sexta-feira, 9 de outubro de 2026

MEDITAÇÃO #102 - FUZILAMENTO

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou nesta quinta-feira (8) que o público poderá assistir em transmissão ao vivo a execução, autorizada por Donald Trump, do ex-militar Nidal Hasan (foto), condenado por matar 13 pessoas em um ataque a tiros na base militar de Fort Hood, no Texas, em 2009. A aplicação da pena capital está marcada para 3 de dezembro e será realizada por um pelotão de fuzilamento. O caso marcaria o primeiro fuzilamento militar nos Estados Unidos desde 1945. (
G1)

Vamos refletir um pouco sobre a aplicação da pena de morte por autoridades governamentais e como o assunto é analisado sob o ponto de vista bíblico. Em uma análise rápida, é possível perceber que o tema causa muita polêmica em várias áreas do conhecimento humano: direito, política, sociologia e religião. O uso da pena capital para punição de crimes é uma realidade com viés de crescimento. As execuções globais por pena de morte atingiram 2.707 casos registrados em 2025 (excluindo a China), o maior patamar em mais de 40 anos, segundo dados da Anistia Internacional. Pessoas foram condenadas à morte em 54 países por decapitação, eletrocução, enforcamento, injeção letal e fuzilamento (caso do ex-militar).

Se o olhar agora for voltado à Bíblia, é bem interessante perceber a necessidade de compreensão dos textos do livro sagrado do cristianismo dentro de um contexto. É verdade que há citações em que Deus ordenou mortes diretas e outras por meio do povo de Israel. Em todas elas, é necessário, no entanto, compreender três aspectos. O primeiro, de que Israel, nesse período, era um regime teocrático que se valia de líderes que funcionavam como mediadores (patriarcas, gente como Moisés, Josué, juízes, etc) em relação ao povo em geral. E Deus não pode ser avaliado tal como se faz com os seres humanos, pois Ele é criador e não um homem. 

O mandamento de Êxodo 20:16 proíbe matar. O teólogo renomado Ángel Manuel Rodríguez, em artigo publicado no site do Biblical Institute Research, assinala que “o uso do verbo ratsach (matar, assassinar), no sexto mandamento, parece estar restrito ao homicídio ilegal. Nunca é utilizado para se referir à pena de morte ou ao ato de matar na guerra. Com respeito à pena de morte, encontramos o verbo hebreu môt (condenar à morte). No contexto de guerra, se utiliza comumente o verbo hebreu harag (matar, tirar a vida). Portanto, o mandamento não deveria ser utilizado exclusivamente para determinar se a guerra ou a pena capital são justas ou equivocadas”.

Além disso, fica claro que a medida da pena de morte adotada por Deus em alguns casos específicos nunca foi uma regra ideal. Trataram-se de medidas extremas com finalidades bem claras para povos que dependiam muito desse tipo de ação didática para aprender lições espirituais de obediência em diferentes aspectos (rebeliões, transgressões dos mandamentos como se lê em Números 15:32-36; Números 16, entre outros). E tinha a ver, também, com a capacidade de Deus de perceber quando determinados povos ultrapassavam os limites da misericórdia e se tornavam claros opositores dos propósitos divinos de ocupações de territórios e avanço da obra no mundo (exemplos em Deuteronômio 20:16-18 e I Samuel 15:1-35).

Importantíssimo saber que, no caso dos povos denominados cananitas e que foram grandes obstáculos no plano de Deus com o povo israelita antigo, diversos esforços de conscientização com intervenção direta divina já ocorriam há tempos (veja, por exemplo, Gênesis 15:16).

E hoje? A Bíblia declara, em textos como Romanos 13:4 e I Pedro 2:13,14, que as autoridades humanas constituídas têm a responsabilidade e direito de executar penalidades aos cidadãos. Não é uma atribuição das igrejas. Não encontro, no entanto, razões para aceitação da pena de morte como medida espiritualmente viável hoje da mesma forma como antes ocorria e nem a praticada pelos governos embora tenham o direito de fazer isso. Não vivemos mais em uma sociedade teocrática e há, conforme a Bíblia (especialmente a partir dos ensinos de Cristo e Seus discípulos), uma forma diferenciada de Deus cumprir com Seu plano de evangelização nos tempos atuais. É o mesmo Deus agindo de maneira diferenciada de acordo com diferentes contextos.

Mas não se pode esquecer que a Bíblia também prevê a morte dos que não se arrependerem (a chamada segunda morte mencionada em Apocalipse) no final da vida ou dos tempos. Esse é o juízo final que colocará fim a um mundo de pecado. Além disso, quem conhece profundamente pensamentos e intenções de cada ser humano é somente Deus e apenas Ele pode dizer por que alguns passam por esse tipo de situação e que lição podem tirar de uma circunstância tão adversa como essa.

Uma coisa é certa. Deus nunca teve prazer na morte dos seres criados, mas usou métodos diferentes para distintas realidades e percepções. A pena capital aplicada pelos homens hoje é uma questão bastante complexa para a mente humana. Mas não para a mente divina que a tudo sabe julgar…

"Tão certo como eu vivo, diz o Senhor Deus, não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho e viva. Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; por que morrereis, ó casa de Israel?” (Ezequiel 33:11).

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

MEDITAÇÃO #101 - CONVERSÃO

Mudança súbita, como ocorreu com o apóstolo Paulo, ou transformação gradual, como aconteceu com o discípulo Pedro, a conversão é um fenômeno marcante. Experiência de deslocamento, Céu e Terra atuando juntos, psicologia e teologia interagindo, individualidade e comunidade marcando presença, trata-se de um evento que divide a vida em antes e depois.

Lewis Rambo, autor do livro Understanding Religious Conversion (Yale University Press, 1993), escreve: “A conversão é paradoxal. É elusiva. É inclusiva. Ela destrói e salva. É súbita e gradual. É originada totalmente pela ação de Deus e criada totalmente pela ação dos humanos. É pessoal e comunal, particular e pública. É passiva e ativa. É um afastamento do mundo. É uma resolução de conflito e uma capacitação para ir ao mundo e enfrentar, ou criar, conflito. É um evento e um processo. É o fim e o começo. É definitiva e aberta. A conversão nos deixa devastados – e transformados.”

Apesar desses tons sociológicos e psicológicos, a conversão tem um caráter essencialmente religioso e sobrenatural. Ela envolve a mudança de cosmovisão (modo de pensar) e a transformação real da vida, o que afeta a identidade, as afeições, as atitudes, os costumes, os relacionamentos, os motivos, os interesses, as prioridades e o destino da pessoa.

Exatamente por ser uma mudança tão radical que a conversão não é simplesmente o que a maioria de nós acredita ser. Alguns acham que conversão é fazer parte de uma igreja, assumir um novo credo ou mesmo adotar novos comportamentos. Acontece que “conversão” é algo que acontece na mente e que afeta a vida inteira. Ellen White diz que "a ligação a uma igreja não substitui a conversão. A aceitação do credo de uma igreja não tem valor algum para quem quer que seja se o coração não estiver verdadeiramente transformado" (Evangelismo, p. 290).

Os motivos para a conversão podem ser muitos, como retomar a herança religiosa familiar, aderir a novas verdades, resolver uma crise, mudar o roteiro pessoal e encontrar um novo propósito. Porém, o mais legítimo é o reconhecimento do estado de pecado e a necessidade de salvação. Finalizo com este maravilhoso texto de Ellen White:

"A conversão é uma obra que a maioria das pessoas não aprecia. Não é coisa pequena transformar um espírito terreno, amante do pecado, e levá-lo a compreender o inexprimível amor de Cristo, os encantos de Sua graça, e a excelência de Deus, de maneira que a alma seja possuída de amor divino, e fique cativa dos mistérios celestes. Quando a pessoa compreende estas coisas, sua vida anterior parece desagradável e odiosa. Aborrece o pecado; e, quebrantando o coração diante de Deus, abraça a Cristo como a vida e alegria da alma. Renuncia a seus antigos prazeres. Tem mente nova, novas afeições, interesses novos e nova vontade; suas dores e desejos e amor, são todos novos. A concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida até então preferidas a Cristo, são agora desviadas, e Cristo é o encanto de sua vida, a coroa de seu regozijo. O Céu, que dantes não possuía nenhum atrativo, é agora considerado em sua riqueza e glória; e ele o contempla como sua futura pátria, onde ele verá, amará e louvará Aquele que o redimiu por Seu precioso sangue. As obras da santidade, que se lhe afiguravam enfadonhas, são agora seu deleite. A Palavra de Deus, anteriormente pesada e desinteressante, é agora escolhida como estudo, como o homem do seu conselho. É como uma carta a ele escrita por Deus, trazendo a assinatura do Eterno. Seus pensamentos, palavras e atos, são comparados com esta regra e provados. Treme aos mandamentos e ameaças que ela contém, ao passo que se apega firmemente às suas promessas, e fortalece a alma aplicando-as a si mesmo. Prefere agora o convívio dos mais piedosos, e os ímpios, cuja companhia antes apreciava, já não lhe causam mais deleite. Lamenta-lhes os pecados que dantes o faziam rir. O amor-próprio e a vaidade, ele renuncia, e vive para Deus, e é rico em boas obras. Eis a santificação exigida por Deus. Nada menos que isto aceitará Ele" (Testemunhos Seletos, vol. 1, pp. 253-255).

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

MEDITAÇÃO #100 - BARRABÁS

"Quem é que vocês querem que eu solte: Barrabás ou Jesus, chamado Cristo?" (Mateus 27:17).

Os quatro evangelhos fazem referência a Barrabás, uma figura misteriosa que surge em conexão com o julgamento de Cristo. A tradição a seu respeito é reticente. Prisioneiro, ele aguardava a execução. Desejando libertar Jesus, talvez influenciado pela mensagem de sua esposa, Pilatos sugere uma escolha entre os dois: Jesus ou Barrabás?

“Esse homem [Barrabás] havia afirmado ser o Messias. Pretendia autoridade para estabelecer uma nova ordem de coisas, para emendar o mundo. Sob uma ilusão satânica, pretendia que tudo quanto pudesse obter por furtos e assaltos era dele. Por meios diabólicos havia realizado coisas admiráveis, atraído seguidores e despertado sedição contra o governo romano. Sob a capa de entusiasmo religioso, era um endurecido e consumado vilão, dado à rebelião e à crueldade. Oferecendo ao povo escolha entre esse homem e o inocente Salvador, Pilatos julgava despertar-lhes o sentimento da justiça. Esperava conquistar-lhes a simpatia para Jesus, em oposição aos sacerdotes e príncipes” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 733).

Mas Pilatos é colhido por uma estarrecedora surpresa: "Solte-nos Barrabás", grita a multidão.

Qual é a razão para uma escolha como essa? Os líderes religiosos daquele tempo sabiam que poderiam prender Barrabás novamente, quando necessário. Mas como poderiam silenciar alguém como Jesus Cristo? Como parar um Homem que, sem qualquer arma, representava um perigo revolucionário capaz de subverter o judaísmo e todo o Império Romano? O que fariam com Alguém cujas armas eram Suas novas ideias sobre Deus e as pessoas, capazes de explodir as velhas categorias religiosas? Barrabás poderia explorar seus conterrâneos, mas ele não ameaçava governar a vida de ninguém. Por outro lado, Jesus apresentou um reino que governa de dentro para fora. Sem imposição, conduz a uma lealdade superior à vida e à morte.

Naquela tarde da Páscoa, três ladrões, talvez do mesmo grupo, deveriam ser crucificados: Dimas, Gestas e Barrabás. Barrabás é liberto no último instante, e Jesus é crucificado em seu lugar.

Aqui nós temos a mais perfeita ilustração do princípio da substituição. A história de Barrabás é a história da salvação por meio da morte de Jesus Cristo. Seu nome, "Bar Abba", significa "filho do pai". Como ele, todos nós, filhos do pai Adão, somos culpados de rebelião e sedição contra Deus, ladrões de Sua glória, assassinos de nós próprios e de outros, prisioneiros do pecado. Barrabás, no corredor da morte, apenas aguardava a execução. Ele deve ter olhado para as palmas de suas mãos, imaginando como seria a dor dos cravos rasgando a carne, dilacerando a cartilagem e os ossos. Ouviu então o sinistro barulho da chave abrindo a pesada porta de ferro. Ouviu os passos dos guardas. "Chegou minha hora", pensou. Sua cabeça estava pesada e confusa.

Parecia até ouvir seu nome gritado por enorme multidão. Ainda não sabia exatamente o que estava acontecendo. Abismado, ouviu que estava livre: "Pode ir para casa."

Isso é substituição: Jesus tomou nosso lugar. Ele foi feito pecado para que sejamos feitos justiça de Deus. Jesus representa a verdadeira libertação por meio do amor, justiça e sacrifício; Barrabás representa a falsa e ilícita libertação, por meio do ódio, violência, injustiça e vício. O povo preferiu libertar as trevas e a mentira, e crucificar a verdade e a luz. Jesus não fez nenhum mal, e foi condenado. Barrabás não fez nenhum bem, e foi inocentado, num julgamento injusto. A menos que estejam sob a convicção do Espírito Santo, inevitavelmente as pessoas fazem a escolha espiritual errada, como fez aquela multidão. No fim, todos temos a escolha entre Cristo e Barrabás, entre Cristo e o mundo corrompido e caído, entre a vida e a morte.

Querido amigo e amiga, agradeça a Deus por esse tão grande sacrifício, aceite essa salvação gratuita que Ele oferece e não esqueça: Jesus deu a vida, morreu a morte eterna em seu e meu lugar. A cruz não era dEle. Era de Barrabás, era sua, era minha…

MEDITAÇÃO #99 - HIPÓCRITAS

“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque sois semelhantes aos sepulcros caiados, que, por fora, se mostram belos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia!” (Mt 23:27).

Os escribas e fariseus eram adeptos da religião do faz de conta. Achavam que a prática de rituais fosse indício de religião autêntica. Mas, certo dia, eles foram desmascarados por Alguém que, usando um infalível aparelho de ressonância espiritual, viu cada centímetro quadrado da matéria putrefata em que consistia a vida deles. E não há muita diferença entre os “sepulcros caiados” do tempo de Jesus e os de hoje. Existe muita caiação religiosa entre nós. Essa postura merece um nome nada agradável: hipocrisia. 

“Hipocrisia” vem do grego hupokrisía, vocábulo que tem o sentido de “alguém que desempenha um papel”. Ou seja, em resumo, hipocrisia tem a ver com fingimento. É uma coisa meio teatral, quando você finge ser, sentir ou pensar algo que não condiz com a realidade. Mas, mesmo sendo uma característica tão presente no ser humano como qualquer outro pecado, preciso reconhecer que ultimamente tenho visto tanta hipocrisia que chega a gerar em mim uma certa repulsa.

Os hipócritas gostam de se vangloriar. Além disso, não se apercebem de que constituem um entrave ao crescimento espiritual da igreja e à obra de evangelização. Algumas pessoas saem da igreja porque se escandalizam com a religião do faz de conta. O prejuízo causado por uma religião de epiderme é tão grande que Jesus deu nome ao cemitério dos escandalizadores: “profundeza do mar” (Mt 18:6). 

A hipocrisia não engana a Deus. A Bíblia diz em Lucas 16:15: “E ele lhes disse: Vós sois os que vos justificais a vós mesmos diante dos homens, mas Deus conhece os vossos corações; porque o que entre os homens é elevado, perante Deus é abominação.”

A hipocrisia tem motivos duvidosos. A Bíblia diz em Mateus 6:2: “Quando, pois, deres esmola, não faças tocar trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa.”

Hipocrisia é conhecer a verdade, mas não obedecer – dizer que Cristo é o Senhor mas não segui-Lo. A Bíblia diz em Mateus 23:13: “Mas ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Porque fechais aos homens o reino dos céus; pois nem vós entrais, nem aos que entrariam permitis entrar.”

Todos somos hipócritas, logo, não serei eu a atirar a primeira pedra. Mas há uma grande diferença entre os tipos de pessoas que praticam a hipocrisia: há o hipócrita que percebe suas escorregadas e se corrige, e o hipócrita que, por mais que você advirta, persiste em levar adiante seu erro. Só que Deus não nos chamou para sermos hipócritas. E se você percebe que está vivendo atrás de máscaras, sorrindo quando queria chorar, dizendo “sim” quando deveria dizer “não”, fingindo ser quem você não é… tome uma atitude. Por quê? Porque senão o seu modo de proceder em nada será diferente do modo dos escribas e fariseus que Jesus tanto condenou. E a quem chamou de sepulcros caiados.

Coerência é tudo o que Jesus ensinou. Busquemos incansavelmente conhecer a verdade e pratiquemos a verdade que conhecemos, dessa forma não traremos maldição, ou escândalo ao mundo, que já está farto de gente que diz ser o que nunca foi. Antes de tudo, conheça a verdade que é Cristo (João 14:6 e 8:32), e Ele transformará suas atitudes, de forma que a hipocrisia - um dos maiores males que enchem bancos de igrejas e lotam as ruas, praças, faculdades e a sociedade em geral - não se achará em sua vida.
"A advertência foi dada; Deus tem claramente mostrado Seu desprezo por este pecado; e todos os que se dão à hipocrisia podem estar certos de que estão destruindo a própria alma. A hipocrisia é deveras ofensiva a Deus" (Ellen White - Atos dos Apóstolos, p. 76).

terça-feira, 6 de outubro de 2026

MEDITAÇÃO #98 - MAL-HUMORADOS

“Não se associe com quem vive de mau humor, nem ande em companhia de quem facilmente se ira; do contrário você acabará imitando essa conduta e cairá em armadilha mortal” (Provérbios 22:24-25 NVI).

Sabe aqueles dias em que você acorda querendo brigar com a sombra, gritar com o filho porque ele derramou uma gota de leite na toalha da mesa e responder “bom dia, por quê?” quando alguém simplesmente o cumprimentou? Você com certeza despertou sob o domínio do mau humor, esse sentimento tão familiar a todos e infelizmente cada vez mais comum. A própria medicina considera o mau humor crônico uma enfermidade. Ela se chama distimia e pode ser definida como “a falta de prazer ou divertimento na vida, seguida por um constante sentimento de negatividade”.

O que te deixa de mau humor? Mentiras, atrasos, desorganização, bagunça, música alta, arrogância, indolência, falta de planejamento, irresponsabilidade, traição, calor? Embora para muitos possa parecer algo banal – sem repercussões além da própria cara feia e do incômodo sentido por quem está por perto –, esse estado de espírito traz muito mais prejuízos à saúde e à vida espiritual em geral do que se imagina. O mau humor se instala em sua mente, de forma que você fica remoendo todas as formas em que foi injustiçado. Você se torna irritável e impaciente. Você explode com os outros e se justifica. 

Vejamos apenas cinco conselhos de Ellen White para combater esse mau humor:

1. "Não permitais que as perplexidades, as tristezas da vida diária e o mau humor aflijam vosso espírito e vos entristeçam o semblante. Se o permitirdes, tereis sempre alguma coisa que vos atormente e aborreça. A vida é o que dela fazemos, e encontraremos o que buscarmos" (LA, 430).

2. "Não permitais que escape de vossos lábios nenhuma palavra de mau humor, aspereza ou ira. A graça de Cristo espera vosso pedido. Seu Espírito dominar-vos-á o coração e a consciência, presidindo vossas palavras e atos" (OC, 219).

3. "Guarda-te da irritabilidade e do mau humor, e de um espírito atormentador. Busca a piedade de coração. Sê cristão coerente. Possui o amor da pureza e humilde simplicidade, e sejam estas inseridas em tua vida" (TI2, 314).

4. "Os que seguem a Cristo bem de perto não se mostram sombrios. Em Cristo há luz, paz e alegria permanentes. Necessitamos mais de Cristo e menos do mundo, mais de Cristo e menos do próprio eu" (Manuscrito 1, 1867).

5. "Lembremo-nos de que quando estamos de mau humor e pensamos ser nosso dever chamar à ordem toda pessoa que de nós se aproxima, jamais estamos em terreno vantajoso. Se cedermos à tentação de criticar os demais, apontar-lhes as faltas e demolir o que fazem, podemos estar certos de que não estamos fazendo a nossa parte de forma nobre e correta" (TI9, 184).

Jesus convida os mal-humorados a virem ter com Ele e a lançarem sobre Ele os seus pesados fardos. Jesus quer remover os temores e as incertezas que lhes arrebatam a paz e o descanso, mas primeiro precisam ir ter com Ele, e contar-Lhe os secretos dissabores do coração. Solicita a confiança de Seu povo como prova de seu amor por Ele. Que não vivamos e nem fiquemos mal-humorados. O inverno não há de perdurar para sempre. O estio da paz, da alegria e do prazer eterno está prestes a vir. Então Cristo habitará conosco e nos guiará às fontes de águas vivas, e enxugará toda lágrima de nossos olhos. 

Que possamos guardar as palavras de Jesus, pois elas são fonte de alegria: “Tenho lhes dito estas palavras para que a minha alegria esteja em vocês e a alegria de vocês seja completa” (Jo 15:11).

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

MEDITAÇÃO #97 - TREVAS

"A terra está coberta de escuridão, os povos vivem nas trevas, mas a luz do Senhor está brilhando sobre você... e os povos do mundo virão" (Isaías 60:2, 3).

Após um relato que mais parece um resumo das notícias atuais, Isaías descreveu o ministério do povo de Deus na Terra. Deus chamou o Seu povo para ser uma luz a fim de atrair as nações. Portanto, não podemos e não devemos ser alheios ao que acontece ao nosso redor. Podemos até fechar os olhos para não contemplar a maldade, mas jamais fechá-los diante das necessidades humanas. 

Ellen White diz: "Esta época apresenta um triste quadro para aqueles cujos olhos foram abertos para discernir os males que prevalecem por toda parte. O temor e amor de Deus quase que abandonaram o mundo. Este é o tempo predito por Isaías. Multidões são desviadas pelos enganos de uma geração infiel, e vivem nas trevas do erro. O mundo tem necessidade de uma demonstração do cristianismo prático. Visto como os que professam ser seguidores de Cristo são um espetáculo a um mundo incrédulo, é de toda a conveniência certificarem-se de estar na devida relação para com Deus. A fim de estar como luzes no mundo, precisam eles ter a luz do Sol da Justiça a brilhar constantemente sobre eles" (Nos Lugares Celestiais, p. 322).

A finalidade da luz não é de chamar a atenção para si, mas para as coisas que estão ao seu redor. Ninguém acende uma lâmpada para ficar olhando para ela. Ninguém, em sã consciência, fica contemplando a luz do sol. Porém, a luz é necessária para que possamos enxergar o caminho por onde andar. Da mesma forma, Deus não nos ilumina para que os outros olhem para nós, mas para que a nossa vida seja uma luz a conduzir o mundo para o Caminho (Jo 14:6). E é mediante o amor de Cristo em nós que somos capacitados a iluminar.

E Ellen White continua: "Sentimo-nos deprimidos, muito deprimidos, ao contemplarmos o mundo e sua impiedade. O mundo acha-se envolto nas trevas que cobrem a Terra. Suspiramos e choramos pelas abominações que se praticam. Por que será que toda essa impiedade não irrompe em decidida violência contra a justiça e a verdade? É porque os quatro anjos estão retendo os quatro ventos, para que não soprem sobre a Terra. Mas as paixões humanas estão alcançando um alto nível, e o Espírito do Senhor está sendo retirado da Terra. Não fosse haver Deus ordenado que instrumentos angélicos controlassem os instrumentos satânicos que lutam por soltar-se e destruir, e não haveria esperança. Mas os ventos serão detidos até que os servos de Deus estejam selados na fronte".

Dentro em breve estará cumprida a missão da “luz do mundo” (Mt 5:14), então, veremos a verdadeira Fonte de luz e ficaremos radiantes de alegria. O nosso coração estremecerá e se dilatará de júbilo diante da glória do nosso Salvador e Redentor. Iremos para a Cidade do Senhor (v.14), e não precisaremos mais da luz do sol, nem a lua terá mais função, porque o Senhor será a nossa luz perpétua. Não mais dor, não mais lágrimas, não mais violência na nova terra, nem ruínas ou desolação nos seus limites. “A morte já não existirá” (Ap 21:4). Não haverá mais mentirosos, corruptos, assassinos, ou destruidores da terra (Ap 11:18), mas todos os do Teu povo serão justos, para sempre herdarão a terra.

Por mais negras que sejam as nuvens que se acumulam sobre o mundo na atualidade, há luz para além. Ignorância e trevas irão nos defrontar a cada passo para a frente, mas nossa fé deve elevar-se acima de tudo, e ver o arco da promessa envolvendo o trono. E os que amam e servem a Deus devem ser a luz do mundo, brilhando entre as trevas.

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

MEDITAÇÃO # 96 - ELEITOS

Em 1896, o pastor norte-americano Charles M. Sheldon, da Igreja Congregacional, publicou o livro Em seus passos o que faria Jesus? Nele, Sheldon inventa a história de uma congregação cristã cujos membros procuram, durante um ano, viver o desafio de tomar cada atitude como resposta à pergunta que intitula o livro. Na história criada por Sheldon, os cristãos votam, nas eleições municipais, a favor de candidatos que estampam princípios cristãos e defendem valores morais, que, no contexto da época, abrangia a defesa da proibição do comércio de bebidas alcoólicas e dos jogos de azar.

Na obra, Sheldon tentou responder a uma pergunta difícil. Os personagens de seu livro presumiram os critérios que Jesus teria usado para definir seu voto. Essa é uma preocupação válida para o cristão. No entanto, Jesus Cristo viveu em um momento histórico em que o sistema democrático não existia na forma como o conhecemos hoje. Nascido no auge do Império Romano (Lc 2:1), Jesus viveu sua vida terrena sem ter que votar como nós.

No entanto, em um aspecto Cristo votou. Ele elegeu pessoas, não para cargos públicos, mas para o Reino dos Céus! Ele escolheu doze homens para serem seus apóstolos (Lc 6:13) e para que se assentassem em tronos a fim de serem juízes celestiais (Mt 19:28). Designou mais setenta para que fossem de dois em dois e o precedessem nas cidades aonde ia (Lc 10:1). Mas, acima de tudo, deu o voto que é suficiente para eleger qualquer pecador indigno à condição de herdeiro do Reino de Deus (Ap 21:7).

Jesus votaria em candidatos corruptos? É exigida honestidade e integridade perfeitas para se candidatar ao Reino de Deus (1Co 6:9, 10). No entanto, até mesmo o mais corrompido pecador pode ter a “ficha limpa”, se for lavado, santificado e justificado por Jesus e pelo Espírito Santo (1Co 6:11).

Foi assim que pelo menos dois funcionários públicos com histórico de corrupção, Levi Mateus (Mt 9:9) e Zaqueu (Lc 19:1-10), foram eleitos por Jesus para o Reino. Semelhantemente, Paulo, o “principal dos pecadores” (1Tm 1:15), um homem que esteve envolvido com a prática de tortura, além de prisões e execuções claramente injustas (At 8:3; 26:10, 11), foi “constituído ministro” das coisas que Deus lhe revelou (At 26:16).

Cristo não hesita em confiar os mais importantes cargos de Seu Reino a pessoas com um passado sujo. Pelo contrário, Ele expressou sua preferência por pecadores (Mc 2:17). Discursando aos pretensiosos fariseus, que se julgavam dignos de se assentarem nas mais importantes posições do governo de Deus (Mt 23:2), Jesus revelou que pessoas de moral duvidosa precederiam muito candidato honesto no Reino dos Céus (Mt 21:31).

Com seu voto, Jesus quer eleger pessoas que, apesar de seu passado, defeitos e falhas, aceitam ser transformadas por Deus. Ele disse: “Vocês não me escolheram, mas eu os escolhi para irem e darem fruto, fruto que permaneça, a fim de que o Pai lhes conceda o que pedirem em meu nome” (Jo 15:16, NVI).

Quando Cristo regressar, os eleitos pelo voto de Cristo assumirão um cargo mais elevado que o dos anjos (1Co 6:3): eles se assentarão ao lado de Cristo, em seu próprio trono (Ap 3:21), e “reinarão” com Cristo (Ap 20:6).

Em qual candidato Jesus vai votar nessas eleições?

Ele talvez não tenha muito o que manifestar sobre a política deste mundo, mas para o Reino dos Céus Ele deseja eleger pecadores como você e eu.
"Eleita é toda alma que opera a sua própria salvação com temor e tremor. É eleito aquele que cingir a armadura, e combater o bom combate da fé. É eleito quem vigiar e orar, quem examinar as Escrituras, e fugir da tentação. Eleito é aquele que continuamente tiver fé, e que for obediente a toda a palavra que sai da boca de Deus. As providências tomadas para a redenção, são franqueadas a todos; os resultados da redenção serão desfrutados por aqueles que satisfizeram as condições" (Ellen White - A Maravilhosa Graça de Deus, p. 354).