha salvação, o meu baluarte” (Salmos 18:2).

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

MEDITAÇÃO #115 - JESUS E A DEMOCRACIA

Não é possível escrever um relato histórico ou bíblico sobre como Jesus praticava a democracia, pois ele não instituiu nenhum sistema político democrático no sentido moderno do termo (governo do povo por meio de representantes eleitos e soberania popular). Ele fundou um movimento cuja atuação era deliberada em assembleias, termo que, em grego, significa “igreja”. Os Evangelhos apresentam Jesus como um mestre religioso com forte incidência política. Não realizou eleições, nem incentivou votações para decisões comunitárias.

As práticas de Jesus Cristo apresentam um modelo de convivência e liderança que ressoa profundamente com os ideais democráticos modernos. Embora não tenha atuado em um sistema político democrático formal, pois vivia em uma monarquia, seus ensinamentos e ações lançaram as bases para uma sociedade mais justa, igualitária e participativa.

Seus ensinamentos e práticas registrados nos Evangelhos ecoam valores fundamentais da cultura democrática: participação, igualdade, valorização dos marginalizados e prestação de contas diante da comunidade.

Jesus subverteu radicalmente os modelos de poder de sua época. Em vez de “dominarem sobre os outros”, ensinou que “quem quiser tornar-se grande entre vocês deverá ser servo” (Marcos 10:43). Seu ato de lavar os pés dos discípulos e a afirmação de que veio “para servir, não para ser servido” (Mateus 20:28) são pilares dessa prática. Isso estabelece uma liderança baseada em humildade e serviço, não em coerção ou privilégio, similar à prestação de contas esperada em uma democracia.

Jesus envolvia seus discípulos e a multidão nas decisões e discussões. Em Lucas 6:12-13, antes de escolher os doze apóstolos, passou a noite em oração — um gesto de discernimento compartilhado, não autoritário. Mas o exemplo mais claro de consulta está em João 6:5-7, quando pergunta a Filipe: “Onde compraremos pão para eles comerem?”. Mesmo sabendo o que faria, Jesus abriu espaço para a opinião alheia. E considerou a fome do povo uma grave demanda a ser resolvida de imediato.

Na democracia, todos têm igual valor perante a lei. Nos Evangelhos, Jesus tratava mulheres, crianças, doentes, pobres e estrangeiros como sujeitos de dignidade. Em Mateus 20:25-28, criticou os governantes que “dominam” com o líder-servo: “Quem quiser tornar-se grande entre vocês, que seja servo”. Isso subverte hierarquias e aponta para relação horizontal.

Jesus praticou a “comunhão de mesa inclusiva” ao quebrar barreiras sociais e étnicas e se relacionar com pecadores, cobradores de impostos e samaritanos, grupos marginalizados na sua sociedade. Sua famosa parábola do Bom Samaritano (Lucas 10:25-37) é um chamado à compaixão e à superação de preconceitos, expandindo a definição de “próximo” a todos, sem distinção. Esta prática defende a dignidade de cada ser humano e a construção de uma comunidade sem exclusões, princípio fundamental para a cidadania plena.

Jesus não impôs sua palavra pela força; ele dialogava. Em João 8:3-11, diante da mulher adúltera, escreveu no chão e desafiou: “Quem dentre vocês não tiver pecado, atire a primeira pedra”. A decisão final emergiu da consciência coletiva. Os acusadores foram embora um a um. Houve ali um princípio de deliberação comunitária.

Sua afirmação de que “não disse nada em segredo” (João 18:20) demonstra um compromisso com a transparência e a prestação de contas. Jesus não operava às escondidas; expunha suas ideias ao escrutínio público, prática que fortalece a confiança e a participação populares.

Jesus delegou poderes aos discípulos (Mateus 10:1, 8) e os chamou de “amigos”, não de servos (João 15:15). Em Mateus 18:15-17, instituiu um processo de reconciliação que envolveu os discípulos (“diga à comunidade”), um esboço de resolução coletiva de conflitos, algo caro às práticas democráticas.

A democracia moderna incorpora, em princípio, minorias e vulneráveis. Jesus, em Lucas 4:18-19 (citando Isaías), definiu sua missão como “anunciar boas notícias aos pobres, liberdade aos cativos e pôr em liberdade os oprimidos”. Com frequência perguntava a cegos, pessoas acometidas de hanseníase e estrangeiros o que queriam (Marcos 10:51: “Que quer que eu lhe faça?”), devolvendo-lhes protagonismo e voz.

Quando tentaram fazê-lo rei (João 6:15), Jesus se retirou, recusou a possibilidade de dominar. Não buscou o poder, mas uma comunidade de discípulos baseada no amor, no serviço e na decisão livre — um governo sem coerção.

Portanto, Jesus não foi um democrata no sentido moderno (não houve sufrágio universal, parlamento ou constituição). Contudo, práticas evangélicas como escuta ativa, horizontalidade, valorização dos excluídos, recusa da opressão e do poder como domínio, e deliberação em grupo oferecem inspiração ética para quem deseja construir sociedades mais participativas e justas.

Os Evangelhos não são manuais de ciência política, mas neles se podem ser encontrados um espírito e uma prática democráticos anteriores às democracias. Que as propostas e atuação de nossos futuros governantes sejam sempre condizentes com o exemplo e os ideais de Jesus.

sexta-feira, 23 de outubro de 2026

MEDITAÇÃO #114 - DECISÕES

Deus criou o ser humano à Sua imagem e semelhança. Isso incluiu a capacidade de tomar as próprias decisões. Fomos criados com diversas faculdades mentais: discernimento, raciocínio, memória, percepção, força de vontade, intuição e imaginação. No dia a dia, também somos influenciados por muitos fatores. Com base nisso, fazemos nossas escolhas e nos tornamos responsáveis por elas.

Algumas decisões são bastante simples. Nós as repetimos todos os dias. Por causa disso, chega o momento em que não gastamos mais energia para pensar e decidir. Entramos no modo automático. Também há decisões que envolvem questões maiores, que afetam toda a nossa existência. Para decidir temos que pensar por mais tempo, pesar as evidências e levar em conta tudo que está envolvido. 

O primeiro princípio para tomarmos boas decisões é conseguirmos observar todos os fatos. A Bíblia diz em Provérbios 18:13: “Responder antes de ouvir, é estultícia e vergonha.”

O segundo princípio para tomarmos boas decisões é mantermos a mente aberta a novas ideias, conforme expressa Provérbios 18:15: “O coração do entendido adquire conhecimento; e o ouvido dos sábios busca conhecimento.”

O terceiro princípio para tomarmos boas decisões é ouvirmos ambos lados da história: “O que primeiro começa o seu pleito parece justo; até que vem o outro e o examina” (Provérbios 18:17).

Se temos dificuldade em tomar decisões, Deus nos ajudará. A Bíblia diz em Tiago 1:5-8: “Ora, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e não censura, e ser-lhe-á dada. Peça-a, porém, com fé, não duvidando; pois aquele que duvida é semelhante à onda do mar, que é sublevada e agitada pelo vento. Não pense tal homem que receberá do Senhor alguma coisa, homem vacilante que é, e inconstante em todos os seus caminhos.”

A idéia de tomar decisões está presente em numerosas passagens das Escrituras. Por exemplo, Paulo chegou a uma decisão final depois de avaliar muitas filosofias e métodos de pregação do evangelho. Disse ele: “Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e Este crucificado” (1Co 2:2). Tomara que todas as decisões tomadas por nós se baseiem na decisão de Paulo; tudo que fazemos e dizemos deve refletir a entrega a Jesus Cristo. Se O conhecermos e Lhe dermos a primazia, isso influirá sobre todas as nossas decisões. De suma importância na vida de todos nós que temos de tomar decisões deve ser a relação com Jesus Cristo que nos habilita a transcender meramente a sabedoria humana com nossas decisões que muitas vezes são falíveis e ineficazes.

Confiemos em Deus e não em nós mesmos quando necessitemos direção. Em Provérbios 3:4-6, a Palavra Sagrada diz: “Assim acharás favor e bom entendimento à vista de Deus e dos homens. Confia no Senhor de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento. Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas.”

A oração também ajuda o processo de tomar decisões. Jesus usou este método antes de escolher os discípulos. A Bíblia diz em Lucas 6:12: “Naqueles dias retirou-se para o monte a fim de orar; e passou a noite toda em oração a Deus.”

É importante ter humildade quando pedimos a Deus para nos ajudar a tomar boas decisões: “Guia os mansos no que é reto, e lhes ensina o seu caminho” (Salmos 25:9). Hoje, com uma boa decisão, tudo pode mudar. Peça a Deus que ajude você a tomar a decisão correta e a realizar o que foi decidido com a bênção Dele. 

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

MEDITAÇÃO #113 - DESAPONTAMENTO

"Pois a visão aguarda um tempo designado; ela fala do fim e não falhará. Ainda que se demore, espere-a; porque ela certamente virá e não se atrasará" (Habacuque 2:3).

Whitehall, Nova York. Uma cidadezinha, hoje com cerca de 4 mil moradores, foi palco de uma das cenas mais tristes da história do adventismo. Na fazenda de Guilherme Miller, vários crentes se reuniram para ver Jesus voltar. Era um 22 de outubro como hoje. O dia mais amargo da história daquelas pessoas. Várias delas haviam vendido casas e campos. Algumas tinham sido expulsas de suas antigas congregações após ter abraçado a mensagem da breve volta de Cristo. Mas, naquele dia, Ele não veio.

Embora o texto de Habacuque 2:1 a 4 se refira inicialmente à visão sobre a vinda dos conquistadores caldeus, que parecia demorada, essas palavras se tornaram fonte de encorajamento e consolo para os mileritas, como passaram a ser conhecidos os primeiros crentes na mensagem do advento.

Aprendi que desapontamento não significa necessariamente um ponto-final. É verdade que, depois daquele dia, vários abandonaram a fé e se trancaram em amargura. Mas um pequeno grupo permaneceu. Com Bíblias abertas e lamparinas acesas, eles atravessaram noites e madrugadas em busca de respostas. Não desistiram até finalmente entender o que havia acontecido. A semente da decepção deu fruto de esperança. Por isso estamos aqui. Passados 182 anos, há milhões de pessoas espalhadas pelo mundo pregando e aguardando a volta de Jesus.

A Igreja Adventista do Sétimo Dia nasceu de um desapontamento. O cristianismo também. Onde os discípulos imaginavam um trono, eles encontraram uma cruz. Seus sonhos de libertação pareciam desfeitos diante do Messias morto. Mas eles permaneceram. Por isso estamos aqui.

Todos nós temos direito de escolher o que fazer com as decepções da vida. Sugiro que você não pare. Não fique pelo caminho. Não desista dos sonhos que ganharam seu coração. Levante a cabeça. Olhe para frente. Se não deu certo na semana passada, não significa que não possa dar certo no futuro. Ore mais. Treine mais. Leia mais. Trabalhe mais. O futuro premia os valentes. O Céu será a pátria daqueles que sofreram e choraram, mas não desistiram de caminhar.

Não desista. Ellen White afirma: "O Senhor vem. Ouvimos os passos de um Deus que Se aproxima" (The Review and Herald, 12 de Novembro de 1914).

Cante agora: "Não desistir! Cristo vem logo! / Breve a aurora há de raiar! / Não desistir! Cristo vem logo! / Não desistir! Ele virá!" (Novo Hinário Adventista nº 464).

quarta-feira, 21 de outubro de 2026

MEDITAÇÃO #112 - INCERTEZAS

O mundo está cada vez mais envolto em incertezas. Além das incertezas pessoais, temos hoje as psicológicas, sexuais, sanitárias, sociais, econômicas e políticas. Tudo ficou imprevisível. Mesmo com ferramentas mais potentes para tentar ler a realidade e decifrar o futuro, o caminho parece enevoado. A própria teologia tem sido abalada pelas incertezas. Por isso, a vida se torna mais arriscada.

No entanto, a maioria das pessoas busca certezas. Muitas delas mudam sua filiação religiosa e seus hábitos para ter mais segurança emocional. Afinal, precisamos de identidade, uma visão, um rumo. A certeza dá a sensação de controle. E, se alguns indivíduos têm certeza demais, outros têm de menos. É por isso que, no fogo cruzado da polarização, os radicais são vírus da incerteza que tentam criar certezas à força.

Hoje, mais do que no passado, as pessoas têm que viver e expressar sua fé num ambiente que mistura certeza e incerteza. Mas podemos avançar com fé, que é “a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não veem” (Hb 11:1). Com “a plena certeza da esperança” (Hb 6:11), “em plena certeza de fé” (Hb 10:22), nos aproximamos do trono de Deus, que controla o Universo. Ellen White afirma: "À medida que nos aproximarmos de Jesus e nos alegrarmos na plenitude do Seu amor, nossas dúvidas e incertezas desaparecerão à luz de Sua presença" (Caminho a Cristo, p. 71).

Podemos ter certeza porque, mesmo em tempos de incerteza, Jesus estará conosco todos os dias até o fim (Mt 28:20). O Espírito Santo é a presença pessoal Dele em nosso coração. Em seu livro De Servo Arbitrio (A Escravidão da Vontade), escrito em 1525 em resposta a Erasmo de Rotterdam, Martinho Lutero argumentou que a religião não é uma simples questão de conjectura: “O Espírito Santo não é cético, e as coisas que escreveu em nossos corações não são dúvidas nem opiniões, mas asserções mais seguras e certas do que toda a experiência e a própria vida” (The Bondage of the Will [Baker Academic, 2012], p. 70).

E em se tratando de incertezas, deixe Deus construir convicções em você. Nossa fé não elimina a incerteza nem os riscos, mas cada um de seus ensinos e símbolos aponta para a certeza. Crer em Deus é um risco calculado para tempos de certeza, mas principalmente de incerteza.

Minha percepção é de que a chave para lidar com a incerteza está em aprender a confiar em Deus, independentemente de quanto possa parecer ruim a situação. Mais fácil falar do que fazer, não é? Lembre-se de que Deus não permite nada que não possamos suportar (1Co 10:13) e que Ele está cuidando de nós o tempo todo, seja nos guiando em abundância e tranquilidade ou nos ajudando a atravessar os vales mais escuros (Sl 23). Ellen White diz: "Se temes a Deus não precisas andar em incerteza. Se Lhe agradares, conseguirás tudo que necessitas" (Nos Lugares Celestiais, p. 20). Deus sabe por que as coisas estão acontecendo como estão. E no futuro iremos compreender.

Concluo com este pensamento de Ellen White: "As aflições do tempo presente assumem diversas formas, mas Cristo passou por esse trajeto, e não precisamos ficar na incerteza. Ele nos convidou: 'Vinde a Mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o Meu jugo e aprendei de Mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o Meu jugo é suave, e o Meu fardo é leve' (Mateus 11:28-30). Seja qual for nossa condição na vida, nossa ocupação, temos um Guia seguro. Seja qual for nossa condição é Ele nosso conselheiro. Seja qual for nossa solidão Ele é nosso Amigo, em quem sempre podemos confiar" (Carta 13, 1892).

terça-feira, 20 de outubro de 2026

MEDITAÇÃO #111 - POBRES

“Sempre haverá pobres e necessitados no meio do povo, e por isso eu ordeno que vocês sejam generosos com todos eles” (Deuteronômio 15:11).

Cerca de 826 milhões de pessoas (cerca de 1 em cada 10 habitantes do planeta) vivem em situação de extrema pobreza, com base nas atualizações do Banco Mundial. Segundo o relatório do PNUD e da Universidade de Oxford de 2026, o número de pessoas em situação de pobreza multidimensional (que avalia não apenas a renda, mas também saúde, educação e serviços básicos) atingiu 1,2 bilhão. De acordo com o Relatório Mundial sobre a Desigualdade, os 10% mais ricos do mundo detêm cerca de 75% da riqueza total, enquanto os 50% mais pobres possuem apenas 2%.

Devido ao pecado, nosso mundo sofreu sérias transformações que afetaram inclusive a condição social da humanidade (Tiago 5:1-6). Por este fato (desequilíbrio social devido ao pecado), alguns têm pouco e outros muito.

Ellen White enxergava a questão da pobreza e da desigualdade social para além do prisma econômico, observando que o próprio Deus possui propósitos diferentes para cada pessoa. "Na providência de Deus, os acontecimentos têm sido ordenados de maneira que sempre tenhamos os pobres conosco, a fim de que sejam no coração humano um constante exercício dos atributos do amor e da misericórdia. O homem deve cultivar a bondade e compaixão de Cristo; não deve distanciar-se dos tristes, dos aflitos, dos necessitados e angustiados" (Signs of the Times, 13 de junho de 1892).

Deus sabe que sempre haverá pessoas com dificuldades para obterem o sustento. Mas Ele tem muitos meios de ajudar o ser humano a vencer seus defeitos de caráter; e um dos defeitos que mais o Senhor tem trabalhado para tirar do coração humano é o egoísmo. O egoísmo nos faz egocêntricos, auto-suficientes e insensíveis para com as necessidades do próximo. Uma das formas de vencer o egoísmo é através da generosidade. Ellen White afirma: "A razão por que Deus tem permitido que alguns membros da família humana sejam tão ricos e outros tão pobres será sempre um mistério para os homens até a eternidade, a menos que entrem em correta relação com Deus e ponham em prática o Seu plano em vez de agirem com base em suas próprias idéias egoístas" (Testemunhos para Ministros, p. 280).

Ellen White continua: "Se os homens cumprissem o seu dever como fiéis mordomos dos bens de Deus, nenhum clamor haveria por pão, nenhum sofredor em penúria, nenhum desagasalhado em necessidade. É a infidelidade de homens que gera o estado de sofrimento em que está mergulhada a humanidade. Se aqueles a quem Deus fez mordomos tão somente utilizassem os bens do seu Senhor no propósito para que lhes foram entregues, este estado de sofrimento não existiria" (Review and Herald, 26 de junho de 1894).

Quando não permitimos que o dinheiro seja a coisa mais importante em nossas vidas, nos tornamos mais liberais e preocupados em atender as necessidades alheias. Neste mundo onde a miséria e a fome reinam, cabe a nós ter um coração humilde e sermos misericordiosos (Mateus 5:7). Cada um deve agir de acordo com aquilo que recebeu do Senhor, sendo que os que receberam muito, serão cobrados pelo uso que fizerem de seus tesouros.

Vejamos esta importante declaração de Ellen White: "A obra de recolher o necessitado, o oprimido, o aflito, o que sofreu perdas, é justamente a obra que toda igreja que crê na verdade para este tempo devia de há muito estar realizando. Cumpre-nos mostrar a terna simpatia do samaritano em acudir às necessidades físicas, alimentar o faminto, trazer para casa os pobres desterrados, buscando de Deus todo dia a graça e a força que nos habilitem a chegar às profundezas da miséria humana, e ajudar aqueles que absolutamente não se podem ajudar a si mesmos. Isto fazendo, temos favorável ensejo de apresentar a Cristo, o Crucificado" (Beneficência Social, p. 74). E finaliza: "O verdadeiro cristão é amigo dos pobres. Ele trata com o seu irmão perplexo e desafortunado como se trata com uma planta delicada, tenra e sensível” (Idem, p. 168).

Felizmente, temos a promessa divina de que um dia todo o mal e todas as desigualdades acabarão. Haverá um novo céu e uma nova terra. Um novo tempo. Creia nesta promessa de Deus. Isto não nos deve levar a sermos insensíveis para com as necessidades do próximo, mas é uma certeza confortante.

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

MEDITAÇÃO #110 - MENTIROSOS

Estatísticas chegam a dizer que as pessoas mentem cerca de 200 vezes por dia e, em média, uma vez a cada 5 minutos, fazendo falsos elogios, dando desculpas “esfarrapadas” ou mentindo descaradamente.

Há várias razões para as pessoas contarem mentiras: medo das consequências, baixa autoestima, pressões externas, obtenção de ganhos e vantagens ou motivos patológicos.

A saúde mental só é compatível com a verdade. Estudiosos do comportamento dizem que, em estados neuróticos, a mentira pode refletir incapacidade da consciência de aceitar fatos do inconsciente ou por baixa autoestima, tentando mostrar algo melhor do que se acredita ser. Nas psicoses, a mentira surge na forma de delírio: as situações bizarras são descritas como verdadeiras. 

A mentira é sempre um erro, mesmo aquelas consideradas inofensivas, para justificar situações cotidianas. Fazer da mentira um hábito é grave porque esse mau costume está ligado ao caráter. E o caráter é aquilo que levaremos para o Céu. Deus abomina a mentira e não levará mentirosos para o Céu. Ellen White adverte: “Ninguém pense que pode se ocultar da ira de Deus, atrás de uma mentira, pois Ele arrancará da pessoa o refúgio de mentiras” (Testemunho Para Ministros, p. 182).

O povo de Deus deve ser conhecido como um povo que vive na verdade e pela verdade. Portanto, devemos fugir da mentira e não compactuar com os mentirosos. Vejamos uma lista contendo dez verdades que a Bíblia menciona sobre a mentira.

1. "Portanto, cada um de vocês deve abandonar a mentira e falar a verdade ao seu próximo, pois todos somos membros de um mesmo corpo" (Efésios 4:25).

2. "Não darás falso testemunho contra o teu próximo" (Êxodo 20:16).

3. "Não mintam uns aos outros, visto que vocês já se despiram do velho homem com suas práticas e se revestiram do novo, o qual está sendo renovado em conhecimento, à imagem do seu Criador" (Colossenses 3:9-10).

4. "O Senhor odeia os lábios mentirosos, mas se deleita com os que falam a verdade" (Provérbios 12:22).

5. "Quem pratica a fraude não habitará no meu santuário; o mentiroso não permanecerá na minha presença" (Salmos 101:7).

6. "Fora ficam os cães, os que praticam feitiçaria, os que cometem imoralidades sexuais, os assassinos, os idólatras e todos os que amam e praticam a mentira" (Apocalipse 22:15).

7. "O remanescente de Israel não cometerá injustiças; eles não mentirão, nem se achará engano em suas bocas. Eles se alimentarão e descansarão, sem que ninguém os amedronte" (Sofonias 3:13)

8. "Existem sete coisas que o Senhor Deus detesta e que não pode tolerar: ...a língua mentirosa, ... a testemunha falsa que diz mentiras" (Provérbios 6:16-19).

9. "Vocês pertencem ao pai de vocês, o Diabo, e querem realizar o desejo dele. Ele foi homicida desde o princípio e não se apegou à verdade, pois não há verdade nele. Quando mente, fala a sua própria língua, pois é mentiroso e pai da mentira" (João 8:44).

10. “Não mintam. Não enganem uns aos outros” (Levítico 19:11).

Escolha a verdade, por mais dolorosa que seja. A verdade é como a ferida limpa. Pode sangrar e doer, mas sara. Já a mentira é como a ferida purulenta. Você disfarça a realidade, esconde-a por um tempo, mas finalmente a mentira mata. Segundo Ellen White, toda mentira deve ser desmascarada: "Deus tem uma obra para Seus servos fiéis. Os ataques do inimigo precisam ser enfrentados com a verdade de Sua Palavra. A mentira precisa ser desmascarada, revelado seu verdadeiro caráter, e a luz da lei de Jeová precisa resplandecer por entre a escuridão moral do mundo" (Evangelismo, p. 625)

Que nossa oração seja: “Senhor, ajuda-me a transitar no caminho da verdade porque nele há luz e certeza. Ajuda-me a fugir da mentira porque sua penumbra confunde e deforma a realidade da vida.”