quarta-feira, 5 de agosto de 2026

MEDITAÇÃO #51 - ANSIEDADE

Você já sentiu uma sensação ruim de medo, uma preocupação incomum sobre o futuro e o aumento das batidas do coração a ponto de achar que iria morrer? Esse mal tem nome: ansiedade.

Presente na sociedade desde a aurora da civilização, a ansiedade acompanha o ser humano como parte de sua própria condição pós-pecado. Ela caracteriza nossa estrutura psíquica, já que a vida é precária e não podemos controlar nossas emoções, o ambiente e o futuro. Na busca por transcendência, descobrimos nossa limitação e finitude. Porém, nos últimos anos, com a aceleração do tempo, a desconexão do espaço, a mecanização das tarefas, a fragmentação da comunidade e a desvalorização da vida, o grau de ansiedade aumentou geometricamente. O próprio Cristo profetizou que, no fim, as nações experimentariam pânico por causa dos acontecimentos, e as pessoas, apreensivas, desmaiariam de terror (Lc 21:25-26). Portanto, se você tem sido vítima da ansiedade, não está sozinho.

Há vários tipos de ansiedade que dominam as mentes religiosas e seculares, como a existencial, a inquietude que angustia os que não veem significado na vida, nem propósito na existência; posicional, o desassossego que agita os que buscam popularidade e prestígio a qualquer preço; funcional, o temor exagerado de não ser bom o suficiente para encarar as exigências do mercado; econômica, o pavor de não ter dinheiro para enfrentar as crises financeiras e as carências da vida; cognitiva, a incerteza que intranquiliza os que vivem atribulados pela dúvida; tecnológica, a ambição que impacienta os que trocam de aparelho todo ano e consultam as mídias sociais a cada momento; familiar, o receio que resulta das dificuldades de convivência com o cônjuge ou das preocupações com os filhos; soteriológica, a apreensão que paralisa os que não têm certeza da salvação; tanatológica, o medo que aterroriza os que não estão preparados para a morte e se desesperam diante da possibilidade de separar-se dos queridos; e escatológica, a tensão que domina os que pensam demais sobre o fim do mundo e veem sinais alarmantes em cada notícia de jornal.

No sentido mais profundo, Deus tem a solução para todas essas ansiedades. A Bíblia não fala muito de ansiedade; o conceito de medo é muito mais frequente. Porém, o conselho bíblico é que não devemos andar ansiosos por nada e que lancemos toda a nossa ansiedade sobre Deus, pois Ele cuida de nós (Mt 6:25-34; Fp 4:6; 1Pe 5:7). Várias passagens bíblicas podem ser resumidas numa palavra: relaxe! Não no sentido de não ter responsabilidade nem fazer as coisas malfeitas, mas de confiar em Deus e descansar Nele.

Muitos cristãos vivem assustados e estão aprisionados no círculo sem saída da ansiedade porque veem ameaças em cada esquina. Mas não precisamos temer. A religião deveria reduzir a ansiedade, e não aumentá-la. Em termos coletivos, a igreja já passou por momentos de ansiedade superlativa, em épocas de guerra, perseguição, fanatismo, mornidão e crise, e sobreviveu. Com a ajuda divina, nós também sobreviveremos.

A vivência do evangelho, que inclui a libertação do medo, é o fim da ansiedade. Quem está em Cristo tem tranquilidade de espírito, pois Ele é nossa paz (Mt 11:28-30; Jo 14:27; 16:33; Ef 2:14; Fp 4:7). O amor, personificado por Deus (1Jo 4:8, 18), elimina o medo. Portanto, tranquilize-se! Substitua o medo pelo amor, a dúvida pela confiança e a ansiedade pela paz.
"Como filhos de Deus, é nosso privilégio sempre olhar para cima, mantendo os olhos da fé fixos em Cristo. Enquanto olhamos constantemente para Ele, o resplendor de Sua presença inunda as câmaras da mente. A luz de Cristo no templo da alma proporciona paz. A vida se firma em Deus. Todas as perplexidades e ansiedades são entregues a Jesus. Ele é nossa luz, e vida, e paz e segurança para sempre" (Ellen White - A Fé Pela Qual Eu Vivo, p. 247).

terça-feira, 4 de agosto de 2026

MEDITAÇÃO #50 - IDOLATRIA POLÍTICA

Uma boa definição para a mentalidade da sociedade moderna é o que a Bíblia chama de idolatria, e que os profetas descrevem melhor do que ninguém: fazer um deus sob medida, algo ou alguém que construo com os meus pensamentos, atos e palavras, que venero incondicionalmente e dou um valor absoluto.

Infelizmente, vemos atualmente que um fanatismo inaudito invadiu muitas denominações que se dizem "cristãs", já que não se pode mais chamá-las de "igrejas" visto que funcionam como comitês eleitorais e partidos políticos. Tudo isto aceito com a mais absoluta normalidade. Ellen White adverte: 
"O Senhor quer que Seu povo enterre as questões políticas. Sobre esses assuntos, o silêncio é eloquência. Cristo convida Seus seguidores a chegarem à unidade nos puros princípios evangélicos que são positivamente revelados na Palavra de Deus. Não podemos, com segurança, votar por partidos políticos; pois não sabemos em quem votamos. Não podemos, com segurança, tomar parte em nenhum plano político. Deus emprega as mais vigorosas imagens para mostrar que não deve haver união entre partidos mundanos e aqueles que estão buscando a justiça de Cristo" (Fundamentos da Educação Cristã, pp. 475-476).
A igreja, como instituição, não deve se envolver na política, quando o faz, ela e os seus líderes se tornam vulneráveis a todas as contingências do mundo político. Também serve de alerta os perigos de dar corda aos políticos que se julgam salvadores da pátria. Há líderes e membros de igrejas com uma expectativa ‘messiânica’ que um determinado político canalize automaticamente as bênçãos de Deus sobre o Brasil, resolvendo todos os problemas que nos afligem. Esse messianismo é muito perigoso, para o país e para a igreja.

E o resultado desta idolatria política para a teologia cristã bíblica é catastrófica. Não só Cristo é destituído de seu trono no coração do crente, como a Bíblia e o cristianismo passam a ser usados como meros objetos úteis para a luta política.

Não há mal em defender uma posição política e saber o que está acontecendo no atual cenário. Mas o cristão deve zelar, acima de tudo, por princípios bíblicos. Fazer de ideologias, movimentos e partidos políticos elementos de um evangelho terreno, não passa de idolatria. O cristão foi chamado para proteger a doutrina bíblica e proclamar o evangelho de Jesus Cristo. Ellen White orienta:
"O povo de Deus não deve ter ligação alguma com a idolatria em qualquer de suas formas. Sejam os seres humanos colocados em posição inferior, e que o Senhor seja exaltado! Lembrai-vos de que reinos, nações, reis, estadistas, conselheiros e grandes exércitos terrestres, e toda a magnificência e glória mundanas, são como o pó da balança. Deus tem a fazer um ajuste de contas com todas as nações. Todo reino tem que ser abatido. A autoridade humana deve tornar-se como nada. Cristo é o Rei do mundo, e Seu reino deve ser exaltado" (Fundamentos da Educação Cristã, pp. 481-482).

A redenção não está nessa Terra. Não está em um político ou ideólogo. Não está em um sistema político-econômico. Está em Jesus.

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

MEDITAÇÃO #49 - INDIFERENÇA

"O que tapa o ouvido ao clamor do pobre também clamará e não será ouvido" (Provérbios 21:13).

Outro dia li o interessante trecho acima do diário de Salomão. Não sei porque, mas me veio à mente a palavra indiferença. Para mim, tapar o ouvido ao grito de quem precisa de alguma coisa é uma descrição muito boa para indiferença. E como nós estamos familiarizados com ela. Quem nunca foi tratado ou nunca tratou alguém com indiferença que atire a primeira pedra...

E como são comuns as situações em que as pessoas se afastam umas das outras por mal-entendidos, diferenças de opinião, inveja, receio, etc. e começam a se ver de maneira indiferente. Indiferença... essa para mim é a pior espécie. Viver como se a existência de outrem não fizesse a mínima diferença para você. Isso é muito perigoso. Amanhã você pode estar gritando por ajuda. Para dizer bem a verdade, eu creio que a própria indiferença já seja um grito. A indiferença é o comentário mais desesperado de todos. É o grito de quem quer convencer que pode fazer falta na vida do outro e que a ausência desse outro não dói. É o grito de quem quer atrair a atenção. É o grito de quem se sente inseguro. É um grito covarde. Mas é um grito silente.

Talvez olhando para sua vida você encontre algum grito assim. Se existe algo mal resolvido entre você e alguém - um amigo, um vizinho, um parente ou até mesmo um estranho - não se esconda atrás da indiferença. Procure a tal pessoa e simplesmente converse. Seja sincero. A indiferença é uma doença que corrói o coração.
"Se quereis ser seguidores de Jesus, necessitais cultivar compaixão e simpatia. A indiferença pelos ais da humanidade deve ceder lugar ao interesse vivo nos sofrimentos alheios" (Ellen White - Beneficência Social, p. 26).

Querido leitor, hoje é o dia de repensar suas relações e clarear os cantos escuros da vida. Perdoe. Ande pela vida de bem com Deus e com as pessoas a sua volta.

sexta-feira, 31 de julho de 2026

MEDITAÇÃO #48 - REFUGIADOS

"Ser chamado de refugiado é o oposto de um insulto; é uma insígnia de força, valor e vitória" (
Serviço para Refugiados do Tennesse).

As imagens de milhares de pessoas tentando alcançar a nado o enclave espanhol de Ceuta, no Norte da África, evocam uma das fotografias mais dolorosas das crises de refugiados no Mediterrâneo, a do menino sírio Alan Kurdi, de três anos, encontrado sem vida em uma praia da Turquia, em 2015. Naquele momento, líderes mundiais prometeram que a comoção produziria mudanças. Onze anos depois, o mar entre a Europa, a África e Ásia continua sendo uma vala comum alimentada pela desigualdade, pela ganância, pelas guerras, pela emergência climática e pela indiferença. 

Ao menos 34 pessoas morreram na atual tentativa de entrada em Ceuta. Milhares de seres humanos nadando em direção à Espanha não constituem apenas uma crise migratória. O fracasso não está em quem entrou no mar em busca de futuro. Está no mundo que tornou o mar a única alternativa.

Diante desta triste notícia, lembramos como Jesus experimentou em primeira mão a difícil situação de ser um refugiado. Depois que Maria deu à luz a Jesus em Belém, Mateus 2:13 compartilha que "um anjo do Senhor apareceu a José em sonhos e disse: 'Levanta-te, toma o menino e sua mãe e foge para o Egito. Fica lá até que eu te diga, porque Herodes vai procurar o menino para matá-lo'". A vida precoce de Jesus reflete a dura realidade que inúmeros refugiados enfrentam hoje ao fugir de seus lares em busca de um refúgio seguro para viver em paz.

Quando beneficiamos alguém, demonstramos nosso amor pelo próprio Cristo. “Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me hospedastes” (Mateus 25:35). Que linda oportunidade Deus nos dá para mostrar que assim como Sua misericórdia nos alcança dia após dia, esta se reflete em nós ao termos compaixão pelos sofredores.

Jesus, o personagem que permanece através dos séculos, nos deixou uma grande lição de amor ao próximo: estender nossas mãos aos sofredores, como pontes de consolo e esperança. Não é por acaso que o segundo mandamento, o mais importante da Bíblia, é: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo."

Embora a palavra 'refugiado' não se encontre nas Escrituras, o coração de Deus pelo estrangeiro, o forasteiro e o peregrino é claro, assim como Seu chamado para que Seus seguidores amem ao próximo como a si mesmos. "Ele defende a causa do órfão e da viúva e ama o estrangeiro que reside entre vocês, dando-lhe alimento e roupa. Vocês também devem amar os estrangeiros, pois vocês mesmos foram estrangeiros no Egito" (Deuteronômio 10:18-19).

Na reunião de despedida com os discípulos, Jesus lhes deu uma garantia que ainda hoje aquece o coração de muitos peregrinos: “Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar. E, quando eu for e vos preparar lugar, virei outra vez…” (Jo 14:1-3; grifos acrescentados).

O ACNUR (Agência da ONU para Refugiados) registrou 117,8 milhões de pessoas em situação de deslocamento forçado globalmente até o final de 2025, sendo 41,6 milhões estritamente classificados como refugiados. São pessoas buscando refúgio dentro ou fora de suas fronteiras nacionais. E receosas com um possível aumento desordenado da população, as autoridades de alguns países estão preocupadas com o alto fluxo de imigrantes e estão fechando cada vez mais suas fronteiras, porém, na Canaã celestial há espaço suficiente para todos os refugiados deste mundo.
"Na Bíblia, a herança dos salvos é chamada um país. Há ali casas para os peregrinos da Terra. Estamos em caminho para casa. Aquele que nos amou de tal maneira que morreu por nós, construiu para nós uma cidade. A Nova Jerusalém é o nosso lugar de repouso. Não haverá tristeza na cidade de Deus. Nenhum véu de infortúnio, nenhuma lamentação de esperanças frustradas e afeições sepultadas serão jamais ouvidas" (Ellen White - O Lar Adventista, p. 543).

quinta-feira, 30 de julho de 2026

MEDITAÇÃO #47 - AGORA

"Jesus disse: Eu sou..." (João 11:25).

João é o evangelho dos amigos de Deus. Com palavras simples, o pescador anuncia aos crentes das futuras gerações o efeito milagroso de um relacionamento real com Cristo. Hoje, uma grande lição de um pequeno verso.

Lázaro morreu. A casa dos amigos de Jesus foi visitada pela morte. Maria se trancou no quarto e Marta ficou na beira da estrada, à espera de quem trazia respostas e consolo do Céu.

Jesus chega. E mesmo antes de saudá-Lo, Marta desabafa, num misto de fé e descrença: "Se o Senhor tivesse vindo antes, meu irmão não teria morrido". Ela acreditava no poder de Cristo em realizar milagres. Seus olhos eram testemunhas de curas, libertações - no passado. Mas agora parecia improvável, impossível. Jesus falou de ressurreição, ao que a enlutada reagiu com uma esperança tímida, quase formal. "Eu sei que meu irmão vai ressuscitar no último dia". Ela conhecia as profecias quanto ao futuro. Conhecia o Messias, mas não como Ele desejava ser conhecido. Cristo interrompe o discurso conhecido para anunciar o que talvez ainda não havia sido percebido. "Eu sou a ressurreição e a vida".

Os holofotes são roubados do passado, ou mesmo do futuro. Cristo apresenta a força do seu poder agora. "Eu sou". É presente, é aqui e agora. Cristo tem milagres para agora. Os milagres do passado são história, os do futuro, anúncios de vitória. Os milagres mais reais são os milagres do agora.

Cristo tem poder para mudar gostos e hábitos agora. Tem força para consertar relacionamentos quebrados agora. Tem poder para suprir e consolar agora. Tem respostas sábias agora. Tem perdão agora. Tem novos planos agora. Tem poder para dar sentido à vida agora, pois Ele mesmo é a vida.

E agora? De que milagre você precisa? 

Agora.
"Agora é o tempo em que não podemos nem por um instante desviar de Cristo Jesus os olhos espirituais" (Ellen White - Para Conhecê-Lo, p. 348).

quarta-feira, 29 de julho de 2026

MEDITAÇÃO #46 - DORES DE PARTO

"Pois sabemos que toda a criação geme em conjunto como se sofresse dores de parto até agora" (Romanos 8:22).

Nesta passagem bíblica, Paulo afirma que toda a criação geme e sofre dores de parto devido ao pecado, uma criação prenha prestes a dar à luz a nova Terra profetizada nas Escrituras. O texto retrata o sofrimento do mundo sob a maldição e aponta para a esperança da restauração física e cósmica na segunda vinda de Cristo.

Não há com o que se preocupar em se tratando do futuro da criação. Deus a está conduzindo com Suas habilidosas mãos. Ele mesmo será o obstetra que fará o parto do novo céu e da nova terra, cuja gestação já dura quase dois mil anos, desde que o espírito de Cristo se rendeu na cruz e o seu corpo foi semeado na terra. Em Cristo, terra e céu contraíram núpcias e aguardam ansiosamente a chegada do fruto desta união (Ef 1:10).

Não sabemos ainda quanto tempo falta. Mas pela intensidade das contrações e os intervalos cada vez menores entre elas, pode-se dizer que o parto está mais próximo do que nunca.

O retorno glorioso de Jesus a este planeta coincidirá com o momento do parto. A qualquer momento a bolsa se romperá. Os filhos de Deus se revelarão (Rm 8:19). A glória do Senhor será vista em toda a terra.

Não há como precisar quando se dará isso. De qualquer forma, para os que deixam esta existência, o momento é imediato. Somos removidos da dimensão espaço-temporal, e remetidos como que num túnel do tempo, direto para o mais esperado dia da história, o Dia do Senhor.

Engana-se quem imagina que tal evento será o fim do mundo. Cristo não virá para destruir a Terra, mas para restaurá-la (At 3:21). 
"O grande plano da redenção tem como resultado trazer de novo o mundo ao favor de Deus, de uma maneira completa. Tudo que se perdera pelo pecado é restaurado. Não somente o homem é redimido, mas também a Terra, a fim de ser a eterna habitação dos obedientes. Na restauração final de todas as coisas, quando houver “um novo céu e uma nova Terra” (Apocalipse 21:1), o Éden deverá ele ser restabelecido, mais gloriosamente adornado do que no princípio" (Ellen White - O Lar Adventista, p. 539).
A atual condição da criação não é sua condição final; é antes como uma mãe que geme com as dores de parto. A criação inteira tem um destino planejado por Deus, e deseja ardentemente que seja cumprido, tal como se sucede com os próprios crentes.

terça-feira, 28 de julho de 2026

MEDITAÇÃO #45 - OVELHAS

"O Senhor é meu pastor" (Salmo 23:1).

É mais confortável pensar que com Deus podemos ser como águias (Is 40:31) que renovam suas forças e voam muito alto, ou como pombas (Mt 10:16), que são simples e discretas. Mas... ovelhas?

Em seu poema mais conhecido, Davi se compara a esse animal. Mas a figura romântica criada pela tradição cristã - que pinta bonitos quadros de pastores guiando seus rebanhos - esconde razões mais práticas para a escolha do poeta.

Ovelhas são sujas. Não tem nenhuma noção de higiene. Não se lavam, não se labem, como fazem outros animais. Seu pelo espesso só piora as coisas. Acumula sujeira e preserva um cheiro forte. Ovelhas fedem.

Ovelhas são tolas. Não tem inteligência aguçada. Não aprendem fácil. Alguém já viu ovelhas num circo? Ou algum curso de adestramento de ovelhas? Ovelhas tem visão limitada. São tolas.

Ovelhas são indefesas. Não possuem meios de defesa, tampouco de ataque. Não tem dentes afiados. Não tem garras fortes. Não voam, não correm muito rápido. Não assustam. Não caçam. Precisam de ajuda até para conseguir o próprio alimento. Ovelhas sozinhas se perdem, se ferem. São totalmente indefesas.

O salmo do pastor ganha outro significado para mim quando entendo que sou mais parecido com uma ovelha do que poderia imaginar sozinho.

Somos sujos também. Foi o mesmo Davi quem escreveu que já nascemos manchados pelo pecado (Salmo 51:5), e é assim mesmo. Somos maus, somos sujos. Mas pior que estar sujo, é não poder se limpar. É assim com homens e ovelhas... somos tolos. Nossa visão é curta. Nossos desejos, tortos. Escolhemos mal, mesmo quando o destino é claro. Somos teimosos, questionadores. Somos tolos... e somos indefesos. Nossa vida é frágil. Nosso inimigo, feroz. Nossos caminhos são perigosos. Não temos força. Não temos fé. Sozinhos caímos e sofremos. Somos totalmente indefesos.

Ovelhas e homens precisam de guia, de cura e de guarda - precisam de um pastor.
"De todos os animais, é a ovelha o mais tímido e destituído de elementos de defesa. Como o pastor terrestre conhece as ovelhas, assim o divino Pastor conhece o Seu rebanho, espalhado por todo o mundo. Jesus nos conhece individualmente, e comove-Se ante nossas fraquezas. Conhece-nos a todos por nome. Sabe até a casa em que moramos, o nome de cada um dos moradores. Como o pastor vai adiante das ovelhas, enfrentando primeiro o perigo do caminho, assim faz Jesus com Seu povo" (Ellen White - O Desejado de Todas as Nações, p. 339).