quinta-feira, 29 de setembro de 2016

90% dos brasileiros têm religião, e ela pode fazer diferença na urna


No Brasil de impeachments, cassações e protestos, Deus mantém alto índice de popularidade. Segundo o último Censo do IBGE, de 2010, mais de 90% da população declara ter alguma religião.

Não por acaso, quando chega a época de campanha eleitoral, candidatos batem nas portas de templos para buscar a bênção de líderes não só religiosos, mas comunitários. Ecumênica, esta peregrinação é movida pela fé no voto. Por precisarem da maioria dos votos de uma cidade para vencer, políticos que disputam prefeituras se reúnem com padres, pastores, rabinos, imãs.

Já candidatos a vereador costumam buscar alianças e influência junto a uma comunidade religiosa específica, o que em alguns casos pode ser suficiente para garantir sua eleição. Nas eleições de 2016, 774 candidatos se declaram sacerdotes ou membros de seita ou ordem religiosa - entre eles, 94% concorrem a uma vaga de vereador.
"A bênção do pastor, do rabino, do padre, significa uma legitimidade àquela candidatura." (Vera Chaia, professora da PUC-SP)
“Por trás das lideranças religiosas tem apoio, seguidores. Ao menos parte desses seguidores acaba aderindo à indicação delas”, afirma André Ricardo de Souza, coordenador do Núcleo de Estudos de Religião, Economia e Política da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos). "A religiosidade de um político pode alavancar sua candidatura", completa Andrey Mendonça, do Prece (Programa de Religião e Espiritualidade no Consumo e nas Empresas da ESPM-SP) - especialmente se o candidato “demonstrar certa simpatia por certa moral que tenha a ver com aquele grupo religioso".

Os religiosos só podem fazer campanha fora do local de trabalho. Segundo a lei eleitoral, é proibido fazer propaganda em "bens de uso comum", ou seja, locais aos quais a população em geral tem acesso. Templos se encaixam nessa categoria, assim como clubes, shopping centers e estádios. Se a regra for quebrada, a multa pode sair de R$ 2 mil a R$ 8 mil.

O peso da religião deve ser sentido com mais força sobre as Câmaras de Vereadores com o passar dos anos, segundo Andrey Mendonça, da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing). A tendência é que haja cada vez mais candidatos, principalmente no Poder Legislativo, “com algum tipo de filiação religiosa e que agregam esse valor da filiação às suas candidaturas”. “A religião tem percebido ao longo do tempo que é muito mais vantagem ter pessoas dentro do Legislativo do que no Executivo, porque o Executivo trabalha com as normas feitas pelo Legislativo”, afirma o professor.

Marcelo Camurça, da UFJF, ressalta o peso das instituições religiosas em eleições municipais. “Quanto mais municipal, mais na base, maior o peso das igrejas”, diz. “Os acordos de candidatos com as igrejas são muito explícitos. Às vezes a pauta não tem a ver com a questão do município mas, no imaginário religioso, é o que vale.” (Leia a matéria na íntegra em UOL)

Nota: A quem interessar possa, a Igreja Adventista do Sétimo Dia:

- Não apoia e nem possui partidos políticos e nem repassa recursos a essas organizações por entender que adota uma postura não partidária.

- Não permite que, em seus templos, sejam realizadas reuniões com finalidade político-partidária ou de cunho eleitoral.

- Não mantém bancada de parlamentares em nível municipal, estadual e federal e nem de líderes políticos de quaisquer regiões administrativas ou demais países que fazem parte da Divisão Sul-Americana.

- Não autoriza o uso da marca oficial, materiais, símbolos, uniformes e nomes de quaisquer um dos seus departamentos, serviços ou projetos em campanhas públicas ou veiculação de material publicitário para fins de propaganda política. E nem para uso comercial com finalidade de ganho econômico.

Candidatos adventistas não devem usar o púlpito e nem programas oficiais da Igreja para pedir votos. É recomendado que os membros que se candidatam a cargos públicos eletivos deixem suas funções na igreja local. No caso de pastores e obreiros assalariados, é obrigatório que os mesmos deixem seu trabalho na obra adventista antes de lançar suas candidaturas. Adventistas com cargos eletivos não possuem autorização para falar em nome da Igreja Adventista em eventos, reuniões ou seminários. Também não são representantes da Igreja Adventista no parlamento ou poder executivo. São apenas membros da Igreja com um cargo eletivo.

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