sexta-feira, 25 de maio de 2018

A greve dos caminhoneiros e a fragilidade das estruturas humanas

Reivindicando seus direitos, os caminhoneiros do Brasil estão parados há cinco dias. Em tão pouco tempo essa greve ajudou a revelar uma faceta pouco percebida pelas pessoas, da qual apenas se dão conta quando ocorrem guerras ou tragédias naturais: nossas estruturas e nossos sistemas são extremamente frágeis. Os combustíveis simplesmente acabaram nos postos. Voos estão sendo cancelados por falta de querosene para os aviões. Nos supermercados já se notam os efeitos do desabastecimento. Algumas cidades poderão ficar sem água tratada, pois os produtos químicos usados no processo não estão chegando às estações de tratamento. Dezenas de navios estão impedidos de descarregar seus contêineres nos portos. Mesmo a polícia está sendo afetada com a falta de combustível para as viaturas, o que aumenta a apreensão com a falta de segurança. Em apenas cinco dias nossa vida virou de pernas para o ar. Em apenas cinco dias nos demos conta uma vez mais de quão frágeis são nossas estruturas e nossos sistemas. Da noite para o dia tudo aquilo em que muita gente coloca a confiança – o dinheiro, a tecnologia, os modernos meios de transporte – pode simplesmente acabar. Percebemos que o mundo carece de uma esperança real, com fundamentos sólidos.

No Salmo 121, versos 1 e 2, o salmista faz uma pergunta e ele mesmo a responde: “Levanto os meus olhos para os montes e pergunto: De onde me vem o socorro? O meu socorro vem do Senhor, que fez os céus e a terra.” De fato, nosso socorro não vem dos montes, não vem da nossa conta bancária, não vem da nossa saúde que tem prazo de validade, não vem da força das nossas mãos e das obras que elas podem realizar. Nosso socorro não vem das coisas que inventamos. Elas até ajudam, mas são frágeis, transitórias e podem desabar como um castelo de cartas no curto período de cinco dias ou menos.

Pior que a perda das estruturas é a perda da vida. Quando morre uma pessoa querida, aí, sim, é que nos damos conta da fragilidade da existência humana. E isso pode acontecer a qualquer momento, num piscar de olhos. Quando o ser humano altivo, orgulhoso de seus feitos se dará conta de tudo isso? Quando vamos perceber que não somos nada sem Deus, sem aquele que fez os céus e a Terra? Nosso planeta é menos que um grão de areia neste vasto Universo. Nós somos menos que bactérias neste grão de areia. Sem Deus não temos esperança alguma, e uma simples greve de caminhoneiros nos faz perceber isso no curto intervalo de tempo de cinco dias…

Mas a esperança existe, ela é real e tem nome: Jesus Cristo. Ele morreu por nós e isso reajusta nosso pensamento com respeito ao valor da vida humana. Sim, somos bactérias no Universo, mas temos valor infinito – o valor da vida de Deus. Somos minúsculos e nossos problemas, aparentemente insignificantes. Mas o Eterno atenta para esses detalhes da nossa vida. Ele sabe que neste mundo de pecado teremos tribulações, lutas e sofrimentos – e até nos advertiu quanto a isso –, mas garantiu que não nos deixaria órfãos; que voltaria para nos buscar, e logo cumprirá essa promessa.

As pessoas precisam parar de olhar para os “montes” como se de lá lhes viesse o socorro. Precisam parar de confiar tanto nas obras de suas mãos, nas estruturas que construíram e que lhes parecem tão sólidas. Essas coisas são apenas paliativos para um problema maior. Não temos condições de salvar a nós mesmos. Precisamos do poder da esperança; precisamos do Deus da esperança, o Criador do Universo.

Conte isso para as pessoas. Seja um portador de boas-novas. Diga para elas que Deus existe e que Jesus em breve voltará para nos tirar deste mundo que se consome, que se autodestrói. Seja um missionário da esperança!

Michelson Borges (via Outra Leitura)

P.S.: “Quando os justos florescem, o povo se alegra; quando os ímpios governam, o povo geme. […] O rei que exerce a justiça dá estabilidade ao país, mas o que gosta de subornos o leva à ruína.” (Provérbios 29:2, 4).

Dia do Orgulho Nerd - O que os cristãos podem aprender com os nerds?

 Jim Parsons, que faz sucesso como o nerd Sheldon Cooper na série "The Big Bang Theory" e Leonard Nimoy, que imortalizou o personagem Spock em "Jornada das Estrelas"
O Dia do Orgulho Geek, também conhecido por Dia do Orgulho Nerd, é comemorado anualmente em 25 de maio em todo o mundo. A data foi criada em homenagem à estreia do primeiro filme da franquia Star Wars (Star Wars, Episódio IV: Uma Nova Esperança), lançado em 25 de maio de 1977 e considerado um grande marco para a cultura nerd.

No dia 25 de maio ainda é celebrado o Dia da Toalha, uma comemoração que também serve de homenagem para a cultura geek e nerd. O Dia da Toalha é uma homenagem dos fãs da série "O Guia do Mochileiro das Galáxias" e ao seu autor, o escritor Douglas Adams.

Nerd é um termo que descreve, de forma estereotipada, uma pessoa que exerce intensas atividades intelectuais, que são consideradas inadequadas para a sua idade, em detrimento de outras atividades mais populares. 

Pode descrever uma pessoa que tenha dificuldades de integração social e seja atrapalhada, mas que nutre grande fascínio por conhecimento ou tecnologia.


O nerd é um raro caso que é o que é em um mundo em que todos querem ser o que não são. Só os nerds admitem que, mesmo adultos, ainda leem quadrinhos, jogam videogame e colecionam bonequinhos de brinquedo.
 Só eles vestem sem vergonha algumas roupas de seus super-heróis favoritos e não têm medo de dizer que as piadas mais engraçadas do seriado The Big Bang Theory são sobre computação ou física quântica.

Série "The Big Bang Theory"
Eles são o exemplo vivo de que a coerência (e a persistência) pode vencer a massa. Em uma sociedade na qual as pessoas insistem em ser o que não são, quem é coerente com a mensagem que prega faz sucesso. E o pior é que os nerds conquistaram a admiração e o respeito da sociedade defendendo valores e representando ícones como o Super-Homem, Luke Skywalker ou Mario Bros., mesmo que, para isso, tenham enfrentado o bullying antes do bullying ter sido inventado! 

Já nós, cristãos, temos ao nosso lado a bandeira da saúde, da educação, da caridade e da família. Ainda assim, mesmo com causas tão nobres e heroicas, muitos continuam acovardados, sem fibra para viver na plenitude a mensagem que representam. Têm medo de pagar o preço. E logo nós, que seguimos Jesus Cristo, o maior ícone de todos os tempos! E logo nós, que acreditamos no amor, o mais sublime dos valores! 

O exemplo dos nerds pode nos “salvar” da incongruência entre o que cremos e o que praticamos, entre o que dizemos e o que somos. Como não precisamos aderir a tudo aquilo que os nerds defendem, deveríamos ao menos seguir seu exemplo de perseverança, autenticidade e coerência.

Vida longa, próspera... ou melhor, vida eterna pra todos nós!

quinta-feira, 24 de maio de 2018

É VERDADE

Tenho um professor que costuma repetir: aquilo que compartilhamos nas redes sociais diz mais a respeito de nós mesmos do que do autor original do conteúdo ou do conteúdo em si. A partir dessa reflexão concluo: se compartilhamos mentiras, estamos dando uma eloquente declaração sobre nossa relação com a verdade.

A Verdade era um assunto capital para Jesus. Ele disse que ela nos libertaria (João 8:32), que ela é a palavra de Deus, que nos santifica (João 17:17). São inúmeras as vezes que O vemos começar alguma declaração com a expressão “em verdade em verdade [assim, duas vezes, sublinhando!] vos digo”, e foi bastante claro ao afirmar que seria rejeitado justamente por falar a verdade (João 8:45). Ele diz que nossa adoração precisa ser em verdade (João 4:24) e que “todo aquele que é da verdade” ouve Sua voz (João 18:37 – ao que Pilatos, numa atitude bem pós-moderna e adequada aos nossos tempos aqui, deu de ombros perguntando “o que é a verdade?” e então virou as costas).

É de se esperar, portanto, que todos aqueles que seguem Alguém que Se descreveu como “o caminho, a verdade e a vida” (João 14:6), tenham um apego considerável à verdade. O que se vê, contudo, é um festival de fake news compartilhada com alegria. Qualquer notícia absurda ou simplesmente inverídica, mas que confirma de alguma forma a visão de mundo desses cristãos, é abraçada com entusiasmo – e passada adiante. Cristãos, possivelmente mais do que outros grupos, não admitem sentar frente a frente com pessoas que partilham de outra cosmovisão para simplesmente conversar. No fundo, agem como quem tem medo de sua verdade não resistir ao escrutínio da razão ou aos fatos.

E, no entanto, Jesus Cristo é a Verdade. Como disse C. S. Lewis, ou Ele é aquilo que afirmou ser, ou é um louco, e os que temos de fato nos relacionado com Ele sabemos que não se trata da segunda hipótese, em absoluto. Logo, se temos andado e mantido uma relação estreita com Ele, temos interagido com nada menos que a Verdade (assim, com V maiúsculo). O que devia aumentar nossa confiança e nos impelir a comunicar com o outro, como Ele ordenou, porque sabia que isso ajudaria não só a alcançar alguns que não conhecem a Verdade, mas também depuraria aquilo que nós entendemos como verdade, tirando dela as impurezas que deixamos acumular ao seu redor.

Neste exato instante, e especialmente num ano eleitoral como este, há uma infinidade de perfis falsos nas redes sociais e “bots” criados para compartilhar informações falsas. Nós os vimos em ação recentemente no caso Marielle, quando um monte de cristãos passaram adiante a informação falsa de que ela era mulher de um traficante e o fizeram sem nem pensar duas vezes, afinal, estavam diminuindo a morte de uma mulher negra, lésbica e esquerdista. E, contudo: “Não vos escrevi porque não soubésseis a verdade, mas porque a sabeis, e porque nenhuma mentira vem da verdade” (I João 2:21). Nenhuma.

Cheque os fatos e fique do lado da verdade, lembrando que ela é uma pessoa.

Marco Aurélio Brasil (via Nova Semente)

A Bíblia previu com exatidão o tempo difícil em que vivemos

O cartunista argentino Joaquín Tejón, mais conhecido como Quino, criador da famosa personagem de tirinhas Mafalda, produziu uma sequência de cartuns que define muito bem os valores de nossa época (veja abaixo). Preocupado em ensinar ao filho, ainda de chupeta, como a vida é, o pai aponta para o carro e diz: “Isso se chama pernas”. Mostra o computador e afirma: “Isso se chama cérebro”. O celular é chamado de “contato humano”. Um programa de televisão imoral recebe o nome de “cultura”. No espelho, a criança vê o “próximo” a quem deve amar. Na lata do lixo estão os ideais, a moral e a honestidade. Por fim, uma nota de dinheiro é apresentada como “Deus”!
Em sentido filosófico, valor tem que ver com a importância que atribuímos às coisas. E os valores que adotamos motivam nossas escolhas e ações. A sociedade vive uma crise moral. Valores como solidariedade, bondade, verdade e lealdade têm perdido lugar para seus opostos. A justiça, imparcialidade e integridade têm sido dribladas pelo “jeitinho brasileiro”. E a santidade, pureza e reverência têm sido suplantadas por desregramento e profanidade. Somem-se a isso a desconstrução e a perda da noção de pecado. O resultado? Pessoas insensíveis ao sofrimento alheio, aumento galopante da criminalidade, corrupção generalizada, famílias disfuncionais, uma geração sem limites e uma filosofia de vida “vale tudo”.

Onde vamos parar? Talvez seja mais importante perguntar onde já chegamos. Há quase vinte séculos, o apóstolo Paulo previu com precisão cirúrgica o tempo difícil em que vivemos. Os seres humanos seriam “egoístas, avarentos, presunçosos, arrogantes, blasfemos, desobedientes aos pais, ingratos, ímpios, sem amor pela família, irreconciliáveis, caluniadores, sem domínio próprio, cruéis, inimigos do bem, traidores, precipitados, soberbos, mais amantes dos prazeres do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando o seu poder” (2Tm 3:2-5, NVI).

E qual é a raiz do problema? Os princípios; ou melhor, a falta deles! Apesar de haver várias definições que diferenciam valor de princípio, gosto de pensar nos princípios como sendo leis de caráter universal e atemporal, que não dependem de tempo nem de lugar. Além disso, os princípios são objetivos, existem independentemente da minha vontade ou opinião. As leis de Deus e da Física (que também são de origem divina) são bons exemplos de princípios.

Por outro lado, os valores têm um caráter mais subjetivo, interior. Embora geralmente haja uma opinião comum sobre eles, cada pessoa determina o que tem ou não tem importância para si. Por esse motivo, os mesmos valores podem ser interpretados de maneiras diversas por diferentes indivíduos. Há pessoas, por exemplo, que não se consideram menos honestas por sonegar impostos ou deixar de restituir o troco devolvido a mais pelo caixa do supermercado.

É aqui que entra a importância dos princípios bíblicos. Enquanto a ética situacional e relativista, típica do nosso tempo, deixa as pessoas livres para fabricar seu próprio repertório de valores, a ética da Bíblia, com base nos mandamentos imutáveis de Deus, fornece um conjunto de princípios e valores invariáveis que refletem a natureza daquele que é eterno e onipresente – sem limites de tempo e geografia.

No entanto, a motivação mais importante para o cultivo de bons valores é o caráter de Deus. A consciência de um Ser supremo que personifica, ao mesmo tempo, o amor e a justiça serve como constante lembrete de nossa obrigação moral. Ellen White escreveu: 
“Aqueles que têm fé genuína em Cristo serão sóbrios, lembrando-se de que os olhos de Deus estão sobre eles, que o Juiz de todos os homens está pesando os valores morais e que os seres celestiais estão esperando para ver que tipo de caráter está sendo desenvolvido.” (Conselhos aos Professores, Pais e Estudantes, p. 223)
Eduardo Rueda (via Revista Adventista)

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Copa do Mundo: é pecado gostar de futebol?

O dia 14 de junho marca o início de um dos maiores eventos do planeta, a Copa do Mundo de Futebol. Em 2018, a Rússia é o palco dessa gigantesca programação que movimenta bilhões de dólares em investimentos e lucro para uma série de empresas e organizações e capta os olhares de muita gente em todos os continentes.

Mas e os cristãos? Qual seria a reação mais correta levando em conta a Bíblia e o Espírito de Profecia como referências? É lícito ao cristão praticar esportes como o futebol? Por que algumas pessoas são contra o futebol? O que ele tem de mau? Existe alguma maneira de praticá-lo sem receber sua influência negativa? E torcer para algum time é pecado?

Em Filipenses 4:8, há uma lista do que realmente deveria ser considerado bom na vida. O texto diz: “Finalmente, irmãos, tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama, se houver algo excelente ou digo de louvor, pensem nessas coisas”.

Com base nessas orientações, frequentar estádios de futebol provavelmente não seja algo que se encaixe nesse aconselhamento bíblico. Fora poucas e cada vez mais raras exceções, nos estádios há risco real de violência descontrolada, uso de bebida alcoólica sem muita restrição e ambiente propício para devoção a um espetáculo com totais interesses financeiros apenas (para quem o organiza). Não é o melhor lugar para uma família cristã estar.

Ao mesmo tempo, é necessário não confundir isso com a prática do exercício e de uma eventual partida de futebol entre amigos para recreação e promoção da saúde.

Cada um é livre para fazer o que deseja, mas precisa saber quais as implicações espirituais de suas decisões. O princípio envolvido aqui é fazer ou não a vontade divina, seguir aquilo que Ele deseja e não nós. No Salmos 143:10, o salmista aconselha dizendo: “Ensina-me Senhor a fazer Tua vontade, pois Tu és meu Deus”.

Vejamos os motivos mais comuns para a preocupação com o futebol, e como podemos evitá-los, tornando este esporte apenas uma brincadeira:

1. Paixão - É um esporte que envolve as pessoas de maneira apaixonada, quase como um vício, levando às torcidas organizadas, frequência aos estádios, discussões sobre o melhor time, exageros na comemoração pelas vitórias ou excessos na revolta pelas derrotas. É uma paixão que facilmente leva ao descontrole. Não combina com o comportamento cristão. Outras bases para não frequentar estádios podem ser encontradas no Salmo 1:1-6, nos perigos de violência que rodeiam o local, e nas práticas que ali são realizadas.

Mas esta paixão pode ser evitada se não houver envolvimento com times e torcidas profissionais, nem frequência aos estádios. Se um jogo de bola não for colocado acima de qualquer outra coisa, mas for praticado nas horas livres, como uma oportunidade de integração, recreação e cuidado com o corpo, ele passa a ser aceitável.

2. Confronto direto - É um esporte que leva as pessoas ao enfrentamento direto. É claro que ele não é o único. O basquete e outros também enfrentam a mesma realidade. Havendo esse confronto, acaba havendo também mais agressão, discussão e competição. Isso não combina com nosso espírito cristão. Mas este confronto pode ser diminuído de acordo com a maneira como a pessoa joga. Se ela joga para brincar, há um contato físico, mas não um confronto direto. 

3. Desentendimento - Parece que entre os esportes, o futebol tem sido o campeão de desentendimentos entre os participantes. É frequente você observar entre os jogadores apaixonados, gente discutindo por regras que não aceita, por não concordar com a maneira como o outro joga, pela atitude de um juiz, e tudo isso acaba em desentendimento e inimizades. Aliás, dizem que um dos melhores lugares para conhecer o caráter de alguém é dentro de um campo de futebol. Isso fere nossa postura cristã. 

Os impulsivos, temperamentais ou gananciosos não conseguem se controlar. Ou porque tem dificuldade consigo mesmos, ou porque não sabem perder. É esse o ponto que tem despertado o maior número de pessoas contra o futebol. "Se é isso que acontece em uma partida", dizem eles, "então é melhor acabar com isso". Mais uma vez a questão é a maneira como se encara o esporte. A atitude do jogador. É possível, até mesmo para temperamentais, brincar sem brigar, desde que encarem o futebol como uma brincadeira. Aqueles que não conseguem se controlar devem orar mais sobre isso, e ficar longe das quadras por um tempo, para não prejudicar o esporte de todos.

4. Competição - Ou seja, a rivalidade entre dois grupos que buscam ser um melhor do que o outro. Muito da condenação do futebol vem em função do forte clima de competição que ele gera. Pior ainda, quando, além da competição normal do esporte, são organizados campeonatos em que a guerra pela vitória vai aos extremos. 

O futebol é um esporte de pontos, ou gols. Alguém vai perder e outro vai ganhar. A maneira como se encara essa competição pode definir se o futebol pode ser praticado ou não. O papel do cristão não é derrotar o outro para ser o melhor do que ele, mas sempre buscar o bem do próximo. Quando futebol recebe um tempero extra, ele vai diretamente contra a essência de nossa mensagem.

Conselhos de Ellen G. White
Já quando o assunto são as orientações de Ellen White, é preciso ter muito cuidado. Quando ela escreveu, o esporte conhecido era o football, o que conhecemos como futebol americano, jogado mais com as mãos do que com os pés, e que é extremamente violento. O futebol como conhecemos aqui é chamado em inglês de soccer, e não é o esporte a que ela se refere. Ambos têm algumas semelhanças, e alguns dos seus conselhos também servem para o nosso futebol. Não podemos aplicar, porém, literalmente tudo o que ela fala de um esporte para o outro, mas podemos aprender lições.
“Alguns dos mais populares divertimentos, tais como o futebol e o boxe, se têm tornado escolas de brutalidade. Estão desenvolvendo as mesmas características que desenvolviam os jogos da antiga Roma. O amor ao domínio, o orgulho da mera força bruta, o descaso da vida, estão exercendo sobre a juventude um poder desmoralizador que nos aterra.” (Conselhos sobre Saúde, p. 189)
“Não tenho conseguido encontrar nenhum caso em que Jesus tenha ensinado os Seus discípulos a empenharem-se na diversão do futebol ou em jogos de competição; e, no entanto, Cristo era nosso modelo em todas as coisas. Cristo, o Redentor do mundo, deu a cada um a sua obra, e ordena: 'Negociai [ocupai-vos, na versão inglesa] até que Eu venha' (Lucas 19:13).” (Fundamentos da Educação Cristã, p. 229)
Ellen White evitou esportes competitivos em praticamente todas suas formas. De fato, seus escritos deixam claro que ela matinha pouco ânimo quanto a atividades esportivas de qualquer espécie. A origem de sua oposição se explica tanto pelo espírito combativo inerente à maioria dos esportes, como porque, de maneira geral, eles desviam a mente das atividades mais sérias da vida.
"Não condeno o simples exercício de brincar com uma bola; mas isto, mesmo em sua simplicidade, pode ser levado ao excesso. Preocupam-me muito os resultados quase sempre inevitáveis que vêm na esteira de esportes competitivos. Eles levam a um gasto de dinheiro que devia ser aplicado em levar a luz da verdade às almas que não conhecem a Cristo. Divertimentos e gasto de meios para satisfação própria, que levam passo a passo à glorificação do eu, bem como o treinamento nesses jogos para obtenção de prazer produzem amor e paixão pelas coisas que não favorecem o aperfeiçoamento do caráter cristão." (O Lar Adventista, p. 499)
“Quanto tempo é gasto por seres humanos inteligentes em jogos de bola! Mas acaso a satisfação nesses esportes dá aos homens o desejo de conhecer a verdade e a justiça? Mantêm a Deus em seus pensamentos? Levá-los-á a indagar: Como vai com a minha alma?” (Conselhos Professores, Pais e Estudantes, p. 456)
"É a glória de Deus que se tem em vista nesses jogos? Eu sei que não é. O caminho de Deus e Seus propósitos são perdidos de vista. A maneira como seres inteligentes se aplicam, ainda em período de experiência, está se sobrepondo à revelada vontade de Deus e pondo em seu lugar as especulações e invenções do instrumento humano, com Satanás a seu lado a imbuir-lhes o espírito. ... O Senhor Deus do Céu protesta contra a ardente paixão cultivada pela supremacia nos jogos assim tão empolgantes." (O Lar Adventista, p. 500)
"O lugar que devia haver sido ocupado por Jesus foi usurpado por vossa paixão por jogos. Preferistes vossos divertimentos aos confortos do Espírito Santo. Não seguistes o exemplo de Jesus, que disse: 'Eu desci do Céu, não para fazer a Minha vontade, mas a vontade dAquele que Me enviou.' (João 6:38)." (Mensagens Escolhidas 1, p. 136)
"Na presente época a vida se tornou artificial e os homens degeneraram. Conquanto não possamos voltar completamente aos hábitos simples daqueles tempos primitivos, deles podemos aprender lições que tornarão nossos momentos de recreio o que este nome implica: momentos de verdadeira construção de corpo, espírito e alma." (Educação, p. 211)
Ellen White nunca condenou um jogo de bola de fundo de quintal ou uma partida de basquete, mas ela advertiu sobre os perigos potenciais dos esportes. Ela alertou que os jogadores podem às vezes se tornar tão obcecados em demonstrar sua superioridade ou em vencer, que isso pode os levar à disputa e orgulho. Além do mais, os esportes às vezes trazem os piores prejuízos aos estudantes, pais, comunidade e fans. Ela observou que era a competição, a rivalidade e o desejo de ser melhor do que os outros que causou a queda de Satanás do Céu. O que ela quer que lembremos, é que os verdadeiros vencedores são aqueles que ajudam os outros a vencer.

Quais são as suas válvulas de escape?

Durante algum tempo frequentei umas inspiradas reuniões de estudo da Bíblia e de oração que aconteciam na casa de um jovem casal de amigos aos sábados à tarde. Acabada a reunião, feita a oração final, todo mundo ficava por ali, a gente chamava umas pizzas, organizava uns jogos, assistia a filmes ou simplesmente ficava conversando. Era muito bom, mas uma coisa me incomodava: o que mais parecia divertir alguns dos participantes dessas reuniões quando caía a noite era trocar insultos e desfilar uma enxurrada de palavrões que fariam Dercy Gonçalves corar de vergonha.

Como aquele linguajar era um corpo estranho no lugar e fazia um destacado contraste com a reunião que havia acabado de acontecer, a coisa realmente parecia muito engraçada. Eles afetavam seriedade, falando com a compostura que um ancião de igreja falaria, mas no lugar de comedidas palavras, uma porção de impropérios. Nós, da ala dos incomodados, a princípio ríamos, depois paramos de rir e afinal questionamos a conduta. A justificativa de um desses amigos foi que a semana era tão opressiva, tão cheia de problemas e eles tinham que ser tão sérios e controlados que precisavam daqueles momentos de extravasamento no final de semana. O grupo dissolveu-se em seguida.

A rotina dessa vida pós-moderna é mesmo cheia de pressões. Nos sentimos oprimidos pela sobrecarga de trabalho, de informação, de problemas, de pontos de nossas vidas que poderíamos melhorar e por isso condescendemos com a idéia da necessidade de uma válvula de escape. Isso poderia ajudar a explicar a razão pela qual a obesidade já está se tornando um problema mais sério que a desnutrição no Brasil, por exemplo. Muita gente não apenas come mal, mas se sente liberado para comer descontroladamente, se não sempre, ao menos em algumas ocasiões – o final de semana ou em festas, por exemplo. Por todo lado se vê também a condescendência com o excesso de álcool. Beber até cair em algumas ocasiões parece ser uma necessidade imposta pela vida pós-moderna e portanto é enaltecido como muitos outros tipos de excesso. Conheci um pastor que tinha grande popularidade justamente entre os jovens, porque era engraçado e um ótimo orador, mas ele gostava de dizer lá do púlpito que tinha duas intemperanças: comer demais e dirigir muito rápido. Falava com um certo orgulho e todos riam.

Fico pensando no tipo de evangelho que ele transmite falando assim. Em Atos 24:25 há um texto muito interessante. Paulo está pregando o evangelho para Felix e a pregação é resumida assim: “e discorrendo sobre a justiça, o domínio próprio e o juízo vindouro…” O domínio próprio, portanto, está no centro da pregação do evangelho, junto com a justiça e o juízo vindouro, e algumas pessoas podem pensar que foi assim nesse caso porque o interlocutor de Paulo fosse especialmente intemperante, mas o texto não dá margem para esse tipo de ilação. Melhor conclusão é a de que a pregação cristã é uma mensagem de equilíbrio. Pessoas salvas por Cristo e ligadas ao poder que Ele comunica para viverem nova vida não precisam de outra válvula de escape das pressões dessa vida senão Ele mesmo. Não é uma questão de tolher nossa liberdade, podar-nos ou reprimir-nos, mas de trocar esses prazeres fugazes pela vida em abundância, genuína e duradoura, que há em Jesus.

Marco Aurélio Brasil (via Nova Semente)

terça-feira, 22 de maio de 2018

Dia Internacional do Abraço - Bíblia, Pensamentos & Reflexões

O Dia do Abraço, comemorado internacionalmente em 22 de maio, começou pela iniciativa de um homem australiano em 2004, o qual criou a campanha “Free Hugs Campaign”, onde distribuía gratuitamente abraços pelas ruas de Sydney.

Você alguma vez já meditou sobre a importância do abraço? Se você pegar sua Bíblia e lê-la de capa a capa, descobrirá a importância que Deus dá aos relacionamentos, fraternos e amorosos. Deus é um Deus de relacionamentos, e através deles temos a oportunidade de expressarmos amor. E Deus é amor. Ellen G. White nos fala sobre a fraternidade humana no abraço de Deus:
"O santificado amor de uns pelos outros é sagrado. Nesta grande obra o amor cristão mútuo — mais elevado, mais constante, mais cortês, mais abnegado do que se tem visto — preserva a ternura cristã, a benevolência e polidez cristãs e envolve a fraternidade humana no abraço de Deus, reconhecendo a dignidade de que Deus revestiu os direitos do homem. Esta dignidade os cristãos têm de sempre cultivar, para honra e glória de Deus." (Mente, Caráter e Personalidade 1, p. 244)
O abraço, segundo alguns especialistas, faz bem para a saúde psíquica e física. Ele tem o poder de aumentar os níveis de uma substância chamada oxitocina, que tem a particularidade de reduzir os estados de stress e ansiedade, aumentando a felicidade e bem estar das pessoas. O abraço também pode diminuir os riscos de infecções, ajudar quem tem problemas para compartilhar emoções, reduzir a pressão arterial, e até aliviar a dor.

O abraço pode expressar: amor, amizade, companheirismo, proteção, afeto, segurança, apoio, conforto e outros sentimentos. O abraço estabelece uma ligação íntima e saudável entre as pessoas. É um gesto simples, porém carregado de sentimentos. 

Baseado na Bíblia, tentarei passar a importância de abraçarmos uns aos outros. 

Labão e Jacó - Um abraço de boas vindas: 
"E aconteceu que, ouvindo Labão as novas de Jacó, filho de sua irmã, correu-lhe ao encontro, e abraçou-o, e beijou-o, e levou-o à sua casa; e ele contou a Labão todas estas coisas." Gênesis 24:13 
Esaú e Jacó - Um abraço de perdão: 
"Então Esaú correu-lhe ao encontro, e abraçou-o, e lançou-se sobre o seu pescoço, e beijou-o; e choraram." Gênesis 33:4 
Davi e Jônatas - Um abraço de amizade: 
"E, indo-se o moço, levantou-se Davi do lado do sul, e lançou-se sobre o seu rosto em terra, e inclinou-se três vezes; e beijaram-se um ao outro, e choraram juntos, mas Davi chorou muito mais. E disse Jônatas a Davi: Vai-te em paz; o que nós temos jurado ambos em nome do Senhor, dizendo: O Senhor seja entre mim e ti, e entre a minha descendência e a tua descendência, seja perpetuamente." 1 Samuel 20:41, 42
Pai e filho pródigo - Um abraço de compaixão:
"A seguir, levantou-se e foi para seu pai. Estando ainda longe, seu pai o viu e, cheio de compaixão, correu para seu filho, e o abraçou e beijou." Lucas 15:20
Maria Madalena, outras mulheres e Jesus - Um abraço de alegria:
"As mulheres saíram depressa do sepulcro, amedrontadas e cheias de alegria, e foram correndo anunciá-lo aos discípulos de Jesus. De repente, Jesus as encontrou e disse: "Salve!" Elas se aproximaram dEle, abraçaram-lhe os pés e O adoraram." Mateus 28:8, 9
Jesus e as crianças - Um abraço de amor: 
"Alguns traziam crianças a Jesus para que Ele tocasse nelas, mas os discípulos os repreendiam. Quando Jesus viu isso, ficou indignado e lhes disse: 'Deixem vir a mim as crianças, não as impeçam; pois o Reino de Deus pertence aos que são semelhantes a elas. Digo-lhes a verdade: Quem não receber o Reino de Deus como uma criança, nunca entrará nele'. Em seguida, tomou as crianças nos braços, impôs-lhes as mãos e as abençoou." Marcos 10:13-16 
Paulo e os anciãos de Éfeso – Um abraço de despedida: 
"Quando Paulo acabou de falar, ajoelhou-se com os irmãos e orou. Então todos choraram muito e abraçaram e beijaram Paulo." Atos 20:34 
Outra passagem bíblica que fala sobre a importância deste ato: 
"Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar." Eclesiastes 3:5 
Para concluir, fiquemos com estes três lindos pensamentos sobre o abraço: 
"Abraço tem que ter pegada, jeito, curva. Aperto suave, que pode virar colo. Alento tenso, que pode virar despedida. Abraço é confissão. Abraço não pode ser rápido senão é empurrão. Requer cruzamento dos braços e uma demora do rosto no linho. Abraço é para atravessar o nosso corpo." (Fabrício Carpinejar)

“O melhor do abraço é o charme de fazer com que a eternidade caiba em segundos. A mágica de possibilitar que duas pessoas visitem o céu no mesmo instante.” (Ana Jácomo)

"O abraço existe para podermos dizer a pessoa que amamos o quanto a amamos sem dizer nada." (Jorge Clésio)

segunda-feira, 21 de maio de 2018

A relação entre o posicionamento político no presente e a fé no reino futuro desafia os jovens cristãos

No dia 7 de outubro, cerca de 147 milhões de brasileiros a partir dos 16 anos vão apertar os botões da urna eletrônica para escolher seus governantes. Será eleito o presidente da República juntamente com governadores, senadores, deputados federais e estaduais. Mas, sejamos honestos, você acha mesmo que isso trará alguma mudança?

Corrupção, escândalos e instabilidade financeira no país têm contribuído para o desinteresse com a política. Com jovens na idade do primeiro voto (16 e 17 anos) e que não possuem a obrigatoriedade de irem às urnas não tem sido diferente.

Diante desse cenário, surge a pergunta: o jovem cristão tem alguma contribuição a oferecer no cenário político? Para o jovem adventista, que aguarda a breve vinda de Cristo, a política merece ser alvo de suas preocupações? 

O teólogo George Knight, no livro A visão apocalíptica e a neutralização do adventismo, afirma: “A única resposta suficiente e permanente para as dificuldades que envolvem um mundo perdido, conforme Cristo ensinou [...] seria o Seu retorno nas nuvens do céu. Na Sua vinda há verdadeira esperança. O resto não passa de simples curativo.”

Seria, então, a esperança inigualável da volta de Cristo razão para os adventistas deixarem de lado a “cidade dos homens” e seus problemas, crendo que assim poderiam cuidar apenas do reino de Deus? Em um mundo ferido, deveríamos jogar fora a caixa de Band-Aid?

Visão bíblica
A busca por uma resposta bíblica pode começar pelo profeta Jeremias. Ele apresentou uma mensagem divina aos hebreus que se tornaram cativos do Império Babilônico: “Procurai a paz da cidade para onde vos desterrei e orai por ela ao Senhor; porque na sua paz vós tereis paz” (Jr 29:7). 

O plano divino não era que os hebreus permanecessem indefinidamente cativos, conforme Sua Palavra: “Logo que se cumprirem para a Babilônia setenta anos, atentarei para vós outros e cumprirei para convosco a Minha boa palavra, tornando a trazer-vos para este lugar” (Jr 29:10). A queda de Babilônia já estava profetizada no início do cativeiro. Mas, enquanto o povo de Deus estivesse sob o domínio da nação pagã, deveria trabalhar e orar em favor da paz e do bem comum. 

Os cristãos da atualidade se consideram igualmente peregrinos e forasteiros neste mundo que se coloca em oposição a Deus (1Pe 2:11). Os poderes terrenos que se unem contra os mandamentos divinos são identificados na Bíblia como a moderna Babilônia, cuja queda também foi profetizada (Ap 14:8). O conselho de Deus é que Seus filhos se afastem da corrupção moral e espiritual (Ap 18:4) desse moderno império pagão. Ao mesmo tempo, devem ser o sal da Terra (Mt 5:13) e anunciar o evangelho da paz (Ef 6:15). 

Por isso, a mesma atitude esperada dos hebreus cativos é necessária aos cristãos da atualidade. Buscar a paz perfeita que virá com a vinda de Cristo não é fechar-se para o mundo e se proteger da maldade alheia. Ao contrário, é se envolver com as pessoas e seus problemas concretos, buscando soluções para conflitos humanos e propondo um evangelho cuja suprema esperança não esqueça a fome do estômago nem a dor física de pessoas reais. 

O duplo desafio de se afastar da corrupção mundana e se aproximar das pessoas do mundo é colocado pelo apóstolo Tiago (1:27): “A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e a si mesmo guardar-se incontaminado do mundo.” 

A atuação cristã, seja ela evangelística, assistencial ou educacional, não é pacificar o mundo fazendo de conta que os conflitos não existem, ou remetendo todas as soluções exclusivamente para o futuro. O agir cristão acontece, no presente, neste mundo dividido em muitas causas e os mais variados interesses. Portanto, a política, o campo de batalha entre os diversos grupos de interesses de uma sociedade, é um terreno que a igreja necessariamente tem que atravessar. E a forma de os cristãos se relacionarem com a política ampliará ou limitará o potencial de seu testemunho. 

Ellen White e a política
Ellen White, profetisa integrante do núcleo fundador do movimento adventista do sétimo dia, deixou registrada em seus escritos a orientação de que a igreja jamais deveria se envolver em assuntos políticos. “Não devemos, como um povo, envolver-nos em questões políticas” (Mensagens Escolhidas, v. 2, p. 336). Ela afirma que a neutralidade política deve ser mantida por todos os que são assalariados pela igreja: “O dízimo não deve ser empregado para pagar ninguém para discursar sobre questões políticas” (Fundamentos da Educação Cristã, p. 477). Diversas citações como essas são encontradas nas obras da escritora adventista. 

Por outro lado, Ellen G. White valoriza o testemunho cristão em meio aos espaços do poder. “Muitos jovens de hoje, que crescem como Daniel no seu lar judaico, estudando a Palavra e as obras de Deus, e aprendendo as lições do serviço fiel, ainda se levantarão nas assembleias legislativas, nas cortes de justiça, ou nos palácios reais, como testemunhas do Rei dos reis” (Educação, 262).

A ação de característica política também foi incentivada no fim do século 19, nos Estados Unidos, quando adventistas foram presos por trabalhar no domingo e movimentos religiosos lutavam pelo estabelecimento de uma lei dominical nacional. Ellen White incentivou a igreja a batalhar em várias frentes, inclusive junto aos legisladores, para deter a ameaça à liberdade religiosa. No contexto dessa crise, ela escreveu: “Não estamos cumprindo a vontade de Deus se nos deixarmos ficar em quietude, nada fazendo para preservar a liberdade de consciência. [...] Haja as mais fervorosas orações, e então trabalhemos em harmonia com as nossas orações” (Testemunhos Seletos, v. 2, p. 320 e 321).

É possível perceber que, para Ellen White, a igreja não deve se misturar em disputas partidárias e polêmicas que venham a prejudicar sua missão evangelizadora. Por outro lado, há necessidade de pessoas fiéis que estejam presentes nos espaços do poder para contribuir com a perspectiva cristã nos debates públicos e sustentar a liberdade religiosa. 

Responsabilidade cristã
Embora a igreja não possa confundir sua missão com disputas partidárias, os cristãos devem contribuir com a criação de leis justas e fortalecer a liberdade de crença. Então, a pergunta que resta é: seria possível ao crente manter sua fé e ao mesmo tempo travar os embates políticos? 

No livro Ciência e política: duas vocações, na página 121, o pensador alemão Max Weber responde de forma negativa. Para ele, a política é regida por uma ética de resultados, enquanto a religião é regida pela ética da convicção embasada na Bíblia. “Aquele que deseja a salvação da própria alma ou de almas alheias deve, portanto, evitar os caminhos da política”, sentencia.

O sociólogo Paul Freston, por outro lado, acredita que “o envolvimento político sadio é imprescindível para a saúde da própria igreja, assim como para o bem da sociedade”. Sua opinião sobre o que é sadio ou doentio ele apresenta no livro Religião e política, sim; Igreja e Estado, não, na página 7.

Para Freston, “a Igreja, como instituição, não deve se envolver na política [...] quando o faz, ela e os seus líderes se tornam vulneráveis a todas as contingências do mundo político” (p. 11). Também alerta quanto aos perigos de dar corda aos crentes que se julgam salvadores da pátria: “Em torno dos candidatos e políticos evangélicos há líderes e membros de igrejas com uma expectativa ‘messiânica’ que aquele candidato evangélico canalizará automaticamente as bênçãos de Deus sobre o Brasil, resolvendo todos os problemas que nos afligem. Esse messianismo é muito perigoso, para o país e para a Igreja. [...] A última parte do homem a se converter [...] é o fascínio pelo poder” (p. 11).

O sociólogo também comenta a presença de muitos candidatos que se dizem fiéis a alguma religião durante a campanha e depois de eleitos jamais voltam para dar satisfação de seus atos como homens públicos. Nessa realidade, a religião é apenas uma isca. 

Freston acredita que a ponte entre os cristãos e a política pode ser feita por meio de uma atuação que siga um modelo comunitário. Nesse modelo, os evangélicos não representariam igrejas nem instituições, mas grupos de crentes que compartilham ideais políticos semelhantes. “Assim, os que exercem mandatos políticos não ficam soltos, mas interagem e respondem a outras pessoas que podem, se necessário, até mesmo repreendê-los e aconselhar sua saída da política.”

O modelo comunitário pode parecer utopia, mas toda utopia tem o desejo de realizar-se. Segundo Freston, “a solução para os problemas políticos é sempre política. A solução para a má política é a boa política”. Isso não significa a negação da fé no mundo vindouro, mas responsabilidade cristã com o mundo que Deus nos permite viver no presente. A esperança na volta de Cristo deve moldar nossas ações em todas as esferas da vida. Inclusive na política. 

Adaptação de texto de Guilherme Silva (via Conexão 2.0)

Assista também os vídeos abaixo do prof. Leandro Quadros:


Conheça os enganos satânicos nos últimos dias

Hoje você vai conhecer os últimos enganos de Satanás. No início do cristianismo, a estratégia do inimigo de Deus era destruir o Seu povo pela força. Ele perseguiu a igreja por vários séculos, matando, prendendo e humilhando aqueles que escolhiam ser fiéis a Cristo. Mas foi a partir do segundo século que o diabo obteve êxito na sua obra de enganar. Deixou a espada e usou de astúcia se infiltrando na igreja e misturando a verdade com o erro, como ele fez com Eva no primeiro engano. Os textos abaixo foram extraídos do livro Eventos Finais, pp. 155-171 de Ellen G. White.

Sob o disfarce do cristianismo
Aproximamo-nos do fim da história terrestre, e Satanás está trabalhando como nunca antes. Ele está procurando atuar como dirigente do mundo cristão. Com uma intensidade que é incrível, está agindo com os seus enganosos prodígios. Satanás é representado andando em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar. Deseja envolver o mundo inteiro em sua confederação. Ocultando sua perversidade sob o disfarce do cristianismo, Ele assume os atributos de um cristão. 

Até mesmo na Igreja Adventista
Temos muito mais a temer de dentro do que de fora. Os obstáculos à força e ao êxito são muito maiores da parte da própria igreja do que do mundo. Os incrédulos têm direito de esperar que os que professam observar os mandamentos de Deus e ter a fé de Jesus, façam muito mais que qualquer outra classe para promover e honrar mediante sua vida coerente, seu exemplo piedoso, sua influência ativa, a causa que representam. Mas quantas vezes se têm os professos defensores da verdade demonstrado o maior entrave ao seu progresso! A incredulidade com que se contemporiza, as dúvidas expressas, as sombras acariciadas, animam a presença dos anjos maus, e abrem o caminho para a execução dos ardis de Satanás. 

Falsos reavivamentos
Vi que Deus tem filhos honestos entre os adventistas nominais e as igrejas caídas, e antes que as pragas sejam derramadas, ministros e povo serão chamados a sair dessas igrejas e alegremente receberão a verdade. Satanás sabe disto, e antes que o alto clamor da terceira mensagem angélica seja ouvido, ele suscitará um despertamento nessas corporações religiosas, a fim de que os que rejeitaram a verdade pensem que Deus está com eles. 

A música torna-se um laço
Uma balbúrdia de barulho choca os sentidos e perverte aquilo que, se devidamente dirigido, seria uma bênção. As forças das instrumentalidades satânicas misturam-se com o alarido e barulho, para ter um carnaval, e isto é chamado de operação do Espírito Santo... Essas coisas que aconteceram no passado hão de ocorrer no futuro. Satanás fará da música um laço pela maneira por que é dirigida. 

O falso falar em línguas
O fanatismo, a exaltação, o falso falar línguas e os cultos ruidosos, têm sido considerados dons postos na igreja por Deus. Alguns têm sido iludidos a esse respeito. Os frutos de tudo isto não têm sido bons... As mais proveitosas reuniões para o bem espiritual, são as que se caracterizam pela solenidade e o profundo exame do coração, cada um procurando conhecer-se a si mesmo e, com sinceridade e profunda humildade, buscando aprender de Cristo. 

Anjos maus aparecem como seres humanos
Anjos maus, disfarçados como crentes, atuarão em nossas fileiras para introduzir um forte espírito de descrença. Não permitais que nem mesmo isso vos desanime, mas trazei um coração leal ao socorro do Senhor contra os poderes das agências satânicas. Anjos de Deus também aparecerão como homens, e usarão todos os meios ao seu alcance para frustrar os desígnios do inimigo. 

Personificação dos mortos
Não é difícil para os anjos maus representar tanto os santos como os pecadores que morreram, e tornar essas representações visíveis aos olhos humanos. Essas manifestações serão mais frequentes e aparecerão de caráter mais sensacional à medida que nos aproximarmos do fim do tempo. 

Satanás personifica a Cristo
O inimigo está-se preparando para enganar o mundo inteiro por seu poder operador de milagres. Ele pretenderá personificar os anjos de luz, personificar a Jesus Cristo. Se os homens são tão facilmente transviados agora, como subsistirão eles quando Satanás personificar a Cristo, e operar milagres? Quem ficará inabalado então por suas deturpações — professar ser Cristo quando é apenas Satanás assumindo a pessoa de Cristo, e operando aparentemente as obras do próprio Cristo? 

Como a falsificação difere do que é genuíno
Não será permitido a Satanás imitar a maneira do advento de Cristo... Com bela linguagem apresentará sentimentos sublimes. Falará boas palavras e realizará bons atos. Personificará a Cristo, mas num ponto haverá notável diferença. Satanás apartará as pessoas da lei de Deus. Não obstante, imitará tão bem a justiça que, se fosse possível, enganaria os próprios eleitos. Cabeças coroadas, presidentes, governantes em altos postos curvar-se-ão ante suas falsas teorias. 

Serão realizados milagres
Homens, sob a influência de espíritos maus operarão milagres. Eles farão as pessoas ficar doentes mediante lançarem sobre elas encantamentos, removendo-os depois de repente, levando outros a dizerem que a pessoa doente foi miraculosamente curada. Isto Satanás tem repetidamente feito. São os prodígios de mentira do diabo que levarão o mundo cativo, e ele fará descer fogo do céu à vista dos homens. Esse maravilhoso poder enganador de milagres abrangerá todo o mundo. 

Milagres não podem tomar o lugar da Bíblia
A Bíblia nunca será suplantada por manifestações miraculosas. A verdade precisa ser estudada, precisa ser pesquisada como tesouros escondidos. Não serão dadas maravilhosas iluminações à parte da Palavra, ou para tomar o lugar dela. Apegai-vos à Palavra, recebei o enxerto da Palavra, que torna os homens sábios para salvação. 

O engano é quase universal
Há necessidade agora de homens e mulheres que trabalhem com diligência, buscando a salvação de almas, pois Satanás, como poderoso general, tomou o campo, e neste último tempo que resta ele está trabalhando por todos os métodos concebíveis para fechar a porta à luz que Deus quer que chegue a Seu povo. Ele está arrastando todo o mundo para suas fileiras, e os poucos que são fiéis aos requisitos de Deus constituem os únicos capazes de resistir-lhe, e ele está procurando vencer até mesmo a estes.

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Ah, como eu queria ter o poder de quebrar copos

Se me perguntassem qual poder eu gostaria de ter, eu diria que gostaria de ter o poder de quebrar copos. Queria poder estilhaçar os copos daqueles que brindam bebendo a mentira. Queria poder transformar cristais em cacos cada vez que alguém brindasse a tristeza e a humilhação de alguém.

Queria entrar nas alcovas e bares da vida e explodir as risadas dos que enganam para ganhar. Dos que invertem as regras do jogo para chegar na frente. Queria poder transformar vidro em pó e calar as gargalhadas daqueles que não tem escrúpulos, nem Deus no coração.

Queria ver a bebida do que não é lícito escorrer pelos dedos e braços dos que subvertem. Dos que fingem amar. Dos que fingem ser amigos. Dos que fingem se importar. Queria regar o solo da vida com essa bebida amarga. Queria explodir as taças daqueles que tomam o que sobrou dos que não conseguiram mais beber, depois de conhecer a verdade intragável dos insensíveis.

Queria ter o poder de quebrar copos e taças nas festas que celebram relacionamentos construídos na mentira, nas festas cujas relações doentias festejam, com garrafas de vinho, as falácias contadas em nome do amor.

Ah, como eu queria ter esse poderzinho. Esse poderzinho de explodir copos em almoços de negócios escusos. Ah, como eu queria ter o poder de estilhaçar a conduta falsa dos que parecem bons, mas que dormem pensando em como derrubar os outros. Eu queria poder quebrar todas as taças para matar de sede aqueles que bebem o pudor do mundo. Que se escondem por trás do papel de pessoas sensíveis, para ferir, para usar outras pessoas como se fossem coisas.

Ah, se todos os copos regados com maldade explodissem hoje. Explodissem agora. Se o estrondo do vidro fosse um aviso sobre os caminhos errados. As gargalhadas dos maus virariam susto e medo. A gargalhada dos que fingem ajudar, dos que fingem ser o que não são, virariam susto. Virariam súplica por uma gota de líquido que fosse. Ah, se os copos da mentira se quebrassem agora! Em poucos dias o mundo seria um lugar melhor. Um lugar mais justo. Um lugar sem comemorações mentirosas. Sem declarações duvidosas. Ah, se os copos se quebrassem, o mundo seria dos bons.

Ah Deus, como eu gostaria de ter esse poder. Como eu gostaria de poder matar de sede a maldade do mundo.

Vanelli Doratioto (via Conti Outra)

Nota: Diariamente, vemos todo tipo de injustiças sendo cometidas. Falsidade, mentiras, violência, corrupção, desigualdade social, sofrimento. Às vezes somos tentados a pensar que não há solução, e que o mal prevalecerá para sempre. Muitos personagens bíblicos, profetas e justos tiveram o mesmo sentimento. A Bíblia está repleta de perguntas como estas: “Até quando, Senhor? Até quando existirá injustiça no mundo? Até quando o pecado e o mal parecerão triunfar? Por que as nossas orações não passam do teto?” (veja Sl 6:3; 13:1-2; 35:17; 94:3; Dn 8:13; Ap 6:10).

Vários autores bíblicos escreveram lindas canções sobre o dia em que Deus irá julgar o mundo e pôr tudo em ordem. São cânticos que extravasam alegria e euforia. Confira apenas dois exemplos:
“Não te indignes por causa dos malfeitores... Confia no Senhor e faze o bem; habita na terra e alimenta-te da verdade… Deixa a ira, abandona o furor; não te impacientes; certamente isso acabará mal. Porque os malfeitores serão exterminados, mas os que esperam no Senhor possuirão a Terra” (Salmo 37:1-11).
“Cantem ao Eterno uma novíssima canção. Ele fez um mundo de maravilhas! Ele arregaçou as mangas e estabeleceu as coisas no lugar. […] Formem uma orquestra para o Eterno. Tragam um coral de centenas e milhares de vozes. […] Que o mar e seus peixes deem uma salva de palmas, e tudo que vive na terra se junte a eles! Que as arrebentações do mar gritem: ‘Bravo!’, e as montanhas harmonizem o final – um tributo ao Eterno quando Ele chegar, quando Ele vier corrigir a terra. Ele endireitará o mundo todo. Ele corrigirá o mundo e todos os que estão nele” (Sl 98:1, 5, 7-9, AM).
Talvez você, assim como eu, pergunte: “Até quando, Senhor? Será que a maldade do mundo nunca vai ter fim?” Se esse for o seu caso, aqui está a promessa de Deus para você: 
“Fortaleçam as mãos debilitadas e os joelhos vacilantes. Digam às almas temerosas: ‘Coragem! Ânimo! O Eterno está aqui, bem aqui, prestes a pôr tudo em ordem e reparar todo o mal. Ele está a caminho! Ele vai trazer salvação!’” (Is 35:3-4, AM).