quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

O AGENTE SECRETO ADVENTISTA

John Byington nasceu em 1798 em Vermont (EUA), filho de um pregador Metodista que havia servido como soldado no exército revolucionário, que lutou pela independência americana da Inglaterra. John foi batizado na Igreja Metodista aos 17 anos de idade. Pouco depois, recebeu uma licença para pregar como pregador leigo. Após mudar-se para o estado de Nova Iorque, ajudou a construir uma casa de culto para a Igreja Metodista por volta de 1837 em Buck’s Bridge. 

Em 1841, o nobre e generoso coração de John foi inflamado pelo fermento das idéias abolicionistas que então permeavam a nação. O infamante comércio dos escravos submetia homens, mulheres e crianças a toda a sorte de vilanias e humilhações. Vozes de protesto erguiam-se por toda parte, denunciando as condições subumanas impostas aos escravos, vítimas da prepotência e do arbítrio.

John foi um revolucionário no movimento antiescravidão e quando a liderança da Igreja Metodista se posicionou contra a abolição, ele decidiu retirar-se da Igreja e se juntou a Conexão Metodista Wesleyana, formado pelos Metodistas que se opunham à escravidão. Ele ajudou a construir a igreja em Morley, New York.

Além de abolicionista ativo, John também se tornou um agente secreto. Acompanhado de seu irmão Anson e outros membros da família, integrou a American Anti-Slavery Society. John era também filiado à sociedade secreta "The Underground Railroad" (A Ferrovia Subterrânea), uma complexa rede de rotas e esconderijo secreta que supria as necessidades de escravos em busca da liberdade. John fez parte do Liberty Party (Partido da Liberdade), organização política que defendia o abolicionismo e a separação entre estado e igreja. Os Byington também eram envolvidos com publicações contrárias à escravidão e participaram de diversas outras organizações que defendiam esses valores. Regularmente John acolhia americanos indígenas e escravos fugitivos em sua casa.

Em 1844, John assistiu a sermões sobre a iminente vinda de Cristo, e começou a estudar as profecias. Em 1852, H. W. Lawrence deu-lhe uma cópia da Review and Herald, contendo artigos sobre o sábado do sétimo dia. Ele aceitou a verdade do sábado antes que terminasse o ano, e foi batizado. Ajudou a construir a primeira igreja adventista guardadora do sábado construída para esse propósito. Tiago e Ellen White convidaram a família Byington para mudar para Battle Creek em 1858. John comprou uma fazenda ali por perto, e, de lá, viajava para ministrar aos crentes dispersos.

Quando a Conferência Geral da Igreja Adventista do Sétimo Dia foi formada em maio de 1863, John Byington foi escolhido como seu primeiro presidente, após Tiago White recusar o cargo por motivos pessoais. Durante seus dois mandatos de um ano (1863-1865), John viajou centenas de quilômetros por Michigan e Indiana, estabelecendo igrejas, pregando, batizando convertidos, ordenando diáconos e presbíteros e visitando famílias em suas casas.

Durante seus trinta e cinco anos como ministro adventista do sétimo dia (1852-1887), Byington batizou centenas de convertidos, estabeleceu dezenas de igrejas locais e ajudou a formar a Associação de Publicações Adventistas do Sétimo Dia, a Conferência de Michigan e a Conferência Geral, além de participar da garantia do status de não combatentes para os adventistas recrutados durante a Guerra Civil.

John faleceu em 7 de janeiro de 1887, aos 88 anos, e foi sepultado ao lado de Catharine, sua esposa por sessenta anos, no Cemitério Oak Hill.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

POR QUE EXISTEM TANTAS RELIGIÕES?

É praticamente impossível mensurar o número de religiões que existe no mundo. Mas, atualmente, as religiões com mais adeptos na população mundial são o cristianismo (28%); islamismo (22%); hinduísmo (15%); e o budismo (8,5%). O judaísmo alcança aproximadamente 16 milhões de pessoas. O espiritismo, embora não considerado uma religião, possui cerca de 18 milhões de adeptos. A exemplo desses movimentos religiosos, a grande parte das religiões no mundo ainda se subdivide em grupos segmentados, partidos e denominações com diferenças doutrinárias e práticas. Além disso, existem religiões e seitas menores, praticados por etnias específicas, como grupos indígenas, aborígenes e tribos do interior da África que possuem o seu próprio sistema de crenças.

Muitos desse movimentos religiosos são monoteístas, como o cristianismo, islamismo e judaísmo, que compartilham a adoração pelo mesmo Deus, o Deus de Abraão, mas com diferenças doutrinárias marcantes entre elas. Outros grupos monoteístas como o sikhismo acreditam que a verdade não é limitada a uma só crença.

Por outro lado, existem religiões politeístas, que adotam um grupo de divindades em que cada uma é patrona de uma ou mais forças da natureza. Muitas dessas religiões politeístas recorrem ao ocultismo, o animismo e ao culto aos antepassados, entre outras crenças espiritualistas atribuídas aos seus deuses. Outras religiões, como o hinduísmo, creem que existe uma força divina vital que permeia todos os elementos da natureza, com o poder de transformar tudo o que existe em um deus potencial. Outras crenças alegam que os seres vivos, sobretudo os humanos estão presos ao mundo físico, e passam por uma peregrinação espiritual em busca de uma esfera superior de existência, como a iluminação, a eternidade ou o bem final. Essa peregrinação depende da força espiritual intrínseca ao ser humano, que pode durar eras de reencarnação.

Muitas dessas religiões possuem grande influência sobre a sociedade, a política e o governo. Essas influências se expressam na divisão de castas, como na Índia, ou na esfera civil, social e política, a exemplo da Itália, do Vaticano e da Turquia. Já outras nações adotam uma religião nacional oficial que dita a sua legislatura como os Emirados Árabes Unidos. Em muitos países onde a religião é oficial ou exerce influência social e política, existem perseguições e conflitos acirrados com outros grupos religiosos.

Existe também um grande número de pessoas que não confessa nenhuma religião (14,3% da população mundial). Esse grupo pode ser segmentado em pessoas que respeitam a religiosidade, mas não se posicionam em nenhuma crença; pessoas antirreligiosas e grupos hostis a qualquer religião. A ateísmo corresponde a quase 4% da população, e confessa não existir nenhum tipo de divindade.

Por que existem tantas religiões? Essa é uma pergunta vital para definir a identidade humana. Esse artigo não é um estudo antropológico ou filosófico sobre a religiosidade humana, mas uma reflexão que se baseia na Bíblia, adotando as seguintes premissas: 1) o Deus da Bíblia é o único e verdadeiro Deus; 2) a Bíblia, na sua totalidade, é a revelação de Deus para a humanidade; 3) Deus é o Criador do Universo, e fez os céus e a terra em seis dias literais; 4) o ser humano foi criado à imagem e semelhança de Deus; mas, 5) vive atualmente fora dos padrões divinos da criação, em virtude do pecado.

A antropologia descritiva assume que todo tipo de religião é criado pela comunidade humana que se prostra diante dela, numa atitude de projeção. “Projeção” é um mecanismo de defesa em que atributos pessoais, pensamentos indesejados, traumas psicológicos, expectativas do futuro e emoções são atribuídos a outro indivíduo, grupo ou realidade (como um trauma do passado). No caso da religião, o ser humano projeta tudo isso em uma ou mais divindades, força sobrenatural, entidade espiritual, culto ou um ritual, para explicar a sua existência, seus complexos e perspectivas. Em outras palavras, o ser humano cria seus próprios deuses, cultos e rituais para justificar o seu modo de viver. Embora essa descrição seja plausível, ela não é absolutamente verdadeira, nem aplicável a todo movimento religioso.

Mas há um fator a se considerar. Essa afirmação comprova que a maioria dos seres humanos possui uma tendência inerente à religiosidade. Todo ser humano tem a necessidade de crer, adorar e servir alguém maior que ele. Até mesmo os ateus cultuam a razão e o conhecimento do Universo como algo maior que eles. Ora, se o Universo fosse o resultado de um processo meramente evolutivo ausente de qualquer poder sobrenatural ou divino que o guiasse, essa tendência natural que molda culturas não seria parte do ser humano.

Então, se nós temos a tendência de adorar, é lógico entender que fomos, de alguma forma projetados por um ser superior. A religião bíblica (e não estamos falando de um grupo ou denominação cristã específica, mas daqueles que creem na Bíblia como revelação de Deus) crê que o ser humano foi criado por Deus no sexto dia da criação. “Criou, Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou” (Gênesis 1:27). Isso explica a religiosidade humana. O ser humano criado por Deus se volta para Aquele que é o padrão da sua imagem.

“Tudo fez Deus formoso no seu devido tempo; também pôs a eternidade no coração do homem, sem que este possa descobrir as obras que Deus fez desde o princípio até o fim” (Eclesiastes 3:11). Na Terra, toda a Criação era esteticamente perfeita e agradável aos sentidos. Deus presenteou o homem com o senso da eternidade, de que nós pertencemos a algo maior na dimensão do tempo e do espaço. Essa “consciência do infinito” gerava um sentimento de conexão entre o Criador e a criatura. No Éden, o senso da eternidade era perfeitamente preenchido por Deus, satisfeito na adoração do seu caráter de amor e no reconhecimento de que ele é o dom da vida.

Quando Adão e Eva, enganados por Satanás, buscaram o impossível de ser semelhantes ao Criador (Gênesis 3:1-6; veja Isaías 14:12-14), crendo que poderiam ser seus próprios deuses, abandonaram o verdadeiro e único Deus. Essa desconexão do infinito nos faz sentir pequenos, preocupados com o futuro que não conhecemos e insatisfeitos com as coisas transitórias e limitadas da nossa vida de pecado. Essa desconexão gerou uma busca incessante por aquilo que perdemos. O vazio precisava ser preenchido novamente; e Satanás se aproveitou disso para distorcer o conceito de adoração. À medida que as gerações passavam, antes e depois do dilúvio, o ser humano buscou satisfazer essa necessidade na procura de poder, prosperidade e no culto a deuses imaginários, imagens de escultura, ou a si mesmo (Êxodo 20:3-6). Por isso, a humanidade mergulhou nos piores estágios de violência, perversão, corrupção e degradação.

Hoje, mesmo que haja pessoas inconscientes ou céticas a respeito de Deus, todos nós sentimos a necessidade de segurança em relação ao infinito na dimensão espaço-tempo. Somos uma raça de mais de 8 bilhões de pessoas vivendo em um minúsculo grão de poeira cósmica, totalmente expostos ao poder das forças do Universo. Como podemos saber se o Sol não vai nos fritar no calor de uma supernova, se a Lua vai se chocar com Terra, ou se algum asteroide vai causar uma extinção em massa? Como sabemos se vamos sofrer um acidente a caminho de casa, ou contrair uma doença fatal? Somos tão pequenos diante da imensidão!

Carl Sagan, cosmólogo ateu disse que “a imensidão só é tolerável por meio do amor”. Mas, João disse que “Deus é amor” (1 João 4:8). Por isso, o ser humano só pode encontrar verdadeira segurança e sentido para a vida voltando para suas antigas origens.

O termo grego que define “pecado” é hamartia, que significa “errar o alvo”, como quando um arqueiro errava o alvo ao atirar sua flecha. A hamartia ou “pecado” ocorre quando o ser humano se prostra diante da satisfação dos seus desejos pecaminosos, quando os coloca acima da vontade amorosa de Deus. Toda vez que pecamos, erramos o alvo, pois estamos adorando a nós mesmos.

Isso explica porque há tantas religiões. Nesse contexto, os antropólogos da religião estão certos ao afirmarem que fenômenos religiosos são criados pela comunidade humana que se prostra diante deles, como um mecanismo de projeção. O ser humano, na necessidade de satisfazer suas aspirações pecaminosas, se prostra diante de deuses fabricados, e lhes oferecem culto.

Um ponto importante que esse artigo quer ressaltar é que a maioria dos membros desses grupos religiosos promove a prática de boas obras, do bem estar social e da assistência aos necessitados. Isso ocorre no mundo inteiro. Devemos admitir que muitos princípios e valores de grandes religiões do mundo se parecem muito aos da Bíblia, e isso é louvável! Isso mostra que, mesmo pecadores, sentimos uma necessidade inerente pelo bem, mesmo que não consigamos praticá-lo. Realmente, há muita gente que não crê em Deus, que deve servir de exemplo para muitos que professam ser cristãos.

Esse artigo não tem o propósito de criticar a fé sincera de ninguém. Mas é um erro acreditar no provérbio de que “todos os caminhos conduzem a Deus”. Provérbios 16:25 diz que “há caminho que parece direito ao homem, mas afinal, conduz à morte”.

Um diferencial da religião da Bíblia, e não estamos falando do judaísmo ou de nenhuma denominação cristã, é o modo como Deus e o ser humano são retratados. Na maioria das religiões ao redor do mundo, o ser humano está num caminho e deve buscar e praticar o bem, ou guerrear por sua causa, a fim de evoluir para uma esfera superior. Os seus deuses muitas vezes são retratados como seres que evoluíram para o mundo espiritual, energias impessoais ou divindades preexistentes caprichosas e, muitas vezes cruéis, que precisam ter seu apetite satisfeito por meio de oferendas ou grandes sacrifícios. Essa, inclusive é a razão de muitos conflitos e atos terroristas no mundo.

Mas, a Bíblia retrata um Deus totalmente diferente. Ele é único, todo poderoso, criador de todas as coisas, e doador de vida, detentor de toda a autoridade do Universo e digno de adoração. Mas, Deus também é amor, e ama o ser humano a ponto de morrer para salvá-lo da sua condição irreversível de pecado. Ele também nos manda amar aqueles que pensam diferente de nós. Por isso, João 3:16 resume o trabalho de Deus em prol da humanidade caída: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o Seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha vida eterna”. Enquanto muitas religiões no mundo, inclusive cristãs, advogam que o ser humano precisa de boas obras a fim de alcançar a salvação, a religião da Bíblia advoga que o único que pode salvar o homem e elevá-lo a um nível superior de existência é Deus.

Jesus, a revelação pessoal de Deus ao homem, deixou claro em Mateus 7:13 e 14 que só há dois tipos de caminhos. “Entrai pela porta estreita, pois larga é a porta, e espaçoso é o caminho que conduz para a perdição, e muitos os que entram por ela; porque estreita é a porta e apertado o caminho que conduz a vida, e são poucos os que acertam com ela”. Por isso, só um caminho conduz a Deus, e esse caminho é Jesus Cristo (João 14:6).

Sendo assim, devemos recorrer ao seu estudo para conhecer a Deus e adorá-lo. “Antes de mais nada, saibam que nenhuma profecia da Escritura provém de interpretação pessoal, pois jamais a profecia teve origem na vontade humana, mas homens falaram da parte de Deus, impelidos pelo Espírito Santo” (2 Pedro 1:19-21).

A Bíblia diz que haverá muitas pessoas na eternidade que nunca tiveram ideia de quem é Deus, ou até mesmo receberam um conceito totalmente distorcido a respeito dele. Essas pessoas vão ter o privilégio de conhecê-lo cara a cara, e aprender do seu amor na eternidade.

Mas Jesus nos diz: “Vão e façam discípulos de todas as nações, ensinando-os a obedecer a tudo o que eu ordenei a vocês” (Mateus 28:19, 20). O Senhor requer que o verdadeiro cristão fale, com firmeza e amor, a toda pessoa sobre o plano de Deus para nos salvar e nos restaurar ao propósito da existência que Ele idealizou para nós. Se amamos a Deus, devemos pregar a palavra a tempo e fora de tempo (2 Timóteo 4:2), aproveitando cada oportunidade para apresentar o Salvador ao mundo.

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

VOCÊ É CARNAL OU ESPIRITUAL?

"Mas nós temos a mente de Cristo" (1 Coríntios 2:16).

O NOSSO ELO COM O CÉU
Antes de definirmos o que são cristãos espirituais e carnais, necessitamos de nos lembrar de que não estamos falando acerca de “pecadores” e de “não pecadores”. Todas as pessoas, espirituais ou carnais, são pecadoras que necessitam de um Salvador. A nossa única justiça procede dEle. Em vez disso, o critério para incluir alguém num grupo ou no outro é a sua relação pessoal com o Espírito Santo. Deus estipulou que não podemos cortar a nossa relação com o Espírito Santo sem danificar a nossa ligação com o Céu (Mateus 12:32). Ellen G. White explica: “Aquele que rejeita a obra do Espírito Santo assume uma posição que impede o acesso ao arrependimento e à fé. É pelo Espírito que Deus opera no coração” (O Desejado de Todas as Nações, p. 265).

E vale a pena repetir: a única pessoa que eu devo avaliar como sendo espiritual ou carnal é a minha própria pessoa. Deus pode operar no nosso coração e não necessita de que eu coloque etiquetas nos meus irmãos e nas minhas irmãs da igreja. A boa notícia é que, se eu ficar desapontado com o que Ele revela estar no meu coração, Ele pode transformar-me a partir de hoje!

MEMBRO DE IGREJA ESPIRITUAL
A pessoa espiritual é um cristão verdadeiramente convertido. Embora tenha nascido pecador, ele é chamado “espiritual” porque tem uma relação viva e em desenvolvimento com o Espírito Santo. O apóstolo Paulo escreve: “Mas o que é espiritual discerne tudo, e ele de ninguém é discernido. Porque, quem conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-lo? Mas nós temos a mente [Espírito] de Cristo” (1 Coríntios 2:15 e 16).

Jesus é o centro da vida da pessoa espiritual, reina no seu coração e determina as suas prioridades. A pessoa espiritual entregou-se completamente a Jesus e pede continuamente o Espírito Santo (Lucas 11:13). No contexto de Laodiceia, a pessoa espiritual pode ser considerada “quente” (Apocalipse 3:15). Na parábola das dez virgens, ela pode ser chamada “prudente” (Mateus 25:2-4). A pessoa espiritual vive uma vida “com abundância” (João 10:10) e está cheia com “toda a plenitude de Deus” (Efésios 3:19). Ela regozija-se porque é “salva por meio da fé” (Efésios 2:8). Embora a pessoa espiritual enfrente contratempos e tentações, ela fixa os seus olhos em Jesus.

MEMBRO DE IGREJA CARNAL
Uma pessoa carnal pode ter uma relação fingida ou dividida com Deus. Ela pode ser sossegadamente indiferente ao Espírito Santo, ou pode ser, mesmo, abertamente rebelde. Eis o que o apóstolo Paulo tem a dizer: “E eu, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, mas como a carnais, como a meninos em Cristo. Com leite vos criei, e não com manjar, porque ainda não podíeis, nem, tão-pouco, ainda agora podeis. Porque ainda sois carnais; pois havendo entre vós inveja, contendas e dissensões, não sois, porventura, carnais, e não andais segundo os homens? Porque, dizendo um: Eu sou de Paulo; e outro: Eu de Apolos; porventura não sois carnais?” (1 Coríntios 3:1-4.)

Aqui, concluímos que o fator de definição deve ser a nossa relação com o Espírito Santo. “Carnal” descreve uma pessoa que vive pela carne; isto é, pela força humana normal, não pelo Espírito Santo. E a maior tragédia é que ela não escolheu receber a vida eterna (Romanos 8:9).

Paulo dirige-se às pessoas carnais usando o termo “irmãos”, o que mostra que elas eram membros de Igreja. Ele não lhes podia chamar “espirituais” porque não estavam suficientemente cheias do Espírito Santo. Elas não tinham crescido na fé, como deviam. É possível ser um membro de Igreja durante muitos anos e ser, ainda assim, um cristão carnal. É possível ter conhecimento bíblico e, não obstante, não ser espiritualmente maduro. Muitos cristãos carnais sentem insatisfação, desapontamento ou falta de propósito na sua vida espiritual. Alguns são apáticos e dizem: “Somos simplesmente pecadores. Não podemos fazer nada quanto a isso.”

Outros cristãos carnais são entusiastas e ativos, tendo talvez orgulho por ocuparem postos importantes na igreja. Infelizmente, Jesus diz: “Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizámos nós em teu nome? E em teu nome não expulsámos demónios? E em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi, abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade” (Mateus 7:22 e 23). Qual foi o problema? Eles não tinham uma relação pessoal com Jesus e não tinham uma ligação viva com o Espírito Santo.

Ellen G. White diz: "As coisas espirituais se discernem espiritualmente. A mente carnal não é capaz de compreender esses mistérios. Continuem os questionadores e duvidosos a seguir o grande enganador, e as impressões e convicções do Espírito de Deus hão de tornar-se mais e mais fracas, mais frequentes as sugestões do inimigo, até que a mente se submeterá de todo ao seu domínio. Então o que a essas mentes confundidas se afigura como sendo loucura, será o poder de Deus, e o que Ele considera como loucura ser-lhes-á sabedoria e força" (Testemunhos para a Igreja 4, p. 585).

Se acha que é, presentemente, um cristão carnal, não perca a coragem! Tem a possibilidade de começar agora uma nova vida. Muitos cristãos carnais estão nessa condição sem o saber, e você pode já estar a orar para obter uma experiência de fé mais profunda. Jesus deseja que o seu “gozo seja completo” (João 15:11), e Ele convida-o a descansar na esperança firme da vida eterna.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

COMPARTILHAR SEM CHECAR

Compartilhar informações sem checar é um comportamento de alto risco, intensificado pelo uso de inteligência artificial (IA) na criação de desinformação. Ameaças como deepfakes (áudios e vídeos manipulados) tornam a verificação crucial antes de qualquer repasse.

Riscos e Contexto
- Inteligência Artificial (IA): A IA já consegue criar rostos, vozes e situações falsas com alta precisão, usadas para manipular a opinião pública.

- Eleições 2026: O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) está em alerta, com foco no combate rigoroso à desinformação e discursos de ódio. As eleições de 2026 testarão os limites da regulação contra fake news.

Consequências Jurídicas: Quem espalha fake news pode ser responsabilizado criminalmente. O Judiciário brasileiro reforçou que "liberdade de expressão não é liberdade de agressão".

- Golpes Comuns: Falsas mensagens sobre temas como Receita Federal, taxas Pix e cancelamentos de MEI continuam circulando, gerando pânico e roubo de dados.

O problema é estrutural: compartilhamos manchetes mais do que fatos. Um estudo de Columbia/Inria (pesquisa conjunta entre a Universidade de Columbia, nos Estados Unidos e o Institut National de Recherche en Sciences et Technologies du Numérique, na França) mostrou que 59% dos links compartilhados no antigo Twitter (atual X) nunca são clicados por quem compartilha. Quando o conteúdo é falso, o dano acelera: a pesquisa em Science verificou que boatos têm 70% mais chance de retuíte e atingem 1.500 pessoas seis vezes mais rápido.

Essa cultura do “encaminhar” encontra um combustível novo: deepfakes. Em 2024, metade das empresas pesquisadas relatou tentativas de fraude com áudio/vídeo falsos. E não é teoria: a britânica Arup perdeu cerca de 20 milhões de libras após uma videoconferência com executivos clonados por IA - um dos maiores golpes conhecidos do tipo.

Não por acaso, o Digital News Report 2025 registra que 58% dos usuários no mundo estão preocupados com a dificuldade de distinguir o que é real do que é falso em notícias online

A Bíblia antecipa esse mapa
- “O inexperiente acredita em qualquer coisa” (Provérbios 14:15);

- “Examinai tudo, retende o bem” (1Tessalonicenses 5:21);

- “Seguindo a verdade em amor” (Efésios 4:15);

- “Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (João 8:32).

Em tempos de feed infinito, isso significa transformar pressa em prudência.

Três frases para a geladeira
- "No lar de fé, cada clique testemunha."

- “Encaminhar sem checar é evangelizar o erro.”

- “Quem ama a verdade freia o dedo antes do compartilhar.”

Como verificar as informações na rede
A seguir, quero deixar alguns conselhos que podem ser úteis para verificar informações nas redes sociais, na internet ou mesmo em suas conversar interpessoais:

- Verifique a fonte: Com frequência, as notícias falsas provêm de fontes pouco confiáveis ou desconhecidas. Perfis anônimos ou com poucos seguidores. Se a fonte não for reconhecida, pesquise quem está por trás da história e considere se quem está publicando é conhecido por publicar informações precisas.

- Leia além do título: Cuidado, os títulos sensacionalistas são feitos para atrair a atenção dos leitores distraídos e podem não refletir adequadamente o conteúdo real da história. Meu conselho é que você leia a história completa antes de compartilhar ou comentar.

- Busque fontes adicionais: Se uma história parece incrível ou pouco provável, busque fontes adicionais que possam confirmá-la. As histórias verdadeiras costumam ser reportadas por várias fontes independentes.

- Verifique os fatos: Se você está lendo algo que parece muito bom para ser verdade, verifique os fatos. Busque evidência que respalde a história e considere se há uma explicação lógica para o que está sendo informado. Às vezes, uma ligação para confirmar a informação seria fundamental.

- Seja cético com o que você lê nas redes: Em geral, é importante ser cético com as notícias que são compartilhadas nas redes sociais. Tudo precisa ser verificado.

- Procure no Google: Você pode procurar no Google o título ou o tema da história para ver se há mais informações em outros lugares. Se você não conseguir encontrar informações confiáveis em outras fontes, é possível que a história seja falsa.

- Verifique com sites de verificação de fatos: Há organizações de verificação de fatos que se dedicam a verificar a precisão das notícias e informações. Esses sites, como Snopes e FactCheck.org, podem ajudá-lo a determinar se uma história é verdadeira ou falsa.

- Comprove os detalhes: As histórias falsas geralmente contêm detalhes imprecisos ou exagerados. Se houver detalhes específicos na história, comprove se estão corretos antes de compartilhar a história.

- Busque comprovação: Se uma história parecer improvável, busque outras fontes que possam comprová-la. Se você não conseguir encontrar evidências que respaldem a história, é possível que não seja verdadeira.

- Consulte especialistas: Se a informação for sobre um tema em particular, você pode buscar a opinião de especialistas no campo para ver se a história é precisa.

Como cristãos, temos a responsabilidade bíblica e social de falar a verdade, compartilhar a verdade e comparar com a verdade tudo o que possa ser mentira ou enganoso. Quando seguimos esse princípio de buscar a verdade, estamos seguindo o exemplo de Jesus, Aquele que disse que Ele mesmo é a VERDADE e a VIDA (João 14:6).

Pense nisso e seja alguém que compartilha a verdade, toda a verdade e nada além da verdade. Que Deus o use onde você estiver.

[Com informações de Notícias Adventistas]

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

IGREJA DIVIDIDA

“Rogo-vos, porém, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos uma mesma coisa, e que não haja entre vós dissensões; antes sejais unidos em um mesmo sentido e em um mesmo parecer” (1 Coríntios 1:10).

Infelizmente, a história do mundo é permeada pelos conflitos desde a entrada do pecado. Nas páginas do Antigo e do Novo Testamento, encontramos discórdias familiares, brigas pelo poder, lutas entre povos e até mesmo tensão entre os primeiros cristãos. Certamente você já vivenciou ou talvez esteja vivenciando algum conflito na igreja. 

A estratégia de Satanás é dividir para conquistar. A desunião é mortal. Jesus disse: “Se uma casa estiver dividida contra si mesma, tal casa não poderá subsistir” (Mc 3:25). Esse é um princípio simples que Satanás tenta nos fazer esquecer. A unidade nos ajuda a cumprir nosso papel profético como o remanescente da profecia bíblica (Ap 12:17), proclamando o “evangelho eterno” a “cada nação, tribo, língua e povo” (Ap 14:6). A unidade é essencial para cumprir a missão de proclamar essa mensagem dada por Deus. 

Quando não há unidade, a igreja fica irrelevante. Fica destituída de paixão pela missão e acaba reduzida a um evangelho que não alcança a comunidade. A desunião faz com que a competição pelo poder, a inveja e o ciúme ocupem o lugar que deveria ser preenchido pelo Espírito Santo. É impossível criar um ambiente próprio para o reavivamento onde existem divisões, desentendimentos e controvérsias. As diferenças não precisam levar à divisão. Ao mesmo tempo que devemos celebrar nossa diversidade, devemos, também, abraçar nossas diferenças. O importante deve ser focalizar o cumprimento da tarefa que Jesus deu.

Entre todos nós cristãos, os interesses particulares e as diferenças precisam ser deixados de lado, para que as barreiras que nos separam sejam quebradas e assim entremos na unidade que Jesus pretende para Seu povo. Use estas 10 sábias orientações de Ellen G. White extraídas dos livros Testemunhos para a Igreja, vol. 5, pp. 236-248 e Mente, Caráter e Personalidade, vol. 2, pp. 497-505, para evitarmos divisões em nossa igreja:

1. Deus é a personificação da benevolência, misericórdia e amor. Os que se acham verdadeiramente ligados a Ele não podem estar em divergência, uns com os outros. Seu Espírito reinando no coração, criará harmonia, amor e união.

2. Homens e mulheres que professam servir ao Senhor, contentam-se com ocupar tempo e atenção com assuntos de somenos importância. Satisfazem-se com estar em divergência uns com os outros. Se fossem dedicados à obra do Senhor, não estariam porfiando e contendendo qual família de meninos indisciplinados.

3. A união é força; a divisão, fraqueza. Quando se acham unidos os que creem na verdade presente, exercem poderosa influência. Satanás bem compreende isso. Nunca se achou mais determinado do que agora para tornar de nenhum efeito a verdade de Deus, causando amargura e dissensão entre o povo do Senhor.

4. O mundo é contra nós, as igrejas populares são contra nós, as leis da Terra em breve serão contra nós. Se já houve tempo em que o povo de Deus devesse unir-se, é agora esse tempo. Deus nos confiou as verdades especiais para este tempo, a fim de as tornar conhecidas ao mundo. A última mensagem de misericórdia está sendo proclamada agora. Estamos lidando com homens e mulheres que rumam ao juízo. Quão cuidadosos devemos ser em cada palavra e ato para seguir de perto o Modelo, a fim de que nosso exemplo leve homens a Cristo. Com que cuidado devemos procurar apresentar a verdade de tal modo que os outros, contemplando-lhe a beleza e simplicidade, sejam levados a recebê-la. Se nosso caráter testifica de seu poder santificador, seremos uma contínua luz aos outros — epístolas vivas, conhecidas e lidas por todos. Não podemos agora correr o risco de dar lugar a Satanás nutrindo desunião, discórdia e lutas.

5. Todos os que foram beneficiados pelos trabalhos do servo de Deus, devem, segundo sua habilidade, unir-se-lhe no trabalho pela salvação das pessoas. Essa é a obra de todos os verdadeiros crentes, pastores e povo. Devem conservar sempre em mente o grande objetivo, buscando cada qual preencher sua devida posição na igreja, e todos trabalhando conjuntamente em ordem, harmonia e amor. Vigiarão cuidadosamente a fim de que não seja dada oportunidade para se introduzirem diversidade e divisão.

6. Os que são designados para guardar os interesses espirituais da igreja devem ser cuidadosos em dar o exemplo devido, não dando ocasião a invejas, ciúmes ou suspeitas, manifestando sempre aquele mesmo espírito de amor, respeito e cortesia que desejam incentivar em seus irmãos. Atenção diligente deve ser dada às instruções da Palavra de Deus. Seja contida toda manifestação de animosidade ou falta de bondade, seja removida toda raiz de amargura. Quando surgem dificuldades entre irmãos, deve ser seguida à risca a regra do Salvador. Todo esforço possível deve ser feito para conseguir a reconciliação, mas se as partes persistirem obstinadamente em continuar em divergência, devem ser suspensas até que possam harmonizar-se.

7. Devemos buscar a verdadeira bondade, em vez da grandeza. Os que possuem a mente de Cristo terão de si mesmos opinião humilde. Trabalharão pela pureza e prosperidade da igreja, e estarão prontos a sacrificar os próprios interesses e desejos, em vez de causar dissensão entre os irmãos.

8. Uma casa dividida contra si mesma não pode subsistir. Quando os cristãos se desentendem, Satanás se insinua para tomar o controle. Quantas vezes teve ele êxito em destruir a paz e a harmonia nas igrejas! Que conflitos ferozes, que amargura, que ódio, se iniciaram por uma pequenina questão! Que esperanças se esfacelaram, quantas famílias foram divididas pela discórdia e contenda!

9. Divisões na igreja desonram a religião de Cristo diante do mundo, e dão ocasião aos inimigos da verdade para justificar seu procedimento. O que estamos fazendo para preservar a unidade, nos laços da paz?

10. Deu-nos o Senhor em Sua Palavra, instruções definidas e inequívocas, e na obediência a elas podemos preservar a união e harmonia na igreja. Irmãos e irmãs, estão dando ouvidos a essas ordens inspiradas? São leitores da Bíblia, e praticantes da Palavra? Estão lutando para cumprir a oração de Cristo, de que Seus seguidores sejam um? Evitemos tudo o que possa criar dissensão e contenda, pois há um Céu diante de nós, e entre os seus habitantes não haverá contenda."

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

AFINAL... O QUE É MUNDANISMO?

É praticamente impossível que algum dos assim chamados “crentes”, ou mesmo qualquer indivíduo inserido num contexto ao menos nominalmente cristão, nunca tenha pronunciado ou ouvido frases como: “O mundo está entrando na igreja”, “Estão querendo adaptar a igreja ao mundo, e não o mundo à igreja” etc. Ao longo deste texto, procuraremos desvendar a mística por trás de frases como essas. São bíblicas? É sensato utilizá-las hoje? Em quais contextos? O que elas realmente querem dizer?

Sem dúvida, um fato se faz notório e gritante no cristianismo dos nossos dias: muitos (eu disse, muitos) são os autodenominados cristãos que não possuem o mínimo interesse em afastar-se daquilo que os afasta de Cristo. Um outro fato, talvez não tão perceptível à primeira vista, é o de que há ainda outros tantos cristãos, que, de tanto “quebrarem a cara” no mundo, acabam lançando-se numa tentativa sincera, porém precipitada de afastar-se ao máximo do assim chamado “mundo”. Digo “precipitada” porque antes de querermos nos afastar daquilo que é mundano deveríamos interrogar a Bíblia para nela encontrarmos a resposta à questão primordial acerca deste assunto: Afinal, o que é mundanismo?

Antes de prosseguirmos, vamos combinar que é muito melindre (para não usar o termo popular: frescura) essa mania que muito crente “moderno” tem de dar “pití” quando escuta palavras como: “do mundo” ou “mundano”. Sem “ui, ui, ui” aqui, por favor! A pessoa pode até não gostar (e tem esse direito, ou defeito), mas tais palavras são bíblicas; e não é necessariamente errado utilizá-las.

Entretanto, sejamos também compreensivos para com aqueles que se sentem ofendidos com tais palavras, a culpa não lhes pertence inteiramente. Ainda que tal melindre seja irracional, muitas vezes não o é por completo. É razoável reconhecer que às vezes ele possui um pequeno fundo de lógica, pois, apesar de bíblicas, tais palavras são constantemente mal utilizadas. Foram banalizadas a tal ponto que se afastaram completamente de seu significado bíblico original. Sendo assim, primeiramente citemos algumas coisas às quais o termo “mundano” biblicamente não se refere.

O QUE NÃO É
Paulo, por exemplo, usou o termo “mundo” não apenas para denotar aquilo que está afastado de Deus, mas também para falar de coisas do dia a dia, como o cuidado para com os familiares (1Co 7:31-34). Assim, na Bíblia, “mundano” pode se referir tão-somente a coisas terrenas, e não necessariamente profanas, mas que podem nos tirar do Céu se não as colocarmos em seu devido lugar, isto é, depois de Cristo.

1 – Mundana não é qualquer pessoa de denominação diferente da sua
Por quê? Simplesmente porque essa definição associada ao termo “mundano” não se encontra em lugar algum da Escritura Sagrada. Caso haja embasamento bíblico para tal ideia, gostaria muito de vê-lo. Apesar de procurá-lo, jamais o encontrei. Se algum dentre os que me leem tiver notícia dele, por favor, não se constranja em alertar esta criatura para que eu possa adaptar meu pensamento ao pensamento bíblico. Mas, por ora, devo agir com honestidade, e, por mais que eu abrace minha denominação, devo dizer que não é possível achar, na Bíblia, nada que me autorize a definir alguém como “mundano” simplesmente por ser de outra denominação.

2 – Mundano não é qualquer elemento diferente do usual
Assim como há os fúteis cristãos de mente vacuosa que aceitam qualquer novidade “cool”, simplesmente por ser novidade, sem critério bíblico e/ou racional algum (os adeptos da “teologia do aff”, cujo único argumento para quando vê algo que não lhes agrada é “aff”, e Bíblia passa longe), assim também há aqueles que se descabelam de fobia diante de qualquer elemento dito “novo”. Mas não há registros de que a Bíblia aplica a palavra “mundano” nestes termos.

Vejamos agora o que a Bíblia define como mundanismo. Um texto básico para todas as ocasiões em que se fala no assunto é 1 João 2:15:

"Não amem o mundo nem o que nele há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele."

Quer saber como “vencer” debates dentro de um grupo religioso convencional? Use 1 João 2:15! Não importa a situação! Eis um texto coringa para qualquer discussão em que alguém se encontre sem argumentos.

Se não gosto da cor vermelha e quero que todos desgostem também, como proceder? Simples, basta disparar o velho “não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo”. Pronto! Afinal, qual cristão deseja ser visto sob o título de “mundano”? Tal palavra tem efeito paralisante sobre muitos, de modo que qualquer coisa que se rotule sob esse título torna-se automaticamente estigmatizada no meio cristão. Repare, automaticamente mesmo. Não há reflexão, estudo meticuloso da Bíblia. Nada disso! Para quê, não é mesmo? Afinal, se algo é “mundano”, não há mais o que se discutir, refletir ou estudar; basta eliminar.

Perceba como essa atitude preguiçosa e covarde atravanca o escrutínio bíblico no seio cristão. Quem é que deve definir se algo é mundano? É a Bíblia quem deve definir o que é mundano, não você, eu, seus pais, seus amigos, seu pastor, ancião, ou membro com maior tempo de igreja do que você. Graves problemas advêm quando os cristãos terceirizam a investigação bíblica.

Contudo, continue lendo 1 João 2:

"Pois tudo o que há no mundo — a cobiça [ou concupiscência] da carne, a cobiça dos olhos e a ostentação dos bens [ou soberba da vida] — não provém do Pai, mas do mundo" (v. 16).

Veja que o próprio texto se preocupa em elencar as coisas as quais ele chama de “mundo”: “cobiça da carne”, “cobiça dos olhos” e “ostentação dos bens [ou soberba da vida]”.

Na frase “cobiça da carne”, o pensamento é o do prazer físico; enquanto na “cobiça dos olhos”, a ideia é prazer mental. Na expressão “soberba da vida”, a palavra “vida”, no original grego é bios, e não zoe (outro termo grego para vida). Este último significa o principio primordial de vida, enquanto o primeiro – que é usado no texto – tem também a acepção de posses, sustento, recursos. “Assim a ‘soberba da vida’ é o orgulho ostensivo da posse dos bens materiais” (Comentário Bíblico Moody).

E veja: soberba significa orgulho! Mas quantos sermões você já viu enfatizando que os crentes orgulhosos são, na verdade, mundanos? Poucos, provavelmente nenhum. Mas tá assim de sermão associando mundanismo a vestes e comportamentos que a Bíblia nunca, ou quase nunca associa.

Muitos, no afã de defender os princípios bíblicos, acabam por desmerecê-los, defendendo como bíblicos princípios que a Bíblia mesma nunca pretendeu defender.

A verdadeira separação do mundo é muito mais drástica e envolve bem mais renúncia do que vestir-se decentemente ou falar de tal maneira – algo que qualquer mundano de bom senso pode fazer. Agora, não me entenda mal, não estou dizendo que a Bíblia não se preocupa com o que vestimos ou comemos, mas que esse não é seu foco principal, muito menos o foco nas vezes que a Bíblia denomina algo de mundano. Portanto, também não deveria ser o nosso.

Você já parou para pensar no que é mais cômodo: simplesmente passar a vestir-se de maneira X, não ingerir coisas Y, ou deixar o orgulho e a presunção de lado? Conheço muitos descrentes que fazem tudo isso e muito mais. Isso não quer dizer que eles sejam mais crentes do que os crentes, apenas mais morais. A natureza humana tende a exaltar na Bíblia da cabeça dela aquilo que lhe é mais cômodo – isso não é novidade. Mas o pior é a hipocrisia dos que agem exatamente dessa forma, adequando a Bíblia ao seu comodismo, mas ainda acusam apenas os outros de fazê-lo.

Coloque água pura numa garrafa de vidro escuro, lacre-a, depois cole nela um rótulo contendo uma caveira com dois ossos cruzados. Dificilmente, alguém, ainda que morrendo de sede, irá se arriscará a beber o conteúdo de algo com um rótulo tão negativo. E, nesse caso, tal atitude é até bem racional. Contudo, não é tão racional quando alguém faz na sua frente o teste físico-químico no conteúdo da garrafa. O teste prova que é água potável, mas você ainda se recusa a bebê-la, e pior, tenta convencer a outros do mesmo. Tudo por causa de um rótulo de papel, colocado sabe-se lá quando, sabe-se lá por quem. O que importa é que o rótulo está lá há tempo e ele simplesmente não pode estar errado.

Esse é o problema de se seguir meras tradições. A questão não é que as tradições sejam intrinsecamente más. Não tenho nada contra tradições em si. Tenho, sim, contra a postura que muitos adotam diante delas, como se quem, por um motivo ou outro, não as adota estivesse, automaticamente, dando as mãos ao mundo. O problema é a atitude de tratá-las como se fossem mandamentos, e não como o que de fato são: tradições.

Cuidado! Se você é cristão, a sua regra de fé e prática é a Bíblia. Reflita constantemente se ela e somente ela tem tomado esse papel em sua vida. Se você não tiver uma crescente preocupação quanto a refletir se está mesmo fazendo a Bíblia a sua única norma de fé, esqueça, você simplesmente não é cristão.

A verdade quer lhe libertar (Jo 8:32). Você não precisa ficar preso à tradição ou interpretação bíblica alheia quando ela mesma quer penetrar em sua vida e renovar a sua mente, fazendo de você uma pessoa mais amiga de Cristo, uma pessoa mais amorosa, e não apenas mais moral.

Um princípio fundamental de estudo da Bíblia é estudar como a própria Bíblia usa os termos que nela aparecem, prestando atenção no contexto histórico, textual e em outras ocorrências da mesma palavra no restante da Bíblia. Levando em conta tudo isso, vamos estudar o termo “mundo” no livro de Tiago.

No original grego, a palavra traduzida em nossas Bíblias como “mundo” é kosmos. Ela ocorre 5 vezes na carta de Tiago. A primeira ocorrência se dá logo no primeiro capítulo:

"A religião que Deus, o nosso Pai, aceita como pura e imaculada é esta: cuidar dos órfãos e das viúvas em suas dificuldades e não se deixar corromper pelo mundo" (v. 27).

Nesse texto, o significado de “mundo” não nos é informado diretamente. Contudo, será que podemos inferir que “mundo” é usado como contraste à falta de caridade? Vejamos, o texto diz o que devemos fazer (ajudar os que mais precisam) e o que não devemos fazer (contaminar-nos com o mundo). Logo, é possível que, para Tiago, ser mundano tivesse relação com a falta de caridade.

Vejamos mais versos do contexto: no verso 5 do mesmo capítulo, Tiago começa exortando que aquele que precisa de sabedoria deve pedi-la a Deus, com fé, e não deve duvidar que Ele a concederá, pois o que não tem fé é descrito como uma pessoa “semelhante à onda do mar, levada e agitada pelo vento” (v. 6). Ou seja, alguém instável, sem segurança e capacidade de se firmar. Tiago classifica ainda o homem sem fé como “de ânimo dobre, inconstante em todos os seus caminhos” (v. 8). Para o autor, tal pessoa não deve sequer supor “que receberá coisa alguma do Senhor” (v. 6).

No versos 9-11, Tiago trata sobre a humildade e autoestima equilibrada, dizendo que o irmão de “condição humilde” deve gloriar-se, porque, a despeito de sua insignificância, é alguém digno; “e o rico”, apesar de sua riqueza, deve gloriar-se “na sua insignificância” (ARA). Aqui, o apóstolo introduz um assunto que se repetirá ao longo da epístola: humildade e igualdade entre os homens.

No verso 15, Tiago fala que nossa própria cobiça nos seduz ao pecado (lembra-se de João 2:16 identificando a cobiça como mundanismo?).

No verso 19, há o assunto da humildade novamente, pois, “todos [devem ser] prontos para ouvir, tardios para falar e tardios para irar-se”.

Os versos 22-25 exortam para que os crentes sejam “praticantes da palavra, e não somente ouvintes”. Do contrário, isso seria enganar-se. Em outras palavras, uma forma de hipocrisia (lembra-se de como Jesus condenou veementemente a hipocrisia? Mt 7:5; 23:28; Mc 12:15; Lc 12:1; 13:15).

O verso 26 diz: “Se alguém se considera religioso, mas não refreia a sua língua, engana-se a si mesmo. Sua religião não tem valor algum!”.

É nesse contexto todo que surge o verso 27 com a ordenança de não se contaminar com o mundo. Vimos que, até aí, Tiago reprovou: a falta de fé, de caridade, de humildade, a cobiça, a hipocrisia e a falta de controle da língua.

Lembrando que originalmente a Bíblia não era dividida em capítulos, saiamos do capítulo 1 e adentremos o capítulo 2 tendo em vista que se trata de um texto contínuo.

A partir do primeiro verso do capítulo 2, é dito que não devemos fazer acepção de pessoas, dando preferência aos ricos e menosprezando os pobres. Tiago diz que os que assim procedem são “tomados de perversos pensamentos” (v. 4, ARA). Aí, mais uma vez, temos a palavra “mundo” quando é dito que “Deus [escolheu] os que são pobres aos olhos do mundo para serem ricos em fé e herdarem o Reino que Ele prometeu aos que O amam” (v. 5).

Nos versos 8-11, Tiago chama atenção daqueles que acham que guardam a lei, lembrando a eles que a mesma lei que diz para não adulterar também ensina que não se deve fazer acepção de pessoas. Logo, é tolice e dois pesos e duas medidas, achar que se pode ficar escolhendo o que mais lhe agrada na lei para guardar – pois “quem obedece a toda a Lei, mas tropeça em apenas um ponto, torna-se culpado de quebrá-la inteiramente” (v. 10).

No verso 13, há uma severa advertência aos sem misericórdia.

No restante do capítulo 2, Tiago fala sobre a inutilidade da fé sem as obras, até o capítulo 3, onde, dos versos 2-10, nos é dito que devemos saber refrear a língua, pois, “a língua é um mundo [3ª ocorrência da palavra em Tiago] de iniquidade”.

Em Tiago 3.13-17, é exortada a mansidão, a pureza, paciência, misericórdia, imparcialidade, ausência de fingimento e paz; enquanto a inveja, a amargura, as divisões e a mentira são condenadas.

Entremos agora no capítulo 4, onde se continua falando contra desunião e contendas, até o verso 4, onde é dito:

"Infiéis, não compreendeis que a amizade do mundo é inimiga de Deus? Aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus" (Tg 4:4, ARA).

Esse é um texto muito tirado do contexto. Aqui, novamente, as pessoas tendem a imaginar como “mundo” tudo aquilo que elas não gostam ou foram adestradas a dizer que não gostam se não quiserem ser consideradas mundanas. Inclui-se aí moda, diversão e outros comportamentos que muitos crentes crescem escutando que são nocivos. Porém, como estudantes honestos da Bíblia, devemos resistir à tentação de atribuir aos termos e expressões bíblicas aquilo que queremos ou que sempre nos disseram que é assim. Um dos maiores erros que podemos cometer é ler a Bíblia conforme as lentes de nosso tempo, cultura, educação e sociedade. A Bíblia é sua própria intérprete e deve falar por si só. Devemos recorrer a ela mesma para saber a significação dos termos que ela emprega. Ao quê Tiago se referiu ao falar em “amizade do mundo”? Recorramos ao próprio autor e leiamos com atenção o restante da passagem:

"Ou vocês acham que é sem razão que a Escritura diz que o Espírito que Ele fez habitar em nós tem fortes ciúmes? Mas Ele nos concede graça maior. Por isso diz a Escritura: 'Deus se opõe aos orgulhosos, mas concede graça aos humildes'. Portanto, submetam-se a Deus. Resistam ao Diabo, e ele fugirá de vocês. Aproximem-se de Deus, e Ele Se aproximará de vocês! Pecadores, limpem as mãos, e vocês, que têm a mente dividida, purifiquem o coração. Entristeçam-se, lamentem-se e chorem. Troquem o riso por lamento e a alegria por tristeza. Humilhem-se diante do Senhor, e Ele os exaltará. Irmãos, não falem mal uns dos outros. Quem fala contra o seu irmão ou julga o seu irmão, fala contra a Lei e a julga. Quando você julga a Lei, não a está cumprindo, mas está se colocando como juiz. Há apenas um Legislador e Juiz, Aquele que pode salvar e destruir. Mas quem é você para julgar o seu próximo? Ouçam agora, vocês que dizem: 'Hoje ou amanhã iremos para esta ou aquela cidade, passaremos um ano ali, faremos negócios e ganharemos dinheiro'. Vocês nem sabem o que lhes acontecerá amanhã! Que é a sua vida? Vocês são como a neblina que aparece por um pouco de tempo e depois se dissipa. Ao invés disso, deveriam dizer: 'Se o Senhor quiser, viveremos e faremos isto ou aquilo'. Agora, porém, vocês se vangloriam das suas pretensões. Toda vanglória como essa é maligna. Pensem nisto, pois: Quem sabe que deve fazer o bem e não o faz, comete pecado" (Tg 4:5-17).

Assim, temos que mundano aí significa alguém sem misericórdia, sem mansidão, cheio de ira e contendas, que não refreia a língua, inconstante, condenador, soberbo (lembra-se que João 2:16 também identificou a soberba como mundanismo?).

Podemos, então, concluir que o se costuma chamar de mundanismo, não é exatamente o mesmo que a Bíblia chama. Quantos não são maledicentes em relação ao suposto mundanismo alheio, esquecendo que a própria maledicência é, como vimos, um sinal de mundanismo? Quantos não fazem intrigas porque supostamente “o mundo está entrando na igreja”, esquecendo que as intrigas são mundanas?

Satanás realmente conseguiu cegar o entendimento não só dos incrédulos, mas também dos próprios cristãos, fazendo com que estes deem importância a uma série de coisas que muitas vezes a Bíblia não dá e esqueçam o essencial: “a justiça, a misericórdia e a fé” (Mt 23:23). Não permitamos que isso aconteça conosco.

Vanedja Cândido (via Missão Pós Moderna)

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

NOVA ORDEM MUNDIAL

Hoje vivemos em um mundo estruturado sob uma nova ordem internacional, cujo perfil ainda não se encontra completamente definido.

Desde a queda do Muro de Berlim, em 1989, discute-se a emergência de uma nova ordem mundial, com base em duas mudanças: uma geopolítica e outra econômica. Na geopolítica, a grande mudança foi o fim da Guerra Fria e o da bipolarização de poder entre os Estados Unidos e a União Soviética. Na economia, o grande acontecimento foi o aprofundamento do processo de globalização e a formação de blocos econômicos.

O equilíbrio do poder ou a correlação de força é o significado de uma ordem mundial. É a situação econômica, militar, política e diplomática do mundo em um determinado período. No século XIX, a ordem era monopolar, sendo o Reino Unido a grande potência mundial.

No século XX, a ordem era bipolar. Após a Segunda Guerra Mundial (1945), os Estados Unidos (capitalista) e a ex-União Soviética (socialista) disputavam a hegemonia (dominação) ou supremacia internacional. Essas duas potências exerceram grande influência sobre o restante do mundo até 1991, em virtude do grande poderio econômico e militar.

A partir de 1991, a nova ordem mundial se tornou mais complexa. Do ponto de vista do poder militar, os Estados Unidos passaram a ter capacidade de intervir em conflitos importantes em quase todo o globo. Mas essa situação pode ser provisória, tendo em vista que a China moderniza as suas Forças Armadas com investimentos, inclusive em armamento nuclear. Outro exemplo se refere aos países fortes da União Europeia (França, Itália, Reino Unido e Alemanha) que podem se unir e adquirir um poderio bélico comparado ao estadunidense.

A disputa entre os grandes centros do poder, no século XXI, será entre quem tem a economia mais moderna, o melhor padrão ou qualidade de vida para suas populações, a tecnologia mais avançada. Por isso, a tendência à multipolaridade, isto é, a existência de vários centros de poder econômico (Estados Unidos, União Europeia, Japão e China), é uma característica fundamental da nova ordem.

Mas com a recente captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro e a ameaça de anexação da Groenlândia pelos Estados Unidos, reacendeu-se um debate antigo nas relações internacionais: estaria o mundo entrando em uma nova ordem global ou apenas atravessando mais uma fase de rearranjo de poder entre as grandes potências? A ofensiva de Trump deixou evidente que Estados Unidos e China — e, em algumas análises, a Rússia em menor medida, são os grandes polos de poder no mundo e disputam forças desrespeitando fronteiras, instituições e acordos que regiam a geopolítica mundial até agora.

Nova ordem mundial e a Bíblia
Imagino que a grande maioria de nós cristãos tenha ouvido falar sobre nova ordem mundial provavelmente dentro de alguma palestra feita na igreja, certo? Por conta disso, somos tentados a pensar que essa temática seja de cunho exclusivamente religioso. Portanto, o que teria a Bíblia a nos dizer sobre uma reorganização política mundial através das lentes de nossas crenças proféticas e escatológicas? O que a teologia entende como nova ordem mundial?

Ao estudarmos as profecias de Daniel e Apocalipse, juntamente ao sermão profético feito por Cristo nos três evangelhos, percebemos que de fato, o mundo tende a rumar ao colapso. O texto bíblico nos informa que quanto mais o tempo passar, mais o amor se esfriará pelo aumento da iniquidade no coração humano (Mateus 24:12). Haverá cada vez mais conflitos, rumores de guerras, epidemias, fome (Mateus 24:6,7; Lucas 21:11,12), problemas que poderiam ser resolvidos, se não houvesse tanto interesse egoísta envolvido.

Em meio a esse cenário é que a Bíblia descreve em Apocalipse 13, o surgimento no cenário mundial de uma aliança entre dois poderes terrestres. O primeiro é apresentado na figura simbólica de um animal saindo da água, o segundo é descrito como um animal saindo da terra. Dentro do contexto literário do Antigo Testamento, essas duas figuras mitológicas são uma representatividade do mal. João usa esse contexto como pano de fundo para descrever que no tempo do fim, haverá dois poderes humanos, considerados aliados do dragão que é uma representatividade do diabo (Apocalipse 12:7-9), que se unirão, formando assim uma nova ordem mundial.

Ellen G. White assim descreve: "A profecia de Apocalipse 13 declara que a besta semelhante ao cordeiro fará com que 'a Terra e os que nela habitam' adorem o papado — simbolizado pela besta “semelhante a leopardo”. A besta de dois chifres também dirá a todos 'que habitam sobre a Terra, que façam uma imagem à besta, àquela que, ferida de espada, sobreviveu'. Além disso, ordenará a todos, 'os pequenos e os grandes, os ricos e os pobres, os livres e os escravos', que recebam a marca da besta (Apocalipse 13:11-16). Os Estados Unidos são o poder representado pela besta com chifres semelhantes aos de cordeiro. Esta profecia se cumprirá quando os Estados Unidos impuserem a observância do domingo, que Roma alega ser um reconhecimento de sua supremacia" (O Grande Conflito, p. 252).

A união desses poderes é algo tão poderoso e influente que seduzirá todos os habitantes da Terra (Apocalipse 13:14), e mexerá com a economia e a liberdade civil (Apocalipse 13:16,17).

A primeira besta, conforme a sua descrição, representa Roma (Daniel 7:7,17; Apocalipse 17:18), a segunda besta, os Estados Unidos, será um aliado político dela. Quando esses dois poderes se unirem e fundirem num só, estará formado aquilo que a teologia entende como nova ordem mundial. Essa união do poder religioso com o político, estabelecerá um decreto que será de nível mundial e com fortes represália aos seus opositores.

Podemos concluir então que a política será reorganizada mundialmente, passando a existir apenas uma forma de governo? A resposta é um sonoro sim! Embora, o Apocalipse não detalhe como acontecerá e nem quando, ele descreve que acontecerá.

O que acontecerá com a humanidade quando a nova ordem mundial se estabelecer? Será imposto sobre ela uma marca e ela é quem definirá quem está a favor ou contra essa coligação. O cenário de união entre as potências religiosas e políticas do mundo é um dos últimos sinais que vão anteceder a segunda vinda de Cristo e o fim do mundo. Quando Cristo vier, as autoridades políticas e religiosas vão perder seus poderes, e Deus salvará o seu povo e será o único governante do Universo, e “Ele reinará pelos séculos dos séculos” (Apocalipse 11:15).

Ellen G. White diz: "Em torno da vinda de Cristo agrupam-se as glórias daquela restauração de tudo, de que Deus falou pela boca de todos os Seus santos profetas desde o princípio. Quebrar-se-á então o prolongado domínio do mal; os reinos do mundo tornar-se-ão de nosso Senhor e de Seu Cristo, e Ele reinará para todo o sempre (Cuidado de Deus, p. 352).

Sendo assim, o único governo que reinará proeminentemente na história, formando a verdadeira nova ordem mundial, será o reino de Deus.

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

DEVEMOS DAR ESMOLAS?

Caçar uma moedinha, escondida no fundo da bolsa, para entregar a alguém que pede na rua de uma grande ou pequena cidade. Muita gente faz questão de ter esse ato de caridade com o próximo, enquanto outros tantos afirmam que dar esmola é uma forma de perpetuar a pobreza. Afinal, dar esmola ajuda quem precisa?

Muitas são as discussões que envolvem este tema e as opiniões se dividem. O termo "esmola" deriva do grego eleemosyne (de eleemon, misericordioso; éleos era a piedade). Para um grupo, a esmola pode ser a única forma de determinadas pessoas fazerem suas refeições. Às vezes, uma única refeição ao dia. Para outro, a esmola pode até aliviar situações de extrema necessidade, mas não contribui para transformar a condição social de uma parcela extremamente empobrecida da população.

Quando o assunto envolve crianças, a polêmica fica ainda maior. Especialistas acreditam que dar trocados alimenta a vida de crianças nas calçadas e contribui para a degradação da infância. Segundo eles, ao receberem o dinheiro, essas crianças tendem a se prender mais às ruas, onde estão expostas a riscos como drogas e violência. Outro argumento usado é que a esmola atrapalha o trabalho de quem tenta tirar as crianças das calçadas, porque acabam ganhando mais dinheiro com as esmolas dadas nas ruas do que com a ajuda do governo, por exemplo.

Ao falar sobre o tema, o professor e filósofo australiano Peter Singer (1946) levanta a questão da ética. Para ele, se uma ação tem um custo tão baixo, então ela deve ser realizada. Peter ainda argumenta que nem toda pessoa em situação de rua está em um ponto de vida ou morte, mas é altamente provável que pelo menos alguns deles estejam, e você não pode arriscar uma infração ética tão óbvia quanto permitir que alguém passe fome, podendo ajudar.

Em coro com o filósofo, alguns profissionais, principalmente os que trabalham com ONGs e instituições de caridade, defendem que ajudar pessoas em situação de vulnerabilidade com a doação de esmolas não só promove amparo aos que precisam, como também representa uma forma de evitar novos casos de violência, já que uma pessoa que está passando extrema necessidade escolheu pedir ajuda na rua e não roubar.

Deuteronômio 15:11 nos mostra uma profecia que diz: “Sempre haverá pobres na terra”. Sobre isso, Ellen White diz: "Na providência de Deus os acontecimentos têm sido ordenados de maneira que sempre tenhamos os pobres conosco, a fim de que sejam no coração humano um constante exercício dos atributos do amor e da misericórdia. O homem deve cultivar a bondade e compaixão de Cristo; não deve distanciar-se dos tristes, dos aflitos, dos necessitados e angustiados" (ST, 13/06/1892).

Mas muitos combatem a ideia de que quem recebe esmolas ou qualquer outro tipo de ajuda acaba se acomodando. Vejamos o que Ellen White diz: "Não é sábio dar indiscriminadamente a todo aquele que solicite nosso auxílio; porque podemos assim encorajar a ociosidade, a intemperança e a extravagância. Mas se alguém chegar à vossa porta dizendo que está com fome, não o despeçais vazio. Dai-lhe algo a comer, do que tendes. Não sabeis em que circunstâncias está, e pode ser que sua pobreza resulte de infortúnio" (CM, 163). Ela também declara: "Podemos errar ao dar aos pobres esmolas que não são uma bênção para eles, que os levam a julgar que não precisam esforçar-se por fazer economia, pois outros não lhes permitirão sofrer. Não devemos apoiar a indolência, ou encorajar hábitos de satisfação própria, provendo meios para a condescendência consigo mesmos. Muito embora os pobres dignos não devam ser negligenciados, tanto quanto possível, devem todos eles ser ensinados a ajudar a si mesmos" (CM, 104).

Além disso, o pedido serve como fonte de vaidade para alguém que quer se sentir bom e magnânimo ao fazer a doação. Ao darem esmola, ganham o senso de ter praticado uma boa ação sem se submeter a uma obrigação de longo prazo ao outro. Ellen White diz: "Em dar esmolas, orar, jejuar, disse Jesus, que nada seja feito com o intuito de atrair atenção ou louvores para o próprio eu. Dai em sinceridade, para benefício do pobre sofredor" (DTN, 214). A Palavra de Deus diz: “Quando for ajudar alguém, não chame atenção para você mesmo. Você já viu gente assim em ação, tenho certeza — eu os chamo atores’. Eles vão orar nas esquinas, como se elas fossem palcos, atuando para o público, interpretando para as multidões. Eles recebem aplausos, sim, mas é tudo que conseguirão. Quando você ajudar alguém, não pense na impressão que vai causar. Apenas ajude — com simplicidade e discrição. É assim que Deus, que o criou com todo amor, faz. Ele age nos bastidores para ajudar você” (Mateus 6:2-4 - A Mensagem).

Muitas pessoas acreditam que não dar esmola é mudar toda uma cultura. Estudiosos defendem que o hábito de dar dinheiro vem da tradição católica, mas acabou ganhando força no país por meio da política. Não houve investimento na educação. No lugar disso, o Brasil seguiu com ações paliativas e programas assistenciais para enfrentar suas mazelas. Mesmo sendo eles pouco ou nada eficazes. 

O filósofo Immanuel Kant, falecido em 1808, era categórico quando o assunto era dar esmola. Segundo ele, ao dar dinheiro ao próximo você transfere a resolução de um problema público para a esfera particular. Para outros, dar esmola não é a melhor saída, e sim que o Estado seja o provedor das condições para que a pessoa tenha um mínimo social em casos de vulnerabilidade para se reerguer. Mas Ellen White declara: "Não há muitos, mesmo entre educadores e estadistas, que compreendam as causas em que se fundamenta o presente estado da sociedade. Os que detêm as rédeas de governo não são capazes de solver o problema da corrupção moral, da pobreza, do pauperismo e da criminalidade crescente. Estão lutando em vão para colocar as operações comerciais em bases mais seguras. Se os homens dessem mais atenção aos ensinos da Palavra de Deus, encontrariam solução para os problemas que os assoberbam" (BS, 173).

Finalizo com este maravilhoso pensamento de Ellen White:

"Por toda parte, em nosso redor, vemos miséria e sofrimento: famílias com falta do necessário, crianças a pedirem pão. Se os homens cumprissem o seu dever como fiéis mordomos dos bens de Deus, nenhum clamor haveria por pão, nenhum sofredor em penúria, nenhum desagasalhado em necessidade. É a infidelidade de homens que gera o estado de sofrimento em que está mergulhada a humanidade. Se aqueles a quem Deus fez mordomos tão somente utilizassem os bens do seu Senhor no propósito para que lhes foram entregues, este estado de sofrimento não existiria" (RH, 26/06/1894).

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

VALORES

Wagner Moura entrou para a história do Globo de Ouro na noite deste domingo, 11, ao se tornar o primeiro brasileiro a vencer o prêmio de Melhor Ator em Filme de Drama. A conquista veio pela atuação em O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho, no qual interpreta Marcelo, um pesquisador marcado por conflitos internos e memórias atravessadas por traumas. "O Agente Secreto é sobre memória ou falta de memória e trauma geracional. Eu acredito que se o trauma pode ser passado de geração em geração, os valores também podem. Então esse prêmio vai para aqueles que se mantêm fiéis aos valores nos momentos difíceis", afirmou, arrancando aplausos da plateia.

Nós, como cristãos, enfrentamos os momentos difíceis com base em valores que enfatizam:

- A fé e a confiança em Deus: O valor fundamental é a confiança de que Deus nunca abandona Seus filhos, mesmo em meio às adversidades. A fé é vista como um escudo contra as dúvidas e o desespero.

- A oração e a leitura da Bíblia: A comunicação constante com Deus através da oração e a busca por orientação nas Escrituras (como em Josué 1:9, que aconselha a ser forte e corajoso) são práticas essenciais para encontrar força e clareza em tempos de incerteza.

- A esperança na vida eterna: A crença na segunda vinda de Cristo e na promessa de um mundo futuro sem sofrimento oferece uma esperança que transcende as dificuldades terrenas, ajudando a manter uma perspectiva eterna.

- A resiliência e o crescimento espiritual: Momentos difíceis são vistos como oportunidades para o crescimento espiritual, desenvolvimento de empatia e fortalecimento do caráter, tornando o indivíduo mais semelhante a Jesus Cristo.

- A negação do ego: Momentos difíceis são vistos como oportunidades para negar o ego e viver para Deus e para os outros, praticando o amor altruísta que vem d'Ele.

Valores são convicções profundas que guiam as pessoas em seu modo de ser e que condicionam seu comportamento. Em toda sociedade, os valores ajudam a construir interações harmoniosas e equilibradas entre os indivíduos que a compõem. Eles promovem um desenvolvimento saudável do ser e favorecem o bem-estar comum. Apesar de sua importância, muitos concordam ao declarar que a sociedade atual passa por uma crise em relação aos valores. De fato, alguns têm chamado isso de ausência ou perda de valores.

Valores como solidariedade, bondade, verdade e lealdade têm perdido lugar para seus opostos. A justiça, imparcialidade e integridade têm sido dribladas pelo “jeitinho brasileiro”. E a santidade, pureza e reverência têm sido suplantadas por desregramento e profanidade. Somem-se a isso a desconstrução e a perda da noção de pecado. O resultado? Pessoas insensíveis ao sofrimento alheio, aumento galopante da criminalidade, corrupção generalizada, uma geração sem limites e uma filosofia de vida “vale tudo”.

Onde vamos parar? Talvez seja mais importante perguntar onde já chegamos. Há quase vinte séculos, o apóstolo Paulo previu com precisão cirúrgica o momento difícil em que vivemos. Os seres humanos seriam “egoístas, avarentos, presunçosos, arrogantes, blasfemos, desobedientes aos pais, ingratos, ímpios, sem amor pela família, irreconciliáveis, caluniadores, sem domínio próprio, cruéis, inimigos do bem, traidores, precipitados, soberbos, mais amantes dos prazeres do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando o seu poder” (2Tm 3:2-5, NVI).

Em meio a essa crise, devemos buscar orientação na Palavra de Deus. A razão para isso é simples: “Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2Tm 3:16, 17).

Enquanto a ética situacional e relativista, típica do nosso tempo, deixa as pessoas livres para fabricar seu próprio repertório de valores, a ética da Bíblia, com base nos mandamentos imutáveis de Deus, fornece um conjunto de princípios e valores invariáveis que refletem a natureza daquele que é eterno e onipresente. No entanto, a motivação mais importante para o cultivo de bons valores é o caráter de Deus. A consciência de um Ser supremo que personifica, ao mesmo tempo, o amor e a justiça serve como constante lembrete de nossa obrigação moral. Ellen White escreveu: “Aqueles que têm fé genuína em Cristo serão sóbrios, lembrando-se de que os olhos de Deus estão sobre eles, que o Juiz de todos os homens está pesando os valores morais e que os seres celestiais estão esperando para ver que tipo de caráter está sendo desenvolvido” (Conselhos aos Professores, Pais e Estudantes, p. 223).

Conhecemos as profecias e sabemos que nestes tempos, mais do que nunca, precisamos ser a voz de Deus. Entendemos nosso papel como povo remanescente, com um estilo de vida distintivo nos dias finais da história. Esteja certo de que “o Céu pagará qualquer prejuízo que possamos sofrer para ganhá-lo; mas nada pode pagar o prejuízo de perdê-lo” (Richard Baxter). Por isso, Ellen White diz que “devemos nos desprender constantemente da Terra e apegar-nos ao Céu” (Perto do Céu, p. 16). Isso envolve começar a viver ainda na Terra o estilo de vida do Céu. Vamos resgatar juntos nossos valores!

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

PERGUNTAR OFENDE?

Sim, perguntar ofende. Só não ofenderia se fosse algo sempre inocente. De vez em quando não é. Nenhuma pergunta surge do nada. Por trás sempre há um contexto, um motivo e às vezes até um pretexto. Perguntar pode ser tanto um gesto de submissão (de quem não ousa afirmar nada) como pode ser um ato desafiador, de coragem ou de atrevimento de quem quer se impor. Diferente do que parece, nem sempre é sinal de mera curiosidade. Ironia, sarcasmo, crítica, provocação, animosidade, cumplicidade… várias coisas podem ser expressas por meio de uma pergunta, a qual raramente é neutra, mesmo quando casual. É por isso que perguntar ofende. Não precisa, mas às vezes ofende sim.

O potencial ofensivo da pergunta, porém, nem sempre está na sua superfície. Uma pergunta pode ser ingênua na aparência e, na raiz, estar cheia de sagacidade e veneno. Uma mente atenta e disciplinada percebe isso. Tudo indica que esse foi o caso quando Jesus, certa vez, entrou na cidade de Cafarnaum. Um dos oficiais de plantão naquele dia fez uma pergunta curiosa, intrigante: “O mestre de vocês não paga o imposto do templo?” (Mt 17:24, NVI). Aquela pergunta incomodou. Pedro ficou furioso. O questionamento pareceu-lhe ofensivo, uma insinuação sórdida e infeliz. “Sim”, respondeu ele, curto e grosso, tomando para si as dores de seu Mestre.

Jesus percebeu tudo, mas ficou na Dele, imperturbável. Ele nunca ficava na defensiva. Pedro sim. Se alguém lhe armasse alguma, Pedro sabia dar o troco. Era meio esquentado e temperamental. Todo mundo já o conhecia, até mesmo os cobradores de impostos que foram diretamente a Pedro – justo a Pedro! – para tratar o assunto. Como bons oportunistas, tocaram, não sem malícia, nas fibras da alma daquele que, entre os doze, talvez fosse o mais sensível para essas coisas. Pedro caiu como um patinho! Com seu espírito protetor, saiu em defesa de Jesus. Apesar de ser um bom aluno, Pedro ainda tinha muito que aprender, e a principal lição naquele momento talvez fosse esta: Podia até não parecer, mas Jesus é que estava no controle da situação, não Pedro. Jesus era ativo, não reativo. Sereno, não afoito. Era escrupuloso e atento. Inteligentíssimo! Nunca passava batido. Pedro sim.

Jesus Se antecipou e foi a Pedro para conversar sobre o assunto (Mt 17:25). Fez Pedro perceber a superficialidade daquele “sim” que ele, por impulso, havia dito sem analisar bem as implicações que isso teria. O assunto ali, na verdade, não era dinheiro. Ninguém estava acusando Jesus de ser caloteiro. O problema era a pergunta por trás da pergunta, ou melhor, a insinuação por trás daquele questionamento “inocente e rotineiro” feito pelos cobradores de impostos. Ellen White explica em O Desejado de Todas as Nações (p. 305) que os mestres e rabinos em Israel eram isentos daquele tipo de imposto. Ora, Jesus era um mestre, logo estava desobrigado de pagar a quantia. A pergunta “O mestre de vocês não paga o imposto?” era ofensiva porque, na verdade, afirmava o seguinte: “Ele não é Mestre coisa nenhuma, portanto, pague!” A pergunta era uma acusação disfarçada, velada. Pedro não notou. Ficou na superfície do problema. Passou batido. Jesus não. Daí veio a resposta brilhante e contundente da parte de Cristo. Ele fez o milagre da aparição das moedas necessárias dentro da boca de um peixe que ainda nem tinha sido pescado! (Mt 17:27).

Tanto Pedro como os cobradores de impostos (e mesmo os peixes!) teriam que admitir que Jesus não era uma pessoa comum. Ele não era apenas um mestre. Era muito mais que isso. Era um profeta divino capaz de responder às perguntas mais difíceis e desvendar os mistérios mais insondáveis; alguém que vence a malícia com perspicácia, a ironia com honestidade, o desdém com assertividade, sabedoria e empatia, tudo ao mesmo tempo! Por isso Ele é o Mestre dos mestres.

Ele não só sabe responder perguntas como também sabe fazê-las. A que Ele fez a Pedro naquele dia abriu-lhe os olhos para a vida. “O que você acha, Simão? De quem os reis da terra cobram tributos e impostos: de seus próprios filhos ou dos outros?” (Mt 17:25). A pergunta aguçou sua inteligência de pescador. Com aquele Mestre, Pedro aprenderia a pensar de modo diferente, arguto, metódico, sistêmico, disciplinado e… brilhante! Ele aprenderia a ler nas entrelinhas, a sondar os corações, a perdoar as impertinências e alfinetadas gratuitas que, às vezes, sem merecer, recebemos. Aprenderia que ser impulsivo, dominador e controlador é o caminho mais curto para se perder o controle e a razão. Ele aprendeu com o Melhor.

Se me fosse possível viajar no tempo e no espaço, eu perguntaria pessoalmente a ele: “Pedro, como é que foi tudo isso?”. Será que ele se ofenderia com a pergunta?

Júlio Leal (via Revista Adventista)