"Tenham cuidado com a maneira de falar. Nunca saia da boca de vocês nenhuma besteira ou baixaria. Falem apenas o que é útil e que ajude os outros! Cada palavra de vocês deve ser um presente" (Efésios 4:29 - A Mensagem).
Em uma época em que a linguagem vulgar parece se tornar cada vez mais comum – em músicas, redes sociais, filmes e até mesmo em ambientes de trabalho -, é importante refletir sobre o que a Bíblia ensina a respeito da maneira como falamos. As palavras não são neutras. Elas têm poder para edificar ou destruir, abençoar ou ferir. Por isso, o cristão é chamado a santificar também a sua fala.
Palavras de baixo-calão, palavrões e obscenidades não combinam com a vida de quem deseja refletir o caráter de Cristo. Elas são formas de perversão. São cristalizações, no idioma, da alienação total de si e do outro pela busca de um prazer sempre deslocado, desgarrado, fora da alma: um prazer masoquista, misturado a ódio e desespero. Por que essas expressões tão opostas ao amor de Deus deveriam povoar a linguagem de um cristão?
Deus leva a sério aquilo que falamos. Ellen White reforça essa visão ao comentar o sermão do monte: “As palavras de Cristo no monte condenam as zombarias, as futilidades, as conversas impuras. Exigem que nossas palavras sejam, não somente verdadeiras, mas puras” (O Maior Discurso de Cristo, p. 68). Se nossas palavras devem ser puras, isso significa que palavrões, sarcasmos cruéis e obscenidades não devem ter espaço em nossa boca.
Nossas palavras não são apenas expressões casuais que não afetam realmente aqueles que nos rodeiam. As palavras têm um poder incrível. Elas podem construir ou destruir nações, famílias, igrejas, carreiras ou negócios. Enquanto palavras negativas podem machucar outras pessoas e desonrar a Deus, palavras positivas podem abençoar aos outros e honrar a Deus. Deus em Sua Palavra nos convida a participar na oração do Salmo 19:14 que exorta: “Que as palavras da minha boca e a meditação do meu coração sejam agradáveis aos teus olhos, ó Senhor, Rocha minha e Redentor meu”.
Ellen White nos adverte: "O poder da palavra é um talento que deve ser cultivado diligentemente. De todos os dons que recebemos de Deus, nenhum é capaz de se tornar maior bênção que este. Com a voz convencemos e persuadimos; com ela elevamos orações e louvores a Deus, e também falamos a outros do amor do Redentor. Não se deve proferir uma única palavra imprudentemente. Nenhuma maledicência, palavreado frívolo algum, nenhuma murmuração impertinente nem sugestão impura sairá dos lábios do seguidor de Cristo. Palavras torpes não significam somente palavras vis. Denotam qualquer expressão contrária aos santos princípios e à religião pura e imaculada. Incluem idéias impuras e insinuações malévolas. Se não forem repelidas imediatamente, conduzem a grande pecado. Nossas palavras devem ser expressões de louvor e ações de graças. Se o coração e a mente estiverem repletos do amor de Deus, isto será revelado na conversação" (E Recebereis Poder, p. 197).
Jesus disse que a boca fala do que está cheio o coração (Lucas 6:45). Isso significa que a pureza da fala começa com a pureza do coração. Quanto mais nos enchemos da Palavra de Deus e da presença de Cristo, mais nossas palavras refletirão graça, bondade e amor. Por isso, ao invés de palavrões, o cristão é chamado a cultivar uma fala que edifica, consola e abençoa. Afinal, fomos chamados a ser “sal da terra” e “luz do mundo” – e isso também se manifesta nas palavras que escolhemos.
Que nossa boca seja instrumento para glorificar a Deus e transmitir vida aos que nos ouvem. “Que a palavra dita por vocês seja sempre agradável, temperada com sal, para que saibam como devem responder a cada um” (Colossenses 4:6).






