sexta-feira, 15 de maio de 2026

DARK HORSE DO APOCALIPSE

A expressão "Dark Horse" ganhou destaque recentemente como o nome do filme sobre a trajetória do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro. O filme ganhou mais relevância desde esta quarta-feira (13), quando foi revelado que o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pressionava o banqueiro Daniel Vorcaro para ajudar a financiar o filme. Dono do Banco Master, Vorcaro está preso em São Paulo, acusado de chefiar um esquema bilionário de fraudes financeiras que podem chegar a R$ 12 bilhões, segundo a PF.

O termo "Dark Horse" surgiu no século XIX, no universo das corridas de cavalos na Inglaterra. Ele era usado para descrever cavalos de corrida que não tinham histórico de vitórias ou que eram desconhecidos pelos apostadores, tornando difícil prever o seu desempenho. O termo foi adotado no título do filme tanto pelo seu significado de "azarão político" (devido à vitória de Jair Bolsonaro em 2018) quanto pelas analogias simbólicas com o colapso econômico representado pelo cavaleiro preto das Escrituras. E é especificamente sobre este cavalo preto e seu significado que vamos falar neste artigo. 

Muitas vezes ouvimos falar dos 7 selos, os quatro cavalos e os 4 cavaleiros do Apocalipse. Todos eles formam parte da mesma profecia. Os 4 cavaleiros com seus respectivos cavalos aparecem nos 4 primeiros selos. Os acontecimentos representados nos sete selos devem ser entendidos no contexto das maldições da aliança do Antigo Testamento, especificadas em termos de espada, fome, pestes e feras do campo (Lv 26:21-26). Ezequiel os chamou de os “quatro terríveis juízos” de Deus (Ez 14:21). Eram juízos disciplinares pelos quais o Senhor, buscando despertar Seu povo para sua condição espiritual, castigou-o quando ele se tornou infiel à aliança. Semelhantemente, os quatro cavaleiros são o meio que Deus usa para manter Seu povo desperto enquanto aguarda o retorno de Jesus.

O cavaleiro do cavalo preto é o terceiro dos quatro cavaleiros que aparecem no Apocalipse na abertura do livro selado com sete selos. Portanto, o cavaleiro do cavalo preto do Apocalipse é mencionado na abertura do terceiro selo, e seu significado simbólico fala sobre a pobreza e a fome.

Em Apocalipse 6:5 e 6 lemos – “E, havendo aberto o terceiro selo, ouvi dizer ao terceiro animal: Vem, e vê. E olhei, e eis um cavalo preto e o que sobre ele estava assentado tinha uma balança na mão. E ouvi uma voz no meio dos quatro animais, que dizia: Uma medida de trigo por um denário, e três medidas de cevada por um denário; e não danifiques o azeite e o vinho.”

O terceiro selo representa o período da igreja de Pérgamo. A visão retrata um cavalo preto e seu cavaleiro que tinha nas mãos uma balança. Sua oferta de trigo e cevada significa a escassez e a fome presentes. Representa o terceiro período da igreja, quando as trevas espirituais começaram a envolver o cristianismo ao ele se aliar com o Estado. A cor preta muitas vezes representa nas Escrituras as trevas morais, o pecado, a apostasia ou o erro. Corresponde ao período que vai desde 313 a 538 dC. Durante esse período, houve o processo de paganização da igreja. O espírito de materialismo contaminou o cristianismo. A maioria acompanha o processo de deterioração da verdade, porém uns poucos fiéis (remanescentes) seguem respeitando as doutrinas bíblicas. O azeite representa o Espírito Santo (Zc 4:2-6), e o vinho representa o sangue de Cristo derramado pelos pecadores (Mt 26:27-29).

Esse cavaleiro continua montado em seu cavalo cavalgando pela Terra. A fome, a exploração, a opressão e a injustiça assombram o mundo cada vez mais. Com relação ao povo de Deus, ainda hoje muitos cristãos passam por terríveis necessidades por seu compromisso com Cristo. Em várias partes do mundo, muitos crentes têm dificuldades de sustentarem suas famílias, porque não aceitam participar dos esquemas corruptos que caracterizam este mundo e desagradam ao Senhor. E o cavaleiro do cavalo preto do Apocalipse continuará espalhando opressão até o dia em que Deus dará um basta em tudo isso.

quinta-feira, 14 de maio de 2026

CORRUPÇÃO

Corrupção vem do latim corrupta que por sua vez é uma junção de palavras cor (coração) e rupta (quebra, rompimento). É bonita essa origem porque a origem da corrupção como nos foi revelado no livro do Gênesis é justamente no coração, ou seja, na realidade mais intima da pessoa, que rompe com Aquele que é a própria vida, ou seja, Deus mesmo. Conhecemos esse movimento como pecado original e é a partir dele que os cristãos entendem toda a classe de corrupção que apareceu depois no mundo. Seja a corrupção mais escandalosa ou aquela mais silenciosa, ambas possuem sua origem no coração que rompeu sua ligação com o Senhor.

Mas há quem pense que a corrupção seja um fenômeno recente na sociedade. Se o fosse, não haveria tantas advertências bíblicas contra ela.

Advertência contra a corrupção no funcionalismo público
“Chegaram também uns cobradores de impostos, para serem batizados, e lhe perguntaram: Mestre, que devemos fazer? Respondeu-lhes: Não peçais mais do que o que vos está ordenado” (Lucas 3:12-13).

Advertência contra a corrupção policial
“Então uns soldados o interrogaram: E nós, o que faremos? Ele lhes disse: A ninguém trateis mal, não deis denúncia falsa, e contentai-vos com o vosso soldo” (Lucas 3:14).

Advertência contra a corrupção no Poder Judiciário
“Não torcerás a justiça, nem farás acepção de pessoas. Não tomarás subornos, pois o suborno cega os olhos dos sábios, e perverte as palavras dos justos. Segue a justiça, e só a justiça, para que vivas e possuas a terra que o Senhor teu Deus te dá” (Deuteronômio 16:19-20).

“Também suborno não aceitarás, pois o suborno cega os que têm vista, e perverte as palavras dos justos” (Êxodo 23:8).

“O ímpio acerta o suborno em secreto, para perverter as veredas da justiça” (Provérbios 17:23).

“Ai dos que... justificam o ímpio por suborno, e ao justo negam justiça” (Isaías 5:22a,23).

“Até quando defendereis os injustos, e tomareis partido ao lado dos ímpios? Defendei a causa do fraco e do órfão; protegei os direitos do pobre e do oprimido. Livrai o fraco e o necessitado; tirai-os das mãos dos ímpios. Eles nada sabem, e nada entendem. Andam em trevas” (Salmos 82:2-5a).

“Não farás injustiça no juízo; não favorecerás ao pobre, nem serás complacente com o poderoso, mas com justiça julgarás o teu próximo” (Levítico 19:15).

“Pereceu da terra o homem piedoso, e não há entre os homens um que seja reto. Todos armam ciladas para sangue; cada um caça a seu irmão com uma rede. As suas mãos fazem diligentemente o mal; o príncipe exige condenação, o juiz aceita suborno, e o grande fala da corrupção da sua alma, e assim todos eles são perturbadores” (Miquéias 7:2-3).

Advertência contra a corrupção no Poder Executivo
“Os teus príncipes são rebeldes, companheiros de ladrões; cada um deles ama o suborno, e corre atrás de presentes. Não fazem justiça ao órfão, e não chega perante eles a causa das viúvas” (Isaías 1:23).

“Pela justiça o rei estabelece a terra, mas o amigo de subornos a transtorna” (Provérbios 29:4).

“Abominação é para os reis o praticarem a impiedade, pois com justiça se estabelece o trono” (Provérbios 16:12).

Advertência acerca dos assessores corruptos
“Tira o ímpio da presença do rei, e o seu trono se firmará na justiça” (Provérbios 25:5).

Advertência contra a corrupção no Poder Legislativo
“Ai dos que decretam leis injustas, e dos escrivães que escrevem perversidades, para privar da justiça os pobres, e para arrebatar o direito dos aflitos do meu povo, despojando as viúvas, e roubando os órfãos! Mas que fareis no dia da visitação, e da assolação, que há de vir de longe? A quem recorrereis para obter socorro, e onde deixareis a vossa glória, sem que cada um se abata entre os presos, e caia entre os mortos?” (Isaías 10:1-4).

Advertência contra a corrupção e a ganância no meio empresarial
“No meio de ti aceitam-se subornos para se derramar sangue; recebes usura e lucros ilícitos, e usas de avareza com o teu próximo, oprimindo-o. E de mim te esqueceste, diz o Senhor Deus. Eu certamente baterei as mãos contra o lucro desonesto que ganhastes...” (Ezequiel 22:12-13a).

“Melhor é o pouco, com justiça, do que grandes rendas, com injustiça” (Provérbios 16:8).

“O que oprime ao pobre para aumentar o seu lucro, ou o que dá ao rico, certamente empobrecerá” (Provérbios 22:16).

Advertência contra juros absurdos praticados pelo Sistema Financeiro
“O que aumenta a sua fazenda com juros e usura, ajunta-a para o que se compadece do pobre” (Provérbios 28:8).

“Sendo o homem justo, e fazendo juízo e justiça (...) não oprimindo a ninguém, tornando ao devedor o seu penhor, não roubando, dando o seu pão ao faminto, e cobrindo ao nu com vestes; não dando o seu dinheiro à usura, não recebendo demais, desviando a sua mão da injustiça, e fazendo verdadeiro juízo entre homem e homem; andando nos meus estatutos, e guardando os meus juízos, para proceder segundo a verdade, o tal justo certamente viverá, diz o Senhor Deus” (Ezequiel 18:5,7-9).

“Se emprestares dinheiro ao meu povo, ao pobre, que está contigo, não te haverás com ele como credor; não lhe imporás juros” (Êxodo 22:25).

“Aos retos até das trevas nasce a luz, pois é compassivo, compassivo e justo. Bem irá ao que se compadece e empresta, que conduz os seus negócios com justiça. (...) É liberal, dá aos pobres, a sua retidão permanece para sempre; a sua força se exaltará em glória” (Salmos 112:4-5,9).

Advertência acerca dos direitos trabalhistas
“Se desprezei o direito do meu servo ou da minha serva, quando contendiam comigo, então que faria eu quando Deus se levantasse? E, inquirindo ele a causa, que lhe responderia?” (Jó 31:13-14).

“Chegar-me-ei a vós para juízo, e serei uma testemunha veloz contra os feiticeiros e contra os adúlteros, e contra os que juram falsamente, e contra os que defraudam o trabalhador, e pervertem o direito da viúva, e do órfão, e do estrangeiro, e não me temem, diz o Senhor dos Exércitos” (Malaquias 3:5).

“Vós, senhores, dai a vossos servos o que é de justiça e equidade, sabendo que também vós tendes um Senhor nos céus” (Colossenses 4:1).

“Não oprimirás o teu próximo, nem o roubarás. O salário do operário não ficará em teu poder até o dia seguinte” (Levítico 19:13).

Advertência contra lucros desonestos
“O mercador tem balança enganadora em sua mão; ele ama a opressão” (Oséias 12:7).

“Não terás dois pesos na tua bolsa, um grande e um pequeno. Não terás duas medidas em tua casa, uma grande uma pequena. Terás somente pesos exatos e justos, e medidas exatas e justas, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá. Pois o Senhor teu Deus abomina todo aquele que pratica tal injustiça” (Deuteronômio 25:13-16).

“Balança enganosa é abominação para o Senhor, mas o peso justo é o seu prazer” (Provérbios 11:1).

“O peso e a balança justos são do Senhor; obra sua são todos os pesos da bolsa” (Provérbios 16:11).

“Poderei eu inocentar balanças falsas, com um saco de pesos enganosos?” (Miquéias 6:11).

“Não cometereis injustiça nos julgamentos, nas medidas de comprimento, de peso ou de capacidade. Balanças justas, pesos justos, efa justo, e justo him tereis. Eu sou o Senhor vosso Deus, que vos tirei da terra do Egito” (Levítico 19:35-36).

Advertências de Ellen G. White
"A corrupção dominante está além da capacidade humana de descrevê-la. Cada dia traz novas revelações de dissensões, corrupção e fraude que campeiam na política" (Testemunhos para a Igreja, vol. 9, p. 89).

"Advogados, juízes, senadores tornar-se-ão corruptos, e, entregando-se ao suborno, deixar-se-ão comprar e vender" (Manuscrito 154, 1898).

"A onda de corrupção que rola sobre o mundo é resultado do mau emprego e abuso da maquinaria humana" (Carta 145, 1897).

"A corrupção política está destruindo o amor à justiça e a consideração para com a verdade" (O Grande Conflito, p. 578).

"Este é um século em que a corrupção prolifera por toda parte" (Mente, Caráter e Personalidade, vol. 2, p. 591).

"Nesta época de corrupção, quando nosso adversário, o diabo, anda em derredor bramando como leão, buscando a quem possa tragar, vejo a necessidade de erguer minha voz em advertência: 'Vigiai e orai, para que não entreis em tentação' (Marcos 14:38)" (Conselhos para a Igreja, p. 109).

“A maior necessidade do mundo é a de homens – homens que se não comprem nem se vendam; homens que no íntimo da alma sejam verdadeiros e honestos; homens que não temam chamar o pecado pelo seu nome exato; homens cuja consciência seja tão fiel ao dever como a bússola o é ao polo; homens que permaneçam firmes pelo que é reto, ainda que caiam os céus” (Educação, p. 40).

O que Deus diz a você e a mim
“Minha filha, meu filho, seja honesto. Seja honesto nas pequenas atividades e nos grandes negócios. Seja honesto não apenas em cumprimento da lei, mas acima de tudo porque você me ama. Pode ser que a sua honestidade aqui na Terra não lhe garanta uma estátua com seu nome numa placa comemorativa. Mas certamente sua honestidade fará com que você seja minha amiga, meu amigo, e fará com você e Eu passemos a eternidade desfrutando das bênçãos da Nova Terra, com todas as suas riquezas”.

quarta-feira, 13 de maio de 2026

VENERAÇÃO DE MARIA

O Novo Testamento deixa claro que Jesus foi gerado pelo Espírito Santo no ventre de Maria quando ela ainda era virgem (Mt 1:18-25; Lc 1:26-56; 2:1-7). Mas a igreja apostólica jamais atribuiu a Maria qualquer função especial junto à comunidade dos crentes. No entanto, várias teorias especulativas a respeito de Maria começaram a se infiltrar no cristianismo pós-apostólico. Justino Mártir, Irineu e Tertuliano sugeriam que, como Eva havia sido a fonte do pecado e da morte, Maria trouxe a bênção da redenção ao mundo. Não demorou muito para que se consolidasse também a noção da perpétua virgindade de Maria.

No Concílio de Éfeso (431), Maria foi declarada “mãe de Deus” (grego Theotokos), o que ajudou a estimular a crescente veneração da Virgem Maria através de cultos e orações a ela dedicados. Mas foi, sem dúvida, a oração da “Ave Maria”, originária do século 11, que mais contribuiu para popularizar essa veneração. Philip Schaff declara que durante a Idade Média “a veneração de Maria degenerou-se gradualmente na adoração de Maria”, a ponto de suplantar a própria “adoração de Cristo”.

A teoria da imortalidade natural da alma proveu o embasamento necessário para abrigar o dogma católico da assunção de Maria. Na Idade Média difundiu-se a crença de que a alma de Maria teria sido levada para o Paraíso logo após a sua morte; mas, quando o seu corpo estava para ser sepultado, Jesus o buscou a fim de ser reunido com a alma dela. Como se isso não bastasse, Maria passou a ser considerada como exercendo a função de mediadora humana junto ao trono de Cristo, através da qual os seres humanos poderiam ter acesso à majestade divina e obter graça especial. Em 8 de dezembro de 1854, o papa Pio IX decretou o dogma da Imaculada Conceição de Maria, sugerindo que ela “foi preservada imune de toda mancha do pecado original”.

A veneração de Maria continua ocupando um lugar central na teologia católica romana. O novo Catecismo da Igreja Católica (publicado em 1992) corrobora a crença: “Cremos que a Santíssima Mãe de Deus, nova Eva, Mãe da Igreja, continua no Céu sua função materna em relação aos membros de Cristo.” E mais: “Esta maternidade de Maria na economia da graça perdura ininterruptamente… Assunta aos céus, não abandonou este múnus salvífico, mas, por sua múltipla intercessão, continua a alcançar-nos os dons da salvação eterna.”

A revista Newsweek de 25 de agosto de 1997 revelou que “um crescente movimento na Igreja Católica Romana” estava sugerindo que o papa aprovasse um novo dogma reconhecendo Maria como co-redentora com Cristo. Naquela ocasião, o papa já havia recebido em apoio a essa proposta “4.340.429 assinaturas de 157 países”, entre as quais constavam as assinaturas de “aproximadamente 500 bispos e 42 cardeais”.

Por mais significativa que a veneração da Virgem Maria tenha se tornado para a Igreja Católica Romana, ela não possui qualquer base bíblica. Jesus mesmo advertiu contra tal postura em Lucas 11:27 e 28: “Ora, aconteceu que, ao dizer Jesus estas palavras, uma mulher, que estava entre a multidão, exclamou e disse-lhe: Bem-aventurada aquela que te concebeu, e os seios que te amamentaram! Ele, porém, respondeu: Antes, bem-aventurados são os que ouvem a palavra de Deus e a guardam!” Em Lucas 8:21, Cristo acrescenta: “Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a praticam.”

A teoria da mediação de Maria diante de Cristo a favor dos seres humanos é contrária ao ensino de Cristo de orarmos diretamente ao Pai em Seu nome. Jesus mesmo afirmou: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por Mim” (Jo 14:6). “E tudo quanto pedirdes em Meu nome, isso farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho” (Jo 14:13). E o apóstolo Pedro acrescentou: “E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos” (At 4:12).

O próprio dogma da assunção de Maria ao paraíso cai por terra se levarmos em consideração o ensino bíblico de que os mortos permanecem em estado de completa inconsciência na sepultura (ver Sl 115:17; 146:4; Ec 3:19, 20; 9:5, 6 e 10), aguardando o dia da ressurreição final (ver Jo 5:28 e 29; 1Co 15:51-54; 1Ts 4:13-18). Se os justos fossem levados ao céu por ocasião da morte, o apóstolo Pedro jamais poderia ter afirmado no Pentecostes que Davi, um dos heróis da fé, ainda não havia subido “aos Céus” (At 2:29 e 34).

Cremos, por conseguinte, que Maria foi uma pessoa piedosa e temente a Deus; mas, como Davi, ela ainda não se encontra no céu e, como qualquer outra criatura, ela jamais deveria ser venerada (ver Ap 22:8 e 9). 

Em todas as denominações cristãs, Maria é reconhecida como uma pessoa especial, escolhida por Deus pela sua vida santa e devotada à prática da religião. Segundo Cáio Fábio D’ Araújo Filho, “a mãe de Jesus é vista nos evangelhos como uma bem-aventurada, eleita pela graça de Deus para a mais sublime de todas as missões que um mortal já recebeu”. Paulo Pinheiro, editor de Sinais dos Tempos, afirma: “Maria, a mãe de Jesus, foi uma pessoa formidável”. Ao escrever o seu Comentário ao Magnificat, Martinho Lutero declarou que “Maria é a mulher mais sublime da Terra”. Augustin George, professor de Novo Testamento da Faculté Catholique de Théologie de Lyon, França, declara que, “por sua fé, seu amor e sua humildade, [Maria] é a bela flor de seu povo e toda a raça humana”. Ellen G. White apresenta-a como uma fonte de sabedoria e instrução para Jesus, “sua mãe foi-lhe a primeira professora humana” (OC, 19). Para ela, “as próprias palavras por Ele [Jesus] ditas a Moisés para Israel, eram-lhe agora ensinadas aos joelhos de Sua mãe” (DTN, 70). 

E finalmente Hermes C. Fernandes, conferencista, autor, psicólogo e doutor em Ciência da Religião, disse em sua página do facebook: "Jesus é o único caminho que nos leva a Deus. Maria foi o caminho tomado por Deus para vir ao encontro dos homens. Maria é a representação da humanidade em todas as suas cores, etnias e expressões culturais, que traz ao mundo o Filho de Deus. O desprezo protestante a Maria é uma reação grotesca e exacerbada à devoção que se presta a ela. Deveríamos, antes, optar por uma postura idônea e equilibrada. Amemos a Maria e adoremos o fruto do seu ventre. E ainda que não compreendamos a devoção que lhe é prestada por nossos irmãos católicos, que possamos respeitá-la e buscar considerar o contexto de onde emerge e suas implicações sociais. No fundo, todos somos marianos, pois nos submetemos à instrução que ela deu aos serventes em Caná da Galileia: 'Fazei tudo o que Ele vos disser' (Jo 2:5)."

Maria disse que as pessoas devem fazer tudo o que Ele – Jesus Cristo disser. Obedeça a Jesus e muitas bênçãos você receberá. Para descobrir o que Jesus quer de sua vida, basta ir às Escrituras (Jo 5:39). Nelas você encontrará o caminho a seguir. Só Jesus Salva! Creia nisso e seja feliz!

terça-feira, 12 de maio de 2026

DIGNIDADE HUMANA

"Promovendo a liberdade religiosa, a vida familiar, a educação, a saúde e a ajuda mútua, e atendendo às necessidades humanas, os adventistas do sétimo dia afirmam a dignidade da pessoa humana criada à imagem de Deus".1 - Trecho extraído da declaração feita pela Associação Geral dos Adventistas do Sétimo Dia, no dia 17 de novembro de 1998, por ocasião do 50º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Por que, como igreja, cremos na dignidade de todo ser humano e a proclamamos ao mundo? Por que o direito de cada homem e mulher à igualdade, saúde, liberdade, oportunidades pessoais e vocacionais, expressão e culto, independentemente de raça, religião, nacionalidade, idioma, cor ou tribo, é tão fundamental à visão e missão da igreja? A resposta é simples. Nossa missão em prol da dignidade humana não deriva de política, educação, sociologia ou psicologia. Ele está enraizado no compromisso de fé que temos com nosso Deus Criador.

Assim sendo, quando falamos em dignidade humana, temos de começar com o relacionamento Deus-homem e isso envolve profundas implicações teológicas e relacionais. Tal consideração leva em conta a realidade da Criação, a cruz, o Espírito Santo, a lei moral e o discipulado.

CRIAÇÃO E DIGNIDADE HUMANA

O conceito adventista de dignidade humana teve sua origem na própria mente de Deus, quando Ele, em Sua infinita sabedoria, tornou a humanidade a coroa de Seu processo criativo. Quando o Criador disse: "Façamos o homem à Nossa imagem" (Gênesis 1:26),2 estava compartilhando com os seres humanos algo de Sua singularidade. O ser humano não é mera criatura. Seu lugar na criação é absolutamente singular. Foi-lhe atribuído o domínio "sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra". Foi-lhe concedida a faculdade de pensar, escolher, ser criativo e desfrutar parceria com Deus por meio de comunhão e mordomia.
Todas as demais criaturas são também "seres viventes", mas os seres humanos devem refletir a imagem de Deus e ser cumpridores da Sua vontade. Adão recebeu uma missão: gerenciar o planeta Terra. A diferença entre o conceito bíblico e as antigas tradições ou a teoria da evolução é imensa. Não somos o produto acidental de um longo e sinuoso processo evolucionário, nem a ação arbitrária de uma divindade lunática. Somos fruto do amor de Deus e parte de Seu desígnio universal. Somos chamados a ser os principais protagonistas de um extraordinário destino. Portanto, quando lidamos com seres humanos, estamos lidando com o seu Criador. É esse parentesco divino que fundamenta o conceito adventista de dignidade humana.

A CRUZ E A DIGNIDADE HUMANA

O segundo fator que reforça a âncora teológica da dignidade humana, como defendido pelos adventistas, é que Deus não abandonou a raça humana à morte e destruição, mesmo após ter ela se rebelado contra a Sua vontade. Quando Adão e Eva pecaram no Jardim do Éden, revoltaram-se contra a manifesta vontade divina e se tornaram merecedores de morte. Mas Deus preferiu enfrentar o pecado de uma forma diferente. Rebeldes como fossem, Adão, Eva e seus descendentes eram ainda Sua criação, e Deus preferiu enfrentar a rebelião com redenção, a morte com vida, o ódio com amor. "Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito, para que todo o que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (João 3:16). Embora sejamos pecadores e a despeito de quão longe tenhamos ido, ainda somos a preciosa propriedade de Deus. Ele nos dotou de certa dignidade. Não obstante seja firme propósito de Satanás destruir essa dignidade mediante o pecado e seus vários meios enganosos, Deus, mediante Seu Filho Jesus, revelou quão valiosos somos à Sua vista. Tanto assim que Jesus morreu na cruz por nossos pecados. Por isso, a cruz se torna a afirmação perdurável de que todo ser humano é uma pessoa de imenso valor e dignidade. De fato, Jesus de tal modo Se identificou com a humanidade, que aquilo que fazemos a uma pessoa equivale a tê-lo feito ao próprio Cristo. "Em verdade vos afirmo que sempre que o fizestes a um destes Meus pequeninos irmãos, a Mim o fizestes" (Mateus 25:40). Portanto, toda vez que alguém sofre abuso, tortura ou humilhação, Cristo é atingido. A criatura de Deus, motivo da redenção provida por Cristo, nunca deve ser tratada como um objeto comum a ser manipulado, mas como uma joia insubstituível.

A DIGNIDADE HUMANA E O TEMPLO DO ESPÍRITO SANTO

Se os atos criativos e redentores de Deus propiciam o fundamento para o nosso conceito de dignidade humana, essa concepção é ainda elevada a maiores alturas pela proclamação bíblica de que somos o templo do Espírito Santo. "Não sabeis que sois santuário de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá; porque o santuário de Deus, que sois vós, é sagrado" (I Coríntios 3:16 e 17). E novamente: "Acaso não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por preço" (6:19 e 20).
Declarar que somos o templo de Deus e que nosso corpo é o lugar de habitação do Espírito Santo, é atribuir a mais elevada dignidade possível ao ser humano. Mesmo um descrente não ousaria pensar em cometer sacrilégio contra um local de adoração. Como, pois, podemos insultar nossos semelhantes, seres criados à imagem de Deus e templos em potencial do Espírito Santo? Ninguém é demasiado insignificante, pobre e indigno para ser tratado com desrespeito. E isso não é tudo. Nossa doutrina de dignidade humana chega ao ponto de requerer que tratemos nossa mente e nosso corpo com o maior cuidado, e que não permitamos estejam eles sujeitos a abuso ou maus-tratos de qualquer espécie. Assim, o apelo adventista em prol da dignidade humana procede da nossa atitude com relação a nós mesmos, para envolver toda a humanidade em escala global.

A DIGNIDADE HUMANA E OS MANDAMENTOS DE DEUS

Os Dez Mandamentos podem ser chamados de a primeira declaração de direitos humanos. A violação de um deles afeta diretamente a qualidade de vida, paz e dignidade humanas. Jesus sumariou os Dez Mandamentos em poucas palavras: "Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento... Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Mateus 22:37). Os primeiros quatro mandamentos tratam da nossa aliança com Deus, que é a origem de nossos direitos. Os últimos seis definem nosso relacionamento uns com os outros como seres humanos. Conquanto Deus permaneça como o supremo ponto de referência e definidor de nossa atitude para com outros, é nas especificações da segunda parte da lei moral que temos as relações humanas codificadas. Você acha que alguém, tendo sua bússola moral calibrada pelos Dez Mandamentos, possa mentir, matar ou manifestar desprezo e desrespeito para com seu próximo? Esse relacionamento conceitual entre a lei moral e a dignidade humana foi ampliado ainda mais por Jesus no Sermão da Montanha. Um exemplo basta: Jesus definiu o assassinato não simplesmente como o ato de tirar a vida de alguém, mas até ofato de desprezar e chamar um semelhante de louco (ver Mateus 5:21 e 22). Daí a ênfase adventista sobre a lei moral e a incorporação do amor puro e ilimitado para o qual ela aponta, constituir-se o firme e inabalável fundamento de nossa defesa da dignidade e dos direitos humanos.

DIGNIDADE HUMANA: IMPLICAÇÕES NO DISCIPULADO

Para os adventistas do sétimo dia, a dignidade humana não deve aparecer como algo distante e inatingível. Isolar as crenças da prática tem sido uma contínua tentação em nossa vida religiosa, e isso não se mostra mais real do que na arena das relações humanas. Quando Deus nos ordena amá-Lo com todo o nosso ser e aos nossos semelhantes como a nós mesmos, está apelando a um retorno à meta da vida como planejada originalmente por Ele. O centro da vida é o relacionamento bom e apropriado, tanto com Deus quanto com os seres humanos. O profeta Isaías declara quão inseparáveis são: "Porventura não é também este o jejum que escolhi, que soltes as ligaduras da impiedade, desfaças as ataduras da servidão, deixes livres os oprimidos e despedaces todo jugo? Porventura não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres desabrigados, e se vires o nu, o cubras, e não te escondas do teu semelhante?" (Isaías 58:6 e 7.)
A religião, portanto, é mais do que uma rotina formal. É mais do que belas frases, comoventes orações, hinos inspiradores ou reuniões movimentadas num templo elegante e confortável. Não se trata de um catálogo de doutrinas, a despeito de quão importantes elas sejam. É vida real! Como declara Tiago: "A religião pura e sem mácula para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e a si mesmo guardar-se incontaminado do mundo" (Tiago 1:27). Em outras palavras, não pode haver verdadeira experiência religiosa sem respeito pela dignidade humana.
Isso explica por que os adventistas, desde o início de sua história, têm-se comprometido em defender o valor de todo ser humano. Desde o princípio foi adotada uma firme posição contra toda forma de injustiça social. Ellen White escreveu: "A escravidão, o sistema de castas, os preconceitos raciais, a opressão dos pobres, a negligência dos desventurados -- isso tudo é estabelecido como anticristão e uma séria ameaça ao bem-estar da humanidade, e como males apontados por Cristo que a Sua igreja tem o dever de vencer".3
E também: "O Senhor requer que reconheçamos os direitos de todos os homens. Os direitos sociais dos homens, e seus direitos como cristãos, devem ser tomados em consideração. Todos têm de ser tratados fina e delicadamente, como filhos e filhas de Deus".4
Como resultado, nossa igreja desenvolveu um ministério de restauração e respeito pela dignidade humana. Mediante um sistema global de igrejas, escolas, hospitais, serviços comunitários e a Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA), os adventistas difundem a mensagem de preocupação e cuidado para com toda a humanidade em 203 dentre 208 países reconhecidos pelas Nações Unidas. Entre as igrejas cristãs, assumimos um papel de liderança na promoção da liberdade religiosa para todos. Através da pena e da voz, de missão e ministério, não somente suscitamos mais tentamos oferecer uma resposta significativa a perguntas como: De que forma estamos defendendo e promovendo os direitos humanos? Que deve ser feito quanto às várias formas de discriminação em diferentes países? Como nos relacionamos com políticas que tratam de guerra e terror? Que dizer de sistemas e estruturas políticas que podem afetar a vida das pessoas, gerar fome, refugiados e campos de concentração? Que dizer da exploração do trabalho infantil, da escravidão e da condição da mulher?
Não pretendemos ter todas as respostas ou soluções eficazes para todos os problemas. Mas levantar tais indagações e agir em cooperação com outras agências na promoção dos valores humanos são, por si só, tarefas necessárias. Não podemos de forma alguma dar-nos ao luxo de permanecer em silencio no que se refere à violação do ser humano.

MARGEM ALGUMA PARA O SILÊNCIO

Em 1988, Zdravko Plantak publicou um livro corajoso sobre nossa igreja e os direitos humanos. O título por si só é eloquente: The Silent Church [A Igreja Silenciosa]. Ele escreveu: "Os adventistas precisam começar a envolver-se (no mundo) porque o seu Deus Se interessa nisso e deseja que eles cuidem uns dos outros. Identificar-se com Jesus significa identificar-se com pobres, oprimidos e aqueles a quem têm sido negados os direitos e liberdades básicos. Não é suficiente cuidar da pessoa e deixar de preocupar-se com as leis que afetam a vida dela na sociedade".5
Os pioneiros adventistas entendiam isso perfeitamente. Ellen White pode não ter promovido uma melhoria das condições dos escravos, mas condenou a escravidão em termos bem vigorosos: "A instituição da escravatura... permite [o homem] exercer sobre seu semelhante um poder que Deus nunca lhe conferiu, e que pertence somente ao Senhor".6Ela prosseguiu condenando a política escravagista como "um insulto a Jeová".7
Tiago White escreveu que o cristão "tem realmente tanto interesse neste velho mundo quanto qualquer outro homem. Aqui ele deve permanecer e fazer sua parte até que o Príncipe da Paz venha para reinar".8
Essa visão dos pioneiros, de que o cristão deve ir além da metodologia tradicional de assistência social, até os problemas da dignidade e valor humanos, refletiu-se na resolução da Associação Geral de 1865: "Resolvido que, a nosso ver, o ato de votar quando exercido em benefício da justiça, humanidade e direito, é em si mesmo correto e pode às vezes ser altamente apropriado; mas a admissão de tais crimes como intemperança, insurreição e escravidão, consideramos como altamente condenáveis à vista do Céu".9
Essa resolução apelava à promoção e defesa da dignidade humana mediante "o ato de votar" para mudar a lei. Contudo, os pioneiros estabeleceram um limite: "Mas devemos reprovar qualquer participação no espírito de disputa partidária".10

A DIGNIDADE HUMANA: UM VALOR CENTRAL

Assim, para os adventistas, a dignidade humana é um valor essencial. Não devemos apoiar de modo algum uma política ou atitude que negue a dignidade de qualquer segmento da humanidade. Como igreja, devemos ser prudentes e sábios ao falarmos oficialmente, mas ser uma igreja silenciosa sobre questões vitais é envergonhar-se de Jesus, nosso Salvador e de Deus, nosso Criador. Como membros da igreja, não devemos tomar parte em nenhum empreendimento que transforme alguém feito à imagem de Deus em uma coisa ou objeto. A questão não tem a ver somente com coerência, mas também com testemunho. Nunca devemos nos esquecer de que somos embaixadores do reino de Deus na Terra, e arautos de uma nova criação que restaura e estabelece para sempre a dignidade humana. Só então, "romperá a tua luz como a alva, a tua cura brotará sem detença, a tua justiça irá adiante de ti, e a glória do Senhor será a tua retaguarda" (Isaías 58:8).
John Graz (via Diálogo Universitário)

NOTAS E REFERÊNCIAS:

  1. Declarações de Igreja, 1a. ed. (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2003), p. 59.
  2. Todas as referências bíblicas deste artigo foram extraídas da Versão Almeida revista e atualizada no Brasil.
  3. Ellen G. White, Life Sketches of Ellen G. White (Mountain View, Calif.: Pacific Press Publ. Assn., 1943), p. 473.
  4. __________, Obreiros Evangélicos (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1993), p. 123.
  5. Zdravko Plantak, The Silent Church (Nova York: St. Martin's Press, Inc., 1998), p. 48.
  6. Ellen White, Testemunhos Para a Igreja (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2000), vol. 1, p. 358.
  7. Ver Douglas Morgan, Adventists and the American Republic (Knoxville: The University of Tennessee Press, 2001), p. 31.
  8. Tiago White, citado por Morgan, p. 34.
  9. "Report on the Third Annual Session of the General Conference", p. 197; citado por Morgan, pp. 36 e 37.
  10. Ibidem.

segunda-feira, 11 de maio de 2026

JESUS E AS FRALDAS QUE VAZAM

Quem já teve filho sabe do que vou falar. Você deixa seu neném todo cheirosinho, passa creminho, talquinho. Uma graça. Fofo. Lindo. Por cima de tudo vem a fraldinha. Coisa boa. Tem desenhos de bichinhos, da Turma da Mônica, de balões coloridos. São objetos úteis, mimosos e que deixam o neném com aquela aparência divertida de gorilinha, com o traseiro desproporcionalmente maior do que deveria. Que invenção extraordinária. A fralda retém o xixi e o cocô, mantém o bebê sequinho, limpinho e cheiroso e impede desastres que só quem já segurou um neném peladinho no colo enquanto ele faz xixi descontroladamente entende.

Mas as fraldas têm um problema: se elas não estiverem bem ajustadas, certinhas, no lugar certo… elas vazam. E aí, meu irmão, minha irmã, não queira saber a desgraceira que é. Não foi uma nem duas vezes em que acordei de manhã e encontrei o berço da filhota parecendo um circo de horrores: cocô espalhado pelas paredes, bichinhos, lençóis e, o que é pior: pelos braços, pernas, rosto e até cabelo do neném. Porque não pense você que ele entende que aquilo é sujo: para o pequeno é divertidíssimo se esbaldar jogando caquinha pra todo lado, se esfregando com aquela coisa quentinha e diferente e se emporcalhando com as imundícies que vazaram da fralda mal ajustada. Prefiro nem pensar na hipótese de que depois da farra feita ela lambeu os dedos. E isso não ocorre só no berço. Ocorre no carrinho, na cadeirinha de comer, no automóvel da família, no colo. Se a fralda não está justa é certeza de que a coisa não vai prestar.

A vida espiritual do crente tem certas semelhanças com esse processo. Antes da conversão, somos como bebês peladinhos, fazendo todo tipo de porcaria por aí, descontroladamente, sem nada que impeça que nossas sujeiras e imundícies atinjam quem estiver ao nosso redor – e, em especial, a nós mesmos. Até que Jesus nos chama para si, nos elege, estende-nos sua graça. Com isso, numa metáfora, é como se Ele pusesse uma fralda em nós. Pois na regeneração ocorre o processo de adoção (Jo 1): fomos feitos filhos de Deus e, com isso nos tornamos Seus herdeiros. E Jesus passa a cuidar de nós com olhar paterno. Passa creminho nas assaduras do passado, nos limpa. Também nos torna justos. Ou seja: ajusta-nos ao que é perfeito. Assim, pela graça do crucificado somos justificados mediante a fé e nossas “fraldinhas espirituais” são ajustadas perfeitamente em nós, impedindo que a sujeirada que antes fazíamos volte a ser contaminação. Ficamos limpos, puros ou, como diz o antigo hino, “alvos, mais que a neve”.

O grande problema ocorre quando, por culpa nossa, essa proteção é removida mediante o que chamamos pecado. O pecado distorce o que é perfeito e faz nossas fraldas se “desajustarem”. É como se o elástico ficasse frouxo ou se a fralda se deslocasse para fora do lugar. Com isso, surgem espaços que não deveriam existir numa realidade de justificação e toda aquela imundície que estava contida volta a vazar. E, ao vazar, suja tudo e todos ao nosso redor – em especial aquele que, como um neném, voltou a se divertir com as coisas impuras – afinal, para a mente cauterizada, o que é imundo é divertido e quentinho.

Fraldas que vazam são o terror dos pais. Pecados que retornam são o terror dos cristãos. Ninguém deseja um ou outro. Mas acontece. E aí, o que fazer? No caso do neném, troca-se a fralda desajustada por uma nova e todo o processo de limpeza se repete: dá-se um banho no bebê ou passa-se lencinhos umedecidos, creminho, talquinho… tudo de novo até que aquele que fez a sujeirada retorne ao seu estado de pureza. Já no caso do pecador o processo é bem similar. Mediante nosso arrependimento, Jesus nos limpa, dá banho, cuida de nossa alma com o creminho do perdão sobre as assaduras que o pecado provocou e ajusta novamente aquilo que impedirá que a caquinha da desobediência a Deus volte a nos sujar novamente. E aí retornamos ao nosso estado de pureza.

A você que ainda não teve filhos, meu desejo é que nunca tenha que passar pela experiência de uma fralda que vaza. Embora, sinceramente, eu ache impossível que isso não venha a ocorrer. Converse com qualquer pai veterano e ele terá histórias e mais histórias sobre isso para contar. De igual modo, meu desejo é que você nunca tenha de passar pela imundície de retornar ao pecado como, em linguagem bíblica, um cachorro que retorna ao próprio vômito. Embora, sinceramente, eu ache impossível que isso não venha a ocorrer. Converse com qualquer cristão veterano e ele terá histórias e mais histórias sobre isso para contar. A solução? O bebê tem os pais para limparem suas sujeiras. E o cristão tem Jesus para fazer exatamente a mesma coisa. Mantenha-se sempre perto de Cristo e, assim, você terá a garantia de que o pecado pode ocorrer, mas o teu advogado prontamente correrá em seu auxilio para solucionar a sujeirada que teus desajustes provocaram.

Você se desajustou? Está coberto de imundície espiritual? Não se desespere. Arrependa-se. Quem se sujava, não se suje mais. Mude de atitude. Pois, mediante seu arrependimento e a graça de Cristo, Jesus vai limpá-lo, purificá-lo e fazer você ficar limpinho e cheiroso aos olhos e às narinas do Pai, como aqueles lindos e fofos bebês que sempre nos deixam encantados por sua pureza e inocência.

Ellen White diz: "Se vier a Jesus, confessando seus pecados como um humilde penitente, Ele os perdoará e limpará você de toda iniquidade. Mas não lhe será possível voltar as costas ao pecado a menos que odeie o pecado e ame a pureza, a verdade e a justiça. Imploro-lhe que venha agora mesmo como uma criança pequena, humilhando o coração diante de Deus, e Jesus perdoará a sua transgressão" (Carta 1e, 1890).

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

[via Apenas]

sábado, 9 de maio de 2026

PALAVRAS PARA AS MÃES (POR ELLEN WHITE)

É privilégio da mãe educar seus filhos para o céu. Essa é a sua nobre vocação. Mas o trabalho é árduo, exigindo mais do que força e sabedoria humanas, e muitas vezes a mãe cansada e sobrecarregada sente que a tarefa é demais para ela. Mas ouça, mãe cansada, o convite do Salvador: “Vinde a Mim, e Eu vos aliviarei”. Vá até Ele, com seus filhos pequenos nos braços. Aquele que disse: “Deixem vir a Mim as crianças e não as impeçam”, não a rejeitará. Ele a acolherá e lhe dará paz e alegria. Em Sua presença, você encontrará força que lhe dará coragem e sabedoria para a hora mais difícil. 

Se as mães se voltassem para Cristo com mais frequência, se confiassem mais plenamente nEle, seus fardos seriam mais leves e elas encontrariam descanso. Jesus conhece o fardo de cada mãe. Ele é seu melhor amigo em todas as emergências. Seus braços eternos a sustentam. Aquele Salvador cuja mãe lutou contra a pobreza e a privação, se compadece de cada mãe em seu trabalho e ouve suas orações sinceras. Aquele Salvador que fez uma longa jornada com o propósito de aliviar o coração aflito de uma mulher cananeia, fará o mesmo pela mãe aflita de hoje. Aquele que devolveu à viúva de Naim seu único filho enquanto ele era levado para o sepultamento, hoje se comove com a dor da mãe enlutada. Aquele que chorou no túmulo de Lázaro, que perdoou Maria Madalena, que na cruz se lembrou das necessidades de sua mãe, que após a ressurreição apareceu às mulheres que choravam e as tornou suas mensageiras, é hoje o melhor amigo da mulher, pronto para ajudá-la em sua necessidade, se ela confiar nele. 

Mães, sejam fiéis. Não se desanimem em seu trabalho. Conversem com seus filhos de Cristo e orem com eles e por eles. Suas palavras permanecerão em seus corações. Eles podem parecer não dar ouvidos ao que vocês dizem. Podem demonstrar indiferença e leviandade, como se suas palavras fossem ignoradas. Mas não cessem seus esforços em favor deles. Suas palavras estão em suas mentes. Eles não podem esquecê-las. Vocês semearam a semente. Nos anos vindouros, ela brotará e dará muitos frutos. 

Quantas vezes a lembrança das orações e admoestações de uma mãe conteve o filho ausente quando ele estava prestes a ceder à tentação? “Quando eu era criança”, disse um velho, “minha mãe costumava me pedir para ajoelhar ao seu lado e, colocando a mão sobre minha cabeça, implorava a bênção de Deus para seu filho. Antes que eu tivesse idade suficiente para reconhecer seu valor, ela morreu e eu fiquei à minha própria sorte. Eu tinha uma inclinação natural para o mal, mas repetidamente fui contido pela lembrança das orações de minha mãe. Quando jovem, viajei muito e fui exposto a muitas tentações. Mas quando eu estava prestes a ceder à tentação, parecia sentir a pressão da mão de minha mãe sobre minha cabeça e eu era salvo. Às vezes, junto com isso, vinha uma voz em meu coração, uma voz que devia ser obedecida: “Ó, não cometa essa maldade, meu filho; não peque contra o teu Deus.” 

Mãe cristã, não te esqueças de onde reside a Fonte da tua força. Abunda em oração — oração fervorosa, sincera e perseverante. Grandes e árduos são os teus deveres, e grande a tua necessidade de auxílio do Alto. Precisas de sabedoria, firmeza, paciência e autocontrole. Aonde podes recorrer para obter essas coisas senão ao trono da misericórdia Daquele que “dá liberalmente a todos, sem censura”? “Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes.” 

A oração constante o capacitará para suas obrigações. Pela oração, você poderá se apoderar da força de Deus e ser capaz de dizer com o apóstolo: “Tudo posso naquele que me fortalece”. 

Nos braços da fé, leve seus filhos ao Salvador. Interceda por eles pelas promessas de Deus. A voz de uma mãe jamais suplicará em vão. O orgulho quer que você peça honras mundanas, grandeza terrena, para seus entes queridos; mas, ó, peça por eles uma dádiva maior do que essas. Estenda a mão e agarre por eles um prêmio cujo valor somente a eternidade revelará. 

Ó mãe, tens uma missão de amor a cumprir. Não desanimes, nem te canses. Que a importância da tua elevada vocação te inspire a correr com paciência a corrida que te foi proposta. E quando terminares a tua jornada, terás a alegria indizível de seres recebida com as palavras: “Muito bem, servo bom e fiel; ... entra no gozo do teu Senhor”. E com os teus entes queridos ao teu redor, estarás no Monte Sião e lançarás a tua coroa aos pés de Jesus, dizendo: Não a nós, mas ao teu nome seja a glória. 

E ser mãe, o que é?

Ser independente
A mulher deve ocupar a posição que Deus originariamente lhe designou, de igualdade com o marido. O mundo necessita de mães que o sejam não meramente no nome, mas em todo o sentido da palavra. A mãe não deve sacrificar sua força e permitir fiquem adormecidas suas faculdades, dependendo inteiramente do esposo. Sua individualidade não pode imergir na dele. Ela deve sentir que é igual ao marido - deve estar ao seu lado, fiel no seu posto de dever e ele no seu. Sua obra na educação dos filhos é em todos os respeitos tão elevada e nobre como qualquer posição de honra que ele seja chamado a ocupar, ainda que seja a de principal magistrado da nação.

Ser rainha do lar
A mãe é a rainha do lar, e os filhos são os seus súditos. Deve governar a casa sabiamente, na dignidade de sua maternidade. Sua influência no lar deve ser excelsa; sua palavra, lei. Se é cristã sob o governo de Deus se imporá ao respeito dos filhos. Os filhos devem ser ensinados a considerar sua mãe, não como uma escrava cujo trabalho seja servi-los, mas como uma rainha que deve guiá-los e dirigi-los, ensinando-os mandamento sobre mandamento, regra sobre regra.

Ser fiel
Mães, em grande medida o destino de seus filhos está em suas mãos. Se falharem na função, podem levá-los para as fileiras do inimigo, tornando-os seus instrumentos na ruína das almas; mas por piedoso exemplo e fiel disciplina podem levá-los a Cristo e torná-los instrumentos em Suas mãos para a salvação de muitas almas. Seu trabalho [das mães cristãs], se feito fielmente em Deus, será imortalizado. Os cultores da moda jamais verão ou compreenderão a beleza imortal da obra da mãe cristã, e escarnecerão de suas ideias arcaicas e de suas vestimentas simples e sem adornos, enquanto a Majestade do Céu escreverá o nome dessa fiel mãe no livro da fama imortal.

Ser poderosa
A esfera de atividade da mãe pode ser humilde; mas sua influência, unida à do pai, é tão duradoura como a eternidade. Depois de Deus, o poder da mãe para o bem é a maior força conhecida na Terra.

Ser alegre
A mãe que alegremente assume os deveres que jazem diretamente em seu caminho sentirá que a vida para si é preciosa, porque Deus lhe deu uma obra a realizar. Nesta obra ela não precisa necessariamente comprimir o espírito nem permitir que seu intelecto se debilite.

Ser paciente
Mas frequentemente a paciência da mãe é sobrecarregada com essas numerosas pequenas provas que quase não parecem dignas de atenção. Mãos traquinas e pés inquietos criam uma grande quantidade de trabalho e perplexidade para a mãe. Ela tem de segurar firme as rédeas do domínio próprio, pois do contrário sairão de seus lábios palavras de impaciência. Muitas vezes ela chega quase a perder a cabeça, mas uma oração silenciosa a seu misericordioso Redentor acalma-lhe os nervos, e ela volta a controlar-se revelando calma dignidade. Ela fala com voz calma, mas custa-lhe esforço restringir palavras ásperas e subjugar sentimentos de revolta que, se expressos, destruiriam sua influência, a qual demandaria tempo readquirir.

Ser influente
É privilégio da mãe abençoar o mundo pela sua influência, e fazendo isto trará alegria ao seu próprio coração. Ela pode fazer retas veredas para os pés de seus filhos, através de claridade e sombra, em direção às alturas gloriosas do Céu. Mas, unicamente quando procura em sua vida seguir os ensinos de Cristo, é que a mãe pode esperar formar o caráter de seus filhos segundo o modelo divino. Ela, de cujo sangue a criança se nutre e se forma fisicamente, comunica-lhe também influências mentais e espirituais que tendem a formar-lhe a mente e o caráter. Foi Joquebede, a mãe hebreia que, fervorosa na fé, não temeu o “mandamento do rei”, a progenitora de Moisés, libertador de Israel. Foi Ana, a mulher de oração e espírito abnegado, inspirada pelo Céu, que deu à luz Samuel, a criança divinamente instruída, juiz incorruptível, fundador das escolas sagradas de Israel. Foi Isabel, a parenta e o espírito-irmão de Maria de Nazaré, que gerou o precursor do Messias.

Ser instrumento de Deus
A mãe é o instrumento de Deus para tornar cristã sua família. A educação dos filhos constitui parte importante do plano de Deus para demonstrar o poder do cristianismo. Uma solene responsabilidade repousa sobre a mãe de assim educar os filhos, de modo que quando saírem para o mundo, façam bem e não mal aos que com eles se associarem.

sexta-feira, 8 de maio de 2026

OS ADVENTISTAS E A POLÍTICA (ATUALIZADO)

Como adventistas do sétimo dia, esperamos o breve retorno de nosso Senhor Jesus Cristo e ansiamos por aquela pátria eterna “da qual Deus é o arquiteto e edificador” (Hebreus 11:10). Aceitamos igualmente o desafio de ser “sal da terra” e “luz do mundo” (Mateus 5:13, 14). Assumimos o compromisso de pregar o evangelho com seus valores eternos e o dever de ser relevantes e servir às comunidades em que estamos inseridos, tornando-as lugares melhores.

“A Igreja Adventista tem procurado, desde seu início, seguir o exemplo de Cristo ao advogar a liberdade de consciência como parte integral de sua missão evangélica. À medida que o papel da igreja na sociedade se expande, é apropriado declarar os princípios que guiam nossa igreja em sua extensão mundial nos contatos com os governos das regiões nas quais operamos” (Declarações da Igreja, p. 154). Portanto, como Igreja estamos determinados a cumprir nossos deveres institucionais e individuais, desenvolvendo relacionamentos saudáveis com as instâncias de poder. 

Este documento foi elaborado e aprovado para servir como a referência oficial a respeito do pensamento adventista sobre a relação da organização com questões políticas, partidárias e eleitorais. Ele será útil para pastores, servidores e membros, indicando o posicionamento adequado nessa esfera. Não pretende substituir os conselhos divinos, mas sim expressar claramente a compreensão que a Igreja Adventista do Sétimo Dia tem acerca do relacionamento institucional com os poderes públicos e os assuntos políticos, bem como os deveres de seus membros como cidadãos. 

1. OS ADVENTISTAS E A POLÍTICA PARTIDÁRIA 

Existem alguns princípios fundamentais que regem a posição da Igreja Adventista do Sétimo Dia sobre política partidária. Um deles é o princípio da separação entre Igreja e Estado, o que leva cada uma dessas entidades a cumprir suas respectivas funções sem interferir nas atividades da outra. A Igreja acredita que adotar uma postura sem filiação partidária ou qualquer tipo de compromisso com partidos políticos é uma das maneiras de manter esse princípio. Tal prática deve nortear não apenas a organização adventista em todos os seus níveis administrativos, mas também as instituições por ela mantidas, seus pastores e servidores. 

A Igreja encontra nos ensinos do Senhor Jesus e dos apóstolos base segura para evitar qualquer militância político-partidária institucional. O cristianismo apostólico cumpriu sua missão evangélica sob as estruturas opressoras do Império Romano sem se voltar contra elas. O próprio Cristo afirmou que Seu reino “não é deste mundo” e que, portanto, os Seus “ministros” não empunham bandeiras políticas (João 18:36). Qualquer posicionamento ou compromisso com legendas partidárias dificultaria a pregação do evangelho a todos indistintamente. 

Por outro lado, a Bíblia não isenta a comunidade de crentes dos deveres civis e do compromisso com a cidadania, e isso está evidente na ordem de Jesus: “Deem a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Marcos 12:17). O Novo Testamento apresenta várias orientações sobre o dever cristão de reconhecer e respeitar os governos e as autoridades (Romanos 13:1-7; Tito 3:1, 2; 1 Pedro 2:13-17). Somente quando os poderes temporais impõem transgressão às leis divinas é que o cristão deve assumir a postura de antes “obedecer a Deus do que aos homens” (Atos 5:29). 

Assim, a Igreja Adventista do Sétimo Dia: 

Reconhece as obrigações do exercício da cidadania, mas não possui nem mantém partidos políticos, não se filia a eles, tampouco repassa recursos denominacionais para atividades dessa natureza. Por adotar uma postura apartidária, respeita as autoridades constituídas, mas não incentiva a participação institucional em qualquer atividade político-partidária. 

Entende a importância do processo democrático. Todavia não permite que em seus templos, sedes administrativas e instituições sejam realizadas reuniões com finalidades eleitorais, seja para promoção ou apoio de candidatos (membros e não membros da igreja) ou de partidos políticos. 

Respeita as pessoas eleitas para os diferentes cargos públicos. No entanto, não possui uma bancada de parlamentares, não investe na formação de lideranças partidárias nem trabalha para esse fim. 

2. OS ADVENTISTAS E AS ELEIÇÕES  

Os adventistas reconhecem a autoridade profética e a influência da vida e da obra de Ellen G. White, mensageira e cofundadora da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Seus escritos não substituem a Bíblia, mas têm servido para aprofundar a compreensão das Escrituras Sagradas. Isso ocorre também em assuntos relacionados com a esfera pública.

Em um de seus diários, ela registrou que, em determinada reunião, os pioneiros adventistas consideraram demoradamente a questão de votar. Depois de serem mencionadas algumas opiniões, ela escreveu: “Eles acham que é correto votar em favor dos homens defensores da temperança para governar nossa cidade, em vez de, por seu silêncio, correr o risco de serem eleitos homens intemperantes” (Mensagens Escolhidas, v. 2, p. 337).

Em outra oportunidade, encontramos Ellen G. White assumindo uma posição clara sobre a participação dos membros da Igreja na escolha de candidatos que pudessem favorecer a aprovação de leis que combatessem a venda de bebidas alcoólicas. Nessa ocasião, ela destacou que cada cristão tem a responsabilidade de exercer toda influência possível para estabelecer leis com o propósito de conter essa atividade destruidora da saúde e das famílias. Ela escreveu: “Todo indivíduo exerce uma influência na sociedade. Em nossa terra favorecida, todo eleitor tem, de certo modo, voz para decidir que tipo de leis governará a nação. Não devem sua influência e voto se posicionar ao lado da temperança e da virtude?” (Obreiros Evangélicos, p. 387).

Esses textos deixam claro que cada adventista deve exercer o direito ou o dever de votar, usando essa prerrogativa para eleger pessoas que promovam conceitos em favor da saúde e da qualidade de vida. Certamente isso envolve a preferência por candidatos que também promovam outros princípios e valores bíblicos praticados e defendidos pelos adventistas e que podem se tornar um benefício para toda a população.

Assim, a Igreja Adventista do Sétimo Dia:

Recomenda que seus membros cumpram o direito ou o dever do voto.

Orienta que seus membros votem de acordo com a consciência individual.

Determina que pastores, outros obreiros, jubilados com credencial especial, funcionários da organização, líderes locais e membros não apresentem nem promovam candidatos nos templos, em suas sedes administrativas, unidades educacionais, de saúde e em quaisquer outras instituições, seja nos cultos seja em programas promovidos e realizados pela denominação.

Veda o uso do dízimo e de quaisquer outros recursos denominacionais para financiar candidatos, campanhas eleitorais ou partidos políticos.

Repudia e não autoriza o recebimento de vantagens e benefícios pessoais ou institucionais ilícitos, indevidos ou em desacordo com os Regulamentos Eclesiástico-Administrativos.

Não usa, não fornece nem autoriza o fornecimento de dados cadastrais ou de qualquer outra natureza para o envio de propaganda eleitoral aos seus membros.

Não autoriza a impressão de propaganda ou material de cunho político em suas editoras nem o uso de espaço publicitário em seus periódicos para veiculação de propaganda eleitoral. Fica igualmente não autorizado o uso de internet, rádio, televisão e publicações da Igreja e de suas instituições para esse mesmo fim, salvo quando impostas obrigatoriamente por lei, como no caso da Rádio e da TV Novo Tempo.

Não autoriza o uso do espaço físico de seus templos, escolas, colégios, universidades, sedes administrativas, escritórios de projetos assistenciais e demais instituições para qualquer tipo de propaganda político-partidária eleitoral.

Não aprova que sejam organizados encontros e reuniões por pastores, outros obreiros, jubilados com credencial especial e funcionários da organização, com propósitos político-partidários, em ambientes públicos ou privados.

Determina, clara e expressamente, quem deve falar em nome da Igreja para se comunicar com os órgãos de imprensa e demais meios. Pastores e servidores, editores das casas publicadoras, apresentadores da Rádio e da TV Novo Tempo, jornalistas, assessores de comunicação e comunicadores não estão autorizados a escrever, postar e falar em nome dos adventistas sobre temas políticos, e devem ter constante cuidado para não dar declarações que demonstrem preferências por ideologias, candidatos ou partidos.

3. CANDIDATOS QUE SÃO ADVENTISTAS

Entre os direitos do cristão adventista no exercício da cidadania está o de ocupar cargos públicos, eletivos ou não. O Antigo Testamento menciona exemplos de pessoas que exerceram funções de grande projeção nos governos de sua época. Por exemplo, José foi primeiro-ministro do Egito (Gênesis 41:38-46) e, tendo sido colocado por Deus no comando dessa nação, se manteve puro e fiel na corte do rei e foi “um representante de Cristo” junto aos egípcios (Patriarcas e Profetas, p. 369). Daniel exerceu importantes cargos governamentais em Babilônia sob os reinados de Nabucodonosor, Belsazar, Ciro e Dario, e, com lealdade incondicional aos princípios divinos, ele e seus companheiros foram embaixadores do verdadeiro Deus nas cortes desses reis.

É interessante notar que José e Daniel foram nomeados para funções públicas diretamente pelos próprios monarcas. Hoje, na maioria dos governos, oficiais públicos tanto podem ser nomeados como podem ser eleitos por voto popular. A Igreja Adventista do Sétimo Dia respeita a decisão de seus membros de ocuparem cargos públicos, seja por meio de processo eleitoral seja por nomeação direta. Reconhece também que, como nos tempos de José, Daniel e Ester, a sociedade pode ser beneficiada pelo bom exemplo de políticos religiosos que exerçam suas atividades dignamente, sem comprometer princípios cristãos, ao mesmo tempo em que dão um bom testemunho da fé e promovem os valores bíblicos.

Assim, a Igreja Adventista do Sétimo Dia:

Determina que candidatos adventistas não usem os cultos e programas oficiais da igreja.

Define que os membros que se candidatarem a cargos públicos eletivos se afastem de suas funções de liderança na igreja local durante o período de campanha.

Estabelece que pastores, outros obreiros e funcionários que decidirem lançar candidatura devem se desvincular obrigatoriamente do trabalho na organização adventista. Estabelece que pastores e outros obreiros que decidirem atuar em qualquer trabalho direta ou indiretamente relacionado à política partidária, como assessorias, propaganda, publicidade, ou outras atividades afins, devem se desvincular obrigatoriamente do trabalho na organização adventista.

Estabelece que pastores jubilados com credencial especial que decidirem lançar candidatura ou atuar em qualquer trabalho direta ou indiretamente relacionado à política partidária, como assessorias, propaganda, publicidade, ou outras atividades afins, tenham sua credencial suspensa enquanto durar esse envolvimento.

Reconhece que, quando membros adventistas se candidatarem a cargo eletivo com mandato, serão candidatos exclusivamente do partido político ao qual se filiarem e nunca candidatos oficiais da Igreja Adventista.

Estabelece que, quando surgirem situações em que candidatos, membros da igreja ou não, no exercício do mandato, estiverem concorrendo à reeleição ou a qualquer outro cargo público eletivo, serão tratados de acordo com as orientações deste documento.

Orienta aos administradores e diretores de departamentos de Associações/Missões, Uniões e diretores de instituições que se limitem, no exercício de suas funções, a informar aos pastores e membros sobre candidatura de adventistas. E que o façam com prudência, sem utilizar a estrutura organizacional para pedir ou induzir membros ao voto.

4. OS ADVENTISTAS E AS MANIFESTAÇÕES EM REDES SOCIAIS

O avanço da tecnologia digital em todas as áreas da vida humana, inclusive na discussão da temática político-partidária, é fato inegável e, de certa forma, ilimitado. Como ambiente de manifestações relacionadas a partidos, candidatos e eleições, as redes sociais propiciam muitos debates, mas também apresentam acusações mútuas e a propagação de dados inverídicos. Essas acusações podem ser caracterizadas pelas legislações nacionais como crimes, sujeitando seus propagadores a penalidades.

A livre expressão do pensamento, especialmente em relação às questões políticas, implica profunda responsabilidade, podendo gerar consequências indesejáveis decorrentes da veiculação de conteúdos inadequados. Ainda que as postagens e opiniões de seus membros não reflitam necessariamente o pensamento da Igreja, muitas vezes as manifestações individuais são tidas como se fossem o posicionamento oficial da organização adventista sobre o assunto.

Assim, a Igreja Adventista do Sétimo Dia:

Orienta a todos os que têm vínculo religioso/missionário ou laboral com a organização adventista que não postem nas redes sociais nem encaminhem mensagens com opiniões ou manifestações sobre política partidária nem opções de candidatos a cargos eletivos, especialmente em período de eleições.

Recomenda que membros adventistas sejam muito prudentes ao se envolver em posicionamentos e discussões nas mídias sociais a respeito de política, partidos e eleições. Há outros temas de relevância espiritual e missionária que merecem atenção maior por parte dos que compreendem seu papel como multiplicadores do evangelho.

Reconhece o valor da veiculação nas redes sociais de conteúdos que motivem boas iniciativas em favor das pessoas como forma de contribuir para o bem-estar de todos. A própria organização adventista, quando julgar necessário, expressará seu posicionamento acerca de temas de interesse social, cumprindo seu papel de ser uma voz de esperança na sociedade.

CONCLUSÃO

Como denominação cristã, a Igreja Adventista do Sétimo Dia reconhece o papel legítimo dos governos organizados na sociedade, respeita o direito do Estado de legislar nas questões seculares e consente com essas leis quando não contrariam os preceitos divinos. Entende também que seus membros devem assumir responsabilidades civis com seriedade e exercer o papel de cidadãos, mas sem se esquecer da cidadania celestial.

Não desmerecendo as questões políticas e sua importância, a Igreja Adventista do Sétimo Dia entende ser seu dever dar o devido destaque ao objetivo de desenvolver práticas que resultem no fortalecimento da fé e promovam a esperança na iminente volta do Senhor Jesus Cristo. Reconhece que a vocação de pregar o evangelho envolve executar ações de solidariedade que expressem amor ao próximo e produzam alívio ao sofrimento humano. Por isso, todo esforço e toda energia devem ser canalizados para o serviço desinteressado em favor das pessoas, revelando profundo interesse na sua salvação. Seja nossa oração: “[…] Vem, Senhor Jesus” (Apocalipse 22:20).


Este documento foi preparado em harmonia com as declarações oficiais da igreja, conforme conteúdo do capítulo “A Relação entre Igreja e Estado” (Declarações da Igreja, p. 154-160), adotado pela Associação Geral em março de 2002 e que serve de diretriz e referência para o departamento de Assuntos Públicos e Liberdade Religiosa.

Votado em maio de 2026 pela Comissão Diretiva Plenária da Divisão Sul-Americana.

[via adventistas.org]