terça-feira, 28 de abril de 2026

MÚSICAS EMPRESTADAS

Não há nada inerentemente errado em cantar músicas escritas por outros. O povo de Deus sempre compartilhou música, transcendendo fronteiras geográficas e gerações. Canções adaptadas podem nos ensinar teologia, nos conectar ao corpo de Cristo em geral e dar voz a verdades que ainda estamos aprendendo a expressar.

Mas um perigo silencioso surge quando as músicas emprestadas se tornam as únicas músicas que oferecemos.

Com o tempo, a igreja pode perder não apenas a criatividade, mas também a identidade.

Adoração no micro-ondas versus Louvor caseiro
Imagine uma casa onde todas as refeições vêm do micro-ondas. A comida é preparada em outro lugar. É consistente, eficiente e “segura”. Mata a fome, mas nunca preenche a casa com o cheiro da comida, o som do preparo ou a alegria do trabalho em equipe.

Espiritualmente, algo semelhante acontece quando a adoração é sustentada inteiramente por músicas compostas por outras pessoas.

Músicas emprestadas são convenientes. Economizam tempo. Reduzem riscos. E muitas vezes soam muito bem. Mas não nasceram de nossas orações, nosso arrependimento, nossa dor ou nossa gratidão. Elas carregam o testemunho de outra pessoa — fiel, sincero e real —, mas não o nosso .

Deus nunca pediu ao Seu povo que trouxesse sobras ao altar.

A inconsistência que jamais aceitaríamos em qualquer outro lugar
Imagine o quão artificial seria se esse mesmo padrão moldasse o restante da vida da igreja.

E se os pregadores apenas reutilizassem os sermões exatos de outros pregadores — sem nunca se debruçarem sobre o texto, sem nunca ouvirem o que o Espírito poderia estar dizendo àquela congregação, naquele momento ?

E se todas as nossas orações fossem recitadas exclusivamente a partir das palavras de outras pessoas — nunca moldadas por nossas próprias confissões, intercessões ou súplicas por misericórdia?

E se a igreja simplesmente repetisse o que outros já disseram — refletindo pensamentos emprestados em vez de envolver o coração, a mente e o corpo em resposta a Deus?

Com razão, pressentiríamos que algo estava errado.

Não porque esses sermões, orações ou escritos fossem infiéis, mas porque o culto deixou de ser participativo. As pessoas estariam consumindo a fé em vez de praticá-la.

No entanto, muitas vezes aceitamos esse padrão na música sem questioná-lo.

A adoração razoável exige que sejamos nós mesmos por inteiro
As palavras de Paulo em Romanos 12:1, 2 são surpreendentemente concretas e pessoais:

“Apresentem os seus corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o culto racional de vocês. [...] Transformem-se pela renovação da sua mente.”

Segundo as Escrituras, a adoração não é mera repetição, mas sim oferecer-nos a nós mesmos.

Nossas mentes.

Nossos corpos.

Nossas experiências.

Terceirizar toda a expressão musical é, involuntariamente, reter parte dessa oferta.

Deus não deseja apenas a precisão das palavras; Ele convida à transformação das pessoas. E a transformação acontece quando os crentes se envolvem ativamente — pensando, criando, respondendo e oferecendo a Deus aquilo que Ele primeiro operou neles.

Canções emprestadas moldam teologia emprestada
A música nos forma muito antes de nos informar. O que cantamos repetidamente torna-se o que instintivamente assumimos. Quando todas as nossas canções vêm de outras comunidades, outras culturas e outros ecossistemas teológicos, adotamos lentamente suas ênfases como se fossem nossas — às vezes sem perceber.

Repito, isto não é uma acusação. É uma observação pastoral.

Quando uma igreja nunca compõe suas próprias canções, ela pode até manter suas crenças, mas gradualmente perde a capacidade de expressá- las musicalmente. Eventualmente, a congregação deixa de saber como cantar sua fé com suas próprias palavras.

E aquilo que uma comunidade não consegue cantar, terá dificuldade em transmitir.

Compor canções não é uma performance — é um ato de cuidado pastoral
Compor canções não é exclusividade de profissionais, artistas de gravação ou pessoas especialmente talentosas. Na vida da igreja, é um ato pastoral.

Músicas locais:

• Dar voz ao lamento local.

• Preservar os testemunhos locais.

• Ensine a doutrina com um sotaque familiar.

• Ancore a fé na experiência vivida.

Uma canção escrita localmente pode nunca viajar muito longe, mas pode influenciar profundamente.

Os Salmos não foram escritos para impressionar as gerações futuras. Foram escritos porque Deus encontrou pessoas em situações reais, e o louvor foi a resposta natural.

Um convite à coragem
Este não é um chamado para abandonar canções emprestadas. É um chamado para completar nossa adoração.

Cante a igreja global.

Cante a igreja histórica.

Mas também — cante na sua igreja.

Cante o que Deus fez entre este povo.

Cante enquanto responde às suas perguntas.

Cante seu arrependimento.

Cante a sua esperança.

Músicos: Deus não está esperando que vocês soem como todo mundo. Ele está convidando vocês a oferecerem o que Ele já colocou dentro de vocês.

O mesmo Senhor que acolhe sermões preparados com estudo e oração e orações proferidas com corações sinceros também se alegra com canções que nascem de vidas fiéis.

Não foi aquecido no micro-ondas.

Mas feita em casa.

Preparado com reflexão, sacrifício e amor.

E oferecido como um ato de adoração vivo e racional.

sexta-feira, 24 de abril de 2026

O SÁBADO E OS DOIS MARRECOS

João era um homem simples, temente a Deus. Buscava viver à luz das orientações bíblicas e era fiel ao Senhor em cada pequeno detalhe de sua vida. No entanto, enfrentava muitas lutas. Ganhava pouco e sua esposa vivia muito doente.

O patrão de João tinha uma vida completamente diferente. Não acreditava em Deus, vivia de maneira desregrada, bebia muito e era violento. E vez após vez zombava de João, já que, mesmo vivendo desta forma, era muito rico, tinha uma mulher linda e gozava de boa saúde. “Acho que Deus não gosta tanto assim de você! Olhe para sua vida e olhe para a minha! Se tem alguém aqui de bem com Deus, esse sou eu!”, dizia o chefe entre gargalhadas.

O funcionário cristão permanecia em silêncio diante dos gracejos e zombaria. No fundo, eram bons amigos e João sabia que seu testemunho poderia ser o único contato que seu patrão talvez tivesse com as realidades da fé.

Um dia, os dois saíram para caçar marrecos. Chegaram no lugar, preparam tudo e ficaram aguardando o momento certo para atacar. Deram dois tiros. O primeiro foi certeiro. O marreco caiu morto. Colocaram-no em uma sacola. O segundo tiro atingiu outro marreco, mas este, ainda vivo, começou a fugir. O patrão largou o marreco morto de lado e foi correndo atrás do que estava vivo. E assim a caçada continuou.

No fim da tarde, João levou seu patrão para um lanche, e propôs a seguinte explicação para a situação dos dois. Com amor em sua voz, ele disse: “Chefe, o diabo dá tiros em todos nós. Ele deseja nos afastar de Deus, que é a fonte da vida de verdade. Você é o marreco morto. Eu sou o marreco vivo. O diabo corre atrás de mim, porque não tem certeza de que me abateu”.

Enquanto estivermos deste lado da eternidade, é possível que carreguemos mais perguntas do que respostas. Não é fácil conviver com o silêncio de Deus, enquanto a maldade do mundo nos rouba a paz. É possível que nestes últimos dias, o mal tenha posto você na mira. Quem sabe tenha feridas abertas, esteja sangrando. Doença, traição, despedida, privação… São inúmeras balas perdidas nessa guerra da vida.

Em meio a tudo isso, o Sábado é um lugar de cura e descanso. As portas estão abertas. Entre. Deixe as ferramentas de lado. Permita que Deus cuide das coisas por você. Ele vai lhe dar um abraço, vai secar suas lágrimas. Ele vai restaurar você. Descanse.

quinta-feira, 23 de abril de 2026

O PRIMEIRO CULTO NO CÉU

(Dando asas à imaginação sobre um sonho tão sonhado)

Não é errado sonhar e nem tentar vislumbrar aquilo que tanto queremos. Deixei a imaginação fluir e construir um possível cenário do que seria o primeiro culto dos remidos no céu. Ainda que possa parecer presunçoso, eu me imagino lá, presente, pela graça, tão somente pela graça de Deus.

Embora saibamos que vamos estar na presença de Deus “de uma lua nova até a outra, de um sábado até o outro”, ou seja, diariamente, gosto da ideia de que esse culto se dará em um dia de sábado, celebrando assim a nova criação de Deus. Ao redor do trono, diante do nosso maravilhoso Pai, com vestes brancas, todos nós salvos, a grande multidão de remidos, homens, mulheres e crianças, pessoas de todas as épocas, justificados pela graça de Cristo, santificados pela ação do Espírito, glorificados pelo poder de Deus. Estamos circundados pelos exércitos de anjos celestes, em total reverência, com alegria sem fim no coração. Em nosso pobre planeta lá embaixo, o mal ainda não terá sido extinto, estamos iniciando o milênio de glória, mas já estamos livres dos efeitos do pecado, já sem lembrança de tudo de ruim que passamos.

O coro de anjos, a orquestra maravilhosa, instrumentos jamais vistos, todos a postos, prontos, aguardando o início daquele culto especial. A um sinal de Gabriel, o magnífico arcanjo, maestro maior de todos os coros, erguem-se as vozes celestes.

Perfeição completa, eis a música do céu! Finalmente a conhecemos, nós que sobre ela tanto falamos, discutimos e divergimos em nossa velha Terra. Como é diferente de tudo que pensávamos! Como era pobre nossa imaginação! Falávamos em tantos padrões, culturas, escolas musicais, gêneros, e a música de Deus agora nos surpreende a todos. Como teria sido tão melhor ter deixado, lá em nosso velho planetinha, o Espírito falar ao nosso coração, sempre, acima de qualquer erudição, acima de qualquer preconceito, acima da estratificação de nossas mentes!

E os músicos celestes nos brindam com um concerto extraordinário de boas vindas aos salvos. São momentos eternos que passam, que não sentimos, que não nos cansam nem incomodam. Criação musical coletiva, todos parecem pensar os mesmos acordes e sequências, e a música flui espontânea e bela, é mágica, impressiona os corações, alegra a alma dos salvos em Jesus.

De repente, a música muda. Cristo Jesus levanta-se ao lado do Pai e adianta-se. É o Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo, o Leão da tribo de Judá, o Príncipe da Paz. Para Ele voltam-se todos os olhares, as mentes e os corações. É para Ele a próxima música do céu. Os acordes são outros, é outra a cadência, os anjos mal conseguem conter a emoção. A letra, de poesia perfeita e maravilhosa repete: “Digno é o Cordeiro, que foi morto, de receber o poder, e riqueza, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e louvor”. Não dá pra descrever o que vai no coração de todos os presentes. Os remidos choram, mas é um choro de alegria, de agradecimento. São mais momentos eternos e inesquecíveis.

E agora, algo especial: a uma modulação maravilhosa, que o mais experimentado dos músicos terrestres jamais conseguiu sequer imaginar, a orquestra e o coro param. Jesus vai solar. Sua voz é completamente harmônica. Em alguns momentos suave e doce, a voz do Bom Pastor; em outras partes é como o som de muitas águas. Dispensa o acompanhamento. A letra diz, entre outras belezas: “Vinde, benditos de meu Pai. Possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo”. A orquestra e o coro de anjos, voltam em contracanto perfeito, respondem e devolvem a Cristo toda a honra, repetindo: “Digno é o Cordeiro, que foi morto, de receber o poder, e riqueza, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e louvor”. A participação do Salvador, do Rei dos Reis, é perfeita.

Mas ainda há mais emoção nesse culto difícil de narrar. Todos os remidos que estão prostrados diante do trono, agora se levantam. Sim, nós vamos agora cantar. E não vamos fazer feio, temos mentes transformadas e corpos glorificados, dons restaurados, alcançamos a perfeição em Cristo Jesus. E sobre o que cantamos? Ah, com toda certeza, cantamos da experiência humana, da experiência pessoal de cada um. Cantamos daquilo que vivemos e passamos. E os outros mundos, habitados por seres superinteligentes e sem pecado, a tudo assistem maravilhados, sendo que jamais poderão cantar como nós cantamos, pois serão incapazes de transmitir musicalmente aquilo que não viveram.

E cantamos o cântico de Moisés, servo de Deus, e o cântico do Cordeiro, dizendo: “Grandes e admiráveis são as tuas obras, ó Senhor Deus Todo-Poderoso; justos e verdadeiros são os teus caminhos, ó Rei dos séculos”.

E o grande culto, antecedendo a monumental Escola que virá depois, prossegue todo em música, alternando coro e orquestra de anjos, solos maravilhosos, corais de remidos triunfantes. Não existe mais cansaço, não mais tédio, não mais monotonia, o tempo não existe, estamos enfim na Eternidade, vivendo dentro do sonho!

No final, a bênção do Pai, o Deus dos Exércitos, o Criador de todos os mundos, que sobre nós levanta o Seu rosto, e nos dá a paz, a Sua paz, que excede a todo o entendimento.

Em seguida, o início do nosso aprendizado na grande Escola dos céus. Quantas perguntas, quanta curiosidade, quanta sede de saber e conhecimento. Deus, Cristo Jesus, os santos anjos, a influência esclarecedora do Espírito Santo, são os nossos Mestres nessa Escola eterna. Ali, diariamente, ouviremos de Suas bocas santas e sábias, tudo que não entendíamos, e com mente clara agora compreendemos perfeitamente, sem sofismas, sem enganos, sem dúvidas.

Depois, ao lado do rio da água da vida, encimados por um céu de azul perfeito, a ceia dos remidos, com os frutos da árvore da vida, alimento sadio que nos garante a vida eterna, sem doenças, sem dores, sem sofrimento, sem pecado.

Amigos, quando aqui cantamos o que vivemos, o canto sai livre, verdadeiro, consistente, autêntico e transmite um prenúncio da atmosfera do céu. Quando aqui estudamos e nos alimentamos da Palavra de Deus, estamos nos aprimorando no conhecimento de um Deus maravilhoso e um Salvador justificador. Deus queira, e Ele com certeza quer, que cada ser humano se arrependa e se salve. O fogo eterno não foi preparado para nós, mas para o diabo e seus anjos. Aquele culto maravilhoso, de cuja liturgia aqui consegui apenas arranhar um pouquinho a superfície, nos espera. Não podemos faltar, não iremos chegar atrasados! Deus nos abençoe, e mesmo em meio às nossas manias e aos nossos desencontros, nos conserve em união de propósitos e em amor fraterno, sem o que, não estaremos lá naquele dia. Sejam felizes.

Mário Jorge Lima (via Instantâneos do Reino)

quarta-feira, 22 de abril de 2026

TRUMP, O PAPA E A DISSONÂNCIA CRISTÃ

Em menos de quinze dias, os temas religiosos entraram com força no debate político e tem impactado o cenário eleitoral brasileiro. O caso mais recente ganhou repercussão na última segunda (20), quando a imagem de um soldado israelense esmagando a cabeça de uma estátua de Jesus em Debel, no sul do Líbano, se espalhou nas redes.

O episódio se soma a uma postagem de Donald Trump, em sua própria rede social, de uma foto, produzida por inteligência artificial, em que aparece retratado como Jesus. Além disso, houve a troca de farpas entre a Casa Branca e o papa americano, Leão XIV. A sequência toca em um ponto de conexão entre evangélicos e católicos brasileiros à pauta trumpista e expõe contradições que o bolsonarismo terá dificuldade de blindar em 2026.

Segundo os dados da Palver, que analisa em tempo real mais de 100 mil grupos públicos de Whatsapp e Telegram, o tema tem se mantido em patamar elevado. Considerando as mensagens trocadas nos últimos 15 dias sobre essas questões de política e religião, 70% se concentram no embate de Trump com o papa, 29% na imagem de IA em que o presidente dos Estados Unidos aparece como Jesus, e o caso do soldado israelense já responde por 5%, com curva ascendente nos últimos três dias. O pico foi em 13 de abril, dia seguinte ao ataque de Trump ao pontífice.

No campo pró-papa, que representa 56% das mensagens que se posicionaram sobre o tema no monitoramento da Palver, há prevalência do argumento de que o presidente dos Estados Unidos desrespeitou os cristãos. Já nas mensagens pró-Trump há uma tentativa de enquadrar o papa como "progressista", "comunista" e, em variação mais recente, "pró-islã". Segundo a Palver, 44% das mensagens que tomam lado no embate replicam esse enquadramento, com destaque para vídeos em que o vice-presidente dos Estados Unidos JD Vance rebate o papa invocando os soldados americanos da segunda guerra. A tese desse grupo é que o pontífice só se pronuncia em casos contra Donald Trump como na invasão da Venezuela e na guerra contra o Irã.

O problema dessa narrativa é que ela exige do eleitor cristão um deslocamento teológico difícil, uma vez que se posicionar contra a paz e contra o líder da igreja católica produz uma dissonância cognitiva. Mais difícil ainda é aceitar que o presidente dos EUA pode se retratar como Jesus sem que isso seja blasfêmia. E foi exatamente aqui que a base trumpista se dividiu.

Influenciadoras do MAGA como Megan Basham e Riley Gaines se pronunciaram prontamente contra a postagem. O grupo CatholicVote e o bispo Robert Barron, alinhados à direita, também condenaram. Trump, que apagou a postagem, chegou a negar que a intenção foi de se retratar como Jesus, alegando que a montagem seria dele como um médico ajudando as pessoas, mas essa versão não colou.

Trump publicou imagem em que se retrata como Jesus após criticar papa
Uma das vozes mais duras contra Trump é de Tucker Carlson. O ex-apresentador da Fox News ganhou enorme protagonismo dentro do MAGA e usou sua influência para ajudar a colocar Trump de volta na Casa Branca. No entanto, mais recentemente esse apoio se transformou em críticas, principalmente após o início da guerra do Irã.

Após a postagem de Trump se retratando como Jesus, Carlson postou um vídeo no qual faz uma construção narrativa lendo um trecho da Bíblia em que há paralelos com as ações de Trump. Acontece que o trecho em questão se refere ao anticristo. Sem ser enfático, o apresentador apresenta a comparação e apenas questiona se Trump seria o anticristo, finalizando com um "quem sabe".

Esse tipo de recurso retórico é bastante utilizado pela direita nas redes sociais e se mostra bastante eficaz na formação e moldagem da opinião pública. Em um vídeo postado na última segunda (20) em sua conta do Youtube, Carlson pede desculpas ao seu público por levar às pessoas ao erro no que se refere ao apoio a Trump.

Sobre o soldado em Debel, no Líbano, a base aparece dividida em duas narrativas principais. Pouco mais de 48% reproduzem a linha institucional de que Israel vai investigar e punir o soldado, enquanto 39% tratam o caso como "ofensa a cristãos", proporção que vem ganhando força nas redes com ampla divulgação da imagem.

Um soldado israelense danifica a cabeça de uma estátua de Jesus em Debel, no Líbano.
Uma narrativa de menor expressão, focada na militância cristã, aponta que não se trata de um episódio isolado, mas um ataque aos cristãos, relembrando que recentemente houve a obstrução do acesso do Patriarca Latino à Igreja do Santo Sepulcro pela polícia israelense, em um caso que teve repercussão internacional. Em ambas as situações, o primeiro-ministro de Israel Benjamin Netanyahu se pronunciou, seja condenando a ação do soldado em Debel, seja permitindo o acesso do Patriarca Latino, ressaltando a liberdade religiosa do país.

A direita brasileira construiu nos últimos anos um alinhamento automático com Trump e Israel, aposta que funciona principalmente pelas questões morais e religiosas. Mas quando o presidente americano dispara contra o papa, se pinta como Cristo e um soldado aliado aparece destruindo a estátua de Jesus, o custo desse alinhamento pode ter um forte impacto eleitoral, principalmente em meio aos grupos cristãos. Além disso, os acontecimentos limitam também a ação dos líderes religiosos que possuem intenção de declarar apoio político, uma vez que precisam estar atentos para não produzirem contradições capazes de afetar a fé dos fiéis.

[via UOL]

segunda-feira, 20 de abril de 2026

COMO LIDAR COM O LUTO

Nos últimos três dias, o Brasil teve uma overdose de luto ao vivo no Big Brother. Primeiro na sexta, quando perdemos o ídolo do esporte Oscar Schmidt, que é irmão do apresentador do programa, Tadeu. Ele não pode parar de trabalhar — talvez nem queira. O programa termina essa semana e todos os olhos do país se voltam para a final. Dois dias depois, a produção do programa opta por contar a Ana Paula Renault que seu pai Geraldo Renault morreu. É sofrido ver uma mulher triste, isolada em uma casa, sem poder abraçar quem passa pela mesma dor. O velório existe para isso, encontrar semelhantes e se apoiar neles.

Quando Tadeu fala com ela, resolve quebrar o protocolo. Conta sobre Oscar e chora. Se une a ela ao dividir a sua dor. Eles sofrem o luto ao mesmo tempo e, apesar de serem tão próximos diariamente há três meses, não podem se abraçar. A tela que nos aproxima deles evidencia o quanto tudo está afastado.

Inevitavelmente, a morte faz parte da nossa vida, não é mesmo? Todos nós, pelo fato de sermos pecadores, passaremos pela triste experiência de sepultarmos nossos queridos. A realidade da morte chegará para todos nós, querendo ou não. Será que é possível nos prepararmos para esses momentos de separação? Como agir diante de uma tragédia causada pela morte?

A morte de alguém próximo é uma das dores emocionais mais fortes que uma pessoa pode sentir. Quando perdemos alguém muito importante para nós, nossa resposta é o sofrimento. Toda perda dói. Não é fácil nos desfazermos de uma realidade que não volta mais. O sofrimento nestas ocasiões é, então, algo natural e até mesmo saudável, porque é a forma de expressarmos aquilo que estamos sentindo.

O luto é a resposta natural de sofrimento diante de uma grande perda. O tempo do luto varia de pessoa para pessoa, mas dura, em média, de 3 meses até 1 ano. Esta variação depende das circunstâncias da perda, da capacidade individual de cada pessoa para a superação do luto, e do apoio familiar e de amigos que a pessoa enlutada pode ou não receber durante o tempo de recuperação emocional.

Na sequencia do texto, vamos aprender um pouco mais sobre como podemos nos recuperar diante da perda de alguém e como lidar com a dor sentida.

O que é normal no luto?

No processo de luto, cada pessoa tem uma reação ou uma atitude peculiar. Estas fases não obedecem necessariamente uma ordem, mas geralmente são vividas por todas as pessoas enlutadas, por exemplo:

  1. Fase de choque – momento que acompanha a notícia da morte. É um momento de profunda dor expresso através de um choro desesperado, reações físicas de mal-estar e outras maneiras.
  2. Fase de raiva – quando acontecem momentos de revolta, de indignação, de grande ansiedade por causa da perda. Nesta fase, a pessoa pode questionar Deus por ter permitido isto e ter pensamentos constantes de raiva com relação à morte da pessoa querida.
  3. Fase da barganha – quando a pessoa enlutada tenta fazer negociações consigo mesma, com Deus ou com outras pessoas diante da dor da perda, como: “Se ele (a) voltar, eu vou mudar”, “Há outros médicos que podem salvá-lo (a)”, “Há outro hospital que pode ressuscitá-lo (a)”.
  4. Fase da depressão – quando a pessoa realmente percebe que não terá seu querido de volta e que terá que lidar com a perda, geralmente há um sentimento muito grande de angústia e tristeza. Algumas pessoas podem se isolar, preferir ficar em silêncio e realmente experimentar a dor, expressando todo o seu sofrimento através do choro.
  5. Fase de aceitação – quando a pessoa realmente aceita que a perda aconteceu, e começa, aos poucos, a caminhar com a própria vida, se permitindo novamente ter bons momentos. Isto não significa esquecer a pessoa querida, mas sim que a dor agora pode ser administrada até que permaneça uma lembrança carinhosa, mas sem o peso da dor.

O processo do luto e da tristeza pela morte de alguém é um processo que “cuida de si mesmo”, ou seja, com o tempo a tristeza vai passando e abrindo caminho para a recuperação emocional. Isso não significa que esse processo seja fácil de ser vivido, pelo contrário, é bastante difícil! Mas não será para sempre.

Quando o luto não passa…

O luto em si não é uma doença. No entanto, quando o luto não é devidamente elaborado ou experimentado, ele pode gerar doenças tanto físicas quanto emocionais.

De acordo com Katherine Shear, professora de psiquiatria da Universidade de Columbia, em Nova Iorque, cerca de 15% das pessoas enlutadas desenvolvem um luto prolongado, afetando muito a qualidade de vida da pessoa por ter extrema dificuldade em “funcionar” em meio às tarefas e necessidades do dia. O principal sintoma é uma saudade tão intensa da pessoa que faleceu que a pessoa enlutada não consegue se concentrar em outros sonhos de vida, desejos e atividades. Segundo a pesquisadora, muitas pessoas que entram neste tipo de luto desenvolvem alcoolismo e câncer, e as tentativas de suicídio aumentam.

Por isso, se uma pessoa que está vivendo um luto não observa melhora no sofrimento ao longo dos meses que se passam, e se não consegue ir retomando suas atividades cotidianas com o tempo, mas, ao contrário, se sente cada vez mais angustiada e incapacitada pela dor emocional por causa da morte de alguém querido, então é necessário que esta pessoa busque um profissional psicólogo para ajudá-la a lidar com este sofrimento de forma saudável e atravessar o luto.

Outra dica importante é que existem grupos de apoio comunitários e gratuitos que estão disponíveis para aqueles que experimentam o luto prolongado. Esses grupos costumam ser eficazes para a recuperação emocional da pessoa enlutada por causa do amparo e da empatia de outras pessoas que estão passando pelo mesmo tipo de sofrimento.

Como enfrentar uma grande perda?

Cada pessoa vivencia a dor da perda de uma maneira e com uma intensidade. No entanto, há algumas atitudes que podem ser tomadas pela pessoa enlutada para ajudá-la a enfrentar este sofrimento:

  1. Fale sobre a sua dor. Muitas pessoas acreditam que o assunto da morte deve ser evitado. No entanto, quanto menos se fala sobre o assunto, mais a dor é acumulada.
  2. Não fique sozinho. Por mais que não sinta vontade de falar sobre o assunto ou de compartilhar o seu sofrimento com alguém, procure não ficar muito tempo sem ninguém ao seu redor.
  3. Aceite a sua dor. Aceitar não significa concordar com o que aconteceu e nem gostar do que está sentindo, mas é não negar que o fato aconteceu e que está, sim, doendo.
  4. Questione o seu sentimento de culpa. É muito comum amigos e familiares enlutados se sentirem culpados após a morte de alguém, seja por pensarem não ter cuidado bem da pessoa, ou não terem resolvido algum conflito relacional. No entanto, é importante distinguir culpas reais e irreais. Se a culpa for real, perdoe-se pelo que aconteceu. Se for uma falsa culpa, aprenda a dar limites aos pensamentos de culpa quando eles vierem.
  5. Evite tomar decisões muito importantes no período de luto. Pode acontecer de você, logo após a morte de um querido, ter dificuldade em se concentrar nas suas atividades diárias e tomar decisões. Peça ajuda a alguém se você precisa tomar decisões num momento desses, isto será mais prudente.
  6. Lidando com dias e datas difíceis. Datas de aniversário e feriados como Natal, Ano Novo, Páscoa e outros, podem ser momentos bastante difíceis de serem encarados após a morte de alguém querido. Por isso, planeje passar estas datas com amigos ou familiares a fim de receber apoio e ter companhia.
  7. Não se culpe por se sentir bem. É comum pessoas não se sentirem à vontade para sorrirem e terem momentos felizes e agradáveis após uma grande perda. Não se sinta culpado em se sentir bem e feliz quando estes sentimentos vierem. Voltar a ter momentos de felicidade não significa diminuir o valor que você dava a esta pessoa. Isto faz parte da recuperação e da finalização do luto.

Como se preparar para a morte?

Será que é possível se preparar para a morte? Esse assunto é desconfortável para você? Bem, algumas pessoas não gostam nem de pensar sobre a morte. De fato, é um assunto doloroso. Mas, para pessoas que estão com uma idade muito avançada ou para aquelas que estão enfrentando uma doença em estágio terminal, pode ser bastante benéfico pensar e ter um diálogo aberto sobre este assunto com pessoas mais próximas e queridas. Que atitudes podem ajudar uma pessoa a se preparar para o estágio final da vida? Aí vão algumas dicas:

  1. Ter uma rede social de amigos e familiares queridos. A presença de alguém que você conhece e ama colabora para o desenvolvimento de um sentimento de acolhimento muito necessário em um momento de dor ou de medo.
  2. Ter gratidão por pessoas e por momentos de sua vida. O sentimento de satisfação ao se lembrar de relacionamentos e situações que aconteceram ou ainda acontecem permite que a pessoa se sinta feliz com sua jornada de vida e se sinta tranquila com relação ao futuro.
  3. Manter uma rotina de atividades. Algumas pessoas idosas ou em algum estágio terminal de uma doença deixam de fazer atividades que ainda poderiam ser feitas, mas que são deixadas de lado por um sentimento de desistência da vida. No entanto, é importante para a manutenção da vida que a pessoa continue se sentindo útil realizando tarefas possíveis tendo a alegria em atividades prazerosas. Tarefas como artes manuais, ouvir ou tocar uma boa música, participar de atividades que beneficiem o próximo ou uma simples caminhada em meio à natureza podem ser altamente construtivas e recompensadoras para essas pessoas;
  4. Avaliar a necessidade de reparar algum erro, pedir perdão ou perdoar. Não é possível sentir tranquilidade e paz interior enquanto tivermos algo não resolvido com alguém. Quando a reconciliação é feita, prestamos um favor a nós mesmos, pois liberamos o ressentimento que inevitavelmente nos aprisionava;
  5. Ter fé e esperança de que Jesus restaurará todas as coisas em Sua segunda vinda. A esperança da salvação em Jesus apesar da morte é um grande conforto e nos permite passar pelos últimos momentos da vida em paz. A Bíblia diz que Jesus ressuscitará, em Sua segunda vinda, todos aqueles que morreram crendo nEle (1 Tessalonicenses 4:16, 17). Além dessa bendita esperança, Jesus assegurou que estaria conosco em todos os momentos, até durante a caminhada pelo “vale da sombra da morte” (Salmo 23:4). Que promessa fantástica!

Convivendo com alguém em fase terminal

Este é um período muito difícil não só para o próprio paciente, mas para a família e os amigos mais próximos. Muitos tentam viver como se isto não estivesse acontecendo, até mesmo com a boa intenção de não demonstrar tristeza para a pessoa doente. No entanto, por mais que finjam um bem-estar, todos sabem, no fundo, o que está se passando e deixam de expressar suas emoções e conversar sobre assuntos relevantes que talvez não possam ser conversados posteriormente. Portanto, algumas atitudes podem ajudar a família a se organizar melhor neste momento:

  1. Não negue o fato de a doença existir e da possibilidade da morte. A negação da realidade exige mais das pessoas do que o sofrimento que vem com a aceitação.
  2. Faça companhia ao doente. A solidão pode ser bastante dolorosa, principalmente no final da vida. Portanto, mantenha a proximidade, a conversa e o encorajamento.
  3. Permita que a pessoa fale sobre a morte. Se a pessoa doente quiser falar sobre seus desejos antes de morrer, sobre o medo de morrer, se quiser conversar especialmente com alguém antes de morrer, tudo isto deve ser levado em consideração e respeitado.
  4. Ouça o doente. Certamente muitas coisas estão se passando na mente dele. Deixe que ele fale e tenha paciência e empatia para ouvi-lo.
  5. Controle sua raiva ou irritação. É comum que pacientes terminais tenham momentos frequentes de reclamação, de resmungo ou de falta de paciência, afinal, a condição da doença, de seus sintomas e do medo da morte, mexem com a sua saúde emocional. Em momentos assim, não o critique. Lembre-se de que estas atitudes provavelmente não são contra você, mas resultados de angústias emocionais da situação que está sendo vivenciada.
  6. Fortaleça-a espiritualmente. Ore com esta pessoa. Cante hinos para ela ou com ela. Leia trechos da Bíblia que a acalmem e relembrem sobre a esperança em que você crê.

Você e o Criador

A morte é uma intrusa em nossa existência. Ninguém quer morrer ou perder algum ente querido. Toda perda dói, machuca e produz grandes sofrimentos emocionais. O que fazer quando somente a dor nos resta? Aprendemos nesse estudo que devemos permitir que a dor seja sentida e precisamos crer que ela vai passar. A promessa de Deus é: “Como alguém a quem sua mãe consola, assim eu vos consolarei” (Isaías 66:13). Podemos sim nos recuperar do luto! Temos um motivo muito significativo para isso: “Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá” (João 11:25). Quando Jesus voltar, Ele ressuscitará todos aqueles que morreram crendo nEle. A morte não é o fim. Jesus é a única solução para essa triste realidade. Você acredita nessa esperança? Então aceite agora a Jesus como o seu Salvador e Senhor.

"Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois a antiga ordem já passou” (Apocalipse 21:4).

[via Esperança / UOL]

"Deus não deseja que qualquer de nós permaneça oprimido por surda tristeza, de coração ferido e quebrantado. Deseja Ele que olhemos para cima, para ver o arco-íris da promessa, e refletir luz sobre outros" (Ellen G. White - Mensagens Escolhidas, vol. 2, p. 257).

quinta-feira, 16 de abril de 2026

EXORCISMO

Algumas pessoas têm dúvida em relação à existência do ministério ou dom do exorcismo na Bíblia. Para compreender melhor o tema, tratarei da questão mais ampla da expulsão de demônios, que faz parte do trabalho ministerial de alguns de nossos pastores em diferentes partes do mundo. Em geral, um dos desafios que os adventistas enfrentam é abordá-lo biblicamente, sem permitir que as práticas de outros cristãos determinem como os demônios devem ser expulsos.

1. Terminologia
A palavra “exorcismo” vem do substantivo grego exorkistēs e identifica uma pessoa que expulsa espíritos malignos. A forma verbal, exorkizō, significa “colocar alguém sob juramento”, “conjurar” (Mt 26:63). Com o tempo, a expressão passou a indicar a ideia de compelir alguém a fazer algo, invocando um poder sobrenatural (“exorcizar”). No Novo Testamento, o verbo não é usado para se referir a exorcismo, e o substantivo é aplicado somente uma vez a exorcistas judeus (At 19:13). O Novo Testamento usa o verbo “expulsar” (ekballō) demônios em vez de “exorcizar”. Isso pode estar relacionado com o fato de que o exorcismo era associado à magia, à realização de certos rituais e ao uso de fórmulas religiosas específicas. Não é isso que encontramos no Novo Testamento.

2. Possessão demoníaca
Nas Escrituras, a possessão demoníaca é uma realidade levada muito a sério. Pessoas possuídas são descritas com as seguintes características: comportamento agressivo (Mt 8:28); atitudes autodestrutivas (Mt 17:15); e incapacidade de falar (Mt 9:32), ouvir (Mc 9:25) ou ver (Mt 12:22). Em geral, a possessão demoníaca é distinta das doenças (por exemplo, Mt 4:24; Mc 1:32). Um dos aspectos mais controversos da possessão demoníaca é que é difícil distingui-la da epilepsia e de outras doenças físicas ou mentais. Isso implica que a possessão demoníaca tem um impacto na mente e no corpo semelhante a essas condições. Contudo, geralmente é acompanhada por elementos de clarividência, fenômenos sobrenaturais e até levitação de objetos. Visto que em muitos casos seria difícil distingui-la de uma doença natural, sempre que possível devemos consultar médicos e outras pessoas qualificadas.

3. Abordagem bíblica
A expulsão de demônios era comum no ministério de Jesus, mas Ele não ensinou aos discípulos um procedimento específico. Cristo simplesmente expulsou os espíritos malignos pelo poder de Sua palavra, sem a realização de nenhum ritual ou o uso de fórmulas tradicionais (Mt 8:16). Ele ordenava que fossem embora, e eles obedeciam (Lc 9:49, 50; 10:17). Não houve ações longas e demoradas, nenhum grito específico nem envolvimento físico de Jesus com a pessoa possuída. De fato, Cristo nunca tocou um endemoninhado; e somente uma vez dialogou com ele (Mc 5:7-10). Ele simplesmente exercia autoridade sobre os poderes do mal, e eles não podiam resistir-Lhe.

Jesus compartilhou com Seus discípulos essa mesma autoridade (Mt 10:8; Mc 3:15; Lc 9:1). A maneira pela qual eles provavelmente expulsassem demônios é ilustrada no livro de Atos. Os apóstolos invocavam o nome de Jesus para libertar as pessoas dos espíritos malignos. A fórmula é simples: “Em nome de Jesus Cristo, eu ordeno que você saia dela” (At 16:18). Foi Cristo quem libertou a pessoa; o apóstolo O chamou para que interviesse. Não houve luta prolongada com o demônio nem diálogo com ele. O poder de Cristo foi eficaz por meio da palavra dos discípulos.

4. Exorcismo e dons espirituais
No Novo Testamento, o exorcismo não é listado entre os dons espirituais. Ninguém foi chamado por Jesus para estabelecer um ministério de exorcismo. Ele deu aos Seus discípulos poder e autoridade sobre os demônios, mas nenhuma vez sugeriu que esse seria seu papel principal. A responsabilidade deles era a proclamação do reino de Deus, as boas-novas da salvação. Cristo disse: “Pelo caminho, preguem que está próximo o Reino dos Céus. Curem enfermos, ressuscitem mortos, purifiquem leprosos, expulsem demônios” (Mt 10: 7, 8). A proclamação do reino de Deus é a missão de cada cristão. Quando, no cumprimento dessa missão, confrontamos os endemoninhados, recebemos o poder de Cristo para enfrentá-los. Contudo, nosso chamado principal é proclamar o evangelho da redenção por intermédio de Jesus. 

5. Perfil do possesso
Satanás não pode se apossar de qualquer pessoa que ele queira. Se isso fosse possível nosso mundo teria se tornado, há muito tempo, num gigantesco manicômio. Para que aconteça a possessão é necessário que o indivíduo se entregue a ele, o que comumente é feito pouco a pouco, quando segue suas sugestões para praticar o mal. Assim, um filho de Deus jamais poderá ficar possesso, porque sua vontade foi e permanece rendida a Cristo.

O tentador jamais nos poderá compelir a praticar o mal. Não pode dominar as mentes, a menos que se submetam a seu controle. A vontade tem que consentir, a fé largar sua segurança em Cristo, antes que Satanás possa exercer domínio sobre nós. Mas todo desejo pecaminoso que nutrimos lhe proporciona um palmo de terreno. Todo ponto em que deixamos de satisfazer à norma divina, é uma porta aberta pela qual pode entrar para nos tentar e destruir.

Comentando o caso de um endemoninhado com o qual Jesus Se deparou, Ellen White declara: "A causa oculta da aflição [...] achava-se em sua própria vida. Fora fascinado pelos prazeres do pecado, e pensara fazer da vida um grande carnaval. [...] Julgou poder gastar o tempo em extravagâncias inocentes. Uma vez no declive, porém, resvalou rapidamente. A intemperança e a frivolidade perverteram-lhe os nobres atributos da natureza, e Satanás tomou sobre ele inteiro domínio. [...] Colocara-se no terreno do inimigo, e Satanás tomara posse de todas as suas faculdades" (Testemunhos Seletos, vol. 1, p. 141).

6. Quando o demônio vai à igreja
A maior parte das vezes em que um pastor se depara com um endemoninhado parece ser nas reuniões da igreja. Mesmo que o possesso vá à reunião com o sincero desejo de buscar ajuda, as intenções de Satanás, ao permiti-lo ir, são outras. Em Lc 4:31-36 encontra-se o relato de que Cristo estava numa sinagoga, num sábado, ensinando Sua doutrina, e que ali estava também um homem possesso o qual começou a bradar em alta voz. Então, “a atenção do povo se desviou de Cristo, e Suas palavras não foram escutadas. Tal era o desígnio de Satanás em levar a vítima à sinagoga” (O Desejado de Todas as Nações, p. 141).

Sabendo que o objetivo do maligno é desviar a atenção de Cristo e do evangelho para si, não devemos de modo algum permitir que ele tenha êxito. Sugerimos que é melhor que alguns irmãos conduzam o possesso imediatamente para uma das salas contíguas à nave principal da igreja e que ali se proceda ao trabalho de expulsão, enquanto segue a programação da igreja. Essa tarefa de remoção certamente não será fácil nem agradável, todavia, se vários irmãos se unirem, por mais forte e violento que ele possa parecer, será possível. É necessário que, se o possesso estiver agressivo, outros o segurem e que o pastor fique livre para dedicar-se aos aspectos espirituais.

7. Maior atividade das forças do mal
Por meio dos escritos de Ellen White somos advertidos de que no grande e prolongado conflito entre o bem e o mal se destacam dois períodos em que as forças do mal estão em maior atividade: os dias do ministério de Cristo e os dias finais da história humana.

"O período do ministério pessoal de Cristo entre os homens foi o tempo de maior atividade das forças do reino das trevas. Durante séculos Satanás e seus anjos haviam estado procurando controlar o corpo e a alma dos homens, para trazer sobre eles pecados e sofrimento; depois acusara a Deus de toda essa miséria. Jesus estava revelando aos homens o caráter de Deus. Estava a despedaçar o poder de Satanás, libertando-lhe os cativos. Nova vida e amor do Céu moviam o coração dos homens, e o príncipe do mal despertou para contender pela supremacia do seu reino. Satanás convocou todas as suas forças, e a cada passo combatia a obra de Cristo. [...] Assim será na grande batalha final do conflito entre a justiça e o pecado. Ao passo que nova vida e luz e poder descem do alto sobre os discípulos de Cristo, uma vida nova está brotando de baixo, e revigorando os instrumentos de Satanás" (O Desejado de Todas as Nações, p. 142).

Por isso, enquanto nos aproximamos do fim, podemos esperar maiores e mais frequentes demonstrações de possessão demoníaca, sabendo, contudo, que nossa vitória é certa, pois “o Senhor dos Exércitos está conosco; o Deus de Jacó é o nosso refúgio” (Sl 46:11).

quarta-feira, 15 de abril de 2026

SIX SEVEN... NA BÍBLIA

Qual o melhor capítulo da Bíblia? SIX SEVEN (6-7). Se você passou pelo menos 6 ou 7 segundos perto de crianças ou adolescentes ultimamente, provavelmente já imaginava que essa seria a resposta. Veículos de imprensa 
têm noticiado o fenômeno global que encanta crianças, intriga adultos e deixa 67% dos professores certos de que deveriam se aposentar mais cedo.

Quando uma criança levanta as duas mãos com as palmas para cima, fazendo um movimento de quem pesa objetos imaginários no ar, provavelmente não chama a atenção. Mas esse é o "six seven", ou "6-7": a gíria mais recente saída das entranhas da internet anglófona, e que chegou ao Brasil sem tradução possível.

"Six seven" (ou 6-7) é um meme viral da internet e gíria de "brain rot" (conteúdo de repetição rápida) popularizado no TikTok e Instagram em 2025-2026, usada principalmente por adolescentes e pré-adolescentes. A expressão não tem um significado fixo, sendo usada por jovens para representar algo mediano, uma resposta vaga, ou apenas como uma brincadeira sem sentido acompanhada de um gesto com as mãos.

O ponto principal é entender que… não há o que entender. A origem do “6-7”, por exemplo, é uma mistura de fatos aleatórios:

- uma música de drill (gênero do sul de Chicago) chamada “Doot Doot”, do rapper Skrilla, em que ele repete “six seven” no refrão de forma bem marcante e ritmada;

- a altura do jogador de basquete LaMelo Ball, da NBA, de exatamente 6 pés e 7 polegadas de altura (1,98 m);

- um menino americano que apareceu em um vídeo sobre basquete em que olha para a câmera, faz um gesto com as mãos e grita bem alto: “six-seven!”. Ele virou o rosto oficial do meme.

Existe apenas um capítulo 67 nos 66 livros da Bíblia, e é um salmo. O Salmo 67 começa assim:

Que Deus tenha misericórdia de nós,
nos abençoe e faça resplandecer o seu rosto sobre nós,
para que os teus caminhos sejam conhecidos na terra,
a tua salvação entre todas as nações.
Que os povos te louvem, ó Deus;
que todos os povos te louvem.

Existem 42 ocorrências do capítulo 6, versículo 7 na Bíblia. Aqui está uma seleção de passagens que podem ser bons versículos para memorização por crianças:

“Eu os tomarei como meu povo, e serei o seu Deus. Então vocês saberão que eu sou o Senhor, o seu Deus, que os libertou do jugo dos egípcios” (Êxodo 6:7).

“Chamando os Doze, Jesus começou a enviá-los dois a dois e deu-lhes autoridade sobre os espíritos imundos” (Marcos 6:7).

“Porque todo aquele que morreu está justificado do pecado” (Romanos 6:7).

“Porque nada trouxemos para este mundo, e nada podemos levar dele” (1 Timóteo 6:7).

Uma criança mais velha ou um adolescente que esteja procurando uma passagem mais desafiadora para memorizar pode tentar Provérbios 6:16-19, que contém uma sutil referência a esses números onipresentes:

Há seis coisas que o Senhor odeia,
sete que lhe são detestáveis:
olhos altivos,
língua mentirosa,
mãos que derramam sangue inocente,
coração que maquina planos perversos,
pés que se apressam para o mal,
testemunha falsa que profere mentiras
e aquele que provoca discórdia entre irmãos.

Além de memorizar versículos bíblicos que contenham os números 6 ou 7, podemos também observar o significado simbólico dos números na Bíblia.

Os números 6 e 7, individualmente, possuem significados específicos nas Escrituras. O número seis frequentemente carrega conotações negativas, representando incompletude e até mesmo o mal. O número 7, por outro lado, representa completude e perfeição. Vejamos:

6 – Representa o culto do homem, e é o número do homem, significando sua rebelião, imperfeição, obras e desobediência. Ele é usado 273 vezes na Bíblia, incluindo os seus derivados (por exemplo, sexto) e outras 91 vezes como “sessenta” ou “60”. 

O homem foi criado no sexto dia (Gênesis 1:26, 31). Representa o homem sem Deus, pois não alcança o descanso divino do sete. Veja também Êxodo 31:15 e Daniel 3:1. O número é especialmente significativo no livro de Apocalipse, como o “666”, que identifica a besta. “Aqui há sabedoria. Aquele que tem entendimento calcule o número da besta, pois é número de homem. Seu número é seiscentos e sessenta e seis” (Apocalipse 13:18). A água que Jesus transformou em vinho estava em 6 talhas (representando a purificação da lei, incompleta sem Cristo). A mulher samaritana teve 5 maridos e vivia com o 6º, ilustrando incompletude emocional/espiritual. A estátua de Nabucodonosor tinha 60 côvados de altura e 6 de largura.

7 – Representa a perfeição, e é o sinal de Deus, o culto divino, obediência e descanso. O “príncipe” dos números da Bíblia, é usado 562 vezes, incluindo os seus derivados (ex. sétimo). (Veja Gênesis 2:1-4, Salmo 119:164 e Êxodo 20:8-11, apenas como alguns dos exemplos). 

O número sete também é o mais comum na profecia bíblica, ocorrendo 42 vezes em Daniel. Em Apocalipse, há sete igrejas, sete espíritos, sete candelabros de ouro, sete estrelas, sete lâmpadas, sete selos, sete chifres, sete olhos, sete anjos, sete trombetas, sete trovões, sete mil mortos em um grande terremoto, sete cabeças, sete coroas, sete últimas pragas, sete frascos de ouro, sete montanhas, sete reis.

Além da unidade 7, os números múltiplos de 7 seguem o mesmo significado, só que carregando uma ênfase maior, algo comum nos escritos antigos. Podemos ver isto quando Jesus disse a Pedro que deveríamos perdoar 70 vezes 7, ou seja, 490 vezes, enfatizando ainda mais a importância do perdão. Podemos encontrar essa ênfase no trecho de Daniel 9:24, na “profecia das 70 semanas”, que totalizava 490 anos (7x7x10). Segundo Jeremias 29:10, o povo de Israel ficou cativo na Babilônia por 70 anos (7x10). Além do estabelecimento do ano do jubileu, sendo um ciclo de 49 anos (7x7).

Só compreenderemos plenamente o significado desses números quando Jesus voltar. Até lá, podemos aproveitar a onda de "6-7" e talvez até mesmo usá-la para absorver alguma verdade bíblica.

Estas palavras que hoje vos ordeno estarão no vosso coração; 
inculcarás com persistência a vossos filhos, 
e delas falareis assentados em casa, 
e andando pelo caminho, e deitando-vos, e levantando-vos.

Isso é de Deuteronômio, capítulo 6, versículos... espere só... 6-7 (six seven).