sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Jesus da Mangueira

Grupos religiosos conservadores veem ataque a valores cristãos no enredo da escola de samba para o Carnaval deste ano. Mistura entre religião e festas populares é historicamente controversa - não apenas no Brasil. Quando o assunto é o Carnaval carioca deste ano, quase só se fala do enredo A verdade vos fará livre, da Estação Primeira de Mangueira, que levará uma versão nada convencional de Jesus Cristo à avenida da Sapucaí: um Jesus negro, índio ou mulher, nascido numa favela e bem diferente do tradicional Jesus loiro de olhos azuis conhecido de tantas imagens.

É com esse tema que o carnavalesco da Mangueira, Leandro Vieira, tentará defender novamente o título conquistado em 2019 com o também polêmico enredo História pra ninar gente grande, que falava das pessoas apagadas da história brasileira e homenageou a vereadora assassinada Marielle Franco. O enredo sobre o Jesus favelado é, de certa forma, a continuação lógica do enredo campeão de 2019:

"Eu sou da Estação Primeira de Nazaré / Rosto negro, sangue índio, corpo de mulher / Moleque pelintra do Buraco Quente / Meu nome é Jesus da Gente / Nasci de peito aberto, de punho cerrado / Meu pai carpinteiro desempregado / Minha mãe é Maria das Dores Brasil / Enxugo o suor de quem desce e sobe ladeira" (trecho do enredo A verdade vos fará livre).

Para o professor Francisco Borba Ribeiro Neto, coordenador do Núcleo Fé e Cultura da PUC-SP, a imagem de um Jesus negro é relativamente normal na tradição artística católica brasileira. "Nossa Senhora Aparecida é uma virgem negra, Ariano Suassuna imagina um Cristo mulato em seus autos, e Cláudio Pastro pintava seus personagens bíblicos com traços negros e índios", diz Borba Neto. "Até aí não deveríamos ter problemas." Esses começariam com o ambiente em que o Jesus aparece, conclui Borba Neto. "A questão é a presença de uma imagem de Cristo em meio a mulheres seminuas, homens supostamente embriagados, foliões LGBT, etc."

Devido ao aspecto permissivo da festa, as comunidades religiosas frequentemente buscam afastar-se do Carnaval, segundo Borba Neto. "Assim, a inclusão de motivos religiosos parece uma blasfêmia que ofende a comunidade religiosa. Contudo, a população cristã brasileira é muito grande e heterogênea. Há os que se ofendem com o Carnaval, há os que querem até 'cristianizar' a festa, daí as polêmicas."

Misturar religião e festas populares é historicamente motivo de conflito. "Pelo menos desde a Idade Média, o mundo cristão experimenta sempre, nas artes e nas festas, um diálogo problemático entre o sacro e o profano. Existe sempre uma 'contaminação' de elementos não religiosos, e até contrários aos valores religiosos, nesse diálogo. Por isso, já no século 16, na Europa, aconteceram as primeiras proibições a peças teatrais que misturassem aspectos sacros com profanos", aponta Borba Neto. (Terra)

Nota do blog: A mistura de sagrado e profano, no cristianismo, reduz a religião a uma mera manifestação cultural e simplifica Deus a um personagem do imaginário popular. No século 18, o filósofo Edmund Burke, em seu livro Uma Investigação Filosófica sobre a Origem de Nossas Idéias do Sublime e do Belo, chamava a atenção para a perda da noção da sublimidade de Deus, na medida em que Deus era visto como uma ideia a ser apreendida. O mesmo ocorre quando a religião é reduzida a uma simples manifestação cultural. Para Burke, a sublimidade divina repousa no pensamento de que Deus é um Ser majestoso separado do mundo e impossível de se igualar ao mundo, mesmo tendo Se feito carne. Na relação com Deus, amor e temor precisam estar juntos. Mas isso só é possível quando sagrado e profano permanecem separados.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Como os Vikings foram ganhos para Cristo

Os escandinavos foram o último grande grupo de pessoas teutônicas a abandonar o paganismo e abraçar o cristianismo. Os saqueadores vikings do Norte pagão causaram estragos em toda a Europa Setentrional e Ocidental. Ao longo dos séculos 9 e 10, os vikings invadiram, mataram e saquearam. Eles também estabeleceram fortes assentamentos Vikings na Normandia, Inglaterra, Escócia, Irlanda, Islândia, Groenlândia, em todo o Báltico e na Rússia.

Terror do Norte
Alcuin escreveu sobre a incursão do Viking no mosteiro de Lindesfarne em AD 793: "Nunca antes surgiu tal terror na Grã-Bretanha como agora temos sofrido por uma raça pagã. Tampouco foi pensado que uma tamanha invasão do mar pudesse ser feita. Eis que a Igreja de São Cuthbert foi salpicada com o sangue dos sacerdotes de Deus, despojados de todos os seus ornamentos. Um lugar, mais venerável que todos na Grã-Bretanha, caiu como presa dos pagãos."

A Fúria dos Homens do Norte
Sem demora, uma nova oração foi adicionada à liturgia da igreja: "Da fúria dos homens do Norte, Senhor, liberta-nos !?"

Conversão
Na época, provavelmente ninguém poderia prever que os violentos Vikings fossem conquistados pelo Príncipe da Paz e se tornassem alguns dos missionários mais entusiasmados para o avanço do cristianismo.

A Era Viking
A era viking é normalmente datada da invasão de Lindisfarne de AD 793 até a batalha de Hastings em AD 1066.

Impactando a Cultura
Embora os Vikings fossem famosos por suas invasões, muitos se instalaram nas ilhas britânicas e influenciaram profundamente a cultura inglesa. O fato de termos uma semana de sete dias se deve ao relato bíblico de que Deus criou o mundo em seis dias e descansou no sétimo. No entanto, os dias da semana foram originalmente nomeados pelos romanos conforme os sete principais planetas celestiais: O Sol, a Lua, Marte, Mercúrio, Júpiter, Vênus e Saturno. Os anglos saxões substituíram quatro deles pelos nomes das divindades vikings: a Terça-feira é nomeada conforme o deus da guerra viking, Tyr (ou Tiw); Quarta-feira conforme o deus da guerra viking Wodin (Odin); Quinta-feira é nomeada conforme o deus Viking da guerra, Thor; e Sexta-feira conforme a deusa da fertilidade Viking Frigg (Freya).

Palavras Viking
Muitas palavras em inglês têm suas raízes na linguagem escandinava, incluindo: anger (raiva), die (morrer), scant (escasso), ugly (feio), loose (solto), wrong (errado), low (baixo), sky (céu), take (tomar), window (janela), husband (marido), happy (feliz), thrive (prosperar), ill (doente), beer (cerveja) e anchor (âncora). A palavra beserk vem, na verdade, do nome de um soldado Viking.

Ansgar  - O Apóstolo do Norte
Quando os Vikings eram o terror da Europa, Deus colocou uma grande responsabilidade missionária no jovem Ansgar. Com seu próprio dinheiro, Ansgar resgatou vários jovens dinamarqueses que eram escravos. Ele os educou para serem seus parceiros em trazer o Evangelho para seus compatriotas.

Dinamarca
Harold, rei da Dinamarca, tinha sido expulso de seu trono e procurou refúgio na corte de Louis I, rei dos francos. Enquanto estava na corte de Louis, o rei Harold ouviu o Evangelho e se voltou para Cristo, submetendo-se a ser batizado. No regresso do rei à Dinamarca, Ansgar se juntou ansiosamente ao rei para pregar o Evangelho aos dinamarqueses. Em Hedeby Ansgar construiu uma pequena igreja de madeira, mas a perseguição o forçou a fugir do país.

Suécia
Ansgar respondeu a um pedido do rei Bjorn da Suécia. Isso foi no início do século 9, quando os vikings estavam atacando, saqueando e queimando as cidades costeiras da Europa Setentrional e Ocidental. Ansgar escapou por pouco com vida quando Norsemen queimou as igrejas e mosteiros em Hamburgo. Com dois colegas de trabalho, Ansgar cruzou o Mar Báltico para começar a ministrar na Suécia. No caminho, o navio foi saqueado por piratas e eles chegaram desamparados na Suécia. O rei Bjorn recebeu os cristãos na Suécia e a primeira igreja foi construída no país.

Mais Forte que Thor
Em uma assembléia do povo, foi debatido se os missionários deveriam poder continuar a pregar Cristo e, assim, atraírem a ira dos antigos deuses vikings. Em uma parte crítica nas discussões, um velho Viking levantou-se e declarou com grande força que ficou claro que o Deus cristão era mais forte que Thor. Isso decidiu o assunto e os missionários receberam liberdade para continuarem a pregar o Evangelho na Suécia.

Julgamento de Deus
Mais do que quaisquer invasões e crises anteriores enfrentadas pela igreja cristã, os ataques Vikings provocaram desolação em toda a cristandade ocidental. Os vikings devastaram mosteiros e igrejas, agitando as igrejas em seus alicerces. Um declínio e decadência na fé e na moral se estabeleceram antes das invasões vikings e muitos viram a fúria dos Nórdicos como um julgamento de Deus em uma igreja relapsa e, muitas vezes, apóstata.

Resistência em Wessex
Igrejas e monastérios foram destruídos, clérigos e monges foram mortos, os edifícios da igreja ficaram vagos até que, no sul da Inglaterra, os saxões ocidentais fossem reunidos pelo rei Alfred o Grande para resistirem firmemente e, finalmente, derrotar em a grande invasão dinamarquesa.

Conversão dos Vikings
Em 878, depois que o rei Alfred derrotou o exército dinamarquês em Ashdown, exigiu que o rei Guthrum e outros 30 de seus líderes fossem batizados como cristãos. Em 882, outro líder viking na região do Reno inferior abandonou o paganismo e abraçou o cristianismo recebendo o batismo no Nome do Senhor Jesus Cristo. O duque Rollo dos vikings e alguns de seus seguidores receberam o batismo e criaram o ducado da Normandia.

Impressionado por Cristo
A ética do cristianismo era tão radicalmente diferente da cultura tradicional viking que levou séculos para o povo escandinavo ser completamente evangelizado e discipulado. Uma das principais atrações foi a convicção de que Cristo é um poderoso vencedor que triunfou sobre a morte. O poder de Cristo impressionou os guerreiros vikings endurecidos. Na Noruega, o rei ordenou que seu povo se convertesse em Cristo ou se preparasse para morrer. No entanto, na Dinamarca e na Suécia, os Vikings foram convertidos por meio da persuasão e não da força. Os missionários pioneiros Willibrord e Liudger tentaram levar o Evangelho aos Vikings, mas com pouco sucesso visível inicialmente.

Ansgar - Missionário para os Vikings
Coube a Ansgar, nascido de pais saxões no Noroeste da França em 801, ter sucesso onde outros falharam. Ansgar foi descrito como uma criança sensível que levou uma vida devotada. Ele experimentava visões e sonhos e possuía uma combinação de humildade, de esquecimento pessoal e de coragem intrépida e iniciativa energética.

Ganhando a Suécia para Cristo
O rei Harold da Dinamarca foi batizado em 826 em Mainz. Entre alguns dos primeiros pagãos na Suécia a solicitar o batismo estavam o líder de Birka, uma ilha no lago Malar, não muito longe da atual capital de Estocolmo. Apesar dos sérios reveses, da violência e da destruição das igrejas, Ansgar não desistiu, perseverou e logo os missionários dinamarqueses foram enviados para estabelecer igrejas na Suécia. O trabalho fiel de Ansgar foi continuado por seu discípulo, Rimbert, que ministrou entre os dinamarqueses e os suecos. Rimbert foi sucedido por Adalgar.

Oposição e Perseguição
No início do século 10, o rei Gorm da Dinamarca, um inimigo decidido do cristianismo, tentou banir o cristianismo do seu reino. Muitos ministros e missionários foram martirizados, numerosas igrejas transformadas em cinzas.

Os Saxões Defendem a Causa Cristã
À medida que os saxões cresciam em força, eles se tornaram defensores da causa cristã. Quando Henry tornou-se Rei dos Alemães em 919, ele patrocinou numerosos encontros missionários aos dinamarqueses. Após sua vitória sobre os dinamarqueses em 934, o rei Henry obrigou seus governantes a aceitar o cristianismo. Unni foi encorajado pelo rei a renovar o trabalho de Ansgar. O sucessor de Gorm, o rei Harold, considerou com benevolência as tentativas da Unni de remontar os restos dispersos das comunidades cristãs nas ilhas dinamarquesas e de trazer ministros para reconstruir essas congregações.

Reforma e  Renascimento
O filho do Rei Henrique, Otto o Grande, tornou-se rei em 936 e em 962 foi coroado imperador do Sacro Império Romano. Sob o favor real, as igrejas experimentaram uma onda de reformas com um tremendo avivamento de devoção e entusiasmo. O rei Harold da Dinamarca estendeu seu reino para se tornar o senhor da Noruega. Tendo ele mesmo sido batizado, encoraja a propagação do cristianismo em todo o seu reino.

Crescimento Apesar da Oposição
O filho de Harold, Sweyn, tentou provocar uma rebelião pagã contra o pai que morreu na luta (986). Sweyn perseguiu severamente os cristãos e invadiu repetidamente a Inglaterra, onde morreu em 1014. Na Suécia, surgiu Eric, um rei pagão hostil ao cristianismo. No entanto, a igreja continuou a crescer. O missionário Poppo ganhou muitos milhares para a fé cristã na Dinamarca. Odinkar foi um missionário da Dinamarca que fortaleceu o trabalho evangélico na Suécia.

O Rei Canute Patrocina Missões na Inglaterra e na Dinamarca
Sob o Rei Canute, a igreja estava firmemente estabelecida na Dinamarca. Canute tornou-se mais tarde rei de toda a Inglaterra. Sob o seu apoio, missionários da Alemanha estabeleceram mais igrejas na Dinamarca. Ele ordenou que seus súditos aprendessem a oração do Senhor e fossem fiéis em comunhão com o Senhor. A igreja na Dinamarca cresceu e se intensificou com fortes laços com as igrejas saxãs na Alemanha e na Inglaterra.

Missões para a Noruega
A conversão dos vikings na Noruega foi muito mais turbulenta do que na Dinamarca. Ao longo do século 10, os missionários saxões da Inglaterra trabalhavam em toda a Dinamarca, estabelecendo muitas estações missionárias e congregações. Desde o tempo do rei Alfred o Grande, as igrejas revividas na Inglaterra evidenciaram uma vitalidade dinâmica nas missões aos vikings.

O Reino da Noruega
O reino norueguês foi criação de Harald Haarfager (cabelo castanho) que morreu em 933. Através de muitos combates, ele se estabeleceu como o governante supremo de toda a Noruega. Seus filhos Eric Bloodaxe e Haakon the Good lutaram pela sucessão. Haakon tinha sido enviado para a Inglaterra para estudar e havia sido convertido, batizado e discipulado como cristão. Em 935, o jovem, alto, bonito e atlético Haakon estabeleceu sua supremacia através do combate e foi aceito como rei de toda a Noruega.

Missão real para ganhar os vikings
Haakon tentou então conquistar seu povo para a fé cristã. A maioria de sua corte imediata foi prontamente batizada. Mais tarde, ele solicitou missionários à Inglaterra e começou a construir igrejas na Noruega. No ano de 950, depois de ter reinado 15 anos, Haakon propôs à assembléia dos latifundiários que eles adotassem o cristianismo. A maioria dos latifundiários respondeu com grande hostilidade e recusou veementemente abandonar os antigos caminhos pagãos. Eles começaram a exercer uma grande pressão sobre o rei para que ele se comprometesse a participar de seus sacrifícios pagãos. Enfrentando a rebelião aberta, o rei Haakon, com relutância, comeu um pouco de carne em sua festa cerimonial organizada por seus latifundiários. Mais tarde, depois de ter sido ferido em batalha, em seu leito de morte (em 961) Haakon declarou seu grande remorso sobre esse compromisso, e seu desejo de fazer penitência por seus pecados.

Uma estrada rochosa e inverte
Seu sobrinho, Harold Graafell, conseguiu o trono da Noruega. Embora não sendo um cristão tão entusiasmado quanto Haakon, Harold Graafell derrubava templos pagãos onde quer que ele fosse. No entanto, as situações de desordem e más estações levaram muitas pessoas a ressentir-se da fé que ele havia defendido violentamente. Em 970, Harold Graafell foi atraído para a Dinamarca e morto. O rei Harold Bluetooth da Dinamarca tornou-se o senhor da Noruega e encorajou a propagação do cristianismo lá.

Olaf Trygvesson
Olaf Trygvesson era o filho do rei da Noruega. Seu bisavô, Harald Haarfager (Fair-hair), inicialmente estabeleceu o Reino da Noruega. Quando o pai de Olaf foi assassinado em 968, Olaf fugiu do país com sua mãe. Os vikings capturaram seu navio e venderam o menino à escravidão. Olaf acabou na corte do Tsar Vladimir I da Rússia, onde ele se tornou favorito da Rainha. Quando Olaf tinha apenas doze anos, o czar colocou uma dúzia de navios sob seu comando e enviou-o para a batalha.

Um Viking sem Igual
Quando tinha vinte e um anos, Olaf Trygvesson era conhecido como o melhor Viking: alto, forte, bonito e inigualável em habilidades marciais. Ele liderou um enorme exército de Vikings suecos, em uma frota de quase noventa navios para saquear a Holanda. Depois de devastar os holandeses, ele foi lutar contra os franceses e deixava uma enorme quantidade de morte e destruição onde quer que ele fosse.

Extorsão na Inglaterra
Seu próximo alvo foi a Inglaterra, onde, após a batalha de Maldon, perto da foz do Tamisa, forçou o rei anglo-saxão, Ethelred the Unready, a pagar um tributo de 10.000 libras de prata. Depois disso, ele foi para o Norte, saqueando Northumberland e Escócia. Ele atacou as Hébridas e a Ilha de Man. Ele realizou incursões da Irlanda, País de Gales, Cornwell e França novamente. Com uma frota de mais de noventa e quatro navios, ele atacou novamente a Inglaterra, matando e saqueando selvagemente até que o rei Ethelred lhe ofereceu mais 22 mil libras.

Procurando Feitiçaria
Ao longo da costa de Cornwell, Olaf ouviu falar de um adivinho local que era famoso por ter um dom de profecia. Olaf remou para o remoto retiro rochoso e perguntou ao profeta se ele poderia prever qualquer coisa sobre seu futuro.

Uma Palavra de Profecia
"Você se tornará um rei de renome e realizará feitos famosos. E que não duvide da verdade dessa resposta, ouça isso". O velho previu que Olaf logo sofreria um motim de seus homens, no qual ele seria ferido e levado para o navio em seu escudo oblongo. Depois de sete dias ele se recuperaria e ele seria batizado como cristão. "Você trará muitos homens á fé e ao batismo, tanto para o seu bem como para o bem dos outros."

Motim
Quando o motim, o ferimento e a recuperação aconteceram, exatamente como o eremita havia previsto, Olaf procurou o velho novamente para saber como ele poderia possuir esse conhecimento. O homem humildemente confessou: "O Deus dos cristãos me abençoou".

Conversão
Quando o rei Ethelred ouviu falar da conversão e do batismo de seu algoz, o rei Olaf, enviou seu bispo e funcionários para apresentá-lo com presentes reais e para oferecer comunhão cristã.

Enfrentando Apostasia
Em 995, notícias da Noruega chegaram a Olaf de que o líder Earl Haakon, o próprio homem que havia assassinado o pai de Olaf, causou um tumulto na terra, exigindo as filhas dos líderes respeitados da comunidade. Embora Earl Haakon tenha aceitado o cristianismo originalmente, sob ameaça do imperador alemão Otto, ele já havia retornado ao paganismo, restaurando muitos templos pagãos e perseguindo os cristãos. Earl Haakon, o apóstata, chegou até a oferecer seus melhores cavalos e seu filho mais novo, com dezessete anos de idade, como sacrifícios a uma deusa pagã.

Pelo amor da justiça
Foi neste momento oportuno que Olaf, o bisneto do rei Harald Haarfager, decidiu deixar a Inglaterra e vingar a morte de seu pai, o exílio de sua mãe, a escravidão de sua juventude e acabar com o desgoverno pagão de Earl Haakon.

Noruega para Cristo
Com apenas cinco navios, Olaf desembarcou na Noruega e a reivindicou para Cristo. Logo soube que Earl Haakon havia irritado dois latifundiários tentando se apoderar de suas esposas. A crescente resistência foi fortemente reforçada quando souberam que Olaf Trygvesson estava a caminho de reivindicar o trono e lidar com Haakon. Olaf era conhecido como o guerreiro viking sem paralelo. Sua altura, força, estatura atlética, habilidades superiores em todas as artes de guerreiro, sua ousadia e crueldade eram conhecidas em toda a terra. Earl Haakon, o apóstata, fugiu e se escondeu em um poço debaixo de um cofre, onde ele foi morto por seu escravo.
Em uma assembléia nacional, Olaf foi proclamado Rei de toda a Noruega. Ele então viajou pela terra consolidando seu governo e tentando cristianizar o povo.

Arrependa-se ou pereça
Muitos de seus parentes se tornaram seus primeiros convertidos e ele os nomeou como "Capitães de Cristo". "Eu farei de vocês homens ótimos e poderosos por fazerem esse trabalho. Toda a Noruega deve ser cristã ou morrer."

Maior que Thor e Odin
Os assentamentos dispersos nas margens ocidental e leste do fiordos de Oslo aceitam o batismo, mas as pessoas na parte norte de Vic resistiram ao Evangelho. O rei Olaf desafiou os seguidores de Thor e Odin a combater e, no final do ano, ele convenceu todos de que Cristo era maior do que Thor e Odin.

Conversão por Disputa e Combate
Quando o rei Olaf se mudou para os fiordes ocidentais e do norte da Noruega, ele desafiou os pagãos para as disputas de natação, competições de tiro com arco e para o combate mortal. A mensagem de Olaf estava certa: Arrependa-se ou morra! Aqueles que escolheram lutar foram rapidamente derrotados pela força e habilidade superior de Olaf.

Guerra contra o paganismo
O rei Olaf declarou que os deuses pagãos eram demônios. Os poderes por trás dos ídolos eram espíritos malignos. Todos os feiticeiros e aqueles que promoveram a idolatria e o paganismo deveriam ser banidos.
Aqueles magos e sacerdotes que resistiram foram mortos e alguns outros incorrigíveis foram abandonados em uma rocha distante da costa na maré baixa.

Sacrifício pagão
Em Trondheim, que tinha sido a fortaleza do régua do rei pagão Haakon, Olaf queimou os templos pagãos e destruiu os ídolos. Os chefes locais levantaram-se em rebelião contra ele. Olaf reuniu um grande exército e, com trinta navios ancorados no rio Nid, convidou os chefes locais para um banquete onde indicou que estaria disposto a realizar um sacrifício pagão. Quando os chefes estavam reunidos, Olaf declarou: "Se eu quiser voltar a fazer sacrifícios pagãos, eu farei o maior sacrifício de todos. Não vou sacrificar escravos, mas homens. Eu sacrificarei apenas o maior dos homens". Olaf nomeou os líderes mais proeminentes da oposição.

Batismo ou Batalha
À medida que os pagãos horrorizados uivavam em protesto, Olaf lhes deu um desafio direto: "Batismo ou Batalha". Ele manteve onze líderes reféns até que todos fossem batizados. Próximo a Trondheim, o chefe local IronBeard exigiu que o rei oferecesse sacrifícios, como outros reis antes dele tinham feito. Olaf disse que faria um sacrifício, entrou no templo e quebrou o ídolo de Thor em pedaços com seu machado. Ele então matou Ironbeard e persuadiu o resto da aldeia a abandonar seus caminhos pagãos e a ser batizados como cristãos.

Derrotando toda resistência
Mais ao norte Olaf enfrentou a forte oposição do chefe Raud, o Forte. Raud mobilizou seu exército e uma batalha feroz do mar foi travada. As forças de Olaf dominaram os rebeldes de Raud. Ele escapou para se refugiar em uma ilha escondida em Saltenfjord. O canal estreito para o fiorde foi turbulento e, durante uma semana, nenhum navio poderia entrar. Quando Raud tentou mobilizar sua feitiçaria contra o rei, Olaf convocou seu bispo a ler os Evangelhos e orar. Por algum milagre, seus navios conseguiram atravessar a traiçoeira e turbulenta entrada rochosa do fiorde. Logo Raud foi interrogado e levado perante o rei que ordenou que ele se submetesse a Cristo. "Não vou tirar sua propriedade de você, mas sim serei seu amigo, se você se dignar a isso". Quando Raud rejeitou esta oferta, com blasfêmias vis, Olaf fez com que seus homens forçassem uma víbora em sua garganta.

Cruzada concluída
Esta foi a última resistência à cruzada de Olaf para erradicar o paganismo na Noruega. Então ele se concentrou em ganhar a Islândia e a Groenlândia para Cristo. Mas antes que ele pudesse fazê-lo, no ano 1000, o rei Olaf foi morto na espetacular batalha marítima de Svold. A rainha pagã Sigrid - a Altiva, ficou furiosa pois Olaf desprezou seus avanços. Ela mobilizou dois reis pagãos para atrapalhar Olaf da costa da Dinamarca. Olaf morreu tão corajosamente quanto ele vivia, alegando que ele teve sucesso em sua missão de convencer os vikings da Noruega a abandonarem o paganismo, destruírem seus ídolos e se comprometerem a seguir a fé cristã.

Olaf Haraldsson
Outro prominente rei norueguês que consolidou a fé cristã na Noruega foi Olaf Haraldsson. Em 1007, quando tinha apenas doze anos, Olaf Haraldsson foi enviado como um rei do mar para atacar a Suécia. Mais tarde, na Dinamarca, Olaf uniu forças com o Thorkel - o Alto. Juntos lançaram incursões na Jutlândia, Freisia, Holanda e Inglaterra. Eles atormentaram o rei Ethelred - o Despreparado, que já havia sofrido muito nas mãos do Olaf anterior (Trygvesson). Em 1009, Olaf e Thorkel atacaram Londres e o leste de Anglia. Eles martirizaram o arcebispo de Canterbury e saquearam a Catedral. Posteriormente, Olaf invadiu a Bretanha, a França e a Espanha.

Transformado
Então Olaf teve uma experiência espiritual traumática e viu uma visão terrível de Cristo. Olaf abandonou seus caminhos pagãos e comprometeu-se a ser cristão. Em 1015 ele chegou na Noruega e se proclamou rei. Ele proclamou imediatamente a Fé Cristã em toda a Noruega e construiu numerosas igrejas. Olaf tornou-se conhecido como um grande legislador. Com o bispo Grimkell, ele estabeleceu a Lei Moster. Enquanto a maior parte da Noruega aceitou isso, Trondelag continuou com suas práticas pagãs e incorrendo na ira do rei Olaf, que foi até a área corrigindo ou executando os infratores.

Ídolos esmagadores
Em Gulbrandsdal, os pagãos locais o confrontaram com seu enorme ídolo de madeira de Thor. Olaf os distraiu chamando a atenção para o brilhante nascer do sol atrás deles como um arauto de seu Deus. Quando seus inimigos se viraram para o nascer do sol, um dos guerreiros de Olaf esmagou o ídolo de Thor e revelou que sua madeira estava podre. À medida que o ouro se espalhava, grandes ratos, que evidentemente haviam vivido distantes das oferendas de comida, se espalharam. O rei Olaf apontou que o ouro que eles haviam desperdiçado em ofertas para o ídolo podre de Thor ficaria muito melhor como jóias em suas esposas e filhas.

Vencendo Inimigos para Cristo
Essa demonstração da superioridade de Cristo sobre Thor convenceu os habitantes locais a serem batizados. Como um relatório contemporâneo observou: "Os que se encontraram como inimigos, se separaram como amigos".

Finalização da pirataria e da pilhagem
Durante doze anos, o rei Olaf governou a Noruega e viu que a Islândia e as ilhas Faroé foram discipuladas no cristianismo. De forma impopular, ele proibiu as incursões dos Vikings, que era considerada uma forma de vida essencial.

Um guerreiro até o fim
Foi nesse ponto que a Dinamarca tentou recuperar o controle sobre sua colônia anterior e Olaf foi forçado a fugir. Em 1030, Olaf tentou libertar seu país dos dinamarqueses. Na batalha de Stiklestad, muito inferior numericamente (um terço do inimigo), Olaf inspirou seus homens com um grito de batalha: "Fram, Fram. Kristsmenn, Kraossmenn, Konungsmenn ! (Adiante. Adiante. Homens de Cristo, Homens cruzados, Homens do rei)". Olaf e seus homens lutaram com coragem e bravura, mas foram dominados por números superiores.

Sucesso e Santidade
À medida que os impostos e a opressão dinamarqueses intensificavam, os vikings se arrependeram de sua traição ao rei Olaf. Dentro de um ano, Olaf foi popularmente proclamado um Santo e seus restos mortais consagrados em São Clemente. O que ele não conseguiu fazer na vida, ele conseguiu na morte, unir e inspirar seu povo a ganhar a liberdade de seu país perante a Dinamarca e se unir como um reino cristão independente. A catedral de York foi dedicada a Olaf. Ele foi considerado por muitos líderes medievais como um exemplo de governante ideal. Uma igreja em Constantinopla foi dedicada à memória do rei Olaf e a espada que ele embainhou na batalha de Stiklestad foi pendurada sobre o altar-mor. Olaf é o último santo ocidental a ser aceito pela Igreja Ortodoxa Oriental.

Os Vikings se renderam a Cristo
E, por meio de uma combinação de trabalho missionário pioneiro, o favor real e o combate, os ferozes vikings foram convencidos de abandonar o paganismo, destruíram seus ídolos, abandonaram sua agressividade, cessaram seus ataques violentos, submeteram-se ao batismo e se comprometeram a seguir a fé cristã.

Cristo Triunfante
Os vikings chegaram a estar convencidos de que o Deus cristão é mais poderoso do que todos os outros deuses. Eles viram como Ele respondeu as orações dos cristãos. Eles testemunharam milagres. Eles viram como os reis e missionários cristãos conseguiam destruir ídolos e desafiar os deuses e os tabus pagãos - sem sofrer quaisquer efeitos negativos. Eles viram que seus deuses pagãos eram impotentes diante do poderoso Jesus Cristo. Cristo foi honrado e adorado como o poderoso Guerreiro que havia triunfado sobre todos os poderes da morte, inferno e túmulo. Ele é o Cristo elevado e ressurreto, o Rei dos reis e o Senhor dos senhores, com todas as outras autoridades sujeitas a Ele.

"E todos os reis se prostrarão perante ele; todas as nações o servirão" (Salmo 72:11).

Escandinávia para o Cristo
A proeminência da Cruz em toda bandeira escandinava serve como um testemunho dramático da conversão dos Vikings.
Para mais leituras: 
  • A History of the Expansion of Christianity, por Kenneth Scott Latourette, 1938, Harper and Row. 
  • The Hammer and the Cross, por Michael Scott Rohan and Allan J. Scott, 1980, Alder. 
  • The Christianisation of Scandinavia, editado por Birgit e Peter Sawyer e Ian Wood, 1987, Viktoria Bokforlag. 
  • The Last Apocalypse, por James Reston, 1998, Doubleday. 
  • The Barbarian Conversion, por Henry Holt, 1997. 
  • Medieval Scandinavia, por Brigit and Peter Sawyer, 1993, Universidade de Minnesota.
[Via Barrabás Livre - Traduzido livremente de Reformation SA]

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

Evangelismo e o discurso de ódio: uma convivência impossível

Evangelizar é partilhar as boas-novas de que “Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito, para que todo o que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16 - ARA). Essas boas-novas estão baseadas na mais fundamental revelação, o clímax da Bíblia: “Deus é amor” (1 João 4:8). Deus mostra benevolência para com toda a família humana. Ele foi encarnado em Jesus Cristo para nos livrar do mal. O evangelho é essas boas-novas: o gracioso oferecimento do perdão de Deus, da libertação do domínio do mal, da aceitação em Sua família e da participação na Sua natureza divina.

“Seu divino poder nos deu tudo de que necessitamos para a vida e para a piedade, por meio do pleno conhecimento dAquele que nos chamou para a Sua própria glória e virtude. Dessa maneira, Ele nos deu as suas grandiosas e preciosas promessas, para que por elas vocês se tornassem participantes da natureza divina e fugissem da corrupção que há no mundo, causada pela cobiça” (2 Pedro 1:3, 4).

O evangelho é, portanto, as boas-novas do advento do reino de Deus, o parentesco e domínio real já manifesto em todos aqueles que acreditam e entregaram sua vida à Sua completa soberania.

Entre os componentes multifacetados e incontestáveis do evangelho estão as boas-novas fundamentais do sacrifício todo-suficiente de Cristo e o Seu ministério sumo sacerdotal para a finalização da reconciliação de Deus e a comunhão eterna em amor com aqueles que aceitam a salvação por Ele oferecida.

O evangelho é também as boas-novas que habitam nos fiéis por meio do Espírito Santo que os ensinará e consolará para sempre (João 14:16. 17, 26).

O evangelho deve ser partilhado da maneira como Deus revelou, do mesmo modo que Ele partilha Suas bênçãos conosco: em amor, em liberdade e sem coerção, como um dom gratuito e como fruto do Espírito Santo. Essas boas-novas devem ser comunicadas conforme Deus deseja, não com as armas do mal, como humilhar os outros, denegrir sua dignidade ou violar sua liberdade. Para partilhar o evangelho não se deve usar o discurso do ódio.

O mundo, em sua maior parte, chegou a um consenso a respeito do mal que resulta do discurso do ódio.[1] A comunidade internacional concluiu, por meio de tratados, convênios, convenções e declarações, que as formas de se relacionar com os outros, que depreciam a sua dignidade, são inaceitáveis. Em nossos dias e em nossa época, acusar os outros de serem apóstatas – hereges – porque eles creem de maneira diferente, é considerado uma forma de maldade.

Esse tipo de atitudes são reminiscências do tempo das acusações generalizadas, das perseguições, inquisições, cruzadas, conquistas e guerras religiosas da era medieval.

Em nosso mundo contemporâneo, a prática de depreciar a religião ou as crenças de outros tem servido de pretexto para que alguns países adotem as chamadas leis antiblasfêmia, que solapam a liberdade religiosa e torna difícil até mesmo a prática pública da própria fé. A liberdade religiosa é garantida pelas leis internacionais, conforme citado na DUDH (Declaração Universal dos Direitos Humanos). No entanto, as leis antiblasfêmia têm sido e estão atualmente sendo usadas para perseguir as religiões minoritárias. A crítica feita por pessoas de outras crenças gera um ambiente tóxico em que o testemunho cortês e inteligente sobre a própria crença é substituído por atitudes antagonistas e hostis para com os seres humanos criados à imagem de Deus.

O evangelismo é incompatível com o ódio em qualquer de suas formas – com exceção do ódio para com o mal, que deveria sempre ser denunciado. O ódio nunca deveria ser dirigido aos seres humanos. Jonas teve que aprender essa lição. Deus tratou rigorosamente os maus pensamentos que esse profeta abrigava. No livro de Jonas, a mesma palavra (“mal”) é usada para descrever os atos dos habitantes da cidade de Nínive e o ódio que Jonas tinha contra aquelas pessoas.

O discurso de ódio faz parte do modus operandi dos terroristas, mas isso, com certeza, não deveria ser verdade em relação aos cristãos genuínos. Os ateus, os agnósticos – na verdade, qualquer um que acredita de forma diferente – deveriam se relacionar de forma respeitosa, reconhecendo a dignidade da diferença e reprimindo qualquer forma de abuso verbal ou violência física.

O evangelismo não pode ser usado para denegrir os outros, violar sua dignidade e ofender sua consciência ou escolha para acreditar ou não. O evangelho pregado por Jesus nunca teve o propósito de ser um discurso de ódio ou de incitação a qualquer forma de violência; ao contrário, é um convite para a vida.

As boas-novas eternas pronunciadas naquelas que são chamadas de “As Três Mensagens Angélicas”, citadas em Apocalipse 14, iniciam com um convite para a vida; é isso o que significa “Temei a Deus” (verso 7 – ARA).

Repetidamente nas Escrituras, a expressão idiomática “temei ao Senhor” está associada à amizade com Deus, ao ódio e à rejeição do mal e à decisão de escolher e abraçar a vida, não a morte. Alguns exemplos serão suficientes:

“O Senhor confia os Seus segredos aos que O temem, e os leva a conhecer a Sua aliança” (Sl. 25:14).

“Não seja sábio aos seus próprios olhos; tema o Senhor e evite o mal. Isso lhe dará saúde ao corpo e vigor aos ossos” (Provérbios 3:7, 8).

“Temer o Senhor é odiar o mal” (Provérbios 8:13).

“O temor do Senhor prolonga a vida” (Provérbios 10:27)

“O temor do Senhor é fonte de vida, e afasta das armadilhas da morte” (Provérbios 14:27).

“O temor do Senhor conduz à vida” (Provérbios 19:23).

As boas-novas também estão relacionadas ao juízo. É necessário um tempo de juízo para a restauração da justiça. Em Apocalipse 6, os mártires clamam a Deus pelo juízo. Apocalipse 14 anuncia as boas-novas do juízo em favor dos santos, e não para os santos derrotarem ou humilharem seus inimigos.

Nas Escrituras, os santos bendisseram até mesmo os seus inimigos. Jesus orou por aqueles que O estavam crucificando, que O rejeitaram ou O abandonaram. Estêvão orou por aqueles que o estavam apedrejando. Daniel orou e salvou a vida de seus inimigos na Babilônia, até mesmo dos magos pagãos. O povo de Deus hoje também está envolvido na obra de salvar vidas proclamando a mensagem de saúde e temperança, construindo hospitais, clínicas e centros de vida saudável, todos dedicados a salvar e melhorar a qualidade de vida de nossos semelhantes, sem discriminação contra qualquer um.

Aqueles que estão convencidos de que têm a missão de partilhar o evangelho devem fazê-lo sem denegrir, discriminar ou criminalizar outros com base em suas crenças, por serem diferentes.

O mercado das ideias hoje é caracterizado pela liberdade, mas também pela demanda por responsabilidade: a necessidade de respeitar os outros. Essa disposição é o verdadeiro antídoto contra o racismo, nacionalismo, tribalismo, etno-centrismo ou qualquer outra forma de supremacia.

EVANGELISMO: NÃO HÁ LUGAR PARA O ÓDIO
O discurso de ódio deve ser entendido por aquilo que ele é: o mal. Evangelistas e pregadores colocam em descrédito a sua mensagem quando empregam a violência, o discurso de ódio, insultos e maldades semelhantes. Essas práticas, e muitas fazem parte da era medieval, envolvem coerção, medo, intimidação e ameaças como meio de subjugar as massas incultas e não têm parte alguma na proclamação do evangelho de Cristo. Os secularistas apontam para essas práticas maldosas com o objetivo de colocar a religião em descrédito. Eles não deveriam receber munição para restringir o poder do evangelho.

Nosso mundo necessita das verdadeiras boas-novas. É possível apresentar todos os fatos do evangelho dado por Deus, de todo o plano da salvação, claramente pronunciado e não diluído, sem recorrer aos atos das trevas. A beleza e a profundidade do evangelho merecem ser partilhadas sem adulteração e sem mistura de amargura, ódio ou desprezo de outros. Vamos dar às boas-novas uma chance. O Espírito Santo transforma vidas quando o povo ouve a genuína palavra vinda de um Deus de amor. O evangelho, ou boas-novas, tem a ver com a derrota do mal e das formas pecaminosas de lidar com os seres humanos criados à imagem de Deus, que devem se tornar templos do Espírito Santo.

A Bíblia retrata o mal e as forças do mal por meio do uso de metáforas, como Babilônia. Por exemplo, quando o livro de Apocalipse proclama: “Caiu, caiu a grande Babilônia” (Apocalipse 14:8), o significado é claro: Babilônia representa os falsos sistemas religiosos opostos à verdade e à justiça oferecidas por Deus. Na perseguição dessa Causa, Babilônia não hesita em subjugar, oprimir, coagir ou enganar o povo de Deus. A mensagem de Apocalipse 14:8, porém, sobre a queda de Babilônia, é uma garantia para o Seu povo de que ela está sob os juízos de Deus, e a sua queda é certa. Essa queda é parte fundamental das boas-novas. Ela prepara o povo de Deus para ir ao Lar.

Proclamar as boas-novas do evangelho é prerrogativa e privilégio do evangelismo. Para isso, existem meios de reafirmar sua própria identidade sem comprometimento e fazer reivindicações de sua própria identidade, mensagem e missão singulares sem prejudicar outras pessoas. É possível prestar contas da própria fé de maneira amorosa e respeitosa.

O apóstolo Paulo disse isso muito bem: “Sejam sábios no procedimento para com os de fora; aproveitem ao máximo todas as oportunidades. O seu falar seja sempre agradável e temperado com sal, para que saibam como responder a cada um” (Colossenses 4:5, 6).

EVANGELISMO: NÃO HÁ LUGAR PARA O NEGATIVISMO
O evangelismo é o ato de partilhar as boas-novas do evangelho, é um ato de amor e de interesse. O evangelismo é um amoroso convite para vir voluntariamente, sem qualquer coerção, e provar a doçura, bondade, perdão e alegria que são tão fundamentais no evangelho de Jesus. No evangelismo não há espaço para acusar outras religiões ou mesmo outras denominações cristãs de serem provedoras de falsidades. O evangelho não permite qualquer negativismo ou incitação ao ódio, discriminação ou criminalização de outros.

É vital para os cristãos, especialmente em nossa época, promover o evangelho não como tristeza e maldição, mas como as boas-novas que têm a capacidade de tornar a vida alegre e significativa – especialmente numa época em que nosso planeta enfrenta toda espécie de desafios espirituais, morais e físicos, incluindo as mudanças climáticas, tsunamis, terremotos, deslizamentos de terra, enchentes, guerras e limpeza étnica que a cada dia fazem parte dos noticiários e que interrompem e impactam milhões de vidas.

O evangelismo é uma proclamação – não somente de que Jesus nos salva do pecado, mas também que Ele está vindo para colocar um fim ao reinado do mal. Melhor ainda, o evangelismo anuncia que Cristo está vindo para abençoar aqueles que por Ele esperam. O evangelismo é as boas-novas de poder participar da antecipação dessa bênção futura, naquele dia em que Jesus dirá: “Venham, benditos de meu Pai! Recebam como herança o Reino que lhes foi preparado desde a criação do mundo” (Mateus 25:34). Quando nós nos envolvemos no evangelismo, convidamos as pessoas para o banquete das bênçãos. Os cristãos são certamente chamados a agir como os profetas na sociedade, mantendo e promovendo a justiça. No entanto, eles não podem fazer isso enquanto lançam mão de más práticas ao lidar com os semelhantes. Isso seria injustiça e pecado.

Civilidade, cortesia e todos os frutos do Espírito Santo são um dever na sociedade civil. Eles são parte intrínseca do testemunho cristão. Difamar os semelhantes ou desonrá-los de qualquer forma é contra o que está explicitado no mandamento bíblico para tratar a todos “com o devido respeito” (1 Pedro 2:17).

O cristão é chamado a seguir as ordens do Espírito Santo, expressas por meio de Pedro: “Quanto ao mais, tenham todos o mesmo modo de pensar, sejam compassivos, amem-se fraternalmente, sejam misericordiosos e humildes. Não retribuam mal com mal, nem insulto com insulto; ao contrário, bendigam; pois para isso vocês foram chamados, para receberem bênção por herança.

Pois, quem quiser amar a vida e ver dias felizes, guarde a sua língua do mal e os seus lábios da falsidade. Afaste-se do mal e faça o bem; busque a paz com perseverança.

Porque os olhos do Senhor estão sobre os justos e os seus ouvidos estão atentos à sua oração, mas o rosto do Senhor volta-se contra os que praticam o mal” (1 Pedro 3:8-12).

O verdadeiro conceito bíblico de evangelismo diz claramente que a esperança do cristão descansa inteiramente em Jesus e Sua vinda para estabelecer o Seu reino de paz, liberdade e justiça. Aos fiéis é prometida cada bênção espiritual em Cristo. Eles são predestinados no amor, escolhidos, adotados, abençoados no Amado, redimidos, perdoados, recebedores da herança, selados com o prometido Espírito Santo (cf. Efésios 1:1-14).

O evangelismo é um convite a essa qualidade de vida, com base na fé, na esperança e no amor. Desses, o maior é o amor (1 Coríntios 13:13). Amar o nosso próximo como a nós mesmos é o que Deus, que é amor, espera de todos aqueles que se unem a Ele em Seu amor. Isso, na realidade, é o verdadeiro evangelismo.

Ganoune Diop - PhD pela Universidade Andrews, Michigan, EUA, é o Diretor de Assuntos Públicos e Liberdade Religiosa na sede mundial da Igreja Adventista do Sétimo Dia, em Silver Spring, Maryland, EUA, e secretário geral da Associação internacional de Liberdade Religiosa (IRLA). Ele também atua como secretário da Associação de Secretários das Comunidades Cristãs Mundiais. (via Diálogo Universitário)

NOTAS E REFERÊNCIAS
1. “O PIDCP [Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos] impõe aos Estados Participantes a obrigação de proibir o discur- so de ódio [...] O Artigo 20 (2) estabelece o seguinte: ‘Qualquer defesa de ódio nacional, racial ou religioso que constitua incita- mento à discriminação, hostilidade ou violência deverá ser proi- bida por lei.’ Todos os três Tratados sobre os Direitos Humanos – a Convenção Europeia de Direitos Humanos (ECHR), a Convenção Americana de Direitos Humanos (ACHR) e a Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos (ACHPR) [esses pela sigla em inglês] – garantem o direito à liberdade de expressão [...]; a ACHR prevê especificamente a proibição do discurso de ódio no Artigo 13 (5), conforme segue: ‘Qualquer propaganda de guerra e qualquer defesa de ódio nacional, racial ou religioso que con- stituam incitamentos à violência ilegal ou a qualquer outra ação ilegal semelhante contra qualquer pessoa ou grupo de pessoas, por qualquer motivo, incluindo raça, cor, religião, idioma ou origem nacional devem ser consideradas infrações puníveis por lei.’” Citado por Toby Mendel, diretor executivo do Centro de Direito e Democracia, “Hate Speech Rules Under International Law” (2010 (3): http: //www.law-democracy.org / wp-content / uploads / 2010/07 / 10.02.hate-speech.Macedonia-book.pdf. A Convenção Europeia dos Direitos Humanos e a Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos têm disposições semelhantes às encontradas no PIDCP.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Lindas capas e nenhum conteúdo

É impressionante o quanto ainda somos vulneráveis às aparências. Olhamos o frasco e pouco nos importamos com aquilo que ele contém.

O mundo é pautado naquilo que ostenta; belos sorrisos, corpos esculpidos, cabelos sedosos, peles impecáveis, rugas subtraídas em caríssimos procedimentos dermatológicos. Vemos o que nos é mostrado e perseguimos uma beleza externa como se ela fosse a garantia de uma vida mais feliz.

Quanto engano!

Muitas vezes, seduzidos por belíssimos invólucros, somos atraídos para gente que exala veneno internamente. Gente vazia que se vale de uma casca perfeita para enganar e atrair.

E como somos tolos o suficiente para nos deixar enganar, vamos nos afastando daquilo que deveria ser uma prioridade: o que nos vai por dentro.

Meninos e meninas seguem arrastados por ideais de beleza voláteis e instáveis. Muitos chegam a passar fome voluntariamente, em busca de um corpo de sílfide, em busca de caber nas expectativas de uma sociedade que dita regras tão estreitas que fazem inveja aos mais rígidos espartilhos do século XVII.

Historicamente somos vazios. Vivemos nos sentindo inadequados, porque o modelo de adequação é também vulnerável. Ficamos uma vida inteira perseguindo um arco-íris projetado no céu, sem nunca conseguir alcançá-lo.

Então… quando nos deparamos com a suposta atenção daquele que representa um modelo de adequação, um exemplo de cabimento aos mais exigentes padrões, somos entorpecidos pela sensação de termos sido recompensados com o prêmio máximo.

A exuberância do outro nos é emprestada. E, magicamente, passamos a caber na lógica do “lindamente correto”. É como ter uma permissão de transitar num mundo que persegue a perfeição do invólucro.

Inebriados esquecemos de ler as letras miudinhas do rótulo. Esquecemos de lembrar que por dentro de uma bela casca pode haver uma polpa passada e indigesta. Esquecemos que belos frascos podem conter venenos letais.

Quem sabe já não esteja passando da hora de dedicarmos um tiquinho de atenção ao que nos vai por dentro. Quem sabe não seja tempo de pararmos de correr atrás de imagens holográficas de uma beleza forjada. Quem sabe não esteja na hora de pararmos de folear o outro e de passarmos a lê-los a partir de um olhar menos fútil.

Há gente que parece certos livros: lindas capas e nenhum conteúdo. Mas também há aqueles cuja aparência simples e supostamente inadequada esconde verdadeiros tesouros. Garimpemos gente de verdade, porque de joias falsas o mundo está farto.

Ana Macarini (via Conti Outra)

Nota: Vejamos agora alguns importantes conselhos de Ellen G. White:

"Muitos se enganam ao pensar que beleza e roupas chamativas farão com que obtenham a consideração do mundo. Ao contrário, os atrativos que consistem apenas nos adornos exteriores são superficiais e mutáveis; não se pode confiar neles. O adorno que Cristo aprecia em Seus seguidores nunca desaparecerá. Ele diz: 'Não procure ficar bonita [bonito] usando enfeites, penteados exagerados, jóias ou vestidos caros. Pelo contrário, a beleza de você deve estar no coração, pois ela não se perde; ela é a beleza de um espírito calmo e delicado, que tem muito valor para Deus' (1Pe 3:3, 4)." (Só para Jovens, p. 32)

"Hão de os seguidores de Cristo buscar o adorno interior, o manso e quieto espírito que Deus declara precioso, ou esbanjarão as poucas e breves horas da graça em desnecessário trabalho para fins de ostentação?" (Mensagem aos Jovens, p. 356)

"Irmãs, no dia em que forem ajustadas as contas de todos, experimentarão vocês alegria ao ser passada em revista sua vida, ou sentirão que a beleza do ser exterior é que foi buscada, enquanto a beleza interior ficou quase de todo negligenciada?" (Filhas de Deus, p. 121)

"Enquanto o adorno exterior embeleza somente o corpo, a virtude da mansidão adorna o coração e põe o homem finito em conexão com o Deus infinito. Esse é o ornamento escolhido por Deus. [...] Os anjos do Céu registrarão como melhor adornados aqueles que se revestem do Senhor Jesus Cristo e andam com Ele em mansidão e humildade de espírito." (Santificação, p. 16)

“É justo amar e desejar a beleza; Deus, porém, deseja que amemos e procuremos primeiro a mais alta beleza – aquela que é imperecível. As mais seletas produções da perícia humana não possuem beleza que se possa comparar com a beleza do caráter, que à Sua vista é de grande preço.” (Educação, pp. 248, 249)

"A beleza natural consiste da simetria ou da harmoniosa proporção das partes, de uma para com outra; mas a beleza espiritual consiste na harmonia ou semelhança de nossa alma com Jesus. Isso tornará seu possuidor mais precioso que o ouro fino, mesmo o ouro de Ofir. A graça de Cristo é, de fato, adorno de incalculável preço. Eleva e enobrece seu possuidor, reflete raios de glória sobre outros, atraindo-os também para a fonte de luz e bênçãos." (Orientação da Criança, p. 423)

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Sedentarismo e Depressão

Um estudo publicado no periódico The Lancet na terça-feira (11) encontrou associações entre atividade física, comportamento sedentário e sintomas depressivos em adolescentes. Os pesquisadores da University College London descobriram que jovens de 12 a 16 anos que têm níveis altos de sedentarismo apresentaram um aumento de 8 a 11% nos riscos de ter depressão aos 18 anos ou mais. Exemplos de comportamento sedentário incluem navegar na web, tempo de tela em smartphones, jogar videogame, assistir televisão e ler.

A manutenção dos níveis de atividades físicas, entretanto, reduziu os sintomas depressivos. Já jovens que praticavam atividade moderada a alta com regularidade apresentaram escores mais baixos do transtorno mental. No estudo, os autores explicaram que a atividade física pode influenciar os sintomas depressivos por meio de uma "variedade de mecanismos psicossociais e biológicos, como estimular a neuroplasticidade nas regiões cerebrais implicadas na depressão, reduzir a inflamação ou promover a autoestima".

Como o estudo foi feito 
O estudo analisou 14.901 adolescentes por seis anos. Foram avaliados a cada dois anos informações sobre atividades físicas, que foram categorizadas como sedentárias, leves e moderadas a vigorosas. Os participantes usaram acelerômetros nos quadris por sete dias de cada vez para medir a quantidade e a intensidade de sua atividade física. 

- Sintomas depressivos também foram analisados a cada dois anos até que eles fizessem 18 anos. 

- Ao final da pesquisa, 4.257 jovens tiveram depressão aos 18 anos. 

- Os resultados também mostraram que o comportamento sedentário aumentou e a atividade leve diminuiu ao longo da adolescência, por motivos desconhecidos, os quais levaram a sintomas depressivos aos 18 anos ou mais.

- Quanto maior o tempo gasto com comportamentos sedentários ou praticando atividade leve, maiores eram os escores de depressão..

Exercício e prevenção 
Os cientistas afirmam que o exercício regular pode proteger o desenvolvimento da depressão. Em novembro do ano passado, um estudo feito pela OMS (Organização Mundial da Saúde) revelou que, no Brasil, 84% de jovens entre 11 e 17 anos não praticam uma hora diária de atividade física, conforme recomendação do órgão. "É necessário adotar medidas regulatórias urgentes para aumentar a atividade física e, em particular, promover e manter a participação das meninas", diz Regina Guthold (OMS), autora do estudo. Os dados do estudo atual sugeriram que uma redução de 2 horas no comportamento sedentário diário estava associada a uma redução de 16 a 22% nos escores de depressão aos 18 anos. "Para jovens com sintomas depressivos subclínicos, uma redução dessa magnitude pode ter um impacto substancial", concluíram os autores.(UOL)

Nota do blog: A ligação dentre o sedentarismo e a depressão é muito real. Já no século 19, Ellen G. White nos deixou estes importantes conselhos:

“Deve-se conceder aos pulmões a maior liberdade possível, sua capacidade se desenvolve pela liberdade de ação; diminui, se eles são constrangidos e comprimidos. Daí os maus efeitos do hábito tão comum, especialmente em trabalhos sedentários, de ficar todo dobrado sobre a tarefa em mão. Nesta postura é impossível respirar profundo. A respiração superficial torna-se em breve um hábito, e os pulmões perdem a capacidade de expansão. Assim é recebida uma deficiente provisão de oxigênio. O sangue move-se lentamente. Os resíduos, matéria venenosa que devia ser expelida nas exalações dos pulmões, são retidos, e o sangue se torna impuro. Não somente os pulmões, mas o estômago, o fígado e o cérebro são afetados. A pele torna-se pálida, é retardada a digestão; o coração fica deprimido; o cérebro nublado; confusos os pensamentos; baixam sombras sobre o espírito; todo o organismo se torna deprimido e inativo, e especialmente suscetível à doença.” (A Ciência do Bom Viver, pp. 272-273)

"Aqueles cujos hábitos são sedentários devem, quando o tempo permitir, fazer exercício ao ar livre todos os dias, de verão e de inverno. O exercício aviva e equilibra a circulação do sangue, mas na ociosidade o sangue não circula livremente, e não ocorrem as mudanças que nele se operam, e são tão necessárias à vida e à saúde." (Idem, pp. 238 e 240)

"As diversões excitam a mente, mas é certo seguir-se a depressão. O trabalho útil e o exercício físico terão sobre a mente uma influência sadia e fortalecerão os músculos, melhorarão a circulação, e demonstrar-se-ão poderoso agente na recuperação da saúde." (Conselhos sobre Saúde, p. 627)

"Umas poucas horas de trabalho físico diariamente, tenderiam a renovar o vigor físico e dar repouso e alívio à mente." (Testimonies, vol. 4, p. 264)

"Ao negligenciarmos fazer exercício físico, ao sobrecarregarmos a mente ou o corpo, desequilibramos o sistema nervoso. Aqueles que assim encurtam a existência, desatendendo as leis da Natureza, são culpados de roubo para com Deus." (Conselhos sobre Saúde, p. 41)

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Não quero mais ir à igreja!

"Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima." (Hebreus 10:25)

A julgar pelo próprio índice de frequência à igreja no mundo ocidental, não seria difícil diagnosticar que ela encontra-se hoje, em muitas circunstâncias, em crise. Isso para não mencionar os cultos de oração e reuniões evangelísticas. A seguir, analise comigo algumas escusas que tenho ouvido, as quais são usadas por pessoas que deixam de frequentar a igreja:

1. “Alguém me ofendeu.” Essa desculpa, em geral, inicia a lista. “Alguém ou a igreja ofendeu meus sentimentos, e não desejo mais voltar lá.” Outra frase comum é esta: “A igreja está cheia de hipócritas.” O grande problema da igreja é que ela é feita de pessoas como você e eu. Se tirássemos dela todas as pessoas, os problemas desapareceriam, mas também a igreja deixaria de existir. Lembre-se de que os cristãos não seguem os cristãos. Eles seguem a Cristo.

2. “Não sou suficientemente bom para ir à igreja.” Isso equivale a um enfermo dizer: “Estou muito doente para ir ao hospital.” 

3. “A igreja parece morta. Os cultos são cansativos e não recebo nada lá.” Essa argumentação parece assumir que a principal razão para ir à igreja seria encontrar diversão ou mesmo receber alguma coisa. Em vez disso, vamos à igreja primariamente para oferecer a Deus nosso louvor e gratidão.

4. “Ando muito ocupado ultimamente.” Esse é precisamente o propósito do sábado. Libertar-nos da tirania e escravidão das rotinas da vida. Essa desculpa diz, em outras palavras, que estamos muito ocupados para Deus.

5. “Estou doente.” Em alguns casos, isso é verdade. Contudo, queira Deus que não nos tornemos tão enfermos como às vezes dizemos estar para não ir aos cultos. Então, certamente saberíamos o que significa estar doente.

6. “Estou tão cansado aos sábados.” Curioso é que dificilmente estamos cansados para fazer compras ou assistir aos programas preferidos na TV. As pessoas em geral fazem aquilo que elas querem ou que consideram importante.

7. “A igreja é muito longe de minha casa.” Se Jesus esteve disposto a “viajar” milhões de anos-luz do Céu à Terra para nos visitar e salvar, certamente podemos encontrar uma forma de chegar à igreja para agradecer-Lhe e ter comunhão com Ele.

Que tal estar na igreja no próximo sábado? Não deixe para decidir isso na última hora. Tome a decisão agora mesmo: “Estarei lá!”

"Os que pertencem à família da fé nunca devem negligenciar suas reuniões; pois este é o meio designado por Deus para levar Seus filhos à unidade, a fim de que, em amor cristão e companheirismo possam ajudar-se, fortalecer-se e animar-se uns aos outros. ... Como irmãos de nosso Senhor, somos chamados com uma santa vocação a uma vida santa e feliz. Havendo entrado no caminho estreito da obediência, refrigeremos nossa mente pela comunhão uns com os outros e com Deus. À medida que vemos aproximar-se o dia de Deus, reunamo-nos muitas vezes para estudar a Sua Palavra e exortar-nos uns aos outros e tirarmos todo proveito possível a fim de preparar-nos, na maneira devida, para receber nas assembleias celestes o cumprimento do penhor de nossa herança. Lembrai-vos de que em toda reunião vos encontrais com Cristo, o Senhor das congregações. Estimulai um interesse pessoal uns nos outros; pois não basta simplesmente conhecer os homens. Importa que os conheçamos em Cristo Jesus. É-nos ordenado que consideremos 'uns aos outros'. Esta é a nota predominante do evangelho. A do mundo, é o eu." (Ellen G. White - Carta 98, 1902)

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Como se originou a crença no “inferno”?

A noção de um “inferno” de fogo eterno para castigar os maus está intimamente associada à teoria da imortalidade natural da alma. Já no Jardim do Éden, Satanás, na forma de uma serpente, disse a Eva que ela e Adão não morreriam (Gn 3:4; Ap 12:9). Entre os antigos pagãos havia noções de um outro mundo no qual os espíritos dos mortos viviam conscientes. Essa crença, somada à noção de que entre os seres humanos existem pessoas boas e pessoas más que não podem conviver para sempre juntas, levou antigos judeus e cristãos a crerem que, além do paraíso para os bons, existe também um inferno para os maus.

Muitos eruditos criam que a noção de um inferno de tormento para os ímpios derivara do pensamento persa. Mas em meados do século 20, essa teoria já havia perdido muito de sua força, diante das novas investigações que enfatizavam a influência grega sobre os escritos apocalípticos judaicos do 2º século a.C. Tal ênfase parece correta, pois na literatura greco-clássica aparecem alusões a um lugar de tormento para os maus. Por exemplo, a famosa Odisséia de Homero (rapsódia 11) descreve uma pretensa viagem de Ulisses à região inferior do Hades, onde mantém diálogo com a alma de vários mortos que sofriam pelos maus atos deles. Também Platão, em sua obra A República, alega que “a nossa alma é imortal e nunca perece”.

Por contraste, o Antigo Testamento afirma que o ser humano é uma alma mortal (ver Gn 2:7; Ez 18:20); que ele permanece em estado de completa inconsciência na morte (ver Sl 6:5; 115:17; Ec 3:19 e 20; 9:5 e 10); e que os ímpios serão aniquilados no juízo final (ver Ml 4:1). Mas tais ensinamentos bíblicos não conseguiram impedir que o judaísmo do 2º século a.C. começasse a absorver gradativamente as teorias gregas da imortalidade natural da alma e de um lugar de tormento onde já se encontram as almas dos ímpios mortos. Esse lugar de tormento era normalmente denominado pelos termos Hades e Sheol.

Já nos apócrifos judaicos transparecem as noções de uma espécie de purgatório (Sabedoria 3:1-9) e de orações pelos mortos (II Macabeus 12:42-46). Mas o pseudepígrafo judaico de I Enoque (103:7) assevera explicitamente: “Vocês mesmos sabem que eles [os pecadores] trarão as almas de vocês à região inferior do Sheol; e eles experimentarão o mal e grande tribulação – em trevas, redes e chamas ardentes.” Também o livro de IV Enoque (4:41) fala que “no Hades as câmaras das almas são como o útero”. A ideia básica sugerida é a de uma alma imortal que sobrevive conscientemente à morte do corpo.

O Novo Testamento, por sua vez, fala acerca da morte como um sono (ver Jo 11:11-14; 1Co 15:6, 18, 20 e 51; 1Ts 4:13-15; 2Pe 3:4) e da ressurreição como a única esperança de vida eterna (ver Jo 5:28 e 29; 1Co 15:1-58; 1Ts 4:13-18). Mas o cristianismo pós-apostólico também não conseguiu resistir por muito tempo à tentação paganizadora da cultura greco-romana, e passou a incorporar as teorias da imortalidade natural da alma e de um inferno de tormento já presente. Uma das mais importantes exposições medievais do assunto aparece em A Divina Comédia, de Dante Alighieri, cujo conteúdo está dividido em “Inferno”, “Purgatório” e “Paraíso”.

Além de conflitar com os ensinos do Antigo e do Novo Testamento, a teoria de um inferno eterno também conspira contra a justiça e o poder de Deus. Por que uma criança impenitente, que viveu apenas doze anos, deveria ser punida nas chamas infernais por toda a eternidade? Não seria essa uma pena desproporcional e injusta (ver Ap 20:11-13)? Se o mal teve um início, mas não terá fim, não significa isso que Deus é incapaz de erradicá-lo, a fim de conduzir o Universo à sua perfeição original? Cremos, portanto, que a teoria de um tormento eterno no inferno é antibíblica e conflitante com o caráter justo e misericordioso de Deus.

Alberto R. Timm (via Centro White)

Nota do blog: Ellen G. White escreveu de forma inspirada:

“Depois da queda, Satanás ordenou a seus anjos que fizessem um esforço especial a fim de inculcar a crença da imortalidade inerente do homem; e, tendo induzido o povo a receber este erro, deveriam levá-lo a concluir que o pecador viveria em estado de eterna miséria. Agora o príncipe das trevas, operando por meio de seus agentes, representa a Deus como um tirano vingativo, declarando que Ele mergulha no inferno todos os que não Lhe agradam, e faz com que sempre sintam a Sua ira …” (A fé pela qual eu vivo, p. 208)

Realmente, a ideia da punição eterna a uma criatura nasceu na mente de Satanás. Ellen White continua:

“Quão repugnante a todo sentimento de amor e misericórdia, e mesmo ao nosso senso de justiça, é a doutrina de que os ímpios mortos são atormentados com fogo e enxofre num inferno eternamente a arder; que pelos pecados de uma breve vida terrestre sofrerão tortura enquanto Deus existir! Contudo esta doutrina tem sido largamente ensinada, e ainda se acha incorporada em muitos credos da cristandade.” (O Grande Conflito, p. 535)

“Sobre o erro fundamental da imortalidade inerente, repousa a doutrina da consciência na morte, doutrina que, semelhantemente à do tormento eterno, se opõe aos ensinos das Escrituras, aos ditames da razão, e a nossos sentimentos de humanidade. Segundo a crença popular, os remidos no Céu estão a par de tudo que ocorre na Terra, e especialmente da vida dos amigos que deixaram após si. Mas como poderia ser fonte de felicidade para os mortos o saberem das dificuldades dos vivos, testemunhar os pecados cometidos por seus próprios amados, e vê-los suportar todas as tristezas, desapontamentos e angústias da vida? Quanto da bem-aventurança celeste seria fruída pelos que estivessem contemplando seus amigos na Terra? E quão revoltante não é a crença de que, logo que o fôlego deixa o corpo, a alma do impenitente é entregue às chamas do inferno! Em quão profundas angústias deverão mergulhar os que vêem seus amigos passarem à sepultura sem se acharem preparados, para entrar numa eternidade de miséria e pecado! Muitos têm sido arrastados à insanidade por este inquietante pensamento.” (Ibidem, p. 545)

A doutrina do “tormento eterno” faz mal até para a saúde:

“Satanás é o causador da doença; e o médico está batalhando contra sua obra e poder. A enfermidade da mente reina por toda parte, e noventa por cento das doenças que atacam o ser humano têm aí seu fundamento. Talvez algum vivo distúrbio doméstico esteja, como gangrena, roendo até à própria alma, e enfraquecendo as forças vitais. O remorso pelo pecado aflige por vezes a constituição, e desequilibra a mente. Há, também, doutrinas errôneas, como a de um inferno eternamente a arder e o tormento perpétuo dos ímpios, as quais por darem uma visão exagerada e distorcida do caráter de Deus, têm produzido os mesmos resultados sobre espíritos sensíveis. Os infiéis têm aproveitado ao máximo esses casos infelizes, atribuindo a loucura à religião; isto, porém, é grosseira difamação, a qual deverão enfrentar finalmente. A religião de Cristo, bem longe de causar loucura, é um de seus mais eficazes remédios.” (Conselhos Sobre Saúde, p. 324)

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Quando a oração é abominável

"O que desvia os seus ouvidos de ouvir a lei, até a sua oração é abominável." (Pv 28:9)

Uma das grandes diferenças entre os seres humanos e os animais é a capacidade de dialogar. Os animais até se comunicam entre si através de sons, mas dialogar é uma característica essencialmente humana. O diálogo é uma via de mão dupla, acontece entre pelo menos duas pessoas que escutam e são escutadas. Em um relacionamento saudável deve haver mutualidade. Os sentimentos, o respeito, a atenção, devem ser reciprocamente trocados. 

No entanto, existem pessoas que querem ser respeitadas, mas não respeitam, querem ser ouvidas, mas não ouvem, querem ser amadas, mas não amam. Muitas vezes agimos assim com Deus. Exigimos que Deus nos ouça, mas nos recusamos a ouvir a Deus. Provérbios 28:9 apresenta um grupo de pessoas que buscam serem ouvidas por Deus, mas se recusam a ouvi-Lo. 

Que mensagem dura! É isso mesmo? 

Quando me deparei com este verso pela primeira vez, fiquei pensativo por algum tempo me perguntando: será que é isso mesmo que Deus queria dizer? É uma mensagem muito dura. Deus realmente pensa assim? Será que o tradutor não se equivocou ao traduzir este verso do original? 

Para sanar minhas inquietações, resolvi pesquisar um pouco mais a fundo este verso. Descobri, por exemplo, que o verbo ouvir também poderia ser traduzido como obedecer ou guardar (2Sm 18:12 é um caso desses). A palavra lei (Torah) é uma referência à toda a Bíblia que eles tinham na época, ou seja, o Pentateuco. Portanto, ela também inclui Êxodo 20, ou seja, a lei moral de Deus, os dez mandamentos. Outra tradução possível para a palavra “abominável” seria “detestável”, o que torna a expressão ainda mais séria. Finalmente fui buscar outras traduções para comparar a versão que eu havia lido (ARA) com outras possibilidades. Todas as versões que eu consultei (NVI, Almeida século XXI, BV, NTLH, ARC, NKJV, BJ) concordam entre si em relação à tradução deste verso. 

A única coisa que podemos concluir, portanto, é que Deus realmente quis dizer o que está escrito em nossa Bíblia. Contudo, vamos analisar um pouco mais este verso.

De quem o verso fala? 

O verso deixa transparecer algumas características que nos ajudam a identificar a quem ele se refere. Duas características se destacam. A primeira é que as pessoas descritas nesse verso recusam ouvir (obedecer, guardar) a lei. Isso significa que essas pessoas conhecem a lei de Deus, conhecem a palavra de Deus, mas voluntariamente se recusam a obedecer. 

Uma segunda característica que podemos observar é que estas pessoas de Provérbios 28:9 oram a Deus. São pessoas religiosas, que frequentam uma igreja, que professam um credo. Essas pessoas dizem que servem a Deus, mas querem servir do seu jeito, sem compromisso real com as ordens do Senhor. É importante também destacarmos que o verso não está se referindo a quem é ignorante em relação às leis da Bíblia. Deus não cobrará de quem não conhece (At 17:13). 

O que tudo isso significa? 

A aplicação deste texto deve nos fazer refletir profundamente a respeito da nossa vida cristã. A rebelião impede o contato com Deus. Rebelião é colocar-se conscientemente contra uma clara ordem Divina. A palavra de Deus nos revela várias leis para as quais devemos dar toda atenção. A Lei moral é, sem dúvida, a mais importante delas. Todos os dez mandamentos, inclusive o sábado, devem ser alvo de nossa atenção e obediência. Encontramos outras leis de Deus em Sua palavra: a lei dos dízimos e ofertas, as leis de saúde dentre outras. 

Quando estudamos os textos sagrados, precisamos estar alerta aos pequenos detalhes. No texto que estamos analisando, há um detalhe importante. A palavra “até” tem muito a nos dizer. Ela é uma palavra inclusiva. Não são somente as orações dos que são rebeldes que são abomináveis. Qualquer manifestação em direção a Deus é abominável. Músicas, culto, pregação, todas são abomináveis, ou seja, detestáveis a Deus. O profeta Amós deu uma mensagem de Deus a pessoas que estavam em uma situação de rebeldia em relação ao Pai eterno: 

“Aborreço, desprezo as vossas festas, e não me deleito nas vossas assembleias solenes. Ainda que me ofereçais holocaustos, juntamente com as vossas ofertas de cereais, não me agradarei deles; nem atentarei para as ofertas pacíficas de vossos animais cevados. Afasta de mim o estrépito dos teus cânticos, porque não ouvirei as melodias das tuas liras" (Amós 5:21-23). 

O povo ao qual Amós dirigiu estas palavras ia para a igreja, fazia sacrifícios, cantavam bonitas músicas, mas, eram voluntariamente desobedientes aos mandamentos divinos. Para Deus sua adoração era desprezível. Através do profeta Isaías, Deus confirmou este pensamento: 

“Eis que a mão do Senhor não está encolhida, para que não possa salvar; nem surdo o seu ouvido, para que não possa ouvir; mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados esconderam o seu rosto de vós, de modo que não vos ouça" (Isaías 59:1, 2). 

Se Deus aceitasse adoração dos desobedientes, estaria aprovando a rebeldia. 

Espírito de Profecia 

Ellen G. White confirma estes conceitos em diversos momentos: 

“Deus não aceitará uma obediência voluntariosa e imperfeita. Os que presumem estar santificados, mas desviam os ouvidos de ouvir a lei, demonstram ser filhos da desobediência, cujo coração carnal não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar” (Mensagens Escolhidas, vol. 3. p. 199). 

Comentando a primeira mensagem angélica, ela escreveu: 

“Pelo primeiro anjo os homens são chamados a temer a Deus e dar-Lhe glória, e adorá-Lo como o Criador do céu e da Terra. A fim de fazer isto devem obedecer à Sua lei. Diz Salomão: 'Teme a Deus e guarda os Seus mandamentos; porque este é o dever de todo homem' (Ec 12:13). Sem a obediência a Seus mandamentos nenhum culto pode ser agradável a Deus. 'Este é o amor de Deus: que guardemos os Seus mandamentos.' 'O que desvia os seus ouvidos de ouvir a lei, até a sua oração será abominável' (1Jo 5:3; Pv 28:9)." (O Grande Conflito, pp. 435 e 436). 

Completando este pensamento, ainda lemos: 

“Não bastava que a arca e o santuário estivessem no meio de Israel. Não bastava que os sacerdotes oferecessem sacrifícios, e que o povo fosse chamado filhos de Deus. O Senhor não toma em consideração o pedido daqueles que acariciam a iniquidade no coração; está escrito que 'o que desvia os seus ouvidos de ouvir a lei, até a sua oração será abominável' (Pv 28:9)." (Patriarcas e Profetas, p. 584). 

Conclusão 

A mensagem contida em Provérbios 28:9 é muito importante e profunda. Deus não considera as orações daqueles que voluntariamente O desobedecem. O culto, as músicas, por mais bem executadas que sejam, e outras formas de adoração também são rejeitados por Deus. 

Há um desafio para o povo remanescente: dar uma mensagem de advertência àqueles que necessitam mudar de vida. Não podemos ter orgulho espiritual, mas é preciso ter consciência que aqueles que conhecem e guardam a lei de Deus precisam pregar àqueles que se rebelaram contra Deus. Eles devem aprender sobre a verdadeira adoração com quem obedece e não o contrário. 

Aqueles que professam estar entre o povo remanescente, também devem analisar-se diariamente para saber se estão “ouvindo” a lei de Deus. O Senhor não levará em consideração a placa de sua igreja na hora do julgamento, naquele dia é só o ser humano e Deus. 

É importante terminarmos esta reflexão destacando que há solução para todos aqueles que estão em rebelião contra Deus. João escreveu: 

“Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1 João 1:9). 

A oração de arrependimento sempre será ouvida por Deus. 

Que possamos estar sempre atentos à voz do Senhor!