O Brasil abriga pouco mais de 2 milhões de migrantes, entre residentes, temporários, refugiados e solicitantes de reconhecimento da condição de refugiado, de aproximadamente 200 nacionalidades, segundo dados divulgados na última quinta-feira (30/04) pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). O 12º Relatório Anual do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra) também mostra dados demográficos da população de migrantes e refugiados, como empregabilidade e concentração de comunidades em regiões específicas.
Cerca de 414 mil da população de migrantes estão empregados formalmente no país. O destino principal para trabalho formal é a Região Sul, com 56,2% dos migrantes empregados, sobretudo no setor agroindustrial. Os três estados sulistas também são destaque na oferta de capacitação profissional, especialmente o Paraná (PR), que marca a maior atuação na revalidação de diplomas.
O estudo destaca mudanças nos fluxos migratórios de venezuelanos, haitianos, cubanos e angolanos no Brasil e aponta a necessidade de políticas específicas.
Entre venezuelanos, há incerteza sobre novos fluxos, com possível pressão sobre Roraima e demanda por assistência a mulheres, crianças e idosos em vários estados. Entre haitianos, a tendência é de estabilização, com foco na reunificação familiar e atendimento a mulheres e crianças.
Outro ponto de relevância do relatório é o crescimento da imigração cubana, concentrada em Roraima, Amapá e estados do Sul e Sudeste, pressionando o mercado de trabalho local. Já os angolanos ampliaram a chegada desde 2021, sobretudo homens em idade ativa, além de crianças, exigindo ações de emprego e apoio social.
O cuidado com os de fora
Os cristãos precisam estar atentos para unir esforços e atender os que são de fora, refugiados ou migrantes, com a mesma disposição de ajudar os amigos mais chegados. Na Bíblia percebemos que, em diferentes épocas, os ensinos divinos por meio de profetas, mestres, apóstolos e do próprio Cristo exaltam o devido atendimento aos estrangeiros.
Na Palavra de Deus, vemos Moisés recebendo diretamente do Senhor a certeza de que o estrangeiro que peregrinava com os israelitas não deveria ser oprimido, mas sim amado (Êx 23:9; Lv 19:33, 34). Afinal, o povo hebreu sabia o significado de ser estrangeiro devido à sua experiência durante o cativeiro egípcio.
Essa preocupação ainda abrangia a alimentação e os estatutos (Lv 23:22; 24) porque a parte da colheita que caía não devia ser recolhida, pois serviria aos de fora. E tanto os estrangeiros quanto os naturais recebiam a mesma lei.
O tratamento precisava ser igual também nas cidades de refúgio que serviam de proteção na época. Elas abrigavam os filhos de Israel e os estrangeiros (Nm 35:15).
Deus reforçou continuamente o pedido de misericórdia e piedade para que Seu povo não oprimisse os que haviam se juntado a eles (Sl 146; Is 56; Jr 7; Jr 22; Zc 7; Ml 3).
Já o Novo Testamento mostra judeus e samaritanos como inimigos acirrados. Para romper esse problema, Jesus fez questão de passar por Samaria e Se encontrar com a mulher no poço de Jacó e então Se apresentar como o próprio Messias (Jo 4:26). A atenção foi tanta aos estrangeiros que, a pedido deles, Cristo ficou em Sicar dois dias e, assim, muitos creram em Suas palavras.
Atos 8 é outro exemplo da mensagem de amor que alcança todos. O encontro de Filipe com o eunuco etíope, oficial da rainha Candace, resultou na explicação das boas-novas de Jesus e no batismo do etíope.
Quando o assunto é o estrangeiro no Novo Testamento, o apóstolo Paulo tem muitas passagens em que afirmou que Deus o colocou como representante perante eles. Mais que isso, ele é enfático ao frisar que seu ministério estava voltado aos de fora, denominados naquela época de gentios (At 9, 22, 28). Aliás, qualquer pessoa que não fosse descendente de judeus era automaticamente considerada gentia.
Essa ênfase paulina aparece de suas cartas (Gl 1; 1Tm 2), sem contar que Paulo exaltou seu ministério aos de fora (Rm 11:13) e ainda fez questão de demonstrar seu amor pela missão voltada aos gentios (Ef 3:1).
Respeito e ajuda aos estrangeiros
Diante de tantos exemplos bíblicos do cuidado com os estrangeiros, é preciso atentar a essas situações. O atendimento aos refugiados e aos migrantes deve ser uma prática costumeira dos cristãos que “amam o próximo como a si mesmos” (Mt 22:39).
O exercício do amor assiste o próximo, seja ele o vizinho de porta ou alguém chegado de outro país, pois todos somos irmãos de um único Pai. Portanto, não deve haver disparidade no tratamento quando nos relacionamos com nativos ou estrangeiros, com familiares de sangue com quem convivemos durante toda a vida ou com irmãos em Cristo que acabamos de conhecer e com quem precisamos fortalecer laços e vínculos.
Toda ajuda aos refugiados e migrantes demonstra a disposição do amor cristão em servir como participante de um reino que demanda urgência na atenção à fragilidade humana. É essencial atender disposições cotidianas e reafirmar a esperança vindoura de uma pátria em que não mais seremos “estrangeiros e peregrinos na terra” (Hb 11:13).
O auxílio ao próximo é um remédio contra o coração egoísta, e o serviço a estrangeiros necessitados deve aumentar consideravelmente para que as situações de xenofobia sejam combatidas.
As seguintes palavras publicadas por Ellen White na Review and Herald de 25 de julho de 1918 parecem ganhar mais sentido atualmente: “O povo de Deus deve trabalhar fielmente em terras distantes, segundo Sua providência abrir o caminho; e deve também cumprir seu dever para com os estrangeiros de várias nacionalidades nas cidades e vilas e distritos rurais próximos”.
Se com o passar do tempo os relacionamentos que rompem fronteiras aumentam, é certo que também precisamos de boas práticas no acolhimento e no atendimento do estrangeiro. Enquanto um novo céu e uma nova Terra não chegam, devemos nos dispor a ser usados pelo Espírito para amenizar as tensões que chegam até nossa cidade.
[Com informações de Revista Adventista]






