quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

NOVA ORDEM MUNDIAL

Hoje vivemos em um mundo estruturado sob uma nova ordem internacional, cujo perfil ainda não se encontra completamente definido.

Desde a queda do Muro de Berlim, em 1989, discute-se a emergência de uma nova ordem mundial, com base em duas mudanças: uma geopolítica e outra econômica. Na geopolítica, a grande mudança foi o fim da Guerra Fria e o da bipolarização de poder entre os Estados Unidos e a União Soviética. Na economia, o grande acontecimento foi o aprofundamento do processo de globalização e a formação de blocos econômicos.

O equilíbrio do poder ou a correlação de força é o significado de uma ordem mundial. É a situação econômica, militar, política e diplomática do mundo em um determinado período. No século XIX, a ordem era monopolar, sendo o Reino Unido a grande potência mundial.

No século XX, a ordem era bipolar. Após a Segunda Guerra Mundial (1945), os Estados Unidos (capitalista) e a ex-União Soviética (socialista) disputavam a hegemonia (dominação) ou supremacia internacional. Essas duas potências exerceram grande influência sobre o restante do mundo até 1991, em virtude do grande poderio econômico e militar.

A partir de 1991, a nova ordem mundial se tornou mais complexa. Do ponto de vista do poder militar, os Estados Unidos passaram a ter capacidade de intervir em conflitos importantes em quase todo o globo. Mas essa situação pode ser provisória, tendo em vista que a China moderniza as suas Forças Armadas com investimentos, inclusive em armamento nuclear. Outro exemplo se refere aos países fortes da União Europeia (França, Itália, Reino Unido e Alemanha) que podem se unir e adquirir um poderio bélico comparado ao estadunidense.

A disputa entre os grandes centros do poder, no século XXI, será entre quem tem a economia mais moderna, o melhor padrão ou qualidade de vida para suas populações, a tecnologia mais avançada. Por isso, a tendência à multipolaridade, isto é, a existência de vários centros de poder econômico (Estados Unidos, União Europeia, Japão e China), é uma característica fundamental da nova ordem.

Mas com a recente captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro e a ameaça de anexação da Groenlândia pelos Estados Unidos, reacendeu-se um debate antigo nas relações internacionais: estaria o mundo entrando em uma nova ordem global ou apenas atravessando mais uma fase de rearranjo de poder entre as grandes potências? A ofensiva de Trump deixou evidente que Estados Unidos e China — e, em algumas análises, a Rússia em menor medida, são os grandes polos de poder no mundo e disputam forças desrespeitando fronteiras, instituições e acordos que regiam a geopolítica mundial até agora.

Nova ordem mundial e a Bíblia
Imagino que a grande maioria de nós cristãos tenha ouvido falar sobre nova ordem mundial provavelmente dentro de alguma palestra feita na igreja, certo? Por conta disso, somos tentados a pensar que essa temática seja de cunho exclusivamente religioso. Portanto, o que teria a Bíblia a nos dizer sobre uma reorganização política mundial através das lentes de nossas crenças proféticas e escatológicas? O que a teologia entende como nova ordem mundial?

Ao estudarmos as profecias de Daniel e Apocalipse, juntamente ao sermão profético feito por Cristo nos três evangelhos, percebemos que de fato, o mundo tende a rumar ao colapso. O texto bíblico nos informa que quanto mais o tempo passar, mais o amor se esfriará pelo aumento da iniquidade no coração humano (Mateus 24:12). Haverá cada vez mais conflitos, rumores de guerras, epidemias, fome (Mateus 24:6,7; Lucas 21:11,12), problemas que poderiam ser resolvidos, se não houvesse tanto interesse egoísta envolvido.

Em meio a esse cenário é que a Bíblia descreve em Apocalipse 13, o surgimento no cenário mundial de uma aliança entre dois poderes terrestres. O primeiro é apresentado na figura simbólica de um animal saindo da água, o segundo é descrito como um animal saindo da terra. Dentro do contexto literário do Antigo Testamento, essas duas figuras mitológicas são uma representatividade do mal. João usa esse contexto como pano de fundo para descrever que no tempo do fim, haverá dois poderes humanos, considerados aliados do dragão que é uma representatividade do diabo (Apocalipse 12:7-9), que se unirão, formando assim uma nova ordem mundial.

Ellen G. White assim descreve: "A profecia de Apocalipse 13 declara que a besta semelhante ao cordeiro fará com que 'a Terra e os que nela habitam' adorem o papado — simbolizado pela besta “semelhante a leopardo”. A besta de dois chifres também dirá a todos 'que habitam sobre a Terra, que façam uma imagem à besta, àquela que, ferida de espada, sobreviveu'. Além disso, ordenará a todos, 'os pequenos e os grandes, os ricos e os pobres, os livres e os escravos', que recebam a marca da besta (Apocalipse 13:11-16). Os Estados Unidos são o poder representado pela besta com chifres semelhantes aos de cordeiro. Esta profecia se cumprirá quando os Estados Unidos impuserem a observância do domingo, que Roma alega ser um reconhecimento de sua supremacia" (O Grande Conflito, p. 252).

A união desses poderes é algo tão poderoso e influente que seduzirá todos os habitantes da Terra (Apocalipse 13:14), e mexerá com a economia e a liberdade civil (Apocalipse 13:16,17).

A primeira besta, conforme a sua descrição, representa Roma (Daniel 7:7,17; Apocalipse 17:18), a segunda besta, os Estados Unidos, será um aliado político dela. Quando esses dois poderes se unirem e fundirem num só, estará formado aquilo que a teologia entende como nova ordem mundial. Essa união do poder religioso com o político, estabelecerá um decreto que será de nível mundial e com fortes represália aos seus opositores.

Podemos concluir então que a política será reorganizada mundialmente, passando a existir apenas uma forma de governo? A resposta é um sonoro sim! Embora, o Apocalipse não detalhe como acontecerá e nem quando, ele descreve que acontecerá.

O que acontecerá com a humanidade quando a nova ordem mundial se estabelecer? Será imposto sobre ela uma marca e ela é quem definirá quem está a favor ou contra essa coligação. O cenário de união entre as potências religiosas e políticas do mundo é um dos últimos sinais que vão anteceder a segunda vinda de Cristo e o fim do mundo. Quando Cristo vier, as autoridades políticas e religiosas vão perder seus poderes, e Deus salvará o seu povo e será o único governante do Universo, e “Ele reinará pelos séculos dos séculos” (Apocalipse 11:15).

Ellen G. White diz: "Em torno da vinda de Cristo agrupam-se as glórias daquela restauração de tudo, de que Deus falou pela boca de todos os Seus santos profetas desde o princípio. Quebrar-se-á então o prolongado domínio do mal; os reinos do mundo tornar-se-ão de nosso Senhor e de Seu Cristo, e Ele reinará para todo o sempre (Cuidado de Deus, p. 352).

Sendo assim, o único governo que reinará proeminentemente na história, formando a verdadeira nova ordem mundial, será o reino de Deus.

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