sexta-feira, 21 de agosto de 2026

MEDITAÇÃO #64 - O SÁBADO E O CORREDOR

"E nesse dia descansou" (Gênesis 2:2).

Algo ocorre no organismo das crianças de 4 a 11 anos, que lhes proporciona um prazer inexplicável quando se tornam sujeitos do verbo "correr".

Creio que era esta a sensação que corria pelas veias do menino apressado, em direção ao pátio... até ser interrompido pelos gritos e gestos de uma das professoras. "Pare, pelo amor de Deus!" repetia nervosa. O garoto parou diante dela, ainda ofegante, tão somente para ouvir o que já ouvira outras quinhentas e quarenta vezes: "Você não sabe que é perigoso? Você pode cair e se machucar... ou esbarrar em alguém, correndo assim".

Mas desta vez, acendeu-se uma luz e o rapazinho perguntou: "Professora, qual é o nome desse lugar em que nós estamos?" O sermão ia continuar, mas ele a interrompeu, repetindo a pergunta: "Só me diga isso: qual é o nome desse lugar?" Meio desconfiada, a mulher respondeu: "Isso é um corredor". Foi o suficiente. "Então", continuou o menino, "corredor é o lugar de correr..." e saiu correndo.

A má notícia é que, com o passar dos anos, este gosto pela corrida abandona os pátios e invade a rotina. O que era brincadeira vira doença, e nós nos tornamos crianças crescidas que não sabem aonde vão, reféns de uma vida que não pára, e vai depressa, sem avaliar a rota, rever os mapas, acrescentar perspectivas, corrigir erros, encontrar sentido.

Mas há uma boa notícia. Pelos corredores da vida, o Criador espalhou, e com intervalos precisos, um lugar de descanso - o sábado. "Sábado" vem do hebraico shabbat, cuja raiz pode ser traduzida como um verbo, "cessar" (associação com o final de um trabalho), ou como um substantivo, "descanso". A esse espaço no tempo, Deus deu um nome especial e o selo de Sua aprovação. Ele mesmo parou ali. Ao terminar a obra dos seis dias de trabalho, Ele mesmo descansou..

Depois que o céu ganhar as cores do pôr-do-sol de hoje, é possível que alguém o chame para correr... talvez seu chefe o convoque para continuar a corrida do trabalho. Quem sabe um professor marque uma corrida extra na faculdade. Ou alguém ligue, convidando você para uma corridinha, entre amigos, numa festa, num bar... mas você sabe o nome do ponto em que estamos no tempo. Ou não sabe?

O nome do sétimo dia é descanso... as portas estão abertas. A mesa está posta. Há um lugar especial para você. O anfitrião o espera ansioso. A bagagem fica na entrada. Só traga as mãos cansadas e as feridas abertas. Ali há cura e descanso.

Pare. Entre. E descanse.

MEDITAÇÃO #63 - REMANESCENTE

"Ainda que o número dos filhos de Israel seja como a areia do mar, o remanescente é que será salvo" (Romanos 9:27).

O “remanescente” é um tema importante na Bíblia. Em síntese, significa o que permanece após a retirada de uma parte; resto, sobra. O sentido pode ser negativo, como a “sobra” da feira, ou positivo, referindo-se aos que “sobrevivem” a um massacre.

Gerhard Hasel observou que a Bíblia não apenas usa o termo, mas também estabelece uma teologia do remanescente. É uma maneira de se referir ao verdadeiro povo de Deus. De modo geral, existem três grandes categorias desse grupo: 1) o remanescente histórico – por exemplo, sobreviventes de uma catástrofe (Dt 3:11); 2) o remanescente fiel – distinguido por uma confiança genuína (Is 10:22); e 3) o remanescente escatológico – purificado e salvo no tempo do fim (Ap 12:17).

Cada categoria possui nuances internas. O remanescente pode denotar tristeza devido à escassez de sobreviventes, mas também esperança, por representar a base de uma continuidade.

Fazer parte desse grupo não se resume a ser membro de uma igreja nem a professar um credo religioso. É ter a coragem de permanecer firme no que é certo, mesmo que muitos relativizem o que é essencial.

Chesterton dizia que “uma coisa morta pode seguir a correnteza, mas somente uma coisa viva pode contrariá-la”. Isso é verdade. Ellen White escreveu: “Em todas as eras, o Senhor Jesus tem Suas testemunhas, um remanescente que confia na Palavra de Deus. E hoje, em todos os lugares, estes são os que mantêm comunhão com Deus. Uma corrente vital de influência os está conduzindo à luz, e quando forem questionados: ‘Quem está do lado do Senhor?’, se posicionarão em favor Dele” (Signs of the Times, 23 de novembro, 1904).

Esse texto é interessante, pois não apresenta o nome de uma classe religiosa específica nem nos permite dizer que apenas os que concordam conosco são remanescentes. “O firme fundamento de Deus permanece, tendo este selo: ‘O Senhor conhece os que Lhe pertencem’” (2Tm 2:19).

Não importa quantos serão fiéis; escolha estar entre eles. Ame a Deus sobre todas as coisas e o próximo como a si mesmo. Ainda que em menor número, você e Jesus sempre serão a maioria.

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

MEDITAÇÃO #62 - FECHAMENTO DA PORTA DA GRAÇA

Como adventistas do sétimo dia, cremos que antes da volta de Jesus a esta Terra haverá um momento em que cessará a oportunidade de salvação para a humanidade. Será um tempo memorável, de consequências eternas. O "fechamento da porta da graça" é um termo que designa o fim da oportunidade de salvação para o ser humano. A raiz desse termo está na experiência de Noé no período antediluviano.

A Bíblia nos ensina a respeito do "fechamento da porta da graça" e das sete últimas pragas. Antes da volta de Jesus, a Bíblia anuncia o derramamento de sete pragas sobre os que rejeitaram o plano da salvação (Apocalipse 16:1 a 21). Neste tempo, os salvos já foram separados por Deus, pois os justos não sofrerão os efeitos das pragas (Salmos 91:7 a 11; 23:1 a 6). O início das pragas marca o fim do juízo investigativo e da intercessão de Cristo.

Lemos em Apocalipse 22:11 que, terminado o juízo investigativo, o “injusto continue fazendo injustiça, e o imundo sendo imundo; que o justo continue na prática da justiça, e o santo continue a santificar-se”. Esse evento é chamado de “fechamento da porta da graça”. Quando isso acontecer, cessará o ministério de intercessão do Espírito Santo e não haverá mais oportunidade de salvação. Jesus deixará de atuar no Santuário Celestial. Nesse tempo, a humanidade enfrentará uma crise mundial sem precedentes, pois os anjos de Deus não mais estarão segurando os quatro ventos da Terra (Apocalipse 7:1 a 3). Iniciará, então, o tempo de angústia de Daniel 12:1.

As pragas serão derramadas sobre os portadores da marca da besta e os adoradores da sua imagem (Apocalipse 9:4). Sobre eles sobrevirão úlceras malignas e perniciosas. Cremos que as pragas serão literais, porém não universais. São elas: chagas malignas, mar em sangue, rios em sangue, sol como fogo, escuridão tremenda, rio Eufrates seco e terremotos.

A proteção de Deus repousará sobre Seus filhos fiéis. Entre os mandamentos de Deus está o Seu selo, que garante a proteção divina em meio aos terríveis conflitos que marcarão o final da história do pecado neste planeta. Somente aqueles que aceitam a Jesus e recebem o selo de Deus estarão protegidos neste tempo.

Na sexta e sétima pragas, há o Armagedom, uma batalha espiritual entre o bem e mal. É a última tentativa de Satanás para destruir o povo de Deus. Satanás reunirá seus seguidores, e Cristo confirmará Seus fiéis, livrando-os das mãos dos perseguidores. Tudo está preparado para a volta de Jesus (Mateus 24:29 e 30).

Concluída a obra de intercessão no santuário celestial, logo após o "fechamento da porta da graça" e o derramamento das sete pragas, Jesus receberá a ordem do Pai para cessar Sua atividade de intercessão no santuário celestial. Jesus trocará Suas vestes sacerdotais pelo manto real e sairá do santuário celestial para vir à Terra como Rei dos reis e Senhor dos senhores. Ele virá buscar aqueles que aceitaram a purificação do pecado oferecida por Ele e viveram de acordo com as orientações deixadas em Sua Palavra. Juntos, iniciarão uma nova vida sem a presença da dor, da morte, do sofrimento. O fechamento da porta da graça revela a proximidade de um aguardado encontro entre Deus e Seu povo.

Apesar das lutas, problemas e dificuldades, a volta de Jesus é a bendita esperança do cristão, prenunciada pelo "fechamento da porta da graça".

Prepare-se para este grande dia!
"Houve uma porta fechada no tempo de Noé. E o Senhor o fechou lá dentro. Até aquela ocasião, Deus abrira uma porta através da qual os habitantes do mundo antigo poderiam encontrar refúgio, se cressem na mensagem que Deus lhes enviara. Mas, essa porta fechou-se agora, e ninguém poderia abri-la. Findara o tempo de graça. Assim será no tempo do fim" (Ellen White - Manuscrito 17, 1885).

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

MEDITAÇÃO #61 - O FIM DA MORTE

"O Senhor destruirá a morte para sempre" (Isaías 25:8).

O dia 18 de agosto de 2026 ficará marcado na história da cultura nacional como o dia em que o Brasil perdeu duas pioneiras da atuação no país. Aos 98 anos, Laura Cardoso faleceu na madrugada desta terça-feira (18), enquanto Glória Menezes morreu, aos 91, na tarde deste mesmo dia. Amigos e o público repercutiram a perda dupla dizendo que o "céu ganhou estrelas".

O pior inimigo do ser humano é, sem dúvida, a morte. A sepultura engole nossos sonhos, propósitos e certezas. Revela-se a maior prisão da humanidade. Na engrenagem de nosso cotidiano, muitas vezes fica de fora a verdade de que somos mortais, de que tudo passa e de que não somos eternos. Assim, a morte é assunto distante, evitado. Mas a Palavra de Deus nos alerta: “Não tenham medo dos que matam o corpo, mas não podem matar a alma. Antes, tenham medo Daquele que pode destruir tanto a alma como o corpo no inferno” (Mt 10:28). Esse verso afirma que nessa vida temos que nos voltar para preocupações maiores do que as questões materiais. Nossa vida espiritual e nosso futuro eterno estão em jogo, e a morte sela nosso destino final.

Como sabemos, a humanidade estava condenada à morte e precisava de um libertador: “Por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram” (Rm 5:12, ARA). Nessa condição, estávamos destinados à morte eterna. Então Cristo nasceu, viveu e morreu em nosso lugar, de modo que todos os que crerem Nele podem se apegar a essa verdade para viver eternamente.

A história de Cristo, porém, não terminou na cruz. Para Jesus, a morte não representava derrota. Não podemos nos esquecer de que a ressurreição faz parte dessa história. Jesus não só nasceu e morreu. Ele ressuscitou! Confiando nessa vitória, podemos ser vitoriosos também. A morte nos prova que tudo passa, mas a Bíblia nos mostra que até a morte é temporária. Em Cristo, apenas a vida é para sempre. Aceite a Jesus e viva eternamente.
"Jesus Cristo depôs o manto real, Sua régia coroa e revestiu Sua divindade com a humanidade, a fim de tornar-Se um substituto e penhor pelo gênero humano, para que, morrendo em forma humana, por Sua morte pudesse destruir aquele que tinha o poder da morte. Ele não poderia ter feito isso como Deus; mas, tornando-Se como o homem, Cristo podia morrer. Pela morte venceu a morte. A morte de Cristo levou à morte aquele que tinha o poder da morte, e abriu as portas da sepultura para todos os que O recebem como seu Salvador pessoal. Ao morrer, Jesus tornou impossível que os que crêem nEle morram eternamente" (Ellen White - Exaltai-O, p. 401).

terça-feira, 18 de agosto de 2026

MEDITAÇÃO #60 - SPLANCHNIZOMAI

Não há nada mais distante da realidade do que a ideia de um Jesus distante da nossa realidade. Imaginar Deus como alguém distante é um dos maiores erros que podemos cometer em nossa vida de fé. Essa concepção equivocada, aliás, gera muitos problemas, como a suposição de que Ele não ouve nossa oração, de que não está conosco, de que os olhos do Senhor não estão atentos a nós, de que estamos sozinhos no mundo, de que o pecado é capaz de surpreender Cristo e montes de outras ideias erradas que assombram milhares de milhares de cristãos. Sabe quando Jesus fica distante de nós e alheio a nossos problemas? Nunca. Jamais. Em nem um único instante de nossa vida. 
“E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos” (Mt 28:20).
E Jesus entende você totalmente. Ele sentiu na pele tudo o que você sente. Ele sentiu na alma tudo o que te machuca. E Jesus está com você, perto. Portanto, o Deus que tudo pode compreende com absoluta clareza o que você está enfrentando e Ele está ao seu lado para auxiliá-lo. Você poderia se perguntar se Deus se identifica com sua humanidade. Sobre isso escreveu Paulo: “… embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens” (Fp 2:6-7). Sim, Deus sabe o que é ser gente.

E aqui entra uma das maiores realidades sobre o Deus que se fez homem: a palavra grega usada em diferentes passagens dos evangelhos para se referir a compaixão é splanchnizomai. É curioso que, na medicina, “esplancnologia” é o estudo das vísceras, das entranhas. Os conceitos têm a mesma raiz. Assim, a compaixão de Jesus por pessoas como eu e você não é comum: Jesus sente a nossa dor em suas entranhas. Como escreveu Max Lucado, Ele “sentiu a deficiência dos mancos, a dor dos enfermos, a solidão do leproso, o constrangimento dos pecadores”. Por isso, quando Jesus encontra pessoas que estão sofrendo, ele sente a dor delas nas próprias entranhas.

Sabe a sua dor? Tenha certeza de que o Cordeiro de Deus a está sentindo no mais íntimo de seu ser divino e humano. Se dói em você, dói nEle. Se te aflige, aflige o Mestre. Sabe o seu abatimento, a decepção, a solidão, o amor-próprio ferido, a falta de paz e tudo mais que você está sentindo? Jesus sente também. Você foi traído? Jesus soltou um gemido. Você foi esquecido? Jesus sofreu. Você foi desamparado? Jesus cerrou os dentes. Você foi agredido? Jesus sentiu o golpe. Doeu? Jesus disse “Ai…”. Isso só ocorre porque Ele sente splanchnizomai. Compaixão. Co-paixão, paixão compartilhada. Ele compartilha sua dor.

Assim que Jesus sente o seu sofrimento, porém, Ele se lembra do Calvário. Recorda-se dos cravos e da coroa de espinhos. E, por fim, lança sobre a cruz toda essa enorme carga de sofrimento – as suas mágoas, tristezas, aflições, decepções. Você tem carregado suas aflições nas costas? Então siga o exemplo do compassivo Deus: lance-as sobre a cruz, pois há dois mil anos ela espera por cada uma de suas dores.
"Que maravilhoso pensamento este, de que Jesus tudo sabe acerca das dores e aflições que sofremos! Em todas as nossas aflições foi Ele aflito. Embora não O vejamos, Jesus vela por nós com terna compaixão; e comove-Se com as percepções de nossas fraquezas. Jesus tomou sobre Si a humanidade e colocou-Se à cabeceira de uma nova dispensação, a fim de que possa reconciliar justiça e compaixão" (Ellen G. White - The Review and Herald, 10 de Junho de 1884).

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

MEDITAÇÃO #59 - SUCESSO

A ginástica rítmica do Brasil fez história neste domingo (16) e conquistou duas inéditas medalhas de ouro no Campeonato Mundial da modalidade, realizado em Frankfurt, na Alemanha. 
O primeiro ouro veio na exibição com cinco bolas, e o segundo, na chamada série mista, em que as atletas se apresentam com três arcos e duas maças.

“Nós aprendemos a acreditar que era possível. Primeiro, sonhamos em estar entre as melhores. Depois, começamos a competir de igual para igual com elas. E hoje estamos no lugar mais alto. Não aconteceu de um dia para o outro. Foram anos de trabalho, erros, acertos, lágrimas, renúncias e muita persistência", celebrou Camila Ferezin, técnica do conjunto.

A jornada até se tornarem campeãs mundiais não foi fácil. Nossas atletas enfrentaram desafios árduos, treinos exaustivos e superaram lesões e adversidades. Esta conquista não representa apenas uma vitória no esporte, mas também simboliza a perseverança e a determinação que todos nós carregamos em nossas próprias vidas.

Ao assistirmos aos nossas ginastas se apresentarem com graça e força, vemos refletida a nossa própria luta diária. Cada movimento perfeitamente executado nos lembra das pequenas e grandes batalhas que enfrentamos. Seja no trabalho, na escola, em casa ou na nossa vida espiritual, estamos constantemente buscando melhorar, superar desafios e alcançar nossos objetivos.

Esse sucesso conquistado nos faz lembrar que, assim como nossas atletas, nunca estamos sozinhos. Trabalhamos em equipe, apoiamos uns aos outros, enfrentamos as dificuldades, mas sabemos principalmente que sem união do poder de Deus com o esforço humano o êxito não será possível. 

Quer você também alcançar sucesso em sua vida assim como as meninas da ginástica rítmica? Basta que você siga estes cinco preciosos conselhos de Ellen White que compartilhamos aqui, para que você alcance êxito em toda a sua vida.

1. “O sucesso em qualquer coisa que empreendamos exige um objetivo definido. Aquele que desejar alcançar o verdadeiro êxito na vida deve conservar firmemente em vista o alvo digno de seus esforços” (Educação, p. 262).

2. "Vocês terão sucesso ao lutarem com perseverança contra dificuldades aparentemente insuperáveis e com o êxito virá a maior alegria” (Olhando para o Alto, p. 110).

3. "Deus dá oportunidades; o sucesso depende do uso que delas se fizer” (Profetas e Reis, p. 486).

4. "A recompensa dada aos que triunfam será proporcional à energia e fervor com que lutaram” (Atos dos Apóstolos, pp. 313 e 314).

5. "Devemos lembrar-nos de que, seja qual for o sucesso que venhamos a ter, a glória e a honra pertencem a Deus; pois toda faculdade e todo poder são uma dádiva de Sua parte” (E Recebereis Poder, p. 260).

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

MEDITAÇÃO #58 - VAZIO

Apesar do “vazio” ser descrito como ausência de algo, no campo da psicologia esta dimensão se define por um sofrimento, um mal-estar e uma profunda tristeza. A frustração pessoal, a dor de uma infância complicada, o fracasso ou mesmo o estresse e a ansiedade podem evoluir para este buraco negro existencial. É um momento banhado de questionamentos sobre a própria existência, sobre seus objetivos, suas próprias características e o rumo que sua vida está levando.

Em Eclesiastes 3:11, Salomão fala de forma enfática que “tudo fez Deus formoso no seu devido tempo; também pôs a eternidade no coração do homem, sem que este possa descobrir as obras que Deus fez desde o princípio até ao fim”. Segundo o texto bíblico, na criação, Deus colocou no coração do homem a eternidade, algo eterno, algo maior do que tudo que pensamos ou fazemos ou planejamos. O que significa isso? Isso quer dizer que, como Deus pôs no coração do homem o anseio pelo infinito, logo as coisas finitas não podem em toda a sua plenitude preencher o coração do homem. Isto é notório na sociedade como um todo. De acordo com as Sagradas Escrituras, fomos feitos à imagem de Deus (Gn 1:26, 27). Temos uma necessidade interna de nos relacionarmos com Deus. Deixar de fazê-lo resulta num vazio do coração humano.

Indubitavelmente, uma “insatisfação divina” permeia a experiência humana, o que nos leva a indagar se existe alguma coisa capaz de satisfazer a busca do homem pela satisfação dos desejos do seu coração. O ser humano está numa constante busca pela realização. Há em nós uma sensação de incompletude. Isto é inegável.

O avanço científico e tecnológico não resolveu, nem resolverá jamais, o problema existencial do ser humano – essa sensação de que sempre há algo faltando, mesmo depois de termos concretizado nossos sonhos. Sempre queremos mais e queremos coisas diferentes. Parece-nos então que nada que seja finito é capaz de satisfazer o profundo anseio que sentimos dentro de nós. Muitos se matam, e muitos outros estão sofrendo de depressão, stress, insônia, alcoolismo. Hoje há fobias de todos os tipos. A ansiedade é um mal generalizado. Isso tudo claramente aponta para um sentimento de vazio no ser humano.

Talvez você também sinta dentro de si esse vazio. Não perca tempo e esforço tentando preenchê-lo com trabalho, estudo, consumismo, sexo, divertimentos, relacionamentos pessoais, viagens. Você poderá conseguir distrair-se por algum tempo, mas quando a sua máquina começar a engasgar e a tossir, por ter usado combustível errado, você vai ter de parar e pensar que a única solução é nEle viver, se mover e existir (At 17:28). A satisfação plena é produto da segurança absoluta e da paz interior que só Deus pode dar. Só um Deus infinito pode preencher, com o Seu amor, o espaço infinito do coração humano. 
"Todas as nossas energias são de Deus; nada podemos fazer independentemente das forças que Ele nos tem dado. Onde está o homem ou mulher ou criança que não seja sustido por Deus? Onde o lugar vazio que o não encha Deus? Onde a necessidade que possa ser suprida por outro que não Deus? (Ellen G. White - A Fé Pela Qual Eu Vivo, p. 57).
Deus nos criou com um vazio e uma escolha - um vazio do tamanho do infinito e uma escolha inevitável. Escolha Deus.