quarta-feira, 12 de agosto de 2026

MEDITAÇÃO #56 - RESGATE

Equipes de resgate retiraram com vida uma mulher (foto) de 32 anos dos escombros deixados pelo terremoto de magnitude 7,4 que atingiu a Colômbia na segunda-feira (10). Daniela Largo foi resgatada de um prédio de quatro andares que desabou completamente em Pereira após passar quase 38 horas sob os destroços. O resgate levou dez horas exaustivas. Dezenas de especialistas em resgate e cerca de 50 voluntários trabalharam para chegar até ela, que estava com um dos braços preso por uma porta de metal. A mãe dela, Sandra Milena Perez, celebrou: "Estávamos perdendo a esperança".

É uma história forte, comovente e ao mesmo tempo uma ilustração viva de nosso resgate do pecado. Pense no sofrimento daquela mulher durante as 35 horas em que esperou por uma solução, e você vai entender melhor o sofrimento de Deus, dos anjos e dos mundos não caídos ao contemplar nossa condição e a longa espera pelo momento certo do resgate. 

Apesar de sermos todos pecadores, incapazes de pagar a pena, Jesus morreu por nossos pecados para que não tenhamos que morrer por eles. Ele tomou nosso lugar na cruz para que pudéssemos sair livres. Esse resgate foi quitado plenamente no Calvário. O símbolo do nosso resgate passa pela cruz. Jesus ressuscitou e continua resgatando vidas das trevas para a luz.

Quando o ser humano consegue perceber os escombros nos quais se encontra, finalmente ele se rende ao resgate oferecido por Jesus. Um resgate gracioso e eternamente salvador. Um resgate que envolve o resgatado com o poder do Espírito Santo, a fim de que os perigos e ameaças desta vida não contaminem a ação redentora de Jesus, uma ação que ultrapassou os símbolos e tornou-se realidade por amor a nós.

O mais marcante, porém, é que nosso resgate terá igualmente um final feliz como o de Daniela. Em breve Cristo voltará e nos levará para casa. A segunda vinda de Cristo será o maior resgate da história da Terra. 
"O Senhor voltará em breve, e precisamos estar preparados para encontrá-Lo em paz. Ele virá logo, e devemos estar prontos e aguardando o Seu aparecimento. Oh! quão glorioso será vê-Lo e receber as boas-vindas como remidos Seus! Por muito tempo temos esperado; mas nossa esperança não deve diminuir. Estamo-nos aproximando do tempo em que Cristo virá com poder e grande glória para levar ao lar eterno os Seus resgatados" (Ellen White - Conselhos para a Igreja, p. 365).
Nosso resgate está chegando. Não perca a esperança!

terça-feira, 11 de agosto de 2026

MEDITAÇÃO #55 - INSUPORTÁVEIS

Todos nós conhecemos e convivemos com pessoas insuportáveis dentro da igreja. Gente chata, pedante, mentirosa, enganadora, hipócrita, arrogante, sem noção, inconveniente, deselegante, ofensiva, sem limites, abusada, sem amor, irritante, insubmissa, incompatível… Nossa, são tantos os adjetivos que tornam uma pessoa insuportável que fica até difícil listar todos. Mas elas estão aí, fazem parte da nossa vida, a convivência geralmente é compulsória e não tem jeito: somos obrigados a compartilhar ambientes, conversas, tarefas ou simplesmente a presença delas. A pergunta é: como suportar as pessoas insuportáveis que convivem conosco na igreja?

Nessa hora, como em tudo na vida, temos que voltar nossos olhos para as Sagradas Escrituras em busca de respostas. Porque, se formos agir segundo a nossa carne, simplesmente vamos começar a brigar, ofender, cortar relações e a ter outras reações nada espirituais com relação a essas pessoas insuportáveis. Quando, na verdade, Jesus deseja que nós consigamos conviver com o diferente. 

E, vou te contar um segredo: a esmagadora maioria das pessoas é diferente de você. Logo, insuportável. Dentro da igreja, então, onde todos deveriam ser um amor e agir segundo o exemplo de Cristo, o coeficiente de insuportabilidade é enorme. Que fazer? Deixar de ir à igreja? Fugir da comunhão? Paulo toca no assunto em Efésios 4. Ele diz: “Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados, com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor“.

Repare: de todas as atitudes que o apóstolo poderia nos recomendar ter, ele nos manda logo “suportar uns aos outros“. O segredo é o que Paulo diz logo depois: “suportando-vos uns aos outros em amor“. Amor: essa é a formula mágica. Isso se confirma quando lemos 1 Coríntios 13:7: “O amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta“.

Sim, o amor tudo suporta, inclusive o que é insuportável. Senão não seria “tudo”. “Mas falar de amor é fácil”, alguém poderia argumentar”, “na hora de lidar com a pessoa insuportável quero ver amar de verdade”. Só que esse amor não se restringe a um sentimento fácil. Exige esforço. Exige a consciência de que dele depende a união do Corpo de Cristo. Repare o que o apóstolo Paulo diz em Efésios logo em seguida a “suportando-vos uns aos outros em amor”: “Esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz; há somente um corpo e um Espírito, como também fostes chamados numa só esperança da vossa vocação“.

Deus deseja paz para sua Igreja. Deseja paz para cada membro de seu Corpo. Você certamente sabe quem são os insuportáveis da sua igreja. Ame-os. Suporte-os. Despenda esforços nesse sentido. E faça isso com zelo. Pois essa é a única forma possível de haver unidade na Igreja. Ah, só mais uma coisa: nunca se esqueça de que o insuportável da sua igreja pode ser… você.
"Devemos suportar-nos uns aos outros, lembrados de nossas falhas. É tempo para todos se lançarem à obra, sem se deter para medir exatamente a parte do erro que cabe ao outro, mas cada qual sondando o próprio coração. Somente no coração em que reina o amor é que habitará a paz de Deus" (Ellen White - Mente, Caráter e Personalidade 2, p. 633).

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

MEDITAÇÃO #54 - ACIMA DA POLARIZAÇÃO

A cada dois anos, os brasileiros são chamados às urnas para escolher seus representantes. Há algum tempo, porém, esse exercício de cidadania tem sido marcado pela polarização, cujos reflexos também têm alcançado a igreja. Desde seus primórdios, a Igreja Adventista reconhece a liberdade de consciência e a responsabilidade individual diante do voto, fundamentando essa compreensão não em argumentos políticos, mas em princípios bíblicos. Em tempos como o nosso, convém relembrar cinco deles.

1. Deus é soberano. O desenrolar da história, à luz das profecias bíblicas, revela que, em Sua soberania, Deus “remove reis e estabelece reis” (Daniel 2:21). Ele jamais perde o controle dos eventos mundiais, seja diante de governantes bons ou maus. Faraó, Nabucodonosor e Ciro demonstraram que o Senhor pode cumprir Seus propósitos até por meio de autoridades que não O reconhecem.

2. O povo de Deus tem dupla cidadania. Embora nossa cidadania esteja nos Céus (cf. Filipenses 3:20), o Senhor nos chamou a viver com responsabilidade enquanto peregrinamos na Terra. José, Daniel e Neemias exemplificaram esse princípio: mesmo estando longe de sua pátria, permaneceram fiéis ao Senhor e trabalharam em favor do bem comum. Em sua trajetória, demonstraram o significado da orientação divina: “Procurem a paz da cidade […] e orem por ela ao Senhor; porque na sua paz vocês terão paz” (Jeremias 29:7).

3. A lealdade ao Senhor está acima de qualquer outra autoridade. A Bíblia ensina o povo de Deus a respeitar as autoridades e a ser exemplo de boa conduta (cf. 1 Pedro 2:11-17). Isso, porém, não significa fazer concessões que contrariem os princípios divinos. Sadraque, Mesaque e Abede-Nego recusaram-se a obedecer a uma ordem que violava a lei de Deus. Além disso, demonstraram que sua fidelidade não dependia do livramento ao declarar: “E mesmo que Ele não nos livre, fique sabendo, ó rei, que não prestaremos culto aos seus deuses, nem adoraremos a imagem de ouro que o senhor levantou” (Daniel 3:18).

4. A unidade do povo de Deus está acima das divisões políticas. Ao interceder por Seus discípulos, Cristo suplicou: “Pai santo, guarda-os em Teu nome, que Me deste, para que eles sejam um, assim como Nós somos um” (João 17:11). Alimentar divisões políticas na igreja é contrariar essa oração, enfraquecer o testemunho do evangelho e abrir espaço para a ação do inimigo. Ao chamar Mateus, o publicano, e Simão, o zelote – homens identificados com visões politicamente opostas –, Jesus demonstrou que a comunhão cristã é maior do que qualquer diferença política.

5. O voto deve refletir os valores do reino. Ao exercer esse direito, o cristão deve ser guiado pelos princípios do reino dos Céus. “O que o Senhor pede de você? Que pratique a justiça, ame a misericórdia e ande humildemente com o seu Deus” (Miqueias 6:8). Natã, Elias e João Batista mostraram que a fidelidade ao Senhor não relativiza o pecado nem se curva a projetos de poder. Como povo profético, somos chamados a viver a mesma integridade.

As eleições se aproximam e nos oferecem a oportunidade de testemunhar que nossa confiança não está nos projetos humanos, mas no estabelecimento do reino de Deus. Que nossas escolhas sejam guiadas por princípios bíblicos e nosso testemunho aponte, acima de qualquer polarização, para Cristo, a única esperança do mundo.
"Os que são genuinamente cristãos são ramos da Videira verdadeira, e darão o mesmo fruto que ela. Agirão em harmonia, em comunhão cristã. Não usarão distintivos políticos, mas os de Cristo" (Ellen White - Conselhos para a Igreja, p. 324).

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

MEDITAÇÃO #53 - PAI

"Lembre-se do seu Criador" (Eclesiastes 12:1).

Há alguns estudiosos da Bíblia que interpretam essas palavras de Salomão de um jeito peculiar. Desconsiderando o transcendente, entendem que o conselho do velho sábio é para os filhos - que nunca se esqueçam de seus pais. Isso porque a palavra "criador", no hebraico original, se encontra no plural - criadores. Não é meu interesse discutir a interpretação do texto, embora seja bem clara para mim. Creio que essa leitura "alternativa" como que se perde e se encontra no conselho original - um lembrete que aponta para o Céu.

O tempo passa e esquecemos quem nunca deveria ser esquecido.

Neste próximo domingo, o Brasil assistirá a muitos abraços, churrascos, reencontros. Alguns, é bem verdade, promovidos simplesmente pela conveniência de uma tradição ou pela insistência da propaganda; outros, pela força do sentimento que une corações que bombeiam um mesmo tipo de sangue.

Neste próximo domingo, alguns sorrisos irão se apagar, dando lugar à saudade chorosa. Alguns irão esbarrar na cadeira vazia da mesa de jantar. Outros irão buscar retratos, bilhetes, como se fossem pedaços ainda vivos de alguém que foi e não volta mais.

Neste próximo domingo, alguns irão visitar os arquivos empoeirados da lembrança à procura dos momentos que viveram ao lado do homem a quem chamavam pai. Para o mundo, só mais um homem. Mas para o filho, o maior herói.

Neste próximo domingo, alguns irão lembrar, outros irão preferir esquecer.

Não sei como foi sua infância. Não sei qual é o tipo de temperamento de seu pai. Não sei se o seu domingo será de festa ou de luto, nem se estas linhas foram o lembrete que lhe faltava. Mas tenho uma ideia: você que tem um pai vivo, não seja tolo. Ofereça-lhe um abraço e um lugar especial no coração. Se está longe, pegue o celular, escreva uma mensagem (mas comece agora!), marque uma visita, diga que o ama. Peça perdão, se for preciso. E perdoe... vai ser bom para você.

Se você é um refém da saudade, se já perdeu seu pai... nunca esqueça: o Céu lhe assiste, e lá é a casa de um Deus a quem podemos chamar de pai.

"Deus é nosso Pai, que nos ama e de nós cuida, como filhos Seus que somos" (Ellen White - O Maior Discurso de Cristo, p. 107).

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

MEDITAÇÃO #52 - LONGA DEMORA

"Não retarda o Senhor a Sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrário, Ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento" (2 Pedro 3:9).

Foi em 1755 que ocorreu o primeiro grande sinal do retorno de Jesus, o terremoto predito em Apocalipse 6:12. Então veio o Dia Escuro de 19 de maio de 1780. Em seguida a esse evento, em 1798, a profecia dos 1.260 anos terminou, marcando o início do “tempo do fim”. No dia 13 de novembro de 1833, aconteceu a queda de estrelas conforme descreve o Apocalipse, seguida pelo começo do juízo investigativo em 1844.

Cada uma dessas datas é uma solene lembrança de que a volta de Cristo está bem próxima. Já são passados mais de dois séculos desde o aparecimento dos primeiros sinais.

O que tem acontecido? Ellen White escreveu em 1868: “A manhã é adiada em misericórdia, porque se o Mestre viesse, muitos seriam achados desprevenidos. A recusa de Deus em permitir que Seu povo pereça tem sido a razão de tão longa demora” (Testemunhos Para a Igreja, v. 2, p. 194). Se essa já era uma longa demora em 1868, o que dizer de hoje?

A Nova Bíblia Inglesa traduz o nosso texto desta forma: “Não que o Senhor seja lento em cumprir Sua promessa, como muitos supõem, mas porque Ele é muito paciente convosco, porque não é de Sua vontade que nenhum se perca.” Por causa de Seu grande amor, Deus tem demonstrado uma brandura quase inacreditável. Ele não deseja que você, eu ou qualquer outro venha a se perder.

Décadas após décadas, a tempestade tem sido segurada. Os anjos de Deus têm seus vigilantes olhos sobre o escuro ressoar dos trovões e recusam permitir que os ventos se rompam no furioso alarido do Armagedom. Mas existe um ponto além do qual não pode haver mais demora? Poderia esse ponto ter sido quase atingido? Ellen White conclui: “Cristo aguarda com fremente desejo a manifestação de Si mesmo em Sua igreja. Quando o caráter de Cristo se reproduzir perfeitamente em Seu povo, então Ele virá para reclamá-lo como Seu” (Parábolas de Jesus, p. 69).

Deus nos ajude a estarmos preparados!

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

MEDITAÇÃO #51 - ANSIEDADE

Você já sentiu uma sensação ruim de medo, uma preocupação incomum sobre o futuro e o aumento das batidas do coração a ponto de achar que iria morrer? Esse mal tem nome: ansiedade.

Presente na sociedade desde a aurora da civilização, a ansiedade acompanha o ser humano como parte de sua própria condição pós-pecado. Ela caracteriza nossa estrutura psíquica, já que a vida é precária e não podemos controlar nossas emoções, o ambiente e o futuro. Na busca por transcendência, descobrimos nossa limitação e finitude. Porém, nos últimos anos, com a aceleração do tempo, a desconexão do espaço, a mecanização das tarefas, a fragmentação da comunidade e a desvalorização da vida, o grau de ansiedade aumentou geometricamente. O próprio Cristo profetizou que, no fim, as nações experimentariam pânico por causa dos acontecimentos, e as pessoas, apreensivas, desmaiariam de terror (Lc 21:25-26). Portanto, se você tem sido vítima da ansiedade, não está sozinho.

Há vários tipos de ansiedade que dominam as mentes religiosas e seculares, como a existencial, a inquietude que angustia os que não veem significado na vida, nem propósito na existência; posicional, o desassossego que agita os que buscam popularidade e prestígio a qualquer preço; funcional, o temor exagerado de não ser bom o suficiente para encarar as exigências do mercado; econômica, o pavor de não ter dinheiro para enfrentar as crises financeiras e as carências da vida; cognitiva, a incerteza que intranquiliza os que vivem atribulados pela dúvida; tecnológica, a ambição que impacienta os que trocam de aparelho todo ano e consultam as mídias sociais a cada momento; familiar, o receio que resulta das dificuldades de convivência com o cônjuge ou das preocupações com os filhos; soteriológica, a apreensão que paralisa os que não têm certeza da salvação; tanatológica, o medo que aterroriza os que não estão preparados para a morte e se desesperam diante da possibilidade de separar-se dos queridos; e escatológica, a tensão que domina os que pensam demais sobre o fim do mundo e veem sinais alarmantes em cada notícia de jornal.

No sentido mais profundo, Deus tem a solução para todas essas ansiedades. A Bíblia não fala muito de ansiedade; o conceito de medo é muito mais frequente. Porém, o conselho bíblico é que não devemos andar ansiosos por nada e que lancemos toda a nossa ansiedade sobre Deus, pois Ele cuida de nós (Mt 6:25-34; Fp 4:6; 1Pe 5:7). Várias passagens bíblicas podem ser resumidas numa palavra: relaxe! Não no sentido de não ter responsabilidade nem fazer as coisas malfeitas, mas de confiar em Deus e descansar Nele.

Muitos cristãos vivem assustados e estão aprisionados no círculo sem saída da ansiedade porque veem ameaças em cada esquina. Mas não precisamos temer. A religião deveria reduzir a ansiedade, e não aumentá-la. Em termos coletivos, a igreja já passou por momentos de ansiedade superlativa, em épocas de guerra, perseguição, fanatismo, mornidão e crise, e sobreviveu. Com a ajuda divina, nós também sobreviveremos.

A vivência do evangelho, que inclui a libertação do medo, é o fim da ansiedade. Quem está em Cristo tem tranquilidade de espírito, pois Ele é nossa paz (Mt 11:28-30; Jo 14:27; 16:33; Ef 2:14; Fp 4:7). O amor, personificado por Deus (1Jo 4:8, 18), elimina o medo. Portanto, tranquilize-se! Substitua o medo pelo amor, a dúvida pela confiança e a ansiedade pela paz.
"Como filhos de Deus, é nosso privilégio sempre olhar para cima, mantendo os olhos da fé fixos em Cristo. Enquanto olhamos constantemente para Ele, o resplendor de Sua presença inunda as câmaras da mente. A luz de Cristo no templo da alma proporciona paz. A vida se firma em Deus. Todas as perplexidades e ansiedades são entregues a Jesus. Ele é nossa luz, e vida, e paz e segurança para sempre" (Ellen White - A Fé Pela Qual Eu Vivo, p. 247).

terça-feira, 4 de agosto de 2026

MEDITAÇÃO #50 - IDOLATRIA POLÍTICA

Uma boa definição para a mentalidade da sociedade moderna é o que a Bíblia chama de idolatria, e que os profetas descrevem melhor do que ninguém: fazer um deus sob medida, algo ou alguém que construo com os meus pensamentos, atos e palavras, que venero incondicionalmente e dou um valor absoluto.

Infelizmente, vemos atualmente que um fanatismo inaudito invadiu muitas denominações que se dizem "cristãs", já que não se pode mais chamá-las de "igrejas" visto que funcionam como comitês eleitorais e partidos políticos. Tudo isto aceito com a mais absoluta normalidade. Ellen White adverte: 
"O Senhor quer que Seu povo enterre as questões políticas. Sobre esses assuntos, o silêncio é eloquência. Cristo convida Seus seguidores a chegarem à unidade nos puros princípios evangélicos que são positivamente revelados na Palavra de Deus. Não podemos, com segurança, votar por partidos políticos; pois não sabemos em quem votamos. Não podemos, com segurança, tomar parte em nenhum plano político. Deus emprega as mais vigorosas imagens para mostrar que não deve haver união entre partidos mundanos e aqueles que estão buscando a justiça de Cristo" (Fundamentos da Educação Cristã, pp. 475-476).
A igreja, como instituição, não deve se envolver na política, quando o faz, ela e os seus líderes se tornam vulneráveis a todas as contingências do mundo político. Também serve de alerta os perigos de dar corda aos políticos que se julgam salvadores da pátria. Há líderes e membros de igrejas com uma expectativa ‘messiânica’ que um determinado político canalize automaticamente as bênçãos de Deus sobre o Brasil, resolvendo todos os problemas que nos afligem. Esse messianismo é muito perigoso, para o país e para a igreja.

E o resultado desta idolatria política para a teologia cristã bíblica é catastrófica. Não só Cristo é destituído de seu trono no coração do crente, como a Bíblia e o cristianismo passam a ser usados como meros objetos úteis para a luta política.

Não há mal em defender uma posição política e saber o que está acontecendo no atual cenário. Mas o cristão deve zelar, acima de tudo, por princípios bíblicos. Fazer de ideologias, movimentos e partidos políticos elementos de um evangelho terreno, não passa de idolatria. O cristão foi chamado para proteger a doutrina bíblica e proclamar o evangelho de Jesus Cristo. Ellen White orienta:
"O povo de Deus não deve ter ligação alguma com a idolatria em qualquer de suas formas. Sejam os seres humanos colocados em posição inferior, e que o Senhor seja exaltado! Lembrai-vos de que reinos, nações, reis, estadistas, conselheiros e grandes exércitos terrestres, e toda a magnificência e glória mundanas, são como o pó da balança. Deus tem a fazer um ajuste de contas com todas as nações. Todo reino tem que ser abatido. A autoridade humana deve tornar-se como nada. Cristo é o Rei do mundo, e Seu reino deve ser exaltado" (Fundamentos da Educação Cristã, pp. 481-482).

A redenção não está nessa Terra. Não está em um político ou ideólogo. Não está em um sistema político-econômico. Está em Jesus.