quarta-feira, 30 de setembro de 2026

MEDITAÇÃO #94 - EXTREMISTAS

Você conhece bem esses dois tipos. O primeiro é marcado por zelo sem entendimento; o segundo, por opiniões avançadas e liberais. Eles promovem muito barulho, mas o resultado é como o metal que soa ou como o sino que tine" (1Co 13:1). Eles nunca se dão, mas conseguem o mesmo resultado: a destruição da vida espiritual da igreja. 

Antes de tentarmos esboçar o perfil destes extremistas, do fanático e do liberal, seria interessante registrar o que o Espírito de Profecia fala sobre Jesus, nosso modelo: "O Salvador nunca foi a extremos, nunca perdeu o domínio de Si mesmo, nunca violou as leis do bom gosto. Sabia quando convinha falar, e quando guardar silêncio. Estava sempre na posse de Si mesmo. Nunca errou no ajuizar os homens ou a verdade" (Obreiros Evangélicos, p. 317).

O fanático — O perfil desse personagem é um guarda-chuva que inclui fanatismo pela reforma de saúde, fanatismo pelos tratamentos naturais, fanatismo pela observância exterior das normas da igreja, fanatismo pela pontualidade, fanatismo pela "boa música", etc. Evidentemente, precisamos promover a reforma de saúde, usar os remédios da Natureza, observar as normas da igreja, pautar nossa vida pela ordem e pontualidade e ouvir ou cantar músicas que promovam nosso desenvolvimento espiritual. O fanático, no entanto, não vai ao cerne das coisas. Fica apenas na superfície, no aspecto mecânico. O importante para ele não é mudança de caráter, mas conformação com a letra do sistema que ele defende. Ao pregar, faz de sua "mensagem" um chicote. Enfim, o fanático não vê Cristo na mensagem, não enxerga o amor, não estende o braço de misericórdia, não sabe conjugar os verbos salvar e recuperar. Seu verbo favorito é expurgar. 

O liberal — Para o liberal, o campo é o mundo. Nada de restrições, normas e regras. Toda vez que ouve um sermão sobre santificação, parece dizer: "Já vem com religião comportamental". Tem alergia a princípios e normas. A marca de sua religião é "tolerância sem compromisso". O que importa, diz, é o que está no coração. O liberal, à semelhança do fanático, pensa sozinho. Só que está mais interessado em liberdade. Mas confunde liberdade com liberdades. Não entende que liberdade é fazer o que convém, e liberdades são caprichos fora da ordem. O liberal é, ao mesmo tempo, promotor e símbolo do mundanismo na igreja. Gosta da doutrina da justificação pela fé sem nenhuma relação com a santificação do caráter. Gosta de falar sobre o que Cristo faz por nós e odeia ouvir sobre o que Ele deseja fazer em nós. Gosta de saber que Cristo nos livra da culpa do pecado, mas abomina ouvir que Ele deseja nos livrar do domínio do pecado.

Através dos séculos, a Igreja tem sido fustigada por esses dois personagens: o fanático e o liberal. O primeiro, torna o caminho mais estreito do que na verdade é; o segundo, alarga-o generosamente. Eles estão em pólos opostos, mas têm um ponto em comum: pensam sozinhos, pois não admitem parceria com o Espírito Santo. 

O que nos interessa, acima de tudo, é o perfil do cristão genuíno. Ellen White nos indca o caminho: "Muitos são fanáticos. São consumidos por um ardente zelo, o qual é tomado por religião. Outros vão a outro extremo em sua conformidade com o mundo. Os que seguem o exemplo de Cristo não serão extremistas. Cultivarão a calma e a posse de si mesmos. A paz que se manifestava na vida de Cristo se patenteará na deles" (Testemunhos Seletos 1, p. 169).

Peçamos a Deus que nos ajude a desenvolver uma vida equilibrada, uma visão cristocêntrica da santificação do caráter. Submetamo-nos à influência modeladora do Espírito Santo, para que nossa conduta reflita os encantos da ética cristã. Agindo assim, expurgaremos de nosso coração todo extremismo, e a atmosfera de nossas igrejas se tornará doce e aprazível. Um ninho de amor e justiça.

terça-feira, 29 de setembro de 2026

MEDITAÇÃO #93 - GRITO

"Aí Jesus deu um grito forte e morreu” (Marcos 15:37 NTLH).

Não há um jeito mais humano de morrer – um grito. Na cruz, os lábios que só conheciam benção, louvor e cura são de repente violados por um grito – expressão que ultrapassa as barreiras do tempo, do espaço, da linguagem, e comunica mais que as próprias palavras.

Sombras intrusas roubam as cores do espetáculo sinistro que toma lugar. Escuridão... Se em Seu nascimento houvera luz à meia-noite, em Sua morte há trevas ao meio-dia. Ausência de luz, denunciando a ausência do Pai. E um grito de dor. Nada poderia feri-Lo com maior intensidade do que a estranha sensação de abandono do céu.

O quadro romântico que os artistas pintaram ao longo da história não passa de uma fórmula adulterada da cena vexatória protagonizada por um homem nu. Na Bíblia, nudez é um símbolo de pecado. Onde há nudez, há pecado. Foi assim no Éden, na criação, quando o primeiro casal pecou. Foi assim depois do dilúvio, na recriação, quando Noé pecou. É assim na mensagem profética para a última igreja, nas cartas do Apocalipse. O mesmo aconteceu na cruz... Ali, sobre dois toscos pedaços de madeira, toda vergonha do mundo repousava num só homem. Deus estava nu. Em Cristo, Deus tomou nosso pecado. Carregou todas as vergonhas consigo, mas nem sequer uma delas era Sua. Era peso demais. Era estranho demais.

E um grito cortou o coração da mãe, sangrou o coração do pai, mas dividiu a história em duas. Um grito rasgou o diafragma do pecado e alcançou o céu, para dar sentido a todos os gritos de quem se sente perdido, mas não encontra em si meios de salvação.

As dores de Cristo são a cura para cada alma perdida. O grito da cruz é a melodia do céu, é a canção dos salvos. Que esse grito encontre eco em seu coração. Que você encontre vida em Cristo.
"Não foi o sofrimento físico que pôs tão rápido fim à vida de Cristo na cruz. Foi o peso esmagador dos pecados do mundo... arrancando-Lhe dos pálidos e trêmulos lábios um angustioso grito, e exclamado com Seu último suspiro: 'Está consumado'. Oh! que amor! Que assombroso amor. Cristo sofreu a morte que nos cabia, a fim de podermos receber a vida que Lhe pertencia" (Ellen White - Testemunhos Seletos 1, p. 231).

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

MEDITAÇÃO #92 - MAGNIFICAT

Logo após ter ouvido o anúncio do arcanjo Gabriel, de que ela fora escolhida por Deus para ser a mãe de Jesus, Maria foi visitar sua prima Isabel. Na ocasião entoou uma canção de louvor e gratidão, registrada no Evangelho de Lucas. Seu cântico ficou conhecido como Magnificat:

"A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador; porque atentou na condição humilde de sua serva; desde agora, pois, todas as gerações me chamarão bem-aventurada, porque o Poderoso me fez grandes coisas; e santo é o seu nome. E a sua misericórdia vai de geração em geração sobre os que o temem. Com o seu braço agiu valorosamente; dissipou os soberbos no pensamento de seus corações. Depôs dos tronos os poderosos, e elevou os humildes. Encheu de bens os famintos, e despediu vazios os ricos. Auxiliou a Israel seu servo, recordando-se da sua misericórdia; como falou a nossos pais, para com Abraão e a sua descendência, para sempre" (Lucas 1:46-55).

Embora tivesse "sangue azul", pois pertencia à dinastia de Davi, Maria viveu na simplicidade e no anonimato, casada com um operário braçal. O trono antes ocupado por seus ancestrais, agora era ocupado por um rei marionete do império romano, cujo nome era Herodes. Seu povo vivia sob a tirania imperial. Maria era virgem, mas não ingênua. Humilde, mas não idiota. Santa, mas não alienada.

A jovem desposada com José era uma adolescente questionadora, com um espírito rebelde e revolucionário. Sua alma anelava por mudanças. Ao receber o anúncio trazido por Gabriel, ela soube que o ente gerado em seu ventre era a resposta aos seus anelos. Ellen White diz que "desde o dia em que ouvira o anúncio do anjo, no lar de Nazaré, entesourara Maria todo sinal de que Jesus era o Messias. Sua doce e abnegada existência assegurava-lhe que Ele não podia ser outro senão o Enviado de Deus" (Filhas de Deus, p. 38).

Como que vislumbrando o futuro, Maria declarou profeticamente que Deus havia deposto os poderosos do trono, e elevado os humildes. Ela fala como alguém que vivia além do seu próprio tempo. Era como se fosse uma visitante proveniente do futuro. Pra ela, tais fatos não aconteceriam um dia, mas já teriam acontecido. Deus já teria enchido de bens os famintos, e despedido vazios os ricos. Se isso não é uma revolução social, o que é, então?

Os defensores do status quo preferem espiritualizar passagens como esta, para que se encaixem em sua agenda ideológica e política. Porém, a jovem Maria não está falando de coisas estritamente espirituais, mas concretas, abrangendo a realidade socioeconômica, política e cultural.

O nascimento de Jesus anunciava que o tempo havia sido subvertido, e o futuro invadira o presente. A ordem predominante teria que ser colapsada para dar vazão ao Reino de Deus. A revolução há muito esperada fora deflagrada, e aquele seria, definitivamente, um caminho sem volta. Nunca mais o mundo seria como antes.

O cântico de Maria nos chama a questionar os tronos, romper com a soberba, rejeitar a idolatria do dinheiro e do poder, e lembrar que nenhum poder é absoluto diante do Reino de Deus. E que lá, os últimos serão os primeiros. 
"Os que mais abundante recompensa vão receber serão os que unem à sua atividade o zelo, bondosa e terna piedade para com os pobres, os órfãos, os oprimidos e os aflitos. Mas os que passam de largo, que estão ocupados demais para dar atenção ao que foi adquirido com o sangue de Cristo, verificarão que são os menores e os últimos" (Ellen White - Conselhos sobre Mordomia, p. 201).

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

MEDITAÇÃO #91 - RANÇO

Já há algum tempo a gíria "ranço" foi incorporada ao nosso vocabulário para descrever o sentimento de repúdio, raiva, desprezo e até nojo que uma pessoa pode desenvolver por algo ou alguém. Em posts ou memes nas redes sociais, é fácil dizer que "pegou ranço". Afinal, há uma tela de computador ou celular para nos proteger.

Na vida real, porém, será que é possível lidar com tanto sentimento negativo quando precisamos conviver com aquele ou aquela que se tornou alvo do nosso ranço? A verdade é que dá, sim. Porém, é necessário colocar em prática o sentido real de duas outras palavrinhas: empatia e empenho.

É possível saber lidar com emoções como nojo, raiva, frustração, medo e angústia de forma mais funcional, ou seja, sem desrespeitar ou despejar a ira em cima dos outros. Precisamos pensar que é importante rever nossas atitudes em relação às situações. Afinal, temos a chance de aprender algo em cada situação de nossas vidas. 

Um ponto importante em qualquer circunstância (profissional, social ou familiar) é avaliar se a convivência com a pessoa que provoca "ranço" é mesmo necessária. Se for, vale ponderar os termos dessa convivência: ela se baseia em bate-papos aleatórios ou exige um relacionamento mais estreito? O que puder evitar, evite, mas, se não puder escapar, o segredo está em fugir de assuntos controversos e de conversas em que o objetivo nunca é a troca de ideias, e, sim, expressar opiniões fechadas. Ellen White nos aconselha: "Devemos escolher a convivência mais favorável ao nosso progresso espiritual, aproveitando-nos de todo auxílio ao nosso alcance, pois Satanás colocará muitos obstáculos para tornar nossa marcha em direção ao Céu o mais difícil possível" (Mensagens aos Jovens, p. 419).

Uma das maneiras de reverter o "ranço" é puxar da memória as boas lembranças. Liste os favores que essas pessoas já fizeram para você, as viagens felizes que tiveram, os momentos especiais que compartilharam. Esforce-se para realimentar essas relações. Se são pessoas boas, sempre vale a pena. Tente entendê-las e lembre-se que você, vista com outros olhos, também não deve ser muito fácil de lidar em alguns aspectos, não é mesmo? Ellen White observa: "Detende-vos sobre as boas qualidades daqueles com quem estais associados, e olhai o menos possível para seus erros e fraquezas. Quando sois tentados a queixar-vos do que alguém disse ou fez, louvai alguma coisa na vida ou caráter dessa pessoa. Cultivai a gratidão" (A Ciência do Bom Viver, p. 492). 

"Ranço" também tem a ver com a intolerância à diversidade e à liberdade de expressão. Cada um de nós percebe e lida com a realidade de modo único, com base em nossas características e experiências pessoais. Por conta disso, é natural volta e meia sentir dificuldade em compreender e resistência em aceitar o que difere do nosso modelo perceptivo. Ellen White afirma: "Todas as relações sociais exigem o exercício do domínio próprio, paciência e simpatia. Diferimos tanto uns dos outros em disposições, hábitos e educação, que variam entre si nossas maneiras de ver as coisas. Julgamos diferentemente" (Idem, p. 483).

Encerro com esta maravilhosa mensagem do apóstolo Paulo:

"Por isso eu, que estou preso porque sirvo o Senhor Jesus Cristo, peço a vocês que vivam de uma maneira que esteja de acordo com o que Deus quis quando chamou vocês. Sejam sempre humildes, bem-educados e pacientes, suportando uns aos outros com amor. Façam tudo para conservar, por meio da paz que une vocês, a união que o Espírito dá. Há um só corpo, e um só Espírito, e uma só esperança, para a qual Deus chamou vocês" (Efésios 4:1-4 NTLH).

MEDITAÇÃO #90 - CORAÇÃO

"Cria em mim um coração puro, ó Deus" (Salmo 51:10).

O coração é responsável por receber o sangue que vem de todo o corpo e depois bombeá-lo de volta purificado. Normalmente, tem o tamanho da mão fechada de seu dono. Por sua importância para a vida, nas Escrituras, ele é apresentado simbolicamente como a sede dos pensamentos e das emoções. Porém, o coração humano está doente. Somos todos “cardiopatas”. 

Das páginas da Bíblia, guardo com cuidado especial os capítulos protagonizados por Davi. Suas vitórias e quedas, sua coragem e suas fugas, seus amores e guerras, suas orações, suas canções - cada uma dá cor peculiar ao quadro mais amplo da vida daquele a quem o próprio Deus chama "homem segundo meu coração" (Atos 13:22).

Numa das cenas mais escuras, num dos dias mais vazios, sobe ao céu uma oração. Um pedido angustiado, de quem pecou e simplesmente quer uma nova vida - um novo coração. Mas há nestas palavras uma força escondida. Davi pede: "Cria em mim, Deus"... mas o verbo "criar" usado aqui não é um verbo qualquer. é o hebraico barah - que indica um ato exclusivo de Deus, uma criação a partir do nada. O rei Davi toma emprestada a mesma expressão do Gênesis para descrever a criação necessária em sua existência. 

Talvez hoje ao olhar para sua vida, tudo que veja seja um emaranhado de escolhas erradas e consequências traumáticas. Talvez relacionamentos errados, decisões impensadas tenham roubado a luz e a forma de alguns sonhos seus. Talvez esses últimos dias estejam passando meio lentos, sob o peso de uma culpa, sem forma e vazios. Lembre que uma única palavra de Deus pode transformar as coisas. A mesma palavra que trouxe todas as formas e cores, todos os sons e sabores à existência, pode criar uma nova experiência, pode dar um novo sentido ao nada que somos.

Oro para que hoje você experimente recriação em Cristo e sinta mais uma vez a alegria da salvação.
"Homens e mulheres precisam experimentar o poder criador do Espírito Santo. Devem receber o coração novo, que é mantido brando e tenro pela graça do Céu. Ter um coração novo é ter novo espírito, novos propósitos, motivos novos. Qual é o sinal de um coração novo? Uma vida transformada" (Ellen White - Nossa Alta Vocação, p. 154).

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

MEDITAÇÃO #89 - PENSAMENTOS

Você assistiu ao filme “Do que as mulheres gostam”? Dirigido por Nancy Meyers e protagonizado por Mel Gibson e Helen Hunt, o longa foi sucesso de bilheteria em todo o mundo. A história é interessante. Nick Marshal (Gibson), depois de sobreviver a um acidente, em uma condição realmente extraordinária, desenvolve a capacidade de ouvir os pensamentos das mulheres. Com essa habilidade, passa a saber o que está na cabeça delas e, principalmente, de tudo o que elas gostam. E tira proveito desse dom.

Essa obra de ficção é, na verdade, uma interpretação de um fenômeno que há muito tempo preocupa à humanidade – a possibilidade de que possam ler e interferir no pensamento das pessoas. Essa é uma dúvida de muitas pessoas. Já presenciei uma pessoa ficar até doente pelo fato de acreditar que Satanás atuava em seus pensamentos, vendo o que ela pensava, e agindo também para que ela pensasse coisas más sobre Deus. Por isso, é importante analisarmos o que a Bíblia diz para que tenhamos paz.

De acordo com a Bíblia, o único que sabe os pensamentos de todas as criaturas do universo é Deus.
“Só tu, ó Deus, conheces os pensamentos secretos do coração humano” (1 Reis 8:39).

“O SENHOR conhece os pensamentos do homem..." (Salmos 94:11).

“SENHOR, tu me sondas e me conheces. Sabes quando me assento e quando me levanto; de longe penetras os meus pensamentos" (Salmos 139:1, 2).

De acordo com estes textos, este atributo é uma qualidade apresentada nas Escrituras apenas para o Eterno. Portanto, Satanás não pode ler os pensamentos dos seres humanos, pois a Bíblia não apresenta Satanás como possuidor da onisciência (que sabe tudo). Ellen White afirma: “Satanás não pode ler os nossos pensamentos, mas pode ver os nossos atos, ouvir-nos as palavras; e por meio do seu longo conhecimento da família humana, pode moldar suas tentações para tirar vantagem de nossos pontos fracos de caráter. E quão frequentemente lhe revelamos o segredo de como poderá obter vitória sobre nós!” (Mensagens aos Jovens, p. 328).

O inimigo poder saber o que está em nossos pensamentos através de nossas palavras e ações. Devemos ter muito cuidado no tipo de palavras que proferimos e como agimos. Não devemos dar chance a ele para que descubra todos os nossos defeitos de caráter. Quando ele descobre nossas fraquezas, passa a trabalhar em cima delas a fim que nos induza a pecar. Ele monta uma grande estratégia a fim de tentar nos pegar nos pontos fracos; e no momento em que ‘mostramos a ele’ nossos pontos fracos, mais chances damos às trevas para serem usadas contra nós.

Ellen White afirma também que Satanás não pode entrar na mente sem nosso consentimento: "Se vivemos inteiramente para Deus, não permitiremos que a mente se demore em imaginações egoístas. Se houver um meio qualquer pelo qual Satanás possa alcançar acesso à mente, ele semeará o seu joio e o fará crescer até que redunde em farta colheita. Em caso algum pode Satanás obter domínio sobre os pensamentos, palavras e ações, a menos que voluntariamente lhe abramos a porta e o convidemos a entrar. Ele entrará então, lançando fora a boa semente semeada no coração e tornando de nenhum efeito a verdade" (O Lar Adventista, p. 402).

Apesar de Deus nos ajudar a vencer, incluindo os maus pensamentos, isto não quer dizer que não tenhamos de fazer nossa parte. Devemos purificar nossos pensamentos, a fim de que não façamos ou falemos coisas erradas para que Satanás não tenha ainda mais armas para usar contra nós: Ellen White nos advenrte: “Precisamos de um constante senso do enobrecedor poder dos pensamentos puros, e da danosa influência dos pensamentos maus. Ponhamos nossos pensamentos em coisas santas. Sejam eles puros e verdadeiros, pois a única segurança para qualquer pessoa é o pensar correto. Devemos usar todos os meios que Deus pôs ao nosso alcance, para o governo e o cultivo de nossos pensamentos. Devemos pôr a mente em harmonia com a mente divina" (Carta 123, 1904).

A purificação dos pensamentos - uma comunhão com Deus tão profunda a ponto de nossa vida ser plenamente dEle – é o que mais necessitamos. Ore a Deus. Tenha certeza de que, mesmo orando em pensamento, Ele irá atender-lhe. Creia no Eterno Senhor. Aceite a Jesus como seu Salvador. Fazendo isto, sua vida será outra e sua vitória será certa.

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

MEDITAÇÃO #88 - NÃO CONVERSE COM A SERPENTE

Ao ser iniciada a leitura de Gênesis 3, o destaque fica por conta da sagacidade da serpente em seu diálogo com a mulher. O animal em si era inofensivo. Porém, o autor do Gênesis descreve a malignidade do diabo ao se apossar de uma criatura com propósito bem definido: destruir a felicidade da família humana. O campo semântico utilizado na interlocução com a mulher gera uma narrativa diametralmente oposta à de Deus.

A ordem expressa do Criador era a seguinte: “De toda árvore do jardim você pode comer livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal você não deve comer; porque, no dia em que dela comer, você certamente morrerá” (Gn 2:16, 17). Imagine a cena no contexto de uma redação de notícias. O editor provavelmente iria retirar o pronome indefinido “toda” e orientar o repórter a evitar o excesso de generalização. Porém, o relato de Gênesis é bem completo. Nos diálogos da narrativa, a utilização de ótimos conectores forma perfeita coesão e coerência no texto para que a verdade de Deus possa ser notada.

O diálogo chama a atenção pela convicção da serpente. Ela opina de acordo com sua imoralidade. Utiliza-se de argumento pseudocientífico a partir do conhecimento que possuía para confrontar o caráter de Deus. Para Eva, talvez existisse um hiato entre opinião e argumento, mas não para a serpente, que conhecia o bem e o mal, fruto da narrativa que Lúcifer criou no Céu (Is 14:12-14; Ez 28:13-19; Ap 12:7-9).

Adão e Eva não estavam ilesos às possibilidades negativas. Ellen White comenta: “Mensageiros celestiais explicaram a eles a história da queda de Satanás, e suas tramas para destruí-los, expondo mais completamente a natureza do governo divino, que o príncipe do mal estava procurando subverter” (Patriarcas e Profetas, p. 28). Em outras palavras, Eva não precisava dialogar com a serpente. Sem perceber, ela foi entrevistada pelo maior inimigo de Deus. Adão e Eva creram no repórter errado e no relato distorcido.

Ellen White descreve a serpente desta forma: "A fim de realizar a sua obra sem que fosse percebido, Satanás preferiu fazer uso da serpente como médium, disfarce este bem adaptado ao seu propósito de enganar. A serpente era então uma das mais prudentes e belas criaturas da Terra. Tinha asas, e enquanto voava pelos ares apresentava uma aparência de brilho deslumbrante, tendo a cor e o brilho de ouro polido" (A Verdade sobre os Anjos, p. 53). Usando a serpente como médium, Satanás achou um momento em que pôde se dirigir à mulher sozinha. Sempre é mais fácil persuadir uma pessoa a fazer algo errado quando ela está longe de um ambiente protetor. Tivesse Eva permanecido junto ao marido, sua presença teria sido uma proteção para ela, e a história sem dúvida teria tido uma sequência diferente.

A serpente escolheu um único texto para distorcer a história (Gn 3:1). Com a tese “científica” da serpente comprovada, uma vez que Eva não morreu, a mulher compartilhou a nova descoberta com o esposo (Gn 3:6). A tragédia foi tão grande que, mesmo após milênios, a serpente continua seduzindo os descendentes da mulher em seus multifacetados disfarces. Ellen White declara que "daquele tempo em diante o gênero humano seria afligido pelas tentações de Satanás" (História da Redenção, p. 40).

A partir do ocorrido no Éden, o melhor é não dialogar com a serpente. O mundo dela é obscuro e enigmático. Um mundo de mistério fora dos mistérios de Deus. Ellen White alerta: “Agentes invisíveis estão em operação para fazer com que a falsidade se pareça com a verdade; erros estão revestidos com uma roupagem enganadora para que os homens sejam levados a ­aceitá-los como essenciais a uma educação superior” (Medicina e Salvação, p. 88).

Por ocasião do lançamento do filme A Paixão de Cristo, Mel Gibson esteve presente a uma grande concentração de pastores na cidade de Chicago. Perguntaram-lhe por que tinha colocado uma mulher com véu para representar o mal. “O mal toma a forma de beleza, é quase bonito... ele se disfarça e se mascara, mas se as antenas de vocês estiverem ligadas, vão identificá-lo.”

Ellen White assim descreve o disfarce do mal: "Com palavras suaves e melodiosas, e com voz musical, [Satanás] dirigiu-se à maravilhada Eva. Ela se sobressaltou ao ouvir uma serpente falar. Esta exaltava a beleza e excessivo encanto [da mulher], o que não desagradou a Eva. Eva sentiu-se encantada, lisonjeada, bajulada" (A Verdade sobre os Anjos, p. 53). Eva realmente pensou que a serpente possuía conhecimento dos seus pensamentos, e que por isso devia ser muito sábia.

Nessa guerra de narrativas que existe há milênios, o melhor é ficar com a verdade objetiva de Deus, pois ela permanece como a segurança em meio ao pragmatismo das muitas serpentes camufladas de pessoas e conceitos parecidos com a verdade. Cuidado! Se antes do pecado já havia riscos, imagine em nossos dias!

Ellen White diz que "o pecado torna-se atrativo pela cobertura de luz de que Satanás o reveste" (Mensagens aos Jovens, p. 237). O pecado pode até parecer atrativo, mas não se esqueça: ele é igualmente mortal! Jesus pagou o preço da falha humana na cruz, e hoje está intercedendo por aqueles que são vítimas da tentação (Hebreus 2:18). Somente Ele pode lhe ajudar a vencer o diabo. Peça apoio lá do Alto para resistir aos apelos do inimigo e inibir para sempre o domínio da morte em sua vida. Portanto... não converse com a serpente!