sexta-feira, 1 de maio de 2026

TRABALHO: BÊNÇÃO OU MALDIÇÃO?

“Portanto, meus amados irmãos, sede firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão” (1Co 15:58).

O trabalho é ideia de Deus. No mundo ideal antes do pecado, Deus deu a Adão e Eva a tarefa de cuidar do jardim (Gn 2:15). Como Criador, em cuja imagem eles haviam sido formados, eles deveriam se ocupar com trabalho criativo e serviço amoroso. Ou seja, mesmo no mundo não caído, sem pecado, morte e sofrimento, a humanidade deveria trabalhar. Diz Ellen G. White: "Deus colocou nossos primeiros pais no Paraíso, circundando-os de tudo quanto era útil e belo. Em seu lar edênico não faltava coisa alguma que lhes pudesse servir ao conforto e felicidade. E a Adão foi dado o trabalho de cuidar do jardim. O Criador sabia que Adão não poderia ser feliz sem ocupação. A beleza do jardim encantava-o, mas isto não era suficiente. Precisava de ter trabalho que chamasse ao exercício os maravilhosos órgãos do corpo. Houvesse a felicidade consistido em nada fazer, e o homem, em seu estado de inocência, haveria sido deixado sem ocupação. Mas Aquele que criou o homem sabia o que seria para sua felicidade; e assim que o criou designou-lhe um trabalho. A promessa da glória futura, e o decreto de que o homem deve trabalhar pelo pão de cada dia, vieram do mesmo trono" (Nossa Alta Vocação, p. 219).

Nesse período intermediário (após o mundo ideal e antes do prometido), somos convidados a considerar o trabalho como uma das bênçãos de Deus. Toda criança aprendia um ofício entre os judeus. Dizia-se que um pai que não ensinasse um ofício ao seu filho criaria um criminoso. Jesus, o Filho de Deus, passou muitos anos cumprindo a vontade de Seu pai em um trabalho honesto como carpinteiro e artesão habilidoso, talvez fornecendo às pessoas de Nazaré móveis e utensílios agrícolas necessários (Mc 6:3). Isso também fazia parte da educação que O prepararia para o ministério adiante. O apóstolo Paulo realizou a obra do Senhor da mesma forma ao trabalhar ao lado de Áquila e Priscila por um ano e meio como fabricante de tendas, enquanto debatia na sinagoga aos sábados (At 18:1-4;2Ts 3:8-12).

Mas às vezes o trabalho parece ter vindo como parte da maldição do pecado (Gn 3:17). Porém, uma leitura mais atenta revela que a Terra foi amaldiçoada, e não o trabalho. Ellen G. White declarou que Deus pretendia que essa ordem funcionasse como uma bênção: “E a vida de trabalho árduo e preocupações, que dali em diante deveria ser o destino do homem, foi ordenada com amor. Uma disciplina que havia se tornado necessária pelo seu pecado foi o obstáculo posto à satisfação do apetite e dos maus desejos, para desenvolver hábitos de domínio próprio. Fazia parte do grande plano de Deus para restaurar o ser humano da ruína e degradação do pecado” (Patriarcas e Profetas, p. 60).

Será que temos feito do trabalho uma maldição pela monotonia, excesso ou supervalorização de sua função em nossa vida? Qualquer que seja a nossa situação, precisamos colocar o trabalho em sua perspectiva adequada. E a educação cristã deve ensinar as pessoas para que elas aprendam o valor do trabalho, mas, ao mesmo tempo, que não façam dele um ídolo.

Para algumas pessoas, o trabalho significa apenas a enfadonha labuta diária, que terminará com a morte. Elas trabalham em empregos que desprezam, na esperança de se aposentarem enquanto ainda têm saúde. Para outras, o trabalho pode até dominar a vida, tornando-se o centro da sua existência, até mesmo a fonte abrangente da identidade pessoal. Longe do trabalho, essas pessoas se sentem deprimidas ou desorientadas, sem saber o que fazer ou para onde ir. Na aposentadoria, elas podem desmoronar física e psicologicamente, e geralmente morrem prematuramente.

Os cristãos precisam aprender a trabalhar da maneira que Deus deseja. O trabalho é mais que uma necessidade econômica. O homem é mais que um empregado. Compreendido da maneira correta, o trabalho de alguém pode ser uma possibilidade de ministério, uma expressão de seu relacionamento com o Senhor. Parte da tarefa de um professor é ajudar os alunos a encontrar um trabalho em que suas habilidades e interesses dados por Deus coincidam com as necessidades do mundo.

Embora “a obra das nossas mãos” seja uma bênção de Deus para nós (veja Sl 90:17) e possibilite que vivamos de maneira significativa, o plano supremo de Deus é que “a obra das nossas mãos” abençoe os outros. Paulo declarou que devemos trabalhar, fazendo algo útil com nossas mãos, para que possamos ter algo a compartilhar com os outros (Ef 4:28). Ele certamente viveu por este princípio: “Vós mesmos sabeis que estas mãos serviram para o que me era necessário a mim e aos que estavam comigo. Tenho-vos mostrado em tudo que, trabalhando assim, é mister socorrer os necessitados e recordar as palavras do próprio Senhor Jesus: Mais bem-aventurado é dar que receber” (At 20:34, 35). A oração simples de Neemias deve ser a nossa: “Agora, pois, ó Deus, fortalece as minhas mãos” (Ne 6:9).

O fato de sermos seres humanos caídos e pecadores não é desculpa válida para tratar qualquer tarefa com nada menos que a máxima dedicação. Deus espera que sempre tenhamos o melhor desempenho, usando bem nossos talentos, habilidades, tempo e educação para grandes causas.

“Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito” (Gl 5:25). O trabalho e a espiritualidade são inseparáveis. O cristianismo não é uma peça de roupa que pode ser vestida ou tirada quando mudamos de humor ou passamos por diferentes fases da vida. Em vez disso, o cristianismo cria um novo ser que se manifesta em todas as dimensões da vida, inclusive no trabalho.

Uma das armadilhas comuns da vida é a tendência de “compartimentalizar” os diferentes aspectos da vida. Existe vida profissional, familiar, espiritual e até uma vida de lazer. A tendência de separar essas áreas para que haja pouca ou nenhuma convergência entre elas deve ser desejada em alguns casos. Por exemplo, não é bom levar o trabalho para casa de maneira que interfira nas responsabilidades da família. A busca do lazer também não deve reduzir o tempo que passamos com Deus.

No entanto, essa restrição não deve se aplicar à função que nossa vida espiritual deve desempenhar em toda a nossa existência. O trabalho do cristão é modelado pela comunhão com Deus e pela nossa obra com Ele. O trabalho é um modo de praticar a presença de Deus. Compartimentalizar nossa vida religiosa, limitar Deus a um dia, a uma hora ou até apenas a uma área da vida é rejeitar a própria presença de Deus nessas outras áreas.

Portanto, o trabalho foi criado por Deus para: (1) contribuir para o desenvolvimento harmonioso de todas as faculdades do ser humano; (2) cuidar da Terra, assim como veio das mãos de Deus; (3) fazer parte da vida religiosa do ser humano, o que implica adoração; (4) ser uma bênção para o ser humano; (5) fazer parte do plano da redenção; (6) ser um canal de recompensa econômica que permita ao ser humano honrar a Deus; (7) possibilitar que o homem desfrute da obra de suas mãos; mas, (8) o trabalho não deve interferir em suas outras responsabilidades, nem deve exceder suas capacidades.

Ao invés de ser algo cansativo, entediante ou um instrumento de exploração, Deus sempre desejou que o trabalho fosse uma bênção, que desse sentido para a vida. Os aspectos negativos relacionados ao trabalho acompanharão nossa rotina apenas enquanto durar as consequências do pecado. No Éden, Adão trabalhou, e na Terra restaurada, os salvos continuarão a trabalhar, não “em vão”, porque aproveitarão ao máximo essa atividade (Is 65:21-23). Quem espera um paraíso sem trabalho vai se decepcionar, pois Deus trabalha e os anjos também.

Ellen G. White conclui: A sonolência e a preguiça destroem a piedade, e ofendem o Espírito de Deus. Um poço estagnado exala desagradável odor; mas uma corrente pura esparge saúde e alegria pela terra. Nenhum homem ou mulher convertido pode deixar de ser um trabalhador. Há certamente e sempre haverá emprego no Céu. Os remidos não viverão num estado de sonhadora preguiça. Resta um repouso para o povo de Deus — repouso que eles encontrarão em servir Aquele a quem devem tudo quanto possuem e são" (Nossa Alta Vocação, p. 219).

quinta-feira, 30 de abril de 2026

TÚMULOS ABERTOS

De acordo com o evangelho de Mateus, quando Jesus morreu, “os túmulos se abriram, e muitos corpos de santos, já falecidos, ressuscitaram e, saindo dos túmulos depois da ressurreição de Jesus, entraram na cidade santa e apareceram a muitos” (Mt 27:52, 53). Esse evento só está registrado nesse verso da Bíblia e levanta uma série de perguntas para as quais não temos respostas definitivas.

O QUE DIZ O TEXTO?
O texto estabelece uma série de pontos muito claros: (1) confirma que Jesus morreu e ressuscitou; (2) declara que houve um terremoto que abriu os túmulos, e alguns do povo de Deus foram ressuscitados; (3) informa que a ressurreição deles ocorreu paralelamente à morte e à ressurreição de Jesus, indicando que Sua ressurreição beneficiará as gerações passadas; (4) reitera que essa foi uma ressurreição literal, com a intenção de afirmar que Jesus tinha poder sobre a morte; e (5) destaca o fato de que os ressuscitados foram a Jerusalém e “apareceram a muitos”, o que sugere que eles não permaneceram entre os vivos para morrer novamente, mas foram ressuscitados para a vida eterna. 

MUITAS PERGUNTAS
A passagem desperta muitas perguntas. Quem eram eles? Muitos cristãos incluem Adão, José, ­Moisés e Jó entre os santos ressuscitados. Alguns comentaristas sugerem que entre eles estavam patriarcas, profetas e mártires. Outros perguntam sobre os critérios que Deus usou para escolher quem haveria de ressuscitar, e há aqueles que afirmam que eram mártires. A sugestão parece ter algum valor teológico, indicando que aqueles que voluntariamente deram sua vida pelo Senhor foram os primeiros a receber a vida de volta por meio da morte do Filho de Deus. Ellen White diz que "aqueles favorecidos santos ressurgidos saíram glorificados. Eram escolhidos e santos de todos os tempos, desde a criação até os dias de Cristo" (Primeiros Escritos, p. 184). E continua: "Eram os que haviam colaborado com Deus, e que à custa da própria vida tinham dado testemunho da verdade. Agora deviam ser testemunhas dAquele que os ressuscitara dos mortos" (O Desejado de Todas as Nações, p. 786).

QUANDO ELES RESSUSCITARAM?
A versão Nova Almeida Atualizada (NAA) parece sugerir que eles ressuscitaram na sexta-feira, mas permaneceram no túmulo até depois da ressurreição de Jesus. O texto também poderia ser traduzido como: “os túmulos se abriram, e muitos corpos de santos já falecidos ressuscitaram e saindo dos túmulos depois da ressurreição de Jesus…” Assim, as tumbas foram abertas na sexta-feira, mas a ressurreição ocorreu no domingo, após a ressurreição de Jesus. Ellen White diz: "Quando Cristo ressurgiu, trouxe do sepulcro uma multidão de cativos. O terremoto, por ocasião de Sua morte, abrira-lhes o sepulcro e, ao ressuscitar Ele, ressurgiram juntamente" (Idem).

O DESTINO DOS RESSURRETOS
Mateus declara apenas que os santos apareceram a outras pessoas em Jerusalém, provavelmente para testificar sobre a ressurreição de Jesus. Se foram ressuscitados para a vida eterna, teriam ido para o Céu quando Cristo ascendeu. A declaração de Paulo em Efésios 4:8 pode ser útil: “Quando Ele subiu às alturas, levou cativo o cativeiro e concedeu dons aos homens.” O verso descreve dois benefícios da obra de Cristo: em Sua ascensão, Ele concedeu o dom do Espírito a Seu povo e levou consigo um exército de cativos, ­conduzindo-os ao Céu como troféus de Sua vitória sobre a morte e Satanás. Jesus é as primícias dos que dormem (1Co 15:20), e aqueles que ressuscitaram com Ele são a primeira expressão de Seu poder de conceder vida eterna aos seres humanos. A ressurreição deles antecipa a ressurreição escatológica dos justos na segunda vinda.

Ellen White diz: "Aqueles que ressurgiram por ocasião da ressurreição de Cristo, saíram para a vida eterna. Ascenderam com Ele, como troféus de Sua vitória sobre a morte e o sepulcro. Estes, disse Cristo, não mais são cativos de Satanás. Eu os redimi. Trouxe-os da sepultura como as primícias de Meu poder, para estarem comigo onde Eu estiver, para nunca mais verem a morte nem experimentarem a dor" (Idem).

Ellen White finaliza: "Depois que Jesus abençoou os discípulos [na ascensão], separou-Se deles e foi recebido em cima. E, ao subir, a multidão de cativos que ressuscitara por ocasião de Sua ressurreição, seguiu-O. Uma multidão do exército celestial estava no cortejo, enquanto no Céu uma inumerável multidão de anjos aguardava a Sua chegada" (Primeiros Escritos, p. 190). 

quarta-feira, 29 de abril de 2026

DANÇA

O Dia Mundial da Dança, comemorado no dia 29 de abril, foi instituído pelo CID (Comitê Internacional da Dança) da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) no ano de 1982. A comemoração tem por base o dia de nascimento de Jean-Georges Noverre, que nasceu em 1727 e foi um dos grandes nomes mundiais da dança.

Os cristãos e a dança
Você já foi a algum lugar, talvez em um shopping, um restaurante ou até mesmo em uma esquina quando, de repente, começou a ouvir música? Não estou falando de qualquer música, mas de um ritmo quente, uma batida forte. Pode ser que você nunca tenha ouvido aquela música e nem conheça a letra, mas antes de se dar conta, seus pés estão acompanhando a batida e seu corpo começa a balançar no ritmo. Você está – dançando!

Os adventistas e outros cristãos conservadores têm, em geral, se oposto à dança social, tão popularizada em nossos dias. Pergunta: A dança é apropriada para os cristãos hoje? Expressar-se com o corpo é algo absolutamente normal para todos nós. Mas até sobre nossa comunicação corporal há uma responsabilidade a ser tomada.

A Igreja Adventista do Sétimo Dia geralmente desaconselha a dança social moderna, bailes e discotecas, focando em evitar ambientes associados a comportamentos considerados sensuais ou seculares. No entanto, não há uma regra explícita, sendo comum a aceitação de danças culturais ou artísticas.

A prática de ballet, por exemplo, é um tema com nuances, focado mais no contexto e intenção do que na dança em si. Embora a igreja tradicionalmente desaconselhe a dança de salão ou festiva, o ballet técnico, a dança cultural ou atividades físicas que promovem a beleza e a saúde não são proibidos. O ballet é aceitável quando focado em arte, disciplina física e expressão artística, sem conotação sensual. Escolas adventistas já organizaram atividades de ballet, como indicado pelo Kraft Ballet. 

Embora a denominação tradicionalmente desaconselhe estas danças, muitos veem a zumba e o fit dance como atividades físicas que ajudam a emagrecer e tonificar músculos, como exercícios físicos aeróbicos saudáveis (semelhante à ginástica) para saúde e alegria, desde que evite estilos sensuais, músicas inadequadas ou ambientes impróprios. A avaliação sobre se a coreografia ou a música extrapolam os limites aceitáveis é, muitas vezes, pessoal, guiada pela consciência e princípios bíblicos.

Dança nos tempos bíblicos
Veja só, as pessoas dançavam nos tempos bíblicos! Elas dançavam e nem sempre era errado. Qual é o critério para definir o certo e o errado neste caso? Para responder a essa pergunta, vamos começar com Davi.

Tensa de entusiasmo, a multidão se acotovelava para ver o cortejo que passaria em seguida. Eles podiam ouvir as trombetas e os tamborins e as canções de louvor a Deus ecoavam pelos campos. A Arca do concerto, finalmente, estava voltando a Jerusalém depois de tantos anos que havia sido levada de seu lugar de honra. Tudo seria diferente agora. À medida que o cortejo se aproximava, uma figura sobressaía à vista dos observadores. Davi, o rei de Israel, não vestia os trajes reais. Ao invés disso, ele dançava diante da arca do concerto vestido com uma estola sacerdotal de linho branco. Davi tinha conseguido o que queria. Naqueles dias, quando um exército capturava tropas inimigas, era costume forçar um ou mais cativos a dançar alegremente diante do rei vitorioso. Isso simbolizava submissão e humilhação na presença do rei. Quando Davi dançou diante da arca, ele queria que todo Israel reconhecesse que ele era cativo de Deus e estava demonstrando submissão e humildade ao Rei do Universo.

Você acha que o povo ficou chocado por que ele dançou? De jeito nenhum. Você acha que a multidão entendeu a mensagem que Davi queria passar? É claro que sim. E que mensagem foi aquela! Vamos ler o que Ellen White nos diz a esse respeito: "A dança de Davi em júbilo reverente, perante Deus, tem sido citada pelos amantes dos prazeres para justificarem as danças modernas da moda; mas não há base para tal argumento. Em nosso tempo a dança está associada com a extravagância e as orgias noturnas. A saúde e a moral são sacrificadas ao prazer. Para os que frequentam os bailes, Deus não é objeto de meditação e reverência; sentir-se-ia estarem a oração e o cântico de louvor deslocados, na assembléia deles. Esta prova deve ser decisiva. Diversões que tendem a enfraquecer o amor pelas coisas sagradas e diminuir nossa alegria no serviço de Deus, não devem ser procuradas por cristãos. A música e dança, em jubiloso louvor a Deus, por ocasião da mudança da arca, não tinham a mais pálida semelhança com a dissipação da dança moderna. A primeira tendia à lembrança de Deus, e exaltava Seu santo nome. A última é um ardil de Satanás para fazer os homens se esquecerem de Deus e O desonrarem" (Patriarcas e Profetas, p. 707).

A Bíblia tem apenas 27 versos que mencionam diretamente a dança. A partir deles, temos elementos para compreender que tipo de atitude deve estar por trás da dança. “Cantem glória ao Senhor com trombetas, com harpas e liras! Cantem glória ao Senhor com tamborins e danças, com instrumentos de corda e flautas! Cantem glória ao Senhor com címbalos de som bem forte e puro!” (Sl 150:3-5).

Esses versos, obviamente, falam da dança como um meio de louvar a Deus. É importante compreender o significado hebraico da palavra “dança” nesse texto. A dança mencionada aqui é a dança de roda ou círculo. Não é uma dança individual ou em pares como muitas danças seculares hoje. Nada sugere isso no contexto. Esse tipo de dança consiste de movimentos como bater os pés, saltar, girar e dar pequenos pulos com os pés juntos.

Outros versos falam a respeito da dança como um meio de expressar alegria entre a comunidade. Isso acontecia quando uma vitória era conquistada sobre o inimigo. Uma análise das referências bíblicas à dança revela o fato de que as danças israelitas consideradas como apropriadas eram de natureza litúrgica, sendo acompanhadas por hinos de louvor a Deus. Elas eram geralmente praticadas entre grupos de pessoas do mesmo sexo e sem quaisquer conotações sensuais (ver Êx 15:20; Jz 11:34; 21:21-23; 1Sm 18:6; 21:11; 2Sm 6:14-16; 1Cr 15:29; Jr 31:14).

Alguns conselhos
Se estiver pensando: “Ah, viu só? Não tem nada de errado com a dança”, não se esqueça de que há outros pontos a considerar além de sua aceitabilidade como forma de louvor. Se você começar a pular e a dançar no corredor central de sua igreja no próximo sábado, imitando Davi, não espere ser recebido calorosamente como ele foi. Como qualquer outra atividade, é importante relembrar o conselho de Paulo aos coríntios: “Bem, vou dizer-lhes a razão. É que vocês devem fazer tudo para a glória de Deus, até mesmo ao comer e ao beber. Portanto, não sejam pedra de tropeço para ninguém, quer sejam eles judeus, gentios ou cristãos” (1Co 10:31-32, BV).

Em contraste com as danças litúrgicas do período bíblico, a maioria das danças modernas são praticadas sob o ritmo sensual das músicas profanas, que desconhecem completamente o princípio enunciado em Filipenses 4:8: “Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvou existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento.” 

É certo que Satanás trabalha muito para perverter qualquer coisa boa que Deus nos deu. Ele fez a mesma coisa com a dança, torcendo-a de tal modo que nada de bom ficasse na dança secular; e, embora ela esteja tão cheia de intenções pecaminosas, alguns cristãos relutam em evitá-la completamente. Ellen White adverte: "O verdadeiro cristão não desejará entrar em nenhum lugar de diversão nem se entregar a nenhum entretenimento sobre que não possa pedir a bênção divina" (Mensagens aos Jovens, p. 398).

Quando os israelitas se juntaram ao pé do Monte Sinai, Deus ordenou que eles não tivessem outros deuses diante dEle. Hoje, reconhecemos tal ordem como um dos Dez Mandamentos. Alguns capítulos adiante, em Êxodo 32:19, esses mesmos israelitas estão cultuando um bezerro de ouro através de danças. Em algumas partes do mundo, danças folclóricas são usadas para cultuar os deuses da fertilidade, o espírito dos mortos e para apaziguar Buda e outros deuses.

Em Mateus 14, a história de Salomé, a filha de Herodias que dançou diante de Herodes, acrescenta outra dimensão à degradação da dança. O episódio implica que a performance de Salomé foi muito sensual. Ao se tornar excitado sensualmente, Herodes, de modo insensato, prometeu que daria a Salomé qualquer coisa que pedisse. E, por ter deixado que as emoções o controlassem, João Batista perdeu a cabeça – literalmente.

Embora os judeus nos dias de Jesus continuassem praticando a dança (ver Lc 15:25), não encontramos nenhuma evidência no Novo Testamento de que a igreja cristã primitiva perpetuasse tal costume. Há quem sugira que esse rompimento cristão com a dança deve-se à degeneração desde já no tempo de Cristo.

Antes de os israelitas cruzarem o Jordão, muitos deles foram seduzidos por mulheres moabitas (veja Números 25). Como parte de seu envolvimento, os homens participaram de atos de perversão que incluíam a dança. A dança promovia excitação sexual de modo inadequado. A Bíblia diz: “a ira do Senhor se acendeu contra Israel” (Nm 25:3). Deus deu instruções a Moisés para que matasse os que haviam participado desses eventos. Depois de tudo acabado, vinte e quatro mil israelitas foram mortos. Foram mortos por que dançaram? Não. Morreram porque aquele tipo de comportamento inapropriado levou a ações indecentes e inaceitáveis diante de Deus.

Conclusão
Como podemos observar, a partir dessas histórias podemos saber que há vários tipos de dança, como por exemplo: 1 - Aquelas que cultuam qualquer outro deus que não o Deus do universo; 2 - Danças que estimulam sexualmente os participantes.

Grande parte das danças de hoje tem-se transformado em um dos maiores estimuladores do sensualismo. Mesmo não se envolvendo diretamente em relações sexuais explícitas, seus participantes geralmente se entregam ao sensualismo mental (ver Mt 15:19-20), desaprovado por Cristo em Mateus 5:27-28: “Ouvistes que foi dito: Não adulterarás. Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela.”

Há aqueles que endossam as danças particulares entre cônjuges unidos pelos laços matrimoniais. Embora tais práticas pareçam inocentes à primeira vista, elas representam o primeiro passo rumo a estilos mais avançados de dança, integrando eventualmente o casal a grupos dançantes. Seja como for, o cristão dispõe hoje de outras formas de integração e entretenimento sociais mais condizentes com os princípios bíblicos de conduta do que a excitação e o sensualismo promovidos pela maioria das danças modernas.

Considerado tudo isso, você pode dizer honestamente que sua participação na dança secular demonstraria aos outros um caráter cristão? Ou será que seu testemunho ficaria comprometido? Em cada decisão que tomamos, escolhemos ficar a favor ou contra Deus. Por isso, é bom ter certeza absoluta do que está escolhendo. Isso fará diferença no mundo – neste e no vindouro.

terça-feira, 28 de abril de 2026

MÚSICAS EMPRESTADAS

Não há nada inerentemente errado em cantar músicas escritas por outros. O povo de Deus sempre compartilhou música, transcendendo fronteiras geográficas e gerações. Canções adaptadas podem nos ensinar teologia, nos conectar ao corpo de Cristo em geral e dar voz a verdades que ainda estamos aprendendo a expressar.

Mas um perigo silencioso surge quando as músicas emprestadas se tornam as únicas músicas que oferecemos.

Com o tempo, a igreja pode perder não apenas a criatividade, mas também a identidade.

Adoração no micro-ondas versus Louvor caseiro
Imagine uma casa onde todas as refeições vêm do micro-ondas. A comida é preparada em outro lugar. É consistente, eficiente e “segura”. Mata a fome, mas nunca preenche a casa com o cheiro da comida, o som do preparo ou a alegria do trabalho em equipe.

Espiritualmente, algo semelhante acontece quando a adoração é sustentada inteiramente por músicas compostas por outras pessoas.

Músicas emprestadas são convenientes. Economizam tempo. Reduzem riscos. E muitas vezes soam muito bem. Mas não nasceram de nossas orações, nosso arrependimento, nossa dor ou nossa gratidão. Elas carregam o testemunho de outra pessoa — fiel, sincero e real —, mas não o nosso .

Deus nunca pediu ao Seu povo que trouxesse sobras ao altar.

A inconsistência que jamais aceitaríamos em qualquer outro lugar
Imagine o quão artificial seria se esse mesmo padrão moldasse o restante da vida da igreja.

E se os pregadores apenas reutilizassem os sermões exatos de outros pregadores — sem nunca se debruçarem sobre o texto, sem nunca ouvirem o que o Espírito poderia estar dizendo àquela congregação, naquele momento ?

E se todas as nossas orações fossem recitadas exclusivamente a partir das palavras de outras pessoas — nunca moldadas por nossas próprias confissões, intercessões ou súplicas por misericórdia?

E se a igreja simplesmente repetisse o que outros já disseram — refletindo pensamentos emprestados em vez de envolver o coração, a mente e o corpo em resposta a Deus?

Com razão, pressentiríamos que algo estava errado.

Não porque esses sermões, orações ou escritos fossem infiéis, mas porque o culto deixou de ser participativo. As pessoas estariam consumindo a fé em vez de praticá-la.

No entanto, muitas vezes aceitamos esse padrão na música sem questioná-lo.

A adoração razoável exige que sejamos nós mesmos por inteiro
As palavras de Paulo em Romanos 12:1, 2 são surpreendentemente concretas e pessoais:

“Apresentem os seus corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o culto racional de vocês. [...] Transformem-se pela renovação da sua mente.”

Segundo as Escrituras, a adoração não é mera repetição, mas sim oferecer-nos a nós mesmos.

Nossas mentes.

Nossos corpos.

Nossas experiências.

Terceirizar toda a expressão musical é, involuntariamente, reter parte dessa oferta.

Deus não deseja apenas a precisão das palavras; Ele convida à transformação das pessoas. E a transformação acontece quando os crentes se envolvem ativamente — pensando, criando, respondendo e oferecendo a Deus aquilo que Ele primeiro operou neles.

Canções emprestadas moldam teologia emprestada
A música nos forma muito antes de nos informar. O que cantamos repetidamente torna-se o que instintivamente assumimos. Quando todas as nossas canções vêm de outras comunidades, outras culturas e outros ecossistemas teológicos, adotamos lentamente suas ênfases como se fossem nossas — às vezes sem perceber.

Repito, isto não é uma acusação. É uma observação pastoral.

Quando uma igreja nunca compõe suas próprias canções, ela pode até manter suas crenças, mas gradualmente perde a capacidade de expressá- las musicalmente. Eventualmente, a congregação deixa de saber como cantar sua fé com suas próprias palavras.

E aquilo que uma comunidade não consegue cantar, terá dificuldade em transmitir.

Compor canções não é uma performance — é um ato de cuidado pastoral
Compor canções não é exclusividade de profissionais, artistas de gravação ou pessoas especialmente talentosas. Na vida da igreja, é um ato pastoral.

Músicas locais:

• Dar voz ao lamento local.

• Preservar os testemunhos locais.

• Ensine a doutrina com um sotaque familiar.

• Ancore a fé na experiência vivida.

Uma canção escrita localmente pode nunca viajar muito longe, mas pode influenciar profundamente.

Os Salmos não foram escritos para impressionar as gerações futuras. Foram escritos porque Deus encontrou pessoas em situações reais, e o louvor foi a resposta natural.

Um convite à coragem
Este não é um chamado para abandonar canções emprestadas. É um chamado para completar nossa adoração.

Cante a igreja global.

Cante a igreja histórica.

Mas também — cante na sua igreja.

Cante o que Deus fez entre este povo.

Cante enquanto responde às suas perguntas.

Cante seu arrependimento.

Cante a sua esperança.

Músicos: Deus não está esperando que vocês soem como todo mundo. Ele está convidando vocês a oferecerem o que Ele já colocou dentro de vocês.

O mesmo Senhor que acolhe sermões preparados com estudo e oração e orações proferidas com corações sinceros também se alegra com canções que nascem de vidas fiéis.

Não foi aquecido no micro-ondas.

Mas feita em casa.

Preparado com reflexão, sacrifício e amor.

E oferecido como um ato de adoração vivo e racional.

sexta-feira, 24 de abril de 2026

O SÁBADO E OS DOIS MARRECOS

João era um homem simples, temente a Deus. Buscava viver à luz das orientações bíblicas e era fiel ao Senhor em cada pequeno detalhe de sua vida. No entanto, enfrentava muitas lutas. Ganhava pouco e sua esposa vivia muito doente.

O patrão de João tinha uma vida completamente diferente. Não acreditava em Deus, vivia de maneira desregrada, bebia muito e era violento. E vez após vez zombava de João, já que, mesmo vivendo desta forma, era muito rico, tinha uma mulher linda e gozava de boa saúde. “Acho que Deus não gosta tanto assim de você! Olhe para sua vida e olhe para a minha! Se tem alguém aqui de bem com Deus, esse sou eu!”, dizia o chefe entre gargalhadas.

O funcionário cristão permanecia em silêncio diante dos gracejos e zombaria. No fundo, eram bons amigos e João sabia que seu testemunho poderia ser o único contato que seu patrão talvez tivesse com as realidades da fé.

Um dia, os dois saíram para caçar marrecos. Chegaram no lugar, preparam tudo e ficaram aguardando o momento certo para atacar. Deram dois tiros. O primeiro foi certeiro. O marreco caiu morto. Colocaram-no em uma sacola. O segundo tiro atingiu outro marreco, mas este, ainda vivo, começou a fugir. O patrão largou o marreco morto de lado e foi correndo atrás do que estava vivo. E assim a caçada continuou.

No fim da tarde, João levou seu patrão para um lanche, e propôs a seguinte explicação para a situação dos dois. Com amor em sua voz, ele disse: “Chefe, o diabo dá tiros em todos nós. Ele deseja nos afastar de Deus, que é a fonte da vida de verdade. Você é o marreco morto. Eu sou o marreco vivo. O diabo corre atrás de mim, porque não tem certeza de que me abateu”.

Enquanto estivermos deste lado da eternidade, é possível que carreguemos mais perguntas do que respostas. Não é fácil conviver com o silêncio de Deus, enquanto a maldade do mundo nos rouba a paz. É possível que nestes últimos dias, o mal tenha posto você na mira. Quem sabe tenha feridas abertas, esteja sangrando. Doença, traição, despedida, privação… São inúmeras balas perdidas nessa guerra da vida.

Em meio a tudo isso, o Sábado é um lugar de cura e descanso. As portas estão abertas. Entre. Deixe as ferramentas de lado. Permita que Deus cuide das coisas por você. Ele vai lhe dar um abraço, vai secar suas lágrimas. Ele vai restaurar você. Descanse.

quinta-feira, 23 de abril de 2026

O PRIMEIRO CULTO NO CÉU

(Dando asas à imaginação sobre um sonho tão sonhado)

Não é errado sonhar e nem tentar vislumbrar aquilo que tanto queremos. Deixei a imaginação fluir e construir um possível cenário do que seria o primeiro culto dos remidos no céu. Ainda que possa parecer presunçoso, eu me imagino lá, presente, pela graça, tão somente pela graça de Deus.

Embora saibamos que vamos estar na presença de Deus “de uma lua nova até a outra, de um sábado até o outro”, ou seja, diariamente, gosto da ideia de que esse culto se dará em um dia de sábado, celebrando assim a nova criação de Deus. Ao redor do trono, diante do nosso maravilhoso Pai, com vestes brancas, todos nós salvos, a grande multidão de remidos, homens, mulheres e crianças, pessoas de todas as épocas, justificados pela graça de Cristo, santificados pela ação do Espírito, glorificados pelo poder de Deus. Estamos circundados pelos exércitos de anjos celestes, em total reverência, com alegria sem fim no coração. Em nosso pobre planeta lá embaixo, o mal ainda não terá sido extinto, estamos iniciando o milênio de glória, mas já estamos livres dos efeitos do pecado, já sem lembrança de tudo de ruim que passamos.

O coro de anjos, a orquestra maravilhosa, instrumentos jamais vistos, todos a postos, prontos, aguardando o início daquele culto especial. A um sinal de Gabriel, o magnífico arcanjo, maestro maior de todos os coros, erguem-se as vozes celestes.

Perfeição completa, eis a música do céu! Finalmente a conhecemos, nós que sobre ela tanto falamos, discutimos e divergimos em nossa velha Terra. Como é diferente de tudo que pensávamos! Como era pobre nossa imaginação! Falávamos em tantos padrões, culturas, escolas musicais, gêneros, e a música de Deus agora nos surpreende a todos. Como teria sido tão melhor ter deixado, lá em nosso velho planetinha, o Espírito falar ao nosso coração, sempre, acima de qualquer erudição, acima de qualquer preconceito, acima da estratificação de nossas mentes!

E os músicos celestes nos brindam com um concerto extraordinário de boas vindas aos salvos. São momentos eternos que passam, que não sentimos, que não nos cansam nem incomodam. Criação musical coletiva, todos parecem pensar os mesmos acordes e sequências, e a música flui espontânea e bela, é mágica, impressiona os corações, alegra a alma dos salvos em Jesus.

De repente, a música muda. Cristo Jesus levanta-se ao lado do Pai e adianta-se. É o Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo, o Leão da tribo de Judá, o Príncipe da Paz. Para Ele voltam-se todos os olhares, as mentes e os corações. É para Ele a próxima música do céu. Os acordes são outros, é outra a cadência, os anjos mal conseguem conter a emoção. A letra, de poesia perfeita e maravilhosa repete: “Digno é o Cordeiro, que foi morto, de receber o poder, e riqueza, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e louvor”. Não dá pra descrever o que vai no coração de todos os presentes. Os remidos choram, mas é um choro de alegria, de agradecimento. São mais momentos eternos e inesquecíveis.

E agora, algo especial: a uma modulação maravilhosa, que o mais experimentado dos músicos terrestres jamais conseguiu sequer imaginar, a orquestra e o coro param. Jesus vai solar. Sua voz é completamente harmônica. Em alguns momentos suave e doce, a voz do Bom Pastor; em outras partes é como o som de muitas águas. Dispensa o acompanhamento. A letra diz, entre outras belezas: “Vinde, benditos de meu Pai. Possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo”. A orquestra e o coro de anjos, voltam em contracanto perfeito, respondem e devolvem a Cristo toda a honra, repetindo: “Digno é o Cordeiro, que foi morto, de receber o poder, e riqueza, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e louvor”. A participação do Salvador, do Rei dos Reis, é perfeita.

Mas ainda há mais emoção nesse culto difícil de narrar. Todos os remidos que estão prostrados diante do trono, agora se levantam. Sim, nós vamos agora cantar. E não vamos fazer feio, temos mentes transformadas e corpos glorificados, dons restaurados, alcançamos a perfeição em Cristo Jesus. E sobre o que cantamos? Ah, com toda certeza, cantamos da experiência humana, da experiência pessoal de cada um. Cantamos daquilo que vivemos e passamos. E os outros mundos, habitados por seres superinteligentes e sem pecado, a tudo assistem maravilhados, sendo que jamais poderão cantar como nós cantamos, pois serão incapazes de transmitir musicalmente aquilo que não viveram.

E cantamos o cântico de Moisés, servo de Deus, e o cântico do Cordeiro, dizendo: “Grandes e admiráveis são as tuas obras, ó Senhor Deus Todo-Poderoso; justos e verdadeiros são os teus caminhos, ó Rei dos séculos”.

E o grande culto, antecedendo a monumental Escola que virá depois, prossegue todo em música, alternando coro e orquestra de anjos, solos maravilhosos, corais de remidos triunfantes. Não existe mais cansaço, não mais tédio, não mais monotonia, o tempo não existe, estamos enfim na Eternidade, vivendo dentro do sonho!

No final, a bênção do Pai, o Deus dos Exércitos, o Criador de todos os mundos, que sobre nós levanta o Seu rosto, e nos dá a paz, a Sua paz, que excede a todo o entendimento.

Em seguida, o início do nosso aprendizado na grande Escola dos céus. Quantas perguntas, quanta curiosidade, quanta sede de saber e conhecimento. Deus, Cristo Jesus, os santos anjos, a influência esclarecedora do Espírito Santo, são os nossos Mestres nessa Escola eterna. Ali, diariamente, ouviremos de Suas bocas santas e sábias, tudo que não entendíamos, e com mente clara agora compreendemos perfeitamente, sem sofismas, sem enganos, sem dúvidas.

Depois, ao lado do rio da água da vida, encimados por um céu de azul perfeito, a ceia dos remidos, com os frutos da árvore da vida, alimento sadio que nos garante a vida eterna, sem doenças, sem dores, sem sofrimento, sem pecado.

Amigos, quando aqui cantamos o que vivemos, o canto sai livre, verdadeiro, consistente, autêntico e transmite um prenúncio da atmosfera do céu. Quando aqui estudamos e nos alimentamos da Palavra de Deus, estamos nos aprimorando no conhecimento de um Deus maravilhoso e um Salvador justificador. Deus queira, e Ele com certeza quer, que cada ser humano se arrependa e se salve. O fogo eterno não foi preparado para nós, mas para o diabo e seus anjos. Aquele culto maravilhoso, de cuja liturgia aqui consegui apenas arranhar um pouquinho a superfície, nos espera. Não podemos faltar, não iremos chegar atrasados! Deus nos abençoe, e mesmo em meio às nossas manias e aos nossos desencontros, nos conserve em união de propósitos e em amor fraterno, sem o que, não estaremos lá naquele dia. Sejam felizes.

Mário Jorge Lima (via Instantâneos do Reino)

quarta-feira, 22 de abril de 2026

TRUMP, O PAPA E A DISSONÂNCIA CRISTÃ

Em menos de quinze dias, os temas religiosos entraram com força no debate político e tem impactado o cenário eleitoral brasileiro. O caso mais recente ganhou repercussão na última segunda (20), quando a imagem de um soldado israelense esmagando a cabeça de uma estátua de Jesus em Debel, no sul do Líbano, se espalhou nas redes.

O episódio se soma a uma postagem de Donald Trump, em sua própria rede social, de uma foto, produzida por inteligência artificial, em que aparece retratado como Jesus. Além disso, houve a troca de farpas entre a Casa Branca e o papa americano, Leão XIV. A sequência toca em um ponto de conexão entre evangélicos e católicos brasileiros à pauta trumpista e expõe contradições que o bolsonarismo terá dificuldade de blindar em 2026.

Segundo os dados da Palver, que analisa em tempo real mais de 100 mil grupos públicos de Whatsapp e Telegram, o tema tem se mantido em patamar elevado. Considerando as mensagens trocadas nos últimos 15 dias sobre essas questões de política e religião, 70% se concentram no embate de Trump com o papa, 29% na imagem de IA em que o presidente dos Estados Unidos aparece como Jesus, e o caso do soldado israelense já responde por 5%, com curva ascendente nos últimos três dias. O pico foi em 13 de abril, dia seguinte ao ataque de Trump ao pontífice.

No campo pró-papa, que representa 56% das mensagens que se posicionaram sobre o tema no monitoramento da Palver, há prevalência do argumento de que o presidente dos Estados Unidos desrespeitou os cristãos. Já nas mensagens pró-Trump há uma tentativa de enquadrar o papa como "progressista", "comunista" e, em variação mais recente, "pró-islã". Segundo a Palver, 44% das mensagens que tomam lado no embate replicam esse enquadramento, com destaque para vídeos em que o vice-presidente dos Estados Unidos JD Vance rebate o papa invocando os soldados americanos da segunda guerra. A tese desse grupo é que o pontífice só se pronuncia em casos contra Donald Trump como na invasão da Venezuela e na guerra contra o Irã.

O problema dessa narrativa é que ela exige do eleitor cristão um deslocamento teológico difícil, uma vez que se posicionar contra a paz e contra o líder da igreja católica produz uma dissonância cognitiva. Mais difícil ainda é aceitar que o presidente dos EUA pode se retratar como Jesus sem que isso seja blasfêmia. E foi exatamente aqui que a base trumpista se dividiu.

Influenciadoras do MAGA como Megan Basham e Riley Gaines se pronunciaram prontamente contra a postagem. O grupo CatholicVote e o bispo Robert Barron, alinhados à direita, também condenaram. Trump, que apagou a postagem, chegou a negar que a intenção foi de se retratar como Jesus, alegando que a montagem seria dele como um médico ajudando as pessoas, mas essa versão não colou.

Trump publicou imagem em que se retrata como Jesus após criticar papa
Uma das vozes mais duras contra Trump é de Tucker Carlson. O ex-apresentador da Fox News ganhou enorme protagonismo dentro do MAGA e usou sua influência para ajudar a colocar Trump de volta na Casa Branca. No entanto, mais recentemente esse apoio se transformou em críticas, principalmente após o início da guerra do Irã.

Após a postagem de Trump se retratando como Jesus, Carlson postou um vídeo no qual faz uma construção narrativa lendo um trecho da Bíblia em que há paralelos com as ações de Trump. Acontece que o trecho em questão se refere ao anticristo. Sem ser enfático, o apresentador apresenta a comparação e apenas questiona se Trump seria o anticristo, finalizando com um "quem sabe".

Esse tipo de recurso retórico é bastante utilizado pela direita nas redes sociais e se mostra bastante eficaz na formação e moldagem da opinião pública. Em um vídeo postado na última segunda (20) em sua conta do Youtube, Carlson pede desculpas ao seu público por levar às pessoas ao erro no que se refere ao apoio a Trump.

Sobre o soldado em Debel, no Líbano, a base aparece dividida em duas narrativas principais. Pouco mais de 48% reproduzem a linha institucional de que Israel vai investigar e punir o soldado, enquanto 39% tratam o caso como "ofensa a cristãos", proporção que vem ganhando força nas redes com ampla divulgação da imagem.

Um soldado israelense danifica a cabeça de uma estátua de Jesus em Debel, no Líbano.
Uma narrativa de menor expressão, focada na militância cristã, aponta que não se trata de um episódio isolado, mas um ataque aos cristãos, relembrando que recentemente houve a obstrução do acesso do Patriarca Latino à Igreja do Santo Sepulcro pela polícia israelense, em um caso que teve repercussão internacional. Em ambas as situações, o primeiro-ministro de Israel Benjamin Netanyahu se pronunciou, seja condenando a ação do soldado em Debel, seja permitindo o acesso do Patriarca Latino, ressaltando a liberdade religiosa do país.

A direita brasileira construiu nos últimos anos um alinhamento automático com Trump e Israel, aposta que funciona principalmente pelas questões morais e religiosas. Mas quando o presidente americano dispara contra o papa, se pinta como Cristo e um soldado aliado aparece destruindo a estátua de Jesus, o custo desse alinhamento pode ter um forte impacto eleitoral, principalmente em meio aos grupos cristãos. Além disso, os acontecimentos limitam também a ação dos líderes religiosos que possuem intenção de declarar apoio político, uma vez que precisam estar atentos para não produzirem contradições capazes de afetar a fé dos fiéis.

[via UOL]