quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

O ERRO DE DARWIN

O Dia de Darwin é celebrado em 12 de fevereiro, data de nascimento de Charles Darwin (1809), homenageando o naturalista e sua teoria da evolução por seleção natural. A data destaca o legado de suas observações, especialmente a biodiversidade das Ilhas Galápagos e os tentilhões, fundamentais para a biologia moderna.

Charles Darwin é um ícone para a maioria dos evolucionistas. Falando dele, Will Durant escreveu que seu nome poderia passar para a posteridade “como o ponto de inflexão no desenvolvimento de nossa civilização ocidental”, e completou que, “se ele estiver certo, os homens terão que datar 1859 como o começo do pensamento moderno”. Darwin morreu em 1882, teve um funeral de estado e foi sepultado na Abadia de Westminster ao lado de grandes nomes. Embora Julian Huxley tenha mencionado o “eclipse do darwinismo” na década de 1940, hoje inúmeros cientistas acham que nada faz sentido sem a teoria da evolução.

Por outro lado, os criacionistas veem Darwin como um pensador atormentado que defendeu ideias infundadas e nocivas. No julgamento de John Scopes, William Jennings Bryan descreveu a cosmovisão darwinista como “um dogma de escuridão e morte”. Tendo estudado para ser um clérigo, Darwin deveria crer firmemente no Criador. No entanto, ele perdeu todo vestígio de fé em um Deus bondoso quando morreu sua adorada filha Annie. Ao tentar tirar Deus da equação da vida e a Bíblia do repertório de explicações do mundo, ele não percebeu a ação do inimigo na natureza.

A partir das ideias darwinistas, a disputa entre criacionismo e evolucionismo se intensificaram, com implicações culturais, políticas e teológicas. Porém, como deve o adventista se portar diante dessa batalha intelectual? Confiar plenamente na Palavra de Deus. A narrativa da criação em Gênesis estabelece várias verdades que são reafirmadas ao longo da Bíblia e oferece respostas para as perguntas mais intrigantes da vida.

Primeiro, o texto indica quem criou: Deus. O destaque em Gênesis é o Criador. Ele planejou, criou e organizou tudo. Kenneth Mathews afirma em seu comentário Genesis 1–11:26 (Broadman & Holman, 1996): “‘Deus’ é o sujeito gramatical da primeira sentença (1:1) e continua como o sujeito temático ao longo do relato.” Sem Deus, o caos seria a máxima possibilidade do mundo. Com Deus, o cosmos é a realidade.

Em segundo lugar, o relato apresenta o quando: no princípio. A Bíblia não revela a data da criação do Universo, mas assegura que foi no começo. Embora não haja consenso sobre o significado da expressão “no princípio”, há boas razões para acreditar que ela se refira a um tempo muito distante. Ao que tudo indica, Deus criou o Universo e a Terra há milhões de anos e a vida no planeta num período recente.

Em terceiro lugar, o registro descreve o como: criação pela palavra. O evolucionismo ensina que tudo surgiu por meio de uma trindade formada por tempo, acaso e seleção natural. Mas a Escritura revela que Deus falou e tudo apareceu. A expressão “E disse Deus: Haja…” aparece em vários versos (3, 6, 9, 11, 14, 20, 24, 26). Esse fato é reafirmado poeticamente pelo salmista (Sl 33:6, 9). Longe de a vida surgir por meios lentos, caóticos e randômicos, Deus criou por um método rápido, pessoal e dirigido.

Em quarto lugar, Gênesis revela o que: o Universo. A expressão “os céus e a Terra” é uma figura de linguagem para indicar o cosmos. Ela é diferente da expressão encontrada em Gênesis 2:1 (“os céus e a Terra e todo o seu exército”), que se refere à biosfera terrestre e seus três habitats descritos em Gênesis 1:3-31, como explica Richard Davidson em seu capítulo no livro He Spoke and It Was (Pacific Press, 2015). De acordo com o teólogo, essa expressão de Gênesis 1:1 está em paralelo com a que aparece em 2:4, formando uma estrutura quiástica, muito comum na Bíblia.

Por fim, o relato sugere o porquê: um ambiente proposital para o ser humano. O termo “bom” (hebraico tov), repetido seis vezes em Gênesis 1, foi usado para toda a criação, e, quando o homem foi criado, o mundo ficou completo e passou a ser “muito bom”. O selo de aprovação e qualidade foi conferido pelo próprio Deus.

O relato de Gênesis foi escrito com o objetivo claro de desconstruir as cosmogonias (teorias das origens) e mitologias da época. Trata-se de uma narrativa artisticamente construída, mas seus paralelismos seguem as ações esteticamente planejadas de Deus, o maior Artista do Universo. Confiar nessa narrativa situada no Jardim do Éden ainda é o melhor antídoto contra as ideias elaboradas em Galápagos.

[Com informações de Revista Adventista]

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

A INVOLUÇÃO HUMANA

Nossa perspectiva sobre a involução humana é fundamentada na crença de que, após a queda de Adão e Eva no Éden, a raça humana não evoluiu para melhor, mas sim degenerou progressiva e cumulativamente em termos físicos, mentais e morais. Essa visão contrasta com a teoria da evolução biológica e foca na deterioração causada pelo pecado e pela violação das leis da natureza.

Aqui estão os pontos principais dessa perspectiva: 

Criação especial
O livro de Gênesis apresenta um relato bem definido da vida social e individual, e, todavia, não temos notícia de alguma criança que nascesse com alguma deficiência física ou mental. Não é mencionado um só caso de morte natural na infância, meninice ou juventude. Não há relato algum de homens e mulheres vitimados por doenças. Os obituários no livro de Gênesis declaram o seguinte: “E foram todos os dias que Adão viveu novecentos e trinta anos; e morreu” (Gênesis 5:5). “E foram todos os dias de Sete novecentos e doze anos; e morreu” (Gênesis 5:8). Com referência a outros, diz o relato: “Morreu em boa velhice, velho e farto de dias” (Gênesis 25:8). Era tão raro morrer um filho antes de seu pai que tal acontecimento foi considerado digno de menção: “E morreu Harã, estando seu pai Terá ainda vivo” (Gênesis 11:28). Harã já era pai ao tempo de sua morte. 

Força vital
Deus dotou o homem de tão grande força vital que ele tem resistido ao acúmulo de doenças lançadas sobre a humanidade em consequência de hábitos pervertidos, e tem sobrevivido por seis mil anos. Este fato, por si mesmo, é suficiente para nos mostrar a força e a energia que Deus conferiu ao ser humano na criação. Foram necessários mais de dois mil anos de delitos e de condescendência com as paixões inferiores para trazer sobre os seres humanos enfermidades físicas em grande escala. Se Adão, ao ser criado, não houvesse sido dotado de vinte vezes maior vitalidade do que os homens possuem agora, a humanidade, com seus atuais métodos de vida que constituem uma violação da lei natural, já estaria extinta. Por ocasião do primeiro advento de Cristo, o ser humano degenerara tão rapidamente que um acúmulo de doenças pesava sobre aquela geração, suscitando uma torrente de aflição e uma carga de sofrimento indescritível. 

Degeneração do ser humano
Como se encontra deplorável a condição do mundo no tempo atual. Desde a queda de Adão, a humanidade tem estado degenerando. A decadência física, mental e moral faz com que nossos corações fiquem pesarosos e abatidos. Deus não criou o gênero humano em sua presente condição debilitada. Este estado de coisas não é obra da Providência, mas do homem; e tem sido ocasionado por maus hábitos e abusos, pela violação das leis que Deus estabeleceu para governar a existência humana. A violação da lei física e sua consequência — o sofrimento humano — têm prevalecido por tanto tempo que homens e mulheres consideram o presente estado de doença, sofrimento, debilidade e morte prematura como a sorte destinada aos seres humanos. O homem saiu das mãos do Criador perfeito e belo na forma, e de tal modo dotado de força vital que levou mais de mil anos para que os corruptos apetites e paixões, bem como a geral violação da lei física, fossem sensivelmente notados na humanidade. As gerações mais recentes têm experimentado a pressão da debilidade e da doença mais rápida e rigorosamente a cada geração. As forças vitais têm sido grandemente enfraquecidas pela condescendência com o apetite e as paixões da concupiscência. 

Comparação com o passado
Os patriarcas desde Adão até Noé, com poucas exceções, viveram quase mil anos. Depois do tempo de Noé, a duração da vida tem diminuído gradualmente. Os que sofriam de enfermidades eram levados a Cristo de toda cidade, vila e aldeia para serem curados por Ele; pois eram afligidos por toda sorte de doenças. E a doença tem aumentado constantemente através das gerações sucessivas desde aquele período. Em virtude da continuada violação das leis da vida, a mortalidade tem aumentado de modo alarmante. Os anos de vida dos homens têm diminuído a tal ponto que a geração atual desce à sepultura antes mesmo da idade em que as gerações que viveram durante os dois primeiros mil anos, após a criação, se lançavam ao campo de ação. 

A devastação do pecado
A doença tem sido transmitida de pais a filhos, de geração a geração. Crianças de berço são severamente afligidas por causa dos pecados de seus pais, que reduziram sua força vital. Seus maus hábitos de comer e vestir, e sua dissipação geral, são transmitidos como herança aos filhos. Muitos nascem com deficiências físicas, e uma classe muito numerosa é deficiente no intelecto. A estranha ausência de princípios que caracteriza esta geração, e que se manifesta no desprezo mostrado às leis da vida e da saúde, é espantosa. Prevalece a ignorância sobre este assunto, embora a luz esteja brilhando por toda parte ao redor deles. A preocupação da maioria é: Que comerei? Que beberei? e com que me vestirei? (Mateus 6:31). 

Escravidão do apetite
Cedendo à tentação de satisfazer o apetite, Adão e Eva caíram originalmente de sua condição elevada, santa e feliz. E é por meio da mesma tentação que os homens têm se debilitado. Eles têm permitido que o apetite e a paixão ocupem o trono, mantendo em sujeição a razão e o intelecto. A despeito de tudo o que é declarado e escrito acerca do modo como devemos tratar o corpo, o apetite é a grande lei que governa homens e mulheres em geral. As faculdade morais estão enfraquecidas porque homens e mulheres não querem viver em obediência às leis da saúde nem fazem deste grande assunto um dever pessoal. Os pais transmitem a seus descendentes os próprios hábitos pervertidos, e doenças repulsivas corrompem o sangue e debilitam o cérebro. A maioria dos homens e das mulheres satisfazem o pervertido apetite ao usar venenos lentos, que corrompem o sangue e minam as forças nervosas, trazendo, consequentemente, doença e morte sobre si. Rebelaram-se contra as leis da natureza, e sofreram a punição deste abuso. Sofrimento e mortalidade prevalecem agora em toda a parte, principalmente entre crianças. Quão grande é o contraste entre esta geração e as que viveram durante os dois primeiros mil anos!

Esperança e restauração
Enquanto Jesus não retornar, haverá maior fragilidade física resultante do pecado e das transgressões das leis da saúde. Mas após a segunda vinda de Cristo a este mundo, todos os salvos ressuscitarão e sairão do túmulo com a mesma estatura que tinham quando ali entraram. Adão, que está em pé entre a multidão dos ressuscitados, é de grande altura e formas majestosas, de estatura pouco menor que o Filho de Deus. Apresenta assinalado contraste com o povo das gerações posteriores; sob este único ponto de vista se revela a grande degeneração da raça. Todos, porém, surgem com a louçania e vigor de eterna mocidade. Restabelecidos à árvore da vida, no Éden há tanto tempo perdido, os remidos crescerão até à estatura completa da raça em sua glória primitiva. Então, os últimos traços da maldição do pecado serão removidos, e os fiéis de Cristo aparecerão na beleza do Senhor nosso Deus, refletindo no espírito, alma e corpo, a imagem perfeita de seu Senhor. A verdadeira "evolução" ou restauração da perfeição original só ocorrerá com a segunda vinda de Jesus, que porá fim à dor, à morte e à degeneração humana.

[Baseado nos livros Testemunhos para a Igreja vol. 3, Mensagens Escolhidas vol. 2, Conselhos sobre Saúde, Conselhos sobre Regime Alimentar e O Grande Conflito de Ellen G. White]

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

CRISTIANISMO NÃO EXISTE

“Cristianismo simplesmente não existe” (Søren Kierkegaard).

E quem seria capaz de contestar esta afirmação de Kierkegaard? Há, de fato, um Cristianismo que não existe. Mas antes de afirmar a não-existência de um Cristianismo aparentemente existente, faz-se necessário explorar o que a própria Bíblia diz a respeito desta palavra.

Em que lugar da Bíblia algum autor inspirado cita a palavra Cristianismo? Em nenhum lugar.

Peter Leithart nota que na Bíblia ninguém é convidado a proclamar o Cristianismo, a ensinar o Cristianismo, ou sequer a aceitar o Cristianismo. Ainda assim, a palavra existe no nosso vocabulário. Os Evangelhos falam de Cristo e de seus seguidores que eventualmente passaram a ser chamados de Cristãos. Mas a base, a visão, o fundamento da palavra “Cristão” se centrava em Cristo, Suas palavras, Sua vida, e a missão por Ele deixada.

Na Bíblia não encontramos a palavra nem o conceito de Cristianismo. Mas após inúmeras expansões territoriais e evangelísticas, o “Cristianismo” invadiu o mundo. No entanto, em algum momento desta milenar jornada, o Cristianismo parece ter perdido sua ligação com os Evangelhos. Se tornou um corpo de doutrinas professado por Cristãos, ou uma maneira de adorar o Cristo ressurreto. Tudo muito objetivo e cognitivo. Cristianismo é “isso” e se você aceitar “isso” você se torna um Cristão. Mortes e guerras encontraram suas justificativas no palavra (e no conceito) Cristianismo, riquezas foram acumuladas em nome do Cristianismo e povos foram oprimidos em nome da cruz. Ao se distanciar dos Evangelhos, o Cristianismo –que já não é um conceito Bíblico per se– se tornou algo que, quando muito, remotamente se assemelha à religião bíblica descrita nos Evangelhos.

Dostoiévski no capítulo “O Grande Inquisidor” de seu livro Irmãos Karamazov descreve o problema da seguinte maneira: a tentação que o homem Jesus divinamente rejeitou –de poder, honras e glória– foram aceitos pela Igreja Cristã através de seus líderes falhos e humanos. Desta maneira, ao longo de séculos e milênios, a religião Cristã se tornou uma antítese dos ensinamento e da vida de Cristo. Por isto a afirmativa de Kierkegaard: afinal, os atos, a postura e a religião de Jesus nos Evangelhos, era irreconhecível no Cristianismo de sua época.

Hoje em dia a situação não é diferente. Por mais que muitas pessoas ainda de fato vivam um novo tipo de existência ao se decidirem por seguir a Cristo, ainda existe muito charlatão, muito líder religioso corrupto, muito fiel egoísta em busca apenas de riquezas, bênçãos e realizações pessoais, além da evidente ausência de ética tanto na esfera pública como religiosa; e isto debaixo da bandeira do Cristianismo e em países que se denominam Cristãos. E se “Cristianismo” é tudo isto, ele não é nada; porque uma palavra que pode significar tantas coisas diferentes –e até opostas– perde seu significado.

As palavras de Cristo, o texto Bíblico através do qual Ele ainda hoje se quer fazer entender, nos interessam de forma parcial nos dias de reuniões de nossas comunidades religiosas, quando muito. Nos púlpitos ao redor do mundo somos dificilmente confrontados com a realidade do texto. São poucos os pregadores que estão dispostos a deixar suas agendas particulares (ou de suas instituições religiosas) de lado para, em contrição, simplesmente buscar transmitir o que o texto disse e ainda diz. Há poucos profetas.

Para preencher o tempo e desviar a atenção da nossa indisposição de estudar o texto a fundo, costumamos dar ênfase a discussões menores, menos relevantes e paralelas. Define-se um comportamento padrão e discute-se uma infinidade de variações ou “desvios” deste comportamento denominado “padrão”. Discute-se a relação entre fé e evidências (no caso, evidências extra-bíblicas). Discute-se a relação entre fé e ciência. Como o texto não é interessante, fazemos apologética. Procuramos –às vezes até inventamos– um inimigo em comum do qual precisamos nos defender, ou melhor: defender a fé. Aliás, preferimos defender a fé do que viver a fé, debater a fé do que entender que fé é esta. E esta busca incessante por discussões paralelas e menores apenas confirma uma triste realidade: o texto bíblico não é interessante o suficiente. Damos prioridade a discussões de “fatos” externos (científicos/arqueológicos/metafísicos) sem perceber que tais discussões são no máximo secundárias. O desafio deixado por Kierkegaard continua até hoje: desenvolver a honestidade e a coragem de dizer que o “Cristianismo” nos nossos dias (junto com suas discussões, ética, e prioridades estranhas) não existe.

Que esta confissão nos conduza de volta ao texto Bíblico, aos Evangelhos de Gênesis, Êxodo e João. Precisamos redescobrir o que significa Cristianismo, pois, atualmente, ele simplesmente não existe.

Assista também o vídeo abaixo "Cristianismo não Existe", por Tiago Arrais, ministrado como palestra dividida em 5 noites.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

CASO EPSTEIN

Jeffrey Epstein era um rico financista americano e criminoso sexual condenado que começou sua carreira profissional como professor e depois migrou para o setor bancário. Tendo desenvolvido um círculo social de elite, ele conseguiu causar danos incalculáveis ​​a inúmeras mulheres e sair impune por anos. Em 6 de julho de 2019, ele foi preso sob acusações federais de tráfico sexual de menores na Flórida e em Nova York. Ele inevitavelmente enfrentaria o resto da vida na prisão, mas em 10 de agosto foi encontrado morto aos 66 anos em sua cela. O legista considerou a morte um suicídio, deixando muitas de suas vítimas revoltadas com a sensação de que a justiça não foi feita.

Essa história já é perturbadora o suficiente, mas piora. Em 2005, a polícia de Palm Beach, na Flórida, começou a investigar Epstein depois que uma mãe denunciou que ele havia abusado sexualmente de sua filha de 14 anos. Em 2007, apesar das provas contundentes e de múltiplas testemunhas corroborando os relatos das vítimas de abuso sexual, os promotores federais e os advogados de Jeffrey Epstein fecharam discretamente um acordo extraordinário para Epstein, que o livrou de uma sentença mais severa e do cumprimento de pena em uma prisão estadual, onde a maioria dos condenados por crimes sexuais cumpre suas penas. Seus supostos cúmplices, que o ajudavam a agendar os encontros sexuais, nunca foram processados.

Epstein concordou em se declarar culpado de duas acusações de prostituição em um tribunal estadual e, em troca, ele e seus cúmplices receberam imunidade contra acusações federais de tráfico sexual que poderiam tê-lo levado à prisão perpétua. Ele cumpriu 13 meses em uma ala privada da prisão do Condado de Palm Beach. Durante esse período, ele teve permissão para entrar e sair da prisão e para usar um serviço de limusine para voltar para casa.

Recentemente, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos publicou mais de três milhões de páginas de arquivos do caso de Jeffrey Epstein, incluindo fotos e vídeos, alguns tirados pelo próprio bilionário condenado por crimes sexuais. Cerca de 2.000 vídeos e 180 mil imagens estão nos arquivos liberados. Foram deixados de fora imagens sensíveis, como as que remetem a abuso sexual infantil ou violência, e documentos que identificassem as vítimas de Epstein.

Trechos de documentos do caso Epstein foram divulgados na imprensa e revelaram que famosos, bilionários e políticos participaram das polêmicas festas do empresário. Personalidades como Leonardo DiCaprio, Cameron Diaz, Cate Blanchett, Bruce Willis, Kevin Spacey, George Lucas, Michael Jackson, Mick Jagger, Jay-Z e Naomi Campbell foram citados, os bilionários poderosos Elon Musk, Bill Gates, Sarah Ferguson, Richard Branson e Ehud Barak, além de Trump, Bill Clinton e o príncipe Andrew, mas nenhum deles recebeu acusações formais por crimes.

Que escândalo! Como isso pôde acontecer em um país que se orgulha de leis justas e processos legais? Não sei quanto a vocês, mas essa história desperta meu senso de justiça. Agora consigo compreender melhor a oração do Salmista pelo rei de sua nação:

"Dá ao rei a tua justiça, ó Deus, e a tua retidão ao filho do rei! Que ele julgue o teu povo com justiça e os teus pobres com equidade! Que ele defenda a causa dos pobres do povo, dê livramento aos filhos dos necessitados e esmague o opressor!" (Salmo 72:1-4)

Sou grato pela promessa de que um dia Deus se levantará “para estabelecer a justiça e salvar todos os oprimidos da terra” (Salmo 76:9). Sinto alívio em saber que Deus instruiu aqueles que detêm o poder a julgarem sem parcialidade (Levítico 19:15). É claro que a história de Israel mostra que, na maioria das vezes, aqueles que ocupavam posições de poder abusaram de seus privilégios e julgaram de forma egoísta.

A Bíblia tem muito a dizer sobre o amor, a graça e a misericórdia de Deus. É por causa da Sua bondade que somos levados ao arrependimento (Romanos 2:4). Devemos nos consolar ao saber que o Deus a quem servimos ama a justiça e odeia a opressão. Isso deve ser uma boa notícia para os oprimidos da Terra, embora não seja tão boa notícia para os opressores (Tiago 5:1-9). Embora a justiça não seja plenamente alcançada em nosso mundo corrupto, Deus agirá para corrigir todo o mal e restaurar o nosso mundo de uma vez por todas.

Ellen White diz: "O Senhor virá em breve. Impiedade e rebelião, violência e crime espalham-se por todo o mundo. Os clamores dos que sofrem e dos oprimidos sobem a Deus, pedindo justiça. Aquele que comanda as estrelas na sua órbita nos céus, e cuja palavra controla as águas do grande abismo — o mesmo Criador infinito atuará em favor do Seu povo. Há um Deus em Israel, com quem está o livramento para todos os que se acham oprimidos. Justiça é a base do Seu trono" (Nos Lugares Celestiais, p. 362).

Homens podem ser comprados. Provas podem ser ocultadas. Julgamentos podem ser manipulados. A verdade pode ser amarrada e silenciada por um tempo, mas diante do trono do Altíssimo, ninguém esconde nada. O Senhor vê o que foi feito no escuro. Ele conhece o coração do inocente e desmascara o culpado que se esconde atrás da aparência de justiça. O tempo de Deus não atrasa. A colheita é inevitável. Pode parecer que o mal venceu, mas só parece. A justiça do Senhor virá, e quando vier, ninguém poderá impedir.

Ellen White conclui: "O Juiz de toda a Terra tomará decisão justa. Não poderá ser subornado; não Se pode enganar. Aquele que criou o homem, e a quem pertencem os mundos e todos os tesouros que contêm — Ele é que pesa o caráter nas balanças da justiça eterna" (The Review and Herald, 19 de Janeiro de 1886).

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

A PSICOLOGIA DO MARTÍRIO

Ao longo da história, poucas figuras e a consciência do mundo cristão como os mártires – aqueles que escolheram morrer em vez de negar sua fé. Suas histórias não são apenas registros trágicos de crueldade e perda. São testemunhos poderosos de convicção, coragem e devoção inabalável a Deus. A palavra mártir vem do grego martys, que significa “testemunha”, e no passado se referia especificamente a alguém que deu testemunho de Cristo através da morte. Com o tempo, no entanto, o termo foi aplicado de forma mais ampla àqueles que morrem por causas políticas, patrióticas ou ideológicas.

No entanto, o martírio cristão continua sendo singular. O que possibilita uma pessoa a enfrentar a tortura e a morte com serenidade – e até alegria? Como um ser humano pode suportar chamas, feras e lâminas sem renunciar às suas crenças? Neste artigo, exploramos não apenas as dimensões históricas e físicas do martírio, mas também o mundo interior dos mártires – seus pensamentos, motivações, visão de mundo e foco espiritual. Ao examinar o que as Escrituras e a história revelam sobre esses indivíduos, podemos entender melhor a profunda dinâmica psicológica e teológica que os levou a abraçar o sofrimento por causa de Cristo.

INSTRUMENTOS DE TORTURA
Para compreender a profundidade do compromisso demonstrado pelos mártires cristãos, é preciso primeiro entender a realidade brutal que eles enfrentaram ao longo da história. O martírio não é um ideal poético ou um conceito abstrato – é um horror físico e tangível. Desde os primeiros séculos da era cristã – particularmente durante o Império Romano e as Inquisições do período medieval – até nossos dias, os crentes foram submetidos a métodos cruéis de perseguição e execução além da imaginação, cuidadosamente projetados para infligir o máximo de dor e humilhação.

Tragicamente, mesmo no século 21, cristãos em várias partes do mundo continuam a sofrer prisão, tortura e morte simplesmente por permanecerem fiéis às suas crenças. Esses atos de violência, antigos ou modernos, têm sido frequentemente usados como espetáculos deliberados destinados a silenciar a fé por meio do medo. E, no entanto, de forma notável, os próprios instrumentos de tortura destinados a extinguir o testemunho dos mártires muitas vezes se tornaram plataformas para isso. Os exemplos a seguir – compilados a partir de registros históricos que descrevem as provações dos primeiros mártires cristãos[1] – embora difíceis de ler, oferecem um vislumbre do sofrimento suportado por aqueles que escolheram a fé em lugar da própria vida.

Cruzes, estacas e suspensão. Assim como Cristo, a pessoa seria pregada ou amarrada a uma cruz ou estaca de madeira. Para intensificar a dor, as posições variavam: em pé ou de cabeça para baixo; pendurado pelos braços ou pernas, às vezes com pedras pesadas amarradas a eles. No caso das mulheres, eram até mesmo suspensas pelos cabelos. Às vezes, o mártir era untado com mel e deixado pendurado em um poste ao sol para ser torturado por moscas e abelhas – ou colocado no chão, na mesma condição, para ser mordido por formigas.

Rodas. Estas surgem em diversas variações. Em alguns casos, os mártires eram amarrados a uma grande roda cilíndrica e rolavam por uma encosta rochosa. Em outros casos, eram amarrados a uma roda estreita que girava sobre uma plataforma cravejada de pontas de ferro, rasgando sua carne ao girar.

Alongamento e esmagamento. As vítimas seriam amarradas pelos braços a um poste e pelos pés a um sistema de polias. À medida que a polia era apertada, seus corpos eram esticados a ponto de deslocar as articulações. Em outros casos, pedras ou pesos enormes eram usados para esmagá-los lentamente.

Fogo. Os torturadores eram particularmente criativos com o uso do fogo. Um método envolvia jogar o mártir de cabeça em um caldeirão cheio de óleo fervente ou chumbo derretido. Outros foram literalmente fritos em pratos de metal aquecidos ou em panelas feitas sob medida para o tamanho do corpo. Havia também o chamado “touro de bronze”, uma escultura oca de metal em forma de touro, na qual a pessoa condenada era colocada. Fogueiras foram acesas embaixo, transformando o interior em um forno. Segundo a tradição, Antipas – a figura mencionada em Apocalipse 2:13 – foi martirizado dessa maneira.

Esfolamento. Esta foi, sem dúvida, uma das formas mais brutais de tortura. Os mártires eram amarrados e tinham a pele removida enquanto ainda estavam conscientes. A tradição afirma que o apóstolo Bartolomeu sofreu esse tipo de tormento.

Outras formas de tortura. Não há espaço suficiente para descrever todos os métodos, técnicas ou ferramentas inventados com o propósito de atormentar os cristãos na antiguidade e ao longo da Idade Média. É horripilante testemunhar como a inteligência e a criatividade humanas foram canalizadas para o mal, mesmo em uma época de profunda escuridão intelectual. Outras formas de martírio incluíam: afogamento (onde o mártir era selado em uma caixa de chumbo e jogado em um rio), perfuração (as vítimas eram perfuradas com lanças, espadas, estacas afiadas, punhais, etc.), amputação (os membros eram cortados um a um usando machados, lâminas ou serras), espancamentos, apedrejamento, decapitação, uso de espinhos ou lascas cravadas sob as unhas, entre outros.

COMPREENDENDO A MENTE DE UM MÁRTIR
As histórias dos mártires cristãos revelam algo extraordinário. Muitos dos que foram torturados e mortos por sua fé em Cristo passaram seus momentos finais cantando, louvando a Deus ou orando. Alguns, mesmo quando estavam morrendo, dedicaram seu último suspiro para encorajar os espectadores a permanecerem fiéis a Deus – transformando o local de execução em algo como um púlpito.

Como podemos começar a entender a mente de tais indivíduos? O que permite que os seres humanos, diante das formas mais cruéis de tortura, permaneçam inabaláveis em suas crenças? Que força secreta permitiu que homens e mulheres frágeis – muitas vezes idosos, pobres ou considerados insignificantes pela sociedade – enfrentassem imperadores, juízes e carrascos com tanta ousadia e paz? Que tipo de poder os capacitou, enquanto seus corpos estavam sendo consumidos pelo fogo ou dilacerados por animais, a cantar hinos de louvor? Que força interior poderia tê-los sustentado na escolha da morte em vez de negar seu Salvador?

Embora outras religiões ou ideologias tenham produzido indivíduos que morreram por suas crenças – às vezes com a mesma determinação – o foco deste artigo não está no martírio em geral, mas na psicologia distinta e no fundamento espiritual dos mártires cristãos. Suas motivações, identidade e convicções internas foram moldadas por seu relacionamento com Cristo e sua confiança nas Escrituras. Como será discutido posteriormente, a diferença de cosmovisão entre os mártires cristãos e os outros não é uma questão de intensidade, mas de verdade e propósito espiritual.

Dada uma escolha, a maioria dos seres vivos instintivamente evita a dor. Desde a infância, aprendemos por experiência que o fogo queima e os objetos pontiagudos machucam. Uma criança que toca em um fogão quente ou na grelha do forno entende rapidamente o perigo do calor. O impulso de recuar do sofrimento não é um sinal de covardia – é um instinto de autopreservação dado por Deus, necessário para a sobrevivência em um mundo caído e perigoso.

E, no entanto, o que nos surpreende sobre os mártires cristãos é como eles escolhem desafiar esse instinto básico. Em vez de recuar diante do perigo, eles caminham para ele. Em vez de escapar, eles se rendem – totalmente conscientes do que os espera. Muitos têm a oportunidade de salvar suas vidas por meio de uma única palavra de negação, mas se recusam.

Como esse comportamento pode ser explicado? Ao analisarmos os relatos dos mártires cristãos – tanto da história quanto de nosso tempo – suas palavras finais e os depoimentos de testemunhas oculares, fica claro que eles têm uma compreensão firme de certas verdades existenciais, convicções que moldam suas escolhas mesmo diante de um sofrimento extremo.

Senso de identidade — “Quem sou eu?” Aqueles que morrem por sua fé não têm dúvidas a respeito de quem são. Estão totalmente convencidos de sua identidade – são filhos de Deus (João 1:12) e sabem que sua verdadeira cidadania está no céu (Filipenses 3:20).

Senso de Origem – “De onde eu vim?” Os mártires acreditam que são criados por Deus (Gênesis 1:27; Salmos 100:3). Eles entendem que, ao desistir de suas vidas, estão devolvendo ao Criador o próprio fôlego que Ele lhes deu (Eclesiastes 12:7 (NVI); Jó 27:3). Sua existência não pertence a seus cruéis executores – pertence ao próprio Criador (Romanos 14:8; 1 Coríntios 6:19, 20).

Senso de propósito — “Por que estou neste mundo?” Os cristãos sabem – ou pelo menos deveriam saber – que não estão neste mundo por acaso (Jeremias 1:5; Efésios 2:10). Há um propósito, uma missão: ser testemunhas de Deus e levar outros a Ele (Atos 1:8; Mateus 28:19, 20). Esse senso de missão dá aos mártires um profundo senso de dever, a ponto de, se necessário, estarem dispostos a dar suas vidas para cumpri-lo (Apocalipse 12:11; João 15:13).

Senso de Destino — “Para onde vou?” Ao contrário de outras visões de mundo, que muitas vezes veem a história se movendo em ciclos intermináveis como uma roda gigante, judeus e cristãos sempre entenderam que o tempo é linear (Daniel 2).[2] Isso significa que viemos de um ponto específico no tempo e estamos nos movendo em direção a outro. Na cosmovisão judaico-cristã, a história também é culminante – está caminhando para uma culminância final (Isaías 46:10; Daniel 2:44). De acordo com as Escrituras, esse clímax é o retorno de Cristo, quando Ele encerrará o reinado do mal e estabelecerá Seu reino eterno (Mateus 24:30, 31; Apocalipse 21:1–4). Nesse paraíso, todos aqueles que permanecerem fiéis terão uma parte (2 Timóteo 4:7, 8; Apocalipse 2:10). Saber disso dá aos mártires a força para deixar de lado o que é temporal para se apegar ao que é eterno (2 Coríntios 4:17, 18; Romanos 8:18).

Além de saber que os mártires têm respostas claras para as questões existenciais mais essenciais da vida, entender os temas em que eles se concentram – o centro de seus pensamentos – também nos ajuda a entender o que passa em suas mentes.

Foco na eternidade. Os mártires cristãos vivem com a consciência constante de que sua vida nesta terra nunca pode ser comparada à eternidade (2 Coríntios 4:17, 18; Romanos 8:18). Ao morrer por sua fé, eles sabem que estão trocando o finito pelo infinito, o escasso pelo imensurável (Filipenses 1:21–23; Apocalipse 2:10)/

Foco na recompensa. Embora os cristãos sinceros não sirvam a Deus pelo ganho pessoal, Ele promete recompensas aos fiéis (Hebreus 11:6; Mateus 5:12). A maior delas, sem dúvida, é a vida eterna em um mundo perfeito (João 3:16; Apocalipse 21:4). Manter os olhos nessa recompensa ajuda os mártires a olhar além das chamas que os consomem e das feras que os separam, para a glória e alegria do mundo vindouro (Romanos 8:18; 2 Timóteo 4:8).

Foco em Deus. A intimidade com Deus é o segredo supremo por trás da resistência e perseverança dos mártires. Aqueles que morrem por Cristo conhecem-No profundamente, pois nutrem um relacionamento pessoal e consistente com Ele (João 17:3; Filipenses 3:7–10). Orar, memorizar as Escrituras e cantar hinos de louvor a Deus fazem parte da rotina diária dos crentes fiéis (Salmo 119:11; Colossenses 3:16). Jesus prometeu: “Mas, quando vier Aquele, o Espírito de verdade, Ele vos guiará em toda a verdade” (João 16:13, ACF).[3] Os cristãos sinceros abrem seus corações para a direção do Espírito e, assim, são capazes de discernir a verdade do erro, mesmo quando cercados de confusão, medo e falsidade. Essa proximidade com o Eterno lança fora o medo de desistir de suas vidas. “Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos” (Romanos 14:8). Viver ou morrer para a glória de Deus – esse é o seu verdadeiro desejo.

O FATOR RESSURREIÇÃO E O PAPEL DO SOBRENATURAL
Além desses elementos subjetivos, a coragem dos mártires também está fundamentada em uma realidade histórica: a ressurreição de Jesus. Por que as pessoas suportariam voluntariamente torturas indescritíveis quando poderiam facilmente escapar dela negando sua fé? A única explicação razoável – especialmente no caso dos apóstolos e dos primeiros cristãos – é que estavam absolutamente convencidos de que Cristo realmente morreu e ressuscitou dos mortos, provando que Ele era o Filho de Deus.[4]

Essa evidência se torna ainda mais convincente quando consideramos que os discípulos não tinham nada a ganhar – pelo menos do ponto de vista secular – per- manecendo fiéis ao seu testemunho. Pelo contrário, seu compromisso inabalável em proclamar a ressurreição de Cristo levava à perseguição e até à morte. A certeza de que Jesus realmente ressuscitou é – se não a principal razão – uma das motivações mais poderosas por trás do martírio cristão.

No entanto, sem a obra do Espírito Santo, nenhuma convicção seria forte o suficiente para levar alguém a atravessar tamanho sofrimento até o final em face de uma possível negação. Em última análise, é Deus – através do Espírito Santo – que fortalece o mártir. De acordo com Jesus, é o Espírito que dá as palavras certas para aqueles trazidos perante os governantes (Mateus 10:19, 20). Esse mesmo Deus veste Seus fiéis com a força de que precisam para suportar provações, torturas e até a morte (2 Timóteo 4:17). Assim, a maior fonte de força e coragem dos mártires veio diretamente do céu.

POR QUE DEUS PERMITIU ISSO?
Ao ler as histórias dos mártires cristãos, você pode se perguntar por que Deus permite tanto sofrimento. Para dar uma resposta completa, precisaríamos explorar a origem do mal, o grande conflito cósmico e a razão do sofrimento – e isso está além do escopo deste artigo. O que podemos dizer aqui é que o martírio desses heróis da fé foi parte de uma história muito maior – muito maior do que nossas mentes podem compreender completamente. Questões como a soberania de Deus e o caráter e fidelidade dos próprios mártires estavam em jogo. Além disso, é inegável que seu testemunho de fé desempenhou um papel decisivo na salvação e no encorajamento de milhares de outras pessoas ao longo da história – bem como daqueles que, em seu próprio tempo, enfrentariam provações semelhantes em defesa da verdade.

O QUE FAZ A DIFERENÇA?
Como já foi mencionado, o termo mártir não se aplica exclusivamente aos cristãos que dão a vida pela fé. Também é usado para aqueles que morrem por causas patrióticas, políticas ou sociais. Alguns até estendem o rótulo a indivíduos que perecem nas chamadas “guerras santas” – extremistas religiosos que muitas vezes empregam o suicídio como tática de violência.

Então, o que torna um mártir cristão diferente de alguém que morre por uma revolução política, independência nacional ou causa ideológica – como aqueles aclamados como heróis em vários países – ou de um homem-bomba movido pelo extremismo religioso?

A diferença fundamental está em sua visão de mundo. Visão de mundo é um termo usado em filosofia para descrever a estrutura de crenças e ideias através da qual uma pessoa interpreta o mundo e interage com ele. Simplificando, sua visão de mundo é a lente em que você enxerga a vida e a realidade.[5]

A visão de mundo de um verdadeiro mártir cristão é radicalmente diferente da de outros chamados “mártires”, inclusive extremistas religiosos. Embora muitos grupos ao longo da história – e até hoje – afirmem ter respostas para as perguntas mais fundamentais da vida – “Quem sou eu?” “De onde eu vim?” “Por que estou aqui?” e “Para onde irei?” —a compreensão cristã está firmemente enraizada na Escritura e em um relacionamento pessoal com Cristo ressuscitado. Essa clareza baseada na Bíblia fornece não apenas coerência intelectual, mas também significado existencial, moldado pela revelação divina e não pela ideologia humana.

A decisão de entregar suas vidas em vez de renunciar à sua fé não é motivada por paixão ou fanatismo (como no caso de terroristas suicidas). É uma escolha racional. Suas mentes são claras, seu raciocínio sólido. Em vez de exibir religiosidade desequilibrada ou extrema, eles demonstram plena consciência mental do peso de sua escolha.

Enquanto os extremistas religiosos defendem a violência e a guerra, os mártires cristãos estão comprometidos com a paz e a não retaliação. Enquanto os primeiros promovem o assassinato em massa, os últimos defendem o valor da vida humana. Os cristãos não buscam a morte – mas também não fogem dela.

Além disso, os extremistas costumam ser obcecados por recompensas (como um paraíso cheio de prazeres sensuais), enquanto a força motriz no coração do mártir cristão é o amor – amor por Deus e por Sua Palavra.

Aqueles que morrem por causas nobres – políticas, patrióticas ou sociais – podem de fato ser movidos por boas intenções e objetivos dignos. Seus sacrifícios merecem respeito, e a sociedade muitas vezes deve muito aos seus esforços. Mas sua visão de mundo tende a ser limitada, focada apenas nesta vida. Sua visão não alcança o horizonte da eternidade.

Os mártires cristãos, no entanto, estão profundamente conscientes de que sua luta transcende o tempo e o espaço. Ela carrega implicações eternas e cósmicas. Seu martírio é testemunhado não apenas por pessoas, mas também por anjos, demônios e todo o Universo. E as decisões que eles tomam nesses momentos podem ecoar por toda a eternidade.

O LEGADO DOS MÁRTIRES
De todas as coisas que eles podem deixar para trás, o maior legado dos mártires é o exemplo – um exemplo de fé, coragem, amor e lealdade a Deus. São um espetáculo ao mundo enquanto se apegam à sua confissão, derramam seu sangue pela Causa e se tornam heróis. Heróis que, sem espadas, conquistam reinos. Eles superam o medo, superam a si mesmos, vencem o mundo e, acima de tudo, apropriam-se da eternidade. A maioria de seus nomes permanece desconhecida entre os homens, mas no céu, eles certamente estão escritos na galeria dos maiores vencedores de todos os tempos (Hebreus 11).

NOSSA PARTE
Depois de contemplar a fé, a coragem e a devoção inabalável dos mártires, ficamos com algumas perguntas profundamente pessoais e urgentes: e nós? Temos a mesma coragem? Se estivéssemos diante do cano de uma arma – ou em um tribunal, uma cela de prisão ou qualquer outro lugar onde nossa lealdade a Cristo fosse testada – permaneceríamos fiéis ou negaríamos a Ele preservar nossas vidas?

Se essa pergunta nos perturba, talvez seja hora de examinar nossa caminhada com Cristo. Por que O seguimos? O que alimenta nossa devoção? Quão profundo é o nosso relacionamento com Aquele que chamamos de Senhor? Onde está nosso foco – no temporal ou no eterno?

Temos clareza sobre as quatro grandes questões da vida: “Quem sou eu?”, “De onde vim?”, “Por que estou aqui?” e “Para onde vou?” Essas não são apenas reflexões filosóficas – são os pilares que moldam a visão de mundo das verdadeiras testemunhas de Jesus. Essa clareza lhes dá força. O que nos dá força?

Em última análise, é nosso desejo sincero glorificar a Deus – seja pela vida ou pela morte (Filipenses 1:20, 21)? Que o testemunho daqueles que dão suas vidas por Cristo acenda em nós um compromisso mais profundo de viver para Ele diariamente. Seu sangue fala em arenas, prisões, selvas, desertos, tribunais e cantos escuros do mundo; que nossas vidas falem na sala de aula, no local de trabalho, em nossas casas e em todos os espaços que ocupamos. E se chegar o dia em que nossa fé for posta à prova final, que sejamos achados fiéis.

Eduardo Rueda Neto (via Revista Diálogo)

NOTAS E REFERÊNCIAS
1. A lista apresentada resume as descrições detalhadas encontradas nos registros clássicos da história dos mártires cristãos. As fontes usadas para esta compilação foram: John Foxe, Foxe’s Book of Martyrs [Livro dos Mártires de Foxe] (Uhrichsville, Ohio: Bottom of the Hill Publishing, 2012); David Noel Freedman, ed., The Anchor Yale Bible Dictionary (Nova York: Doubleday, 1992), vol. 4, s.v. "mártir, martírio"; A. J. O'Reilly, The Martyrs of the Coliseum: Or, Historical Records of the Great Amphitheatre of Ancient Rome [Os Mártires do Coliseu: Ou, Registros Históricos do Grande Anfiteatro da Roma Antiga (Gastonia, N.C.: TAN Books, 2009); Thieleman J. van Bragt, Martyrs Mirror: The Story of Seventeen Centuries of Christian Martyrdom, From the Time of Christ to A.D. 1660 [Espelho dos Mártires: A História de Dezessete Séculos de Martírio Cristão, desde o Tempo de Cristo até 1660 d.C.] (Harrisonburg, Vs.: Herald Press, 1938): https://www.ccel. org/ccel/v/vanbraght/mirror/cache/mirror.pdf; Ellen G. White, O Grande Conflito (Mountain View, Califórnia: Pacific Press, 1911).

2. Roberto Ouro, “The Apotelesmatic Principle: Origin and Application” [“O Princípio Apotelesmático: Origem e Aplicação”], Revista da Sociedade Teológica Adventista 9:1–2 (1998): 326–342: https://digitalcommons.andrews.edu/cgi/viewcontent.cgi?article=1359&context=jats.

3. Todas as citações bíblicas neste artigo são citadas da Versão Almeida Corrigida Fiel em Português (ACF) da Bíblia. A Bíblia ACF® (A Bíblia Sagrada, Versão Almeida Corrigida Fiel®), © 2020 pela Sociedade Bíblia Trinitariana do Brasil.

4. Ralph O. Muncaster, Examine the Evidence®: Exploring the Case for Christianity [Examine as Evidências®: Explorando o Caso do Cristianismo] (Eugene, Oregon: Harvest House Publishers, 2004), 395–406.

5. David K. Naugle, Worldview: The History of a Concept [Visão de mundo: a história de um conceito] (Grand Rapids, Michigan: Eerdmans, 2002).

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

OS ANJOS NA CRISE FINAL

A relação do mundo visível com o invisível, o ministério dos anjos de Deus, a operação dos espíritos maus, acham-se claramente revelados nas Escrituras, e inseparavelmente entretecidos com a história humana. Neste artigo, veremos como será a atuação destes agentes dos dois partidos de modo especial na crise final da história deste mundo.

Aparecerão anjos bons e maus
Agentes satânicos sob forma humana tomarão parte neste último grande conflito, para opor-se à edificação do reino de Deus. Anjos celestiais em aparência humana também estarão no campo de ação. Os dois partidos antagônicos prosseguirão existindo até o encerramento do último grande capítulo da história deste mundo. Satanás utilizará cada oportunidade para induzir os homens a apartar-se de seu concerto com Deus. Ele e os anjos que com ele caíram aparecerão na Terra como homens, procurando enganar. Os anjos de Deus igualmente aparecerão como homens, e farão uso de todos os meios em seu poder para derrotar os propósitos do inimigo. Temos uma parte a desempenhar. 

A obra dos anjos malignos através do Espiritismo
Satanás tem há muito estado a preparar-se para um esforço final a fim de enganar o mundo. Pouco a pouco ele tem preparado o caminho para a sua obra-mestra de engano: o desenvolvimento do espiritismo. Até agora não conseguiu realizar completamente seus desígnios; mas estes serão atingidos no fim dos últimos tempos. Com exceção dos que são guardados pelo poder de Deus, pela fé em Sua Palavra, o mundo todo será envolvido por esse engano. Anjos maus aparecem sob a forma dos que morreram, relatando incidentes ligados à vida deles e desempenhando atos que eles realizaram enquanto viviam. Desta forma [os anjos maus] levam as pessoas a acreditar que seus amigos mortos são anjos, os quais podem estar a seu lado e comunicar-se com eles. Esses anjos maus, que se apresentam como os queridos mortos, são tratados com uma certa idolatria, e sua palavra é considerada como de muito maior peso que a Palavra de Deus. 

Milagres no Tempo do Fim
Antes do fim do tempo ele [Satanás] operará maravilhas ainda maiores. Até onde chegar o seu poder, ele há de realizar verdadeiros milagres. Dizem as Escrituras: "E engana os que habitam na Terra com sinais que lhe foi permitido que fizesse" (Ap 13:14) - não meramente os que ele pretende fazer. Esse texto apresenta alguma coisa mais que simples ilusões. Não precisamos ser enganados. Cenas assombrosas, com as quais Satanás estará intimamente ligado, terão lugar em breve. A Palavra de Deus declara que Satanás operará milagres. Fará com que as pessoas fiquem doentes, e depois, de repente removerá delas seu poder satânico. Serão consideradas então como curadas. Essas obras de cura aparente levarão os adventistas do sétimo dia à prova. Cumpre buscarmos todos armar-nos para o combate em que nos havemos de em breve empenhar. A fé na Palavra de Deus, o estudo apoiado pela oração e aplicado praticamente, será nossa proteção contra o poder de Satanás, levando-nos à vitória pelo sangue de Cristo. 

Espíritos malignos ativos entre o remanescente
Anjos maus na forma de crentes trabalharão em nossas fileiras para introduzir um forte espírito de descrença. Não permitam que nem isto os desanime, mas apresentem um coração sincero para auxílio do Senhor contra os poderes de instrumentos satânicos. Esses poderes do mal se ajuntarão em nossas reuniões, não para receber uma bênção, mas para neutralizar as influências do Espírito de Deus. Satanás e seus anjos aparecerão na Terra como homens e se misturarão com aqueles acerca dos quais a Palavra de Deus diz: "Nos últimos tempos, apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios" (1Tm 4:1). 

Anjos realizarão a obra negligenciada pelos homens
Quando o poder divino se combinar com os esforços humanos, a obra espalhar-se-á como o fogo na palha. Deus empregará meios cuja origem os homens não serão capazes de discernir. Anjos realizarão uma obra que os homens teriam sido abençoados em empreender, não houvessem eles negligenciado os reclamos de Deus. 

Anjos suprirão as necessidades do povo de Deus
Vi os santos deixarem as cidades, e vilas, reunirem-se em grupos e viverem nos lugares mais solitários da Terra. Anjos lhes proviam alimento e água, enquanto os ímpios estavam a sofrer de fome e sede. No tempo de angústia, precisamente antes da vinda de Cristo, os justos serão preservados pelo ministério de anjos celestiais; não haverá segurança para o transgressor da lei de Deus. Anjos magníficos em poder os protegerão, e em favor deles Jeová Se revelará como "Deus dos deuses", capaz de salvar perfeitamente os que nEle puseram a sua confiança. 

Personificações de Satanás
Nessa época aparecerá o anticristo, como o Cristo verdadeiro, e então a lei de Deus será anulada completamente entre as nações do mundo. Amadurecerá a rebelião contra a santa lei de Deus. Mas o verdadeiro líder de toda essa rebelião é Satanás disfarçado em anjo de luz. Os homens serão iludidos e o exaltarão ao lugar de Deus, deificando-o. Mas a Onipotência intervirá, e às igrejas apostatadas que se unirem na exaltação de Satanás, se expedirá a sentença: "Portanto, num dia virão as suas pragas: a morte, e o pranto, e a fome; e será queimada no fogo, porque é forte o Senhor Deus, que a julga" (Ap 18:8). Disfarçado de anjo de luz, Satanás percorrerá a Terra operando maravilhas. Em bonita linguagem apresentará ternos sentimentos. Realizará boas ações. Cristo será personificado, mas em um ponto haverá marcante distinção. Satanás apartará o povo da lei de Deus. Apesar de tudo, a contrafação será tão perfeita que, se possível, os próprios eleitos seriam enganados. Cabeças coroadas, presidentes, governantes em elevada posição, prostrar-se-ão ante suas falsas teorias.

Anjos maus estimulam a perseguição
Satanás está em constante operação para agitar os poderes do inferno de sua confederação do mal contra os justos. Ele capacita instrumentos humanos com seus próprios atributos. Anjos malignos, unidos com homens maus, empreenderão esforços para prejudicar, perseguir e destruir. Ao deixarem os santos as cidades e vilas, eram perseguidos pelos ímpios, que os procuravam matar. Mas as espadas que se levantavam para matar o povo de Deus, quebravam-se e caíam tão impotentes como uma palha. Anjos de Deus protegiam os santos. 

Após o encerramento da Graça
A ira de Satanás aumenta à medida que seu tempo encurta, e sua obra de engano e destruição alcança o clímax. Findou a longanimidade de Deus. O mundo rejeitou Sua misericórdia, desprezou Seu amor e transgrediu Sua lei. Os ímpios ultrapassaram os limites da graça e o Senhor retira deles Sua proteção, deixando-os à vontade do líder que escolheram. Como ato culminante no grande drama do engano, o próprio Satanás personificará Cristo. A igreja tem há muito tempo professado considerar o advento do Salvador como a realização de suas esperanças. Assim, o grande enganador fará parecer que Cristo veio. Em várias partes da Terra, Satanás se manifestará entre os homens como um ser majestoso, com brilho deslumbrante, assemelhando-se à descrição do Filho de Deus dada por João no Apocalipse (cap. 1). A glória que o cerca não é excedida por coisa alguma que os olhos mortais já tenham contemplado. Ressoa nos ares a aclamação de triunfo: "Cristo veio! Cristo veio!" O povo se prostra em adoração diante dele, enquanto este ergue as mãos e sobre eles pronuncia uma bênção, assim como Cristo abençoava Seus discípulos quando aqui na Terra esteve. Sua voz é meiga e branda, cheia de melodia. Em tom manso e compassivo apresenta algumas das mesmas verdades celestiais e cheias de graça que o Salvador proferia; cura as doenças do povo, e então, em seu pretenso caráter de Cristo, alega ter mudado o sábado para o domingo, ordenando a todos que santifiquem o dia que ele abençoou. Declara que aqueles que persistem em santificar o sétimo dia estão blasfemando de seu nome, pela recusa de ouvirem seus anjos a eles enviados com a luz e a verdade. É este o poderoso engano, quase invencível. 

Anjos e o Decreto Universal de Morte
As sentinelas celestiais, fiéis ao seu encargo, continuam com sua vigilância. Visto que um decreto geral haja fixado um tempo em que os observadores dos mandamentos poderão ser mortos, seus inimigos nalguns casos se antecipam ao decreto e, antes do tempo especificado, se esforçam por tirar-lhes a vida. Mas ninguém pode passar através dos poderosos guardas estacionados em redor de toda alma fiel. 

Deus Se interpõe quando os ímpios tentam matar o Seu povo
O povo de Deus - alguns nas celas das prisões, outros escondidos nos retiros solitários das florestas e montanhas pleiteia ainda a proteção divina, enquanto por toda parte grupos de homens armados, instigados pelas multidões de anjos maus, se estão preparando para a obra de morte. É então, na hora de maior aperto, que o Deus de Israel intervirá para o livramento de Seus escolhidos. É à meia-noite que Deus manifesta o Seu poder para o livramento de Seu povo. O sol aparece resplandecendo em sua força. Sinais e maravilhas se seguem em rápida sucessão. Os ímpios contemplam a cena com terror e espanto, enquanto os justos vêem com solene alegria os sinais de seu livramento. 

A Segunda Vinda de Cristo
Cristo vem com poder e grande glória. Vem com Sua própria glória e com a glória do Pai. Vem com todos os santos anjos. Ao passo que o mundo todo estará mergulhado em trevas, haverá luz em todos os lares dos santos. Eles hão de captar os primeiros raios de luz de Sua segunda aparição. Surge logo no oriente uma pequena nuvem negra, aproximadamente do tamanho da mão de um homem. É a nuvem que rodeia o Salvador, e que, a distância, parece estar envolta em trevas. O povo de Deus sabe ser esse o sinal do Filho do homem. Em solene silêncio fitam-na enquanto se aproxima da Terra, mais e mais brilhante e gloriosa, até se tornar grande nuvem branca, mostrando na base uma glória semelhante ao fogo consumidor e encimada pelo arco-íris do concerto. À sua volta, milhares e dezenas de milhares de anjos cantam a mais adorável canção. Sobre ela assenta-Se o Filho do homem. Nenhuma linguagem humana é capaz de descrever as cenas da segunda vinda do Filho do homem nas nuvens do Céu. Virá vestido nos trajes de luz, os quais tem usado desde os dias da eternidade. 

Os anjos e os ressuscitados
Por entre as vacilações da Terra, o clarão do relâmpago e o ribombo do trovão, a voz do Filho de Deus chama os santos que dormem. Ele olha para a sepultura dos justos e, levantando as mãos para o céu, brada: "Despertai, despertai, despertai, vós que dormis no pó, e surgi!" Ele morreu por nós, e ressuscitou em nosso favor, a fim de que pudéssemos sair da sepultura para um glorioso companheirismo com os anjos celestiais, encontrar-nos com nossos entes queridos e reconhecer-lhes a fisionomia, pois a semelhança com Cristo não destrói sua imagem, mas a transforma à gloriosa imagem dEle. Todos os santos ligados aqui por laços familiares conhecerão ali uns aos outros. Os justos vivos são transformados "num momento, num abrir e fechar de olhos" (1Co 15:52). À voz de Deus foram eles glorificados; agora tornam-se imortais, e com os santos ressuscitados, são arrebatados para encontrar seu Senhor nos ares. Os anjos ajuntarão "os Seus escolhidos, desde os quatro ventos, da extremidade da Terra até a extremidade do céu" (Mc 13:27). Existem colunas de anjos em ambos os lados, e os redimidos de Deus entram por entre querubins e serafins. Cristo lhes dá as boas-vindas e pronuncia sobre eles a bênção: "Bem está, servo bom e fiel... entra no gozo do teu Senhor" (Mt 25:21). 

Satanás e os anjos maus são confinados à Terra
A Terra inteira se parece com um deserto assolado. As ruínas das cidades e vilas destruídas pelo terremoto, árvores desarraigadas, pedras irregulares lançadas pelo mar ou arrancadas da própria terra, espalham-se pela superfície, enquanto vastas cavernas assinalam o lugar em que as montanhas foram separadas de sua base. Aqui deverá ser a morada de Satanás com seus anjos maus durante mil anos. Restrito à Terra, andará de um lado para outro em sua arrebentada superfície, para observar os efeitos de sua rebelião contra a lei de Deus. Durante mil anos poderá "desfrutar" dos resultados da rebelião que provocou. Não terá acesso a outros mundos, para tentar e molestar os que jamais caíram. 

Ellen G. White (via A Verdade Sobre os Anjos, pp. 261-282)

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

NOTÍCIAS SOBRE O FIM DOS TEMPOS

É preocupante ver cristãos declararem o “fim dos tempos” diante de qualquer notícia. Desde uma guerra até uma propaganda de carro, da escolha de um novo papa até a cena de uma novela: tudo é visto como sinal de que estamos nos "últimos dias”. Falta Bíblia nisso. O foco está errado.

Já estamos vivendo nos “últimos dias” desde a primeira vinda de Jesus, Sua morte, ressurreição e entronização. O Pentecostes foi o cumprimento de uma profecia para os “últimos dias” (At 2:17). Jesus foi a revelação divina “nestes últimos dias” (Hb 1:2), e o Seu sangue foi manifestado “no fim dos tempos” (1Pe 1:20). João já alertava que “já é a última hora” (1Jo 2:18). O Novo Testamento foi escrito na certeza de que o período dos “últimos dias” já havia começado (At 2:16).

A igreja é o povo de Deus dos últimos dias. Escatologia é o estudo dos eventos finais centralizados em ambos os adventos de Cristo. A vinda do fim tem a ver com a consumação do Reino de Deus (1Co 15:24), e não com guerras e agitações políticas (“mas ainda não é o fim”; Mt 24:6). Para isso, o evangelho do Reino será pregado por todo o mundo, “então, virá o fim” (Mt 24:14). A Bíblia enfatiza Cristo, Seu Reino, Sua Igreja e Sua missão.

Assim, os rios podem ficar coloridos, meteoros podem cair, e o papa pode fazer piqueniques com pentecostais todos os domingos: Cristo é o ‘evento’ que mais importa nos “últimos dias”.

"A brevidade do tempo é frequentemente realçada como incentivo para buscar a justiça e fazer de Cristo o nosso amigo. Este não deve ser o grande motivo para nós; pois cheira a egoísmo. É necessário que os terrores do dia de Deus sejam mantidos diante de nós, a fim de sermos compelidos à ação correta pelo medo? Não devia ser assim. Jesus é atraente. […] Deseja ser nosso Amigo, andar conosco por todos os acidentados caminhos da vida. […] Jesus, a Majestade do Céu, deseja elevar ao companheirismo com Sua pessoa os que se dirigem a Ele com seus fardos, fraquezas e preocupações" (Review and Herald, 2 de agosto de 1881)

Que lindo é esse resumo de Ellen G. White sobre centralidade de um relacionamento com Jesus e de uma saudável antecipação do fim! É o caminhar diariamente, o diário companheirismo que deve nortear nossa expectativa de uma eternidade com a Pessoa de Jesus!

Mario Jorge Lima, palestrante e compositor adventista disse em sua página do facebook: "Morte, eleições e trocas de líderes religiosos ou políticos, bem como ocorrências factuais de qualquer tipo no mundo, ficam bem pequenos diante da maravilha que é a graça de Deus, da grandeza da nossa missão como crentes, e do fato de que Jesus Cristo é o Cordeiro de Deus, que esteve morto, mas, hoje vive para sempre. A Seu tempo, Ele intervirá, sempre em benefício de todos que aceitam Sua salvação.

Faço então a pergunta: E quão incomuns serão os eventos do fim?

Jesus e Paulo apresentam os últimos dias como tempos normais, apesar de todos os eventos espetaculares. Como antes do Dilúvio (Mt 24:37), as pessoas continuarão sua rotina normal de comer e beber; mesmo casamentos não serão adiados (Mt 24:38). Como nos dias de Ló, haverá compras e vendas (Lc 17:28), o que sugere que a estrutura econômica básica permanecerá. Plantação e construção continuam (Lc 17:28). A maior parte das pessoas parece não pressentir que o fim está próximo (Mt 24:39).

De fato, Paulo escreveu que as terríveis destruições associadas à segunda vinda (2Ts 1:5-10) virão quando as pessoas estiverem clamando: “Paz e segurança” (2Ts 5:2-3). Para muitos, os últimos dias parecem como uma era dourada de paz e prosperidade. Tribulações, desastres, desordens sociais e perseguições do tempo do fim estarão na ordem do dia, mas não parecerão estar fora de proporções em comparação com épocas normais.

A maioria, provavelmente a vasta maioria, será surpreendida ao ver o fim. Assim, de acordo com a Bíblia, não deveríamos ficar surpresos com o fato de que os sinais estivessem envelhecendo. Eles foram dados, não para satisfazer nossa curiosidade quanto à contagem do tempo do fim, mas para estimular o estudo da Bíblia e uma vida de fé. O clímax do tempo do fim não é a batalha do Armagedom, mas a “manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo” (Tt 2:13). O fim tem que ver com Jesus, mais do que com eventos ou ideias.

A partir das descrições apocalípticas, parece claro que não devemos esperar um estado de completa anarquia ou caos antes da segunda vinda. As estruturas básicas da sociedade não entrarão em colapso. Ao menos superficialmente, a instituição do casamento continuará a ser respeitada. O maquinário do comércio não será interrompido – pessoas continuarão comprando (não tomando a força) e vendendo (o que mostra estabilidade monetária). Famílias estarão viajando de férias quando os céus se abrirem. Estudantes estarão tomando decisões quanto à universidade. Missionários estarão desenvolvendo seu trabalho em terras de além-mar. Cerimônias inovadoras estarão acontecendo, com discursos sobre ideias para o futuro.

“Assim, vocês também precisam estar preparados, porque o Filho do homem virá numa hora em que vocês menos esperam” (Mt 24:44).

A tendência humana é saltar de agitação diante do espetacular e cair na apatia diante do comum. Mas a clara implicação da advertência de Jesus é que, às vésperas do evento mais cataclísmico da história, as coisas parecerão normais.

Finalizo com este alerta de Ellen G. White:

"Quando os raciocínios da filosofia houverem banido o temor dos juízos de Deus; quando ensinadores religiosos estiverem a apontar no futuro para longas eras de paz e prosperidade, e o mundo estiver absorto em sua rotina de negócios e prazeres, plantando e construindo, banqueteando-se e divertindo-se; correndo a vida sua rotina invariável; encontrando-se os homens absortos no comércio e ambição de ganho; rejeitando as advertências de Deus e zombando de Seus mensageiros; então é que súbita destruição lhes sobrevirá, e não escaparão. Quando os homens estão despreocupados, enlevados nas diversões, absortos em comprar e vender, o ladrão se aproxima com passos furtivos. Assim será na vinda do Filho do homem. Venha quando vier, o dia do Senhor virá de improviso aos ímpios" (Eventos Finais, pp. 233-234).

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

ASCENSÃO E QUEDA DA ASTROLOGIA

A boa notícia é que as coisas “ruins” estão diminuindo — o consumo de álcool, o abuso de drogas, o comportamento sexual pré-marital, por exemplo. Mas uma coisa que está em alta é a astrologia, principalmente entre aqueles que estão desiludidos com a cultura e a religião tradicionais. 

Seja por causa do mal-estar pós-moderno, da insatisfação com a aparente tirania da ciência e da razão, ou de um chamado primitivo ao paganismo, estamos testemunhando um renascimento moderno da astrologia. De acordo com uma pesquisa da Fundação Nacional de Ciência de 2014, 40% das pessoas entre 18 e 34 anos acreditam que a astrologia é de fato científica. Uma pesquisa nos Estados Unidos descobriu que 80% da Geração Z e dos millennials mais jovens “acreditam em astrologia”.[1] O Pew Research Center relata que 30% dos americanos consultam fontes astrológicas como cartas de tarô, videntes e similares,[2] enquanto 60% dos millennials americanos acreditam em pelo menos um aspecto da espiritualidade da Nova Era.[3]

Devido à incerteza global resultante de economias voláteis, desastres naturais que aumentam exponencialmente, guerras intermináveis ​​e inconclusivas e uma desconfiança generalizada nas instituições sociais e políticas, uma nova geração está recorrendo a fontes antigas, como a posição dos corpos celestes, para prever assuntos como amor, guerra, dinheiro e morte.

As gerações mais jovens já estão em suas jornadas de autodescoberta e desenvolvimento. Mas, somado ao crescente isolamento, à falta de direção, significado e propósito, e à desvalorização do compromisso, resulta em uma ansiedade exacerbada, em níveis imperceptíveis, em relação ao presente e ao futuro. A astrologia promete falsamente plenitude, harmonia, definição, refinamento e organização em meio ao caos que as cerca.

Esse ressurgimento da astrologia vai além das bolas de cristal e dos signos do zodíaco. A nova encarnação uniu a astrologia à tecnologia, abrangendo memes, vídeos, reels, aplicativos e até inteligência artificial.[4] Em janeiro de 2025, o TikTok abrigava mais de 4,5 milhões de vídeos sobre astrologia. Um aplicativo popular de astrologia viu seu número de usuários disparar de 7,5 milhões para 30 milhões em todo o mundo.[5] Prevê-se que os gastos com aplicativos e outros produtos relacionados aumentem de US$ 12,8 bilhões em 2021 para US$ 22,8 bilhões em 2031,[6] resultando em grandes investimentos de capital de risco.[7] A IA agora calcula posições planetárias com dados da NASA em tempo real e encontra novas revelações astrológicas que eram desconhecidas anteriormente e supostamente mais precisas, com chatbots fornecendo os resultados. Tudo isso de graça e instantaneamente.

Deus é o criador da vida e do universo. Todos os astros foram criados por Ele: “Levantai ao alto os olhos e vede. Quem criou estas coisas? Aquele que faz sair o seu exército de estrelas, todas bem contadas, as quais ele chama pelo nome; por ser ele grande em força e forte em poder, nem uma só vem a faltar” (Isaías 40:26; cf. Gênesis 1:1, 2, 14-18).

A Bíblia ensina que somente Deus pode anunciar as coisas do futuro, pois somente Ele é conhecedor de todas as coisas: “Lembrai-vos das coisas passadas da antiguidade: que eu sou Deus, e não há outro, eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim; que desde o princípio anuncio o que há de acontecer e desde a antiguidade, as coisas que ainda não sucederam; que digo: o meu conselho permanecerá de pé, farei toda a minha vontade” (Isaías 46:9, 10).

Deus é criador, sábio e forte em poder. Ele é Todo-poderoso (onipotente), conhecedor de todas as coisas (onisciente) e eterno (onipresente). O ser humano é criatura, finito e incapaz de prever o futuro. Deus declara que Ele é o único capaz de anunciar coisas que ainda não aconteceram.

As primeiras evidências de astrologia foram encontradas em registros da antiga Babilônia. Uma narrativa conhecida é a conversa de Daniel com Nabucodonosor sobre profecias bíblicas. A mesma inquietação e ansiedade do rei são encontradas na geração atual. Consequentemente, ela busca respostas na magia, na feitiçaria e na astrologia.

Armados com a fé e a humildade de Daniel, os adventistas são chamados neste momento não a ridicularizar, ignorar ou desprezar o movimento astrológico, mas a apontar para aqueles que sofrem com a modernidade as verdadeiras respostas encontradas na profecia bíblica. De fato, existe um Deus no céu que revela as coisas profundas e secretas (ver Daniel 2:22). Não nos corpos celestes ou no sangue extraído de animais; o futuro pertence ao Deus do céu.

Assim como Daniel 2 aponta para o Deus dos céus revelando segredos e mistérios (em hebraico, raz) em sete versículos (versículos 18, 19, 27, 28, 29, 30, 47), a profecia bíblica aponta para quatro conclusões incontestáveis ​​que a astrologia não pode fornecer: existe um Deus que governa e reina com ordem e justiça; as Escrituras são confiáveis ​​e infalíveis; o passado pode ser explicado e o futuro predito; e os segredos revelados por Deus fornecem verdadeira direção, significado, propósito e destino definitivo, mesmo em tópicos como amor, paz, bênçãos e vida.

É bom que muitos estejam olhando para o alto. Mas vamos direcioná-los ainda mais para as profecias de Jesus e para o Jesus da profecia.

[1] Em Chas Newkey-Burden, “Geração Z e astrologia: Escrito nas estrelas”, The Week , 23 de janeiro de 2025, https://theweek.com/tech/gen-z-and-astrology-written-in-the-stars.

[2] Chip Rotolo, “Quase um em cada três americanos consulta astrologia, cartas de tarô ou videntes”, Pew Research Center, 21 de maio de 2025, https://www.pewresearch.org/religion/2025/05/21/3-in-10-americans-consult-astrology-tarot-cards-or-fortune-tellers/.

[3] Claire Gecewicz, “Crenças da 'Nova Era' são comuns entre americanos religiosos e não religiosos”, Pew Research Center, 1 de outubro de 2018, https://www.pewresearch.org/short-reads/2018/10/01/new-age-beliefs-common-among-both-religious-and-nonreligious-americans/.

[4] “A astrologia está em expansão, graças à tecnologia e aos jovens entusiastas”, The Economist , 15 de janeiro de 2025, https://www.economist.com/culture/2025/01/15/astrology-is-booming-thanks-to-technology-and-younger-enthusiasts.

[5] James Emery White, “Geração Z e a Ascensão da Astrologia”, Igreja e Cultura , 12 de junho de 2025, https://www.churchandculture.org/blog/2025/6/12/gen-z-and-the-rise-of-astrology.

[6] Jessica Eastwood, “Comentário de especialista: Por que a Geração Z está buscando significado nas estrelas?” Universidade Oxford Brookes, 2 de maio de 2025, https://www.brookes.ac.uk/about-brookes/news/news-from-2025/05/expert-comment-why-is-gen-z-looking-to-the-stars-f.

[7] Erin Griffith, “Venture Capital Is Putting Its Money Into Astrology,” New York Times , 15 de abril de 2019, https://www.nytimes.com/2019/04/15/style/astrology-apps-venture-capital.html.

[Com informações de Adventist Review]

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

LEI DOMINICAL NOS EUA?

Uma proposta de uma organização de defesa de direitos com sede em Washington, D.C., para reconhecer e impor legalmente um “dia de descanso uniforme” representa um desrespeito preocupante à liberdade religiosa de todos os americanos. O documento da Heritage Foundation, intitulado “Salvando a América ao Salvar a Família”, defende que estados e municípios restrinjam as atividades comerciais aos domingos como forma de promover o engajamento espiritual e proporcionar um dia regular de descanso para os trabalhadores americanos.

Os adventistas do sétimo dia acreditam que todas as pessoas foram criadas à imagem de Deus, com a liberdade de adorá-Lo de acordo com os ditames de sua consciência. Há mais de 160 anos, a igreja se opõe veementemente a qualquer forma de lei dominical. Os adventistas sempre entenderam essas leis — sejam elas locais, estaduais ou federais — como tentativas de impor a consciência, mesmo quando defendidas sob pretextos seculares, como a promoção da saúde das comunidades e das famílias.

Esta nova proposta de um “dia de descanso uniforme” é irreconciliável com a rica tradição americana de proteção à liberdade religiosa de todos os seus cidadãos, independentemente de suas crenças religiosas ou da ausência delas. Representa um desejo perigoso de usar o poder estatal para promover objetivos religiosos. Restringir as atividades comerciais aos domingos também levanta sérias preocupações práticas para membros de religiões que não praticam cultos aos domingos, incluindo adventistas do sétimo dia e judeus ortodoxos.

As leis dominicais contrariam a Primeira Emenda da Constituição dos EUA, que preserva a liberdade religiosa de todos os americanos, exigindo que o governo permaneça neutro entre as diferentes religiões. Nossos líderes religiosos na Divisão Norte-Americana e nas conferências da união continuarão a defender a verdade e a liberdade religiosa, opondo-se firmemente a esta proposta e a quaisquer medidas semelhantes.

A versão original deste comunicado foi publicada no site de notícias da Divisão Norte-Americana .

Decreto dominical: a lealdade ao Deus criador posta à prova
Ao longo da história da Igreja, e até nossos dias, surgiram, repetidas vezes, situações que certamente podem estar preparando o caminho para a lei dominical, a qual nós, adventistas, aguardamos por mais de um século. Devemos, porém, ser extremamente cautelosos em nossas especulações. Necessita-se equilíbrio nesse assunto. Precisamos de uma religião que esteja atenta aos sinais dos tempos, ao mesmo tempo que resista à tendência de criar sinais com base em acontecimentos que não merecem tanto significado.

Apesar de Ellen G. White se referir a esse assunto muitas vezes, sem dúvida, os registros mais completos se encontram nos livros O Grande Conflito e Eventos Finais. Em síntese, ela diz que a besta semelhante a um cordeiro são os Estados Unidos, nação fundada sobre os princípios do protestantismo. A questão em jogo é a lealdade centralizada no dia de adoração. Um pouco antes do retorno de Jesus, ela diz, o protestantismo e o catolicismo se unirão com o objetivo de forçar a observância universal do domingo. Uma lei dominical nacional será promulgada nos Estados Unidos, seguida de uma lei dominical internacional. Todos os que concordarem com a união católico-protestante e prestarem homenagem ao dia de adoração espúrio, receberão a marca da besta. Toda cristandade estará dividida em duas grandes classes: os que guardam os mandamentos de Deus e a fé de Jesus, e os que adoram a besta e sua imagem, e recebem o seu sinal.

Vejamos agora detalhadamente o que é, como e quando esta Lei Dominical ocorrerá.

A Bíblia apresenta o sábado como dia sagrado desde a criação, porém existe uma grande controvérsia no mundo protestante atual sobre a validade desse mandamento, e a grande maioria dos evangélicos substituiu a guarda do sábado pelo domingo sob o argumento da ressurreição de Cristo, costume esse herdado da igreja católica, e essa afirma que a tradição é o fundamento da mudança.

Portanto essa mudança não têm apoio nas escrituras, como o próprio Cristo afirmou: "Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir" (Mt 5:17). O Apóstolo João é ainda mais enfático: "Aquele que diz: Eu O conheço e não guarda os Seus mandamentos é mentiroso, e nele não está a verdade" (1 João 2:4). A Bíblia também afirma que o diabo é pai da mentira (Jo 8:44), portanto é do diabo a ideia de que o mandamento de Deus acerca do sábado seja desconsiderado.

"Lembra-te do dia de sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR, teu Deus; não farás nenhum trabalho, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o forasteiro das tuas portas para dentro; porque, em seis dias, fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há e, ao sétimo dia, descansou; por isso, o SENHOR abençoou o dia de sábado e o santificou" (Êx 20:8-11).

O decálogo é a palavra usada para designar os dez mandamentos da Lei de Deus. Oito mandamentos começam com a palavra 'não', e é irônico o fato de que o mandamento do Sábado em Êxodo 20:8 é o único dos dez mandamentos que começa com a palavra 'lembra-te', pois é justamente esse que as pessoas fazem questão de 'esquecer'.

A Lei Dominical, portanto, anuncia um tempo em que as leis humanas instituirão o domingo como dia sagrado em lugar do sábado bíblico, será uma versão do antigo decreto promulgado por Constantino de Roma em 7 de março do ano 321, no chamado Édito de Constantino.

"Deus fez o mundo em seis dias e descansou no sétimo, santificando este dia e separando-o de todos os outros como sagrado a Sua própria Pessoa, para que fosse observado por Seu povo durante todas as suas gerações. Mas o homem do pecado, exaltando-se acima de Deus, assentando-se no templo de Deus e ostentando-se como se fosse o próprio Deus, cuidou em mudar os tempos e as leis. Este poder, tencionando provar que não somente era igual a Deus, mas estava acima de Deus, mudou o dia de repouso, colocando o primeiro dia da semana onde deveria estar o sétimo. E o mundo protestante tem admitido que este filho do papado seja considerado sagrado. Na Palavra de Deus, isto é chamado de sua fornicação (Ap 14:8)" (The Seventh-day Adventist Bible Commentary, vol. 7, p. 979).

Essa profecia não estipula uma data específica, mas fala acerca do cenário social e político que o antecederá. O mais impressionante é que tudo isso será feito sob uma perspectiva cristã.

"Quando as principais igrejas dos Estados Unidos, ligando-se em pontos de doutrinas que lhes são comuns, influenciarem o Estado para que imponha seus decretos e lhes apoie as instituições, a América protestante terá então formado uma imagem da hierarquia romana, e a inflição de penas civis aos dissidentes será o resultado inevitável" (Eventos Finais, p. 131).

Os Estados Unidos da América, país protestante, figurará como o responsável por promulgar essa lei, não apenas infligindo a todos a guarda do domingo em honra da família, como obrigará a todos a transgredir o sábado, sob a penalidade de serem proibidos de comprar e de vender. Esse evento é descrito no Apocalipse: "... para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tem a marca, o nome da besta ou o número do seu nome" (Ap 13:17).

A marca da besta diz respeito a uma condição de opressão econômica e religiosa no tempo futuro, e será algo fruto da união entre Igreja e Estado sob a égide da nova ordem mundial.

"A todos, os pequenos e os grandes, os ricos e os pobres, os livres e os escravos, faz que lhes seja dada certa marca sobre a mão direita ou sobre a fronte, para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tem a marca, o nome da besta ou o número do seu nome" (Ap 13:15,16).

"Mediante os dois grandes erros - a imortalidade da alma e a santidade do domingo - Satanás há de enredar o povo em suas malhas. Enquanto o primeiro lança o fundamento do espiritismo, o último cria um laço de simpatia com Roma. Os protestantes dos Estados Unidos serão os primeiros a estender as mãos através do abismo para apanhar a mão do espiritismo; estender-se-ão por sobre o abismo para dar mãos ao poder romano; e, sob a influência desta tríplice união, este país seguirá as pegadas de Roma, desprezando os direitos da consciência" (O Grande Conflito, p. 588).

Então, o domingo é a marca da besta? Ainda não, por que não existem leis impondo sua observância. Quando essas leis forem postas em vigor, ou seja, quando a Lei Dominical for aprovada, aí sim, guardar o domingo implicará em receber a marca da besta.

"Mas os cristãos das gerações passadas observaram o domingo, supondo que em assim fazendo estavam a guardar o sábado bíblico; e hoje existem verdadeiros cristãos em todas as igrejas, não excetuando a comunhão católica romana, que creem sinceramente ser o domingo o dia de repouso divinamente instituído. Deus aceita a sinceridade de propósito de tais pessoas e sua integridade. Quando, porém, a observância do domingo for imposta por lei, e o mundo for esclarecido relativamente à obrigação do verdadeiro sábado, quem então transgredir o mandamento de Deus para obedecer a um preceito que não tem maior autoridade que a de Roma, honrará desta maneira ao papado mais do que a Deus. Prestará homenagem a Roma, e ao poder que impõe a instituição que Roma ordenou. Adorará a besta e a sua imagem. Ao rejeitarem os homens a instituição que Deus declarou ser o sinal de Sua autoridade, e honrarem em seu lugar a que Roma escolheu como sinal de sua supremacia, aceitarão, de fato, o sinal de fidelidade para com Roma — 'o sinal da besta'. E somente depois que esta situação esteja assim plenamente exposta perante o povo, e este seja levado a optar entre os mandamentos de Deus e os dos homens, é que, então, aqueles que continuam a transgredir hão de receber 'o sinal da besta'" (O Grande Conflito, p. 449).

"Está prestes a sobrevir ao povo de Deus o tempo de angústia. Então é que sairá o decreto que proíbe aos que guardam o sábado do Senhor, comprar ou vender, ameaçando-os de punição, e mesmo de morte, se não observarem como dia de descanso o primeiro dia da semana" (Eventos Finais, p. 257).

Muitos abandonarão a igreja e se unirão à oposição, tornando-se os piores inimigos.

“Ao aproximar-se a tempestade, uma classe numerosa que tem professado fé na mensagem do terceiro anjo, mas não tem sido santificada pela obediência à verdade, abandona sua posição, passando para as fileiras do adversário. Unindo-se ao mundo e participando de seu espírito, chegaram a ver as coisas quase sob a mesma luz; e, em vindo a prova, estão prontos a escolher o lado fácil, popular. Homens de talento e maneiras agradáveis, que se haviam já regozijado na verdade, empregam sua capacidade em enganar e transviar as almas. Tornam-se os piores inimigos de seus antigos irmãos. Quando os observadores do sábado forem levados perante os tribunais para responder por sua fé, estes apóstatas serão os mais ativos agentes de Satanás para representá-los falsamente e os acusar e, por meio de falsos boatos e insinuações, incitar os governantes contra eles” (O Grande Conflito, p. 608).

E os que se recusarem serão tidos como inimigos do bem e da ordem, assim como Elias foi chamado de 'perturbador de Israel' (1Rs 18:17).

O preparo necessário para hoje fica acerca da necessidade de mudar-se para o campo o quanto antes, tendo em vista que a aprovação da Lei Dominical imergirá o mundo na maior crise já vista na terra, e a única segurança para o povo de Deus estará na fuga para as montanhas.

"Quando o decreto promulgado pelos vários governantes da cristandade contra os observadores dos mandamentos lhes retirar a proteção do governo, abandonando-os aos que lhes desejam a destruição, o povo de Deus fugirá das cidades e vilas e reunir-se-á em grupos, habitando nos lugares mais desertos e solitários. Muitos encontrarão refúgio na fortaleza das montanhas" (Eventos Finais, p. 260).

"Nas fortalezas das montanhas, nas cavernas e brenhas da Terra, o Senhor revelará Sua presença e Sua glória. Mais um poucochinho, e O que há de vir virá, e não tardará. Seus olhos, qual chama de fogo, penetram nos aferrolhados calabouços e buscam os ali escondidos, pois seus nomes estão escritos no livro da vida, do Cordeiro. Esses olhos do Salvador estão acima de nós, em nosso redor, observando toda dificuldade, discernindo todo perigo; e não há lugar onde Seus olhos não possam penetrar, nenhuma tristeza e sofrimento de Seu povo onde não chegue a simpatia de Cristo" (Eventos Finais, p. 277).

Haverá então uma decisão internacional para aniquilar os dissidentes.

"A História se repetirá. A religião falsa será exaltada. O primeiro dia da semana, um dia comum de trabalho que não possui santidade alguma, será estabelecido como o foi a estátua de Babilônia. A todas as nações, línguas e povos se ordenará que venerem esse sábado espúrio. ... O decreto impondo a veneração desse dia se estenderá a todo o mundo. A questão do sábado será o ponto controverso no grande final conflito em que o mundo inteiro há de ser envolvido" (Eventos Finais, p. 135).

“Quando a proteção das leis humanas for retirada dos que honram a lei de Deus, haverá, nos diferentes países, um movimento simultâneo com o fim de destruí-los. Aproximando-se o tempo indicado no decreto, o povo conspirará para desarraigar a odiada seita. Resolver-se-á dar em uma noite um golpe decisivo, que faça silenciar por completo a voz de dissentimento e reprovação” (O Grande Conflito, p. 635).

Mas infelizmente, a maioria dos adventistas aguarda o decreto dominical para, enfim, fazer sua consagração e abandonar o mundo. Haverá tempo para isso, após a saída do decreto?

"Que estais fazendo, irmãos, na grande obra de preparação? Os que se estão unindo com o mundo, estão-se amoldando ao modelo mundano, e preparando-se para o sinal da besta. Os que desconfiam do eu, que se humilham diante de Deus, e purificam a alma pela obediência à verdade, estão recebendo o molde divino, e preparando-se para receber na fronte o selo de Deus. Quando sair o decreto, e o selo for aplicado, seu caráter permanecerá puro e sem mácula para toda a eternidade. Agora é o tempo de preparar-nos. O selo de Deus jamais será colocado à testa de um homem ou mulher impuros. Jamais será colocado à testa de um homem ou mulher cobiçosos ou amantes do mundo. Jamais será colocado à testa de homens ou mulheres de língua falsa ou coração enganoso. Todos os que recebem o selo devem ser imaculados diante de Deus - candidatos para o Céu. Pesquisai as Escrituras por vós mesmos, para que possais compreender a terrível solenidade do tempo presente" (Testemunhos Seletos, vol. 2, p. 71).

Mas o desfecho será glorioso...

"No desfecho desta controvérsia, toda a cristandade estará dividida em duas grandes classes — os que guardam os mandamentos de Deus e a fé de Jesus, e os que adoram a besta e sua imagem, e recebem o seu sinal. Se bem que a igreja e o Estado reúnam o seu poder a fim de obrigar 'a todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e servos', a receberem 'o sinal da besta' (Apocalipse 13:16), o povo de Deus, no entanto, não o receberá. O profeta de Patmos contempla 'os que saíram vitoriosos da besta, e da sua imagem, e do seu sinal, e do número de seu nome, que estavam junto ao mar de vidro, e tinham as harpas de Deus. E cantavam o cântico de Moisés, ... e o cântico do Cordeiro' (Apocalipse 15:2,3)" (O Grande Conflito, p. 450).