quinta-feira, 7 de maio de 2026

O SOM DO SILÊNCIO

Hoje, dia 7 de maio, comemora-se o Dia do Silêncio. O principal objetivo desta data é conscientizar as pessoas dos males que a poluição sonora provoca, em diversos aspectos, a queda da saúde e da qualidade de vida das pessoas. Além de consequências físicas, o excesso de ruídos também prejudica a concentração e eleva os níveis de estresse. Por este motivo, o Dia do Silêncio convida as pessoas a separar uns minutos durante o dia para desfrutar do total silêncio!

Mas vamos refletir um pouco mais sobre isso...

The Sound of Silence (O Som do Silêncio - ouça aqui) é uma das melhores músicas que já ouvi. Era cantada por Simon e Garfunkel em um arranjo inesquecível, suave, sussurrado. Emocionante. Uma parte da letra dizia: “pessoas conversando sem falar; pessoas ouvindo sem escutar”. A ideia da música era claramente irônica. Não era o som que estava perdido, mas a capacidade de reflexão.

O silêncio era de idéias. Na última estrofe a letra diz “e as pessoas se curvavam e oravam ao deus neon que elas fizeram; e o sinal iluminava seu alerta, nas palavras que formava, e o sinal dizia ‘as palavras dos profetas estão escritas nas paredes do metrô’ (…)”.

O que os autores ressaltavam era que as pessoas estavam buscando ‘luzes’, no sentido de que queriam shows, entretenimento, diversão. Não queriam o real, não queriam o profundo, não queriam a verdade. Estavam satisfeitos com a imagem dela projetada pelo neon. Mesmo que a mensagem tivesse o intuito de dirigi-los a outro rumo.

Na verdade, todos têm medo do silêncio. Não o silêncio barulhento, cheio de palavras vazias que não dizem nada. O silêncio reflexivo. O medo que esse tipo de silêncio provoca é o do autoconhecimento. Do encontro consigo mesmo. É desse silêncio que fugimos quando chegamos em casa e ligamos a TV. É dele que fugimos quando enchemos nossos dias de milhões de atividades, inclusive as religiosas.

Kierkegaard (teólogo e filósofo dinamarquês do século XIX) coloca que é este o silêncio que provoca a fé. Que provoca o encontro com o Invisível. Quietos, obrigamos nossa mente a refletir em quem somos, no que fazemos, no que queremos. A dureza deste encontro é que realizamos a finitude de tudo o que somos. Somente depois disto, podemos enxergar o Infinito.

A Bíblia diz que Jesus buscava o silêncio e a quietude (Jo 6:15; Mt 14:23; etc.). Ficou no deserto sozinho por 40 dias (Mt 4:1-11). Eram nesses momentos que Ele encontrava-se com Ele. Ellen White diz: "A Majestade do Céu frequentemente, ficava de joelhos a noite toda em oração. Enquanto a cidade estava envolta em silêncio, e os discípulos haviam retornado a seus lares a fim de obter refrigério no sono, Jesus não dormia. Ele escolhia o silêncio da noite, quando não haveria interrupção" (Testemunhos para a Igreja 2, p. 508).

No decorrer de mais um dia, com tantos ‘luminosos de neon’, retire o seu tempo, ligue a sua tecla ‘mute’ e reflita, se encontre, e encontre-se com Ele. Ouça o que fica escondido no barulho do trabalho, do estudo, do namoro, etc. Ouça o verdadeiro som do silêncio.

Ellen White conclui: "Se os que professam crer nas grandes verdades para este tempo se preparassem examinando as Escrituras, orando fervorosamente, e exercitando a fé, colocar-se-iam em posição em que poderiam receber a luz que tanto ambicionam. A eloquência do silêncio diante de Deus é muitas vezes essencial. Se a mente é mantida em contínua agitação, o ouvido é impedido de ouvir a verdade que o Senhor quer comunicar a Seus crentes. Cristo tira Seus filhos daquilo que lhes prende a atenção, a fim de que contemplem Sua glória" (Manuscrito 94, 1897).

Nenhum comentário:

Postar um comentário