segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Sionismo x Judaísmo x Semitismo

A propósito das Lições da Escola Sabatina desse trimestre, sobre a carta do apóstolo Paulo aos Romanos, e em especial as lições que discutem os Capítulos 9 a 11, bem como em função das últimas ações e decisões do presidente americano Donald Trump, penso ser interessante fazer esses comentários abaixo, uma vez que já percebi em vários lugares e igrejas por onde tenho andando, incluindo as Redes Sociais, uma certa confusão a respeito dos termos do título dessa postagem, incluindo os consequentes termos anti-Sionismo, anti-Judaísmo e anti-Semitismo, bem como do que Israel, biblicamente, representa hoje.

De maneira bem curta e objetiva:

ANTI-SIONISMO — Oposição política a um nacionalismo expansionista de Israel como Estado. É exercido principalmente pelos países árabes. É válido e não há nada de ilegalidade aqui, pois como dito, é uma questão política.

ANTI-JUDAÍSMO - Oposição religiosa e espiritual aos conceitos legalistas da religião judaica. É exercido principalmente pelas religiões cristãs e a islâmica. Também é válido e não há nada de ilegalidade aqui, pois é um debate religioso, doutrinário, apologético.

ANTI-SEMITISMO - Oposição total a tudo que se refere ao povo Judeu, seja como nação, religião ou indivíduos. Normalmente os vê como responsáveis pelas mazelas do mundo e pretende, de algum modo, a sua eliminação. Não é válido e constitui o mais abjeto e execrável racismo, como tantos outros tipos de preconceito e discriminação que existem no nosso mundo.

E, agora, falando como cristão, não há na Bíblia uma determinação profética de que o antigo povo de Israel, que foi objeto de uma eleição para o papel de testemunhar ao mundo a verdade e o amor de Jeová, venha a ter novamente essa missão. Não serão restaurados jamais para esse fim. Quando rejeitaram o Messias, esse papel de proclamar as Boas Novas do Evangelho e da Salvação, passou ao Israel espiritual de Deus, do qual nós, os chamados gentios, agora fazemos parte.

Paulo, no capítulo 11 de Romanos faz uma alentada defesa do povo judeu, e o chama de oliveira ou ramos naturais, enquanto aos gentios chama de oliveira brava ou ramos enxertados. E ele não aceita que se diga que eles foram rejeitados por Deus. Assim, podemos compreender que como nação de sacerdotes, que tinha um propósito definido a cumprir para Deus, SIM, foram rejeitados. Mas, como indivíduos da melhor qualidade pessoal, pecadores salvos pela graça, NÃO.

Não vamos incorrer no erro crasso de Lutero, que, duas décadas após a grande reforma protestante que empreendeu, manchou sua personalidade e biografia, com as atitudes inexplicáveis que tomou e incentivou contra o povo Judeu. Lutero não foi um anti-Sionista ou anti-Judaísta (o que seria aceitável e compreensível), mas, sim um completo e sinistro anti-Semita, chegando a incentivar a destruição das sinagogas e das casas dos judeus e o seu completo extermínio. Muito do que Lutero escreveu e disse em seus ataques anti-semitas, serviu posteriormente a Hitler em sua saga sanguinária contra o povo judeu. Nossos irmãos luteranos reconhecem essa passagem sombria do final da vida de Lutero e contam essa história em detalhes em alguns dos seus Sites.

E se você é adventista, e quer saber o que EGW fala a respeito da forma como os judeus devem ser olhados e considerados por nós, saibam que ela afirmou que, nos últimos dias, o Senhor irá usar judeus fiéis, que vivem de acordo com a luz que receberam, para ajudar a pregar a mensagem da adoração a Deus. Cliquem nos links abaixo e se informem:




Portanto, vamos agir com cuidado e equilíbrio, observando o que é dito e feito no mundo a respeito dessas questões. A rigor, o que Donald Trump está fazendo agora ao reconhecer Jerusalém como a capital oficial do Estado de Israel, não tem nenhum significado profético mais importante, a não ser exacerbar um pouco mais os conflitos e guerras religiosas que acontecem no mundo.

Que possamos, como cristãos, em acordo com o texto bíblico, não assumir posições contrárias ao que as Escrituras propõem e ensinam.

Mário Jorge Lima (via facebook)

Saiba qual o versículo bíblico mais lido de 2017

Em 2017, mais pessoas do que nunca leram, ouviram, refletiram e compartilham a Palavra de Deus através de aplicativos bíblicos. A conclusão é do YouVersion, o mais popular do gênero no mundo, com cerca de 300 milhões de usuários.

Como faz todos os anos, a empresa divulgou qual foi a passagem mais lida. Considerando todas as vezes que foi compartilhado, marcado e destacado por seus usuários, o versículo mais popular de 2017 foi Josué 1:9, que diz:
“Não te mandei eu? Esforça-te, e tem bom ânimo; não te atemorizes, nem te espantes; porque o Senhor teu Deus está contigo, por onde quer que andares."
Criado em 2008 como parte de um projeto missionário de uma igreja dos EUA, o YouVersion se tornou rapidamente o aplicativo bíblico mais usado no planeta. Segundo os dados da empresa, cresceu 131% no Brasil este ano. Em média, 1,4 pessoas instalaram o aplicativo e 10,8 versículos foram compartilhados a cada segundo de cada dia, em 2017.

“Nós acreditamos que a Bíblia é uma fonte duradoura de coragem e força”, explica o idealizador do aplicativo, pastor Bobby Gruenewald. Ele conta também que é visível como as pessoas tem adquirido o hábito de usar o aplicativo nos cultos e para devocionais diários.

Disponível em mais de 1200 línguas e dialetos, o YouVersion pretende ter o Novo Testamento disponível em 99.9% dos idiomas do mundo até 2033.

Gruenewald explica que seu foco missionário não mudou: “Nos últimos anos, a tecnologia tornou possível acelerar a tradução da Bíblia como nunca antes. Há um impulso incrível em torno desse esforço que sabemos que não vai parar até que todas as pessoas tenham a Escritura disponível em sua língua nativa”. (Com informações de Independent Journal Review)

Assista agora o 1º Seminário Gratuito de Interpretação Bíblica do prof. Leandro Quadros.

9 atitudes para tornar o seu Natal mais espiritual

Natal não tem como foco dar presentes, muito menos falar sobre Papai Noel ou decorar sua casa com luzes e enfeites – tudo isso é o padrão do mundo. A Bíblia nos conclama: “Não se amoldem ao padrão deste mundo” (Rm 12:2). Natal é momento de celebrarmos apenas um único fato: “Cristo Jesus […] embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens. E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até a morte, e morte de cruz!” (Fp 2:5-8). E isso ocorreu “porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nEle crer não pereça, mas tenha a vida eterna. Pois Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que este fosse salvo por meio dEle” (Jo 3:16-17). É isso que celebramos.

Por que é importante anualmente trazer à memória o nascimento de Cristo? Porque importa “trazer à memória o que me pode dar esperança” (Lm 3:21). E, mediante essa esperança, Paulo nos exorta: “Alegrem-se na esperança” (Rm 12:12), logo, Natal é período de alegria e celebração! E celebração por algo extraordinário, o fato de que “um menino nos nasceu, um filho nos foi dado, e o governo está sobre os seus ombros. E ele será chamado Maravilhoso Conselheiro, Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz. Ele estenderá o seu domínio, e haverá paz sem fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, estabelecido e mantido com justiça e retidão, desde agora e para sempre” (Is 9:6-7). Assim, celebrar o nascimento do “Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (Jo 1:29) é também se lembrar do que isso significa para o nosso futuro: que, naquele grande dia, “o próprio Deus estará com eles e será o seu Deus. Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois a antiga ordem já passou” (Ap 21:3-5).

A ocasião do Natal deve direcionar nossos pensamentos para a Palavra que “estava com Deus, e era Deus [e] estava com Deus no princípio” (Jo 1:1-2). Não para o feriado, a Ceia, os presentes, as férias ou o que for, pois isso não é nem de longe o foco. Minha sugestão? Celebre o Natal pensando em Cristo e nas consequências da vinda dele à terra. Eu recomendaria comemorar a data com algumas atitudes que tomam como ponto de partida muito do que foi dito no episódio do nascimento de Cristo: 

1. Renove sua fé – lembrando, como disse Gabriel, que “nada é impossível para Deus” (Lc 1:37). Você tem vivido de fato como quem crê que o seu Deus pode tudo?

2. Renove sua entrega a Deus – lembrando, como disse Maria, que importa que “aconteça comigo conforme a tua palavra” (Lc 1:38). Você tem de fato priorizado a vontade de Deus em tudo, amando “o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma, de todas as suas forças e de todo o seu entendimento [e amando] o seu próximo como a si mesmo” (Lc 10:27)? Tem buscado de fato “em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça” Mt 6:33)?

3. Adore ao Senhor – assim como disse Maria, que seus lábios digam “Minha alma engrandece ao Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador” (Lc 1:47). Você tem de fato adorado a Deus “em espírito e em verdade” (Jo 4:24)?

4. Confie que a graça de Deus está presente em sua vida – por saber, como disse Maria, que “A sua misericórdia estende-se aos que o temem, de geração em geração” (Lc 1:50). Você tem vivido como quem sabe que a compaixão de Deus é absoluta para aqueles que O buscam em arrependimento? 

5. Lembre-se de que a presença de Jesus traz alegria - como disse o anjo aos pastores, “estou lhes trazendo boas novas de grande alegria” (Lc 2:10). Será que você tem vivido a alegria que é “fruto do Espírito” (Gl 5:22-23)? Aquela que vem “porque seus nomes estão escritos nos céus” (Lc 10:20)? Você deixa seu ânimo se guiar mais pela tristeza causada pelas dificuldades da vida ou pela alegria causada pelo fato de que Jesus te deu a vida eterna?

6. Reflita sobre quem é Jesus – como o anjo disse aos pastores, “Hoje, na cidade de Davi, lhes nasceu o Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lc 2:11). Você consegue compreender o profundo significado prático e objetivo de ter sido escolhido e chamado por Aquele que salva e que é Senhor de todo o universo?

7. Glorifique a Deus – como os anjos cantaram, “Glória a Deus nas alturas” (Lc 2: 14). Você tem glorificado o Senhor não só com os lábios, mas com cada atitude sua?

8. Pense em como você tem contribuído para a paz entre as pessoas – como os anjos cantaram, “paz na terra aos homens aos quais ele concede o seu favor” (Lc 2:14). Você tem sido um bem-aventurado pacificador (Mt 5:9), alguém que transborda a paz que é “fruto do Espírito” (Gl 5:22-23), ou tem sido agressivo, promovido discórdias, usado a língua para o mal, feito intrigas, inflamado corações, estimulado conflitos, alimentado polêmicas, se deleitado em controvérsias?

9. Analise o quanto vale sua vida hoje – como disse o velho Simeão, “Ó Soberano, como prometeste, agora podes despedir em paz o teu servo” (Lc 2:29). Você seria capaz de dizer hoje mesmo a Deus que pode partir em paz desta vida, porque o tempo que passou sobre a terra já valeu a pena? Tem vivido cada dia como se fosse o último? Tem abençoado o próximo? Tem perdoado? Tem edificado vidas? Tem deixado um legado? Viveu seus anos amando, ajudando, abençoando, entregando-se, devotando-se? Em resumo, sua vida já deu frutos dignos de serem apresentados diante do Criador? Se não… o que está esperando?

A encarnação de Cristo nos conduz a muitas reflexões. Mas refletir não basta, se apenas pensarmos e não tomarmos nenhuma atitude a partir das conclusões a que chegamos. Algo ainda não está bom? Precisa melhorar? Necessita galgar novos patamares? A hora é esta.

E que, acima de tudo, o Natal sirva para lembrar da verdade máxima da vida: “Pois dEle, por Ele e para Ele são todas as coisas. A Ele seja a glória para sempre. Amém!” (Rm 11:36).

Maurício Zágari (via Apenas)
“Em vez de gastar meios meramente na satisfação do apetite, ou com ornamentos desnecessários ou artigos de vestuário, podemos tornar as festividades uma ocasião para honrar e glorificar a Deus. Cristo deve ser o objetivo supremo; mas da maneira em que o Natal tem sido observado, a glória é desviada dEle para o homem mortal, cujo caráter pecaminoso e defeituoso tornou necessário que Ele viesse ao nosso mundo. Jesus a Majestade do Céu, o nobre Rei do Céu, pôs de lado Sua realeza, deixou Seu trono de glória, Sua alta posição, e veio ao nosso mundo para trazer ao homem caído, debilitado nas faculdades morais e corrompido pelo pecado, auxílio divino." (Ellen G. White - O Lar Adventista, p. 480)
O prof. Leandro Quadros também propõe fazer um Natal diferente neste vídeo...

domingo, 10 de dezembro de 2017

Dia Internacional dos Direitos Humanos e a Igreja Adventista

O Dia Internacional dos Direitos Humanos, celebrado em 10 de dezembro, visa homenagear o empenho e dedicação de todos os cidadãos defensores dos direitos humanos e pôr um fim a todos os tipos de discriminação, promovendo a igualdade entre todos os cidadãos. A celebração da data foi escolhida para honrar o dia em que a Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou, a 10 de dezembro de 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Esta declaração foi assinada por 58 estados e teve como objetivo promover a paz e a preservação da humanidade após os conflitos da Segunda Guerra Mundial que vitimaram milhões de pessoas.

Declaração Oficial da Igreja Adventista sobre os Direitos Humanos
Em meados do século XIX, os Adventistas do Sétimo Dia defenderam, desde o seu inicio, os direitos humanos. Inspirados pelos valores bíblicos, os adventistas pioneiros estiveram envolvidos na luta contra a escravatura e a injustiça, e reivindicaram o direito de cada pessoa escolher uma crença de acordo com a sua consciência e de exercer e ensinar livremente a sua religião de forma não discriminatória, respeitando sempre a igualdade de direitos dos demais. Os Adventistas do Sétimo Dia acreditam que na religião o uso da força é contrário aos princípios de Deus. Os Adventistas do Sétimo Dia afirmam a dignidade do ser humano criado à imagem de Deus, promovendo a liberdade religiosa, a vida familiar, a educação, a saúde, a ajuda mútua e satisfazendo as prementes necessidades humanas.

A Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948 foi escrita e adotada por indivíduos que conheceram a destruição, o desespero e as dificuldades sem precedentes da Segunda Guerra Mundial. Esta experiência dolorosa concedeu-lhes a visão e o desejo de um mundo futuro de paz e liberdade. Ao brotar do melhor e mais nobre do coração humano, a Declaração Universal é um documento basilar que defende firmemente a dignidade, liberdade e igualdade humana, e a não discriminação de minorias. O artigo 18, que protege incondicionalmente a liberdade religiosa na crença e na prática, é de especial importância, pois a liberdade religiosa é o direito humano fundamental que sustém e suporta todos os direitos humanos.

Atualmente, a Declaração Universal dos Direitos do Homem é muitas vezes violada, especialmente o Artigo 18. A intolerância levanta frequentemente a sua cara feia, apesar dos progressos alcançados em muitos países. A Igreja Adventista do Sétimo Dia desafia as Nações Unidas, as autoridades governamentais, os líderes religiosos e os crentes e as organizações não governamentais a trabalharem consistentemente para a implementação desta Declaração. Os políticos, os líderes dos sindicatos, os professores, os empregadores, os representantes da comunicação social e todos os líderes de opinião deveriam apoiar fortemente os direitos humanos. Isso constituiria a resposta e a solução para a redução do crescente e violento extremismo religioso, a intolerância, os crimes passionais e a discriminação baseada na religião ou no secularismo anti-religioso. Deste modo, a Declaração Universal crescerá na sua importância prática e no seu esplendor, sem nunca correr o risco de se tornar num documento irrelevante.

Esta declaração foi votada em 17 de Novembro de 1998 pelo Conselho Administrativo da Conferência Geral e emitida pelo Gabinete de Relações Públicas da Conferência Geral (via Centro White)

Ilustração: Not A Crime mural por Elle

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Conflito entre palestinos e israelenses: a verdade está na Bíblia

A decisão do presidente americano, Donald Trump, de reconhecer Jerusalém como capital de Israel provocou intensa revolta entre os árabes, que reivindicam que a cidade seja capital de um futuro estado palestino. Nesta quinta-feira (7), o grupo islâmico Hamas convocou uma nova intifada, como é conhecida a revolta palestina contra a política de expansão do governo de Israel.

A verdade está na Bíblia 
O conflito que se abate entre os palestinos e israelenses tem origem bíblica. Desde que Ismael nasceu, houve desconforto na casa de Abraão. Desde que Isaque nasceu, depois de Ismael, há conflito entre eles e os povos que deles descenderam. 

Reza o Velho Testamento que Abraão recebeu de Deus, por volta dos 75 anos de idade, o chamado para se mudar de mala e cuia para os rincões de Canaã, com a promessa de que seus descendentes dariam origem ali a uma grande nação (Gn 12:1-5). Dez anos depois, porém, já estabelecido na nova terra, o longevo migrante ainda não havia conseguido gerar a tão esperada prole (Gn 15:1-6). Sara, a esposa, o instigou a desposar sua serva, a egípcia Agar, para fazer valer o desígnio divino – união que produziu o menino Ismael (Gn 16). Quando o rapagote completava seu 13º aniversário, Abraão, já com 99 anos, teve outro encontro com Deus, que reiterou a promessa feita anteriormente e garantiu que a posteridade de Abraão sairia das entranhas de Sara (Gn 17:15-19). Dito e feito: no ano seguinte veio ao mundo Isaac, filho do centenário porém fecundo patriarca (Gn 21:1-3).

Na festa de apresentação de Isaac, contudo, Sara viu o primogênito zombando do caçula, e ordenou ao marido que expulsasse Agar e Ismael de seus domínios. A ideia de desterrar o sangue do seu sangue não agradou a Abraão, que apenas levou a cabo a ação por ter a garantia de Deus que seu filho com a escrava também teria um destino fabuloso, iniciando outra grande nação. Assim, fornecendo um pão e um odre de água a Agar e Ismael, o patriarca mostrou-lhes o caminho da rua logo na manhã seguinte (Gn 21:8-21). Ambos erraram por algum tempo pelo deserto da Bersabéia, até que Ismael se fixou no deserto da Arábia, produzindo doze filhos – as doze tribos ismaelitas, ancestrais do povo árabe (Gn 25:12-18). Do outro lado da família, em Canaã, seu irmão Isaac teve como prole Esaú e Jacó (Gn 25:19-26). Os doze herdeiros deste último (rebatizado mais tarde de Israel) compuseram as doze tribos que deram origem ao povo hebreu (Gn 29, 30 e 35:16-22).

História 
Os confrontos entre judeus e palestinos têm origem na ocupação da antiga Palestina a partir do final do século 19. A região, que pertencia ao Império Otomano, era habitada por 500 mil árabes, além de integrantes de outras comunidades. 

Considerada sagrada por católicos, judeus e muçulmanos, a região começou a receber um fluxo intenso de judeus após o 1º encontro sionista, em 1897, que estimulou a migração em massa para a região. A chegada desses novos moradores começou a gerar resistência das comunidades locais.

Já nessa época, judeus eram perseguidos em diversas partes da Europa. Na Rússia, as comunidades judaicas eram alvos dos chamados pogroms, com a chancela do governo czarista. Nos anos 1930, a chamada "solução final" foi adotada pelos nazistas na Alemanha, dando início ao massacre indiscriminado dos judeus em boa parte da Europa.

O projeto dos judeus era fundar o Estado de Israel, ideia que ganhou apoio principalmente após a 2ª Guerra Mundial, quando o projeto de extermínio nazista veio à tona.

Com a intensificação dos conflitos entre árabes e israelenses no então território britânico da Palestina, em 1947, a Organização das Nações Unidas (ONU) tentou resolver o confronto propondo que o território fosse dividido em dois, com a criação de um Estado judeu e outro árabe.

Jerusalém, alvo de fortes disputas entre judeus e muçulmanos, permaneceria um "enclave internacional", gerido pela própria ONU. Os árabes recusaram a proposta.

O Estado de Israel foi criado em 14 de maio de 1948, quando na região já viviam 600 mil judeus. No dia seguinte, o novo país foi atacado pelos países árabes: Egito, Jordânia, Síria e Iraque.

Esse confronto ficou conhecido pelos judeus como Guerra de Independência e pelos árabes como An-Nakbeh (A Catástrofe). Israel não só saiu vitorioso como ampliou seu território (o que faz com que, na prática, o projeto da ONU de divisão da Palestina, com as fronteiras propostas, nunca tenha sido efetivado). Sem terras, 750 mil palestinos fugiram para países vizinhos ou foram expulsos pelas tropas israelenses. 

Desde então, Israel se envolveu em vários conflitos. Em 1967, Israel derrotou Egito, Jordânia e Síria na Guerra dos Seis Dias, conquistando, de uma só vez, Jerusalém Oriental, as Colinas de Golan e toda a Cisjordânia (região de maioria árabe e reclamada pela Autoridade Palestina e pela Jordânia).

Em 1973, Egito e Síria tentaram recuperar os territórios ocupados em 1967 durante a Guerra do Yom Kippur.

Intifada: a revolta palestina
Os palestinos reagiram à política expansionista israelense com as chamadas intifadas. Os árabes foram às ruas para protestar contra a ocupação israelense, que é considerada ilegal pela ONU.

Em 1987, na 1ª intifada, crianças que jogavam pedras nos tanques foram mortas por Israel, provocando a indignação da comunidade internacional.

Porém, com o apoio dos Estados Unidos, Israel segue ampliando a sua presença nos territórios ocupados, ignorando uma resolução da ONU que determina a desocupação das regiões conquistadas na Guerra dos Seis Dias.

A segunda Intifada começou em 29 de setembro de 2000 e durou quatro anos. Os conflitos deixaram milhares de mortos tanto do lado palestino quanto do israelense.

A Faixa de Gaza, que foi devolvida gradualmente aos palestinos a partir de 1994, seria cenário de novos conflitos armados entre israelenses e palestinos em 2008, 2009, 2012 e 2014, segundo a BBC.

Em junho de 2014, com o assassinato de três jovens israelenses na Cisjordânia por membros do Hamas, a tensão chegou ao seu ponto máximo e culminou com um novo conflito na Faixa de Gaza. Chamada de Operação Margem Protetora pelos israelenses, ou Guerra de Gaza de 2014, pelos palestinos, os ataques mútuos duraram até o fim de agosto, com a assinatura de um cessar-fogo. (G1)

Conclusão
Israel, que perdeu seus referenciais morais que Deus lhe dera, como estado moderno, tem uma estratégia para conflitos, não para a paz. Os palestinos, tem uma estratégia idêntica, e não pensam em paz. Por quê isso? Simples, eles se odeiam, um quer ver o outro banido do mapa.
 Eles são uma família, mas nunca conviverão. Eles jamais se sentarão numa reunião para um acordo de paz. Se o fizerem, será para pouco depois empunharem suas armas na busca de eliminar um ao outro. Um povo detesta o outro povo. Querem eliminar-se mutuamente.

Palestinos e israelenses, esses dois povos, são um para o outro inimigos invencíveis e irreconciliáveis. Eles jamais se perdoarão. Jamais um aceitará o outro, jamais coexistirão em paz. Então, o que fazer? Ninguém sabe. Naquela terra onde está Jerusalém, cidade do Templo de Salomão, de onde deveria iluminar a paz ao mundo, enquanto houver habitantes não haverá paz. De lá vem o espírito de guerra sobre o mundo. Irônico, mas trágico e real. Um retrato dos efeitos do pecado sobre o ser humano.

Time elege 'pessoa do ano' mulheres que quebraram o silêncio

A tradicional publicação da revista norte-americana Time para a pessoa do ano ganhou uma novidade neste ano: em 2017, as verdadeiras pessoas do ano foram aquelas que “quebraram o silêncio”. A revista decidiu condecorar as várias mulheres que foram protagonistas na luta contra a misoginia na indústria do entretenimento e apostaram suas carreiras para denunciar criminosos que seguiam impunes há décadas.

A revista nomeou as mulheres que se posicionaram contra a cultura do assédio em Hollywood como as “quebradoras de silêncio”. Entre elas estão Tarana Burke (que começou a campanha #MeToo ainda em 2006), as atrizes Alyssa Milano e Ashley Judd (uma das primeiras a denunciarem Harvey Weinstein) e a cantora Taylor Swift (que processou um radialista após ser assediada). Outros nomes também estamparam a capa da revista como Susan Fowler, Adama Iwu, Isabel Pascual e Rose McGowan. Todas essas mulheres implementaram ações de combate ao assédio de alguma forma ao longo do ano.

Edward Felsenthal, editor-chefe da revista, contou ao programa Today Show as razões que corroboraram esta edição da publicação. “A ação das mulheres na nossa capa, junto com centenas de outras mulheres, e muito homens também, lançaram em alta velocidade uma das maiores mudanças culturais desde 1960. A ideia de que pessoas inspiradoras podem mudar a forma do mundo não poderia ser mais importante nos dias de hoje”, afirmou.

Após as “quebradoras de silêncio”, a revista Time elegeu Donald Trump como a segunda pessoa de mais importância no ano pela sua vitória na corrida eleitoral norte-americana. (Correio Braziliense)

Nota: Conheça o projeto Quebrando o Silêncio, que existe desde 2002 e é mantido pela Igreja Adventista do Sétimo Dia. Tem o objetivo de ajudar a diminuir a violência doméstica praticada contra mulheres, crianças e idosos. O projeto produz duas revistas informativas (uma voltada aos adultos com artigos e orientações e outra em linguagem infanto-juvenil) e um site (www.quebrandoosilencio.org).

Em 2017, o projeto Quebrando o Silêncio enfatizou a violência sexual, especificamente o estupro, como objeto de discussão. A coordenadora sul-americana do Quebrando o Silêncio, Marli Peyerl, explica que a intenção da campanha desse ano é alertar, principalmente, mulheres jovens solteiras e mães sobre a relação dos estupros e abusos sexuais na infância com o uso de drogas, os efeitos disso emocionalmente e espiritualmente e como é possível criar meios de proteção no lar. “Nosso trabalho educacional consiste em mobilizar nossa rede de igrejas, escolas e voluntários para ajudar a conscientizar pessoas sobre os riscos enormes que o estupro provoca na vida das pessoas. Sem falar que, evidentemente, trata-se de crime e precisa ser denunciado como tal. Nossa campanha é um permanente alerta para que as pessoas não sufoquem o grito de dor que sentem por conta de algum tipo de abuso sexual”, afirma.

Como denunciar — Por meio do telefone 100, é possível denunciar violência de qualquer tipo. O serviço funciona das 8 às 22 horas, inclusive finais de semana e feriados. O governo federal também mantém uma central gratuita para recebimento de denúncias de casos de violência contra a mulher, o Ligue 180. O atendimento é oferecido 24 horas por dia, todos os dias. É possível enviar e-mail pelo disquedenuncia@sdh.gov.br.

O prof. Leandro Quadros também comenta sobre esse assunto no vídeo abaixo:

Por que Deus diz não? Existem pelo menos quatro motivos...

Conhecer a vontade de Deus é uma das maiores buscas humanas. Alguns a procuram pela reflexão, outros pelo sofrimento, outros ainda através da visão pessoal, e muitos a buscam na Revelação. Exatamente por se apresentarem tantos caminhos para se chegar a um mesmo destino é que este se tornou um tema muito controvertido e incompreendido.

À medida que nos aproximamos da volta de Cristo, Satanás vai criar novas e sutis maneiras de afastar o povo de Deus de Sua vontade. Por isso, mais claras e definidas devem ser nossas posições e crenças.

Diante disso, precisamos entender claramente porque Deus diz não. Os motivos porque Ele apresenta Sua vontade de maneira tão objetiva e sem aberturas. Essa compreensão nos ajuda a aceitar a Sua vontade, não como imposição, mas como proteção. Existem pelo menos quatro motivos para isso:

1. Para não se queimar
Deus sabe que muitas coisas aparentemente inofensivas escondem um grande perigo. Quando Ele diz não para algumas coisas que muitas vezes achamos simples, pequenas ou até desnecessárias, Ele sabe o que está dizendo, sabe o que há por trás. Nem sempre conseguimos enxergar isso. Quem brinca com fogo corre o risco de se queimar.

Deus sabe, por exemplo, que um pouco de bebida alcoólica tem um efeito pequeno sobre a mente e o corpo. Por que, então, proibir totalmente o uso? Por que não permitir um pouco? Existem várias pesquisas que analisam o risco de quem bebe socialmente se tornar um alcoólatra. A maioria delas indica que 12% vai chegar lá. Parece um percentual pequeno, mas ele representa um sério risco. Deus conhece cada pessoa. Ele sabe que alguns só querem brincar com a bebida, mas sabe também que podem cair mais fundo. Outros, quem sabe, podem acabar se tornando viciados em “beber socialmente” porque não conseguem abandonar o hábito. Deus conhece os riscos, por isso diz não.

Satanás sempre tenta uma pessoa em seu ponto fraco. Por isso, quando alguém quer adaptar, ou fazer alguma abertura na vontade de Deus, já está demonstrando que esse é o seu ponto fraco. A história de Eva se repete: sempre que alguém enfrenta a tentação do seu jeito, porque acha ser forte para manter tudo sob controle, acaba se envolvendo muito mais do que imaginava. Brincar com o ponto fraco, ou com fogo, é pedir para se queimar. Lembro-me sempre de uma frase que aprendi na escola: “Pequenas oportunidades são o princípio de grandes acontecimentos”.

2. Para evitar limites humanos
Quando você decide estabelecer sua própria verdade e faz concessões, qual é o limite delas? As explicações que sempre se dá são: “Um pouco só não tem problema”; “Só vou ao cinema para ver filmes bons”; “Não vejo mal algum em usar um anelzinho ou uma correntinha discretos”.

A pergunta, porém, continua: Até onde vai o “só um pouco”? Quais são os bons filmes que não têm problemas? Qual é o tamanho do anelzinho, ou da correntinha discretos?

Se a verdade deixa de ser absoluta, e começamos a fazer concessões ou aberturas, surgem duas realidades: A primeira é que cada pessoa cuida da própria vida e estabelece os próprios limites. A verdade deixa de ser única para todos e passa a ser pessoal. Cada um tem a sua. Sendo assim, é claro que uns serão mais rígidos e outros mais liberais. Em segundo lugar, a igreja cria regras para definir até onde vão as aberturas, e quais são os limites. Nesse caso, a verdade passa a ter contornos humanos. Alguém define o que é a verdade e os demais a aceitam. Não podemos correr o risco de nos tornarmos como os fariseus, com regrinhas e mais regrinhas criadas por homens, nem tornar a religião uma questão apenas pessoal, pois assim colocamos o homem no lugar de Deus. Por isso, Deus diz não. A verdade absoluta é mais segura.

3. Para não confundir os outros
Somos a única demonstração da vontade de Deus aqui na Terra, e as pessoas precisam conhecer a Deus olhando para nós. Somos Suas testemunhas. Se não formos exemplos claros, o cristianismo perde sua força.

Se no trabalho, um jovem adventista é exatamente igual a todos os outros colegas, que diferença faz ser cristão? Poderá ele ser reconhecido como um cristão? Se no sábado à noite uma garota sai, e sua aparência é igual a das outras que não possuem nenhum interesse na vontade de Deus, como Ele pode ser reconhecido nela? Se um jovem adventista está sentado à mesa de bar com uma latinha de cerveja na mão, junto com seus amigos, será possível identificá-lo com um cristão?

É preciso sempre lembrar que a transformação operada por Cristo nos torna testemunhas silenciosas. Os outros podem ver a Cristo em nós pela maneira como nos apresentamos. Deus não pode correr o risco de fazer concessões para nos parecermos com as pessoas que não se entregaram a Ele, pois somos as únicas testemunhas dEle neste mundo. Essas testemunhas precisam estar cada dia mais visíveis e fáceis de serem reconhecidas.

4. Para vencer as sutis tentações de Satanás
Quanto mais perto do fim, mais discretas e sutis serão as tentações de Satanás. Precisamos ser claros e definidos quanto à verdade, para que ele não tenha espaço. Quando o não é substituído pelo “mais ou menos” ou, por “um pouquinho só não tem problema”, ou ainda: “Não vejo mal nenhum”, fica difícil reconhecer o caminho de Deus, e Satanás se aproveita.

Quanto menos relativismo, adaptações ou “achismos” houver na verdade, mais eficaz e poderosa ela será.

Pr. Erton Köhler (via Jovem Adventista)

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

O Natal na ótica subversiva de Maria, mãe de Jesus

É claro que a figura central do Natal é Cristo. José, Maria, os Magos, os pastores de Belém, e até os anjos, são apenas coadjuvantes nesta história de esperança para a humanidade. Cada um deles reagiu de maneira diferente à chegada do Redentor ao Mundo. Os pastores anunciaram a todos. Os anjos cantaram nas alturas. Os Magos O presentearam. E Maria, o que fez? Qual teria sido a reação daquela que hospedou em seu ventre o Filho de Deus?

Somente Lucas preocupou-se em relatar o cântico com que Maria expressou sua felicidade e expectativa com a chegada do Messias prometido. Seu cântico ficou conhecido como Magnificat
"A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador; porque atentou na condição humilde de sua serva; desde agora, pois, todas as gerações me chamarão bem-aventurada, porque o Poderoso me fez grandes coisas; e santo é o seu nome. E a sua misericórdia vai de geração em geração sobre os que o temem. Com o seu braço agiu valorosamente; dissipou os soberbos no pensamento de seus corações. Depôs dos tronos os poderosos, e elevou os humildes. Encheu de bens os famintos, e despediu vazios os ricos. Auxiliou a Israel seu servo, recordando-se da sua misericórdia; como falou a nossos pais, para com Abraão e a sua descendência, para sempre." (Lucas 1:46-55)
Embora tivesse "sangue azul", pois pertencia à dinastia de Davi, Maria viveu na simplicidade e no anonimato, casada com um operário braçal. O trono antes ocupado por seus ancestrais, agora era ocupado por um rei marionete do império romano, cujo nome era Herodes. Seu povo vivia sob a tirania imperial. Maria era virgem, mas não ingênua. Humilde, mas não idiota. Santa, não alienada. 

A imagem que construiu-se de Maria não faz jus à sua postura subversiva expressada neste cântico. A jovem desposada com José era uma adolescente questionadora, com um espírito rebelde e revolucionário. Sua alma anelava por mudanças. Ao receber o anúncio trazido por Gabriel, ela soube que o ente gerado em seu ventre era a resposta aos seus anelos. 

Como que vislumbrando o futuro, Maria declarou profeticamente que Deus havia deposto os poderosos do trono, e elevado os humildes. Ela fala como alguém que vivia além do seu próprio tempo. Era como se fosse uma visitante proveniente do futuro. Pra ela, tais fatos não aconteceriam um dia, mas já teriam acontecido. Deus já teria enchido de bens os famintos, e despedido vazios os ricos. Se isso não é uma revolução social, o que é, então? Os defensores do status quo preferem espiritualizar passagens como esta, para que se encaixem em sua agenda ideológica e política. Porém, a jovem Maria não está falando de coisas estritamente espirituais, mas concretas, abrangendo a realidade socioeconômica, política e cultural. 

O nascimento de Jesus anunciava que o tempo havia sido subvertido, e o futuro invadira o presente. Aquele que Se apresenta como o Princípio e o Fim, agora vive em nosso meio. A ordem predominante teria que ser colapsada para dar vazão ao Reino de Deus. A revolução há muito esperada fora deflagrada, e aquele seria, definitivamente, um caminho sem volta. Nunca mais o mundo seria como antes. 

Como todo subversivo que ameaça o establishment, Maria teve que exilar-se com seu filho e esposo no Egito, onde viveram na clandestinidade até o momento designado por Deus. Pelo cântico que compôs, dá para inferir que valores Maria teria transmitido para seu Filho. 

Com o tempo, o cristianismo deixou sua marginalidade essencial, para tornar-se em religião oficial. Maria deixou de ser vista como subversiva, para tornar-se numa espécia de padroeira do status quo. Domesticaram a mãe do Salvador. Desproveram-na de sua rebeldia. Tornaram-na inofensiva. O mesmo fizeram com a igreja cristã, que deu as costas aos pobres, humildes e oprimidos, para aliar-se aos poderosos. 

Se quisermos ver as profecias de Maria cumpridas, temos que dar meia-volta, trair nossos laços com os interesses econômicos e políticos, e abraçar nossa vocação subversiva. Se Maria estava certa, e de fato, anteviu o futuro, isso eventualmente acontecerá. E quando ocorrer, o Natal passará a ser celebrado como uma data revolucionária, como é a celebração da revolução francesa ou da inconfidência mineira.
 

Nota: Em todas as denominações cristãs, Maria é reconhecida como uma pessoa especial, escolhida por Deus pela sua vida santa e devotada à prática da religião. Segundo Cáio Fábio D’ Araújo Filho, “a mãe de Jesus é vista nos evangelhos como uma bem-aventurada, eleita pela graça de Deus para a mais sublime de todas as missões que um mortal já recebeu”. Paulo Pinheiro, editor de Sinais dos Tempos, afirma: “Maria, a mãe de Jesus, foi uma pessoa formidável”. Ao escrever o seu Comentário ao Magnificat, Martinho Lutero declarou que “Maria é a mulher mais sublime da Terra”. Ellen G. White apresenta-a como uma fonte de sabedoria e instrução para Jesus, “sua mãe foi-lhe a primeira professora humana” (OC, 19). Para White, “as próprias palavras por Ele [Jesus] ditas a Moisés para Israel, eram-lhe agora ensinadas aos joelhos de Sua mãe” (DTN, 70). Augustin George, professor de Novo Testamento da Faculté Catholique de Théologie de Lyon, França, declara que, “por sua fé, seu amor e sua humildade, [Maria] é a bela flor de seu povo e toda a raça humana”.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Conselhos de Ellen White à liderança da igreja

A liderança cristã é uma ciência e uma arte. É uma ciência porque existem princípios fundamentais a serem aplicados. É uma arte porque o êxito dependerá em grande medida da capacidade do líder em aplicar tais princípios e do grau de submissão à influência do Espírito Santo. 

Ellen G. White (1827-1915) foi uma das destacadas líderes religiosas de todos os tempos, e em seus escritos encontramos valiosos conselhos a todos os que exercem alguma forma de liderança. 

Um dos pontos destacados é a fé no poder de Deus, que no seu entendimento, é um requisito que todo líder cristão deve preencher. A dependência divina não apenas os capacitará na tarefa, mas influenciará em seu relacionamento com seus liderados. 
"Procuram-se homens que sintam sua necessidade de sabedoria do alto, homens que sejam convertidos de coração, que compreendam que são apenas pecadores mortais e devem aprender lições na escola de Cristo antes de estarem preparados para moldar outras mentes. Quando os homens tiverem aprendido a depender de Deus, quando tiverem fé que atue por amor e lhes purifique a alma, então não colocarão sobre os ombros de outros homens fardos penosos de ser suportados." (Carta 83, 1896)
Em sua visão, a mera "posição” não traz santidade ou infalibilidade a nenhum homem, mas no honrar a Deus e obedecê-Lo, é que o homem se torna verdadeiramente grande.
"Os que ocupam hoje posições de responsabilidade devem procurar aprender a lição ensinada pela oração de Salomão. Quanto mais alta a posição que um homem ocupa, quanto maior a responsabilidade que tem de levar, mais ampla será a influência que exerce e maior sua necessidade de dependência de Deus. Deve lembrar-se sempre de que, com o chamado para o trabalho, vem o chamado para andar circunspectamente perante seus companheiros. Deve ele permanecer ante Deus na atitude de um discípulo. A posição não dá santidade de caráter. É por honrar a Deus e obedecer a Seus mandamentos que o homem se torna verdadeiramente grande." (Profetas e Reis, pp. 30, 31)
Sua preocupação com a excelência do caráter cristão é percebida diversas vezes.
"Mas a posição não faz o homem. É a integridade de caráter, o Espírito de Cristo, que o torna grato, nada interesseiro, sem parcialidade e sem hipocrisia; e, para Deus, isto é que tem valor." (Testemunhos Para Ministros e Obreiros Evangélicos, p. 356)

"Que os cargos de responsabilidade sejam dados a homens experientes, provados e tementes a Deus, homens que suportarão a mensagem de reprovação enviada por Deus." (Carta 35, 1900, p. 1)
Há diversas orientações dirigidas àqueles que ocupam função executiva na organização. À eles, Ellen White recomenda o espírito humilde e o exercício da amabilidade; o dever de exercer paciência; de evitar o excesso de controle sobre seus liderados e de saber lidar adequadamente com os que erram. Condena ostensivamente a centralização de poder e a autossuficiência. 
"Homens que ocupam posições de responsabilidade têm muito que aprender. Quando os homens julgam que suas ideias não possuem falhas, então é tempo de mudarem sua posição de líder para a de aprendiz. Quando pensam que suas idéias e seu julgamento devem ser aceitos sem questionamento, mostram-se incapazes para a posição que ocupam." (Manuscrito 55, 1897)

"Nenhum homem foi feito um senhor, para governar a mente e consciência de um seu semelhante. Sejamos bem cuidadosos quanto à maneira com que lidamos com a herança de Deus comprada por sangue." (Testemunhos Para Ministros e Obreiros Evangélicos, p. 495)

"Aqueles que controlam outros devem aprender primeiro a controlar-se. A menos que aprendam essa lição, não poderão em seu trabalho ser semelhantes a Cristo. Devem eles submeter-se a Cristo, falando como Ele falaria, agindo como Ele agiria, com ternura e compaixão infalíveis." (The Review and Herald, 28 de Abril 1903)
Ellen White avalia também o perfil inadequado de quem se dispõe a conduzir a igreja de Deus.
"Um cristão imaturo, atrofiado em seu crescimento religioso, destituído de sabedoria do alto, está despreparado para enfrentar os ferozes conflitos pelos quais a igreja é chamada a passar." (Testemunhos Para a Igreja 5, p. 262)

"Os insinceros e profanos, os que são dados à tagarelice, que vivem a comentar as faltas alheias, ao passo que se descuidam das próprias, devem ser afastados da obra." (Testemunhos Seletos 3, p. 186)
Vale destacar que ao tratar de liderança, Ellen White tinha em mente que:
"Não são os grandes resultados que obtemos, mas os motivos que nos levam à ação, o que pesa à vista de Deus. Ele preza a bondade e a fidelidade mais do que a grandeza da obra realizada." (Testemunhos Para a Igreja 2, p. 510)
Embora afirme que quanto maior a responsabilidade ocupada por um homem, maiores serão os ataques do inimigo contra ele, Ellen White termina reforçando que:
"Esperar pacientemente, confiar quando tudo parece escuro, eis a lição que os líderes na obra de Deus necessitam aprender. O Céu não lhes faltará no dia da adversidade. Nada está aparentemente mais ao desamparo, mas na realidade mais invencível, do que a alma que sente a sua nulidade e confia inteiramente em Deus." (Profetas e Reis, pp. 174, 175)
Que os conselhos aqui citados possam fortalecer e abençoar homens e mulheres a quem Deus tem colocado em posições de responsabilidade em Sua igreja. Deixo também aqui recomendado o livro Liderança Cristã de Ellen G. White, a todo líder de igreja que se veja chamado para a missão de conduzir pessoas ou a assumir cargos de grande responsabilidade na obra de Deus.

Tipos de cristão que o diabo gosta

Alguns assuntos não podem ser romantizados, e aqui está um deles. A Bíblia diz que “não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas sim contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade” (Efésios 6:12). O negócio é sério, por isso não podemos rodear e enfeitar o tema. Espero que a reflexão seja proveitosa…



Emanuelle Sales (via Bonita Adventista)