Mudança súbita, como ocorreu com o apóstolo Paulo, ou transformação gradual, como aconteceu com o discípulo Pedro, a conversão é um fenômeno marcante. Experiência de deslocamento, Céu e Terra atuando juntos, psicologia e teologia interagindo, individualidade e comunidade marcando presença, trata-se de um evento que divide a vida em antes e depois.
Lewis Rambo, autor do livro Understanding Religious Conversion (Yale University Press, 1993), escreve: “A conversão é paradoxal. É elusiva. É inclusiva. Ela destrói e salva. É súbita e gradual. É originada totalmente pela ação de Deus e criada totalmente pela ação dos humanos. É pessoal e comunal, particular e pública. É passiva e ativa. É um afastamento do mundo. É uma resolução de conflito e uma capacitação para ir ao mundo e enfrentar, ou criar, conflito. É um evento e um processo. É o fim e o começo. É definitiva e aberta. A conversão nos deixa devastados – e transformados.”
Apesar desses tons sociológicos e psicológicos, a conversão tem um caráter essencialmente religioso e sobrenatural. Ela envolve a mudança de cosmovisão (modo de pensar) e a transformação real da vida, o que afeta a identidade, as afeições, as atitudes, os costumes, os relacionamentos, os motivos, os interesses, as prioridades e o destino da pessoa.
Exatamente por ser uma mudança tão radical que a conversão não é simplesmente o que a maioria de nós acredita ser. Alguns acham que conversão é fazer parte de uma igreja, assumir um novo credo ou mesmo adotar novos comportamentos. Acontece que “conversão” é algo que acontece na mente e que afeta a vida inteira. Ellen White diz que "a ligação a uma igreja não substitui a conversão. A aceitação do credo de uma igreja não tem valor algum para quem quer que seja se o coração não estiver verdadeiramente transformado" (Evangelismo, p. 290).
Os motivos para a conversão podem ser muitos, como retomar a herança religiosa familiar, aderir a novas verdades, resolver uma crise, mudar o roteiro pessoal e encontrar um novo propósito. Porém, o mais legítimo é o reconhecimento do estado de pecado e a necessidade de salvação. Finalizo com este maravilhoso texto de Ellen White:
"A conversão é uma obra que a maioria das pessoas não aprecia. Não é coisa pequena transformar um espírito terreno, amante do pecado, e levá-lo a compreender o inexprimível amor de Cristo, os encantos de Sua graça, e a excelência de Deus, de maneira que a alma seja possuída de amor divino, e fique cativa dos mistérios celestes. Quando a pessoa compreende estas coisas, sua vida anterior parece desagradável e odiosa. Aborrece o pecado; e, quebrantando o coração diante de Deus, abraça a Cristo como a vida e alegria da alma. Renuncia a seus antigos prazeres. Tem mente nova, novas afeições, interesses novos e nova vontade; suas dores e desejos e amor, são todos novos. A concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida até então preferidas a Cristo, são agora desviadas, e Cristo é o encanto de sua vida, a coroa de seu regozijo. O Céu, que dantes não possuía nenhum atrativo, é agora considerado em sua riqueza e glória; e ele o contempla como sua futura pátria, onde ele verá, amará e louvará Aquele que o redimiu por Seu precioso sangue. As obras da santidade, que se lhe afiguravam enfadonhas, são agora seu deleite. A Palavra de Deus, anteriormente pesada e desinteressante, é agora escolhida como estudo, como o homem do seu conselho. É como uma carta a ele escrita por Deus, trazendo a assinatura do Eterno. Seus pensamentos, palavras e atos, são comparados com esta regra e provados. Treme aos mandamentos e ameaças que ela contém, ao passo que se apega firmemente às suas promessas, e fortalece a alma aplicando-as a si mesmo. Prefere agora o convívio dos mais piedosos, e os ímpios, cuja companhia antes apreciava, já não lhe causam mais deleite. Lamenta-lhes os pecados que dantes o faziam rir. O amor-próprio e a vaidade, ele renuncia, e vive para Deus, e é rico em boas obras. Eis a santificação exigida por Deus. Nada menos que isto aceitará Ele" (Testemunhos Seletos, vol. 1, pp. 253-255).

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