sexta-feira, 13 de março de 2026

DEUS SANGRENTO?

Por que há tanta violência na Bíblia?

Essa pergunta surge com frequência, especialmente em relação às guerras de extermínio no Antigo Testamento (veja, por exemplo, Deuteronômio 20:16-18 e 1 Samuel 15:2 e 3) e à ideia de um inferno de fogo eterno (como alguns interpretam Apocalipse 14:9-11). Para muitos observadores honestos, passagens como essas parecem retratar Deus como pouco mais que um Hitler onipotente e um monstro moral. Quem poderia adorar um deus assim?

Como, então, devemos entender passagens difíceis como essas? Inegavelmente, a Bíblia conta algumas histórias bastante chocantes, a maioria das quais são as consequências trágicas do mal no mundo. Mas o que podemos chamar de passagens “genocidas” parecem atribuir a responsabilidade diretamente a Deus. Como podemos conciliar essas imagens com a afirmação bíblica de que “Deus é amor” (1 João 4:8) e que “a justiça e o juízo são o fundamento” do Seu trono (Salmo 89:14)?

Em relação à ordem de Deus para exterminar os cananeus, precisamos observar o que mais a Bíblia diz sobre essa situação. Os versículos anteriores mostram que os israelitas deveriam evitar a guerra sempre que possível e, caso ela surgisse, poupar mulheres e crianças (Deuteronômio 20:10-15). Além disso, as nações de Canaã poderiam ter sido incorporadas a Israel se, como Raabe, tivessem se arrependido de suas maldades. Algumas das práticas hediondas dos cananeus incluíam queimar crianças vivas como sacrifícios a seus deuses, prostituição nos templos, incesto e bestialidade. Infelizmente, embora lhes tenham sido dados 400 anos para abandonar a adoração de seus deuses do sexo e da violência e se voltarem para o Deus de Israel (Gênesis 15:16), eles se recusaram e lutaram contra Israel. Se tivessem permanecido na terra, teriam impedido o plano de Deus para que Israel fosse uma luz para as nações. Tanto a história quanto a arqueologia revelam como o povo que permaneceu em Canaã constituiu uma fonte constante de tentação e apostasia.

Em 1 Samuel 15:2 e 3, Deus ordenou ao rei Saul destruir totalmente os amalequitas, incluindo mulheres, criancinhas de peito e animais. A aniquilação deles se deveu ao fato de serem destacados inimigos de Israel (Números 14:45; Jz 3:13; 6:3) e não terem se arrependido (1 Samuel 14:48). Ela não se fundamentou apenas em algo que seus antepassados haviam feito, mas em sua própria perversidade.

Acerca de Agague, rei dos amalequitas, Samuel disse: “Assim como a tua espada desfilhou as mulheres, assim ficará desfilhada a tua mãe entre as mulheres” (1 Samuel 15:33). Deus havia lidado com misericórdia com esse povo, apesar de sua pecaminosidade (Gênesis 15:16; 1 Samuel 15:18). Como lembra Warren Wiersbe em seu Comentário Bíblico Expositivo, “povos como os amalequitas que desejavam exterminar os israelitas não estavam apenas declarando guerra contra Israel, mas também se opondo ao Deus Todo-poderoso e a seu grande plano de redenção para o mundo inteiro”.

Deus diz: “Não tenho prazer na morte do ímpio, mas sim em que ele se converta do seu caminho e viva” (Ezequiel 33:11). Ele “não quer que ninguém pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento” (2 Pedro 3:9). “Todos” significa todos. Isso inclui não apenas os cananeus e os amalequitas, mas todas as pessoas que já viveram ou viverão. Nos dias de Noé, o Espírito de Deus apelou aos habitantes da Terra durante 120 anos para que se arrependessem e não perecessem no Dilúvio vindouro.

Se lida corretamente, a Bíblia indica que os ímpios serão totalmente destruídos, que a alternativa à vida eterna não é uma eternidade em tormento ardente, mas a “morte” como “o salário do pecado” (Romanos 6:23) — o que em outros lugares é chamado de “a segunda morte” no lago de fogo (Apocalipse 21:8). Mais surpreendente ainda, a Bíblia descreve Deus disposto a se entregar no altar do sacrifício, morrendo na cruz para nos salvar, pecadores (João 3:16). É somente para expurgar o mal do universo para sempre que Deus consente em extinguir no fogo do inferno aqueles que continuam a se apegar ao pecado. 

Há muitas vozes hoje tentando nos dizer o que é justo, bom e correto. Mas, apesar do que os críticos possam alegar, somente o Deus da Bíblia reflete perfeitamente esses ideais.

"A crise aproxima-se rapidamente. Quase é vindo o tempo da visitação de Deus. Conquanto Lhe repugne castigar, não obstante castigará, e isto presto. Agora é o tempo de nos prepararmos! Os raios da ira de Deus estão prestes a cair, e quando Ele começar a punir os transgressores, não haverá um período de pausa até o fim. A tempestade da ira de Deus está se acumulando, e só permanecerão os que são santificados pela verdade no amor de Deus. Pesquisai as Escrituras por vós mesmos, para que possais compreender a terrível solenidade do tempo presente" (Ellen G. White, Maranata - O Senhor Vem!, p. 271).

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