quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Conheça a Linha do Tempo de Ellen G. White

Ellen G. White: 1827 – 1915

1827, 26 de novembro - Nasce em Gorham, Maine, EUA, irmã gêmea e mais nova de oito filhos.
1836 - Recebe uma pedrada que lhe quebrou o nariz.
1840, março - Ouve pela primeira vez Guilherme Miller apresentar a Mensagem do Advento.
1844, 22 de outubro - Passa pelo Grande Desapontamento.
1844, dezembro - Tem a primeira visão.
1846, 30 de agosto - Casa-se com Tiago White.
1846, agosto ou setembro - Aceita o sábado do sétimo dia.
1847, 3 de abril - Tem a visão do Santuário Celestial e do halo de luz sobre o quarto mandamento.
1847, 26 de agosto - Nascimento do primeiro filho, Henry Nichols White.
1848, 20-24 de abril - Assiste à primeira Assembleia dos Adventistas Observadores do Sábado, em Rocky Hill, Connecticut.
1848, novembro - Tem a visão de que deveria ser iniciada a obra de publicações.
1949, julho - Incentiva Tiago White a publicar Present Truth (Verdade Presente).
1949, 28 de julho - Nascimento do segundo filho, James Edson White.
1851, julho - Publicado seu primeiro livro A Sketch of the Christian Experience and View of Ellen G. White.
1854, 29 de agosto - Nascimento do terceiro filho, William Clarence White.
1855, dezembro - Publicado o opúsculo Testimony for the Church 1 (Testemunhos Para a Igreja).
1858, 14 de março - Tem a visão do Grande Conflito, em Lovett’s Grove, Ohio.
1863, maio - Organização da Associação Geral dos Adventistas do Sétimo Dia.
1863, 5 de junho - Visão da reforma pró-saúde, em Otsego, Michigan.
1864, agosto - Publicado o livro Spiritual Gifts, v. 4 (Dons Espirituais), com um artigo de 30 páginas sobre saúde.
1865, 25 de dezembro - Tem a visão sobre a necessidade de fundar uma instituição médica.
1866, setembro - Inauguração do Instituto Ocidental de Reforma Pró-saúde.
1868, 1 a 7 de setembro - Assiste à primeira reunião geral dos Adventistas do Sétimo Dia, realizada num bosquete, em Wright, Michigan.
1870 - Publicado o primeiro volume da obra Spirit of Profecy (Espírito de Profecia), precursor do livro Patriarcas e Profetas.
1874, junho - Com Tiago White em Oakland, na Califórnia, funda a Pacific Press Publishing Association e a revista Signs of the Times.
1875, 3 e 4 de janeiro - Assiste à dedicação do Colégio de Battle Creek. Visão das casas publicadoras em outros países.
1876, agosto - Fala a 20 mil pessoas numa reunião geral em Groveland, Massachusetts.
1877, 1º de julho - Fala a cinco mil pessoas em Battle Creek sobre temperança.
1881, 6 de agosto - Morte de Tiago White.
1881, 13 de agosto - Fala durante dez minutos no enterro de Tiago White, em Battle Creeck.
1882 - Promove a publicação de Early Writings (Primeiros Escritos), reunindo três outros livros publicados anteriormente.
1884 - Tem sua última visão pública de que há notícia, numa reunião geral em Portland, Oregon.
1884 - Publicação de Spirit of Prophecy, v. 4, precursor do livro O Grande Conflito.
1885 - Parte da Califórnia com destino à Europa.
1888, abril - Ocorre a publicação do livro Great Controversy (O Grande Conflito).
1888, outubro-novembro - Assiste à Assembleia da Associação Geral em Minneapolis.
1890 - Publicado o livro Patriarcas e Profetas.
1890 - Publicado Christian Temperance and Bible Hygiene, precursor do livro A Ciência do Bom Viver.
1891, 12 de setembro - Navega para a Austrália, via Honolulu.
1891, 8 de dezembro - Chega a Sidnei, Austrália. Logo após, é acometida de reumatismo inflamatório que a confina ao leito por uns oito meses. Embora sofresse intensamente, continua a escrever.
1892, junho - Fala na inauguração da Escola Bíblica Australiana, em Melbourne.
1892 - Publicação dos livros Caminho a Cristo e Obreiros Evangélicos.
1895, dezembro - Muda-se para Cooranbong, onde foi escrita grande parte do livro O Desejado de Todas as Nações.
1898 - Publicado o livro O Desejado de Todas as Nações.
1900 - Publicado o livro Parábolas de Jesus.
1900, agosto - Deixa a Austrália e regressa aos Estados Unidos.
1900, outubro - Passa a residir em Elmshaven.
1901, abril - Assiste à Assembleia da Conferência Geral em Battle Creek.
1903, outubro - Enfrenta a crise panteísta.
1903 - Publicado o livro Educação.
1904 - Ajuda no início da obra em Washington, D.C.
1905 - Assiste à Assembleia da Conferência Geral em Washington D.C.
1905 - Publicado o livro A Ciência do Bom Viver.
1905, junho-dezembro - Empenha-se na aquisição e no estabelecimento do Sanatório de Loma Linda.
1909, abril-setembro - Aos 81 anos de idade, viaja para Washington, D.C., a fim de assistir à Assembleia da Conferência Geral. Esta foi sua última viagem para o Leste dos EUA.
1910, janeiro - Desempenha uma parte proeminente no estabelecimento do Colégio de Médicos Evangelistas, em Loma Linda.
1911 - Publicado o livro Ato dos Apóstolos.
1911-1915 - Estando em idade avançada, realiza apenas algumas viagens à Califórnia do Sul. Completa os livros Profetas e Reis e Conselhos a Pais, Professores e Estudantes.
1915, 13 de fevereiro - Cai em sua casa em Elmshaven, quebrando os quadris.
1915, 16 de julho - Termina sua vida profícua aos 87 anos de idade em Santa Helena, Califórnia.
1915, 25 de julho - É sepultada no cemitério de Oak Hill, em Battle Creek, Michigan.

[Com informações de Chan Shun Centennial Library]

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Morte de Elvis Presley completa 40 anos - Elvis e o Gospel

No dia em que a morte de Elvis Presley completa 40 anos, fãs e crítica relembram as principais marcas que Elvis teria deixado na música e na cultura do século XX. Mas eu gostaria de lembrar aqui uma faceta do “rei do rock” bem menos conhecida que seus filmes em Acapulco, suas canções românticas ou a proibição de filmar os seus rebolantes quadris no programa de TV de Ed Sullivan no início da carreira. Aliás, os requebros da “pélvis de Elvis” foram um fator nada descartável para sua ascensão meteórica. A voz absolutamente marcante, os cabelos cuidadosamente desalinhados, o repertório quase recatado se comparado à fúria libidinal das canções de Jerry Lee Lewis e Little Richards, quase tudo seguia uma construção publicitária perfeita comandada pelo “Coronel” Tom Parker, como apelidavam o empresário de Elvis.

Os americanos sempre demonstraram afinidade com o gospel gravado por artistas não-religiosos. Por exemplo, nos anos 1950, Tennessee Ernie Ford gravou álbuns que estão entre os dez mais vendidos da década. Mas Elvis revelava também seu gosto pela música gospel. E talvez houvesse nisso mais do que ambição de vender para outro nicho de mercado. Para Don Cusic, autor do livro The Sound of Light: a history of gospel music, Elvis tinha ouvido muita música gospel - na igreja ou em casa com a mãe – e, ao cantar aquelas músicas, ele não cumpria só um dever espiritual, mas também revivia a infância. Talvez, diz Cusic, Elvis estivesse mostrando que era um bom garoto, temia a Deus (à sua maneira) e queria salvação.

Em 1952, quando ainda era um jovem motorista de caminhão, Elvis fez um teste vocal para entrar no quarteto Songfellows e foi reprovado. Mais tarde, Jim Hammil, um dos componentes “acusados” de dispensar Elvis Presley, deu sua versão dos fatos: “Eu não disse que ele não sabia cantar, mas sim que ele não conseguia ouvir a harmonia. Sozinho, ele se saía bem. Mas quando as outras vozes do quarteto entravam, ele se perdia e cantava as outras vozes que ouvia”. (Em geral, a formação vocal de um quarteto masculino é de 1º e 2º tenores, barítono e baixo).

Elvis ainda não era famoso quando encontrou o quarteto The Jordanaires no Grand Ole Opry, em 1955. O quarteto havia surgido em 1948 e só conservava um integrante da formação original, o 1º tenor Gordon Stoker. As primeiras gravações de Elvis nos estúdios da RCA têm um vocal de apoio formado, entre outros, por Stoker e Ben e Brock Speer, da Speer Family, famosa família de cantores. Mais tarde, a formação completa dos Jordanaires marcaria o som dos discos de Elvis, que passava a vender 10 milhões de discos e se tornava um ídolo teen e um ícone cultural.

Os primeiros álbuns gospel de Elvis chegariam a partir de 1957, no auge da carreira no rock, quando era inimigo dos pregadores. Primeiro, a gravação de Peace in the Valley, e depois o disco His Hand in Mine. Esse disco tinha os Jordanaires no vocal de apoio e entre as faixas estavam músicas como Swing low, Sweet chariot e Mansion over the hilltop (em português, é a conhecida Mansão sobre o monte). A capa desse álbum trazia um Elvis Presley sentado ao piano num sóbrio smoking, de cabelo grande e roupas brilhantes. O figurino e o penteado, porém, não eram uma afronta ao estilo religioso. Pelo menos, não ao estilo de certos cantores e pastores evangélicos da época. James Brown, por exemplo, explicava que seu estilo inconfundível de se movimentar no palco, falar e cantar, era influência de pregadores, digamos, hiperativos.

A voz de Elvis também recebeu grande influência do gospel. Certa vez, o cantor escutava um disco de Jake Hess, um dos grandes nomes da música gospel, quando revelou a Johnny Rivers algo como “agora você sabe de onde vem o meu estilo de cantar”.

Em 1967, Elvis convidou os quartetos The Imperials e The Jordanaires e também algumas cantoras para o vocal do seu disco gospel de maior resposta positiva de público e crítica, How Great Thou Art. Além da clássica faixa-título (no Brasil é conhecida como Quão grande és Tu), já famosa na voz de George Beverly Shea, o disco trazia Where could I go but to the Lord, In the garden (No jardim) e Where no one stands alone (Minha mão em Tua mão). Nesse disco, Elvis faz um dueto com Jake Hess na música If the Lord wasn’t walking by my side, conhecida música do quarteto The Statesmen, do qual Jake Hess já tinha sido integrante.

He Touched Me é o álbum gospel de 1972 que traz a clássica Amazing grace (Graça excelsa) e a canção-título (Tocou-me), de autoria do casal Bill e Gloria Gaither.

A partir de 1969, o quarteto The Stamps passou a abrir os shows de Elvis. J. D. Sumner, membro do quarteto, conta que após os shows Elvis reunia os cantores para cantar gospel. Frequentador da casa de Elvis, Sumner também diz que o cantor “só ouvia gospel. Ele não ouvia nem suas próprias gravações”.

No funeral de Elvis, em agosto de 77, Jake Hess e dois integrantes do quarteto The Statesmen cantaram Known only to Him, Kate Westmoreland cantou My heavenly Father watches over me, e James Blackwood e The Stamps cantaram How great Thou art. O final trágico do cantor e suas gravações ora religiosas ora seculares podem traduzir que, de algum modo, Elvis Presley não conseguiu conciliar sua vida de sucesso fabuloso com as crenças de sua juventude. Mesmo assim, para Don Cusic, a maior contribuição de Elvis ao gospel foi apresentar esse estilo ao mundo do rock.

* Os títulos em português e entre parênteses mencionados no texto foram extraídos do Hinário Adventista (CPB).

Joêzer Mendonça (via Nota na Pauta) (Título original: Élvis e o Gospel - Élvis além da pélvis)

Duas mulheres

"As águas roubadas são doces, e o pão comido às ocultas é agradável." (Provérbios 9:17)

A mente do homem que não anda nos caminhos de Deus trabalha de um modo estranho. Busca prazer e encontra dor, corre atrás da alegria e só acha tristeza. Ele pensa que as coisas são agradáveis unicamente quando trazem o sabor do proibido. As águas, para serem doces, precisam ser roubadas; e o pão, para ser agradável, deve ser comido às ocultas.

O proibido, no entanto, é como o cavalo de Tróia: deslumbrante, massageia o ego, inflama as paixões humanas. Só que, ocultas dentro dele, estão a vergonha, a miséria e a morte.

No capítulo nove do livro de Provérbios, encontramos duas mulheres à beira do caminho disputando a atenção dos homens. É uma alegoria da sabedoria e da insensatez. A primeira convida as pessoas para a vida. O segredo da vida consiste em andar nos caminhos estabelecidos por Deus.

A segunda é a mulher louca ou insensata. Ela também convida as pessoas, oferecendo águas roubadas e pão comido às ocultas. Água é sinônimo de vida. O deserto é terra de morte porque não tem água. A semente brota por causa da água. Os campos florescem porque recebem água. A mulher louca oferece água. Água roubada. Vida roubada não é vida. Prazer roubado não é prazer. Felicidade “desfrutada às ocultas”, não é felicidade.

A criatura descobre isso com dor. Quando já é tarde. Quando a família foi destruída, a dignidade enxovalhada e os valores deteriorados.

O pão é alimentação básica e indispensável; não envolve nada de extravagância nem luxo. Quando é comido às ocultas, pode ser agradável na hora, mas depois deixa o sabor amargo da insatisfação. Você come e come e não se farta. Busca e busca e nunca acha. O coração está sempre vazio.

A mente natural do homem é estranha. Oculta-se. Ele não deseja ser visto. Mas a sua atitude insensata, mais cedo ou mais tarde, o expõe à vergonha pública.

Nada melhor do que viver às claras. Com transparência e verdade. Viva hoje desse modo. Ouça a voz da sabedoria e não preste atenção à voz da sedução, mesmo que esta grite nos caminhos: “As águas roubadas são doces e o pão comido às ocultas é agradável.”

Pr. Alejandro Bullón (via Sétimo Dia)

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Os Dez Mandamentos apresentados por Ellen G. White

Segue a transcrição, de forma sucinta, dos Dez Mandamentos conforme apresentados no livro Os Escolhidos (versão na linguagem de hoje do livro Patriarcas e Profetas, cap. 27, de Ellen G. White):

1. “Não terás outros deuses além de Mim” (Êxodo 20:3). Qualquer coisa que acariciamos, que tenda a minimizar o nosso amor a Deus ou venha a interferir no culto que deve ser prestado somente a Ele, fazemos disso um deus.

2.“Não farás para ti nenhum ídolo, nenhuma imagem. […] Não te prostrarás diante deles nem lhes prestarás culto” (Êxodo 20:4). A intenção de representar o Eterno por meio de objetos materiais rebaixa nossos conceitos de Deus. Nossa mente é atraída para a criatura e não para o Criador. Quando os conceitos a respeito de Deus são rebaixados, da mesma forma o homem também é degradado.

3. “Não tomarás em vão o nome do Senhor, o teu Deus, pois o Senhor não deixará impune quem tomar o Seu nome em vão” (Êxodo 20:7). Esse mandamento nos proíbe de usar o nome de Deus de maneira descuidada. Ao mencionar Deus impensadamente na conversação comum e pela frequente repetição irrefletida de Seu nome, nós O desonramos.

4. “Lembra-te do dia de sábado para santificá-lo” (Êxodo 20:8). O sábado não é apresentado como uma nova instituição, mas como um tempo que foi estabelecido desde a criação. […] O sábado é um sinal de nossa lealdade a Ele. O quarto mandamento é o único entre os dez que traz tanto o nome como o título do Legislador, o único que mostra por autoridade de quem a lei foi dada. Portanto, ele contém o selo de Deus. […] Todo trabalho desnecessário deve ser estritamente evitado.

5.“Honra teu pai e tua mãe, a fim de que tenhas vida longa na terra que o Senhor, o teu Deus, te dá” (Êxodo 20:12). Os pais têm o direito a um grau de amor e respeito que a nenhuma outra pessoa devem ser dados. Rejeitar a legítima autoridade dos pais é rejeitar também a autoridade de Deus.

6.“Não matarás” (Êxodo 20:13). Todos os atos de injustiça praticados (até mesmo desejar intimamente o mal de alguém), ser negligente no cuidado dos necessitados e até o excesso de trabalho que venha a prejudicar a saúde – todas essas coisas, em maior ou menor grau, são uma forma de transgressão ao sexto mandamento. 

7.“Não adulterarás” (Êxodo 20:14). A lei de Deus requer pureza não somente na vida exterior, mas também quanto às intenções e emoções secretas do coração.

8.“Não furtarás” (Êxodo 20:15). Esse mandamento exige estrita integridade nos mínimos detalhes da vida. Proíbe negócios duvidosos e requer o pagamento justo de dívidas e salários. Toda tentativa de obter vantagem pela ignorância, fraqueza ou infelicidade de outros é registrada como fraude nos livros do Céu.

9.“Não darás falso testemunho contra o teu próximo” (Êxodo 20:16). Toda intenção de enganar se constitui uma falsidade. Um olhar, um movimento da mão, uma expressão do rosto podem representar uma falsidade tão eficaz quanto o que se diz por palavras. Toda tentativa de prejudicar a reputação do próximo é considerada uma transgressão do nono mandamento. 

10.“Não cobiçarás” nada do teu próximo (Êxodo 20:17). Esse mandamento atinge a própria raiz de todos os pecados; proíbe o desejo egoísta, do qual nasce o ato pecaminoso.

O tempo de Deus e a impaciência humana

Gosto muito de refletir sobre questões importantes do evangelho de Cristo que parecem ter sido esquecidas por muitos cristãos. Ultimamente, por exemplo, tenho pensado muito sobre o peso espiritual da paciência. Você já ouviu alguma pregação sobre paciência e impaciência? Já leu algum livro sobre o tema, já foi a algum congresso teológico com esse assunto? Eu nunca. No entanto, Paulo escreveu que paciência é uma das nove virtudes do fruto do Espírito (Gl 5:22-23). E, se esse comportamento é tão virtuoso a ponto de ter sido incluído por Paulo nessa seleta lista, infere-se, naturalmente, que a impaciência é um comportamento que não agrada a Deus. Logo, precisamos falar e refletir sobre isso, com muita seriedade. 

Paciência (ou “longanimidade”, nas traduções bíblicas mais arcaicas) é ter paz no coração enquanto se espera que algo aconteça. É ficar sossegado diante da necessidade de aguardar. Portanto, a pessoa que manifesta o fruto do Espírito sabe esperar em paz. E por que isso é espiritualmente importante? Porque paciência tem tudo a ver com fé. 

Se fé é “a certeza de coisas que se esperam” (Hb 11:1), fica claro que nossa fé está diretamente relacionada com nossa capacidade de esperar. E se “sem fé é impossível agradar a Deus” (Hb 11:6), certamente desagradamos o Senhor se demonstramos impaciência, pois ela revela que não temos fé suficiente nele para aguardar de forma descansada. A impaciência demonstra, portanto, que não temos confiança inabalável no fato de que Deus está no controle de tudo e que tem total domínio sobre o tempo certo daquilo pelo que esperamos. Impaciência é desconfiar da soberania divina. 

Deus é quem determina a hora exata de qualquer coisa acontecer, de acordo com seus propósitos. Isso fica claro quando vemos que Jesus só se fez carne na plenitude do tempo, predeterminada desde antes da fundação do mundo. De nada adiantaria a impaciência de querer que o Messias viesse logo, pois Ele só viria no tempo preciso de Deus. Ele esperou trinta anos para iniciar Seu ministério. A ressurreição só ocorreu após três dias, como Jesus antecipou que ocorreria. O povo de Israel precisou esperar 400 anos para sair do Egito e depois mais 40 para entrar na Terra Prometida. Jó precisou esperar “42 capítulos” para seu cativeiro ser virado. José teve de ser escravo e presidiário por muitos anos antes de se tornar o segundo em poder do Egito. Esses e muitos outros exemplos mostram que tudo acontece no tempo exato de Deus. Não adianta nada balançar o pé, ficar olhando para o relógio de dois em dois minutos ou roer as unhas até o talo. É tão somente quando Deus bater o martelo que o que tiver de ser… será. 

Se sabemos que tudo acontece no tempo exato de Deus, ficar impaciente revela que não temos fé suficiente nessa verdade. Impaciência revela, portanto, falta de confiança em Deus. 

Se você está esperando por algo, meu irmão, minha irmã, entregue a Deus e confie nele. Saiba que o Senhor tem os olhos voltados para você e está ciente da situação. Uma de três coisas acontecerá: 
1. Deus pode fazer o que você espera, no tempo em que você gostaria. Nesse caso, não é necessário exercer paciência. 
2. Deus pode não fazer nunca o que você espera; e, nesse caso, ficar impaciente simplesmente não terá absolutamente nenhuma serventia, só alimentará uma ansiedade inútil; ou
3. Deus pode fazer o que você espera, mas no tempo dEle e não no seu. Nesse caso, sua impaciência será inócua, não adiantará nada, não fará Deus se apressar e a vontade dEle prevalecerá de qualquer jeito. A única vantagem da sua impaciência é… bem, não há vantagem alguma na sua impaciência. 
Está claro, então, que ficar impaciente é inútil. Não adianta nada. E ainda demonstra falta de confiança no Senhor, o que certamente o desagrada. 

Meu irmão, minha irmã, espere com paciência no Senhor, sabendo que Ele em absolutamente tudo é soberano. Tudo acontecerá na hora certa, da forma correta, de acordo com a boa, agradável é perfeita vontade do seu Santo Pai. O que você tem de fazer? Descansar. Lance sobre Cristo toda a sua ansiedade e relaxe. Ficar agoniado, angustiado, querendo que tudo ocorra no tempo que você quer só fará mal à sua pressão arterial e provocará queimação gástrica. Talvez uma úlcera. Vantagem na prática? Nenhuma. Então… paciência! 
“Porque, na esperança, fomos salvos. Ora, esperança que se vê não é esperança; pois o que alguém vê, como o espera? Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o aguardamos.” (Rm 8:24-25)
“Sede vós também pacientes e fortalecei o vosso coração, pois a vinda do Senhor está próxima. […] Irmãos, tomai por modelo no sofrimento e na paciência os profetas, os quais falaram em nome do Senhor. Eis que temos por felizes os que perseveraram firmes. Tendes ouvido da paciência de Jó e vistes que fim o Senhor lhe deu; porque o Senhor é cheio de terna misericórdia e compassivo.” (Tg 5:8-11)
“Ora, o Deus da paciência e da consolação vos conceda o mesmo sentir de uns para com os outros, segundo Cristo Jesus, para que concordemente e a uma voz glorifiqueis ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo.” (Rm 15.5-6)
Paz a todos vocês que estão em Cristo,

Maurício Zágari (via Apenas)

Milagre comum, silencioso, particular

Outro dia, esbarrei outra vez numa história meio escondida entre as páginas da Bíblia. Leia comigo:
"E logo, saindo da sinagoga, foram à casa de Simão e de André com Tiago e João. E a sogra de Simão estava deitada com febre; e logo lhe falaram (a Jesus) dela. Então, chegando-se a ela, tomou-a pela mão, e levantou-a; e imediatamente a febre a deixou, e servia-os." (Marcos 1:29-31)
Sinceramente? Para mim, esse é um dos relatos mais sem graça da Bíblia. Tudo bem que é um milagre, um milagre de Jesus... mas, pense bem: é um milagre, no mínimo, diferente dos que costumamos notar, aplaudir ou esperar. Isto fica ainda mais evidente quando observamos o milagre que é mencionado nos versos anteriores (vv. 23-28). Jesus expulsa o demônio do corpo de um homem na sinagoga, diante dos fariseus e de um considerável número de pessoas. A Bíblia diz que "todos se admiraram" com a autoridade de Jesus (v. 27) e que sua fama corria por todos os lados (v. 28). É de se esperar que Jesus saísse dali para um outro evento, outra pregação, outro milagre espetacular, mas não. Ele simplesmente vai para casa de uns amigos. E foi lá, na casa de Simão e André, que o milagre estranho aconteceu. Digo estranho, porque é um milagre longe dos holofotes, entre quatro paredes, diante de poucas pessoas (três ou quatro, quem sabe); é um milagre simples (se é que isso é possível!). Jesus cura uma febre e isso não chama a atenção de muita gente, e, além de tudo, era a sogra de Pedro. De fato, estranho. É um milagre comum, silencioso, particular.

Fiquei pensando na razão de tal relato ser preservado na Bíblia. Jesus fez tantos outros milagres, e que eu saiba, a sogra de Pedro não era uma celebridade da época. Por quê? Muita gente fundamenta a fé em milagres. Muitas igrejas fazem dos milagres sua propaganda principal. O que não sabem é que o milagre não gera a fé. É a fé que gera o milagre. Esquecem que os maiores milagres que Deus tem para realizar hoje, não estão reservados aos palcos da evidência, nem aos aplausos de multidões, mas à intimidade do lar de amigos seus. São milagres comuns, silenciosos, particulares. Mas são milagres. Quer ver uma coisa? 

Tem gente que espera uma nova multiplicação de pães para acreditar no poder de Deus, para acreditar em milagres, quando Deus quer realizar um milagre diferente, um milagre comum. Ele quer ver você e eu realizando um milagre atual. Quando você divide o que tem com o que tem menos, quando corta gastos periféricos para doar uma cesta básica, mais um milagre acontece, mas, eu sei, é um milagre comum, silencioso, particular.

Tem gente que espera que um jumento cruze seu caminho e comece a falar para ser convencido da vontade de Deus para sua vida, quando Deus quer realizar outro milagre: que você creia que quando a Bíblia é aberta, é Deus quem fala, que as palavras ali contidas são o melhor para sua experiência, mas este é um milagre comum, silencioso, particular.

Tem gente que se afunda no pecado, e espera um milagre para acreditar no perdão de Deus e Sua aceitação. Espera que Ele apareça milagrosamente para livrar das pedradas das consequências de suas escolhas, quando Deus quer realizar outro milagre. Quer realizar o milagre da transformação diária – do "vá e não peques mais". Mas este milagre é comum, silencioso, particular. Ninguém aplaude, ninguém assiste...

Tem gente que espera uma aparição extraordinária, uma força descomunal e de origem celeste para vencer as tentações, os desafios pessoais. Espera que Deus faça o sol parar mais uma vez para que suas batalhas pessoais sejam vencidas, quando Deus quer realizar outro milagre: o milagre da comunhão. Nesses dias atarefados que vivemos, é um milagre decidir acordar mais cedo e buscar a Deus em oração e através do estudo de Sua Palavra. Mas esse é um milagre comum, silencioso, particular. Não chama a atenção de grandes públicos, não aparece nos resultados das buscas no Google, ninguém "pay-per-view"...

Tem gente que espera um milagre na família, que Deus traga alguém de volta à vida, como fez tantas vezes no passado, quando Deus quer realizar um milagre diferente. Quer ressuscitar os relacionamentos mortos. Quer trazer de volta o diálogo, o carinho, os elogios, a cumplicidade... mas esse é também um milagre comum, silencioso, particular.

É possível que nada demais tenha lhe ocorrido durante a leitura destas linhas. Milagre não é sinônimo de lágrimas e excitação, mas simplesmente a quebra da rotina, a violação do óbvio predileto. Tenho certeza de que, assim como eu, você também espera um milagre de Deus. Fique atento. Ele pode estar em andamento agora mesmo, e você nem notou. É só abrir a porta de casa para o amigo Jesus. Ele certamente entrará e tocará sua vida.

Que ao perceber estes pequenos milagres recebidos, você se ponha em pé e seja também um milagre na vida das pessoas com quem entrar em contato. Mas seja um milagre comum, silencioso, particular. O céu assiste, mas seu aplauso não faz muito barulho.

Oro por você.

Cândido Gomes (via Para ler, reler e treler)

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

O que a Bíblia diz sobre masturbação?

A Bíblia não fala explicitamente sobre masturbação, mas apresenta vários princípios que nos ajudam na compreensão do assunto. Somos ensinados pela Palavra de Deus que o sexo, em vez de ser usufruído egoisticamente, deve ser compartilhado exclusivamente dentro do relacionamento matrimonial. O plano divino não é “que o homem esteja só” (Gn 2:18), mas que se realize sexualmente no casamento (ver Gn 2:24; Êx 20:14; Pv 5:18; 6:20-35; 7:1-27).

A despeito de ser encarada positivamente por muitos médicos e sexólogos contemporâneos, a masturbação é uma negação direta do princípio bíblico de que “a mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, e sim o marido; e também, semelhantemente, o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, e sim a mulher” (1 Co 7:4). Além disso, ao se masturbar, a pessoa geralmente contempla fotos pornográficas ou imagina cenas eróticas, não condizentes com os elevados princípios de pureza moral e espiritual do cristianismo (ver 1 Pe 2:11).

Cristo foi claro em afirmar que o adultério condenado pelas Escrituras (Êx 20:14) não se restringe meramente às relações sexuais fora do casamento, mas envolve também os próprios pensamentos imorais, “que contaminam o homem” (Mt 15:19 e 20). Ele asseverou no Sermão do Monte: “Ouvistes que foi dito: Não adulterarás. Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela” (Mt 5:27 e 28). E no Salmo 24:3 e 4 lemos: “Quem subirá ao monte do Senhor? Quem há de permanecer no Seu santo lugar? O que é limpo de mãos e puro de coração…”

Apesar de não ser fácil romper com o vício da masturbação, a graça de Cristo é poderosa para nos dar a vitória sobre todo e qualquer hábito pecaminoso (ver 1 Co 15:57; Fp 2:13; 4:7; 1 Jo 1:7-9) e para desenvolver em nossa vida o ideal divino enunciado nas seguintes palavras: “Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento” (Fp 4:8).

Alberto R. Timm (via Centro White)

Nota: Segue abaixo mais alguns textos bíblicos em que encontramos fundamentos para esta situação:
"Dirige-me pelo caminho dos teus mandamentos, pois nele encontro satisfação. Inclina o meu coração para os teus estatutos, e não para a ganância. Desvia os meus olhos das coisas inúteis; faze-me viver nos caminhos que traçaste." (Salmos 119:35-37)

"Tudo me é permitido, mas nem tudo convém. Tudo me é permitido, mas eu não deixarei que nada me domine." (1 Coríntios 6:12)
"Por isso digo: Vivam pelo Espírito, e de modo nenhum satisfarão os desejos da carne." (Gálatas 5:16)

"Ao contrário, revistam-se do Senhor Jesus Cristo e não fiquem premeditando como satisfazer os desejos da carne." (Romanos 13:14)

"Acima de tudo, guarde o seu coração, pois dele depende toda a sua vida." (Provérbios 4:23)
"Mas, se vocês não podem dominar o desejo sexual, então casem, pois é melhor casar do que ficar queimando de desejo." (1 Coríntios 7:9)
No Espírito de Profecia também encontramos vários textos sobre esse assunto. Vejamos apenas dois:
"Jovens e crianças de ambos os sexos se entregam à masturbação, e praticam este repulsivo vício, destruidor da alma e do corpo. Muitos professos cristãos acham-se tão embotados pela mesma prática, que suas sensibilidades morais não podem ser despertadas para compreender que isto é pecado, e que se nisto continuam, os seguros resultados serão completa ruína do corpo e da mente." (Testemunhos Seletos 1, p. 257)
"A masturbação destrói as boas resoluções, o esforço fervoroso, e a força de vontade para formar um bom caráter religioso. Todos os que têm qualquer verdadeiro senso do que significa ser cristão sabem que os seguidores de Cristo estão na obrigação, como discípulos Seus, de trazerem todas as suas paixões, forças físicas e faculdades mentais, em perfeita subordinação à Sua vontade. Os que são controlados por suas paixões não podem ser seguidores de Cristo." (Orientação da Criança, p. 445)
O professor Leandro Quadros deixa também seu comentário no vídeo abaixo: 

Deus sempre usa o pregador?

Várias vezes vejo cristãos dizendo: “Ah, não importa quem é o pregador, Deus sempre irá usá-lo de alguma forma para edificar minha vida”. De onde surgiu isso? Essa visão ingênua e romantizada da igreja e do púlpito pode parecer muito bonita a alguns, mas, na verdade, é fruto de misticismo e não há nada de bíblico nela. O fato de alguém ocupar um púlpito não é salva-guarda contra falsos ensinos. Afirmar tal coisa é não apenas crer estar firme construindo sua casa sobre areia movediça (uma vez que Deus nunca prometeu essa segurança quanto aos sermões que ouvimos), mas também negar as diversas advertências bíblicas contra os falsos mestres, os quais pregam suas falsidades de dentro do próprio povo de Deus (Mt 7:15; 24:11; 2Co 11:13-15; Gl 2:3-5; 2Pd 2:1; 1Jo 4:1).

Ao contrário do que muitos acham, abrigar esse tipo de pensamento não acaba exaltando o púlpito como um local abençoado, mas, visto que tal visão não é bíblica, esse pensamento apenas rebaixa o púlpito cristão como um local místico, que pode ser ocupado por qualquer um, mesmo que não esteja sequer minimamente interessado e preparado para ministrar alimento sadio à igreja.

Púlpito não é brincadeira. Não é lugar para colocarmos alguém simplesmente por ser alguém incisivo ou simpático, “desenrolado” ou bem-intencionado, e sim pessoas que se preparem espiritual e intelectualmente para esta tarefa. Não inutilize a Palavra de Deus. Ela existe a fim de que possamos nos alimentar dela. Pôr no púlpito alguém que não está apto para alimentar a outros com a Palavra é uma forma de inutilizá-la, não só porque ela não estará servindo ao propósito para o qual foi dada, mas também porque ela mesma afirma que quem instrui o povo deve manejá-la bem (2 Tm 2:15) e que o Espírito reparte os dons conforme Lhe apraz. Uns possuem o dom de ser mestres, ou seja, instruir a igreja (1Co 12:7-11, 28); outros, não (1Co 12:28-29), portanto, não deveriam ocupar o púlpito.

Muitos podem achar essas palavras arrogantes, crendo que isso é pregar uma espécie de segregação. Curiosamente, essas pessoas não acham arrogante desconsiderar que o Espírito Santo é soberano acerca de como Ele reparte os dons e que não devemos cobiçar aquilo que Deus, em Sua infinita sabedoria, escolheu não nos dar. Tampouco acham arrogante subir a um púlpito para pregar suas próprias palavras, e não a Palavra de Deus. Sim, porque quem não estuda não poderá falar outra coisa senão suas próprias Palavras, pois Deus não costuma transmitir miraculosamente aquilo que podemos adquirir estudando. Em momento algum a Bíblia afirma que o Espírito Santo seria dado a fim de fazer de nós preguiçosos e pouco aplicados em buscar o sentido original do texto bíblico.

Se uma pessoa quer subir ao púlpito sem preparo espiritual e intelectual para alimentar a igreja, a única forma de amá-la e amar a igreja é não permitindo que a arrogância destruidora dela seja alimentada enquanto a igreja morre de inanição, pois é exatamente isso o que fazemos quando permitimos que tal pessoa pregue.

Quando digo que não devemos permitir isso, não é crucificando ou zombando do pregador ou dos púlpitos, numa revolta infantil e inoperante, mas cobrando amoravelmente dos líderes um alimento sólido, tanto deles quanto de quem eles colocam no púlpito. Cobrando cursos de capacitação para que a igreja tenha condições de ler, entender e comunicar efetivamente a Palavra de Deus, em vez de sermões melosos, ou fanáticos, ou sem pé nem cabeça, ou mesmo bem estruturados, mas cujas conclusões não procedem do texto bíblico.

Procure os líderes de sua igreja e converse humildemente sobre isso. Procure você também, na medida de suas possibilidades, estudar para cobrar. Muitos deles, quando veem que o nível dos membros é muito baixo, se acomodam e também passam a não estudar, criando um ciclo vicioso: líderes preguiçosos, incapazes de alimentar o povo; gerando um povo cada vez mais ignorante; que alimenta a preguiça desses líderes; que gera um povo cada vez mais ignorante; que… Não espere por ninguém; esse ciclo precisa ser rompido em algum ponto. 

Que seja você o ponto de rompimento com o desleixo para com a Palavra de Deus. Comece não admitindo sermões rasos, especulativos e que enfatizam o que a Bíblia não enfatiza, “negligenciando os preceitos mais importantes da lei” (= Palavra de Deus) (Mt 23:23). Comece parando de se resignar diante do engano supersticioso do “não importa quem pregue”. Importa, sim! Com amor e mansidão, exija Bíblia, cruz e evangelho nos púlpitos de sua igreja!
“Há homens que ficam nos púlpitos como pastores, professando alimentar o rebanho, enquanto as ovelhas estão morrendo por falta do pão da vida. Há longos e arrastados discursos grandemente compostos de narrativas de anedotas; mas o coração dos ouvintes não é tocado [e esse entretenimento pode ser tanto “liberal” como “extremista”]. Pode ser que os sentimentos de alguns sejam tocados, podem derramar algumas lágrimas, mas seu coração não foi quebrantado. […] O Senhor, Deus do Céu, não pode aprovar muito do que é trazido ao púlpito pelos que professam estar falando a Palavra do Senhor. Não inculcam ideias que sejam uma bênção para os que o ouvem. Alimento barato, muito barato é colocado diante do povo [novamente, esse alimento barato, água com açúcar, pode ser tanto “liberal” como “extremista”]” (Ellen G. White, Testemunhos para Ministros, p. 336-337).
Vanedja Cândido (via Missão Pós-Moderna)

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Desejos proibidos

Vivemos em uma sociedade viciada, intoxicada, doente. E a dependência não tem que ver somente com o consumo de substâncias ilegais. O mundo se transformou em uma grande “cracolândia comportamental”. Celular, internet, cacau em pó, carboidratos, exercício, cirurgia plástica, dinheiro, compras, filmes, jogos, medicamentos, emagrecedores, trabalho, cibersexo e pornografia são apenas alguns dos inúmeros vícios atuais.

Existe, por exemplo, uma onda de viciados em telas digitais: celular, computador, tablet, TV. Você mesmo consegue ficar desconectado por uma semana ou sequer um dia? Em países da Ásia, o problema é sério. A China está preocupada com a “heroína eletrônica” que afeta seus jovens. Na Coreia do Sul, o vício em internet atinge pelo menos 10% dos adolescentes. O detox digital é feito em centros de reabilitação.

Para a criança, o tempo diante da tela age como um estimulante (dopamina digital) não muito diferente do efeito de uma droga. No entanto, o prazer é prejudicial, e faz bem ­desconectar-se. Além de diminuir a inteligência emocional dos nossos filhos, o excesso de tecnologia pode estar acentuando o problema de autismo e déficit de atenção nos mais novos. Isso é o que sugere um estudo feito na Romênia. Estamos criando uma geração que se relaciona melhor com as máquinas do que com as pessoas. São jovens plugados em aparelhos, mas desconectados do mundo.

Causado por fatores biopsicológicos, o vício é um padrão de comportamento recorrente que, embora cause sensações momentâneas agradáveis, traz danos para a própria pessoa, a família e a sociedade. É uma doença do cérebro, pois muda a estrutura do nosso órgão mais precioso e a maneira dele funcionar. Coisas viciantes inundam o cérebro de dopamina, alvejando o centro do prazer, e criam dependência. Com isso, alteram os circuitos cerebrais. A memória da sensação prazerosa torna o comportamento automático.

Pesquisas indicam que uma recompensa inesperada leva os neurônios a liberar uma dose maior de dopamina, o que causa mais euforia. Por exemplo, a pessoa que trai o cônjuge está tentando comprar prazer inesperado. Diante da sensação, o fluxo de dopamina estimula o cérebro a prestar atenção ao novo estímulo. Com o tempo, o estímulo deixa de ser novidade, e a pessoa se habitua a ele. Para ter mais prazer, ela busca novos estímulos. Por isso, se você comprar um carro ou computador novo, a satisfação será maior no início. O vício segue essa lógica.

Os cientistas estão aperfeiçoando o diagnóstico dos vícios, utilizando análise do comportamento, imagens neurológicas e dados genéticos. A ideia é ir além do “sim” ou do “não”. Afinal, se a descoberta de uma doença como o câncer exige mais detalhamento, o mesmo princípio se aplica aos hábitos comportamentais. Para um tratamento customizado, é necessário um diagnóstico personalizado.

A dependência é uma doença tratável como qualquer mal crônico, e a graça divina ainda faz milagres e liberta do pecado, como enfatiza a matéria de capa desta edição. Porém, o melhor é evitar comportamentos compulsivos. As pessoas precisam voltar a encontrar sentido nas coisas simples e agradáveis da vida.

O psiquiatra Viktor Frankl, famoso sobrevivente do campo de concentração nazista, apontou três grandes males da sociedade moderna aos quais ele chamou de “tríade neurótica de massa”: agressividade, dependência e depressão. O remédio, segundo ele, é encontrar a plenitude de sentido para a vida. Enquanto o vazio existencial não for preenchido por algo realmente significativo, o vício vai predominar. É Deus quem satisfaz os desejos do coração (Sl 37:4). Encontre a felicidade nEle, e você não precisará buscar prazer em desejos proibidos!

Marcos de Benedicto (via Revista Adventista)

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Todos os pecados são iguais aos olhos de Deus?

Fundamental para entendermos o problema do pecado é a distinção entre pecado (condição) e pecados (atos pecaminosos). O pecado é uma condição humana de alienação de Deus e um princípio interior propulsor para o mal (ver Is 59:2; Ef 2:1-3 e 5). Esse princípio se manifesta exteriormente através de atos pecaminosos. Cristo declara que “de dentro, do coração dos homens, é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios, a avareza, as malícias, o dolo, a lascívia, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura” (Mc 7:21 e 22).

Embora a essência de todos os pecados seja sempre a mesma (alienação de Deus), existem algumas realidades que nos impedem de aceitar a teoria de que todos os pecados são iguais aos olhos de Deus. Uma delas é o processo pelo qual a tentação se transforma em pecado. Esse processo é geralmente composto pelos seguintes estágios: atenção, consideração, desejo, decisão, planejamento e ação. Uma vez que o grau de envolvimento nesse processo pode variar de intensidade, não podemos afirmar que o pecado de alguém que teve apenas um desejo pecaminoso momentâneo, seja tão ofensivo a Deus como o pecado premeditado de Davi com Bate-Seba (ver 2Sm 11).

Que Deus não considera todos os pecados iguais é evidente também no fato de o próprio Deus haver prescrito diferentes sacrifícios no Antigo Testamento para a expiação dos diferentes pecados (ver Lv 1 a 7). Além disso, se todos os pecados fossem iguais, como querem alguns, por que deveriam os ímpios ser punidos no juízo final, “segundo as suas obras” (Ap 20:11-13)? Por que alguns haveriam de ser castigados, naquele juízo, “com muitos açoites” e outros com “poucos açoites” (Lc 12:47-48)? Se os pecados fossem iguais, não receberiam todos o mesmo castigo?

Mas a despeito dos pecados serem distintos entre si, todos eles refletem a mesma essência maligna da alienação de Deus. Isso significa que, por mais insignificante que determinado pecado possa parecer, ele é suficientemente ofensivo para excluir o pecador do reino de Deus.

Alberto. R. Timm (via Centro White)
"Deus não considera igualmente graves todos os pecados. Há diferentes gradações de culpa, tanto aos olhos de Deus quanto aos humanos. Todavia, por mais insignificante que esta ou aquela transgressão possa parecer aos olhos humanos, nenhum pecado é pequeno aos olhos de Deus." (Ellen G. White - Caminho a Cristo, p. 21)
O professor Leandro Quadros também abordou este assunto: