terça-feira, 18 de agosto de 2026

MEDITAÇÃO #60 - SPLANCHNIZOMAI

Não há nada mais distante da realidade do que a ideia de um Jesus distante da nossa realidade. Imaginar Deus como alguém distante é um dos maiores erros que podemos cometer em nossa vida de fé. Essa concepção equivocada, aliás, gera muitos problemas, como a suposição de que Ele não ouve nossa oração, de que não está conosco, de que os olhos do Senhor não estão atentos a nós, de que estamos sozinhos no mundo, de que o pecado é capaz de surpreender Cristo e montes de outras ideias erradas que assombram milhares de milhares de cristãos. Sabe quando Jesus fica distante de nós e alheio a nossos problemas? Nunca. Jamais. Em nem um único instante de nossa vida. 
“E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos” (Mt 28:20).
E Jesus entende você totalmente. Ele sentiu na pele tudo o que você sente. Ele sentiu na alma tudo o que te machuca. E Jesus está com você, perto. Portanto, o Deus que tudo pode compreende com absoluta clareza o que você está enfrentando e Ele está ao seu lado para auxiliá-lo. Você poderia se perguntar se Deus se identifica com sua humanidade. Sobre isso escreveu Paulo: “… embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens” (Fp 2:6-7). Sim, Deus sabe o que é ser gente.

E aqui entra uma das maiores realidades sobre o Deus que se fez homem: a palavra grega usada em diferentes passagens dos evangelhos para se referir a compaixão é splanchnizomai. É curioso que, na medicina, “esplancnologia” é o estudo das vísceras, das entranhas. Os conceitos têm a mesma raiz. Assim, a compaixão de Jesus por pessoas como eu e você não é comum: Jesus sente a nossa dor em suas entranhas. Como escreveu Max Lucado, Ele “sentiu a deficiência dos mancos, a dor dos enfermos, a solidão do leproso, o constrangimento dos pecadores”. Por isso, quando Jesus encontra pessoas que estão sofrendo, ele sente a dor delas nas próprias entranhas.

Sabe a sua dor? Tenha certeza de que o Cordeiro de Deus a está sentindo no mais íntimo de seu ser divino e humano. Se dói em você, dói nEle. Se te aflige, aflige o Mestre. Sabe o seu abatimento, a decepção, a solidão, o amor-próprio ferido, a falta de paz e tudo mais que você está sentindo? Jesus sente também. Você foi traído? Jesus soltou um gemido. Você foi esquecido? Jesus sofreu. Você foi desamparado? Jesus cerrou os dentes. Você foi agredido? Jesus sentiu o golpe. Doeu? Jesus disse “Ai…”. Isso só ocorre porque Ele sente splanchnizomai. Compaixão. Co-paixão, paixão compartilhada. Ele compartilha sua dor.

Assim que Jesus sente o seu sofrimento, porém, Ele se lembra do Calvário. Recorda-se dos cravos e da coroa de espinhos. E, por fim, lança sobre a cruz toda essa enorme carga de sofrimento – as suas mágoas, tristezas, aflições, decepções. Você tem carregado suas aflições nas costas? Então siga o exemplo do compassivo Deus: lance-as sobre a cruz, pois há dois mil anos ela espera por cada uma de suas dores.
"Que maravilhoso pensamento este, de que Jesus tudo sabe acerca das dores e aflições que sofremos! Em todas as nossas aflições foi Ele aflito. Embora não O vejamos, Jesus vela por nós com terna compaixão; e comove-Se com as percepções de nossas fraquezas. Jesus tomou sobre Si a humanidade e colocou-Se à cabeceira de uma nova dispensação, a fim de que possa reconciliar justiça e compaixão" (Ellen G. White - The Review and Herald, 10 de Junho de 1884).

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

MEDITAÇÃO #59 - SUCESSO

A ginástica rítmica do Brasil fez história neste domingo (16) e conquistou duas inéditas medalhas de ouro no Campeonato Mundial da modalidade, realizado em Frankfurt, na Alemanha. 
O primeiro ouro veio na exibição com cinco bolas, e o segundo, na chamada série mista, em que as atletas se apresentam com três arcos e duas maças.

“Nós aprendemos a acreditar que era possível. Primeiro, sonhamos em estar entre as melhores. Depois, começamos a competir de igual para igual com elas. E hoje estamos no lugar mais alto. Não aconteceu de um dia para o outro. Foram anos de trabalho, erros, acertos, lágrimas, renúncias e muita persistência", celebrou Camila Ferezin, técnica do conjunto.

A jornada até se tornarem campeãs mundiais não foi fácil. Nossas atletas enfrentaram desafios árduos, treinos exaustivos e superaram lesões e adversidades. Esta conquista não representa apenas uma vitória no esporte, mas também simboliza a perseverança e a determinação que todos nós carregamos em nossas próprias vidas.

Ao assistirmos aos nossas ginastas se apresentarem com graça e força, vemos refletida a nossa própria luta diária. Cada movimento perfeitamente executado nos lembra das pequenas e grandes batalhas que enfrentamos. Seja no trabalho, na escola, em casa ou na nossa vida espiritual, estamos constantemente buscando melhorar, superar desafios e alcançar nossos objetivos.

Esse sucesso conquistado nos faz lembrar que, assim como nossas atletas, nunca estamos sozinhos. Trabalhamos em equipe, apoiamos uns aos outros, enfrentamos as dificuldades, mas sabemos principalmente que sem união do poder de Deus com o esforço humano o êxito não será possível. 

Quer você também alcançar sucesso em sua vida assim como as meninas da ginástica rítmica? Basta que você siga estes cinco preciosos conselhos de Ellen White que compartilhamos aqui, para que você alcance êxito em toda a sua vida.

1. “O sucesso em qualquer coisa que empreendamos exige um objetivo definido. Aquele que desejar alcançar o verdadeiro êxito na vida deve conservar firmemente em vista o alvo digno de seus esforços” (Educação, p. 262).

2. "Vocês terão sucesso ao lutarem com perseverança contra dificuldades aparentemente insuperáveis e com o êxito virá a maior alegria” (Olhando para o Alto, p. 110).

3. "Deus dá oportunidades; o sucesso depende do uso que delas se fizer” (Profetas e Reis, p. 486).

4. "A recompensa dada aos que triunfam será proporcional à energia e fervor com que lutaram” (Atos dos Apóstolos, pp. 313 e 314).

5. "Devemos lembrar-nos de que, seja qual for o sucesso que venhamos a ter, a glória e a honra pertencem a Deus; pois toda faculdade e todo poder são uma dádiva de Sua parte” (E Recebereis Poder, p. 260).

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

MEDITAÇÃO #58 - VAZIO

Apesar do “vazio” ser descrito como ausência de algo, no campo da psicologia esta dimensão se define por um sofrimento, um mal-estar e uma profunda tristeza. A frustração pessoal, a dor de uma infância complicada, o fracasso ou mesmo o estresse e a ansiedade podem evoluir para este buraco negro existencial. É um momento banhado de questionamentos sobre a própria existência, sobre seus objetivos, suas próprias características e o rumo que sua vida está levando.

Em Eclesiastes 3:11, Salomão fala de forma enfática que “tudo fez Deus formoso no seu devido tempo; também pôs a eternidade no coração do homem, sem que este possa descobrir as obras que Deus fez desde o princípio até ao fim”. Segundo o texto bíblico, na criação, Deus colocou no coração do homem a eternidade, algo eterno, algo maior do que tudo que pensamos ou fazemos ou planejamos. O que significa isso? Isso quer dizer que, como Deus pôs no coração do homem o anseio pelo infinito, logo as coisas finitas não podem em toda a sua plenitude preencher o coração do homem. Isto é notório na sociedade como um todo. De acordo com as Sagradas Escrituras, fomos feitos à imagem de Deus (Gn 1:26, 27). Temos uma necessidade interna de nos relacionarmos com Deus. Deixar de fazê-lo resulta num vazio do coração humano.

Indubitavelmente, uma “insatisfação divina” permeia a experiência humana, o que nos leva a indagar se existe alguma coisa capaz de satisfazer a busca do homem pela satisfação dos desejos do seu coração. O ser humano está numa constante busca pela realização. Há em nós uma sensação de incompletude. Isto é inegável.

O avanço científico e tecnológico não resolveu, nem resolverá jamais, o problema existencial do ser humano – essa sensação de que sempre há algo faltando, mesmo depois de termos concretizado nossos sonhos. Sempre queremos mais e queremos coisas diferentes. Parece-nos então que nada que seja finito é capaz de satisfazer o profundo anseio que sentimos dentro de nós. Muitos se matam, e muitos outros estão sofrendo de depressão, stress, insônia, alcoolismo. Hoje há fobias de todos os tipos. A ansiedade é um mal generalizado. Isso tudo claramente aponta para um sentimento de vazio no ser humano.

Talvez você também sinta dentro de si esse vazio. Não perca tempo e esforço tentando preenchê-lo com trabalho, estudo, consumismo, sexo, divertimentos, relacionamentos pessoais, viagens. Você poderá conseguir distrair-se por algum tempo, mas quando a sua máquina começar a engasgar e a tossir, por ter usado combustível errado, você vai ter de parar e pensar que a única solução é nEle viver, se mover e existir (At 17:28). A satisfação plena é produto da segurança absoluta e da paz interior que só Deus pode dar. Só um Deus infinito pode preencher, com o Seu amor, o espaço infinito do coração humano. 
"Todas as nossas energias são de Deus; nada podemos fazer independentemente das forças que Ele nos tem dado. Onde está o homem ou mulher ou criança que não seja sustido por Deus? Onde o lugar vazio que o não encha Deus? Onde a necessidade que possa ser suprida por outro que não Deus? (Ellen G. White - A Fé Pela Qual Eu Vivo, p. 57).
Deus nos criou com um vazio e uma escolha - um vazio do tamanho do infinito e uma escolha inevitável. Escolha Deus.

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

MEDITAÇÃO #57 - TELESCÓPIO

O telescópio foi uma das grandes invenções de Galileu Galilei. É intrigante imaginar como um pequeno tubo, combinando um jogo de lentes nos permite enxergar coisas que estão bem além de nossa capacidade imediata de ver. Outro dia li uma história interessante, envolvendo a invenção e o inventor.

Certo dia, num terraço qualquer da cidade de Veneza, Galileu se reuniu com um grupo de homens ao redor de seu estranho invento. Um comerciante que passava por ali, curioso, perguntou: “O que vocês estão olhando aí?” A resposta foi a mais estranha ainda: “Navios... e dois deles estão vindo do sudoeste”. O homem não podia acreditar no que ouvira, já que olhando para o horizonte não podia ver nada além de água e céu. Mas os homens insistiram: “Há sim! Olhe por aqui”.

Fechando um dos olhos, o comerciante olhou através daquele pequeno tubo, e dois grandes navios apareceram diante de seus olhos como que por mágica. “É inacreditável!”, exclamava. Então Galileu o convidou a retornar ali à noite, prometendo lhe mostrar as montanhas e crateras da lua, as quatro luas ao redor de Júpiter e estrelas invisíveis ao olho. Isso pareceu demais ao pobre homem. “Esse tubo é uma invenção satânica pra nos fazer ver coisas que não existem”, disse meio assustado. “Mas você não viu os navios?”, perguntou Galileu. Ao que o homem respondeu: “Sim, mas isso deve ser um truque, pois ainda não podemos vê-los sem o tubo”. “Espere”, foi o conselho do cientista, “e você os verá”... Várias horas depois os dois navios ancoraram no porto de Veneza.

Muitas vezes é preciso fechar os olhos para enxergar além, através da fé. Pela fé podemos ver coisas que olhos comuns não conseguem ver. Pela fé podemos ver anjos à nossa volta em cada momento. Pela fé podemos ver a mão de Deus sobre os caminhos de nossa vida. Pela fé podemos ver Deus respondendo orações, curando feridas, abrindo portas, salvando vidas... podemos ver o céu tocar a terra. Podemos ver milagres de salvação. Pela fé podemos ver Jesus sorrindo. Basta olhar além do que se vê.

Que hoje você consiga ver além do óbvio, além do palpável, além do presente.
"Só o olhar da fé pode enxergar além das coisas do tempo e dos sentidos, para apreciar o valor das riquezas eternas" (Ellen White - Exaltai-O, p. 380).

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

MEDITAÇÃO #56 - RESGATE

Equipes de resgate retiraram com vida uma mulher (foto) de 32 anos dos escombros deixados pelo terremoto de magnitude 7,4 que atingiu a Colômbia na segunda-feira (10). Daniela Largo foi resgatada de um prédio de quatro andares que desabou completamente em Pereira após passar quase 38 horas sob os destroços. O resgate levou dez horas exaustivas. Dezenas de especialistas em resgate e cerca de 50 voluntários trabalharam para chegar até ela, que estava com um dos braços preso por uma porta de metal. A mãe dela, Sandra Milena Perez, celebrou: "Estávamos perdendo a esperança".

É uma história forte, comovente e ao mesmo tempo uma ilustração viva de nosso resgate do pecado. Pense no sofrimento daquela mulher durante as 35 horas em que esperou por uma solução, e você vai entender melhor o sofrimento de Deus, dos anjos e dos mundos não caídos ao contemplar nossa condição e a longa espera pelo momento certo do resgate. 

Apesar de sermos todos pecadores, incapazes de pagar a pena, Jesus morreu por nossos pecados para que não tenhamos que morrer por eles. Ele tomou nosso lugar na cruz para que pudéssemos sair livres. Esse resgate foi quitado plenamente no Calvário. O símbolo do nosso resgate passa pela cruz. Jesus ressuscitou e continua resgatando vidas das trevas para a luz.

Quando o ser humano consegue perceber os escombros nos quais se encontra, finalmente ele se rende ao resgate oferecido por Jesus. Um resgate gracioso e eternamente salvador. Um resgate que envolve o resgatado com o poder do Espírito Santo, a fim de que os perigos e ameaças desta vida não contaminem a ação redentora de Jesus, uma ação que ultrapassou os símbolos e tornou-se realidade por amor a nós.

O mais marcante, porém, é que nosso resgate terá igualmente um final feliz como o de Daniela. Em breve Cristo voltará e nos levará para casa. A segunda vinda de Cristo será o maior resgate da história da Terra. 
"O Senhor voltará em breve, e precisamos estar preparados para encontrá-Lo em paz. Ele virá logo, e devemos estar prontos e aguardando o Seu aparecimento. Oh! quão glorioso será vê-Lo e receber as boas-vindas como remidos Seus! Por muito tempo temos esperado; mas nossa esperança não deve diminuir. Estamo-nos aproximando do tempo em que Cristo virá com poder e grande glória para levar ao lar eterno os Seus resgatados" (Ellen White - Conselhos para a Igreja, p. 365).
Nosso resgate está chegando. Não perca a esperança!

terça-feira, 11 de agosto de 2026

MEDITAÇÃO #55 - INSUPORTÁVEIS

Todos nós conhecemos e convivemos com pessoas insuportáveis dentro da igreja. Gente chata, pedante, mentirosa, enganadora, hipócrita, arrogante, sem noção, inconveniente, deselegante, ofensiva, sem limites, abusada, sem amor, irritante, insubmissa, incompatível… Nossa, são tantos os adjetivos que tornam uma pessoa insuportável que fica até difícil listar todos. Mas elas estão aí, fazem parte da nossa vida, a convivência geralmente é compulsória e não tem jeito: somos obrigados a compartilhar ambientes, conversas, tarefas ou simplesmente a presença delas. A pergunta é: como suportar as pessoas insuportáveis que convivem conosco na igreja?

Nessa hora, como em tudo na vida, temos que voltar nossos olhos para as Sagradas Escrituras em busca de respostas. Porque, se formos agir segundo a nossa carne, simplesmente vamos começar a brigar, ofender, cortar relações e a ter outras reações nada espirituais com relação a essas pessoas insuportáveis. Quando, na verdade, Jesus deseja que nós consigamos conviver com o diferente. 

E, vou te contar um segredo: a esmagadora maioria das pessoas é diferente de você. Logo, insuportável. Dentro da igreja, então, onde todos deveriam ser um amor e agir segundo o exemplo de Cristo, o coeficiente de insuportabilidade é enorme. Que fazer? Deixar de ir à igreja? Fugir da comunhão? Paulo toca no assunto em Efésios 4. Ele diz: “Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados, com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor“.

Repare: de todas as atitudes que o apóstolo poderia nos recomendar ter, ele nos manda logo “suportar uns aos outros“. O segredo é o que Paulo diz logo depois: “suportando-vos uns aos outros em amor“. Amor: essa é a formula mágica. Isso se confirma quando lemos 1 Coríntios 13:7: “O amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta“.

Sim, o amor tudo suporta, inclusive o que é insuportável. Senão não seria “tudo”. “Mas falar de amor é fácil”, alguém poderia argumentar”, “na hora de lidar com a pessoa insuportável quero ver amar de verdade”. Só que esse amor não se restringe a um sentimento fácil. Exige esforço. Exige a consciência de que dele depende a união do Corpo de Cristo. Repare o que o apóstolo Paulo diz em Efésios logo em seguida a “suportando-vos uns aos outros em amor”: “Esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz; há somente um corpo e um Espírito, como também fostes chamados numa só esperança da vossa vocação“.

Deus deseja paz para sua Igreja. Deseja paz para cada membro de seu Corpo. Você certamente sabe quem são os insuportáveis da sua igreja. Ame-os. Suporte-os. Despenda esforços nesse sentido. E faça isso com zelo. Pois essa é a única forma possível de haver unidade na Igreja. Ah, só mais uma coisa: nunca se esqueça de que o insuportável da sua igreja pode ser… você.
"Devemos suportar-nos uns aos outros, lembrados de nossas falhas. É tempo para todos se lançarem à obra, sem se deter para medir exatamente a parte do erro que cabe ao outro, mas cada qual sondando o próprio coração. Somente no coração em que reina o amor é que habitará a paz de Deus" (Ellen White - Mente, Caráter e Personalidade 2, p. 633).

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

MEDITAÇÃO #54 - ACIMA DA POLARIZAÇÃO

A cada dois anos, os brasileiros são chamados às urnas para escolher seus representantes. Há algum tempo, porém, esse exercício de cidadania tem sido marcado pela polarização, cujos reflexos também têm alcançado a igreja. Desde seus primórdios, a Igreja Adventista reconhece a liberdade de consciência e a responsabilidade individual diante do voto, fundamentando essa compreensão não em argumentos políticos, mas em princípios bíblicos. Em tempos como o nosso, convém relembrar cinco deles.

1. Deus é soberano. O desenrolar da história, à luz das profecias bíblicas, revela que, em Sua soberania, Deus “remove reis e estabelece reis” (Daniel 2:21). Ele jamais perde o controle dos eventos mundiais, seja diante de governantes bons ou maus. Faraó, Nabucodonosor e Ciro demonstraram que o Senhor pode cumprir Seus propósitos até por meio de autoridades que não O reconhecem.

2. O povo de Deus tem dupla cidadania. Embora nossa cidadania esteja nos Céus (cf. Filipenses 3:20), o Senhor nos chamou a viver com responsabilidade enquanto peregrinamos na Terra. José, Daniel e Neemias exemplificaram esse princípio: mesmo estando longe de sua pátria, permaneceram fiéis ao Senhor e trabalharam em favor do bem comum. Em sua trajetória, demonstraram o significado da orientação divina: “Procurem a paz da cidade […] e orem por ela ao Senhor; porque na sua paz vocês terão paz” (Jeremias 29:7).

3. A lealdade ao Senhor está acima de qualquer outra autoridade. A Bíblia ensina o povo de Deus a respeitar as autoridades e a ser exemplo de boa conduta (cf. 1 Pedro 2:11-17). Isso, porém, não significa fazer concessões que contrariem os princípios divinos. Sadraque, Mesaque e Abede-Nego recusaram-se a obedecer a uma ordem que violava a lei de Deus. Além disso, demonstraram que sua fidelidade não dependia do livramento ao declarar: “E mesmo que Ele não nos livre, fique sabendo, ó rei, que não prestaremos culto aos seus deuses, nem adoraremos a imagem de ouro que o senhor levantou” (Daniel 3:18).

4. A unidade do povo de Deus está acima das divisões políticas. Ao interceder por Seus discípulos, Cristo suplicou: “Pai santo, guarda-os em Teu nome, que Me deste, para que eles sejam um, assim como Nós somos um” (João 17:11). Alimentar divisões políticas na igreja é contrariar essa oração, enfraquecer o testemunho do evangelho e abrir espaço para a ação do inimigo. Ao chamar Mateus, o publicano, e Simão, o zelote – homens identificados com visões politicamente opostas –, Jesus demonstrou que a comunhão cristã é maior do que qualquer diferença política.

5. O voto deve refletir os valores do reino. Ao exercer esse direito, o cristão deve ser guiado pelos princípios do reino dos Céus. “O que o Senhor pede de você? Que pratique a justiça, ame a misericórdia e ande humildemente com o seu Deus” (Miqueias 6:8). Natã, Elias e João Batista mostraram que a fidelidade ao Senhor não relativiza o pecado nem se curva a projetos de poder. Como povo profético, somos chamados a viver a mesma integridade.

As eleições se aproximam e nos oferecem a oportunidade de testemunhar que nossa confiança não está nos projetos humanos, mas no estabelecimento do reino de Deus. Que nossas escolhas sejam guiadas por princípios bíblicos e nosso testemunho aponte, acima de qualquer polarização, para Cristo, a única esperança do mundo.
"Os que são genuinamente cristãos são ramos da Videira verdadeira, e darão o mesmo fruto que ela. Agirão em harmonia, em comunhão cristã. Não usarão distintivos políticos, mas os de Cristo" (Ellen White - Conselhos para a Igreja, p. 324).

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

MEDITAÇÃO #53 - PAI

"Lembre-se do seu Criador" (Eclesiastes 12:1).

Há alguns estudiosos da Bíblia que interpretam essas palavras de Salomão de um jeito peculiar. Desconsiderando o transcendente, entendem que o conselho do velho sábio é para os filhos - que nunca se esqueçam de seus pais. Isso porque a palavra "criador", no hebraico original, se encontra no plural - criadores. Não é meu interesse discutir a interpretação do texto, embora seja bem clara para mim. Creio que essa leitura "alternativa" como que se perde e se encontra no conselho original - um lembrete que aponta para o Céu.

O tempo passa e esquecemos quem nunca deveria ser esquecido.

Neste próximo domingo, o Brasil assistirá a muitos abraços, churrascos, reencontros. Alguns, é bem verdade, promovidos simplesmente pela conveniência de uma tradição ou pela insistência da propaganda; outros, pela força do sentimento que une corações que bombeiam um mesmo tipo de sangue.

Neste próximo domingo, alguns sorrisos irão se apagar, dando lugar à saudade chorosa. Alguns irão esbarrar na cadeira vazia da mesa de jantar. Outros irão buscar retratos, bilhetes, como se fossem pedaços ainda vivos de alguém que foi e não volta mais.

Neste próximo domingo, alguns irão visitar os arquivos empoeirados da lembrança à procura dos momentos que viveram ao lado do homem a quem chamavam pai. Para o mundo, só mais um homem. Mas para o filho, o maior herói.

Neste próximo domingo, alguns irão lembrar, outros irão preferir esquecer.

Não sei como foi sua infância. Não sei qual é o tipo de temperamento de seu pai. Não sei se o seu domingo será de festa ou de luto, nem se estas linhas foram o lembrete que lhe faltava. Mas tenho uma ideia: você que tem um pai vivo, não seja tolo. Ofereça-lhe um abraço e um lugar especial no coração. Se está longe, pegue o celular, escreva uma mensagem (mas comece agora!), marque uma visita, diga que o ama. Peça perdão, se for preciso. E perdoe... vai ser bom para você.

Se você é um refém da saudade, se já perdeu seu pai... nunca esqueça: o Céu lhe assiste, e lá é a casa de um Deus a quem podemos chamar de pai.

"Deus é nosso Pai, que nos ama e de nós cuida, como filhos Seus que somos" (Ellen White - O Maior Discurso de Cristo, p. 107).

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

MEDITAÇÃO #52 - LONGA DEMORA

"Não retarda o Senhor a Sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrário, Ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento" (2 Pedro 3:9).

Foi em 1755 que ocorreu o primeiro grande sinal do retorno de Jesus, o terremoto predito em Apocalipse 6:12. Então veio o Dia Escuro de 19 de maio de 1780. Em seguida a esse evento, em 1798, a profecia dos 1.260 anos terminou, marcando o início do “tempo do fim”. No dia 13 de novembro de 1833, aconteceu a queda de estrelas conforme descreve o Apocalipse, seguida pelo começo do juízo investigativo em 1844.

Cada uma dessas datas é uma solene lembrança de que a volta de Cristo está bem próxima. Já são passados mais de dois séculos desde o aparecimento dos primeiros sinais.

O que tem acontecido? Ellen White escreveu em 1868: “A manhã é adiada em misericórdia, porque se o Mestre viesse, muitos seriam achados desprevenidos. A recusa de Deus em permitir que Seu povo pereça tem sido a razão de tão longa demora” (Testemunhos Para a Igreja, v. 2, p. 194). Se essa já era uma longa demora em 1868, o que dizer de hoje?

A Nova Bíblia Inglesa traduz o nosso texto desta forma: “Não que o Senhor seja lento em cumprir Sua promessa, como muitos supõem, mas porque Ele é muito paciente convosco, porque não é de Sua vontade que nenhum se perca.” Por causa de Seu grande amor, Deus tem demonstrado uma brandura quase inacreditável. Ele não deseja que você, eu ou qualquer outro venha a se perder.

Décadas após décadas, a tempestade tem sido segurada. Os anjos de Deus têm seus vigilantes olhos sobre o escuro ressoar dos trovões e recusam permitir que os ventos se rompam no furioso alarido do Armagedom. Mas existe um ponto além do qual não pode haver mais demora? Poderia esse ponto ter sido quase atingido? Ellen White conclui: “Cristo aguarda com fremente desejo a manifestação de Si mesmo em Sua igreja. Quando o caráter de Cristo se reproduzir perfeitamente em Seu povo, então Ele virá para reclamá-lo como Seu” (Parábolas de Jesus, p. 69).

Deus nos ajude a estarmos preparados!

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

MEDITAÇÃO #51 - ANSIEDADE

Você já sentiu uma sensação ruim de medo, uma preocupação incomum sobre o futuro e o aumento das batidas do coração a ponto de achar que iria morrer? Esse mal tem nome: ansiedade.

Presente na sociedade desde a aurora da civilização, a ansiedade acompanha o ser humano como parte de sua própria condição pós-pecado. Ela caracteriza nossa estrutura psíquica, já que a vida é precária e não podemos controlar nossas emoções, o ambiente e o futuro. Na busca por transcendência, descobrimos nossa limitação e finitude. Porém, nos últimos anos, com a aceleração do tempo, a desconexão do espaço, a mecanização das tarefas, a fragmentação da comunidade e a desvalorização da vida, o grau de ansiedade aumentou geometricamente. O próprio Cristo profetizou que, no fim, as nações experimentariam pânico por causa dos acontecimentos, e as pessoas, apreensivas, desmaiariam de terror (Lc 21:25-26). Portanto, se você tem sido vítima da ansiedade, não está sozinho.

Há vários tipos de ansiedade que dominam as mentes religiosas e seculares, como a existencial, a inquietude que angustia os que não veem significado na vida, nem propósito na existência; posicional, o desassossego que agita os que buscam popularidade e prestígio a qualquer preço; funcional, o temor exagerado de não ser bom o suficiente para encarar as exigências do mercado; econômica, o pavor de não ter dinheiro para enfrentar as crises financeiras e as carências da vida; cognitiva, a incerteza que intranquiliza os que vivem atribulados pela dúvida; tecnológica, a ambição que impacienta os que trocam de aparelho todo ano e consultam as mídias sociais a cada momento; familiar, o receio que resulta das dificuldades de convivência com o cônjuge ou das preocupações com os filhos; soteriológica, a apreensão que paralisa os que não têm certeza da salvação; tanatológica, o medo que aterroriza os que não estão preparados para a morte e se desesperam diante da possibilidade de separar-se dos queridos; e escatológica, a tensão que domina os que pensam demais sobre o fim do mundo e veem sinais alarmantes em cada notícia de jornal.

No sentido mais profundo, Deus tem a solução para todas essas ansiedades. A Bíblia não fala muito de ansiedade; o conceito de medo é muito mais frequente. Porém, o conselho bíblico é que não devemos andar ansiosos por nada e que lancemos toda a nossa ansiedade sobre Deus, pois Ele cuida de nós (Mt 6:25-34; Fp 4:6; 1Pe 5:7). Várias passagens bíblicas podem ser resumidas numa palavra: relaxe! Não no sentido de não ter responsabilidade nem fazer as coisas malfeitas, mas de confiar em Deus e descansar Nele.

Muitos cristãos vivem assustados e estão aprisionados no círculo sem saída da ansiedade porque veem ameaças em cada esquina. Mas não precisamos temer. A religião deveria reduzir a ansiedade, e não aumentá-la. Em termos coletivos, a igreja já passou por momentos de ansiedade superlativa, em épocas de guerra, perseguição, fanatismo, mornidão e crise, e sobreviveu. Com a ajuda divina, nós também sobreviveremos.

A vivência do evangelho, que inclui a libertação do medo, é o fim da ansiedade. Quem está em Cristo tem tranquilidade de espírito, pois Ele é nossa paz (Mt 11:28-30; Jo 14:27; 16:33; Ef 2:14; Fp 4:7). O amor, personificado por Deus (1Jo 4:8, 18), elimina o medo. Portanto, tranquilize-se! Substitua o medo pelo amor, a dúvida pela confiança e a ansiedade pela paz.
"Como filhos de Deus, é nosso privilégio sempre olhar para cima, mantendo os olhos da fé fixos em Cristo. Enquanto olhamos constantemente para Ele, o resplendor de Sua presença inunda as câmaras da mente. A luz de Cristo no templo da alma proporciona paz. A vida se firma em Deus. Todas as perplexidades e ansiedades são entregues a Jesus. Ele é nossa luz, e vida, e paz e segurança para sempre" (Ellen White - A Fé Pela Qual Eu Vivo, p. 247).

terça-feira, 4 de agosto de 2026

MEDITAÇÃO #50 - IDOLATRIA POLÍTICA

Uma boa definição para a mentalidade da sociedade moderna é o que a Bíblia chama de idolatria, e que os profetas descrevem melhor do que ninguém: fazer um deus sob medida, algo ou alguém que construo com os meus pensamentos, atos e palavras, que venero incondicionalmente e dou um valor absoluto.

Infelizmente, vemos atualmente que um fanatismo inaudito invadiu muitas denominações que se dizem "cristãs", já que não se pode mais chamá-las de "igrejas" visto que funcionam como comitês eleitorais e partidos políticos. Tudo isto aceito com a mais absoluta normalidade. Ellen White adverte: 
"O Senhor quer que Seu povo enterre as questões políticas. Sobre esses assuntos, o silêncio é eloquência. Cristo convida Seus seguidores a chegarem à unidade nos puros princípios evangélicos que são positivamente revelados na Palavra de Deus. Não podemos, com segurança, votar por partidos políticos; pois não sabemos em quem votamos. Não podemos, com segurança, tomar parte em nenhum plano político. Deus emprega as mais vigorosas imagens para mostrar que não deve haver união entre partidos mundanos e aqueles que estão buscando a justiça de Cristo" (Fundamentos da Educação Cristã, pp. 475-476).
A igreja, como instituição, não deve se envolver na política, quando o faz, ela e os seus líderes se tornam vulneráveis a todas as contingências do mundo político. Também serve de alerta os perigos de dar corda aos políticos que se julgam salvadores da pátria. Há líderes e membros de igrejas com uma expectativa ‘messiânica’ que um determinado político canalize automaticamente as bênçãos de Deus sobre o Brasil, resolvendo todos os problemas que nos afligem. Esse messianismo é muito perigoso, para o país e para a igreja.

E o resultado desta idolatria política para a teologia cristã bíblica é catastrófica. Não só Cristo é destituído de seu trono no coração do crente, como a Bíblia e o cristianismo passam a ser usados como meros objetos úteis para a luta política.

Não há mal em defender uma posição política e saber o que está acontecendo no atual cenário. Mas o cristão deve zelar, acima de tudo, por princípios bíblicos. Fazer de ideologias, movimentos e partidos políticos elementos de um evangelho terreno, não passa de idolatria. O cristão foi chamado para proteger a doutrina bíblica e proclamar o evangelho de Jesus Cristo. Ellen White orienta:
"O povo de Deus não deve ter ligação alguma com a idolatria em qualquer de suas formas. Sejam os seres humanos colocados em posição inferior, e que o Senhor seja exaltado! Lembrai-vos de que reinos, nações, reis, estadistas, conselheiros e grandes exércitos terrestres, e toda a magnificência e glória mundanas, são como o pó da balança. Deus tem a fazer um ajuste de contas com todas as nações. Todo reino tem que ser abatido. A autoridade humana deve tornar-se como nada. Cristo é o Rei do mundo, e Seu reino deve ser exaltado" (Fundamentos da Educação Cristã, pp. 481-482).

A redenção não está nessa Terra. Não está em um político ou ideólogo. Não está em um sistema político-econômico. Está em Jesus.

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

MEDITAÇÃO #49 - INDIFERENÇA

"O que tapa o ouvido ao clamor do pobre também clamará e não será ouvido" (Provérbios 21:13).

Outro dia li o interessante trecho acima do diário de Salomão. Não sei porque, mas me veio à mente a palavra indiferença. Para mim, tapar o ouvido ao grito de quem precisa de alguma coisa é uma descrição muito boa para indiferença. E como nós estamos familiarizados com ela. Quem nunca foi tratado ou nunca tratou alguém com indiferença que atire a primeira pedra...

E como são comuns as situações em que as pessoas se afastam umas das outras por mal-entendidos, diferenças de opinião, inveja, receio, etc. e começam a se ver de maneira indiferente. Indiferença... essa para mim é a pior espécie. Viver como se a existência de outrem não fizesse a mínima diferença para você. Isso é muito perigoso. Amanhã você pode estar gritando por ajuda. Para dizer bem a verdade, eu creio que a própria indiferença já seja um grito. A indiferença é o comentário mais desesperado de todos. É o grito de quem quer convencer que pode fazer falta na vida do outro e que a ausência desse outro não dói. É o grito de quem quer atrair a atenção. É o grito de quem se sente inseguro. É um grito covarde. Mas é um grito silente.

Talvez olhando para sua vida você encontre algum grito assim. Se existe algo mal resolvido entre você e alguém - um amigo, um vizinho, um parente ou até mesmo um estranho - não se esconda atrás da indiferença. Procure a tal pessoa e simplesmente converse. Seja sincero. A indiferença é uma doença que corrói o coração.
"Se quereis ser seguidores de Jesus, necessitais cultivar compaixão e simpatia. A indiferença pelos ais da humanidade deve ceder lugar ao interesse vivo nos sofrimentos alheios" (Ellen White - Beneficência Social, p. 26).

Querido leitor, hoje é o dia de repensar suas relações e clarear os cantos escuros da vida. Perdoe. Ande pela vida de bem com Deus e com as pessoas a sua volta.

sexta-feira, 31 de julho de 2026

MEDITAÇÃO #48 - REFUGIADOS

"Ser chamado de refugiado é o oposto de um insulto; é uma insígnia de força, valor e vitória" (
Serviço para Refugiados do Tennesse).

As imagens de milhares de pessoas tentando alcançar a nado o enclave espanhol de Ceuta, no Norte da África, evocam uma das fotografias mais dolorosas das crises de refugiados no Mediterrâneo, a do menino sírio Alan Kurdi, de três anos, encontrado sem vida em uma praia da Turquia, em 2015. Naquele momento, líderes mundiais prometeram que a comoção produziria mudanças. Onze anos depois, o mar entre a Europa, a África e Ásia continua sendo uma vala comum alimentada pela desigualdade, pela ganância, pelas guerras, pela emergência climática e pela indiferença. 

Ao menos 34 pessoas morreram na atual tentativa de entrada em Ceuta. Milhares de seres humanos nadando em direção à Espanha não constituem apenas uma crise migratória. O fracasso não está em quem entrou no mar em busca de futuro. Está no mundo que tornou o mar a única alternativa.

Diante desta triste notícia, lembramos como Jesus experimentou em primeira mão a difícil situação de ser um refugiado. Depois que Maria deu à luz a Jesus em Belém, Mateus 2:13 compartilha que "um anjo do Senhor apareceu a José em sonhos e disse: 'Levanta-te, toma o menino e sua mãe e foge para o Egito. Fica lá até que eu te diga, porque Herodes vai procurar o menino para matá-lo'". A vida precoce de Jesus reflete a dura realidade que inúmeros refugiados enfrentam hoje ao fugir de seus lares em busca de um refúgio seguro para viver em paz.

Quando beneficiamos alguém, demonstramos nosso amor pelo próprio Cristo. “Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me hospedastes” (Mateus 25:35). Que linda oportunidade Deus nos dá para mostrar que assim como Sua misericórdia nos alcança dia após dia, esta se reflete em nós ao termos compaixão pelos sofredores.

Jesus, o personagem que permanece através dos séculos, nos deixou uma grande lição de amor ao próximo: estender nossas mãos aos sofredores, como pontes de consolo e esperança. Não é por acaso que o segundo mandamento, o mais importante da Bíblia, é: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo."

Embora a palavra 'refugiado' não se encontre nas Escrituras, o coração de Deus pelo estrangeiro, o forasteiro e o peregrino é claro, assim como Seu chamado para que Seus seguidores amem ao próximo como a si mesmos. "Ele defende a causa do órfão e da viúva e ama o estrangeiro que reside entre vocês, dando-lhe alimento e roupa. Vocês também devem amar os estrangeiros, pois vocês mesmos foram estrangeiros no Egito" (Deuteronômio 10:18-19).

Na reunião de despedida com os discípulos, Jesus lhes deu uma garantia que ainda hoje aquece o coração de muitos peregrinos: “Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar. E, quando eu for e vos preparar lugar, virei outra vez…” (Jo 14:1-3; grifos acrescentados).

O ACNUR (Agência da ONU para Refugiados) registrou 117,8 milhões de pessoas em situação de deslocamento forçado globalmente até o final de 2025, sendo 41,6 milhões estritamente classificados como refugiados. São pessoas buscando refúgio dentro ou fora de suas fronteiras nacionais. E receosas com um possível aumento desordenado da população, as autoridades de alguns países estão preocupadas com o alto fluxo de imigrantes e estão fechando cada vez mais suas fronteiras, porém, na Canaã celestial há espaço suficiente para todos os refugiados deste mundo.
"Na Bíblia, a herança dos salvos é chamada um país. Há ali casas para os peregrinos da Terra. Estamos em caminho para casa. Aquele que nos amou de tal maneira que morreu por nós, construiu para nós uma cidade. A Nova Jerusalém é o nosso lugar de repouso. Não haverá tristeza na cidade de Deus. Nenhum véu de infortúnio, nenhuma lamentação de esperanças frustradas e afeições sepultadas serão jamais ouvidas" (Ellen White - O Lar Adventista, p. 543).

quinta-feira, 30 de julho de 2026

MEDITAÇÃO #47 - AGORA

"Jesus disse: Eu sou..." (João 11:25).

João é o evangelho dos amigos de Deus. Com palavras simples, o pescador anuncia aos crentes das futuras gerações o efeito milagroso de um relacionamento real com Cristo. Hoje, uma grande lição de um pequeno verso.

Lázaro morreu. A casa dos amigos de Jesus foi visitada pela morte. Maria se trancou no quarto e Marta ficou na beira da estrada, à espera de quem trazia respostas e consolo do Céu.

Jesus chega. E mesmo antes de saudá-Lo, Marta desabafa, num misto de fé e descrença: "Se o Senhor tivesse vindo antes, meu irmão não teria morrido". Ela acreditava no poder de Cristo em realizar milagres. Seus olhos eram testemunhas de curas, libertações - no passado. Mas agora parecia improvável, impossível. Jesus falou de ressurreição, ao que a enlutada reagiu com uma esperança tímida, quase formal. "Eu sei que meu irmão vai ressuscitar no último dia". Ela conhecia as profecias quanto ao futuro. Conhecia o Messias, mas não como Ele desejava ser conhecido. Cristo interrompe o discurso conhecido para anunciar o que talvez ainda não havia sido percebido. "Eu sou a ressurreição e a vida".

Os holofotes são roubados do passado, ou mesmo do futuro. Cristo apresenta a força do seu poder agora. "Eu sou". É presente, é aqui e agora. Cristo tem milagres para agora. Os milagres do passado são história, os do futuro, anúncios de vitória. Os milagres mais reais são os milagres do agora.

Cristo tem poder para mudar gostos e hábitos agora. Tem força para consertar relacionamentos quebrados agora. Tem poder para suprir e consolar agora. Tem respostas sábias agora. Tem perdão agora. Tem novos planos agora. Tem poder para dar sentido à vida agora, pois Ele mesmo é a vida.

E agora? De que milagre você precisa? 

Agora.
"Agora é o tempo em que não podemos nem por um instante desviar de Cristo Jesus os olhos espirituais" (Ellen White - Para Conhecê-Lo, p. 348).

quarta-feira, 29 de julho de 2026

MEDITAÇÃO #46 - DORES DE PARTO

"Pois sabemos que toda a criação geme em conjunto como se sofresse dores de parto até agora" (Romanos 8:22).

Nesta passagem bíblica, Paulo afirma que toda a criação geme e sofre dores de parto devido ao pecado, uma criação prenha prestes a dar à luz a nova Terra profetizada nas Escrituras. O texto retrata o sofrimento do mundo sob a maldição e aponta para a esperança da restauração física e cósmica na segunda vinda de Cristo.

Não há com o que se preocupar em se tratando do futuro da criação. Deus a está conduzindo com Suas habilidosas mãos. Ele mesmo será o obstetra que fará o parto do novo céu e da nova terra, cuja gestação já dura quase dois mil anos, desde que o espírito de Cristo se rendeu na cruz e o seu corpo foi semeado na terra. Em Cristo, terra e céu contraíram núpcias e aguardam ansiosamente a chegada do fruto desta união (Ef 1:10).

Não sabemos ainda quanto tempo falta. Mas pela intensidade das contrações e os intervalos cada vez menores entre elas, pode-se dizer que o parto está mais próximo do que nunca.

O retorno glorioso de Jesus a este planeta coincidirá com o momento do parto. A qualquer momento a bolsa se romperá. Os filhos de Deus se revelarão (Rm 8:19). A glória do Senhor será vista em toda a terra.

Não há como precisar quando se dará isso. De qualquer forma, para os que deixam esta existência, o momento é imediato. Somos removidos da dimensão espaço-temporal, e remetidos como que num túnel do tempo, direto para o mais esperado dia da história, o Dia do Senhor.

Engana-se quem imagina que tal evento será o fim do mundo. Cristo não virá para destruir a Terra, mas para restaurá-la (At 3:21). 
"O grande plano da redenção tem como resultado trazer de novo o mundo ao favor de Deus, de uma maneira completa. Tudo que se perdera pelo pecado é restaurado. Não somente o homem é redimido, mas também a Terra, a fim de ser a eterna habitação dos obedientes. Na restauração final de todas as coisas, quando houver “um novo céu e uma nova Terra” (Apocalipse 21:1), o Éden deverá ele ser restabelecido, mais gloriosamente adornado do que no princípio" (Ellen White - O Lar Adventista, p. 539).
A atual condição da criação não é sua condição final; é antes como uma mãe que geme com as dores de parto. A criação inteira tem um destino planejado por Deus, e deseja ardentemente que seja cumprido, tal como se sucede com os próprios crentes.

terça-feira, 28 de julho de 2026

MEDITAÇÃO #45 - OVELHAS

"O Senhor é meu pastor" (Salmo 23:1).

É mais confortável pensar que com Deus podemos ser como águias (Is 40:31) que renovam suas forças e voam muito alto, ou como pombas (Mt 10:16), que são simples e discretas. Mas... ovelhas?

Em seu poema mais conhecido, Davi se compara a esse animal. Mas a figura romântica criada pela tradição cristã - que pinta bonitos quadros de pastores guiando seus rebanhos - esconde razões mais práticas para a escolha do poeta.

Ovelhas são sujas. Não tem nenhuma noção de higiene. Não se lavam, não se labem, como fazem outros animais. Seu pelo espesso só piora as coisas. Acumula sujeira e preserva um cheiro forte. Ovelhas fedem.

Ovelhas são tolas. Não tem inteligência aguçada. Não aprendem fácil. Alguém já viu ovelhas num circo? Ou algum curso de adestramento de ovelhas? Ovelhas tem visão limitada. São tolas.

Ovelhas são indefesas. Não possuem meios de defesa, tampouco de ataque. Não tem dentes afiados. Não tem garras fortes. Não voam, não correm muito rápido. Não assustam. Não caçam. Precisam de ajuda até para conseguir o próprio alimento. Ovelhas sozinhas se perdem, se ferem. São totalmente indefesas.

O salmo do pastor ganha outro significado para mim quando entendo que sou mais parecido com uma ovelha do que poderia imaginar sozinho.

Somos sujos também. Foi o mesmo Davi quem escreveu que já nascemos manchados pelo pecado (Salmo 51:5), e é assim mesmo. Somos maus, somos sujos. Mas pior que estar sujo, é não poder se limpar. É assim com homens e ovelhas... somos tolos. Nossa visão é curta. Nossos desejos, tortos. Escolhemos mal, mesmo quando o destino é claro. Somos teimosos, questionadores. Somos tolos... e somos indefesos. Nossa vida é frágil. Nosso inimigo, feroz. Nossos caminhos são perigosos. Não temos força. Não temos fé. Sozinhos caímos e sofremos. Somos totalmente indefesos.

Ovelhas e homens precisam de guia, de cura e de guarda - precisam de um pastor.
"De todos os animais, é a ovelha o mais tímido e destituído de elementos de defesa. Como o pastor terrestre conhece as ovelhas, assim o divino Pastor conhece o Seu rebanho, espalhado por todo o mundo. Jesus nos conhece individualmente, e comove-Se ante nossas fraquezas. Conhece-nos a todos por nome. Sabe até a casa em que moramos, o nome de cada um dos moradores. Como o pastor vai adiante das ovelhas, enfrentando primeiro o perigo do caminho, assim faz Jesus com Seu povo" (Ellen White - O Desejado de Todas as Nações, p. 339).

segunda-feira, 27 de julho de 2026

MEDITAÇÃO #44 - DORES

É como se meus olhos pudessem ver os territórios da minha alma sendo invadidos pela dor.

Sinto dores que há muito não sentia. Daquelas que ameaçam o orgulho, a verdade e o plano. Dores que desmantelam a lógica, o tempo e a regra.

Eu que ergui muros altos, que cerquei de cuidados os limites encantados da emoção. Eu que conheço os danos da invasão, o drama e o estrago da rendição. Eu que sou forte, sinto dores. Eu que calei o coro dos valentes, silencio diante do sussurro das dores.

Eu que inventei a analgia, sinto. Eu que entreguei os remédios em troca de vacina, experimento a sina de quem inevitavelmente sente.

Sinto dores.

E sentindo entendi que nessa vida não há beleza livre da dor. Não há sentido inviolável, nem sentimento invariável. É sentindo que se lembra que é com dores o nascimento, com dores o crescimento. É com dores que se ganha e que se perde. É com dores que se paga. É com dores que se espera.

Dor é a herança confusa de quem ainda vive essa vida pequena. É o sintoma da doença. É a sentença da escolha. É algoz e é vigia. Em vez de atestar a ausência do bem, é a prova do efeito do mal. Sem dor não haveria salvação.

Sinto, logo dói.
"E quem pode compreender a dor que sofro senão Aquele que é angustiado em todas as nossas angústias? A quem poderei falar senão Àquele que Se compadece de nossas enfermidades, e que sabe socorrer os que são tentados? Meu coração se dilata para Jesus, em amorosa confiança. Ele sabe o que é melhor para mim" (Ellen G. White - Mensagens Escolhidas 2, p. 237-239).

sexta-feira, 24 de julho de 2026

MEDITAÇÃO #43 - O TEMPO DE ANGÚSTIA

O tempo de angústia é um período de duração desconhecida, mas seguramente breve. Vai do momento em que se pronuncia no Céu o decreto de Apocalipse 22:11 — é o momento em que termina a graça, ou oportunidade de salvação — até o dia da segunda vinda de Cristo. 

Daniel 12:1 refere-se ao começo desse período, dizendo: "Naquele tempo Se levantará Miguel, que é Jesus Cristo". Jesus dá por terminada Sua obra intercessora, despoja-Se de Suas vestiduras sacerdotais, sai do santuário, e enverga o Seu manto real. Nesse momento todas as profecias já se terão cumprido, o evangelho terá sido pregado em todo o mundo, já terá ocorrido a sacudidura bem como o selamento, e a chuva serôdia terá descido. 

Durante o tempo de angústia caem as sete pragas, que castigam terrivelmente os impenitentes, mas nenhum dano causam aos filhos de Deus. Os quatro anjos já terão libertado os ventos das paixões humanas, e grandes calamidades angustiam os homens. As pragas caem sem mistura de misericórdia da parte de Deus e sem a restrição do Seu Espírito, que terá sido retirado da Terra. 

A perseguição, que terá tido começo durante o tempo de graça com a imposição da legislação dominical, chegará a seu máximo grau durante o tempo de angústia com a publicação do decreto de morte. Este, porém, não chegará a materializar-se, porque no vencimento de seu prazo Deus libertará o Seu povo em meio de tremendas manifestações dos elementos da natureza e manifestações pavorosas de Sua ira.  

Sob a sexta e sétima pragas ocorrerá o Armagedom, que acarretará tumultos e derramamento de sangue. Conquanto os fiéis não sofram as pragas, sendo maravilhosamente alimentados, guardados e protegidos, passarão ainda assim por terrível prova: 1) Angústia material, pela perseguição que os obrigará a fugir de todos os centros povoados; 2) angústia mental, pela profunda preocupação que sentem quanto ao perdão de seus pecados. Mas em virtude de haverem feito completa confissão e limpeza do pecado antes de findo o tempo da graça, receberão por fim paz e descanso em meio à confusão e luta. 

Dentro do grande tempo de angústia há um tempo menor incluso, que se denomina ―tempo de angústia de Jacó (Jeremias 30:7). Esse período estende-se da promulgação do decreto de morte — e isto uma vez que as pragas tenham começado a cair — até o libertamento. Só os que tiverem recebido o refrigério e sido selados estarão em condições de passar seguros por essa hora tormentosa, permanecendo em pé para receber com júbilo indescritível ao Senhor Jesus em Sua segunda vinda. 

O tempo de angústia, durante o qual não haverá Mediador nem perdão do pecado, e que já está a ponto de começar, requer séria preparação da vida e do coração. Ellen White alerta: "Oh, quantos vi eu no tempo de angústia sem abrigo! Deveríamos, portanto, estar-nos aproximando mais e mais do Senhor, e achar-nos fervorosamente à procura daquela preparação necessária para nos habilitar a estar em pé na batalha do dia do Senhor. Lembrem todos que Deus é santo, e que unicamente entes santos poderão morar em Sua presença" (Primeiros Escritos, p. 71).

quinta-feira, 23 de julho de 2026

MEDITAÇÃO #42 - IMORALIDADE SEXUAL

"Fujam da imoralidade sexual. Todos os outros pecados que alguém comete são cometidos fora do corpo, mas quem comete imoralidade sexual peca contra o próprio corpo" (1 Coríntios 6:18).

A palavra grega porneia é traduzida no verso acima como imoralidade sexual. Esse termo tem um sentido bem amplo. Porneia é prostituição. Refere-se à utilização de nossa sexualidade além dos laços matrimoniais legítimos. Refere-se também à relação sexual entre solteiros, em geral apresentada como “fornicação”.

O desafio da pureza sexual é aprendermos a honrar a Deus com o corpo. Paulo apresenta nesse capítulo a posição do cristão frente a uma sociedade pervertida, degenerada e corrupta. Por vezes, perdemos de vista quão precioso nosso corpo é para Deus. O cristão é templo do Espírito Santo. Isso significa que devemos viver como Cristo, amar como Cristo e fazer o que Cristo fez. Em outras palavras, o Deus que nos criou e redimiu não nos dá passe livre para fazermos o que quisermos com o corpo um do outro.

Pesquisas recentes indicam que o jovem norte-americano médio, em apenas um ano, vê mais de 14 mil referências ao sexo na TV, sem contar outras mídias. Isso significa que, na década em que sua sexualidade está passando por uma fase definidora (dos 13 aos 23 anos), ele recebe por volta de 100 mil mensagens sobre sexo, e a grande maioria está desassociada do casamento. Além do mais, segundo o livro Sex in Advertising [Sexo na Propaganda], cerca de um quinto de toda a publicidade atual usa conteúdo abertamente sexual para vender seus produtos.

O escritor inglês Oscar Wilde afirmou: “Tudo neste mundo é sobre sexo, exceto o sexo. Sexo é sobre poder.” De fato, o apelo sexual é considerado uma virtude indispensável em nossa sociedade. A capacidade de sedução é uma forma de exercer controle e domínio.

A armadilha é preparada para fisgar você. Primeiro, a cultura atual o bombardeia com informações sexuais constantes; depois, ela diz que você não pode resistir a isso. Mas você não só pode como deve resistir. A purificação da nossa vida é uma obra que somente Cristo pode realizar, porém existe algo que podemos fazer; algo que está no campo da decisão, e que pode ser resumido nas seguintes palavras de Ellen White: “Aqueles que não querem ser presa dos ardis de Satanás devem bem guardar as entradas da alma; devem evitar ler, ver, ou ouvir aquilo que sugira pensamentos impuros” (Patriarcas e Profetas, p. 337).

O verdadeiro poder não está em ceder às paixões, mas em colocar seus impulsos sexuais no altar do Senhor. Seu corpo é santuário do Espírito Santo e, por isso, deve ser um instrumento para glorificar a Deus na Terra. Acompanhe agora este forte alerta de Ellen White: "Foi-me apresentado terrível quadro da condição do mundo. A iniquidade alastra-se por toda parte. A licenciosidade é o pecado especial desta época. Ignorância, amor aos prazeres e hábitos pecaminosos corruptores da alma, do corpo e do espírito enchem o mundo de lepra moral; mortífera malária moral está destruindo milhares e dezenas de milhares. Mas todo cristão devia aprender a conter suas paixões e a deixar-se controlar pelo princípio. A menos que faça isto, é indigno do nome de cristão. Pouco podemos fazer, mas Deus vive e reina, e Ele pode fazer muito" (Lar Adventista, p. 328).

Neste dia, peça a Deus o poder do Céu e olhe para o alto. O desejo de estar na presença de Deus e o esforço para permanecer em Sua presença são a única forma de superar o problema da imoralidade sexual. Em consonância com esse pensamento, Ellen White afirmou: “O coração deve ser renovado pela graça divina, ou será inútil procurar pureza de vida” (Patriarcas e Profetas, p. 336).

MEDITAÇÃO #41 - NÃO OLHE

Os olhos são como luz para o corpo. Por isso Jesus nos alerta sobre a importância dos nossos olhos serem protegidos do mal (Mateus 6:22). Os olhos são órgãos importantes do corpo, mas também podem apontar para aquilo que focalizamos ou que damos mais atenção na vida. Olhar o bem e desviar os olhos da maldade é um alerta bíblico e é importante para não ofuscarmos a luz que habita em nós. A partir da visão, daquilo que escolhemos ver, podemos trazer clareza para dentro de nós ou atrair escuridão e pecado.

A ausência da visão é uma dificuldade grave, mas pior do que a cegueira física é a cegueira espiritual. Jesus abriu a vista a muitos cegos, mas havia muitos que o rejeitaram e não quiseram enxergar a realidade que Ele trouxe para o mundo: a necessidade de voltar os olhos para Deus. Há várias coisas que podem ofuscar a visão e gerar cegueira espiritual. Confira sete coisas na Bíblia e nos escritos de Ellen White para as quais você nunca deve olhar:

1. Não olhe para nada que o faça tropeçar. “E se o seu olho o fizer tropeçar, arranque-o e jogue-o fora. É melhor entrar na vida com um só olho do que, tendo os dois olhos, ser lançado no fogo do inferno” (Mateus 18:9). "Todos os nossos pecados precisam ser renunciados. Toda condescendência acariciada que impeça o progresso espiritual deve ser excluída. Deve ser sacrificado o olho direito se nos fizer tropeçar" (Mensagens aos Jovens, p. 56).

2. Não olhe para coisas inúteis. “Desvia os meus olhos das coisas inúteis; faze-me viver nos caminhos que traçaste” (Salmo 119:37). "Os poderes de Satanás estão a trabalhar para conservar o espírito dos homens alheio às realidades eternas. O inimigo dispôs as coisas de maneira que servissem aos seus propósitos. Atividades mundanas, esportes, as modas da época, diversões e leituras inúteis — são coisas que ocupam o espírito dos homens e corrompem o juízo" (Testemunhos Seletos 3, p. 217).

3. Não olhe para as coisas deste mundo. “Pois tudo o que há no mundo – a cobiça da carne, a cobiça dos olhos e a ostentação dos bens – não provém do Pai, mas do mundo” (1 João 2:16). "Desviai o olhar deste mundo para o eterno. Muitos hoje vivem como se estivessem usando um véu sobre o rosto. Esse véu é a simpatia com práticas e costumes do mundo, que oculta nessas pessoas a glória de Deus. O Senhor deseja que conservemos os nossos olhos fixos nEle, para deixarmos de olhar para as coisas deste mundo. Esforçai-vos por alcançar as coisas a que Deus dá valor, e para cuja obtenção, Cristo deu Sua preciosa vida" (Testemunhos para a Igreja 6, p. 146).

4. Não olhe para trás. “Havendo-os levado fora, disse um deles: Livra-te, salva a tua vida; não olhes para trás, nem pares em toda a campina; foge para o monte, para que não pereças” (Gênesis 19:17). "A esposa de Ló olhou para trás na direção de Sodoma, e, murmurando contra as atitudes de Deus, foi transformada em uma estátua de sal, a fim de que permanecesse como advertência a todos quantos desconsideram as especiais misericórdias e providências do Céu" (Testemunhos para a Igreja 4, p. 111).

5. Não olhe para os outros com desejo. “Vocês ouviram o que foi dito: 'Não cometa adultério.' Mas eu lhes digo: quem olhar para uma mulher e desejar possuí-la já cometeu adultério no seu coração” (Mateus 5:27-29). "É necessário guardar-se contra o cultivo da condescendência com as baixas paixões. Ela não é fruto de pensamentos ou corações santificados" (Testemunhos sobre Conduta Sexual, Adultério e Divórcio, p. 86).

6. Não olhe para você mesmo. "Conservemos os nossos olhos fixos em Jesus, pois é por meio dEle que a nossa fé começa, e é Ele quem a aperfeiçoa" (Hebreus 12:2). "Não devemos olhar para nosso interior em busca de prova de nossa aceitação para com Deus. Aí nada encontraremos senão para nos desanimar. Os que olham para dentro de si mesmos em busca de conforto, fatigar-se-ão e ficarão decepcionados. Nossa única esperança está em olhar a Jesus, Autor e Consumador da fé" (Testemunhos Seletos 2, p. 59).

7. Não olhe para os defeitos dos outros. "Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão, mas não se dá conta da viga que está no seu próprio olho?... Hipócrita, tire primeiro a viga do seu olho, e então você verá claramente para tirar o cisco do olho do seu irmão" (Mateus 7:3-5). "Não continuemos a olhar para qualquer defeito que vejamos. Se nos quisermos apegar devidamente a Deus, precisamos continuar olhando às grandes e preciosas coisas - a pureza, a glória, o poder, a bondade, a afeição, o amor que Deus nos concede. E assim contemplando, nossa mente se fixará nestas coisas de interesse eterno de tal modo que não teremos nenhum desejo de achar defeitos nos outros" (Mente, Caráter e Personalidade 2, p. 789).

Esteja atento! Fixando o olhar em Jesus, o Autor e consumador da nossa fé, precisamos manter os olhos espirituais abertos, olhar para frente e para o alto a fim de enxergar a vida de acordo com a perspectiva de Deus. Os olhos do Senhor estão sobre nós, Ele nos ajuda a olhar a vida de acordo com a Sua vontade!

quarta-feira, 22 de julho de 2026

MEDITAÇÃO #40 - TAPA

"Se alguém bater no seu rosto, ofereça-lhe o outro lado" (Mateus 5:39).

No Sermão do Monte, Jesus apresenta os princípios do Seu reino, bem contrários aos padrões apresentados pelo mundo. Em vez de violência e vingança, o Mestre da vida defende a paz e o perdão. Cada palavra de Jesus é um convite para lançar no chão as armas produzidas pelo orgulho.

Àqueles que foram feridos, Jesus lhes ensina a oferecer a outra face ao inimigo. Por quê? Não seria mais fácil executar justiça e “resolver a situação” na hora, concedendo a devida retaliação? Para o justo Juiz, essa estratégia não funciona, pois só favorece o espírito de ódio. Quem busca a vingança traz prejuízo a si, ao outro e ao mundo. A Bíblia diz: “‘Não por força nem por violência, mas pelo Meu Espírito’, diz o Senhor dos Exércitos” (Zc 4:6).

De acordo com os psicólogos, a violência não nasce da força, mas sim da fraqueza. O indivíduo fraco pensa apenas em si mesmo, fere os outros para se defender e depois foge para se proteger. O homem forte não. Ele é capaz de perdoar e dominar a si mesmo, impedindo que a tragédia da violência se estabeleça em uma relação.

No entanto, Jesus não está dizendo que dar a outra face significa sofrer de forma gratuita ou se expor passivamente diante de qualquer atitude violenta. Nada disso! Cristão não é capacho e muito menos masoquista. Uma coisa é sofrer por causa do evangelho, outra coisa é sofrer sem explicação plausível ou de forma desproporcional. O próprio Jesus questionou o soldado que Lhe bateu no rosto: “Se Eu disse algo de mal, denuncie o mal. Mas se falei a verdade, por que me bateu?” (Jo 18:23). Perceba: Jesus questionou a violência, mas não a revidou.

Os estudiosos dizem que uma bofetada no lado direito do rosto significava um insulto ou injúria. Portanto, dar a outra face significa não revidar na mesma proporção. Se você deseja fazer a vontade de Deus, não alimente o espírito de vingança. Em vez de guerra, busque a paz. Em vez de bate-boca, procure reconciliação. Se tiver que fazer justiça, faça do jeito certo. E lembre-se sempre do conselho bíblico: “A resposta calma desvia a fúria, mas a palavra ríspida desperta a ira” (Pv 15:1).
"Aquele que estiver impregnado do Espírito de Cristo, habita em Cristo. O golpe que lhe é dirigido cai sobre o Salvador, que o circunda com Sua presença. O que quer que lhe aconteça vem de Cristo. Não precisa resistir ao mal, porque Cristo é sua defesa. Nada lhe pode tocar a não ser pela permissão de nosso Senhor; e todas as coisas que são permitidas 'contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus' (Romanos 8:28)" (Ellen White - O Maior Discurso de Cristo, p. 70).

terça-feira, 21 de julho de 2026

MEDITAÇÃO #39 - ANESTÉSICOS

“Curam superficialmente a ferida do meu povo, dizendo: Paz, paz, quando não há paz” (Jeremias 6:14).

Os falsos profetas dos dias de Jeremias encobriam os pecados da nação, e pintavam quadros agradáveis das perspectivas futuras de Judá. Por meio de seus ensinamentos agradáveis e enganosos, esses líderes infiéis embalavam os pecadores num sono fatal. Eles deveriam ter avisado sobre a calamidade iminente e a necessidade de arrependimento, mas, em vez disso, asseguraram que não havia nada a temer. Profetas que anunciam paz e segurança, apesar da transgressão, enquanto Deus declara que o pecado está prestes a recolher seu salário, estão repetindo a primeira mentira satânica falada no jardim do Éden: “É certo que não morrereis” (Gn 3:4).

Ellen White diz: "Quando os raciocínios da filosofia houverem banido o temor dos juízos de Deus; quando ensinadores religiosos estiverem a apontar no futuro para longas eras de paz e prosperidade, e o mundo estiver absorto em sua rotina de negócios e prazeres, plantando e construindo, banqueteando-se e divertindo-se, rejeitando as advertências de Deus e zombando de Seus mensageiros, então é que súbita destruição lhes sobrevirá, e não escaparão" (Patriarcas e Profetas, p. 104).

Vivemos em tempos onde a dor é silenciada com frases prontas. Onde os traumas são cobertos com sorrisos falsos e os gritos da alma abafados por uma espiritualidade apressada e imediatista. Estamos diante de uma geração que chama de “cura” aquilo que é apenas anestesia, que rotula de “paz” o que é apenas fuga, e que aprende a esconder feridas com maquiagem emocional, terapias sem raiz e conselhos que massageiam o ego, mas deixam a alma sangrando por dentro.

Jeremias 6:14 não é apenas uma denúncia profética contra os líderes de Israel, é uma convocação urgente para todos nós. É um clamor contra o tratamento superficial das dores profundas. É como se Deus estivesse dizendo: “Parem de maquiar o câncer da alma com curativos de pano.”

É tempo de rasgar o peito, de abrir a alma, de encarar as dores que temos sufocado por anos, e permitir que Deus vá até o fundo da ferida, não para nos condenar, mas para nos curar de verdade. Este ensino é uma convocação à verdade. Uma convocação à cura de dentro pra fora, com lágrimas, com confrontos, com o Espírito Santo abrindo o que o trauma endureceu, e o que o tempo não curou.

O educador e reformador adventista Edward. A. Sutherland declara: "Uma reforma só será adequada e eficaz se chegar à raiz da doença. Pequenas doses de remédios e emplastros superficiais, que tratam os sintomas e os arranhões, são tão inadequados e inúteis quanto cegos. Eles só “curam superficialmente a ferida do meu povo" (Estudos em Educação Cristã, p. 178).

Não aceitaremos mais curativos em cima de hemorragias. Não aceitaremos mais conselhos frágeis para dores profundas. Queremos cura real. E cura real só vem com verdade, arrependimento, presença de Deus e coragem para encarar o que fomos treinados a esconder. Cristo é a cura real e quem foi curado por Ele, pode até continuar vendo a cicatrizes, mas já não é mais dominado pela ferida. Cristo é a cura eterna. Chega de cura superficial, chega de “anestésicos da alma”. Cristo é o “antibiótico” que destroi a infecção de uma velha natureza.

segunda-feira, 20 de julho de 2026

MEDITAÇÃO #38 - FESTA

"Vai haver mais alegria no céu por um pecador..." (Lucas 15:7).

Não faz muito, ouvi uma das histórias do pregador Tony Campolo. Ele estava no Haiti para alguns compromissos, hospedado num hotel barato, numa rua qualquer. No meio da noite, decidiu sair para comer alguma coisa. Já era tarde, estava tudo fechado. Numa das esquinas, um prostituta. Campolo se aproximou da mulher e começaram a conversar. Não foi difícil descobrir os atalhos para o coração despedaçado da mulher de ninguém. Com voz triste, desabafou: "Amanhã é meu aniversário e, quer saber?... Eu nunca tive uma festa, um bolo, uma vela..." O pregador se despediu e, chegando ao hotel, teve uma ideia.

Falou com a atendente: "Vamos dar uma festa! Compre um bolo. Chame todas as prostitutas da redondeza. Vamos ter uma festa.”

No dia seguinte, às duas da manhã, estavam lá as prostitutas, o bolo e as velas. A aniversariante ficou surpresa, e se sentiu profundamente tocada pelo gesto do homem que a amara sem lhe tocar. Depois de seu discurso silencioso, entre lágrimas, perguntou: "A que igreja você pertence?" A resposta foi: "Eu pertenço à igreja que dá festas de aniversário para prostitutas às duas da manhã."

Eu fico me perguntando se não era essa a religião de Cristo, e a principal acusação que sofria. Era Ele quem conversava com prostitutas, quem comia com pecadores. Era quem tocava leprosos, atendia à meia-noite quem O buscava em secreto. Jesus, o Deus dos aplausos estranhos, da alegria ao avesso, das festas à meia-noite.

A que igreja você pertence?