O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou nesta quinta-feira (8) que o público poderá assistir em transmissão ao vivo a execução, autorizada por Donald Trump, do ex-militar Nidal Hasan (foto), condenado por matar 13 pessoas em um ataque a tiros na base militar de Fort Hood, no Texas, em 2009. A aplicação da pena capital está marcada para 3 de dezembro e será realizada por um pelotão de fuzilamento. O caso marcaria o primeiro fuzilamento militar nos Estados Unidos desde 1945. (G1)
Vamos refletir um pouco sobre a aplicação da pena de morte por autoridades governamentais e como o assunto é analisado sob o ponto de vista bíblico. Em uma análise rápida, é possível perceber que o tema causa muita polêmica em várias áreas do conhecimento humano: direito, política, sociologia e religião. O uso da pena capital para punição de crimes é uma realidade com viés de crescimento. As execuções globais por pena de morte atingiram 2.707 casos registrados em 2025 (excluindo a China), o maior patamar em mais de 40 anos, segundo dados da Anistia Internacional. Pessoas foram condenadas à morte em 54 países por decapitação, eletrocução, enforcamento, injeção letal e fuzilamento (caso do ex-militar).
Se o olhar agora for voltado à Bíblia, é bem interessante perceber a necessidade de compreensão dos textos do livro sagrado do cristianismo dentro de um contexto. É verdade que há citações em que Deus ordenou mortes diretas e outras por meio do povo de Israel. Em todas elas, é necessário, no entanto, compreender três aspectos. O primeiro, de que Israel, nesse período, era um regime teocrático que se valia de líderes que funcionavam como mediadores (patriarcas, gente como Moisés, Josué, juízes, etc) em relação ao povo em geral. E Deus não pode ser avaliado tal como se faz com os seres humanos, pois Ele é criador e não um homem.
O mandamento de Êxodo 20:16 proíbe matar. O teólogo renomado Ángel Manuel Rodríguez, em artigo publicado no site do Biblical Institute Research, assinala que “o uso do verbo ratsach (matar, assassinar), no sexto mandamento, parece estar restrito ao homicídio ilegal. Nunca é utilizado para se referir à pena de morte ou ao ato de matar na guerra. Com respeito à pena de morte, encontramos o verbo hebreu môt (condenar à morte). No contexto de guerra, se utiliza comumente o verbo hebreu harag (matar, tirar a vida). Portanto, o mandamento não deveria ser utilizado exclusivamente para determinar se a guerra ou a pena capital são justas ou equivocadas”.
Além disso, fica claro que a medida da pena de morte adotada por Deus em alguns casos específicos nunca foi uma regra ideal. Trataram-se de medidas extremas com finalidades bem claras para povos que dependiam muito desse tipo de ação didática para aprender lições espirituais de obediência em diferentes aspectos (rebeliões, transgressões dos mandamentos como se lê em Números 15:32-36; Números 16, entre outros). E tinha a ver, também, com a capacidade de Deus de perceber quando determinados povos ultrapassavam os limites da misericórdia e se tornavam claros opositores dos propósitos divinos de ocupações de territórios e avanço da obra no mundo (exemplos em Deuteronômio 20:16-18 e I Samuel 15:1-35).
Importantíssimo saber que, no caso dos povos denominados cananitas e que foram grandes obstáculos no plano de Deus com o povo israelita antigo, diversos esforços de conscientização com intervenção direta divina já ocorriam há tempos (veja, por exemplo, Gênesis 15:16).
E hoje? A Bíblia declara, em textos como Romanos 13:4 e I Pedro 2:13,14, que as autoridades humanas constituídas têm a responsabilidade e direito de executar penalidades aos cidadãos. Não é uma atribuição das igrejas. Não encontro, no entanto, razões para aceitação da pena de morte como medida espiritualmente viável hoje da mesma forma como antes ocorria e nem a praticada pelos governos embora tenham o direito de fazer isso. Não vivemos mais em uma sociedade teocrática e há, conforme a Bíblia (especialmente a partir dos ensinos de Cristo e Seus discípulos), uma forma diferenciada de Deus cumprir com Seu plano de evangelização nos tempos atuais. É o mesmo Deus agindo de maneira diferenciada de acordo com diferentes contextos.
Mas não se pode esquecer que a Bíblia também prevê a morte dos que não se arrependerem (a chamada segunda morte mencionada em Apocalipse) no final da vida ou dos tempos. Esse é o juízo final que colocará fim a um mundo de pecado. Além disso, quem conhece profundamente pensamentos e intenções de cada ser humano é somente Deus e apenas Ele pode dizer por que alguns passam por esse tipo de situação e que lição podem tirar de uma circunstância tão adversa como essa.
Uma coisa é certa. Deus nunca teve prazer na morte dos seres criados, mas usou métodos diferentes para distintas realidades e percepções. A pena capital aplicada pelos homens hoje é uma questão bastante complexa para a mente humana. Mas não para a mente divina que a tudo sabe julgar…
"Tão certo como eu vivo, diz o Senhor Deus, não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho e viva. Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; por que morrereis, ó casa de Israel?” (Ezequiel 33:11).






