Com uma combinação rara de conhecimento técnico e espontaneidade, a adventista do sétimo dia Isabel Cristina, de 69 anos, conquistou o público ao participar do Quem Quer Ser Um Milionário, no Domingão com Huck deste domingo (9). A bibliotecária aposentada surpreendeu ao chegar às perguntas finais do quadro, saindo da disputa com R$ 300 mil no bolso e o carinho de milhares de telespectadores.
Durante o programa, Isabel demonstrou domínio sobre diferentes assuntos, respondendo com calma e lucidez questões difíceis que exigiam mais do que apenas memória: exigiam raciocínio e compreensão de contexto. Sua decisão de não arriscar a pergunta sobre "orografia" foi considerada sensata e aplaudida por Luciano Huck.
Isabel foi ao programa acompanhada do marido, Paulo Roberto. Eles estão juntos há 46 anos. A história de amor entre eles teve início quando Isabel começou a estudar e conseguiu entrar na Universidade Federal da Bahia. Aos 23 anos, ela dormia na casa de amigos e deu ultimato no rapaz dizendo que não tinha casa e se eles iriam morar juntos. Paulo Roberto topou e os dois são felizes até hoje.
Isabel teve uma infância difícil, sendo doada pela mãe para a patroa, depois retirada da casa onde vivia e indo para a Bahia com a mãe. Lá, Isabel foi doada novamente, dessa vez para a família de uma tia.
Demonstrando conhecimento, serenidade e carisma, ela conseguiu avançar até a penúltima pergunta da competição, optando por parar e levar para casa o prêmio de R$ 300 mil. A decisão foi recebida com entusiasmo pela plateia, que a aplaudiu de pé.
Isabel mostrou domínio em diversas áreas do saber ao longo da participação, respondendo com firmeza a questões que exigiam raciocínio lógico e conhecimento enciclopédico. O momento mais tenso ocorreu quando a pergunta sobre o termo “orografia” foi apresentada. Ciente da complexidade do tema e da possibilidade de perder grande parte do valor acumulado, ela optou por não arriscar.
A bibliotecária adventista, que afirmou ser apaixonada pelos livros e pelo saber, ganhou o carinho do público não apenas pelo desempenho, mas também pela postura humilde e bem-humorada. Ao longo do programa, compartilhou frases inspiradoras, como “quem voa mais alto, vê mais longe”. Lembrei-me um pensamento de Ellen G. White que diz: "O que significa para nós voar mais alto quando temos uma meta a alcançar ou estamos no meio de uma tempestade na vida? Voar mais alto, ser mais intrépido, enfrentar as dificuldades com mais ousadia, com mais valentia e coragem. Porque há um Deus nos Céus, decide-te a voar mais alto! Ele ajudar-te-á a superar as adversidades" (Atos dos Apóstolos, p. 211).
Isabel encerrou sua participação com gratidão a Deus e emoção. Seu exemplo reafirmou o valor da experiência, do estudo e da humildade. Ao deixar o palco, ela carregava não apenas a conquista de R$ 300 mil, mas também o respeito e o carinho de um país inteiro.
Quanto ao desenvolvimento do intelecto, cabe lembrar que a Bíblia é imprescindível: “Se a Bíblia fosse estudada como deveria ser, os homens se tornariam intelectualmente fortes. Se a Bíblia fosse mais lida, fossem suas verdades melhor compreendidas, e seríamos um povo muito mais iluminado e inteligente. Pelo exame de suas páginas é comunicada energia à alma” (Orientação da Criança, p. 507).
Em 1891, Ellen G. White escreveu que “no futuro haverá mais premente necessidade de homens e mulheres de habilitações intelectuais do que houve no passado” (Fundamentos da Educação Cristã, p. 192). E nós somos o futuro, ele chegou! Para nossas instituições, Deus quer que elas alcancem “um alto padrão de cultura intelectual e moral, maior do que qualquer outra instituição do gênero em nosso mundo” (Testemunhos para a Igreja 4, p. 425). Ou seja, a atitude anti-intelectual não é cristã: a ignorância não é um elemento divino. Deus, quem criou nossas mentes e intelectos, naturalmente espera que usemos os dons que Ele nos deu.
Segundo Ellen G. White, “a verdadeira educação não desconhece o valor dos conhecimentos científicos ou aquisições literárias; mas acima da instrução aprecia a capacidade, acima da capacidade a bondade, e acima das aquisições intelectuais o caráter. O mundo não necessita tanto de homens de grande intelecto, como de nobre caráter” (Educação, p. 225). Ela também escreveu que “a educação do coração é mais importante do que a educação adquirida nos livros” (Testemunhos para a Igreja 8, p. 331), e que “conhecimento é poder, mas só o é para o bem, quando unido à verdadeira piedade. Para servir mais nobres fins, ele deve ser vivificado pelo Espírito de Deus” (Conselhos aos Pais, Professores e Estudantes, p. 38).
Ao adquirimos conhecimento aqui para glorificar o nosso Criador e abençoar o próximo, naquele dia seremos recompensados, quando “o nosso Mestre celestial guiará Seu povo até a árvore da vida, que cresce de cada lado do rio da vida, e Ele mesmo lhes explicará as verdades que nesta vida não puderam compreender. Naquela vida futura, Seu povo alcançará a educação superior, em sua plenitude” (Visões do Céu, p. 156).

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