sexta-feira, 4 de abril de 2025

O ARCANJO MIGUEL É JESUS CRISTO?

Recentemente, um conhecido teólogo brasileiro gravou um vídeo falando sobre o que ele considera serem as maiores “heresias adventistas”. Entre os pontos citados por ele está a alegação de que os adventistas creem que o Arcanjo Miguel é o próprio Senhor Jesus. O que, na compreensão deste, seria um grande erro. Mas quando vamos para a Bíblia, o que é que ela diz a respeito disso?

Primeiramente vale a pena citar que a Igreja Adventista do Sétimo Dia não acredita que Jesus Cristo seja um anjo, ou que seja um ser criado. Ela acredita na divindade de Cristo, de que Ele é Deus, uma das três pessoas da trindade, não criado por ninguém, mas Criador de todas as coisas e que se tornou um ser humano unindo sua divindade à humanidade e morrendo na cruz para salvar os seres humanos1.

Identidade de Miguel
A identidade do Arcanjo Miguel tem sido debatida ao longo da história cristã. Algumas tradições o consideram um anjo criado, enquanto outras o identificam como um título de Cristo antes de Sua encarnação2. A Igreja Adventista do Sétimo Dia defende que Miguel é uma designação de Cristo em sua função de comandante celestial. Mas quais são as evidências para essa compreensão? Este artigo explora a origem do nome Miguel, do título Arcanjo, a relação deles com Cristo e as evidências bíblicas que sustentam essa interpretação.

Desde os primeiros séculos do cristianismo, Miguel tem sido interpretado de formas variadas. Algumas vertentes o consideram um anjo distinto, líder dos exércitos celestiais, enquanto outros protestantes veem Miguel como um ser angelical poderoso, mas inferior a Cristo3. No entanto, os adventistas, por meio do estudo das Escrituras, reconhecem que Miguel não é um anjo criado, mas um título dado a Cristo como comandante dos exércitos celestiais4.

O título arcanjo
Alguns podem pensar ser incoerente o fato de acreditar que Jesus receba o título de arcanjo, visto ser Ele o Criador e não um ser criado, mas isso se deve, em grande medida, por falta de compreensão acerca do significado da palavra Arcanjo.

A palavra arcanjo aparece apenas duas vezes na Bíblia (Judas 9; 1 Tessalonicenses 4:16). É a transliteração da palavra grega ἀρχάγγελος (archángelos), que significa “anjo chefe” ou "chefe dos anjos"5. O texto de Judas 9 afirma que o arcanjo é Miguel. Já no texto de 1 Tessalonicenses 4:16, a voz do Arcanjo é associada à volta de Jesus e à ressurreição dos mortos: ao ser ouvida a voz, os mortos ressuscitam. No entanto, quando se compara essa declaração com a fala de Jesus em João 5:26-29, onde Jesus diz que todos os mortos ouvirão a Sua voz e sairão dos túmulos na ressurreição, fica evidente que há um paralelo entre a voz de Jesus e a voz do Arcanjo, indicando que a voz do Arcanjo (chefe dos anjos) é a própria voz do Senhor Jesus. É Ele quem vai à frente dos anjos, liderando-os em Sua volta (Apocalipse 19:14). É Ele quem ordenará os anjos para que saiam pelos quatro cantos da Terra recolhendo os escolhidos de Deus que ressuscitaram (Mateus 24:31).

Para aqueles que pensam ser difícil que uma das três pessoas da Trindade recebesse o um título associado a anjo, vale ressaltar o fato de que no Antigo Testamento, Cristo, em sua forma pré-encarnada, frequentemente aparece como o "Anjo do Senhor" com atributos divinos (Êxodo 3:2-6; 23:21-23; Juízes 6:11-22; 13:18-22; Gênesis 32:24-30)6.

O título Miguel
O nome Miguel vem do hebraico Mîkā’ēl (מִיכָאֵל), que significa "Quem é como Deus?"7. Esse nome, em forma de pergunta, enfatiza a supremacia de Deus e pode ser compreendido como um título messiânico que reforça a identidade divina de Cristo. Cristo inclusive é a resposta para a pergunta do nome: quem é como Deus? Cristo, pois Ele é Deus!

No livro de Daniel, o Messias (ungido) é chamado de “Príncipe” (9:25-26), e no capítulo 12 Miguel é chamado de “Grande Príncipe” (v1). Em Daniel 8:11, 25, Cristo também é chamado de “Príncipe do exército” e “Príncipe dos príncipes”. Corroborando com essa ideia, Lucas 4:17-18 afirma que Jesus é o Ungido (Messias), e Atos 5:30-31 diz que “Deus, porém, com a Sua destra o exaltou a Príncipe e Salvador”. Há uma clara associação entre o Miguel e Cristo. Além disso, “o título ‘príncipe’ é usado exclusivamente para Cristo ou para Satanás, mas nunca para qualquer outro ser angelical (ver Josué 5:14 e 15; Isaías 9:6; Daniel 8:11 e 25; Daniel 9:25; Atos 5:31; João 12:31 João 14:30; 16:11 Efésios 2:2)”8. Em Daniel 10:20-21, Miguel é apresentado como o Príncipe de Israel, uma clara referência a Cristo.

Em Apocalipse 12:7, Miguel e Seus anjos pelejam contra o Dragão (Satanás) e seus anjos. Quando se analisa o contexto bíblico global, fica evidente desde Gênesis 3:15 que o conflito seria entre o descendente da mulher (Cristo) e a serpente (Satanás). No Novo Testamento, o conflito entre Cristo e Satanás também é evidenciado (Ver: Mateus 4:1-11; João 12:31-32; 14:30; Colossenses 1:9, 16; Efésios 6:10-20).

Contraponto
Alguns argumentam que Miguel não poderia ser Cristo, visto que quando é citado em Judas 9, ele apenas repreende a Satanás e não o expulsa diretamente como Cristo fazia frequentemente em Sua encarnação. No entanto, em uma passagem paralela a essa em Zacarias 3:2, é o próprio YHWH (traduzido como Senhor) quem repreende Satanás exatamente como no texto de Judas 9.

Outro argumento contrário se baseia em Daniel 10:13, onde diz que Miguel é “um dos primeiros príncipes”. O termo aramaico para um é אֶחָד (echad) que significa um, único, mas também pode ser “primeiro”, conforme é traduzido em outras passagens de do mesmo livro de Daniel (ver: 1:21; 9:1-2; 11:1; 6:2; 7:1). Conforme a própria tradução dos demais textos citados, portanto, uma outra possível tradução seria: “o primeiro dos primeiros príncipes” ou “o número um dos primeiros príncipes”.

Os que defendem a ideia de que se trata de uma heresia, muitas vezes são os mesmos seguidores de Calvino, chamados de “calvinistas”. Eles se esquecem que o próprio Calvino defendeu a ideia de que o Arcanjo Miguel fosse um título de Cristo9.

Conclusão
Miguel aparece na Bíblia em contextos nos quais a intervenção divina é crucial: Ele luta pelo povo de Deus (Daniel 10:13, 21; 12:1), expulsa Satanás do céu (Apocalipse 12:7-9) e tem autoridade sobre a ressurreição dos mortos (Judas 9; 1 Tessalonicenses 4:16). Esses papéis apontam diretamente para Cristo, pois apenas Ele exerce essas funções na teologia bíblica10.

As Escrituras demonstram que Miguel não é um anjo criado, mas um título de Cristo antes de Sua encarnação. Seu nome expressa a supremacia de Deus, e suas funções indicam seu papel como líder dos exércitos celestiais, defensor do povo de Deus e aquele que tem poder sobre a vida e a morte11.

A compreensão de Miguel como um título de Cristo fortalece nossa fé na atuação contínua de Jesus em favor da humanidade, desde a eternidade passada até o momento em que retornará em glória para buscar Seus filhos12.

Lucas Hígor (via Notícias Adventistas)

Referências
1 IGREJA ADVENTISTA DO SÉTIMO DIA. Nisto Cremos: As Crenças Fundamentais da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2013.

2 SEVENTH-DAY ADVENTIST BIBLE COMMENTARY. 2. ed. Washington, D.C.: Review and Herald, 1980, p. 998.

3 DANIÉLOU, Jean. The Angels and Their Mission. Westminster: Newman Press, 1957, p. 74.

4 DEDEREN, Raoul. Tratado de Teologia Adventista do Sétimo Dia. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2011, p. 157.

5 TYNDALL, Walter. Dicionário Bíblico Tyndale. Tradução e edição pela Editora Geográfica, 2015, p. 87, 143.

6 WHITE, Ellen G. Patriarcas e Profetas. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2013, p. 367.

7 GULLEY, Norman R. Systematic Theology: Prolegomena. Berrien Springs: Andrews University Press, 2003, p. 254.

8 TIMM, Alberto R. Revista Sinais dos Tempos. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, agosto de 1998, p. 29.

9 CALVINO, João. Comentário sobre o Livro de Daniel. Tradução e publicação pela Editora Parakletus, 2000, p. 436.

10 PECKHAM, John C. The Doctrine of God: Introducing the Big Questions. London: T&T Clark, 2020, p. 142.

11 PECKHAM, John. God With Us: An Introduction to Adventist Theology. Berrien Springs: Andrews University Press, 2017, p. 289.

12 GULLEY, Norman R. Systematic Theology: God as Trinity. Berrien Springs: Andrews University Press, 2012, p. 412.

quarta-feira, 2 de abril de 2025

PÁSCOA

A palavra Páscoa vem da palavra hebraica “pesach” e do grego “pascha” que significam “passagem”. Podem ter diversos significados tais como: passagem da morte para a vida – passagem de Deus para nos salvar – passagem da escravidão para a liberdade, enfim, a passagem pela qual o homem que se encontra neste mundo, passa para um novo céu e uma nova terra.

História e Instituição da Páscoa
Israel ainda era apenas um povo escravizado no Egito, quando Moisés foi enviado por Deus, para libertar Seu povo. O Faraó, obviamente não quis perder o braço escravo e não permitiu a saída dos israelitas. Ocorreu então o derramamento das pragas, mas, contudo Faraó não deixou que os israelitas se fossem.

O juízo de que o Egito fora em primeiro lugar advertido, deveria ser o último a ser mandado. Deus é longânimo e cheio de misericórdia. Tem terno cuidado pelos seres formados à Sua imagem. Se a perda das suas colheitas, rebanhos e gado, houvesse levado o Egito ao arrependimento, os filhos não teriam sido atingidos; mas a nação obstinadamente resistiu à ordem divina, e agora o golpe final estava prestes a ser desferido.

A Moisés tinha sido proibido, sob pena de morte, aparecer outra vez à presença de Faraó; mas uma última mensagem da parte de Deus deveria ser proferida ao rebelde rei, e novamente Moisés veio perante ele, com o terrível anúncio: “Assim o Senhor tem dito: À meia-noite Eu sairei pelo meio do Egito; e todo o primogênito na terra do Egito morrerá, desde o primogênito de Faraó, que se assenta com ele sobre o seu trono, até o primogênito da serva que está detrás da mó, e todo o primogênito dos animais” (Êxodo 11:4 e 5).

Antes da execução desta sentença, o Senhor por meio de Moisés deu instruções aos filhos de Israel relativas à partida do Egito, e especialmente para a sua preservação no juízo por vir. Cada família, sozinha ou ligada com outras, deveria matar um cordeiro ou cabrito “sem mácula”, e com um molho de hissopo espargir seu sangue “em ambas as ombreiras, e na verga da porta” da casa, para que o anjo destruidor, vindo à meia-noite, não entrasse naquela habitação. Deviam comer a carne, assada, com pão asmo e ervas amargosas, à noite, conforme disse Moisés, com “os vossos lombos cingidos, os vossos sapatos nos pés, e o vosso cajado na mão; e o comereis apressadamente; esta é a Páscoa do Senhor” (Êxodo 12:1-28).

O Senhor declarou: “Passarei pela terra do Egito esta noite, e ferirei todo o primogênito na terra do Egito, desde os homens até aos animais; e sobre todos os deuses do Egito farei juízos. … E aquele sangue vos será por sinal nas casas em que estiverdes; vendo Eu sangue, passarei por cima de vós, e não haverá entre vós praga de mortandade, quando Eu ferir a terra do Egito.”

Em comemoração a este grande livramento, uma festa devia ser observada anualmente pelo povo de Israel, em todas as gerações futuras. “Este dia vos será por memória, e celebrá-lo-eis por festa ao Senhor; nas vossas gerações o celebrareis por estatuto perpétuo”. Ao observarem esta festa nos anos futuros, deviam repetir aos filhos a história deste grande livramento, conforme lhes ordenou Moisés: “Direis: Este é o sacrifício da Páscoa do Senhor, que passou as casas dos filhos de Israel no Egito, quando feriu aos egípcios, e livrou as nossas casas.”

A páscoa cristã
A páscoa devia ser tanto comemorativa como típica, apontando não somente para o livramento do Egito, mas, no futuro, para o maior livramento que Cristo cumpriria libertando Seu povo do cativeiro do pecado. O cordeiro sacrifical representa o “Cordeiro de Deus”, em quem se acha nossa única esperança de salvação. Diz o apóstolo: “Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós” (1 Coríntios 5:7). Não bastava que o cordeiro pascal fosse morto, seu sangue devia ser aspergido nas ombreiras; assim os méritos do sangue de Cristo devem ser aplicados à alma. Devemos crer que Ele morreu não somente pelo mundo, mas que morreu por nós individualmente. Devemos tomar para o nosso proveito a virtude do sacrifício expiatório.

O hissopo empregado na aspersão do sangue era símbolo da purificação, assim sendo usado na purificação da lepra e dos que se achavam contaminados pelo contato com cadáveres. Na oração do salmista vê-se também a sua significação: “Purifica-me com hissopo, e ficarei puro; lava-me, e ficarei mais alvo do que a neve” (Salmos 51:7).

O cordeiro devia ser preparado em seu todo, não lhe sendo quebrado nenhum osso; assim, osso algum seria quebrado do Cordeiro de Deus, que por nós devia morrer (Êxodo 12:46; João 19:36). Assim também representava-se a inteireza do sacrifício de Cristo.

A carne devia ser comida. Não basta mesmo que creiamos em Cristo para o perdão dos pecados; devemos pela fé estar recebendo constantemente força e nutrição espiritual dEle, mediante Sua Palavra. Disse Cristo: “Se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o Seu sangue, não tereis vida em vós mesmos. Quem come a Minha carne e bebe o Meu sangue, tem a vida eterna”. E para explicar o que queria dizer, ajuntou: “As palavras que Eu vos disse são espírito e vida” (João 6:53, 54 e 63).

O cordeiro devia ser comido com ervas amargosas, indicando isto a amargura do cativeiro egípcio. Assim, quando nos alimentamos de Cristo, deve ser com contrição de coração, por causa de nossos pecados. O uso dos pães asmos (sem fermento) era também significativo. Era expressamente estipulado na lei da Páscoa, e de maneira igualmente estrita observado pelos judeus, em seu costume, que fermento algum se encontrasse em suas casas durante a festa. De modo semelhante, o fermento do pecado devia ser afastado de todos os que recebessem vida e nutrição de Cristo. Assim Paulo escreve à igreja dos coríntios: “Alimpai-vos, pois do fermento velho, para que sejais uma nova massa. … Porque Cristo, nossa Páscoa, foi sacrificado por nós. Pelo que façamos festa, não com o fermento velho, nem com o fermento da maldade e da malícia, mas com os asmos da sinceridade e da verdade” (1 Coríntios 5:7 e 8).

Ellen G. White escreve: "O sangue da Páscoa representava para os judeus o sangue de Cristo. No tempo determinado, Deus lhes daria Seu querido Filho como sacrifício, assim como o cordeiro havia sido sacrificado de modo que todo aquele que cresse nEle pudesse ser salvo da morte eterna. Cristo é chamado a 'nossa Páscoa'. Somos redimidos por Seu sangue, através da fé" (Vida de Jesus, p. 13).

Antes de obterem liberdade, os escravos deviam mostrar fé no grande livramento prestes a realizar-se. O sinal de sangue devia ser posto em suas casas, e deviam, com as famílias, separar-se dos egípcios e reunir-se dentro de suas próprias habitações. Houvessem os israelitas desrespeitado em qualquer particular as instruções a eles dadas, houvessem negligenciado separar seus filhos dos egípcios, houvessem morto o cordeiro mas deixado de aspergir o sangue nas ombreiras, ou tivesse alguém saído de casa, e não teriam estado livres de perigo. Poderiam honestamente ter crido haver feito tudo quanto era necessário, mas não os teria salvo a sua sinceridade. Todos os que deixassem de atender às instruções do Senhor, perderiam o primogênito pela mão do destruidor.

Pela obediência, o povo devia dar prova de fé. Assim, todos os que esperam ser salvos pelos méritos do sangue de Cristo, devem compenetrar-se de que eles próprios têm algo a fazer para conseguir a salvação. Conquanto seja apenas Cristo que nos pode remir da pena da transgressão, devemos desviar-nos do pecado para a obediência. O homem deve ser salvo pela fé, e não pelas obras; contudo, a fé deve mostrar-se pelas obras. Deus deu Seu Filho para morrer como propiciação pelo pecado, Ele manifestou a luz da verdade, o caminho da vida, Ele concedeu oportunidades, ordenanças e privilégios; e agora o homem deve cooperar com esses instrumentos de salvação; deve apreciar e usar os auxílios que Deus proveu – crer e obedecer a todas as reivindicações divinas. Como vemos Jesus foi identificado com o cordeiro da “páscoa judaica”, que a exemplo daquele, foi morto para que os que cressem nÊle, não morressem. Na verdade, Jesus é a nossa Páscoa.

A instituição da páscoa cristã
Em Mateus 26:17 em diante, é narrada a celebração da última páscoa em que Jesus participou com Seus discípulos e a partir do verso 26 está a instituição da páscoa pelo Senhor Jesus, oferecendo sua vida, simbolicamente representada pelo pão, sua carne, e pelo vinho, seu sangue, que Ele derramaria no calvário, por muitos, para remissão dos pecados.

Ellen G. White diz: "Na última páscoa que nosso Senhor observou com os Seus discípulos, Ele instituiu a Ceia do Senhor em lugar da páscoa, para que fosse observada em memória de Sua morte. Não tinham mais necessidade da páscoa, pois Ele, o grande Cordeiro antitípico, estava pronto para ser sacrificado pelos pecados do mundo. O tipo encontrou o antítipo na morte de Cristo" (Exaltai-O, p. 22).

A páscoa cristã, em verdade, é celebrada no coração de cada cristão, que oferece a Deus sua própria vida, salva pelo Cordeiro Divino, que tem em si mesmo, vida eterna, podendo assim, ser o cordeiro de toda família humana que o aceite como tal.

As “outras” páscoas
Até agora, embora aparentemente eu tenha me referido a duas páscoas, a páscoa cristã e judaica são a mesma, instituída pelo mesmo Deus, com a mesma finalidade. A diferença é que a judaica prefigura a cristã, onde o cordeiro é substituído pelo próprio “Cordeiro de Deus”, Seu Filho, Jesus.

Entretanto, o mundo tem criado suas próprias “páscoas”.

Assim, temos a “páscoa” dos coelhos, a “páscoa” dos ovos de chocolates, que nada lembram a salvação da qual Deus nos tem feito dignos. Desviam nossas crianças do verdadeiro sentido da páscoa, não os deixando ver que estão perdidos, necessitados de alguém que os substitua na morte. Há apenas a alegre festa dos chocolates, onde tudo parece estar muito bem, ninguém com pecados a resgatar, ninguém necessitado de um Salvador, mas apenas aguardando uma festa totalmente distanciada do verdadeiro cristianismo.

Na Páscoa Judaica, eles devem estar vestidos como quem está pronto para viajar, conscientes de que não estão em sua terra, mas partem em busca de uma nova pátria, a terra prometida.

Na Páscoa Cristã, quando temos recebido Jesus, como nosso cordeiro pascal, temos que estar conscientes de que também somos peregrinos, apenas de passagem por esta terra, e aguardamos novos céus e nova terra (Apocalipse 21:1; 2 Pedro 3:13).

terça-feira, 1 de abril de 2025

O GRANDE TERREMOTO

O mundo tem enfrentado diversos desastres naturais graves ao longo da história. Jesus advertiu que, quando se aproximasse o tempo do fim, ocorreriam abalos sísmicos “em vários lugares” (Mt 24:7, 8). Um desses, o terremoto de magnitude 7,7 que atingiu Mianmar na semana passada, já matou quase 3 mil pessoas e deixou outras milhares feridas. Estimativas do Serviço Geológico dos Estados Unidos, que monitora a atividade sísmica, sugerem, porém, que o número de mortos pode ultrapassar os 10 mil à medida que os escombros são removidos. O abalo sísmico da última sexta-feira foi o mais forte a atingir o país do Sudeste Asiático em mais de um século, derrubando diversos edifícios.

Ellen G. White escreve: “Antes que o Filho do homem apareça nas nuvens do céu, tudo na Natureza estará em convulsão. Haverá fortes terremotos e grande destruição de vidas humanas” (Eventos Finais, p. 18). Esses cataclismas não são raros nesta região, mas o número de possíveis mortos surpreendem. O terremoto foi causado pelo movimento das placas tectônicas, já que Mianmar está em uma região de alta instabilidade geológica, onde convergem as placas Eurasiática, Indiana, de Sonda e de Birmânia. A Falha de Sagaing, que percorre o país por mais de 1.200 km, foi a principal responsável pelo abalo, provavelmente resultante de um deslizamento lateral, no qual blocos rochosos se movem horizontalmente, liberando grande quantidade de energia.

Ao longo da história, diversos terremotos de grande magnitude deixaram um rastro de destruição e perdas:

1. Chile – Valdivia (1960): O mais forte já registrado (magnitude 9,5), causou 1.655 mortes e destruiu Valdivia e Puerto Montt. O tsunami atingiu Puerto Saavedra, além do Havaí (61 mortos), Japão (138) e Filipinas (32).

2. EUA – Alasca (1964): Com magnitude 9,2, o terremoto e o tsunami resultaram em 131 mortes. Anchorage e Valdez foram destruídas, e as ondas atingiram o Canadá, a Costa Oeste dos EUA (15 mortos) e o Havaí.

3. Indonésia – Sumatra (2004): O tremor de 9,1 gerou o tsunami mais letal da história, com 283 mil mortos, 14 mil desaparecidos e 1,1 milhão de desabrigados. Seus impactos chegaram aos oceanos Índico, Pacífico e Atlântico.

4. Japão – Honshu (2011): Também de magnitude 9,1, causou mais de 15 mil mortes e afetou Fukushima, onde a usina nuclear de Okuma foi danificada. O tsunami atingiu EUA, Chile, Peru e Antártica.

5. Rússia – Kamchatka (1952): O terremoto de 9,0 gerou um tsunami com danos no Havaí, também registrado na Califórnia e no Alasca, mas sem mortes confirmadas.

Apocalipse 6:12 previu um “grande terremoto” no início do sexto selo. Para os adventistas do sétimo dia, essa predição se cumpriu por meio do terrível terremoto que atingiu Lisboa na manhã de sábado, 1º de novembro de 1755, Dia de Todos os Santos, um dos mais importantes feriados católicos. Ellen G. White assim descreve: "Em cumprimento dessa profecia, em 1755 ocorreu o mais terrível terremoto que já se registrou. Conhecido como terremoto de Lisboa, estendeu-se pela Europa, África e América. Foi sentido na Groenlândia, nas Antilhas, na Ilha da Madeira, na Noruega e na Suécia, na Grã-Bretanha e na Irlanda, numa extensão de mais de dez milhões de quilômetros quadrados. Na África o choque foi quase tão violento quanto na Europa. Grande parte da Argélia foi destruída. Uma vasta onda varreu a costa da Espanha e da África, submergindo cidades. Diz-se que em Cádiz a ressaca alcançou a altura de vinte metros" (O Grande Conflito, p. 304). A magnitude deste terremoto é estimada entre 8,7 e 9 na escala de Richter. Outros terremotos podem ter sido tão violentos em localidades particulares, mas nenhum outro reúne todas as condições apropriadas para assinalar a abertura do sexto selo.

De acordo com o jornalista Otto Friedrich, várias pessoas alegavam antecipadamente ter recebido revelações sobrenaturais de que Lisboa, a Rainha do Mar, logo seria punida por sua iniquidade. Na noite anterior à tragédia, o padre Manuel Portal, do Oratório, “havia sonhado que Lisboa estava sendo devastada por dois terremotos sucessivos” (O Fim do Mundo, p. 227).

Qualquer que tenha sido a origem dessas revelações, naquela fatídica manhã, pouco depois das 9h30, quando muitos fiéis estavam na igreja assistindo à missa, a cidade foi gravemente sacudida durante dez minutos por três abalos sísmicos sucessivos, seguidos de uma onda gigantesca e um incêndio devastador que durou uma semana. Ellen G. White continua descrevendo assim: "O terremoto ocorreu num dia santo, em que as igrejas e conventos estavam repletos de gente, muito pouca da qual escapou. O terror do povo foi indescritível. Ninguém chorava; estava além das lágrimas. Corriam para aqui e para acolá, em delírio, com horror e espanto, batendo no rosto e no peito, exclamando: ‘Misericórdia! é o fim do mundo!’ Mães esqueciam-se de seus filhos e corriam para qualquer parte, carregando crucifixos. Infelizmente, muitos corriam para as igrejas em busca de proteção; mas em vão foi exposto o sacramento; em vão as pobres criaturas abraçaram os altares; imagens, padres e povo foram sepultados na ruína comum. Calculou-se que noventa mil pessoas perderam a vida naquele dia fatal" (Idem, p. 305).

Nenhum outro terremoto causou um impacto filosófico, cultural e religioso tão profundo quanto esse. Até mesmo Voltaire se referiu a ele como “um terrível argumento contra o otimismo”. Harry Fielding Reid o caracterizou como “o terremoto mais notável da história”. T. H. Kendrick afirmou que o terremoto de Lisboa chocou “a civilização ocidental mais do que qualquer outro evento desde a queda de Roma no quinto século”. O título do excelente livro de Edward Paice, A Ira de Deus: A Incrível História do Terremoto Que Devastou Lisboa em 1755, expressa bem o profundo significado religioso dessa catástrofe.

O terremoto de Lisboa pode ser considerado o primeiro grande sinal na sequência de grande terremoto/Sol/Lua/estrelas de Apocalipse 6:12 e 13. Muitas pessoas tiveram a certeza de que havia chegado a hora do juízo divino. Estamos hoje muito mais próximo do fim do que eles naquela época. Senhor, abre nossos olhos para enxergar os sinais da Tua vinda e estar prontos para esse glorioso evento!