quinta-feira, 9 de julho de 2026

MEDITAÇÃO #30 - OS 5 "ISMOS" DO MAL

Estamos em guerra! Essa é a principal lembrança de Apocalipse 12 para aqueles que vivem no fim do tempo do fim. Uma batalha contra o maior “sedutor” (Ap 12:9) de todos os tempos. Para ­enfrentá-lo, nosso coração não pode ser apenas controlado pelos desejos, mas precisa ser comandado pela Palavra. Fique alerta contra cinco “ismos” destruidores.

1. Comodismo. É a doença daqueles que vivem confortáveis com o pouco que possuem, subnutridos espiritualmente e mantidos pelo consumismo espiritual. Não usam seus dons, não participam em ministérios, não se aprofundam na mensagem, não cumprem a missão e, o pior, não passam um legado espiritual às novas gerações. Para eles, receber é uma obrigação e oferecer é um sacrifício. Pensam estar alertas, mas estão dormindo. Ellen White diz:
"Deus não recompensará homens e mulheres no mundo futuro por procurarem viver comodamente neste mundo" (E Recebereis Poder, p. 345).
2. Institucionalismo. É a doença do triunfalismo religioso e do formalismo espiritual, a síndrome de Laodiceia, que se julga rica, mas é miserável (Ap 3:17, 18). Seus adeptos acreditam que o fato de cumprir regras, manter cerimônias, proteger tradições e viver uma vida repetitiva os manterá seguros e agradará a Deus. Também se encantam com resultados, aplausos, notícias, curtidas, investimentos, eventos e outras formas de parecer relevantes. Suas atitudes fazem a igreja deixar de ser movimento para se tornar monumento, deixar de ser conhecida pela mensagem para ser aplaudida pela grandeza. A relevância social se torna mais importante que o crescimento espiritual. Causar boa impressão passa a ser mais importante que o cumprimento da missão. Sobram glórias e falta coração. Sua mensagem é defendida, mas não encarnada. Ellen White adverte:
"A mensagem à igreja de Laodicéia é uma impressionante acusação, e é aplicável ao povo de Deus no tempo presente. O povo de Deus é representado como em uma posição de segurança carnal. Sentem-se bem, pois se imaginam em exaltada condição de realizações espirituais. Eles não sabem que sua condição é deplorável à vista de Deus" (Testemunhos Seletos 1, p. 327).
3. Achismo. É apenas um sintoma do secularismo que vê a simplicidade da vida cristã como um suicídio intelectual. Busca uma religião racional, cheia de lógica, vazia de fé e distante de Deus. Seus adeptos não adoram o “Deus Eu Sou”, mas o “Deus que querem que Ele seja”. Para seu racionalismo, Deus não é suficiente e para sua independência Deus não é necessário. Não notam que estão envolvidos num ciclo de deterioração da verdade, criado pelo próprio “sedutor”. No Jardim do Éden éramos guiados pela verdade. Na tentação, a serpente questionou a verdade. Séculos mais tarde, a igreja romana modificou a verdade. Anos depois, a Revolução Francesa tentou destruir a verdade. Mais perto de nós, o pós-modernismo estabeleceu que cada um é dono de sua própria verdade. E a multimodernidade, em nossos dias, trouxe a intolerância com a verdade do outro. Ellen White afirma:
"A verdade é de Deus; o engano, em todas as suas múltiplas formas, é de Satanás; e quem quer que, de alguma maneira, se desvia da reta linha da verdade, está-se entregando ao poder do maligno" (O Maior Discurso de Cristo, p. 68).
4. Criticismo. É consequência do achismo e efeito colateral do egoísmo. Pessoas contaminadas por esse mal se importam apenas consigo mesmas. Tudo o que foge aos seus padrões pessoais e não atende aos seus interesses particulares serve de vitamina para a crítica. Seus adeptos estão em busca de justiça para todos e esperam misericórdia para si mesmos. Falam sem conhecer, machucam sem se importar e derrubam sem levantar. Descarregam suas frustrações sobre pessoas, situações ou instituições. A igreja sofre com esses “reformadores” modernos, que são capazes de corrigir a todos, menos a si mesmos. São especialistas em apontar falhas, mas incapazes de construir soluções. Cultivam pouca gratidão e muita indignação, muita desconfiança e pouca esperança, muito zelo e pouco amor. Podem ter até boas intenções, tentando ser instrumentos do “Consolador” (Jo 14:26), mas acabam se tornando agentes do “acusador” (Ap 12:10). Ellen White alerta:
"Um espírito de criticismo e amargura tem penetrado na igreja, e o discernimento espiritual de muitos tem diminuído. Em virtude disto a causa de Cristo tem sofrido grande perda" (Beneficência Social, p. 72).
5. Sensacionalismo. É a doença do superficialismo. Daqueles que têm pouco de Deus no interior e precisam de muito estímulo exterior. Navegam pelo mundo real e virtual em busca de novidades. Novas interpretações, novas datas, novos vídeos, novas descobertas, novos oradores carismáticos. Não se alimentam do “Assim diz o Senhor”, mas do “assim diz o pastor, o pregador, o influenciador”. Acabam afetados pela rotina, decepcionados pelo engano e destruídos pela apostasia. Ellen White declara:
"Tenho sido instruída de que não é de doutrinas novas e fantasiosas que o povo precisa. Não necessitam de conjecturas humanas. Não temos ânsia de excitação, de sensacionalismo; quanto menos disso tivermos, tanto melhor. O raciocínio tranquilo e fervoroso com base nas Escrituras, é precioso e frutífero" (Evangelismo, p. 170).
Por que não substituir esses “ismos” do mal pelos “ismos” do Senhor? Oferecer palavras de otimismo, desenvolver atitudes de altruísmo e cumprir a missão do adventismo.

quarta-feira, 8 de julho de 2026

MEDITAÇÃO #29 - VAI DAR ZEBRA!

Zebra é uma gíria comum em esportes, sobretudo no futebol, para justificar um resultado tido como impossível de ocorrer. Uma equipe forte ser batida por uma fraca é a marca registrada, popularizada nos tempos áureos da loteria esportiva quando no Programa Globo Esporte surgia a informação dos resultados. Quando eventualmente o placar era inesperado, a Zebra aparecia e dizia: Zebra!!!!!!!!

A origem do nome vem do jogo do bicho, que não tem a zebra entre os vinte e cinco animais a serem sorteados. Ou seja, era impossível sortear a zebra. Por isso, tornou-se comum dizer “deu zebra” quando uma equipe favorita perde.

E quem diria que aquele garotinho fantasiado de pastor de ovelhas derrubaria o brutamontes Golias com uma funda de caçar passarinho? Pelo jeito, nosso Deus gosta muito de zebras! No dizer de Paulo, “Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes. Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são, para aniquilar as que são; para que ninguém se glorie perante Ele” (1Co 1:27-29).

O próprio Paulo foi uma grande zebra! Sozinho fez mais do que os outros apóstolos juntos. Ele testifica: “Pois eu sou o menor dos apóstolos, que mesmo não sou digno de ser chamado apóstolo, porque persegui a igreja de Deus. Mas pela graça de Deus sou o que sou, e a Sua graça para comigo não foi vã. Antes trabalhei muito mais do que todos eles; todavia não eu, mas a graça de Deus, que está comigo” (1Co 15:9-10).

Mas a maior zebra da história ainda está pra acontecer. Porém, já foi prenunciada por Cristo, Seus apóstolos e profetas.

Aquele Galileu que entrou em Jerusalém montado em um jumentinho (parente próximo da zebra) continua cavalgando pela trilha da história, deixando no mundo um rastro de sucessivas vitórias. Não se enganem, meus amigos. O cavaleiro fiel que desfila nas páginas do Apocalipse, “saiu vencendo e pra vencer!” Ele é a zebra de todos os séculos.

Não desperdicem suas fichas apostando nos poderosos deste mundo, que estão em franco declínio (por favor leia 1Co 2:6). Apostem n’Aquele que deve reinar “até que haja posto a todos os inimigos debaixo dos seus pés” (1Co 15:25). Todas as estruturas de poder virão ao chão. As ideologias sobre as quais estão fundadas entrarão em colapso. Porém a Verdade de Deus prevalecerá na História.

Aquela pedra vista em sonho pelo rei Nabudonosor, arremessada do céu contra os impérios deste mundo, está em franca expansão, e aos poucos, discretamente, está se tornando numa grandiosa montanha, destinada a tomar toda a Terra (Daniel 2:34-45). A semente de mostarda vai se transformando numa frondosa árvore. A pitada de fermento vai levedando toda a massa (Mt 13:31-33). E finalmente, será Dia Perfeito (Pv 4:18)! Todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Jesus Cristo é o Senhor para glória de Deus Pai.

A aposta está feita! Minhas últimas fichas estão lançadas na vitória de Cristo, não apenas na partida final da história, mas também nas eliminatórias, nas quartas e oitavas de final. E creia no que digo: Não haverá prorrogação! Nem vitória por pênalti. Será no tempo regulamentar.
"Muito em breve, será travada a última grande batalha entre o bem e o mal. A Terra será o campo de batalha – o cenário da última luta e da vitória final. Aqui, onde por tanto tempo Satanás tem instigado os homens contra Deus, a rebelião será vencida para sempre” (Ellen White - Este Dia com Deus, 25 de outubro).

terça-feira, 7 de julho de 2026

MEDITAÇÃO #28 - DERROTAS

Ninguém gosta de perder. E não é à toa, afinal, nossa sociedade nos ensina o tempo todo que perder é o que existe de pior na existência humana.

Os filmes que nos emocionam são os de superação. O documentário que nos cativa é o do homem que perdeu tudo, mas deu a volta por cima. O livro de romance que nos envolve é o da menina que perdeu seu amor, mas conseguiu alguém melhor. Queremos que o nosso candidato ganhe a eleição. Torcemos para o time ganhar. E assim por diante. Nossa mente é socialmente condicionada para que ganhemos, ganhemos, ganhemos, ganhemos e ganhemos.

Mas aí vem a pergunta: e se perdermos?

Bem... aí a coisa complica. Afinal, pessoas adestradas desde o berço a buscar a cada segundo a vitória e o triunfo, perdem completamente o rebolado quando a derrota chega. E, com isso, vêm frustração, impotência, prostração, depressão, melancolia, ansiedade, questionamentos a Deus e muito mais. "Deus, como posso estar perdendo tanto se sou mais que vencedor?!"

Hoje, vemos muitos dando uma grande ênfase na vitória como sendo um referencial perfeito para indicar as pessoas que servem a Deus de verdade e são abençoadas por Ele. Os vencedores são os abençoados, não os perdedores. Os ricos são os abençoados, não os pobres. A fé vencedora é dos que venceram situações e não dos que perderam.

O problema é que o referencial humano sobre a vitória está bem longe do referencial que Deus tem dela. É evidente que o Senhor é um Deus que dá a vitória aos seus filhos, mas a plenitude da Sua ação não se dá apenas em ambientes onde o ser humano enxerga a vitória.

Sadraque, Mesaque e Abede-Nego estavam diante do tirano rei da Babilônia, Nabucodonosor. Esse rei, loucamente, manda construir uma imagem para que todos a adorassem. Esses três desobedeceram a ordem e foram chamados para uma conversa particular com o rei. A resposta desses jovens ao rei é que nos mostra algo surpreendente sobre a vitória:

“Se formos atirados na fornalha em chamas, o Deus a quem prestamos culto pode livrar-nos, e Ele nos livrará das suas mãos, ó rei. Mas, se Ele não nos livrar, saiba, ó rei, que não prestaremos culto aos seus deuses nem adoraremos a imagem de ouro que mandaste erguer” (Daniel 3:17-18).

O que chama a atenção é que esses jovens criam que Deus tinha a escolha de livrá-los ou não. Essa atitude deles não era uma atitude de covardia ou de resignação, mas de fé plena em Deus, acontecesse o que acontecesse. Se eles morressem queimados, morreriam em obediência e pleno exercício de sua fé. Humanamente, talvez seriam chamados de derrotados, mas espiritualmente seriam vitoriosos. Eles não viam na vitória a base de sua fé, mas apenas no cumprimento da vontade de Deus, seja ela qual fosse. Eles confiavam na direção do Pai em todas as situações.

Assim, as circunstâncias não tinham o poder de destruir a fé deles. A vitória era bem-vinda, mas se fossem derrotados (humanamente falando), mesmo assim morreriam exercendo plenamente a obediência à vontade do Pai e, portanto, seriam vitoriosos diante de Deus.

Agora, a questão é nossa: E se acontecer a nossa derrota? Continuaremos firmes na fé em Deus? Estaremos dispostos a exercer a fé seja no “sim” seja no “não”?

Consigo entender a lógica arrebatadora de Jesus no sermão da Montanha, quando Ele diz que bem-aventurado é aquele que chora, pois será consolado. Precisamos aprender a conviver com a derrota. Precisamos aprender a conviver com frustrações e sonhos não realizados. Saber perder não é conformar-se com a derrota, mas entendê-la como necessária para uma outra perspectiva da vida. Todas as vezes que perdemos, precisamos olhar a vida sem auto comiseração. Deus está nos dando uma nova chance de fazer aquilo que deixamos de fazer. Esta lição serve para muitas situações. Seja luto, seja falência, sejam relacionamentos destruídos, seja até um jogo perdido. Uma das orações mais difíceis que podemos fazer é esta: “Jesus, ensina-me a perder!”
"As mais difíceis experiências na vida do cristão podem ser as mais abençoadas" (Ellen White - Para Conhecê-Lo, p. 254). 

sexta-feira, 3 de julho de 2026

MEDITAÇÃO #27 - NÃO TERÁS OUTROS DEUSES

Em seu âmago, o grande conflito não é travado superficialmente em torno de regras, leis, códigos ou decretos. Embora o quarto mandamento da lei de Deus, tão perfeita e santa como perfeito e santo é Seu caráter, seja “a pedra de toque”, cuja aceitação, finalmente, definirá de que lado estarão homens e mulheres nessa controvérsia milenar, a questão é mais profunda que pura e simplesmente a letra da lei. Podemos defini-la em uma palavra: adoração. A quem renderemos culto? A quem constituiremos como Senhor de nossa vida? A qual soberania alegremente nos entregaremos: à de Deus ou à do arquiavélico enganador, considerando que, nessa guerra, não existe neutralidade?

A Bíblia, nossa única regra de fé e prática, revela a incontestável supremacia do Deus criador de todas as coisas. Já no primeiro mandamento de Sua lei, Ele declara: “Não terás outros deuses diante de Mim” (Êx 20:3). Sendo Ele o único e verdadeiro Deus, requer lealdade absoluta de todos quantos O aceitam como tal. A mera crença em Sua existência não basta; muito menos a superficial profissão de reconhecimento. Devemos-Lhe absoluta e total lealdade, entrega de todo o nosso coração. Nossas perspectivas e expectativas de vida, nossos pensamentos, sentimentos, valores e motivos devem ser dirigidos por Seu querer. Honrá-Lo em todos os nossos caminhos tem de ser nossa primeira ocupação.

Qualquer atitude ou modo de conduta que destoe disso resvalará para a idolatria, mesmo que não represente adoção de outras divindades, nem nos prostremos diante de suas imagens representativas. Ellen White afirma: “Proíbe-se ao homem conferir a qualquer outro objeto o primeiro lugar nas suas afeições ou serviço. O que quer que acariciemos que tenda a diminuir nosso amor para com Deus, ou se incompatibilize com o culto a Ele devido, disso fazemos um deus” (Patriarcas e Profetas, p. 305). É perigoso depender de alguma coisa ou pessoa que não seja Deus.

Infelizmente, para muitos de nós, nem sempre tem sido fácil lutar contra as seduções do mundo, nessa era tão materialista. Aparentemente, é mais fácil confiar no que é visível e temporal. Isso pode nos induzir a violar o princípio do primeiro mandamento em nome de alguma conveniência ou comodidade. Um exemplo do qual podemos extrair preciosas lições é o de Arão e a confecção do bezerro de ouro, no sopé do Sinai. Esquecido da grandeza e unicidade do Deus que o libertara do cativeiro egípcio, o povo ansiou por outros deuses. Querendo se manter popular, Arão transigiu, construindo o bezerro para satisfação de todos. Que trágica experiência!

É oportuno que reflitamos: A quem priorizamos na tributação de honra e da nossa mais estrita lealdade – a Deus, ou a nós mesmos, com nossas pretensões egoístas de fama, apego ao poder, popularidade, riqueza e tantos outros deuses criados ou manipulados pelo “deus deste século”, a fim de satisfazer o ego e alimentar o orgulho do ser humano?

quinta-feira, 2 de julho de 2026

MEDITAÇÃO #26 - NÃO TOMARÁS O NOME DE DEUS EM VÃO

"Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão; porque o Senhor não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão" (Êxodo 20:7).

Em qualquer cultura, moderna ou antiga, o nome é um símbolo verbal para uma pessoa ou família. Especialmente para os antigos, o nome evocava o próprio valor, caráter, honra e identidade. Portanto, mencionar o nome de Deus era reconhecer não apenas o Seu incrível poder e santidade, mas também o Seu valor, caráter, honra, amor, poder, justiça e identificação divina. Ou seja, o nome de Deus é uma clara revelação da Sua própria glória, essência e natureza (Êxodo 3:14; 6:2). Esse fato revela o cuidado, preocupação e temor em mencionar o nome de Deus (Amós 6:10).

Por este motivo, o terceiro mandamento divino proíbe o uso não apenas de falsos juramentos (Levítico 19:12), mas especialmente o nome de Deus em qualquer situação de inverdade, além de desnecessária e frívola. Isso inclui perjúrio, conversas ociosas, falas desrespeitosas, momentos cômicos, brincadeiras reverentes ou irreverentes – mesmo revestidas de inocência. Ellen G. White alerta: 
"Este mandamento não somente proíbe os falsos juramentos e juras comuns, mas veda-nos o uso do nome de Deus de maneira leviana ou descuidada, sem atentar para a sua terrível significação. Pela precipitada menção de Deus na conversação comum, pelos apelos a Ele feitos em assuntos triviais, e pela frequente e impensada repetição de Seu nome, nós O desonramos. 'Santo e tremendo é o Seu nome' (Salmo 111:9). Todos devem meditar em Sua majestade, pureza e santidade, para que o coração possa impressionar-se com uma intuição de Seu exaltado caráter; e Seu santo nome deve ser pronunciado com reverência e solenidade” (Patriarcas e Profetas, pp. 306 e 307).
O coração natural e perverso está muito sujeito a violar este mandamento e, por esse motivo, é solenemente imposto pela ameaça, “pois Deus não o considerará inocente” (Êxodo 20:7). Não é uma proibição indiscriminada, pois o nome de Deus pode ser usado para a invocação, oração, louvor e ação de graças, que procede de um coração sincero, reverente e amante de Deus. Esta ordem está diretamente relacionada aos dois primeiros mandamentos, pois o Seu nome, além de único, também era uma negação contra os falsos deuses. Ellen G. White adverte: 
"Deve também mostrar-se reverência pelo nome de Deus. Jamais deve esse nome ser proferido levianamente, precipitadamente. Mesmo na oração, deve ser evitada sua repetição frequente e desnecessária. Os que tomam o nome de Deus em vão irão ver que será uma coisa terrível cair nas mãos do Deus vivo. Vaga compreensão alguns têm da santidade de Deus, e quanto tomam em vão o Seu santo e reverendo nome sem se compenetrarem de que é de Deus, o grande e poderoso Deus que estão falando" (Manuscrito 126, 1901).
Muito mais do que não pronunciar o nome do Senhor em situações indevidas e corrigir as pessoas quando fazem isso, é nosso dever evidenciar para o mundo a relação estreita que existe entre o nome de Deus e sua personalidade.

No Antigo Testamento, Deus é conhecido por vários nomes, cujos significados revelam facetas de seu caráter. Por exemplo, Elohim aponta para o seu poder; Jeová refere-se à sua eternidade e à sua autoexistência; Jeová-Jiré apresenta-o como provedor; Jeová-Rafá, como o Deus que cura; Jeová-Nissi, o Deus que perdoa; Jeová-Shalom, o Deus da paz, entre outros.

Quando conhecemos a pessoa de Deus, experimentamos seu poder em nossa vida, reconhecemos sua eternidade, provisão, cura, perdão e paz. Ao divulgarmos isso para outras pessoas, estamos agindo para que o nome do Senhor seja santificado e honrado. As pessoas olham para nossa vida e podem ver quem Deus é e, assim, conhecer a grandeza de seu nome.

O nome de Deus é santo; mas, em sua infinita misericórdia, o Senhor o compartilhou conosco. Ore a Deus hoje para que, por meio de seus pensamentos, palavras e atitudes o nome do Senhor seja conhecido e santificado na vida de outras pessoas.

segunda-feira, 29 de junho de 2026

MEDITAÇÃO #25 - NÃO FAÇA PARA VOCÊ IMAGEM DE ESCULTURA

Em Êxodo 20:4-6 (MSG) lemos: “Não tenham deuses esculpidos de nenhum tamanho ou forma nem com aparência de coisa alguma, seja de coisas que voam, seja de coisas que andam, seja de coisas que nadam. Não se curvem a elas nem as sirvam, pois sou o Eterno, o Deus de vocês, e sou um Deus ciumento, que pune os filhos pelos pecados dos pais até a terceira e quarta gerações dos que me odeiam. Mas sou leal a milhares que me amam e guardam meus mandamentos."

O segundo mandamento proíbe o culto ao verdadeiro Deus por meio de imagens ou semelhanças. Muitas nações pagãs diziam que suas imagens eram apenas símbolos por meio dos quais adoravam a Divindade, mas Deus declarou que tal culto é pecado. A intenção de representar o Eterno por meio de objetos materiais rebaixa nossos conceitos de Deus. Nossa mente é atraída para a criatura e não para o Criador. 

Quando os conceitos a respeito de Deus são rebaixados, da mesma forma o homem também é degradado. “Sou o Eterno, o Deus de vocês, e sou um Deus ciumento” (Êx 20:5). A íntima relação de Deus com Seu povo é representada pela relação que há no casamento. Sendo que a idolatria é o adultério espiritual, o desagrado de Deus contra ela é bem apropriadamente chamado de ciúme.

Aqueles que são casados e aqueles que têm namorado ou namorada sabem que lealdade no relacionamento é algo fundamental. Nenhum namorado, em sã consciência, admite que sua namorada partilhe suas afeições com outros admiradores. Nenhuma namorada, em sã consciência, admite que seu namorado carregue em sua carteira uma foto dela, e de outras. No dia dos namorados, você quer receber, única e exclusivamente você, aquele buquê de rosas de seu namorado. Já pensou se ele sai distribuindo por aí buquês a uma meia dúzia de concorrentes?

Deus insiste em ser o único amor de nossa vida, o único Deus a quem devotamos lealdade e culto completos. Por isso, Deus diz a você: “Seja leal a Mim, adore-me da maneira correta. Que nada seja superior a Mim em sua vida. Não tente substituir-me em sua vida por coisas fúteis que não garantem a vida eterna. Que nem as redes sociais, nem o namoro, nem a moda, nem o celular, nem o trabalho ou qualquer coisa desta vida, por mais agradável que pareça, seja colocada no Meu lugar como objeto de devoção. Eu quero sua lealdade 100% só pra Mim! E Eu lhe prometo que muito em breve poderemos desfrutar de amizade eterna. Sim, Eu vou recompensar sua lealdade e culto exclusivos a Mim. Sabe como? Vou dar a você a vida eterna, vou dar a você uma bela casa na Nova Jerusalém. E, acima de tudo, vou cuidar de você por toda a eternidade, para que você seja eternamente feliz. Mas tudo isso tem um preço: Seja leal a Mim!”.
"A alma se deve libertar de tudo que se opõe à lealdade para com Deus. A lei é a grande norma de justiça. Representa o caráter de Deus e é a prova de nossa lealdade a Seu governo" (Ellen White - O Desejado de Toddas as Nações, p. 229).

sexta-feira, 26 de junho de 2026

MEDITAÇÃO #24 - HONRA TEU PAI E TUA MÃE

O professor e escritor Tiago Augusto da Cunha registrou a seguinte frase: “meu pai me levou em seus braços quando criança; chegou o momento de eu levá-lo”. Por sua vez, atribui-se a George Washington, primeiro presidente norte-americano, estas palavras tocantes: “Minha mãe foi a mulher mais bela que conheci. Todo o que sou, devo à minha mãe. Atribuo todos meus sucessos nesta vida ao ensino moral, intelectual e físico que recebi dela”.

Se você tivesse de criar uma frase que resumisse seu sentimento em relação aos seus pais, o que você diria? Eu não sei o que você diria, mas eu sei como deveríamos tratar os nossos pais. Está escrito em Êxodo 20:12: “Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá”.

O relacionamento entre pais e filhos é universal; talvez o único relacionamento verdadeiramente universal, porque não são todos que se casam, e não são todos que chegam a ser pais. Mas todos somos filhos e filhas. Por isso o mandamento é para os filhos, e não para os pais.

Observe que o mandamento não diz “obedeça ao seu pai e à sua mãe”. O mandamento diz “honre ao seu pai e à sua mãe”. Qual é a diferença entre obedecer e honrar nossos pais? Obedecer significa concordar em fazer algo, concordar em ser conduzido, sem necessariamente respeitar a pessoa a quem estamos obedecendo, sem necessariamente ter estima por ela. Um filho pode obedecer aos pais sem tê-los em alta consideração. Obedece por medo, por pressão, por obrigação. Honrar tem um significado bem mais amplo: valorizar, considerar altamente, ter em grande estima, respeitar. O mandamento afirma “honre” – e não “obedeça” – porque os filhos até podem obedecer sem honrar, mas jamais podem honrar sem obedecer.

Honrar nossos pais significa querer o bem deles, querer que eles se sintam bem, e agir para que se sintam bem. Honrar nossos pais significa ouvir seus conselhos. Honrar nossos pais significa falar bem deles. Significa procurar maneiras de mostrar-lhes nosso apreço, nosso respeito, nossa admiração, nosso amor: seja mediante uma mensagem, um cartão, um presentinho, um telefonema, um abraço, um beijo, uma declaração de amor. 

A honra aos pais muda conforme a idade do filho. Por isso, honrar os pais não se refere a um ato específico. Honrar os pais é mais a maneira como nos relacionamos com eles, a nossa atitude em relação a eles. Ellen White declara:
"Esse é o primeiro mandamento com promessa. Recai sobre crianças e jovens, sobre os de meia-idade e os idosos. Na vida, não há nenhum período em que os filhos fiquem isentos da honra aos pais. Essa solene obrigação recai sobre cada filho ou filha, e é uma das condições de prolongamento de sua vida na terra que o Senhor dará aos fiéis" (O Lar Adventista, p. 292).
Mas Deus não pode fazer prosperar a quem vai diretamente contra o mais claro dever especificado em Sua Palavra, o dever dos filhos para com seus pais. Se desrespeitam e desonram a seus pais terrenos não respeitarão nem amarão seu Criador. Veja esta forte declaração de Ellen White:
"Filhos que desonram e desobedecem aos pais, e não levam em conta seus conselhos e instruções, não podem ter parte na Terra feita nova. A Terra purificada não será lugar para o filho ou filha rebelde, desobediente, ingrato. A menos que aprendam obediência e submissão aqui, jamais a aprenderão; a paz do redimido não será mareada por filhos desobedientes, indisciplinados, insubmissos. Nenhum transgressor do mandamento pode herdar o reino do Céu" (Testemunhos para a Igreja 1, p. 497).
Porém existe um limite neste relacionamento. Honrar os pais não significa submissão a abusos, ordens que violem os princípios bíblicos, ou anulação da própria vida. O respeito é mantido, mas a lealdade suprema deve sempre ser direcionada a Deus. Ellen White complementa:
"Quando os filhos têm pais incrédulos, e suas ordens contrariam os reclamos de Cristo, então, embora seja doloroso este pensamento, devem obedecer a Deus e deixar com Ele as consequências" (Review and Herald, 15/11/1892).
E também, alguns filhos podem dizer: “meus pais me prejudicaram; meu pai foi ausente, minha mãe nunca me deu atenção, minha mãe nunca me acolheu”. É provável que alguns filhos tenham razão. Mas a questão, aqui, não é descobrir se os pais fizeram algo de errado com os filhos. A questão é que filhos precisam perdoar seus pais; precisam acertar as contas com o passado e com Deus. Só assim terão um melhor presente, e um futuro de paz.

E você, tem honrado seus pais?

quinta-feira, 25 de junho de 2026

MEDITAÇÃO #23 - NÃO DIRÁS FALSO TESTEMUNHO

"Não dirás falso testemunho contra o teu próximo" (Êxodo 20:16).

Ao olharmos para o nono mandamento do decálogo, logo nos vem à mente a idéia de mentira, ou o ato de mentir. Contudo, o nono mandamento deve ser entendido de forma mais profunda, pois assim como os outros mandamentos, não se limita a uma simples sentença negativa ou a uma simples regra, mas a uma norma de conduta e de relacionamento entre Deus e os homens.

“Não dirás falso testemunho” pode ser entendido como falar falsamente, dizer algo com o intuito de enganar, contrariar a verdade. Ellen White amplia o alcance do texto ao dizer que “por um relance de olhos, um movimento da mão, por uma expressão do rosto pode-se dizer falsidade tão eficazmente como por palavras” (Patriarcas e Profetas, p. 218). Essa afirmação é confirmada pelo texto original, na língua hebraica, no qual a palavra “ta’aneh”, traduzida como “dirás”, também pode ser expressa como “dar a entender”, portanto, não se refere apenas ao falar, mas também ao agir.

Se recorrermos ao dicionário, poderemos ter definições ainda mais enriquecedoras, e abrangentes como: dar indicação contrária à realidade, cessar de ser bom, criar intriga, tirar a boa fama, desacreditar… e por este primeiro grupo de definições podemos entender outra implicação do nono mandamento: a difamação, ou seja, o esforço no sentido de prejudicar a reputação, a “fama” de alguém. 

Podemos adicionar ainda outra tradução possível para o termo em hebraico mencionado anteriormente: “concordar”. Desta forma, não somente aquele que difama, mas também aquele que concorda com o que é falado ou permite que falem enganosamente de outro sem se manifestar contra, transgride o nono mandamento, uma vez que possibilita a outros serem tentados a acreditar e repetir tudo o que é indigno para aqueles cuja opinião ou atitude pretendem reprovar. Também está incluso aqui a paradoxal declaração “mentir para o bem”, isto é, “insinuar ou divulgar informações à desvantagem pessoal de outros, como se fossem justificados em pensar mal de alguém que entendem estar agindo errado” espalhando suspeitas sobre as motivações da conduta ou do outro. Motivo pelo qual os homens atraem tanta culpa a si próprios e criam tantos problemas para outros.

Em um segundo grupo de definições, observamos outra possibilidade de aplicação: disfarçar, encobrir as intenções, fingir, simular, não revelar os sentimentos, ocultar... essas definições demonstram uma intenção que não consiste somente em prejudicar o próximo, como na anterior, mas em obter algum benefício próprio por não mostrar a verdade ou por mostrá-la de forma incompleta. Podemos mencionar diversos exemplos, como simular uma doença para receber atenção, fingir simpatia por alguém importante para ganhar algum beneficio de sua amizade, forjar uma prova para inocentar-se de alguma acusação ou para acusar outro em seu lugar... tudo isto também é dizer falso testemunho. 

Apocalipse 14:3 menciona um grupo especial: os 144 mil. Não vem ao caso explicar quem são eles; mas uma coisa é clara: uma das razões porque esses 144 mil desfrutarão do favor de Deus é que “não se achou mentira na sua boca” (Apocalipse 14:5). Em outras palavras, são pessoas que praticaram a veracidade.

Você é uma pessoa verdadeira? No fundo, no fundo, todos nós temos uma natureza que tende para a mentira, para o engano; ninguém é melhor do que ninguém. Neste momento, Deus lhe diz: “Minha filha, meu filho, eu tenho para você um lugar especial no meu reino. Mas o meu reino é um lugar onde impera a verdade, porque EU SOU A VERDADE. Por isso, viva de modo verdadeiro, em tudo, até aquele dia em que vou levar você para um lugar de eterna paz. Eu prometo que vou fazer isso. Enquanto esse dia não chegar, conte comigo para vencer suas dificuldades e tentações. Eu estarei com você todos os dias da sua vida. Palavra de quem nunca mente”.

quarta-feira, 24 de junho de 2026

MEDITAÇÃO #22 - NÃO FURTARÁS

"Não furtarás" (Êxodo 20:15). Furtar ou roubar são diferentes em alguns aspectos, porém, ativos pelo mesmo princípio - tomar posse não autorizada do que não lhe é devido. Apropriar-se indevidamente do que pertence a outro pode ocorrer de maneiras diferentes daquilo que é tecnicamente denominado como furto ou roubo. Por exemplo, há fraudes, desfalques, roubos, extorsões, dívidas não sanadas e muitos outros, embora diferentes em alguns aspectos, porém ligados pelo mesmo princípio.

Os versos de Êx 21:16; 22:1–16; Lv 6:2-5; 19:11, 13; Dt 24:7 ampliam o significado do mandamento, impondo alguma penalidade, forma de restituição ou avaria pelo ato cometido, com o objetivo de evitar a dor causada aos outros, proteger a propriedade do cidadão, a capacidade de possuir algo e a manutenção da ordem social.

A desonestidade, em todo o seu pormenor, está diretamente ligada à ideia do furto. É o que encontramos em Dt 5:17-19, pois o sétimo, oitavo, nono e décimo mandamentos estão conectados pela conjunção coordenativa "e", significando que ambos estão agrupados pelo mesmo princípio. Essa ordem contra o roubo também é reforçada repetidamente no Novo Testamento (Mt 19:18; Rm 2:21; 13:9; 1Co 6:10; Ef 4:28; Tt 2:10; 1Pe 4:15). Para que a sociedade exista, este princípio deve ser salvaguardado, ou então não há segurança nem proteção. Tudo seria pura anarquia.

Este mandamento proíbe qualquer ato pelo qual, direta ou indiretamente, obtenhamos desonestamente os bens concretos ou abstratos de outros. Especialmente nestes dias, em que o aguçado senso de moralidade está ficando cada vez mais monótono, é bom lembrar que a adulteração de produtos, a ocultação de defeitos dos bens vendidos, a deturpação da qualidade, o funcionário que rouba o tempo de trabalho, a apropriação do que não foi previamente acordado, a negligência no cumprimento das obrigações trabalhistas, o emprego de falsos pesos ou medidas, o descumprimento de benefícios prometidos, salários mal pagos, horas extras não compensadas, deturpação dos dados do imposto de renda, apropriação de crédito pelo trabalho intelectual ou ideia que pertença a outro, entre tantos, são todos os atos de um ladrão no mais pleno sentido da palavra. Se é lei, se é ético e se é moral, deve ser cumprido, mesmo que você tenha uma interpretação contrária. Ellen White comenta: 
“Tanto pecados públicos como particulares são incluídos nesta proibição. O oitavo mandamento condena o furto de homens e tráfico de escravos, e proíbe a guerra de conquista. Condena o furto e o roubo. Exige estrita integridade nos mínimos detalhes dos negócios da vida. Veda o engano no comércio, e requer o pagamento de débitos e salários justos. Declara que toda a tentativa de obter-se vantagem pela ignorância, fraqueza ou infelicidade de outrem, é registrada como fraude nos livros do Céu. [...] O oitavo mandamento deve servir de proteção à alma, cercando aí o homem de maneira que ele não faça nenhuma usurpação prejudicial — o que seu egoísmo e desejo de ganho buscariam nos direitos de seu próximo" (Patriarcas e Profetas, p. 217 / Carta 15, 1895).
Não roubar significa amar a justiça, a equidade e o trato justo àqueles que fazem a lei da sua vida valer pelos outros como fariam os outros a eles, cumprem a essência do amor, traduzido nos mandamentos, e recebem de Deus as mais preciosas bênçãos.

Por outro lado, podemos roubar de outras pessoas de maneiras mais sutis, defraudando-lhes sua fé em Deus por meio de dúvidas e críticas, através do efeito destruidor de um mau exemplo, por fofocas perniciosas e caluniosas que podem privá-las de seu bom nome e caráter. Portanto, todo ato de esperteza que visa se beneficiar através de contas não pagas, diminuição de receitas, lucrar às custas de outros ou “se dar bem” em vários aspectos da vida acadêmica, social e profissional se configuram em engano, roubo ou furto.

Colocando o oitavo mandamento de forma positiva, eu diria: respeite o que pertence ao outro. O que é seu é seu. O que é do outro é do outro. Devolva o que você pegou emprestado e pague suas contas em dia! Dessa forma, você será uma pessoa confiável e respeitável na sociedade terrena. E o mais importante: desenvolverá uma característica fundamental dos cidadãos do Céu. Termino com esta advertência de Ellen White: 
"Como tratamos com nossos semelhantes em pequenas desonestidades ou em fraudes mais ousadas, assim trataremos com Deus. Os homens que persistem num curso de desonestidade executarão seus princípios até enganarem sua própria alma e perderem o Céu e a vida eterna" (O Lar Adventista, p. 392).

terça-feira, 23 de junho de 2026

MEDITAÇÃO #21 - NÃO ADULTERARÁS

Ela está entre nós há muito tempo, mas nem por isso nos acostumamos com sua realidade. A notícia da infidelidade no casamento ainda choca, traumatiza, entristece e fragmenta famílias em todo o mundo. Porém, se ela é tão prejudicial, por que ainda faz parte do cotidiano da sociedade?

O adultério pode acontecer de várias formas, com danos igualmente consideráveis. Vale atentar, pelo menos, para três tipos de traição: a imaginária (vivenciada na fantasia da pessoa, sem que haja, necessariamente, a participação consciente do outro), a virtual (muito popular em nossos dias, podendo incluir desde o acesso à pornografia online até um relacionamento virtual com uma pessoa específica) e a real (um estágio mais avançado do que as anteriores e que inclui o contato físico). À medida que a traição avança, o parceiro vai se esvaziando na vida do outro. Quando menos se percebe, ele não está mais lá. Ainda que os dois dividam a mesma casa, caminham silentes em sua solidão.

Tanto traidor como traído sofrem. O primeiro experimenta perda da integridade, forte sentimento de culpa, angústia, medo de ser descoberto e confusão de sentimentos. O segundo sente dor, decepção, rejeição, tristeza, medo quanto ao futuro, perda da autoestima, raiva e desespero, entre outras coisas. Ambos podem experimentar depressão e precisar de ajuda. Os danos tendem a aumentar quando crianças estão envolvidas.

Qualquer pessoa, religiosa ou não, está sujeita à paixões afetivas. Quando ela é religiosa, o compromisso de fidelidade é assumido não só para com o cônjuge, mas para com Deus também. Ocorrendo adultério, além da quebra da fidelidade com o companheiro(a), ocorre também a quebra do relacionamento com Deus. Vejamos o que diz Ellen G. White sobre o adultério em seu livro Testemunhos sobre Conduta Sexual, Adultério e Divórcio, pp. 89-91: 
"Um dos pecados graves nesta degenerada época de corrupção é o do adultério. Esse vergonhoso pecado é praticado em alarmante extensão. Houvessem, contudo, os transgressores do sétimo mandamento de ser encontrados unicamente entre os que não professam ser seguidores de Cristo, o mal não alcançaria a décima parte do que hoje representa; mas o crime do adultério é amplamente cometido por professos cristãos. O homem pode dissimular os fatos e ocultar que está praticando adultério; ainda assim Deus tem Seus olhos postos sobre ele. Deus o observa. Não é possível ao homem esconder dEle os seus crimes. Pode até mesmo conduzir-se de forma aparentemente correta diante da família e da comunidade, sendo considerado como um bom homem. Haverá, porém, de enganar a si mesmo, pensando que o Altíssimo não conhece todas as coisas?"
Os cristãos são chamados a exercitar pensamentos puros e viver vida pura, pois estão se preparando para viver em uma sociedade pura ao longo de toda a eternidade. A propósito, o mandamento “não adulterarás” em Êxodo 20:14 é mais abrangente. “Esta proibição abrange não apenas o adultério, mas a fornicação e a impureza de todo e qualquer tipo, em atitude, palavra e pensamento” (Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, v. 1, p. 651). 

E como se libertar do adultério? Reconhecer o problema e buscar ajuda é fundamental para se alcançar a vitória. Esteja certo de que sua convicção é fruto do trabalho do Espírito Santo que despertou em sua mente o senso de pecado. Cristo é a grande solução! O grande segredo para se obter a vitória é se consagrar todos os dias pela manhã à Cristo. Dessa maneira, sua permanência em Cristo será fortalecida, e quando aparecer uma tentação, você terá muito mais confiança para se apegar ao Senhor e cortar o pensamento impuro.

segunda-feira, 22 de junho de 2026

MEDITAÇÃO #20 - NÃO MATARÁS

A vida é a dádiva mais preciosa concedida por Deus e foi um dos bens mais afetados primariamente pelo pecado. O primeiro homicídio (Gn 4:8-16) contribuiu grandemente para o crescimento do desvalor e indiferença para com a vida humana. Por ser o maior bem instituído por Deus, a vida, é que se justifica o fato de sua preservação se tornar um mandamento.

“Não matarás” é a ordem do sexto mandamento (Êx 20:13). O verbo hebraico ratsach, “matar”, aparece cerca de 47 vezes no Antigo Testamento, sendo 20 delas apenas no livro de Números. O significado mais apropriado seria assassinar premeditadamente ou a tomada ilegal de vida inocente, incluindo qualquer assassinato não autorizado. Desta forma, o mandamento ensina a santidade da vida humana e traz o princípio da correta compreensão da nossa relação com o próximo, indicando que devemos respeitar e honrar a vida, pois a vida é um sagrado dom de Deus (Gn 9: 5-6).

Embora o mandamento não desautorize a possibilidade de legítima defesa ou mesmo a pena capital, como ocorreu algumas vezes no sistema teocrático, como representantes do evangelho de Cristo, o ministério cristão é de plena promoção da esperança e valorização da vida (Jo 10:10). Portanto, a pena capital, no Novo Testamento, é suprimida pelo evangelho da piedade prática ensinada amplamente por Jesus no sermão do monte (Mt 5, 6). Sob as palavras de Jesus, este mandamento tornou-se mais amplo ao incluir a raiva, o desprezo (Mt 5:21-22), e posteriormente, o ódio (1Jo 3:14-15).

Ellen G. White comenta como o mandamento “não matarás” é tão amplo em suas implicações: "Todos os atos de injustiça que tendem a abreviar a vida; o espírito de ódio e vingança, ou a condescendência de qualquer paixão que leve a atos ofensivos a outrem, ou nos faça mesmo desejar-lhe mal (pois 'qualquer que aborrece seu irmão é homicida'); uma negligência egoísta de cuidar dos necessitados e sofredores; toda a condescendência própria ou desnecessária privação, ou trabalho excessivo com a tendência de prejudicar a saúde — todas estas coisas são, em maior ou menor grau, violação do sexto mandamento" (Patriarcas e Profetas, p. 217).

Creio que Deus busca aqueles que, com amor transbordante, partem em busca dos inimigos, dos perdidos, dos desencaminhados e dos equivocados, com amor e graça, com o objetivo de conduzi-los amorosamente a Jesus: o bom e manso Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. “Pois é da vontade de Deus que, praticando o bem, vocês silenciem a ignorância dos insensatos” (1Pe 2.15).

sexta-feira, 19 de junho de 2026

MEDITAÇÃO #19 - NÃO COBIÇARÁS

Você já percebeu como o espírito de descontentamento está generalizado? Muitos estão buscando desesperadamente aquilo que finalmente satisfará seus desejos e suas vontades, mas descobrem que quanto mais têm e adquirem, mais querem.

Grande parte do conflito no mundo gira em torno de pessoas que se apegam egoisticamente à riqueza, à posição e ao poder. Por sermos seres humanos caídos, somos inclinados ao egoísmo, em contraste direto com o caráter perfeito e altruísta de Deus. O pecado e o egoísmo andam de mãos dadas. Em alguns círculos, entretanto, a palavra “pecado” não mais é ouvida. Alguns preferem não falar dele, preferindo se concentrar apenas em mensagens positivas.

A Bíblia, por sua vez, tem muito a dizer sobre o pecado, inclusive nos Dez Mandamentos. Entre eles está o décimo mandamento que, cada vez mais, é negligenciado. É o que trata do pecado da cobiça (Êx 20:17). De fato, se você perguntasse às pessoas na rua o que é cobiça, imagino que muitos nem sequer saberiam o significado da palavra. Em termos simples, a cobiça envolve o desejo egoísta e desmedido por aquilo que os outros possuem.

Infelizmente, muito do que está ao nosso redor foi concebido para nos fazer desejar exatamente desta maneira: sentir vazio e anseio por aquilo que não temos e, às vezes, desejar especificamente o que pertence aos outros. Desde as formas mais tradicionais de publicidade até os algoritmos das mídias sociais, somos bombardeados incessantemente com mensagens que estimulam nosso cérebro a ficar insatisfeito e desejar muitas coisas das quais não temos necessidade ou das quais não faremos bom uso.

Por outro lado, Paulo deu o exemplo de como “viver contente em toda e qualquer situação” (Fp 4:11). Nesse contexto, ele escreveu: “Tudo posso Naquele que me fortalece” (v. 13). Contudo, sendo bem honestos, não são necessárias campanhas publicitárias inteligentes ou algoritmos de mídia social para nos fazer cobiçar. Somos muito bons nisso!

Conta-se que um repórter perguntou ao magnata Nelson Rockefeller: “Quanto dinheiro é necessário para ser feliz?”. O ricaço respondeu com naturalidade: - Um pouco mais” (Michael Horton - A Lei da Perfeita Liberdade, p. 212). É isso. Cobiçar significa colocar nossa devoção em coisas – dinheiro, sucesso, fama – e transformá-las no centro de nossa existência, crendo que são o fundamento sobre o qual construímos a felicidade. Para o cobiçoso, as coisas se tornam mais importantes do que as pessoas e suas necessidades. O cobiçoso nunca está satisfeito; para ele, o muito é ainda pouco. Enfim, a cobiça é o amor fora de proporção, fora de equilíbrio e fora de lugar.

O apóstolo Tiago escreveu: “Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e Ele mesmo a ninguém tenta. Ao contrário, cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz. Então, a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte” (Tiago 1:13-15).

A cobiça, de muitas maneiras, é o pecado esquecido dos nossos dias. Talvez isso nem seja surpresa, já que está tão intimamente ligado à origem do pecado, quando Satanás caiu, concentrando-se em seu orgulho e buscando ser exaltado até mesmo sobre o trono de Deus. Jesus, porém, fez exatamente o oposto. Em contraste direto com o diabo, Ele humilhou-Se, tornando-Se humano e morrendo por nós (Fp 2:5-8).

Um dos principais objetivos da ênfase que as Escrituras dão ao pecado é a promessa de que podemos ter vitória por intermédio de Cristo e que, finalmente, por meio da Sua obra, todo pecado, sofrimento e morte serão erradicados. Se depositarmos nossa fé em Jesus, descobriremos que nossos anseios mais profundos, aos quais nada no mundo pode satisfazer plenamente, serão satisfeitos para sempre em Seu reino vindouro. E, mesmo agora, podemos encontrar Nele o contentamento e a paz que excedem todo entendimento (Fp 4:7).
"O egoísmo e a cobiça muitas vezes não são reprovados, no entanto, esses são pecados especialmente ofensivos a Deus, pois são contrários à benevolência de Seu caráter e àquele desinteressado amor que é a própria atmosfera do Universo não caído" (Ellen White - Caminho a Cristo, p. 30).

quinta-feira, 18 de junho de 2026

MEDITAÇÃO #18 - OBEDECER A DEUS OU À PAIXÃO?

É comum se ouvir que no Brasil o futebol é uma "paixão nacional", capaz de arrebanhar multidões para assistirem aos grandes "clássicos". Para alguns, o futebol é visto como uma verdadeira religião - idólatra, diga-se de passagem. Até alguns adventistas, fanáticos por futebol, sofrem um dilema por ocasião da Copa do Mundo, pois algumas partidas decisivas são realizadas no sábado, como a próxima da seleção brasileira contra o Haiti nesta sexta-feira às 21h30. E ai fica a questão: "obedecer a Deus... ou à paixão?"

Quando Deus libertou o Seu povo de Israel do Egito e lhes entregou Sua lei, Ele os ensinou que pela observância do sábado deviam ser distinguidos dos idólatras. Isto foi o que fez a distinção entre aqueles que reconhecem a soberania de Deus e aqueles que recusam aceitá-lo como seu Criador e Rei. "É um sinal entre mim e os filhos de Israel para sempre", disse o Senhor. "Guardarão pois o sábado os filhos de Israel, celebrando o sábado nas suas gerações por concerto perpétuo" (Êxodo 31:16, 17).

Como o sábado era o sinal que distinguia Israel quando saíram do Egito para entrar na Canaã terrestre, assim é o sinal que agora distingue o povo de Deus ao saírem do mundo para entrar no descanso celestial. O sábado é um sinal do relacionamento existente entre Deus e Seu povo, um sinal de que eles honram Sua lei. Isto faz distinção entre Seus súditos leais e os transgressores.

É triste ver os que professam crer nas reivindicações obrigatórias da lei de Deus, nos reclamos do sábado do sétimo dia expressos no quarto mandamento, displicentes em relação a seu caráter sagrado. Eles acabam fazendo as próprias coisas que o Senhor lhes disse que não devem fazer nesse dia.

O sábado é tempo de Deus. Ele santificou e abençoou o sétimo dia. Ele o colocou à parte para o homem guardá-lo como um dia de adoração. Mas nada que eu possa dizer será mais forte do que as palavras do quarto mandamento (Êxodo 20:8-11). Este é o dia de Deus, e mostramos nossa lealdade a Ele quando não apenas cremos, mas cumprimos Seus mandamentos. 

Se os interesses do dia a dia correm o risco de serem prejudicados, alguns infringirão o sábado, e na realidade roubarão o tempo de Deus, e se apropriarão dele para seu próprio uso. Isto deprecia a santidade do sábado não apenas em suas próprias mentes, mas por seu exemplo removem de outras mentes a sagrada dignidade que o Senhor colocou sobre o mesmo. Aquilo que Deus tornou santo é rebaixado ao mesmo nível de outros dias comuns de trabalho tão logo quanto qualquer atividade desnecessária seja feita nesse dia. Mas o sábado tem sido tratado com grande desrespeito. Tem sido usado de uma maneira a depreciar sua dignidade, e remover a sagrada santidade que Deus colocou sobre o mesmo. 

O convite que deixo aos fiéis é que deixem de lado os próprios interesses e dediquem o sábado à comunhão com Deus, mesmo que isso signifique abrir mão de acompanhar a próxima partida da seleção brasileira na Copa do Mundo 2026. E finalizo aqui com uma pergunta para reflexão: iremos insultar e desonrar a Deus pelo desrespeito de Seu santo dia? 

quarta-feira, 17 de junho de 2026

MEDITAÇÃO #17 - MUNDOS NÃO CAÍDOS

Mundos não caídos são os incontáveis planetas criados por Deus que permaneceram fiéis e sem pecado. Eles observam o grande conflito entre Cristo e Satanás na Terra, e o plano de salvação serve como uma demonstração universal do caráter de amor divino. 
"Cada olho no universo não caído está voltado para aqueles que manifestam ser seguidores de Cristo. Em nosso minúsculo mundo trava-se uma guerra intensa" (Ellen White - RH, 29 de setembro de 1891).
Outros textos dos escritos de Ellen White descrevem esses mundos como habitados por seres majestosos, inteligentes e sem pecado, que adoram a Deus e não conhecem a morte, e que refletiam perfeitamente a imagem de Jesus.
"O Senhor me proporcionou uma vista de outros mundos. Foram-me dadas asas, e um anjo me acompanhou da cidade a um lugar fulgurante e glorioso. A relva era de um verde vivo, e os pássaros gorjeavam ali cânticos suaves. Os habitantes do lugar eram de todas as estaturas; nobres, majestosos e formosos. Ostentavam a expressa imagem de Jesus, e seu semblante irradiava santa alegria, que era uma expressão da liberdade e felicidade do lugar" (PE, p. 39).
A rebelião de Lúcifer não se limitou à Terra. Segundo a crença, Satanás tentou estender sua influência a outros mundos, mas falhou, pois as criaturas leais rejeitaram suas mentiras. 
"Satanás pensou que se ele pôde levar consigo os anjos do Céu à rebelião, poderia também levar os outros mundos. Mas a controvérsia não deveria se espalhar a outros mundos do universo. Ela deveria prosseguir no próprio mundo, na mesma esfera que Satanás reivindicava como sua" (RH, 9 de março de 1886).
Vemos também que a redenção humana na cruz de Cristo não serve apenas para salvar a humanidade, mas é o espetáculo central que vindica o caráter e a justiça de Deus perante todo o universo. 
“A morte de Cristo terminou para sempre toda a polêmica nos mundos não caídos acerca dos princípios de ação de Satanás, seus métodos desonestos e mentirosos. Satanás nunca mais poderia encontrar a menor simpatia entre eles. Seu poder e domínio, que haviam desafiado a Lei de Jeová, teriam fim, e a paz reinaria no céu eternamente” (YI, 5 de agosto de 1897).
Sobre a existência de outros mundos habitados, encontramos algumas diretas evidências na Palavra de Deus. Em 1 Coríntios 4:9 encontramos umas das evidências mais contundentes em favor do nosso ponto de vista. Observe que na parte final do verso, lemos que “nos tornamos espetáculo ao 'mundo', aos anjos e aos homens”. A palavra “mundo” traduzida da palavra grega kosmos, tem o significado usual de “a terra habitada”, mas também significa “universo”.
"Os mundos não caídos e os anjos celestiais vigiam com intenso interesse o conflito que se aproximava do desfecho" (DTN, p. 489).
Há, porém, um número maior ainda de evidências indiretas, que no contexto geral das Escrituras nos levam a crer na existência de outros mundos. Entre elas podemos citar Jó 2:1, 2 e Romanos 8:19. Contudo, temos que cuidar para não sermos enganados com a onda de misticismo atual e a crença popular que seres de outros mundos estão nos “visitando”. Esses outros mundos criados por Deus são mundos que não caíram em pecado, portanto, eles não poderiam entrar em contato conosco. Os OVNIs, ETs, ou qualquer aparição alardeada, são brinquedos de Satanás, operando maravilhas entre os homens para desviá-los da verdade da Palavra de Deus, a qual é a nossa única fonte segura de informação, de salvação e de orientação em relação aos últimos acontecimentos da história desse mundo. Mais do que nunca devemos fundamentar nossa confiança na revelação inspirada de Deus.
"Todos os tesouros do Universo estarão abertos aos remidos de Deus. Livres da mortalidade, alçarão voo incansável para os mundos distantes. Os filhos da Terra entram de posse da alegria e sabedoria dos seres não caídos e compartilham de tesouros de entendimento adquiridos durante séculos e séculos. Com visão clara, olham para a glória da criação — sóis e estrelas e sistemas, todos na sua indicada ordem, a circular em torno do trono da Divindade" (GCC, p. 293).

terça-feira, 16 de junho de 2026

MEDITAÇÃO #16 - VIDA DUPLA

Algumas pessoas levam uma vida dupla - uma é a vida pública, considerada "verdadeira", e a outra é a vida escondida, que deve ser mantida em segredo. Entretanto, por que alguns indivíduos se comportam assim? James Harvey Robinson (1863-1936) sugeriu: "O discurso dá ao ser humano um poder único de viver uma vida dupla, na qual se diz uma coisa e faz outra." De modo geral, vidas e discursos duplos normalmente derivam da tendência humana de acobertar comportamentos pecaminosos e imorais. Há muitas maneiras de desenvolver uma vida paralela, escondida.

Charles H. Spurgeon, em seu livro John Ploughman's Talk (Conversa de John Ploughman), traz um capítulo intitulado "Homens com Duas Faces", no qual adverte: "Em alguns homens, só se pode confiar enquanto eles podem ser vistos, e não além, pois novas companhias os transformam em pessoas diferentes. Assim como a água, eles fervem ou congelam de acordo com a temperatura." 

Na vida espiritual, não há nada pior que a falta de autenticidade e compromisso. Não dá para cantar na igreja de manhã e frequentar a balada de noite. Não dá para meditar na Palavra de Deus ao acordar e gastar tempo com leituras ou imagens impróprias antes de dormir. Não dá para bendizer as obras de Deus com a mesma língua que usamos para amaldiçoar a vida daqueles que odiamos, sabendo que, apesar de tudo, Deus os ama. Isso gera uma dissonância cognitiva que o inimigo de Deus usará para nos derrubar.

Realmente não sei até que ponto você tende a levar uma vida dupla. Talvez esse não seja seu caso. Mas se você tem permitido que um pecado acariciado corroa sua integridade moral e espiritual, gostaria de convidá-lo a entregar sua vida particular ao Senhor hoje, pedindo-lhe forças para vencer suas fraquezas. 

Conta-se que certo homem de meia-idade tinha duas mulheres: uma jovem e outra bem mais velha. Quando estava com a jovem, ela arrancava os cabelos brancos dele, para que parecesse ter menos idade. Quando, porém, estava com a mais velha, ela lhe arrancava os cabelos pretos, para que ele aparentasse ser mais velho. Como resultado, o homem ficou careca! O fundo moral dessa parábola também pode ser aplicado a nós: Nenhum cristão verdadeiro deve manter uma vida dupla. Viver uma vida dupla vai levá-lo a lugar nenhum duas vezes mais depressa.

O conselho inspirado para hoje é: "Aproximem-se de Deus, e Ele se aproximará de vocês! Pecadores, limpem as mãos, e vocês, que têm a mente dividida, purifiquem o coração" (Tiago 4:8, NVI). O Senhor é capaz de trazer consistência a suas tendências inconsistentes, para que sua vida particular entre em plena harmonia com sua imagem pública. O preço que você pagará ao abrir mão de seus pecados não é nada em comparação à paz de espírito que irá ganhar!
"Há grande necessidade de íntimo exame de consciência à luz da Palavra de Deus. Que cada um faça a pergunta: 'Sou correto ou corrupto de coração? Estou renascido em Cristo ou tenho ainda coração carnal, com nova roupagem exterior?' Detenham-se no grande tribunal, e à luz de Deus verifiquem se há algum pecado secreto que estão acariciando" (Ellen White - Testemunhos para a Igreja 2, p. 144).

segunda-feira, 15 de junho de 2026

MEDITAÇÃO #15 - O VALOR DA VIDA HUMANA

A morte da jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas (foto), de 21 anos, ocorrida no sábado (13), durante uma atividade de rope jump em Limeira (SP), causou comoção e levantou debates sobre limites, responsabilidade e o valor da vida humana. Segundo informações divulgadas pelas autoridades e pela imprensa, ela sofreu uma queda de aproximadamente 40 metros após ser lançada sem estar conectada ao equipamento de segurança. O caso segue sendo investigado.

Diante de uma tragédia como essa, muitas pessoas passam a refletir se atividades de alto risco realmente compensam diante do valor incomparável da vida humana. Há quem defenda que esportes radicais devam existir com fiscalização rigorosa e protocolos severos; outros entendem que modalidades que expõem pessoas a riscos extremos não deveriam ser incentivadas.

À luz da fé cristã, a vida é apresentada nas Escrituras como um dom de Deus e algo precioso que deve ser preservado. A Bíblia declara no Livro de Ezequiel que Deus não tem prazer na morte do ser humano, mas deseja que as pessoas vivam.

Também dentro da compreensão cristã, Satanás aparece nas Escrituras como aquele que se opõe à vida, à paz e ao propósito divino. No Evangelho de João, Jesus o descreve como “homicida desde o princípio”, e no Livro do Apocalipse é retratada a grande batalha espiritual iniciada no céu e continuada na Terra.

Para muitos cristãos, tudo aquilo que banaliza a vida, incentiva a imprudência ou transforma o perigo em entretenimento reflete valores contrários ao cuidado e à responsabilidade ensinados por Deus. Na verdade, uma legião de demônios observa ou causam mortes com esportes radicais.

Que episódios como este sirvam não para alimentar medo, mas para despertar respeito pela vida, compaixão pelos familiares e reflexão sobre como nossas escolhas podem honrar o dom que recebemos de Deus.
"Toda diversão em que vos puderdes empenhar pedindo sobre ela, com fé, a bênção de Deus, não será perigosa. Mas é necessário haver grande temperança nas diversões, bem como em qualquer outra ocupação. E o caráter desses entretenimentos deve ser cuidadosa e cabalmente considerado. Todo jovem deve perguntar-se a si mesmo: Que efeito terão essas diversões na saúde física, mental e moral? Ficará meu espírito tão absorvido que me esqueça de Deus? Deixarei de ter em mente a Sua glória?" (Ellen White - O Lar Adventista, p. 512).

quinta-feira, 11 de junho de 2026

MEDITAÇÃO #14 - PÁTRIA CELESTIAL

“Porque os que falam desse modo manifestam estar procurando uma pátria [...] Mas, agora, aspiram a uma pátria superior, isto é, celestial. Por isso, Deus não se envergonha deles, de ser chamado o seu Deus, porquanto lhes preparou uma cidade” (Hebreus 11:14,16).

Nestes últimos dias, fiquei pensando no conceito espiritual da Copa do Mundo. Há um espírito esportivo-nacionalista latente em meio aos jogos que faria bem ao cristianismo manifestar, não é mesmo? O apóstolo Pedro afirma que, porque somos “estrangeiros e peregrinos” devemos nos abster “das paixões carnais, que fazem guerra contra a alma” (1 Pedro 2:11). Dessa forma, tenho a certeza de que nossa “brasilidade” é efêmera, passageira. Este não é o nosso verdadeiro país. Esta não é a nossa verdadeira pátria. Possuímos uma cidadania celestial. Aspiramos por uma pátria superior, que tem o Senhor Deus como o seu Arquiteto e Mantenedor.

Quando pensamos que somos chamados a ser concidadãos do reino eterno, na pátria celestial, e que essa condição futura implica em sermos, aqui, no tempo de preparo, estrangeiros e peregrinos, faria bem colocarmos as coisas no diapasão correto, não é mesmo? E o que seria isso, na prática? Ellen G. White nos responderia assim:
"O mundo está cheio de atrativos. Os homens agem como se estivessem loucos por coisas baixas e vulgares, que não satisfazem. Como os vi agitados por causa do resultado de uma partida de críquete (poderia ser futebol)! Vi as ruas de Sydney, por vários quarteirões, densamente apinhadas. Indagando o motivo da agitação, foi-me dito que um perito jogador de críquete ganhara a partida. Senti-me triste. Por que não são os escolhidos de Deus mais entusiastas? Estão lutando por uma coroa imortal, por uma pátria em que não haverá necessidade de luz do Sol ou de Lua, ou de qualquer lâmpada; pois o Senhor Deus lhes proporciona luz, e eles reinarão para todo o sempre" (Conselhos Aos Pais, Professores e Estudantes, p. 343).
Diria mais:
Todas as energias de Satanás são postas em operação para prender a atenção em frívolas diversões, e está conseguindo seu objetivo. Está interpondo seus artifícios entre Deus e a alma. Ele forjará divertimentos a fim de impedir os homens de pensarem a respeito de Deus. Cheio de esporte e do amor do prazer, o mundo está de contínuo sedento de alguma novidade; quão pouco tempo e pensamento no entanto, se dedicam ao Criador dos céus e da Terra!" (Conselhos Aos Pais, Professores e Estudantes, p. 456).
E concluiria:
"Revelemos sempre ao mundo que estamos em busca de uma pátria melhor, isto é, a celestial. O Céu foi feito para nós, e queremos ter parte nele. Não podemos correr o risco de deixar que qualquer coisa nos separe de Deus e do Céu. Nesta vida temos de ser participantes da natureza divina. Irmãos e irmãs, tendes apenas uma vida a viver. Oh, seja ela uma vida de virtude, vida escondida com Cristo em Deus! Apenas alguns dias mais para sermos como peregrinos e estrangeiros neste mundo, buscando uma pátria melhor, a celestial. Nosso lar está no Céu. Portanto, firmai vossa alma, confiantemente, em Deus. Sobre Ele depositai todos os vossos fardos" (Cuidado de Deus, p. 153).

quarta-feira, 10 de junho de 2026

MEDITAÇÃO #13 - VOCÊ NÃO ESTÁ SÓ

O sentimento de isolamento é uma experiência humana universal. Seja por dificuldades pessoais, enfermidades, decisões incompreendidas ou pela firme defesa de convicções, todos nós, em algum momento, nos sentimos como se estivéssemos em uma ilha deserta. Nesses momentos de silêncio e solidão, a pergunta que ecoa na alma é quase sempre a mesma: “Onde está Deus em meio a tudo isso?”

A história oferece uma poderosa perspectiva sobre essa questão por meio da vida do apóstolo João. Já idoso, o último dos 12 discípulos foi exilado na rochosa ilha de Patmos. O que foi planejado para ser o fim de seu ministério e o silenciamento de sua voz tornou-se o cenário da mais profunda revelação profética da história. A experiência de João ensina uma lição atemporal: mesmo quando o mundo nos isola, nunca estamos verdadeiramente sozinhos.

O exílio de João não foi um acaso, mas um ato deliberado de Domiciano (81-96 d.C.). Um tirano que exigia adoração divina, o imperador via os cristãos como uma ameaça existencial. Movido por uma superstição que temia o surgimento de um líder da linhagem de Davi, ele perseguiu a fé cristã com ferocidade. Patmos, uma prisão a céu aberto, foi o destino escolhido para o apóstolo. O objetivo de Roma era claro: enviar a última grande voz da primeira geração de cristãos para um lugar esquecido e deixar que sua influência se extinguisse com ele.

Contudo, a estratégia do Império Romano fracassou. Em Patmos, a visão de João transcendeu as rochas áridas e o mar Egeu. Ele contemplou o Cristo glorificado, caminhando entre Sua igreja e assegurando-lhe de Sua presença constante (Ap 1). Naquela ilha, o Senhor descortinou o futuro para seu servo, revelando a contínua batalha entre o bem e o mal, a soberania de Deus sobre os poderes terrenos e a certeza da vitória final de Cristo. O Apocalipse nasceu não do desespero, mas da mais profunda confiança no controle divino.

A experiência de João é um poderoso manual de resiliência espiritual. Ela nos ensina que Deus tem a capacidade de transformar nossas piores crises em oportunidades grandiosas. O que era para ser uma prisão tornou-se um púlpito; o que era para ser silêncio tornou-se profecia. Nossos momentos em “Patmos” – sejam eles de dor, solidão ou adversidade – podem ser terrenos mais férteis para o fortalecimento da fé e a revelação do propósito divino. A solidão, muitas vezes temida, pode se tornar um caminho para uma intimidade mais profunda com o Criador, longe das distrações do cotidiano.

Para quem hoje se sente isolado, a lição é clara: você não está abandonado. O mesmo Cristo que caminhou com João naquela ilha caminha conosco em nossas provações, pronto para transformar nosso isolamento em comunhão e nossa dificuldade em testemunho. A promessa final que ecoou de Patmos não foi de desespero, mas de esperança gloriosa, sintetizada na oração da igreja que transcende o tempo: “Amém. Ora vem, Senhor Jesus” (Ap 22:20).
"Embora pareça que você está só, não está sozinho, pois Cristo está com você; você se encontra em bendita companhia. Quando surgirem as dificuldades, e elas surgirão, lembre-se de que Jesus está ao seu lado, um socorro bem presente em tempo de necessidade" (Ellen White - Manuscrito 8, 1885).

terça-feira, 9 de junho de 2026

MEDITAÇÃO #12 - POBRES DE ESPÍRITO

"Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos Céus" (Mateus 5:3).

Jesus começa as bem-aventuranças dizendo que o reino de Deus pertence aos “pobres de espírito” (Mt 5:3). No original, o termo é ptochos, que indica pobreza extrema. É óbvio que Cristo não está se referindo à classe social, nem tão pouco à pobreza material deste mundo, mas sua declaração nos leva a uma dimensão espiritual, por isso, há uma ênfase na expressão “pobres de espírito”.

Nos dias de Cristo, os guias religiosos do povo julgavam-se ricos em tesouros espirituais. A declaração de Jesus é justamente um ataque direto ao senso de autossuficiência espiritual, que impede a atuação de Deus na vida do crente. O termo ptochos também deriva de ptasso que é “humilhar-se”, “abaixar-se”. Assim, os “pobres de espírito” são pessoas humildes, que em primeiro lugar reconhecem sua pecaminosidade e se inclinam diante de Deus para serem agraciados por Ele.

Ellen G. White nos fala mais sobre o significado dessa expressão:

"Os que choram, os mansos que se sentem indignos do favor de Deus e os que têm fome e sede de justiça; todos estão incluídos no termo 'pobre de espírito'. Os pobres de espírito sentem sua pobreza, sua necessidade da graça de Cristo. Percebem que conhecem pouco a respeito de Deus e de Seu grande amor, e que precisam de luz a fim de conhecer e guardar o caminho do Senhor. Não ousam enfrentar a tentação amparados na própria força, pois sabem que não dispõem de força moral para resistir ao mal. Não encontram prazer em se lembrar de sua vida passada, e têm pouca confiança ao olhar para o futuro, pois são enfermos de coração. Para tais, Cristo diz: 'Bem-aventurados os pobres de espírito.' Cristo viu que aqueles que sentem sua pobreza podem ser feitos ricos. Porém, antes que possa existir o intenso desejo pela riqueza contida em Cristo, disponível a todos que sentem sua pobreza, deve existir o senso de necessidade. Quando o coração está repleto de presunção e preocupado com as coisas superficiais da Terra, o Senhor Jesus repreende e disciplina a fim de que a pessoa possa se dar conta de sua verdadeira condição. Achegue-se a Jesus com fé e sem demora. A provisão dEle é farta e gratuita, Seu amor é abundante, e Ele lhe concederá graça para tomar Seu jugo e levar Seu fardo com alegria" (Perto do Céu, p. 180).
Diante da maravilhosa e rica graça de Deus somos extremamente pobres. Nosso primeiro dever ao nos aproximar de Deus é reconhecer nossa condição. Como disse C. H. Spurgeon: “Para subirmos no reino é preciso rebaixarmo-nos em nós mesmos”. Aqueles que se humilham diante de Deus recebem Sua maravilhosa graça e são exaltados por Ele já no presente (1Pd 5:5 e 6), porém, acima de tudo, receberão Seu reino eterno no futuro (Mt 5:3). Por isso, bem-aventurados os pobres de espírito!

sexta-feira, 5 de junho de 2026

MEDITAÇÃO #11 - O QUE PODE ME SEPARAR DE DEUS?

"Quem pode nos separar do amor de Cristo? A tribulação, ou angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada?" (Romanos 8:35).

Quão preciosa é, em tempos de necessidade, a certeza da união com Jesus! Podemos dizer: Quem pode nos separar do amor de Cristo? 

A tribulação? — Não, pois ela nos faz saber que só Cristo é nosso refúgio, e a Ele corremos em busca de abrigo. 

Ou a angústia? — Não, porque Ele é nossa consolação. “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e o Deus de toda a consolação, que nos consola em toda nossa tribulação” (2 Coríntios 1:3, 4).

Ou a perseguição? — Não; “Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos Céus” (Mateus 5:10). 

Ou a fome? Não, porque temos a promessa de Deus: “Na fome te livrará da morte” (Jó 5:20). “Nos dias de fome se fartarão” (Salmos 37:19). Fugindo para Jesus seremos plenamente satisfeitos. 

Ou a nudez? — Ouvi a voz de Jesus, dizendo: “Aconselho-te que de Mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças; e vestes brancas, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez” (Apocalipse 3:18). “O que vencer será vestido de vestes brancas” (Apocalipse 3:5).

Ou o perigo? — Não; Paulo sabia por experiência o que significava estar em perigo. “Em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos dos da minha nação, em perigos dos gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre os falsos irmãos” (2 Coríntios 11:26). “E disse-me: A Minha graça te basta” (2 Coríntios 12:9). 

Ou a espada? A espada não pode matar a alma, pois a vida está escondida com Cristo em Deus.

Bem podemos perguntar com Paulo: “Quem pode nos separar do amor de Cristo?” e responder: “Pois eu tenho a certeza de que nada pode nos separar do amor de Deus: nem a morte, nem a vida; nem os anjos, nem outras autoridades ou poderes celestiais; nem o presente, nem o futuro; nem o mundo lá de cima, nem o mundo lá de baixo. Em todo o Universo não há nada que possa nos separar do amor de Deus, que é nosso por meio de Cristo Jesus, o nosso Senhor.” (Romanos 8:35, 38, 39).

O que pode me separar de Deus? Nada. Absolutamente nada.