segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Os cristãos e suas mentes ansiosas

Você já sentiu uma sensação ruim de medo, uma preocupação incomum sobre o futuro e o aumento das batidas do coração a ponto de achar que iria morrer? Esse mal tem nome: ansiedade.

Presente na sociedade desde a aurora da civilização, a ansiedade acompanha o ser humano como parte de sua própria condição pós-pecado. Ela caracteriza nossa estrutura psíquica, já que a vida é precária e não podemos controlar nossas emoções, o ambiente e o futuro. Na busca por transcendência, descobrimos nossa limitação e finitude. Porém, nos últimos anos, com a aceleração do tempo, a desconexão do espaço, a mecanização das tarefas, a fragmentação da comunidade e a desvalorização da vida, o grau de ansiedade aumentou geometricamente. O próprio Cristo profetizou que, no fim, as nações experimentariam pânico por causa dos acontecimentos, e as pessoas, apreensivas, desmaiariam de terror (Lc 21:25-26). Portanto, se você tem sido vítima da ansiedade, não está sozinho.

Há vários tipos de ansiedade que dominam as mentes religiosas e seculares, como a existencial, a inquietude que angustia os que não veem significado na vida, nem propósito na existência; posicional, o desassossego que agita os que buscam popularidade e prestígio a qualquer preço; funcional, o temor exagerado de não ser bom o suficiente para encarar as exigências do mercado; econômica, o pavor de não ter dinheiro para enfrentar as crises financeiras e as carências da vida; cognitiva, a incerteza que intranquiliza os que vivem atribulados pela dúvida; tecnológica, a ambição que impacienta os que trocam de aparelho todo ano e consultam as mídias sociais a cada momento; familiar, o receio que resulta das dificuldades de convivência com o cônjuge ou das preocupações com os filhos; soteriológica, a apreensão que paralisa os que não têm certeza da salvação; tanatológica, o medo que aterroriza os que não estão preparados para a morte e se desesperam diante da possibilidade de separar-se dos queridos; e escatológica, a tensão que domina os que pensam demais sobre o fim do mundo e veem sinais alarmantes em cada notícia de jornal.

No sentido mais profundo, Deus tem a solução para todas essas ansiedades. A Bíblia não fala muito de ansiedade; o conceito de medo é muito mais frequente. Porém, o conselho bíblico é que não devemos andar ansiosos por nada e que lancemos toda a nossa ansiedade sobre Deus, pois Ele cuida de nós (Mt 6:25-34; Fp 4:6; 1Pe 5:7). Várias passagens bíblicas podem ser resumidas numa palavra: relaxe! Não no sentido de não ter responsabilidade nem fazer as coisas malfeitas, mas de confiar em Deus e descansar Nele.

Muitos cristãos vivem assustados e estão aprisionados no círculo sem saída da ansiedade porque veem ameaças em cada esquina. Mas não precisamos temer. A religião deveria reduzir a ansiedade, e não aumentá-la. Em termos coletivos, a igreja já passou por momentos de ansiedade superlativa, em épocas de guerra, perseguição, fanatismo, mornidão e crise, e sobreviveu. Com a ajuda divina, nós também sobreviveremos.

A vivência do evangelho, que inclui a libertação do medo, é o fim da ansiedade. Quem está em Cristo tem tranquilidade de espírito, pois Ele é nossa paz (Mt 11:28-30; Jo 14:27; 16:33; Ef 2:14; Fp 4:7). O amor, personificado por Deus (1Jo 4:8, 18), elimina o medo. Portanto, tranquilize-se! Substitua o medo pelo amor, a dúvida pela confiança e a ansiedade pela paz.

Marcos De Benedicto (via Revista Adventista)

Nota: Deixo abaixo, um sábio conselho de Ellen G. White:

"Achamo-nos num mundo de sofrimento. Dificuldades, provações e dores nos aguardam em todo o percurso para o lar celestial. Muitos existem, porém, que tornam duplamente pesados os fardos da vida por estarem continuamente antecipando aflições. Se têm de enfrentar adversidade ou decepção, pensam que tudo se encaminha para a ruína, que a sua situação é a mais dura de todas, e que vão por certo cair em necessidade. Trazem assim sobre si o infortúnio e lançam sombras sobre todos os que os rodeiam. A própria vida se lhes torna um fardo. Entretanto não precisa ser assim. Custará um decidido esforço mudar a corrente de seus pensamentos. Mas essa mudança pode acontecer. Sua felicidade, tanto nesta vida como na futura, depende de que fixem a mente em coisas animadoras. Desviem-se eles do sombrio quadro, que é imaginário, voltando-se para os benefícios que Deus lhes tem espargido na estrada, e para além destes, aos invisíveis e eternos." (A Ciência do Bom Viver, pp. 247 e 248)

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Por onde anda o amor ao próximo?

A Bíblia diz que nos últimos tempos o amor de muitos esfriaria. Se “o amor esfriar” não é ignorar as pequenas necessidades do próximo, não sei o que é. Infelizmente, é muito difícil mudarmos as outras pessoas. Mas o que podemos fazer é mudar a nós mesmos. Por isso proponho a você uma reflexão sobre suas atitudes. Será que você tem amado de fato o próximo?

Entenda que o amor ao próximo não se demonstra apenas em gestos grandiosos. Não é sendo missionário na África, tornando-se a Madre Teresa de Calcutá ou doando milhões de reais para a caridade que você será alguém que ama o próximo. Até porque, convenhamos, essas são ações que não estão ao alcance da esmagadora maioria das pessoas. Mas você tem a possibilidade de exercer o amor ao próximo diariamente, em pequenos gestos.

Ceder o lugar no ônibus, abrir a porta para senhoras passarem, puxar a cadeira no restaurante, ceder a vez no trânsito, permitir que gente idosa passe à sua frente na fila, deixar que o último pão da padaria seja comprado por outra pessoa, abrir mão do seu tempo para ouvir quem está triste, fazer elogios, dar de comer a quem tem fome e de beber a quem tem sede… Atitudes como essas custam muito barato ou nada e, acredite, não doem.

Você pode achar que pequenos gestos como esses não fazem a diferença. Mas lembre-se de que é do acúmulo de uma grande quantidade de tijolos bem pequenos que você constrói um enorme edifício de dezenas de andares. Pequenos gestos de amor fazem toda a diferença. Jesus morreu pela humanidade, e isso foi um gesto grandioso. Mas Ele também providenciou comida para pessoas que estavam com fome. Ele chorou em solidariedade à tristeza daqueles que estavam abatidos com a morte de Lázaro. Ele criou as galáxias, mas também as pequenas sementes, o que demonstra que dá atenção ao macro e também ao micro. Perceba: Deus se preocupa com amor e não apenas com grandes gestos de amor. Se for amor, pode ter a dimensão que tiver, será apreciado pelo Senhor e fará toda a diferença para o próximo.

Pode ser que você pense que a pequena gentileza não importa mais, porque, afinal, ninguém mais dá bola para isso. Que pequenos atos de solidariedade são coisa do passado... Todos os samaritanos deixariam o judeu roubado espancado caído à beira do caminho, mas Jesus disse que quem amava o próximo era justamente aquele que fez o que todos os outros não fariam. Que exemplo! E lembre-se que Deus vive fora do tempo, por isso, o conceito de que “isso era gentileza, mas não é mais”, simplesmente não existe para o Senhor.

Amor é amor. O que revela o amor, seja “grande” ou “pequeno”, é um coração que abre mão de si pelo próximo.

Peço a Deus, meu irmão, minha irmã, que você faça a diferença. Que entenda que vivemos dias de muito desamor e que o amor é um item extremamente necessário e cada vez mais raro em nosso meio. Nem que sejam pequenas gotas de amor. Porque uma gota de amor após a outra, após a outra, após a outra… acaba gerando uma inundação de amor. Faça a sua parte. Ame. Por favor, ame. Pelo amor de Deus, ame. Abra mão de si em benefício do próximo, assim como Jesus abriu mão de si em nosso benefício. Acredito que, ao chegar diante do Pai celestial, o teu pequeno sacrifício será reconhecido como um grandioso gesto de amor.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,

Maurício Zágari (via Apenas)

"Qualquer ser humano que necessite de nossa simpatia e de nossos préstimos é nosso próximo. Os sofredores e desvalidos de toda classe são nosso próximo; e quando suas necessidades são trazidas ao nosso conhecimento, é nosso dever aliviá-los tanto quanto nos seja possível. Devemos cuidar de todo caso de sofrimento e considerar-nos a nós mesmos como instrumentos de Deus para aliviar os necessitados até o máximo de nossas possibilidades. Devemos amar a Deus sobre todas as coisas, e ao nosso próximo como a nós mesmos. Sem o exercício desse amor, a mais alta profissão de fé não passa de hipocrisia." (Ellen G. White - Beneficência Social, p. 45-46)

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

50 anos do Festival de Woodstock - Deus esteve lá!

Há 50 anos, acontecia numa cidadezinha chamada Bethel, há 80 km de Woodstock, interior do estado de Nova York, o maior festival de Rock da história. Meio milhão de jovens se reuniram entre 15 e 17 de agosto de 1969, para ouvir algumas das mais importantes bandas de rock da época, debaixo de muita chuva e em cima de muita lama.

Woodstock não foi apenas um festival de rock. Foi uma espécie de oficialização do rompimento daquela geração com os valores que norteavam a sociedade ocidental pós-guerra. No imaginário coletivo, foi o momento e o lugar nos quais o inconformismo e a rebeldia de uma geração castigada pela Guerra do Vietnã se manifestaram plenamente.

Interessante que o nome Bethel nos remete ao lugar em que Jacó se encontrou com Deus pela primeira vez. Foi lá que ele, depois de ter fugido da casa de seus pais para não ser assassinado por seu raivoso irmão, viu o céu aberto, e anjos que transitavam entre o céu e a terra. A pedra que o patriarca usou como travesseiro foi erigida como altar, e o lugar passou a ser chamado “casa de Deus” (Bethel, em hebraico). Milhares de anos depois, uma multidão de jovens se reúne num lugar com o mesmo nome, para erigir um novo altar. 

Na cultura semítica, altares eram erigidos como marcos, que identificavam o início de uma nova jornada, ou pelo menos, uma escala importante em uma jornada já começada. A partir de Woodstock, aquela geração passou a enxergar o mundo dividido em dois grupos, “nós” e “eles”. E o pronome “eles” era aplicado principalmente aos pais. O abismo entre gerações que antes era velado, e se dava de maneira discreta e quase silenciosa, agora tomava uma proporção inédita. 

- Não queremos ser cúmplices do que vocês estão fazendo com o mundo! Diziam eles. - Queremos reinventar o mundo, sem guerras, sem fome, sem hipocrisia, onde impere a paz, o amor e o prazer. 

Sem dúvida, aquela foi uma geração idealista e sonhadora. “Faça amor, não faça guerra” era o seu lema. Mas naquele Bethel, faltou o principal: A conexão com o Deus de Jacó! No lugar de Deus, eles entronizaram outra trindade: droga, sexo e rock’n roll. 

Cinquenta anos depois, podemos verificar o que ficou de positivo ou negativo da rebeldia idealista da geração que contestou e mudou nossa visão do mundo. Woodstock revelou ao mundo a força que tem a juventude. E talvez a maior glória daquela geração tenha sido arrancar os Estados Unidos do Vietnã. Seu exemplo repercute até hoje no ativismo em defesa do meio ambiente e de outras causas justas. O jovem passou a ser visto como o centro do universo do consumo, o que até hoje pode ser verificado através do constante apelo publicitário direcionado a este público. 

Infelizmente, aquele engajamento político e idealista não perdurou muito tempo. Aquela geração sequer conseguiu contagiar seus filhos com sua utopia. Por conta disso, as gerações seguintes perderam o interesse de mudar o mundo, voltando a priorizar a ascensão profissional e social. 

As drogas, que ingenuamente foram experimentadas como uma maneira de aguçar a percepção, se tornaram instrumentos de fuga da realidade e de alienação. E o pior é que abriram a porta para o uso de drogas cada vez mais pesadas, cuja proliferação é a responsável pela difusão da criminalidade. O amor livre, antes pregado com orgulho e praticado sem o menor escrúpulo, revelou-se como promiscuidade, o que provocou um dos maiores pesadelos da juventude das décadas de 80 e 90: a Aids. 

Até a música, antes usada para contestar, vendeu-se às grandes gravadoras e se tornou em mais um instrumento alienante da juventude. Pelo que tudo indica, o sonho acabou. 

Mas nem tudo está perdido. Deus está convidando a nossa geração para um reencontro em Bethel. Um Woodstock onde o lema “Paz e Amor” receba a inclusão da palavra “Graça”. Um lugar onde as gerações se reencontrem e celebrem a possibilidade de um novo mundo. Em vez de abrir-se um abismo entre gerações, construiremos uma ponte para interligá-las. 

Jacó estava fugindo da realidade, imaginando que poderia romper com tudo, e começar uma nova história. Mas em Bethel, Deus lhe apareceu em sonho para dizer-lhe: “Eu sou o Senhor, o Deus de Abraão, teu pai, e o Deus de Isaque. Esta terra em que estás deitado, Eu a darei a ti e à tua descendência” (Gn 28:13). 

Agora Jacó se via situado no tempo e no espaço. A ponte entre nós, as gerações que nos antecederam e as que nos sucederão só será possível se houver uma escada que nos ligue aos céus. Na linguagem da geração Woodstock, Jacó teve o maior barato. Ele viu que havia uma ligação entre o céu e a terra. E é esta ligação que possibilita o ajuste entre nós, nossos contemporâneos, nossos antecessores e nossos sucessores. 

Jacó, embasbacado com o que via, expressou-se: "Deus estava aqui e eu não sabia". Da mesma maneira, Deus estava em Woodstock naqueles três dias, mas ninguém ficou sabendo. Diz-se que algumas bandas como The Doors foram convidadas, mas preferiram não participar, achando que o festival seria um fiasco, por ser realizado num ambiente rural, em vez de no Central Park em Nova York. Tais bandas se arrependeram amargamente. Deus, mesmo não sendo convidado, fez questão de estar lá, conferindo in loco a angústia e os anseios daquela geração perdidamente sonhadora. Ele passeava entre os corpos nus e enlameados, compadecendo-Se de uma multidão que era como ovelhas sem pastor (Mt 9:36). 

Sim, Deus esteve em Woodstock, mas não tocou alarde. Preferiu a discrição. Em outras palavras, Ele simplesmente deixou rolar. E a chuva que enviou não foi com a intenção de estragar a festa, antes, representava a Sua incompreensível Graça. Pena que ninguém ficou sabendo. Janis Joplin e Jimi Hendrix morreram sem saber. Talvez se tivessem sabido, ainda estariam por aí, nos brindando com suas habilidades musicais. 

Creio firmemente que um novo Woodstock precisa acontecer. Não me refiro ao festival em si, mas àquilo que representou para o mundo. A atual geração está passando por uma fermentação que resultará em algo vultuoso, com desdobramentos espirituais, sociais e culturais. A qualquer momento eclodirá o despertar de uma nova visão de mundo. Um Woodstock pleno, sem drogas, sem promiscuidade, mas com graça, paz e amor. 


Nota: Segue algumas mensagens maravilhosas que Ellen G. White deixou sobre os jovens: 

“Nas cenas finais da história deste mundo, muitos jovens encherão de admiração o povo pelo seu testemunho em favor da verdade, o qual será dado de modo simples, no entanto com espírito e poder" (Conselhos aos Pais Professores e Estudantes, p. 166). 

"Temos hoje em dia um exército de jovens que podem fazer muito, se devidamente dirigidos e animados. Queremos que nossos filhos acreditem na verdade. Queremos que eles sejam abençoados por Deus. Queremos que eles tomem parte em planos bem organizados para auxiliarem outros jovens. Que todos sejam tão bem preparados, que possam representar devidamente a verdade, dando a razão da esperança que há neles, e honrando a Deus em qualquer ramo da obra no qual se achem aptos a trabalhar" (Serviço Cristão, p. 30). 

"Deus quer que os jovens se tornem homens de espírito zeloso, a fim de estarem preparados para a ação em Seu nobre trabalho e serem aptos a assumir responsabilidades. Deus pede jovens de coração incorrupto, fortes e valorosos, e determinados a combater varonilmente na luta que se acha diante deles, a fim de glorificarem a Deus e beneficiarem a humanidade" (Mensagens aos Jovens, p. 21).

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Psicólogos debatem hábito de beijar filhos na boca

Todos os dias, a imagem de uma mãe dando um "selinho" na boca da filha invade a casa de uma legião de brasileiros. No retrato que aparece na abertura da novela "Por amor", reprisada na faixa "Vale a pena ver de novo", ninguém menos do que Regina Duarte, a eterna namoradinha do Brasil, dá um afetuoso beijo em sua filha, Gabriela. Exibido pela primeira vez em 1998, o folhetim de Manoel Carlos já foi reprisado algumas vezes sem que a fotografia suscitasse debates. Mas muita coisa mudou nos últimos anos, e fotos em que pais aparecem beijando seus filhos na boca andam motivando discussões acaloradas nas redes sociais, enquanto psicólogos se dividem sobre o tema.

Um dos casos mais recentes envolveu a atriz Adriane Galisteu, que recebeu críticas nos comentários da foto de um selinho entre o marido, o empresário Alexandre Iódice, e o filho, Vittorio, de 9 anos. "Aqui a gente dá muito beijo mesmo, aqui a gente não se desgruda, aqui não temos preconceito, aqui só é bem-vindo quem ama", ela respondeu a um dos seguidores que criticaram a imagem.

Mais de duas décadas depois de "Por amor" estrear em horário nobre, Gabriela faz coro à colega de profissão. No seu caso, ela considera o uso da foto com a mãe na abertura da novela um momento marcante: "Adoro lembrar dele. Essa foto representa o puro afeto que eu e ela temos uma pela outra".

A troca de bitocas, aliás, foi transmitida entre as gerações, na família de Gabriela. "O selinho é e sempre foi liberado aqui em casa. Ele não é nada além de muito amor entre nós", diz a atriz, referindo-se aos filhos, Manuela, de 12 anos, e Frederico, de 8, frutos de seu casamento com o fotógrafo Jairo Goldfuss.

Na opinião dela, críticas como as que foram feitas à Adriane Galisteu não fazem o menor sentido. "É inacreditável sexualizar e criticar um gesto tão afetuoso entre mães, pais e filhos. Cada família tem o seu modo de ser. É apenas uma forma carinhosa de lidar. Será que essas pessoas se impressionam também com a quantidade de ódio e violência na TV aberta?", questiona.

A prática divide opiniões entre profissionais. Para o psicólogo clínico Ailton Amélio, professor aposentado da USP, o tal beijo pode causar problemas posteriores. "Na fase adulta ou na juventude, as pessoas podem vir a adquirir conceitos que as levem a condenar retroativamente o que aconteceu durante a infância. Podem se sentir violadas e ter raiva dos pais, por exemplo."

No cenário internacional, o debate também é quente. Em novembro do ano passado, o ex-jogador de futebol britânico David Beckham foi muito criticado na internet por dar um selinho na filha Harper, de 7 anos. Sem se importar com a repercussão, ele repetiu o gesto carinhoso em junho deste ano, durante um jogo da Copa do Mundo Feminina. Jogador de futebol americano e marido de Gisele Bündchen, Tom Brady também já foi clicado algumas vezes dando um selinho em seu filho Benjamin.

A discussão acontece, segundo Ailton, porque o beijo é um comportamento cultural, naturalizado de diferentes maneiras em cada sociedade. Como ele lembra, há países em que o beijo na boca entre dois homens como cumprimento é rotineiro e desprovido de carga sexual, diferente do que acontece no Brasil, por exemplo.

A psicóloga clínica infantil Maria Luiza Bustamante, professora aposentada do instituto de psicologia da Uerj, é ainda mais incisiva ao comentar o assunto: "É errado e não deve ser feito". Ela justifica a opinião com o fato de o beijo na boca ser uma prática muito sexualizada na cultura ocidental. "Não podemos prever as consequências desses beijos, já que tudo vai depender da relação entre pais e filhos. Mas há um alto risco de causar confusão na mente da criança. Na nossa cultura, o beijo na boca é erotizado. Na bochecha, não."

Já o psicólogo e pesquisador da comunicação humana da UFMG Cláudio Paixão, doutor em Psicologia Social, não considera o hábito condenável. "Tudo vai depender de como se dá a troca de afeto na família. Se o selinho é naturalizado, não o vejo como algo prejudicial. O problema, muitas vezes, está na interpretação de terceiros, que têm um olhar maldoso", discorre ele, acrescentando uma ponderação: "Devemos lembrar que uma pessoa pode pegar na mão de outra munida de uma conotação sexual muito maior do que a de um beijo na boca". 

Charlotte Reznick é professora da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, e autora do best-seller The power of your child’s imagination: how to transform stress and anxiety into joy and success. Ela disse ao site The Sun que beijar os filhos na boca deve ser evitado por ser “muito sexual”.

Ela diz que a boca é uma zona erógena e que deve-se evitar esse tipo de toque em crianças. Ela comenta que beijos podem ser “estimulantes e potencialmente confusos.” Ela acrescenta: “Se a mamãe beija o papai na boca e vice-versa, o que quer dizer quando eu, uma menina ou menino, beijo os meus pais na boca?”

Ela diz que pode ser confuso para os pais e filhos a hora de saber quando parar de beijar na boca. O site Daily Mail mostra exemplos de pais que beijam filhos adolescentes e também adultos e não veem problema nisso. O site comenta que mesmo que os filhos ou os pais não sintam que é estranho se beijar, pessoas de fora que estiverem olhando, com certeza, se sentirão constrangidas.

A psicóloga Reznick também comenta que aos 5 ou 6 anos a criança começa a ter consciência sexual e como a boca é uma zona erógena, o beijo pode ser estimulante para a criança. Ela diz que “crianças gostam de ser tocadas na testa, bochechas e mãos. Os lábios são diferentes porque há mais nervos e são mais sensíveis à estímulos.”

A psicóloga Margarida Antunes Chagas diz que beijar na boca da criança depende da idade e contexto familiar, mas ela diz que beijar na boca dos filhos é desnecessário já que há outros modos de mostrar afeição por eles, como carinhos, abraços e beijos no rosto.

Segundo a psicóloga Antunes Chagas, “(…) crianças muito pequenas talvez não percebam o selinho como algo sexualizado, mas a partir de determinada etapa do desenvolvimento, que acontece em idades diferentes entre as crianças, elas começam a perceber o beijo na boca como algo ligado ao amor romântico.”

A psicóloga Hilda Avoglia, especialista em desenvolvimento da criança e do adolescente na Universidade Metodista de São Paulo, diz que as crianças podem “associar o beijo na boca com as imagens que assistem na televisão.”

Há também os riscos de transmissão de doenças. A doutora em odontopediatria Erika Guimarães diz que “a boca é um dos locais do nosso corpo com maior número de bactérias, e algumas delas podem causar doenças, como a cárie.”

“Os adultos possuem muitas colônias de bactérias, algumas são benéficas, mas há as que provocam doenças. E quando o bebê nasce, sua boca tem pouquíssimas bactérias e seu sistema imunológico é imaturo. Ao beijar a boca do bebê, o adulto pode transmitir, além de bactérias, vírus e fungos”, afirma Érika. 

(Com informações de O Globo e Família)

terça-feira, 13 de agosto de 2019

Vamos falar sobre... INVEJA

Na Divina Comédia, de Dante Alighieri, os invejosos não vão para o inferno, vão para o purgatório. O castigo: pálpebras costuradas por fios de arame. Para o historiador Leandro Karnal, "o castigo faz sentido, já que toda a inveja vem do olhar. Invejamos o que está próximo da gente. A inveja é um tipo de cegueira, ela é a dor pelo sucesso alheio."

Entre todas as características existentes, a inveja é a mais ridícula, pois não se pode obter qualquer vantagem a partir dela. Um famoso e antigo ditado afirma: “Sempre que comparamos o que queremos com o que temos, ficamos infelizes. Em vez disso, compare o que você merece com o que tem e descobrirá a felicidade.” 

Não é tentar “manter-se à altura de alguém” o que nos causa tanto problema, e sim tentar ultrapassá-los. “A única competição digna de um sábio é a realizada contra si mesmo”, observou Washington Allston. Nada o distancia mais rapidamente de seus objetivos, do que tentar se manter à altura de quem já chegou lá. 

A inveja é uma das formas mais sutis de se julgar os outros. Richard Evans pronunciou: "Que nunca deixemos as coisas que não podemos ter ou as que não temos, nos impedirem de usufruir as coisas que temos e as que podemos ter." O que nos faz ficar insatisfeitos com a nossa condição pessoal é a crença absurda de que os outros estão muito mais felizes do que nós. Thomas Fuller disse: “A comparação, mais do que a realidade, faz o homem feliz ou arrasado.” 

Hellen Keller diz: “Em vez de comparar nosso quinhão com os que são mais afortunados que nós, devemos compará-lo com o quinhão da grande maioria de nossos companheiros. Então parecerá que estamos entre os privilegiados.” A inveja não consome nada a não ser o coração do invejoso. É uma espécie de admiração por aqueles que você menos quer agradar. 

Crisóstomo refletiu: “Como a traça rói a roupa, assim também a inveja consome o homem.” A inveja fornece a lama que o fracasso atira no sucesso. Há muitos caminhos para uma vida malsucedida, mas a inveja é o mais curto de todos.

Se a inveja fosse uma doença, todos estariam contaminados. Francis Bacon afirmou: “A inveja não tem feriados nem tira folga.” A inveja que procura nos comparar a outros é tolice. 

E o que a Bíblia nos aconselha quanto a esse sentimento?

“Quando eles se medem e se comparam consigo mesmos, agem sem entendimento” (2 Coríntios 10:12). 

"Não nos deixemos possuir de vanglória, provocando uns aos outros, tendo inveja uns dos outros" (Gálatas 5:26). 

"O rancor é cruel e a fúria é destruidora, mas quem consegue suportar a inveja? (Provérbios 27:4).

"O coração em paz dá vida ao corpo, mas a inveja apodrece os ossos" (Provérbios 14:30).

"Não inveje os pecadores em seu coração; melhor será que tema sempre o Senhor" (Provérbios 23:17).

"O ressentimento mata o insensato, e a inveja destrói o tolo" (Jó 5:2).

"Pois onde há inveja e ambição egoísta, aí há confusão e toda espécie de males" (Tiago 3:16).

"Portanto, livrem-se de toda maldade e de todo engano, hipocrisia, inveja e toda espécie de maledicência" (1 Pedro 2:1).

"Não julguem, para que vocês não sejam julgados" (Mateus 7:1). 

Para finalizar, Ellen G. White também nos deixou algumas importantes considerações sobre a inveja. Encontramos estes textos em Testemunhos Seletos, vol. 2, p. 19 e em Nossa Alta Vocação, p. 230:

"A inveja não é meramente uma perversidade do gênio, mas uma indisposição que perturba todas as faculdades. Começou com Satanás. Ele desejou ser o primeiro no Céu e, como não alcançasse todo o poder e glória que buscava, rebelou-se contra o governo de Deus. Invejou nossos primeiros pais, tentando-os ao pecado, e assim os arruinou, e a todo o gênero humano. Os que lhe escutam a voz desmerecerão os outros, e deturparão e falsificarão a fim de se apresentarem bem a si mesmos. Mas coisa alguma que contamine poderá entrar no Céu, e a menos que os que nutrem esse espírito mudem, jamais poderão ali entrar, pois criticariam os anjos. Invejariam a coroa dos outros. Não saberiam em que conversar a menos que salientassem as imperfeições e erros dos demais."

"O invejoso fecha os olhos às boas qualidades e nobres ações dos outros. Está sempre pronto a desprezar e representar falsamente aquilo que é excelente. Os homens muitas vezes confessam e abandonam outras faltas; do homem invejoso, porém, pouco se pode esperar. Visto como invejar a alguém é admitir que ele é superior, o orgulho não tolerará nenhuma concessão. Se for feita uma tentativa de convencer de seu pecado a pessoa invejosa, ela se torna ainda mais amarga contra o objeto de sua paixão, e muitas vezes permanece incurável."

"O invejoso espalha veneno aonde quer que vá, separando amigos, e suscitando ódio e rebelião contra Deus e o homem. Procura ser considerado o melhor e o maior, não mediante heroicos e abnegados esforços por alcançar ele mesmo o alvo da excelência, mas sim ficando onde está e diminuindo o mérito dos outros."

O que há de errado com nossas músicas e nossos sermões?

É correto dizer que a música contemporânea de louvor enfatiza temas como vitória pessoal e paixão por Jesus. Mas não é correto afirmar que a predominância dessa temática triunfalista, individualista e sentimental seja culpa exclusiva dos músicos. Falando francamente, esses temas ressaltados em tantas músicas correspondem aos temas predominantemente abordados no púlpito das igrejas.

Proliferam vídeos e sermões que apresentam Deus como o sócio para os negócios e Jesus como o ser meigo e bondoso que dá um abraço quando você chora. Não estou dizendo que o Pai e o Filho não Se importam com os problemas da vida humana, mas Cristo não morreu na cruz para levantar minha autoestima.

Há quase uma relação direta entre uma sociedade que supervaloriza o sucesso pessoal e igrejas que trocaram o sermão bíblico pela palestra motivacional. Queremos tanto resolver nossos problemas profissionais e familiares que, ao chegarmos na igreja, esperamos uma mensagem terapêutica que nos faça rir, chorar e tomar boas decisões que duram até alcançarmos a porta de saída do templo.

De modo idêntico, a música acaba sendo utilizada para levantar o espírito dormente das pessoas antes do sermão. Ou seja, a música deixa de ser usada como mensagem de adoração e edificação congregacional e passa a servir a um exercício terapêutico de subir e descer as emoções nas asas do louvor. No entanto, o teólogo Gerald A. Klingbeil escreve que “a música não é o complemento emocional para a pregação intelectual da Palavra de Deus. A música deve também ter um aspecto racional/intelectual” (Música na Igreja: Veículo de Adoração e Louvor, p. 24).

A música não é um acessório nem um complemento do sermão. Ela também é um tipo de sermão, pois também proclama o evangelho e os atos de Deus na vida das pessoas. Nesse sentido, qual é o sermão que estamos pregando através das letras de nossas músicas? Se considerarmos a música um espelho do púlpito, um reflexo da proclamação do evangelho, então veremos canções de teologia sólida e poesia criativa refletindo positivamente sermões consistentes e nutritivos, mas, infelizmente, veremos também músicas espelhando sermões superficiais.

Em suma, biblicamente mal alimentados, desprovidos de proteína teológica e sem buscar por si mesmos a nutrição intelectual/espiritual, há músicos que simplesmente reproduzem em suas letras a falta de consistência e a aridez bíblica que ouvem dos púlpitos. Gerald Klingbeil acrescenta: “O que precisamos é de filhos de Deus criativos que podem vencer o desafio e colocar em prática o […] essencial: integridade de adoração (que fala tanto ao intelecto como às emoções) e uma clara proclamação da mensagem”.

Dizemos que a canção cristã precisa ser reformada. Mas a reforma da música e da adoração está relacionada à reforma do púlpito. Assim não haverá tantos cânticos teologicamente rasos espelhando sermões biblicamente superficiais.

Joêzer Mendonça (via Revista Adventista)

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Cristãos arrogantes não existem

A arrogância é uma doença espiritual maligna e silenciosa. Um dos efeitos dessa moléstia é que, em geral, o arrogante se acha a pessoa mais humilde do mundo – ele não se vê como verdadeiramente é. Constantemente aponta os erros dos outros mas não consegue perceber como a sua essência está contaminada – e, se consegue, tem a arrogância de dizer que não é arrogante. Hoje está totalmente disseminado o conceito antibíblico de que é possível ser arrogante e ser um bom cristão. Não é. É absolutamente impossível ser um homem segundo o coração de Deus e ser arrogante ao mesmo tempo. São características que não cabem no mesmo indivíduo.

Arrogância é sinônimo de orgulho, altivez, soberba, prepotência. 

"Deus aborrece o orgulho, e… todos os orgulhosos, e todos os que procedem impiamente, serão como palha, e o dia que está para vir os consumirá" (Mensagens aos Jovens, p. 128).

Mostre-me um arrogante e lhe mostrarei um homem sem Deus. Esse é um pecado tão grave que o salmista diz ao Senhor: 

“Os arrogantes não permanecerão à tua vista”. (Sl 5:5) 

Em 2 Timóteo 3:1-2, o apóstolo Paulo fala sobre o perfil dos homens nos últimos tempos: 

“Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes…”. 

Sim, o olhar altivo do arrogante é um dos defeitos que Deus mais detesta, como Salomão deixa claro em Provérbios 6:16-19. 

É fácil diagnosticar alguém que sofre de arrogância. Comece procurando uma pessoa que se acha especial. Diferente. O escolhido. O “cristão” altivo tem essa pretensão, achar que tem em si algo tão singular que Deus o separou do resto da humanidade. Pois os verdadeiramente separados pelo Senhor para realizar grandes feitos simplesmente os executam, não ficam fazendo alarde disso, e se mantêm com uma extraordinária postura de humildade (é só ver o caso do rei Davi). De certo modo, há em todo arrogante um pouco de nazista: ele se acha praticamente membro de uma linhagem superior, um ariano, eleito pelos céus para mostrar à humanidade errada que ele é quem está certo. 

Essa é outra característica sempre presente no arrogante: ele se acha o dono da verdade. Se alguém discorda dele é porque é ignorante, atrasado, desinformado, rebelde, não foi tão iluminado por Deus, não entendeu as realidades do alto ou qualquer coisa do gênero. Isso acontece porque a arrogância cega. Ela não deixa o arrogante se ver como tal. Assim, qualquer verdade fora da sua verdade é inverdade. E ele trata quem dele discorda como culpado de uma suposta ignorância proposital. Discordar do arrogante é visto por ele praticamente como uma ofensa. Até porque, no seu entendimento, as outras pessoas existem em função dele. 

Lamentavelmente, o “cristão” arrogante em geral ganha discípulos. No caso do arrogante carismático, arrebanhará multidões, que se tornarão seus seguidores cegos – fãs tão fanáticos que não suportam ouvir uma crítica a seus ídolos. Hitler foi assim. Temos os nossos hitlers hoje em dia, líderes orgulhosos e altivos, que se tornam deidades das massas. Seu carisma atrai os incautos para a armadilha e a arrogância enterra seus seguidores, ao ser tomada como modelo e padrão aceitável. Em vez de uma triste doença, a soberba dos tais é vista e exaltada como uma qualidade, um sinal de força e posicionamento. Aos olhos de muitos, até como unção. Só que não passa da mais maligna e destrutiva soberba: 

“A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito, a queda.” (Pv 16:18) 

"A soberba é um terrível aleijão no caráter. 'A soberba precede a ruína'. Isto é verdade na família, na igreja e na nação" (Testimonies, vol. 4, p. 377).

E há, por outro lado, os arrogantes sem carisma, que se impõem em geral por seus cargos, fazem poucos discípulos sinceros – os que nele de fato creem acabam reproduzindo a mesma arrogância. Seja o arrogante carismático ou não, tornar-se um discípulo dele é altamente prejudicial: 

“Bem-aventurado o homem que põe no Senhor a sua confiança e não pende para os arrogantes.” (Sl 40:4) 

O arrogante geralmente se prende a títulos e cargos para legitimar-se. Esteja ele em que grau da hierarquia estiver. “Sabe com quem está falando? Eu sou o diácono aqui”, empavona-se. Não se contenta em ser quem é, precisa do reconhecimento e do garbo. Sem adjetivos a sua arrogância sente-se ofendida. É por isso que nascem entre nós tantos “patriarcas”, “ungidos do Senhor”, “doutores em divindade”, “profetas de Deus”. “vice-deus” ou o que for – o arrogante em geral se esforça mais por obter títulos do que empreender realizações. Enquanto o mais importante e preeminente dos humildes contenta-se em ser chamado de “Zé”, se for o caso, o arrogante exige para si títulos acessórios, que ficarão pendurados em seu nome como penduricalhos na farda de um velho general. 

"Sempre que a ambição e o orgulho são tolerados, a vida é maculada; pois o orgulho, não sentindo necessidade, cerra o coração para as bênçãos infinitas do Céu" (Profetas e Reis, p. 60).

Mas, por mais que receba o louvor alheio, o arrogante não se contenta com isso – precisa de mais. Pois realmente acredita que merece mais – afinal, ele é um escolhido de Deus. Daí surgem os impérios eclesiásticos, as empresas evangélicas de um homem só, as capitanias hereditárias gospel, as catedrais mundiais de qualquer coisa. E, para pôr tais empreendimentos de pé, o arrogante se coloca acima do bem e do mal: faz associações em jugo desigual para ter mais poder, dá propinas para ver avançar seus sonhos pessoais, cria falsas campanhas espirituais como forma de arrecadar dinheiro… enfim, faz o que for preciso para que seus projetos avancem – e sempre tem uma boa desculpa para justificar-se de que aquilo não é pecado. Peca porque, afinal, está fazendo para o Reino. Só que, na verdade, está fazendo para si mesmo. 

Não há arrogantes admiráveis – pense nos homens de Deus que você admira e, se enxerga neles altivez e prepotência, sugiro que deixe de admirá-los – pois não são tão homens de Deus assim. Só continua a admirar arrogantes, após se dar conta de que são arrogantes, quem admira a arrogância. E não se pode admirar a arrogância e Jesus ao mesmo tempo. 

A arrogância foi o pecado que fez aquele que ficava ao lado do Senhor no Céu tornar-se Satanás. Não bastava ele ser querubim da guarda ungido, permanecer no monte santo de Deus, andar no brilho das pedras. 

"O pecado originou-se na busca dos próprios interesses. Lúcifer, o querubim cobridor, desejou ser o primeiro no Céu. Procurou dominar os seres celestes, afastá-los de seu Criador, e receber-lhes, ele próprio, as homenagens. Portanto, apresentou falsamente a Deus, atribuindo-Lhe o desejo de exaltação própria. Tentou revestir o amorável Criador com suas próprias más características" (O Desejado de Todas as Nações, pp. 21 e 22).

É interessante reparar o caminho de corrupção que ele percorre, de anjo a demônio. No início, “perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado”, só que, aos poucos, “se achou iniquidade” nele. O que me entristece é que, se o destino dos homens arrogantes for o mesmo do querubim arrogante, o que eles ouvirão ao final de suas vidas é: 

“Te lançarei, profanado, fora do monte de Deus e te farei perecer […] em meio ao brilho das pedras. Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor; lancei-te por terra, diante dos reis te pus, para que te contemplem.” (Ez 28) 

É uma certeza quase matemática, que não tem como dar errado. Como registra Isaías 2:17: 

“A arrogância do homem será abatida, e a sua altivez será humilhada”. 

Fico triste, realmente triste por causa dos arrogantes. Pois, em geral, foram bons cristãos no início, mas, com o passar do tempo, começaram de fato a acreditar que são mais do que os demais. Assim como o diabo era perfeito, mas deixou seu coração enganá-lo, o mesmo processo ocorre com todo arrogante. Seu fim, lamento crer, não será diferente. Se não for abatido nesta vida, será na próxima. 

"Satanás caiu por causa de sua ambição de ser igual a Deus. Desejava participar dos conselhos e propósitos divinos, dos quais foi excluído por sua própria incapacidade, como ser criado que era, de compreender a sabedoria do Infinito Deus. Foi esse orgulho ambicioso que o levou à rebelião, e por esse mesmo meio procura ele causar a ruína do homem" (Testemunhos Seletos, vol. 2, p. 307).

Entre os salvos de Deus não há arrogantes, há os mansos e humildes de coração. Se um arrogante é alcançado pela graça, ele deixa de ser arrogante. Vou repetir: se um arrogante é alcançado pela graça, ele obrigatoriamente deixa de ser arrogante. Seus olhos perdem a altivez. Suas palavras abandonam o egocentrismo. Sua alma despreza os títulos e adjetivos. Seus projetos de projeção pessoal são postos de lado. Seu conforto passa a importar menos do que a obra de Deus. Suas ações passam a devotar-se ao ferido, ao doente e ao sofredor. A arrogância morre e em seu lugar brota o amor. Pois onde há amor não pode haver arrogância. 

O arrogante prioriza a si e, no máximo, seu círculo mais próximo de relacionamentos. O humilde prioriza o próximo como a si mesmo. Simples e bíblico. 

"O povo de Deus deve ser sujeito um ao outro. Deve aconselhar-se um com o outro, para que a deficiência de um seja suprida pela suficiência do outro" (Beneficência Social, p. 202).

Termino aqui, com uma explicação. Não dediquei tantas linhas aos arrogantes para acusá-los. Mas, primeiro, para compartilhar meu entendimento bíblico de que não existem cristãos arrogantes, é um conceito impossível à luz das Escrituras: se é de fato cristão não pode ser arrogante, se é arrogante não é cristão. Segundo, para que você veja se tem seguido ou mesmo sido alguém altivo e soberbo. E, por fim, para que oremos pelos arrogantes. Devemos amar os tais e pedir que o Senhor os cure dessa doença tão demoníaca. Oremos em especial para que venham a conhecer Cristo e tirem a si mesmos do altar. Não devemos desejar o mal dos arrogantes nem combater a arrogância com ataques, mas com oração e amor. Pois, se atacarmos os arrogantes com ferocidade e nossas próprias verdades, estaremos sendo tão arrogantes como eles. 

Propor isso é muito arrogante de minha parte? 

Paz a todos vocês que estão em Cristo, 

Maurício Zágari (via Apenas)

As inserções de textos de Ellen G. White foram feitas pelo blog.

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Ter ou não ter filhos no tempo do fim?

A Palavra de Deus predisse que o tempo do fim seria marcado por guerras, terremotos, fomes, epidemias e terror (Dn 8:17, 19; Lc 21:9, 10, 11, 26). A Bíblia alertou também que esse período decisivo na história humana seria um tempo de grandes mudanças sociais. Transtornos na vida familiar e imoralidade sexual estariam entre as coisas “difíceis de manejar” nestes críticos últimos dias (2Tm 3:1-5; Lc 17:28-30; Jd 1:7). Por que, neste tempo do fim, esses fatos tão amplos e poderosos poderiam influenciar a decisão dos cristãos quanto a ter ou não ter filhos?

Ellen G. White apoiou amplamente o plano original de Deus em relação ao matrimônio e a paternidade com bênçãos divinas para o homem. Ela comprovou com seu próprio exemplo ao casar-se e ter quatro filhos. Com respeito a oportunidade de ter ou não ter filhos neste tempo, é evidente que não vamos encontrar uma citação direta. Ellen White não escreveu muito acerca de ter filhos no tempo do fim, apesar de mencionar a atuação dos filhos e jovens ao serem usados por Deus na pregação final do evangelho.

“Nas cenas finais da história deste mundo, muitas destas crianças e jovens encherão de admiração o povo pelo seu testemunho em favor da verdade, o qual será dado de modo simples, no entanto com espírito e poder. Foi-lhes ensinado o temor do Senhor, e o coração se lhes abrandou por um estudo da Bíblia cuidadoso e acompanhado de oração. No próximo futuro, muitas crianças serão revestidas do Espírito Santo, e farão na proclamação da verdade ao mundo uma obra que, naquela ocasião, não pode bem ser feita pelos membros mais idosos das igrejas.” (Conselhos aos Pais Professores e Estudantes, p. 166)

Ellen White também menciona que Deus permitirá que alguns filhos descansem antes dos tempos difíceis e finais.

“Frequentemente o Senhor me tem revelado que muitos pequeninos hão de ser levados ao descanso antes do tempo de angústia. Veremos nossos filhos outra vez. Encontrar-nos-emos com eles e os reconheceremos nas cortes celestes. Ponde no Senhor a vossa confiança, e não temais." (Carta 196, 1899 - Orientação da Criança, p. 566)

Ao verificarmos o que Ellen White escreveu sobre matrimônio e família (O Lar Adventista) e sobre filhos e paternidade (Orientação da Criança), não vemos nada que possamos supor que o plano do Senhor para os matrimônios é que evitem ter filhos. Presume-se que esses temas delicados são deixados para consideração da consciência de cada um, a busca por uma resposta concreta em oração e reflexão. 

Também é fato que Ellen White notava de maneira muito conveniente que alguns matrimônios que ela conhecia, optaram por não ter filhos. As seguintes declarações ilustram essa questão:

“O egoísmo, que se manifesta de variadas formas, segundo as circunstâncias e a constituição peculiar dos indivíduos, deve morrer. Se tivessem filhos, e seu pensamento fosse compelido a desviar-se de si mesmo para o cuidado deles, para instruí-los e ser-lhes um exemplo, ter-lhes-ia sido isso uma vantagem. [...] O cuidado de crianças em uma família exige bastante tempo no lar, com as atenções comuns da vida doméstica, dando oportunidade para o cultivo da mente e do coração.” (Testemunhos para a Igreja, vol. 2, pp. 230-231) 

“Daquilo que me foi mostrado, os adventistas guardadores do sábado têm um fraco sendo do imenso lugar que o mundo e o egoísmo ocupam em seu coração. Se têm desejo de fazer o bem o glorificar a Deus, há muitos modos de fazê-lo. Mas vocês não sentiram que esse é o resultado da verdadeira religião. Esse é o fruto que cada árvore boa produzirá. Não perceberam que lhes é requerido interessar-se pelos outros, considerar os casos deles como se fossem seus, e manifestar interesse altruísta por aqueles que estão em maior necessidade de ajuda. Vocês não têm se achegado aos mais necessitados. Se tivessem filhos próprios para exercitarem cuidado, afeição e amor, não estariam tão encerrados em si mesmos com seus interesses pessoais. Se os que não têm filhos e a quem Deus fez mordomos de recursos, abrissem o coração para amparar crianças que necessitam de amor, cuidado e afeição e de serem ajudadas com os bens deste mundo, poderiam ser muito mais felizes do que são hoje.” (Testemunhos para a Igreja, vol. 2, p. 328-329)

Há uma carta que menciona o tema de forma direta, e um dos parágrafos foi publicado numa compilação dos escritos de Ellen White:

“Na realidade não é prudente ter filhos agora. O tempo é curto, os perigos dos últimos dias estão sobre nós, e as criancinhas, em grande parte, serão levadas antes disso.” (Carta 48, 1876 - Eventos Finais, p. 36)

Até onde se pode constatar, essa é a única consideração sobre o tema nos escritos de Ellen White. É pertinente verificar que, mais do que em qualquer outra apresentação, as cartas pessoais devem ser analisadas em seu contexto e em harmonia com as circunstâncias que as motivaram. Assim, impõe-se a necessidade de complementar de maneira breve as informações relativas aos conselhos de Ellen White acerca de não ter filhos no tempo do fim.

Esse parágrafo da obra Eventos Finais foi retirado de uma carta de três páginas do Arquivo de Cartas e Manuscritos do Centro White (Carta 48, 1876). Ellen White se dirige nessa ocasião ao pastor Van Horn e sua esposa Adélia. Suas palavras são proferidas com compaixão, porém também são firmes, e ao escrever, ela se manifesta com um sentimento de pena. A família Van Horn tinha ido trabalhar em Oregon, onde uma grande obra evangelizadora a esperava. Ao mesmo tempo, Ellen White os adverte que Satanás tinha planos para frustrar os propósitos de Deus.

A maior parte da carta se aplica especialmente a Adélia, uma mulher com grandes talentos, mas ao mesmo tempo com perigosas limitações. A irmã White a descreve como uma pessoa emotiva, perigosa, às vezes negligente e muito ansiosa. Ellen White lhe diz que o cuidado dos filhos intensifica ainda mais essas características e cessa a obra que ela poderia realizar.

“Adélia, meu coração sente muito pesar porque você tem falhado, porque rouba a Deus. Você é naturalmente temerosa e se apossa de dificuldades emprestadas. Você não poderia ter descanso ou paz mental separada dos seus filhos, e por sua disposição ansiosa, o caminho para a realização da sua obra se fechou. E isso não é tudo: o trabalho é grandemente realizado de maneira descuidada.”

É evidente que o conselho de não ter filhos se dirige a uma mulher com características peculiares e com desafios especiais como esposa de pastor. Não parece sensato aplicar esses conselhos a todos os matrimônios em qualquer circunstância. De qualquer maneira, apesar das exigências da obra de Deus e da adequação pessoal para uma paternidade responsável, é um dever inevitável para todo filho de Deus que está avaliando o fato de trazer filhos ao mundo nesse tempo especial.

A paternidade é, sem dúvida, um privilégio e uma sagrada responsabilidade. Porque os filhos hão de ser preparados para este tempo e para a eternidade.

“A todos os pais que professam crer na breve volta de Cristo, é dada uma solene obra de preparo, para que eles e seus filhos possam estar prontos para receber o Senhor, na Sua vinda." (Nos Lugares Celestiais, p. 212)

Sobre esses assuntos complexos, o Pai do céu outorgará sabedoria do alto a todos os que agirem com humildade.

[Com informações do Centro White]

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Sete mentiras muito populares sobre Deus

Entre as mentiras com consequências mais trágicas, estão as mentiras sobre Deus. Deus é o Deus da verdade (Is 65:16), e é avesso à mentira (Pv 12:22; Hb 6:18). No entanto, o diabo existe e é o “pai da mentira” (Jo 8:44). Ele tem se empenhado em espalhar falsidades sobre Deus, a fim de que tenhamos um conceito incorreto de sua Pessoa divina (At 13:10; Gn 3:4, 5). As informações erradas sobre Deus são produto da especulação de filósofos sem compromisso com a revelação bíblica e justificativa para dogmas religiosos não fundamentados nas Escrituras Sagradas. Infelizmente, esses mitos levam muita gente a ter atitudes equivocadas para com o Único que pode salvar (At 4:12).

Com palavras poéticas, o profeta Isaías descreveu o estado de perdição espiritual em que se encontra quem crê numa mentira a respeito daquele que é a Verdade: 

“O seu coração enganado o iludiu, de maneira que não pode livrar a sua alma, nem dizer: Não é mentira aquilo em que confio?” (Is 44:20)

A seguir, menciono sete mentiras muito populares sobre Deus, com a respectiva apresentação do que a Bíblia tem a dizer sobre quem o Senhor realmente é.

1. Deus determina tudo o que acontece
Muita gente entende mal um dos atributos de Deus: a sua soberania. Imagina que o Todo-Poderoso, que tem autoridade sobre todo o Universo, comande tudo o que acontece em sua vasta criação a ponto de determinar cada coisa que vai acontecer. Na verdade nem tudo o que acontece é por que Deus quer. Se Deus realmente determinasse tudo, seria impossível desobedecer-lhe!

Deus intervém na história humana (Dn 2:21), mas não determina tudo. Ele concedeu ao ser humano a faculdade de tomar as decisões que determinarão seu próprio destino (Dt 30:15-20; Js 24:15; 1Rs 18:21). Pessoas podem optar por dedicar a vida a Deus (Mc 9:24; At 8:37; At 16:13), ou podem escolher permanecer sob o domínio do pecado (Gn 4:6, 7; Is 66:3, 4), mesmo que a vontade de Deus seja que todos escolham o arrependimento e a salvação (2Pe 3:9). Deus deixa as pessoas praticarem sua própria vontade, mesmo que a vontade humana seja contrariar a vontade de Deus (Rm 1:24, 25). Ele dá liberdade para você e eu escolhermos se queremos acreditar ou não nele (Jo 3:16).

2. Quando alguém morre, é porque foi a vontade de Deus
Muito ao contrário, Deus não quer que ninguém morra, mas que se arrependa e tenha a vida eterna (2Pe 3:9). Quem deseja que pessoas morram é o diabo, que “vem para roubar, matar e destruir”. Mas Deus quer nos dar “vida completa” (Jo 10:10, NTLH).

Para Deus, a morte de uma pessoa que tem a vida entregue a Ele é um momento especial (Sl 116:15). É algo comparado a um sono, do qual Deus deseja despertar-nos (Jo 11:11; 1Ts 4:14). Portanto, Deus, além de não desejar a morte de ninguém, ressuscitará aqueles que pertencem a Ele (1Ts 4:16).

3. Deus é energia
No imaginário popular, Deus frequentemente é descrito como sendo uma “energia”, uma “luz”, que permeia o Universo; uma espécie de grande fantasma, invisível, sem forma, um espírito sem corpo que está em todos os lugares, algo impessoal. Nada poderia estar mais longe da verdade. A Bíblia descreve Deus com um Ser pessoal, com aparência física, apesar de diferente da nossa natureza humana, e extremante grandioso (1Co 15:40; 1Rs 8:27).

Deus, o Pai, é apresentado na Bíblia como tendo boca (Nm 12:8), costas (Êx 33:18-23), cabeça (Ez 1:26; Dn 7:9), rosto (Lv 10:1; Dt 5:4, 1Ts 1:9), olhos (Am 9:8), dedo (Êx 8:19; 31:18; Dt 9:10), mão (Êx 9:3), pés (Êx 24:10), se assentando num trono (Is 6: 1-6; Ez 1:26-28), usando roupas (Is 6:1; Dn 7:9), com cabelos brancos (Dn 7:9); enfim, com aparência de um ser humano (Ez 1:26). E não é para menos que Ele seja parecido conosco, uma vez que nos fez semelhantes à sua imagem (Gn 1:26, 27). Apesar de Ele ser agora invisível para nós (Cl 1:15; 1Tm 1:17; Hb 11:27), um dia os salvos verão a Deus (Mt 5:8).

Deus também tem uma personalidade. Ele tem desejos (Ef 5:17), sente ira (Dt 6:15), faz reconsiderações (Gn 6:6), se compadece (2Rs 13:23), enfim, Deus tem emoções e gostos. Deus é pessoal, conhece nossa experiência. Por meio de seu Espírito Santo, pode estar em todos os lugares (Sl 139), e podemos nos aproximar dele e conversar com Ele (Hb 4:16).

4. Deus nunca vai desistir de alguém
Essa afirmação é muito próxima da verdade, mas não deixa de ser incorreta. Deus deseja que todos se salvem (2Pe 3:9), enviou Cristo para morrer por todas as pessoas do mundo (Jo 3:16), e trabalha para persuadir cada uma a aceitar a salvação (Rm 2:4). Mas, como há pessoas que desistem completamente de Deus, não há nada que Ele possa fazer para convencê-las a se arrependerem de sua vida de pecado (Hb 6:4-7).

A Bíblia descreve algumas pessoas que, apesar de Deus ter demonstrado seu favor para com elas e de terem sido agraciadas com ricos privilégios espirituais, rejeitaram de modo tão obstinado a vontade de Deus para sua vida que o Senhor não pôde fazer mais nada para salvá-las. Um exemplo bíblico claro é Saul, que rejeitou a Palavra de Deus e foi, por isso, rejeitado por Deus (1Sm 15:26).

5. Deus é Deus de bênção, não de maldição!
Esse lema pode até trazer segurança para o fiel, mas trata-se de uma inverdade. Deus abençoa aqueles que lhe obedecem e fazem a sua vontade (Dt 28:1, 2), mas adverte que maldições estão reservadas para os que não guardam os seus mandamentos (Dt 28:15-68).

6. Muitos caminhos levam a Deus
Não! Só há um único caminho, que é Jesus Cristo, e ninguém pode se achegar a Deus a não ser por meio dele (Jo 14:6). Cristo é o único mediador entre Deus e os homens (1Tm 2:5). Outras alternativas espirituais além de Jesus Cristo são “vaidade. Suas obras não são coisa alguma” (Is 41:29), e quem procurar se aproximar de Deus por outros caminhos, além de Jesus Cristo, está percorrendo “caminhos de morte” (Pv 14:12; 16:25), ou “caminho que conduz para a perdição” (Mt 7:13).

7. Deus não condena ninguém
Deus não enviou Cristo ao mundo “para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por Ele” (Jo 3:17). No entanto, pessoas que rejeitam a salvação oferecida a elas por Deus receberão a condenação reservada aos desobedientes e incrédulos (Jo 3:18-21). Um dia, Deus, por meio de Jesus Cristo, vai julgar os segredos de todos (Rm 2:16), e castigará aqueles que terão rejeitado Cristo como seu Salvador (Hb 10:29), condenando-os à morte eterna (Mt 25:41).

Infelizmente, muita gente tem sido enganada com mentiras sobre Deus. Mas a Palavra de Deus é “em tudo verdade” (Sl 119:160). E, na Bíblia, a Palavra de Deus, podemos conhecer a verdade sobre Ele, ser libertos pela verdade (Jo 8:38), e ter a vida eterna, que advém de conhecer verdadeiramente a Deus (Jo 17:3).

Fernando Dias (via Revista Adventista)

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Você tem apontado o dedo?

O gesto de apontar o dedo é muito comum. Apontamos nosso indicador em uma variedade de situações, com diversas finalidades, mas, em geral, o que esse gesto faz é colocar algo, que não somos nós, no centro das atenções. Se alguém me pergunta, por exemplo, onde fica determinada rua e eu aponto o dedo em uma direção, o que meu dedo põe no foco não sou eu, mas, sim, a tal rua. Se eu mostro uma pessoa com o meu dedo, o assunto em questão é a pessoa, não eu. Portanto, invariavelmente, o gesto de apontar tira quem aponta dos holofotes e põe em destaque quem é apontado. Devemos, porém, tomar cuidado com o que o dedo apontado para o outro diz a nosso respeito.

Uma das maneiras de fugir das próprias responsabilidades é desviando as atenções para os erros alheios. Muitas vezes, quando não queremos encarar os nossos problemas e as nossas falhas, usamos como estratégia apontar o dedo para os erros de outra pessoa qualquer, a fim de que todos os olhos se voltem para ela e, com isso, nossas questões deixem de ser o assunto em pauta. É por essa razão que, por exemplo, candidatos a cargos eleitorais costumam atacar seus adversários, para afastar as atenções dos próprios podres, jogando os podres do outro no ventilador. É uma tática comum e bastante usual.

Por que esse assunto é espiritualmente importante? Porque a fé cristã exige de nós uma atenção constante aos nossos defeitos. O que devo trabalhar prioritariamente são as minhas deficiências; as dos outros vêm depois. O evangelho nos confronta a todo instante com nossas falhas e exige de nós arrependimento. Porém, como se arrepender se sempre tentamos nos justificar de nossas falhas apontando o dedo para o próximo?

Costumo desconfiar de gente que só vive botando o dedo na cara dos outros. Cristãos que dedicam a vida a apontar a falha alheia muito provavelmente deveriam se preocupar com os próprios pecados com muitíssimo mais atenção. E, para pôr em prática o que estou defendendo neste texto, deixe-me apontar o dedo para a minha cara e não a sua: anos atrás, na época em que eu agia como o “apologeta da verdade” e dedicava meus pensamentos, meus textos, minhas horas e minhas energias a “denunciar os erros da Igreja” e a atacar os hereges e os equivocados, foi o período da minha vida em que eu mais deveria ter prestado atenção aos meus defeitos. Algo errado com denunciar os hereges e equivocados? Claro que não. Mas eu deveria, antes disso, ter prestado atenção e tratado os meus próprios conceitos, modos de agir, valores e motivações. O resultado de ter posto o dedo na cara alheia e não na minha: acabei doente, física e espiritualmente.

Esse fenômeno acontece em diversas instâncias. Esposas e maridos conformados com seus procedimentos antibíblicos apontam o dedo para o cônjuge ao serem confrontados com seus pecados e dizem “ah, mas você…”. Pronto. Tirou o foco das próprias atitudes horríveis e o pôs na falha do outro para não ter de se reconhecer errado e fazer algo a respeito. Patrões que não querem se assumir como exploradores dos empregados põem o dedo na cara do governo e dizem “ah, mas o governo…”. Cidadãos comuns que dão propina a policiais ou funcionários do governo tentam aliviar sua consciência apontando o dedo para o Planalto e dizendo “ah, mas os políticos…”. E assim por diante.

Você tem apontado o dedo? Nenhum problema quanto a isso, se a sua motivação for apontar para corrigir com amor e se, antes, tenha feito uma profunda autoanálise. Nossa prioridade é examinar a nós mesmos e buscarmos, nós, o arrependimento. Responda, com sinceridade e transparência: seu dedo apontado tem como motivação a amorosa edificação e correção do seu próximo ou uma pretensa superioridade moral e espiritual sua? Será que você aponta as falhas dos demais por amor a eles ou porque, afinal de contas, você é o tal, o defensor da verdade, o paladino mascarado do evangelho? Pior: será que seu dedo apontado não tem por finalidade tirar as atenções das próprias falhas?

Temos de tomar cuidado para não apontar dedos com motivações espúrias. Porque, na maioria das vezes em que apontamos para o próximo sem que nossa motivação seja, única e simplesmente, o amor, estamos incorrendo em dois pecados abomináveis: a hipocrisia e a arrogância.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,

Maurício Zágari (via Apenas)

"Demorando-se continuamente nos erros e defeitos dos outros, muitos se tornam dispépticos religiosos. Os que criticam e condenam uns aos outros estão transgredindo os mandamentos de Deus, e são-Lhe uma ofensa. Irmãos e irmãs, afastemos o entulho da crítica e suspeita e murmuração, e não desgastei os nervos externamente. Se todos os cristãos professos usassem suas faculdades investigadoras para ver quais os males que neles mesmos carecem de correção, em vez de falar dos erros alheios, existiria na igreja hoje uma condição mais saudável. Precisamos olhar às faltas dos outros, não para condenar, mas para restaurar e curar. Vigiai em oração, ide avante crescendo, obtendo mais e mais do espírito de Jesus, e semeando o mesmo sobre todas as águas." (Ellen G. White - Mente, Caráter e Personalidade, vol. 2, p. 635-638) 

No vídeo abaixo, o prof. Leandro Quadros aponta os danos das críticas: