sexta-feira, 10 de outubro de 2025

JESUS E AS CRIANÇAS

A escolha do dia 12 de outubro como Dia Mundial das Crianças se deu porque nesse mesmo dia, no ano de 1959, o UNICEF (órgão das Nações Unidas para gerenciar projetos relacionados às crianças) oficializou a Declaração dos Direitos da Criança. Nesse documento, se estabeleceu uma série de direitos válidos a todas as crianças do mundo como alimentação, amor e educação.

O maior direito que uma criança deve ter e que não pode ser sonegado é o de desenvolver seus dons e capacidades para Deus. Pais, em primeiríssimo lugar, e educadores e parentes precisam compreender isso. Deus vê as crianças com olhos especiais. Deus sempre destacou o potencial das crianças e não as tratou como seres inferiores. Somos nós, adultos, que muitas vezes não conseguimos enxergar isso imersos em egoísmo e individualismo.

Uma grande lição com crianças registrada na Bíblia, na minha avaliação, vem de Jesus e está registrada em Lucas 18:16. O contexto é de um grupo de adultos (os discípulos) tentando impedir que pessoas levassem crianças até Jesus para que Ele as abençoasse. Na ótica dos adultos, as crianças eram um estorvo e uma perda de tempo para o Mestre. A resposta de Jesus evidencia a visão estratégica dele para os pequenos. Ele afirma que “deixem que as crianças venham a mim e não proíbam que elas façam isso, pois o Reino de Deus é das pessoas que são como estas crianças” (Nova Tradução na Linguagem de Hoje). Ellen White diz que quando Jesus disse aos discípulos que não impedissem as crianças de ir ter com Ele, falava a todos os Seus seguidores em todos os tempos - aos oficiais da igreja, aos ministros, auxiliares e todos os cristãos.

Fica claro que, para Jesus, o que realmente importa é o caráter das pessoas. Os adultos deveriam aprender a perseguir um caráter tal como é o das crianças, marcado pela pureza de pensamentos, sinceridade e altruísmo. As crianças geralmente não cultivam mágoas, perdoam com facilidade e são genuínas em seus sentimentos e ações. Esse jeito de ser desinteressado é justamente o que deveria ser meta de vida de quem já tem mais idade. É por isso que o reino dos céus está associado às crianças. Não é tanto pela ingenuidade, mas pela capacidade de, mesmo já vivendo em mundo de “espertezas” e malícias, conseguir ter de Deus um olhar mais puro. Desafio tremendo!

Ellen White nos deixou preciosos escritos: 

"Jesus sempre foi amante de crianças. Aceitava-lhes a infantil simpatia, e seu amor franco, sem afetação. O grato louvor de seus lábios puros era qual música aos Seus ouvidos, e refrigerava-Lhe o espírito quando opresso pelo contato com homens astutos e hipócritas. Aonde quer que fosse o Salvador, a benevolência de Seu semblante, Sua maneira suave e bondosa conquistavam a confiança dos pequeninos. Era costume entre os judeus levar as crianças a qualquer rabino, para que lhes impusesse as mãos, abençoando-as; mas os discípulos do Salvador julgavam Sua obra demasiado importante para ser assim interrompida."1

"Jesus Se interessava pelas crianças. Ele não entrou em nosso mundo como um adulto plenamente amadurecido. Se assim tivesse sido não teriam as crianças Seu exemplo para copiar. Cristo foi criança; passou pela experiência de uma criança; experimentou os desapontamentos e os percalços que experimentam as crianças; conhecia as tentações das crianças e jovens. Mas Cristo foi em Sua meninice e juventude um exemplo para todas as crianças e jovens. Na meninice, Suas mãos se empenharam em trabalho útil. Na juventude trabalhava na oficina de carpinteiro com Seu pai e a eles esteve sujeito, dando assim em Sua vida uma lição a todas as crianças e jovens. Se Cristo não tivesse sido nunca uma criança, os jovens poderiam agora pensar que Ele não simpatizasse com eles. Mas Ele viveu para seu exemplo, e todas as crianças e jovens podem encontrar em Jesus alguém a quem levar todas as suas mágoas e todos os seus desapontamentos, e nEle encontrarão um Amigo que os ajudará."2

"Nas crianças que foram postas em contato com Ele, Jesus viu os homens e as mulheres que deviam ser herdeiros de Sua graça, e súditos de Seu reino, e alguns dos quais se tornariam mártires por amor dEle. Sabia que essas crianças haviam de Lhe dar ouvidos e aceitá-Lo como seu Redentor muito mais prontamente do que o fariam os adultos, alguns dos quais eram os sábios segundo o mundo e endurecidos de coração. Ensinando, Ele descia ao seu nível. Ele, a Majestade do Céu, respondia-lhes às perguntas, e simplificava Suas importantes lições para alcançar-lhes o infantil entendimento. Plantava-lhes no espírito a semente da verdade que, nos anos por vir, brotaria e daria frutos para a vida eterna".3

"Cristo avaliou tão alto as crianças que deu a Sua vida por elas. Se tão-somente aprendêssemos as maravilhosas lições que Jesus procurou ensinar a Seus discípulos com respeito a uma criancinha, quanta coisa que agora parece invencível dificuldade desapareceria completamente! Quando os discípulos vieram a Jesus, dizendo: "Quem é o maior no Reino dos céus? E Jesus, chamando uma criança, a pôs no meio deles, e disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como crianças, de modo algum entrareis no Reino dos céus. Portanto, aquele que se tornar humilde como esta criança, esse é o maior no Reino dos céus" (Mateus 18:1-4).4

Todas as crianças são preciosas para Deus. Apesar de serem desprezadas em várias culturas e épocas, Jesus valoriza os pequeninos, recebe-os com amor e atenção e os abençoa. Jesus se identificou com as crianças, dizendo que o Reino dos Céus pertence a quem é semelhante a elas. Que o amor de Jesus continue iluminando o caminho de cada uma das crianças.

Textos extraídos dos livros de Ellen G. White:
1. O Desejado de Todas as Nações, p. 512
2. Conselhos sobre a Escola Sabatina, p. 27
3. A Ciência do Bom Viver, pp. 42-44
4. O Lar Adventista, p. 279

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