sexta-feira, 29 de maio de 2026

MEDITAÇÃO #6 - PREPARAÇÃO

Muito compreendemos sobre a importância da observância do sábado. O dia santo, no qual nós devemos pausar nossa rotina, descansar de nossos afazeres e contemplar ao Criador. Mas há ainda uma terceira característica do sábado: é um dia abençoado por Deus (Gênesis 2:1-3). Isso mesmo! Um dia que Deus separou para abençoar todos aqueles que o observam e guardam.

Adão e Eva foram a última obra de criação de Deus. E, ao vir ao mundo, eles apenas descansaram e contemplaram toda a criação de Deus. Não havia nada que o homem e a mulher necessitassem, porque Deus havia cuidado de tudo. Deus os sustentava. Era o nosso Deus. E essa é, provavelmente, uma das coisas mais importantes do sábado: a benção de reconhecer e confiar na provisão divina. Mas, para usufruir de toda a benção e plenitude sabática, o homem deve se preparar para esse dia – assim como Deus terminou toda a Sua obra de criação antes do sábado, no qual descansou. Dessa forma, Ele deu a Adão e Eva um exemplo de como deveriam se preparar para o dia de descanso. 

Ainda outra vez, o próprio Deus ensinou os israelitas a guardarem o dia santo, determinando que o povo se preparasse para recebê-lo: “Amanhã é o repouso, o santo sábado do Senhor; o que quiserdes cozer no forno, cozei-o, e o que quiserdes cozer em água, cozei-o em água; e tudo o que sobejar, ponde em guarda para vós até amanhã” (Êxodo 16:23).

O dia de espera do sábado se tornou tão importante para os judeus que o povo deu um nome específico para esse dia: o dia da preparação (paraskeué). Esse termo só aparece ligado ao dia anterior a um sábado, como pode ser visto nos evangelhos (Mateus 27:62; Marcos 15:42; Lucas 23:54; João 19:14,31 e 42).
“Embora a preparação para o sábado deva prosseguir durante toda a semana, a sexta-feira é o dia por excelência da preparação” (Testemunhos Seletos, vol. 3, p. 21). 
Apesar disso, muitas pessoas negligenciam o dia da preparação e deixam de receber as bençãos tão especiais que Deus reservou para o sábado.
"Devemos observar cuidadosamente os limites do sábado. É bom lembrar que cada minuto é tempo sagrado. Sempre que possível, os patrões deverão conceder aos empregados as horas que decorrem entre o meio-dia da sexta-feira e o começo do sábado. Dessa forma, terão tempo para a preparação, a fim de poderem saudar o dia do Senhor com sossego de espírito. Assim procedendo não sofrerão nenhum prejuízo, nem mesmo quanto às coisas materiais" (Conselhos para a Igreja, p. 268).
Um dos princípios que a Bíblia nos ensina é a organização – através da qual podemos esperar em paz e tranquilidade o descer do pôr-do-sol. Todos os dias devemos manter o princípio em mente. Lavando o que se suja; colocando no lugar o que se tirou; limpando o chão e os móveis; preparando aquele bolo quentinho para as crianças. Diariamente – e no paraskeué pela tarde. Porque, se não agirmos desta forma na sexta-feira, ficaremos sobrecarregados demais para poder pensar em descansar.
"Durante a semana, teremos o cuidado de não gastar as energias com trabalho físico a ponto de, no dia em que o Senhor repousou e Se restaurou, estarmos fatigados demais para tomar parte no Seu culto" (Testemunhos Seletos, vol. 3, p. 21).
Irônico, né? Estar preocupado no dia em que você deveria se esvaziar do que te ocupa. Se esvaziar do que tira seu sono. Do que te tira a conexão com Deus. De todos os problemas que podem esperar. Afinal, Deus não é a solução? Portanto, se organize, para poder participar plenamente do culto de pôr-do-sol com seus filhos. E acordar no dia seguinte para a Escola Sabatina com o ar de quem sabe que é filho do Rei. Por isso, programe-se! Mas existe também um detalhe bem importante:
"Há ainda outro ponto a que devemos dar a nossa atenção no dia da preparação. Nesse dia todas as divergências existentes entre irmãos, tanto na família como na igreja, devem ser removidas. Afaste-se da alma toda amargura, ira ou ressentimento" (Testemunhos Seletos, vol. 3, p. 22).
E, no sábado, descanse! Concentre suas atenções no estudo da Bíblia, na contemplação da natureza e no bem ao próximo. Afinal, é o dia dEle. Mas o maior presente é nosso.

quinta-feira, 28 de maio de 2026

MEDITAÇÃO #5 - SACUDIDURA

"Vou dar ordem e vou separar os bons dos maus em Israel, como quem separa o trigo da casca, sem perder um só grão" (Amós 9:9).

“Sacudidura” é uma palavra figurativa usada em nossa igreja que designa uma experiência especial de seleção entre o povo de Deus. A palavra vem do ambiente agrícola. Após a colheita, os grãos são peneirados e sacudidos, método que descarta os grãos quebrados e a palha é soprada para fora.

A sacudidura escatológica, conforme ensinam os adventistas, é um período que acontecerá antes da segunda vinda de Jesus Cristo, finalizando com o término do juízo investigativo no santuário celestial (fechamento da porta da graça), abrangendo tanto indivíduos como grupos.

Quem são os que deixarão a Igreja, sob a ação da sacudidura, identificados de forma geral sob as figuras do “joio”, “palha” e “mornos”? Em diferentes fontes, nos escritos de Ellen White, encontramos pelo menos 14 grupos que, eventualmente, deixarão a igreja:

1. Os autoenganados (Testemunhos para a Igreja, v. 4, p. 89, 90; v. 5, p. 211, 212).

2. Os descuidados e indiferentes (Testemunhos para a Igreja, v. 1, p. 182).

3. Os ambiciosos e egoístas (Primeiros Escritos, p. 269).

4. Os que recusam sacrificar-se (Primeiros Escritos, p. 50).

5. Os orientados pelo mundanismo (Testemunhos para a Igreja, v. 1, p. 288).

6. Os que comprometem a verdade (Testemunhos para a Igreja, v. 5, p. 81).

7. Os desobedientes (Testemunhos para a Igreja, v. 1, p. 187).

8. Os invejosos e críticos (Testemunhos para a Igreja, v. 1, p. 251).

9. Os fuxiqueiros, que acusam e condenam (Olhando Para o Alto, p. 236).

10. A classe conservadora superficial (Testemunhos para a Igreja, v. 5, p. 463).

11. Os que não controlam o apetite (Testemunhos para a Igreja, v. 4, p. 31).

12. Os que promovem desunião (Review and Herald, 18 de junho de 1901).

13. Os estudantes superficiais das Escrituras (Testemunhos para Ministros, p. 112).

14. Os que perderam a fé no dom profético (Mensagens Escolhidas, v. 3, p. 84).

A purificação da igreja virá, mas administrada pelo Senhor da igreja. Contudo, a igreja não cairá, e por fim, novos conversos ocuparão os lugares dos que se retirarem.
"A igreja talvez pareça como prestes a cair, mas não cairá. Ela permanece, ao passo que os pecadores de Sião serão lançados fora na sacudidura - a palha separada do trigo precioso. Os lugares vagos nas fileiras serão preenchidos pelos que foram representados por Cristo como tendo chegado na hora undécima. O Senhor olhará para eles com ternura. Seu coração compassivo se enternece, e a mão do Senhor ainda está estendida para salvar, enquanto a porta é fechada para os que não querem entrar. Será admitido um grande número de pessoas que nestes últimos dias ouvirem a verdade pela primeira vez" (Ellen White - Eventos Finais, p. 182).

quarta-feira, 27 de maio de 2026

MEDITAÇÃO #4 - PARÁBOLA DO RATO

Era uma vez, uma menina que não tinha um rato. Mas, talvez influenciada pela popularidade de figuras como Mickey Mouse, Jerry, Stuart Little, Remy, Speedy Gonzales, a garotinha resolveu que queria porque queria um... Assim, toda manhosa, foi contar para o pai de sua mais nova e estranha necessidade.

Mas o pai não concordou com a ideia, explicando o perigo de ter um ratinho - as doenças, a sujeira, e essas coisas. A menina insistiu, chorou, esperneou, mas nada mudou a ordem estabelecida. O tempo passou, e o pai teve que fazer uma viagem. Iria passar dias longe, trabalhando. A família ainda se despedia na sala, quando a ideia veio.

A pequena correu para o quarto, abriu uma das gavetas e encontrou o cofrinho. Não pensou duas vezes: quebrou o porco, pensando no rato, juntou as moedas e saiu de casa, dando à mãe uma desculpa qualquer. Foi à loja de animais que ficava ali perto.

Aproximou-se do balcão e, mesmo sem conseguir enxergar quem estava do outro lado, entregou o saco de moedas, dizendo: "Me dá um rato, moço". O moço, que não tinha nada com a história, pegou as moedas e lhe entregou o bicho. A mocinha voltou para casa toda feliz. Trancou-se no quarto e começou a brincar com o novo amigo. E brincou, brincou, brincou... e fim.

O problema é que enquanto a menina amar mais o rato que o pai, ela não vai querer que o pai volte. Mas ele vai voltar. Por isso, cuidado com os ratos.
"Meu irmão, minha irmã, insisto a que vos prepareis para a vinda de Cristo nas nuvens do Céu. Dia a dia lançai de vosso coração o amor do mundo. Homem algum pode ser seguidor de Cristo e pôr ainda nas coisas deste mundo as afeições. Em sua primeira epístola, João escreve: “Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele” (1 João 2:15)" (Ellen White - Nos Lugares Celestiais, p. 342).

terça-feira, 26 de maio de 2026

MEDITAÇÃO #3 - RELÂMPAGO

"Eu sou a Luz que veio ao mundo para que todo aquele que crer em mim não viva mais na escuridão" (João 12:46 MSG).

Nunca tive medo do escuro. Aliás, quando era garoto passava horas na varanda de casa, simplesmente observando as noites escuras e chuvosas de janeiro. Ficava impressionado com a mistura de sons e imagens que uma noite de tempestade oferece. Esforçava-me para descobrir de onde vinham os relâmpagos e me encantava com o cenário revelado por cada um deles. Quando sua luz rasgava o céu, eu podia ver tudo a minha volta, mesmo que por poucos instantes. E nem toda a escuridão que vinha depois era capaz de esconder o que antes era invisível. Descobri que depois do relâmpago, a escuridão não é a mesma.

Jesus é o relâmpago da história. É a luz enviada ao mundo para revelar o verdadeiro caráter de Deus e iluminar os cantos escuros do coração humano. Ele que veio trazer perdão, esperança e cura, traz consigo também a visão necessária para a caminhada de fé. Visão que nos permite enxergar certos gostos, hábitos, estilos de vida que de outra forma não perceberíamos. Claridade que invade a sala de nossa consciência e nos faz ver as coisas como Deus as vê.

Ellen White diz: "Cada raio de luz que o Céu envia é essencial para a nossa salvação. Estamos a viver nos últimos dias e o Senhor não tenciona deixar-nos em trevas e incerteza. Cristo é tudo para aqueles que O recebem. Ele é seu Confortador, sua segurança, sua saúde. À parte de Cristo não há luz alguma. Não precisa haver uma nuvem entre a pessoa e Jesus. Seu grande coração de amor anseia inundar a vida com os brilhantes raios de Sua justiça" (Exaltai-O, p. 252).

Nascemos num planeta escuro. E a escuridão inda teima em manchar sonhos, relacionamentos, sentimentos... Vivemos ameaçados pelos cativeiros gris do pecado, afetados pelas trevas. Mas quando a noite parecer inviolável, lembre-se: Jesus é o relâmpago da história. Depois que Ele cruza nosso caminho, a escuridão de nossa vida nunca mais será a mesma.

Que você experimente hoje a luz desse encontro.

segunda-feira, 25 de maio de 2026

MEDITAÇÃO #2 - PROCURA-SE UM PASTOR

A meditação de hoje é um texto que traduzi e adaptei. Trata-se da ficção de uma igreja que teria feito entrevistas com vários candidatos a pastor e, então, descreve o perfil dos entrevistados, para que outras igrejas não percam tempo com esses desclassificados:

Noé: Tem a experiência de 120 anos de pregação, mas sem nenhum converso, exceto alguns membros da própria família. Não agradaria a Associação.

Moisés: Gagueja ao falar e sua congregação anterior afirma que ele se exaspera com facilidade. Além disso, já é muito velho.

Salomão: Tem a fama de sábio, mas falha em praticar aquilo que prega.

Elias: Personalidade depressiva e inconstante. É conhecido por desanimar-se sob pressão e deixar-se intimidar sob ameaças femininas.

Oseias: Vida familiar em sérias dificuldades. Seria um embaraço para a igreja.

Jeremias: Muito emotivo e alarmista. Uma personalidade problemática. Incomoda as pessoas com suas lamentações.

Amós: Suas origens não o recomendam. Vem da zona rural, e julgamos que é melhor que ele continue colhendo figos bravos.

João Batista: Diz ser batista, mas não tem muito tato com as pessoas e veste-se como um hippie. Deixaria os membros constrangidos.

Pedro: Desequilibrado emocionalmente. Além disso, ouvimos dizer que ele anda negando a Cristo publicamente.

Paulo: Também falta-lhe tato. Muito duro no que diz e escreve. Além do mais, sua aparência não o recomenda. Seus sermões são muito longos.

Timóteo: Apresenta algum potencial, mas é ainda muito jovem.

Jesus: Tende a ofender os membros, especialmente os tradicionais e eruditos. Além disso, é muito controverso e falta-Lhe diplomacia. Chegou mesmo a criar mal-estar entre os membros de nossa comissão administrativa com Suas perguntas desconcertantes.

Judas: Esse foi o único que julgamos adequado para a função pastoral. Prático, veste-se com requinte. Demonstra habilidade na administração dos recursos; preocupa-se com os pobres e é bem relacionado.

Isso me faz pensar: Que tipo de pessoas temos valorizado? Quem temos considerado apto a realizar a obra de Deus?
"Grande cuidado deve ser exercido na escolha de homens para essas posições de confiança. Deve haver fervorosa oração em busca de iluminação divina" (Ellen White - Liderança Cristã, p. 86).

sexta-feira, 22 de maio de 2026

MEDITAÇÃO #1 - ANJOS EM FORMA HUMANA

A palavra anjo vem da palavra grega aggelos, que significa “mensageiro”. Muito sobre os anjos é misterioso, mas não o seu trabalho. Esses seres celestiais são anjos ministradores e frequentemente se disfarçam na forma de seres humanos. Ellen White nos conta mais sobre eles:

"Como estranhos conversam com aqueles que estão empenhados na obra de Deus. Em lugares isolados têm sido companheiros de viajantes em perigo. Em navios castigados pela tempestade, anjos em forma humana têm proferido palavras de animação para desviar o temor e inspirar confiança na hora do perigo, e os passageiros têm julgado que era um dentre eles com quem nunca antes haviam falado. Estes anjos têm vindo desempenhar uma parte nesta vida. Têm falado em assembleias, e desenrolado histórias humanas perante essas assembleias, e realizado obras que seriam impossíveis para instrumentos humanos. Vez após vez, têm sido generais de exércitos. Têm sido enviados para eliminar pestilência. Têm-se alimentado à mesa de humildes famílias. Frequentemente têm aparecido como cansados viajores em necessidade de abrigo para a noite" (Cuidado de Deus, p. 284).

A Bíblia põe muita ênfase na prática da hospitalidade. Não somente a recomenda como um dever, mas apresenta muitos belos quadros do exercício desta graça e das bênçãos que ela traz. Ellen White destaca alguns exemplos:

"O privilégio concedido a Abraão e a Ló, não nos é negado a nós. Mostrando hospitalidade aos filhos de Deus nós, também, podemos receber-Lhe os anjos em nossa morada. Mesmo nos dias atuais, anjos em forma humana entram no lar dos homens e são aí hospedados por eles. E os cristãos que vivem à luz do rosto de Deus estão sempre acompanhados por anjos invisíveis, e esses seres santos deixam após si uma bênção em nosso lar" (O Lar Adventista, p. 445).

Mas infelizmente os anjos maus, caídos, também nos visitam e se fazem passar por humanos. Ellen White narra assim:

"Satanás usará toda oportunidade para seduzir os homens e desviá-los de sua lealdade a Deus. Ele e os anjos que caíram com ele aparecerão na Terra como homens, procurando enganar. Anjos de Deus também aparecerão como homens, e usarão todos os meios ao seu alcance para frustrar os desígnios do inimigo. Anjos maus em forma humana falarão com os que conhecem a verdade. Eles interpretarão mal e desvirtuarão as declarações dos mensageiros de Deus. Anjos maus, disfarçados como crentes, atuarão em nossas fileiras para introduzir um forte espírito de descrença" (Eventos Finais, p. 160).

Estes agentes satânicos sob forma humana também tomarão parte neste último grande conflito para opor-se à edificação do reino de Deus. Anjos celestiais em aparência humana também estarão no campo de ação. Os dois partidos antagônicos prosseguirão existindo até o encerramento do último grande capítulo da história deste mundo.

Na vida futura compreenderemos coisas que aqui nos fazem muito perplexos. Reconheceremos então quão forte Ajudador tínhamos, e como os anjos de Deus eram comissionados para nos guardar ao seguirmos o conselho da Palavra de Deus. E depois, seremos recompensados com um maravilhoso encontro na eternidade. Ellen White conclui:

"Todo remido compreenderá o serviço dos anjos em sua própria vida. Que maravilha será entreter conversa com o anjo que o guardou desde seus primeiros momentos, que lhe vigiou os passos e cobriu a cabeça no dia de perigo, que com ele esteve no vale da sombra da morte, que assinalou o seu lugar de repouso, que foi o primeiro a saudá-lo na manhã da ressurreição, e dele aprender a história da interposição divina na vida individual e da cooperação celeste em toda a obra em prol da humanidade" (Educação, p. 305).

Que possamos manter nosso coração cheio das preciosas promessas de Deus para que possamos proferir palavras de conforto e fortalecimento aos outros. Assim aprenderemos a linguagem dos anjos celestes, os quais, se formos fiéis, serão nossos companheiros ao longo das eras eternas.

quarta-feira, 20 de maio de 2026

"SÁBADO NACIONAL" DA CASA BRANCA

No dia 4 de maio de 2026, o presidente dos EUA, Donald Trump, emitiu uma proclamação reconhecendo maio como o Mês da Herança Judaico-Americana, dando continuidade a uma prática pioneira estabelecida em 2006, durante o governo do presidente George W. Bush. Mas, ao contrário das proclamações anteriores, a declaração de Trump para 2026 rapidamente chamou a atenção on-line devido à sua referência explícita a um “sábado nacional” e ao seu apelo para que estadunidenses “de todas as origens” se unissem em gratidão, oração e reflexão durante uma celebração nos dias 15 e 16 de maio.

“Em homenagem especial aos 250 gloriosos anos da independência americana”, declarava a proclamação, “os judeus americanos são encorajados a observar um sábado nacional. Do pôr do sol de 15 de maio ao anoitecer de 16 de maio, amigos, famílias e comunidades de todas as origens podem se reunir em gratidão por nossa grande nação.”

Embora a proclamação não estabeleça uma lei ou uma observância religiosa obrigatória, a expressão “sábado nacional” se espalhou rapidamente pelas redes sociais, pelos canais de comentários do YouTube e pelos ministérios focados em profecias—especialmente entre o público adventista do sétimo dia, historicamente atento a questões envolvendo a observância do sábado, as relações entre Igreja e Estado e a liberdade religiosa.

Algumas vozes adventistas online consideraram a proclamação um reconhecimento público incomum do sábado por um presidente dos EUA. Outras alertaram contra interpretações sensacionalistas, ressaltando que a proclamação não tem força legal, nem aplicabilidade civil. Uma das reações mais assistidas foi a de Bradley Burnham, o fundador de Strange Normal, um ministério independente dentro da comunidade adventista. Em cinco dias, o comentário de Burnham no YouTube sobre a proclamação ultrapassou 230.000 visualizações.

No vídeo, Burnham explicou que o decreto era historicamente significativo porque fazia referência específica ao período do sábado: da noite de sexta-feira à noite de sábado. “Quando foi a última vez em que um presidente em exercício dos Estados Unidos convocou todos os americanos a observarem o sábado?”, perguntou Burnham. “A resposta é: nunca.”

Burnham concentrou-se no apelo da proclamação a que “todos os americanos” celebrassem sua fé e liberdade, “especialmente no Shabat”, explicando que a redação ampliava o convite para além dos judeus americanos. Ao mesmo tempo, Burnham alertou os telespectadores para que não considerassem a proclamação um cumprimento de Apocalipse 13 ou uma representação da “marca da besta”.

“Esta proclamação não é Apocalipse 13”, disse ele, observando que o documento usa linguagem voluntária, como “encorajado” e “pode se reunir”, em vez de coerção ou imposição.

Ainda assim, Burnham sugeriu que o decreto poderia estabelecer um precedente para futuras observâncias religiosas apoiadas pelo governo. “O primeiro passo não é o decreto dominical”, disse ele. “O primeiro passo é o governo federal criar espaço. É abrir espaço para que a observância religiosa seja coordenada em nível nacional.”

Outro ministério independente que se manifestou sobre o assunto foi o Pathway to Paradise Ministries, liderado pelo palestrante e diretor Tim Rumsey. Em outro vídeo no YouTube, Rumsey argumentou de forma semelhante que a proclamação não era uma lei do sábado, uma vez que não previa penalidades legais nem mecanismos de aplicação. No entanto, Rumsey afirmou que a proclamação ainda era significativa, porque criou o que ele descreveu como “um precedente legal” para que futuros presidentes designassem um “sábado nacional ou dia nacional de descanso”.

Rumsey também criticou a descrição do sábado na proclamação como uma “tradição judaica sagrada”, argumentando que o sábado é anterior ao judaísmo e foi “feito para o homem”, fazendo referência à declaração de Jesus nos Evangelhos.

Essas e outras reações on-line refletem o interesse de longa data dos adventistas em questões relacionadas à intervenção do governo na religião. Historicamente, os adventistas têm promovido a liberdade de consciência, ao mesmo tempo que ensinam que o sábado, o sétimo dia da semana, permanece uma instituição bíblica estabelecida na Criação, antes mesmo da existência da nação judaica.

A declaração mais abrangente da Casa Branca focou-se principalmente na história judaico-americana, fazendo referência à carta de 1790 do Presidente George Washington à Congregação Hebraica em Newport, Rhode Island, na qual ele prometia liberdade religiosa e proteção contra a perseguição, bem como esforços contínuos para combater o antissemitismo. Trump afirmou que seu governo estava “combatendo agressivamente a violência contra os judeus americanos” e trabalhando para acabar com “o flagelo do antissemitismo em todas as nossas instituições, especialmente nos campi universitários”. Ele também descreveu a liberdade religiosa como “um direito sagrado que continua a guiar nossa nação”.

Mas, para muitos espectadores online focados em profecias adventistas, a expressão que se destacou foi uma só: “sábado nacional”.