quinta-feira, 18 de junho de 2026

MEDITAÇÃO #18 - OBEDECER A DEUS OU À PAIXÃO?

É comum se ouvir que no Brasil o futebol é uma "paixão nacional", capaz de arrebanhar multidões para assistirem aos grandes "clássicos". Para alguns, o futebol é visto como uma verdadeira religião - idólatra, diga-se de passagem. Até alguns adventistas, fanáticos por futebol, sofrem um dilema por ocasião da Copa do Mundo, pois algumas partidas decisivas são realizadas no sábado, como a próxima da seleção brasileira contra o Haiti nesta sexta-feira às 21h30. E ai fica a questão: "obedecer a Deus... ou à paixão?"

Quando Deus libertou o Seu povo de Israel do Egito e lhes entregou Sua lei, Ele os ensinou que pela observância do sábado deviam ser distinguidos dos idólatras. Isto foi o que fez a distinção entre aqueles que reconhecem a soberania de Deus e aqueles que recusam aceitá-lo como seu Criador e Rei. "É um sinal entre mim e os filhos de Israel para sempre", disse o Senhor. "Guardarão pois o sábado os filhos de Israel, celebrando o sábado nas suas gerações por concerto perpétuo" (Êxodo 31:16, 17).

Como o sábado era o sinal que distinguia Israel quando saíram do Egito para entrar na Canaã terrestre, assim é o sinal que agora distingue o povo de Deus ao saírem do mundo para entrar no descanso celestial. O sábado é um sinal do relacionamento existente entre Deus e Seu povo, um sinal de que eles honram Sua lei. Isto faz distinção entre Seus súditos leais e os transgressores.

É triste ver os que professam crer nas reivindicações obrigatórias da lei de Deus, nos reclamos do sábado do sétimo dia expressos no quarto mandamento, displicentes em relação a seu caráter sagrado. Eles acabam fazendo as próprias coisas que o Senhor lhes disse que não devem fazer nesse dia.

O sábado é tempo de Deus. Ele santificou e abençoou o sétimo dia. Ele o colocou à parte para o homem guardá-lo como um dia de adoração. Mas nada que eu possa dizer será mais forte do que as palavras do quarto mandamento (Êxodo 20:8-11). Este é o dia de Deus, e mostramos nossa lealdade a Ele quando não apenas cremos, mas cumprimos Seus mandamentos. 

Se os interesses do dia a dia correm o risco de serem prejudicados, alguns infringirão o sábado, e na realidade roubarão o tempo de Deus, e se apropriarão dele para seu próprio uso. Isto deprecia a santidade do sábado não apenas em suas próprias mentes, mas por seu exemplo removem de outras mentes a sagrada dignidade que o Senhor colocou sobre o mesmo. Aquilo que Deus tornou santo é rebaixado ao mesmo nível de outros dias comuns de trabalho tão logo quanto qualquer atividade desnecessária seja feita nesse dia. Mas o sábado tem sido tratado com grande desrespeito. Tem sido usado de uma maneira a depreciar sua dignidade, e remover a sagrada santidade que Deus colocou sobre o mesmo. 

O convite que deixo aos fiéis é que deixem de lado os próprios interesses e dediquem o sábado à comunhão com Deus, mesmo que isso signifique abrir mão de acompanhar a próxima partida da seleção brasileira na Copa do Mundo 2026. E finalizo aqui com uma pergunta para reflexão: iremos insultar e desonrar a Deus pelo desrespeito de Seu santo dia? 

quarta-feira, 17 de junho de 2026

MEDITAÇÃO #17 - MUNDOS NÃO CAÍDOS

Mundos não caídos são os incontáveis planetas criados por Deus que permaneceram fiéis e sem pecado. Eles observam o grande conflito entre Cristo e Satanás na Terra, e o plano de salvação serve como uma demonstração universal do caráter de amor divino. 
"Cada olho no universo não caído está voltado para aqueles que manifestam ser seguidores de Cristo. Em nosso minúsculo mundo trava-se uma guerra intensa" (Ellen White - RH, 29 de setembro de 1891).
Outros textos dos escritos de Ellen White descrevem esses mundos como habitados por seres majestosos, inteligentes e sem pecado, que adoram a Deus e não conhecem a morte, e que refletiam perfeitamente a imagem de Jesus.
"O Senhor me proporcionou uma vista de outros mundos. Foram-me dadas asas, e um anjo me acompanhou da cidade a um lugar fulgurante e glorioso. A relva era de um verde vivo, e os pássaros gorjeavam ali cânticos suaves. Os habitantes do lugar eram de todas as estaturas; nobres, majestosos e formosos. Ostentavam a expressa imagem de Jesus, e seu semblante irradiava santa alegria, que era uma expressão da liberdade e felicidade do lugar" (PE, p. 39).
A rebelião de Lúcifer não se limitou à Terra. Segundo a crença, Satanás tentou estender sua influência a outros mundos, mas falhou, pois as criaturas leais rejeitaram suas mentiras. 
"Satanás pensou que se ele pôde levar consigo os anjos do Céu à rebelião, poderia também levar os outros mundos. Mas a controvérsia não deveria se espalhar a outros mundos do universo. Ela deveria prosseguir no próprio mundo, na mesma esfera que Satanás reivindicava como sua" (RH, 9 de março de 1886).
Vemos também que a redenção humana na cruz de Cristo não serve apenas para salvar a humanidade, mas é o espetáculo central que vindica o caráter e a justiça de Deus perante todo o universo. 
“A morte de Cristo terminou para sempre toda a polêmica nos mundos não caídos acerca dos princípios de ação de Satanás, seus métodos desonestos e mentirosos. Satanás nunca mais poderia encontrar a menor simpatia entre eles. Seu poder e domínio, que haviam desafiado a Lei de Jeová, teriam fim, e a paz reinaria no céu eternamente” (YI, 5 de agosto de 1897).
Sobre a existência de outros mundos habitados, encontramos algumas diretas evidências na Palavra de Deus. Em 1 Coríntios 4:9 encontramos umas das evidências mais contundentes em favor do nosso ponto de vista. Observe que na parte final do verso, lemos que “nos tornamos espetáculo ao 'mundo', aos anjos e aos homens”. A palavra “mundo” traduzida da palavra grega kosmos, tem o significado usual de “a terra habitada”, mas também significa “universo”.
"Os mundos não caídos e os anjos celestiais vigiam com intenso interesse o conflito que se aproximava do desfecho" (DTN, p. 489).
Há, porém, um número maior ainda de evidências indiretas, que no contexto geral das Escrituras nos levam a crer na existência de outros mundos. Entre elas podemos citar Jó 2:1, 2 e Romanos 8:19. Contudo, temos que cuidar para não sermos enganados com a onda de misticismo atual e a crença popular que seres de outros mundos estão nos “visitando”. Esses outros mundos criados por Deus são mundos que não caíram em pecado, portanto, eles não poderiam entrar em contato conosco. Os OVNIs, ETs, ou qualquer aparição alardeada, são brinquedos de Satanás, operando maravilhas entre os homens para desviá-los da verdade da Palavra de Deus, a qual é a nossa única fonte segura de informação, de salvação e de orientação em relação aos últimos acontecimentos da história desse mundo. Mais do que nunca devemos fundamentar nossa confiança na revelação inspirada de Deus.
"Todos os tesouros do Universo estarão abertos aos remidos de Deus. Livres da mortalidade, alçarão voo incansável para os mundos distantes. Os filhos da Terra entram de posse da alegria e sabedoria dos seres não caídos e compartilham de tesouros de entendimento adquiridos durante séculos e séculos. Com visão clara, olham para a glória da criação — sóis e estrelas e sistemas, todos na sua indicada ordem, a circular em torno do trono da Divindade" (GCC, p. 293).

terça-feira, 16 de junho de 2026

MEDITAÇÃO #16 - VIDA DUPLA

Algumas pessoas levam uma vida dupla - uma é a vida pública, considerada "verdadeira", e a outra é a vida escondida, que deve ser mantida em segredo. Entretanto, por que alguns indivíduos se comportam assim? James Harvey Robinson (1863-1936) sugeriu: "O discurso dá ao ser humano um poder único de viver uma vida dupla, na qual se diz uma coisa e faz outra." De modo geral, vidas e discursos duplos normalmente derivam da tendência humana de acobertar comportamentos pecaminosos e imorais. Há muitas maneiras de desenvolver uma vida paralela, escondida.

Charles H. Spurgeon, em seu livro John Ploughman's Talk (Conversa de John Ploughman), traz um capítulo intitulado "Homens com Duas Faces", no qual adverte: "Em alguns homens, só se pode confiar enquanto eles podem ser vistos, e não além, pois novas companhias os transformam em pessoas diferentes. Assim como a água, eles fervem ou congelam de acordo com a temperatura." 

Na vida espiritual, não há nada pior que a falta de autenticidade e compromisso. Não dá para cantar na igreja de manhã e frequentar a balada de noite. Não dá para meditar na Palavra de Deus ao acordar e gastar tempo com leituras ou imagens impróprias antes de dormir. Não dá para bendizer as obras de Deus com a mesma língua que usamos para amaldiçoar a vida daqueles que odiamos, sabendo que, apesar de tudo, Deus os ama. Isso gera uma dissonância cognitiva que o inimigo de Deus usará para nos derrubar.

Realmente não sei até que ponto você tende a levar uma vida dupla. Talvez esse não seja seu caso. Mas se você tem permitido que um pecado acariciado corroa sua integridade moral e espiritual, gostaria de convidá-lo a entregar sua vida particular ao Senhor hoje, pedindo-lhe forças para vencer suas fraquezas. 

Conta-se que certo homem de meia-idade tinha duas mulheres: uma jovem e outra bem mais velha. Quando estava com a jovem, ela arrancava os cabelos brancos dele, para que parecesse ter menos idade. Quando, porém, estava com a mais velha, ela lhe arrancava os cabelos pretos, para que ele aparentasse ser mais velho. Como resultado, o homem ficou careca! O fundo moral dessa parábola também pode ser aplicado a nós: Nenhum cristão verdadeiro deve manter uma vida dupla. Viver uma vida dupla vai levá-lo a lugar nenhum duas vezes mais depressa.

O conselho inspirado para hoje é: "Aproximem-se de Deus, e Ele se aproximará de vocês! Pecadores, limpem as mãos, e vocês, que têm a mente dividida, purifiquem o coração" (Tiago 4:8, NVI). O Senhor é capaz de trazer consistência a suas tendências inconsistentes, para que sua vida particular entre em plena harmonia com sua imagem pública. O preço que você pagará ao abrir mão de seus pecados não é nada em comparação à paz de espírito que irá ganhar!
"Há grande necessidade de íntimo exame de consciência à luz da Palavra de Deus. Que cada um faça a pergunta: 'Sou correto ou corrupto de coração? Estou renascido em Cristo ou tenho ainda coração carnal, com nova roupagem exterior?' Detenham-se no grande tribunal, e à luz de Deus verifiquem se há algum pecado secreto que estão acariciando" (Ellen White - Testemunhos para a Igreja 2, p. 144).

segunda-feira, 15 de junho de 2026

MEDITAÇÃO #15 - O VALOR DA VIDA HUMANA

A morte da jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas (foto), de 21 anos, ocorrida no sábado (13), durante uma atividade de rope jump em Limeira (SP), causou comoção e levantou debates sobre limites, responsabilidade e o valor da vida humana. Segundo informações divulgadas pelas autoridades e pela imprensa, ela sofreu uma queda de aproximadamente 40 metros após ser lançada sem estar conectada ao equipamento de segurança. O caso segue sendo investigado.

Diante de uma tragédia como essa, muitas pessoas passam a refletir se atividades de alto risco realmente compensam diante do valor incomparável da vida humana. Há quem defenda que esportes radicais devam existir com fiscalização rigorosa e protocolos severos; outros entendem que modalidades que expõem pessoas a riscos extremos não deveriam ser incentivadas.

À luz da fé cristã, a vida é apresentada nas Escrituras como um dom de Deus e algo precioso que deve ser preservado. A Bíblia declara no Livro de Ezequiel que Deus não tem prazer na morte do ser humano, mas deseja que as pessoas vivam.

Também dentro da compreensão cristã, Satanás aparece nas Escrituras como aquele que se opõe à vida, à paz e ao propósito divino. No Evangelho de João, Jesus o descreve como “homicida desde o princípio”, e no Livro do Apocalipse é retratada a grande batalha espiritual iniciada no céu e continuada na Terra.

Para muitos cristãos, tudo aquilo que banaliza a vida, incentiva a imprudência ou transforma o perigo em entretenimento reflete valores contrários ao cuidado e à responsabilidade ensinados por Deus. Na verdade, uma legião de demônios observa ou causam mortes com esportes radicais.

Que episódios como este sirvam não para alimentar medo, mas para despertar respeito pela vida, compaixão pelos familiares e reflexão sobre como nossas escolhas podem honrar o dom que recebemos de Deus.
"Toda diversão em que vos puderdes empenhar pedindo sobre ela, com fé, a bênção de Deus, não será perigosa. Mas é necessário haver grande temperança nas diversões, bem como em qualquer outra ocupação. E o caráter desses entretenimentos deve ser cuidadosa e cabalmente considerado. Todo jovem deve perguntar-se a si mesmo: Que efeito terão essas diversões na saúde física, mental e moral? Ficará meu espírito tão absorvido que me esqueça de Deus? Deixarei de ter em mente a Sua glória?" (Ellen White - O Lar Adventista, p. 512).

quinta-feira, 11 de junho de 2026

MEDITAÇÃO #14 - PÁTRIA CELESTIAL

“Porque os que falam desse modo manifestam estar procurando uma pátria [...] Mas, agora, aspiram a uma pátria superior, isto é, celestial. Por isso, Deus não se envergonha deles, de ser chamado o seu Deus, porquanto lhes preparou uma cidade” (Hebreus 11:14,16).

Nestes últimos dias, fiquei pensando no conceito espiritual da Copa do Mundo. Há um espírito esportivo-nacionalista latente em meio aos jogos que faria bem ao cristianismo manifestar, não é mesmo? O apóstolo Pedro afirma que, porque somos “estrangeiros e peregrinos” devemos nos abster “das paixões carnais, que fazem guerra contra a alma” (1 Pedro 2:11). Dessa forma, tenho a certeza de que nossa “brasilidade” é efêmera, passageira. Este não é o nosso verdadeiro país. Esta não é a nossa verdadeira pátria. Possuímos uma cidadania celestial. Aspiramos por uma pátria superior, que tem o Senhor Deus como o seu Arquiteto e Mantenedor.

Quando pensamos que somos chamados a ser concidadãos do reino eterno, na pátria celestial, e que essa condição futura implica em sermos, aqui, no tempo de preparo, estrangeiros e peregrinos, faria bem colocarmos as coisas no diapasão correto, não é mesmo? E o que seria isso, na prática? Ellen G. White nos responderia assim:
"O mundo está cheio de atrativos. Os homens agem como se estivessem loucos por coisas baixas e vulgares, que não satisfazem. Como os vi agitados por causa do resultado de uma partida de críquete (poderia ser futebol)! Vi as ruas de Sydney, por vários quarteirões, densamente apinhadas. Indagando o motivo da agitação, foi-me dito que um perito jogador de críquete ganhara a partida. Senti-me triste. Por que não são os escolhidos de Deus mais entusiastas? Estão lutando por uma coroa imortal, por uma pátria em que não haverá necessidade de luz do Sol ou de Lua, ou de qualquer lâmpada; pois o Senhor Deus lhes proporciona luz, e eles reinarão para todo o sempre" (Conselhos Aos Pais, Professores e Estudantes, p. 343).
Diria mais:
Todas as energias de Satanás são postas em operação para prender a atenção em frívolas diversões, e está conseguindo seu objetivo. Está interpondo seus artifícios entre Deus e a alma. Ele forjará divertimentos a fim de impedir os homens de pensarem a respeito de Deus. Cheio de esporte e do amor do prazer, o mundo está de contínuo sedento de alguma novidade; quão pouco tempo e pensamento no entanto, se dedicam ao Criador dos céus e da Terra!" (Conselhos Aos Pais, Professores e Estudantes, p. 456).
E concluiria:
"Revelemos sempre ao mundo que estamos em busca de uma pátria melhor, isto é, a celestial. O Céu foi feito para nós, e queremos ter parte nele. Não podemos correr o risco de deixar que qualquer coisa nos separe de Deus e do Céu. Nesta vida temos de ser participantes da natureza divina. Irmãos e irmãs, tendes apenas uma vida a viver. Oh, seja ela uma vida de virtude, vida escondida com Cristo em Deus! Apenas alguns dias mais para sermos como peregrinos e estrangeiros neste mundo, buscando uma pátria melhor, a celestial. Nosso lar está no Céu. Portanto, firmai vossa alma, confiantemente, em Deus. Sobre Ele depositai todos os vossos fardos" (Cuidado de Deus, p. 153).

quarta-feira, 10 de junho de 2026

MEDITAÇÃO #13 - VOCÊ NÃO ESTÁ SÓ

O sentimento de isolamento é uma experiência humana universal. Seja por dificuldades pessoais, enfermidades, decisões incompreendidas ou pela firme defesa de convicções, todos nós, em algum momento, nos sentimos como se estivéssemos em uma ilha deserta. Nesses momentos de silêncio e solidão, a pergunta que ecoa na alma é quase sempre a mesma: “Onde está Deus em meio a tudo isso?”

A história oferece uma poderosa perspectiva sobre essa questão por meio da vida do apóstolo João. Já idoso, o último dos 12 discípulos foi exilado na rochosa ilha de Patmos. O que foi planejado para ser o fim de seu ministério e o silenciamento de sua voz tornou-se o cenário da mais profunda revelação profética da história. A experiência de João ensina uma lição atemporal: mesmo quando o mundo nos isola, nunca estamos verdadeiramente sozinhos.

O exílio de João não foi um acaso, mas um ato deliberado de Domiciano (81-96 d.C.). Um tirano que exigia adoração divina, o imperador via os cristãos como uma ameaça existencial. Movido por uma superstição que temia o surgimento de um líder da linhagem de Davi, ele perseguiu a fé cristã com ferocidade. Patmos, uma prisão a céu aberto, foi o destino escolhido para o apóstolo. O objetivo de Roma era claro: enviar a última grande voz da primeira geração de cristãos para um lugar esquecido e deixar que sua influência se extinguisse com ele.

Contudo, a estratégia do Império Romano fracassou. Em Patmos, a visão de João transcendeu as rochas áridas e o mar Egeu. Ele contemplou o Cristo glorificado, caminhando entre Sua igreja e assegurando-lhe de Sua presença constante (Ap 1). Naquela ilha, o Senhor descortinou o futuro para seu servo, revelando a contínua batalha entre o bem e o mal, a soberania de Deus sobre os poderes terrenos e a certeza da vitória final de Cristo. O Apocalipse nasceu não do desespero, mas da mais profunda confiança no controle divino.

A experiência de João é um poderoso manual de resiliência espiritual. Ela nos ensina que Deus tem a capacidade de transformar nossas piores crises em oportunidades grandiosas. O que era para ser uma prisão tornou-se um púlpito; o que era para ser silêncio tornou-se profecia. Nossos momentos em “Patmos” – sejam eles de dor, solidão ou adversidade – podem ser terrenos mais férteis para o fortalecimento da fé e a revelação do propósito divino. A solidão, muitas vezes temida, pode se tornar um caminho para uma intimidade mais profunda com o Criador, longe das distrações do cotidiano.

Para quem hoje se sente isolado, a lição é clara: você não está abandonado. O mesmo Cristo que caminhou com João naquela ilha caminha conosco em nossas provações, pronto para transformar nosso isolamento em comunhão e nossa dificuldade em testemunho. A promessa final que ecoou de Patmos não foi de desespero, mas de esperança gloriosa, sintetizada na oração da igreja que transcende o tempo: “Amém. Ora vem, Senhor Jesus” (Ap 22:20).
"Embora pareça que você está só, não está sozinho, pois Cristo está com você; você se encontra em bendita companhia. Quando surgirem as dificuldades, e elas surgirão, lembre-se de que Jesus está ao seu lado, um socorro bem presente em tempo de necessidade" (Ellen White - Manuscrito 8, 1885).

terça-feira, 9 de junho de 2026

MEDITAÇÃO #12 - POBRES DE ESPÍRITO

"Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos Céus" (Mateus 5:3).

Jesus começa as bem-aventuranças dizendo que o reino de Deus pertence aos “pobres de espírito” (Mt 5:3). No original, o termo é ptochos, que indica pobreza extrema. É óbvio que Cristo não está se referindo à classe social, nem tão pouco à pobreza material deste mundo, mas sua declaração nos leva a uma dimensão espiritual, por isso, há uma ênfase na expressão “pobres de espírito”.

Nos dias de Cristo, os guias religiosos do povo julgavam-se ricos em tesouros espirituais. A declaração de Jesus é justamente um ataque direto ao senso de autossuficiência espiritual, que impede a atuação de Deus na vida do crente. O termo ptochos também deriva de ptasso que é “humilhar-se”, “abaixar-se”. Assim, os “pobres de espírito” são pessoas humildes, que em primeiro lugar reconhecem sua pecaminosidade e se inclinam diante de Deus para serem agraciados por Ele.

Ellen G. White nos fala mais sobre o significado dessa expressão:

"Os que choram, os mansos que se sentem indignos do favor de Deus e os que têm fome e sede de justiça; todos estão incluídos no termo 'pobre de espírito'. Os pobres de espírito sentem sua pobreza, sua necessidade da graça de Cristo. Percebem que conhecem pouco a respeito de Deus e de Seu grande amor, e que precisam de luz a fim de conhecer e guardar o caminho do Senhor. Não ousam enfrentar a tentação amparados na própria força, pois sabem que não dispõem de força moral para resistir ao mal. Não encontram prazer em se lembrar de sua vida passada, e têm pouca confiança ao olhar para o futuro, pois são enfermos de coração. Para tais, Cristo diz: 'Bem-aventurados os pobres de espírito.' Cristo viu que aqueles que sentem sua pobreza podem ser feitos ricos. Porém, antes que possa existir o intenso desejo pela riqueza contida em Cristo, disponível a todos que sentem sua pobreza, deve existir o senso de necessidade. Quando o coração está repleto de presunção e preocupado com as coisas superficiais da Terra, o Senhor Jesus repreende e disciplina a fim de que a pessoa possa se dar conta de sua verdadeira condição. Achegue-se a Jesus com fé e sem demora. A provisão dEle é farta e gratuita, Seu amor é abundante, e Ele lhe concederá graça para tomar Seu jugo e levar Seu fardo com alegria" (Perto do Céu, p. 180).
Diante da maravilhosa e rica graça de Deus somos extremamente pobres. Nosso primeiro dever ao nos aproximar de Deus é reconhecer nossa condição. Como disse C. H. Spurgeon: “Para subirmos no reino é preciso rebaixarmo-nos em nós mesmos”. Aqueles que se humilham diante de Deus recebem Sua maravilhosa graça e são exaltados por Ele já no presente (1Pd 5:5 e 6), porém, acima de tudo, receberão Seu reino eterno no futuro (Mt 5:3). Por isso, bem-aventurados os pobres de espírito!

sexta-feira, 5 de junho de 2026

MEDITAÇÃO #11 - O QUE PODE ME SEPARAR DE DEUS?

"Quem pode nos separar do amor de Cristo? A tribulação, ou angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada?" (Romanos 8:35).

Quão preciosa é, em tempos de necessidade, a certeza da união com Jesus! Podemos dizer: Quem pode nos separar do amor de Cristo? 

A tribulação? — Não, pois ela nos faz saber que só Cristo é nosso refúgio, e a Ele corremos em busca de abrigo. 

Ou a angústia? — Não, porque Ele é nossa consolação. “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e o Deus de toda a consolação, que nos consola em toda nossa tribulação” (2 Coríntios 1:3, 4).

Ou a perseguição? — Não; “Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos Céus” (Mateus 5:10). 

Ou a fome? Não, porque temos a promessa de Deus: “Na fome te livrará da morte” (Jó 5:20). “Nos dias de fome se fartarão” (Salmos 37:19). Fugindo para Jesus seremos plenamente satisfeitos. 

Ou a nudez? — Ouvi a voz de Jesus, dizendo: “Aconselho-te que de Mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças; e vestes brancas, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez” (Apocalipse 3:18). “O que vencer será vestido de vestes brancas” (Apocalipse 3:5).

Ou o perigo? — Não; Paulo sabia por experiência o que significava estar em perigo. “Em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos dos da minha nação, em perigos dos gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre os falsos irmãos” (2 Coríntios 11:26). “E disse-me: A Minha graça te basta” (2 Coríntios 12:9). 

Ou a espada? A espada não pode matar a alma, pois a vida está escondida com Cristo em Deus.

Bem podemos perguntar com Paulo: “Quem pode nos separar do amor de Cristo?” e responder: “Pois eu tenho a certeza de que nada pode nos separar do amor de Deus: nem a morte, nem a vida; nem os anjos, nem outras autoridades ou poderes celestiais; nem o presente, nem o futuro; nem o mundo lá de cima, nem o mundo lá de baixo. Em todo o Universo não há nada que possa nos separar do amor de Deus, que é nosso por meio de Cristo Jesus, o nosso Senhor.” (Romanos 8:35, 38, 39).

O que pode me separar de Deus? Nada. Absolutamente nada.

quinta-feira, 4 de junho de 2026

MEDITAÇÃO #10 - CORPUS CHRISTI

O feriado de Corpus Christi é considerado sagrado por muitos cristãos. A origem desta celebração remonta ao século XIII. A data foi instituída pelo Papa Urbano IV por meio da Bula “Transiturus de Hoc Mundo”, de 11 de agosto de 1264, para celebração da Eucaristia (Santa Ceia).

Como esse Papa acabou falecendo antes da promulgação, ela se tornou efetiva apenas em 1317 pelo Papa João XXII. Deveria ser sempre celebrada na quinta-feira após o “Domingo da Santíssima Trindade”, uma referência à quinta-feira em que Jesus ceou com os discípulos antes de sua morte.

Dentro do pensamento da teologia católico-romana, acontece na Eucaristia um fenômeno chamado Transubstanciação. Acredita-se que quando o pão e o vinho são consagrados pelo sacerdote católico, ocorre uma mudança metafísica neste elementos e suas substâncias são literalmente transformadas no sangue (vinho) e no corpo (pão) de Cristo. Quando a missa é celebrada, um verdadeiro sacrifício é novamente oferecido por Cristo em favor dos adoradores, assim como ocorreu na crucificação. Essa doutrina católica foi formulada por Tomás de Aquino e se tornou o pensamento oficial da Igreja Católica Romana no Concílio de Trento. 
"A ordenança escriturística da Ceia do Senhor fora suplantada pelo idolátrico sacrifício da missa. Sacerdotes papais pretendiam, mediante esse disfarce destituído de sentido, converter o simples pão e vinho no verdadeiro corpo e sangue de Cristo" (Ellen White - História da Redenção, p. 334).
No entanto, a Bíblia não corrobora com a visão da Transubstanciação. Quando Jesus se refere ao pão e ao vinho (Mateus 26:26-28), ele está usando uma linguagem metafórica, e não literal. Além disso, as Escrituras afirmam claramente que Cristo se ofereceu em sacrifício pelos pecados da humanidade somente uma vez (Hebreus 9:28).

O uso de figuras de linguagem é empregado por Cristo em diversos momentos. João 6:53-54 é um exemplo disso. O pão e o vinho (suco de uva) são simbólicos: o pão representa Jesus como uma pessoa; o suco de uva é um símbolo perfeito do Seu sangue expiatório. Tomar parte na Ceia do Senhor com estes emblemas é celebrar o grande sacrifício feito por Cristo em nosso lugar e simboliza uma apropriação pessoal, por parte do crente, dos benefícios desse ato, e sua união pessoal com Senhor.

Além do sacrifício expiatório de Cristo celebrado neste importante ritual, o apóstolo Paulo acrescenta um segundo elemento. Ele disse: “Porque, todas as vezes que comerem este pão e beberem o cálice, vocês anunciam a morte do Senhor, até que Ele venha” (1 Coríntios 11:26). Em outras palavras, celebrar a Ceia do Senhor é não somente relembrar o grande sacrifício feito por Ele em nosso favor, mas também uma lembrança de que Ele irá voltar.

Na Ceia celebrada no Cenáculo com os discípulos, Jesus substituiu a celebração da Páscoa pela Santa Ceia, e disse: “Nunca mais beberei deste fruto da videira, até aquele dia em que beberei com vocês o vinho novo, no Reino de meu Pai” (Mateus 26:29). Essa promessa se cumprirá na Ceia das Bodas do Cordeiro (Apocalipse 19). Enquanto aguardamos esse dia, devemos tomar parte de maneira digna na Ceia do Senhor (1 Coríntios 11: 27), nos apropriando dos méritos do sacrifício de Cristo e confiando em Sua promessa de retorno.

quarta-feira, 3 de junho de 2026

MEDITAÇÃO #9 - ANTES DO INVERNO

"Apressa-te a vir antes do inverno" (2 Timóteo 4:21).

Clarence Edward Macartney foi um grande pregador presbiteriano na primeira metade do século 20. Por 30 anos, antes do início do inverno, na Filadélfia, ele pregou o mesmo sermão, com base nas palavras de Paulo a Timóteo: “Venha antes do inverno.” Há algumas coisas que nunca poderão ser realizadas se não forem feitas “antes do inverno”.

No Hemisfério Norte, depois do outono, as árvores que vimos floridas logo começam a perder a folhagem. Cada novo outono traz o sentimento da preciosidade das oportunidades da vida, de sua beleza, mas também de sua brevidade. Cada outono é como se vozes estivessem a clamar aos sentidos para percebermos a aproximação do inverno.

Macartney mencionava em seu sermão três dessas vozes que nos apelam com urgência. Primeiramente, a voz da transformação do caráter. Você pode ser transformado, mas há estações favoráveis para isso. Os metais, enquanto em estado líquido, em alta temperatura, podem receber qualquer forma. Mas depois de frios, eles se recusam a ser moldados. As oportunidades passam.

A segunda é a voz dos relacionamentos. Timóteo, ao receber o apelo de Paulo, não se demorou em Trôade. Quando o inverno chegasse, as rotas marítimas pelo Mediterrâneo seriam fechadas. Ele não queria correr o risco de chegar a Roma depois da execução do amigo. Macartney contava o testemunho de um estudante de medicina que ouviu seu sermão. Ele foi para o quarto, e o teto parecia lhe dizer: “Antes do inverno.” O rapaz escreveu então uma carta à mãe e a enviou pelo correio. Era aquele tipo de carta que faria qualquer mãe feliz. Poucos dias depois, recebeu um telegrama: “Venha depressa, sua mãe está morrendo.” Tomou o primeiro trem para Pittsburgh, chegou a tempo para ver o último sorriso da mãe. Sob o travesseiro dela, encontrou a carta que escrevera. O rapaz havia chegado “antes do inverno”.

A terceira é a voz de Cristo, convidando homens e mulheres a se achegarem a Ele “antes do inverno”. As Escrituras dizem para você vir hoje. Por que essa urgência? A vida é incerta e porque hoje o solo de seu coração pode estar suscetível.

Hoje, você pode estar quase persuadido a receber Jesus Cristo e entrar em Seu reino. Mas, se você adiar e deixar para o próximo mês ou o ano que vem, seu coração pode endurecer, e a voz do Espírito pode perder seu efeito. Assim, venha hoje mesmo, “antes do inverno”.
"A impressão do Espírito Santo que é hoje rejeitada, não será tão forte amanhã. O coração torna-se menos impressionável, e cai numa perigosa inconsciência da brevidade da vida e da grande eternidade além" (Ellen White - O Desejado de Todas as Nações, p. 346).

terça-feira, 2 de junho de 2026

MEDITAÇÃO #8 - NUDEZ EXPOSTA

"Em seguida, tirando a sorte com dados, os soldados repartiram entre si as roupas de Jesus" (Lucas 23:34).

O texto acima deixa transparecer a amplitude da humilhação de Jesus na cruz. O fato de os soldados repartirem entre si as roupas do Senhor sugere que Ele foi pregado completamente nu na cruz do Calvário. Há quem defenda, porém, que era costume cobrir as partes íntimas do condenado com uma espécie de lençol. Ao longo dos anos, as artes plásticas cristãs reproduziram essa ideia, em especial por respeito à pessoa de Jesus. Seja como for, em nudez completa ou parcial, a realidade é que o Senhor foi despido, e isso intensificou seu sofrimento e a humilhação que foi lançada sobre Ele.

No terceiro capítulo de Gênesis, a Bíblia também retrata uma cena de nudez. Depois de sucumbir à tentação, Adão e Eva “perceberam que estavam nus” (Gênesis 3:7). Em diálogo com Deus, o primeiro homem explicou o motivo de ter fugido: “Eu ouvi a tua voz, quando estavas passeando pelo jardim, e fiquei com medo porque estava nu. Por isso me escondi” (Gênesis 3:10). Envergonhados, Adão e Eva costuraram para si uma incômoda roupa feita de folhas de figueira.

É inevitável perceber a relação entre as cenas apresentadas acima. No Éden, a nudez de Adão revelou o pecado e a condenação; no Calvário, a nudez de Jesus revelou a justiça divina e salvação do pecado. No Éden, o ser humano tentou providenciar uma forma alternativa de vestuário para tentar esconder suas vergonhas; no Calvário, Jesus assumiu nossa vergonhosa culpa e não usou nenhum subterfúgio para escondê-la.

Em substituição aos trapos malfeitos de folha de figueira, “o Senhor Deus fez roupas de peles de animais para Adão e a sua mulher se vestirem” (Gênesis 3:21). Esse texto revela o fato de que um animal teve que morrer para que roupas apropriadas fossem feitas para o primeiro casal. A morte do animal inocente proveu as vestes que restituíram a dignidade de Adão e Eva.

Na cruz, Jesus foi morto para que pudéssemos nos revestir de suas vestes de justiça. Quem aceita o sacrifício de Cristo é envolvido pela santidade de Jesus. É recebido no Céu como se fosse o próprio Filho de Deus.

Jesus se humilhou e ofereceu a vida para que que eu e você tivéssemos o direito de usar as roupas da salvação. Vista-se hoje com a justiça e a santidade de Cristo e se prepare para desfilar nas passarelas da vida eterna com a dignidade de um filho de Deus.
"Somente as vestes que Cristo proveu, podem habilitar-nos a aparecer na presença de Deus. Estas vestes de Sua própria justiça, Cristo dará a todos os que se arrependerem e crerem. 'Aconselho-te', diz Ele, 'que de Mim compres... vestes brancas, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez' (Apocalipse 3:18)" (Ellen White - A Fé Pela Qual Eu Vivo, p. 109).

segunda-feira, 1 de junho de 2026

MEDITAÇÃO #7 - LIÇÕES DA COPA

A Copa do Mundo de Futebol da FIFA 2026 começa em 11 de junho, uma quinta-feira, com a partida entre México e África do Sul. O Brasil estreia contra Marrocos no sábado, 13 de junho, às 19h. Este é o evento esportivo mais assistido e prestigiado em todo o mundo. Mas que lições dentro e fora de campo o nobre jogo e a Copa podem ensinar aos cristãos?

Não é novidade que o futebol ensina perseverança, determinação, autocontrole, responsabilidade, lealdade, liderança, luta pelo objetivo. Contudo, ele pode ensinar outras lições. Confira:

1. Entre em campo. O objetivo do jogador não é ficar sentado na arquibancada nem no banco de reserva. O cristão não pode ficar na plateia.

2. Aprenda na prática. Você atinge a “perfeição” não apenas ouvindo preleções, mas tendo experiência no jogo real, transformando cada erro em futuro acerto.

3. Não reclame da concentração. É preciso ficar longe das distrações do mundo e treinar sério.

4. Desenvolva habilidade. Para jogar bem, é preciso equilíbrio no controle da bola em alta velocidade, percepção dos melhores caminhos, excelente coordenação e movimentos precisos.

5. Enfrente a pressão dentro e fora de campo. Cada jogo é uma batalha. A cobrança da imprensa e da torcida é enorme.

6. Equilibre defesa e ataque. Todos os setores da equipe, da igreja e da vida precisam de atenção.

7. Assuma riscos. Seja ousado, saia da retranca, vá para o ataque. Jogar é estar aberto a novas emoções.

8. Combine seriedade e entretenimento. A vida não é só trabalho e disputa.

9. Ganhe e perca com dignidade. As vitórias e derrotas fazem parte do jogo e da vida. Seja humilde na vitória e gracioso na derrota. Nenhum time é imbatível.

10. Seja flexível. Procure se adaptar a novas situações, novo ambiente, nova cultura e novas funções, como os jogadores fazem.

11. Seja um jogador de integridade. Você representa a família, o técnico, o time e o país. Jogue para a glória de Deus!

Para finalizar, é importante destacar que, nesta Copa do Mundo, 48 seleções vão brigar pela taça, mas apenas uma vai levantar. Até equipes vitoriosas como a da Espanha, Brasil e França podem cair na primeira fase. Porém, no torneio do grande conflito, todos podem ser campeões. Se você fizer parte do time de Cristo, já pode se considerar campeão por antecipação.

sexta-feira, 29 de maio de 2026

MEDITAÇÃO #6 - PREPARAÇÃO

Muito compreendemos sobre a importância da observância do sábado. O dia santo, no qual nós devemos pausar nossa rotina, descansar de nossos afazeres e contemplar ao Criador. Mas há ainda uma terceira característica do sábado: é um dia abençoado por Deus (Gênesis 2:1-3). Isso mesmo! Um dia que Deus separou para abençoar todos aqueles que o observam e guardam.

Adão e Eva foram a última obra de criação de Deus. E, ao vir ao mundo, eles apenas descansaram e contemplaram toda a criação de Deus. Não havia nada que o homem e a mulher necessitassem, porque Deus havia cuidado de tudo. Deus os sustentava. Era o nosso Deus. E essa é, provavelmente, uma das coisas mais importantes do sábado: a benção de reconhecer e confiar na provisão divina. Mas, para usufruir de toda a benção e plenitude sabática, o homem deve se preparar para esse dia – assim como Deus terminou toda a Sua obra de criação antes do sábado, no qual descansou. Dessa forma, Ele deu a Adão e Eva um exemplo de como deveriam se preparar para o dia de descanso. 

Ainda outra vez, o próprio Deus ensinou os israelitas a guardarem o dia santo, determinando que o povo se preparasse para recebê-lo: “Amanhã é o repouso, o santo sábado do Senhor; o que quiserdes cozer no forno, cozei-o, e o que quiserdes cozer em água, cozei-o em água; e tudo o que sobejar, ponde em guarda para vós até amanhã” (Êxodo 16:23).

O dia de espera do sábado se tornou tão importante para os judeus que o povo deu um nome específico para esse dia: o dia da preparação (paraskeué). Esse termo só aparece ligado ao dia anterior a um sábado, como pode ser visto nos evangelhos (Mateus 27:62; Marcos 15:42; Lucas 23:54; João 19:14,31 e 42).
“Embora a preparação para o sábado deva prosseguir durante toda a semana, a sexta-feira é o dia por excelência da preparação” (Testemunhos Seletos, vol. 3, p. 21). 
Apesar disso, muitas pessoas negligenciam o dia da preparação e deixam de receber as bençãos tão especiais que Deus reservou para o sábado.
"Devemos observar cuidadosamente os limites do sábado. É bom lembrar que cada minuto é tempo sagrado. Sempre que possível, os patrões deverão conceder aos empregados as horas que decorrem entre o meio-dia da sexta-feira e o começo do sábado. Dessa forma, terão tempo para a preparação, a fim de poderem saudar o dia do Senhor com sossego de espírito. Assim procedendo não sofrerão nenhum prejuízo, nem mesmo quanto às coisas materiais" (Conselhos para a Igreja, p. 268).
Um dos princípios que a Bíblia nos ensina é a organização – através da qual podemos esperar em paz e tranquilidade o descer do pôr-do-sol. Todos os dias devemos manter o princípio em mente. Lavando o que se suja; colocando no lugar o que se tirou; limpando o chão e os móveis; preparando aquele bolo quentinho para as crianças. Diariamente – e no paraskeué pela tarde. Porque, se não agirmos desta forma na sexta-feira, ficaremos sobrecarregados demais para poder pensar em descansar.
"Durante a semana, teremos o cuidado de não gastar as energias com trabalho físico a ponto de, no dia em que o Senhor repousou e Se restaurou, estarmos fatigados demais para tomar parte no Seu culto" (Testemunhos Seletos, vol. 3, p. 21).
Irônico, né? Estar preocupado no dia em que você deveria se esvaziar do que te ocupa. Se esvaziar do que tira seu sono. Do que te tira a conexão com Deus. De todos os problemas que podem esperar. Afinal, Deus não é a solução? Portanto, se organize, para poder participar plenamente do culto de pôr-do-sol com seus filhos. E acordar no dia seguinte para a Escola Sabatina com o ar de quem sabe que é filho do Rei. Por isso, programe-se! Mas existe também um detalhe bem importante:
"Há ainda outro ponto a que devemos dar a nossa atenção no dia da preparação. Nesse dia todas as divergências existentes entre irmãos, tanto na família como na igreja, devem ser removidas. Afaste-se da alma toda amargura, ira ou ressentimento" (Testemunhos Seletos, vol. 3, p. 22).
E, no sábado, descanse! Concentre suas atenções no estudo da Bíblia, na contemplação da natureza e no bem ao próximo. Afinal, é o dia dEle. Mas o maior presente é nosso.

quinta-feira, 28 de maio de 2026

MEDITAÇÃO #5 - SACUDIDURA

"Vou dar ordem e vou separar os bons dos maus em Israel, como quem separa o trigo da casca, sem perder um só grão" (Amós 9:9).

“Sacudidura” é uma palavra figurativa usada em nossa igreja que designa uma experiência especial de seleção entre o povo de Deus. A palavra vem do ambiente agrícola. Após a colheita, os grãos são peneirados e sacudidos, método que descarta os grãos quebrados e a palha é soprada para fora.

A sacudidura escatológica, conforme ensinam os adventistas, é um período que acontecerá antes da segunda vinda de Jesus Cristo, finalizando com o término do juízo investigativo no santuário celestial (fechamento da porta da graça), abrangendo tanto indivíduos como grupos.

Quem são os que deixarão a Igreja, sob a ação da sacudidura, identificados de forma geral sob as figuras do “joio”, “palha” e “mornos”? Em diferentes fontes, nos escritos de Ellen White, encontramos pelo menos 14 grupos que, eventualmente, deixarão a igreja:

1. Os autoenganados (Testemunhos para a Igreja, v. 4, p. 89, 90; v. 5, p. 211, 212).

2. Os descuidados e indiferentes (Testemunhos para a Igreja, v. 1, p. 182).

3. Os ambiciosos e egoístas (Primeiros Escritos, p. 269).

4. Os que recusam sacrificar-se (Primeiros Escritos, p. 50).

5. Os orientados pelo mundanismo (Testemunhos para a Igreja, v. 1, p. 288).

6. Os que comprometem a verdade (Testemunhos para a Igreja, v. 5, p. 81).

7. Os desobedientes (Testemunhos para a Igreja, v. 1, p. 187).

8. Os invejosos e críticos (Testemunhos para a Igreja, v. 1, p. 251).

9. Os fuxiqueiros, que acusam e condenam (Olhando Para o Alto, p. 236).

10. A classe conservadora superficial (Testemunhos para a Igreja, v. 5, p. 463).

11. Os que não controlam o apetite (Testemunhos para a Igreja, v. 4, p. 31).

12. Os que promovem desunião (Review and Herald, 18 de junho de 1901).

13. Os estudantes superficiais das Escrituras (Testemunhos para Ministros, p. 112).

14. Os que perderam a fé no dom profético (Mensagens Escolhidas, v. 3, p. 84).

A purificação da igreja virá, mas administrada pelo Senhor da igreja. Contudo, a igreja não cairá, e por fim, novos conversos ocuparão os lugares dos que se retirarem.
"A igreja talvez pareça como prestes a cair, mas não cairá. Ela permanece, ao passo que os pecadores de Sião serão lançados fora na sacudidura - a palha separada do trigo precioso. Os lugares vagos nas fileiras serão preenchidos pelos que foram representados por Cristo como tendo chegado na hora undécima. O Senhor olhará para eles com ternura. Seu coração compassivo se enternece, e a mão do Senhor ainda está estendida para salvar, enquanto a porta é fechada para os que não querem entrar. Será admitido um grande número de pessoas que nestes últimos dias ouvirem a verdade pela primeira vez" (Ellen White - Eventos Finais, p. 182).

quarta-feira, 27 de maio de 2026

MEDITAÇÃO #4 - PARÁBOLA DO RATO

Era uma vez, uma menina que não tinha um rato. Mas, talvez influenciada pela popularidade de figuras como Mickey Mouse, Jerry, Stuart Little, Remy, Speedy Gonzales, a garotinha resolveu que queria porque queria um... Assim, toda manhosa, foi contar para o pai de sua mais nova e estranha necessidade.

Mas o pai não concordou com a ideia, explicando o perigo de ter um ratinho - as doenças, a sujeira, e essas coisas. A menina insistiu, chorou, esperneou, mas nada mudou a ordem estabelecida. O tempo passou, e o pai teve que fazer uma viagem. Iria passar dias longe, trabalhando. A família ainda se despedia na sala, quando a ideia veio.

A pequena correu para o quarto, abriu uma das gavetas e encontrou o cofrinho. Não pensou duas vezes: quebrou o porco, pensando no rato, juntou as moedas e saiu de casa, dando à mãe uma desculpa qualquer. Foi à loja de animais que ficava ali perto.

Aproximou-se do balcão e, mesmo sem conseguir enxergar quem estava do outro lado, entregou o saco de moedas, dizendo: "Me dá um rato, moço". O moço, que não tinha nada com a história, pegou as moedas e lhe entregou o bicho. A mocinha voltou para casa toda feliz. Trancou-se no quarto e começou a brincar com o novo amigo. E brincou, brincou, brincou... e fim.

O problema é que enquanto a menina amar mais o rato que o pai, ela não vai querer que o pai volte. Mas ele vai voltar. Por isso, cuidado com os ratos.
"Meu irmão, minha irmã, insisto a que vos prepareis para a vinda de Cristo nas nuvens do Céu. Dia a dia lançai de vosso coração o amor do mundo. Homem algum pode ser seguidor de Cristo e pôr ainda nas coisas deste mundo as afeições. Em sua primeira epístola, João escreve: “Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele” (1 João 2:15)" (Ellen White - Nos Lugares Celestiais, p. 342).

terça-feira, 26 de maio de 2026

MEDITAÇÃO #3 - RELÂMPAGO

"Eu sou a Luz que veio ao mundo para que todo aquele que crer em mim não viva mais na escuridão" (João 12:46 MSG).

Nunca tive medo do escuro. Aliás, quando era garoto passava horas na varanda de casa, simplesmente observando as noites escuras e chuvosas de janeiro. Ficava impressionado com a mistura de sons e imagens que uma noite de tempestade oferece. Esforçava-me para descobrir de onde vinham os relâmpagos e me encantava com o cenário revelado por cada um deles. Quando sua luz rasgava o céu, eu podia ver tudo a minha volta, mesmo que por poucos instantes. E nem toda a escuridão que vinha depois era capaz de esconder o que antes era invisível. Descobri que depois do relâmpago, a escuridão não é a mesma.

Jesus é o relâmpago da história. É a luz enviada ao mundo para revelar o verdadeiro caráter de Deus e iluminar os cantos escuros do coração humano. Ele que veio trazer perdão, esperança e cura, traz consigo também a visão necessária para a caminhada de fé. Visão que nos permite enxergar certos gostos, hábitos, estilos de vida que de outra forma não perceberíamos. Claridade que invade a sala de nossa consciência e nos faz ver as coisas como Deus as vê.

Ellen White diz: "Cada raio de luz que o Céu envia é essencial para a nossa salvação. Estamos a viver nos últimos dias e o Senhor não tenciona deixar-nos em trevas e incerteza. Cristo é tudo para aqueles que O recebem. Ele é seu Confortador, sua segurança, sua saúde. À parte de Cristo não há luz alguma. Não precisa haver uma nuvem entre a pessoa e Jesus. Seu grande coração de amor anseia inundar a vida com os brilhantes raios de Sua justiça" (Exaltai-O, p. 252).

Nascemos num planeta escuro. E a escuridão inda teima em manchar sonhos, relacionamentos, sentimentos... Vivemos ameaçados pelos cativeiros gris do pecado, afetados pelas trevas. Mas quando a noite parecer inviolável, lembre-se: Jesus é o relâmpago da história. Depois que Ele cruza nosso caminho, a escuridão de nossa vida nunca mais será a mesma.

Que você experimente hoje a luz desse encontro.

segunda-feira, 25 de maio de 2026

MEDITAÇÃO #2 - PROCURA-SE UM PASTOR

A meditação de hoje é um texto que traduzi e adaptei. Trata-se da ficção de uma igreja que teria feito entrevistas com vários candidatos a pastor e, então, descreve o perfil dos entrevistados, para que outras igrejas não percam tempo com esses desclassificados:

Noé: Tem a experiência de 120 anos de pregação, mas sem nenhum converso, exceto alguns membros da própria família. Não agradaria a Associação.

Moisés: Gagueja ao falar e sua congregação anterior afirma que ele se exaspera com facilidade. Além disso, já é muito velho.

Salomão: Tem a fama de sábio, mas falha em praticar aquilo que prega.

Elias: Personalidade depressiva e inconstante. É conhecido por desanimar-se sob pressão e deixar-se intimidar sob ameaças femininas.

Oseias: Vida familiar em sérias dificuldades. Seria um embaraço para a igreja.

Jeremias: Muito emotivo e alarmista. Uma personalidade problemática. Incomoda as pessoas com suas lamentações.

Amós: Suas origens não o recomendam. Vem da zona rural, e julgamos que é melhor que ele continue colhendo figos bravos.

João Batista: Diz ser batista, mas não tem muito tato com as pessoas e veste-se como um hippie. Deixaria os membros constrangidos.

Pedro: Desequilibrado emocionalmente. Além disso, ouvimos dizer que ele anda negando a Cristo publicamente.

Paulo: Também falta-lhe tato. Muito duro no que diz e escreve. Além do mais, sua aparência não o recomenda. Seus sermões são muito longos.

Timóteo: Apresenta algum potencial, mas é ainda muito jovem.

Jesus: Tende a ofender os membros, especialmente os tradicionais e eruditos. Além disso, é muito controverso e falta-Lhe diplomacia. Chegou mesmo a criar mal-estar entre os membros de nossa comissão administrativa com Suas perguntas desconcertantes.

Judas: Esse foi o único que julgamos adequado para a função pastoral. Prático, veste-se com requinte. Demonstra habilidade na administração dos recursos; preocupa-se com os pobres e é bem relacionado.

Isso me faz pensar: Que tipo de pessoas temos valorizado? Quem temos considerado apto a realizar a obra de Deus?
"Grande cuidado deve ser exercido na escolha de homens para essas posições de confiança. Deve haver fervorosa oração em busca de iluminação divina" (Ellen White - Liderança Cristã, p. 86).

sexta-feira, 22 de maio de 2026

MEDITAÇÃO #1 - ANJOS EM FORMA HUMANA

A palavra anjo vem da palavra grega aggelos, que significa “mensageiro”. Muito sobre os anjos é misterioso, mas não o seu trabalho. Esses seres celestiais são anjos ministradores e frequentemente se disfarçam na forma de seres humanos. Ellen White nos conta mais sobre eles:

"Como estranhos conversam com aqueles que estão empenhados na obra de Deus. Em lugares isolados têm sido companheiros de viajantes em perigo. Em navios castigados pela tempestade, anjos em forma humana têm proferido palavras de animação para desviar o temor e inspirar confiança na hora do perigo, e os passageiros têm julgado que era um dentre eles com quem nunca antes haviam falado. Estes anjos têm vindo desempenhar uma parte nesta vida. Têm falado em assembleias, e desenrolado histórias humanas perante essas assembleias, e realizado obras que seriam impossíveis para instrumentos humanos. Vez após vez, têm sido generais de exércitos. Têm sido enviados para eliminar pestilência. Têm-se alimentado à mesa de humildes famílias. Frequentemente têm aparecido como cansados viajores em necessidade de abrigo para a noite" (Cuidado de Deus, p. 284).

A Bíblia põe muita ênfase na prática da hospitalidade. Não somente a recomenda como um dever, mas apresenta muitos belos quadros do exercício desta graça e das bênçãos que ela traz. Ellen White destaca alguns exemplos:

"O privilégio concedido a Abraão e a Ló, não nos é negado a nós. Mostrando hospitalidade aos filhos de Deus nós, também, podemos receber-Lhe os anjos em nossa morada. Mesmo nos dias atuais, anjos em forma humana entram no lar dos homens e são aí hospedados por eles. E os cristãos que vivem à luz do rosto de Deus estão sempre acompanhados por anjos invisíveis, e esses seres santos deixam após si uma bênção em nosso lar" (O Lar Adventista, p. 445).

Mas infelizmente os anjos maus, caídos, também nos visitam e se fazem passar por humanos. Ellen White narra assim:

"Satanás usará toda oportunidade para seduzir os homens e desviá-los de sua lealdade a Deus. Ele e os anjos que caíram com ele aparecerão na Terra como homens, procurando enganar. Anjos de Deus também aparecerão como homens, e usarão todos os meios ao seu alcance para frustrar os desígnios do inimigo. Anjos maus em forma humana falarão com os que conhecem a verdade. Eles interpretarão mal e desvirtuarão as declarações dos mensageiros de Deus. Anjos maus, disfarçados como crentes, atuarão em nossas fileiras para introduzir um forte espírito de descrença" (Eventos Finais, p. 160).

Estes agentes satânicos sob forma humana também tomarão parte neste último grande conflito para opor-se à edificação do reino de Deus. Anjos celestiais em aparência humana também estarão no campo de ação. Os dois partidos antagônicos prosseguirão existindo até o encerramento do último grande capítulo da história deste mundo.

Na vida futura compreenderemos coisas que aqui nos fazem muito perplexos. Reconheceremos então quão forte Ajudador tínhamos, e como os anjos de Deus eram comissionados para nos guardar ao seguirmos o conselho da Palavra de Deus. E depois, seremos recompensados com um maravilhoso encontro na eternidade. Ellen White conclui:

"Todo remido compreenderá o serviço dos anjos em sua própria vida. Que maravilha será entreter conversa com o anjo que o guardou desde seus primeiros momentos, que lhe vigiou os passos e cobriu a cabeça no dia de perigo, que com ele esteve no vale da sombra da morte, que assinalou o seu lugar de repouso, que foi o primeiro a saudá-lo na manhã da ressurreição, e dele aprender a história da interposição divina na vida individual e da cooperação celeste em toda a obra em prol da humanidade" (Educação, p. 305).

Que possamos manter nosso coração cheio das preciosas promessas de Deus para que possamos proferir palavras de conforto e fortalecimento aos outros. Assim aprenderemos a linguagem dos anjos celestes, os quais, se formos fiéis, serão nossos companheiros ao longo das eras eternas.

quarta-feira, 20 de maio de 2026

"SÁBADO NACIONAL" DA CASA BRANCA

No dia 4 de maio de 2026, o presidente dos EUA, Donald Trump, emitiu uma proclamação reconhecendo maio como o Mês da Herança Judaico-Americana, dando continuidade a uma prática pioneira estabelecida em 2006, durante o governo do presidente George W. Bush. Mas, ao contrário das proclamações anteriores, a declaração de Trump para 2026 rapidamente chamou a atenção on-line devido à sua referência explícita a um “sábado nacional” e ao seu apelo para que estadunidenses “de todas as origens” se unissem em gratidão, oração e reflexão durante uma celebração nos dias 15 e 16 de maio.

“Em homenagem especial aos 250 gloriosos anos da independência americana”, declarava a proclamação, “os judeus americanos são encorajados a observar um sábado nacional. Do pôr do sol de 15 de maio ao anoitecer de 16 de maio, amigos, famílias e comunidades de todas as origens podem se reunir em gratidão por nossa grande nação.”

Embora a proclamação não estabeleça uma lei ou uma observância religiosa obrigatória, a expressão “sábado nacional” se espalhou rapidamente pelas redes sociais, pelos canais de comentários do YouTube e pelos ministérios focados em profecias—especialmente entre o público adventista do sétimo dia, historicamente atento a questões envolvendo a observância do sábado, as relações entre Igreja e Estado e a liberdade religiosa.

Algumas vozes adventistas online consideraram a proclamação um reconhecimento público incomum do sábado por um presidente dos EUA. Outras alertaram contra interpretações sensacionalistas, ressaltando que a proclamação não tem força legal, nem aplicabilidade civil. Uma das reações mais assistidas foi a de Bradley Burnham, o fundador de Strange Normal, um ministério independente dentro da comunidade adventista. Em cinco dias, o comentário de Burnham no YouTube sobre a proclamação ultrapassou 230.000 visualizações.

No vídeo, Burnham explicou que o decreto era historicamente significativo porque fazia referência específica ao período do sábado: da noite de sexta-feira à noite de sábado. “Quando foi a última vez em que um presidente em exercício dos Estados Unidos convocou todos os americanos a observarem o sábado?”, perguntou Burnham. “A resposta é: nunca.”

Burnham concentrou-se no apelo da proclamação a que “todos os americanos” celebrassem sua fé e liberdade, “especialmente no Shabat”, explicando que a redação ampliava o convite para além dos judeus americanos. Ao mesmo tempo, Burnham alertou os telespectadores para que não considerassem a proclamação um cumprimento de Apocalipse 13 ou uma representação da “marca da besta”.

“Esta proclamação não é Apocalipse 13”, disse ele, observando que o documento usa linguagem voluntária, como “encorajado” e “pode se reunir”, em vez de coerção ou imposição.

Ainda assim, Burnham sugeriu que o decreto poderia estabelecer um precedente para futuras observâncias religiosas apoiadas pelo governo. “O primeiro passo não é o decreto dominical”, disse ele. “O primeiro passo é o governo federal criar espaço. É abrir espaço para que a observância religiosa seja coordenada em nível nacional.”

Outro ministério independente que se manifestou sobre o assunto foi o Pathway to Paradise Ministries, liderado pelo palestrante e diretor Tim Rumsey. Em outro vídeo no YouTube, Rumsey argumentou de forma semelhante que a proclamação não era uma lei do sábado, uma vez que não previa penalidades legais nem mecanismos de aplicação. No entanto, Rumsey afirmou que a proclamação ainda era significativa, porque criou o que ele descreveu como “um precedente legal” para que futuros presidentes designassem um “sábado nacional ou dia nacional de descanso”.

Rumsey também criticou a descrição do sábado na proclamação como uma “tradição judaica sagrada”, argumentando que o sábado é anterior ao judaísmo e foi “feito para o homem”, fazendo referência à declaração de Jesus nos Evangelhos.

Essas e outras reações on-line refletem o interesse de longa data dos adventistas em questões relacionadas à intervenção do governo na religião. Historicamente, os adventistas têm promovido a liberdade de consciência, ao mesmo tempo que ensinam que o sábado, o sétimo dia da semana, permanece uma instituição bíblica estabelecida na Criação, antes mesmo da existência da nação judaica.

A declaração mais abrangente da Casa Branca focou-se principalmente na história judaico-americana, fazendo referência à carta de 1790 do Presidente George Washington à Congregação Hebraica em Newport, Rhode Island, na qual ele prometia liberdade religiosa e proteção contra a perseguição, bem como esforços contínuos para combater o antissemitismo. Trump afirmou que seu governo estava “combatendo agressivamente a violência contra os judeus americanos” e trabalhando para acabar com “o flagelo do antissemitismo em todas as nossas instituições, especialmente nos campi universitários”. Ele também descreveu a liberdade religiosa como “um direito sagrado que continua a guiar nossa nação”.

Mas, para muitos espectadores online focados em profecias adventistas, a expressão que se destacou foi uma só: “sábado nacional”.

terça-feira, 19 de maio de 2026

CONFLITO DE GERAÇÕES NA IGREJA

O conceito de gerações engloba “o conjunto de pessoas nascidas na mesma época dentro de um espaço de tempo (aproximadamente 25 anos) que vai de uma geração a outra” 
(Minidicionário Aurélio). Cada geração tende a viver conforme os conceitos preestabelecidos pelo mundo que a cerca. Fatores econômicos, sociais, religiosos e culturais, somados aos paradigmas da família, influenciam o comportamento, o estabelecimento de valores e a formação de seus pontos de vista com relação à vida. 

Embora sociologicamente as gerações não possuam um limite fixado pela idade e não exista base cronológica que permita datá-las com exatidão, cientistas sociais viram a necessidade de nomeação das gerações a fim de entendê-las melhor. Em linhas gerais, essa nomeação compreende seis principais gerações:

Tradicionais (até 1945): É a geração que enfrentou uma grande guerra e passou pela Grande Depressão. Com os países arrasados, precisaram reconstruir o mundo e sobreviver. São práticos, dedicados, gostam de hierarquias rígidas, ficam bastante tempo na mesma empresa (organização) e sacrificam-se para alcançar seus objetivos.

Baby Boomers (1946-1964): Inicialmente essa nomenclatura não era uma geração, mas era um termo usado para descrever quem nasceu logo após a Segunda Guerra Mundial, quando houve um grande aumento no número de nascimentos, provavelmente resultado da empolgação dos soldados que voltaram da guerra para seus países de origem. O termo foi usado pela primeira vez em um artigo do Washington Post em 1970. São os filhos do pós-guerra, que romperam padrões e lutaram pela paz. Não conheceram o mundo destruído e puderam pensar em valores pessoais e na boa educação dos filhos. Têm relações de amor e ódio com os superiores, são concentrados e preferem agir em consenso com os outros.

Geração X (1965-1977): Com o nome baseado no livro de Douglas Copeland Geração X: Contos para uma cultura acelerada, essa geração é a herdeira do recomeço experimentado pelos Baby Boomers. Pressionados para serem os melhores, é a geração que experimentou os livros de autoajuda, programas de auto-treinamento e viveram em permanente estado de ansiedade – social, financeira e sexual. Nesse período, as condições materiais do planeta permitiram que os integrantes dessa geração pensassem em qualidade de vida, liberdade no trabalho e nas relações. Com o desenvolvimento das tecnologias de comunicação, tentaram equilibrar vida pessoal e trabalho. Mas, como enfrentaram crises violentas, incluindo a do desemprego na década de 1980, também se tornaram céticos e superprotetores. 

Geração Y ou Millenials (1978-1999): Nascidos e crescendo em meio a um mundo onde a tecnologia digital e a internet se proliferava e se barateava, essa é a geração moldada pela influência high techAlguns, herdando os anseios dos Yuppies, se tornaram bilionários da tecnologia com serviços como redes sociais. O nome Geração Y foi usado primeiro em um artigo de Ad Age, já o termo millennials foi cunhado pelos sociologistas Neil Howe e William Strauss. Confortáveis em compartilhar toda sua vida online, essa é uma geração que experimenta o crescimento da individualidade e da autossuficiência. De modo geral, é a geração onde ser relevante no mundo é vivenciar experiências exclusivas e ser interessante.

Geração Z (2000-2009): Nascidos em meio a um turbilhão político e financeiro, a Geração Z é preocupada com seu dinheiro e em fazer do mundo um lugar melhor. É a primeira geração 100% digital e já nascem em um mundo conectado. Desse modo, se usam da internet e das tecnologias digitais para se tornarem mais inteligentes, seguros e maduros, mesmo muito novos. Costumam ser dispostos a trabalhos voluntários, conscientes da importância da educação e possuem fortes noções éticas e sociais. De modo geral, é a geração que abraça a diversidade absorvida na internet e lidera a mudança ao agir no mundo por meio de ações práticas. 

Geração Alpha (2010-1019): Herdeiros da segurança e das noções éticas da Geração Z, os Alphas vibram em uma energia de transformação como nunca antes. De modo geral, é a geração dos conectados e autossuficientes que não verão mais a tecnologia como algo separado da vida humana. Tudo será tecnologia digital e tudo estará conectado com o resto do mundo.

Geração Beta (a partir de 2020): Suscedendo a geração Alpha, essas crianças estão crescendo totalmente imersas na Inteligência Artificial (IA), em ambientes de realidade virtual/aumentada e em um mundo que enfrenta desafios climáticos e urbanos profundos, e provavelmente serão moldados por sistemas inteligentes e experiências digitais imersivas.

Biblicamente, a duração de uma geração é mutável. O teólogo Alberto Fonseca lembra que, de acordo com Jó 42:16, uma geração era um período de aproximadamente 30 a 40 anos e, em Gênesis 15:16, cerca de 100 anos. Mateus 1 mostra que se tratava de um período de vida humana, independentemente da duração. 

A pedagógica divisão proposta pelos sociólogos e especialistas da atualidade é parâmetro para tentar compreender os valores humanos contemporâneos. Eles afirmam que, em uma família, várias gerações estão presentes: avós, pais, filhos e netos. Isso significa distintas visões de mundo e presença de variados pensamentos, conceitos e valores. E como cada geração tem sua maneira de agir, sentir, pensar e decidir, diversos conflitos acabam aparecendo.

Choque de gerações na Igreja
Nos últimos anos, o choque de gerações, que era mais visível apenas no contexto familiar, passou a ser o grande quebra-cabeças dos especialistas em recursos humanos, especialmente por causa da inserção de um grande número de jovens na faixa etária entre 20 e 30 anos em postos hierarquicamente elevados nas mais diferentes organizações.

O embate de gerações existe não somente na família e no ambiente de trabalho, mas também em toda relação de convivência de pessoas com intervalos diferentes de idade geracional, e isso inclui a igreja, pois ela também é um grupo social composto por pessoas de diferentes segmentos etários. Ela é palco de encontros de famílias e de interações, onde crianças, adolescentes e jovens participam de atividades litúrgicas e diversos outros eventos com seus pais e demais adultos das mais variadas idades. 

Nesse contexto, uma vez que a igreja pode ser classificada como multigeracional, é necessário muito esforço para atender as necessidades de todas as gerações que a compõem. Essa realidade leva a sérias questões: (1) Como atender as necessidades e expectativas de gerações tão diversas? (2) Como promover um clima harmonioso entre elas dentro da igreja? (3) Quais são os principais pontos que devem ser explorados para diminuir as chances de conflitos? (4) Como a comunidade eclesial pode desfrutar melhor do imenso potencial dos jovens sem desvalorizar a experiência dos mais vividos? (5) O que tem contribuído mais para afastar os jovens das gerações anteriores? (6) Como “agradar” os mais idosos que cobram o retorno dos “marcos antigos” e, ao mesmo tempo, como agradar os mais jovens que pedem o avanço das “novas conquistas”? 

Para uma reflexão mais acurada sobre a existência de conflitos de gerações na igreja e a busca de soluções dentro de uma perspectiva cristã, as pedagógicas divisões geracionais propostas por especialistas do comportamento humano serão subdivididas em dois grupos: os mais jovens e os mais idosos. Essa classificação tem a proximidade cronológica de faixas etárias como principal fator de ligação. Assim, o primeiro grupo é formado da geração X para trás. E o segundo grupo, a partir da geração Y. Feita essa divisão, também fica mais fácil garimpar referências bíblicas que mostram, explícita ou implicitamente, a tendente conduta comportamental tanto dos mais idosos quanto dos mais jovens de todas as épocas. 

Os mais idosos
A Bíblia apresenta os mais idosos como símbolo da pessoa repleta de sabedoria e do temor de Deus. Ela também revela que, em momentos decisivos, o conselho de anciãos se reunia para que o melhor caminho fosse procurado e indicado. Há amplo consenso no pensamento de que, quanto mais se vive, mais se acumula experiência. Velhice não é finalização das atividades, tampouco doença, mas uma fase de riqueza em sabedoria armazenada num arquivo vivo que, se for sensatamente “pesquisado”, mostrará como tomar decisões prudentes e como aprender sem dor desnecessária. Os mais idosos têm perdas no aspecto físico, mas, em contrapartida, ganham muito em espiritualidade e sensatez.

Entretanto, como alerta a escritora Orfelina Melo no livro Espiritualidade na Terceira Idade e Melhor Idade, “a soma dos anos por si só não jubila ninguém, mas o bom uso dos seus dias colocados a serviço do próximo é que dá sentido, amadurece e plenifica uma existência”. É preciso saber aceitar, mesmo a contragosto, as mudanças que não sepultam princípios. Aceitar algo novo não significa necessariamente aprová-lo ou reprovar o antigo. Aceitar o novo significa aprender a viver com as mudanças inevitáveis na vida pessoal, no lar, na educação, no trabalho, na igreja e na sociedade em geral. Muitos conflitos de gerações surgem devido à falta dessa capacidade. Portanto, diante de algumas mudanças, esse tipo de conduta é uma das maneiras de viver a linda oração coletiva feita por Moisés (Sl 90:12), na qual, após reconhecer a eficácia do incomparável refúgio encontrado em Deus (v. 1) – Sua eternidade e Seu insuperável poder (v. 2, 3) contrastados com a mortalidade e finitude humana (9, 10) –, ele elucida: “Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio.” 

Talvez outro ponto a ser melhorado em algumas pessoas mais vividas seja a prática da arte de conversar, ou seja, falar com o próximo e ouvi-lo. Não pode haver interação e harmoniosa amizade entre pessoas que não sabem conversar umas com as outras. É preciso perseguir o interminável aprimoramento da prática da comunicação verbal, pois esse é o tipo mais usado nas relações interpessoais.  

Na condição de representante da ala da igreja composta pelos mais idosos, Ellen G. White disse: “Em nossa obra em prol dos jovens, devemos chegar até eles, se os queremos auxiliar. Quando jovens discípulos são vencidos pela tentação, não os tratem os mais experientes com aspereza, nem olhem com indiferença seus esforços. Lembrem-se de que vocês têm manifestado muitas vezes pouca força para resistir ao poder do tentador. Sejam tão pacientes com esses cordeiros do rebanho como gostariam que os outros fossem para com vocês” (Obreiros Evangélicos, p. 209).

Também é preciso não esquecer que há muitas coisas consideradas importantes, mas não fundamentais. Logo, muitos conflitos podem ser evitados com bom senso e tolerância, à medida que se identifica o que é essencial e o que é secundário; ou o que é inegociável e o que é tolerável. Quantas vezes ocorrem brigas por algo que, após pouco tempo, não tem valor nenhum para ninguém? Essa conduta faz parte do preparo para um envelhecimento que não os torne amargos, alienados e fixados em só falar do passado. 

Ter discernimento e sabedoria para desfrutar as conquistas modernas, sem menosprezar a Bíblia como a mais eficaz bússola para um viver sensato, e ter abalizada autocrítica para filtrar aspectos positivos e negativos dos ganhos no mundo atual, é uma das consequências da incessante busca pela vivência do Salmo 71:18: “Não me desampares, pois, ó Deus, até à minha velhice e às cãs; até que eu tenha declarado à presente geração a Tua força e às vindouras o Teu poder.” 

Os mais jovens
Um olhar retrospectivo na História mostra que boa parte das grandes realizações humanas teve pessoas jovens como protagonistas. Atualmente, não é diferente. A juventude é possuidora de grande potencial; sua personalidade é formada em uma época de avanços tecnológicos constantes. Para eles, a tecnologia e a interação digital são tão comuns quanto escovar os dentes. Conseguem se dedicar a muitas atividades simultâneas, gostam de desafios, são rápidos, criativos e usam recursos tecnológicos para criar soluções. 

Mas não basta ter potencial e grande aspiração; também é preciso descobrir o caminho que conduz ao êxito. E todo êxito genuíno e duradouro tem Deus como esteio. Assim como o jovem não compreende a ideia de uma vida longe da comunicação instantânea, deve também ser para ele inconcebível uma vida sem a contínua dependência do Senhor. 

A Bíblia faz muitas referências aos mais jovens. Uma delas diz que eles são fortes quando a Palavra de Deus é mantida no coração deles, e assim podem vencer continuamente o maligno (1Jo 2:14). Eles também são exortados a ser criteriosos em todas as coisas (Tt 2:6). São incentivados a se lembrar do Criador durante a fase da “eterna juventude”, para depois não ter seu sentido e contentamento de viver “deletados” pelas vicissitudes da vida, que geralmente se agigantam na fase adulta (Ec 12:1). Somente observando a Palavra de Deus podem ter seu caminho purificado (Sl 119:9). E, quando guardam os preceitos de Deus, podem ser mais prudentes que os idosos (Sl 119:100).

Mesmo sendo possuidor da constante dificuldade que todo mortal tem de conceder a primazia da vida para o Senhor Jesus Cristo, o jovem cristão geralmente reconhece ser imprescindível o senhorio de Cristo para uma existência humana com sentido e verdadeira realização. Porém, quando o foco é a esfera humana, no que tange à relevância do respeito e à convivência harmoniosa com os mais idosos, geralmente os mais jovens sentem muita dificuldade, pois, em relação a eles, possuem ideias, gostos e estilos antagônicos. Por isso, muitas vezes podem considerar as pessoas mais idosas retrógradas e descartadas. No entanto, pelas lentes da Bíblia, o mais idoso pode ser um portador de valores e de experiências e sua riqueza vivencial pode representar relevante contribuição para as outras gerações. Contundentemente, Pedro exorta os jovens a respeitar os mais idosos quando declara: “Rogo igualmente aos jovens: Sede submissos aos que são mais velhos; outrossim, no trato de uns com os outros, cingi-vos todos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos, contudo, ao humildes concede a Sua graça” (1Pe 5:5). 

Ênio R. Mueller, em seu livro I Pedro: Introdução e Comentário, explica que a expressão “ser submisso” é uma característica do comportamento cristão, a qual consiste na decisão de se postar debaixo da liderança de outros, por amor à ordem e para a prática do bem. Para tanto, é indispensável o revestimento da humildade. O texto usa o termo “cingir” como uma figura para a leal disposição com relação a alguma coisa. Nesse caso, a firme disposição pela humildade. Essa aplicação é relevante para o realce da contraposição e a constante inimizade entre a humildade e a repulsiva soberba feita na segunda parte do verso. 

Essa voluntária submissão evoca três aspectos: (1) equivale a respeitar os mais idosos em respeito a Deus; (2) promove relações interpessoais não conflitantes; (3) reconhece a vantajosa experiência de vida que os mais idosos detêm. Provérbios 15:22 diz: “Onde não há conselho, fracassam os projetos.” 

Na escalada da montanha da existência humana, os que apenas passaram do sopé precisam da experiência dos que já estão mais próximos do cimo, para completar o percurso a contento. Nesse contexto, a Bíblia registra a imprudência do jovem monarca Roboão, quando sucedeu seu pai Salomão. Como novo detentor do cetro do reino israelita, “tomou o rei Roboão conselho com os homens idosos, que estiveram na presença de Salomão, seu pai, quando este ainda vivia, dizendo: ‘Como aconselhais que se responda a este povo?’ Eles lhe disseram: ‘Se te fizeres benigno para com este povo, e lhes agradares, e lhes falares boas palavras, eles se farão teus servos para sempre’” (2Cr 10:6, 7). Com base em 1 Reis 12:9, Ellen G. White explica que, não satisfeito, Roboão se voltou para os jovens que com ele tinham se associado durante sua juventude e maturidade, e inquiriu deles: “Que aconselhais vós, que respondamos a este povo, que me falou, dizendo: Alivia o jugo que teu pai nos impôs?” (Profetas e Reis, p. 89). Os jovens sugeriram que ele tratasse asperamente com os súditos de seu reino, e lhes tornasse claro que desde o princípio ele não admitiria interferência com seus desejos pessoais. Inflado pela perspectiva de exercer suprema autoridade, Roboão determinou desconsiderar o conselho dos homens mais idosos do seu reino, e fazer dos jovens seus conselheiros. Como consequência, a nação foi dividida e a parte norte estabeleceu outro rei para si. 

Via de regra, os mais jovens têm mais energia. Contudo, os mais idosos conhecem melhor o caminho da sensatez, pois o tempo lhes trouxe experiência, e assim têm condição de errar menos. Por essa ótica, é mais coerente o conselho que Paulo deu ao jovem Timóteo (1Tm 5:1, 2) de não repreender asperamente uma pessoa idosa, mesmo quando esta cometesse algum equívoco; ao contrário, ela deveria ser admoestada como pai ou mãe. A atitude de menosprezar as pessoas mais idosas por achar que elas são antiquadas, muito defensivas, incapazes de se comunicar com os mais jovens, contribui para aumentar os conflitos geracionais tanto nas relações familiares, especialmente na prática de seus papéis do lar, quanto nas relações fraternais e funcionais da igreja. 

Construção de pontes entre as gerações
A diferença de idade gera conflitos entre as gerações, pois cada uma delas foi criada em um momento da história que contribuiu distintamente para a construção de sua cosmovisão. Assim, geralmente existem conflitos entre pessoas de diferentes faixas etárias. Mas esses embates podem ser diminuídos se ao menos três aspectos forem considerados.

O primeiro é a efetiva comunicação mutuamente respeitosa. Para Fernando Basto de Ávila, em seu livro Introdução à Sociologia, o reencontro das gerações, no diálogo leal, na redescoberta de valores comuns e na convergência de esforços para um projeto solidário que respeite a colaboração específica de cada uma delas, seria uma sensata forma de superação do conflito. A esse processo de harmonização de diferenças etárias e culturais ele denomina de alternativa processiva. Esse diálogo leal ou mutuamente respeitoso evoca a empatia. Quando todo esforço é feito a fim de entender a posição do outro apenas como uma posição diferente – nem melhor nem pior –, a convivência se torna mais harmoniosa. Mas, para isso, é preciso lembrar que ambos os lados precisam falar e ser ouvidos. Assim, as dissonâncias existentes na comunicação serão minimizadas ou até eliminadas.

O segundo aspecto é o da complementaridade geracional, por meio da qual a compreensão, maturidade e boa vontade aliadas ao tirar proveito do melhor das duas culturas, pela complementaridade de propósitos, valores, conhecimentos e habilidades são as chaves para minimizar o conflito de gerações. Trata-se da tentativa de aproximação da sabedoria dos mais vividos com o dinamismo dos mais jovens. Dentro da dinâmica administrativa e funcional da igreja, essa adição e esse intercâmbio enriquecem os dois lados e presenteiam a comunidade eclesial com ganhos de sábia experiência e força polivalente devidamente canalizadas. Ellen G. White endossa a relevância desse aspecto ao declarar: “Necessita-se de jovens na obra – daqueles que assumam o trabalho com interesse e o executem zelosa e vigorosamente. Mas o Senhor está, e estará sempre, com os idosos e firmes líderes que se mantiveram apegados à verdade em tempos de perigo. Quando o fundamento da fé dos jovens líderes parecer ser varrido, e tombadas as suas casas, será ouvido dos idosos guerreiros um testemunho como aquele de Calebe: ‘Eia! Subamos e possuamos a terra, porque, certamente, prevaleceremos contra ela’ (Nm 13:30)” (Cristo Triunfante, p. 119). Por outro lado, a falta de coexistência leva a uma perda de energia que impacta os resultados de forma negativa. Em suma, essa complementaridade mostra a importância do bom uso das “diferenças” ao buscar os pontos de convergência e identificação, onde e como cada uma poderá contribuir mais e melhor.

O terceiro aspecto é o da unidade cristã como principal evidência da genuína religião. Ele prega que a Bíblia apresenta princípios aplicáveis para a situação em estudo que norteiam o diligente cristão que deseja a postura da integração em vez da deliberada rivalidade. É o caso de Efésios 4:11-16, que primariamente não trata da relação entre diferentes gerações, mas de dons que o Espírito Santo outorga ao corpo de Cristo, visando ao crescimento espiritual e relacional de cada integrante da igreja. Por extensão ou secundariamente, essa unidade pode também ser buscada pelas diferentes gerações como um alvo supremo, pois, para que a igreja avance e alcance unidade (v. 13), maturidade (v. 14), discernimento (v. 14) e perfeição cristã (v. 13 = varonilidade e estatura da plenitude de Cristo), o verso 15 contundentemente orienta que é imprescindível viver em amor autêntico para crescer em todos os aspectos em direção a Cristo. Assim que, vivendo uma relação fraterna em que haja autêntico amor, caracterizado pelo respeito, paciência, humildade, afetos ternos, diálogo, bondade, mansidão e todas as demais marcas do fruto do Espírito Santo (Gl 5:22, 23), não apenas poderá o povo de Deus superar os conflitos entre pessoas e gerações, mas também aprender com eles e uns com os outros. 

A construção da unidade de gerações não é algo facultativo para o cristão, pois a “prova dos nove” do genuíno cristianismo declarada por Jesus diz: “Nisto conhecerão todos que sois Meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros” (Jo 13:35). Logo, não é suficiente gostar apenas das pessoas da mesma faixa etária. Também se faz necessário gostar fraternalmente dos que têm idade, comportamento e concepções diferentes. Essa conduta constrói pontes e não muros de separação e indiferença. Caso contrário, o cristianismo não passará de hipócrita e seletiva religiosidade. 

Conclusão
A igreja é mais que um local em que se realizam atividades litúrgicas. É um grupo social, um lugar de encontro de famílias e de interações reais entre pessoas das mais variadas faixas etárias. Consequentemente, embates de gerações ocorrem entre seus integrantes. Mas a igreja também é uma comunidade de pessoas que foram alcançadas pelo amor divino, transformadas pela graça e instruídas pela Palavra de Deus. Por isso, é o melhor lugar para se aprender ou reaprender as coisas que estimulam a superação dos conflitos entre as gerações. Nela há sempre o incentivo ao companheirismo sadio, ao reconhecimento das diferenças, do valor e da capacidade que o outro tem. 

Quando os mais jovens e os mais idosos, em situações de conflitos, praticam respeitoso diálogo, ouvindo um ao outro sem se colocar na defensiva, e as diferenças são desfocalizadas para se apreciar a riqueza da complementaridade entre cada um dos lados, os embates são dirimidos. Como resultado, a comunidade eclesial usufrui melhor do polivalente potencial dos jovens sem desvalorizar e sem abrir mão da experiência dos mais vividos. Em Cristo, os mais jovens reprimem a conduta de impor o ponto de vista deles em detrimento das orientações e advertências dos mais idosos e os mais idosos não ignoram a dinamicidade dos mais jovens, pois a força jovial aliada à sábia visão dos idosos forma um exército poderoso (Pv 20:29). Afinal, pelas lentes da eternidade, a didática classificação das gerações em Tradicional, Baby Boomer, X, Y, Z, Alpha e Beta proposta pelos cientistas sociais, perde sua aplicação, porque os redimidos pela graça de Cristo, de todas as idades e épocas, formarão uma só geração: a dos salvos. 
 
Ellen G. White conclui: "Como é comovente ver a mocidade e a velhice dependendo uma da outra, o jovem olhando ao idoso quanto aos conselhos e à sabedoria, e o ancião ao adolescente em busca de auxílio e simpatia! Assim é como devia ser" (Mente, Caráter e Personalidade, vol. 2, p. 746).