quinta-feira, 25 de junho de 2026

MEDITAÇÃO #23 - NÃO DIRÁS FALSO TESTEMUNHO

"Não dirás falso testemunho contra o teu próximo" (Êxodo 20:16).

Ao olharmos para o nono mandamento do decálogo, logo nos vem à mente a idéia de mentira, ou o ato de mentir. Contudo, o nono mandamento deve ser entendido de forma mais profunda, pois assim como os outros mandamentos, não se limita a uma simples sentença negativa ou a uma simples regra, mas a uma norma de conduta e de relacionamento entre Deus e os homens.

“Não dirás falso testemunho” pode ser entendido como falar falsamente, dizer algo com o intuito de enganar, contrariar a verdade. Ellen White amplia o alcance do texto ao dizer que “por um relance de olhos, um movimento da mão, por uma expressão do rosto pode-se dizer falsidade tão eficazmente como por palavras” (Patriarcas e Profetas, p. 218). Essa afirmação é confirmada pelo texto original, na língua hebraica, no qual a palavra “ta’aneh”, traduzida como “dirás”, também pode ser expressa como “dar a entender”, portanto, não se refere apenas ao falar, mas também ao agir.

Se recorrermos ao dicionário, poderemos ter definições ainda mais enriquecedoras, e abrangentes como: dar indicação contrária à realidade, cessar de ser bom, criar intriga, tirar a boa fama, desacreditar… e por este primeiro grupo de definições podemos entender outra implicação do nono mandamento: a difamação, ou seja, o esforço no sentido de prejudicar a reputação, a “fama” de alguém. 

Podemos adicionar ainda outra tradução possível para o termo em hebraico mencionado anteriormente: “concordar”. Desta forma, não somente aquele que difama, mas também aquele que concorda com o que é falado ou permite que falem enganosamente de outro sem se manifestar contra, transgride o nono mandamento, uma vez que possibilita a outros serem tentados a acreditar e repetir tudo o que é indigno para aqueles cuja opinião ou atitude pretendem reprovar. Também está incluso aqui a paradoxal declaração “mentir para o bem”, isto é, “insinuar ou divulgar informações à desvantagem pessoal de outros, como se fossem justificados em pensar mal de alguém que entendem estar agindo errado” espalhando suspeitas sobre as motivações da conduta ou do outro. Motivo pelo qual os homens atraem tanta culpa a si próprios e criam tantos problemas para outros.

Em um segundo grupo de definições, observamos outra possibilidade de aplicação: disfarçar, encobrir as intenções, fingir, simular, não revelar os sentimentos, ocultar... essas definições demonstram uma intenção que não consiste somente em prejudicar o próximo, como na anterior, mas em obter algum benefício próprio por não mostrar a verdade ou por mostrá-la de forma incompleta. Podemos mencionar diversos exemplos, como simular uma doença para receber atenção, fingir simpatia por alguém importante para ganhar algum beneficio de sua amizade, forjar uma prova para inocentar-se de alguma acusação ou para acusar outro em seu lugar... tudo isto também é dizer falso testemunho. 

Apocalipse 14:3 menciona um grupo especial: os 144 mil. Não vem ao caso explicar quem são eles; mas uma coisa é clara: uma das razões porque esses 144 mil desfrutarão do favor de Deus é que “não se achou mentira na sua boca” (Apocalipse 14:5). Em outras palavras, são pessoas que praticaram a veracidade.

Você é uma pessoa verdadeira? No fundo, no fundo, todos nós temos uma natureza que tende para a mentira, para o engano; ninguém é melhor do que ninguém. Neste momento, Deus lhe diz: “Minha filha, meu filho, eu tenho para você um lugar especial no meu reino. Mas o meu reino é um lugar onde impera a verdade, porque EU SOU A VERDADE. Por isso, viva de modo verdadeiro, em tudo, até aquele dia em que vou levar você para um lugar de eterna paz. Eu prometo que vou fazer isso. Enquanto esse dia não chegar, conte comigo para vencer suas dificuldades e tentações. Eu estarei com você todos os dias da sua vida. Palavra de quem nunca mente”.

quarta-feira, 24 de junho de 2026

MEDITAÇÃO #22 - NÃO FURTARÁS

"Não furtarás" (Êxodo 20:15). Furtar ou roubar são diferentes em alguns aspectos, porém, ativos pelo mesmo princípio - tomar posse não autorizada do que não lhe é devido. Apropriar-se indevidamente do que pertence a outro pode ocorrer de maneiras diferentes daquilo que é tecnicamente denominado como furto ou roubo. Por exemplo, há fraudes, desfalques, roubos, extorsões, dívidas não sanadas e muitos outros, embora diferentes em alguns aspectos, porém ligados pelo mesmo princípio.

Os versos de Êx 21:16; 22:1–16; Lv 6:2-5; 19:11, 13; Dt 24:7 ampliam o significado do mandamento, impondo alguma penalidade, forma de restituição ou avaria pelo ato cometido, com o objetivo de evitar a dor causada aos outros, proteger a propriedade do cidadão, a capacidade de possuir algo e a manutenção da ordem social.

A desonestidade, em todo o seu pormenor, está diretamente ligada à ideia do furto. É o que encontramos em Dt 5:17-19, pois o sétimo, oitavo, nono e décimo mandamentos estão conectados pela conjunção coordenativa "e", significando que ambos estão agrupados pelo mesmo princípio. Essa ordem contra o roubo também é reforçada repetidamente no Novo Testamento (Mt 19:18; Rm 2:21; 13:9; 1Co 6:10; Ef 4:28; Tt 2:10; 1Pe 4:15). Para que a sociedade exista, este princípio deve ser salvaguardado, ou então não há segurança nem proteção. Tudo seria pura anarquia.

Este mandamento proíbe qualquer ato pelo qual, direta ou indiretamente, obtenhamos desonestamente os bens concretos ou abstratos de outros. Especialmente nestes dias, em que o aguçado senso de moralidade está ficando cada vez mais monótono, é bom lembrar que a adulteração de produtos, a ocultação de defeitos dos bens vendidos, a deturpação da qualidade, o funcionário que rouba o tempo de trabalho, a apropriação do que não foi previamente acordado, a negligência no cumprimento das obrigações trabalhistas, o emprego de falsos pesos ou medidas, o descumprimento de benefícios prometidos, salários mal pagos, horas extras não compensadas, deturpação dos dados do imposto de renda, apropriação de crédito pelo trabalho intelectual ou ideia que pertença a outro, entre tantos, são todos os atos de um ladrão no mais pleno sentido da palavra. Se é lei, se é ético e se é moral, deve ser cumprido, mesmo que você tenha uma interpretação contrária. Ellen White comenta: 
“Tanto pecados públicos como particulares são incluídos nesta proibição. O oitavo mandamento condena o furto de homens e tráfico de escravos, e proíbe a guerra de conquista. Condena o furto e o roubo. Exige estrita integridade nos mínimos detalhes dos negócios da vida. Veda o engano no comércio, e requer o pagamento de débitos e salários justos. Declara que toda a tentativa de obter-se vantagem pela ignorância, fraqueza ou infelicidade de outrem, é registrada como fraude nos livros do Céu. [...] O oitavo mandamento deve servir de proteção à alma, cercando aí o homem de maneira que ele não faça nenhuma usurpação prejudicial — o que seu egoísmo e desejo de ganho buscariam nos direitos de seu próximo" (Patriarcas e Profetas, p. 217 / Carta 15, 1895).
Não roubar significa amar a justiça, a equidade e o trato justo àqueles que fazem a lei da sua vida valer pelos outros como fariam os outros a eles, cumprem a essência do amor, traduzido nos mandamentos, e recebem de Deus as mais preciosas bênçãos.

Por outro lado, podemos roubar de outras pessoas de maneiras mais sutis, defraudando-lhes sua fé em Deus por meio de dúvidas e críticas, através do efeito destruidor de um mau exemplo, por fofocas perniciosas e caluniosas que podem privá-las de seu bom nome e caráter. Portanto, todo ato de esperteza que visa se beneficiar através de contas não pagas, diminuição de receitas, lucrar às custas de outros ou “se dar bem” em vários aspectos da vida acadêmica, social e profissional se configuram em engano, roubo ou furto.

Colocando o oitavo mandamento de forma positiva, eu diria: respeite o que pertence ao outro. O que é seu é seu. O que é do outro é do outro. Devolva o que você pegou emprestado e pague suas contas em dia! Dessa forma, você será uma pessoa confiável e respeitável na sociedade terrena. E o mais importante: desenvolverá uma característica fundamental dos cidadãos do Céu. Termino com esta advertência de Ellen White: 
"Como tratamos com nossos semelhantes em pequenas desonestidades ou em fraudes mais ousadas, assim trataremos com Deus. Os homens que persistem num curso de desonestidade executarão seus princípios até enganarem sua própria alma e perderem o Céu e a vida eterna" (O Lar Adventista, p. 392).

terça-feira, 23 de junho de 2026

MEDITAÇÃO #21 - NÃO ADULTERARÁS

Ela está entre nós há muito tempo, mas nem por isso nos acostumamos com sua realidade. A notícia da infidelidade no casamento ainda choca, traumatiza, entristece e fragmenta famílias em todo o mundo. Porém, se ela é tão prejudicial, por que ainda faz parte do cotidiano da sociedade?

O adultério pode acontecer de várias formas, com danos igualmente consideráveis. Vale atentar, pelo menos, para três tipos de traição: a imaginária (vivenciada na fantasia da pessoa, sem que haja, necessariamente, a participação consciente do outro), a virtual (muito popular em nossos dias, podendo incluir desde o acesso à pornografia online até um relacionamento virtual com uma pessoa específica) e a real (um estágio mais avançado do que as anteriores e que inclui o contato físico). À medida que a traição avança, o parceiro vai se esvaziando na vida do outro. Quando menos se percebe, ele não está mais lá. Ainda que os dois dividam a mesma casa, caminham silentes em sua solidão.

Tanto traidor como traído sofrem. O primeiro experimenta perda da integridade, forte sentimento de culpa, angústia, medo de ser descoberto e confusão de sentimentos. O segundo sente dor, decepção, rejeição, tristeza, medo quanto ao futuro, perda da autoestima, raiva e desespero, entre outras coisas. Ambos podem experimentar depressão e precisar de ajuda. Os danos tendem a aumentar quando crianças estão envolvidas.

Qualquer pessoa, religiosa ou não, está sujeita à paixões afetivas. Quando ela é religiosa, o compromisso de fidelidade é assumido não só para com o cônjuge, mas para com Deus também. Ocorrendo adultério, além da quebra da fidelidade com o companheiro(a), ocorre também a quebra do relacionamento com Deus. Vejamos o que diz Ellen G. White sobre o adultério em seu livro Testemunhos sobre Conduta Sexual, Adultério e Divórcio, pp. 89-91: 
"Um dos pecados graves nesta degenerada época de corrupção é o do adultério. Esse vergonhoso pecado é praticado em alarmante extensão. Houvessem, contudo, os transgressores do sétimo mandamento de ser encontrados unicamente entre os que não professam ser seguidores de Cristo, o mal não alcançaria a décima parte do que hoje representa; mas o crime do adultério é amplamente cometido por professos cristãos. O homem pode dissimular os fatos e ocultar que está praticando adultério; ainda assim Deus tem Seus olhos postos sobre ele. Deus o observa. Não é possível ao homem esconder dEle os seus crimes. Pode até mesmo conduzir-se de forma aparentemente correta diante da família e da comunidade, sendo considerado como um bom homem. Haverá, porém, de enganar a si mesmo, pensando que o Altíssimo não conhece todas as coisas?"
Os cristãos são chamados a exercitar pensamentos puros e viver vida pura, pois estão se preparando para viver em uma sociedade pura ao longo de toda a eternidade. A propósito, o mandamento “não adulterarás” em Êxodo 20:14 é mais abrangente. “Esta proibição abrange não apenas o adultério, mas a fornicação e a impureza de todo e qualquer tipo, em atitude, palavra e pensamento” (Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, v. 1, p. 651). 

E como se libertar do adultério? Reconhecer o problema e buscar ajuda é fundamental para se alcançar a vitória. Esteja certo de que sua convicção é fruto do trabalho do Espírito Santo que despertou em sua mente o senso de pecado. Cristo é a grande solução! O grande segredo para se obter a vitória é se consagrar todos os dias pela manhã à Cristo. Dessa maneira, sua permanência em Cristo será fortalecida, e quando aparecer uma tentação, você terá muito mais confiança para se apegar ao Senhor e cortar o pensamento impuro.

segunda-feira, 22 de junho de 2026

MEDITAÇÃO #20 - NÃO MATARÁS

A vida é a dádiva mais preciosa concedida por Deus e foi um dos bens mais afetados primariamente pelo pecado. O primeiro homicídio (Gn 4:8-16) contribuiu grandemente para o crescimento do desvalor e indiferença para com a vida humana. Por ser o maior bem instituído por Deus, a vida, é que se justifica o fato de sua preservação se tornar um mandamento.

“Não matarás” é a ordem do sexto mandamento (Êx 20:13). O verbo hebraico ratsach, “matar”, aparece cerca de 47 vezes no Antigo Testamento, sendo 20 delas apenas no livro de Números. O significado mais apropriado seria assassinar premeditadamente ou a tomada ilegal de vida inocente, incluindo qualquer assassinato não autorizado. Desta forma, o mandamento ensina a santidade da vida humana e traz o princípio da correta compreensão da nossa relação com o próximo, indicando que devemos respeitar e honrar a vida, pois a vida é um sagrado dom de Deus (Gn 9: 5-6).

Embora o mandamento não desautorize a possibilidade de legítima defesa ou mesmo a pena capital, como ocorreu algumas vezes no sistema teocrático, como representantes do evangelho de Cristo, o ministério cristão é de plena promoção da esperança e valorização da vida (Jo 10:10). Portanto, a pena capital, no Novo Testamento, é suprimida pelo evangelho da piedade prática ensinada amplamente por Jesus no sermão do monte (Mt 5, 6). Sob as palavras de Jesus, este mandamento tornou-se mais amplo ao incluir a raiva, o desprezo (Mt 5:21-22), e posteriormente, o ódio (1Jo 3:14-15).

Ellen G. White comenta como o mandamento “não matarás” é tão amplo em suas implicações: "Todos os atos de injustiça que tendem a abreviar a vida; o espírito de ódio e vingança, ou a condescendência de qualquer paixão que leve a atos ofensivos a outrem, ou nos faça mesmo desejar-lhe mal (pois 'qualquer que aborrece seu irmão é homicida'); uma negligência egoísta de cuidar dos necessitados e sofredores; toda a condescendência própria ou desnecessária privação, ou trabalho excessivo com a tendência de prejudicar a saúde — todas estas coisas são, em maior ou menor grau, violação do sexto mandamento" (Patriarcas e Profetas, p. 217).

Creio que Deus busca aqueles que, com amor transbordante, partem em busca dos inimigos, dos perdidos, dos desencaminhados e dos equivocados, com amor e graça, com o objetivo de conduzi-los amorosamente a Jesus: o bom e manso Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. “Pois é da vontade de Deus que, praticando o bem, vocês silenciem a ignorância dos insensatos” (1Pe 2.15).

sexta-feira, 19 de junho de 2026

MEDITAÇÃO #19 - NÃO COBIÇARÁS

Você já percebeu como o espírito de descontentamento está generalizado? Muitos estão buscando desesperadamente aquilo que finalmente satisfará seus desejos e suas vontades, mas descobrem que quanto mais têm e adquirem, mais querem.

Grande parte do conflito no mundo gira em torno de pessoas que se apegam egoisticamente à riqueza, à posição e ao poder. Por sermos seres humanos caídos, somos inclinados ao egoísmo, em contraste direto com o caráter perfeito e altruísta de Deus. O pecado e o egoísmo andam de mãos dadas. Em alguns círculos, entretanto, a palavra “pecado” não mais é ouvida. Alguns preferem não falar dele, preferindo se concentrar apenas em mensagens positivas.

A Bíblia, por sua vez, tem muito a dizer sobre o pecado, inclusive nos Dez Mandamentos. Entre eles está o décimo mandamento que, cada vez mais, é negligenciado. É o que trata do pecado da cobiça (Êx 20:17). De fato, se você perguntasse às pessoas na rua o que é cobiça, imagino que muitos nem sequer saberiam o significado da palavra. Em termos simples, a cobiça envolve o desejo egoísta e desmedido por aquilo que os outros possuem.

Infelizmente, muito do que está ao nosso redor foi concebido para nos fazer desejar exatamente desta maneira: sentir vazio e anseio por aquilo que não temos e, às vezes, desejar especificamente o que pertence aos outros. Desde as formas mais tradicionais de publicidade até os algoritmos das mídias sociais, somos bombardeados incessantemente com mensagens que estimulam nosso cérebro a ficar insatisfeito e desejar muitas coisas das quais não temos necessidade ou das quais não faremos bom uso.

Por outro lado, Paulo deu o exemplo de como “viver contente em toda e qualquer situação” (Fp 4:11). Nesse contexto, ele escreveu: “Tudo posso Naquele que me fortalece” (v. 13). Contudo, sendo bem honestos, não são necessárias campanhas publicitárias inteligentes ou algoritmos de mídia social para nos fazer cobiçar. Somos muito bons nisso!

Conta-se que um repórter perguntou ao magnata Nelson Rockefeller: “Quanto dinheiro é necessário para ser feliz?”. O ricaço respondeu com naturalidade: - Um pouco mais” (Michael Horton - A Lei da Perfeita Liberdade, p. 212). É isso. Cobiçar significa colocar nossa devoção em coisas – dinheiro, sucesso, fama – e transformá-las no centro de nossa existência, crendo que são o fundamento sobre o qual construímos a felicidade. Para o cobiçoso, as coisas se tornam mais importantes do que as pessoas e suas necessidades. O cobiçoso nunca está satisfeito; para ele, o muito é ainda pouco. Enfim, a cobiça é o amor fora de proporção, fora de equilíbrio e fora de lugar.

O apóstolo Tiago escreveu: “Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e Ele mesmo a ninguém tenta. Ao contrário, cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz. Então, a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte” (Tiago 1:13-15).

A cobiça, de muitas maneiras, é o pecado esquecido dos nossos dias. Talvez isso nem seja surpresa, já que está tão intimamente ligado à origem do pecado, quando Satanás caiu, concentrando-se em seu orgulho e buscando ser exaltado até mesmo sobre o trono de Deus. Jesus, porém, fez exatamente o oposto. Em contraste direto com o diabo, Ele humilhou-Se, tornando-Se humano e morrendo por nós (Fp 2:5-8).

Um dos principais objetivos da ênfase que as Escrituras dão ao pecado é a promessa de que podemos ter vitória por intermédio de Cristo e que, finalmente, por meio da Sua obra, todo pecado, sofrimento e morte serão erradicados. Se depositarmos nossa fé em Jesus, descobriremos que nossos anseios mais profundos, aos quais nada no mundo pode satisfazer plenamente, serão satisfeitos para sempre em Seu reino vindouro. E, mesmo agora, podemos encontrar Nele o contentamento e a paz que excedem todo entendimento (Fp 4:7).
"O egoísmo e a cobiça muitas vezes não são reprovados, no entanto, esses são pecados especialmente ofensivos a Deus, pois são contrários à benevolência de Seu caráter e àquele desinteressado amor que é a própria atmosfera do Universo não caído" (Ellen White - Caminho a Cristo, p. 30).

quinta-feira, 18 de junho de 2026

MEDITAÇÃO #18 - OBEDECER A DEUS OU À PAIXÃO?

É comum se ouvir que no Brasil o futebol é uma "paixão nacional", capaz de arrebanhar multidões para assistirem aos grandes "clássicos". Para alguns, o futebol é visto como uma verdadeira religião - idólatra, diga-se de passagem. Até alguns adventistas, fanáticos por futebol, sofrem um dilema por ocasião da Copa do Mundo, pois algumas partidas decisivas são realizadas no sábado, como a próxima da seleção brasileira contra o Haiti nesta sexta-feira às 21h30. E ai fica a questão: "obedecer a Deus... ou à paixão?"

Quando Deus libertou o Seu povo de Israel do Egito e lhes entregou Sua lei, Ele os ensinou que pela observância do sábado deviam ser distinguidos dos idólatras. Isto foi o que fez a distinção entre aqueles que reconhecem a soberania de Deus e aqueles que recusam aceitá-lo como seu Criador e Rei. "É um sinal entre mim e os filhos de Israel para sempre", disse o Senhor. "Guardarão pois o sábado os filhos de Israel, celebrando o sábado nas suas gerações por concerto perpétuo" (Êxodo 31:16, 17).

Como o sábado era o sinal que distinguia Israel quando saíram do Egito para entrar na Canaã terrestre, assim é o sinal que agora distingue o povo de Deus ao saírem do mundo para entrar no descanso celestial. O sábado é um sinal do relacionamento existente entre Deus e Seu povo, um sinal de que eles honram Sua lei. Isto faz distinção entre Seus súditos leais e os transgressores.

É triste ver os que professam crer nas reivindicações obrigatórias da lei de Deus, nos reclamos do sábado do sétimo dia expressos no quarto mandamento, displicentes em relação a seu caráter sagrado. Eles acabam fazendo as próprias coisas que o Senhor lhes disse que não devem fazer nesse dia.

O sábado é tempo de Deus. Ele santificou e abençoou o sétimo dia. Ele o colocou à parte para o homem guardá-lo como um dia de adoração. Mas nada que eu possa dizer será mais forte do que as palavras do quarto mandamento (Êxodo 20:8-11). Este é o dia de Deus, e mostramos nossa lealdade a Ele quando não apenas cremos, mas cumprimos Seus mandamentos. 

Se os interesses do dia a dia correm o risco de serem prejudicados, alguns infringirão o sábado, e na realidade roubarão o tempo de Deus, e se apropriarão dele para seu próprio uso. Isto deprecia a santidade do sábado não apenas em suas próprias mentes, mas por seu exemplo removem de outras mentes a sagrada dignidade que o Senhor colocou sobre o mesmo. Aquilo que Deus tornou santo é rebaixado ao mesmo nível de outros dias comuns de trabalho tão logo quanto qualquer atividade desnecessária seja feita nesse dia. Mas o sábado tem sido tratado com grande desrespeito. Tem sido usado de uma maneira a depreciar sua dignidade, e remover a sagrada santidade que Deus colocou sobre o mesmo. 

O convite que deixo aos fiéis é que deixem de lado os próprios interesses e dediquem o sábado à comunhão com Deus, mesmo que isso signifique abrir mão de acompanhar a próxima partida da seleção brasileira na Copa do Mundo 2026. E finalizo aqui com uma pergunta para reflexão: iremos insultar e desonrar a Deus pelo desrespeito de Seu santo dia? 

quarta-feira, 17 de junho de 2026

MEDITAÇÃO #17 - MUNDOS NÃO CAÍDOS

Mundos não caídos são os incontáveis planetas criados por Deus que permaneceram fiéis e sem pecado. Eles observam o grande conflito entre Cristo e Satanás na Terra, e o plano de salvação serve como uma demonstração universal do caráter de amor divino. 
"Cada olho no universo não caído está voltado para aqueles que manifestam ser seguidores de Cristo. Em nosso minúsculo mundo trava-se uma guerra intensa" (Ellen White - RH, 29 de setembro de 1891).
Outros textos dos escritos de Ellen White descrevem esses mundos como habitados por seres majestosos, inteligentes e sem pecado, que adoram a Deus e não conhecem a morte, e que refletiam perfeitamente a imagem de Jesus.
"O Senhor me proporcionou uma vista de outros mundos. Foram-me dadas asas, e um anjo me acompanhou da cidade a um lugar fulgurante e glorioso. A relva era de um verde vivo, e os pássaros gorjeavam ali cânticos suaves. Os habitantes do lugar eram de todas as estaturas; nobres, majestosos e formosos. Ostentavam a expressa imagem de Jesus, e seu semblante irradiava santa alegria, que era uma expressão da liberdade e felicidade do lugar" (PE, p. 39).
A rebelião de Lúcifer não se limitou à Terra. Segundo a crença, Satanás tentou estender sua influência a outros mundos, mas falhou, pois as criaturas leais rejeitaram suas mentiras. 
"Satanás pensou que se ele pôde levar consigo os anjos do Céu à rebelião, poderia também levar os outros mundos. Mas a controvérsia não deveria se espalhar a outros mundos do universo. Ela deveria prosseguir no próprio mundo, na mesma esfera que Satanás reivindicava como sua" (RH, 9 de março de 1886).
Vemos também que a redenção humana na cruz de Cristo não serve apenas para salvar a humanidade, mas é o espetáculo central que vindica o caráter e a justiça de Deus perante todo o universo. 
“A morte de Cristo terminou para sempre toda a polêmica nos mundos não caídos acerca dos princípios de ação de Satanás, seus métodos desonestos e mentirosos. Satanás nunca mais poderia encontrar a menor simpatia entre eles. Seu poder e domínio, que haviam desafiado a Lei de Jeová, teriam fim, e a paz reinaria no céu eternamente” (YI, 5 de agosto de 1897).
Sobre a existência de outros mundos habitados, encontramos algumas diretas evidências na Palavra de Deus. Em 1 Coríntios 4:9 encontramos umas das evidências mais contundentes em favor do nosso ponto de vista. Observe que na parte final do verso, lemos que “nos tornamos espetáculo ao 'mundo', aos anjos e aos homens”. A palavra “mundo” traduzida da palavra grega kosmos, tem o significado usual de “a terra habitada”, mas também significa “universo”.
"Os mundos não caídos e os anjos celestiais vigiam com intenso interesse o conflito que se aproximava do desfecho" (DTN, p. 489).
Há, porém, um número maior ainda de evidências indiretas, que no contexto geral das Escrituras nos levam a crer na existência de outros mundos. Entre elas podemos citar Jó 2:1, 2 e Romanos 8:19. Contudo, temos que cuidar para não sermos enganados com a onda de misticismo atual e a crença popular que seres de outros mundos estão nos “visitando”. Esses outros mundos criados por Deus são mundos que não caíram em pecado, portanto, eles não poderiam entrar em contato conosco. Os OVNIs, ETs, ou qualquer aparição alardeada, são brinquedos de Satanás, operando maravilhas entre os homens para desviá-los da verdade da Palavra de Deus, a qual é a nossa única fonte segura de informação, de salvação e de orientação em relação aos últimos acontecimentos da história desse mundo. Mais do que nunca devemos fundamentar nossa confiança na revelação inspirada de Deus.
"Todos os tesouros do Universo estarão abertos aos remidos de Deus. Livres da mortalidade, alçarão voo incansável para os mundos distantes. Os filhos da Terra entram de posse da alegria e sabedoria dos seres não caídos e compartilham de tesouros de entendimento adquiridos durante séculos e séculos. Com visão clara, olham para a glória da criação — sóis e estrelas e sistemas, todos na sua indicada ordem, a circular em torno do trono da Divindade" (GCC, p. 293).