segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Não poste tudo. Guarde seus próprios segredos

O despertador do celular tocou. Retruquei comigo mesma que queria poder dormir mais uns minutinhos. No escuro, apalpei a cabeceira da cama em busca do interruptor do abajur. Como estava num hotel, não me lembrava onde acendia a… achei!

Acendi a luz pra ver se o brilho me ajudava a despertar. Coloquei uma perna para fora da cama na tentativa de me motivar a abandonar aquele macio edredom. Que sono! O dever do trabalho me chamava, então não podia me dar ao luxo de dormir até tarde.

Caminhei até o banheiro e me assustei com meu próprio reflexo no espelho. Cara amassada, olheira, cabelo bagunçado… “É o que tem pra hoje”, pensei. Segui, então, o ritual matinal: fiz meu culto, tomei banho, arrumei o cabelo, passei uma leve maquiagem corretiva que disfarçou muito bem o cansaço do meu rosto, troquei o pijama por uma roupa social, e o chinelo por um salto alto. Parecia outra pessoa, mas, por dentro, eu continuava com o mesmo sentimento: “Tô muito cansada, não queria sair da cama por nada”.

Abri a cortina do quarto e deixei a luz do sol entrar. Vi meu reflexo no espelho e pensei: “Uau, essa luz me valorizou”. Nesse momento, meu corpo já se sentia mais desperto, e comecei a ver vislumbres de um bom humor. Então, peguei meu celular e filmei um “bom dia” bem pleno para os meus seguidores, como se já tivesse acordado arrumada e animada.

Em pé, perto na janela, vi um cenário contrastante. De um lado, uma bela paisagem composta por árvores, céu azul e prédios imponentes. Do outro, tetos manchados de comércios antigos e casas com obras em andamento. Adivinha qual deles virou foto?

Seleções diárias
Não precisamos nem de um dia inteiro para perceber que a vida virtual, a começar pela nossa, é um recorte de realidades. Ainda que a gente só poste verdades, são apenas metades. Eu poderia fazer uma grande lista sobre os perigos da nossa exposição na rede, mas quero destacar um que adoece a alma de quem está do lado de cá e do lado de lá da tela: acreditar que a vida pode ser recortada.

Recortes de realidade são vistos com normalidade, principalmente por se tratarem de seleções verídicas. Quem se sentiria culpada por postar sobre o buquê de flores que ganhou do namorado pela manhã? Ninguém. Mas quem ousaria postar que o buquê chegou como tentativa de reconciliação após uma briga feia entre os dois? O buquê veio, isso é fato, mas não é tudo.

Mas parece que ao deslizar o dedo na timeline nosso cérebro “buga”. Vemos os lindos recortes de realidade das outras pessoas como se fossem resumos de uma vida inteira. Nesse instante, nossa realidade integral, sem cortes nem censura, entra em contraste com o recorte perfeito dos segundos vividos por alguém. E isso adoece o corpo e a alma. Começa, então, um ciclo doentio, onde um busca provar para o outro o quão interessante sua vida também é.

A exposição cresce juntamente com a depressão. Pode parecer estranho, mas a falta de amor-próprio costuma gerar excesso de autodemonstração. No fundo, essa é uma tentativa desesperada de autoafirmação.

Nessas condições, é comum a gente ver pessoas divulgando informações íntimas, promovendo sua sensualidade em selfies sedutoras, exibindo suas posses e expondo detalhes da sua vida que deveriam ser preservados.

Não somos artigos públicos e de livre acesso, então por que tantas vezes nos colocamos nessa condição? A Bíblia diz que “o mexeriqueiro espalha segredos, mas a pessoa séria é discreta” (Provérbios‬ ‭11:13‬). O texto se refere às pessoas que gastam tempo falando da vida dos outros, mas esse princípio nos leva também a refletir sobre guardar os nossos próprios segredos, atentar pela nossa própria segurança e preservar a nossa própria identidade.

Emanuelle Sales (via Imagem & Semelhança)

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Você quer ouvir a voz de Deus?

Você quer ouvir a voz de Deus? Deseja ardentemente que ele lhe fale e transmita profundas realidades espirituais, que se apliquem de forma prática à sua vida? Será que você tem feito de tudo para que Deus revele sua vontade, explicando aquilo que você não está entendendo, mas… não tem ouvido nada? O silêncio é total? Você vai às Escrituras e parece que nada se aplica à sua vida? Se é o caso, permita-me dizer-lhe o que você precisa fazer para ouvir a voz do Senhor.

Jesus morreu na cruz. Três dias depois, dois discípulos dele, desanimados, tristes e desencorajados, seguem de Jerusalém para o povoado de Emaús, a alguns quilômetros de distância. Eles conhecem as Escrituras, mas não enxergam aplicação prática daquele conteúdo ao que estavam vivendo. É quando acontece um fato aparentemente corriqueiro. 
“No caminho, falavam a respeito de tudo que havia acontecido. Enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou e começou a andar com eles” (Lc 24:14-15). 
Aqueles três homens começam, então, a entabular uma conversa sobre os fatos recentes de seu dia a dia e acabam discutindo sobre teologia e coisas da vida cristã: 
“Então Jesus lhes disse: “Como vocês são tolos! Como custam a entender o que os profetas registraram nas Escrituras! Não percebem que era necessário que o Cristo sofresse essas coisas antes de entrar em sua glória?”. Então Jesus os conduziu por todos os escritos de Moisés e dos profetas, explicando o que as Escrituras diziam a respeito dele” (v. 25-27).
Algumas coisas chamam minha atenção nessa extraordinária passagem da Bíblia. Primeiro, é quando aqueles homens conversam de forma trivial sobre as coisas da vida que acabam aprendendo profundas realidades espirituais e teológicas. Segundo, isso ocorre num momento qualquer, nada especial, enquanto caminham por uma estrada, e não quando eles estão desesperados, se virando do avesso para que Deus lhes dê respostas. Terceiro, Jesus só fala com aqueles homens porque os três começam a caminhar juntos, conversando e discutindo. O resultado? 
“Não ardia o nosso coração quando ele falava conosco no caminho e nos explicava as Escrituras?” (v. 32).
Essa passagem magnífica das Escrituras nos ensina que as profundidades da nossa fé podem ser aprendidas em momentos corriqueiros da vida. Tudo o que é preciso fazer é deixar Jesus “falar conosco no caminho”, isto é, em qualquer lugar por onde caminhemos. Perceba que aqueles dois homens aprenderam realidades espirituais espetaculares e transformadoras, que fizeram arder seu coração, simplesmente por caminhar junto com Jesus num momento da vida absolutamente normal e trivial. Simples. Cotidiano. Trivial. Mas transformador.

Muitas vezes, tentamos “subornar” Deus para que Ele fale conosco. Realizamos ações para tentar comprar o favor do Senhor por meio de nosso mérito pessoal e, com isso, ouvir sua voz. É quando muita gente se lança em “campanhas de setenta semanas”, jejuns intermináveis, “sacrifícios”, ofertas em dinheiro à igreja, subidas ao monte, busca de “profetas” e coisas semelhantes. Achamos que a voz de Deus só se fará ouvir se ganharmos o direito de ouvi-la por meio de esforço próprio. Mas Deus não se vende, meu irmão, minha irmã.

Você já ouviu alguém dizer que “vai ao culto para ouvir a voz de Deus”? Ou já ouviu algum pastor dizer que você vai à igreja “para receber a sua bênção”? Bobagem. Nós vamos ao culto exclusivamente para adorar a Deus em comunidade e não como meio de comprar o direito de ouvir sua voz. A vida com Cristo é um culto constante e Ele pode falar ao seu coração em qualquer momento trivial da vida. Afinal, Deus se relaciona conosco não por nosso mérito, mas por sua graça.

Entenda: Cristo quer que você ouça a Sua voz. Aqueles dois homens nem sabiam que era Jesus quem estava falando, mas ainda assim ouviam a voz dEle. Você não precisa comprar o direito de ouvi-Lo, pois Ele é gracioso e amoroso. Tudo o que necessita fazer é “começar a andar com Ele”. E a sua estrada, meu irmão, minha irmã, não se restringe a duas horas semanais de culto. Seu caminho é este exato momento. Esteja você onde estiver, este é o seu caminho. Talvez você esteja lendo este texto no ônibus, no sofá de casa, no trabalho, no trem ou no metrô. Talvez no banheiro! Sem problema. Saiba que é exatamente aí, onde você se encontra, que Jesus deseja “se aproximar e começar a andar com você”. E, ao fazê-lo, você, natural e consequentemente, ouvirá a sua voz.

Para isso, basta que recorra às Escrituras, onde a voz de Deus se faz presente. E, por caminhar com Ele, o Senhor vai “explicar o que as Escrituras diziam a respeito dEle”, iluminando o seu entendimento acerca das realidades bíblicas em momentos em que você menos espera. O trono de Cristo se faz presente na sua vida a cada segundo, e Sua divina voz habita o seu coração, desde que você esteja andando com Ele e atento ao texto das Escrituras.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,

Maurício Zágari (via Apenas)

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Depressão em adolescentes cresce impulsionada por uso de redes sociais

A disseminação de smartphones, tablets e notebooks junto com o surgimento das redes sociais mudou a maneira como crianças e adolescentes interagem com o mundo e com os outros, com impactos positivos e negativos.

Se propiciaram acesso a uma miríade de conhecimentos e permitiram uma comunicação ágil e instantânea, essas tecnologias também produziram novas fontes de angústia e tornaram mais fácil aos mais jovens tomarem contato com conteúdos e situações para os quais não estão preparados emocionalmente.

Nos últimos tempos têm-se acumulado evidências de que o uso exagerado de aparelhos e redes sociais produz efeitos deletérios na saúde mental de crianças e adolescentes e pode ser um dos fatores por trás do aumento da prevalência de depressão nesse grupo etário.

"Os mais jovens têm de enfrentar hoje coisas inimagináveis no passado, como a exposição e a permanência nas redes sociais daquilo que eles fazem e falam, por exemplo", diz Roberto Sassi, psiquiatra infantil e professor da Universidade McMaster, no Canadá. O psiquiatra também aponta que hoje é mais fácil para os jovens terem contato com sites que discutam, por exemplo, automutilação.

Para Jackeline Giusti, psiquiatra da infância e da adolescência do Instituto de Psiquiatria da USP, o jovem contrastar a própria vida com a vida online fantasiosa de outros no Facebook e no Instagram pode potencializar estados psicológicos negativos. "Ele pode pensar: todo mundo está feliz, todo mundo vai a festas, menos eu. Se a pessoa está triste, isso vai deixá-la mais triste ainda", diz.

Um dos aspectos mais perniciosos da rede, apontam os dois psiquiatras, é o chamado cyberbullying. Segundo Sassi, a prática online produz nas vítimas a mesma sensação negativa de passar por essas situações na vida real.

Artigo publicado recentemente na revista da Academia Americana de Pediatria fez vasta análise da literatura científica sobre o tema. Uma meta-análise de 131 estudos mostrou que adolescentes que passam por cyberbulling apresentam risco maior de ter problemas mentais e físicos."O uso de internet em geral e a experiência de ser vítima de cyberbulling estão associados a mais pensamentos suicidas e comportamentos de automutilação", diz o artigo.

Outro estudo, esse publicado em outubro, analisou como passar muitas horas em frente a telas de aparelhos pode afetar a saúde mental de crianças e adolescentes. Jovens de 14 a 17 anos que passam mais de sete horas diárias em smartphones, tablets, computadores e televisão tiveram mais do que o dobro de chance de terem ansiedade ou depressão do que aqueles que passam uma hora.

Mesmo após apenas uma hora em frente à tela por dia, crianças e adolescentes podem começar a ter menos curiosidade, menor autocontrole, menos estabilidade emocional e menor capacidade de concluir tarefas, segundo o estudo, publicado na revista Preventive Medicine Reports. Entretanto, como se trata de um ramo novo de pesquisa, ainda há muitos aspectos não compreendidos a respeito da influência das tecnologias digitais na saúde mental dos mais jovens. 

No caso do segundo estudo, Sassi diz que há certas nuances que podem ter impactos diferentes nos jovens. "A pessoa pode ser usuária ativa de Facebook, que interage e conversa com outras pessoas, ou alguém que só observa a atividade de outros; jogar games é uma atividade muito diferente de ver um filme na Netflix. São coisas que nós colocamos juntos, mas que podem ter impactos diferentes.

O psiquiatra também diz que ainda não se pode estabelecer uma relação de causalidade entre uso de tecnologias e depressão em mais jovens. "Não podemos esquecer que o tempo em frente à tela é um tempo que você está tirando de outras atividades, como sono e atividades físicas. Sedentarismo e baixa qualidade do sono prejudicam a saúde mental tanto de jovens como adultos.

Nos EUA, a prevalência da doença na faixa dos 12 aos 17 anos passou de 8,7% em 2005 para 11,3% em 2014, segundo os dados mais recentes de uma pesquisa nacional. No Brasil não existem estatísticas do fenômeno, mas Jackeline Giusti diz que ter observado nos últimos anos grande aumento de casos de depressão relacionada a tecnologias digitais. "Cerca de 10% dos adolescentes e crianças que atendo apresentam essa relação", diz.

Os pais possuem papel relevante para evitar que o uso da internet traga prejuízos, aponta Giusti. "Eles devem olhar os celulares dos filhos de vez em quando para saber o que eles estão acessando, mas isso precisa ser combinado. Também devem mostrar exemplos das consequências de certos comportamentos nas redes sociais", diz.

A psiquiatra também diz que os pais devem buscar restringir a quantidade de horas dos filhos na internet e incentivar outras atividades. Mas, para isso funcionar, os pais devem dar o exemplo. "Não adianta falar isso e, na hora do jantar, o pai e a mãe ficarem grudados no celular, enquanto a criança fica olhando para o teto. Esse é um momento para estar com os filhos, saber como foi o dia deles", diz Giusti.

Os pais também devem ficar atentos a mudanças de comportamento dos filhos, que podem indicar um quadro depressivo. Giusti dá como exemplo o afastamento de amigos, queda no desempenho escolar, irritabilidade e perda de interesse em atividades que eles antes gostavam.

Negligenciar esses comportamentos, considerando-os normais, acarreta um risco. Uma depressão não tratada na idade mais jovem pode produzir grande prejuízo no futuro.

Fernando Tadeu Moraes (via Folha)

Nota: Poucos destes jovens contam com o apoio familiar desejado. Desta forma, eles podem encontrar nas igrejas alguém que os “enxergue”, os considere e que também ajude a promover os vínculos familiares. O amor e a atenção oferecidos pelas pessoas da igreja podem ser ferramentas importantíssimas para o processo de cura. Até mesmo porque este amor pode apontar para o amor de um Deus que as ama incondicionalmente, que as fez com um propósito, doador de esperança e que não as deixa sós nos momentos de maior angústia. Enfim, podem encontrar alguém que percebam que se importa.

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

8 regras para não ser o chato do grupo do WhatsApp

O WhatsApp tem sido sinônimo de dor e sofrimento para você? Consultamos pessoas que abandoaram grupos e mais grupos (da família, do colégio, do prédio...) para montar este guia rápido de etiqueta. Leia (afinal, quem nunca deu um fora em grupo?) e repasse para dez pessoas essa lista agora mesmo --ou você corre o sério risco de continuar a ter dias perturbados pelo whats. Não quebre essa corrente!

1. Dar "bom dia" tooodas as manhãs
Ver dezenas de notificações e descobrir que a maioria é um simples "bom dia" cansa. "Saí de vários grupos porque, quando ia ver se tinha algo interessante, havia 500 'bom dia'. Ninguém tem tempo para isso", diz a advogada Beatriz Besel. "Parem de dar 'bom dia', 'boa noite', 'boa chuva', 'bom sol', de mandar flores? Não dá mais!", implora Andrea Neris, designer (e especialista em abandonar grupos no whats).

2. Repassar correntes e textões
Antes de encaminhar textos que prometem grana fácil, uma batedeira nova ou um ícone azul que confirma sua existência virtual, saiba que correntes só levam a um resultado: irritar a pessoa que compartilha o grupo com você. "Se é textão copiado e colado, já deleto sem ler. Nem se for de gente muito amiga", conta a empreendedora Cylene Dias.

3. Compartilhar notícias falsas
"Atenção: o WhatsApp vai fechar!". "Atenção: comer manga com leite mata!". "Atenção: tsunami vai atingir São Paulo!". Enviar mensagens sem checar a veracidade é péssimo. "Fico p da vida quando repassam notícias falsas", reclama o engenheiro Luiz Amaral. Pesquise antes de compartilhar. Dica: os sites Boatos.org e E-farsas são boas opções para checar se uma notícia é real.

4. Mandar mensagem "quebrada"
Escreva a frase inteira antes de apertar o "enviar". Você economiza no vaivém dos dedos e não irrita quem está lendo. "Não gosto de gente que fica mandando três mensagens quando poderia mandar uma, principalmente no grupo do trabalho. Será que não dá para escrever tudo junto para meu celular apitar só uma vez?", pergunta a nutricionista Lia Nunes.

5. Gravar áudios e mais áudios
Ok, nem sempre é prático digitar no WhatsApp, mas pondere: se o assunto é longo, não valeria uma ligação? Se mesmo assim for a melhor opção, antes de tudo, pergunte se pode gravar um áudio longo para a pessoa. "Escrever dá mais trabalho, mas não importuna quem está em volta", diz Beatriz.

6. Oferecer serviços ou vender produtos
Não, não é proibido. O problema é fazer isso em grupos que não têm esse propósito ou se a turma não tem tanta intimidade. "Cansa ler diariamente que fulano está vendendo tal produto e tem uma promoção bacanérrima para o Dia dos Pais", diz Andrea sobre um dos motivos que a fizeram abandonar grupos de pais da escolinha do filho.

7. Desrespeitar a finalidade do grupo
Se um grupo tem uma finalidade, tem que respeitar. "Todo dia rolava uma briga que variava entre questões pessoais, discussão entre vizinhos, piadas fora de hora, correntes, vendedores. A ideia, que era informar sobre as coisas do condomínio, quase nunca acontecia", conta Edu Mendes, designer, que desistiu do grupo de moradores do prédio.

8. Enviar vídeos e piadinhas o dia inteiro
Se o grupo é para isso, vá em frente, a zoeira não tem limites. Se não é a ideia e, principalmente, se reunir gente não tão próxima, controle a vontade de compartilhar piadinhas. "Meu conselho é não incomodar com tantos vídeos e imagens de piadinhas", sugere a advogada Natasha Lemos.

Claudia Dias (via Estilo UOL)

Como lidar com a depressão de final de ano?

Por que isso acontece?
As festividades de fim de ano geralmente representam uma época de diversão e celebração, mas para muitas pessoas isso nem sempre acontece. Enquanto a depressão clínica pode acontecer em qualquer momento do ano, o estresse, a ansiedade e o estado depressivo atinge inúmeras pessoas nos meses de novembro e dezembro (e até janeiro), provocando uma sensação de solidão e vazio.

Porque nos sentimos deprimidos entre o Natal e o Ano Novo?
O professor e psicólogo da Universidade de Toronto Adam K. Anderson acredita que parte do problema é o bombardeio midiático durante o período de festas, destacando imagens e situações felizes e satisfeitas de forma exagerada –para não dizer forçada. “As pessoas podem começar a questionar a qualidade de seus próprios relacionamentos”, menciona o professor.

A exibição constante de momentos felizes dos outros pode servir como um lembrete doloroso da felicidade e de amor que está faltando em nossas próprias vidas. Por esta razão, o mês de dezembro pode ser uma época particularmente difícil do ano para aqueles que lidam com conflitos familiares, perda, rompimento, divórcio, solidão e problemas de saúde mental.

Razões pontuais para a ocorrência da depressão de final de ano
Muito além da levianidade das comemorações e eventos em família estilo “comercial de margarina” que presenciamos tanto na mídia quanto nas redes sociais, outros fatores podem desencadear a depressão de forma mais assertiva, devendo ser identificada para controlarmos a reação emocional negativa.

Isolamento social
O isolamento social é um dos maiores preditores da depressão, especialmente durante as festas de final de ano. Pessoas que estão sozinhas ou que têm sentimentos de desconexão muitas vezes evitam interações sociais nesta época. Infelizmente, tal afastamento muitas vezes agrava os sentimentos de solidão e os sintomas de depressão. Esses indivíduos podem ver outras pessoas passando o tempo com a família ou divertindo-se com amigos –principalmente nos dias de hoje, com a exposição excessiva da vida alheia– e se perguntam: “Por que não pode ser eu?” ou “Por que todo mundo é mais feliz do que eu?”. Neste caso, a melhor solução é procurar interagir com outras pessoas, por mais difícil que isso possa parecer. É preciso encarar a solidão assim como encaramos a sede: procuramos inverter o quadro com uma atitude contrária à situação.

Luto durante as festas de fim de ano
Para muitas pessoas, a época de festas de fim de ano são uma lembrança dolorosa do que um dia já foi. Isto é especialmente verdade para as pessoas que tenham sofrido uma perda significativa, como a morte de um cônjuge ou o término de um relacionamento. Para estes indivíduos, é importante gerenciar as expectativas, dizem os psicólogos. Ao imaginar como este período irá se desdobrar após uma perda, é preciso incluir todos os altos e baixos em suas expectativas. É recomendável participar de momentos reconfortantes como procurar distrações, caminhar ao ar livre, praticar algum hobbie e se alimentar corretamente. Lembre-se que o luto não é motivo de vergonha!

Como lidar com a depressão durante as festividades
Para aqueles que sofreram alguma perda e sentem um enorme vazio nesta época do ano, é importante realizar algumas ações que aliviam a depressão, como:

- Iniciar uma nova tradição. Planejar uma viagem em família ao invés de passar o feriado em casa.
- Não se sinta obrigado a nada. Caso se sinta mal em algum evento ou situação, você tem todo o direito de ir embora.
- Voluntariado. Organize uma ação para distribuir presentes à crianças carentes ou alimentos para ceia em comunidades pobres.
- Entrar em contato com a natureza. Uma caminhada no parque ou na praia ajuda muitas pessoas a se sentirem melhor.

Buscando ajuda profissional de um psicólogo
Se apesar dos esforços você se encontra deprimido, ansioso ou com sintomas físicos como dificuldades para dormir, irritabilidade e aperto no peito, é preciso procurar ajuda profissional para reverter o quadro de depressão. Procure ajuda profissional se você precisar dele. O auxílio de um psicólogo pode ser muito valioso para que seja possível superar de vez essa sensação tão angustiante que custa a passar.

Não deixe que as festas de fim de ano sejam desagradáveis e traumáticas. Ao invés disso, procure prevenir a depressão ao reconhecer os gatilhos que disparam a tristeza nessa época do ano e contorne a situação de forma planejada e sistemática. A sua saúde mental e espiritual agradecem!

Thaiana Brotto (via Psicólogo e Terapia)

Nota: O relacionamento com Deus e o envolvimento com Sua obra também são excelentes remédios para o deprimido. No relacionamento com Deus encontramos a esperança que afasta a desesperança da depressão, e a alegria que afasta a tristeza, assim como a segurança que afasta o medo. No serviço do Senhor, focamos em beneficiar os outros e, tirando o olhar de nós mesmos, podemos ter uma perspectiva mais positiva da vida, além do senso de utilidade que uma vida de serviço nos trás. O Deus Criador é um Deus de amor. Ele deseja ver todos bem e felizes, inclusive você. Ore agora e peça ajuda a Ele para que você consiga superar suas dificuldades e passe um feliz final de ano!
"Não ceda à depressão, mas deixe que a confortadora influência do Espírito Santo seja bem-vinda em seu coração, para lhe dar conforto e paz. Se quiser obter preciosas vitórias, encare a luz que procede do Sol da justiça. Fale em esperança e fé, e ações de graças a Deus. Seja animada, esperançosa em Cristo. Aprenda a louvá- Lo. Esse é o grande remédio para as doenças da mente e do corpo." (Ellen G. White - Carta 322 - 1906)

terça-feira, 6 de novembro de 2018

Responsabilidade sexual de jovens cristãos

É cada vez mais comum a atividade sexual entre os jovens cristãos solteiros. É lamentável saber que muitos dos nossos adolescentes e jovens mantém uma vida sexualmente ativa, mesmo sabendo que o plano de Deus para o sexo é que ele deve ser praticado dentro do matrimônio (Gn 1:28; 2:24; 1Co 7:4). Deus disse: “Vocês serão uma só carne” – carne, na Bíblia, quer dizer natureza humana, e esta união se dá também no plano físico. Então, o ato sexual é a celebração mais profunda do amor conjugal, o ápice – “o meu corpo é da minha mulher, pois fiz uma aliança com ela”. Mas Deus Pai deixa bem claro: o sexo é no casamento. Não obstante, vez por outra ouvimos falar de jovens cristãos que já mantiveram relações sexuais com vários parceiros, bem como de adolescentes que ficaram grávidas, sem o menor preparo e maturidade para serem mães.

Diversos são os fatores que levam nossa juventude a prática do sexo pré-marital. Além do fator biológico, em que os hormônios sexuais estão em plena atividade nessa fase da vida, produzindo fortes impulsos sexuais, muitos deles se entregam aos desejos sexuais influenciados pelos colegas, por pura diversão, curiosidade. Outros para provar sua masculinidade ou feminilidade. Não desejando ser visto por seus colegas como esquisitos, alguns sentem-se pressionados a experimentar as relações sexuais. Afora isso, vivemos em uma era de liberdade de expressão e de um estilo "livre" de vida. Hoje, vemos nos filmes, nas novelas, nas músicas, nas danças, nas roupas da moda, nas publicidades, entre outros, uma comercialização do sexo. 

Contudo, nem todos os jovens têm pressa em deixar de ser virgem. Eles obedecem a admoestação bíblica: “(...) O corpo, porém, não é para a imoralidade [que inclui a fornicação] (...) Fujam da imoralidade sexual” (1 Coríntios 6:13, 18). Certamente, eles reconhecem o sexo pré-marital como um grave pecado contra Deus! O apóstolo Paulo há dois mil anos já ensinava aos tessalonicenses: “A vontade de Deus é que vocês sejam santificados: abstenham-se da imoralidade sexual” (1 Tessalonicenses 4:3).

A escritora cristã Ellen G. White, falando da responsabilidade sexual de jovens cristãos, escreveu:

As afeições juvenis devem ser refreadas, até chegar o período em que a idade suficiente e a experiência tornarão honrosa e segura a sua manifestação.[1] 

Um pouco de tempo passado a semear joio, queridos amigos jovens, produzirá uma colheita que lhes fará amarga a vida inteira; uma hora de irreflexão — o ceder uma vez à tentação — pode lhes desviar todo o curso da vida para uma direção errada. Não podem ser jovens senão uma vez; tornem útil essa juventude. Uma vez passado o caminho, não poderão retroceder para retificar os erros cometidos. Aquele que se recusa a ligar-se a Deus, colocando-se no caminho da tentação, há de infalivelmente cair. Deus está provando cada jovem.[2] 

A sensualidade é o pecado da época. A religião de Cristo, porém, manterá as linhas de controle sobre todas as espécies de liberdade ilegal; os poderes morais manterão as linhas de controle sobre cada pensamento, palavra e ato. O engano não será encontrado nos lábios do verdadeiro cristão. Não condescenderá com nenhum pensamento impuro, palavra alguma pronunciada que se aproxime da sensualidade, nenhum ato que tenha a menor aparência do mal. Não procurem saber quão perto podem andar à beira do precipício e todavia estar seguros. Evitem a primeira aproximação ao perigo. Não se pode brincar com os interesses da alma. Seu capital é seu caráter. Acariciem-no, como fariam a um áureo tesouro. A pureza moral, o respeito próprio, o forte poder da resistência têm de ser acariciado firme e constantemente.[3]

Toda paixão não santificada deve ser mantida sob o domínio da razão santificada através da graça que Deus outorga abundantemente em cada emergência. Porém, que não se crie uma emergência, que não haja ato voluntário que coloque alguém onde será assaltado pela tentação, nem dê o menor motivo para que outros o achem culpado de imprudência.[4] 

Enquanto a vida durar, há necessidade de resguardar as afeições e paixões com firme propósito. Há corrupção interior, há tentações exteriores, e sempre que a obra de Deus deve avançar, Satanás traça um plano para dispor das circunstâncias para que a tentação venha com força opressora sobre a alma. Em nenhum momento podemos estar seguros, a menos que confiemos em Deus, a vida oculta com Cristo em Deus.[5]

É importante ressaltar que as restrições da Bíblia não estão ali porque Deus quer nos impedir de sentir prazer. Em vez disso, elas nos protegem dos danos físicos, emocionais e espirituais que ocorrem como resultado da imoralidade sexual. Manter a pureza sexual antes do casamento tem inúmeras vantagens. São as econômicas (não precisa gastar com anticoncepcionais, camisinha, testes de gravidez e nem lingeries caras e sensuais), é de grande vantagem emocional (não se convive com o medo de uma gestação precoce, não há medo de doença sexualmente transmissível, não tem o medo de perder depois de ter cedido, etc.), sem falar que não há constrangimento ao encontrar ex-namorados (as), pois não se mostrou nada que outras pessoas também não vissem.

Saber onde existe a fraqueza é o primeiro passo para montar guarda. Lembre-se que a tentação não é só sua e se eu e tantas pessoas resistimos, você também pode resistir. Não caia nesta conversa de que é “normal” e de que “todos fazem”. Mentira! Tem muita gente reagindo contra esta ditadura sexual que se impõe e não há melhor idade para lutar contra ditaduras do que na juventude.

Em última análise, o sexo afeta nosso relacionamento com Deus. São os incrédulos, que não conhecem a Deus, que vivem “com o desejo de lascívia”. É a ignorância de Deus que produz comportamento imoral. Os que ignoram os ensinamentos da Bíblia sobre esse assunto rejeitam não apenas esses ensinamentos, mas também o chamado de Deus, e até mesmo o próprio Deus.

O sexo no lugar certo, no plano de Deus, na família, no casal é uma bênção, mas, fora do casamento acarreta graves problemas. É preciso que os nossos jovens entendam porque Deus diz que o sexo é só no casamento: é porque Ele nos ama muito. 

Diante do quadro atual dos jovens cristãos, urge que a igreja estabeleça um programa contínuo com as famílias. Mais do que programas na igreja, a médio e longo prazo, baseados em sólida teologia, as famílias precisam receber suporte para transmitir uma sexualidade saudável aos filhos. É urgente que os cristãos, pais, professores e educadores, tenhamos a coragem de ensinar novamente a castidade aos jovens. Um jovem que se mantém casto até o casamento, além de tudo, prepara a sua vontade e exercita seu auto domínio para ser fiel ao seu cônjuge no casamento. É preciso mostrar urgentemente aos jovens, os valores da castidade, tanto em pensamentos como em atos.

Que Deus ajude a todos, juvenis, jovens e adultos a fazerem as melhores escolhas para honra e glória de Jesus.

Referências
1. Mensagens aos Jovens, 452.
2. Mensagens aos Jovens, 429.
3. Medicina e Salvação, 142, 143.
4. Carta 18, 1891.
5. The S.D.A. Bible Commentary 2:1032.

8 tipos de pessoas tóxicas que são difíceis de conviver

Cada pessoa tem seu jeito único de ser e isso torna a vida muito mais interessante. Entretanto, seja dentro de casa, no trabalho ou na faculdade, existem pessoas tóxicas que podem realmente afetar o psicológico e estragar o dia a dia daqueles que convivem com elas.

“No trabalho você pode ter um chefe ou um colega que é sempre grosseiro ou está sempre te diminuindo, isso pode gerar frustração e desestimular uma pessoa. Na família, existe pais ou familiares tóxicos, que estão sempre dizem que a pessoa não é boa o bastante, que ela precisa ser melhor, que está sempre criticando e colocando a prova seu amor, isso pode destruir a autoestima, autonomia e confiança. No relacionamento amoroso ou na amizade também temos esse tipo de problema, com pessoas que só estão com a outra por interesse, que estão sempre querendo passar a perna no próximo e desejando o mal”, comenta a psicóloga Milena Lhano.

Identificar as pessoas tóxicas presentes na nossa vida pode não ser uma tarefa tão fácil, portanto é preciso ficar atento aos sinais, como se sentir ridicularizado ou sufocado por alguém. A melhor forma de prevenir e evitar o conflito com essas pessoas é tentar se afastar, porém, sabemos que nem sempre isso é possível. Então, é importante criar a consciência de que essa pessoa não te faz bem, buscando depender cada vez menos dela.

Para ajudar você a identificar se existe alguém assim nos ambientes que convive, classificamos alguns sinais para reconhecer uma pessoa tóxica em sua vida. Confira:

1. Invejosos
Esse tipo de pessoa nunca está feliz com aquilo que tem e também não fica feliz quando algo bom acontece com você. Os invejosos acreditam que coisas boas só podem acontecer com eles. “O invejoso é um perfil bem tóxico. O primeiro passo é ser consciente que a pessoa é invejosa e tentar ter um relacionamento mais superficial com ela”, diz a psicóloga.
"O invejoso fecha os olhos às boas qualidades e nobres ações dos outros. Está sempre pronto a desprezar e representar falsamente aquilo que é excelente. Os homens muitas vezes confessam e abandonam outras faltas; do homem invejoso, porém, pouco se pode esperar. Visto como invejar a alguém é admitir que ele é superior, o orgulho não tolerará nenhuma concessão. Se for feita uma tentativa de convencer de seu pecado a pessoa invejosa, ela se torna ainda mais amarga contra o objeto de sua paixão, e muitas vezes permanece incurável." (Testemunhos Seletos, vol. 1, p. 19)
2. Fofoqueiros
Todo mundo já teve aquela vizinha que vivia querendo saber da vida dos outros e sempre que tinha a oportunidade contava uma história de alguém para a vizinhança toda. Os fofoqueiros podem destruir completamente a autoestima de alguém e, por esse motivo, a melhor forma de lidar com eles é deixar de compartilhar relatos.

“Algumas pessoas dessa personalidade são dissimuladas, portanto nem adianta falar que elas são fofoqueiras porque elas vão jurar até a morte que não fazem isso. A melhor forma de lidar com essas pessoas é se preservando, não compartilhando coisas muito íntimas. Reconhecer essa pessoa não é tão difícil, pois se ela fala de todo mundo pra você, provavelmente também fala de você para outros”, afirma Milena.
"Não devemos ser mexeriqueiros, bisbilhoteiros ou boateiros; não devemos dar falso testemunho. O espírito de tagarelice e maledicência é um dos instrumentos especiais de Satanás para semear discórdia e luta, para separar amigos e minar a fé de muitos na veracidade de nossas crenças. Aqueles cuja língua é tão franca em proferir palavras de crítica, os habilidosos interrogadores que sabem extorquir expressões e opiniões que foram introduzidas no espírito mediante o lançar sementes de separação, esses são missionários seus." (Manuscrito, 144)
3. Duas caras (pessoa falsa)
Uma pessoa falsa é aquela que só age como amigo quando é confortável, porém se você precisar da ajuda dela, provavelmente não terá. Esse é o tipo de pessoa que na sua frente é toda cheia de amor e, quando você não está, vai falar mal de você. As atitudes dela nunca são a mesma quando você está presente e quando não está.

“Uma pessoa falsa é difícil de reconhecer porque eles conseguem jogar muito bem. Esse também é um perfil muito difícil de se desenvencilhar, pois eles podem se sentir ofendidos. Então, é importante não entrar no jogo deles. Existem pessoas com esses perfis que não podemos deixar de conviver, assim nós devemos buscar outras qualidades da pessoa e tentar se defender”, revela a psicóloga.
"A intenção de enganar é o que constitui a falsidade. Por um relance de olhos, por um movimento da mão, uma expressão do rosto, pode-se dizer falsidade tão eficazmente como por palavras. Todo o exagero intencional, toda a sugestão ou insinuação calculada a transmitir uma impressão errônea ou desproporcionada, mesmo a declaração de fatos feita de tal maneira que iluda, é falsidade." (Patriarcas e Profetas, p. 309)
4. Vítimas
As pessoas que se fazem de vítima nunca são capazes de assumir o próprio erro, sempre precisam encontrar alguém para levar a culpa por elas. “A vítima é uma pessoa que passa uma falsa imagem de ser fraca, quando na verdade é uma pessoa muito forte. A melhor postura para lidar com esse perfil é nunca alimentar o comportamento ou valorizar isso na pessoa”, comenta Milena.
"O verdadeiro arrependimento levará o homem a assumir a própria culpa e reconhecê-la sem fraude ou hipocrisia." (Testemunhos para a Igreja 5, p. 638)
5. Arrogantes
Existe uma grande diferença entre confiança e arrogância, pessoas arrogantes se sentem superiores e estão sempre intimidando os outros. De acordo com a psicóloga, para lidar com o arrogante é preciso ter autoestima e ter consciência das suas qualidades, porque ele sempre tentará diminuir você.
"A soberba é um terrível aleijão no caráter. A soberba precede a ruína. Isto é verdade na família, na igreja e na nação. Nada é tão ofensivo a Deus nem tão perigoso para o espírito humano como o orgulho e a presunção. De todos os pecados é o que menos esperança incute, e o mais irremediável." (Testimonies, vol. 4, p. 377)
6. Controladores
As pessoas controladoras acreditam que sabem tudo. “Uma pessoa controladora geralmente é muito segura e tentar mostrar controle com esse perfil pode também não ser a melhor alternativa. O ideal é tentar não entrar nesse controle”, revela a psicóloga.
"Às vezes um homem que foi colocado em posição de responsabilidade, como líder, concebe a ideia de que está numa posição de suprema autoridade, e que todos os seus irmãos, antes de fazerem qualquer movimento de avanço, devem primeiro dirigir-se a ele pedindo permissão para fazer aquilo que eles sentem que se deve fazer. Em vez de agir como sábio conselheiro, assume as prerrogativas de um governante exigente." (Liderança Cristã, p. 44)
7. Negativos
Sabe aquela pessoa que vive irritada, nunca consegue ver nada de bom na vida e é ressentida com tudo? Então, esse tipo de perfil pode afetar muito a vida de alguém, já que para ela nada parece dar certo. Segundo a psicóloga é importante não se deixar contaminar pela vibração ruim dela.
"A tristeza e o falar em coisas desagradáveis, é o mesmo que animar cenas desagradáveis, trazendo sobre si o efeito ruim. Deus quer que esqueçamos tudo isso - não olhar para baixo, mas para cima, para cima!" (Carta 1, 1883)
8. Egocêntricos
Para os egocêntricos parece que o mundo inteiro gira em torno deles, eles estão sempre querendo ser os melhores em tudo. “Com uma pessoa egocêntrica não se pode criar muita expectativa ou querer receber algo em troca. O egocêntrico não consegue ver o outro, só pensa nele mesmo. Em um relacionamento é uma via de mão única”, comenta Milena.
"Somos por natureza egocêntricos e opiniosos. Nações, famílias, e indivíduos estão cheios do desejo de fazer do eu um centro." (Conselhos sobre Mordomia, p. 15)
Beatriz Caetano (via Minha Vida)

As inserções dos textos de Ellen G. White foram feitas pelo blog.

O prof. Leandro Quadros também fala sobre pessoas tóxicas que devemos evitar:

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Como conviver com os outros - 10 dicas de Ellen G. White

Nenhum homem é uma ilha. Dependemos uns dos outros. Pelo nosso relacionamento com as pessoas, podemos ser uma influência para o bem e uma fonte de conforto a todos que nos cercam. As dicas a seguir foram extraídas de um excelente livreto de Ellen G. White chamado Como Conviver com os Outros:

1. O inimigo que mais carecemos temer é o próprio eu. Nenhuma vitória que possamos ganhar será tão preciosa como a vitória sobre nós mesmos.

2. Não se vingue. Quando puder, remova toda a causa de mal-entendido. Evite a aparência do mal. Faça o que estiver em seu poder, sem comprometer os princípios, para conciliar o próximo.

3. Se lhe forem dirigidas palavras impacientes, nunca responda no mesmo tom. Lembre-se de que ‘a resposta branda desvia o furor’ (Pv 15:1). Há um poder maravilhoso no silêncio. As palavras ditas em réplica a alguém encolerizado por vezes servem apenas para o exasperar. Mas se a cólera encontra o silêncio, é um espírito amável e indulgente, em breve se esvai.

4. Se Cristo habitar em nós, seremos pacientes, bondosos e indulgentes, alegres no meio das contrariedades e irritações. Tal é a tarefa que sobre nós impende; mas não pode ser cumprida sem o auxílio de Jesus, firme decisão, um alvo bem determinado, contínua vigilância e oração incessante. 

5. Se temos a compreensão da paciência de Deus para conosco, não devemos ser achados a julgar ou a acusar ninguém. Quando Cristo vivia na Terra, quão surpreendidos ficariam os que O acompanhavam, se, depois de familiarizados com Ele, Lhe ouvissem dizer uma palavra de acusação, crítica destrutiva ou impaciência. Não esqueçamos que aqueles que O amam devem reproduzi-Lo em seu caráter. 

6. O cristianismo torna as pessoas bem-educadas. Cristo era cortês, mesmo com Seus perseguidores; e os Seus verdadeiros seguidores devem manifestar o mesmo espírito. 

7. Estude cuidadosamente o caráter divino-humano, e inquira constantemente: ‘Que faria Jesus em meu lugar?’ Esta deve ser a medida do nosso dever. Nada faça entre os estranhos, na rua, nos carros, em casa, que tenha a menor aparência de mal. Faça cada dia alguma coisa para melhorar, embelezar e enobrecer a vida que Cristo resgatou com Seu própria sangue. 

8. Cultive o hábito de falar bem do próximo. Detenha-se sobre as boas qualidades daqueles com quem está associado, e olhe o menos possível para seus erros e fraquezas. Quando é tentado a queixar-se do que alguém disse ou fez, louve alguma coisa na vida ou caráter dessa pessoa. Cultive a gratidão. Louve a Deus pelo Seu admirável amor em dar a Cristo para morrer por nós. 

9. É pelas relações sociais que a religião cristã entra em contato com o mundo. Cristo não deve ser escondido no coração como um tesouro cobiçado, sagrado e doce, fruído exclusivamente pelo possuidor. Devemos ter Cristo em nós como uma fonte de água, que corre para a vida eterna, refrescando a todos os que entram em contato conosco. 

10. Devemos viver neste mundo para ganhar almas para o Salvador. Se ofendemos os outros, prejudicamo-nos a nós mesmos. Se os beneficiamos, somos nós mesmos beneficiados; pois a influência de toda ação boa se reflete em nosso próprio coração.

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Lições espirituais do Dia de Finados

De acordo com a Enciclopédia Online Wikipédia, o Dia dos Fiéis Defuntos, Dia dos Mortos ou Dia de Finados é celebrado pela Igreja Católica no dia 2 de Novembro, logo a seguir ao Dia de Todos os Santos. Desde o século II, os cristãos rezavam pelos falecidos, visitando os túmulos dos mártires para rezar pelos que morreram. No século V, a Igreja dedicava um dia do ano para rezar por todos os mortos, pelos quais ninguém rezava e dos quais ninguém lembrava. Também o abade de Cluny, santo Odilon, em 998 pedia aos monges que orassem pelos mortos. Desde o século XI os Papas Silvestre II (1009), João XVII (1009) e Leão IX (1015) obrigam a comunidade a dedicar um dia aos mortos. No século XIII, esse dia anual passa a ser comemorado em 2 de novembro, porque 1 de novembro é a Festa de Todos os Santos. O Brasil por ser um país predominantemente católico, adotou essa data como feriado nacional segundo as leis n°10.607/02 e n° 662/49.

Os protestantes e evangélicos não recomendam a oração pelos mortos porque essa doutrina é desprovida de apoio bíblico. Já os católicos afirmam haver respaldo no livro de II Macabeus 12:43-46, mas a canonicidade desse livro não é reconhecida pela maioria das religiões cristãs. É durante o estado de vida, que o ser humano é convidado a aceitar a salvação pela fé em Cristo Jesus (Gl 2:16; At 4:12; 1Jo 5:11-12) e aguardar o dia da gloriosa ressurreição onde Deus chamará os que dormem para devolver-lhes a vida (1Ts 4:16-17, 1Co 15:51-54). Mas não há nada que se possa fazer para ajudar alguém a aceitar essa verdade, depois de descer a sepultura.

O motivo é que para alguém ser salvo, é necessário crer em Jesus, pois sem Jesus somos pecadores perdidos (Rm 3:23; 6:23); confessar sua condição pecaminosa (1Jo 1:9; Mq 7:18,19) e arrepender-se dos seus pecados (At 3:19; 1Jo 1:9). Porém os mortos estão inconscientes, “não sabem coisa alguma”, não pensam, nem agem (Ec 9:5, 6 e 10; Sl 146:4). Como pode então, um morto, crer, confessar e arrepender-se em seu estado mortal?

O apóstolo João declarou em Apocalipse 14:13 – Felizes (Bem Aventurados) são os mortos que descansaram no Senhor… ou seja; durante o estado “vivo” (racional), tomaram a decisão por aceitar o plano da salvação. A felicidade é creditada pelo fato de que um dia Deus devolverá a vida a estas pessoas e por isso, a morte é comparada para estes, como um sono.

Embora muitos no dia 2 de novembro verterão lágrimas diante dos túmulos pela ausência afetiva e pessoal de um familiar ou amigo falecido, a Bíblia não nos deixou sem esperança. A morte não será um fim em si mesma para aqueles que morreram em Cristo. Resta uma esperança a estas pessoas e a todos que creem.
“Eis que vos digo um mistério: Nem todos dormiremos, mas transformados seremos todos, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque é necessário que este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade, e o que é mortal se revista da imortalidade… Então se cumprirá a palavra que está escrita: Tragada foi a morte pela vitória. Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?” (1Co 15:51-55)
É preciso valorizar mais os vivos e não os mortos. Os vivos podem tomar a decisão por Jesus enquanto são vivos, mas os mortos já estão com o destino selados pelas escolhas que fizeram em vida. Isso não quer dizer que as boas lembranças de um falecido devam ser esquecidas. Assim como contamos lindas histórias de personagens bíblicos já falecidos, creio que existam milhares de pessoas que deixaram um bom legado e cujo testemunho ainda soa como exemplo de vida.

Certa vez uma mulher me contou que o seu esposo nunca a presenteou com flores e rosas, mas que no dia de finados, os parentes já falecidos, recebiam homenagens que ela nunca recebera durante os longos anos de vida conjugal. Essa mulher clamava por socorro: “Eu estou viva e preciso de atenção”.

Olhe ao seu redor e verás pessoas carentes de bons relacionamentos, apoio, carinho, amor, atenção, mas principalmente, de encorajamento, para “Buscarem o Senhor enquanto se pode achar…” (Is 55:6). Concentre os seus esforços por aqueles que ainda estão debaixo do sol (os vivos) e que almejamos encontrá-los um dia no céu. Hoje mesmo, leve a estas pessoas um presente. Pode até ser uma flor, uma rosa, mas não se esqueça do principal, o melhor presente, Aquele que é a ressurreição e a vida – Cristo Jesus.

Fabio dos Santos (via Nisto Cremos)
"Que manhã gloriosa não será a manhã da ressurreição! Que cena maravilhosa se abrirá quando Cristo vier, para Se fazer admirado em todos os que creem! Todos os que foram participantes da humilhação e sofrimentos de Cristo serão participantes de Sua glória. Pela ressurreição de Cristo, todo santo crente que adormece em Jesus, sairá, triunfante, de seu cárcere. Os santos ressurgidos proclamarão: 'Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?' (1Co 15:55). Jesus Cristo triunfou sobre a morte e rompeu os grilhões do túmulo, e todos os que no túmulo dormem participarão da vitória; sairão das sepulturas, como fez o Vencedor." (Ellen White - Mensagens Escolhidas, vol. 2, p. 271-272)

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Evangelismo e o discurso de ódio: uma convivência impossível

Evangelizar é partilhar as boas-novas de que “Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito, para que todo o que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16 - ARA). Essas boas-novas estão baseadas na mais fundamental revelação, o clímax da Bíblia: “Deus é amor” (1 João 4:8). Deus mostra benevolência para com toda a família humana. Ele foi encarnado em Jesus Cristo para nos livrar do mal. O evangelho é essas boas-novas: o gracioso oferecimento do perdão de Deus, da libertação do domínio do mal, da aceitação em Sua família e da participação na Sua natureza divina.

“Seu divino poder nos deu tudo de que necessitamos para a vida e para a piedade, por meio do pleno conhecimento dAquele que nos chamou para a Sua própria glória e virtude. Dessa maneira, Ele nos deu as suas grandiosas e preciosas promessas, para que por elas vocês se tornassem participantes da natureza divina e fugissem da corrupção que há no mundo, causada pela cobiça” (2 Pedro 1:3, 4).

O evangelho é, portanto, as boas-novas do advento do reino de Deus, o parentesco e domínio real já manifesto em todos aqueles que acreditam e entregaram sua vida à Sua completa soberania.

Entre os componentes multifacetados e incontestáveis do evangelho estão as boas-novas fundamentais do sacrifício todo-suficiente de Cristo e o Seu ministério sumo sacerdotal para a finalização da reconciliação de Deus e a comunhão eterna em amor com aqueles que aceitam a salvação por Ele oferecida.

O evangelho é também as boas-novas que habitam nos fiéis por meio do Espírito Santo que os ensinará e consolará para sempre (João 14:16. 17, 26).

O evangelho deve ser partilhado da maneira como Deus revelou, do mesmo modo que Ele partilha Suas bênçãos conosco: em amor, em liberdade e sem coerção, como um dom gratuito e como fruto do Espírito Santo. Essas boas-novas devem ser comunicadas conforme Deus deseja, não com as armas do mal, como humilhar os outros, denegrir sua dignidade ou violar sua liberdade. Para partilhar o evangelho não se deve usar o discurso do ódio.

O mundo, em sua maior parte, chegou a um consenso a respeito do mal que resulta do discurso do ódio.[1] A comunidade internacional concluiu, por meio de tratados, convênios, convenções e declarações, que as formas de se relacionar com os outros, que depreciam a sua dignidade, são inaceitáveis. Em nossos dias e em nossa época, acusar os outros de serem apóstatas – hereges – porque eles creem de maneira diferente, é considerado uma forma de maldade.

Esse tipo de atitudes são reminiscências do tempo das acusações generalizadas, das perseguições, inquisições, cruzadas, conquistas e guerras religiosas da era medieval.

Em nosso mundo contemporâneo, a prática de depreciar a religião ou as crenças de outros tem servido de pretexto para que alguns países adotem as chamadas leis antiblasfêmia, que solapam a liberdade religiosa e torna difícil até mesmo a prática pública da própria fé. A liberdade religiosa é garantida pelas leis internacionais, conforme citado na DUDH (Declaração Universal dos Direitos Humanos). No entanto, as leis antiblasfêmia têm sido e estão atualmente sendo usadas para perseguir as religiões minoritárias. A crítica feita por pessoas de outras crenças gera um ambiente tóxico em que o testemunho cortês e inteligente sobre a própria crença é substituído por atitudes antagonistas e hostis para com os seres humanos criados à imagem de Deus.

O evangelismo é incompatível com o ódio em qualquer de suas formas – com exceção do ódio para com o mal, que deveria sempre ser denunciado. O ódio nunca deveria ser dirigido aos seres humanos. Jonas teve que aprender essa lição. Deus tratou rigorosamente os maus pensamentos que esse profeta abrigava. No livro de Jonas, a mesma palavra (“mal”) é usada para descrever os atos dos habitantes da cidade de Nínive e o ódio que Jonas tinha contra aquelas pessoas.

O discurso de ódio faz parte do modus operandi dos terroristas, mas isso, com certeza, não deveria ser verdade em relação aos cristãos genuínos. Os ateus, os agnósticos – na verdade, qualquer um que acredita de forma diferente – deveriam se relacionar de forma respeitosa, reconhecendo a dignidade da diferença e reprimindo qualquer forma de abuso verbal ou violência física.

O evangelismo não pode ser usado para denegrir os outros, violar sua dignidade e ofender sua consciência ou escolha para acreditar ou não. O evangelho pregado por Jesus nunca teve o propósito de ser um discurso de ódio ou de incitação a qualquer forma de violência; ao contrário, é um convite para a vida.

As boas-novas eternas pronunciadas naquelas que são chamadas de “As Três Mensagens Angélicas”, citadas em Apocalipse 14, iniciam com um convite para a vida; é isso o que significa “Temei a Deus” (verso 7 – ARA).

Repetidamente nas Escrituras, a expressão idiomática “temei ao Senhor” está associada à amizade com Deus, ao ódio e à rejeição do mal e à decisão de escolher e abraçar a vida, não a morte. Alguns exemplos serão suficientes:

“O Senhor confia os Seus segredos aos que O temem, e os leva a conhecer a Sua aliança” (Sl. 25:14).

“Não seja sábio aos seus próprios olhos; tema o Senhor e evite o mal. Isso lhe dará saúde ao corpo e vigor aos ossos” (Provérbios 3:7, 8).

“Temer o Senhor é odiar o mal” (Provérbios 8:13).

“O temor do Senhor prolonga a vida” (Provérbios 10:27)

“O temor do Senhor é fonte de vida, e afasta das armadilhas da morte” (Provérbios 14:27).

“O temor do Senhor conduz à vida” (Provérbios 19:23).

As boas-novas também estão relacionadas ao juízo. É necessário um tempo de juízo para a restauração da justiça. Em Apocalipse 6, os mártires clamam a Deus pelo juízo. Apocalipse 14 anuncia as boas-novas do juízo em favor dos santos, e não para os santos derrotarem ou humilharem seus inimigos.

Nas Escrituras, os santos bendisseram até mesmo os seus inimigos. Jesus orou por aqueles que O estavam crucificando, que O rejeitaram ou O abandonaram. Estêvão orou por aqueles que o estavam apedrejando. Daniel orou e salvou a vida de seus inimigos na Babilônia, até mesmo dos magos pagãos. O povo de Deus hoje também está envolvido na obra de salvar vidas proclamando a mensagem de saúde e temperança, construindo hospitais, clínicas e centros de vida saudável, todos dedicados a salvar e melhorar a qualidade de vida de nossos semelhantes, sem discriminação contra qualquer um.

Aqueles que estão convencidos de que têm a missão de partilhar o evangelho devem fazê-lo sem denegrir, discriminar ou criminalizar outros com base em suas crenças, por serem diferentes.

O mercado das ideias hoje é caracterizado pela liberdade, mas também pela demanda por responsabilidade: a necessidade de respeitar os outros. Essa disposição é o verdadeiro antídoto contra o racismo, nacionalismo, tribalismo, etno-centrismo ou qualquer outra forma de supremacia.

EVANGELISMO: NÃO HÁ LUGAR PARA O ÓDIO
O discurso de ódio deve ser entendido por aquilo que ele é: o mal. Evangelistas e pregadores colocam em descrédito a sua mensagem quando empregam a violência, o discurso de ódio, insultos e maldades semelhantes. Essas práticas, e muitas fazem parte da era medieval, envolvem coerção, medo, intimidação e ameaças como meio de subjugar as massas incultas e não têm parte alguma na proclamação do evangelho de Cristo. Os secularistas apontam para essas práticas maldosas com o objetivo de colocar a religião em descrédito. Eles não deveriam receber munição para restringir o poder do evangelho.

Nosso mundo necessita das verdadeiras boas-novas. É possível apresentar todos os fatos do evangelho dado por Deus, de todo o plano da salvação, claramente pronunciado e não diluído, sem recorrer aos atos das trevas. A beleza e a profundidade do evangelho merecem ser partilhadas sem adulteração e sem mistura de amargura, ódio ou desprezo de outros. Vamos dar às boas-novas uma chance. O Espírito Santo transforma vidas quando o povo ouve a genuína palavra vinda de um Deus de amor. O evangelho, ou boas-novas, tem a ver com a derrota do mal e das formas pecaminosas de lidar com os seres humanos criados à imagem de Deus, que devem se tornar templos do Espírito Santo.

A Bíblia retrata o mal e as forças do mal por meio do uso de metáforas, como Babilônia. Por exemplo, quando o livro de Apocalipse proclama: “Caiu, caiu a grande Babilônia” (Apocalipse 14:8), o significado é claro: Babilônia representa os falsos sistemas religiosos opostos à verdade e à justiça oferecidas por Deus. Na perseguição dessa Causa, Babilônia não hesita em subjugar, oprimir, coagir ou enganar o povo de Deus. A mensagem de Apocalipse 14:8, porém, sobre a queda de Babilônia, é uma garantia para o Seu povo de que ela está sob os juízos de Deus, e a sua queda é certa. Essa queda é parte fundamental das boas-novas. Ela prepara o povo de Deus para ir ao Lar.

Proclamar as boas-novas do evangelho é prerrogativa e privilégio do evangelismo. Para isso, existem meios de reafirmar sua própria identidade sem comprometimento e fazer reivindicações de sua própria identidade, mensagem e missão singulares sem prejudicar outras pessoas. É possível prestar contas da própria fé de maneira amorosa e respeitosa.

O apóstolo Paulo disse isso muito bem: “Sejam sábios no procedimento para com os de fora; aproveitem ao máximo todas as oportunidades. O seu falar seja sempre agradável e temperado com sal, para que saibam como responder a cada um” (Colossenses 4:5, 6).

EVANGELISMO: NÃO HÁ LUGAR PARA O NEGATIVISMO
O evangelismo é o ato de partilhar as boas-novas do evangelho, é um ato de amor e de interesse. O evangelismo é um amoroso convite para vir voluntariamente, sem qualquer coerção, e provar a doçura, bondade, perdão e alegria que são tão fundamentais no evangelho de Jesus. No evangelismo não há espaço para acusar outras religiões ou mesmo outras denominações cristãs de serem provedoras de falsidades. O evangelho não permite qualquer negativismo ou incitação ao ódio, discriminação ou criminalização de outros.

É vital para os cristãos, especialmente em nossa época, promover o evangelho não como tristeza e maldição, mas como as boas-novas que têm a capacidade de tornar a vida alegre e significativa – especialmente numa época em que nosso planeta enfrenta toda espécie de desafios espirituais, morais e físicos, incluindo as mudanças climáticas, tsunamis, terremotos, deslizamentos de terra, enchentes, guerras e limpeza étnica que a cada dia fazem parte dos noticiários e que interrompem e impactam milhões de vidas.

O evangelismo é uma proclamação – não somente de que Jesus nos salva do pecado, mas também que Ele está vindo para colocar um fim ao reinado do mal. Melhor ainda, o evangelismo anuncia que Cristo está vindo para abençoar aqueles que por Ele esperam. O evangelismo é as boas-novas de poder participar da antecipação dessa bênção futura, naquele dia em que Jesus dirá: “Venham, benditos de meu Pai! Recebam como herança o Reino que lhes foi preparado desde a criação do mundo” (Mateus 25:34). Quando nós nos envolvemos no evangelismo, convidamos as pessoas para o banquete das bênçãos. Os cristãos são certamente chamados a agir como os profetas na sociedade, mantendo e promovendo a justiça. No entanto, eles não podem fazer isso enquanto lançam mão de más práticas ao lidar com os semelhantes. Isso seria injustiça e pecado.

Civilidade, cortesia e todos os frutos do Espírito Santo são um dever na sociedade civil. Eles são parte intrínseca do testemunho cristão. Difamar os semelhantes ou desonrá-los de qualquer forma é contra o que está explicitado no mandamento bíblico para tratar a todos “com o devido respeito” (1 Pedro 2:17).

O cristão é chamado a seguir as ordens do Espírito Santo, expressas por meio de Pedro: “Quanto ao mais, tenham todos o mesmo modo de pensar, sejam compassivos, amem-se fraternalmente, sejam misericordiosos e humildes. Não retribuam mal com mal, nem insulto com insulto; ao contrário, bendigam; pois para isso vocês foram chamados, para receberem bênção por herança.

Pois, quem quiser amar a vida e ver dias felizes, guarde a sua língua do mal e os seus lábios da falsidade. Afaste-se do mal e faça o bem; busque a paz com perseverança.

Porque os olhos do Senhor estão sobre os justos e os seus ouvidos estão atentos à sua oração, mas o rosto do Senhor volta-se contra os que praticam o mal” (1 Pedro 3:8-12).

O verdadeiro conceito bíblico de evangelismo diz claramente que a esperança do cristão descansa inteiramente em Jesus e Sua vinda para estabelecer o Seu reino de paz, liberdade e justiça. Aos fiéis é prometida cada bênção espiritual em Cristo. Eles são predestinados no amor, escolhidos, adotados, abençoados no Amado, redimidos, perdoados, recebedores da herança, selados com o prometido Espírito Santo (cf. Efésios 1:1-14).

O evangelismo é um convite a essa qualidade de vida, com base na fé, na esperança e no amor. Desses, o maior é o amor (1 Coríntios 13:13). Amar o nosso próximo como a nós mesmos é o que Deus, que é amor, espera de todos aqueles que se unem a Ele em Seu amor. Isso, na realidade, é o verdadeiro evangelismo.

Ganoune Diop - PhD pela Universidade Andrews, Michigan, EUA, é o Diretor de Assuntos Públicos e Liberdade Religiosa na sede mundial da Igreja Adventista do Sétimo Dia, em Silver Spring, Maryland, EUA, e secretário geral da Associação internacional de Liberdade Religiosa (IRLA). Ele também atua como secretário da Associação de Secretários das Comunidades Cristãs Mundiais. (via Revista Diálogo Universitário)

NOTAS E REFERÊNCIAS
1. “O PIDCP [Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos] impõe aos Estados Participantes a obrigação de proibir o discur- so de ódio [...] O Artigo 20 (2) estabelece o seguinte: ‘Qualquer defesa de ódio nacional, racial ou religioso que constitua incita- mento à discriminação, hostilidade ou violência deverá ser proi- bida por lei.’ Todos os três Tratados sobre os Direitos Humanos – a Convenção Europeia de Direitos Humanos (ECHR), a Convenção Americana de Direitos Humanos (ACHR) e a Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos (ACHPR) [esses pela sigla em inglês] – garantem o direito à liberdade de expressão [...]; a ACHR prevê especificamente a proibição do discurso de ódio no Artigo 13 (5), conforme segue: ‘Qualquer propaganda de guerra e qualquer defesa de ódio nacional, racial ou religioso que con- stituam incitamentos à violência ilegal ou a qualquer outra ação ilegal semelhante contra qualquer pessoa ou grupo de pessoas, por qualquer motivo, incluindo raça, cor, religião, idioma ou origem nacional devem ser consideradas infrações puníveis por lei.’” Citado por Toby Mendel, diretor executivo do Centro de Direito e Democracia, “Hate Speech Rules Under International Law” (2010 (3): http: //www.law-democracy.org / wp-content / uploads / 2010/07 / 10.02.hate-speech.Macedonia-book.pdf. A Convenção Europeia dos Direitos Humanos e a Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos têm disposições semelhantes às encontradas no PIDCP.