terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

NOTÍCIAS SOBRE O FIM DOS TEMPOS

É preocupante ver cristãos declararem o “fim dos tempos” diante de qualquer notícia. Desde uma guerra até uma propaganda de carro, da escolha de um novo papa até a cena de uma novela: tudo é visto como sinal de que estamos nos "últimos dias”. Falta Bíblia nisso. O foco está errado.

Já estamos vivendo nos “últimos dias” desde a primeira vinda de Jesus, Sua morte, ressurreição e entronização. O Pentecostes foi o cumprimento de uma profecia para os “últimos dias” (At 2:17). Jesus foi a revelação divina “nestes últimos dias” (Hb 1:2), e o Seu sangue foi manifestado “no fim dos tempos” (1Pe 1:20). João já alertava que “já é a última hora” (1Jo 2:18). O Novo Testamento foi escrito na certeza de que o período dos “últimos dias” já havia começado (At 2:16).

A igreja é o povo de Deus dos últimos dias. Escatologia é o estudo dos eventos finais centralizados em ambos os adventos de Cristo. A vinda do fim tem a ver com a consumação do Reino de Deus (1Co 15:24), e não com guerras e agitações políticas (“mas ainda não é o fim”; Mt 24:6). Para isso, o evangelho do Reino será pregado por todo o mundo, “então, virá o fim” (Mt 24:14). A Bíblia enfatiza Cristo, Seu Reino, Sua Igreja e Sua missão.

Assim, os rios podem ficar coloridos, meteoros podem cair, e o papa pode fazer piqueniques com pentecostais todos os domingos: Cristo é o ‘evento’ que mais importa nos “últimos dias”.

"A brevidade do tempo é frequentemente realçada como incentivo para buscar a justiça e fazer de Cristo o nosso amigo. Este não deve ser o grande motivo para nós; pois cheira a egoísmo. É necessário que os terrores do dia de Deus sejam mantidos diante de nós, a fim de sermos compelidos à ação correta pelo medo? Não devia ser assim. Jesus é atraente. […] Deseja ser nosso Amigo, andar conosco por todos os acidentados caminhos da vida. […] Jesus, a Majestade do Céu, deseja elevar ao companheirismo com Sua pessoa os que se dirigem a Ele com seus fardos, fraquezas e preocupações" (Review and Herald, 2 de agosto de 1881)

Que lindo é esse resumo de Ellen G. White sobre centralidade de um relacionamento com Jesus e de uma saudável antecipação do fim! É o caminhar diariamente, o diário companheirismo que deve nortear nossa expectativa de uma eternidade com a Pessoa de Jesus!

Mario Jorge Lima, palestrante e compositor adventista disse em sua página do facebook: "Morte, eleições e trocas de líderes religiosos ou políticos, bem como ocorrências factuais de qualquer tipo no mundo, ficam bem pequenos diante da maravilha que é a graça de Deus, da grandeza da nossa missão como crentes, e do fato de que Jesus Cristo é o Cordeiro de Deus, que esteve morto, mas, hoje vive para sempre. A Seu tempo, Ele intervirá, sempre em benefício de todos que aceitam Sua salvação.

Faço então a pergunta: E quão incomuns serão os eventos do fim?

Jesus e Paulo apresentam os últimos dias como tempos normais, apesar de todos os eventos espetaculares. Como antes do Dilúvio (Mt 24:37), as pessoas continuarão sua rotina normal de comer e beber; mesmo casamentos não serão adiados (Mt 24:38). Como nos dias de Ló, haverá compras e vendas (Lc 17:28), o que sugere que a estrutura econômica básica permanecerá. Plantação e construção continuam (Lc 17:28). A maior parte das pessoas parece não pressentir que o fim está próximo (Mt 24:39).

De fato, Paulo escreveu que as terríveis destruições associadas à segunda vinda (2Ts 1:5-10) virão quando as pessoas estiverem clamando: “Paz e segurança” (2Ts 5:2-3). Para muitos, os últimos dias parecem como uma era dourada de paz e prosperidade. Tribulações, desastres, desordens sociais e perseguições do tempo do fim estarão na ordem do dia, mas não parecerão estar fora de proporções em comparação com épocas normais.

A maioria, provavelmente a vasta maioria, será surpreendida ao ver o fim. Assim, de acordo com a Bíblia, não deveríamos ficar surpresos com o fato de que os sinais estivessem envelhecendo. Eles foram dados, não para satisfazer nossa curiosidade quanto à contagem do tempo do fim, mas para estimular o estudo da Bíblia e uma vida de fé. O clímax do tempo do fim não é a batalha do Armagedom, mas a “manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo” (Tt 2:13). O fim tem que ver com Jesus, mais do que com eventos ou ideias.

A partir das descrições apocalípticas, parece claro que não devemos esperar um estado de completa anarquia ou caos antes da segunda vinda. As estruturas básicas da sociedade não entrarão em colapso. Ao menos superficialmente, a instituição do casamento continuará a ser respeitada. O maquinário do comércio não será interrompido – pessoas continuarão comprando (não tomando a força) e vendendo (o que mostra estabilidade monetária). Famílias estarão viajando de férias quando os céus se abrirem. Estudantes estarão tomando decisões quanto à universidade. Missionários estarão desenvolvendo seu trabalho em terras de além-mar. Cerimônias inovadoras estarão acontecendo, com discursos sobre ideias para o futuro.

“Assim, vocês também precisam estar preparados, porque o Filho do homem virá numa hora em que vocês menos esperam” (Mt 24:44).

A tendência humana é saltar de agitação diante do espetacular e cair na apatia diante do comum. Mas a clara implicação da advertência de Jesus é que, às vésperas do evento mais cataclísmico da história, as coisas parecerão normais.

Finalizo com este alerta de Ellen G. White:

"Quando os raciocínios da filosofia houverem banido o temor dos juízos de Deus; quando ensinadores religiosos estiverem a apontar no futuro para longas eras de paz e prosperidade, e o mundo estiver absorto em sua rotina de negócios e prazeres, plantando e construindo, banqueteando-se e divertindo-se; correndo a vida sua rotina invariável; encontrando-se os homens absortos no comércio e ambição de ganho; rejeitando as advertências de Deus e zombando de Seus mensageiros; então é que súbita destruição lhes sobrevirá, e não escaparão. Quando os homens estão despreocupados, enlevados nas diversões, absortos em comprar e vender, o ladrão se aproxima com passos furtivos. Assim será na vinda do Filho do homem. Venha quando vier, o dia do Senhor virá de improviso aos ímpios" (Eventos Finais, pp. 233-234).

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