O sangue e a crueldade todos os dias são estampados nos jornais do mundo todo. Mas a notícia sobre uma megaoperação realizada ontem pela Polícia Civil no Rio de Janeiro, alvo de uma "zona de guerra", dominou as atenções de todo o país.
A ação ocorreu nos Complexos do Alemão e da Penha, na zona norte da cidade, com objetivo de frear avanços territoriais do CV (Comando Vermelho) e prender lideranças criminosas. Segundo o Governo do Estado do Rio de Janeiro, 81 suspeitos foram presos, também foram apreendidos cerca de 93 fuzis e mais de meia tonelada de drogas na "Operação Contenção". 121 pessoas morreram, sendo 4 policiais.
É difícil dizer se houve, em algum momento da história, uma indiferença e crueldade tão imensuravelmente maior contra a vida. O que sabemos é que, pelas notícias diárias de criminalidade, nada mais parece chocar, assustar, assombrar, surpreender ou aterrorizar a sociedade de uma maneira tão impactante, marcante e perturbadora. Vejamos o que Ellen G. White diz: "Satanás está empregando todos os meios para tornar populares o crime e o vício aviltante. A mente é educada de maneira a familiarizar-se com o pecado. A conduta seguida pelos que são baixos e vis é posta perante o povo nos jornais do dia, e tudo que pode provocar a paixão é trazido perante eles em histórias excitantes. Ouvem e leem tanto acerca de crimes aviltantes que a consciência, que já fora delicada, e que teria recuado com horror de tais cenas, se torna endurecida, e ocupam-se com tais coisas com ávido interesse" (Patriarcas e Profetas, p. 336).
Parece estranho, mas o que fica evidente é que um surto de espanto e pavor de ontem não é muito diferente do surto de hoje e, claro, não será diferente do surto de amanhã. A diferença mesmo está na intensidade, pois na medida em que o tempo passa, a selvageria, desumanidade, truculência e improbidade se tornam maiores, intensas e, infelizmente, cada vez mais comuns. Ellen G. White afirma: "Os relatos de homicídios e crimes de toda a espécie chegam até nós diariamente. A iniquidade está-se tornando uma coisa tão comum que não ofende mais as suscetibilidades como em tempos passados" (Eventos Finais, p. 23).
O que desejo dizer é que nos assustamos não tanto mais pela hediondez do crime, mas pela onda ou intensidade em que essas coisas têm se tornado corriqueiras. Paulo, o Apóstolo, ao contemplar o futuro, não observou nada diferente quanto à realidade da natureza moral e racional do que vemos hoje. Não fomos pegos de surpresa porque a Palavra de Deus já havia nos alertado do aumento da maldade humana. O apóstolo afirmou o que “os homens maus e impostores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados” (2 Timóteo 3:13).
Esta tônica da profecia de Paulo é desconcertante e temerosa, pois, segundo sua perspectiva, melhor dizendo, segundo a perspectiva de Deus, no mundo não haverá dias melhores. Jesus também não foi otimista quando, ao descrever os dias finais da história, com ênfase em Sua segunda vinda, retratou o mundo como se parecendo com os dias de Noé (Lucas 17). Naqueles dias, o pecado mais agravante, além de outros, era a violência em todo seu viés. O mesmo juízo que recaiu sobre a geração de Noé será o mesmo juízo que recairá sobre o mundo impenitente de hoje. Deus intervirá hoje como interveio no passado. A qualquer momento Ele fará a Sua visitação extraordinária. Ellen G. White alerta: "A perversidade e crueldade dos homens alcançarão tal altitude que Deus Se revelará em Sua majestade. Muito em breve a impiedade do mundo terá atingido seu limite e, como nos dias de Noé, Deus derramará os Seus juízos" (Olhando para o Alto, p. 372).
Não há dúvidas de que estamos todos chocados com o terror em cada esquina. A vida se tornou tão insignificante que muitos torturam e matam uma pessoa como se ela fosse um mero inseto. Amor, sentimento, dor, sofrimento humano ser tornaram profundamente banais para muitos. Mas, o que conforta é saber que a justiça honrará a todos os que foram humilhados e pisoteados pelo pecado. Uma certeza bem gratificante é que o mal, na agenda de Deus, está com data marcada para acabar.
Por mais que pareça tardia, a justiça de Deus não tarda e não falha. Na verdade, ela ocorre no tempo oportuno e certeiro. Viva confiante e com a certeza da providência divina. Olhe para sua sombra e contemple a presença do anjo do Senhor ao seu lado. Viva com os olhos no céu com a convicção da justiça de Deus.
Jamais deixe de orar antes de inserir os seus pés para fora de casa. Sempre peça a Deus que conserve ao seu lado a presença do anjo protetor. Lembre-se que todos os que confessam o nome de Deus e vivem ao Seu lado podem, mesmo em meio a tanta tribulação, viver na paz de espírito. Ele está atento a todas as desordens que tem trazido dor e medo e fará justiça por cada uma delas. Alegre-se, porque a nossa estadia nesta terra está chegando ao fim. Lembre-se: "Na grande obra de finalização, nos defrontaremos com perplexidades que não saberemos contornar, mas não nos esqueçamos de que as três grandes potestades do Céu estão atuando, que a divina mão está posta ao leme, e Deus fará cumprir os Seus desígnios" (Evangelismo, p. 65).
A Bíblia, em João 16:33, diz: “[…] No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo”. Foi exatamente por isso que Jesus veio ao nosso planeta para deixar dois pontos bem claros: podemos vencer o mundo, a despeito da aflição. E acrescenta: “Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim”. Em meio a tanta dor e desespero, em Cristo, podemos encontrar paz.
Porém, nossa luta contra a falta de amor não durará para sempre. Nossa salvação está próxima, porque, quando Cristo morreu na cruz e ressuscitou, Ele nos deu a esperança de que a maldade está com os dias contados. Há um novo lar que Deus nos preparou no qual afirma: “E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram” (Apocalipse 21:4). Que esperança!
Essa promessa é repetida de forma similar nos versos de João 14:1-3: “Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar. E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também”.
Embora os governos não ofereçam segurança, Jesus lhe oferece a paz em meio à forte tempestade. Ainda, leia a maravilha dita pelo próprio Jesus em Sua Palavra, em 2 Tessalonicenses 3:3: “Todavia, o Senhor é fiel; ele vos confirmará e guardará do Maligno”.
O caminho para um mundo novo e sem violência, talvez você já o conheça, mas quem sabe o esqueceu: esse caminho é Jesus. João 14:6 afirma: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida”. As profecias se cumprirão, para nosso bem, mas a esperança nos sustém e nós, como cristãos, somos chamados a semear o amor em um mundo carente desse substantivo abstrato.
Mateus 24:12 diz que “por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de quase todos”, mas no verso 13 encontramos outra fórmula atual: “Aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo”. Resumindo, somos chamados a perseverar em Cristo, nossa única esperança, e que nos prometeu um mundo novo e sem violência. Você pode acreditar.

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