"Ser chamado de refugiado é o oposto de um insulto; é uma insígnia de força, valor e vitória" (Serviço para Refugiados do Tennesse).
As imagens de milhares de pessoas tentando alcançar a nado o enclave espanhol de Ceuta, no Norte da África, evocam uma das fotografias mais dolorosas das crises de refugiados no Mediterrâneo, a do menino sírio Alan Kurdi, de três anos, encontrado sem vida em uma praia da Turquia, em 2015. Naquele momento, líderes mundiais prometeram que a comoção produziria mudanças. Onze anos depois, o mar entre a Europa, a África e Ásia continua sendo uma vala comum alimentada pela desigualdade, pela ganância, pelas guerras, pela emergência climática e pela indiferença.
Ao menos 34 pessoas morreram na atual tentativa de entrada em Ceuta. Milhares de seres humanos nadando em direção à Espanha não constituem apenas uma crise migratória. O fracasso não está em quem entrou no mar em busca de futuro. Está no mundo que tornou o mar a única alternativa.
Diante desta triste notícia, lembramos como Jesus experimentou em primeira mão a difícil situação de ser um refugiado. Depois que Maria deu à luz a Jesus em Belém, Mateus 2:13 compartilha que "um anjo do Senhor apareceu a José em sonhos e disse: 'Levanta-te, toma o menino e sua mãe e foge para o Egito. Fica lá até que eu te diga, porque Herodes vai procurar o menino para matá-lo'". A vida precoce de Jesus reflete a dura realidade que inúmeros refugiados enfrentam hoje ao fugir de seus lares em busca de um refúgio seguro para viver em paz.
Quando beneficiamos alguém, demonstramos nosso amor pelo próprio Cristo. “Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me hospedastes” (Mateus 25:35). Que linda oportunidade Deus nos dá para mostrar que assim como Sua misericórdia nos alcança dia após dia, esta se reflete em nós ao termos compaixão pelos sofredores.
Jesus, o personagem que permanece através dos séculos, nos deixou uma grande lição de amor ao próximo: estender nossas mãos aos sofredores, como pontes de consolo e esperança. Não é por acaso que o segundo mandamento, o mais importante da Bíblia, é: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo."
Embora a palavra 'refugiado' não se encontre nas Escrituras, o coração de Deus pelo estrangeiro, o forasteiro e o peregrino é claro, assim como Seu chamado para que Seus seguidores amem ao próximo como a si mesmos. "Ele defende a causa do órfão e da viúva e ama o estrangeiro que reside entre vocês, dando-lhe alimento e roupa. Vocês também devem amar os estrangeiros, pois vocês mesmos foram estrangeiros no Egito" (Deuteronômio 10:18-19).
Na reunião de despedida com os discípulos, Jesus lhes deu uma garantia que ainda hoje aquece o coração de muitos peregrinos: “Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar. E, quando eu for e vos preparar lugar, virei outra vez…” (Jo 14:1-3; grifos acrescentados).
O ACNUR (Agência da ONU para Refugiados) registrou 117,8 milhões de pessoas em situação de deslocamento forçado globalmente até o final de 2025, sendo 41,6 milhões estritamente classificados como refugiados. São pessoas buscando refúgio dentro ou fora de suas fronteiras nacionais. E receosas com um possível aumento desordenado da população, as autoridades de alguns países estão preocupadas com o alto fluxo de imigrantes e estão fechando cada vez mais suas fronteiras, porém, na Canaã celestial há espaço suficiente para todos os refugiados deste mundo.
"Na Bíblia, a herança dos salvos é chamada um país. Há ali casas para os peregrinos da Terra. Estamos em caminho para casa. Aquele que nos amou de tal maneira que morreu por nós, construiu para nós uma cidade. A Nova Jerusalém é o nosso lugar de repouso. Não haverá tristeza na cidade de Deus. Nenhum véu de infortúnio, nenhuma lamentação de esperanças frustradas e afeições sepultadas serão jamais ouvidas" (Ellen White - O Lar Adventista, p. 543).






