quinta-feira, 29 de outubro de 2026

MEDITAÇÃO #118 - MIGALHAS

"Tudo isso te darei se prostrado me adorares" (Mateus 4:9).

Jesus foi tentado. Sua humanidade não escapou das investidas do diabo. Ele foi tentado com toda a força do mal, pois um tropeço seu significaria a ruína definitiva de toda a humanidade. Satanás provocou os sentidos e questionou os motivos de Cristo - o que em essência é tentação. Mas há uma oferta do diabo que me chama atenção no relato de Mateus.

Depois do deserto e do templo, agora o palco da tentação é um monte alto. Ali o tentador põe diante de Jesus "todos os reinos do mundo e o seu esplendor". Com os poucos efeitos especiais necessários para fazer brilhar os olhos de um homem fraco, pálido e faminto, Satanás ofereceu o domínio dos reinos do mundo ao Messias, não a preço de cruz, mas de um minuto de adoração. A resposta de Jesus foi firme e clara. Ele recusou a glória do mundo inteiro em troca de um único minuto sob o domínio de Satanás. Não se rendeu nem mesmo à proposta mais atrativa do inimigo - todos os reinos do mundo.

É triste ver, mas muitas pessoas cedem diante de propostas bem menos iluminadas. Cristo não se curvou para ter a glória do mundo inteiro, mas muitos se curvam para receber migalhas. E não é difícil ver até mesmo seguidores do Cristo do deserto prostrados nos cantos escuros da vida, a troco de migalhas. Um aplauso, um beijo, uma sensação, uma vantagem, um alívio, uma nova 'amizade', um aumento no salário e mais um par de joelhos se dobra em algum lugar. Mais um compromisso é quebrado, mais uma história é manchada, mais uma promessa é esquecida. Migalhas parecem grandes coisas quando perdemos de vista as ofertas de Deus.

Eu não sei quais tem sido as ofertas do diabo para você. Mas não se curve diante do mal para recolher migalhas. Deus tem muito mais a oferecer. Mais que aplausos, Deus quer lhe dar valor. Mais que um beijo, uma sensação, uma vantagem, Deus quer lhe dar realização completa. Mais que um alívio, Deus quer lhe dar cura. Mais do que o agora, Deus quer lhe dar o sempre. Ele sempre tem mais que migalhas.

"Satanás chega com honras mundanas, riquezas e os prazeres da vida, e os apresenta na mais atraente luz, para seduzir e enganar. Mas Jesus sempre tem algo incomparavelmente melhor para nos oferecer" (Ellen White - The Review and Herald, 23 de Junho de 1885).

quarta-feira, 28 de outubro de 2026

MEDITAÇÃO #117 - COVARDIA

"Porque Deus não nos deu espírito de covardia, mas de poder, de amor e de moderação" (2 Timóteo 1:7). 

Antes de morrer, Paulo escreve uma carta de encorajamento e exortação a Timóteo, seu amado protegido. Timóteo tem uma personalidade tímida e não se sente à vontade com suas pesadas responsabilidades. Paulo não quer que o medo sufoque o ministério de Timóteo ou seu dom de Deus, por isso ele aborda o espírito de covardia de Timóteo.

A palavra grega para "covardia" nesse versículo não se refere ao temor reverencial que é frequentemente associado ao temor do Senhor. Em vez disso, a palavra se refere à timidez. Mateus 25:14-30 apresenta um exemplo desse tipo de medo. Um senhor confia ouro a três servos antes de embarcar em uma viagem, e apenas dois dos servos aumentam a riqueza do senhor durante sua ausência. O terceiro servo teme o mestre e enterra seu ouro. O mestre responde à covardia do servo pegando de volta o ouro e dando-o ao servo com mais ouro. O espírito de medo do servo impediu a sua total devoção ao mestre e a sua capacidade de tomar decisões sábias.

No contexto de 2 Timóteo 1:7, Paulo fala do medo de compartilhar o evangelho em meio à perseguição. As circunstâncias assustadoras que cercam o chamado de Timóteo para compartilhar o evangelho acrescentam mais ansiedade à sua personalidade já tímida. Paulo incentiva Timóteo lembrando-o de sua herança de fé. Sua avó Loide e sua mãe Eunice foram um exemplo de fidelidade devota a Deus durante toda a vida de Timóteo. Elas provavelmente lhe ensinaram as Escrituras judaicas e lhe mostraram como ser um homem honrado de Deus. Paulo escreve que a fé sincera de Loide e Eunice vive dentro de Timóteo. A motivação de Paulo ao abordar o espírito de covardia de Timóteo não é o fato de ele duvidar da sinceridade da fé de Timóteo. Em vez disso, ele deseja restaurar a coragem de Timóteo. Paulo continua exortando Timóteo a acender a chama do dom que lhe foi dado por Deus. Os dons florescem quando são entregues a Deus e decaem quando permitimos que o medo nos paralise. O medo pode impedir a eficácia de um dom, e Paulo diz que o poder, o amor e a mente sadia ajudarão Timóteo a florescer e a trabalhar para a glória de Deus.

Quando Paulo lembra a Timóteo que Deus não nos deu um espírito de covardia, ele se concentra no Espírito que nos dá "poder, amor e moderação". O espírito de poder produz bravura e a determinação necessária para enfrentar e suportar perigos e dificuldades. O espírito de amor alimenta o serviço sacrificial a Deus e à humanidade. Por fim, uma mente sadia cultiva o autocontrole, a vigilância e a verdade. Paulo não quer que o medo do homem ou o medo da morte impeça Timóteo de compartilhar o evangelho. No restante de 2 Timóteo, Paulo continua a preparar Timóteo para uma vida ousada e focada no evangelho.

Não devemos nos entregar a um espírito de covardia. Quando nos concentramos em nossa ansiedade ou em nossa própria capacidade de obedecer e seguir a Cristo, o resultado é o medo e a timidez. Entregar-se ao Espírito que nos dá poder, amor e atenção nos redireciona e nos acalma. É somente por meio da força de Deus que podemos compartilhar o evangelho com ousadia, amor e precisão. Que nunca permitamos que o medo nos impeça de compartilhar o evangelho, mas que, em vez disso, confiemos em Deus para nos dar coragem! Ellen White diz: "Com intrépida coragem e viva fé, devemos semear o evangelho sobre todas as águas" (Testemunhos Seletos 1, p. 386).
"O medo visita a todos. Mas faça do seu medo um visitante e não um residente. Enfrente seus medos com fé" (Max Lucado).

terça-feira, 27 de outubro de 2026

MEDITAÇÃO #116 - INIMIGOS

"Digo-vos, porém, a vós outros que me ouvis: amai os vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam; bendizei aos que vos maldizem, orai pelos que vos caluniam" (Lucas 6:27, 28).

O pastor protestante e ativista político Martin Luther King, Jr., prêmio Nobel da Paz em 1964, assassinado no dia 4 de abril de 1968 com apenas 39 anos de idade, disse certa vez em um de seus sermões:

"Talvez nenhum ensinamento de Jesus seja, hoje, tão difícil de ser seguido como este mandamento do 'amai os vossos inimigos'. Há mesmo quem sinceramente julgue impossível colocá-lo em prática. Consideramos fácil amar quem nos ama, mas nunca aqueles que abertamente e insidiosamente procuram prejudicar-nos. O mandamento para amarmos os nossos inimigos, longe de ser uma piedosa imposição de um sonhador utópico, é uma necessidade absoluta para podermos sobreviver. O amor pelos inimigos é a chave para a solução dos problemas do nosso mundo. Quando Jesus diz: 'Amai os vossos inimigos', não ignora a dificuldade dessa imposição e conhece bem o significado de cada uma das suas palavras. A responsabilidade que nos cabe como cristãos é a de descobrir o significado desse mandamento e procurar apaixonadamente vivê-lo toda a nossa vida."

Vejamos o que Ellen White nos diz a respeito: "Devemos amar os nossos inimigos com o mesmo amor que Cristo mostrou para com os Seus inimigos, ao dar Sua vida para salvá-los. Muitos podem dizer: 'Este é um mandamento difícil, pois eu quero ficar o mais longe possível de meus inimigos.' Mas agir de acordo com vossa natural inclinação não seria praticar os princípios que nosso Salvador nos deu" (Medicina e Salvação, p. 253).

O Senhor sabe que não se pode ser um crente genuíno tendo um coração cheio de ódio, mesmo quando existam razões que o justifiquem. A resposta do cristão à hostilidade e antagonismo é vencer “o mal com o bem” (Rm 12:21). Observe: Jesus primeiro pede que amemos nossos inimigos e, como resultado, solicita que demonstremos esse amor por meio de boas ações, palavras amáveis e oração de intercessão. Sem o amor inspirado pelo Céu, essas ações, palavras e orações seriam uma ofensiva e hipócrita falsificação do verdadeiro cristianismo.

Por que então devemos amar nossos inimigos? Quais razões foram apresentadas por Jesus?

"Se amais os que vos amam, qual é a vossa recompensa? Porque até os pecadores amam aos que os amam. Se fizerdes o bem aos que vos fazem o bem, qual é a vossa recompensa? Até os pecadores fazem isso. E, se emprestais àqueles de quem esperais receber, qual é a vossa recompensa? Também os pecadores emprestam aos pecadores, para receberem outro tanto. Amai, porém, os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai, sem esperar nenhuma paga; será grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altíssimo. Pois ele é benigno até para com os ingratos e maus" (Lucas 6:32-35).

A fim de nos ajudar a compreender esse elevado mandamento, o Senhor usou três argumentos. Em primeiro lugar, precisamos viver acima dos baixos padrões do mundo. Até mesmo os pecadores amam uns aos outros, e os criminosos se ajudam mutuamente. Qual seria o valor de seguir a Cristo, se isso não nos levasse a viver e amar de maneira superior à virtude dos filhos deste mundo? Em segundo lugar, Deus nos recompensará por amar nossos inimigos. Ainda que não amemos pela recompensa, Ele a concederá graciosamente para nós. Em terceiro lugar, esse tipo de amor é uma evidência de nossa estreita comunhão com nosso Pai celestial, que “é benigno até para com os ingratos e maus” (Lc 6:35).

Os ensinamentos de Jesus estabelecem um ideal tão elevado, de uma vida altruísta e amorosa, que a maioria de nós provavelmente se sinta oprimida e desanimada. Como podemos nós, egoístas por natureza, amar o próximo de maneira altruísta? Além disso, é possível amar os inimigos? Do ponto de vista humano, é absolutamente impossível. Mas o Senhor jamais nos pediria que amássemos e servíssemos os detestáveis e desprezíveis sem nos prover os meios com que alcançar isso. Sobre isso, Ellen White diz: “Essa norma não é impossível de ser alcançada. Em toda ordem ou mandamento dado por Deus, há uma promessa, a mais positiva, a fundamentá-la. Deus tomou as providências para que nos tornemos semelhantes a Ele, e realizará isso para todos quantos não interpuserem uma vontade perversa, frustrando assim Sua graça” (O Maior Discurso de Cristo, p. 76).

Qual promessa está na base do mandamento de amar os inimigos? É a certeza de que Deus é bondoso e misericordioso para com os ingratos e maus (Lc 6:35, 36), o que nos inclui. Podemos amar nossos inimigos, porque Deus nos amou primeiro, embora fôssemos Seus inimigos (Rm 5:10). Quando diariamente reafirmamos nossa aceitação do Seu amoroso sacrifício por nós na cruz, Seu amor abnegado permeia nossa vida. Quanto mais compreendemos e experimentamos o amor do Senhor por nós, mais Seu amor fluirá de nós para os outros, até mesmo aos nossos inimigos. Ellen White afirma: "Representemos diariamente o grande amor de Cristo, amando os nossos inimigos como Cristo os ama. Se assim representássemos a graça de Cristo, fortes sentimentos de ódio seriam subjugados e o amor genuíno de Cristo seria levado a muitos corações. Ver-se-iam muito mais conversões do que se vêem agora" (Medicina e Salvação, p. 254).

Nossa necessidade diária não é apenas a de aceitar novamente a morte de Cristo por nós, mas render nossa vontade a Ele e nEle permanecer. Assim como Jesus não buscou Sua própria vontade, mas a vontade do Pai (Jo 5:30), precisamos confiar nEle e em Sua vontade. Pois, sem Ele, nada podemos fazer (Jo 15:5). Quando a cada dia decidimos nos submeter a Jesus, Ele vive em nós e por meio de nós. Então “já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim” (Gl 2:20), e transforma minhas atitudes egocêntricas em uma vida amorosa e altruísta.

E se você estiver cercado de inimigos, busque a Deus em oração, recorra às preciosas instruções divinas de Sua Palavra, pois através desses meios o Espírito Santo impressionará o seu coração concedendo-lhe sabedoria divina, paz e confiança de que Deus estará sempre ao seu lado. Desse modo você poderá dizer como Davi: “O SENHOR é a minha rocha, a minha cidadela, o meu libertador; o meu Deus, o meu rochedo em que me refugio; o meu escudo, a força da minha salvação, o meu baluarte” (Salmos 18:2).

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

MEDITAÇÃO #115 - JESUS E A DEMOCRACIA

Não é possível escrever um relato histórico ou bíblico sobre como Jesus praticava a democracia, pois ele não instituiu nenhum sistema político democrático no sentido moderno do termo (governo do povo por meio de representantes eleitos e soberania popular). Ele fundou um movimento cuja atuação era deliberada em assembleias, termo que, em grego, significa “igreja”. Os Evangelhos apresentam Jesus como um mestre religioso com forte incidência política. Não realizou eleições, nem incentivou votações para decisões comunitárias.

As práticas de Jesus Cristo apresentam um modelo de convivência e liderança que ressoa profundamente com os ideais democráticos modernos. Embora não tenha atuado em um sistema político democrático formal, pois vivia em uma monarquia, seus ensinamentos e ações lançaram as bases para uma sociedade mais justa, igualitária e participativa.

Seus ensinamentos e práticas registrados nos Evangelhos ecoam valores fundamentais da cultura democrática: participação, igualdade, valorização dos marginalizados e prestação de contas diante da comunidade.

Jesus subverteu radicalmente os modelos de poder de sua época. Em vez de “dominarem sobre os outros”, ensinou que “quem quiser tornar-se grande entre vocês deverá ser servo” (Marcos 10:43). Seu ato de lavar os pés dos discípulos e a afirmação de que veio “para servir, não para ser servido” (Mateus 20:28) são pilares dessa prática. Isso estabelece uma liderança baseada em humildade e serviço, não em coerção ou privilégio, similar à prestação de contas esperada em uma democracia.

Jesus envolvia seus discípulos e a multidão nas decisões e discussões. Em Lucas 6:12-13, antes de escolher os doze apóstolos, passou a noite em oração — um gesto de discernimento compartilhado, não autoritário. Mas o exemplo mais claro de consulta está em João 6:5-7, quando pergunta a Filipe: “Onde compraremos pão para eles comerem?”. Mesmo sabendo o que faria, Jesus abriu espaço para a opinião alheia. E considerou a fome do povo uma grave demanda a ser resolvida de imediato.

Na democracia, todos têm igual valor perante a lei. Nos Evangelhos, Jesus tratava mulheres, crianças, doentes, pobres e estrangeiros como sujeitos de dignidade. Em Mateus 20:25-28, criticou os governantes que “dominam” com o líder-servo: “Quem quiser tornar-se grande entre vocês, que seja servo”. Isso subverte hierarquias e aponta para relação horizontal.

Jesus praticou a “comunhão de mesa inclusiva” ao quebrar barreiras sociais e étnicas e se relacionar com pecadores, cobradores de impostos e samaritanos, grupos marginalizados na sua sociedade. Sua famosa parábola do Bom Samaritano (Lucas 10:25-37) é um chamado à compaixão e à superação de preconceitos, expandindo a definição de “próximo” a todos, sem distinção. Esta prática defende a dignidade de cada ser humano e a construção de uma comunidade sem exclusões, princípio fundamental para a cidadania plena.

Jesus não impôs sua palavra pela força; ele dialogava. Em João 8:3-11, diante da mulher adúltera, escreveu no chão e desafiou: “Quem dentre vocês não tiver pecado, atire a primeira pedra”. A decisão final emergiu da consciência coletiva. Os acusadores foram embora um a um. Houve ali um princípio de deliberação comunitária.

Sua afirmação de que “não disse nada em segredo” (João 18:20) demonstra um compromisso com a transparência e a prestação de contas. Jesus não operava às escondidas; expunha suas ideias ao escrutínio público, prática que fortalece a confiança e a participação populares.

Jesus delegou poderes aos discípulos (Mateus 10:1, 8) e os chamou de “amigos”, não de servos (João 15:15). Em Mateus 18:15-17, instituiu um processo de reconciliação que envolveu os discípulos (“diga à comunidade”), um esboço de resolução coletiva de conflitos, algo caro às práticas democráticas.

A democracia moderna incorpora, em princípio, minorias e vulneráveis. Jesus, em Lucas 4:18-19 (citando Isaías), definiu sua missão como “anunciar boas notícias aos pobres, liberdade aos cativos e pôr em liberdade os oprimidos”. Com frequência perguntava a cegos, pessoas acometidas de hanseníase e estrangeiros o que queriam (Marcos 10:51: “Que quer que eu lhe faça?”), devolvendo-lhes protagonismo e voz.

Quando tentaram fazê-lo rei (João 6:15), Jesus se retirou, recusou a possibilidade de dominar. Não buscou o poder, mas uma comunidade de discípulos baseada no amor, no serviço e na decisão livre — um governo sem coerção.

Portanto, Jesus não foi um democrata no sentido moderno (não houve sufrágio universal, parlamento ou constituição). Contudo, práticas evangélicas como escuta ativa, horizontalidade, valorização dos excluídos, recusa da opressão e do poder como domínio, e deliberação em grupo oferecem inspiração ética para quem deseja construir sociedades mais participativas e justas.

Os Evangelhos não são manuais de ciência política, mas neles se podem ser encontrados um espírito e uma prática democráticos anteriores às democracias. Que as propostas e atuação de nossos futuros governantes sejam sempre condizentes com o exemplo e os ideais de Jesus.

sexta-feira, 23 de outubro de 2026

MEDITAÇÃO #114 - DECISÕES

Deus criou o ser humano à Sua imagem e semelhança. Isso incluiu a capacidade de tomar as próprias decisões. Fomos criados com diversas faculdades mentais: discernimento, raciocínio, memória, percepção, força de vontade, intuição e imaginação. No dia a dia, também somos influenciados por muitos fatores. Com base nisso, fazemos nossas escolhas e nos tornamos responsáveis por elas.

Algumas decisões são bastante simples. Nós as repetimos todos os dias. Por causa disso, chega o momento em que não gastamos mais energia para pensar e decidir. Entramos no modo automático. Também há decisões que envolvem questões maiores, que afetam toda a nossa existência. Para decidir temos que pensar por mais tempo, pesar as evidências e levar em conta tudo que está envolvido. 

O primeiro princípio para tomarmos boas decisões é conseguirmos observar todos os fatos. A Bíblia diz em Provérbios 18:13: “Responder antes de ouvir, é estultícia e vergonha.”

O segundo princípio para tomarmos boas decisões é mantermos a mente aberta a novas ideias, conforme expressa Provérbios 18:15: “O coração do entendido adquire conhecimento; e o ouvido dos sábios busca conhecimento.”

O terceiro princípio para tomarmos boas decisões é ouvirmos ambos lados da história: “O que primeiro começa o seu pleito parece justo; até que vem o outro e o examina” (Provérbios 18:17).

Se temos dificuldade em tomar decisões, Deus nos ajudará. A Bíblia diz em Tiago 1:5-8: “Ora, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e não censura, e ser-lhe-á dada. Peça-a, porém, com fé, não duvidando; pois aquele que duvida é semelhante à onda do mar, que é sublevada e agitada pelo vento. Não pense tal homem que receberá do Senhor alguma coisa, homem vacilante que é, e inconstante em todos os seus caminhos.”

A idéia de tomar decisões está presente em numerosas passagens das Escrituras. Por exemplo, Paulo chegou a uma decisão final depois de avaliar muitas filosofias e métodos de pregação do evangelho. Disse ele: “Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e Este crucificado” (1Co 2:2). Tomara que todas as decisões tomadas por nós se baseiem na decisão de Paulo; tudo que fazemos e dizemos deve refletir a entrega a Jesus Cristo. Se O conhecermos e Lhe dermos a primazia, isso influirá sobre todas as nossas decisões. De suma importância na vida de todos nós que temos de tomar decisões deve ser a relação com Jesus Cristo que nos habilita a transcender meramente a sabedoria humana com nossas decisões que muitas vezes são falíveis e ineficazes.

Confiemos em Deus e não em nós mesmos quando necessitemos direção. Em Provérbios 3:4-6, a Palavra Sagrada diz: “Assim acharás favor e bom entendimento à vista de Deus e dos homens. Confia no Senhor de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento. Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas.”

A oração também ajuda o processo de tomar decisões. Jesus usou este método antes de escolher os discípulos. A Bíblia diz em Lucas 6:12: “Naqueles dias retirou-se para o monte a fim de orar; e passou a noite toda em oração a Deus.”

É importante ter humildade quando pedimos a Deus para nos ajudar a tomar boas decisões: “Guia os mansos no que é reto, e lhes ensina o seu caminho” (Salmos 25:9). Hoje, com uma boa decisão, tudo pode mudar. Peça a Deus que ajude você a tomar a decisão correta e a realizar o que foi decidido com a bênção Dele. 

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

MEDITAÇÃO #113 - DESAPONTAMENTO

"Pois a visão aguarda um tempo designado; ela fala do fim e não falhará. Ainda que se demore, espere-a; porque ela certamente virá e não se atrasará" (Habacuque 2:3).

Whitehall, Nova York. Uma cidadezinha, hoje com cerca de 4 mil moradores, foi palco de uma das cenas mais tristes da história do adventismo. Na fazenda de Guilherme Miller, vários crentes se reuniram para ver Jesus voltar. Era um 22 de outubro como hoje. O dia mais amargo da história daquelas pessoas. Várias delas haviam vendido casas e campos. Algumas tinham sido expulsas de suas antigas congregações após ter abraçado a mensagem da breve volta de Cristo. Mas, naquele dia, Ele não veio.

Embora o texto de Habacuque 2:1 a 4 se refira inicialmente à visão sobre a vinda dos conquistadores caldeus, que parecia demorada, essas palavras se tornaram fonte de encorajamento e consolo para os mileritas, como passaram a ser conhecidos os primeiros crentes na mensagem do advento.

Aprendi que desapontamento não significa necessariamente um ponto-final. É verdade que, depois daquele dia, vários abandonaram a fé e se trancaram em amargura. Mas um pequeno grupo permaneceu. Com Bíblias abertas e lamparinas acesas, eles atravessaram noites e madrugadas em busca de respostas. Não desistiram até finalmente entender o que havia acontecido. A semente da decepção deu fruto de esperança. Por isso estamos aqui. Passados 182 anos, há milhões de pessoas espalhadas pelo mundo pregando e aguardando a volta de Jesus.

A Igreja Adventista do Sétimo Dia nasceu de um desapontamento. O cristianismo também. Onde os discípulos imaginavam um trono, eles encontraram uma cruz. Seus sonhos de libertação pareciam desfeitos diante do Messias morto. Mas eles permaneceram. Por isso estamos aqui.

Todos nós temos direito de escolher o que fazer com as decepções da vida. Sugiro que você não pare. Não fique pelo caminho. Não desista dos sonhos que ganharam seu coração. Levante a cabeça. Olhe para frente. Se não deu certo na semana passada, não significa que não possa dar certo no futuro. Ore mais. Treine mais. Leia mais. Trabalhe mais. O futuro premia os valentes. O Céu será a pátria daqueles que sofreram e choraram, mas não desistiram de caminhar.

Não desista. Ellen White afirma: "O Senhor vem. Ouvimos os passos de um Deus que Se aproxima" (The Review and Herald, 12 de Novembro de 1914).

Cante agora: "Não desistir! Cristo vem logo! / Breve a aurora há de raiar! / Não desistir! Cristo vem logo! / Não desistir! Ele virá!" (Novo Hinário Adventista nº 464).

quarta-feira, 21 de outubro de 2026

MEDITAÇÃO #112 - INCERTEZAS

O mundo está cada vez mais envolto em incertezas. Além das incertezas pessoais, temos hoje as psicológicas, sexuais, sanitárias, sociais, econômicas e políticas. Tudo ficou imprevisível. Mesmo com ferramentas mais potentes para tentar ler a realidade e decifrar o futuro, o caminho parece enevoado. A própria teologia tem sido abalada pelas incertezas. Por isso, a vida se torna mais arriscada.

No entanto, a maioria das pessoas busca certezas. Muitas delas mudam sua filiação religiosa e seus hábitos para ter mais segurança emocional. Afinal, precisamos de identidade, uma visão, um rumo. A certeza dá a sensação de controle. E, se alguns indivíduos têm certeza demais, outros têm de menos. É por isso que, no fogo cruzado da polarização, os radicais são vírus da incerteza que tentam criar certezas à força.

Hoje, mais do que no passado, as pessoas têm que viver e expressar sua fé num ambiente que mistura certeza e incerteza. Mas podemos avançar com fé, que é “a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não veem” (Hb 11:1). Com “a plena certeza da esperança” (Hb 6:11), “em plena certeza de fé” (Hb 10:22), nos aproximamos do trono de Deus, que controla o Universo. Ellen White afirma: "À medida que nos aproximarmos de Jesus e nos alegrarmos na plenitude do Seu amor, nossas dúvidas e incertezas desaparecerão à luz de Sua presença" (Caminho a Cristo, p. 71).

Podemos ter certeza porque, mesmo em tempos de incerteza, Jesus estará conosco todos os dias até o fim (Mt 28:20). O Espírito Santo é a presença pessoal Dele em nosso coração. Em seu livro De Servo Arbitrio (A Escravidão da Vontade), escrito em 1525 em resposta a Erasmo de Rotterdam, Martinho Lutero argumentou que a religião não é uma simples questão de conjectura: “O Espírito Santo não é cético, e as coisas que escreveu em nossos corações não são dúvidas nem opiniões, mas asserções mais seguras e certas do que toda a experiência e a própria vida” (The Bondage of the Will [Baker Academic, 2012], p. 70).

E em se tratando de incertezas, deixe Deus construir convicções em você. Nossa fé não elimina a incerteza nem os riscos, mas cada um de seus ensinos e símbolos aponta para a certeza. Crer em Deus é um risco calculado para tempos de certeza, mas principalmente de incerteza.

Minha percepção é de que a chave para lidar com a incerteza está em aprender a confiar em Deus, independentemente de quanto possa parecer ruim a situação. Mais fácil falar do que fazer, não é? Lembre-se de que Deus não permite nada que não possamos suportar (1Co 10:13) e que Ele está cuidando de nós o tempo todo, seja nos guiando em abundância e tranquilidade ou nos ajudando a atravessar os vales mais escuros (Sl 23). Ellen White diz: "Se temes a Deus não precisas andar em incerteza. Se Lhe agradares, conseguirás tudo que necessitas" (Nos Lugares Celestiais, p. 20). Deus sabe por que as coisas estão acontecendo como estão. E no futuro iremos compreender.

Concluo com este pensamento de Ellen White: "As aflições do tempo presente assumem diversas formas, mas Cristo passou por esse trajeto, e não precisamos ficar na incerteza. Ele nos convidou: 'Vinde a Mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o Meu jugo e aprendei de Mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o Meu jugo é suave, e o Meu fardo é leve' (Mateus 11:28-30). Seja qual for nossa condição na vida, nossa ocupação, temos um Guia seguro. Seja qual for nossa condição é Ele nosso conselheiro. Seja qual for nossa solidão Ele é nosso Amigo, em quem sempre podemos confiar" (Carta 13, 1892).