sexta-feira, 22 de junho de 2018

A Grande Batalha do Armagedom

Muitas teorias especulativas têm sido propostas na tentativa de interpretar o Armagedom mencionado em Apocalipse 16:12-16. Hoje, uma das mais populares é a de que ele será uma guerra nuclear de grandes proporções. Como já ocorreram duas guerras mundiais, e o texto bíblico fala que nesse confronto estarão envolvidos os “reis do mundo inteiro” (verso 14), muitos imaginam que o Armagedom só poderá ser uma terceira guerra mundial. Por mais fascinante e lógica que essa ideia possa parecer, ela não passa de uma teoria especulativa, sem base bíblica.

Conflitos bélicos certamente continuarão existindo, e mesmo se intensificando, até o fim dos tempos (ver Mt 24:6-8). Mas o Armagedom é descrito no livro do Apocalipse como “a peleja do grande Dia do Deus todo-poderoso” (16:14), travada entre os poderes demoníacos da “besta” e dos “reis da terra, com os seus exércitos”, de um lado, e o “Rei dos reis e Senhor dos senhores” e “o seu exército”, do outro (19:16 e 19).

A natureza essencialmente espiritual desse conflito é confirmada pela participação nele tanto de Cristo, o “Rei dos reis e Senhor dos senhores” que monta o “cavalo branco” (Ap 19:11, 16, 20), quanto do “dragão”, que é Satanás, e de outros “espíritos de demônios” (Ap 16:13 e 14 e 12:9). Os dois grupos conflitantes serão definidos pelo seu relacionamento com os “mandamentos de Deus” e o “testemunho de Jesus” (Ap 12:17). De um lado, estarão “os que guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus”, e que, consequentemente, não adoram “a besta e a sua imagem”; e, do outro, estarão os que adoram “a besta e a sua imagem”, e que, por conseguinte, não “guardam os mandamentos de Deus” e que não “têm o testemunho de Jesus” (Ap 12:17, 14:912).

Longe de ser um mero conflito bélico-nuclear, o Armagedom será o confronto cósmico final entre as forças do bem e os poderes do mal, no qual será decidido, para sempre, quem é digno de adoração (comparar com 1Rs 18). Embora os ímpios se prepararão belicamente para a batalha (Ap 16:14; ver também 20:7-9), cremos que os justos jamais assumirão uma postura de combatência militar (ver Mt 5:38-48, Rm 12:17-21). Nesse conflito espiritual (ver Ef 6:10-18), Cristo e os Seus anjos pelejarão em favor dos justos, triunfando definitivamente sobre Satanás e suas hostes (Ap 20:1-21:8).
"Precisamos estudar o derramamento da sétima taça. Os poderes do mal não darão por encerrado o conflito sem uma peleja. Mas a Providência divina tem uma parte a desempenhar na batalha do Armagedom. Quando a Terra for iluminada com a glória do anjo de Apocalipse dezoito, os elementos religiosos, bons e maus, despertarão do sono, e os exércitos do Deus vivo tomarão o campo. 
Toda forma de mal há de lançar-se em intensa atividade. Anjos maus unem seus poderes com homens maus, e, como têm estado em constante conflito e obtido uma experiência nos melhores métodos de engano e combate, tendo-se fortalecido durante séculos, eles não capitularão na última grande contenda sem uma furiosa luta. O mundo inteiro estará de um lado ou do outro da questão. Será travada a batalha do Armagedom, e esse dia não deverá encontrar nenhum de nós adormecido. Devemos estar bem despertos, como as virgens prudentes, tendo azeite em nossas vasilhas e em nossas lâmpadas. 
O poder do Espírito Santo deve estar sobre nós, e o Capitão do exército do Senhor estará à frente dos anjos do Céu para dirigir a batalha. Ainda ocorrerão diante de nós solenes acontecimentos. Soará uma trombeta após a outra, será derramada uma taça após a outra sobre os habitantes da Terra. Cenas de estupendo interesse estão precisamente diante de nós. 
Quatro poderosos anjos seguram os poderes da Terra até que os servos de Deus sejam assinalados na fronte. As nações do mundo são ávidas de conflito; mas elas são detidas pelos anjos. Quando for removido esse poder repressor, haverá um tempo de aflição e angústia. Serão inventados mortíferos instrumentos de guerra. Navios, com sua carga viva, serão sepultados nas profundezas do mar. Todos os que não possuem o espírito da verdade unir-se-ão sob a liderança de agentes satânicos. Mas devem ser mantidos sob controle até chegar o tempo para a grande batalha do Armagedom."
(Meditação Matinal de Ellen G. White – Maranata, O Senhor Vem!, 1977, p. 255)
Alberto R. Timm (via Centro White)

O prof. Leandro Quadros comenta a lição desta semana:

quinta-feira, 21 de junho de 2018

O único método

O método de Cristo é o único que trará verdadeiro êxito em alcançar o povo. O Salvador misturava-Se com as pessoas como alguém que desejava o bem delas. Mostrava simpatia por elas, ministrava às suas necessidades e ganhava sua confiança. Então dizia: “Siga-Me”.

É necessário se aproximar das pessoas através do contato pessoal. Se fosse gasto menos tempo em pregar sermões, e mais tempo fosse dedicado ao serviço pessoal, maiores resultados seriam vistos.
 Os pobres devem ser auxiliados, os doentes cuidados, confortados os aflitos e os que sofreram perdas, os iletrados instruídos e os inexperientes orientados. Devemos chorar com os que choram e alegrar-nos com os que se alegram. Aliada ao poder da convicção, da oração e do amor de Deus, essa tarefa jamais ficará sem frutos. […]

Muitos não têm fé em Deus e perderam a confiança no ser humano. Mas apreciam os atos de simpatia e prestatividade. O coração dessas pessoas é tocado ao verem alguém, sem nenhum estímulo de recompensa, ir a sua casa, ministrando ao doente, alimentando o faminto, vestindo o nu, confortando o triste e amavelmente falando de Jesus, Aquele de cujo amor e misericórdia somos meros mensageiros. Então surge a gratidão. Acende-se a fé. Veem que Deus cuida deles e, finalmente, estão receptivos a ouvir a Palavra. 

Ellen G. White, A Ciência do Bom Viver (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2007), p. 143, 145 (linguagem atualizada) - [via Missão Pós-Moderna]

quarta-feira, 20 de junho de 2018

O inverno do cristão

“Porque eis que passou o inverno, cessou a chuva e se foi; aparecem as flores na terra, chegou o tempo de cantarem as aves." (Cântico dos Cânticos 2:11, 12)
Penso que nosso prazer do tempo de estio é intensificado pela lembrança dos longos e frios meses de inverno; e por outro lado, a esperança do verão nos ajuda a suportar mais corajosamente o reino do inverno. Se permitíssemos que a mente demorasse na nudez e desolação com que o rei gelo nos circunda, poderíamos sentir realmente infelizes; mas, sendo mais sábios que isso, olhamos para o futuro, antecipando a próxima primavera que nos devolverá os pássaros, despertará as flores adormecidas, revestirá a terra com as verdejantes roupagens e encherá o ar de luz, fragrância e cânticos. A estada do cristão neste mundo pode-se com propriedade comparar a longo e frio inverno.

Aqui experimentamos provas, aflições e decepções, mas não devemos permitir que a mente aí repouse. Olhemos antes com esperança e fé o verão vindouro, quando havemos de ser acolhidos em nosso lar edênico, onde tudo é luz e alegria, onde tudo é paz e amor. Não houvessem nunca os cristãos experimentado as tempestades da aflição neste mundo, nunca seu coração se houvesse abatido ante a decepção ou oprimido ante o temor, mal saberia ele apreciar o Céu. Não fiquemos acabrunhados, se bem que muitas vezes fatigados, tristes, cheios de pesar; o inverno não há de perdurar para sempre. O estio da paz, da alegria e do prazer eterno está prestes a vir. Então Cristo habitará conosco e nos guiará às fontes de águas vivas, e enxugará toda lágrima de nossos olhos. 1

Não permitais que coisa alguma vos prenda agora a atenção, impedindo de fazerdes obra cabal para a eternidade. A vida futura deve ser assegurada. Ricas, plenas e gloriosas são as promessas. Não haverá ali ventos enregelantes, nem frios hibernais, mas perpétuo estio. Há luz para o intelecto, amor sincero, permanente. Haverá saúde e imortalidade; para cada faculdade, vigor. Ali ficarão para sempre excluídos toda dor e todo pesar. 2

A Terra é o lugar de preparação para o Céu. O tempo passado aqui é o inverno do cristão. Aqui os ventos gelados da aflição sopram sobre nós, e as ondas de angústias rolam contra nós. Mas no futuro próximo, quando Cristo vier, sofrimento e lamentação terão fim, para sempre. Então será o veraneio do cristão. Todas as provas terão findado e não haverá mais doença ou morte. 3

A tristeza vem e vai; é o quinhão do homem; não devemos procurar aumentá-la, mas antes falar naquilo que é brilhante e aprazível. Quando o inverno estende sobre a terra sua gélida coberta, não deixamos nossa alegria enregelar-se juntamente com as flores e regatos, lamentando continuamente por motivo dos dias sombrios, e dos ventos minuanos. Ao contrário, nossa imaginação antecipa o verão próximo, com seu calor, vida e beleza. Ao mesmo tempo desfrutamos toda a luz do Sol que nos chega, e encontramos bastante conforto, apesar do frio e da neve, enquanto esperamos que a natureza se revista das roupagens novas, brilhantes, portadoras de alegria. 4

Textos extraídos das seguintes obras de Ellen G. White:

1. Carta 13, 1875 / 2. Carta 4, 1885 / 3. Manuscrito 28, 1886 / 4. Nos Lugares Celestiais, p. 281

terça-feira, 19 de junho de 2018

A crise econômica adoece a saúde mental dos brasileiros

As recentes pesquisas têm indicado de que 7 de cada 10 brasileiros avaliam que a situação do país se deteriorou, ainda mais, com a crise. A saúde mental dos cidadãos está à mercê do “mau humor” da atual crise econômica, que gerou 12,7 milhões de desempregados, aumento da inflação, endividamento das famílias e das empresas.

A vida da maioria dos brasileiros está sendo afetada diretamente por essa desordem. Nesse cenário – a ansiedade e a angústia – tomaram proporções assustadores, que atingem a nossa dimensão corporal e psíquica, tendo como principais sintomas: cansaço mental e físico, aceleração cardíaca, transpiração, lapso de memória e bloqueio mental, que nos dificultam resolver os problemas básicos do cotidiano.

O consumo de drogas, de álcool e de outras substâncias químicas, inclusive a incidência de suicídios, são fenômenos que vem crescendo com o colapso econômico. Antes tínhamos a prevalência das neuroses, que cedeu espaço aos casos de transtornos de personalidade, já que a crise nos “rouba” a esperança de uma vida melhor.

A economia neoliberal, além de gerar a crise, criou uma concepção ilusória de que existem apenas dos tipos de indivíduos: os bem-sucedidos e os perdedores, deixando evidente que tal sistema acumula riqueza nas mãos de poucos. Porém, quem perde são os assalariados da classe trabalhadora e da classe média. Segundo o Papa Francisco, essa economia mata, transforma o capital em ídolo, em que a ambição sem limites pelo dinheiro comanda tudo.

No afã da competição têm pessoas que levam suas vidas como se fossem empresas. Não é à toa, a busca de respostas “mágicas” fornecidas pela teologia da prosperidade ou pelo mito do sucesso a qualquer custo, tornando-se um “deslumbre” na mente de quem acredita nisso.

É preciso reagir à força adoecedora da crise. Valorizando as atividades psicossociais, como por exemplo: cuidar da espiritualidade, participar de atividades comunitárias, estar entre amigos e familiares, aprender a solucionar as dificuldades de forma coletiva. Também é vital desacelerar a nossa mente, acalmar o ritmo cardíaco, diminuir a hiperconectividade, dando vazão às emoções positivas que expandem a consciência humana.

Além disso, temos que exigir um atendimento digno da população na rede pública de atenção à saúde mental. Mas, mesmo assim, devemos criticar esse modelo econômico, que adoece a saúde mental dos brasileiros. De acordo com Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, o exercício da crítica nos permite mudar o estado de agente passivo para agente ativo, onde vamos questionar e refletir sobre as ações e as razões das coisas na sociedade, a fim de reverter a lógica neoliberal da modernidade líquida.

Jackson César Buonocore (via Conti Outra)
"Nunca permitais que Satanás vos desanime. O Senhor sempre nos está adestrando por meio de dificuldades. Sede perseverantes na oração. Entregai tudo a Deus em oração — vossas preocupações financeiras, vossas decepções, vossas alegrias, vossos temores." (Ellen G. White - Este dia com Deus, p. 16)

Como ser feio(a), segundo Salomão

Que Deus ama a beleza, isto é fato. A Bíblia é cheia de conselhos de como termos uma boa imagem. Gosto de ver como o conceito de Deus sobre a beleza é mais profundo e verdadeiro que o nosso. Mas hoje vamos descobrir como ser feio(a), e não bonito(a). Que proposta estranha, não é?

Sejam escandalosos
“Como joia de ouro no focinho de uma porca é a mulher formosa sem discrição” (Pv 11:22). 
Adoro esse verso, e acho até graça nele. Quando eu era adolescente e morava numa cidade bem pequena e pacata, nossa diversão do sábado à noite com os amigos era sentar num banquinho da praça pra bater papo (era muito bom). Lembro-me que quando a gente estava saindo de casa pra esse programinha, meu pai falava o seguinte pra mim e pra minha irmã:

— Meninas, não fiquem dando risada escandalosa lá, ?

Pode parecer estranho pra você, mas a gente entendia o que ele queria dizer. Meu pai gostava que a gente tivesse postura de princesa. Imaginar que as filhas estavam na praça rindo alto, chamando a atenção de todo mundo, o deixava incomodado. Sim, vale ser elegante e discreta até mesmo no jeito de falar e gargalhar. Isto vale para os homens também.

Mantenham a cara fechada
“O coração alegre aformoseia o rosto” (Pv 15:13). 
Então, podemos concluir que o coração amargurado “enfeiura” o rosto. Já vi tanta gente longe dos padrões modernos da beleza, mas muito bem resolvida no amor, tendo muitos amigos e sendo admirada por onde passa. Esse provérbio é bem literal, além de poético. Pessoas sorridentes e de bem com a vida transmitem autoconfiança e beleza da forma mais natural possível.

Meninas, nada como ser bonita até em acampamento de igreja, acordando com a camiseta do Quebrando o Silêncio, sem chapinha nem nada. O melhor adorno de todos é um sorriso sincero e contagiante, mesmo que seja com prótese dentária ou aparelho ortodôntico. Não importa! Quem fica de mau humor e de cara fechada carrega na testa uma placa que diz: “Eu escolhi espantar”.

Sejam entediantes e sem vontade de viver
“A beleza dos jovens está na sua força” (Pv 20:29). 
Sabe aquele tipo de pessoa desanimada, sem força de vontade, sem garra nem determinação pra nada? Ela leva tédio e baixo astral por onde passa. É como se tivesse se “pintado de cinza” pra ser o mais sem graça possível. Quem convive com uma pessoa assim foge dela em cada oportunidade. Aposte na força que Deus lhe dá. Com Ele, você pode tudo! Grande parte da sua beleza está na sua força, disse Salomão.

Valorize e priorize sua “carcaça”, pois ela é tudo!
“A beleza é enganosa e a formosura é passageira, mas a mulher que teme o Senhor será elogiada” (Pv 31:30). 
Já vimos que a felicidade está intimamente ligada à beleza, e a melhor forma de garantir a felicidade plena é sendo um com Cristo. Não importa quanta grana ou força de vontade você tenha. De qualquer forma, você vai enrugar, ficar com o cabelo sem viço e com o corpo menos esguio. Baseie sua autoestima e beleza em algo que o tempo não pode estragar nem tirar de você — assim será daqueles vovozinhos fofos que dá até vontade de guardar num potinho (com um furinho pra respirar, claro). Gracinhas à parte, que o tesouro da sua beleza esteja no Céu, guardado no coração de Deus, pois lá nada pode ser destruído.

Emanuelle Sales (via Imagem & Semelhança)
"A beleza natural consiste da simetria ou da harmoniosa proporção das partes, de uma para com outra; mas a beleza espiritual consiste na harmonia ou semelhança de nossa alma com Jesus. Isso tornará seu possuidor mais precioso que o ouro fino, mesmo o ouro de Ofir. A graça de Cristo é, de fato, adorno de incalculável preço. Eleva e enobrece seu possuidor, reflete raios de glória sobre outros, atraindo-os também para a fonte de luz e bênçãos." (Ellen G. White - Orientação da Criança, pp. 423 e 424)

segunda-feira, 18 de junho de 2018

O número 666 e o Vicarius Filii Dei

Nesse artigo faço uma busca histórica da origem e do uso da expressão Vicarius Filii Dei como interpretação de Apocalipse 13:18 nos círculos adventistas. Após esse background histórico, discorrerei brevemente sobre o uso desse título no meio adventista, bem como sobre a validade hermenêutica dele para a interpretação do número 666. As interpretação mais popular no meio adventista para o número 666, citado em Apocalipse 13:18 é a utilização do suposto título papal Vicarius Filii Dei. Entre as muitas questões a serem levantadas a partir desse assunto, o que nos interessa neste artigo é a confiabilidade histórica dessa expressão e a validade de seu uso nos círculos adventistas.
ORIGEM DO TÍTULO
O documento Doação de Constantino é a mais antiga referência do suposto título papal Vicarius Filii Dei. Tendo sido escrito no período da Idade Média, esse é o mais antigo relato eclesiástico que confere a Pedro a autoridade de ser “substituto do Filho de Deus”.[2] Por quase 600 anos, o catolicismo o considerou como genuíno, mesmo porque aproximadamente dez papas o utilizaram como prova de sua autoridade temporal.[3] A menção do nome Constantino sugere que esse documento deve ter sido escrito nos dias desse imperador, no século 4 d.C.. Porém, Lorenzo Valla, por algum tempo secretário do papa humanista Nicolau V, em 1440 escreveu uma crítica literária e histórica demonstrando que a Doação de Constatino era um documento forjado, que provavelmente foi composto em meados do século 9 d.C.[4]
VICARIUS FILII DEI EM AUTORES PROTESTANTES
O escritor protestante mais antigo a relacionar a expressão Vicarius Filii Dei ao número 666 foi o alemão Andreas Helwig (ca. 1572-1643). Esse erudito foi professor de línguas bíblicas e letras clássicas por quase três décadas. Em 1612, Helwig escreveu sua obra Antichristus Romanus, na qual reuniu 15 títulos nas línguas latina, grega e hebraica, que na soma de suas letras dariam a cifra apocalíptica. Tal obra não enfatizou o título Vicarius Filii Dei, mas o considerou apenas como mais uma das pretensões da Igreja de Roma. Segundo Helwig, quatro fatores eram essenciais para um nome ser aplicado ao número apocalíptico: (1) a soma deveria dar a cifra correta; (2) teria que concordar com a ordem papal; (3) deveria ser um nome do próprio anticristo, não um título dado por seus inimigos; (4) teria que ser um título usado pelo anticristo para a sua auto-ostentação. Porém, essa interpretação se tornou comum entre autores de diversas denominações em meados da Revolução Francesa (1789-1799), quase duzentos anos após a publicação de sua obra.[5]
Autores protestantes como Amzi Armstrong (1771-1827),[6] os presbiterianos William Linn (1752-1808)[7] e David Austin (1760-1831)[8] e Robert Shimeall[9] aplicaram ao número 666 os títulos Ludovicus (latim), Lateinos (grego), Romith (hebraico) e Vicarius Filii Dei. Referente a esse último, John Bayford, em sua obra Messiah’s Kingdom (ca. 1820), afirmou que sua utilização era “dificilmente satisfatória” e que a expressão correta ainda estava para ser descoberta.[10] Percebe-se, assim, que desde o século 19, já havia certa relutância em aplicar esse título ao número 666.
VICARIUS FILII DEI EM AUTORES ADVENTISTAS
Muitos dos pioneiros do movimento adventista foram contemporâneos dos autores protestantes mencionados anteriormente. Sendo assim, é natural encontrarmos semelhança entre as interpretações de Apocalipse 13:18 de ambos os grupos. Foi por meio dos trabalhos de Uriah Smith, decano da interpretação profética nos círculos adventistas,[11] que se atribuiu a expressão Vicarius Filii Dei ao papado. Smith assim entendia: a expressão mais plausível que temos visto sugerir contendo o número da besta é o título que o papa toma para si mesmo e permite que outros lhe apliquem. Esse título é Vicarius Filii Dei, que quer dizer “Substituto do Filho de Deus”. Tomando as letras desse título que os latinos usavam como numerais e dando-lhes seu valor numérico, temos exatamente 666.[12]
A interpretação de Smith causou um impacto significativo no adventismo, a ponto de John N. Andrews, o expoente teológico mais importante dessa denominação, adotá-la na reimpressão de sua obra The Three Angels of Revelation XIV, 6-12, em 1877. Os anos posteriores presenciaram uma expansão dessa visão, por meio dos trabalhos públicos e impressos de alguns evangelistas adventistas ao redor do mundo. Stephen. N. Haskell, por exemplo, ao tratar do tema de Apocalipse 13, enfatizou apenas Vicarius Filii Dei.[13] O mesmo foi feito pelo autor brasileiro Aracely Mello ao afirmar que existem “fatos comprobatórios de que Vicarius Filii Deié o título verdadeiro do papa e de Roma Papal.”[14] Roy Alan Anderson, importante nome no evangelismo adventista, utilizou títulos como stur (aramaico), italika ekklesia, he latine Basiléia(grego) e Vicarius Filii Dei (latim).[15] Por sua vez, o evangelista argentino Daniel Belvedere limitou a interpretação do número 666 à expressão “substituto do Filho de Deus”[16], e C. Mervyn Maxwell adotou essa mesma posição.[17]
Esse quem sabe seja o principal motivo para o título Vicarius Filii Dei ser associado com Apocalipse 13:18 por tantos adventistas. Porém, por mais popular que seja essa interpretação, é inegável que existem inúmeros problemas na sua aplicação ao relato bíblico.
PROBLEMAS INTERPRETATIVOS
Como vimos anteriormente, o documento mais antigo a mencionar esse título é a Doação de Constantino. A implicação disso é que essa interpretação se baseia num falso decreto da Idade Média. Da mesma forma, há certa controvérsia envolvendo a inscrição de Vicarius Filii Dei na mitra papal. A publicação Our Sunday Visitor, uma popular revista católica americana, mencionou por duas ocasiões que havia, de fato, uma inscrição na tiara do papa. A primeira menção foi em 1914, e a segunda no ano seguinte. Porém, existe uma terceira citação que nega qualquer tipo de inscrição na coroa do pontífice romano. E não há qualquer tipo de evidência que prove o contrário.[18]
Provavelmente, esse assunto teve início com um incidente envolvendo W. W. Prescott, um dos pioneiros da segunda geração adventista. Um evangelista chamado C. T. Everson visitou o Museu do Vaticano e tirou algumas fotografias de diversas tiaras papais, usadas ao longo dos séculos. Nenhuma inscrição havia em sequer uma delas. Prescott foi autorizado a utilizar as fotos na ilustração de um dos seus artigos. Porém, a Southern Publishing Association, quando preparava a publicação da versão atualizada da obra de Smith, contratou um artista que inseriu as palavras Vicarius Filii Dei. A sede mundial da Igreja Adventista ordenou que a impressão fosse interrompida e que removessem as fraudes fotográficas.[19]
Em 1935, a revista Our Sunday Visitor desafiou o periódico adventista Present Truth, que nessa época tinha como editor Francis D. Nichol, a provar que a expressão “substituto do Filho de Deus” era um título oficial do papa. Nichol consultou Prescott para solucionar esse problema. Prescott afirmou que não era possível responder ao desafio, já que os adventistas baseavam essas argumentações em fontes questionáveis.[20] Devido a esse incidente, a sede mundial da IASD sugeriu que tal interpretação jamais fosse utilizada novamente.[21] Ironicamente, hoje essa é a interpretação mais popular entre os adventistas.
Em novembro de 1948, Leroy E. Froom publicou sua resposta para uma pergunta referente à inscrição na tiara do papa. Após negar qualquer tipo de grafia na mitra papal, Froom afirmou que “como arautos da verdade, devemos proclamá-la verdadeiramente”, e que “em nome da verdade e honestidade este periódico protesta contra algum membro da associação ministerial da denominação adventista do sétimo dia”. Segundo ele, “a verdade não necessita de fabricação para ajudá-la”.[22]
Além desses problemas, é necessário dizer que esse recurso é exegeticamente desnecessário. O pregador escocês Robert Fleming Jr. (ca. 1600-1716), por exemplo, jamais utilizou Vicarius Filii Dei em suas abordagens sobre o anticristo e chegou à mesma posição dos adventistas a respeito desse poder, isto é, o catolicismo apostólico romano.[23]
CONCLUSÃO
É evidente, portanto, que o uso da expressão Vicarius Filii Dei aplicado ao número 666 de Apocalipse 13:18 é controvertida e questionável. Visto que sua origem está ligada a um documento forjado. Como declarou Froom, nesse assunto, “nós devemos honrar a verdade e meticulosamente observar o princípio da honestidade ao lidar com as evidências sobre todas as circunstâncias”.[24]
(Luiz Gustavo S. Assis é formado em Teologia pelo Unasp e doutorando no Boston College)
Referências:
  1. Bettenson, H. Documentos da igreja cristã, São Paulo, ASTE, 1998, 171.
  2. Coleman, Christopher B. The Treatise of Lorenzo Valla on the Donation of Constantine, Canada: University of Toronto Press, 1993, 1 e 2. Essa obra foi originalmente publicada em 1922.
  3. Cairns, Earle E. O cristianismo através dos séculos, São Paulo, Vida Nova, 2006, 213.
  4. Froom, Leroy E. The Prophetic Faith of Our Fathers, Washington, D.C.: Review and Herald Publishing Association, 1954, v. 2, 605-608.
  5. O título da obra é “A syllabus of lectures on the visions of the Revelation”.
  6. O título de seu trabalho é “Discourses on signs of the times”.
  7. O título de sua obra é “A prophetic leaf”, citada em Froom, op. cit., 342.
  8. Damsteegt, P. Gerard. Foundations of the Seventh-day Adventist Message and Mission, Berrien Springs, MI: Andrews University Press, 1997, 206.
  9. Froom, op. cit., 412.
  10. Timm, Alberto R. O santuário e as três mensagens angélicas: fatores integrativos no desenvolvimento das doutrinas adventistas. Engenheiro Coelho, SP: Imprensa Universitária Adventista, 2004, 137-138.
  11. Nichol, Francis D. (ed.). Seventh-day Adventist Biblical Commentary. Hangesrtown, MD: Review and Herald Publishing Association, 1980, v. 10, 1009.
  12. Haskell, Stephen. N. The Story of the Seer of Patmos. Nashville, TN: Southern Publishing Association, 1905. p. 105.
  13. Mello, Aracely S. A verdade sobre as profecias do Apocalipse. Taquara, RS: Grafiacs, 1982. 202-203.
  14. Anderson, Roy A. As Revelações do Apocalipse. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1988. 151.
  15. Belvedere, Daniel. Seminário revelações do Apocalipse. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1987, 102.
  16. C. Mervyn Maxwell. Uma nova era segundo as profecias do Apocalipse. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1998. 431.
  17. Nichol, Francis D. ed. op. cit., v. 9. 1071.
  18. Valentine, Gilbert. W.W. Prescott: Forgotten Giant of Adventism’s Second Generation. Washington D.C.: Review and Herald Pub. Association, 2005. 317.
  19. Ibid., 318.
  20. Ibid., 319.
  21. Froom, Leroy E. “Dubious Pictures of the Tiara”, The Ministry, novembro de 1948, 35.
  22. Torres, Milton Luiz. “Contenções Quanto à Interpretação Tradicional de 666 em Apocalipse 13:18”. Revista teológica SALT-IAENE, Cachoeira, BA, v. 2, n. 1, 1998. 64.
  23. Froom. “Dubious Pictures of the Tiara”, 35.
[via blog do Michelson Borges]

sexta-feira, 15 de junho de 2018

Shabat Digital - Um tempo para se desconectar das ferramentas tecnológicas

A cultura moderna e a tecnologia desajustaram a relação do homem com o tempo. Mas muitos hoje querem desacelerar, e a mensagem do sábado pode ser a resposta que eles buscam

Por atuar há mais de 17 anos em grandes empresas do segmento de mídia e tecnologia, Débora Bonazzi tem uma visão ampla sobre a relação das pessoas com a cultura digital. Um dos aspectos defendidos por ela é o maior equilíbrio entre o tempo on e off-line. Para a publicitária adventista, a ideia do “shabat digital”, um tempo para se desconectar das ferramentas tecnológicas, parece ser uma tendência hoje. Nesta entrevista, ela reforça o fato de que a mensagem do sábado parece ganhar ainda mais relevância nesta época em que algumas pessoas começam a reagir ao excesso de velocidade.

Débora Bonazzi
Como a tecnologia mudou a maneira de as pessoas se relacionarem com o tempo?

A tecnologia trouxe e continuará trazendo muita conveniência. Comprar uma passagem, ir ao banco ou pedir um táxi são facilidades que ela oferece. Nesse sentido, a tecnologia nos adiciona tempo. Por outro lado, se não tivermos consciência do que estamos fazendo em nossos celulares, nosso tempo será minado, sem nem mesmo percebermos.

Como a lógica da conexão ininterrupta tem desafiado os adventistas em relação à guarda do sábado?

Antigamente, as coisas estavam em caixas bem definidas: a compra estava no shopping, o ­conteúdo secular e o resultado do jogo estavam na TV, as notas estavam no boletim que ficava na escola ou na gaveta em casa. Hoje, quase tudo está no celular. No mesmo dispositivo que usamos para ler o texto bíblico durante o sermão, podemos ver o resultado do jogo que está sendo transmitido pela TV naquele instante. A linha é muito tênue…

A expressão “shabat digital” tem se popularizado nos últimos anos com o surgimento de movimentos como o “Sabbath Manifesto” e “Digital Detox”, que nasceram nos Estados Unidos. O que esses grupos pregam?

Esses movimentos defendem a pausa da tecnologia por um período (pode ser por horas, dias, viagens desconectadas, etc.) e atividades que conectem as pessoas e proporcionem momentos de relacionamento na vida real. Muito parecido com o que defendemos para o sábado, não é verdade?

A mensagem do sábado tende a atrair esse público?

Talvez esta seja uma grande oportunidade para nós. Nunca se discutiu tanto a pausa e nunca ela foi tão necessária como agora.

Como o próprio repouso sabático pode ajudar a mudar a maneira de nos relacionarmos com a tecnologia?

O sábado é uma enorme oportunidade que temos para refletir sobre o assunto. Um verdadeiro presente. Não quero defender a bandeira de que devemos guardar o celular trancado na gaveta aos sábados (a menos que a pessoa decida fazer isso), mas sim que aproveitemos essas horas para buscar o equilíbrio e o uso consciente.

Neste mundo tão dependente de internet, qual é o caminho para conseguir se desligar da tecnologia sem assumir uma postura anti-tecnológica?

Recomendo sempre buscar o equilíbrio. Duas dicas para começar: (1) Ter consciência de quem está no comando: eu ou o celular? Tenha a certeza de que é você. (2) Ter seus lugares e momentos sagrados. Combine com você mesmo, com sua família, com seu(sua) namorado(a), com seus amigos ou com seus colegas de trabalho quais serão os momentos em que todos estarão 100% concentrados na vida real e em que seu celular vai estar descansando um pouco… e você também.

Márcio Tonetti (via Revista Adventista)

quinta-feira, 14 de junho de 2018

7 sinais de que seu filho está viciado em tecnologia

A medida que mais e mais famílias passam a dar iPads e smartphones aos seus filhos, mais e mais crianças começam a ficar viciadas. Vejam bem, o problema não é o uso da tecnologia, mas o tanto em que a criança fica exposta a ela.

Mas, em excesso, a dependência pode ser observada desde sintomas de abstinência física até o “perder o contato com o mundo exterior”.

Aqui vão 7 sinais de que sua criança pode estar viciada em tecnologia, segundo a Livescience.com, traduzido e adaptado pelo site Mamãe Plugada.

Caso perceba alguns pontos em comuns, não hesite em procurar ajuda:

1. ABSTINÊNCIA
Em um estudo de 2011, pesquisadores pediram a 1.000 estudantes universitários de todo o mundo para ficarem 24 horas sem usar seus smartphones, outros dispositivos móveis ou a Internet. Dentre os muitos sintomas relatados, tais como ansiedade e depressão, um estudante anônimo disse que ele ficou se coçando como um drogado, por querer pegar o smartphone e não poder. Se o seu filho está irritado, ansioso ou triste por muito tempo depois de ver o iPad retirado por você, pode estar havendo uma relação de dependência prejudicial.

2. TOLERÂNCIA
Assim como a heroína, viciados precisam de doses cada vez maiores para obterem o mesmo efeito, os usuários do iPad também podem desenvolver uma tolerância. As crianças que usavam o dispositivo por cerca de 10 minuto por dia, por exemplo, passam a precisar de uma hora, depois duas horas, depois três e assim o vício vai se instaurando…

3. PERDA DE INTERESSE
Se a criança que já gostava de jogar futebol ou subir em árvores começou a perder o interesse em atividades ao ar livre, isso pode ser sinal de inicio de um problema. A preferência ocasional pelo iPad em detrimento a outras atividades não é um problema; mas se sempre as telas estão ganhando de atividades deliciosas lá fora, é preciso ser observado.

4. FALTA DE CONTROLE
Viciados normalmente têm a incapacidade de controlar seu uso. E exatamente por crianças pequenas não serem notadamente reconhecidas pela sua capacidade de auto-controle, isso pode se tornar um problema se os pais não controlam por eles. Pais de crianças pequenas deve ser capazes de definir limites.

5. DECEPÇÃO
Outra bandeira vermelha do vício são crianças deitadas sobre o iPad, levando o smartphone para seus quartos ou outro esconderijo, ou ainda, enganando os membros da família para conseguir mais tempo com a tela.

6. CAPACIDADE DE LIDAR COM PROBLEMAS
Viciados costumam usar uma substância como uma forma de escapar de um estado de espírito ou sentimento negativo. As crianças PODEM estar usando smartphones em excesso para evitar lidar com as emoções tristes, estressantes ou sentimentos negativos. Por exemplo, se o seu filho sempre pega o iPad depois de presenciar uma briga de casal, ele pode estar lidando com suas emoções negativas usando o iPad.

7. PERDAS SOCIAIS
Perder relações significativas, começar a ir mal na escola, se esquivar de relacionamentos, de tentativas de novos desafios ou o mau desempenho no trabalho são todos os sinais de vício. Embora as crianças provavelmente não perderão o bônus de fim de ano ou o emprego por conta disso, elas podem estar perdendo amigos ou suas notas estarem indo para o ralo, parecendo que a criança está se separando do mundo ao seu redor, do mundo real.

É NORMAL OU NÃO É?
Por todos esses sintomas, é importante notar que as crianças mentalmente saudáveis, especialmente crianças pequenas, tornam-se um pouco obsessivas. Em crianças pequenas, especialmente, esses sintomas podem ser enormemente abrandados, se os pais estabelecerem limites. O fato de que os pais têm dificuldade para tirar o Ipad de uma criança de 3 anos não significa necessariamente que eles têm um viciado em casa: isso significa que o pai tem dificuldade em dizer não e, se os pais não podem intervir com uma criança tão pequena, terão que rezar quando a adolescência chegar, né?

Nota: A seguir, alguns importantes conselhos para os pais deixados por Ellen G. White:
"Para que as crianças e os jovens tenham saúde, alegria, vivacidade e músculos e cérebro bem desenvolvidos, convém que estejam muito ao ar livre, e tenham ocupação e recreação bem equilibradas." (Conselhos aos Professores, Pais e Estudantes, p. 83)
"Ensinai vossos filhos a raciocinar da causa para o efeito; mostrai-lhes que, se violarem as leis de seu ser, como consequência sofrerão doenças. Se com vossos esforços não puderdes ver melhora especial, não desanimeis; instruí pacientemente 'mandamento sobre mandamento ... regra sobre regra ... um pouco aqui, um pouco ali.' Prossegui até alcançar a vitória. Continuai a ensinar vossos filhos quanto ao próprio corpo, e como dele cuidar. A imprudência em relação à saúde física leva à imprudência no caráter moral." (Testimonies for the Church 2, p. 536, 537)
"A influência dominante no mundo, é consentir que os jovens sigam a inclinação natural de seu espírito. E quando são muito desenfreados na juventude, os pais dizem que hão de endireitar depois de algum tempo, e quando estiverem com dezesseis ou dezoito anos, raciocinarão por si, e deixarão seus maus hábitos, tornando-se afinal homens e mulheres úteis. Que engano! Permitem por anos que um inimigo semeie o jardim do coração, admitem que os errôneos princípios se desenvolvam e assim, em muitos casos, todo o labor empregado posteriormente naquele solo, nada aproveitará. Satanás é um astucioso e perseverante operário, um inimigo mortal. Quando quer que uma palavra inadvertida for dita para prejuízo da juventude, seja em lisonja, seja para fazê-los considerar com menos aversão a algum pecado, Satanás aproveita-se disto, e nutre a má semente, para que ela deite raiz e dê colheita abundante. Alguns pais têm permitido que os filhos formem maus hábitos, cujos vestígios poderão ser vistos através de toda a vida. Pesa sobre os pais esse pecado." (Testimonies for the Church 1, p. 403)
"Mas é necessário haver grande temperança nas diversões, bem como em qualquer outra ocupação. E o caráter desses entretenimentos deve ser cuidadosa e cabalmente considerado. Todo jovem deve perguntar-se a si mesmo: Que efeito terão essas diversões na saúde física, mental e moral? Ficará meu espírito tão absorvido que me esqueça de Deus? Deixarei de ter em mente a Sua glória?" (O Lar Adventista, p. 512)

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Sequência dos acontecimentos que marcarão o Fim dos Tempos

Algo que fascina e intriga qualquer estudante da Bíblia são as profecias, principalmente aquelas que ainda estão por se cumprir. Como adventistas, temos uma visão muito ampla dos acontecimentos finais da história. Tão ampla que, às vezes, nos perdemos em meio ao grande volume de informações. Para não se confundir, você encontra a seguir uma visão panorâmica dos eventos que antecederão a segunda vinda de Cristo. A sequência não é rígida, mas procura seguir a ordem mais lógica e natural dos acontecimentos mencionados na Bíblia e nos escritos de Ellen White. Momentos difíceis nos aguardam no futuro, mas a felicidade de estar com Jesus compensará tudo.

1. REAVIVAMENTO E REFORMA
Significa a completa mudança de mentalidade, hábitos e práticas entre o povo de Deus. Requisito para a chuva serôdia, só ocorrerá por meio de verdadeira conversão (Jl 2:12; 13, 23, 28, 29). 

2. CHUVA SERÔDIA 
Concessão especial do poder do Espírito Santo, é semelhante à experiência do Pentecostes (Jl 2:23, 28-31; At 2) e indispensável para a conclusão da missão. Requer profunda consagração (Jl 2:12, 13, 15-17). 

3. ALTO CLAMOR
Como resultado da chuva serôdia, a igreja desperta e se envolve intensamente na pregação global do evangelho eterno (Ap 14:6-12; 18:1), dando oportunidade para cada ser humano decidir sobre a própria salvação (Mt 24:14; Mc 16:15).

4. SACUDIDURA
A mornidão espiritual, as falsas doutrinas, a crise final e a perseguição gerada pelo decreto dominical vão "peneirar" o povo de Deus. O "trigo" permanece na igreja enquanto o "joio" sai dela e se une aos perseguidores (Am 9:9; Mt 13:24-30).

5. SELAMENTO
Conduzido pelo Espírito Santo, esse processo se inicia na conversão e termina com a morte do crente ou o fim do juízo pré-advento (Ef 1:13; 4:30). O selo invisível, que prepara a pessoa para o tempo da angústia (Ap 7:2 3), confirma que ela pertence a Deus e é fiel à Sua lei (Is 8:16; Ez 20:20).

6. DECRETO DOMINICAL E PERSEGUIÇÃO
A união do poder religioso (papado) com o político (Estados Unidos) resultará na imposição por lei da guarda do domingo (Ap 13). Os guardadores da lei de Deus serão perseguidos e terão que fugir das grandes cidades.

7. ENGANOS SATÂNICOS
O inimigo concentrará seus maiores esforços nos últimos dias, usando principalmente o espiritismo e o protestantismo desvirtuado. Porém, o clímax do engano ocorrerá no tempo de angústia, quando ele imitará os milagres e o retorno de Cristo (2Co 11:14; Mt 24:23-27).

8. TEMPO DE ANGÚSTIA PRÉVIO
Breve período, possivelmente entre o decreto dominical e o fechamento da porta da graça, quando tribulações deixarão o mundo perplexo (Lc 21:25, 26; Ellen G. White - Primeiros Escritos, p. 85, 86).

9. FIM DO TEMPO DA GRAÇA
Quando Cristo concluir o juízo pré-advento no Céu, os salvos terão sido selados na Terra e o destino eterno de cada ser humano estará definido (Ap 22:11). O Espírito Santo deixará de atuar no coração dos ímpios e começará o tempo de angústia e o derramamento das pragas.

10. TEMPO DE ANGÚSTIA E AS SETE PRAGAS
Depois de terminada a intercessão no Céu (Ap 15:5-8), haverá um período de aflição sem precedentes (Dn 12:1), em que os anjos não mais conterão a fúria dos homens, da natureza e do mal (Ap 7:1-3). As sete pragas castigarão apenas os ímpios. Com exceção, talvez, da sexta e sétima pragas, esses flagelos não terão alcance global (Ap 16).

11. DECRETO DE MORTE
Os ímpios culparão o povo de Deus pelas pragas. Os fiéis serão perseguidos com o apoio de um decreto de morte promulgado pela coalizão entre as duas bestas de Apocalipse 13.

12. ANGÚSTIA DE JACÓ
Com a perseguição batendo à porta, o povo de Deus passará por um breve período de intensa angústia, assim como Jacó (Gn 32:22-32; Jr 30:7). Eles clamarão pela certeza do perdão dos pecados e por livramento da perseguição. Deus estará com eles.

13. ARMAGEDOM
É a última batalha entre o bem e o mal, que incluirá aspectos políticos, militares e religiosos. Terá alcance global e ocorrerá entre a sexta e a sétima pragas (Ap 16:12-16). Cristo e seu povo triunfarão (Ap 19:11-21).

14. LIVRAMENTO
A sétima praga inclui relâmpagos, trovões, um terremoto gigantesco, chuva de granizo e outros fenômenos cataclísmicos (Ap 16:17-21). Colocará fim à perseguição e culminará com o juízo de Deus contra a Babilônia mística e a ressurreição especial dos que precisam testemunhar a volta de Cristo (Dn 12:2; Ap 1:7).

15. SEGUNDA VINDA DE CRISTO
Ela será visível, audível e gloriosa. Jesus virá numa nuvem branca acompanhado de todos os seus anjos (Mt 24:30; Ap 1:7) para ressuscitar os justos mortos, transformar os justos vivos (1Co 15:51, 52), fulminar os ímpios (2Ts 2:8) e levar os salvos para o Céu (1Ts 4:16, 17). Lá eles passarão mil anos (Ap 20:4), e retornarão com Cristo à Terra para testemunhar a destruição de pecado e pecadores (Ap 20:5; 7-15) e a restauração do planeta, no qual irão morar eternamente (Ap 21:1-4).

Fontes: O Grande Conflito e Eventos Finais, de Ellen G. White; e Preparação para a Crise Final (CPB, 2011), de Fernando Chaij - Edição do texto: Eduardo Rueda (via Revista Adventista)

terça-feira, 12 de junho de 2018

Cada um enxerga no outro aquilo que é

Quão condicionados estão nossos olhos a enxergar o que nossa mente foi sugestionada a procurar. Daí sermos capazes de encontrar a forma de animais nas nuvens. Assim como os discípulos identificaram um fantasma na silhueta surgida no nevoeiro, podemos ser enganados pela nossa percepção. O tal fantasma era apenas a projeção do que estava instalado em seu próprio inconsciente. Para a sua surpresa, tratava-se de Cristo caminhando sobre as águas para socorrê-los. Quando estamos predispostos a julgar alguém, sempre enxergamos o pior, sem perceber que o problema pode estar em nós. Por isso Jesus diz: 
"Se os seus olhos forem bons, todo o seu corpo será cheio de luz. Mas se os seus olhos forem maus, todo o seu corpo será cheio de trevas. Portanto, se a luz que está dentro de você são trevas, que tremendas trevas são!" (Mateus 6:22-23)
Todo bom motorista sabe que ao enfrentar um nevoeiro na estrada, deve usar o farol baixo, não o alto. O farol baixo é aquele que é projetado para o chão para que o motorista saiba exatamente onde está passando. Já o farol alto é projetado para a frente a fim de identificar as curvas, obstáculos e sinais. Se insistir no farol alto durante o nevoeiro, ele não conseguirá identificar nem uma coisa, nem outra, pois o nevoeiro reflete a luz projetada e acaba cegando o condutor. Os critérios que usamos para julgar ou avaliar uma situação ou a conduta de alguém é a Palavra. Ela é o farol que lança luz sobre quaisquer circunstâncias. Todavia, durante um nevoeiro em que as coisas podem não estar muito claras para nós, antes de ser luz para o nosso caminho, ela deve ser lâmpada para os nossos pés (Salmos 119:105). Em outras palavras, antes de se projetar na direção do outro em busca de eventuais falhas, a Palavra deve mirar nossos próprios pés.

Faríamos bem em dar ouvidos à advertência do apóstolo Paulo: 
"Quem é você para julgar o servo alheio? É para o seu senhor que ele está de pé ou cai. E ficará de pé, pois o Senhor é capaz de o sustentar." (Romanos 14:4) 
E mais: 
"Aquele, pois, que pensa estar em pé cuida para que não caia." (1 Coríntios 10:12)
Ou se preferir, que tal as palavras do próprio Jesus? 
"Não julgueis, para que não sejais julgados. Pois com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos medirão a vós. Por que reparas no cisco que está no olho do teu irmão, mas não percebes a trave que está no teu? Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o cisco do teu olho, estando uma trave no teu? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho e ENTÃO VERÁS CLARAMENTE para tirar o cisco do olho do teu irmão." (Mateus 7:1-5)
Podíamos dormir sem esta, não? Não! O que não poderíamos era viver doutra maneira senão desta proposta por Jesus. Caso contrário, nos adoeceremos, buscando disfarçar nossos erros enquanto lançamos os holofotes nos erros alheios. E assim, em vez de projetarmos no outro nossa luz, projetamos nele nossa sombra.

[via blog de Hermes C. Fernandes]

Nota: Deixo também dois importantes conselhos de Ellen G. White:
“Aquele que é culpado de erro é o primeiro a suspeitar do erro. Condenando o outro, está ele procurando ocultar ou desculpar o mal do próprio coração. Foi por meio do pecado que os homens adquiriram o conhecimento do mal; tão depressa havia o primeiro casal pecado, começaram a se acusar um ao outro e é isto que a natureza humana inevitavelmente fará, quando não se ache controlada pela graça de Cristo." (O Maior Discurso de Cristo, p. 126)
"Demorando-se continuamente nos erros e defeitos dos outros, muitos se tornam dispépticos religiosos. Os que criticam e condenam uns aos outros estão transgredindo os mandamentos de Deus, e são-Lhe uma ofensa. Irmãos e irmãs, afastemos o entulho da crítica e suspeita e murmuração, e não desgastei os nervos externamente. Se todos os cristãos professos usassem suas faculdades investigadoras para ver quais os males que neles mesmos carecem de correção, em vez de falar dos erros alheios, existiria na igreja hoje uma condição mais saudável. Precisamos olhar às faltas dos outros, não para condenar, mas para restaurar e curar. Vigiai em oração, ide avante crescendo, obtendo mais e mais do espírito de Jesus, e semeando o mesmo sobre todas as águas." (Mente, Caráter e Personalidade, vol. 2, p. 635-638)
Antes de usar os dedos para condenar, use os joelhos para orar. Antes de condenar, conheça.