sexta-feira, 21 de agosto de 2026

MEDITAÇÃO #64 - O SÁBADO E O CORREDOR

"E nesse dia descansou" (Gênesis 2:2).

Algo ocorre no organismo das crianças de 4 a 11 anos, que lhes proporciona um prazer inexplicável quando se tornam sujeitos do verbo "correr".

Creio que era esta a sensação que corria pelas veias do menino apressado, em direção ao pátio... até ser interrompido pelos gritos e gestos de uma das professoras. "Pare, pelo amor de Deus!" repetia nervosa. O garoto parou diante dela, ainda ofegante, tão somente para ouvir o que já ouvira outras quinhentas e quarenta vezes: "Você não sabe que é perigoso? Você pode cair e se machucar... ou esbarrar em alguém, correndo assim".

Mas desta vez, acendeu-se uma luz e o rapazinho perguntou: "Professora, qual é o nome desse lugar em que nós estamos?" O sermão ia continuar, mas ele a interrompeu, repetindo a pergunta: "Só me diga isso: qual é o nome desse lugar?" Meio desconfiada, a mulher respondeu: "Isso é um corredor". Foi o suficiente. "Então", continuou o menino, "corredor é o lugar de correr..." e saiu correndo.

A má notícia é que, com o passar dos anos, este gosto pela corrida abandona os pátios e invade a rotina. O que era brincadeira vira doença, e nós nos tornamos crianças crescidas que não sabem aonde vão, reféns de uma vida que não pára, e vai depressa, sem avaliar a rota, rever os mapas, acrescentar perspectivas, corrigir erros, encontrar sentido.

Mas há uma boa notícia. Pelos corredores da vida, o Criador espalhou, e com intervalos precisos, um lugar de descanso - o sábado. "Sábado" vem do hebraico shabbat, cuja raiz pode ser traduzida como um verbo, "cessar" (associação com o final de um trabalho), ou como um substantivo, "descanso". A esse espaço no tempo, Deus deu um nome especial e o selo de Sua aprovação. Ele mesmo parou ali. Ao terminar a obra dos seis dias de trabalho, Ele mesmo descansou..

Depois que o céu ganhar as cores do pôr-do-sol de hoje, é possível que alguém o chame para correr... talvez seu chefe o convoque para continuar a corrida do trabalho. Quem sabe um professor marque uma corrida extra na faculdade. Ou alguém ligue, convidando você para uma corridinha, entre amigos, numa festa, num bar... mas você sabe o nome do ponto em que estamos no tempo. Ou não sabe?

O nome do sétimo dia é descanso... as portas estão abertas. A mesa está posta. Há um lugar especial para você. O anfitrião o espera ansioso. A bagagem fica na entrada. Só traga as mãos cansadas e as feridas abertas. Ali há cura e descanso.

Pare. Entre. E descanse.

MEDITAÇÃO #63 - REMANESCENTE

"Ainda que o número dos filhos de Israel seja como a areia do mar, o remanescente é que será salvo" (Romanos 9:27).

O “remanescente” é um tema importante na Bíblia. Em síntese, significa o que permanece após a retirada de uma parte; resto, sobra. O sentido pode ser negativo, como a “sobra” da feira, ou positivo, referindo-se aos que “sobrevivem” a um massacre.

Gerhard Hasel observou que a Bíblia não apenas usa o termo, mas também estabelece uma teologia do remanescente. É uma maneira de se referir ao verdadeiro povo de Deus. De modo geral, existem três grandes categorias desse grupo: 1) o remanescente histórico – por exemplo, sobreviventes de uma catástrofe (Dt 3:11); 2) o remanescente fiel – distinguido por uma confiança genuína (Is 10:22); e 3) o remanescente escatológico – purificado e salvo no tempo do fim (Ap 12:17).

Cada categoria possui nuances internas. O remanescente pode denotar tristeza devido à escassez de sobreviventes, mas também esperança, por representar a base de uma continuidade.

Fazer parte desse grupo não se resume a ser membro de uma igreja nem a professar um credo religioso. É ter a coragem de permanecer firme no que é certo, mesmo que muitos relativizem o que é essencial.

Chesterton dizia que “uma coisa morta pode seguir a correnteza, mas somente uma coisa viva pode contrariá-la”. Isso é verdade. Ellen White escreveu: “Em todas as eras, o Senhor Jesus tem Suas testemunhas, um remanescente que confia na Palavra de Deus. E hoje, em todos os lugares, estes são os que mantêm comunhão com Deus. Uma corrente vital de influência os está conduzindo à luz, e quando forem questionados: ‘Quem está do lado do Senhor?’, se posicionarão em favor Dele” (Signs of the Times, 23 de novembro, 1904).

Esse texto é interessante, pois não apresenta o nome de uma classe religiosa específica nem nos permite dizer que apenas os que concordam conosco são remanescentes. “O firme fundamento de Deus permanece, tendo este selo: ‘O Senhor conhece os que Lhe pertencem’” (2Tm 2:19).

Não importa quantos serão fiéis; escolha estar entre eles. Ame a Deus sobre todas as coisas e o próximo como a si mesmo. Ainda que em menor número, você e Jesus sempre serão a maioria.

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

MEDITAÇÃO #62 - FECHAMENTO DA PORTA DA GRAÇA

Como adventistas do sétimo dia, cremos que antes da volta de Jesus a esta Terra haverá um momento em que cessará a oportunidade de salvação para a humanidade. Será um tempo memorável, de consequências eternas. O "fechamento da porta da graça" é um termo que designa o fim da oportunidade de salvação para o ser humano. A raiz desse termo está na experiência de Noé no período antediluviano.

A Bíblia nos ensina a respeito do "fechamento da porta da graça" e das sete últimas pragas. Antes da volta de Jesus, a Bíblia anuncia o derramamento de sete pragas sobre os que rejeitaram o plano da salvação (Apocalipse 16:1 a 21). Neste tempo, os salvos já foram separados por Deus, pois os justos não sofrerão os efeitos das pragas (Salmos 91:7 a 11; 23:1 a 6). O início das pragas marca o fim do juízo investigativo e da intercessão de Cristo.

Lemos em Apocalipse 22:11 que, terminado o juízo investigativo, o “injusto continue fazendo injustiça, e o imundo sendo imundo; que o justo continue na prática da justiça, e o santo continue a santificar-se”. Esse evento é chamado de “fechamento da porta da graça”. Quando isso acontecer, cessará o ministério de intercessão do Espírito Santo e não haverá mais oportunidade de salvação. Jesus deixará de atuar no Santuário Celestial. Nesse tempo, a humanidade enfrentará uma crise mundial sem precedentes, pois os anjos de Deus não mais estarão segurando os quatro ventos da Terra (Apocalipse 7:1 a 3). Iniciará, então, o tempo de angústia de Daniel 12:1.

As pragas serão derramadas sobre os portadores da marca da besta e os adoradores da sua imagem (Apocalipse 9:4). Sobre eles sobrevirão úlceras malignas e perniciosas. Cremos que as pragas serão literais, porém não universais. São elas: chagas malignas, mar em sangue, rios em sangue, sol como fogo, escuridão tremenda, rio Eufrates seco e terremotos.

A proteção de Deus repousará sobre Seus filhos fiéis. Entre os mandamentos de Deus está o Seu selo, que garante a proteção divina em meio aos terríveis conflitos que marcarão o final da história do pecado neste planeta. Somente aqueles que aceitam a Jesus e recebem o selo de Deus estarão protegidos neste tempo.

Na sexta e sétima pragas, há o Armagedom, uma batalha espiritual entre o bem e mal. É a última tentativa de Satanás para destruir o povo de Deus. Satanás reunirá seus seguidores, e Cristo confirmará Seus fiéis, livrando-os das mãos dos perseguidores. Tudo está preparado para a volta de Jesus (Mateus 24:29 e 30).

Concluída a obra de intercessão no santuário celestial, logo após o "fechamento da porta da graça" e o derramamento das sete pragas, Jesus receberá a ordem do Pai para cessar Sua atividade de intercessão no santuário celestial. Jesus trocará Suas vestes sacerdotais pelo manto real e sairá do santuário celestial para vir à Terra como Rei dos reis e Senhor dos senhores. Ele virá buscar aqueles que aceitaram a purificação do pecado oferecida por Ele e viveram de acordo com as orientações deixadas em Sua Palavra. Juntos, iniciarão uma nova vida sem a presença da dor, da morte, do sofrimento. O fechamento da porta da graça revela a proximidade de um aguardado encontro entre Deus e Seu povo.

Apesar das lutas, problemas e dificuldades, a volta de Jesus é a bendita esperança do cristão, prenunciada pelo "fechamento da porta da graça".

Prepare-se para este grande dia!
"Houve uma porta fechada no tempo de Noé. E o Senhor o fechou lá dentro. Até aquela ocasião, Deus abrira uma porta através da qual os habitantes do mundo antigo poderiam encontrar refúgio, se cressem na mensagem que Deus lhes enviara. Mas, essa porta fechou-se agora, e ninguém poderia abri-la. Findara o tempo de graça. Assim será no tempo do fim" (Ellen White - Manuscrito 17, 1885).

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

MEDITAÇÃO #61 - O FIM DA MORTE

"O Senhor destruirá a morte para sempre" (Isaías 25:8).

O dia 18 de agosto de 2026 ficará marcado na história da cultura nacional como o dia em que o Brasil perdeu duas pioneiras da atuação no país. Aos 98 anos, Laura Cardoso faleceu na madrugada desta terça-feira (18), enquanto Glória Menezes morreu, aos 91, na tarde deste mesmo dia. Amigos e o público repercutiram a perda dupla dizendo que o "céu ganhou estrelas".

O pior inimigo do ser humano é, sem dúvida, a morte. A sepultura engole nossos sonhos, propósitos e certezas. Revela-se a maior prisão da humanidade. Na engrenagem de nosso cotidiano, muitas vezes fica de fora a verdade de que somos mortais, de que tudo passa e de que não somos eternos. Assim, a morte é assunto distante, evitado. Mas a Palavra de Deus nos alerta: “Não tenham medo dos que matam o corpo, mas não podem matar a alma. Antes, tenham medo Daquele que pode destruir tanto a alma como o corpo no inferno” (Mt 10:28). Esse verso afirma que nessa vida temos que nos voltar para preocupações maiores do que as questões materiais. Nossa vida espiritual e nosso futuro eterno estão em jogo, e a morte sela nosso destino final.

Como sabemos, a humanidade estava condenada à morte e precisava de um libertador: “Por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram” (Rm 5:12, ARA). Nessa condição, estávamos destinados à morte eterna. Então Cristo nasceu, viveu e morreu em nosso lugar, de modo que todos os que crerem Nele podem se apegar a essa verdade para viver eternamente.

A história de Cristo, porém, não terminou na cruz. Para Jesus, a morte não representava derrota. Não podemos nos esquecer de que a ressurreição faz parte dessa história. Jesus não só nasceu e morreu. Ele ressuscitou! Confiando nessa vitória, podemos ser vitoriosos também. A morte nos prova que tudo passa, mas a Bíblia nos mostra que até a morte é temporária. Em Cristo, apenas a vida é para sempre. Aceite a Jesus e viva eternamente.
"Jesus Cristo depôs o manto real, Sua régia coroa e revestiu Sua divindade com a humanidade, a fim de tornar-Se um substituto e penhor pelo gênero humano, para que, morrendo em forma humana, por Sua morte pudesse destruir aquele que tinha o poder da morte. Ele não poderia ter feito isso como Deus; mas, tornando-Se como o homem, Cristo podia morrer. Pela morte venceu a morte. A morte de Cristo levou à morte aquele que tinha o poder da morte, e abriu as portas da sepultura para todos os que O recebem como seu Salvador pessoal. Ao morrer, Jesus tornou impossível que os que crêem nEle morram eternamente" (Ellen White - Exaltai-O, p. 401).

terça-feira, 18 de agosto de 2026

MEDITAÇÃO #60 - SPLANCHNIZOMAI

Não há nada mais distante da realidade do que a ideia de um Jesus distante da nossa realidade. Imaginar Deus como alguém distante é um dos maiores erros que podemos cometer em nossa vida de fé. Essa concepção equivocada, aliás, gera muitos problemas, como a suposição de que Ele não ouve nossa oração, de que não está conosco, de que os olhos do Senhor não estão atentos a nós, de que estamos sozinhos no mundo, de que o pecado é capaz de surpreender Cristo e montes de outras ideias erradas que assombram milhares de milhares de cristãos. Sabe quando Jesus fica distante de nós e alheio a nossos problemas? Nunca. Jamais. Em nem um único instante de nossa vida. 
“E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos” (Mt 28:20).
E Jesus entende você totalmente. Ele sentiu na pele tudo o que você sente. Ele sentiu na alma tudo o que te machuca. E Jesus está com você, perto. Portanto, o Deus que tudo pode compreende com absoluta clareza o que você está enfrentando e Ele está ao seu lado para auxiliá-lo. Você poderia se perguntar se Deus se identifica com sua humanidade. Sobre isso escreveu Paulo: “… embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens” (Fp 2:6-7). Sim, Deus sabe o que é ser gente.

E aqui entra uma das maiores realidades sobre o Deus que se fez homem: a palavra grega usada em diferentes passagens dos evangelhos para se referir a compaixão é splanchnizomai. É curioso que, na medicina, “esplancnologia” é o estudo das vísceras, das entranhas. Os conceitos têm a mesma raiz. Assim, a compaixão de Jesus por pessoas como eu e você não é comum: Jesus sente a nossa dor em suas entranhas. Como escreveu Max Lucado, Ele “sentiu a deficiência dos mancos, a dor dos enfermos, a solidão do leproso, o constrangimento dos pecadores”. Por isso, quando Jesus encontra pessoas que estão sofrendo, ele sente a dor delas nas próprias entranhas.

Sabe a sua dor? Tenha certeza de que o Cordeiro de Deus a está sentindo no mais íntimo de seu ser divino e humano. Se dói em você, dói nEle. Se te aflige, aflige o Mestre. Sabe o seu abatimento, a decepção, a solidão, o amor-próprio ferido, a falta de paz e tudo mais que você está sentindo? Jesus sente também. Você foi traído? Jesus soltou um gemido. Você foi esquecido? Jesus sofreu. Você foi desamparado? Jesus cerrou os dentes. Você foi agredido? Jesus sentiu o golpe. Doeu? Jesus disse “Ai…”. Isso só ocorre porque Ele sente splanchnizomai. Compaixão. Co-paixão, paixão compartilhada. Ele compartilha sua dor.

Assim que Jesus sente o seu sofrimento, porém, Ele se lembra do Calvário. Recorda-se dos cravos e da coroa de espinhos. E, por fim, lança sobre a cruz toda essa enorme carga de sofrimento – as suas mágoas, tristezas, aflições, decepções. Você tem carregado suas aflições nas costas? Então siga o exemplo do compassivo Deus: lance-as sobre a cruz, pois há dois mil anos ela espera por cada uma de suas dores.
"Que maravilhoso pensamento este, de que Jesus tudo sabe acerca das dores e aflições que sofremos! Em todas as nossas aflições foi Ele aflito. Embora não O vejamos, Jesus vela por nós com terna compaixão; e comove-Se com as percepções de nossas fraquezas. Jesus tomou sobre Si a humanidade e colocou-Se à cabeceira de uma nova dispensação, a fim de que possa reconciliar justiça e compaixão" (Ellen G. White - The Review and Herald, 10 de Junho de 1884).

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

MEDITAÇÃO #59 - SUCESSO

A ginástica rítmica do Brasil fez história neste domingo (16) e conquistou duas inéditas medalhas de ouro no Campeonato Mundial da modalidade, realizado em Frankfurt, na Alemanha. 
O primeiro ouro veio na exibição com cinco bolas, e o segundo, na chamada série mista, em que as atletas se apresentam com três arcos e duas maças.

“Nós aprendemos a acreditar que era possível. Primeiro, sonhamos em estar entre as melhores. Depois, começamos a competir de igual para igual com elas. E hoje estamos no lugar mais alto. Não aconteceu de um dia para o outro. Foram anos de trabalho, erros, acertos, lágrimas, renúncias e muita persistência", celebrou Camila Ferezin, técnica do conjunto.

A jornada até se tornarem campeãs mundiais não foi fácil. Nossas atletas enfrentaram desafios árduos, treinos exaustivos e superaram lesões e adversidades. Esta conquista não representa apenas uma vitória no esporte, mas também simboliza a perseverança e a determinação que todos nós carregamos em nossas próprias vidas.

Ao assistirmos aos nossas ginastas se apresentarem com graça e força, vemos refletida a nossa própria luta diária. Cada movimento perfeitamente executado nos lembra das pequenas e grandes batalhas que enfrentamos. Seja no trabalho, na escola, em casa ou na nossa vida espiritual, estamos constantemente buscando melhorar, superar desafios e alcançar nossos objetivos.

Esse sucesso conquistado nos faz lembrar que, assim como nossas atletas, nunca estamos sozinhos. Trabalhamos em equipe, apoiamos uns aos outros, enfrentamos as dificuldades, mas sabemos principalmente que sem união do poder de Deus com o esforço humano o êxito não será possível. 

Quer você também alcançar sucesso em sua vida assim como as meninas da ginástica rítmica? Basta que você siga estes cinco preciosos conselhos de Ellen White que compartilhamos aqui, para que você alcance êxito em toda a sua vida.

1. “O sucesso em qualquer coisa que empreendamos exige um objetivo definido. Aquele que desejar alcançar o verdadeiro êxito na vida deve conservar firmemente em vista o alvo digno de seus esforços” (Educação, p. 262).

2. "Vocês terão sucesso ao lutarem com perseverança contra dificuldades aparentemente insuperáveis e com o êxito virá a maior alegria” (Olhando para o Alto, p. 110).

3. "Deus dá oportunidades; o sucesso depende do uso que delas se fizer” (Profetas e Reis, p. 486).

4. "A recompensa dada aos que triunfam será proporcional à energia e fervor com que lutaram” (Atos dos Apóstolos, pp. 313 e 314).

5. "Devemos lembrar-nos de que, seja qual for o sucesso que venhamos a ter, a glória e a honra pertencem a Deus; pois toda faculdade e todo poder são uma dádiva de Sua parte” (E Recebereis Poder, p. 260).

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

MEDITAÇÃO #58 - VAZIO

Apesar do “vazio” ser descrito como ausência de algo, no campo da psicologia esta dimensão se define por um sofrimento, um mal-estar e uma profunda tristeza. A frustração pessoal, a dor de uma infância complicada, o fracasso ou mesmo o estresse e a ansiedade podem evoluir para este buraco negro existencial. É um momento banhado de questionamentos sobre a própria existência, sobre seus objetivos, suas próprias características e o rumo que sua vida está levando.

Em Eclesiastes 3:11, Salomão fala de forma enfática que “tudo fez Deus formoso no seu devido tempo; também pôs a eternidade no coração do homem, sem que este possa descobrir as obras que Deus fez desde o princípio até ao fim”. Segundo o texto bíblico, na criação, Deus colocou no coração do homem a eternidade, algo eterno, algo maior do que tudo que pensamos ou fazemos ou planejamos. O que significa isso? Isso quer dizer que, como Deus pôs no coração do homem o anseio pelo infinito, logo as coisas finitas não podem em toda a sua plenitude preencher o coração do homem. Isto é notório na sociedade como um todo. De acordo com as Sagradas Escrituras, fomos feitos à imagem de Deus (Gn 1:26, 27). Temos uma necessidade interna de nos relacionarmos com Deus. Deixar de fazê-lo resulta num vazio do coração humano.

Indubitavelmente, uma “insatisfação divina” permeia a experiência humana, o que nos leva a indagar se existe alguma coisa capaz de satisfazer a busca do homem pela satisfação dos desejos do seu coração. O ser humano está numa constante busca pela realização. Há em nós uma sensação de incompletude. Isto é inegável.

O avanço científico e tecnológico não resolveu, nem resolverá jamais, o problema existencial do ser humano – essa sensação de que sempre há algo faltando, mesmo depois de termos concretizado nossos sonhos. Sempre queremos mais e queremos coisas diferentes. Parece-nos então que nada que seja finito é capaz de satisfazer o profundo anseio que sentimos dentro de nós. Muitos se matam, e muitos outros estão sofrendo de depressão, stress, insônia, alcoolismo. Hoje há fobias de todos os tipos. A ansiedade é um mal generalizado. Isso tudo claramente aponta para um sentimento de vazio no ser humano.

Talvez você também sinta dentro de si esse vazio. Não perca tempo e esforço tentando preenchê-lo com trabalho, estudo, consumismo, sexo, divertimentos, relacionamentos pessoais, viagens. Você poderá conseguir distrair-se por algum tempo, mas quando a sua máquina começar a engasgar e a tossir, por ter usado combustível errado, você vai ter de parar e pensar que a única solução é nEle viver, se mover e existir (At 17:28). A satisfação plena é produto da segurança absoluta e da paz interior que só Deus pode dar. Só um Deus infinito pode preencher, com o Seu amor, o espaço infinito do coração humano. 
"Todas as nossas energias são de Deus; nada podemos fazer independentemente das forças que Ele nos tem dado. Onde está o homem ou mulher ou criança que não seja sustido por Deus? Onde o lugar vazio que o não encha Deus? Onde a necessidade que possa ser suprida por outro que não Deus? (Ellen G. White - A Fé Pela Qual Eu Vivo, p. 57).
Deus nos criou com um vazio e uma escolha - um vazio do tamanho do infinito e uma escolha inevitável. Escolha Deus.

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

MEDITAÇÃO #57 - TELESCÓPIO

O telescópio foi uma das grandes invenções de Galileu Galilei. É intrigante imaginar como um pequeno tubo, combinando um jogo de lentes nos permite enxergar coisas que estão bem além de nossa capacidade imediata de ver. Outro dia li uma história interessante, envolvendo a invenção e o inventor.

Certo dia, num terraço qualquer da cidade de Veneza, Galileu se reuniu com um grupo de homens ao redor de seu estranho invento. Um comerciante que passava por ali, curioso, perguntou: “O que vocês estão olhando aí?” A resposta foi a mais estranha ainda: “Navios... e dois deles estão vindo do sudoeste”. O homem não podia acreditar no que ouvira, já que olhando para o horizonte não podia ver nada além de água e céu. Mas os homens insistiram: “Há sim! Olhe por aqui”.

Fechando um dos olhos, o comerciante olhou através daquele pequeno tubo, e dois grandes navios apareceram diante de seus olhos como que por mágica. “É inacreditável!”, exclamava. Então Galileu o convidou a retornar ali à noite, prometendo lhe mostrar as montanhas e crateras da lua, as quatro luas ao redor de Júpiter e estrelas invisíveis ao olho. Isso pareceu demais ao pobre homem. “Esse tubo é uma invenção satânica pra nos fazer ver coisas que não existem”, disse meio assustado. “Mas você não viu os navios?”, perguntou Galileu. Ao que o homem respondeu: “Sim, mas isso deve ser um truque, pois ainda não podemos vê-los sem o tubo”. “Espere”, foi o conselho do cientista, “e você os verá”... Várias horas depois os dois navios ancoraram no porto de Veneza.

Muitas vezes é preciso fechar os olhos para enxergar além, através da fé. Pela fé podemos ver coisas que olhos comuns não conseguem ver. Pela fé podemos ver anjos à nossa volta em cada momento. Pela fé podemos ver a mão de Deus sobre os caminhos de nossa vida. Pela fé podemos ver Deus respondendo orações, curando feridas, abrindo portas, salvando vidas... podemos ver o céu tocar a terra. Podemos ver milagres de salvação. Pela fé podemos ver Jesus sorrindo. Basta olhar além do que se vê.

Que hoje você consiga ver além do óbvio, além do palpável, além do presente.
"Só o olhar da fé pode enxergar além das coisas do tempo e dos sentidos, para apreciar o valor das riquezas eternas" (Ellen White - Exaltai-O, p. 380).

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

MEDITAÇÃO #56 - RESGATE

Equipes de resgate retiraram com vida uma mulher (foto) de 32 anos dos escombros deixados pelo terremoto de magnitude 7,4 que atingiu a Colômbia na segunda-feira (10). Daniela Largo foi resgatada de um prédio de quatro andares que desabou completamente em Pereira após passar quase 38 horas sob os destroços. O resgate levou dez horas exaustivas. Dezenas de especialistas em resgate e cerca de 50 voluntários trabalharam para chegar até ela, que estava com um dos braços preso por uma porta de metal. A mãe dela, Sandra Milena Perez, celebrou: "Estávamos perdendo a esperança".

É uma história forte, comovente e ao mesmo tempo uma ilustração viva de nosso resgate do pecado. Pense no sofrimento daquela mulher durante as 35 horas em que esperou por uma solução, e você vai entender melhor o sofrimento de Deus, dos anjos e dos mundos não caídos ao contemplar nossa condição e a longa espera pelo momento certo do resgate. 

Apesar de sermos todos pecadores, incapazes de pagar a pena, Jesus morreu por nossos pecados para que não tenhamos que morrer por eles. Ele tomou nosso lugar na cruz para que pudéssemos sair livres. Esse resgate foi quitado plenamente no Calvário. O símbolo do nosso resgate passa pela cruz. Jesus ressuscitou e continua resgatando vidas das trevas para a luz.

Quando o ser humano consegue perceber os escombros nos quais se encontra, finalmente ele se rende ao resgate oferecido por Jesus. Um resgate gracioso e eternamente salvador. Um resgate que envolve o resgatado com o poder do Espírito Santo, a fim de que os perigos e ameaças desta vida não contaminem a ação redentora de Jesus, uma ação que ultrapassou os símbolos e tornou-se realidade por amor a nós.

O mais marcante, porém, é que nosso resgate terá igualmente um final feliz como o de Daniela. Em breve Cristo voltará e nos levará para casa. A segunda vinda de Cristo será o maior resgate da história da Terra. 
"O Senhor voltará em breve, e precisamos estar preparados para encontrá-Lo em paz. Ele virá logo, e devemos estar prontos e aguardando o Seu aparecimento. Oh! quão glorioso será vê-Lo e receber as boas-vindas como remidos Seus! Por muito tempo temos esperado; mas nossa esperança não deve diminuir. Estamo-nos aproximando do tempo em que Cristo virá com poder e grande glória para levar ao lar eterno os Seus resgatados" (Ellen White - Conselhos para a Igreja, p. 365).
Nosso resgate está chegando. Não perca a esperança!

terça-feira, 11 de agosto de 2026

MEDITAÇÃO #55 - INSUPORTÁVEIS

Todos nós conhecemos e convivemos com pessoas insuportáveis dentro da igreja. Gente chata, pedante, mentirosa, enganadora, hipócrita, arrogante, sem noção, inconveniente, deselegante, ofensiva, sem limites, abusada, sem amor, irritante, insubmissa, incompatível… Nossa, são tantos os adjetivos que tornam uma pessoa insuportável que fica até difícil listar todos. Mas elas estão aí, fazem parte da nossa vida, a convivência geralmente é compulsória e não tem jeito: somos obrigados a compartilhar ambientes, conversas, tarefas ou simplesmente a presença delas. A pergunta é: como suportar as pessoas insuportáveis que convivem conosco na igreja?

Nessa hora, como em tudo na vida, temos que voltar nossos olhos para as Sagradas Escrituras em busca de respostas. Porque, se formos agir segundo a nossa carne, simplesmente vamos começar a brigar, ofender, cortar relações e a ter outras reações nada espirituais com relação a essas pessoas insuportáveis. Quando, na verdade, Jesus deseja que nós consigamos conviver com o diferente. 

E, vou te contar um segredo: a esmagadora maioria das pessoas é diferente de você. Logo, insuportável. Dentro da igreja, então, onde todos deveriam ser um amor e agir segundo o exemplo de Cristo, o coeficiente de insuportabilidade é enorme. Que fazer? Deixar de ir à igreja? Fugir da comunhão? Paulo toca no assunto em Efésios 4. Ele diz: “Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados, com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor“.

Repare: de todas as atitudes que o apóstolo poderia nos recomendar ter, ele nos manda logo “suportar uns aos outros“. O segredo é o que Paulo diz logo depois: “suportando-vos uns aos outros em amor“. Amor: essa é a formula mágica. Isso se confirma quando lemos 1 Coríntios 13:7: “O amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta“.

Sim, o amor tudo suporta, inclusive o que é insuportável. Senão não seria “tudo”. “Mas falar de amor é fácil”, alguém poderia argumentar”, “na hora de lidar com a pessoa insuportável quero ver amar de verdade”. Só que esse amor não se restringe a um sentimento fácil. Exige esforço. Exige a consciência de que dele depende a união do Corpo de Cristo. Repare o que o apóstolo Paulo diz em Efésios logo em seguida a “suportando-vos uns aos outros em amor”: “Esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz; há somente um corpo e um Espírito, como também fostes chamados numa só esperança da vossa vocação“.

Deus deseja paz para sua Igreja. Deseja paz para cada membro de seu Corpo. Você certamente sabe quem são os insuportáveis da sua igreja. Ame-os. Suporte-os. Despenda esforços nesse sentido. E faça isso com zelo. Pois essa é a única forma possível de haver unidade na Igreja. Ah, só mais uma coisa: nunca se esqueça de que o insuportável da sua igreja pode ser… você.
"Devemos suportar-nos uns aos outros, lembrados de nossas falhas. É tempo para todos se lançarem à obra, sem se deter para medir exatamente a parte do erro que cabe ao outro, mas cada qual sondando o próprio coração. Somente no coração em que reina o amor é que habitará a paz de Deus" (Ellen White - Mente, Caráter e Personalidade 2, p. 633).

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

MEDITAÇÃO #54 - ACIMA DA POLARIZAÇÃO

A cada dois anos, os brasileiros são chamados às urnas para escolher seus representantes. Há algum tempo, porém, esse exercício de cidadania tem sido marcado pela polarização, cujos reflexos também têm alcançado a igreja. Desde seus primórdios, a Igreja Adventista reconhece a liberdade de consciência e a responsabilidade individual diante do voto, fundamentando essa compreensão não em argumentos políticos, mas em princípios bíblicos. Em tempos como o nosso, convém relembrar cinco deles.

1. Deus é soberano. O desenrolar da história, à luz das profecias bíblicas, revela que, em Sua soberania, Deus “remove reis e estabelece reis” (Daniel 2:21). Ele jamais perde o controle dos eventos mundiais, seja diante de governantes bons ou maus. Faraó, Nabucodonosor e Ciro demonstraram que o Senhor pode cumprir Seus propósitos até por meio de autoridades que não O reconhecem.

2. O povo de Deus tem dupla cidadania. Embora nossa cidadania esteja nos Céus (cf. Filipenses 3:20), o Senhor nos chamou a viver com responsabilidade enquanto peregrinamos na Terra. José, Daniel e Neemias exemplificaram esse princípio: mesmo estando longe de sua pátria, permaneceram fiéis ao Senhor e trabalharam em favor do bem comum. Em sua trajetória, demonstraram o significado da orientação divina: “Procurem a paz da cidade […] e orem por ela ao Senhor; porque na sua paz vocês terão paz” (Jeremias 29:7).

3. A lealdade ao Senhor está acima de qualquer outra autoridade. A Bíblia ensina o povo de Deus a respeitar as autoridades e a ser exemplo de boa conduta (cf. 1 Pedro 2:11-17). Isso, porém, não significa fazer concessões que contrariem os princípios divinos. Sadraque, Mesaque e Abede-Nego recusaram-se a obedecer a uma ordem que violava a lei de Deus. Além disso, demonstraram que sua fidelidade não dependia do livramento ao declarar: “E mesmo que Ele não nos livre, fique sabendo, ó rei, que não prestaremos culto aos seus deuses, nem adoraremos a imagem de ouro que o senhor levantou” (Daniel 3:18).

4. A unidade do povo de Deus está acima das divisões políticas. Ao interceder por Seus discípulos, Cristo suplicou: “Pai santo, guarda-os em Teu nome, que Me deste, para que eles sejam um, assim como Nós somos um” (João 17:11). Alimentar divisões políticas na igreja é contrariar essa oração, enfraquecer o testemunho do evangelho e abrir espaço para a ação do inimigo. Ao chamar Mateus, o publicano, e Simão, o zelote – homens identificados com visões politicamente opostas –, Jesus demonstrou que a comunhão cristã é maior do que qualquer diferença política.

5. O voto deve refletir os valores do reino. Ao exercer esse direito, o cristão deve ser guiado pelos princípios do reino dos Céus. “O que o Senhor pede de você? Que pratique a justiça, ame a misericórdia e ande humildemente com o seu Deus” (Miqueias 6:8). Natã, Elias e João Batista mostraram que a fidelidade ao Senhor não relativiza o pecado nem se curva a projetos de poder. Como povo profético, somos chamados a viver a mesma integridade.

As eleições se aproximam e nos oferecem a oportunidade de testemunhar que nossa confiança não está nos projetos humanos, mas no estabelecimento do reino de Deus. Que nossas escolhas sejam guiadas por princípios bíblicos e nosso testemunho aponte, acima de qualquer polarização, para Cristo, a única esperança do mundo.
"Os que são genuinamente cristãos são ramos da Videira verdadeira, e darão o mesmo fruto que ela. Agirão em harmonia, em comunhão cristã. Não usarão distintivos políticos, mas os de Cristo" (Ellen White - Conselhos para a Igreja, p. 324).

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

MEDITAÇÃO #53 - PAI

"Lembre-se do seu Criador" (Eclesiastes 12:1).

Há alguns estudiosos da Bíblia que interpretam essas palavras de Salomão de um jeito peculiar. Desconsiderando o transcendente, entendem que o conselho do velho sábio é para os filhos - que nunca se esqueçam de seus pais. Isso porque a palavra "criador", no hebraico original, se encontra no plural - criadores. Não é meu interesse discutir a interpretação do texto, embora seja bem clara para mim. Creio que essa leitura "alternativa" como que se perde e se encontra no conselho original - um lembrete que aponta para o Céu.

O tempo passa e esquecemos quem nunca deveria ser esquecido.

Neste próximo domingo, o Brasil assistirá a muitos abraços, churrascos, reencontros. Alguns, é bem verdade, promovidos simplesmente pela conveniência de uma tradição ou pela insistência da propaganda; outros, pela força do sentimento que une corações que bombeiam um mesmo tipo de sangue.

Neste próximo domingo, alguns sorrisos irão se apagar, dando lugar à saudade chorosa. Alguns irão esbarrar na cadeira vazia da mesa de jantar. Outros irão buscar retratos, bilhetes, como se fossem pedaços ainda vivos de alguém que foi e não volta mais.

Neste próximo domingo, alguns irão visitar os arquivos empoeirados da lembrança à procura dos momentos que viveram ao lado do homem a quem chamavam pai. Para o mundo, só mais um homem. Mas para o filho, o maior herói.

Neste próximo domingo, alguns irão lembrar, outros irão preferir esquecer.

Não sei como foi sua infância. Não sei qual é o tipo de temperamento de seu pai. Não sei se o seu domingo será de festa ou de luto, nem se estas linhas foram o lembrete que lhe faltava. Mas tenho uma ideia: você que tem um pai vivo, não seja tolo. Ofereça-lhe um abraço e um lugar especial no coração. Se está longe, pegue o celular, escreva uma mensagem (mas comece agora!), marque uma visita, diga que o ama. Peça perdão, se for preciso. E perdoe... vai ser bom para você.

Se você é um refém da saudade, se já perdeu seu pai... nunca esqueça: o Céu lhe assiste, e lá é a casa de um Deus a quem podemos chamar de pai.

"Deus é nosso Pai, que nos ama e de nós cuida, como filhos Seus que somos" (Ellen White - O Maior Discurso de Cristo, p. 107).

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

MEDITAÇÃO #52 - LONGA DEMORA

"Não retarda o Senhor a Sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrário, Ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento" (2 Pedro 3:9).

Foi em 1755 que ocorreu o primeiro grande sinal do retorno de Jesus, o terremoto predito em Apocalipse 6:12. Então veio o Dia Escuro de 19 de maio de 1780. Em seguida a esse evento, em 1798, a profecia dos 1.260 anos terminou, marcando o início do “tempo do fim”. No dia 13 de novembro de 1833, aconteceu a queda de estrelas conforme descreve o Apocalipse, seguida pelo começo do juízo investigativo em 1844.

Cada uma dessas datas é uma solene lembrança de que a volta de Cristo está bem próxima. Já são passados mais de dois séculos desde o aparecimento dos primeiros sinais.

O que tem acontecido? Ellen White escreveu em 1868: “A manhã é adiada em misericórdia, porque se o Mestre viesse, muitos seriam achados desprevenidos. A recusa de Deus em permitir que Seu povo pereça tem sido a razão de tão longa demora” (Testemunhos Para a Igreja, v. 2, p. 194). Se essa já era uma longa demora em 1868, o que dizer de hoje?

A Nova Bíblia Inglesa traduz o nosso texto desta forma: “Não que o Senhor seja lento em cumprir Sua promessa, como muitos supõem, mas porque Ele é muito paciente convosco, porque não é de Sua vontade que nenhum se perca.” Por causa de Seu grande amor, Deus tem demonstrado uma brandura quase inacreditável. Ele não deseja que você, eu ou qualquer outro venha a se perder.

Décadas após décadas, a tempestade tem sido segurada. Os anjos de Deus têm seus vigilantes olhos sobre o escuro ressoar dos trovões e recusam permitir que os ventos se rompam no furioso alarido do Armagedom. Mas existe um ponto além do qual não pode haver mais demora? Poderia esse ponto ter sido quase atingido? Ellen White conclui: “Cristo aguarda com fremente desejo a manifestação de Si mesmo em Sua igreja. Quando o caráter de Cristo se reproduzir perfeitamente em Seu povo, então Ele virá para reclamá-lo como Seu” (Parábolas de Jesus, p. 69).

Deus nos ajude a estarmos preparados!

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

MEDITAÇÃO #51 - ANSIEDADE

Você já sentiu uma sensação ruim de medo, uma preocupação incomum sobre o futuro e o aumento das batidas do coração a ponto de achar que iria morrer? Esse mal tem nome: ansiedade.

Presente na sociedade desde a aurora da civilização, a ansiedade acompanha o ser humano como parte de sua própria condição pós-pecado. Ela caracteriza nossa estrutura psíquica, já que a vida é precária e não podemos controlar nossas emoções, o ambiente e o futuro. Na busca por transcendência, descobrimos nossa limitação e finitude. Porém, nos últimos anos, com a aceleração do tempo, a desconexão do espaço, a mecanização das tarefas, a fragmentação da comunidade e a desvalorização da vida, o grau de ansiedade aumentou geometricamente. O próprio Cristo profetizou que, no fim, as nações experimentariam pânico por causa dos acontecimentos, e as pessoas, apreensivas, desmaiariam de terror (Lc 21:25-26). Portanto, se você tem sido vítima da ansiedade, não está sozinho.

Há vários tipos de ansiedade que dominam as mentes religiosas e seculares, como a existencial, a inquietude que angustia os que não veem significado na vida, nem propósito na existência; posicional, o desassossego que agita os que buscam popularidade e prestígio a qualquer preço; funcional, o temor exagerado de não ser bom o suficiente para encarar as exigências do mercado; econômica, o pavor de não ter dinheiro para enfrentar as crises financeiras e as carências da vida; cognitiva, a incerteza que intranquiliza os que vivem atribulados pela dúvida; tecnológica, a ambição que impacienta os que trocam de aparelho todo ano e consultam as mídias sociais a cada momento; familiar, o receio que resulta das dificuldades de convivência com o cônjuge ou das preocupações com os filhos; soteriológica, a apreensão que paralisa os que não têm certeza da salvação; tanatológica, o medo que aterroriza os que não estão preparados para a morte e se desesperam diante da possibilidade de separar-se dos queridos; e escatológica, a tensão que domina os que pensam demais sobre o fim do mundo e veem sinais alarmantes em cada notícia de jornal.

No sentido mais profundo, Deus tem a solução para todas essas ansiedades. A Bíblia não fala muito de ansiedade; o conceito de medo é muito mais frequente. Porém, o conselho bíblico é que não devemos andar ansiosos por nada e que lancemos toda a nossa ansiedade sobre Deus, pois Ele cuida de nós (Mt 6:25-34; Fp 4:6; 1Pe 5:7). Várias passagens bíblicas podem ser resumidas numa palavra: relaxe! Não no sentido de não ter responsabilidade nem fazer as coisas malfeitas, mas de confiar em Deus e descansar Nele.

Muitos cristãos vivem assustados e estão aprisionados no círculo sem saída da ansiedade porque veem ameaças em cada esquina. Mas não precisamos temer. A religião deveria reduzir a ansiedade, e não aumentá-la. Em termos coletivos, a igreja já passou por momentos de ansiedade superlativa, em épocas de guerra, perseguição, fanatismo, mornidão e crise, e sobreviveu. Com a ajuda divina, nós também sobreviveremos.

A vivência do evangelho, que inclui a libertação do medo, é o fim da ansiedade. Quem está em Cristo tem tranquilidade de espírito, pois Ele é nossa paz (Mt 11:28-30; Jo 14:27; 16:33; Ef 2:14; Fp 4:7). O amor, personificado por Deus (1Jo 4:8, 18), elimina o medo. Portanto, tranquilize-se! Substitua o medo pelo amor, a dúvida pela confiança e a ansiedade pela paz.
"Como filhos de Deus, é nosso privilégio sempre olhar para cima, mantendo os olhos da fé fixos em Cristo. Enquanto olhamos constantemente para Ele, o resplendor de Sua presença inunda as câmaras da mente. A luz de Cristo no templo da alma proporciona paz. A vida se firma em Deus. Todas as perplexidades e ansiedades são entregues a Jesus. Ele é nossa luz, e vida, e paz e segurança para sempre" (Ellen White - A Fé Pela Qual Eu Vivo, p. 247).

terça-feira, 4 de agosto de 2026

MEDITAÇÃO #50 - IDOLATRIA POLÍTICA

Uma boa definição para a mentalidade da sociedade moderna é o que a Bíblia chama de idolatria, e que os profetas descrevem melhor do que ninguém: fazer um deus sob medida, algo ou alguém que construo com os meus pensamentos, atos e palavras, que venero incondicionalmente e dou um valor absoluto.

Infelizmente, vemos atualmente que um fanatismo inaudito invadiu muitas denominações que se dizem "cristãs", já que não se pode mais chamá-las de "igrejas" visto que funcionam como comitês eleitorais e partidos políticos. Tudo isto aceito com a mais absoluta normalidade. Ellen White adverte: 
"O Senhor quer que Seu povo enterre as questões políticas. Sobre esses assuntos, o silêncio é eloquência. Cristo convida Seus seguidores a chegarem à unidade nos puros princípios evangélicos que são positivamente revelados na Palavra de Deus. Não podemos, com segurança, votar por partidos políticos; pois não sabemos em quem votamos. Não podemos, com segurança, tomar parte em nenhum plano político. Deus emprega as mais vigorosas imagens para mostrar que não deve haver união entre partidos mundanos e aqueles que estão buscando a justiça de Cristo" (Fundamentos da Educação Cristã, pp. 475-476).
A igreja, como instituição, não deve se envolver na política, quando o faz, ela e os seus líderes se tornam vulneráveis a todas as contingências do mundo político. Também serve de alerta os perigos de dar corda aos políticos que se julgam salvadores da pátria. Há líderes e membros de igrejas com uma expectativa ‘messiânica’ que um determinado político canalize automaticamente as bênçãos de Deus sobre o Brasil, resolvendo todos os problemas que nos afligem. Esse messianismo é muito perigoso, para o país e para a igreja.

E o resultado desta idolatria política para a teologia cristã bíblica é catastrófica. Não só Cristo é destituído de seu trono no coração do crente, como a Bíblia e o cristianismo passam a ser usados como meros objetos úteis para a luta política.

Não há mal em defender uma posição política e saber o que está acontecendo no atual cenário. Mas o cristão deve zelar, acima de tudo, por princípios bíblicos. Fazer de ideologias, movimentos e partidos políticos elementos de um evangelho terreno, não passa de idolatria. O cristão foi chamado para proteger a doutrina bíblica e proclamar o evangelho de Jesus Cristo. Ellen White orienta:
"O povo de Deus não deve ter ligação alguma com a idolatria em qualquer de suas formas. Sejam os seres humanos colocados em posição inferior, e que o Senhor seja exaltado! Lembrai-vos de que reinos, nações, reis, estadistas, conselheiros e grandes exércitos terrestres, e toda a magnificência e glória mundanas, são como o pó da balança. Deus tem a fazer um ajuste de contas com todas as nações. Todo reino tem que ser abatido. A autoridade humana deve tornar-se como nada. Cristo é o Rei do mundo, e Seu reino deve ser exaltado" (Fundamentos da Educação Cristã, pp. 481-482).

A redenção não está nessa Terra. Não está em um político ou ideólogo. Não está em um sistema político-econômico. Está em Jesus.

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

MEDITAÇÃO #49 - INDIFERENÇA

"O que tapa o ouvido ao clamor do pobre também clamará e não será ouvido" (Provérbios 21:13).

Outro dia li o interessante trecho acima do diário de Salomão. Não sei porque, mas me veio à mente a palavra indiferença. Para mim, tapar o ouvido ao grito de quem precisa de alguma coisa é uma descrição muito boa para indiferença. E como nós estamos familiarizados com ela. Quem nunca foi tratado ou nunca tratou alguém com indiferença que atire a primeira pedra...

E como são comuns as situações em que as pessoas se afastam umas das outras por mal-entendidos, diferenças de opinião, inveja, receio, etc. e começam a se ver de maneira indiferente. Indiferença... essa para mim é a pior espécie. Viver como se a existência de outrem não fizesse a mínima diferença para você. Isso é muito perigoso. Amanhã você pode estar gritando por ajuda. Para dizer bem a verdade, eu creio que a própria indiferença já seja um grito. A indiferença é o comentário mais desesperado de todos. É o grito de quem quer convencer que pode fazer falta na vida do outro e que a ausência desse outro não dói. É o grito de quem quer atrair a atenção. É o grito de quem se sente inseguro. É um grito covarde. Mas é um grito silente.

Talvez olhando para sua vida você encontre algum grito assim. Se existe algo mal resolvido entre você e alguém - um amigo, um vizinho, um parente ou até mesmo um estranho - não se esconda atrás da indiferença. Procure a tal pessoa e simplesmente converse. Seja sincero. A indiferença é uma doença que corrói o coração.
"Se quereis ser seguidores de Jesus, necessitais cultivar compaixão e simpatia. A indiferença pelos ais da humanidade deve ceder lugar ao interesse vivo nos sofrimentos alheios" (Ellen White - Beneficência Social, p. 26).

Querido leitor, hoje é o dia de repensar suas relações e clarear os cantos escuros da vida. Perdoe. Ande pela vida de bem com Deus e com as pessoas a sua volta.