segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Afinal... o que é mundanismo?

É praticamente impossível que algum dos assim chamados “crentes”, ou mesmo qualquer indivíduo inserido num contexto ao menos nominalmente cristão, nunca tenha pronunciado ou ouvido frases como: “O mundo está entrando na igreja”, “Estão querendo adaptar a igreja ao mundo, e não o mundo à igreja” etc. Ao longo deste texto, procuraremos desvendar a mística por trás de frases como essas. São bíblicas? É sensato utilizá-las hoje? Em quais contextos? O que elas realmente querem dizer?

Sem dúvida, um fato se faz notório e gritante no cristianismo dos nossos dias: muitos (eu disse, muitos) são os autodenominados cristãos que não possuem o mínimo interesse em afastar-se daquilo que os afasta de Cristo. Um outro fato, talvez não tão perceptível à primeira vista, é o de que há ainda outros tantos cristãos, que, de tanto “quebrarem a cara” no mundo, acabam lançando-se numa tentativa sincera, porém precipitada de afastar-se ao máximo do assim chamado “mundo”. Digo “precipitada” porque antes de querermos nos afastar daquilo que é mundano deveríamos interrogar a Bíblia para nela encontrarmos a resposta à questão primordial acerca deste assunto: Afinal, o que é mundanismo?

Antes de prosseguirmos, vamos combinar que é muito melindre (para não usar o termo popular: frescura) essa mania que muito crente “moderno” tem de dar “pití” quando escuta palavras como: “do mundo” ou “mundano”. Sem “ui, ui, ui” aqui, por favor! A pessoa pode até não gostar (e tem esse direito, ou defeito), mas tais palavras são bíblicas; e não é necessariamente errado utilizá-las.

Entretanto, sejamos também compreensivos para com aqueles que se sentem ofendidos com tais palavras, a culpa não lhes pertence inteiramente. Ainda que tal melindre seja irracional, muitas vezes não o é por completo. É razoável reconhecer que às vezes ele possui um pequeno fundo de lógica, pois, apesar de bíblicas, tais palavras são constantemente mal utilizadas. Foram banalizadas a tal ponto que se afastaram completamente de seu significado bíblico original. Sendo assim, primeiramente citemos algumas coisas às quais o termo “mundano” biblicamente não se refere.

O que não é
Paulo, por exemplo, usou o termo “mundo” não apenas para denotar aquilo que está afastado de Deus, mas também para falar de coisas do dia a dia, como o cuidado para com os familiares (1Co 7:31-34). Assim, na Bíblia, “mundano” pode se referir tão-somente a coisas terrenas, e não necessariamente profanas, mas que podem nos tirar do Céu se não as colocarmos em seu devido lugar, isto é, depois de Cristo.

1 – Mundana não é qualquer pessoa de denominação diferente da sua
Por quê? Simplesmente porque essa definição associada ao termo “mundano” não se encontra em lugar algum da Escritura Sagrada. Caso haja embasamento bíblico para tal ideia, gostaria muito de vê-lo. Apesar de procurá-lo, jamais o encontrei. Se algum dentre os que me leem tiver notícia dele, por favor, não se constranja em alertar esta criatura para que eu possa adaptar meu pensamento ao pensamento bíblico. Mas, por ora, devo agir com honestidade, e, por mais que eu abrace minha denominação, devo dizer que não é possível achar, na Bíblia, nada que me autorize a definir alguém como “mundano” simplesmente por ser de outra denominação.

2 – Mundano não é qualquer elemento diferente do usual
Assim como há os fúteis cristãos de mente vacuosa que aceitam qualquer novidade “cool”, simplesmente por ser novidade, sem critério bíblico e/ou racional algum (os adeptos da “teologia do aff”, cujo único argumento para quando vê algo que não lhes agrada é “aff”, e Bíblia passa longe), assim também há aqueles que se descabelam de fobia diante de qualquer elemento dito “novo”. Mas não há registros de que a Bíblia aplica a palavra “mundano” nestes termos.

Vejamos agora o que a Bíblia define como mundanismo. Um texto básico para todas as ocasiões em que se fala no assunto é 1 João 2:15:
"Não amem o mundo nem o que nele há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele."
Quer saber como “vencer” debates dentro de um grupo religioso convencional? Use 1 João 2:15! Não importa a situação! Eis um texto coringa para qualquer discussão em que alguém se encontre sem argumentos.

Se não gosto da cor vermelha e quero que todos desgostem também, como proceder? Simples, basta disparar o velho “não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo”. Pronto! Afinal, qual cristão deseja ser visto sob o título de “mundano”? Tal palavra tem efeito paralisante sobre muitos, de modo que qualquer coisa que se rotule sob esse título torna-se automaticamente estigmatizada no meio cristão. Repare, automaticamente mesmo. Não há reflexão, estudo meticuloso da Bíblia. Nada disso! Para quê, não é mesmo? Afinal, se algo é “mundano”, não há mais o que se discutir, refletir ou estudar; basta eliminar.

Perceba como essa atitude preguiçosa e covarde atravanca o escrutínio bíblico no seio cristão. Quem é que deve definir se algo é mundano? É a Bíblia quem deve definir o que é mundano, não você, eu, seus pais, seus amigos, seu pastor, ancião, ou membro com maior tempo de igreja do que você. Graves problemas advêm quando os cristãos terceirizam a investigação bíblica.

Contudo, continue lendo 1 João 2:
"Pois tudo o que há no mundo — a cobiça [ou concupiscência] da carne, a cobiça dos olhos e a ostentação dos bens [ou soberba da vida] — não provém do Pai, mas do mundo" (v. 16).
Veja que o próprio texto se preocupa em elencar as coisas as quais ele chama de “mundo”: “cobiça da carne”, “cobiça dos olhos” e “ostentação dos bens [ou soberba da vida]”.

Na frase “cobiça da carne”, o pensamento é o do prazer físico; enquanto na “cobiça dos olhos”, a ideia é prazer mental. Na expressão “soberba da vida”, a palavra “vida”, no original grego é bios, e não zoe (outro termo grego para vida). Este último significa o principio primordial de vida, enquanto o primeiro – que é usado no texto – tem também a acepção de posses, sustento, recursos. “Assim a ‘soberba da vida’ é o orgulho ostensivo da posse dos bens materiais” (Comentário Bíblico Moody).

E veja: soberba significa orgulho! Mas quantos sermões você já viu enfatizando que os crentes orgulhosos são, na verdade, mundanos? Poucos, provavelmente nenhum. Mas tá assim de sermão associando mundanismo a vestes e comportamentos que a Bíblia nunca, ou quase nunca associa.

Muitos, no afã de defender os princípios bíblicos, acabam por desmerecê-los, defendendo como bíblicos princípios que a Bíblia mesma nunca pretendeu defender.

A verdadeira separação do mundo é muito mais drástica e envolve bem mais renúncia do que vestir-se decentemente ou falar de tal maneira – algo que qualquer mundano de bom senso pode fazer. Agora, não me entenda mal, não estou dizendo que a Bíblia não se preocupa com o que vestimos ou comemos, mas que esse não é seu foco principal, muito menos o foco nas vezes que a Bíblia denomina algo de mundano. Portanto, também não deveria ser o nosso.

Você já parou para pensar no que é mais cômodo: simplesmente passar a vestir-se de maneira X, não ingerir coisas Y, ou deixar o orgulho e a presunção de lado? Conheço muitos descrentes que fazem tudo isso e muito mais. Isso não quer dizer que eles sejam mais crentes do que os crentes, apenas mais morais. A natureza humana tende a exaltar na Bíblia da cabeça dela aquilo que lhe é mais cômodo – isso não é novidade. Mas o pior é a hipocrisia dos que agem exatamente dessa forma, adequando a Bíblia ao seu comodismo, mas ainda acusam apenas os outros de fazê-lo.

Coloque água pura numa garrafa de vidro escuro, lacre-a, depois cole nela um rótulo contendo uma caveira com dois ossos cruzados. Dificilmente, alguém, ainda que morrendo de sede, irá se arriscará a beber o conteúdo de algo com um rótulo tão negativo. E, nesse caso, tal atitude é até bem racional. Contudo, não é tão racional quando alguém faz na sua frente o teste físico-químico no conteúdo da garrafa. O teste prova que é água potável, mas você ainda se recusa a bebê-la, e pior, tenta convencer a outros do mesmo. Tudo por causa de um rótulo de papel, colocado sabe-se lá quando, sabe-se lá por quem. O que importa é que o rótulo está lá há tempo e ele simplesmente não pode estar errado.

Esse é o problema de se seguir meras tradições. A questão não é que as tradições sejam intrinsecamente más. Não tenho nada contra tradições em si. Tenho, sim, contra a postura que muitos adotam diante delas, como se quem, por um motivo ou outro, não as adota estivesse, automaticamente, dando as mãos ao mundo. O problema é a atitude de tratá-las como se fossem mandamentos, e não como o que de fato são: tradições.

Cuidado! Se você é cristão, a sua regra de fé e prática é a Bíblia. Reflita constantemente se ela e somente ela tem tomado esse papel em sua vida. Se você não tiver uma crescente preocupação quanto a refletir se está mesmo fazendo a Bíblia a sua única norma de fé, esqueça, você simplesmente não é cristão.

A verdade quer lhe libertar (Jo 8:32). Você não precisa ficar preso à tradição ou interpretação bíblica alheia quando ela mesma quer penetrar em sua vida e renovar a sua mente, fazendo de você uma pessoa mais amiga de Cristo, uma pessoa mais amorosa, e não apenas mais moral.

Um princípio fundamental de estudo da Bíblia é estudar como a própria Bíblia usa os termos que nela aparecem, prestando atenção no contexto histórico, textual e em outras ocorrências da mesma palavra no restante da Bíblia. Levando em conta tudo isso, vamos estudar o termo “mundo” no livro de Tiago.

No original grego, a palavra traduzida em nossas Bíblias como “mundo” é kosmos. Ela ocorre 5 vezes na carta de Tiago. A primeira ocorrência se dá logo no primeiro capítulo:
"A religião que Deus, o nosso Pai, aceita como pura e imaculada é esta: cuidar dos órfãos e das viúvas em suas dificuldades e não se deixar corromper pelo mundo" (v. 27).
Nesse texto, o significado de “mundo” não nos é informado diretamente. Contudo, será que podemos inferir que “mundo” é usado como contraste à falta de caridade? Vejamos, o texto diz o que devemos fazer (ajudar os que mais precisam) e o que não devemos fazer (contaminar-nos com o mundo). Logo, é possível que, para Tiago, ser mundano tivesse relação com a falta de caridade.

Vejamos mais versos do contexto: no verso 5 do mesmo capítulo, Tiago começa exortando que aquele que precisa de sabedoria deve pedi-la a Deus, com fé, e não deve duvidar que Ele a concederá, pois o que não tem fé é descrito como uma pessoa “semelhante à onda do mar, levada e agitada pelo vento” (v. 6). Ou seja, alguém instável, sem segurança e capacidade de se firmar. Tiago classifica ainda o homem sem fé como “de ânimo dobre, inconstante em todos os seus caminhos” (v. 8). Para o autor, tal pessoa não deve sequer supor “que receberá coisa alguma do Senhor” (v. 6).

No versos 9-11, Tiago trata sobre a humildade e autoestima equilibrada, dizendo que o irmão de “condição humilde” deve gloriar-se, porque, a despeito de sua insignificância, é alguém digno; “e o rico”, apesar de sua riqueza, deve gloriar-se “na sua insignificância” (ARA). Aqui, o apóstolo introduz um assunto que se repetirá ao longo da epístola: humildade e igualdade entre os homens.

No verso 15, Tiago fala que nossa própria cobiça nos seduz ao pecado (lembra-se de João 2:16 identificando a cobiça como mundanismo?).

No verso 19, há o assunto da humildade novamente, pois, “todos [devem ser] prontos para ouvir, tardios para falar e tardios para irar-se”.

Os versos 22-25 exortam para que os crentes sejam “praticantes da palavra, e não somente ouvintes”. Do contrário, isso seria enganar-se. Em outras palavras, uma forma de hipocrisia (lembra-se de como Jesus condenou veementemente a hipocrisia? Mt 7:5; 23:28; Mc 12:15; Lc 12:1; 13:15).

O verso 26 diz: “Se alguém se considera religioso, mas não refreia a sua língua, engana-se a si mesmo. Sua religião não tem valor algum!”.

É nesse contexto todo que surge o verso 27 com a ordenança de não se contaminar com o mundo. Vimos que, até aí, Tiago reprovou: a falta de fé, de caridade, de humildade, a cobiça, a hipocrisia e a falta de controle da língua.

Lembrando que originalmente a Bíblia não era dividida em capítulos, saiamos do capítulo 1 e adentremos o capítulo 2 tendo em vista que se trata de um texto contínuo.

A partir do primeiro verso do capítulo 2, é dito que não devemos fazer acepção de pessoas, dando preferência aos ricos e menosprezando os pobres. Tiago diz que os que assim procedem são “tomados de perversos pensamentos” (v. 4, ARA). Aí, mais uma vez, temos a palavra “mundo” quando é dito que “Deus [escolheu] os que são pobres aos olhos do mundo para serem ricos em fé e herdarem o Reino que Ele prometeu aos que O amam” (v. 5).

Nos versos 8-11, Tiago chama atenção daqueles que acham que guardam a lei, lembrando a eles que a mesma lei que diz para não adulterar também ensina que não se deve fazer acepção de pessoas. Logo, é tolice e dois pesos e duas medidas, achar que se pode ficar escolhendo o que mais lhe agrada na lei para guardar – pois “quem obedece a toda a Lei, mas tropeça em apenas um ponto, torna-se culpado de quebrá-la inteiramente” (v. 10).

No verso 13, há uma severa advertência aos sem misericórdia.

No restante do capítulo 2, Tiago fala sobre a inutilidade da fé sem as obras, até o capítulo 3, onde, dos versos 2-10, nos é dito que devemos saber refrear a língua, pois, “a língua é um mundo [3ª ocorrência da palavra em Tiago] de iniquidade”.

Em Tiago 3.13-17, é exortada a mansidão, a pureza, paciência, misericórdia, imparcialidade, ausência de fingimento e paz; enquanto a inveja, a amargura, as divisões e a mentira são condenadas.

Entremos agora no capítulo 4, onde se continua falando contra desunião e contendas, até o verso 4, onde é dito:
"Infiéis, não compreendeis que a amizade do mundo é inimiga de Deus? Aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus" (Tg 4:4, ARA).
Esse é um texto muito tirado do contexto. Aqui, novamente, as pessoas tendem a imaginar como “mundo” tudo aquilo que elas não gostam ou foram adestradas a dizer que não gostam se não quiserem ser consideradas mundanas. Inclui-se aí moda, diversão e outros comportamentos que muitos crentes crescem escutando que são nocivos. Porém, como estudantes honestos da Bíblia, devemos resistir à tentação de atribuir aos termos e expressões bíblicas aquilo que queremos ou que sempre nos disseram que é assim. Um dos maiores erros que podemos cometer é ler a Bíblia conforme as lentes de nosso tempo, cultura, educação e sociedade. A Bíblia é sua própria intérprete e deve falar por si só. Devemos recorrer a ela mesma para saber a significação dos termos que ela emprega. Ao quê Tiago se referiu ao falar em “amizade do mundo”? Recorramos ao próprio autor e leiamos com atenção o restante da passagem:
"Ou vocês acham que é sem razão que a Escritura diz que o Espírito que Ele fez habitar em nós tem fortes ciúmes? Mas Ele nos concede graça maior. Por isso diz a Escritura: 'Deus se opõe aos orgulhosos, mas concede graça aos humildes'. Portanto, submetam-se a Deus. Resistam ao Diabo, e ele fugirá de vocês. Aproximem-se de Deus, e Ele Se aproximará de vocês! Pecadores, limpem as mãos, e vocês, que têm a mente dividida, purifiquem o coração. Entristeçam-se, lamentem-se e chorem. Troquem o riso por lamento e a alegria por tristeza. Humilhem-se diante do Senhor, e Ele os exaltará. Irmãos, não falem mal uns dos outros. Quem fala contra o seu irmão ou julga o seu irmão, fala contra a Lei e a julga. Quando você julga a Lei, não a está cumprindo, mas está se colocando como juiz. Há apenas um Legislador e Juiz, Aquele que pode salvar e destruir. Mas quem é você para julgar o seu próximo? Ouçam agora, vocês que dizem: 'Hoje ou amanhã iremos para esta ou aquela cidade, passaremos um ano ali, faremos negócios e ganharemos dinheiro'. Vocês nem sabem o que lhes acontecerá amanhã! Que é a sua vida? Vocês são como a neblina que aparece por um pouco de tempo e depois se dissipa. Ao invés disso, deveriam dizer: 'Se o Senhor quiser, viveremos e faremos isto ou aquilo'. Agora, porém, vocês se vangloriam das suas pretensões. Toda vanglória como essa é maligna. Pensem nisto, pois: Quem sabe que deve fazer o bem e não o faz, comete pecado" (Tg 4:5-17).
Assim, temos que mundano aí significa alguém sem misericórdia, sem mansidão, cheio de ira e contendas, que não refreia a língua, inconstante, condenador, soberbo (lembra-se que João 2:16 também identificou a soberba como mundanismo?).

Podemos, então, concluir que o se costuma chamar de mundanismo, não é exatamente o mesmo que a Bíblia chama. Quantos não são maledicentes em relação ao suposto mundanismo alheio, esquecendo que a própria maledicência é, como vimos, um sinal de mundanismo? Quantos não fazem intrigas porque supostamente “o mundo está entrando na igreja”, esquecendo que as intrigas são mundanas?

Satanás realmente conseguiu cegar o entendimento não só dos incrédulos, mas também dos próprios cristãos, fazendo com que estes deem importância a uma série de coisas que muitas vezes a Bíblia não dá e esqueçam o essencial: “a justiça, a misericórdia e a fé” (Mt 23:23). Não permitamos que isso aconteça conosco. 

Vanedja Cândido (via Missão Pós Moderna)

5 bilionários têm o mesmo que 50% mais pobre no Brasil

Cinco bilionários brasileiros concentram patrimônio equivalente à renda da metade mais pobre da população do Brasil, mostra um estudo divulgado nesta segunda-feira (22) pela organização não-governamental britânica Oxfam antes do Fórum Econômico Mundial, que ocorre em Davos, na Suíça, nesta semana. A lista é encabeçada por Jorge Paulo Lemann, sócio do fundo 3G Capital, que possui participações nas empresas AB InBev (bebidas), Burger King (fast food) e Kraft Heinz (alimentos).

1. Jorge Paulo Lemann, 77 anos (3G Capital)
2. Joseph Safra, 78 anos (Banco Safra)
3. Marcel Herrmann Telles, 67 anos (3G Capital)
4. Carlos Alberto Sicupira, 69 anos (3G Capital)
5. Eduardo Saverin, 35 anos (Facebook)

Para fazer seus levantamentos, a ONG britânica de combate à pobreza usa dados sobre bilionários da revista "Forbes" e informações sobre a riqueza em escala global de relatórios do banco Credit Suisse.

Para mostrar a distância entre o grupo no topo e o que está na base da escala econômica no Brasil, a Oxfam calculou que uma pessoa remunerada só com salário mínimo precisar trabalhar 19 anos se quiser acumular a quantia ganha em um mês por um integrante do grupo do 0,1% mais rico. (G1)

Estamos muito distantes do fim da miséria. Ellen G. White nos descreve a injusta desigualdade social aqui reinante, e o que podemos fazer para atender e atenuar as necessidades dos mais carentes. Os textos abaixo foram extraídos do livro Beneficência Social, pp. 173-174, 188-190).
"Há nas grandes cidades multidões que vivem em pobreza e miséria, quase sem ter alimento, abrigo e roupa, enquanto que nas mesmas cidades há os que possuem mais do que o coração poderia desejar, vivendo no luxo e despendendo os seus recursos em casas ricamente mobiliadas, em adornos pessoais. Que miséria existe no próprio centro de nossos chamados países cristãos! Pensai nas condições dos pobres de nossas grandes cidades. Há, nessas cidades, multidões de criaturas humanas que não recebem tanto cuidado e consideração quanto se dispensa aos animais.
O clamor dos pobres chega até aos Céus. Deus vê e ouve. O clamor da humanidade faminta tem subido até Deus.
Não há muitos, mesmo entre educadores e estadistas, que compreendam as causas em que se fundamenta o presente estado da sociedade. Os que detêm as rédeas de governo não são capazes de solver o problema da corrupção moral, da pobreza, do pauperismo e da criminalidade crescente. Estão lutando em vão para colocar as operações comerciais em bases mais seguras. 
Enquanto, em Sua providência, Deus tem carregado a Terra com Suas generosidades, e enchido seus tesouros com os confortos da vida, a falta e a miséria encontram-se por toda parte. A liberal Providência tem colocado nas mãos de Seus instrumentos humanos com que suprir abundantemente as necessidades de todos, mas os mordomos de Deus são infiéis. Gasta-se no professo mundo cristão, em extravagâncias ostentosas, o suficiente para suprir as faltas a todos os famintos e vestir a todos os nus. Muitos que usam o nome de Cristo, estão empregando Seu dinheiro em prazeres egoístas, para satisfação do apetite, em bebida forte e dispendiosos artigos delicados, casas, mobílias e roupas de custo extravagante ao passo que aos pobres seres humanos em sofrimento, dificilmente concedem um olhar de piedade ou uma palavra de simpatia.
Há uma obra a ser feita por nossas igrejas, da qual muitos mal fazem uma ideia, obra até aqui nem tocada, por assim dizer. "Tive fome", diz Cristo, "e destes-Me de comer; tive sede, e destes-Me de beber; era estrangeiro e hospedastes-Me; estava nu, e vestistes-Me; adoeci, e visitastes-Me; estive na prisão, e fostes ver-Me." (Mateus 25:35 e 36). Pensam alguns que, se dão dinheiro para esta obra, isto é tudo quanto deles se requer; mas isto é um erro. A dádiva do dinheiro não pode tomar o lugar do serviço pessoal. É direito dar de nossos meios, e muitos mais o deveriam fazer; é-lhes, porém, exigido o serviço pessoal segundo suas oportunidades e suas forças.
A obra de recolher o necessitado, o oprimido, o aflito, o que sofreu perdas, é justamente a obra que toda igreja que crê na verdade para este tempo devia de há muito estar realizando. Cumpre-nos mostrar a terna simpatia do samaritano em acudir às necessidades físicas, alimentar o faminto, trazer para casa os pobres desterrados, buscando de Deus todo dia a graça e a força que nos habilitem a chegar às profundezas da miséria humana, e ajudar aqueles que absolutamente não se podem ajudar a si mesmos. Isto fazendo, temos favorável ensejo de apresentar a Cristo, o Crucificado.
O verdadeiro cristão é amigo dos pobres. Ele trata com o seu irmão perplexo e desafortunado como se trata com uma planta delicada, tenra e sensível.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

O Demônio do Meio-Dia

Ilustração de Keren Stanley "The Nonday Demon" (O Demônio do Meio-Dia)

Apesar de soar agressivo, o título deste post foi extraído do Salmo 91:5, 6, na versão Douay-Rheims. O texto diz: “[…] tu não terás medo do terror da noite, da seta que voa de dia, da peste que anda no escuro, da invasão ou do demônio do meio-dia”. O escritor norte-americano Andrew Solomon se inspirou nesses versículos para dar nome a uma de suas principais obras: O Demônio do Meio-Dia: Uma anatomia da depressão (2001). Este livro aborda de forma visceral a depressão, este demônio paralisante que adormece sonhos e desejos. Seu livro, de uma escrita profunda e sensível, repele o preconceito sobre essa doença que assombra tantas almas.
De fato, essa realidade tem se tornado cada vez mais comum em nosso cotidiano. Cerca de 5,8% da população brasileira sofre de depressão – um total de 11,5 milhões de casos registrados no país, segundo dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O índice é o maior na América Latina e o segundo maior nas Américas, atrás apenas dos Estados Unidos, que registram 5,9% da população com o transtorno e um total de 17,4 milhões de casos. 

De acordo com a OMS, o número de pessoas vivendo com depressão está aumentando - 18,4% entre 2005 e 2015. A estimativa é que, atualmente, cerca de 322 milhões de pessoas de todas as idades sofram com a doença em todo o mundo. O órgão alertou que a depressão é a principal causa de incapacidade laboral no planeta e, nos piores casos, pode levar ao suicídio.

Mas, ainda que o “demônio do meio-dia” nos assedie, “o Sol da justiça se levantará trazendo cura em suas asas” (Ml 4:2, NVI) à meia-noite. O poder divino disponível para superar a depressão, a visão bíblica integral do ser humano e o auxílio de profissionais e de recursos adequados para combater a doença são elementos fundamentais no processo de restauração. 

Para concluir, fiquemos com esta importante mensagem deixada pelo nosso querido irmão Mário Jorge Lima, via facebook, intitulada "Depressão, mal do tempo do fim":
Acabei de ler que segundo a OMS - Organização Mundial de Saúde, até 2020, a depressão será a mais incapacitante das doenças. Traiçoeira, silenciosa, mal compreendida, imobiliza idosos, adultos, jovens, adolescentes e até crianças, destruindo a disposição pra estudar, trabalhar, até mesmo para o lazer e pra se tratarem, não raro tornando-os em potenciais suicidas.
Infelizmente, no afã de ajudar, parentes, amigos, irmãos de igreja e pessoas em geral confundem as coisas, emitem opiniões atravessadas e assumem atitudes que mais prejudicam do que trazem qualquer auxílio de fato.
Entendo que só quem sente isso na própria pele, ou tem pessoas próximas queridas, padecendo desse mal, é capaz de avaliar um pouco o que é essa força estranha que cada vez mais apaga ou escraviza vidas produtivas e promissoras.
Alguém dirá que a oração e o evangelho são capazes de curar esses transtornos mentais e emocionais. E são mesmo, desde, é claro, que quem sofre, ainda possa clamar por ajuda, como a ovelha perdida da parábola, e seja, então, amorosamente procurada e recuperada. Ou seja capaz ainda de ter atitude de voltar para a casa do Pai, como o filho perdido de outra parábola, sendo por Ele festivamente recebido.
Agora considere, o que fazer se ele / ela for simplesmente uma moeda perdida, com a de uma terceira parábola, que por ser um objeto inanimado, sem vontade, sem reação, sem qualquer condição de buscar ajuda ou gritar por ela, só será ajudada, recuperada e salva se for diligentemente procurada e encontrada?
Que nesse final de semana, todos nós, cristãos ditos pós-modernos, salvos pela graça, que nos achamos no controle de nossas aptidões físicas, mentais, intelectuais e emocionais, que temos o privilégio de comer, beber, vestirmo-nos e nos comportarmos da maneira que julgamos correta, crendo naquilo que consideramos verdadeiro, santo e bom, nos lembremos que muitos de nossos "pequeninos irmãos", moedas perdidas reais pelas sendas da vida, não têm essa chance, e muitos deles estão se apagando lentamente.
Tenho certeza de que todos conhecemos alguém vivendo essas situações penosas. Que cada um de nós, ao invés de menosprezarmos, criticarmos ou nos afastamos dos que assim sofrem, nos coloquemos à disposição para orar por eles, servi-los, ouvi-los e apoiar de alguma forma seus tratamentos e terapias.

Big Brother is watching you

O Big Brother Brasil 2018 tem estreia marcada na Globo para esta segunda-feira (22). Os assinantes do GloboPlay, plataforma de streaming da Globo, agora terão acesso à câmera do confessionário, que estará disponível 24 horas por dia. Somando o novo dispositivo, há um total de 11 câmeras espalhadas pelas partes interna e externa da casa que transmitirão conteúdo em tempo real para os usuários do aplicativo, que pode ser baixado tanto nos sistemas operacionais iOS quanto Android. Tudo isso para não se perder nada, para assistir tudo o que se passa “na casa mais vigiada do Brasil”.

Big Brother is watching you (O Grande Irmão está te observando). Não, a referência não é ao programa exibido na TV, mas à personificação literária de um poder cínico e cruel presente no livro 1984, de George Orwell. Na sociedade descrita pelo autor, todas as pessoas estão sob constante vigilância das autoridades. E você... gosta da ideia de ser monitorado o tempo todo? Alguém tendo acesso a tudo o que você faz e tudo o que você diz? 
“Ó Senhor Deus, Tu me examinas e me conheces. Sabes tudo o que eu faço e, de longe, conheces todos os meus pensamentos. ... Estás em volta de mim, por todos os lados, e me proteges com o Teu poder. ... Para onde posso fugir da Tua presença? ... Eu poderia pedir que a escuridão me escondesse e que em volta de mim a luz virasse noite; mas isso não adiantaria nada porque para Ti a escuridão não é escura, e a noite é tão clara como o dia." (Salmos 139:1-12)
Deus sabe tudo o que fazemos e quais os caminhos que andamos. Não há nada que possamos esconder de Deus ou que Ele não saiba sobre a nossa vida.
“Deus sabe por onde você anda e vê tudo o que você faz.” (Provérbios 5:21)
"Os olhos do Senhor estão em todo lugar, contemplando os bons e os maus." (Provérbios 15:3)
Nestes versos, vemos os atributos divinos, “onipresença” e “onisciência”. Isso é, Deus está em todo lugar e sabe de todas as coisas. Ninguém pode enganar a Deus, nada escapa ao Seu olhar infinito.
"Não há nada que se possa esconder de Deus. Em toda a criação, tudo está descoberto e aberto diante dos Seus olhos, e é a Ele que todos nós teremos de prestar contas." (Hebreus 4:13)
Vejamos o que Ellen G. White nos diz a cerca deste santo Vigia:
"Em todo lugar, a toda hora do dia, há um santo Vigia, que fecha todas as contas, cujos olhos vêem toda situação, quer demonstre fidelidade, quer deslealdade e engano. Nunca estamos sós. Temos um Companheiro, quer O escolhamos quer não. Lembrai-vos de que aonde quer que vos acheis, o que quer que estejais fazendo, Deus ali está. Para cada uma de vossas palavras ou atos, tendes uma testemunha — o Deus santo, que aborrece o pecado. Coisa alguma do que se diga ou faça ou pense escapa ao Seu olhar infinito. Vossas palavras podem não ser ouvidas por ouvidos humanos, mas são ouvidas pelo Dominador do Universo. Ele vê a ira íntima do coração quando a vontade é contrariada. Ouve a expressão profana. Na mais profunda treva ou solidão, ali está Ele. Ninguém pode enganar a Deus; ninguém escapa de sua responsabilidade para com Ele." (Para Conhecê-Lo, p. 230) 
Deus sabe tudo de mim, e mesmo assim me ama. Mesmo eu sendo desobediente, mesmo quando penso o que não devo, mesmo quando me esqueço dEle, Ele me cerca por todos os lados com Seu amor, Sua misericórdia (não me tratando como eu realmente merecia), Sua graça e Sua bondade infinita. E isso é maravilhoso, porque com Deus posso ser eu mesmo, não preciso fingir, posso ser sincero, posso abrir o meu coração para Ele e falar com toda liberdade. Mesmo dos meu sentimentos mais sórdidos, Ele já sabe.
"Todo o Céu está interessado em nossa salvação. Os anjos de Deus estão anotando as ações dos homens. Registram, nos livros memoriais de Deus, as palavras de fé, os atos de amor, a humildade de espírito; e naquele dia em que as obras de cada um hão de ser provadas, a fim de ver de que espécie são, a obra do humilde seguidor de Cristo resistirá à prova, recebendo o louvor do Céu. 'Então, os justos resplandecerão como o Sol, no reino de seu Pai' (Mateus 13:43)". (The Review and Herald, 16 de Setembro de 1890) 
Senhor, há tantas coisas em mim que precisam ser mudadas, e às vezes eu mesmo não consigo compreender o meu coração. Preciso da Tua ajuda, e oro para que tu sondes o meu caráter e as minhas intenções, que tragas à minha consciência tudo o que precisa ser corrigido em mim, e que Tu me guies pelo caminho bom, agradável e perfeito, para que eu possa habitar contigo na eternidade.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

O olhar perfurante de Jesus

É impressionante a força de um olhar. Se você está em um lugar público e alguém fica com os olhos fixos em você, aposto que isso vai causar algum tipo de sensação, seja de desconforto, seja de curiosidade, seja do que for. A verdade é que olhares nos tocam: fique alguns segundos de olhos cravados nos olhos da pessoa amada, por exemplo, e emoções incríveis surgirão no seu peito. Uma criança faz algo errado e basta o olhar do pai recair sobre ela que a exortação chegará com força total sobre a pequena traquinas, sem que uma palavra sequer precise ser dita. Em minha opinião, o olhar mais significativo da Bíblia é o que Jesus lança sobre Pedro após ser traído por ele.

Diz o texto bíblico que Pedro negou Cristo duas vezes. Então, o que ocorre em seguida é: 
“E, tendo passado cerca de uma hora, outro afirmava, dizendo: Também este, verdadeiramente, estava com Ele, porque também é galileu. Mas Pedro insistia: Homem, não compreendo o que dizes. E logo, estando ele ainda a falar, cantou o galo. Então, voltando-se o Senhor, fixou os olhos em Pedro, e Pedro se lembrou da palavra do Senhor, como lhe dissera: Hoje, três vezes me negarás, antes de cantar o galo. Então, Pedro, saindo dali, chorou amargamente” (Lc 22:59-62).
Que forte! Jesus não diz uma única palavra. Só olha. Basta Ele fixar o olhar em Pedro para o apóstolo ser convencido com força total acerca de seu pecado, ser destroçado pelo arrependimento e cair em si, por perceber toda a pecaminosidade que enegrecia seu coração. Bastou um olhar. Um olhar.
"Pedro tinha negado seu Senhor, mesmo com maldição e juramento; mas aquele olhar de Jesus como que dissolveu o coração de Pedro, e o salvou. Ele chorou amargamente, arrependeu-se de seu grande pecado e converteu-se; e, então, ficou preparado para fortalecer seus irmãos" (História da Redenção, p. 214).
O olhar divino tem esse poder. Pois significa “eu estou te vendo”. A Escritura diz que:
“Os olhos do SENHOR estão em todo lugar, contemplando os maus e os bons” (Pv 15:3). 
Não há como fugir, portanto, do olhar divino. A questão é que, com frequência absurda, nos esquecemos disso. 
"Nunca estamos sós. Temos um Companheiro, quer O escolhamos ou não. Lembrem-se, moços e moças, que onde quer que vocês estejam, o que quer que estejam fazendo, Deus lá está. Para toda palavra e ação sua, vocês tem uma testemunha, o Deus Santo, que odeia o pecado. Nada que é dito ou pensado pode escapar a Seus olhos infinitos. Na mais profunda escuridão e solidão Ele lá está." (Youth’s Instructor, 26/05/1898)
Deus é invisível. O olhar dEle sobre nós não pode ser visto como Pedro viu o de Jesus. Sabendo disso, o Senhor estabeleceu Seu olhar constante sobre nós por meio de algo bem visível: um livro. A Bíblia. Quando você abre as Escrituras e lê em suas páginas palavras que falam ao seu coração “eu estou te vendo”… tudo muda. Pois é o olhar de Deus recaindo sobre sua vida.

Se você está vivendo em pecado e o olhar divino recai sobre si por meio da Palavra, o resultado é arrependimento e choro amargo. Se está sofrendo, o resultado é consolo e esperança nos momentos mais sombrios. Se está distante, o olhar de Deus o atrai. Se está em dúvida, o resultado desse olhar é esclarecimento. Se está perdido, o olhar divino é orientação. A única certeza: é impossível – impossível! – cruzar olhares com o Senhor e permanecer impassível. Pois o olhar de Deus é perfurante e, quando vem por meio das Escrituras, tem o seguinte efeito: 
“A palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração. E não há criatura que não seja manifesta na sua presença; pelo contrário, todas as coisas estão descobertas e patentes aos olhos daquele a quem temos de prestar contas” (Hb 4:12-13).
Deus está com os olhos fixos em você. Hoje. Agora. Se você não consegue perceber esse olhar, vá às Escrituras. Leia o texto sagrado. Deixe-se desnudar e perfurar por esse olhar, para o qual todas as coisas estão descobertas e patentes.
"Deus conhece o fim desde o princípio. Conhece de perto o coração de todos os homens. Lê todo segredo da alma." (A Ciência do Bom Viver, p. 230)
Chegamos ao xis da questão, à grande pergunta: que efeito isso tem sobre a sua vida, sobre o seu coração, as suas atitudes, as suas escolhas e os caminhos que decide tomar? Passe seus olhos pelas páginas das Escrituras. Ao fazer isso, estará olhando fixamente dentro dos olhos de Jesus. Peço a Deus que essa atitude tenha um efeito revolucionário e transformador em sua vida – e rápido. Por quê? Porque o galo está prestes a cantar.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,

Maurício Zágari (via Apenas

Os textos de Ellen G. White foram inseridos pelo blog.

Dia Mundial do Riso - Conheça os benefícios de sorrir

Hoje comemoramos o Dia Mundial do Riso! Tudo começou em 1995, quando o médico indiano Madan Kataria resolveu fundar o primeiro clube da risada, como método terapêutico alternativo para seus pacientes. De lá para cá existem mais de 800 clubes do gênero espalhados pelo mundo. 
"A alegria embeleza o rosto." (Provérbios 15:13)
Sorrir é o melhor remédio. E já existem razões científicas para isso. Um estudo da Universidade Loma Linda, na Califórnia (EUA), aponta que o riso aumenta a produção e a atividade no organismo das células NK (do inglês, Natural Killers), responsáveis por destruir vírus e até tumores presentes no organismo como o câncer.

Como se isso não fosse o bastante, o riso também pode diminuir o risco de problemas cardíacos, aumentar os níveis de HDL (colesterol bom), e até prevenir o aparecimento das temidas rugas! Além disso, um estudo da Universidade Wayne, em Michigan, nos Estados Unidos, mostrou que quanto mais largo o sorriso de uma pessoa, maior pode ser a sua expectativa de vida. 

Confira outros benefícios de sorrir mais para a saúde: 

Rir faz bem ao coração 
O riso pode ser um dos fatores para reduzir doenças cardíacas, segundo estudo da Universidade de Loma Linda, na Califórnia (EUA). Os pesquisadores analisaram dois grupos de pessoas que haviam sofrido um ataque cardíaco. Um dos grupos foi estimulado a assistir vídeos de humor durante 20 minutos diariamente. Após um ano, eles apresentaram queda de 66% da proteína C-reativa, um marcador da inflamação e do risco de problemas cardiovasculares. No outro grupo, a queda dessa substância foi de apenas 26%. Mostrando assim, que as pessoas que riram mais tiveram o risco de problemas cardíacos reduzido significativamente. 

Colesterol lá em baixo 
Em outro estudo, os pesquisadores da Universidade de Loma Linda acompanharam 20 pacientes diabéticos com altas taxas de colesterol ruim no sangue, sendo que todos usavam remédios para controlar esses problemas. Metade desses pacientes continuou com o tratamento padrão, enquanto a outra metade, além de tomar a medicação, assistia a filmes de comédia diariamente, durante 30 minutos. Após um ano, o grupo que foi estimulado a rir mais elevou seus níveis de HDL (bom colesterol) em até 26%. No grupo de controle o aumento foi de apenas 3%. 

Antirrugas natural 
Ao dar boas risadas, nós movimentamos 12 músculos faciais e, em uma gargalhada são movimentamos 24 músculos faciais. Quando conversamos e gargalhamos ao mesmo tempo, então, são 84 músculos. Todo esse exercício facial estica a pele, retardando o aparecimento de rugas. 

Exercite-se rindo! 
Uma boa gargalhada pode ser tão boa quanto a prática de exercícios físicos, de acordo com pesquisa da Universidade de Loma Linda. Isso porque ela estimula a circulação, produz endorfina e também movimenta músculos não somente do abdome, mas também das pernas, braços e pés. Os pesquisadores afirmam que o riso pode ser inclusive a chave para a saúde de idosos que não conseguem praticar atividades físicas. 

E agora, está esperando o que pra abrir esse sorriso?
"O Céu é todo alegria; e se carregamos para nossa alma a alegria do Céu e, tanto quanto possível o expressamos em palavras e no comportamento, seremos mais agradáveis a nosso Pai celestial do que nos mostrando deprimidos e tristes. Se dermos sorrisos, eles nos serão devolvidos; se falarmos palavras prazerosas e alegres, elas nos falarão em retorno." (Ellen G. White - O Lar Adventista, p. 430)

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Saiba tudo sobre a febre amarela

No último dia 12 de janeiro, recebemos com comoção a triste notícia do falecimento do pastor adventista Young Bae Ji (Comunidade Coreana Bom Retiro-Newstart da Paulistana). Ele estava na fila de transplante hepático, mas, infelizmente não resistiu, vindo a falecer em decorrência a insuficiência hepática fulminante, consequência da febre amarela.

Nos últimos dois anos, o Brasil enfrentou um grande surto de febre amarela, considerado um dos eventos mais expressivos da história da doença, que abrangeu principalmente os estados da região Sudeste, como Minas Gerais e Espirito Santos. No período entre junho de 2016 a junho de 2017 foram confirmados 779 casos humanos e 262 óbitos. Todos os casos se referem à forma silvestre da doença.

Agora, em 2018, a transmissão foi retomada e os registros estão aumentando nos estados de São Paulo, Mato Grosso, Minas Gerais e Rio de Janeiro, onde, segundo o Ministério da Saúde, já foram intensificadas ações da vacinação e da vigilância. 

Porém, apesar de não ser essa a primeira vez que a população brasileira enfrenta a doença, o tema ainda gera muitas dúvidas sobre a atualização da vacina, métodos de prevenção e como a doença é transmitida. Para esclarecer as principais questões sobre a enfermidade, consultamos alguns especialistas e instituições e reuniu todas as respostas aqui. Confira a lista abaixo.

O que é febre amarela? 
É uma doença infecciosa febril aguda, não contagiosa, provocada por um vírus transmitido por mosquitos vetores, e possui dois ciclos de transmissão: silvestre, quando há transmissão em área rural ou de floresta, e urbano.

Como a febre amarela é transmitida? 
Segundo a Sociedade Brasileira de Dengue/Arboviroses (SBD-A), a transmissão acontece por meio da picada de insetos, especialmente os mosquitos dos gêneros Aedes - o mesmo que transmite a Dengue, a Chikungunya e Zika – nos ambientes urbanos, e pelos gêneros Haemagogus e Sabethes que são encontrados no ciclo silvestre.
Macacos podem transmitir febre amarela? 
Não. Quem transmite a doença são os mosquitos e os macacos também são alvos dos insetos, assim como os humanos.

Quais são os sintomas? 
Em geral, as pessoas infectadas apresentam febre baixa, dores musculares em todo o corpo, principalmente nas costas, dor de cabeças e nas articulações, náuseas, vômitos e fraqueza. Em média, o tempo de incubação da doença, período que antecede a aparição dos sintomas, oscila entre 3 e 6 dias, podendo chegar até 10 dias.

“Pode haver uma melhora no terceiro dia, mas, em seguida, pode vir a ocorrer piora a partir do quarto dia quando então predominam os fenômenos inflamatórios, sendo o fígado órgão frequentemente acometido nessa fase”, explica a SBD-A.

Segundo o infectologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo Hermes Higashino, a maioria das pessoas melhora após estes sintomas iniciais. “No entanto, cerca de 15% apresentam um breve período de horas a um dia sem sintomas e, então, desenvolvem uma forma mais grave da doença. Nesses casos, o paciente pode apresentar sintomas como: febre alta, icterícia (a pele e os olhos ficam amarelos), hemorragia (de gengivas, nariz, estômago, intestino e urina) e, eventualmente, choque e insuficiência de múltiplos órgãos.

Em qualquer das formas clínicas da doença, o diagnóstico de certeza somente é estabelecido através de exames laboratoriais específicos.

Como é possível identificá-la? 
Apenas um médico é capaz de identificar a doença corretamente. Segundo a Sociedade Brasileira de Dengue/Arboviroses, o diagnóstico mais exato da doença pode ser feito a partir desses exames:

- Métodos virológicos (isolamento do vírus em cultura de tecidos) 

- Identificação de antígenos virais e do RNA viral 

- Por intermédio de métodos sorológicos (dosagem de anticorpos específicos pelo método de IgM-ELISA que captura anticorpos IgM em ensaio enzimático ou conversão sorológica em testes de inibição da hemaglutinação). 

Como é feito o tratamento? 
Segundo o Ministério da Saúde, o tratamento é apenas “sintomático, com cuidadosa assistência ao paciente”. Ou seja, o tratamento consiste em controlar os sintomas e prevenir complicações. “É recomendado fazer repouso, ingestão abundante de água, boa alimentação e reposição sanguínea, quando indicado. Além disso, após a cura, não há riscos de reinfecção”, explica o infectologista Hermes Higashino.

A pasta afirma que nas formas graves da doença, o paciente deve ser atendido em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), para reduzir as complicações e o risco de óbito. Medicamentos como AAS e Aspirina devem ser evitados, já que o uso pode favorecer o aparecimento de manifestações hemorrágicas.

A vacina é segura? 
Sim. Ela estimula a produção de uma reposta imune que constitui a defesa necessária contra a febre amarela com detecção de anticorpos neutralizantes em 90% dos vacinados já no 10º dia e em mais de 99% após 4 semanas da vacinação.

Quem deve se vacinar?
O Ministério da Saúde recomenda a vacinação em residentes da Área com Recomendação de Vacina e em viajantes que se deslocam para essas áreas, com pelo menos 10 dias de antecedência em relação à data da viagem.

Receberão a vacina crianças a partir de 9 meses de idade até adultos com 59 anos de idade. Pessoas com 60 anos de idade ou mais só devem receber a dose se residirem ou forem se deslocar para áreas com transmissão ativa de febre amarela.

Pessoas deste grupo etário deverão ser avaliadas antes da realização da vacinação. Gestantes (em qualquer idade gestacional) e mulheres amamentando só devem ser vacinadas se residirem em local próximo ao que ocorreu a confirmação de circulação do vírus (presença da doença em animais, em humanos e presença de vetores na área afetada).

Mulheres que estiverem amamentando, caso tenham que ser vacinadas, recomenda-se suspender o aleitamento materno por 10 dias após a vacinação, nos casos de lactentes menores de 6 meses de idade. A idade mínima para vacinação fica sendo a de 9 meses de idade.

“Enfatizamos que, de acordo com as novas recomendações, as pessoas que já receberam uma dose da vacina anteriormente são consideradas vacinadas, não havendo necessidade de novas doses”, informa a SBD-A.

Quem não pode se vacinar? 
- Pessoas com histórico de reação anafilática - reação alérgica grave e imediata, relacionada a substâncias presentes na vacina, como ovo de galinha e seus derivados, gelatina bovina, etc. 

- Bebês com idade abaixo de 6 meses 

- Pessoas com doenças que comprometam a imunidade, como infecção por HIV sintomática, disfunções do timo associadas com função imune alterada, Imunodeficiências primárias, câncer, pacientes em terapêutica imunodepressora: quimioterapia, radioterapia, corticóide em doses elevadas. 

Quais são os efeitos colaterais da vacina? 
A SBD-A alerta que é possível perceber que em 4% dos adultos observam-se efeitos como dores no local da aplicação, com duração de um ou dois dias, geralmente de intensidade leve a moderada. Manifestações como febre, dor de cabeça e muscular também são raras, apenas 4% dos vacinados pela primeira vez e menos de 2% para quem toma a segunda dose.

Quanto tempo demora para fazer efeito? 
O Ministério da Saúde recomenda que a vacina seja administrada pelo menos 10 dias antes do deslocamento para áreas de risco, principalmente, para os indivíduos que são vacinados pela primeira vez.

Qual a diferença entre dose fracionada e dose padrão? 
O Ministério da Saúde afirmou que a dose fracionada tem mostrado a mesma proteção que a dose padrão. Segundo a pasta, a única diferença está no volume: a dose padrão tem 0,5 ml, enquanto a dose fracionada tem 0,1 ml. É isso que faz com que o tempo de duração da proteção seja diferente.

Atualmente, o Ministério da Saúde utiliza a dose padrão da vacina de febre amarela. Porém, em alguns estados serão adotadas as doses fracionadas, que representam 1/5 da dose padrão. Um frasco com 5 doses da vacina de febre amarela, por exemplo, pode vacinar 25 pessoas e um frasco com 10 doses pode vacinar 50 pessoas.

No início de janeiro deste ano, o Ministério da Saúde anunciou que entre fevereiro e março, 75 municípios de São Paulo, do Rio de Janeiro e da Bahia irão adotar campanhas de vacinação contra a febre amarela com doses fracionadas . A decisão, segundo o ministro da Saúde, Ricardo Barros, foi tomada mediante recomendação e autorização da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Por quanto tempo a vacina fracionada protege? E a dose padrão? 
A dose padrão protege por toda a vida, enquanto a dose fracionada protege por pelo menos oito anos, segundo estudo realizado pelo Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Biomanguinhos/Fiocruz). Apenas crianças de 9 meses a 5 anos de idade que já receberam a dose devem receber o reforço após os 5 anos.

Além da vacina, quais outras formas de evitar a febre amarela? 
Existem algumas condutas que podem e devem ser adotadas pela população para se proteger, como o uso de repelentes, mosquiteiros e roupas de mangas compridas que são métodos relevantes e eficazes para controlar a proliferação da febre amarela.

Em relação aos repelentes, produtos contendo DEET, Icaridina ou IR3535 oferecem proteção contra picadas de mosquitos incluindo o Aedes aegypti, com eficácia e duração de ação variadas e indicações específicas. [Com informações de Saúde iG]

Existe relação entre o feminismo e o cristianismo?

Feministas e acadêmicos dividiram a história do movimento em três "ondas". A primeira onda se refere principalmente ao sufrágio feminino, movimentos do século 19 e início do 20 preocupados principalmente com o direito da mulher ao voto. A segunda onda se refere às ideias e ações associadas com os movimentos de liberação feminina iniciados na década de 1960, que lutavam pela igualdade legal e social para as mulheres. A terceira onda seria uma continuação da segunda onda, iniciada na década de 1990. 

A primeira onda do feminismo se refere a um período extenso de atividade feminista ocorrido durante o século 19 e início do século 20 no Reino Unido e nos Estados Unidos, que tinha o foco originalmente na promoção da igualdade nos direitos contratuais e de propriedade para homens e mulheres, e na oposição de casamentos arranjados e da propriedade de mulheres casadas (e seus filhos) por seus maridos. No entanto, no fim do século 19, o ativismo passou a se focar principalmente na conquista de poder político, especialmente o direito ao sufrágio por parte das mulheres.

No Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda, as suffragettes e, talvez de maneira ainda mais eficiente, as sufragistas, fizeram campanha pelo voto da mulher. Em 1918, o Representation of the People Act foi aprovado, concedendo o voto às mulheres acima de 30 anos de idade que possuíssem uma ou mais casas. Em 1928, este direito foi estendido a todas as mulheres acima de vinte e um anos de idade. 

Há uma inegável relação entre o desenvolvimento do feminismo e o crescimento do “cristianismo sectário” nos EUA do século 19, sendo os quakers o grupo igualitarista mais representativo dentre os protestantes. Os quakers são um movimento religioso de tradição protestante fundado pelo inglês George Fox em 1652. Destacaram-se como pacifistas, abolicionistas e igualitaristas de gênero. Lideraram e se envolveram em movimentos contra o tráfico de escravos e a escravidão, pela reforma das prisões, pela abolição da pena de morte e contra as guerras entre nações. Para os quakers, a dominação masculina era uma manifestação do pecado. A igualdade entre homens e mulheres foi restaurada em Cristo, que ordenou que homens e mulheres fossem anunciadores proféticos do evangelho.

Nos Estados Unidos, líderes deste movimento incluíram mulheres que haviam todas lutado pela abolição da escravidão antes de defender o direito das mulheres ao voto; todas eram influenciadas profundamente pelo pensamento quaker, fruto de esforços e ideias cristãs. Vejamos a lista das pioneiras mais importantes do movimento e a biografia delas:

- Susan Brown Anthony, cristã quaker, presa por votar em 1872, em 1890 organizou em Washington a primeira convenção para o voto feminino. A emenda permitindo o voto feminino recebeu seu nome.

- Elizabeth Cady Stanton, uma das mulheres mais importantes da primeira onda do feminismo, era da Igreja Episcopal.

- Primeira mulher a fazer discurso político no congresso americano foi Anna Elizabeth Dickinson, quaker, republicana, abolicionista, sufragista.

- A primeira convenção pelos direitos das mulheres nos EUA ocorreu numa Igreja Metodista (Convenção de Seneca Falls, 1848, na Igreja Metodista Wesleyana). 

- Lucretia Mott, grande ícone do feminismo americano, era ministra quaker ordenada (pastora).

- Lucy Stone fez o primeiro discurso sobre os direitos da mulher chamado The Province of Women, na Igreja Evangélica Congregacional pastoreada por seu irmão William Bowman Stone (1847). 

- Outros nomes: Harriet Bishop (batista), Amélia Bloomer (episcopal), Alice Paul (quaker), Isabella Ford (quaker), Elise Boulding (quaker).

Santas feministas: Elizabeth Cady Stanton, Amelia Bloomer, Sojourner Truth, e Harriet Ross Tubman estão no calendário de santos da Igreja Episcopal. Sim, uma igreja dedica um dia no ano (20 de junho) para homenagear como santas, pioneiras do movimento feminista.

O cristianismo dessas mulheres não é coincidência e nem um detalhe insignificante. Muitas delas agiram movidas exatamente por princípios cristãos. 

Muitas mulheres sufragistas dos EUA faziam parte do grupo cristão protestante Woman's Christian Temperance Union, a primeira grande agremiação de mulheres a promover esforços organizados em prol de reformas sociais nos EUA. Esse grupo foi a maior e mais influente associação de mulheres que existira até então. A organização do grupo e a mobilização de mulheres em torno de causas sociais contribuíram para o maior envolvimento feminino na política. Ellen G. White tinha uma visão positiva do ativismo desse grupo, e escreveu algumas cartas recomendando cooperação. 
Uma Organização com a qual Podemos nos Unir
"A União de Temperança das Mulheres Cristãs é uma organização com cujos esforços para disseminação dos princípios de temperança, podemos unir-nos de boa vontade. Foi-me mostrado que não nos devemos manter afastados delas mas, conquanto não deva haver sacrifício de princípios de nossa parte, devemos o quanto possível unir-nos com elas no trabalho de reforma de temperança.
Foi-me mostrado que não devemos esquivar-nos às obreiras da U.T.M.C. Unindo-nos com elas em favor da abstinência total, não mudamos nossa atitude quanto à observância do sétimo dia, e podemos mostrar nossa apreciação pela atitude delas relativamente à questão da temperança. Abrindo a porta, e convidando-as a se unirem conosco no assunto da temperança, granjeamos assim sua cooperação nesse sentido; e elas, unindo-se a nós, ouvirão novas verdades que o Espírito Santo está esperando para gravar nos corações. 
Tenho tido algumas oportunidades de ver a grande vantagem a ser obtida mediante nossa ligação com as obreiras da U.T.M.C., e ficado muito surpreendida ao ver a indiferença de muitos de nossos dirigentes para com essa organização. Convido meus irmãos a despertarem." (Temperança, p. 222-223)
"Devemos procurar ganhar a confiança das obreiras da U.F.T.C., harmonizando-nos com elas quanto possível. Este povo tem sido rico em boas obras." (Manuscrito 91, 1907)
Portanto, se faz necessário destacar claramente o background religioso do movimento feminista e reivindicar a legitimidade de sua importância histórica. Muitos precisam saber que houve influência do cristianismo no início dos movimentos pelos direitos das mulheres.

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Vamos falar sobre... hospitalidade

Saiba como desenvolver essa virtude essencial na conduta cristã
Um rabino da antiguidade perguntou a seus pupilos como eles poderiam dizer que a noite está terminando e que o dia está raiando. “Poderia ser”, respondeu um dos estudantes, “quando você consegue enxergar um animal a distância e dizer se é uma ovelha ou um cachorro?” “Não”, respondeu o rabino. “Poderia ser”, outro perguntou, “quando você olha a distância e vê uma árvore e consegue discernir se é um pé de laranja ou de limão?” “Não”, disse o rabino. “Então, qual é a resposta?”, insistiram os pupilos. “É quando você olha na face de alguém e pode ver seu irmão ou irmã. Porque se você ainda não pode, então não importa qual seja a hora, ainda é noite escura”.

É fácil pensar em hospitalidade quando o outro é um amigo. Mas trata-se de um grande desafio manifestar essa virtude para com estranhos (aqueles que não conhecemos ou não compreendemos e, por isso, tememos). Paradoxalmente, o estranho pode ser alguém próximo.

Hospitalidade como prática espiritual é receber o outro a partir do coração. É repartir um espaço que é meu, oferecendo bondade, aceitação, gentileza e conforto, de modo a proporcionar aconchego físico e emocional. Podemos abrir nossa casa ou oferecer uma carona, mas também podemos oferecer um ombro amigo, aceitação, calor humano e bondade. Seja qual for o espaço que ofereçamos, hospitalidade será sempre uma oferta de amor. Portanto, hospitalidade não é algo que fazemos, mas um coração que desenvolvemos.

A hospitalidade tem origem celestial. As Escrituras apresentam Deus como aquele que oferece não apenas a sua criação, mas a si mesmo para a humanidade (Gn 2:8-25). Portanto, viver é desfrutar da hospitalidade divina.

Como seres criados à imagem e semelhança de Deus, também temos em nosso DNA a capacidade de ser hospitaleiros. Ao entregarmos o coração a Ele, abrimos também o coração para todos aqueles a quem Deus envia.

O patriarca Abraão nos deixou um grande exemplo nesse sentido. Mesmo vivendo no contexto de uma sociedade violenta, em que receber estranhos poderia ser perigoso, ele se mostrou disposto a acolher visitantes desconhecidos (Gn 18:1-10).

Ser hospitaleiro hoje continua sendo uma prática arriscada. Afinal, somos atormentados por assaltantes, terroristas e oportunistas. Contudo, a hospitalidade como prática de exercício espiritual, quer seja no passado ou no presente, sempre será um passo de fé, vulnerabilidade e humildade.

Jesus declarou em Mateus 25: “Tive fome e vocês me deram de comer; tive sede e vocês me deram de beber; fui estrangeiro, e vocês me acolheram; necessitei de roupas, e vocês me vestiram; estive enfermo, e vocês cuidaram de mim; estive preso, e vocês me visitaram […] O que vocês fizeram a algum dos meus menores irmãos, a mim o fizeram” (versos 34-46). Essas palavras de Jesus lembram que, ao abrir o coração em hospitalidade nos encontramos com o Criador e crescemos em Cristo.

Na prática, hospitalidade não é receber apenas os amigos, mas todos a quem Deus colocar no caminho. É uma abertura que não se rende à suspeita e ao medo e que não se vende à comodidade e ao conforto próprio. Essa hospitalidade rejeita o relacionamento por conveniência ou por interesse. Deixamos de manifestar simpatia unicamente por aqueles que “agregam” e passamos a agregar mais.

O desenvolvimento intencional da sensibilidade que vê Cristo nos amigos e nos estranhos precisa ser a expressão dos cristãos na sociedade contemporânea. Mas, por onde começar? A boa notícia é que o exercício da hospitalidade pode ter início em qualquer lugar, seja no trabalho, mediante a disposição de ouvir o outro, ou na vizinhança, ao romper com o ciclo do isolamento urbano.

O fato é que, se resgatarmos a hospitalidade como prática espiritual, seremos surpreendidos pelo universo da generosidade e encontraremos o prazer em repartir a vida. Quem sabe, ao fazer isso, hospedaremos anjos sem saber!

Paulo Cândido (via Revista Adventista)
"Quando o espírito de hospitalidade morre, o coração fica paralisado pelo egoísmo." (Ellen G. White - Manuscrito 41, 1903)

Seja simples

Tenho aprendido sobre simplicidade.

Quero compartilhar com vocês algumas coisas que observei vendo gente que se move pela vida sem complicar.

Seja simples.

Seja simples a ponto de gostar do que não precisa ser elaborado; a ponto de entender que nem sempre o caro é o mais valioso, e que entre o luxo e o lixo tem muita coisa bela.

Seja simples o suficiente para não ficar complicando todas as conversas; o suficiente pra entender que nem tudo precisa ser debate; mas não seja simplório a ponto de não querer nada com profundidade e se perder na complexidade da vida fútil.

Seja simples com excelência.

Seja simples dando espaço para que as pessoas se desenvolvam ao seu tempo; permitindo que as crianças aprendam sobre a vida mais do que sobre números e letras. Permitindo que seus amigos saibam te achar, mas que você se sinta simplesmente livre pra sumir do radar de vez em quando.

Seja simples e deite-se no chão, tome água da torneira, saia com a roupa amassada, às vezes com o cabelo bagunçado.
 
Seja simples.

Na sua simplicidade, escolha amar de forma simples. E ao amar assim, não se cobre demais, mas também, não se prive do direito de falar dos seu incômodos. Ame simples, e deixe ir quem escolher ir.

Na sua simplicidade, respeite os espaços alheios, mas coloque limites para quem vai ou quer entrar na sua vida. Descomplique dizendo sim e não sem precisar se justificar demais. Simplifique finalizando conversas e evitando começar algumas.

Opte pela simplicidade que se expressa de forma clara o que quer e o que não deseja; mas seja simples a ponto de dizer quando não souber o que quer.

Seja simples e não faça joguinhos; não use as entrelinhas.

Seja simples e não jogue verde; porque pessoas simples são maduras e espalharam maturidade por onde passam.

Seja simples e sorria mais.

Seja simples e chore mais.

Seja simples e mostre mais.

Não se sinta obrigado nessa complicação de não mostrar nada pra ninguém. Menos ainda, fuja dessa coisa complexa que é dar tudo de si pra muita gente.

Sendo assim, seja simples com quem te der espaço para o ser.

E onde o simples não couber, ofereça o que dele pode ser dado sem que a complicação mutile sua simplicidade.

Seja simples e se apegue aos simples.

Ame os complicados, perto o bastante para eles saberem que podem funcionar diferente, distante o suficiente para que você não se torne complexo também.

Seja simples, não porque a vida é fácil, mas porque ela é difícil.

Na sua simplicidade, deixe o orgulho e diga que ama, que ficou chateado, que não sabe lidar, que precisa ir embora, que não poderá ir, que não aceita, que aceita, que sente falta, que sente muito.

A simplicidade é o empoderamento da individualidade.

Seja simples.

Pr. Tiago Rodrigues (via facebook)