O que leva uma pessoa a pensar que a vida faz sentido? Há muita gente que tem tudo o que se possa imaginar e, mesmo assim, continua procurando uma razão para viver. Por outro lado, ao longo da minha trajetória tenho conhecido pessoas que, apesar do convívio com a escassez, conseguem experimentar um tipo de paz interior que está além da experiência que a sociedade do consumo pode proporcionar.
No livro Em Busca de Sentido, o psiquiatra austríaco Viktor Frankl comenta que “a principal preocupação da pessoa humana não consiste em obter prazer ou evitar a dor, mas antes em ver sentido para sua vida”. A grande questão é que “o coração do homem tem um vazio do tamanho de Deus”, conforme expressou o escritor russo Fiódor Dostoiévski.
Pela visão cada vez mais ofuscada e distorcida da humanidade, muitos não sabem explicar o que é e de onde vem essa aspiração. A resposta está no fato de que Deus “pôs a eternidade no coração do homem” (Ec 3:11). Por isso, nenhuma condição terrena pode preencher um anseio que tem origem divina.
Após uma intensa reflexão sobre a sociedade de sua época e uma profunda autoanálise, Salomão chegou à conclusão de que toda busca para mitigar a sede da alma por meio das realizações humanas não passa de vaidade e “correr atrás do vento” (Ec 1:2, 14, 17; 2:11, 17, 26; 4:4, 6, 16; 6:9; 12:8).
O livro de Eclesiastes revela que “é desígnio de Deus que o ser humano compreenda que o mundo material não constitui a essência de sua existência. Ele está unido a dois mundos: fisicamente a este mundo, porém mental, espiritual e psicologicamente ao mundo eterno. Apesar da consciência obscurecida pelo pecado, o homem ainda parece ter percepção de que deveria continuar a viver para além dos estreitos limites desta vida insatisfatória” (Comentário Bíblico Adventista, vol. 3, p. 1215).
Em outras palavras, nós devemos viver com os “pés na terra e os olhos no céu”. Afinal, como disse C. S. Lewis no livro Cristianismo Puro e Simples, “se eu encontrar em mim mesmo desejos que nada neste mundo podem satisfazer, a única explicação lógica é que eu fui feito para outro mundo.” E ele continua: "Foi quando os cristãos deixaram de pensar no outro mundo que se tornaram tão incompetentes nesse aqui. Se você aspirar ao Céu, ganhará a terra “de lambuja”: se aspirar a Terra, perderá ambos”
Feitos para outro mundo. Por isso é bom estar constantemente olhando para lá, para não esquecer nossa origem e destino. Em Colossenses 3:1, 2 o apóstolo Paulo aconselha: "Portanto, se fostes ressuscitados com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima e não nas que são da Terra".
Ellen White nos exorta a que "revelemos sempre ao mundo que estamos em busca de uma pátria melhor, isto é, a celestial. O Céu foi feito para nós, e queremos ter parte nele" (Cuidado de Deus, p. 143). Ela teve o privilégio de conhecer este outro mundo e, quando voltou de sua visão, escreveu: “Depois que voltei da visão, todas as coisas pareciam mudadas; uma tristeza se espalhava sobre tudo que eu contemplava. Oh! quão escuro pareceu-me este mundo! Chorei quando me encontrei aqui, e senti saudade. Eu tinha visto um mundo melhor, e o atual perdeu o seu valor” (Primeiros Escritos, p. 20).
Jesus aguarda ansiosamente, junto com toda a Sua criação, voltar para buscar a todos os que não se esqueceram de onde são e para onde vão. Entenda que sua alma anseia pela eternidade, que você foi criado para muito mais do que esse mundo passageiro pode te oferecer. Não se contente em caminhar como alguém que já se conformou com este lugar, mas seja como aqueles que prosseguem para o alvo, o prêmio da vocação celestial.

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