sexta-feira, 30 de junho de 2023

RELIGIÃO TÓXICA

As religiões já foram comparadas a uma grande montanha escalada por alpinistas que tentam chegar ao topo subindo por diferentes lados e também a inúmeras cadeias de montanhas com muitos picos e diferentes relevos. Enquanto a primeira analogia ressalta as semelhanças, a segunda destaca as diferenças. Sem dúvida, a última comparação é mais apropriada. Embora na superfície as religiões pareçam iguais, elas são muito diversas em seus ensinos, objetivos, códigos, métodos, rituais e resultados. Os fenômenos religiosos, parte do próprio tecido da sociedade, não podem ser nivelados.

Algumas manifestações religiosas são negativas e “tóxicas”. Porém, a religião de Cristo é maravilhosa! Afetando todos os aspectos da vida, ela causa impacto positivo sobre o corpo e a mente. Ajuda a ser feliz e a criar felicidade. Promove o sentimento de solidariedade, valoriza o próximo e cuida dos fragilizados. Intelectualmente honesta, ela busca a verdade e lança luz sobre a realidade. Faz o bem por ser o certo e não na tentativa de ganhar favores divinos. Sem desconsiderar a aparência exterior, seu objetivo é a transformação interior. Acima de tudo, conecta a Deus.

Verdadeira, fiel à gramática celestial, a religião saudável promove o amor, e não o ódio; a aceitação, e não o julgamento; a autenticidade, e não a hipocrisia; a autonomia, e não a coerção; a elucidação, e não o obscurecimento; a coerência, e não a incongruência; a graça, e não o legalismo; a liberdade, e não a intolerância; a flexibilidade, e não o absolutismo; o equilíbrio, e não o radicalismo; a inclusão, e não o exclusivismo; a humildade, e não a arrogância; a igualdade, e não a superioridade; a justiça, e não a injustiça; a integridade, e não a desonestidade; a generosidade, e não o egoísmo; a ética, e não a sordidez; a pureza, e não a imoralidade; a santidade, e não a impiedade; a dependência de Deus, e não a justificação própria.

Ellen White mencionou algumas vezes a “religião de Cristo” como o padrão de uma espiritualidade positiva. “A religião de Cristo representa muito mais do que o perdão do pecado. Significa remover nossos pecados e preencher o vácuo com o Espírito Santo. Significa divina iluminação, regozijo em Deus” (Olhando Para o Alto, p. 32). “Uma religião amarga, censuradora, não encontra exemplo na religião de Cristo” (p. 114). “Olhando a Jesus, a imagem de Cristo é gravada sobre a pessoa e refletida no espírito, em palavras, em verdadeiro serviço pelos nossos semelhantes. A alegria de Cristo está em nosso coração, e nossa alegria é completa. Isto é religião verdadeira” (p. 262).

Infelizmente, é possível transformar a religião em algo totalmente diferente, uma “substância” venenosa e tóxica – no nível intelectual e no âmbito prático. O apóstolo Paulo alertou que algumas pessoas estavam querendo “perverter o evangelho de Cristo” (Gl 1:7). No original, o verbo “perverter” (metastrepho), que aparece apenas três vezes no Novo Testamento, tem o sentido de “corromper”, “mudar”, “distorcer”. Em Atos 2:20, o mesmo verbo é usado para indicar que o sol se transformaria em trevas. E no texto de Tiago 4:9 para falar do riso que se converte em pranto. Assim, não vamos transmutar a religião em outra coisa.

Felizmente, Cristo é o modelo de como viver a fé não tóxica. Referência em tudo, é Ele quem define o padrão da verdadeira religião.

Quando nossa noção acerca de Deus está cheia de “toxinas”, abraçamos resíduos tóxicos que afetam as pessoas ao nosso redor, e O representamos de formas que podem ser constrangedoras, desencorajadoras ou até perturbadoras. De fato, os resíduos teológicos tóxicos têm sido uma das ferramentas favoritas de Satanás ao longo da história. O que a ideia de um purgatório eterno diz sobre Deus? O que a ênfase na ira divina, com escassas referências à Sua graça, tem feito para ajudar na maneira com que as pessoas se relacionam com Deus? 

Ellen White compartilha algumas ideias intrigantes sobre isso: “É a obra de Satanás representar o Senhor como falto de compaixão e piedade. Deturpa a verdade a Seu respeito. Enche a imaginação de ideias errôneas relativamente a Deus e, em vez de fixarmos a mente na verdade quanto ao nosso Pai celestial, muitas vezes a demoramos nas falsidades de Satanás, e desonramos a Deus desconfiando Dele, e contra Ele murmurando” (Caminho a Cristo, p. 116). 

Em outra ocasião, ela escreveu: “A desumanidade do homem para com o homem, eis nosso maior pecado. Muitos pensam que estão representando a justiça de Deus, ao passo que deixam inteiramente de Lhe representar a ternura e o grande amor. Muitas vezes aqueles a quem eles tratam com severidade e rispidez se acham sob o jugo da tentação. Satanás está lutando com essas pessoas, e palavras ásperas, destituídas de simpatia, desanimam-nas, fazendo-as cair presa do poder do tentador” (A Ciência do Bom Viver, p. 163).

Quando reconhecemos a grande responsabilidade que é representar Cristo diante daqueles que estão ao nosso redor, nos prostramos aos pés de Jesus, compreendemos Sua graça pessoalmente, nos reconciliamos com Deus e, depois, somos transformados em reconciliadores. Concentremo-nos na bondade de Deus e deixamos que Ele efetue a transformação e a cura em nós e naqueles com quem nos relacionamos no dia a dia – e tudo no tempo Dele. 

Então, em vez de repulsa, perplexidade ou mágoa, talvez nossas palavras, nosso contato com as pessoas e até a menção de nossos nomes possam proporcionar um vislumbre vitorioso Daquele que é invisível.

AUTOEXAME 
Nos preocupamos em cultivar relacionamentos saudáveis na família, no trabalho ou na igreja. Mas qual foi a última vez que você refletiu sobre sua relação com Deus? Um relacionamento com Ele se torna “tóxico” quando você: 

1. Não O coloca em primeiro lugar. Muitos até incluem Deus na lista do que é “mais importante”, mas não fazem Dele o primeiro, ou seja, a prioridade na vida.

2. Não se importa com suas decisões. Com o tempo, atitudes como deixar de frequentar a igreja, mentir ou ser desrespeitoso já não sensibilizam mais, isto é, se tornam algo “natural”. Mesmo assim, damos pouca importância a isso. Ao agirmos assim, zombamos de Deus (Gl 6: 7). 

3. É um “amigo” circunstancial de Deus. Ou seja, pede que Ele entre em sua vida somente se houver problemas e O ignora quando tudo vai bem. 

4. Permite que outros se interponham entre você e Deus. Nosso mundo está envolto em tanta tragédia e cinismo que a crença em um Criador e Salvador todo-poderoso parece ingênua. Ser constantemente menosprezado por acreditar em Deus pode fazer com que alguns se afastem Dele e cedam a argumentos persuasivos que levam à descrença. 

5. Não assume a responsabilidade. Não é saudável ter um relacionamento com alguém que, aos nossos olhos, é a origem de todo o mal que se coloca em nosso caminho. Com essa mentalidade, negamos a verdade fundamental: Deus não é responsável pelos nossos problemas. 

quinta-feira, 29 de junho de 2023

A MUTILAÇÃO DA CONCUBINA E O EVANGELHO

Juízes 19:22-30 é um dos textos mais terríveis de toda Bíblia. Uma pesquisa no Google mostra que ele é usado por muitos dos detratores da fé como exemplo do horror e da implausibilidade da Bíblia. A passagem realmente revela algo horrível. Se você não está familiarizado com ele, dedique um minuto para lê-lo:

"Quando estavam entretidos, alguns vadios da cidade cercaram a casa. Esmurrando a porta, gritaram para o homem idoso, dono da casa: 'Traga para fora o homem que entrou na sua casa para que tenhamos relações com ele!' O dono da casa saiu e lhes disse: 'Não sejam tão perversos, meus amigos. Já que esse homem é meu hóspede, não cometam essa loucura. Vejam, aqui está minha filha virgem e a concubina do meu hóspede. Eu as trarei para vocês, e vocês poderão usá-las e fazer com elas o que quiserem. Mas, nada façam com esse homem, não cometam tal loucura!'

(Esta proposta, feita pelo velho anfitrião, é terrível aos leitores modernos, que fariam qualquer coisa para proteger mulheres. Devemos lembrar que Juízes está simplesmente relatando o que aconteceu dentro do contexto de outra cultura, que foi desenvolvida por homens, não por Deus. A Bíblia não apresenta aquela cultura como nosso padrão. Apesar de se apreciar o desejo dele em manter o código de hospitalidade, a natureza da oferta causa horror. Reflete o baixo conceito da mulher na Antiguidade. Para se manter uma lei ética, quebra-se outra que, no moderno sistema de valores, seria infinitamente mais importante). 

Mas os homens não quiseram ouvi-lo. Então o levita pegou sua concubina e a mandou para fora, e eles a violentaram e abusaram dela a noite toda. 

(O verbo traduzido como “pegou” é hazaq. Significa “agarrar” ou “pegar à força”. O esposo agarrou a indefesa mulher e forçou-a a sair. Naturalmente a concubina resistiu a um ato tão estúpido. A atitude do levita foi de extrema covardia).

Ao alvorecer a deixaram. Ao romper do dia a mulher voltou para a casa onde o seu senhor estava hospedado, caiu junto à porta e ali ficou até o dia clarear. Quando o seu senhor se levantou de manhã, abriu a porta da casa e saiu para prosseguir viagem, lá estava a sua concubina, caída à entrada da casa, com as mãos na soleira da porta. 

(Num último alento, ela voltou para casa onde estava o homem que deveria protegê-la, mas que a desamparou na hora da ameaça. Ela teve forças para se arrastar até a porta, mas não conseguiu bater para entrar. Caiu morta ali).

Ele lhe disse: 'Levante-se, vamos!' Não houve resposta. Então o homem a pôs em seu jumento e foi para casa. Quando chegou em casa, apanhou uma faca e cortou o corpo da sua concubina em doze partes, e as enviou a todas as regiões de Israel. Todos os que viram isso disseram: 'Nunca se viu nem se fez uma coisa dessas desde o dia em que os israelitas saíram do Egito. Pensem! Reflitam! Digam o que se deve fazer!'"

(O levita havia calculado bem. A história desse feito despertou a indignação moral de todos os hebreus na Palestina. Eles reconheceram que fora um crime tão tremendo que nem mesmo a época tão agitada em que viviam e a falta de um governo central poderiam servir como excusa para a impunidade).

Repugnante, não? O que fazemos com algo assim?

A primeira coisa que precisamos dizer é que a Bíblia contém muitas passagens que são descritivas, e isso não as torna prescritivas. Ao contrário do que muitos dos oponentes online da autoridade bíblica gostariam que pensássemos, não há aprovação de Deus na bárbara barganha do homem de Gibeá ou no subsequente estupro, assassinato e mutilação da concubina. O Levita entrega sua própria filha virgem e sua concubina em algum tipo de troca por autoproteção. E o desmembramento da concubina e envio de seu corpo por Israel causa a reação que deveria causar: note que a reação das pessoas é de choque. “Nunca se viu nem se fez uma coisa dessas desde o dia em que os israelitas saíram do Egito”, disseram.

Esta passagem da Bíblia é, na verdade, uma consequência de todos fazerem o que era certo aos seus olhos (Jz 17:6; 21:25), e uma consequência de não haver rei sobre Israel (19:1). Juízes 19:22-30 mostra que a Bíblia é honesta e realista sobre a depravação do homem quando este é deixado aos seus próprios desejos. Neste sentido, não se coloca uma maquiagem no que os homens são capazes de fazer. E, embora enojados pelas imagens, também devemos aprovar a honestidade brutal da Bíblia. Não se pode ler Juízes 19 sem estremecer.

Apesar do objetivo principal da chocante história de Jz 19 seja revelar as raízes da guerra civil de Jz 20, dos benjamitas contra o restante dos israelitas, não deixa de ressaltar no texto a falta generalizada de valor da mulher na cultura da época (revelada desde a experiência de Ló em Sodoma) e a insensibilidade e brutalidade do levita, que deveria ser um exemplo, enquanto líder religioso. A violência doméstica ou mesmo o silêncio quanto ao conhecimento dele são consideradas como sendo feitas ao próprio Jesus (”A Mim me fizeste…” Mt 25:40) e devem ser veemente combatidos por aqueles que se dizem cristãos.

Mas, há um brilho do Evangelho subentendido nesse texto também. Quando não havia rei em Israel, um homem trai suas mulheres, e uma mulher é abandonada e entregue para que o inimigo faça o que quiser com ela. E então, ela é feita de exemplo, de uma maneira mortal, para as doze tribos.

Porém, quando Jesus é Rei sobre Israel, Ele protege sua noiva; Ele não a entrega para que o inimigo faça o que quiser com ela. E Ele mesmo deixa a casa e oferece Seu próprio corpo, substituindo Sua noiva para ser dilacerado pelas doze tribos de Israel. Ao invés de nos entregar em algum tipo de barganha cruel, Ele mesmo se entrega. E Seu corpo agredido é o sinal para Seu povo de que Ele não os trairá.

Ellen G. White conclui: "Cristo 'amou a igreja e a Si mesmo Se entregou por ela' (Efésios 5:25). É a aquisição de Seu sangue. Jesus amou a igreja, por ela Se entregou, para a aperfeiçoar, refinar, enobrecer e elevar, de maneira que ela fique firme em meio das corruptoras influências deste mundo. Às vezes pode parecer que o Senhor esqueceu os perigos de Sua igreja, e o dano a ela feito por seus inimigos. Mas Deus não esqueceu. Nada neste mundo é tão caro ao coração de Deus como Sua igreja. Não é Sua vontade que métodos mundanos corrompam o seu registro. Ele não deixa que Seu povo seja vencido pelas tentações de Satanás. Deus declara que ainda que uma mãe possa esquecer-se de seu filho, 'Eu, todavia, Me não esquecerei de ti' (Is 49:15, 16). Deus pensa em Seus filhos com a mais terna solicitude e mantém um memorial escrito diante dEle, para que jamais possa esquecer-Se dos filhos dos quais cuida" (A Fé Pela Qual Eu Vivo, p. 279).

quarta-feira, 28 de junho de 2023

VAI DAR ZEBRA!

Zebra é uma gíria comum em esportes, sobretudo no futebol, para justificar um resultado tido como impossível de ocorrer. Uma equipe forte ser batida por uma fraca é a marca registrada, popularizada nos tempos áureos da loteria esportiva, quando no Programa Globo Esporte, surgia a informação dos resultados. Quando eventualmente, o placar era inesperado, a Zebra aparecia e dizia: Zebra!!!!!!!!

A origem do nome vem do jogo do bicho, que não tem a zebra entre os vinte e cinco animais a serem sorteados. Ou seja, era impossível sortear a zebra. Por isso, tornou comum dizer “deu zebra”, quando uma equipe favorita perde.

A História está repleta de eventos que poderiam ser considerados verdadeiras zebras. Quem diria que o exército de Napoleão seria vencido pelo rigoroso inverno em sua batalha contra a Rússia? A máquina de guerra napoleônica rendeu-se à fúria da natureza.

Quem diria que aquele garotinho fantasiado de pastor de ovelhas, derrubaria o brutamontes Golias com uma funda de caçar passarinho?

Pelo jeito, nosso Deus gosta muito de zebras!

No dizer de Paulo, “Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes. Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são, para aniquilar as que são; para que ninguém se glorie perante Ele” (1Co 1:27-29).

O próprio Paulo foi uma grande zebra! Sozinho fez mais do que os outros apóstolos juntos. Ele testifica: “Pois eu sou o menor dos apóstolos, que mesmo não sou digno de ser chamado apóstolo, porque persegui a igreja de Deus. Mas pela graça de Deus sou o que sou, e a Sua graça para comigo não foi vã. Antes trabalhei muito mais do que todos eles; todavia não eu, mas a graça de Deus, que está comigo” (1Co 15:9-10).

Mas a maior zebra da história ainda está pra acontecer. Porém, já foi prenunciada por Cristo, Seus apóstolos e profetas.

Aquele Galileu que entrou em Jerusalém montado em um jumentinho (parente próximo da zebra) continua cavalgando pela trilha da história, deixando no mundo um rastro de sucessivas vitórias. Não se enganem, meus amigos. O cavaleiro fiel que desfila nas páginas do Apocalipse, “saiu vencendo e pra vencer!” Ele é a zebra de todos os séculos.

Não desperdicem suas fichas apostando nos poderosos deste mundo, que estão em franco declínio (por favor leia 1Co 2:6). Apostem n’Aquele que deve reinar “até que haja posto a todos os inimigos debaixo dos seus pés” (1Co 15:25). Todas as estruturas de poder virão ao chão. As ideologias sobre as quais estão fundadas entrarão em colapso. Porém a Verdade de Deus prevalecerá na História.

Aquela pedra vista em sonho pelo rei Nabudonosor, arremessada do céu contra os impérios deste mundo, está em franca expansão, e aos poucos, discretamente, está se tornando numa grandiosamente montanha, destina a tomar toda a Terra (Daniel 2:34-45). A semente de mostarda vai se transformando numa frondosa árvore. A pitada de fermento vai levedando toda a massa (Mt 13:31-33).

E finalmente, será Dia Perfeito (Pv 4:18)! Todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Jesus Cristo é o Senhor para glória de Deus Pai.

A aposta está feita! Minhas últimas fichas estão lançadas na vitória de Cristo, não apenas na partida final da História, mas também nas eliminatórias, nas quartas e oitavas de final. E creia no que digo: Não haverá prorrogação! Nem vitória por pênalti. Será no tempo regulamentar.

"Nesse dia, os remidos resplandecerão com o resplendor do Pai e do Filho. Tocando suas harpas de ouro, os anjos darão as boas-vindas ao Rei e aos Seus troféus de vitória — os que foram lavados e branqueados no sangue do Cordeiro. Um cântico de triunfo ressoará, enchendo todo o Céu. Cristo venceu. Ele penetra nas cortes celestes, acompanhado de Seus remidos, testemunhas de que a Sua missão de sofrimento e sacrifício não foi em vão" (Ellen G. White - Eventos Finais, p. 283).

[via blog do Hermes C. Fernandes]

terça-feira, 27 de junho de 2023

A ÚLTIMA CRISE DA TERRA

O tempo presente é de dominante interesse para todo o vivente. Governadores e estadistas, homens que ocupam posições de confiança e autoridade, homens e mulheres pensantes de todas as classes, têm sua atenção posta nos acontecimentos que tomam lugar ao nosso redor. Estão observando as relações que existem entre as nações. Eles examinam a intensidade que está tomando posse de cada elemento terreno, e reconhecem que algo grande e decisivo está para acontecer — que o mundo está no limiar de uma crise estupenda. 

O mundo está-se tornando cada vez mais iníquo. Em breve surgirá grande perturbação entre as nações — perturbação que não cessará até que Jesus venha. Estamos no limiar da crise dos séculos. Em rápida sucessão os juízos de Deus se seguirão uns aos outros — fogo, inundações e terremotos, com guerras e derramamento de sangue. Há perante nós tempos tempestuosos, mas não pronunciemos uma só palavra de incredulidade ou desânimo.

As calamidades em terra e mar, as condições sociais agitadas, os rumores de guerra, são portentosos. Prenunciam a proximidade de acontecimentos da maior importância. As forças do mal estão-se arregimentando e consolidando-se. Elas se estão robustecendo para a última grande crise. Grandes mudanças estão prestes a operar-se no mundo, e os acontecimentos finais serão rápidos.

O tempo de angústia, que há de aumentar até o fim, está muito próximo. Não temos tempo a perder. O mundo está agitado com o espírito de guerra. O tempo de angústia — angústia qual nunca houve, desde que houve nação (Daniel 12:1) — está precisamente sobre nós, e somos semelhantes às virgens adormecidas. Acham-se diante de nós perplexidades com que dificilmente sonhamos. Devemos acordar e pedir que o Senhor Jesus ponha debaixo de nós os Seus braços eternos e nos conduza durante o tempo de provação à nossa frente.

O mundo está-se tornando cada vez mais iníquo. Em breve surgirá grande perturbação entre as nações — perturbação que não cessará até que Jesus venha. Estamos no limiar da crise dos séculos. Em rápida sucessão os juízos de Deus se seguirão uns aos outros — fogo, inundações e terremotos, com guerras e derramamento de sangue. Há perante nós tempos tempestuosos, mas não pronunciemos uma só palavra de incredulidade ou desânimo.

Deus sempre tem dado aos homens advertência dos juízos por vir. Aqueles que tiveram fé na mensagem por Ele enviada para seu tempo, e agiram segundo sua fé, em obediência aos Seus mandamentos, escaparam aos juízos que caíram sobre os desobedientes e incrédulos. 

A Noé veio a palavra: “Entra tu e toda a tua casa na arca, porque te hei visto justo diante de Mim” (Gênesis 7:1). Noé obedeceu, e foi salvo. A Ló foi enviada a mensagem: “Levantai-vos, saí deste lugar, porque o Senhor há de destruir a cidade” (Gênesis 19:14). Ló colocou-se sob a guarda dos mensageiros celestes, e foi salvo. Assim os discípulos de Cristo tiveram aviso da destruição de Jerusalém. Os que estavam alerta quanto ao sinal da próxima ruína, e fugiram da cidade, escaparam à destruição. Assim agora estamos dando aviso da segunda vinda de Cristo e da destruição impendente sobre o mundo. Os que ouvirem a advertência, serão salvos.

Antes de Sua crucifixão o Salvador explicou a Seus discípulos que Ele deveria ser morto, e do túmulo ressuscitar; anjos estavam presentes para gravar-lhes Suas palavras na mente e no coração (Marcos 8:31-32; Marcos 9:31; Marcos 10:32-34). Mas os discípulos aguardavam livramento temporal do jugo romano, e não podiam tolerar a idéia de que Aquele em quem se centralizavam todas as suas esperanças devesse sofrer uma morte ignominiosa. As palavras de que necessitavam lembrar-se, fugiram-lhes do espírito; e, ao chegar o tempo da prova, esta os encontrou desprevenidos. A morte de Cristo destruiu-lhes tão completamente as esperanças, como se Ele não os houvesse advertido previamente. 

Assim, nas profecias, o futuro se patenteia diante de nós tão claramente como se revelou aos discípulos pelas palavras de Cristo. Os acontecimentos ligados ao final do tempo da graça e obra de preparo para o período de angústia, acham-se claramente apresentados. Multidões, porém, não possuem maior compreensão destas importantes verdades do que teriam se nunca houvessem sido reveladas.

Devemos estudar os grandes sinais que indicam os tempos em que estamos vivendo. Os que se colocam sob a direção de Deus, para ser por Ele guiados, compreenderão a constante corrente dos acontecimentos que Ele ordenou. Precisamos ver na História o cumprimento da profecia, estudar as atuações da Providência nos grandes movimentos reformatórios e compreender a progressão dos acontecimentos na arregimentação das nações para o conflito final da grande controvérsia.

Deus estabeleceu, porém, um dia para o término da história deste mundo: “Será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então virá o fim.” A profecia se cumpre rapidamente. Mas, muito mais deve ser dito acerca destes assuntos tremendamente importantes. Perto está o dia em que será decidido para sempre o destino de toda alma. 

Deve-se fazer um grande esforço para manter este assunto perante o povo. O solene fato de que o dia do Senhor virá repentina e inesperadamente deve ser mantido não só perante as pessoas do mundo, mas também diante de nossas próprias igrejas. A terrível advertência da profecia é dirigida a toda alma. Ninguém julgue estar isento do perigo de ser apanhado de surpresa. Não permitais que a interpretação profética de pessoa alguma arrebate a convicção do conhecimento de ocorrências que revelam que este grande acontecimento está bem próximo.

Não somos agora capazes de descrever acuradamente as cenas a serem representadas em nosso mundo no futuro; isto, porém, sabemos: que este é um tempo em que precisamos velar em oração; pois o grande dia do Senhor está às portas. 

[Ellen G. White - Eventos Finais, pp. 11-17]

segunda-feira, 26 de junho de 2023

COMBATE À DESIGUALDADE

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta sexta-feira (23) que o combate à desigualdade deve ter tanta prioridade quanto a questão climática. A declaração foi em discurso na Cúpula sobre Novo Pacto de Financiamento Global, em Paris, na França. Ao lado do presidente francês, Emmanuel Macron, Lula disse não ser "possível" que, "em um reunião entre presidentes de países importantes, a palavra desigualdade não apareça". "Nós estamos num mundo cada vez mais desigual e, cada vez mais, a riqueza está concentrada na mão de menos gente. E a pobreza concentrada na mão de mais gente. Se nós não discutirmos essa questão da desigualdade, e se a gente não colocar isso com tanta prioridade quanto a questão climática, ou seja, a gente pode ter um clima muito bom e o povo continuar morrendo de fome em vários países do mundo", disse. (G1)

De acordo com a Bíblia, o problema não se encontra no dinheiro em si, mas no “amor ao dinheiro”, “a raiz de todos os males” (1Tm 6:10).

Por isso, logo no início da trajetória do povo de Deus, Israel foi ensinado a manter um sistema sólido de beneficência social, a fim de evitar que as injustiças prevalecessem. Entre as orientações específicas estavam a lei da respiga (Dt 24:19, 20); a permissão para se alimentar da plantação de alguém, caso estivesse passando por ela (Dt 23:25); a exortação para cuidar das pessoas necessitadas (Dt 15:11); o segundo dízimo, separado no terceiro e no sexto anos em cada ciclo de sete, destinado aos levitas, estrangeiros, órfãos e às viúvas (Dt 14:22-29); e a celebração do jubileu, a cada 50 anos (Lv 25:10). Essas instruções foram dadas para conter o egoísmo e evitar que a sociedade israelita fosse marcada pela exploração e desigualdade.

Apesar disso, Israel desobedeceu à ordem do Senhor e deu espaço para a injustiça avançar. Em certo sentido, o ministério dos profetas pré-exílicos foi marcado por fortes críticas a essa situação (Is 1:22-24; Jr 5:26-29; Am 2:6-8). Mesmo depois do exílio, Deus enviou mensagens de repreensão aos judeus, porque continuavam negligenciado o cuidado aos mais vulneráveis (Zc 7:9, 10; Ml 3:5), ainda que tivessem experimentado, eles mesmos, um longo período de aflição.

Sobre o plano de Deus para sanar a desigualdade em Israel, Ellen White diz: "O povo devia ser impressionado com o fato de que era a terra de Deus que se lhes permitia possuir por algum tempo; de que Ele era o legítimo possuidor, o proprietário original, e de que desejava se tivesse consideração especial pelos pobres e infelizes. A mente de todos devia ser impressionada com o fato de que os pobres têm tanto direito a um lugar no mundo de Deus como o têm os mais ricos. Tais foram as disposições tomadas por nosso misericordioso Criador a fim de minorar o sofrimento, trazer algum raio de esperança, lampejar uma réstia de luz na vida dos que são destituídos de bens e se acham angustiados" (Beneficência Social, p. 174).

Essas orientações e repreensões do Antigo Testamento ecoam nos ensinos de Cristo e nas cartas apostólicas. Jesus declarou que Seus seguidores seriam recompensados no juízo pela compaixão genuína demonstrada aos desamparados (Mt 25:34-40), e a igreja em seus primórdios se destacou por sua generosidade (At 2:44, 45; 4:32-35; 1Co 16:1-4; Tg 1:27). O testemunho bíblico, portanto, indica que Deus espera de nós uma atitude proativa em favor dos pobres e desamparados. 

Um discípulo de Cristo verdadeiramente crente não pode tratar com indiferença as desigualdades materiais e a manifestação de poder e privilégio que atingem a tantos e leva ao empobrecimento espiritual de outros. O evangelho convida o discípulo de Cristo e a igreja à solidariedade com todos os que sofrem, a fim de juntos podermos receber, incorporar e partilhar as boas-novas de Jesus, a fim de melhorar a vida de todos.

Ellen G. White adverte: "A obra de recolher o necessitado, o oprimido, o aflito, o que sofreu perdas, é justamente a obra que toda igreja que crê na verdade para este tempo devia de há muito estar realizando. Cumpre-nos mostrar a terna simpatia do samaritano em acudir às necessidades físicas, alimentar o faminto, trazer para casa os pobres desterrados, buscando de Deus todo dia a graça e a força que nos habilitem a chegar às profundezas da miséria humana, e ajudar aqueles que absolutamente não se podem ajudar a si mesmos. Isto fazendo, temos favorável ensejo de apresentar a Cristo, o Crucificado" (Beneficência Social, p. 190). E completa: "Ao vermos seres humanos em aflição, seja devido ao infortúnio, seja por causa do pecado ou outra coisa qualquer, nunca diga: 'Não tenho nada com isso'” (O Desejado de Todas as Nações, p. 354).

É necessário que haja sacrifício prático pelo bem-estar de outros, seja onde quer que estejamos, ou qual for nossa profissão; pois para isso também fomos criados, para sermos as mãos bondosas do Criador aqui neste planeta. Ainda que não sejamos protagonistas neste grande tabuleiro que se tornou a economia mundial, somos chamados a minimizar, com nosso exemplo, escolhas de consumo e recursos, os impactos da desigualdade social ao nosso redor. Por menor que seja nossa contribuição, Ellen White escreveu que “é o serviço feito de coração que torna a dádiva valiosa” (Conselhos Sobre Mordomia, p. 176). E o Senhor jamais Se esquecerá disso!

sexta-feira, 23 de junho de 2023

A IGREJA SÁDICA E PECADORA

Um fenômeno incompreensível no nosso meio é a alegria que muitos frequentadores de igreja demonstram quando um cristão cai em pecado. E digo “frequentadores de igreja” não por acaso: um cristão de verdade jamais se alegra com o pecado de ninguém. A verdade é que, enquanto Jesus diz que “haverá maior alegria no céu por um pecador que se arrepende, do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento” (Lc 15:7), aqui na terra a turma se esbalda quando alguém peca.

Evidentemente não estou falando só de pecados gravíssimos, terríveis, como: glutonaria, rancor, ira, maledicência, discórdia, ciúmes, egoísmo, inveja e outros dessa estirpe (ou você achava que esses pecados não eram sérios? Leia Gálatas 5:19-21). Refiro-me basicamente à tríade sexo, poder e dinheiro – os grandes pecados que elegemos para não perdoar, junto, é claro, com o álcool e o cigarro. Envolveu um desses pecados e a turma vai adorar falar por anos a fio sobre os envolvidos nessas histórias, que na cabeça do cristão brasileiro são piores que a blasfêmia contra o Espírito Santo.

Não, pecar não é correto. Não se justifica. É uma desobediência ao Rei dos Reis. É feio. É condenável. Cheira mal às narinas do Santíssimo. Mas permita-me abordar quatro aspectos da questão:

1. Absolutamente todo mundo peca. Eu e você, inclusive.

2. Todos pecados são hediondos, mesmo os que você pratica e acha que não são.

O glutão é tão pecador como o assassino. O invejoso e o ciumento são tão pecadores como o estuprador. Se você acha que o seu pecado é menor do que o do bandido da boca de fumo, novamente sugiro que leia Gálatas 5:19-21 e me diga se estou errado.

3. Jesus encarnou como o Cordeiro de Deus que veio para tirar o pecado do mundo. Depois da Cruz, Ele concede o perdão a todo pecador que se arrepende (a única exceção é a blasfêmia contra o Espírito Santo, mas nesse caso não haveria arrependimento). E, se Deus já perdoou, quem você pensa que é para continuar acusando o pecador arrependido?

4. Alegrar-se quando alguém peca é tão pecado como qualquer outro, pois vai contra o maior mandamento: amar o próximo como a si mesmo.

Apesar dessas verdades, o que vejo ao meu redor é que o frequentador de igreja em geral ama crucificar quem Deus já perdoou. Ama de paixão. Tem um prazer e uma alegria sádicos de ficar apontando o pecado alheio. É como se dissesse: “Hehehe, sou melhor do que você”. Pior: há os que amam ficar sabendo e tricotando sobre o pecado do outro. “Você não soube o que fulana fez? Vou te contar, mas é só pra você orar por ela”, diz o fofoqueiro. “Pode contar, só quero saber para interceder por beltrano”, diz o frequentador de igreja com aparência de piedade mas que por dentro está se escangalhando de se entreter com a desgraça do seu próximo.

Tudo pelo sádico prazer anticristão de ver o próximo se dar mal. Essa que é a pura verdade.

Pois o cristão de fato não se alegra com a queda do irmão: o ajuda a se reerguer, o preserva, chora com ele, protege-o. Pois todo aquele que escorregou tem o grande potencial de se tornar um cristão melhor após ser reerguido pelo Espírito de Deus – basta ver o exemplo de Davi no caso de Bate-Seba. E o cristão de verdade sabe disso, e luta para que o irmão que pecou torne-se um homem segundo o coração de Deus. Não pisa na cabeça dele nem o acusa. Isso já tem alguém chamado Satanás para fazer, nenhum ser humano precisa tomar do diabo aquilo que ele já fará naturalmente. Quem o faz torna-se cúmplice dele. [...]

Como disse um sacerdote veterano certa vez, quando alguém lhe perguntou se deveria perdoar alguém que praticou grande mal: “Bem… temos duas opções: ou nós não o perdoamos ou fazemos o que a Bíblia manda”. Sim, a resposta do problema era matemática: 70 vezes 7. E a equação estava resolvida. Esse relato me lembra uma frase de Jesus quando uma certa mulher adúltera foi levada até ele, pois queriam apedrejá-la. Você conhece a história. Disse o Cordeiro de Deus: “Visto que continuavam a interrogá-lo, Jesus se levantou e lhes disse: ‘Se algum de vocês estiver sem pecado, seja o primeiro a atirar pedra nela’” (João 8:7).

Meu irmão, minha irmã, perceba: você peca todo santo dia – por pensamentos, palavras, atos e omissões. Você e eu não somos menos pecadores do que o pior dos assassinos. Mas aí vem logo alguém com aquele argumento óbvio: “Ah, eu peco, só que eu não vivo pecando”. E eu perguntaria: “Não vive pecando? Ok. Então me diga um único dia da sua vida em que você não pecou”. Pois é. Você e eu pecamos TODOS os dias das nossas vidas, tirando talvez algum dia em que estivemos em coma. Fora esse, você pecou TODOS os dias.

Então, caro amigo vaidoso, glutão, fofoqueiro, invejoso, iracundo, maledicente, preguiçoso, cobiçoso, egocêntrico, que não põe Deus acima de todas as coisas, que deseja o mal ao próximo, que não prefere os outros em honra, que devolve mal com o mal, que não perdoa as dívidas e ofensas, que é rude com os outros, que desdenha os mais pobres, que inveja os mais ricos, materialista, que tem inimizades e ciúmes, que tem iras e discórdias, que promove dissensões e facções… meu querido, lamento informar, mas você e eu vivemos SIM pecando. Di-a-ri-a-men-te. E Paulo diz em Gálatas 5 que “não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam”. Então, caro, estamos mal na fita – e carecemos da graça de Deus tanto quanto quem você acha o pior dos pecadores.

É a isso que Jesus se referia quando disse para olharmos a trave em nosso olho antes de olhar o argueiro no olho do outro, caro frequentador de igreja. Diante disso, se me permite, sugiro que a partir de hoje você olhe menos para o pecado do seu próximo – em especial se por acaso você sente aquela satisfação sádica de ver o pecador se arrebentar – e passe a dirigir mais sua atenção para os seus próprios pecados e, principalmente, para a Cruz de Cristo. Pois, pode acreditar: você vai precisar muito dela no Dia do Juízo.

Paz a todos vocês que estão em Cristo – e que, como eu, sabem que são miseráveis pecadores.

Maurício Zágari [via Apenas]

Ellen G. White adverte: "Demorando-se continuamente nos erros e defeitos dos outros, muitos se tornam dispépticos religiosos. Os que criticam e condenam uns aos outros estão transgredindo os mandamentos de Deus, e são-Lhe uma ofensa. Irmãos e irmãs, afastemos o entulho da crítica e suspeita e murmuração, e não desgastei os nervos externamente. Se todos os cristãos professos usassem suas faculdades investigadoras para ver quais os males que neles mesmos carecem de correção, em vez de falar dos erros alheios, existiria na igreja hoje uma condição mais saudável. Precisamos olhar às faltas dos outros, não para condenar, mas para restaurar e curar. Vigiai em oração, ide avante crescendo, obtendo mais e mais do espírito de Jesus, e semeando o mesmo sobre todas as águas" (Mente, Caráter e Personalidade, vol. 2, pp. 635-638).

quinta-feira, 22 de junho de 2023

TITAN

1912 e 2023. Titanic outra vez. Escrevo com as 96 horas de oxigênio no fim. 5 pessoas enlatadas e lacradas em um cubículo de titânio sofrem um destino incerto. Curiosos por descerem 3,8 km de profundidade, milionários pagaram para se aproximar do naufrágio mais famoso da História. Enquanto isso, o mundo acompanha a possível tragédia dos visitantes das profundezas que podem ter perecido nas mesmas águas. Catástrofe espiando catástrofe. ⁣
Um submersível de segurança precária prometeu uma aventura. Sem GPS, sem radar, sem vistoria, dirigido por um joystick de Xbox (!), e sem conexão com a superfície. Oi? Sim, o planeta se surpreendeu com o tamanho do risco. Como eles aceitaram?⁣
Se estão encalhados no abismo, ou desnorteados na escuridão, ou até implodidos pela pressão descomunal, não sabemos. Talvez, batidas derradeiras sinalizem sobreviventes. Porém, os destroços do navio “que nem Deus afundaria” voltam a protagonizar reflexões. ⁣
Segurança, respeito e prudência. Eis os três princípios de uma boa aventura. Segurança é prever o pior se precavendo com o melhor. Respeito é admirar a natureza sem ultrapassar os limites do item anterior. E prudência é o cérebro controlando o coração, ou seja, a empolgação tem o sonho nas nuvens e os pés no solo. ⁣
Se o Titanic foi presunçoso, ou o Titan foi perigoso, resta refletir dos prós aos contras das suas próprias decisões. Pense bem. Analise. Ponha uma noite entre os dias de overdoses de endorfinas. Avalie projetos e processos. Amplie perspectivas. Desanimador? Jamais. Apenas um alerta pra quem busca novos desafios. ⁣
“A sabedoria habita com a prudência” (Pv 8:12). Deus é parceiro das coragens certas. Mas, elevador superlotado? Sobrevoo com tempo fechado? Dirigir sem estepe? Ter cartão de crédito sem débito? Entorpecer sentidos? Comer sem pesar a consciência? Alpinismo sem treino? Racha, pancadão ou alopração? Fuja das doidices desancoradas!⁣
Acredite: antecipar preventivamente é remediar sabiamente. Fique em sua margem de segurança. Saberemos o que houve lá? Talvez. Ou, não. Tomara que o pior não aconteça. Porém, cuide com o que acontece com você. Pro seu bem. Seja responsável em tudo. Flutue.⁣

⁣Odailson Fonseca (via instagram)

quarta-feira, 21 de junho de 2023

DOIS CAMINHOS

Nos dias de Cristo, o povo da Palestina vivia em cidades muradas, situadas na maioria das vezes sobre colinas e montes. As portas eram alcançadas por meio de caminhos íngremes e pedregosos. O caminhante que se dirigia para casa no fim do dia tinha muitas vezes que percorrer correndo a penosa subida a fim de chegar à porta antes do cair da noite. O retardatário ficava de fora.

Do estreito e ascendente caminho que conduzia ao lar, Jesus tirou uma imagem do caminho cristão. Desse exemplo, Jesus pode demonstrar a existência de dois caminhos na vida de toda pessoa: um é estreito e o outro mais largo. Mas o fim de cada um deles é totalmente diverso. Quem quer seguir a trilha da salvação deve buscar continuamente o caminho cuja direção é para cima. É natural que a maioria preferirá o caminho descendente, que conduz à destruição final, por isso é fundamental sempre lembrar que em se tratando de assuntos espirituais, a maioria nunca esteve certa.

É verdade que a estrada para a perdição é aparentemente atraente, mas não passa de uma ilusão. Na estrada descendente talvez a entrada esteja adornada com flores, mas ao fim conduz ao desespero e à aflição. C. S. Lewis diz: "A estrada mais segura para o inferno é a gradual - a ladeira suave, com chão suave, sem curvas acentuadas, sem avisos de quilometragem e sem placas indicativas de sinalização".

Mateus 7:13: “Entrai pela porta estreita. Pois larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz à perdição e muitos são os que entram por ela.”

Mateus 7:14: “Mas estreita é a porta e apertado o caminho que conduz para a vida e são poucos os que a encontram.”

Consciência do certo e do errado
É crucial que o ser humano tenha consciência do que é certo e do que errado. Somente conhecendo o caminho, é possível decidir.

Provérbios 14:12: “Há caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte.”

Isaías 30:21: “Quer te desvies para a direita, quer te desvies para a esquerda, os teus ouvidos ouvirão a palavra que será dita atrás de ti: Este é o caminho; andai nele.”

Ellen G. White aponta: "Acham-se diante de vós dois caminhos — a ampla estrada da satisfação própria e o caminho estreito do sacrifício. Podeis levar na estrada larga o egoísmo, o orgulho, o amor do mundo; os que trilham o caminho estreito, porém, têm de deixar de lado toda carga, e o pecado que tão comodamente nos rodeia. Que caminho escolhestes — a estrada que leva à morte eterna, ou a que conduz à glória e à imortalidade?" (Nossa Alta Vocação, p. 3).

É preciso decidir
>> Uma decisão que envolve conhecimento de Deus.
>> Uma decisão que exige mudança de rumo e de comportamento.
>> Uma decisão que exige compromisso.
>> Uma decisão que exige domínio próprio.
>> Uma decisão que tem consequências eternas.

Ellen G. White afirma: "Jamais houve na história do mundo um tempo mais solene do que aquele em que vivemos. Nossos interesses eternos se acham em jogo, e devemos despertar para a importância de tornar firmes nossa vocação e eleição. Não ousamos arriscar nossos interesses eternos em meras probabilidades. Cumpre-nos ser zelosos. O que somos, o que fazemos, o que há de ser nosso procedimento no futuro, são todas questões de indizível importância, e não podemos permitir a desatenção, a indiferença, o desinteresse. Convém-nos perguntar: 'Que significa para mim a eternidade?' Acham-se nossos pés no caminho que conduz ao Céu, ou na estrada larga que leva à perdição?" (Idem, p. 3).

O perigo de rejeitar a verdade
João 8:32: “E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará.”

Atos 17:30: “Mas Deus, não levando em conta os tempos da ignorância, manda agora que todos os homens em todos os lugares se arrependam.”

Oséias 4:1: “Ouvi a palavra do Senhor, vós, filhos de Israel, porque o Senhor tem uma contenda com os habitantes da terra. Não há verdade, nem amor, nem conhecimento de Deus na terra.”

Deus não levará em conta a verdade que o ser humano não conhecia, mas pedirá conta da verdade que o ser humano não quis conhecer.

Oséias 4:6: “...o Meu povo é destruído porque lhe falta o conhecimento. Porque tu rejeitaste o conhecimento, também Eu te rejeitarei com Meu sacerdócio; visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também Eu me esquecerei de teus filhos.”

Ellen G. White adverte: "Não é por falta de conhecimento que o povo de Deus está perecendo agora. Não hão de ser condenados por desconhecerem o caminho, a verdade e a vida. A verdade que lhes alcançou o entendimento, a luz que lhes brilhou na alma, mas que foi negligenciada e recusada, há de condená-los" (Serviço Cristão, p. 29).

Disposição de fazer a vontade de Deus
João 7:17: “Se alguém quiser fazer a vontade de Deus, descobrirá se o meu ensino vem de Deus, ou se falo de mim mesmo.”

Para andar no caminho que conduz à vida é preciso pensar e pensar muito. Pensar cada dia; a cada momento. O domínio próprio é a submissão da vontade ao poder de Deus. “Como cidade derrubada, que não tem muros, assim é o homem que não pode conter o seu espírito” (Pv 25:28). A pessoa que não tem domínio próprio é como uma cidade sem muros. Recebe ataques de todos os lados e não consegue resistir.

Permitimos que Deus assuma a direção de nossas decisões, porém, o controle continua conosco. Tanto é verdade que no momento em que quisermos assumir, podemos fazê-lo.

“Esforçai-vos” (Lc 13:24). Paulo diz: “Prossigo para o alvo” (Fp 3:14). “Já estou crucificado com Cristo e vivo não mais eu, mas Cristo vive em mim” (Gl 2:20). Se o homem se esforça em obedecer a Deus, Jesus aceita essa disposição e esforço e supre a eventual deficiência com Seu próprio mérito divino.

“Vinde a Mim” (Mt 11:28) – Esse é o segredo da vitória. Por nós mesmos, não podemos vencer os maus hábitos e pensamentos pecaminosos que prevalecem em nosso coração. Não temos como dominar o poderoso inimigo que nos mantém em escravidão.

Ellen G. White alerta: "Muitos estão perdendo o caminho certo, por pensarem que têm de conquistar o Céu; que têm de fazer algo para merecer o favor de Deus. Procuram tornar-se melhores pelos próprios frágeis esforços. Isso jamais conseguirão realizar. Cristo abriu caminho morrendo como nosso sacrifício, vivendo como nosso exemplo, tornando-Se nosso grande sumo sacerdote. Diz Ele: 'Eu sou o caminho, e a verdade e a vida' (João 14:6). Se por qualquer esforço nosso pudéssemos subir um único degrau na escada, as palavras de Cristo não seriam verdadeiras. Mas quando aceitamos a Cristo, as boas obras aparecerão, como frutífera prova de que nos achamos no caminho da vida, que Cristo é nosso caminho, e que estamos palmilhando a vereda certa, que conduz ao Céu" (Mensagens Escolhidas 1, p. 368).

Unicamente Cristo pode nos dar a vitória. Ele deseja que tenhamos o domínio de nós mesmos, de nossa vontade e de nossos caminhos. Ele não pode, porém, operar em nós contra o nosso consentimento e cooperação. O Espírito divino opera mediante as faculdades e poderes conferidos ao homem. Nossas energias são requeridas para cooperar com Deus. A vitória não é ganha sem muita e fervorosa oração. Nossa vontade não deve ser forçada a cooperar, mas deve ser colocada ao lado da vontade de Deus. “Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a Sua boa vontade” (Fl 2:13).

Pensamos que ter liberdade é ser dono das próprias decisões. É fazer o que quisermos. Mas verdadeiramente livres são os que cumprem a “lei da liberdade” (Tg 2:12).

Ellen G. White diz: "Devemos ter menos confiança no que podemos por nós mesmos fazer, e mais confiança no que o Senhor para nós e por nós pode fazer. Não estais empenhados em vossa própria obra, mas sim na de Deus. Submetei-Lhe vossa vontade e vossos desígnios. Não façais uma única reserva, uma única contemporização com vós mesmos. Aprendei o que é ser livres em Cristo" (A Ciência do Bom Viver, p. 513).

Que temos de deixar quando escolhemos o caminho certo? 
>> Temos que caminhar em outra direção, porque já nascemos andando na direção errada. Quando nascemos, já estamos no caminho largo. A decisão é deixá-lo e entrar pela porta estreita. Andar na contramão do mundo.

“Esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé” (1 João 5:4).

Ellen G. White conclui: "Os que tornam a vida cristã vitoriosa, considerarão tudo como perda pela excelência do conhecimento de Cristo. Unicamente os que permanecem em Cristo, podem saber o que seja a verdadeira vida. Sabem que o caminho que precisam trilhar é reto e estreito, e que hão de encontrar muitos obstáculos e tentações, ao resistirem às seduções da estrada mais ampla que conduz à ruína; discernirão, porém, as pegadas de Jesus, e avançarão firmes em direção ao alvo, pelo prêmio da soberana vocação de seu Senhor e Salvador. Escolherão a estrada real que conduz ao Céu, se bem que seja reta e estreita; pois têm em apreço o grande galardão" (Nossa Alta Vocação, p. 3).

terça-feira, 20 de junho de 2023

DIA MUNDIAL DO REFUGIADO

Conflitos, violência, pobreza e alterações climáticas são alguns dos fatores que levam milhares de pessoas, todos os dias, a abandonar o seu país à procura de uma vida melhor. Nos últimos anos, o mundo tem assistido ao maior fluxo de deslocados forçados já registrado. Só no ano passado houve mais 19,1 milhões de refugiados do que em 2021, atingindo número histórico, com graves consequências para os direitos humanos. Em 2022, número de deslocados foi recorde - 108,4 milhões. A Organização das Nações Unidas (ONU) celebra, nesta terça-feira (20), o Dia Mundial do Refugiado, destacando o poder da inclusão.

Proclamada em 2000, a data é comemorada anualmente, no dia 20 de junho, pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), com o objetivo de realçar a coragem, os direitos, as necessidades e a resiliência das pessoas nessam condição. Este ano, o foco das celebrações é o poder da inclusão e as soluções para os refugiados - pessoas que fugiram da guerra, violência, conflito ou perseguição e que atravessaram uma fronteira internacional para procurar segurança em outro país.

Sob o lema “Esperança longe de casa. Um mundo onde os refugiados são sempre incluídos”, a comunidade internacional e o Acnur querem incluir os refugiados nas comunidades onde encontraram segurança, depois de fugirem de seu país. (Agência Brasil)

Comparações à parte, essa busca por uma terra melhor me fez recordar o relato bíblico da saída dos hebreus do Egito, quando Deus agiu poderosamente para libertá-los da servidão e levá-los à terra da promessa. Primeiro, dez pragas forçaram um faraó obstinado a finalmente permitir que os israelitas deixassem o país. Depois, as águas do Mar Vermelho foram como violentos instrumentos de vingança contra soldados implacáveis que, sob a ordem do insolente rei, queriam manter seus prisioneiros. Horas mais tarde, centenas de corpos inertes na praia foram para Israel um sinal do “grande poder do Senhor contra os egípcios” (Êx 14:31). O sonho de Deus era levá-los à terra de Canaã precisamente após esse episódio, porém sua persistente incredulidade os manteve quarenta anos no deserto.

O livro de Josué fala da chegada dos hebreus à terra de Canaã e a divisão do território. Como afirma Ellen G. White, “os longos anos de suas vagueações pelo deserto haviam-se findado. Os pés de Israel estavam finalmente a pisar na terra prometida” (Profetas e Reis, p. 355). Ao longo da história da igreja cristã, essa experiência do povo de Israel tem sido usada como prenúncio da experiência do novo Israel. Porém, diferentemente dos milhões de refugiados, deslocados forçados, os quais saíram para uma terra que não lhes havia sido prometida e para a qual não lhes foi estendido qualquer convite, estamos seguindo para um lugar que nos pertence por um juramento pronunciado pelo próprio Deus (Hb 6:17-20).

Em uma reunião de despedida com os discípulos, Jesus lhes deu uma garantia que ainda hoje aquece o coração de muitos peregrinos: “Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar. E, quando eu for e vos preparar lugar, virei outra vez…” (Jo 14:1-3; grifos acrescentados).

Receosas com um possível aumento desordenado da população, as autoridades de alguns países estão preocupadas com o alto fluxo de imigrantes e estão fechando cada vez mais suas fronteiras, porém, na Canaã celestial há espaço suficiente para todos os refugiados deste mundo.

Ellen G. White conclui: "Na Bíblia, a herança dos salvos é chamada um país. Há ali casas para os peregrinos da Terra. Estamos em caminho para casa. Aquele que nos amou de tal maneira que morreu por nós, construiu para nós uma cidade. A Nova Jerusalém é o nosso lugar de repouso. Não haverá tristeza na cidade de Deus. Nenhum véu de infortúnio, nenhuma lamentação de esperanças frustradas e afeições sepultadas serão jamais ouvidas" (O Lar Adventista, p. 543).

segunda-feira, 19 de junho de 2023

SOMOS TODOS FILHOS DE DEUS?

É bem comum ouvirmos as pessoas declararem que todo mundo é filho de Deus. Ou alguém declarar, como uma expressão requerendo algum direito, dizendo: “Eu também sou filho de Deus!" Porém, é uma expressão que precisa ser bem compreendida com base na Bíblia e no Espírito de Profecia, pois é usada de forma errada em muitos casos. Afinal, todos nós somos filhos de Deus?

Cerca de cinquenta anos após a ascensão de Jesus, João, um dos que mais desfrutaram de Sua companhia, permanecia como o único remanescente daquele grupo de doze apóstolos. Foi então que escreveu cinco obras que fazem parte da Bíblia Sagrada: três cartas, um evangelho e o Apocalipse. Aquela que é chamada de primeira carta de João, embora ocupe apenas duas folhas na Bíblia, está repleta de ensinamentos úteis para os nossos dias. Lendo essa carta, nossa atenção é atraída para duas expressões sinônimas que se repetem ao longo do texto: “nascido de Deus” e “nascido dEle”. Através destas palavras, o apóstolo nos mostra como podemos reconhecer um filho de Deus. São cinco marcas.

1. Fé em Jesus – Nos tempos do Antigo Testamento, Deus prometera enviar alguém para ser o Salvador – alguém que pregasse o evangelho, que curasse os quebrantados e libertasse os cativos, que trouxesse consolo e alegria (Is 61:1-3) – alguém que fora escolhido e ungido por Ele para essa missão.

João escreveu que “todo aquele que crê que Jesus é o Cristo é nascido de Deus” (1 João 5:1). Portanto, todo filho de Deus crê que Jesus de Nazaré, e não qualquer outro homem, é o Cristo, o Ungido que Deus prometera. Também reconhece que Jesus era muito mais do que um homem bom, um sábio, um mestre e um poderoso profeta. À semelhança do apóstolo Pedro, ele afirma: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mt 16:16).

Ellen G. White afirma: "Ao considerar o amor de Cristo, João foi levado a exclamar: 'Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados filhos de Deus' (1 João 3:1). Os homens consideram um privilégio ver um personagem de família real, e milhares vão a grandes distâncias para o conseguir. Quão maior privilégio é ser filhos e filhas do Altíssimo! Que maior privilégio nos poderia ser concedido do que ter entrada na família real? Mediante a perfeição do sacrifício oferecido pela raça culpada, os que creem em Cristo, chegando-se a Ele, podem ser salvos da ruína eterna. Ninguém seja tão iludido pelo inimigo que pense ser uma condescendência da parte de homem algum, por mais talentoso ou instruído ou honrado que seja ele, o aceitar a Cristo" (The Youth’s Instructor, 27 de Setembro de 1894).

2. Não viver pecando – “Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática de pecado; pois o que permanece nele é a divina semente; ora, esse não pode viver pecando, porque é nascido de Deus” (1 João 3:9). O filho de Deus é simplesmente incapaz de viver uma vida pecaminosa. Isto não significa que ele nunca mais cometerá um ato de pecado, mas que ele não vive mais constantemente, habitualmente, uma vida de pecado. Quando creu em Cristo, houve uma “transformação interior, profunda, radical”; recebeu nova natureza, que “exerce uma forte pressão interna em direção à santidade”.1

Ellen G. White escreve: "Deus devia ser manifesto em Cristo, 'reconciliando consigo o mundo' (2 Coríntios 5:19). O homem se tornara tão degradado pelo pecado que lhe era impossível, por si mesmo, andar em harmonia com Aquele cuja natureza é pureza e bondade. Mas Cristo, depois de ter remido o homem da condenação da lei, poderia comunicar força divina para se unir com o esforço humano. Assim, pelo arrependimento para com Deus e fé em Cristo, os caídos filhos de Adão poderiam mais uma vez tornar-se 'filhos de Deus' (1 João 3:2)" (Patriarcas e Profetas, p. 64).

“Deus armou os Seus filhos para a guerra contra Satanás, implantando a Sua própria natureza neles... Podemos dizer, portanto, em terminologia moderna, que os gens de Deus permanecem em Seus filhos, e que pecar é contrário à natureza deles.”2 Ilustremos esta verdade comparando dois animais: o porco e o gato. O porco tem prazer em chafurdar na lama. Faz parte de sua natureza. Mas um gato jamais fará isso. É um dos animais mais limpos que conhecemos: está sempre se lambendo, se limpando. Um gato nunca terá prazer em se revolver na lama simplesmente porque não faz parte de sua natureza. Assim, um filho de Deus não terá satisfação em viver uma vida pecaminosa.

Ellen G. White diz: "A filiação divina não é qualquer coisa que obtenhamos por nós mesmos. Unicamente aos que recebem Cristo como seu Salvador, é dado o poder de tornarem-se filhos e filhas de Deus. O pecador não pode, por nenhum poder a ele inerente, livrar-se do pecado. Para conseguir isso, ele precisa olhar a um Poder mais alto. João exclamou: 'Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado' (João 1:29). Unicamente Cristo possui poder de purificar o coração. Aquele que busca o perdão e aceitação, só pode dizer: 'O preço do resgate eu não o tenho; à Tua cruz, somente, eu me sustenho.' Mas a promessa de filiação é feita a todos quantos 'creem no Seu nome' (João 1:12)." (The Review and Herald, 3 de Setembro de 1903).

3. Prática da justiça – “Se sabeis que Ele é justo, reconhecei também que todo aquele que pratica a justiça é nascido dEle” (1 João 2:29). O texto afirma que Deus é justo. A justiça é algo inerente a Seu caráter; por isso, tudo que Ele faz é justo. Uma vez que o filho deve exibir o caráter do pai, porque participa da natureza do pai,3 aquele que nasce de Deus também pratica a justiça. Aquele que foi regenerado pelo poder de Deus não só abandona o mal, também se esmera em efetuar o que é reto.

Ellen G. White revela: "Os que consentem em ser guiados pelo Espírito de Deus serão iluminados e santificados. Discernirão a malignidade do pecado e a beleza da santidade. Considerarão grande honra o serem chamados filhos de Deus, sabendo que são de todo indignos de se associarem com Cristo, o unigênito do Pai. Cristo tomou sobre Si nossa natureza, para nos poder ligar a Si. Sofreu na carne para que pudesse levar muitos filhos e filhas a Deus" (The Youth’s Instructor, 8 de Dezembro de 1892).

4. Amor para com os irmãos – “Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor procede de Deus; e todo aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor” (1 João 4:7 e 8). O amor nos leva a ser pacientes, corteses e esperançosos no trato com nossos irmãos; bane de nossa vida o egoísmo, o ciúme, a inveja e o orgulho, e nos capacita a suportar e perdoar as ofensas e injustiças.

Ellen G. White alerta: "Somos nós os filhos de Deus? Não é o serviço impulsivo que Deus aceita; não é o emocional espasmo de piedade que nos faz filhos de Deus. Ele nos convida a trabalhar por princípios verdadeiros, firmes, permanentes. Se Cristo é formado em nós, a Esperança da glória, Ele será revelado no caráter e este terá a semelhança de Cristo. Devemos representar Cristo para o mundo, como Cristo representou o Pai" (Beneficência Social, p. 38).

5. Vitória sobre o mundo – “Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo” (1 João 2:15). O mundo deve ser encarado por nós, não como amigo, mas como um inimigo que precisa ser combatido e vencido. Contudo, isso só é possível àquele que nasce de Deus. “Porque este é o amor de Deus: que guardemos os Seus mandamentos; ora, os Seus mandamentos não são penosos, porque todo que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé (1 João 5:4).

Ellen G. White aconselha: "Entregando-nos a Deus, temos necessariamente de renunciar a tudo que dEle nos separe. Por isso diz o Salvador: 'Qualquer de vós que não renuncia a tudo quanto tem não pode ser Meu discípulo' (Lucas 14:33). Tudo que afaste de Deus o coração, tem de ser renunciado. Não podemos pertencer metade ao Senhor e metade ao mundo. Não somos filhos de Deus a menos que o sejamos totalmente" (Caminho a Cristo, p. 44).

Como vimos, um genuíno cristão crê em Jesus como o seu Salvador e, por isso, teve sua vida completamente mudada, de modo que o pecado não é mais um hábito ao qual está escravizado e o mundo não é mais seu amigo, nem mais o fascina; ele, agora, ama de verdade e se empenha em praticar o bem. Estas são marcas que o diferenciam dos demais e atestam ser ele, de fato, um filho de Deus. Convém, agora, descobrir se essas marcas são nossas marcas.

Finalizo com este pensamento de Ellen G. White: "Gostaria de chamar a atenção de vocês para as preciosas promessas da Palavra de Deus. Nem todos os filhos de Deus possuem a mesma capacidade, o mesmo temperamento, a mesma confiança e ousadia. Sinto-me contente, entretanto, de que nossos sentimentos não sejam evidência de que não somos filhos de Deus. O inimigo tentará você a pensar que praticou coisas que a separaram de Deus e de que Ele não mais a ama, mas nosso Senhor ainda nos ama, sim, e podemos ter certeza disso pelas palavras que Ele registrou exatamente para casos como o seu: 'Se... alguém pecar, temos advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o justo' (1 João 2:1). 'Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça' (1 João 1:9)" (Carta 89, 1896).

Referências 
1. John R. W. Stott, As Epístolas de João – Introdução e Comentário, p. 110. 
2. Clifton J. Allen, Comentário Bíblico Broadman  vol. 12, p. 247. 
3. Stott, p. 101.

sexta-feira, 16 de junho de 2023

FOBIAS

Mudar o trabalho, a rota de condução, atividades sociais e de lazer para evitar algo que provoque uma sensação de pavor. Essa é a rotina, sempre alterada, de quem sofre de fobias, um medo persistente, excessivo e irreal de algum objeto, pessoa, animal, atividade ou situação. Classificadas como tipos de transtorno de ansiedade, elas são capazes de interferir muito na qualidade de vida e até ditar o dia a dia de uma pessoa.

O termo “fobia” é derivado do grego “phóbos”, que significa medo. Muitas vezes, as palavras “fobia” e “medo” são utilizadas como sinônimos, entretanto é fundamental saber diferenciá-las.

“Temos medo de situações, mas a fobia é um medo desproporcional. A pessoa com fobia fica apavorada, perde o controle e paralisa. Aquilo acaba com o dia dela, é algo que ela não consegue enfrentar”, explica o médico e psiquiatra Kalil Duailibi, professor da Universidade Santo Amaro (Unisa) e presidente do Departamento de Psiquiatria da Associação Paulista de Medicina (APM).

Prevalência
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil é o país mais com maior número de ansiosos do mundo. Ao menos 18,6 milhões de brasileiros - (9,3% da população) sofrem com algum tipo de transtorno de ansiedade, e as fobias estão inclusas nessa estatística. Além disso, segundo os Institutos Nacionais de Saúde, nos EUA, 20% da população mundial convive com essa condição.

Tipos de fobia
A pessoa fóbica faz uma superinterpretação do perigo inerente ao estímulo que ela percebe como ameaçador. Pode ser um elevador, uma cobra, uma mosca, altura, avião. A variedade é grande: qualquer objeto, ser e situação pode ser temido. Existem incontáveis tipos de fobias específicas. Entre as mais comuns estão:

- acrofobia (medo de altura)
- aerofobia (medo de voar)
- claustrofobia (medo de lugares fechados)
- aicmofobia (medo de agulhas ou objetos pontiagudos)
- hemofobia ou hematofobia (medo de ver sangue)
- escotofobia (medo do escuro)
- aracnofobia (medo de aranhas)
- cinofobia (medo de cães)
- tanatofobia (medo da morte)
- catsaridafobia (medo de barata)

Também há outras curiosas e menos frequentes, como:

- dendrofobia (medo de árvores)
- caetofobia (medo de pelo ou cabelo)
- hielofobia (medo de vidros e cristais)
- crematofobia (medo de dinheiro)
- catisofobia (medo do ato de se sentar)
- coulrofobia (ou medo de palhaços).

Além das fobias específicas, que são mais recorrentes e são deflagradas por situações ou objetos, existe, ainda:

- a fobia social (ou ansiedade social), que ocorre quando uma pessoa está diante de outras, numa festa ou outra situação social;

- e a agorafobia, caracterizada por um medo de ficar sozinho em lugares públicos ou desconhecidos, em que a pessoa sente não ter controle sobre a situação ou não ter escapatória.

Como se pode notar, a fobia é uma tendência a agir respondendo com medo exagerado a uma situação. Como é uma resposta persistente e irracional torna a adaptação do indivíduo ao ambiente muito sofrida porque contribui para impedi-lo de sair de casa, usar transporte público, entrar no elevador, atravessar um túnel, relacionar-se com desconhecidos. É uma forma de prisão ou armadilha adquirida ao longo da existência.

Mas o fóbico desconhece as causas da sua fobia, ou seja, a fobia não é fruto de uma escolha consciente. Antes, é muito mais uma forma de adaptação que a pessoa acolhe para se proteger exageradamente. Ela pode surgir também pela consequência de traumas sofridos, deixando uma hipersensibilidade que não suporta nenhum desconforto.

Quais os fatores de risco?
Por ser algo irracional, não é necessário um trauma para desencadear a fobia. Acredita-se que entre os fatores de risco estão o histórico familiar e o gênero, sendo mais frequente em mulheres.

As fobias costumam começar na infância, mas o agravamento ocorre na adolescência. “É a fase em que se adquire maior independência, então as fobias pioram a partir do momento em que você se expõe mais”, pontua Kalil.

Procure ajuda
Ter a consciência de que é uma condição tratável e buscar ajuda é muito importante para alcançar a melhoria da qualidade de vida. O tratamento costuma envolver psicoterapia, e as que costumam trazer melhores resultados, segundo a literatura médica, são a terapia cognitivo-comportamental (que ajuda a pessoa a identificar o que deflagra suas emoções e modificar comportamentos), e a terapia de exposição (a pessoa é exposta de maneira muito gradual àquilo que lhe desperta medo, sempre com a participação do terapeuta). 

Na Bíblia, podemos encontrar um tratamento como esse sendo executado pelo próprio Deus a um profeta. Em 1 Reis capítulo 19, Elias foge de Jezabel com medo da morte e se esconde em uma caverna. Depois de sucessivas manifestações do poder de Deus, o Senhor fala com Elias por duas vezes com a seguinte pergunta: “Que fazes aqui Elias?” (v. 9 e 13); depois o desafia a vencer seu medo/fobia – pois ele está isolado e pedindo a morte e não simplesmente protegendo a sua vida – enfrentado o que anteriormente o fizera fugir: “Vai, volta ao teu caminho…” (v. 15). Como Deus tem lhe chamado a desafiar seus medos?

Jesus nos preveniu sobre o perigo do desenvolvimento do medo excessivo em nossas vidas quando disse: “Eu vos tenho falado estas coisas, para que tenhais paz em mim. No mundo tereis tribulações; mas tende bom ânimo eu tenho vencido o mundo” (Jo 16:33).

Temos que entender que nossas emoções negativas causadas por esse mundo de pecado, acumulam-se em nossos corações, devido a um passado sofrido, a traumas, abusos, perdas, rejeições, injustiças, dor, raiva, sentimentos de vingança, baixa autoestima, enfim, todos esses sentimentos e emoções trazem consequências que influenciam o nosso desenvolvimento, causando um desequilíbrio emocional em nossas vidas, fazendo-nos desenvolver fobias. Mas temos um Deus maravilhoso que se compadece de nós e nos tem provido meios de sermos vitoriosos em nossos temores.

“Lançando sobre Ele toda a vossa ansiedade, porque Ele tem cuidado de vós” (1Pe 5:7).

“Não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a minha destra fiel” (Isaías 41:10).

Fique também com este precioso conselho de Ellen G. White: "Se tomarmos conselho com as nossas dúvidas e temores, ou procurarmos solver tudo que não podemos compreender claramente, antes de ter fé, as dificuldades tão-somente aumentarão e se complicarão. Mas se chegarmos a Deus convencidos de nosso desamparo e dependência, tais quais somos, e com humilde e confiante fé fizermos conhecidas nossas necessidades Àquele cujo conhecimento é infinito, e o qual tudo vê na criação, governando todas as coisas por Sua vontade e Palavra, Ele pode atender e atenderá ao nosso clamor, e fará a luz brilhar em nosso coração. Seja em terra ou no mar, se temos no coração o Salvador, nada há a temer. A fé viva no Redentor acalma o mar da vida, e Ele nos protege do perigo da forma que sabe ser a melhor" (Mente, Caráter e Personalidade 2, p. 475).

Dependendo do caso, podem ser prescritos medicamentos de uso regular para controle da ansiedade, como antidepressivos, ou pontual, ou seja, apenas para situações de maior estresse, como sedativos ou drogas que evitam o aumento da pressão e a taquicardia (coração acelerado).

Como ajudar?
Segundo o psiquiatra, o primeiro passo para ajudar uma pessoa com fobia é não ridicularizar: “A pessoa sofre e muito com isso. Ela sabe que é absurdo, mas não consegue controlar, é irracional. Então, ela precisa da compreensão do próximo. Se gostamos e nos importamos com a pessoa, devemos orientá-la a buscar um tratamento”.

Tentar também lembrar o fóbico ou ansioso de que ele mesmo possa estar contribuindo para seu estado cria nele raiva e negação. Ele reage mal porque avalia como acusação, crítica e atribuição de culpa por algo que desconhece. Mas se ele não reconhece sua contribuição, ao exagerar na interpretação do perigo, dificilmente vai melhorar.

A pessoa não é culpada moralmente pela sua situação, mas é responsável no sentido de responder por seu cuidado pessoal. Nenhuma outra pessoa pode responder pelo modo como nós lidamos com nossos sentimentos. É para isso que somos livres, mas responsáveis. Nossa autonomia nos impõe a necessidade do cuidado pessoal. Cresçamos nessa tarefa com menos fobias!

[Com informações de UOL]

quinta-feira, 15 de junho de 2023

O CAMINHO DO REI

Nascimento anunciado por um anjo, figura icônica forjada na obscuridade e na solidão do deserto, profeta de origem sacerdotal vestido com roupa austera feita de pelos de camelo (em vez do traje sagrado de alta qualidade elaborado com ouro, tecido azul, púrpura e linho fino), João Batista entrou em cena como um novo Elias no poder do Espírito, o homem destinado a ligar os dois Testamentos, reformar a sociedade e proclamar uma nova época.

“Preparem o caminho do Senhor! Preparem o caminho do Senhor!”, ele surge cantando num musical dos anos 1970, Godspell (grafia antiga de gospel, “evangelho”), ecoando as palavras iniciais do evangelho de Marcos. Essa frase, por sua vez, vem de um magnífico e inspirado poeta hebreu. Com suas metáforas inesquecíveis e seu toque poético, o profeta Isaías imortalizou a missão do precursor do Messias.

A ideia de preparar o caminho reflete um costume oriental antigo de criar uma estrada “pavimentada” para a visita de um monarca. Estradas são importantes em qualquer país. Segundo um indicador da qualidade de estradas, o Brasil tem o índice 3 numa escala de 1 a 7. Pelo mundo afora, há estradas esplêndidas, em meio à natureza. Mas nenhuma se compara à estrada espiritual pela qual vai passar o Deus que não depende de rodovias.

A tarefa de João Batista no 1º século prefigura a missão da Igreja Adventista hoje. Ao falar da proclamação dele, Ellen White pontua: “Esta é exatamente a mensagem que deve ser dada ao nosso povo; estamos perto do fim do tempo e a mensagem é: Preparem o caminho do Rei” (Mensagens Escolhidas, v. 1, p. 410). A lógica é: primeiro advento, uma estrada; segundo advento, outra estrada. Não uma sinuosa estrada física ou digital, mas o reto caminho espiritual. Porém, numa época em que as pessoas necessitam de conforto, será que precisamos mesmo de um João Batista contracultural com seu estilo rústico? Não seria melhor falar de preparo em outro momento? De que maneira preparamos o caminho para o Rei? Veja algumas respostas para a última pergunta, com base no contexto das passagens bíblicas de Isaías (40), Malaquias (4) e dos evangelhos que falam do assunto:

* Consolando o povo de Deus com carinho e dizendo que o tempo de sofrimento acabou e os dias de perdão chegaram.

* Aplanando o terreno do coração, nivelando montes e aterrando vales, abatendo egos exaltados e restaurando autoestimas danificadas.

* Mostrando a transitoriedade humana e a perenidade da Palavra de Deus, o que desperta o desejo por algo estável.

* Criando a consciência da necessidade de arrependimento e mudança radical de vida, o que é sinalizado pelo batismo.

* Proclamando o estabelecimento definitivo do Reino de Deus, momento em que o Céu invade a Terra e o amor, a justiça e a salvação se tornam realidade, criando paz e esperança. 

* Apontando para Alguém mais importante do que nós e os líderes humanos, isto é, Jesus Cristo, que batiza com o Espírito Santo e transforma tudo.Unindo o coração de pais e filhos, agrupando judeus e cristãos em torno do Messias.

* Dizendo às cidades e aos campos “Eis aí está o seu Deus!”, o Senhor que virá com braço forte e trará Sua recompensa.

Ser voz no deserto não é confortável. Ser “motoniveladora” espiritual é um desafio. Porém, precisamos remover os obstáculos para a vinda do Senhor. Isso exige mudanças. Somente quem está preparado pode ajudar a preparar um povo para o encontro com o Senhor. Se queremos um mundo novo, precisamos de pessoas novas para habitá-lo. Você deve se voltar para Deus a fim de que Ele volte para você.

Marcos De Benedicto (via Revista Adventista)