segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

O RELÂMPAGO E OS FILHOS DO TROVÃO

Primeiro forma-se a poderosa corrente elétrica, conhecida como raio. Em seguida, brilha a forte luz, chamada de relâmpago. Somente segundos depois, ouve-se o trovão. Esse pequeno atraso se deve ao fato de que as ondas supersônicas de ar violentamente eletrizado não conseguem ser mais rápidas do que a velocidade da luz.

Os trovões recebem a menor parte da energia de uma trovoada. Mesmo assim, dependendo das circunstâncias envolvidas, seu estrondo pode ser alto o suficiente para causar surdez em pessoas que estejam muito próximas ao local da queda do raio.

Explosivos, barulhentos, fortes e impactantes. Essas eram as características de Tiago e João, os filhos do trovão. Mesmo ao lado do Senhor, a força da personalidade desses rapazes às vezes explodia com impacto negativo (Marcos 3:17).

Por exemplo, um dia Jesus e os discípulos estavam em viagem e precisavam pernoitar em Samaria, mas o povo dali não quis recebê-los. A reação dos dois foi: “O Senhor quer que a gente mande descer fogo do céu […]?” (Lucas 9:54). Jesus os repreendeu e disse que essa não era a natureza de seu reino.

O gênio desses dois irmãos parece com o de muita gente hoje em dia. “Eu não levo desaforo para casa!” “Está olhando o quê?” “Você está rindo de mim?” Frases assim explodem e revelam a perigosa energia que corre nos nervos à flor da pele de gente que ainda não aprendeu a controlar as emoções.

Algumas pessoas querem justificar seu destempero dizendo que nasceram com personalidade forte. Muitos acabam também confundindo nervosismo com sinceridade. “Eu falo o que penso, doa a quem doer”, gabam-se os furiosos, sem medir os efeitos terríveis da tempestade de suas palavras no ouvido de alguém.

Entretanto, ao olharmos para a vida de Tiago e João, podemos ver com clareza que a convivência com Jesus pode abrandar qualquer pessoa, mesmo dois trovõezinhos como eles. A prova disso é que o estrondoso João passou a ser conhecido como o discípulo do amor, e Tiago foi o primeiro dos apóstolos a dar a vida por Cristo.

O ombro de Jesus foi o para-raios em que a energia violenta da natureza de João foi abrandada; a proximidade ao Senhor transformou a explosiva personalidade de Tiago em fidelidade e devoção. É isso que acontece quando o raio da luz divina brilha no céu da vida. Na sequência, sempre surge o trovão de uma existência a serviço de Deus.

"A luz veio ao mundo" (João 3:19). Jesus é o relâmpago, a luz enviada ao mundo para revelar o verdadeiro caráter de Deus e iluminar os cantos escuros do coração humano. Ele que veio trazer perdão, esperança e cura, traz consigo também a visão necessária para a caminhada de fé. Visão que nos permite enxergar certos gostos, hábitos, estilos de vida que de outra forma não perceberíamos. Claridade que invade a sala de nossa consciência e nos faz ver as coisas como Deus as vê.

Nascemos num planeta escuro. Vivemos ameaçados pelos cativeiros gris do pecado, afetados pelas trevas. Mas lembre-se: Jesus é o relâmpago da história. Depois que Ele cruza nosso caminho, a escuridão de nossa vida nunca mais será a mesma.

Ellen White diz: "Cada raio de luz que o Céu envia é essencial para a nossa salvação. Estamos a viver nos últimos dias e o Senhor não tenciona deixar-nos em trevas e incerteza. Cristo é tudo para aqueles que O recebem. Ele é seu Confortador, sua segurança, sua saúde. À parte de Cristo não há luz alguma. Não precisa haver uma nuvem entre a pessoa e Jesus. Seu grande coração de amor anseia inundar a vida com os brilhantes raios de Sua justiça" (Exaltai-O, p. 252).

Que você experimente a luz desse encontro.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

REMETENTE: JESUS CRISTO

"De longe Se me deixou ver o Senhor, dizendo: Com amor eterno Eu te amei; por isso, com benignidade te atraí" (Jeremias 31:3).

Imagine em suas mãos uma carta cujo remetente é Jesus Cristo:

Querido(a) _________________,

Primeiro, gostaria que você soubesse que Eu o conheço. Vi você nascer. Ouvi seu primeiro choro e contemplei o primeiro sorriso, já esquecidos por todos. Testemunhei seus primeiros passos, as primeiras quedas, os primeiros arranhões e a inocência inicial, que tornava tudo encantador a você. Vi as marcas da vida se acumularem enquanto você avançava. Algumas superficiais, outras mais profundas, que apenas você e Eu conhecemos. Sei de seus sonhos. Alguns castelos que se desfizeram, desilusões. Sei dos "príncipes que viraram sapos". Algumas cicatrizes foram resultado de suas próprias escolhas, outras vieram de onde você menos esperava. De pessoas que não o amavam ou de outras que disseram amar você. Vi seu pranto, aberto ou reprimido. Coloquei suavemente minha mão em seu ombro muitas vezes. Talvez você nem tenha percebido.

Amei e amo você, porque você é único. Minha criatura especial. Capaz de coisas que só você pode realizar de forma tão exclusiva como são suas digitais. Você é singular. Sua forma de rir, chorar, pensar, agir e reagir é única. Vi você ganhar ou pensar que havia ganhado em algumas situações. Outras vezes, vi você perder ou pensar que havia perdido. No fundo, você gostaria de recomeçar tudo. Começar do marco zero. Iniciar com páginas em branco. Você pode! Isso lhe é garantido por Minha graça. Algumas marcas talvez fiquem, mas você pode tomar outra direção.

Não deixe ninguém desanimar você nem dizer que "não tem jeito". Não deixe ninguém capturar você com filosofias, opiniões, promessas vazias e palavras que soam bonitas. Não permita que os poderes deste mundo escuro subjuguem seu coração. Lembre-se, você pode morrer para o pecado e assentar-se comigo nos lugares celestiais. Pense naqueles cravos enferrujados que Me transpassaram as mãos. Os cravos relembram o seu grande valor. Você é a razão de Meu sacrifício; é precioso o suficiente para que Eu suportasse o Calvário. Por você, Meu sangue escorreu para lhe dar nova vida. Os cravos relembram você a tomar sua cruz e seguir-Me. Lembre-se de que, afinal, não foram os cravos que Me prenderam à cruz; foi meu amor por você.

Seu amigo, Jesus.

LAVANDERIA ESPIRITUAL

Existem metáforas e linguagens simbólicas que esvaziam o significado real. Outras, porém, explicam e potencializam. Lavanderia nunca serviu tão bem. Só lamento que as lavanderias entregam roupa limpa, enquanto a igreja, a mancha.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

O AGENTE SECRETO ADVENTISTA

John Byington nasceu em 1798 em Vermont (EUA), filho de um pregador Metodista que havia servido como soldado no exército revolucionário, que lutou pela independência americana da Inglaterra. John foi batizado na Igreja Metodista aos 17 anos de idade. Pouco depois, recebeu uma licença para pregar como pregador leigo. Após mudar-se para o estado de Nova Iorque, ajudou a construir uma casa de culto para a Igreja Metodista por volta de 1837 em Buck’s Bridge. 

Em 1841, o nobre e generoso coração de John foi inflamado pelo fermento das idéias abolicionistas que então permeavam a nação. O infamante comércio dos escravos submetia homens, mulheres e crianças a toda a sorte de vilanias e humilhações. Vozes de protesto erguiam-se por toda parte, denunciando as condições subumanas impostas aos escravos, vítimas da prepotência e do arbítrio.

John foi um revolucionário no movimento antiescravidão e quando a liderança da Igreja Metodista se posicionou contra a abolição, ele decidiu retirar-se da Igreja e se juntou a Conexão Metodista Wesleyana, formado pelos Metodistas que se opunham à escravidão. Ele ajudou a construir a igreja em Morley, New York.

Além de abolicionista ativo, John também se tornou um agente secreto. Acompanhado de seu irmão Anson e outros membros da família, integrou a American Anti-Slavery Society. John era também filiado à sociedade secreta "The Underground Railroad" (A Ferrovia Subterrânea), uma complexa rede de rotas e esconderijo secreta que supria as necessidades de escravos em busca da liberdade. John fez parte do Liberty Party (Partido da Liberdade), organização política que defendia o abolicionismo e a separação entre estado e igreja. Os Byington também eram envolvidos com publicações contrárias à escravidão e participaram de diversas outras organizações que defendiam esses valores. Regularmente John acolhia americanos indígenas e escravos fugitivos em sua casa.

Em 1844, John assistiu a sermões sobre a iminente vinda de Cristo, e começou a estudar as profecias. Em 1852, H. W. Lawrence deu-lhe uma cópia da Review and Herald, contendo artigos sobre o sábado do sétimo dia. Ele aceitou a verdade do sábado antes que terminasse o ano, e foi batizado. Ajudou a construir a primeira igreja adventista guardadora do sábado construída para esse propósito. Tiago e Ellen White convidaram a família Byington para mudar para Battle Creek em 1858. John comprou uma fazenda ali por perto, e, de lá, viajava para ministrar aos crentes dispersos.

Quando a Conferência Geral da Igreja Adventista do Sétimo Dia foi formada em maio de 1863, John Byington foi escolhido como seu primeiro presidente, após Tiago White recusar o cargo por motivos pessoais. Durante seus dois mandatos de um ano (1863-1865), John viajou centenas de quilômetros por Michigan e Indiana, estabelecendo igrejas, pregando, batizando convertidos, ordenando diáconos e presbíteros e visitando famílias em suas casas.

Durante seus trinta e cinco anos como ministro adventista do sétimo dia (1852-1887), Byington batizou centenas de convertidos, estabeleceu dezenas de igrejas locais e ajudou a formar a Associação de Publicações Adventistas do Sétimo Dia, a Conferência de Michigan e a Conferência Geral, além de participar da garantia do status de não combatentes para os adventistas recrutados durante a Guerra Civil.

John faleceu em 7 de janeiro de 1887, aos 88 anos, e foi sepultado ao lado de Catharine, sua esposa por sessenta anos, no Cemitério Oak Hill.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

POR QUE EXISTEM TANTAS RELIGIÕES?

É praticamente impossível mensurar o número de religiões que existe no mundo. Mas, atualmente, as religiões com mais adeptos na população mundial são o cristianismo (28%); islamismo (22%); hinduísmo (15%); e o budismo (8,5%). O judaísmo alcança aproximadamente 16 milhões de pessoas. O espiritismo, embora não considerado uma religião, possui cerca de 18 milhões de adeptos. A exemplo desses movimentos religiosos, a grande parte das religiões no mundo ainda se subdivide em grupos segmentados, partidos e denominações com diferenças doutrinárias e práticas. Além disso, existem religiões e seitas menores, praticados por etnias específicas, como grupos indígenas, aborígenes e tribos do interior da África que possuem o seu próprio sistema de crenças.

Muitos desse movimentos religiosos são monoteístas, como o cristianismo, islamismo e judaísmo, que compartilham a adoração pelo mesmo Deus, o Deus de Abraão, mas com diferenças doutrinárias marcantes entre elas. Outros grupos monoteístas como o sikhismo acreditam que a verdade não é limitada a uma só crença.

Por outro lado, existem religiões politeístas, que adotam um grupo de divindades em que cada uma é patrona de uma ou mais forças da natureza. Muitas dessas religiões politeístas recorrem ao ocultismo, o animismo e ao culto aos antepassados, entre outras crenças espiritualistas atribuídas aos seus deuses. Outras religiões, como o hinduísmo, creem que existe uma força divina vital que permeia todos os elementos da natureza, com o poder de transformar tudo o que existe em um deus potencial. Outras crenças alegam que os seres vivos, sobretudo os humanos estão presos ao mundo físico, e passam por uma peregrinação espiritual em busca de uma esfera superior de existência, como a iluminação, a eternidade ou o bem final. Essa peregrinação depende da força espiritual intrínseca ao ser humano, que pode durar eras de reencarnação.

Muitas dessas religiões possuem grande influência sobre a sociedade, a política e o governo. Essas influências se expressam na divisão de castas, como na Índia, ou na esfera civil, social e política, a exemplo da Itália, do Vaticano e da Turquia. Já outras nações adotam uma religião nacional oficial que dita a sua legislatura como os Emirados Árabes Unidos. Em muitos países onde a religião é oficial ou exerce influência social e política, existem perseguições e conflitos acirrados com outros grupos religiosos.

Existe também um grande número de pessoas que não confessa nenhuma religião (14,3% da população mundial). Esse grupo pode ser segmentado em pessoas que respeitam a religiosidade, mas não se posicionam em nenhuma crença; pessoas antirreligiosas e grupos hostis a qualquer religião. A ateísmo corresponde a quase 4% da população, e confessa não existir nenhum tipo de divindade.

Por que existem tantas religiões? Essa é uma pergunta vital para definir a identidade humana. Esse artigo não é um estudo antropológico ou filosófico sobre a religiosidade humana, mas uma reflexão que se baseia na Bíblia, adotando as seguintes premissas: 1) o Deus da Bíblia é o único e verdadeiro Deus; 2) a Bíblia, na sua totalidade, é a revelação de Deus para a humanidade; 3) Deus é o Criador do Universo, e fez os céus e a terra em seis dias literais; 4) o ser humano foi criado à imagem e semelhança de Deus; mas, 5) vive atualmente fora dos padrões divinos da criação, em virtude do pecado.

A antropologia descritiva assume que todo tipo de religião é criado pela comunidade humana que se prostra diante dela, numa atitude de projeção. “Projeção” é um mecanismo de defesa em que atributos pessoais, pensamentos indesejados, traumas psicológicos, expectativas do futuro e emoções são atribuídos a outro indivíduo, grupo ou realidade (como um trauma do passado). No caso da religião, o ser humano projeta tudo isso em uma ou mais divindades, força sobrenatural, entidade espiritual, culto ou um ritual, para explicar a sua existência, seus complexos e perspectivas. Em outras palavras, o ser humano cria seus próprios deuses, cultos e rituais para justificar o seu modo de viver. Embora essa descrição seja plausível, ela não é absolutamente verdadeira, nem aplicável a todo movimento religioso.

Mas há um fator a se considerar. Essa afirmação comprova que a maioria dos seres humanos possui uma tendência inerente à religiosidade. Todo ser humano tem a necessidade de crer, adorar e servir alguém maior que ele. Até mesmo os ateus cultuam a razão e o conhecimento do Universo como algo maior que eles. Ora, se o Universo fosse o resultado de um processo meramente evolutivo ausente de qualquer poder sobrenatural ou divino que o guiasse, essa tendência natural que molda culturas não seria parte do ser humano.

Então, se nós temos a tendência de adorar, é lógico entender que fomos, de alguma forma projetados por um ser superior. A religião bíblica (e não estamos falando de um grupo ou denominação cristã específica, mas daqueles que creem na Bíblia como revelação de Deus) crê que o ser humano foi criado por Deus no sexto dia da criação. “Criou, Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou” (Gênesis 1:27). Isso explica a religiosidade humana. O ser humano criado por Deus se volta para Aquele que é o padrão da sua imagem.

“Tudo fez Deus formoso no seu devido tempo; também pôs a eternidade no coração do homem, sem que este possa descobrir as obras que Deus fez desde o princípio até o fim” (Eclesiastes 3:11). Na Terra, toda a Criação era esteticamente perfeita e agradável aos sentidos. Deus presenteou o homem com o senso da eternidade, de que nós pertencemos a algo maior na dimensão do tempo e do espaço. Essa “consciência do infinito” gerava um sentimento de conexão entre o Criador e a criatura. No Éden, o senso da eternidade era perfeitamente preenchido por Deus, satisfeito na adoração do seu caráter de amor e no reconhecimento de que ele é o dom da vida.

Quando Adão e Eva, enganados por Satanás, buscaram o impossível de ser semelhantes ao Criador (Gênesis 3:1-6; veja Isaías 14:12-14), crendo que poderiam ser seus próprios deuses, abandonaram o verdadeiro e único Deus. Essa desconexão do infinito nos faz sentir pequenos, preocupados com o futuro que não conhecemos e insatisfeitos com as coisas transitórias e limitadas da nossa vida de pecado. Essa desconexão gerou uma busca incessante por aquilo que perdemos. O vazio precisava ser preenchido novamente; e Satanás se aproveitou disso para distorcer o conceito de adoração. À medida que as gerações passavam, antes e depois do dilúvio, o ser humano buscou satisfazer essa necessidade na procura de poder, prosperidade e no culto a deuses imaginários, imagens de escultura, ou a si mesmo (Êxodo 20:3-6). Por isso, a humanidade mergulhou nos piores estágios de violência, perversão, corrupção e degradação.

Hoje, mesmo que haja pessoas inconscientes ou céticas a respeito de Deus, todos nós sentimos a necessidade de segurança em relação ao infinito na dimensão espaço-tempo. Somos uma raça de mais de 8 bilhões de pessoas vivendo em um minúsculo grão de poeira cósmica, totalmente expostos ao poder das forças do Universo. Como podemos saber se o Sol não vai nos fritar no calor de uma supernova, se a Lua vai se chocar com Terra, ou se algum asteroide vai causar uma extinção em massa? Como sabemos se vamos sofrer um acidente a caminho de casa, ou contrair uma doença fatal? Somos tão pequenos diante da imensidão!

Carl Sagan, cosmólogo ateu disse que “a imensidão só é tolerável por meio do amor”. Mas, João disse que “Deus é amor” (1 João 4:8). Por isso, o ser humano só pode encontrar verdadeira segurança e sentido para a vida voltando para suas antigas origens.

O termo grego que define “pecado” é hamartia, que significa “errar o alvo”, como quando um arqueiro errava o alvo ao atirar sua flecha. A hamartia ou “pecado” ocorre quando o ser humano se prostra diante da satisfação dos seus desejos pecaminosos, quando os coloca acima da vontade amorosa de Deus. Toda vez que pecamos, erramos o alvo, pois estamos adorando a nós mesmos.

Isso explica porque há tantas religiões. Nesse contexto, os antropólogos da religião estão certos ao afirmarem que fenômenos religiosos são criados pela comunidade humana que se prostra diante deles, como um mecanismo de projeção. O ser humano, na necessidade de satisfazer suas aspirações pecaminosas, se prostra diante de deuses fabricados, e lhes oferecem culto.

Um ponto importante que esse artigo quer ressaltar é que a maioria dos membros desses grupos religiosos promove a prática de boas obras, do bem estar social e da assistência aos necessitados. Isso ocorre no mundo inteiro. Devemos admitir que muitos princípios e valores de grandes religiões do mundo se parecem muito aos da Bíblia, e isso é louvável! Isso mostra que, mesmo pecadores, sentimos uma necessidade inerente pelo bem, mesmo que não consigamos praticá-lo. Realmente, há muita gente que não crê em Deus, que deve servir de exemplo para muitos que professam ser cristãos.

Esse artigo não tem o propósito de criticar a fé sincera de ninguém. Mas é um erro acreditar no provérbio de que “todos os caminhos conduzem a Deus”. Provérbios 16:25 diz que “há caminho que parece direito ao homem, mas afinal, conduz à morte”.

Um diferencial da religião da Bíblia, e não estamos falando do judaísmo ou de nenhuma denominação cristã, é o modo como Deus e o ser humano são retratados. Na maioria das religiões ao redor do mundo, o ser humano está num caminho e deve buscar e praticar o bem, ou guerrear por sua causa, a fim de evoluir para uma esfera superior. Os seus deuses muitas vezes são retratados como seres que evoluíram para o mundo espiritual, energias impessoais ou divindades preexistentes caprichosas e, muitas vezes cruéis, que precisam ter seu apetite satisfeito por meio de oferendas ou grandes sacrifícios. Essa, inclusive é a razão de muitos conflitos e atos terroristas no mundo.

Mas, a Bíblia retrata um Deus totalmente diferente. Ele é único, todo poderoso, criador de todas as coisas, e doador de vida, detentor de toda a autoridade do Universo e digno de adoração. Mas, Deus também é amor, e ama o ser humano a ponto de morrer para salvá-lo da sua condição irreversível de pecado. Ele também nos manda amar aqueles que pensam diferente de nós. Por isso, João 3:16 resume o trabalho de Deus em prol da humanidade caída: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o Seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha vida eterna”. Enquanto muitas religiões no mundo, inclusive cristãs, advogam que o ser humano precisa de boas obras a fim de alcançar a salvação, a religião da Bíblia advoga que o único que pode salvar o homem e elevá-lo a um nível superior de existência é Deus.

Jesus, a revelação pessoal de Deus ao homem, deixou claro em Mateus 7:13 e 14 que só há dois tipos de caminhos. “Entrai pela porta estreita, pois larga é a porta, e espaçoso é o caminho que conduz para a perdição, e muitos os que entram por ela; porque estreita é a porta e apertado o caminho que conduz a vida, e são poucos os que acertam com ela”. Por isso, só um caminho conduz a Deus, e esse caminho é Jesus Cristo (João 14:6).

Sendo assim, devemos recorrer ao seu estudo para conhecer a Deus e adorá-lo. “Antes de mais nada, saibam que nenhuma profecia da Escritura provém de interpretação pessoal, pois jamais a profecia teve origem na vontade humana, mas homens falaram da parte de Deus, impelidos pelo Espírito Santo” (2 Pedro 1:19-21).

A Bíblia diz que haverá muitas pessoas na eternidade que nunca tiveram ideia de quem é Deus, ou até mesmo receberam um conceito totalmente distorcido a respeito dele. Essas pessoas vão ter o privilégio de conhecê-lo cara a cara, e aprender do seu amor na eternidade.

Mas Jesus nos diz: “Vão e façam discípulos de todas as nações, ensinando-os a obedecer a tudo o que eu ordenei a vocês” (Mateus 28:19, 20). O Senhor requer que o verdadeiro cristão fale, com firmeza e amor, a toda pessoa sobre o plano de Deus para nos salvar e nos restaurar ao propósito da existência que Ele idealizou para nós. Se amamos a Deus, devemos pregar a palavra a tempo e fora de tempo (2 Timóteo 4:2), aproveitando cada oportunidade para apresentar o Salvador ao mundo.

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

VOCÊ É CARNAL OU ESPIRITUAL?

"Mas nós temos a mente de Cristo" (1 Coríntios 2:16).

O NOSSO ELO COM O CÉU
Antes de definirmos o que são cristãos espirituais e carnais, necessitamos de nos lembrar de que não estamos falando acerca de “pecadores” e de “não pecadores”. Todas as pessoas, espirituais ou carnais, são pecadoras que necessitam de um Salvador. A nossa única justiça procede dEle. Em vez disso, o critério para incluir alguém num grupo ou no outro é a sua relação pessoal com o Espírito Santo. Deus estipulou que não podemos cortar a nossa relação com o Espírito Santo sem danificar a nossa ligação com o Céu (Mateus 12:32). Ellen G. White explica: “Aquele que rejeita a obra do Espírito Santo assume uma posição que impede o acesso ao arrependimento e à fé. É pelo Espírito que Deus opera no coração” (O Desejado de Todas as Nações, p. 265).

E vale a pena repetir: a única pessoa que eu devo avaliar como sendo espiritual ou carnal é a minha própria pessoa. Deus pode operar no nosso coração e não necessita de que eu coloque etiquetas nos meus irmãos e nas minhas irmãs da igreja. A boa notícia é que, se eu ficar desapontado com o que Ele revela estar no meu coração, Ele pode transformar-me a partir de hoje!

MEMBRO DE IGREJA ESPIRITUAL
A pessoa espiritual é um cristão verdadeiramente convertido. Embora tenha nascido pecador, ele é chamado “espiritual” porque tem uma relação viva e em desenvolvimento com o Espírito Santo. O apóstolo Paulo escreve: “Mas o que é espiritual discerne tudo, e ele de ninguém é discernido. Porque, quem conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-lo? Mas nós temos a mente [Espírito] de Cristo” (1 Coríntios 2:15 e 16).

Jesus é o centro da vida da pessoa espiritual, reina no seu coração e determina as suas prioridades. A pessoa espiritual entregou-se completamente a Jesus e pede continuamente o Espírito Santo (Lucas 11:13). No contexto de Laodiceia, a pessoa espiritual pode ser considerada “quente” (Apocalipse 3:15). Na parábola das dez virgens, ela pode ser chamada “prudente” (Mateus 25:2-4). A pessoa espiritual vive uma vida “com abundância” (João 10:10) e está cheia com “toda a plenitude de Deus” (Efésios 3:19). Ela regozija-se porque é “salva por meio da fé” (Efésios 2:8). Embora a pessoa espiritual enfrente contratempos e tentações, ela fixa os seus olhos em Jesus.

MEMBRO DE IGREJA CARNAL
Uma pessoa carnal pode ter uma relação fingida ou dividida com Deus. Ela pode ser sossegadamente indiferente ao Espírito Santo, ou pode ser, mesmo, abertamente rebelde. Eis o que o apóstolo Paulo tem a dizer: “E eu, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, mas como a carnais, como a meninos em Cristo. Com leite vos criei, e não com manjar, porque ainda não podíeis, nem, tão-pouco, ainda agora podeis. Porque ainda sois carnais; pois havendo entre vós inveja, contendas e dissensões, não sois, porventura, carnais, e não andais segundo os homens? Porque, dizendo um: Eu sou de Paulo; e outro: Eu de Apolos; porventura não sois carnais?” (1 Coríntios 3:1-4.)

Aqui, concluímos que o fator de definição deve ser a nossa relação com o Espírito Santo. “Carnal” descreve uma pessoa que vive pela carne; isto é, pela força humana normal, não pelo Espírito Santo. E a maior tragédia é que ela não escolheu receber a vida eterna (Romanos 8:9).

Paulo dirige-se às pessoas carnais usando o termo “irmãos”, o que mostra que elas eram membros de Igreja. Ele não lhes podia chamar “espirituais” porque não estavam suficientemente cheias do Espírito Santo. Elas não tinham crescido na fé, como deviam. É possível ser um membro de Igreja durante muitos anos e ser, ainda assim, um cristão carnal. É possível ter conhecimento bíblico e, não obstante, não ser espiritualmente maduro. Muitos cristãos carnais sentem insatisfação, desapontamento ou falta de propósito na sua vida espiritual. Alguns são apáticos e dizem: “Somos simplesmente pecadores. Não podemos fazer nada quanto a isso.”

Outros cristãos carnais são entusiastas e ativos, tendo talvez orgulho por ocuparem postos importantes na igreja. Infelizmente, Jesus diz: “Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizámos nós em teu nome? E em teu nome não expulsámos demónios? E em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi, abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade” (Mateus 7:22 e 23). Qual foi o problema? Eles não tinham uma relação pessoal com Jesus e não tinham uma ligação viva com o Espírito Santo.

Ellen G. White diz: "As coisas espirituais se discernem espiritualmente. A mente carnal não é capaz de compreender esses mistérios. Continuem os questionadores e duvidosos a seguir o grande enganador, e as impressões e convicções do Espírito de Deus hão de tornar-se mais e mais fracas, mais frequentes as sugestões do inimigo, até que a mente se submeterá de todo ao seu domínio. Então o que a essas mentes confundidas se afigura como sendo loucura, será o poder de Deus, e o que Ele considera como loucura ser-lhes-á sabedoria e força" (Testemunhos para a Igreja 4, p. 585).

Se acha que é, presentemente, um cristão carnal, não perca a coragem! Tem a possibilidade de começar agora uma nova vida. Muitos cristãos carnais estão nessa condição sem o saber, e você pode já estar a orar para obter uma experiência de fé mais profunda. Jesus deseja que o seu “gozo seja completo” (João 15:11), e Ele convida-o a descansar na esperança firme da vida eterna.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

COMPARTILHAR SEM CHECAR

Compartilhar informações sem checar é um comportamento de alto risco, intensificado pelo uso de inteligência artificial (IA) na criação de desinformação. Ameaças como deepfakes (áudios e vídeos manipulados) tornam a verificação crucial antes de qualquer repasse.

Riscos e Contexto
- Inteligência Artificial (IA): A IA já consegue criar rostos, vozes e situações falsas com alta precisão, usadas para manipular a opinião pública.

- Eleições 2026: O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) está em alerta, com foco no combate rigoroso à desinformação e discursos de ódio. As eleições de 2026 testarão os limites da regulação contra fake news.

Consequências Jurídicas: Quem espalha fake news pode ser responsabilizado criminalmente. O Judiciário brasileiro reforçou que "liberdade de expressão não é liberdade de agressão".

- Golpes Comuns: Falsas mensagens sobre temas como Receita Federal, taxas Pix e cancelamentos de MEI continuam circulando, gerando pânico e roubo de dados.

O problema é estrutural: compartilhamos manchetes mais do que fatos. Um estudo de Columbia/Inria (pesquisa conjunta entre a Universidade de Columbia, nos Estados Unidos e o Institut National de Recherche en Sciences et Technologies du Numérique, na França) mostrou que 59% dos links compartilhados no antigo Twitter (atual X) nunca são clicados por quem compartilha. Quando o conteúdo é falso, o dano acelera: a pesquisa em Science verificou que boatos têm 70% mais chance de retuíte e atingem 1.500 pessoas seis vezes mais rápido.

Essa cultura do “encaminhar” encontra um combustível novo: deepfakes. Em 2024, metade das empresas pesquisadas relatou tentativas de fraude com áudio/vídeo falsos. E não é teoria: a britânica Arup perdeu cerca de 20 milhões de libras após uma videoconferência com executivos clonados por IA - um dos maiores golpes conhecidos do tipo.

Não por acaso, o Digital News Report 2025 registra que 58% dos usuários no mundo estão preocupados com a dificuldade de distinguir o que é real do que é falso em notícias online

A Bíblia antecipa esse mapa
- “O inexperiente acredita em qualquer coisa” (Provérbios 14:15);

- “Examinai tudo, retende o bem” (1Tessalonicenses 5:21);

- “Seguindo a verdade em amor” (Efésios 4:15);

- “Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (João 8:32).

Em tempos de feed infinito, isso significa transformar pressa em prudência.

Três frases para a geladeira
- "No lar de fé, cada clique testemunha."

- “Encaminhar sem checar é evangelizar o erro.”

- “Quem ama a verdade freia o dedo antes do compartilhar.”

Como verificar as informações na rede
A seguir, quero deixar alguns conselhos que podem ser úteis para verificar informações nas redes sociais, na internet ou mesmo em suas conversar interpessoais:

- Verifique a fonte: Com frequência, as notícias falsas provêm de fontes pouco confiáveis ou desconhecidas. Perfis anônimos ou com poucos seguidores. Se a fonte não for reconhecida, pesquise quem está por trás da história e considere se quem está publicando é conhecido por publicar informações precisas.

- Leia além do título: Cuidado, os títulos sensacionalistas são feitos para atrair a atenção dos leitores distraídos e podem não refletir adequadamente o conteúdo real da história. Meu conselho é que você leia a história completa antes de compartilhar ou comentar.

- Busque fontes adicionais: Se uma história parece incrível ou pouco provável, busque fontes adicionais que possam confirmá-la. As histórias verdadeiras costumam ser reportadas por várias fontes independentes.

- Verifique os fatos: Se você está lendo algo que parece muito bom para ser verdade, verifique os fatos. Busque evidência que respalde a história e considere se há uma explicação lógica para o que está sendo informado. Às vezes, uma ligação para confirmar a informação seria fundamental.

- Seja cético com o que você lê nas redes: Em geral, é importante ser cético com as notícias que são compartilhadas nas redes sociais. Tudo precisa ser verificado.

- Procure no Google: Você pode procurar no Google o título ou o tema da história para ver se há mais informações em outros lugares. Se você não conseguir encontrar informações confiáveis em outras fontes, é possível que a história seja falsa.

- Verifique com sites de verificação de fatos: Há organizações de verificação de fatos que se dedicam a verificar a precisão das notícias e informações. Esses sites, como Snopes e FactCheck.org, podem ajudá-lo a determinar se uma história é verdadeira ou falsa.

- Comprove os detalhes: As histórias falsas geralmente contêm detalhes imprecisos ou exagerados. Se houver detalhes específicos na história, comprove se estão corretos antes de compartilhar a história.

- Busque comprovação: Se uma história parecer improvável, busque outras fontes que possam comprová-la. Se você não conseguir encontrar evidências que respaldem a história, é possível que não seja verdadeira.

- Consulte especialistas: Se a informação for sobre um tema em particular, você pode buscar a opinião de especialistas no campo para ver se a história é precisa.

Como cristãos, temos a responsabilidade bíblica e social de falar a verdade, compartilhar a verdade e comparar com a verdade tudo o que possa ser mentira ou enganoso. Quando seguimos esse princípio de buscar a verdade, estamos seguindo o exemplo de Jesus, Aquele que disse que Ele mesmo é a VERDADE e a VIDA (João 14:6).

Pense nisso e seja alguém que compartilha a verdade, toda a verdade e nada além da verdade. Que Deus o use onde você estiver.

[Com informações de Notícias Adventistas]