quarta-feira, 22 de julho de 2026

MEDITAÇÃO #40 - TAPA

"Se alguém bater no seu rosto, ofereça-lhe o outro lado" (Mateus 5:39).

No Sermão do Monte, Jesus apresenta os princípios do Seu reino, bem contrários aos padrões apresentados pelo mundo. Em vez de violência e vingança, o Mestre da vida defende a paz e o perdão. Cada palavra de Jesus é um convite para lançar no chão as armas produzidas pelo orgulho.

Àqueles que foram feridos, Jesus lhes ensina a oferecer a outra face ao inimigo. Por quê? Não seria mais fácil executar justiça e “resolver a situação” na hora, concedendo a devida retaliação? Para o justo Juiz, essa estratégia não funciona, pois só favorece o espírito de ódio. Quem busca a vingança traz prejuízo a si, ao outro e ao mundo. A Bíblia diz: “‘Não por força nem por violência, mas pelo Meu Espírito’, diz o Senhor dos Exércitos” (Zc 4:6).

De acordo com os psicólogos, a violência não nasce da força, mas sim da fraqueza. O indivíduo fraco pensa apenas em si mesmo, fere os outros para se defender e depois foge para se proteger. O homem forte não. Ele é capaz de perdoar e dominar a si mesmo, impedindo que a tragédia da violência se estabeleça em uma relação.

No entanto, Jesus não está dizendo que dar a outra face significa sofrer de forma gratuita ou se expor passivamente diante de qualquer atitude violenta. Nada disso! Cristão não é capacho e muito menos masoquista. Uma coisa é sofrer por causa do evangelho, outra coisa é sofrer sem explicação plausível ou de forma desproporcional. O próprio Jesus questionou o soldado que Lhe bateu no rosto: “Se Eu disse algo de mal, denuncie o mal. Mas se falei a verdade, por que me bateu?” (Jo 18:23). Perceba: Jesus questionou a violência, mas não a revidou.

Os estudiosos dizem que uma bofetada no lado direito do rosto significava um insulto ou injúria. Portanto, dar a outra face significa não revidar na mesma proporção. Se você deseja fazer a vontade de Deus, não alimente o espírito de vingança. Em vez de guerra, busque a paz. Em vez de bate-boca, procure reconciliação. Se tiver que fazer justiça, faça do jeito certo. E lembre-se sempre do conselho bíblico: “A resposta calma desvia a fúria, mas a palavra ríspida desperta a ira” (Pv 15:1).
"Aquele que estiver impregnado do Espírito de Cristo, habita em Cristo. O golpe que lhe é dirigido cai sobre o Salvador, que o circunda com Sua presença. O que quer que lhe aconteça vem de Cristo. Não precisa resistir ao mal, porque Cristo é sua defesa. Nada lhe pode tocar a não ser pela permissão de nosso Senhor; e todas as coisas que são permitidas 'contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus' (Romanos 8:28)" (Ellen White - O Maior Discurso de Cristo, p. 70).

terça-feira, 21 de julho de 2026

MEDITAÇÃO #39 - ANESTÉSICOS

“Curam superficialmente a ferida do meu povo, dizendo: Paz, paz, quando não há paz” (Jeremias 6:14).

Os falsos profetas dos dias de Jeremias encobriam os pecados da nação, e pintavam quadros agradáveis das perspectivas futuras de Judá. Por meio de seus ensinamentos agradáveis e enganosos, esses líderes infiéis embalavam os pecadores num sono fatal. Eles deveriam ter avisado sobre a calamidade iminente e a necessidade de arrependimento, mas, em vez disso, asseguraram que não havia nada a temer. Profetas que anunciam paz e segurança, apesar da transgressão, enquanto Deus declara que o pecado está prestes a recolher seu salário, estão repetindo a primeira mentira satânica falada no jardim do Éden: “É certo que não morrereis” (Gn 3:4).

Ellen White diz: "Quando os raciocínios da filosofia houverem banido o temor dos juízos de Deus; quando ensinadores religiosos estiverem a apontar no futuro para longas eras de paz e prosperidade, e o mundo estiver absorto em sua rotina de negócios e prazeres, plantando e construindo, banqueteando-se e divertindo-se, rejeitando as advertências de Deus e zombando de Seus mensageiros, então é que súbita destruição lhes sobrevirá, e não escaparão" (Patriarcas e Profetas, p. 104).

Vivemos em tempos onde a dor é silenciada com frases prontas. Onde os traumas são cobertos com sorrisos falsos e os gritos da alma abafados por uma espiritualidade apressada e imediatista. Estamos diante de uma geração que chama de “cura” aquilo que é apenas anestesia, que rotula de “paz” o que é apenas fuga, e que aprende a esconder feridas com maquiagem emocional, terapias sem raiz e conselhos que massageiam o ego, mas deixam a alma sangrando por dentro.

Jeremias 6:14 não é apenas uma denúncia profética contra os líderes de Israel, é uma convocação urgente para todos nós. É um clamor contra o tratamento superficial das dores profundas. É como se Deus estivesse dizendo: “Parem de maquiar o câncer da alma com curativos de pano.”

É tempo de rasgar o peito, de abrir a alma, de encarar as dores que temos sufocado por anos, e permitir que Deus vá até o fundo da ferida, não para nos condenar, mas para nos curar de verdade. Este ensino é uma convocação à verdade. Uma convocação à cura de dentro pra fora, com lágrimas, com confrontos, com o Espírito Santo abrindo o que o trauma endureceu, e o que o tempo não curou.

O educador e reformador adventista Edward. A. Sutherland declara: "Uma reforma só será adequada e eficaz se chegar à raiz da doença. Pequenas doses de remédios e emplastros superficiais, que tratam os sintomas e os arranhões, são tão inadequados e inúteis quanto cegos. Eles só “curam superficialmente a ferida do meu povo" (Estudos em Educação Cristã, p. 178).

Não aceitaremos mais curativos em cima de hemorragias. Não aceitaremos mais conselhos frágeis para dores profundas. Queremos cura real. E cura real só vem com verdade, arrependimento, presença de Deus e coragem para encarar o que fomos treinados a esconder. Cristo é a cura real e quem foi curado por Ele, pode até continuar vendo a cicatrizes, mas já não é mais dominado pela ferida. Cristo é a cura eterna. Chega de cura superficial, chega de “anestésicos da alma”. Cristo é o “antibiótico” que destroi a infecção de uma velha natureza.

segunda-feira, 20 de julho de 2026

MEDITAÇÃO #38 - FESTA

"Vai haver mais alegria no céu por um pecador..." (Lucas 15:7).

Não faz muito, ouvi uma das histórias do pregador Tony Campolo. Ele estava no Haiti para alguns compromissos, hospedado num hotel barato, numa rua qualquer. No meio da noite, decidiu sair para comer alguma coisa. Já era tarde, estava tudo fechado. Numa das esquinas, um prostituta. Campolo se aproximou da mulher e começaram a conversar. Não foi difícil descobrir os atalhos para o coração despedaçado da mulher de ninguém. Com voz triste, desabafou: "Amanhã é meu aniversário e, quer saber?... Eu nunca tive uma festa, um bolo, uma vela..." O pregador se despediu e, chegando ao hotel, teve uma ideia.

Falou com a atendente: "Vamos dar uma festa! Compre um bolo. Chame todas as prostitutas da redondeza. Vamos ter uma festa.”

No dia seguinte, às duas da manhã, estavam lá as prostitutas, o bolo e as velas. A aniversariante ficou surpresa, e se sentiu profundamente tocada pelo gesto do homem que a amara sem lhe tocar. Depois de seu discurso silencioso, entre lágrimas, perguntou: "A que igreja você pertence?" A resposta foi: "Eu pertenço à igreja que dá festas de aniversário para prostitutas às duas da manhã."

Eu fico me perguntando se não era essa a religião de Cristo, e a principal acusação que sofria. Era Ele quem conversava com prostitutas, quem comia com pecadores. Era quem tocava leprosos, atendia à meia-noite quem O buscava em secreto. Jesus, o Deus dos aplausos estranhos, da alegria ao avesso, das festas à meia-noite.

A que igreja você pertence?

sexta-feira, 17 de julho de 2026

MEDITAÇÃO #37 - SÁBADO E OS NEGÓCIOS

"Não farás nenhum trabalho" (Êxodo 2:10).

Na Alemanha do século dezenove, um judeu reuniu sua família ao redor da mesa e disse que a partir daquele dia não iriam mais à sinagoga, mas à igreja luterana de sua cidade. O filho ficou triste, decepcionado e questionou a atitude do pai. A resposta foi simples: "É bom para os negócios..."

Dos mandamentos de Deus, existe um que viola todas regras da coerência humana, ameaça o instinto de sobrevivência e convida a depender. O sábado não faz sentido para quem segue a Deus de acordo com a própria lógica, opiniões ou vantagem pessoal. Mas o que há de especial nesse pedaço do tempo?

É interessante observar a estrutura poética do relato da criação. Existe um paralelo implícito, uma relação de complemento na sequência em que tudo é criado. Assim, o "sem forma e vazio" é preenchido. Se no primeiro dia, a luz é criada, no quarto, o sol e a lua ocupam o espaço. No segundo dia se dividem águas e ar, no quinto, são criados seres para viverem nas águas e nos ares. No terceiro dia aparecem a terra seca e a vegetação, no sexto, homem e animais passam a habitar o lugar. Para o sétimo dia não há um complemento natural. O próprio Deus abençoa e santifica este dia com Sua presença. O criador ultrapassa os limites do espaço e dá significado a um espaço no tempo.

O sábado é um convite à reorientação das prioridades da vida. Na presença de Deus nossa vida ganha sentido. Os sentidos, a lógica e a religião nos dirão para esquecer o que Deus nos pediu para lembrar. A decisão indicará a quem servimos, quem é o dono de nossa vida, nossos negócios.

O sábado é o mandamento sem sentido, mas suas horas relembram o sentido da vida.

O menino cresceu e anos depois se mudou para a Inglaterra, onde formulou algumas teorias contra os negócios. Seu nome? Karl Marx.
"O Sábado é a grande questão decisiva. É a linha de separação entre os leais e fiéis e os desleais e transgressores. É o selo do Deus vivo. Os que afirmam ser observadores dos mandamentos não atenuarão as reivindicações do Sábado para o acomodarem aos seus negócios ou às suas conveniências" (Ellen White - Manuscrito 34, 16 de abril de 1897).

MEDITAÇÃO #36 - PANELINHAS

Imagine algo que não combine com a igreja cristã: "panelinha". Conforme o dicionário Aurélio, "é conluio para fins pouco sérios; grupo de políticos que, no poder, procuram obter vantagens individuais; qualquer grupo muito fechado."

Somos seres sociais, necessitamos do convívio em grupo. A formação de um grupo se dá pelas afinidades, gostos, idade, condições socioeconômicas, enfim, pelo compartilhamento de algo em comum. Na igreja, como um agrupamento de pessoas, nada mais normal que haja grupos, mas o problema está quando grupos demasiadamente coesos, as "panelinhas", criam condições para exclusão de outros irmãos.

Na igreja, embora todos tenham suas particularidades e diferenças, devemos pensar como uma unidade, como Paulo exorta aos Gálatas: "Não pode haver judeu nem grego; escravo nem liberto; nem homem nem mulher, porque todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gálatas 3:28).

A relação de Cristo com Sua igreja pode ser ilustrada pelo eixo e os raios de uma roda de bicicleta: quanto mais perto de Jesus estiverem, mais unidos serão os cristãos. Quando as "panelinhas" surgem na igreja, causam problemas porque não condizem com ela. A "panelinha" em si já é uma anomalia, um indicador de que Jesus não está por perto. A cada momento, devemos convidar Jesus para estar perto de nós, de modo que Sua presença desaconselhe expressões seletivas ou sectaristas, e promova no ambiente de nosso convívio uma atmosfera afetuosa e convidativa.

Dentro da igreja, a presença de panelinhas pode ser espiritualmente devastadora para novos membros e especialmente para crentes mais fracos. Tiago 2:1 diz: “Meus irmãos, não tenhais a fé em nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor da glória, em acepção de pessoas.” Esse favoritismo pode ser devido à situação financeira, popularidade, aparência, estilo de vida ou história pessoal. Os crentes devem estar cientes da tendência ao favoritismo e reprimi-lo sempre que o virmos em nós mesmos. Quando reconhecemos nossos preconceitos diante de Deus, demos o primeiro passo para superá-los. Não podemos mudar o que não reconhecemos.

Toda atitude exclusivista destoa da atmosfera que deve reinar no ambiente da igreja. A acepção de pessoas é filha do preconceito, que “tem mais raízes do que os princípios”, de acordo com Maquiavel. Em quase todos os níveis da igreja existem pessoas exclusivistas e preconceituosas. Por essa razão, nossa influência sobre os de fora não é tão forte quanto deveria. Ellen White adverte: "Muitos há que olham para vocês, para ver o que a religião pode fazer por vocês" (Filhos e Filhas de Deus, MM 1956, p. 262). E diz mais: "O apóstolo exorta seus irmãos a manifestar em sua vida o poder da verdade que ele lhes apresentara. Por sua mansidão e bondade, paciência e amor, deviam exemplificar o caráter de Cristo e as bênçãos de Sua salvação. Divisões na igreja desonram a religião de Cristo ante o mundo, e dão ocasião aos inimigos da verdade para justificar seu procedimento" (Testemunhos Seletos, v. 2, p. 80).

Algumas pessoas são “excluídas” da música, da liderança e das atividades da igreja. O lobby das “panelinhas” é poderoso, mas sabemos que ele é fruto de orgulho e inveja. Ele inibe talentos, sufoca vocações e afugenta os que gostariam de cooperar. E o pior: essa atitude escorraça pessoas que ainda não conhecem o amor de Deus. Não podemos, de forma alguma, deixar este tipo de atitude e pensamento dominar nossa igreja. Veja o que a Palavra de Deus nos diz sobre isso:

“Entretanto, quando vocês seguirem suas próprias inclinações erradas, suas vidas produzirão os seguintes maus resultados: pensamentos impuros; ansiedade pelo prazer carnal; idolatria, feitiçaria; ódio e luta; ciúme e ira; esforço constante para conseguir o melhor para si próprio; queixas e críticas; o sentimento de que todo mundo está errado, menos aqueles que são do seu próprio grupinho; e haverá falsa doutrina, inveja, assassinato, embriaguez, divisões ferozes e toda essa espécie de coisas. Vou dizer-lhes novamente como já o fiz antes, que todo aquele que levar esse tipo de vida não herdará o reino de Deus" (Gálatas 5:19-21 - Bíblia Viva).

Que possamos sempre agregar e nunca segregar. Claro, sempre tendo a Bíblia como regra de fé e conduta para com todos e para todas as ocasiões e situações.

quinta-feira, 16 de julho de 2026

MEDITAÇÃO #35 - GALO

"O galo cantou. O Senhor voltou-se e olhou diretamente para Pedro" (Lucas 22:60-61).

Pedro não foi escolhido por acaso. Sua história de altos e baixos, erros e acertos, simboliza a experiência de muitos outros discípulos do Mestre, em diferentes tempos e lugares. É o retrato de quem possui um coração cheio de paixão, mas carente de sentido. É a minha história e a sua também.

Jesus não poderia permitir que três negações escrevessem um final sombrio para a história do grande discípulo. Mas o que me chama a atenção é a maneira como Cristo alcançou o coração de Pedro, naquela hora estranha. Instrumentos inusitados: um galo e um olhar.

Não foi um anjo, um milagre. Não foi um raio, um trovão. Não foi um grito. Se Jesus chamasse Pedro pelo nome, naquele dia haveria uma cruz a mais. Mas se nenhum contato fosse estabelecido entre os dois, talvez contássemos hoje a história de duas forcas.

O galo cantou e os olhos de Pedro foram atraídos pelo olhar do homem rejeitado. Fronte arroxeada, lábio inferior rachado, supercílio sangrento: face desfigurada. Mas os olhos tinham um milagre a oferecer. As trevas da noite não impediram que Pedro fosse tocado pelo perdão e compaixão expressos naquele olhar. É interessante observar que, mesmo constrangido, envergonhado e sem explicações, o pescador não desviou o olhar. Certamente lembrava de seu naufrágio pessoal, na última vez que tirara os olhos de Cristo. Ellen White diz que "Pedro tinha negado seu Senhor, mesmo com maldição e juramento; mas aquele olhar de Jesus como que dissolveu o coração de Pedro, e o salvou" (História da Redenção, p. 214).

Em Patmos, João também foi impressionado pelo olhar do Filho do Homem. Ao descrever a cena, entre outras coisas, ele disse: "Seus olhos eram como chama de fogo" (Apocalipse 1:14). Muitos desconhecem o sentido dessas palavras. Afinal, que sentido há em comparar o olhar de Cristo ao fogo? Mas pare para pensar: se quisesse perfurar uma superfície muito dura, como aço, o que você utilizaria? Um prego não resolveria o problema. Um martelo seria de pouca utilidade. Não há nada melhor que o fogo. Para João, o olhar de Jesus é olhar que a tudo penetra. Seus olhos são capazes de enternecer o coração mais frio, a vida mais endurecida pelo pecado.

Talvez hoje mesmo você esteja se escondendo pelos cantos da vida, negando a Cristo com o silêncio de suas atitudes. Será que as pessoas em sua casa, em seu trabalho, na faculdade, têm ouvido algo além de suas três negações? O que é preciso acontecer para que sua história mude de uma vez? A que horas o seu galo vai cantar?

Um galo e um olhar foram o suficiente para que Pedro percebesse sua situação e se levantasse arrependido. Fique atento aos pequenos sinais que o Céu lhe envia: um conselho, uma perda, uma chance, uma frase, um apelo...

Tem alguém olhando para você.

quarta-feira, 15 de julho de 2026

MEDITAÇÃO #34 - BRASA VIVA

"Então gritei: Ai de mim! Estou perdido! Pois sou homem de lábios impuros e vivo no meio de um povo de lábios impuros" (Isaías 6:5).

Isaías era ainda jovem quando foi chamado por Deus para ser um profeta. Essa não era tarefa simples em seus dias. As páginas que escreveu são só um pedaço do discurso forte e impopular que levou a judeus e estrangeiros, para o presente e para o futuro... mas antes que pudesse se levantar com uma missão a cumprir, ele teve um encontro com Deus.

Quando viu a revelação da glória do Senhor, os olhos espirituais do rapaz foram abertos para novas revelações sobre ele mesmo que mudariam sua história. Ele encontrou resposta para três perguntas que os verdadeiros encontros com Deus sempre instigam: 1. Como estou? 2. Quem eu sou? e 3. Onde estou?

"Estou perdido!", foi o grito de Isaías. Um encontro com a justiça de Deus desmascara nossa face pecadora, desmantela nossas ferramentas para produzir justiça própria, mede os quilates de nossa santidade vazia. Revela como estamos no final das contas... perdidos.

"Sou homem de lábios impuros!" Uma confrontação com o caráter puro de Deus torna mais grosseiras as rasuras de nosso caráter. A comtemplação de sua beleza torna mais gritante nossa feiura. O contato com sua perfeição torna específicos nossos erros. Quem somos? Seres impuros...

"Vivo no meio de um povo de lábios impuros!" Um encontro com o brilho de Deus sempre revela a escuridão que nos envolve. A visão dos caminhos de Deus aponta os passos tortos que damos. A luz que Deus oferece traz discernimento e sensibilidade. Cura a cegueira. Faz-nos sóbrios e responsáveis. Onde estamos? No escuro, nem nós mesmos saberíamos responder...

O texto continua... Isaías se calou e um anjo voou até ele trazendo uma brasa viva, do trono de Deus, para tocá-lo. A revelação de Deus não é abstrata. É mais que informação - é um toque. Mas algo nesta cena me chama a atenção. Onde a brasa do céu tocou Isaías? Nos lábios. Coincidência? Creio que não. O grito desesperado do profeta encontrou eco nos ouvidos de Deus. Seu problema era nos lábios, como ele mesmo disse... e foi ali que o milagre aconteceu - o milagre da brasa. Imagino que talvez tenha sido doloroso, mas era tudo que ele mais precisava naquele momento.

Não sei quando foi seu último encontro com Deus, mas sei as perguntas que você precisa responder diante das respostas que só ele tem... Como você está? Quem você é? Onde você está?... Consegue responder?

Não sei onde está seu problema, mas sei que há uma brasa viva do céu capaz de curá-lo. Talvez você precise de um toque de Deus em seus lábios, como Isaías. Talvez o toque seja necessário em seus olhos preconceituosos, em seus relacionamentos errados, em seu coração frio, em sua cabeça quente. Quem sabe, nos pés, nos planos. Não sei. E você só saberá quando tiver um encontro de verdade com Deus.
"Temos necessidade de que a brasa viva do altar nos seja colocada nos lábios. Se nós, como Isaías, recebermos a impressão que o Senhor deseja fazer em nosso coração, se humilharmos a alma perante Deus, existe ainda esperança para nós" (Ellen White - Vidas que Falam, p. 235).

terça-feira, 14 de julho de 2026

MEDITAÇÃO #33 - PEDRINHA BRANCA E NOVO NOME

“Aos que conseguirem a vitória eu darei do maná escondido. E a cada um deles darei uma pedra branca, na qual está escrito um nome novo que ninguém conhece, a não ser quem o recebe" (Apocalipse 2:17).

O texto escolhido pertence às promessas dirigidas aos vencedores nas mensagens às sete igrejas do Apocalipse. Na estrutura destas mensagens, repetem-se estas promessas cheias de colorido, de simbolismo intenso e, ao mesmo tempo em muitas delas, de significado histórico, no contexto cultural em que foram dadas.

No que diz respeito à pedra branca prometida aos vencedores da Igreja de Pérgamo, o símbolo devia ser inteligível para os leitores da carta, de outro modo dificilmente poderiam compreender o seu significado espiritual. A palavra empregue é psêfos, que significa 'pequena pedra alisada pela água', 'seixo arredondado'. Não se trata, consequentemente, de uma pedra preciosa nem de uma joia. O texto acrescenta o adjetivo leuké, 'branca'. Ora bem, esta pedrinhas estavam relacionadas com os tribunais de justiça, onde os juízes expressavam o seu veredito por meio de uma pedrinha, branca, se o acusado era absolvido, preta, se era condenado. Fora do Apocalipse, no Novo Testamento, este termo é utilizado apenas quando o apóstolo Paulo conta ao rei Agripa que ele, Paulo, dava o seu veredito acusatório quando condenava à morte os cristãos (Atos 26:10).

Também se utilizava uma pedrinha branca como bilhete ou entrada nos festivais públicos organizados pelo Imperador ou nas assembleias reais. Em certas religiões tribais, no final de uma cerimônia de iniciação, após o noviciado, um membro da tribo recebia um nome novo e uma pedrinha branca ou um cristal de quartzo. Era o símbolo de uma aliança sagrada e secreta.

No Apocalipse, a cor branca é sempre símbolo de coisas celestiais; o nome é expressão da identidade, do caráter, e sinal de pertença, adesão e filiação; e o adjetivo 'novo' faz sempre referência à renovação de todas as coisas, à glória futura reservada aos redimidos. Podemos, então, assumir que a pedrinha branca com o novo nome é uma mensagem de promessa para os vencedores que foram absolvidos pelo tribunal divino, que lhes dá direito a entrar no festival celeste (as bodas do Cordeiro) e, além disso, é o sinal secreto da nossa iniciação numa aliança eterna com o nosso Deus. O novo nome será a expressão da nossa nova identidade, do nosso caráter para a eternidade, da mudança definitiva da nossa natureza de pecado operada pelo próprio Cristo quando voltar nas nuvens dos céus.

Acerca do novo nome, John Wesley, religioso anglicano e evangelista que fundou o movimento metodista, afirma com muita propriedade: “Após sua vitória, Jacó recebeu o novo nome de Israel. Você gostaria de saber qual será seu novo nome? A maneira de fazer isso é clara: vencer. Até então, todas as indagações de nada valem. Então você o lerá em uma pedra branca.”

Eu quero, nesse momento, receber a minha pedrinha branca. E você?

segunda-feira, 13 de julho de 2026

MEDITAÇÃO #32 - GRAÇA

Imagino uma reunião no Céu. Pai, Filho e Espírito Santo conversam sobre mim. O Pai lê o relatório de minha vida, e vê quão pecador eu tenho sido. Ele Se volta para as outras divinas pessoas da Trindade e diz: “Ele é realmente um grande pecador. Ele tem acumulado fracasso após fracasso e não tem correspondido ao investimento que fizemos nele. Filho, Você morreu na cruz por ele. Espírito Santo, Você tem Se aproximado dele, mas parece que ele não tem aproveitado Seu poder. Apesar de tudo o que investimos, ele não tem produzido o fruto de uma vida santificada. O que faremos?”

Surpreendentemente, Deus Filho responde: “Vamos dar a ele mais graça e mais oportunidades para se salvar e se santificar. Vamos investir mais nele. Espírito Santo, esteja mais com ele, persuada-o a Nos buscar. Tenho um plano muito especial para ele. Já que ele pecou tanto, quero demonstrar nele o tamanho de Nosso poder divino, para testemunho a todos. Ele tem muitos traumas e sequelas de seus muitos pecados, acumulados e repetidos ao longo dos anos. Exatamente por isso, quero demonstrar nele quanto podemos regenerar um ser humano. Vamos transformá-lo de um fracasso total em uma pessoa extraordinária, um ser humano parecido Conosco.

O Espírito Santo completa: “Se ele Nos aceitar, vou estar com ele e nele, e preencher seu coração com o amor do Pai e com a graça de Cristo. Assim, ele terá seus pecados perdoados, limpos e purificados, e poderá crescer em santificação. Quero cultivar o solo de seu coração de modo a arrancar as ervas daninhas dos vícios, exterminar as pragas do mundanismo, plantar a semente do amor, irrigando-a com a chuva de bênçãos espirituais até florescer numa imagem semelhante à de Cristo e produzir o fruto do Espírito.”

As três Pessoas divinas concordam. Decidem que eu não sou um caso perdido, pelo menos não para Eles, pois fariam o impossível e investiriam o inimaginável para que eu, o mais miserável dos pecadores, me transformasse em alguém extraordinariamente digno e honrado. Alguém semelhante à divina pessoa de Jesus!

Nesse instante, sinto que Cristo bate à porta do meu coração e me faz, por meio do Espírito Santo, a proposta maravilhosa da graça. Pergunto quanto eu preciso pagar para ter todo esse plano maravilhoso acontecendo em mim…

Jesus me responde: “Desista de tentar vencer com seus próprios esforços, entregue-Me seus pecados, aceite Meu perdão e busque Minha presença. Descanse em Mim. Isso é a graça!”

Como poderia eu rejeitar a proposta maravilhosa da graça? Eu não mereço o que Deus quer fazer por mim. Mas a graça é o favor imerecido de Deus. Eu não só não a mereço, como não tenho porque tentar merecê-la. A religião que tenta merecer a graça de Deus torna-se em uma desgraça… Neste mundo competitivo, em que tudo se mede pelo desempenho, tudo se conquista pelo esforço, e todo investimento é direcionado ao que tem potencial de retorno maior que o investimento feito, é difícil entender que Deus esteja de tal maneira disposto a fazer por nós o que não merecemos e a nos dar o que não conquistamos e o que não podemos pagar. Entender a graça é se libertar do orgulho que tenta recompensar a obra de Deus e da mediocridade de se achar indigno de amor e de aceitação não merecidos. Deus é o único que compra um navio afundando ou uma casa que está pegando fogo simplesmente para resgatá-los da destruição e fazer deles Sua posse preciosa. Ele investe tudo em um pecador perdido para transformá-Lo pelo Seu poder num santo. Isso é graça!
"Que ninguém julgue que seu caso seja sem esperança; porque não é. Você sabe que é pecador e está arruinado; mas é justamente por esse motivo que precisa de um Salvador. Sem a graça de Cristo acha-se o pecador em estado desesperador; coisa alguma pode ser feita em seu favor; mas pela graça divina é comunicado ao homem poder sobrenatural, que opera em seu espírito, coração e caráter" (Ellen White - A Maravilhosa Graça de Deus, p. 266).

sexta-feira, 10 de julho de 2026

MEDITAÇÃO #31 - OS 7 "NÃOS" DA VITÓRIA

"E logo o Espírito O impeliu para o deserto, onde permaneceu quarenta dias, sendo tentado por Satanás; estava com as feras, mas os anjos O serviam" (Marcos 1:12, 13).

No deserto da tentação, o inimigo usou suas melhores estratégias, mas Cristo foi o vencedor. Naquele momento, Ele rejeitou o caminho do poder e da glória e aceitou a trajetória do sofrimento e da cruz, definindo como conquistaria os seres humanos para Deus. Para que essa conquista também seja sua, apresento os sete “nãos” da vitória.

1. Não fique vulnerável. O inimigo sempre vai tentar você em seu ponto mais fraco. Cuidado, se você não quer negócio com o diabo, não vá olhar suas “vitrines”.

2. Não deixe que o apetite e o prazer dirijam suas decisões. Quando eles falam mais alto, você cai mais baixo. Aprenda a dizer não.

3. Não permita que as coisas materiais se tornem mais importantes que as espirituais. Crescimento espiritual é sempre melhor do que abundância, fartura ou prosperidade material.

4. Não coloque suas necessidades pessoais acima da Palavra de Deus. Desculpas como “eu estava passando necessidade, minha família precisa comer, meu casamento não estava bem, todos fazem isso” não justificam o pecado.

5. Não aceite interpretações parciais das Escrituras. O diabo tentou fazer isso com Jesus. Como Cristo, seja guiado pela mensagem completa e não apenas por aquilo que lhe interessa.

6. Não troque honra por poder. A glória só tem valor quando exercida dentro dos limites éticos da Palavra de Deus.

7. Não enfrente o inimigo com lógica ou argumentação. Ele sabe como derrubar seus argumentos e distorcer sua lógica. A tentação só pode ser enfrentada com profundidade na Palavra e intensidade na oração. Quando ele bater à sua porta, peça que Jesus atenda.

No deserto da tentação, Cristo não estava sozinho, pois os anjos estavam à Sua volta exatamente do modo como são comissionados por Deus para ministrar em favor dos que se encontram sob os temíveis assaltos do inimigo. Se você também estiver no meio das feras da tentação, saiba que estará protegido pelos anjos e terá a seu lado o Sumo Sacerdote que foi “tentado em todas as coisas” (Hb 4:15) e Se tornou vitorioso para vencer em sua vida.
"Jesus, o Filho de Deus, humilhou-Se por causa de nós, suportou a tentação no deserto por nós e venceu em nosso favor para mostrar-nos como podemos ser vitoriosos" (Ellen White - Mensagens Escolhidas 3, p. 136).

quinta-feira, 9 de julho de 2026

MEDITAÇÃO #30 - OS 5 "ISMOS" DO MAL

Estamos em guerra! Essa é a principal lembrança de Apocalipse 12 para aqueles que vivem no fim do tempo do fim. Uma batalha contra o maior “sedutor” (Ap 12:9) de todos os tempos. Para ­enfrentá-lo, nosso coração não pode ser apenas controlado pelos desejos, mas precisa ser comandado pela Palavra. Fique alerta contra cinco “ismos” destruidores.

1. Comodismo. É a doença daqueles que vivem confortáveis com o pouco que possuem, subnutridos espiritualmente e mantidos pelo consumismo espiritual. Não usam seus dons, não participam em ministérios, não se aprofundam na mensagem, não cumprem a missão e, o pior, não passam um legado espiritual às novas gerações. Para eles, receber é uma obrigação e oferecer é um sacrifício. Pensam estar alertas, mas estão dormindo. Ellen White diz:
"Deus não recompensará homens e mulheres no mundo futuro por procurarem viver comodamente neste mundo" (E Recebereis Poder, p. 345).
2. Institucionalismo. É a doença do triunfalismo religioso e do formalismo espiritual, a síndrome de Laodiceia, que se julga rica, mas é miserável (Ap 3:17, 18). Seus adeptos acreditam que o fato de cumprir regras, manter cerimônias, proteger tradições e viver uma vida repetitiva os manterá seguros e agradará a Deus. Também se encantam com resultados, aplausos, notícias, curtidas, investimentos, eventos e outras formas de parecer relevantes. Suas atitudes fazem a igreja deixar de ser movimento para se tornar monumento, deixar de ser conhecida pela mensagem para ser aplaudida pela grandeza. A relevância social se torna mais importante que o crescimento espiritual. Causar boa impressão passa a ser mais importante que o cumprimento da missão. Sobram glórias e falta coração. Sua mensagem é defendida, mas não encarnada. Ellen White adverte:
"A mensagem à igreja de Laodicéia é uma impressionante acusação, e é aplicável ao povo de Deus no tempo presente. O povo de Deus é representado como em uma posição de segurança carnal. Sentem-se bem, pois se imaginam em exaltada condição de realizações espirituais. Eles não sabem que sua condição é deplorável à vista de Deus" (Testemunhos Seletos 1, p. 327).
3. Achismo. É apenas um sintoma do secularismo que vê a simplicidade da vida cristã como um suicídio intelectual. Busca uma religião racional, cheia de lógica, vazia de fé e distante de Deus. Seus adeptos não adoram o “Deus Eu Sou”, mas o “Deus que querem que Ele seja”. Para seu racionalismo, Deus não é suficiente e para sua independência Deus não é necessário. Não notam que estão envolvidos num ciclo de deterioração da verdade, criado pelo próprio “sedutor”. No Jardim do Éden éramos guiados pela verdade. Na tentação, a serpente questionou a verdade. Séculos mais tarde, a igreja romana modificou a verdade. Anos depois, a Revolução Francesa tentou destruir a verdade. Mais perto de nós, o pós-modernismo estabeleceu que cada um é dono de sua própria verdade. E a multimodernidade, em nossos dias, trouxe a intolerância com a verdade do outro. Ellen White afirma:
"A verdade é de Deus; o engano, em todas as suas múltiplas formas, é de Satanás; e quem quer que, de alguma maneira, se desvia da reta linha da verdade, está-se entregando ao poder do maligno" (O Maior Discurso de Cristo, p. 68).
4. Criticismo. É consequência do achismo e efeito colateral do egoísmo. Pessoas contaminadas por esse mal se importam apenas consigo mesmas. Tudo o que foge aos seus padrões pessoais e não atende aos seus interesses particulares serve de vitamina para a crítica. Seus adeptos estão em busca de justiça para todos e esperam misericórdia para si mesmos. Falam sem conhecer, machucam sem se importar e derrubam sem levantar. Descarregam suas frustrações sobre pessoas, situações ou instituições. A igreja sofre com esses “reformadores” modernos, que são capazes de corrigir a todos, menos a si mesmos. São especialistas em apontar falhas, mas incapazes de construir soluções. Cultivam pouca gratidão e muita indignação, muita desconfiança e pouca esperança, muito zelo e pouco amor. Podem ter até boas intenções, tentando ser instrumentos do “Consolador” (Jo 14:26), mas acabam se tornando agentes do “acusador” (Ap 12:10). Ellen White alerta:
"Um espírito de criticismo e amargura tem penetrado na igreja, e o discernimento espiritual de muitos tem diminuído. Em virtude disto a causa de Cristo tem sofrido grande perda" (Beneficência Social, p. 72).
5. Sensacionalismo. É a doença do superficialismo. Daqueles que têm pouco de Deus no interior e precisam de muito estímulo exterior. Navegam pelo mundo real e virtual em busca de novidades. Novas interpretações, novas datas, novos vídeos, novas descobertas, novos oradores carismáticos. Não se alimentam do “Assim diz o Senhor”, mas do “assim diz o pastor, o pregador, o influenciador”. Acabam afetados pela rotina, decepcionados pelo engano e destruídos pela apostasia. Ellen White declara:
"Tenho sido instruída de que não é de doutrinas novas e fantasiosas que o povo precisa. Não necessitam de conjecturas humanas. Não temos ânsia de excitação, de sensacionalismo; quanto menos disso tivermos, tanto melhor. O raciocínio tranquilo e fervoroso com base nas Escrituras, é precioso e frutífero" (Evangelismo, p. 170).
Por que não substituir esses “ismos” do mal pelos “ismos” do Senhor? Oferecer palavras de otimismo, desenvolver atitudes de altruísmo e cumprir a missão do adventismo.

quarta-feira, 8 de julho de 2026

MEDITAÇÃO #29 - VAI DAR ZEBRA!

Zebra é uma gíria comum em esportes, sobretudo no futebol, para justificar um resultado tido como impossível de ocorrer. Uma equipe forte ser batida por uma fraca é a marca registrada, popularizada nos tempos áureos da loteria esportiva quando no Programa Globo Esporte surgia a informação dos resultados. Quando eventualmente o placar era inesperado, a Zebra aparecia e dizia: Zebra!!!!!!!!

A origem do nome vem do jogo do bicho, que não tem a zebra entre os vinte e cinco animais a serem sorteados. Ou seja, era impossível sortear a zebra. Por isso, tornou-se comum dizer “deu zebra” quando uma equipe favorita perde.

E quem diria que aquele garotinho fantasiado de pastor de ovelhas derrubaria o brutamontes Golias com uma funda de caçar passarinho? Pelo jeito, nosso Deus gosta muito de zebras! No dizer de Paulo, “Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes. Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são, para aniquilar as que são; para que ninguém se glorie perante Ele” (1Co 1:27-29).

O próprio Paulo foi uma grande zebra! Sozinho fez mais do que os outros apóstolos juntos. Ele testifica: “Pois eu sou o menor dos apóstolos, que mesmo não sou digno de ser chamado apóstolo, porque persegui a igreja de Deus. Mas pela graça de Deus sou o que sou, e a Sua graça para comigo não foi vã. Antes trabalhei muito mais do que todos eles; todavia não eu, mas a graça de Deus, que está comigo” (1Co 15:9-10).

Mas a maior zebra da história ainda está pra acontecer. Porém, já foi prenunciada por Cristo, Seus apóstolos e profetas.

Aquele Galileu que entrou em Jerusalém montado em um jumentinho (parente próximo da zebra) continua cavalgando pela trilha da história, deixando no mundo um rastro de sucessivas vitórias. Não se enganem, meus amigos. O cavaleiro fiel que desfila nas páginas do Apocalipse, “saiu vencendo e pra vencer!” Ele é a zebra de todos os séculos.

Não desperdicem suas fichas apostando nos poderosos deste mundo, que estão em franco declínio (por favor leia 1Co 2:6). Apostem n’Aquele que deve reinar “até que haja posto a todos os inimigos debaixo dos seus pés” (1Co 15:25). Todas as estruturas de poder virão ao chão. As ideologias sobre as quais estão fundadas entrarão em colapso. Porém a Verdade de Deus prevalecerá na História.

Aquela pedra vista em sonho pelo rei Nabudonosor, arremessada do céu contra os impérios deste mundo, está em franca expansão, e aos poucos, discretamente, está se tornando numa grandiosa montanha, destinada a tomar toda a Terra (Daniel 2:34-45). A semente de mostarda vai se transformando numa frondosa árvore. A pitada de fermento vai levedando toda a massa (Mt 13:31-33). E finalmente, será Dia Perfeito (Pv 4:18)! Todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Jesus Cristo é o Senhor para glória de Deus Pai.

A aposta está feita! Minhas últimas fichas estão lançadas na vitória de Cristo, não apenas na partida final da história, mas também nas eliminatórias, nas quartas e oitavas de final. E creia no que digo: Não haverá prorrogação! Nem vitória por pênalti. Será no tempo regulamentar.
"Muito em breve, será travada a última grande batalha entre o bem e o mal. A Terra será o campo de batalha – o cenário da última luta e da vitória final. Aqui, onde por tanto tempo Satanás tem instigado os homens contra Deus, a rebelião será vencida para sempre” (Ellen White - Este Dia com Deus, 25 de outubro).

terça-feira, 7 de julho de 2026

MEDITAÇÃO #28 - DERROTAS

Ninguém gosta de perder. E não é à toa, afinal, nossa sociedade nos ensina o tempo todo que perder é o que existe de pior na existência humana.

Os filmes que nos emocionam são os de superação. O documentário que nos cativa é o do homem que perdeu tudo, mas deu a volta por cima. O livro de romance que nos envolve é o da menina que perdeu seu amor, mas conseguiu alguém melhor. Queremos que o nosso candidato ganhe a eleição. Torcemos para o time ganhar. E assim por diante. Nossa mente é socialmente condicionada para que ganhemos, ganhemos, ganhemos, ganhemos e ganhemos.

Mas aí vem a pergunta: e se perdermos?

Bem... aí a coisa complica. Afinal, pessoas adestradas desde o berço a buscar a cada segundo a vitória e o triunfo, perdem completamente o rebolado quando a derrota chega. E, com isso, vêm frustração, impotência, prostração, depressão, melancolia, ansiedade, questionamentos a Deus e muito mais. "Deus, como posso estar perdendo tanto se sou mais que vencedor?!"

Hoje, vemos muitos dando uma grande ênfase na vitória como sendo um referencial perfeito para indicar as pessoas que servem a Deus de verdade e são abençoadas por Ele. Os vencedores são os abençoados, não os perdedores. Os ricos são os abençoados, não os pobres. A fé vencedora é dos que venceram situações e não dos que perderam.

O problema é que o referencial humano sobre a vitória está bem longe do referencial que Deus tem dela. É evidente que o Senhor é um Deus que dá a vitória aos seus filhos, mas a plenitude da Sua ação não se dá apenas em ambientes onde o ser humano enxerga a vitória.

Sadraque, Mesaque e Abede-Nego estavam diante do tirano rei da Babilônia, Nabucodonosor. Esse rei, loucamente, manda construir uma imagem para que todos a adorassem. Esses três desobedeceram a ordem e foram chamados para uma conversa particular com o rei. A resposta desses jovens ao rei é que nos mostra algo surpreendente sobre a vitória:

“Se formos atirados na fornalha em chamas, o Deus a quem prestamos culto pode livrar-nos, e Ele nos livrará das suas mãos, ó rei. Mas, se Ele não nos livrar, saiba, ó rei, que não prestaremos culto aos seus deuses nem adoraremos a imagem de ouro que mandaste erguer” (Daniel 3:17-18).

O que chama a atenção é que esses jovens criam que Deus tinha a escolha de livrá-los ou não. Essa atitude deles não era uma atitude de covardia ou de resignação, mas de fé plena em Deus, acontecesse o que acontecesse. Se eles morressem queimados, morreriam em obediência e pleno exercício de sua fé. Humanamente, talvez seriam chamados de derrotados, mas espiritualmente seriam vitoriosos. Eles não viam na vitória a base de sua fé, mas apenas no cumprimento da vontade de Deus, seja ela qual fosse. Eles confiavam na direção do Pai em todas as situações.

Assim, as circunstâncias não tinham o poder de destruir a fé deles. A vitória era bem-vinda, mas se fossem derrotados (humanamente falando), mesmo assim morreriam exercendo plenamente a obediência à vontade do Pai e, portanto, seriam vitoriosos diante de Deus.

Agora, a questão é nossa: E se acontecer a nossa derrota? Continuaremos firmes na fé em Deus? Estaremos dispostos a exercer a fé seja no “sim” seja no “não”?

Consigo entender a lógica arrebatadora de Jesus no sermão da Montanha, quando Ele diz que bem-aventurado é aquele que chora, pois será consolado. Precisamos aprender a conviver com a derrota. Precisamos aprender a conviver com frustrações e sonhos não realizados. Saber perder não é conformar-se com a derrota, mas entendê-la como necessária para uma outra perspectiva da vida. Todas as vezes que perdemos, precisamos olhar a vida sem auto comiseração. Deus está nos dando uma nova chance de fazer aquilo que deixamos de fazer. Esta lição serve para muitas situações. Seja luto, seja falência, sejam relacionamentos destruídos, seja até um jogo perdido. Uma das orações mais difíceis que podemos fazer é esta: “Jesus, ensina-me a perder!”
"As mais difíceis experiências na vida do cristão podem ser as mais abençoadas" (Ellen White - Para Conhecê-Lo, p. 254). 

sexta-feira, 3 de julho de 2026

MEDITAÇÃO #27 - NÃO TERÁS OUTROS DEUSES

Em seu âmago, o grande conflito não é travado superficialmente em torno de regras, leis, códigos ou decretos. Embora o quarto mandamento da lei de Deus, tão perfeita e santa como perfeito e santo é Seu caráter, seja “a pedra de toque”, cuja aceitação, finalmente, definirá de que lado estarão homens e mulheres nessa controvérsia milenar, a questão é mais profunda que pura e simplesmente a letra da lei. Podemos defini-la em uma palavra: adoração. A quem renderemos culto? A quem constituiremos como Senhor de nossa vida? A qual soberania alegremente nos entregaremos: à de Deus ou à do arquiavélico enganador, considerando que, nessa guerra, não existe neutralidade?

A Bíblia, nossa única regra de fé e prática, revela a incontestável supremacia do Deus criador de todas as coisas. Já no primeiro mandamento de Sua lei, Ele declara: “Não terás outros deuses diante de Mim” (Êx 20:3). Sendo Ele o único e verdadeiro Deus, requer lealdade absoluta de todos quantos O aceitam como tal. A mera crença em Sua existência não basta; muito menos a superficial profissão de reconhecimento. Devemos-Lhe absoluta e total lealdade, entrega de todo o nosso coração. Nossas perspectivas e expectativas de vida, nossos pensamentos, sentimentos, valores e motivos devem ser dirigidos por Seu querer. Honrá-Lo em todos os nossos caminhos tem de ser nossa primeira ocupação.

Qualquer atitude ou modo de conduta que destoe disso resvalará para a idolatria, mesmo que não represente adoção de outras divindades, nem nos prostremos diante de suas imagens representativas. Ellen White afirma: “Proíbe-se ao homem conferir a qualquer outro objeto o primeiro lugar nas suas afeições ou serviço. O que quer que acariciemos que tenda a diminuir nosso amor para com Deus, ou se incompatibilize com o culto a Ele devido, disso fazemos um deus” (Patriarcas e Profetas, p. 305). É perigoso depender de alguma coisa ou pessoa que não seja Deus.

Infelizmente, para muitos de nós, nem sempre tem sido fácil lutar contra as seduções do mundo, nessa era tão materialista. Aparentemente, é mais fácil confiar no que é visível e temporal. Isso pode nos induzir a violar o princípio do primeiro mandamento em nome de alguma conveniência ou comodidade. Um exemplo do qual podemos extrair preciosas lições é o de Arão e a confecção do bezerro de ouro, no sopé do Sinai. Esquecido da grandeza e unicidade do Deus que o libertara do cativeiro egípcio, o povo ansiou por outros deuses. Querendo se manter popular, Arão transigiu, construindo o bezerro para satisfação de todos. Que trágica experiência!

É oportuno que reflitamos: A quem priorizamos na tributação de honra e da nossa mais estrita lealdade – a Deus, ou a nós mesmos, com nossas pretensões egoístas de fama, apego ao poder, popularidade, riqueza e tantos outros deuses criados ou manipulados pelo “deus deste século”, a fim de satisfazer o ego e alimentar o orgulho do ser humano?

quinta-feira, 2 de julho de 2026

MEDITAÇÃO #26 - NÃO TOMARÁS O NOME DE DEUS EM VÃO

"Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão; porque o Senhor não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão" (Êxodo 20:7).

Em qualquer cultura, moderna ou antiga, o nome é um símbolo verbal para uma pessoa ou família. Especialmente para os antigos, o nome evocava o próprio valor, caráter, honra e identidade. Portanto, mencionar o nome de Deus era reconhecer não apenas o Seu incrível poder e santidade, mas também o Seu valor, caráter, honra, amor, poder, justiça e identificação divina. Ou seja, o nome de Deus é uma clara revelação da Sua própria glória, essência e natureza (Êxodo 3:14; 6:2). Esse fato revela o cuidado, preocupação e temor em mencionar o nome de Deus (Amós 6:10).

Por este motivo, o terceiro mandamento divino proíbe o uso não apenas de falsos juramentos (Levítico 19:12), mas especialmente o nome de Deus em qualquer situação de inverdade, além de desnecessária e frívola. Isso inclui perjúrio, conversas ociosas, falas desrespeitosas, momentos cômicos, brincadeiras reverentes ou irreverentes – mesmo revestidas de inocência. Ellen G. White alerta: 
"Este mandamento não somente proíbe os falsos juramentos e juras comuns, mas veda-nos o uso do nome de Deus de maneira leviana ou descuidada, sem atentar para a sua terrível significação. Pela precipitada menção de Deus na conversação comum, pelos apelos a Ele feitos em assuntos triviais, e pela frequente e impensada repetição de Seu nome, nós O desonramos. 'Santo e tremendo é o Seu nome' (Salmo 111:9). Todos devem meditar em Sua majestade, pureza e santidade, para que o coração possa impressionar-se com uma intuição de Seu exaltado caráter; e Seu santo nome deve ser pronunciado com reverência e solenidade” (Patriarcas e Profetas, pp. 306 e 307).
O coração natural e perverso está muito sujeito a violar este mandamento e, por esse motivo, é solenemente imposto pela ameaça, “pois Deus não o considerará inocente” (Êxodo 20:7). Não é uma proibição indiscriminada, pois o nome de Deus pode ser usado para a invocação, oração, louvor e ação de graças, que procede de um coração sincero, reverente e amante de Deus. Esta ordem está diretamente relacionada aos dois primeiros mandamentos, pois o Seu nome, além de único, também era uma negação contra os falsos deuses. Ellen G. White adverte: 
"Deve também mostrar-se reverência pelo nome de Deus. Jamais deve esse nome ser proferido levianamente, precipitadamente. Mesmo na oração, deve ser evitada sua repetição frequente e desnecessária. Os que tomam o nome de Deus em vão irão ver que será uma coisa terrível cair nas mãos do Deus vivo. Vaga compreensão alguns têm da santidade de Deus, e quanto tomam em vão o Seu santo e reverendo nome sem se compenetrarem de que é de Deus, o grande e poderoso Deus que estão falando" (Manuscrito 126, 1901).
Muito mais do que não pronunciar o nome do Senhor em situações indevidas e corrigir as pessoas quando fazem isso, é nosso dever evidenciar para o mundo a relação estreita que existe entre o nome de Deus e sua personalidade.

No Antigo Testamento, Deus é conhecido por vários nomes, cujos significados revelam facetas de seu caráter. Por exemplo, Elohim aponta para o seu poder; Jeová refere-se à sua eternidade e à sua autoexistência; Jeová-Jiré apresenta-o como provedor; Jeová-Rafá, como o Deus que cura; Jeová-Nissi, o Deus que perdoa; Jeová-Shalom, o Deus da paz, entre outros.

Quando conhecemos a pessoa de Deus, experimentamos seu poder em nossa vida, reconhecemos sua eternidade, provisão, cura, perdão e paz. Ao divulgarmos isso para outras pessoas, estamos agindo para que o nome do Senhor seja santificado e honrado. As pessoas olham para nossa vida e podem ver quem Deus é e, assim, conhecer a grandeza de seu nome.

O nome de Deus é santo; mas, em sua infinita misericórdia, o Senhor o compartilhou conosco. Ore a Deus hoje para que, por meio de seus pensamentos, palavras e atitudes o nome do Senhor seja conhecido e santificado na vida de outras pessoas.