terça-feira, 22 de janeiro de 2019

A maneira certa de estudar as profecias relacionadas com o fim

Nascido do sonho de ver Jesus voltar nas nuvens, o adventismo tem a escatologia em seu DNA. Contudo, essa ênfase não significa especulação a respeito do fim nem marcação de datas, e sim uma firme esperança com base nas promessas do livro sagrado. Pelo menos deveria ser assim. Dentro desse espírito, veja sete regras úteis para entender melhor a mensagem bíblica sobre o futuro. 

1. Preste atenção na intertextualidade. Os autores do Novo Testamento fizeram intenso uso das profecias do Antigo Testamento. Por exemplo, o Apocalipse é um mosaico de citações, alusões e ecos de Daniel, Ezequiel, Isaías, Zacarias e outros profetas. Por isso, tente descobrir de onde vêm as ideias, as imagens e os símbolos do livro. 

2. Examine o tipo de profecia. Como regra, as profecias clássicas são condicionais e locais, enquanto as profecias apocalípticas são incondicionais e universais. Se o foco dos profetas clássicos (como Isaías e Jeremias) era a transformação da realidade de sua época, a ênfase dos profetas apocalípticos (como Daniel e João) estava no cronograma divino para o mundo no tempo do fim.

3. Fique de olho na reinterpretação. Muitas promessas feitas a Israel são reinterpretadas no Novo Testamento e aplicadas ao povo de Deus reunido em torno do Messias. Em certos aspectos, o que era local passa a ser universal e o que era literal se torna espiritual. Essa universalização inclui o próprio conceito de Israel e da “terra” como herança do povo de Deus. 

4. Mantenha o foco no fator central. Cristo é o centro de todas as profecias e a personificação do reino de Deus. Por isso, analise de que maneira o conteúdo da profecia se relaciona com a vida e o ministério Dele. 

5. Considere o presente e o futuro. O Novo Testamento apresenta o reino de Deus em dois estágios (já e ainda não). O reino já foi inaugurado com a primeira vinda de Jesus, mas a consumação dele está no futuro, com a segunda vinda. É importante manter esse equilíbrio. 

6. Evite a “atomização”. As profecias relacionadas com o fim do mundo não estão desconectadas da história da salvação. Portanto, considere o plano completo de Deus para a humanidade. A volta de Jesus não acontecerá num vácuo; ela está ligada a tudo que ocorreu antes. 

7. Tire o olhar do calendário. Muitos grupos tentam marcar datas para a volta de Jesus e especulam quanto ao cumprimento dos últimos eventos, o que é um erro. Ao perceber os sinais, olhe para cima e aguarde Aquele que está voltando. 

Sonhar com o fim e o novo começo faz parte da essência da nossa fé. O senso de iminência e expectativa é bíblico, mas é preciso fundamentar a esperança na revelação da Palavra de Deus. Embora muitos cristãos sejam movidos pelo sensacionalismo, escatologia de jornal pode ser pior do que ausência de escatologia. Por isso, escatologize da maneira correta. 

Marcos De Benedicto (via Revista Adventista)

Tudo na vida é vaidade?

"Vaidade de vaidades, diz o pregador, vaidade de vaidades, tudo é vaidade. " (Ec 1:2)

Na arte ocidental, a vaidade é frequentemente representada por um pavão. Na Bíblia, ela é simbolizada por uma prostituta, Babilônia, pesadamente coberta de joias e adornos. Na alegoria secular, a vaidade é entendida como um dos vícios humanos. Na Renascença, a vaidade foi representada por uma mulher reclinada num sofá, com um espelho, penteando os cabelos. Outros símbolos da vaidade incluem joias, moedas de ouro, uma carteira e frequentemente a figura da própria morte.

Em sentido bíblico original, a “vaidade” não se referia primariamente à obsessão pela aparência, mas à falta final de significado dos esforços humanos. Omnia Vanitas, tudo é vaidade, tornou-se, contudo, um objeto da arte. Em sua lista dos Sete Pecados Mortais, Hyeronymus Bosch representa a vaidade como uma mulher da burguesia se admirando num espelho, sustentado pelo próprio diabo. Por trás dela, encontra-se uma caixa de joias aberta. A famosa pintura de Vermeer, A Garota com um Brinco de Pérola, também é considerada um símbolo do pecado da vaidade, com uma jovem se adornando diante de um espelho, sem qualquer outro atributo alegórico positivo.

Talvez a mais impressionante peça de arte retratando a vaidade humana seja o quadro de C. Allan Gilbert (ilustração acima). Uma bela e bem vestida mulher da nobreza está assentada em seu toucador, repleto de objetos ligados à luxúria, perfumes e cosméticos, iluminada por uma vela à direita. Mas o quadro é no fundo uma ilusão de ótica. Bem observado, ele é uma caveira, que reflete a moça, aparentemente enamorada de sua figura no espelho. No filme O Advogado do Diabo, Satanás, representado por Al Pacino, observa que “a vaidade é seu pecado favorito”.

Todas essas obras artísticas servem para advertir seus observadores sobre a natureza efêmera da juventude e da beleza, bem como da brevidade da vida humana e da inevitabilidade da morte. Salomão utiliza a palavra “vaidade” 35 vezes ao falar da vida “debaixo do sol”. O termo significa vazio, futilidade, vapor, aquilo que desaparece rapidamente sem deixar vestígios. Se do ponto de vista humano a vida parece fútil, por outro lado, resgatada por Deus, ela pode ter um extraordinário significado, servindo aos Seus propósitos e exaltando Sua glória. A escolha desse significado, somos nós que fazemos.

Amin A. Rodor (via Meditações Diárias - Encontros com Deus)

"Por sua própria amarga experiência, Salomão aprendeu como é vazia uma vida que busca nas coisas terrenas seu mais elevado bem." (Ellen G. White - Educação, p. 153)

Assista o vídeo do prof. Leandro Quadros analisando esta passagem:

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

O contexto bíblico do 666

É bem antiga a interpretação do significado do número 666 pelo método chamado gematria. A aplicação do número ao alegado título papal “Vicarius Filii Dei” foi originalmente proposta por Andreas Helwig (1572-1643), em sua obra Antichristus Romanus, publicada em 1602. Muitos cristãos têm convicção da coerência dessa “exegese”. Além disso, protestantes históricos, desde os primeiros reformadores, relacionaram a entidade revelada por meio da metáfora do anticristo e da besta ao papado em sua trajetória perseguidora durante a Idade Média e no fim dos tempos, como o pretenso “substituto do Filho de Deus” (ver Robert O. Smith, More Desired than Our Owne Salvation: The roots of Christian zionism [Nova York: Oxford University Press, 2013], p. xxxv; Carl P. E. Springer, Luther’s Aesop [Kirksville, MO: Truman State University Press, 2011], p. 168. Antony C. Thiselton, 1 and 2 Thessalonians Through the Centuries [Malden, MA: Wiley-Blackwell, 2011], e-book).
No entanto, muitas questões surgem diante dessa interpretação. Primeiro, a palavra traduzida por “calcular” é o verbo grego psephizo, que tem o sentido de “contar” e “calcular”, mas também de “descobrir”, “interpretar” e “vir a conhecer” (Timothy Friberg, Barbara Friberg e Neva F. Miller, Analytical Lexicon of the Greek New Testament [Victoria, British Columbia: Trafford Publishing, 2005]). Ademais, outros nomes e títulos têm sido apontados como resultando em 666 por meio da gematria. Soma-se ainda o fato de que não há nada parecido em toda a Bíblia, nem em Daniel nem nos outros profetas. As metáforas ou símbolos deles não dependem de um cálculo numérico a partir de um nome ou título. Quando relatam visões, os profetas não usam códigos secretos, mas símbolos e metáforas, todos extraídos do contexto bíblico. Por fim, a aplicação do número a uma única entidade na história ignora que o 666 é mencionado em relação à besta em sua fase posterior à cura da ferida mortal, sendo algo ainda futuro. É importante destacar também que o número é da besta como um todo e não de uma de suas cabeças, aquela ferida em 1798.
Diante dessas considerações, diferentes autores têm se debatido em busca do verdadeiro significado do 666 (ver Beatrice S. Neall, The Concept of Character in the Apocalypse with Implications for Character Education [Washington, DC: University Press of America, 1983]; G. K. Beale, The Book of Revelation [Grand Rapids, MI: Eerdmans, 2013]; e Craig R. Koester, Revelation [New Haven: Yale University Press, 2014]). O objetivo deste artigo é discutir o tema com mais atenção ao contexto bíblico. A proposta é ver o relato acerca da imagem da besta e do número 666 (Ap 13:11-18) como parte de um contexto maior em que o capítulo 14 deve ser considerado, tanto quanto a primeira parte do 13. Ao mesmo tempo, também se busca no contexto bíblico as referências dessa visão de João. Nesse sentido, a pergunta é: Quais textos das Escrituras se refletem nessa visão e como nos ajudam a entender o que o apóstolo tinha em mente com o número 666?
CONTEXTO NO APOCALIPSE
O mais natural na interpretação da imagem da besta é vê-la como uma aliada da primeira besta e do dragão, formando a trindade do mal. Esses símbolos representam inimigos do povo da aliança, os quais o perseguem em diferentes fases da história. No tempo de Cristo, o império romano era o poder opressor dos judeus, e foi pela mão de soldados romanos que ­Cristo foi crucificado (cf. Ap 12:4; 2:9-10, 13). Durante a Idade Média, os cristãos foram perseguidos por 1.260 anos por uma entidade representada nesses mesmos símbolos (12:6, 14; 13:5, 7). E no tempo do fim são previstas intolerância e perseguição por parte desses poderes e seus aliados (12:17; 13:11-18).
No entanto, se nos detivermos em Apocalipse 12 e 13 para tratar dos símbolos ali descritos, poderemos ter apenas um contexto parcial das visões e enfrentaremos dificuldades ao lidar com o número 666. Diante dos desafios, a tendência é isolar o símbolo de seu contexto e ir para fora do texto bíblico em busca de significados possíveis. É preciso enfatizar que esse é um método impreciso. Os símbolos bíblicos só encontram sua correta interpretação dentro do contexto bíblico.
A proposta então é estender a perícope de estudo até Apocalipse 14:12. O motivo são as conexões claras entre os dois capítulos. O capítulo 13 diz que a “marca” da besta é colocada sobre a “mão” e a “fronte” das pessoas (13:16); o 14 começa com a visão dos 144 mil, que têm o nome de ­Cristo e de “seu Pai” sobre sua “fronte” (14:1). No capítulo 13, a segunda besta impõe a “marca da besta”; a terceira mensagem no capítulo 14 adverte contra a “marca da besta”, numa clara continuação do tema. Além disso, é preciso notar a conexão entre Apocalipse 13 e o Pentateuco. O capítulo 13 diz que a terra e seus habitantes “adoram” a besta e o dragão (v. 4, 8, 12, 15); já o 14 traz o apelo do primeiro anjo para adorar o Criador que fez o “céu, e a terra, e o mar”, numa alusão a Gênesis 1 e 2 e Êxodo 20. Por fim, o capítulo 13 usa as palavras “fôlego” (pneuma) e “imagem” (eikon) para descrever a ressurreição da besta, e nisso também faz alusão ao relato da criação, quando pneuma (fôlego de vida) é assoprado para fazer Adão à “imagem” e “semelhança” de Deus (Gn 2:7; 1:27, 31). Assim, as visões de Apocalipse 13 e 14 estão interligadas e fazem referência ao relato da criação em Gênesis 1 e 2 e a Êxodo 20.
Com essa intertextualidade entre Apocalipse 13 e 14 e Gênesis 1 e 2 encontramos uma importante pista para a interpretação do significado do número da besta, que é dito ser “número de homem” (Ap 13:18). O contraste entre o “número de homem” (13:18) e o “selo de Deus” (7:2; 14:1) também retoma a criação, quando o Deus criador e o homem criatura estão juntos no dia de sábado (Gn 2:1-3; Êx 20:8-11). No livro Secrets of Revelation: The Apocalypse through Hebrew eyes (Review and Herald, 2002, p. 118), Jacques Doukhan diz que a tradição bíblica associa o número seis ao homem desde sua criação, no sexto dia, e que isso está implicado na frase “número de homem” (Ap 13:18).
DESCANSO E PLENITUDE
O relato de que Deus descansa no ápice de Sua criação (Gn 2) vem logo após a informação de que Ele criou o homem “à Sua imagem” (1:26). Isso indica que o autor de Gênesis considera o descanso de Deus no sétimo dia à luz do tema da criação do homem à “imagem de Deus” no sexto dia. O objetivo é ensinar que o homem cultiva sua semelhança com Deus ao entrar com o Criador no descanso do sétimo dia. Gregory Beale afirma: “A humanidade foi criada no sexto dia, mas sem o sétimo dia de descanso Adão e Eva estariam incompletos e imperfeitos” (The Book of Revelation, p. 724).
De fato, ao imaginarmos o sétimo dia da semana da criação, podemos atestar a imagem e semelhança entre Deus e o homem à luz do tema do descanso. Toda a natureza seguia seu curso normal ao entrar no sétimo dia. Contudo, Deus e o homem pararam a fim de descansar e contemplar. A natureza é incapaz de parar e descansar por que não foi criada à imagem de Deus.
No entanto, com o pecado, as pessoas resistem a entrar no descanso divino, por causa de incredulidade e desobediência (Sl 95:11; Hb 3:11, 18, 19). Nesse caso, aqueles que se recusam a entrar no sétimo dia do descanso de Deus indicam, com isso, que não se consideram parte da imagem divina, mas parte da natureza, que não altera seu ritmo ao entrar no sábado. O autor de Hebreus usa o tema do descanso ­sabático em referência ao santuário. Mas o que é o ­sábado senão um santuário, em que se entra ou se deixa de entrar? Que a entrada no descanso divino aproxima o homem do Criador é bem atestado pelo autor de Hebreus: “Porque aquele que entrou no descanso de Deus, também ele mesmo descansou de suas obras, como Deus das Suas” (Hb 4:10).
Seguindo esse raciocínio, podemos dizer que, na semana da criação, avançar do sexto dia (o dia do homem) para o descanso do sétimo dia (o dia de Deus) é aceitar que fomos criados à imagem divina e que não viemos à existência por nós mesmos. A incredulidade referida em Hebreus consiste em não aceitar nossa origem divina por não entrar no descanso, referido com a linguagem do sábado. No entanto, quando o homem entra no descanso de Deus, ele se identifica com o Criador e deixa de ser parte da natureza para ser parte do ­círculo da divindade, como criatura que reflete a “imagem” e “semelhança” de Deus, atingindo a plenitude.
Nessa linha de pensamento, João pode ter empregado o número seis no Apocalipse como uma referência ao dia da criação do homem, mas fazendo menção ao homem que resiste a entrar no descanso de Deus, permanecendo assim na incompletude.
A ideia de incompletude referida pelo número seis no Apocalipse é bem clara. No sexto selo, sexta trombeta e sexta praga, o plano da salvação não está completado, e só se consuma quando se avança para o sétimo elemento. O “silêncio” do sexto selo (Ap 8:1), as “grandes vozes” celestiais da sétima trombeta (11:15) e o “está feito” da sétima praga (16:17) indicam o estado de plenitude a que chega a obra divina quando se avança do sexto para o sétimo elemento. “O sétimo em cada série no Apocalipse retrata a consumação do reino de Cristo. Cada série é incompleta sem o sétimo elemento” (The Book of Revelation, p. 722).
A MARCA E O SELO
João afirma que o selo divino é colocado sobre os “servos do nosso Deus” (Ap 7:3; 14:1). A palavra “selo” nesses versículos traduz o termo grego sphragis, o qual indica um meio ou instrumento de “autenticação”, “certificação”, “confirmação” e “reconhecimento” (Analytical Lexicon of the Greek New Testament). Nesse caso, o selo não é algo imposto, mas apenas uma forma de confirmar e certificar algo que é intrínseco, próprio do caráter e da escolha individual. Os servos de Deus já são servos antes do selo (Ap 7:3). Eles têm feito sua opção de servir ao Senhor e de ­adorá-Lo como Criador. Por isso têm o “selo” ou o “nome” divino em sua fronte (7:3; 14:1). O selo é algo que pode ser visto; é evidenciado na atitude dos servos de Deus em entrar no descanso divino no sétimo dia.
Por outro lado, o restante da humanidade, que não adora o Criador nem proclama a si mesmo como parte da criação à imagem e semelhança divina, recebe a “marca da besta” (Ap 13:17). A maioria das versões bíblicas traduz esse texto indicando que as pessoas recebem “a marca, o nome da besta ou o número do seu nome” como se fossem três coisas semelhantes. No entanto, o chamado Códex Alexandrino traz outra leitura (Revelation of Jesus Christ, p. 425). Literalmente, essa versão diz que as pessoas recebem “a marca, que é o nome da besta ou o número do seu nome” (Ap 13:17, NVI). Essa tradução se ajusta melhor ao contexto, ao indicar que a “marca” é uma forma de identificar aqueles que têm desenvolvido em si mesmos o “nome” ou o “número” da besta. “Nome” e “número” são indicativos do caráter dessas pessoas em sua associação com o dragão e a besta, inimigos de Deus, os quais não aceitam sua origem como criação divina.
A palavra grega usada para “marca” é káragma, que indica “marca ou carimbo feito por gravura, impressão, marcação”, em geral para marcar animais e escravos (Analytical Lexicon of the Greek New Testament). Enquanto o selo é uma autenticação de algo voluntariamente aceito, a marca é algo imposto como resultado de conformidade ou submissão. Assim, no contexto de Apocalipse 13 e 14, os “selados” são aqueles que assumem sua origem como “imagem” de Deus porque entram em Seu descanso e, assim fazendo, O adoram como Criador (Ap 14:7). Os “marcados” são aqueles que não assumem nem cultivam sua semelhança com Deus e, assim fazendo, não O reconhecem nem O adoram como Criador.
O ESPÍRITO DO ANTICRISTO
A resistência em adorar o Criador corresponde, portanto, a resistir em avançar da condição humana de número seis e ascender para o sete da perfeição. No entanto, a resistência a ser criatura divina e a entrar no descanso de Deus não é uma atitude final. Aqueles que não admitem sua filiação com Deus vão necessariamente tentar ocupar o lugar de Deus, no sentido de substituí-Lo. Com isso, assumem o espírito do anticristo, desejando colocar-se em lugar de Deus.
Sendo uma Trindade perfeita, Deus pode ser designado com a repetição tríplice do sete. Por outro lado, a trindade satânica (dragão, besta e falso profeta), sendo uma imperfeita contrafação da ­Divindade, seria designada com a repetição ­tríplice do seis, o que indica uma intensificação da incompletude (The Book of Revelation, p. 722).
Nesse caso, o número 666 pode indicar a tentativa repetida e frustrada por parte do diabo, da besta e do falso profeta em ser como o Deus perfeito, associado no Apocalipse ao número sete. Essa mesma tentativa é seguida por todos aqueles que não admitem sua origem divina. Por isso, eles têm o “nome” ou o “número” da besta. Assim, o número 666 pode ser visto como a “acumulação ou repetição tríplice do número seis”, da recusa insistente em assumir a própria identidade como imagem divina (Alan F. Johnson, Revelation [Grand Rapids, MI: Zondervan, 1981], p. 535).
O dragão, a antiga serpente, foi o primeiro a fazer essa investida. Ele recusou a se submeter a Deus como parte de Sua criação e não O glorificou como Senhor. Em seguida, desejou ocupar o lugar de Deus: “Eu subirei ao Céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono e no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do Norte; subirei acima das mais altas nuvens e serei semelhante ao Altíssimo” (Is 14:13, 14). “Semelhança” aqui não indica afinidade, mas concorrência e substituição. Lúcifer queria assentar-se no santuário celestial, em lugar de Deus. Na sequência, ele disse a Eva: “Você será como Deus” (Gn 3:5), levando-a a imitá-lo em sua ofensiva fracassada.
Quando ergueu a estátua de ouro com 60 côvados de altura e seis de largura (­Dn 3:1), Nabucodonosor estava empreendendo a mesma tentativa de ocupar o lugar de Deus. O Senhor havia revelado que a cabeça de ouro da estátua do sonho representava Babilônia em sua fase na história (Dn 2:38, 39), e que por fim viria o reino de Deus (Dn 2:44). Entretanto, com uma estátua toda de ouro, o rei quis indicar que seu reino cobriria toda a história e não permitiria a chegada do reino de Deus. Nisso, ele exibia o mesmo espírito ou “nome” do anticristo.
A besta, ao imitar o dragão, faz a mesma investida. Ela pretende ser semelhante a Deus, no sentido de estar no lugar Dele, daí o pretenso título de “substituto do ­Filho de Deus”. Por isso, a respeito dela se indaga: “Quem é semelhante à besta?” (Ap 13:4), como se ela fosse superior a todos, incluindo Deus. Quando João diz que os ímpios têm a “marca” da besta, está dizendo que eles têm o mesmo caráter dela, ou seja, compartilham com ela e com o dragão o desejo de querer ocupar o lugar de Deus, tentando ser “semelhantes” a Ele, no sentido de concorrência e substituição.
Nessa linha, Beatrice S. Neall afirma que “o número 666 representa a recusa humana de ascender para o sete, de dar glória a Deus como Criador e Redentor”. Ele “representa o homem exercendo a soberania em lugar de Deus, o homem conformado à imagem da besta em lugar da imagem de Deus” (The Concept of Character in the Apocalypse, p. 154).
O nome e o número da besta, portanto, não são exclusivos dela. Ela os obteve ao se identificar com o próprio Satanás em sua campanha de tentar ser semelhante a Deus. A finalidade da besta é impor esse “nome” e “número” a toda humanidade. O dragão levou Eva a desejar ser “semelhante” a Deus, no sentido de concorrência e substituição. Ao partilhar da investida do dragão, a primeira mulher perdeu sua identidade com o Criador e se tornou a primeira pessoa a demonstrar um caráter associado ao nome e ao número da besta. Contudo, depois teve a oportunidade de se arrepender.
O 666, nessa perspectiva, aponta não a uma entidade única, mas a uma atitude de incredulidade e rebeldia compartilhada pelo dragão, a besta, o falso profeta e por todos aqueles que não recebem o selo de Deus, por não entrarem em seu descanso, com todas as implicações nisso envolvidas.
A suprema realização do ser humano não consiste em negar o Criador e tentar substituí-Lo, mas em avançar da condição do número seis (número de homem) para a plenitude do sete (o número divino). Entrar no descanso de Deus é assumir nossa identidade como filhos criados à imagem e semelhança divina. Todos aqueles que ­cultivam essa identidade recebem o selo do Deus vivo, preparando-se para estar com o Cordeiro sobre o monte Sião. 
Vanderlei Dorneles (via Revista Adventista)

Vejamos também a explanação do prof. Leandro Quadros sobre esse assunto:

Se você não quer cair no buraco, fique longe da beira

Na Revista Seleções, Jim Grant conta a história de um homem de negócios com excesso de peso que decidiu que estava na hora de perder uns bons quilos. Levava a sério sua dieta, chegando mesmo a mudar de rota para evitar a doceria favorita. 

Certa manhã, entretanto, ele apareceu no trabalho com um bolo gigante de chocolate. Os colegas de escritório começaram a zombar dele, mas ele permanecia impassível com seu sorriso. “Este é um bolo especial”, disse. “Acidentalmente, tive que passar em frente à doceria nesta manhã e ali, na vitrine, havia grande quantidade de bolos. Senti que não era tão acidental assim, e orei: ‘Senhor, se é de Tua vontade que eu compre um destes bolos de chocolate, que haja um lugar para estacionar em frente da porta da doceria’. Depois de oito voltas na quadra, apareceu o lugar.”

A tentação vem. Não importa se é um pedaço de bolo, ou alguma coisa que você não deve ter, algo que você não deve fazer, ou um lugar aonde não deve ir. O aviso é: “Fique longe da zona de perigo.” Paulo diz: “Fujam da imoralidade.” (1Co 6:18). Quer dizer, corra na direção contrária. Se você tem problemas com bebida alcoólica, não passe em frente ao bar. Se gosta de dançar, não vá aonde possa escutar o som da “balada”. Em outras palavras, não fique nadando nem brincando ao redor da isca, muito menos olhando para ela.

Quão perto posso me aproximar do fogo e não me queimar? E se eu sair quando sentir cheiro de fumaça? A preocupação deve ser: Como posso ficar o mais longe possível do pecado?

O diabo pode dizer: “Tire uma folga espiritual neste fim de semana. Só hoje à noite. Só uma hora. Afinal, é só uma visita à zona proibida. Você é maduro e sabe que não vai ficar lá.”

Por ocasião do lançamento do filme A Paixão de Cristo, Mel Gibson esteve presente a uma grande concentração de pastores na cidade de Chicago. Perguntaram-lhe por que tinha colocado uma mulher com véu para representar o mal. “O mal toma a forma de beleza, é quase bonito... ele se disfarça e se mascara, mas se as antenas de vocês estiverem ligadas, vão identificá-lo.”

Pedro adverte: “Cuidado, há um gato predador pronto para saltar sobre a presa. Nada de cochilar!” Através do poder da graça de Deus, você experimentará vitória sobre a tentação.

José Maria Barbosa Silva (via Meditações Diárias - Momentos de Graça)

E se Jesus vier dentro de dez anos? Ellen White responde

Veja que interessante este diálogo entre Ellen G. White e um certo irmão, extraído do livro Eventos Finais, pp. 35-36:

- Irmã White, acha que o Senhor virá dentro de dez anos?

- Que diferença fará para o irmão se Ele vier dentro de dois, quatro ou dez anos? - disse Ellen White.

- Ora - disse ele, - penso que, em alguns aspectos, eu agiria de modo diferente do que faço agora, se soubesse que o Senhor viria dentro de dez anos.

- O que o irmão faria? - perguntou Ellen.

- Eu venderia minha propriedade, começaria a examinar a Palavra de Deus, procuraria advertir as pessoas e levá-las a se prepararem para Sua vinda, e suplicaria a Deus que eu estivesse preparado para o encontro com Ele.

Então perguntou Ellen: - Se soubesse que o Senhor não viria dentro de vinte anos, viveria de maneira diferente?

Ele respondeu: - Penso que sim. ...

Quão egoísta era a expressão de que levaria uma vida diferente caso soubesse que o seu Senhor viria dentro de dez anos! Pois bem, Enoque andou trezentos anos com Deus. Isto é uma lição para nós, a fim de que andemos cada dia com Deus, e não estaremos seguros se não esperarmos e vigiarmos.

Ellen White complementa nos dizendo no livro Cuidado de Deus, pp. 368-369:

“Se eu soubesse que Cristo havia de voltar dentro de alguns anos”, diz alguém, “eu viveria de modo bem diferente.” Mas se cremos que Ele virá, quando quer que seja, devemos viver justamente com a mesma fidelidade que demonstraríamos se soubéssemos que havia de vir dentro de poucos anos. Não podemos ver o fim desde o princípio, mas Cristo proveu suficiente auxílio para cada dia do ano.

Tudo com que temos que nos haver, é este dia de hoje. Hoje devemos ser fiéis ao nosso legado. Hoje devemos amar a Deus de todo o coração, e ao nosso próximo como a nós mesmos. Hoje é que nos cumpre resistir às tentações do inimigo, e pela graça de Cristo alcançar a vitória. Isto é vigiar e aguardar a vinda de Cristo. Devemos viver cada dia como se soubéssemos ser ele nosso último dia na Terra. Se soubéssemos que Cristo viria amanhã, não haveríamos então de comprimir no dia de hoje todas as palavras bondosas, todos os atos desinteressados que nos fosse possível? Devemos ser pacientes e amáveis, e possuídos de fervor intenso, fazendo tudo que está em nosso poder para ganhar pessoas para Cristo.

Insto convosco a que volvais vossos pensamentos das coisas mundanas e os focalizeis nas coisas da eternidade. Cristo pôs a vida eterna ao vosso alcance, e prometeu dar-vos auxílio em todo tempo de necessidade.

Não devemos nunca ficar satisfeitos com as realizações presentes. Se pusermos mente e coração na tarefa de alcançar o ideal de Deus para conosco, se formos a Cristo, o poderoso Ajudador, em busca de auxílio, Ele nos dará justamente a assistência de que carecemos. Ele nos concederá exatamente o poder que nos habilitará a ser vitoriosos na luta contra o mal.

domingo, 20 de janeiro de 2019

Sequência dos eventos que antecederão a volta de Cristo

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Algo que fascina e intriga qualquer estudante da Bíblia são as profecias, principalmente aquelas que ainda estão por se cumprir. Como adventistas, temos uma visão muito ampla dos acontecimentos finais da história. Tão ampla que, às vezes, nos perdemos em meio ao grande volume de informações. Para não se confundir, você encontra a seguir uma visão panorâmica dos eventos que antecederão a segunda vinda de Cristo. A sequência não é rígida, mas procura seguir a ordem mais lógica e natural dos acontecimentos mencionados na Bíblia e nos escritos de Ellen White. Momentos difíceis nos aguardam no futuro, mas a felicidade de estar com Jesus compensará tudo.

1. REAVIVAMENTO E REFORMA
Significa a completa mudança de mentalidade, hábitos e práticas entre o povo de Deus. Requisito para a chuva serôdia, só ocorrerá por meio de verdadeira conversão (Jl 2:12; 13, 23, 28, 29).

2. CHUVA SERÔDIA 
Concessão especial do poder do Espírito Santo, é semelhante à experiência do Pentecostes (Jl 2:23, 28-31; At 2) e indispensável para a conclusão da missão. Requer profunda consagração (Jl 2:12, 13, 15-17). 

3. ALTO CLAMOR
Como resultado da chuva serôdia, a igreja desperta e se envolve intensamente na pregação global do evangelho eterno (Ap 14:6-12; 18:1), dando oportunidade para cada ser humano decidir sobre a própria salvação (Mt 24:14; Mc 16:15).

4. SACUDIDURA
A mornidão espiritual, as falsas doutrinas, a crise final e a perseguição gerada pelo decreto dominical vão "peneirar" o povo de Deus. O "trigo" permanece na igreja enquanto o "joio" sai dela e se une aos perseguidores (Am 9:9; Mt 13:24-30).

5. SELAMENTO
Conduzido pelo Espírito Santo, esse processo se inicia na conversão e termina com a morte do crente ou o fim do juízo pré-advento (Ef 1:13; 4:30). O selo invisível, que prepara a pessoa para o tempo da angústia (Ap 7:2 3), confirma que ela pertence a Deus e é fiel à Sua lei (Is 8:16; Ez 20:20).

6. DECRETO DOMINICAL E PERSEGUIÇÃO
A união do poder religioso (papado) com o político (Estados Unidos) resultará na imposição por lei da guarda do domingo (Ap 13). Os guardadores da lei de Deus serão perseguidos e terão que fugir das grandes cidades.

7. ENGANOS SATÂNICOS
O inimigo concentrará seus maiores esforços nos últimos dias, usando principalmente o espiritismo e o protestantismo desvirtuado. Porém, o clímax do engano ocorrerá no tempo de angústia, quando ele imitará os milagres e o retorno de Cristo (2Co 11:14; Mt 24:23-27).

8. TEMPO DE ANGÚSTIA PRÉVIO
Breve período, possivelmente entre o decreto dominical e o fechamento da porta da graça, quando tribulações deixarão o mundo perplexo (Lc 21:25, 26; Ellen G. White - Primeiros Escritos, p. 85, 86).

9. FIM DO TEMPO DA GRAÇA
Quando Cristo concluir o juízo pré-advento no Céu, os salvos terão sido selados na Terra e o destino eterno de cada ser humano estará definido (Ap 22:11). O Espírito Santo deixará de atuar no coração dos ímpios e começará o tempo de angústia e o derramamento das pragas.

10. TEMPO DE ANGÚSTIA E AS SETE PRAGAS
Depois de terminada a intercessão no Céu (Ap 15:5-8), haverá um período de aflição sem precedentes (Dn 12:1), em que os anjos não mais conterão a fúria dos homens, da natureza e do mal (Ap 7:1-3). As sete pragas castigarão apenas os ímpios. Com exceção, talvez, da sexta e sétima pragas, esses flagelos não terão alcance global (Ap 16).

11. DECRETO DE MORTE
Os ímpios culparão o povo de Deus pelas pragas. Os fiéis serão perseguidos com o apoio de um decreto de morte promulgado pela coalizão entre as duas bestas de Apocalipse 13.

12. ANGÚSTIA DE JACÓ
Com a perseguição batendo à porta, o povo de Deus passará por um breve período de intensa angústia, assim como Jacó (Gn 32:22-32; Jr 30:7). Eles clamarão pela certeza do perdão dos pecados e por livramento da perseguição. Deus estará com eles.

13. ARMAGEDOM
É a última batalha entre o bem e o mal, que incluirá aspectos políticos, militares e religiosos. Terá alcance global e ocorrerá entre a sexta e a sétima pragas (Ap 16:12-16). Cristo e seu povo triunfarão (Ap 19:11-21).

14. LIVRAMENTO
A sétima praga inclui relâmpagos, trovões, um terremoto gigantesco, chuva de granizo e outros fenômenos cataclísmicos (Ap 16:17-21). Colocará fim à perseguição e culminará com o juízo de Deus contra a Babilônia mística e a ressurreição especial dos que precisam testemunhar a volta de Cristo (Dn 12:2; Ap 1:7).

15. SEGUNDA VINDA DE CRISTO
Ela será visível, audível e gloriosa. Jesus virá numa nuvem branca acompanhado de todos os seus anjos (Mt 24:30; Ap 1:7) para ressuscitar os justos mortos, transformar os justos vivos (1Co 15:51, 52), fulminar os ímpios (2Ts 2:8) e levar os salvos para o Céu (1Ts 4:16, 17). Lá eles passarão mil anos (Ap 20:4), e retornarão com Cristo à Terra para testemunhar a destruição de pecado e pecadores (Ap 20:5; 7-15) e a restauração do planeta, no qual irão morar eternamente (Ap 21:1-4).

Fontes: O Grande Conflito e Eventos Finais, de Ellen G. White; e Preparação para a Crise Final (CPB, 2011), de Fernando Chaij - Edição do texto: Eduardo Rueda (via Revista Adventista)

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

O dia em que Satanás desejou voltar ao Céu

Depois que Satanás foi expulso do céu (como lemos em Ap 12:7-9), ele já havia recebido todas as oportunidades possíveis. Por isso, quando foi jogado para a Terra (Ap 12:12; Lc 10:18), o destino dele já estava selado, pois, ele escolheu assim.

Oportunidades não faltaram a Lúcifer. Podemos ter certeza disso. Afinal, a Bíblia ensina que “Deus é amor” (1 Jo 4:8, 16), que Ele tem “prazer na misericórdia” (Mq 7:19) e que o Criador é “[…] Deus compassivo e cheio de graça, paciente e grande em misericórdia e em verdade”. Além disso, Ele se alegra em ver que o indivíduo, por mais perverso que seja, se converta e viva (Ez 18:23, 32). Ellen White esclarece que o tempo da graça para Satanás e seus anjos esgotou-se com a expulsão deles do Céu: 
"Deus, em Sua grande misericórdia, suportou longamente a Satanás. Este não foi imediatamente degradado de sua posição elevada, quando a princípio condescendeu com o espírito de descontentamento, nem mesmo quando começou a apresentar suas falsas pretensões diante dos anjos fiéis. Muito tempo foi ele conservado no Céu. Reiteradas vezes lhe foi oferecido o perdão, sob a condição de que se arrependesse e submetesse." (O Grande Conflito, pp. 495-496)
“Não havia possibilidade de esperança de redenção para estes que haviam testemunhado e compartilhado da glória inexprimível do Céu, tinham visto a terrível majestade de Deus e, em face de toda esta glória, ainda se rebelaram contra Ele. Não haveria novas e maravilhosas exibições do exaltado poder de Deus que os pudessem impressionar tão profundamente como aquelas que já haviam testemunhado.” (No Deserto da Tentação, pp. 25 e 26)
Havendo perdido sua posição nas cortes celestiais, Satanás ainda solicitou para ser readmitido no Céu, mas Cristo lhe disse que isto seria impossível.
"Satanás agora observava os terríveis resultados de sua rebelião. Satanás estava espantado ante sua nova condição. Sua felicidade acabara. Olhava para os anjos que, com ele, outrora foram tão felizes, mas que tinham sido expulsos do Céu em sua companhia. Antes de sua queda nenhuma sombra de descontentamento tinha turbado sua perfeita alegria. Agora, tudo parecia mudado. As faces que tinham refletido a imagem de seu Criador estavam melancólicas e em desespero. Conflito, discórdia e ásperas recriminações existiam entre eles. Antes de sua rebelião, esses acontecimentos eram desconhecidos no Céu. Satanás agora observava os terríveis resultados de sua rebelião. Ele estremecia e temia encarar o futuro e contemplar o fim dessas coisas. Ele está sozinho, meditando sobre o passado, o presente e o futuro de seus planos. Sua poderosa estrutura vacila como numa tempestade.
Um anjo do Céu está passando. Ele o chama e suplica uma entrevista com Cristo. Isto lhe é concedido. Então, relata ao Filho de Deus que está arrependido de sua rebelião e deseja voltar ao favor divino. Está disposto a tomar o lugar que previamente Deus lhe designara e sujeitar-se a Seu sábio comando. Cristo chorou ante o infortúnio de Satanás, mas disse-lhe, como pensamento de Deus, que ele jamais poderia ser recebido no Céu. O Céu não devia ser colocado em perigo. Se fosse recebido de volta, todo o Céu seria manchado pelo pecado e rebelião originados com ele. As sementes da rebelião ainda estavam nele. Não tivera, em sua rebelião, nenhum motivo para seu procedimento, e arruinara irremediavelmente não só a si mesmo, mas a multidão de anjos, que teria sido feliz no Céu, tivesse ele permanecido firme. A lei de Deus podia condenar mas não podia perdoar.
Ele não se arrependeu de sua rebelião porque visse a bondade de Deus, da qual havia abusado. Não era possível que seu amor por Deus tivesse aumentado tanto desde a queda, que o levasse a uma alegre submissão e feliz obediência à Sua lei, por ele desprezada. A desgraça que experimentara em perder a doce luz do Céu, o senso de culpa que o oprimia, o desapontamento que sentiu em não ver realizadas suas esperanças, foram a causa de sua dor. Ser comandante fora do Céu era vastamente diferente de ser assim honrado no Céu. A perda que sofreu de todos os privilégios celestiais parecia demais para suportar. Desejava recuperá-los.
Esta grande mudança de posição não tinha aumentado seu amor por Deus, nem por Sua sábia e justa lei. Quando Satanás se tornou plenamente convencido de que não havia possibilidade de ser reintegrado no favor de Deus, manifestou sua maldade com aumentado ódio e feroz veemência.
Deus sabia que tão determinada rebelião não permaneceria inativa. Satanás inventaria meios para importunar os anjos celestiais e mostrar desdém por Sua autoridade. Como não podia ser admitido no interior dos portais celestes, aguardaria mesmo à entrada, para escarnecer dos anjos e procurar contender com eles ao passarem. Procuraria destruir a felicidade de Adão e Eva. Esforçar-se-ia por incitá-los à rebelião, sabendo que isto causaria tristeza no Céu." (História da Redenção, p. 24-27)
Deus nos dá as mesmas oportunidades para arrependimento e mudança de nossos conceitos religiosos equivocados que podem nos levar à perdição eterna. Iremos aproveitar as oportunidades que o Espírito Santo nos oferece todos os dias?
“Como diz o Espírito Santo: Se hoje vocês ouvirem a voz de Deus, não sejam teimosos...” (Hb 3:7, 8, NTLH)

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Morte de cristãos aumentou 40% em 2018 em todo o mundo

Como faz todos os anos, a Missão Portas Abertas divulgou o ranking Mundial de Perseguição, que apresenta um panorama da intolerância religiosa contra os cristãos. Segundo os dados do levantamento que cobre o período de 1º de novembro de 2017 a 31 de outubro de 2018, houve um aumento de 40,4% na comparação com a pesquisa anterior.

Atualmente, 245 milhões de cristãos em todo o mundo estão sujeitos à perseguição. No ano passado morreram pelo menos 4.305 pessoas pelo simples fatos de serem cristãs. O relatório não considera os dados de mortes causadas por contextos políticos ou de conflitos étnicos.

A Portas Abertas aponta ainda o crescimento de 65% no total de pessoas detidas sem julgamento, sentenciadas e presas – 3.150 cristãos – e de 133% nos ataques a igrejas e edifícios cristãos no período: 1.847 templos.

O crescimento da perseguição aos cristãos ocorre principalmente no Oriente Médio, na África e na Ásia Oriental, onde grupos extremistas são os principais responsáveis pela violência. Desde 2003, a Coreia do Norte ocupa a primeira posição do ranking, mas a Nigéria é o país que mostra o maior crescimento de práticas violentas contra cristãos.

Em 2018, 3.731 pessoas morreram no Norte e no Cinturão Médio do país mais populoso da África. No ano anterior, foram 2.000. Marco Cruz, secretário-geral da Portas Abertas no Brasil, destaca que esse aumento se deu na região dos 12 estados que adotaram a sharia, lei religiosa islâmica.

Por exemplo, no estado nigeriano de Plateau, a Câmara dos Representantes chegou a classificar como “genocídio” as mortes de cristãos devido à sua fé. Recordista no país, esse estado registrou 1.885 assassinatos, segundo o levantamento da Portas Abertas.

“O governo nigeriano não tem tomado iniciativas para reduzir essas perseguições e nem sequer as reconhece”, explica Cruz.

No continente africano, República Centro-Africana (RCA), Somália e Etiópia ocupam as posições seguintes do relatório. As mortes e perseguições a cristãos são causadas principalmente por grupos terroristas. Além do Boko Haram, com sede na Nigéria, o Exército da Resistência de Deus (na RCA) e o Al-Shabab (na Somália e Etiópia) são responsáveis pelos ataques.

Conforme explica Cruz, “os radicais muçulmanos atuam em favor do enrijecimento de regras locais contra outras religiões e até mesmo para proibir o acesso de cristãos às escolas e aos empregos.”

Em países como a Coreia do Norte e a China, a perseguição é promovida pelos próprios governos, declaradamente comunistas. A Portas Abertas calcula que existam entre 200.000 e 400.000 norte-coreanos e entre 50.000 e 70.000 deles estão confinados em campos de trabalhos forçados.

Já a China é campeã em detenção de cristãos sem julgamento e em prisões. Em 2019, o país fez isso com 1.131 pessoas que professavam a fé cristã. O contraste é enorme, já que na pesquisa anterior esse total era de 134.

O maior “destaque” negativo do ranking atual fica com a Índia, que ocupa agora a 10ª posição. Cinco anos atrás era a 28ª! Por lá são os grupos nacionalistas hindus que representam o maior perigo à liberdade religiosa. O país que no passado foi conhecido pelos movimentos de “não violência” agora vê a perseguição aos cristãos se tornar cada vez mais comum, incluindo destruição de igrejas, espancamentos e morte de fiéis que não negam sua fé em Jesus. (Gospel Prime)

Confira aqui o ranking 2019 divulgado pelo Portas Abertas.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

8 razões para proibir smartphones para crianças até 12 anos

Embora às vezes possamos pensar que proibir os smartphones para crianças possa ser uma medida um pouco exagerada, há fortes argumentos que indicam que pode ser o melhor para elas. Antes, a maior preocupação era que as crianças passassem muitas horas na frente de uma televisão; mas agora, eles até dormem com seus celulares.

Alguns especialistas na área dizem que o telefone celular pode ser prejudicial a elas, e até enfatizam que bebês e crianças pequenas usam tablets e smartphones, quando eles só poderiam começar a interagir com a tecnologia depois de 2 anos e não antes. Aqui explicamos 8 razões para banir smartphones para crianças e bebês:

1. Desenvolvimento do cérebro
Como o cérebro é exposto ao uso excessivo de tecnologias, isso pode acelerar seu crescimento, especialmente em bebês entre 0 e 2 anos de idade. Isso resultaria em problemas como déficit de atenção , atrasos cognitivos, problemas de aprendizado, aumento da impulsividade e falta de autocontrole. O uso do celular em uma idade jovem pode causar problemas no desenvolvimento do bebê.

2. Excesso de radiação
A Organização Mundial de Saúde (OMS) classifica os telefones móveis como um risco para crianças e até adultos, porque emite muita radiação. As crianças, neste caso, são mais sensíveis a esses agentes, o que aumenta o risco de contrair doenças como o câncer.

3. Doenças mentais
Vários estudos revelaram que o uso excessivo de novas tecnologias está aumentando consideravelmente a taxa de depressão e ansiedade infantil, transtornos de apego, déficit de atenção, transtorno bipolar, psicose e outros problemas de comportamento infantil. Tudo isso também está ligado a outros fatores, como redes sociais, onde as crianças são frequentemente propensas ao cyberbullying.

4. Comportamento agressivo
Com as novas tecnologias, as crianças são mais propensas a receber conteúdo violento e agressivo , o que pode alterar seu comportamento. Devemos lembrar que as crianças imitam tudo o que vêem, o que torna ainda mais perigoso receber qualquer tipo de conteúdo sem verificação. Portanto, os pais devem estar muito atentos ao que os filhos fazem na internet.

5. Alterações no sono
Especialistas indicam que os pais que não supervisionam o uso da tecnologia de crianças, muitas vezes têm filhos que têm mais dificuldade em adormecer, devido ao uso de telefones celulares durante a noite. Essa falta de sono afetará muito seu desempenho acadêmico e sua saúde.

6. Déficit de atenção
O uso excessivo de tecnologia também pode causar déficit de atenção em crianças, bem como diminuir sua interação com outras crianças ou pessoas . Também pode reduzir a concentração e a memória das crianças, porque a velocidade do conteúdo afeta você.

7. Obesidade infantil
O uso de tecnologias geralmente envolve um estilo de vida sedentário, e esse é um problema que está aumentando notavelmente nos lares. A falta de atividade faz com que as crianças sofram de obesidade e isso causa doenças como diabetes, problemas vasculares ou cardíacos.

8. Vício infantil
Alguns estudos concluem que um em cada 11 jovens de 8 a 18 anos é viciado em novas tecnologias, um número muito alarmante e que com o passar dos anos pode aumentar. Toda vez que crianças usam um dispositivo eletrônico, elas são separadas mais de seus pais, familiares e amigos.

Quando as crianças e adolescentes podem usar smartphones?
A Associação Pediátrica Japonesa iniciou uma campanha para banir smartphones para crianças, sugerindo que os pais exercitem o controle e façam mais jogos recreativos com elas. Por sua parte, a Academia Americana da Sociedade Canadense de Pediatria revelou que bebês de 0 a 2 anos de idade não devem usar a tecnologia, enquanto as crianças de 3 a 5 anos devem usar no máximo até uma hora por dia. Finalmente, para aqueles com 6 a 18 anos de idade, o uso deve ser de no máximo 2 horas por dia.

Devemos conhecer os danos que as novas tecnologias podem causar às crianças e jovens. É difícil evitar usá-las, porque eles praticamente nasceram com eles, mas você pode evitar usá-las em excesso afinal isso pode causar-lhes danos. É importante que eles não substituam o tempo de brincadeira com os pais ou a leitura de um livro.

Tradução feita pela CONTI outra, do original de EresMama

Nota: Cabe neste contexto desafiador alguns importantes conselhos deixados por Ellen G. White:

"Os divertimentos emocionantes de nosso tempo mantêm a mente de homens e mulheres, porém mais especialmente da juventude, numa febre de agitação, que lhes consome a reserva de vitalidade numa medida muito maior que o estudo e os trabalhos físicos, e cuja tendência é amesquinhar o intelecto e corromper a moral." (Mensagens aos Jovens, p. 373)

"Para que as crianças e os jovens tenham saúde, alegria, vivacidade e músculos e cérebro bem desenvolvidos, convém que estejam muito ao ar livre, e tenham ocupação e recreação bem equilibradas." (Conselhos aos Professores, Pais e Estudantes, p. 83)

"Ensinai vossos filhos a raciocinar da causa para o efeito; mostrai-lhes que, se violarem as leis de seu ser, como consequência sofrerão doenças. Se com vossos esforços não puderdes ver melhora especial, não desanimeis; instruí pacientemente 'mandamento sobre mandamento ... regra sobre regra ... um pouco aqui, um pouco ali.' Prossegui até alcançar a vitória. Continuai a ensinar vossos filhos quanto ao próprio corpo, e como dele cuidar. A imprudência em relação à saúde física leva à imprudência no caráter moral." (Testimonies for the Church 2, p. 536, 537)

"Mas é necessário haver grande temperança nas diversões, bem como em qualquer outra ocupação. E o caráter desses entretenimentos deve ser cuidadosa e cabalmente considerado. Todo jovem deve perguntar-se a si mesmo: Que efeito terão essas diversões na saúde física, mental e moral? Ficará meu espírito tão absorvido que me esqueça de Deus? Deixarei de ter em mente a Sua glória?" (O Lar Adventista, p. 512)

"Todas as energias de Satanás são postas em operação para prender a atenção em diversões fúteis, e ele está conseguindo seu objetivo. Está interpondo seus artifícios entre Deus e a pessoa. Ele forjará divertimentos a fim de impedir os homens de pensarem a respeito de Deus. O mundo está de contínuo sedento de alguma novidade; quão pouco tempo e pensamento, no entanto, se dedicam ao Criador dos céus e da Terra!" (Conselhos aos Pais, Professores e Estudantes, p. 456)

"Os jovens geralmente se conduzem como se as preciosas horas da graça, enquanto a miséria se estende, fossem um grande feriado e eles tivessem sido postos no mundo meramente para entretenimento próprio, para fruir uma contínua sucessão de incitamento. Satanás tem feito esforços especiais para induzi-los a buscar a felicidade em diversões mundanas, e justificar-se procurando mostrar que esses divertimentos são inofensivos, inocentes, e mesmo importantes para a conservação da saúde." (Conselhos para a Igreja, p. 167)

Pesquisa global mostra como os adventistas vivem a fé

Desde o último quinquênio, a sede mundial da Igreja Adventista tem aplicado um questionário a fim de entender melhor as crenças, atitudes e o comportamento dos adventistas. Essa base de dados tem servido para a elaboração do planejamento estratégico da denominação. Na pesquisa divulgada em 2013, 26.343 pessoas de nove Divisões foram entrevistadas (margem de erro de 3%). Porém, no estudo apresentado em 2018, a amostragem foi bem maior: 63.756 adventistas de 13 Divisões (margem de erro de 1%). Abaixo você confere os principais destaques deste último levantamento.

PRÁTICAS ESPIRITUAIS
Em relação à pesquisa de 2013, a leitura da Bíblia subiu 7%, a frequência à igreja caiu 7% e aumentou em 5% os que nunca realizam o culto familiar.

- 48% leem diariamente a Bíblia.
- 36% estudam diariamente a Lição da Escola Sabatina.
- 65% oram todos os dias.
- 17% leem os escritos de Ellen G. White diariamente.
- 37% realizam o culto familiar todos os dias.
- 35% participam semanalmente de um pequeno grupo.
- 71% frequentam semanalmente a igreja.
- 68% frequentam semanalmente a Escola Sabatina.

DOUTRINAS-CHAVE
As crenças espiritualistas e a incompreensão sobre o mandamento bíblico do sábado são grandes desafios no sul e sudeste da Ásia.

- 83% concordam que o sábado é o dia bíblico para a adoração e que o juízo pré-advento começou em 1844 no santuário celestial.
- 33% disseram que a alma é uma entidade separada do corpo (dualismo).
- 13% acreditam que os mortos se comunicam com os vivos e que um cristão pode consultar feiticeiros ou curandeiros.
- 44% não acreditam ou não têm certeza de que Jesus voltará à Terra em sua geração.
- 15% têm dúvida ou não acreditam que Deus criou a vida na Terra num passado recente e ao longo de uma semana literal.

SAÚDE
Os norte-americanos são campeões no vegetarianismo, mas é nas regiões que mais se consome carne que os adventistas acreditam que seguir a mensagem de saúde garante a própria salvação.

- 19% são vegetarianos ou veganos.
- 9% bebem álcool.
- 3% consomem tabaco.

IGREJA
Os adventistas não pretendem mudar de religião, mas estão insatisfeitos com sua vivência de fé na igreja local.

- 82% disseram que muito provavelmente continuarão vinculados à Igreja Adventista por toda a vida.
- 48% apenas estão muito satisfeitos com sua igreja local.

MISSÃO
Os adventistas da África e América Latina são os mais envolvidos em atividades missionárias.

- 28% ajudam semanalmente em algum ministério.
- 44% ajudam outros com suas dúvidas e lutas espirituais.
- 25% testemunham semanalmente para não adventistas.


(Publicado originalmente na edição de dezembro de 2018 da Revista Adventista)