sexta-feira, 31 de março de 2023

A REVOLUÇÃO DE JESUS

Jesus revolucionou o mundo, mas não da maneira como Seus contemporâneos esperavam. Muitas pessoas ainda esperam o Jesus da revolução social. Já imaginou Jesus organizando uma revolução armada visando à tomada do poder político? Eu não. Consegue vê-Lo propondo um golpe de Estado? Também não. Seria estranho encontrar em Jesus a atitude típica de Barrabás, não é? Logo Ele que declarou categoricamente: “Meu Reino não é deste mundo!” Logo Ele que ensinou os discípulos a pagar impostos e a se submeter ao imperador! Ele ensinou: “Deem a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Mt 22:21).

Justamente por causa disso, Judas achou que Jesus vacilava em não usar o poder que tinha para implantar uma nova ordem social. Sendo assim, Judas bolou um plano para fazer Jesus reagir. “É hora de dar um basta!”, ele pensou. Veja no que deu! Desandou. Assim como Barrabás, Judas era um revolucionário pronto a combater. Jesus não. Não era esse tipo de luta que propunha. A mensagem e a atitude de Jesus transformaram o mundo, mas a filosofia e o método ensinados por Cristo não agradaram os revolucionários beligerantes de Seu tempo tampouco os do nosso. Ainda assim, Ele fez e faz a diferença.

Não são o fervor, o visionarismo e o dinamismo que definem quem é um cristão engajado, mas a disposição humilde e firme para obedecer aos ensinos do Mestre e seguir o exemplo que Ele deixou. Qualquer movimento religioso ou ideológico requer fervor, visão, estratégia e ação. No entanto, só o cristianismo puro e verdadeiro submete tudo isso ao ideal do amor desinteressado expresso na vida do Salvador. Por isso, Paulo, o apóstolo da fé e da coragem, não lutou por um reino terrestre, mas pela pátria celestial (Hb 11:16). Essa luta transforma a nossa vida aqui, mas não se limita a ela. Essa é a revolução de Jesus.

O Reino de Jesus Cristo não é ilustrado por força bruta, poder militar nem capricho humano. Em vez disso, ele é o resultado de uma pequenina semente que encontra terreno fértil na vida de um pecador e o transforma pelo poder do Espírito Santo. Enquanto a glória e poderio dos reinos terrestres perecem com os líderes que os estabeleceram, o poder da revolução efetuada pelo evangelho de Cristo na vida do pecador permanece, fazendo dos que experimentaram o novo nascimento, candidatos ao Reino dos Céus.

Uma das sementes mais preciosas espalhadas por Jesus encontra-se em Seus ensinos no famoso Sermão da Montanha (Mt 5-7). Entre as preciosas lições do Mestre, o sermão também aborda quem devemos ser, o que devemos fazer e como o que fazemos nos ajuda a descobrir quem realmente somos. Nesse sermão, Jesus enfatizou os princípios de Seu Reino, lançando sementes da verdade para transformar a vida de Seus ouvintes.

A  missão  de  Cristo  não  foi  liderar  nenhuma  revolução  política,  apesar  de  ter  apresentado  os  princípios  ideais  para  qualquer  governo  humano.  Tampouco liderou movimentos sociais contra os preconceitos de sua época. Contudo, sua vida foi um exemplo vivo de aceitação e ausência de preconceitos, embora nunca perdesse a oportunidade de, com amor, mostrar às pessoas um caminho melhor para uma  vida  abundante  segundo  a  vontade  de  Deus.  Em  outras  palavras,  Jesus  tratava  todos de maneira igual, era justo para com todos e vivia pensando nos outros, mas não se esquecia de sua missão de salvar do pecado e encaminhar na justiça. Nisso residia o diferencial de Jesus. 

Sua vida de abnegação e ação fez a diferença em seu ministério. Seguindo o exemplo de Jesus, o cristão deveria viver em sua esfera de ação como Jesus  viveu,  demonstrando  amor  desinteressado  e  compromisso  com  o  semelhante.  Tal  postura  trará  mais  benefício  à  humanidade  do  que  tentar  mudar  o  mundo  por  revoluções e movimentos sociais. É dessa forma que o cristão estará andando “como ele  andou”  (1Jo  2:6).  Foi  assim  que  Jesus  manifestou  quem  era  o  Pai.  Se  fizermos  o  mesmo, refletindo o caráter e a missão de Cristo, criaremos um efeito dominó capaz de transformar a sociedade de dentro para fora, assim como Jesus revolucionou o mundo sem nunca ter liderado ou incentivado uma revolução.

quinta-feira, 30 de março de 2023

VAIDADE

Você já deve ter percebido que, com o tempo, nossas palavras vão sendo ressignificadas. É interessante notar que algumas palavras que anteriormente tinham um significado negativo, hoje assumem um teor positivo. Por exemplo, será que a vaidade ainda carrega um significado negativo? Será que o orgulho ainda é considerado o maior dos pecados?

Babilônia
Na arte ocidental, a vaidade é frequentemente representada por um pavão. Na Bíblia, ela é simbolizada por uma prostituta, Babilônia, pesadamente coberta de joias e adornos (ver ao lado). Na alegoria secular, a vaidade é entendida como um dos vícios humanos. Na Renascença, a vaidade foi representada por uma mulher reclinada num sofá, com um espelho, penteando os cabelos. Outros símbolos da vaidade incluem joias, moedas de ouro, uma carteira e frequentemente a figura da própria morte.

Arte de Hyeronymus Bosch
Em sentido bíblico original, a “vaidade” não se referia primariamente à obsessão pela aparência, mas à falta final de significado dos esforços humanos. Omnia Vanitas, tudo é vaidade, tornou-se, contudo, um objeto da arte. Em sua lista dos Sete Pecados Mortais, Hyeronymus Bosch representa a vaidade como uma mulher da burguesia se admirando num espelho, sustentado pelo próprio diabo (ilustração ao lado). Por trás dela, encontra-se uma caixa de joias aberta. A famosa pintura de Vermeer, A Garota com um Brinco de Pérola (ilustração abaixo), também é considerada um símbolo do pecado da vaidade, com uma jovem se adornando diante de um espelho, sem qualquer outro atributo alegórico positivo.

Arte de C. Allan Gilbert
Talvez a mais impressionante peça de arte retratando a vaidade humana seja o quadro de C. Allan Gilbert (ilustração ao lado). Uma bela e bem vestida mulher da nobreza está assentada em seu toucador, repleto de objetos ligados à luxúria, perfumes e cosméticos, iluminada por uma vela à direita. Mas o quadro é no fundo uma ilusão de ótica. Bem observado, ele é uma caveira, que reflete a moça, aparentemente enamorada de sua figura no espelho. No filme O Advogado do Diabo, Satanás, representado por Al Pacino, observa que “a vaidade é seu pecado favorito”.

Arte de Vermeer
Todas essas obras artísticas servem para advertir seus observadores sobre a natureza efêmera da juventude e da beleza, bem como da brevidade da vida humana e da inevitabilidade da morte. Vale lembrar também que os conselhos bíblicos, inclusive os relacionados à vaidade, foram escritos para ambos os sexos. A vaidade está sim impregnada no universo feminino, mas não isenta o masculino em momento algum!

Depois de Salomão mencionar seus grandes feitos e sua busca hedonista pelo prazer, concluiu: “E eis que tudo era vaidade e correr atrás do vento, e nenhum proveito havia debaixo do sol” (Ec 2:11). Nesse verso, ele resumiu o conceito de fugacidade existencial na palavra “vaidade”. O trocadilho é evidente, considerando o fato de que o termo hebraico hevel, traduzido como “vaidade”, significa literalmente “sopro”, “vapor”. Tudo é vaidade porque tudo é transitório, uma concepção materializada na breve e angustiante existência de Abel, cujo nome hebraico também é hevel (ver Gn 4:1-11).

No que você pensa na maior parte do tempo? Uma vez me falaram que este é o seu deus. Se você pensa em moda e beleza na maior parte do tempo, elas são o seu deus. Se você pensa mais que tudo em trabalho, ele é o seu deus. Se você pensa em você mesmo na maior parte do dia, você é o seu próprio deus. Tudo isso é vaidade. Mas se seus pensamentos são dominados primeiramente pelo amor e pela missão, fique feliz: seu deus é o Deus do Céu. E isso não é, nem de longe, como correr atrás do vento.

Os cristãos são convidados a remar contra a maré, a mostrar essa nobreza superior acima das determinações sociais e do espírito da época: “E não vos desvieis; pois seguiríeis as vaidades, que nada aproveitam, e tampouco vos livrarão, porque vaidades são” (1Sm 12:20, ARC). Sabemos que todos os troféus e conquistas humanos, todos os deuses pessoais e sociais não passam de vaidade. O texto bíblico nos diz: “Nossos pais herdaram só mentiras e vaidade, em que não havia proveito. Porventura fará um homem deuses para si, que contudo não são deuses?” (Jr 16:19, 20, ACF).

Se do ponto de vista humano a vida parece fútil, por outro lado, resgatada por Deus, ela pode ter um extraordinário significado, servindo aos Seus propósitos e exaltando Sua glória. A escolha desse significado, somos nós que fazemos.

Veja esta importante advertência de Ellen G. White: "A vaidade e a presunção estão matando a vida espiritual. O eu é exaltado; fala-se sobre o eu. Oh! se morresse esse eu! 'Cada dia morro' (1Co 15:31), disse o apóstolo Paulo. Quando esta orgulhosa, jactanciosa presunção, e esta complacente justiça própria permeiam a alma, não há lugar para Jesus. É-Lhe dado um lugar inferior, ao passo que o eu incha em importância, e enche todo o templo da alma. Eis a razão por que o Senhor pode fazer tão pouco por nós. Quando o eu estiver escondido em Cristo, não será tantas vezes trazido à tona" (Testemunhos Seletos vol. 2, p. 210).

Ao olharmos para nossa sociedade, em uma concorrência de vaidades, vemos que onde há separação de Deus, há a divinização do “eu”. O mundo entrou de tal forma em um fervor de vaidades que pode-se procurar com lupa uma classe nobre que não seja vítima dessa realidade. Parece que todos caíram dentro da mesma fogueira das vaidades.

Qual é a alternativa? Para quem correremos então? Para Deus, o único que pode nos conceder nobreza espiritual e uma vida espiritual capaz de resistir às tentações vaidosas de nosso tempo. Se ouvirmos Sua voz, haverá uma decisão voluntária a favor do que é eterno e uma indiferença diante das vaidades humanas.

quarta-feira, 29 de março de 2023

DÉBORA

"Débora, mulher de Lapidote, era profetisa. Era também juíza dos israelitas naquele tempo" (Juízes 4:4).

Quero convidar você para fazer comigo uma viagem imaginária até a Terra de Israel, na época dos juízes. Vamos conhecer de perto a vida de Débora, mulher de Lapidote, que foi profetisa e juíza naqueles dias. 
Débora, a profetisa, governou Israel durante o reinado de Jabim, um rei cananeu que foi muito cruel para com os filhos de Israel. A vida nas aldeias era dura. O povo era saqueado e fugia para as cidades fortificadas, em busca de proteção. Então o Senhor suscitou Débora, que era como uma amorosa mãe para Israel. Deus enviou por intermédio dela uma mensagem para que Baraque se preparasse para encontrar Sísera, general de Jabim, na batalha. Baraque recusou-se a ir, a menos que Débora fosse com ele. Ela concordou, mas avisou-lhe que, devido à sua falta de fé nas palavras do Senhor, a honra de matar Sísera seria de uma mulher, e não de Baraque. 
Havendo novamente se separado de Deus pela idolatria, os israelitas foram severamente oprimidos por esses inimigos. As propriedades e até a vida do povo estavam em constante perigo. Por isso as aldeias e as habitações isoladas foram abandonadas, e o povo reuniu-se nas cidades muradas. As estradas principais não eram usadas, e as pessoas iam de um lugar para outro por caminhos pouco freqüentados. Nos lugares em que se tirava água, muitos eram assaltados e até assassinados, e para aumentar sua aflição, os israelitas estavam indefesos. Entre quarenta mil homens, não se encontrou uma só espada ou lança. 
Durante vinte anos, os israelitas sofreram sob o jugo do opressor; então eles se voltaram de sua idolatria, e em humildade e arrependimento clamaram ao Senhor por livramento. E não clamaram em vão. Habitava em Israel uma mulher, famosa por sua religiosidade, e por meio dela o Senhor escolheu livrar o Seu povo. Seu nome era Débora. Era conhecida como profetisa, e na ausência dos costumeiros juízes, o povo se dirigia a ela em busca de conselho e justiça. 
O Senhor comunicou a Débora o Seu propósito de destruir os inimigos de Israel, e mandou-a chamar um homem por nome Baraque, da tribo de Naftali, e dar-lhe a conhecer as instruções que recebera. Ela, então, chamou Baraque, e o instruiu a reunir dez mil homens das tribos de Naftali e Zebulom, a fim de guerrear contra o exército do rei Jabim. 
Baraque sabia que os hebreus estavam dispersos, desalentados e desarmados, e conhecia a força e destreza de seus inimigos. Embora tivesse sido escolhido pelo próprio Deus para libertar a Israel, e recebido a garantia de que Deus estaria com ele e subjugaria os seus inimigos, era tímido e receoso. Ele aceitou a mensagem de Débora como sendo a palavra de Deus, mas tinha pouca confiança em Israel, e temia que eles não obedecessem à sua convocação. E recusou envolver-se nesse empreendimento duvidoso a menos que Débora o acompanhasse e apoiasse seus esforços através de sua influência e conselho. Débora consentiu, mas garantiu-lhe que, devido à sua falta de fé, a vitória obtida não traria honra a ele, pois Sísera seria traído às mãos de uma mulher. 
Os israelitas se haviam estabelecido num local fortificado nas montanhas, a fim de aguardar uma oportunidade favorável para atacar. Animado pela certeza dada por Débora de que havia chegado o dia de assinalada vitória, Baraque conduziu seu exército pela planície aberta, e ousadamente investiu contra o inimigo. O Senhor dos Exércitos guerreou por Israel, e nem a destreza bélica nem a superioridade de homens e equipamento pôde resistir-lhes. Os exércitos de Sísera foram tomados de pânico; aterrorizados, buscavam apenas descobrir como escapar. Numerosos guerreiros foram mortos, e a força do exército invasor foi completamente destruída. Os israelitas agiram com coragem e prontidão; mas só Deus poderia ter desbaratado o inimigo, e a vitória podia ser unicamente atribuída a Ele. 
Quando Sísera viu que seu exército fora derrotado, saltou do seu carro e escapou a pé, como um soldado comum. Aproximando-se da tenda de Héber, um dos descendentes de Jetro, o fugitivo foi convidado a encontrar abrigo ali. Na ausência de Héber, Jael, sua esposa, cortesmente ofereceu a Sísera leite para beber e uma oportunidade de repouso, e o exausto general caiu logo no sono. 
Jael, a princípio, ignorava a identidade do hóspede, e resolveu ocultá-lo; mas quando soube, depois, que ele era Sísera, o inimigo de Deus e do Seu povo, mudou de propósito. Enquanto ele jazia adormecido diante dela, Jael dominou sua natural relutância diante de um ato como aquele, e o matou, cravando-lhe uma estaca na fonte, prendendo-o à terra. Quando Baraque, em perseguição ao inimigo, passou por aquele caminho, foi convidado por Jael a contemplar o jactancioso capitão morto, a seus pés — morto pela mão de uma mulher. 
Débora comemorou a vitória de Israel num cântico muito exaltado e sublime. Ela atribuiu a Deus toda a glória do livramento deles, e mandou que o povo O louvasse por Suas obras maravilhosas. Ela conclamou os reis e príncipes das nações ao redor para que ouvissem o que Deus realizara em favor de Israel, e ficassem advertidos quanto a não causar-lhe dano. Ela mostrou que a honra e o poder pertencem a Deus, e não a homens ou a seus ídolos. Descreveu as extraordinárias manifestações da majestade e do poder divino exibidas no Sinai. Expôs perante Israel sua indefesa e aflitiva condição, sob a opressão dos inimigos, e relatou com veemente linguagem a história de sua libertação.
O relato bíblico que temos sobre Débora é um relato de vitória. Mais do que uma vitória contra a opressão sofrida pelo povo de Israel, é um relato da vitória feminina sobre os estigmas. Nós, hoje, olhamos para as mulheres do passado e muitas vezes lamentamos sua condição. Nos esquecemos que condição alguma é barreira para as mulheres serem usadas por Deus.

Deus usou Débora para libertar Israel de uma condição opressora, e ao mesmo tempo usa sua história para nos mostrar que unidas a Ele, as mulheres estarão livres de opressões e estigmas que possam existir sobre elas. Uma mulher nas mãos de Deus é uma mulher valorizada, independente da época em que vive. Uma mulher nas mãos de Deus é mais corajosa que um homem, e é capaz de liderá-lo.

[Ellen G. White - Filhas de Deus, pp. 24-26]

terça-feira, 28 de março de 2023

ELLEN WHITE ASSISTIU AO JN?

As principais chamadas do Jornal Nacional dos últimos dias foram: "Estudante de 13 anos mata professora e fere mais quatro pessoas em escola de SP"; "Governo da Russia volta a ameaçar países ocidentais com conflito nuclear"; "Mulher mata 3 adultos e 3 crianças em escola dos EUA"; "
Conflitos políticos são maior risco para investimentos, mostra pesquisa"; "Primeiro-ministro de Israel recua diante de protestos que se repetem diariamente no país"; "França tem novo dia de protestos contra reforma da Previdência"; "Greve na Alemanha paralisa transportes"; "Flagrantes de roubos de celulares e a sensação de insegurança nas ruas de São Paulo"; "Tentativas de transações fraudulentas aumentaram 92% em 2023"; "Advogados do ex-presidente Bolsonaro entregam joias e armas"; "MP e CNJ investigam juiz Valmir Maurici Júnior, acusado pela mulher de violência física, sexual e psicológica"; "Depressão de adolescentes é hoje mais frequente e tem maior risco de suicídio".

Estamos vivendo em um mundo sem sentido do qual o Espírito Santo vai Se retirando paulatinamente. E há mais de um século, Ellen G. White parece ter assistido aos noticiários de nossos dias. Vejamos o que ela escreveu:

"Vivemos em meio de uma epidemia de crime, diante da qual ficam estupefatos os homens pensantes e tementes a Deus em toda parte. A corrupção que predomina está além da descrição da pena humana. Cada dia traz novas revelações de conflitos políticos, de subornos e fraudes. Cada dia traz seu doloroso registro de violência e ilegalidade, de indiferença aos sofrimentos do próximo, de brutal e diabólica destruição de vidas humanas. Cada dia testifica do aumento da loucura, do assassínio, do suicídio. Quem pode duvidar que instrumentos satânicos se achem em operação entre os homens, numa atividade crescente, para perturbar e corromper a mente, contaminar e destruir o corpo?" (A Ciência do Bom Viver, p. 142).

"Mais e mais claro está se tornando que os habitantes do mundo não estão em harmonia com Deus. Nenhuma teoria científica pode explicar a firme marcha de obreiros iníquos sob o comando de Satanás. Em toda multidão, anjos ímpios estão em operação, instando homens a cometer atos de violência. A perversidade e crueldade dos homens alcançarão tal atitude que Deus Se revelará em Sua majestade. Muito em breve a impiedade do mundo terá atingido seu limite e, como nos dias de Noé, Deus derramará os Seus juízos" (Olhando Para o Alto, Meditações Matinais, 1983, p. 328).

"Foi-me mostrado que o Espírito do Senhor está-Se retirando da Terra. O poder mantenedor de Deus logo será recusado a todos os que continuam desrespeitando os Seus mandamentos. Os relatos de transações fraudulentas, homicídios e crimes de toda a espécie chegam até nós diariamente. A iniquidade está-se tornando uma coisa tão comum que não ofende mais as suscetibilidades como em tempos passados" (Carta 258, 1907).

"Em todo o mundo, as cidades estão se tornando viveiros de vícios. Por toda parte se vê e ouve o que é mau, e encontram-se estimulantes à sensualidade e ao desregramento. Avoluma-se incessantemente a onda da corrupção e do crime. Cada dia oferece um registro de violência: roubos, assassínios, suicídios e crimes inomináveis" (A Ciência do Bom Viver, p. 363).

“O espírito de anarquia está invadindo todas as nações, e as explosões sociais que de tempos em tempos provocam horror ao mundo não são senão indicações dos fogos contidos das paixões e ilegalidades, os quais, havendo escapado à sujeição, encherão a Terra com miséria e ruína. O quadro que a Inspiração nos deu do mundo antediluviano representa mui verdadeiramente a condição a que rapidamente a sociedade moderna caminha. Mesmo agora, no século presente, e nos países que professam ser cristãos, cometem-se crimes diariamente, tão negros e terríveis como aqueles pelos quais os pecadores do velho mundo foram destruídos" (Serviço Cristão, p. 54).

“As condições do mundo mostram que estão iminentes tempos angustiosos. Os jornais diários estão repletos de indícios de um terrível conflito em futuro próximo. Roubos ousados são ocorrência frequente. As greves são comuns. Cometem-se por toda parte furtos e assassínios. Homens possuídos de demônios tiram a vida a homens, mulheres e crianças. Os homens têm-se enchido de vícios, e campeia por toda parte toda espécie de mal” (Testemunhos Seletos, vol. 3, p. 280).

"O Senhor está retirando da Terra Suas restrições e breve haverá morte e destruição, crescente criminalidade. Os que estão sem a proteção de Deus não encontrarão segurança em lugar nenhum nem em posição alguma. Os agentes humanos estão-se preparando e usando sua faculdade inventiva para fazer funcionar o mais poderoso aparelhamento para ferir e matar" (Testimonies, vol. 8, p. 50, 1904).

"Os terríveis relatos que ouvimos de homicídios e roubos, e atos de violência, declaram que o fim de todas as coisas está próximo. Agora, agora mesmo, precisamos estar nos preparando para a segunda vinda do Senhor" (Carta 308, 1907).

"Na grande obra de finalização, nos defrontaremos com perplexidades que não saberemos contornar, mas não nos esqueçamos de que as três grandes potestades do Céu estão atuando, que a divina mão está posta ao leme, e Deus fará cumprir os Seus desígnios" (Evangelismo, p. 65).

Mateus 24:12 diz que “por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de quase todos”, mas no verso 13 encontramos outra fórmula atual: “Aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo”. Resumindo, somos chamados a perseverar em Cristo, nossa única esperança, e que nos prometeu um mundo novo e sem violência. Você pode acreditar.

segunda-feira, 27 de março de 2023

CRISTÃOS DE VIDA DUPLA

Algumas pessoas levam uma vida dupla - uma é a vida pública, considerada "verdadeira", e a outra é a vida escondida, que deve ser mantida em segredo. Entretanto, por que alguns indivíduos se comportam assim? James Harvey Robinson (1863-1936) sugeriu: "O discurso dá ao ser humano um poder único de viver uma vida dupla, na qual se diz uma coisa e faz outra." De modo geral, vidas e discursos duplos normalmente derivam da tendência humana de acobertar comportamentos pecaminosos e imorais. Há muitas maneiras de desenvolver uma vida paralela, escondida.

Charles H. Spurgeon, em seu livro John Ploughman's Talk (Conversa de John Ploughman), traz um capítulo intitulado "Homens com Duas Faces", no qual adverte: "Em alguns homens, só se pode confiar enquanto eles podem ser vistos, e não além, pois novas companhias os transformam em pessoas diferentes. Assim como a água, eles fervem ou congelam de acordo com a temperatura." E acrescenta: "Não são todos que frequentam a igreja ou os cultos que oram de verdade, nem são aqueles que cantam mais alto os que mais louvam a Deus, nem os que mostram as expressões faciais mais chamativas que mais anseiam pelo Senhor." Ellen White diz: "O cristão ‘superficial’ pode não se distinguir agora com facilidade dos verdadeiros cristãos, mas está às portas o momento em que a diferença será evidente" (Um Convite à Diferença, p. 102).

Realmente não sei até que ponto você tende a levar uma vida dupla. Talvez esse não seja seu caso. Mas se você tem permitido que um pecado acariciado corroa sua integridade moral e espiritual, gostaria de convidá-lo a entregar sua vida particular ao Senhor hoje, pedindo-lhe forças para vencer suas fraquezas. Se possível, busque aconselhamento pastoral. Ellen White adverte: "Há grande necessidade de íntimo exame de consciência à luz da Palavra de Deus. Que cada um faça a pergunta: 'Sou correto, ou corrupto de coração? Estou renascido em Cristo, ou tenho ainda coração carnal, com nova roupagem exterior?' Detenham-se no grande tribunal, e à luz de Deus verifiquem se há algum pecado secreto que estão acariciando" (Testemunhos para a Igreja 2, p. 144).

Na vida espiritual, não há nada pior que a falta de autenticidade e compromisso. Não dá para cantar na igreja de manhã e frequentar a balada de noite. Não dá para meditar na Palavra de Deus ao acordar e gastar tempo com leituras ou imagens impróprias antes de dormir. Não dá para bendizer as obras de Deus com a mesma língua que usamos para amaldiçoar a vida daqueles que odiamos, sabendo que, apesar de tudo, Deus os ama. Isso gera uma dissonância cognitiva que o inimigo de Deus usará para nos derrubar.

Foi isso o que ocorreu com Pedro. O ponto fraco dele era o amor exagerado à pátria. Pedro era uma pessoa disposta a combater ainda que tivesse que usar as armas. No Getsêmani, ele sacou a espada para defender Jesus dos guardas do templo e dos soldados romanos. Pedro era incapaz de entender que a missão de Cristo não era livrar a nação judaica do domínio romano, mas libertar o mundo inteiro da escravidão do pecado. Isso fez dele um instrumento do mal para tentar desviar Jesus da vontade de Deus.

É assim que nos tornamos pedra de tropeço: quando o amor que temos por nossas ideias supera o amor a Deus; quando nossa mornidão se torna uma censura àqueles que são mais fervorosos que nós; quando usamos experiência, títulos, prestígio e oportunidades para, de maneira dissimulada, desfazer de quem discorda de nós, mesmo sabendo que, no fundo, poderiam estar certos. Comportamo-nos como “agentes duplos”: combatemos aqueles que deveríamos considerar aliados, da mesma forma como Pedro se opôs a Jesus em vez de se submeter e se unir a Ele.

Conta-se que certo homem de meia-idade tinha duas mulheres: uma jovem e outra bem mais velha. Quando estava com a jovem, ela arrancava os cabelos brancos dele, para que parecesse ter menos idade. Quando, porém, estava com a mais velha, ela lhe arrancava os cabelos pretos, para que ele aparentasse ser mais velho. Como resultado, o homem ficou careca! O fundo moral dessa parábola também pode ser aplicado a nós: Nenhum cristão verdadeiro deve manter uma vida dupla. Pedro demorou, mas entendeu isso. Ele finalmente se arrependeu e se entregou de corpo e alma ao Salvador. E você? O que fará?

O conselho inspirado para hoje é: "Aproximem-se de Deus, e Ele se aproximará de vocês! Pecadores, limpem as mãos, e vocês, que têm a mente dividida, purifiquem o coração" (Tiago 4:8, NVI). O Senhor é capaz de trazer consistência a suas tendências inconsistentes, para que sua vida particular entre em plena harmonia com sua imagem pública. O preço que você pagará ao abrir mão de seus pecados não é nada em comparação à paz de espírito que irá ganhar!

Finalizo com este alerta de Ellen White: "Cuidado com os adiamentos! Não deixe para depois a decisão de abandonar seus pecados e buscar a pureza de coração através de Jesus. É nesse ponto que milhares têm errado, e se perderão para sempre. O pecado, por menor que possa parecer, implica risco de perda da vida eterna. Aquilo que não vencermos acabará por nos vencer, e causará a nossa destruição" (Caminho a Cristo, p. 22).

Portanto... viver uma vida dupla vai levá-lo a lugar nenhum duas vezes mais depressa.

sexta-feira, 24 de março de 2023

COMO CONHECER A VONTADE DE DEUS?

“Preciso tomar uma decisão importante. Como decidir com sabedoria? Como saber qual a vontade de Deus para minha vida?”

Existem sete passos que poderão revelar a você a vontade de Deus para sua vida:

1º passo: a vontade de Deus e a minha vontade
Confiar tão plenamente em Deus a ponto de acreditar que a vontade de dEle é melhor do que a minha vontade. É aceitar que Seu plano é melhor que o meu plano. Você se lembra das palavras de Jesus no Getsêmani? “Pai, se possível, passa de mim este cálice sem que eu beba, todavia não se faça a minha vontade, mas a Tua” (Lucas 22:42). Jesus sentia o peso dos pecados da humanidade sobre Seus ombros. Ele temeu aquele momento e pediu a Deus que, “se possível”, Ele não gostaria de morrer, mas em seguida disse: “Faça-se a Tua vontade!” Uma coisa é concordar com Deus quando a vontade dEle e a nossa coincidem. Mas e quando a vontade de Deus é totalmente oposta à nossa? Há uma luta entre a nossa vontade e a vontade de Deus. Muitas vezes agimos como se Deus fosse um gênio da lâmpada mágica e esperamos que diga “sim” para todos os nossos desejos.

2º passo: oração
Alguns dizem: – “Ah, eu não tenho vontade, e como não sou hipócrita, então não oro!” Se você não está com vontade de orar, então diga isto para Deus! Você pode dizer: – “Olha, Senhor, hoje não estou nenhum pouco a fim de orar! Ultimamente estou achando que o Senhor não liga a mínima para a minha vida!”

Isto foi uma oração? Sim! Orar é falar com Deus e abrir o coração a Ele como a um amigo. 1 Pedro 5:7 diz: “Lançando sobre ele toda a nossa ansiedade porque ele tem cuidado de nós.” Sabe o que isso quer dizer? Deus é o ombro amigo no qual você pode desabafar!

Algumas pessoas complicam muito esse negócio de se relacionar com Deus. Oração? É conversar com Deus. Fé? É confiar em Deus. Mas como ter fé? Como confiar em alguém que você não conhece? Para muitos, Deus é um ilustre desconhecido, com quem não se gasta quase nenhum tempo. Comunhão? É passar tempo falando com Deus e ouvindo Suas respostas, como você faria com o seu amigo.

Fale com Deus em oração. Ouça Suas respostas pela Bíblia. Passe tempo com Ele. Faça dEle seu confidente, seu consultor. O próprio Cristo sempre consultava o Pai em tudo. Ore: – “Senhor, faça a Sua vontade na minha vida!”

3º passo: estudar a Palavra de Deus
Se você quer conhecer a Vontade de Deus será necessário conhecê-Lo. E só na Bíblia você vai saber como Ele age, como Se revela. Existe uma grande diferença entre conhecer a respeito de Deus e conhecer a Deus. Ao ler a Bíblia tenha sempre dois objetivos:

a) Informar-se (estudando).
Algumas pessoas começam a leitura da Bíblia pelos primeiros livros e se cansam logo, pois existem muitas genealogias. Essas partes não são para meditação e leitura, mas para serem estudadas. E para que estudar isso? Bem, você lê a história dos espias de Israel que foram protegidos por uma prostituta chamada Raabe; estuda a bonita história de Rute, que mesmo não sendo judia decidiu seguir o Deus da Bíblia; então, estudando as genealogias, descobre que Jesus foi descendente tanto de Rute, como de Raabe. Isso nos leva a pensar: “Puxa, se o Filho de Deus tem em sua linhagem gente tão simples, então não importa de onde eu vim, pois Deus poderá me usar como sou!”

b) Ouvir a voz de Deus (meditando e aplicando em sua vida).
A leitura da Bíblia lhe ensinará a conhecer a vontade geral de Deus para todas as pessoas. Muita gente toma decisões erradas por não conhecer essa vontade já revelada. O que está revelado não precisa ser mais revelado! Devemos ler a Bíblia para ter sabedoria. Para tomar qualquer decisão é preciso sabedoria, e como diz a Bíblia em Tiago 1:5: “Se você tem falta de sabedoria peça a Deus. Que a todos dá liberalmente” e em Provérbios 3:13: “Bem aventurado o homem que acha a sabedoria, e o homem que adquire o conhecimento”. Deus promete entrar em contato conosco: “Instruir-te-ei, e ensinar-te-ei o caminho que deves seguir, guiar-te-ei com os meus olhos” (Salmo 32:8). Se você fizer da leitura da Bíblia um hábito, logo notará muita diferença em sua vida.

4º passo: Não guie-se pelos sentimentos
Cuidado! Você poderá ser enganado pelos seus sentimentos! Provérbios 16:25, diz: “Há caminhos que parecem direitos, mas o seu fim são caminhos da morte”. A Bíblia está repleta de exemplos de pessoas que começaram bem, mas depois tomaram decisões baseadas apenas na vontade própria e falharam.

5º passo: ouça os conselheiros de Deus (familiares, amigos, líderes religiosos, etc.).
Em Provérbios 11:14 lemos: “na multidão dos conselheiros há segurança”. Mas cuidado! Muitas pessoas pagam para receber conselhos de pessoas que não creem em Deus e não têm relacionamento com Ele. Procure o conselho de pessoas que conhecem a Deus e se relacionem com Ele no dia-a-dia. “Bem aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores” (Salmos 1:1). No entanto, cuide para não ser parte de um outro grupo de pessoas que nunca aceitam conselhos de ninguém.

Moisés estava com o povo no meio do deserto e recebeu a visita de seu sogro. O velho e experiente Jetro viu a maneira como Moisés cuidava das questões do povo, como administrava tudo, e ao ver isso, se espantou. Moisés tinha uma administração tão centralizada que fazia com que ele trabalhasse demais! Jetro chamou então Moisés de lado e disse: “Não é bom o que fazes, logo desfalecerás, ouça a minha voz, e eu te aconselharei” (Êxodo 18:17). Moisés então ouviu o conselho do experiente Jetro e colocou líderes entre o povo, chefes de mil, de cem, de dez, e a partir daí as coisas foram muito melhores. Através de Moisés vemos que Deus pode usar pessoas próximas de nós para nos orientar. Podem ser nossos parentes, amigos, etc.

6º passo: examine a providência de Deus
O que é providência? É a sabedoria com que Deus conduz todas as coisas. Veja o plano de Deus como um quebra-cabeça: cheio de peças que com o tempo vão se encaixando e formando um painel que vai se ampliando. Como diz Davi no Salmo 103:2: “Bendize, oh minha alma ao Senhor e não te esqueças de nenhum dos seus benefícios”. Faça uma retrospectiva de sua vida, de como só depois você pôde ver como Deus guiou sua vida sem que você percebesse. Faça isso e você vai perceber para onde Deus está lhe levando. Lembra-se de Abraão? Gênesis 12:1: “Ora o Senhor disse a Abraão: Sai da tua terra, da tua parentela, e da casa de teu pai e vá para a terra que eu te mostrarei”. Viu só? A ordem do Senhor foi por etapas. Primeiro, sai daqui para o lugar que eu lhe mostrarei; e o Senhor foi conduzindo sua vida. Foi assim também com o povo de Israel ao sair do Egito. Observe que isso é quase uma regra na vida dos personagens bíblicos. Com Deus é assim! Nunca entendemos o que acontece em nossa vida na hora em que tudo acontece. Mas podemos ter certeza de que Deus é sábio demais para cuidar de tudo. Pronto, agora você já tem base para tomar uma decisão. Passou pelos seis passos:

1º colocou de lado a vontade própria
2º orou
3º estudou a Palavra de Deus
4º deixou de lado os seus sentimentos
5º aconselhou-se com algumas pessoas
6º viu a providência de Deus dirigindo sua vida.

Então, o 7º passo é: tome uma decisão. A Bíblia está cheia de convites para a decisão. Josué 24:15 diz: “Escolhei hoje a quem sirvais”. Elias, em 1 Reis 18:21, disse ao povo: “Até quando coxeareis entre dois pensamentos: Se o Senhor é Deus, segui-o; se é Baal segui-o”.

Convide a Deus para continuar no comando da sua vida. Peça a Ele para não deixar você se afastar do plano dEle para a sua vida. Sabe, conhecer a vontade de Deus não basta. É preciso ir além. A Bíblia diz: “Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nEle e Ele tudo fará” (Salmos 37:5). Use esse principio na sua vida. Que Deus lhe abençoe ricamente!

quinta-feira, 23 de março de 2023

OS FILHOS DE DEUS, AS FILHAS DOS HOMENS E OS GIGANTES

"Quando as pessoas começaram a se espalhar pela terra e tiveram filhas, os filhos de Deus viram que essas mulheres eram muito bonitas. Então escolheram as que eles quiseram e casaram com elas. [...] Havia gigantes na terra naquele tempo e também depois, quando os filhos de Deus tiveram relações com as filhas dos homens e estas lhes deram filhos. Esses gigantes foram os heróis dos tempos antigos, homens famosos" (Gênesis 6:1-4).

A expressão “filhas dos homens” é o feminino de “filhos dos homens”, termo que aparece ao longo do Antigo Testamento sempre em referência a seres humanos, sejam eles ímpios ou justos (Gn 11:5; Sl 21:10; 36:7; 90:3; 107:8, 21, 31; 145:12; Pv 8:4; Ec 3:10, 21). No entanto, essas “filhas dos homens” deveriam ser descrentes em Deus, descendentes de Caim (Comentário Bíblico Adventista, v. 1, p. 237, 238), visto que o casamento delas com os “filhos de Deus” é relatado como algo negativo, que contribuiu para a corrupção dos seres humanos e seu consequente aniquilamento pelas águas do dilúvio. Afirma Ellen G. White: Os casamentos profanos dos filhos de Deus com as filhas dos homens deram em resultado a apostasia que terminou com a destruição do mundo pelo dilúvio" (Testemunhos para a Igreja 5, p. 93).

Mas o que dizer da expressão “filhos de Deus”? Antigos comentaristas judeus, além dos chamados pais da igreja e muitos expositores modernos, interpretam esses “filhos” como sendo anjos, comparando-os com os “filhos de Deus”, mencionados em Jó 1:6, 2:1 e 38:7. Esse ponto de vista deve ser rejeitado porque a punição que logo sobreviria era pelos pecados dos seres humanos (ver v. 3) e não dos anjos. Além disso, segundo Mateus 22:30, anjos não se casam (Comentário Bíblico Adventista, v. 1, p. 237, 238).

Assim, uma vez que os “filhos de Deus” se casaram, então essa expressão deve excluir os anjos, mas deve se referir aos homens da linhagem de Sete (Gn 4:25), sendo que, com o nascimento de seu filho Enos, “se começou a invocar o nome do Senhor” (4:26). É interessante ver como Deus considera os que lhe obedecem como seus filhos: “Filhos sois do Senhor, vosso Deus” (Dt 14:1), “Trazei meus filhos de longe e minhas filhas das extremidades da Terra” (Is 43:6), “Não temos nós todos o mesmo Pai? Não nos criou o mesmo Deus?” (Ml 2:10).

Esses descendentes de Sete, que “invocavam o nome do Senhor”, devem ser vistos como os “filhos de Deus”, que acabaram se casando com as “filhas dos homens”, descendentes de Caim, e os seres humanos se tornaram tão corrompidos e violentos que Deus teve que destruí-los no dilúvio. Diz Ellen G. White: "Os descendentes de Sete foram chamados filhos de Deus; os descendentes de Caim, filhos dos homens. Como os filhos de Deus se misturassem com os filhos dos homens, tornaram-se corruptos e, pela união em casamento com eles, perderam, mediante a influência de suas esposas, seu peculiar e santo caráter, e uniram-se com os filhos de Caim em sua idolatria. Muitos puseram de lado o temor de Deus e pisaram Seus mandamentos. Mas havia uns poucos que praticavam a justiça, que temiam e honravam o seu Criador. Noé e sua família estavam entre estes poucos justos" (História da Redenção, p. 62).

Quanto aos gigantes (nefilim) que havia na Terra (Gn 6:4), deve-se pensar primeiramente nos gigantes físicos, pessoas de alta estatura, mas também em gigantes intelectuais, como eram as pessoas antediluvianas. Lamentavelmente não foram gigantes espirituais. Como não usaram para o bem seus dotes físicos e mentais, acabaram se tornando gigantes na maldade (6:5), sendo afinal destruídos pelo dilúvio. Diz Ellen G. White: "Naqueles dias os seres humanos eram de grande estatura. Por regra geral, os antediluvianos estavam dotados de grande vigor físico e mental. Esses indivíduos, renomados por sua sabedoria e habilidade, persistentemente consagravam suas faculdades intelectuais e físicas para complacência de seu próprio orgulho e prazeres e na opressão de seus próximos" (Patriarcas e Profetas, pp. 67, 70, 78).

As lições que ficam do relato do casamento dos “filhos de Deus” com as “filhas dos homens” são: (1) que o “jugo desigual” é sempre danoso para o casamento e para os filhos que dele resultarem; por isso, ele é condenado pela Bíblia (2Co 6:14, 15); e (2) que a beleza física não é o fator mais importante na escolha do cônjuge. Os “filhos de Deus” viram “que as filhas dos homens eram formosas, tomaram para si [...] as que, entre todas, mais lhes agradaram” (Gn 6:2). Eles não levaram em conta o caráter dessas “filhas dos homens”. E o resultado foi a apostasia deles e de sua descendência.

Essas lições precisam ser aprendidas por todos, especialmente por aqueles que pretendem se casar. A história dos casamentos dos antediluvianos está na Bíblia como um alerta sobre a importância da fé e da piedade como características essenciais nos relacionamentos conjugais. Adverte Ellen G. White: "Pessoa alguma que tema a Deus, pode, sem perigo, ligar-se a outra que O não tema. 'Andarão dois juntos, se não estiverem de acordo?' (Amós 3:3). A felicidade e prosperidade da relação matrimonial dependem da unidade dos cônjuges; mas entre o crente e o incrédulo há uma diferença radical de gostos, inclinações e propósitos. Estão a servir dois senhores, entre os quais não pode haver acordo. Por mais puros e corretos que sejam os princípios de um, a influência de um companheiro ou companheira incrédula terá uma tendência para afastar de Deus. Mas o casamento de cristãos com ímpios é proibido na Bíblia. A instrução do Senhor é: 'Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis' (2 Coríntios 6:14)" (Patriarcas e Profetas, pp. 174, 175).

Ilustração: Norandino and Lucina Discovered by the Ogre do pintor Giovanni Lanfranco

quarta-feira, 22 de março de 2023

VISITA PASTORAL

De acordo com as Escrituras, aconteceram coisas emocionantes quando Jesus, os profetas e os discípulos visitaram as casas das pessoas. A sogra de Pedro foi curada de uma enfermidade (Lc 4:38,39), o filho da mulher sunamita e a filha de Jairo foram ressuscitados (2Rs 4; Mc 5), Zaqueu confessou seus pecados e restituiu o que não era seu (Lc 19:1-10), Jesus descansou na casa de Marta (Lc 10:38-42), o carcereiro de Filipos e sua família foram convertidos (At 16:25-40), os primeiros crentes adoravam com Paulo no lar de Priscila (Rm 16:3-5) e os coletores comeram com Jesus na casa de Mateus (Mt 9:10-13). [...]

Mas e quanto a prática da visita pastoral? Essa, infelizmente, tem sido negligenciada atualmente. No entanto, essa não é uma dificuldade exclusiva da Igreja Adventista ao redor do mundo. Falando de seus colegas, Matt Ward, pastor batista nos Estados Unidos, lamenta: “Conheço pastores que nunca vão a um hospital ou chegam à porta da casa de algum membro da sua igreja”. Não seria o momento de reconsiderarmos os benefícios dessa tarefa ministerial e reavivar essa ferramenta tão valiosa no contexto religioso?

A visitação pastoral cria oportunidades para construir uma ligação entre os membros e o pastor. Ela é tão importante quanto o chamado para o ministério. Estar com as pessoas é o coração das responsabilidades do líder religioso (1Pe 5:2) e contatos frequentes tornam o ministério mais efetivo. Adverte Ellen G. White: "Os ministros de Cristo devem sentir ser seu dever obrigatório deixarem uma bênção com a família procurando encorajar e fortalecer seus membros. Não devem negligenciar os deveres de um pastor, ao fazerem visitas de casa em casa. Devem familiarizar-se com cada membro da família, para que possam compreender a condição espiritual de todos, e modificar seu modo de trabalhar para atender cada caso" (Testemunhos para a Igreja 3, p. 232).

Jesus disse ao povo de Jerusalém que se aglomerava ao Seu redor: “As Minhas ovelhas ouvem a Minha voz; Eu as conheço, e elas Me seguem” (Jo 10:27). Os membros precisam de conexão pessoal com o pastor e seus associados, mas como é possível conhecer as ovelhas se não há tempo dedicado para estar com elas?

Ao visitar, o ministro do Senhor tem a oportunidade de demonstrar que se importa com os membros. Ao conhecer as famílias, a pregação é enriquecida, crises são evitadas e há um sentimento pessoal de cuidado e atenção. No ambiente descontraído do lar, ambas as partes podem conversar com a devida concentração sobre a vida e criar vínculos espirituais.

Bob Possingham, pastor de igreja e capelão, que fez da visitação uma prática constante para a vida, explica: “Quando vamos visitar as pessoas, podemos ter certeza de que Deus está conosco e que Seu Espírito vai adiante de nós. O desanimado e triste recebe esperança, o moribundo recebe paz, o afastado é lembrado de quão importante é para Deus, o solitário é animado porque ali está um irmão que se importa com ele. Aqueles cujo futuro é incerto são lembrados de que a Bíblia aponta um futuro pelo qual almejar.”

As visitas potencializam as outras funções pastorais que precisam ser desempenhadas, pois o envolvimento dos irmãos é ampliado por meio de vínculos cultivados e fortalecidos. Afirma Ellen G. White: O ministro não deve limitar seus labores ao púlpito, nem deve assentar-se em algum lar aprazível entre os irmãos. Cumpre-lhe velar pelas almas. Deve visitar o povo em seus lares, e buscar, mediante esforço pessoal, gravar a verdade no coração e na consciência. Cumpre-lhe orar com as famílias e dar-lhes estudos bíblicos" (Evangelismo, p. 435).

Quando o pastor visita, ele também pode ajudar em casos de pessoas afastadas. Um casal da Igreja Adventista de Caboolture, no subúrbio do estado australiano de Queensland, passou justamente por essa experiência. Eles não congregavam havia algum tempo e relataram que, ao serem visitados pelo pastor Casey, sentiram-se valorizados, sabendo que alguém entrou em contato porque se importava. Isso os motivou a voltar à igreja, e pudemos recebê-los de maneira calorosa para compartilharmos um senso de pertencimento em Cristo.

Diz Ellen G. White: Como pastor do rebanho, ele [o ministro], deve cuidar das ovelhas e cordeiros, procurando os perdidos e extraviados, e levando-os novamente para o aprisco. Ele deve visitar toda família, não somente como hóspede para fruir-lhe a hospitalidade, mas para averiguar as condições espirituais de cada membro da família. Sua própria alma deve achar-se possuída do amor de Deus; então, mediante bondosa cortesia, é-lhe possível achar caminho ao coração de todos, e trabalhar com êxito por pais e filhos, rogando, advertindo, animando, segundo o caso o exigir" (Evangelismo, p. 346).

As visitas pastorais à moda antiga são importantes e ainda funcionam como uma das melhores estratégias voltadas ao crescimento da igreja. Até porque em muitas ocasiões elas são menos complicadas e dispendiosas que outras iniciativas missionárias. Para o pastor, enquanto visitador, e para os membros da igreja que o recebem, a visitação oferece comprovados benefícios espirituais que se refletem em resultados positivos para o ministério pastoral, o desenvolvimento dos membros e da congregação. Visitar, além de ser parte da missão pastoral, é uma poderosa ferramenta para o próprio desempenho da missão da igreja.

Leia também este maravilhoso artigo: Visita pastoral: uma necessidade da igreja.

[Com informações de Revista Adventista / Adventist World)

terça-feira, 21 de março de 2023

COMO SABER SE UMA CURA FOI EFETUADA POR DEUS OU SATANÁS?

A Palavra de Deus e também o Espírito de Profecia apresentam o dom da cura como sendo uma possibilidade de Deus e de Satanás.

Jesus realizou muitos milagres de cura. Pedro, após ter alcançado a cura do coxo junto à porta chamada Formosa, afirmou claramente que aquele ato foi realizado pelo poder de Cristo Jesus e não pela sua capacidade (Atos 3:12-16). Assim, em toda a Escritura, a possibilidade de cura é alcançada pelo poder de Deus. Os instrumentos usados para tal milagre podem ser profetas, apóstolos ou alguém designado por Deus. A ciência e os médicos também podem ser usados hoje como instrumentos nas mãos de Deus para a operação de curas. As Escrituras não limitam a possibilidade de cura a uma determinada época ou período. Os milagres dão evidência do poder de Deus, mas não nos esqueçamos da contrafação satânica. Vejamos como isso acontece.

O apóstolo Paulo descreve a ação fraudulenta de Satanás em 2 Coríntios 11:13-15. Ele se disfarça em anjo de luz e assim também os seus apóstolos. O livro do Apocalipse apresenta os sinais e maravilhas da besta que representa Satanás e o Anticristo (Apocalipse 13:13 e 14, 16:13 e 14). Em seu sermão profético, Jesus evidencia a ação devastadora dos falsos Cristos e falsos profetas enganando até os escolhidos (Mateus 24:24). Em Mateus 7:22,23 Jesus relata a decepção que muitos supostos cristãos experimentarão, por ocasião da Sua volta. Segundo este relato, alguns expulsaram demônios, outros profetizaram e outros fizeram muitos “milagres”. Mas para o horror deles, Jesus dirá: “Apartai-vos de Mim, não vos conheço”.

Como saber se a cura foi efetuada por Deus ou Satanás? 

O próprio Jesus responde (Mateus 7:21-23). A cura dá evidências da ação de um poder satânico ou divino. Ninguém deve acreditar num pregador ou apóstolo só porque realiza milagres. Se a sua vida e os seus ensinos não estiverem de acordo com a doutrina bíblica de nada servirão tais milagres (Isaías 8:19 e 20). A cura não prova a verdade e sim a verdade (bíblica) é que prova a cura.

Ellen G. White alerta: "Ninguém, precisa ser enganado. A lei de Deus é tão sagrada como Seu trono, e por ela será julgado todo homem que vem ao mundo. Não há outra norma pela qual provar o caráter. 'Se eles não falarem segundo esta palavra, nunca verão a alva' (Isaías 8:20). Ora, será o caso resolvido segundo a Palavra de Deus, ou hão de as pretensões dos homens receber crédito? Cristo diz: 'Pelos seus frutos os conhecereis' (Mateus 7:20). Se aqueles por quem são realizadas curas, acham-se dispostos, por causa dessas manifestações, a desculpar sua negligência da lei de Deus, e continuam em desobediência, ainda que possuam poder em qualquer e toda extensão, não se segue que possuam o grande poder de Deus. Ao contrário, é o poder operador de milagres do grande enganador" (Mensagens Escolhidas 2, p. 50, 51).

Há inúmeras religiões que falam muito de fé, mas se não houver cura, se não houver enriquecimento, não há motivação para seguir a Cristo. Será isto fé ou barganha? Se não houver compensação não há relacionamento? O apóstolo Paulo pediu para Deus curá-lo de sua enfermidade, mas Deus não o curou. Quer dizer então que o apóstolo Paulo não tinha fé? Cristo disse que seria melhor perder um olho, um braço ou a própria vida, do que perder a vida eterna.

Ellen G. White orienta: "Encontraremos falsas pretensões; erguer-se-ão falsos profetas; haverá falsos sonhos e visões falsas; pregai, porém, a Palavra, não vos desvieis da voz de Deus em Sua Palavra. Coisa alguma distraia a mente. Será representado e apresentado o admirável, o maravilhoso. Mediante enganos satânicos, maravilhosos milagres, serão instantemente recomendadas as pretensões dos instrumentos humanos. Acautelai-vos de tudo isso" (Mensagens Escolhidas 2, p. 49).

Em Isaías 35:5 e 6 o profeta fala do tempo quando Deus virá restaurar a Terra, então os cegos, coxos, mudos e surdos serão curados pelo poder do Seu amor. Portanto, Deus nunca prometeu curar todos os que acreditam nEle, mas prometeu levá-los para o Seu lar onde não haverá mais morte nem dor (Apocalipse 21:1-4).

Nos primórdios da era cristã, Deus deu à igreja o dom da cura e outros dons, para dar crédito à pregação das boas-novas da salvação provida por um Deus que foi morto por simples mortais. Isto naquela época era loucura para os incrédulos. Os dons dados à Igreja eram para ser evidências do poder de Deus na vida de Seus humildes servos. 

Note que a ênfase da pregação do evangelho que revolucionou o mundo não era baseada no dom da cura, mas no amor de Jesus demonstrado na cruz do calvário. Será que não havia doentes naquele tempo? Com certeza muitos! Mas os discípulos jamais usaram a cura como um meio de propagar suas crenças. As pessoas não estavam interessadas na cura, mas na nova vida oferecida por Cristo. 

Satanás tem deturpado tudo o que Deus criou para a felicidade eterna do homem: o sexo, a música, a dança, os divertimentos, os alimentos, os dons espirituais, etc… Tanto é que Cristo advertiu-nos a respeito dos falsos cristos, falsos profetas, falsos milagres, etc. Hoje há muita exploração comercial e espiritual em torno das curas, onde se vê charlatanismo, truques baratos, autossugestão, e manifestações demoníacas. Graças a Deus que nossa salvação não depende de curas e milagres, mas sim da pessoa de Jesus. Ele é o único nome para a nossa salvação (Atos 4:12).

Ellen G. White adverte: "Enfermos serão curados à nossa vista. Milagres se efetuarão aos nossos olhos. Estamos nós apercebidos para a prova que nos aguarda quando as mentirosas maravilhas de Satanás forem mais amplamente exibidas? Homens, sob a influência de espíritos maus operarão milagres. Eles farão as pessoas ficar doentes mediante lançarem sobre elas encantamentos, removendo-os depois de repente, levando outros a dizerem que a pessoa doente foi miraculosamente curada. Isto Satanás tem repetidamente feito. Essas obras de cura aparente levarão os adventistas do sétimo dia à prova. Satanás pode, por meio de uma variedade de enganos, efetuar prodígios que parecerão genuínos milagres. Ele esperou fazer disto um elemento de prova para os israelitas ao tempo de seu livramento do Egito" (Eventos Finais, p. 166).

A nossa fé em Cristo não deve basear-se ou depender de curas. Cremos em Jesus, porque na cruz Ele demonstrou ser o nosso amorável Salvador! Estando com Jesus estaremos sempre bem. Devemos nos lembrar que existem leis naturais que devem ser obedecidas, pois a violação destas leis resultam em enfraquecimento e enfermidades. Através de atitudes positivas e hábitos saudáveis como (1) ar puro, (2) água, (3) exercício físico, (4) repouso, (5) abstinência, (6) alimentação saudável, (7) confiança em Deus, o Senhor opera a restauração do ser, transforma o caráter (pois hábitos errados e vícios são abandonados) e efetua a cura.

Se em Sua infinita bondade e sabedoria, Jesus achar por bem não curar a nós ou a algum de nossos familiares, numa determinada circunstância, não iremos desanimar da caminhada da fé. Nossa humilde fé deve se apegar a certeza de que Deus é bom mesmo quando não somos curados.

O cristão extrai da Bíblia uma certeza: um dia todas as doenças irão findar, quando o reino eterno de Cristo for estabelecido neste mundo. Sabendo disso podemos orar pela cura, mas não desanimar se pela sabedoria divina ela não ocorrer.

segunda-feira, 20 de março de 2023

VOCÊ É FELIZ?

Neste dia 20 de março é comemorado o Dia Internacional da Felicidade. O dia foi criado pela Organização das Nações Unidas (ONU), sendo celebrado desde junho de 2012, e foi instituído com o objetivo de propagar a felicidade entre todos os habitantes no mundo, colocando luz naquilo que faz todos felizes.

Altruísmo. Beleza. Conhecimento. Dinheiro. Emagrecimento. Fama. Gratidão. Humor. Inteligência. Juventude. Otimismo. Propósito. Riqueza. Saúde. Trabalho… Quase todas as letras do alfabeto já foram utilizadas para listar os fatores que supostamente desencadeiam o fenômeno que os pesquisadores chamam de bem-estar subjetivo e o mundo inteiro conhece como felicidade – um estado mental emoldurado pelo sentimento agradável de contentamento, que resulta em euforia com o ritmo das coisas e o curso da vida.

Valorizada ao longo da história como um ideal a ser buscado, redescoberta nos séculos 17 e 18, a felicidade vem ganhando cada vez mais importância e visibilidade. Um gráfico tendo por base a bibliografia sobre a felicidade preparada pelo sociólogo holandês Ruut Veenhoven, fundador do World Database of Happiness, mostra que o número de estudos sobre a felicidade a partir de 1970 forma uma acentuada curva ascendente.

Hoje, a felicidade se transformou até em agenda política. Países como Austrália, Alemanha, França e Inglaterra têm sugerido que a felicidade de seus cidadãos deveria ser levada em conta na elaboração das políticas públicas.

O Butão, pequeno reino no sul da Ásia, foi mais longe e criou o índice de Felicidade Interna Bruta (FIB). O problema é que, à medida que a riqueza aumenta, as expectativas das pessoas também crescem, o que levaria a um declínio na sensação de felicidade, o chamado paradoxo de Easterlin.

O tema também está chegando às escolas. No livro The End of the Rainbow, Susan Engel argumenta que educar para a felicidade (e não para o dinheiro) deveria ser o objetivo das instituições de ensino. A escola precisa ser um lugar em que a criança experimente alegria, satisfação, propósito e um senso de conexão com os outros, incorporando rituais significativos em sua rotina, como começar o dia com um poema, compartilhar o almoço e ouvir música à tarde.

No entanto, para a maioria das pessoas o que importa mesmo é a felicidade individual. Aqui entra a pergunta: será que você pode fazer alguma coisa para aumentar seu grau de felicidade e mantê-lo no novo patamar? O livro Stability of Happiness, organizado por Kennon Sheldon e Richard Lucas, discutiu o tema por uma variedade de perspectivas e, felizmente, a resposta é “sim”.

Apesar de a genética e o ambiente exercerem um papel na felicidade, ela pode ser aprendida e mantida. Em seu elogiado livro A Ciência da Felicidade, Sonja Lyubomirsky afirma que 50% da nossa felicidade têm que ver com nossos genes, enquanto 10% são determinados pelas circunstâncias. Isso deixa 40% do potencial de felicidade sob o nosso controle. Naturalmente, a química cerebral também afeta os sentimentos.

A ideia de que eu só serei feliz quando tiver um emprego melhor, uma namorada bonita, muito dinheiro, um carro zero, filhos obedientes, ou qualquer outra coisa, não passa de uma falácia, diz ela. Você pode ser feliz em meio às suas circunstâncias, a não ser, é óbvio, que elas sejam traumáticas demais. A boa notícia é que coisas simples como ajudar os outros e abraçar a pessoa amada podem tornar a pessoa mais feliz. E, quanto mais feliz a pessoa é, menos ela presta atenção ao que os outros estão fazendo.

Deus, e não a felicidade, é o alvo final da vida e o bem maior da existência. Porém, a felicidade melhora todos os principais aspectos da vida, dá sentido à existência e deve ser buscada. O ser humano foi criado com uma ilimitada capacidade de ser feliz. Mas, com o pecado, adquiriu uma habilidade imensa de ser infeliz e estragar a felicidade dos outros. O plano de Deus é que sejamos felizes aqui e muito mais no futuro.

Você carrega a felicidade no coração? Se a resposta for “não”, está na hora de mudar. A felicidade em seu grau mais alto é o alinhamento da vida com o Deus que é pura felicidade. A seguir temos dez importantes e sábias dicas de Ellen G. White para atingirmos a real felicidade:

1. "Tão estreitamente está a saúde relacionada com a nossa felicidade, que não podemos ter a última sem a primeira. É necessário um conhecimento prático da ciência da vida humana, a fim de que glorifiquemos a Deus em nosso corpo" (Conselhos Sobre Saúde, p. 38).

2. "Nossa felicidade será proporcional a nosso trabalho altruísta movido pelo amor divino, pois no plano da salvação Deus indicou a lei da ação e reação" (Beneficência Social, p. 302).

3. "Cada um possui em si mesmo a fonte da própria felicidade, ou infortúnio. Se ele quiser, poderá erguer-se acima das impressões baixas, sentimentais, que constituem a vida de muitos; mas enquanto ele for cheio de si mesmo, o Senhor nada poderá fazer em seu benefício" (Testemunhos Seletos, vol. 2, p. 190).

4. "Se há alguém que devia ser continuamente agradecido, é o seguidor de Cristo. Se há alguém que frua felicidade real, mesmo nesta vida, é o fiel cristão. Devemos ser o povo mais feliz da face da Terra, e não pedir perdão ao mundo por sermos cristãos" (Nossa Alta Vocação, MM, 1962, p. 201).

5. "A felicidade que se busca por motivos egoístas, fora do caminho do dever, é volúvel, caprichosa e transitória; dissipa-se, deixando n'alma uma sensação de isolamento e pesar; no serviço de Deus, porém, há satisfação e alegria" (Caminho a Cristo, p. 124).

6. "No alicerce da ruína de muitos lares reside a paixão da ostentação. Homens e mulheres planejam e tramam para conseguir meios para darem aos outros a impressão de serem mais ricos do que os vizinhos. Mas embora possam ter êxito em sua luta desesperada, não são na verdade felizes. A verdadeira felicidade provém de um coração em paz com Deus" (Manuscrito 99, 1902).

7. "'Tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós' (Mateus 7:12). O Salvador ensinou este princípio para tornar feliz a humanidade, e não infeliz; pois de nenhum outro modo pode vir a felicidade. Deus deseja que homens e mulheres vivam a vida mais elevada. Todos devem buscar sua felicidade na felicidade daqueles a quem ajudam e beneficiam" (Minha Consagração Hoje, MM, 1989, p. 165).

8. "O mundo está cheio de espíritos insatisfeitos, que passam por alto a felicidade e as bênçãos que se acham ao seu alcance, e estão continuamente buscando a felicidade e satisfação que não possuem. Estão constantemente lutando por algum bem esperado futuramente, maior do que o que possuem, e estão sempre num estado de decepção" (Testimonies, vol. 2, p. 640).

9. "Deus busca nossa verdadeira felicidade. Se qualquer coisa se acha no caminho dela, Ele vê que isto precisa primeiro ser removido. O pecado é a causa de todos os nossos infortúnios. Se quisermos ter verdadeira paz de espírito e felicidade, o pecado precisa ser removido" (Nossa Alta Vocação, MM, 1962, p. 81).

10. "Quando por meio de Jesus, entramos no repouso, o Céu começa aqui. Atendemos-Lhe ao convite: Vinde, aprendei de Mim; e assim fazendo começamos a vida eterna. O Céu é um incessante aproximar-se de Deus por intermédio de Cristo. Quanto mais tempo estivermos no Céu da bem-aventurança, tanto mais e sempre mais de glória nos será manifestado; e quanto mais conhecermos a Deus, tanto mais intensa será nossa felicidade" (O Desejado de Todas as Nações, p. 331).

sexta-feira, 17 de março de 2023

SÍMBOLOS DO APOCALIPSE

O livro do Apocalipse tem chamado atenção ao longo da história e despertado diferentes reações. Alguns se sentem fascinados com seus símbolos, outros têm medo das manifestações de juízo divino e há aqueles que ficam curiosos a respeito de sua mensagem principal.

O Apocalipse pertence ao gênero da literatura apocalíptica, caracterizado pela linguagem simbólica complexa. Sua declaração inicial nos diz que as visões apresentadas foram “significadas” para João (Ap 1:1). A palavra grega semaino significa “mostrar por signos simbólicos”. Ao usar essa palavra, o apóstolo nos diz que as cenas e os eventos descritos lhe foram mostrados por meio de apresentações simbólicas.

Frequentemente, as profecias bíblicas eram comunicadas na linguagem da época e do lugar do autor inspirado, a fim de que fossem compreensíveis ao autor inspirado e a seus leitores originais. Ao interpretar esses símbolos hoje, devemos estar atentos para não impor ao texto o significado atual do símbolo ou um significado derivado da interpretação alegórica. Nossa compreensão dos símbolos do Apocalipse deve ser guiada pela intenção de João e pelo significado que esses símbolos transmitiram aos leitores do primeiro século. Portanto, é importante saber de onde esses símbolos foram tirados.

Muitos estudos mostram que a maior parte da linguagem simbólica do ­Apocalipse é derivada da história e experiência do povo de Deus nos tempos do Antigo Testamento. Assim, ao descrever os eventos futuros, o Espírito Santo usou a linguagem do passado. É quase impossível entender a simbologia do Apocalipse sem o Antigo Testamento.

Além disso, o Apocalipse também reflete a linguagem da literatura apocalíptica judaica, o mundo do primeiro século na Ásia Menor e muitos ditos de Jesus e dos apóstolos, como registrados no Novo Testamento. Para decodificar o significado desses símbolos, o pregador deve ­equipar-se com boas ferramentas de referência.

As palavras iniciais do Apocalipse são: “Revelação de Jesus Cristo” (Ap 1:1). Essa frase mostra que o Apocalipse vem de ­Jesus Cristo (genitivo subjetivo), mas também indica que o livro é sobre Jesus Cristo (genitivo objetivo). Ele é o personagem principal. Ele é a chave que abre o verdadeiro significado do conteúdo do livro. Qualquer exposição das profecias do Apocalipse que se concentre em eventos ou pessoas (passadas ou futuras) às custas de Cristo e do Seu relacionamento com Seu povo foge totalmente de seu foco central.

Contudo, a sentença seguinte afirma que o propósito do livro é “mostrar aos Seus servos” o que ocorrerá no futuro (verso 1b). Nesse ponto, surge uma pergunta: Como um livro iniciado com a afirmação “revelação de Jesus Cristo” pode ser escrito com o propósito de desvendar eventos que ocorrerão no futuro? O Apocalipse não se destina a ser uma coleção de profecias para satisfazer nossa curiosidade sobre o futuro. O propósito principal dos eventos preditos que estão registrados – sejam aqueles já cumpridos ou que ainda vão se cumprir – é nos assegurar da presença de Cristo com Seu povo ao longo da história e dos eventos finais.

Segue abaixo alguns símbolos encontrados no livro do Apocalipse e em alguns outros livros da Bíblia, e seus significados e referências:



“Quando os livros de Daniel e Apocalipse forem bem compreendidos, terão os crentes uma experiência religiosa inteiramente diferente. Ser-lhes-ão dados tais vislumbres das portas abertas do Céu que o coração e a mente se impressionarão com o caráter que todos devem desenvolver a fim de alcançar a bem-aventurança que dever ser a recompensa dos puros de coração” (Ellen G. White - Testemunhos para Ministros e Obreiros Evangélicos, p. 114).

quinta-feira, 16 de março de 2023

AVENIDAS DA ALMA: SÉRIES DE TV

Pode surpreender muitos que algo aparentemente tão inofensivo quanto as séries tenha a capacidade de danificar um órgão tão complexo quanto o cérebro. No entanto, é assim. A afirmação é de Erwin Höllinger, professor e neurologista da Universidade de Salzburg (Áustria). O estudo científico (leia aqui) apontou que o consumo de séries pode causar apatia generalizada, irritabilidade, transtornos de personalidade e até demência.

Olha que explicação incrível: Quando está assistindo uma série, você se envolve muito com os personagens (inclusive mais do que vendo um filme). Eles passam a fazer parte da sua rotina por longos dias, talvez semanas, quem sabe até anos. E é comum que quando uma série acaba você sinta até um vazio como se tivessem tirado uma parte de você.

A gente cria um vínculo real com essas pessoas irreais. Acontece que você já lida com os seus próprios dramas e, de repente, é bombardeado por emoções que não são suas. Você sente um pouco da emoção de TODOS os personagens porque o seu cérebro não consegue distinguir e racionalizar dessa forma o que é real e o que é fictício, então você acaba absorvendo um pouco das emoções e dos dramas de todos eles.

Aí você fica com várias problemáticas não resolvidas dentro de você porque seu cérebro entende que aquilo é SEU. Assim, você fica com pendências, pendências e mais pendências de emoções e dramas não-resolvidos, e isso te gera, sem você perceber, um nível de ansiedade absurda e muitas vezes até depressão. (dica de Emanuelle Sales via instagram).

Vejamos o que Ellen G. White no livro O Lar Adventista (pp. 401-404) nos diz sobre o cuidado que devemos ter com as chamadas "avenidas da alma":

Todos devem vigiar os sentidos, do contrário Satanás alcançará vitória sobre eles; pois essas são as avenidas da alma. Deves tornar-te fiel sentinela de teus olhos, ouvidos e todos os sentidos, se quiseres dominar a mente e impedir que vãos e corruptos pensamentos te manchem a alma. Só o poder da graça pode realizar esta tão desejável obra.

Satanás e seus anjos estão ativos, criando uma espécie de paralisia dos sentidos, de modo a não serem ouvidas as admoestações, advertências e repreensões, ou, se ouvidas, não terem efeito sobre o coração, transformando a vida.

Meus irmãos, Deus vos convida, como seguidores Seus, a que andeis na luz. Importa que vos alarmeis. Há pecado entre vós, e não é considerado excessivamente pecaminoso. Os sentidos de muitos acham-se inativos pela familiaridade com o pecado. Precisamos avançar para mais perto do Céu.

Quem pode prever, no momento da tentação, as terríveis consequências que resultarão de um passo errado e apressado! Nossa única segurança é abrigarmo-nos na graça de Deus cada momento, não confiando em nossa própria visão espiritual, para que não chamemos ao mal bem, e ao bem chamemos mal. Sem hesitação ou discussão precisamos cerrar e guardar as entradas da alma contra o mal.

Todo cristão deve manter-se em guarda continuamente, vigiando cada entrada da alma por onde Satanás possa ganhar acesso. Ele precisa orar pedindo auxílio divino e ao mesmo tempo resistir resolutamente a cada inclinação ao pecado. Mediante coragem, fé, perseverante esforço, pode tornar-se um vitorioso. Mas lembre-se de que para alcançar a vitória Cristo precisa habitar nele e ele em Cristo.

O apóstolo Pedro procurou ensinar aos crentes quão importante é guardar a mente de vagar por temas proibidos, ou de gastar sua energia em assuntos triviais. Os que não querem cair presa dos enganos de Satanás, devem guardar bem as vias de acesso à alma; devem-se esquivar de ler, ver ou ouvir tudo quanto sugira pensamentos impuros. Não devem permitir que a mente se demore ao acaso em cada assunto que o inimigo das almas possa sugerir. O coração deve ser fielmente guardado, pois de outra maneira os males externos despertarão os internos, e a alma vagará em trevas.

Os que desejam ter a sabedoria que vem de Deus devem tornar-se néscios no pecaminoso conhecimento deste século, para serem sábios. Devem fechar os olhos, para não verem nem aprenderem o mal. Devem fechar os ouvidos, para que não ouçam o que é mau e não obtenham o conhecimento que lhes mancharia a pureza de pensamentos e de ação. E devem guardar a língua, para que não profira palavras corruptas e o engano se encontre em sua boca.

Não procureis saber quão perto podeis andar à beira do precipício e todavia estar seguros. Evitai a primeira aproximação ao perigo. Não se pode brincar com os interesses da alma. Vosso capital é vosso caráter. Acariciai-o, como faríeis a um áureo tesouro. A pureza moral, o respeito próprio, o forte poder de resistência, têm de ser acariciados firme e constantemente. Não deve haver um único afastamento da discrição; um ato de familiaridade, um deslize, podem pôr em perigo a alma, abrindo a porta da tentação, e tornar-se enfraquecido o poder de resistência.

Diz Paulo: “Tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai” (Filipenses 4:8). Isto exigirá oração fervorosa e incessante vigiar. Devemos ser auxiliados pela influência permanente do Espírito Santo, que atrairá a mente para cima, e habituá-la-á a ocupar-se com coisas puras e santas. E devemos fazer estudo diligente da Palavra de Deus. “Como purificará o mancebo seu caminho? observando-o conforme a Tua Palavra.” “Escondi a Tua Palavra no meu coração”, diz o salmista, “para eu não pecar contra Ti” (Salmos 119:9-11).