terça-feira, 22 de setembro de 2026

MEDITAÇÃO #87 - JARDINS

Algumas das principais histórias da Bíblia aconteceram em jardins. De fato, o destino da humanidade foi definido neles.

O primeiro foi o Éden. Tudo que existe de mais belo hoje em nosso planeta não passaria de uma pálida recordação do que foi o jardim original. Tudo estava bem até que o inimigo entrou pela porta dos fundos, disfarçou-se de serpente e tentou atrapalhar o plano original. Usando meias-verdades, ele enganou o primeiro casal e os fez comer do fruto proibido. Satanás ficou satisfeito. Para ele, essa era a prova de que Deus era um ser tirano e de que Suas exigências não eram razoáveis. Ou o Criador eliminaria a humanidade, revelando-Se cruel, ou teria que desconsiderar a desobediência, sendo forçado a readmitir no Céu Satanás e os anjos caídos.

Mas, quando o diabo estava prestes a dar seu grito de vitória, Deus disse: “Ainda não acabou.” Uma nova batalha seria travada em outro jardim. No Getsêmani, Aquele a quem Paulo se refere como o segundo Adão seria tentado e testado pelo diabo (Rm 5:19). Se, fazendo Adão e Eva pecarem, o inimigo não pôde se declarar vitorioso, fazer Jesus fracassar significaria pôr fim às esperanças humanas.

O maligno usou sua melhor estratégia. Deixou Jesus aparentemente abandonado. Fez cair sobre os discípulos um tipo de sono sobrenatural, para que, ao olhar para eles, Jesus Se questionasse se valia mesmo a pena entregar a vida para salvar a humanidade. Além disso, o diabo usou Judas, um dos discípulos, para trair Jesus e entregá-Lo aos romanos. Cristo estava só. Suava gotas de sangue. Estando cercado por um exército que tinha como missão prendê-Lo e levá-Lo a julgamento, Jesus Se levantou e disse: “Sou Eu.” Quando fez isso, toda a estratégia do mal foi ao chão. Observe um interessante contraste: No Éden, Adão cai. No Getsêmani, Jesus Se levanta. No Éden, Deus tem uma palavra que dá origem a tudo que existe de bom. No Getsêmani, Jesus tem uma palavra que é capaz de derrotar todo o mal.

No Éden e no Getsêmani, pecado e salvação se encontram. Nossa salvação vem de Deus, um Pai que nos ama tanto a ponto de não poupar nenhum esforço para nos trazer de volta para Seus braços. O relato de Sua ação salvadora na luta entre o bem e o mal é a maior história jamais contada. É o drama das eras.

Nesta história, dois jardins compõem o palco para acontecimentos cruciais. Do primeiro jardim vêm pecado, perda, vergonha e morte. Do segundo, fluem esperança, alegria e vida.

Os dois jardins nos convidam a contemplar, em espírito de oração, o preço de nossa salvação. Neles vemos não só o quanto Cristo sofreu por nós, mas também quão grande é a graça de nosso maravilhoso Deus. Ellen G. White diz: "O Jardim do Éden, com sua pútrida mancha de desobediência, deve ser cuidadosamente estudado e comparado com o Jardim do Getsêmani, onde o Redentor do mundo sofreu agonia sobre-humana quando os pecados do mundo todo foram depostos sobre Ele" (Cristo Triunfante, p. 21).

Satanás não venceu no Éden. Também não pôde vencer no Getsêmani. Mas continua tentando vencer no “jardim do coração humano”. O segredo da vitória neste jardim é ter Jesus no centro. Abra a porta e permita que Ele reine em sua vida.

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

MEDITAÇÃO #86 - ÁRVORES

O Dia da Árvore é comemorado hoje, dia 21 de setembro. O objetivo deste dia é conscientizar sobre a importância da preservação das árvores e das florestas, incentivando a proteção do meio ambiente com atitudes que trazem benefícios à natureza, e por estar próxima ao início da Primavera. Este dia também nos convida a uma reflexão sobre duas importantes árvores do jardim do Éden.

"E plantou o Senhor Deus um jardim no Éden. ... Do solo fez o Senhor Deus brotar toda sorte de árvores agradáveis à vista e boas para alimento; e também a árvore da vida no meio do jardim, e a árvore do conhecimento do bem e do mal" (Gn 2:8-9).

Nos primeiros capítulos de Gênesis, Deus chama a atenção para duas árvores do Jardim do Éden, dentre as muitas que havia. No centro, a árvore do conhecimento do bem e do mal, proibida por Deus; não distante, a árvore da vida, incentivada pelo Senhor.

Ellen White assim descreve as duas árvores: 

"No meio do jardim estava a árvore da vida, sobrepujando em glória a todas as outras árvores. Seu fruto assemelhava-se a maçãs de ouro e prata, e destinava-se a perpetuar a vida. As folhas continham propriedades curativas" (História da Redenção, p. 22). E continua: "O fruto da árvore da vida no Jardim do Éden possuía virtude sobrenatural. Comer dele significava viver para sempre. Seu fruto era o antídoto da morte. Suas folhas eram para o sustento da vida e a imortalidade" (Testemunhos para a Igreja 8, p. 288). 

"No meio do jardim, perto da árvore da vida, estava a árvore do conhecimento do bem e do mal. Esta árvore fora especialmente designada por Deus para ser a garantia de sua obediência, fé e amor a Ele. O Senhor ordenou a nossos primeiros pais que não comessem desta árvore nem tocassem nela, senão morreriam (Gn 2:16, 17). Disse que podiam comer livremente de todas as árvores do jardim, exceto daquela, pois se dela comessem certamente morreriam" (História da Redenção, p. 24).

O casal edênico desobedeceu e foram expulsos do jardim para que não tomassem do fruto da árvore da vida, comessem e imortalizassem assim o pecado/rebelião (Gn 3:3-24). O ato de desobedecer a Deus trouxe aos seres humanos sofrimento de âmbito integral e ocasionou a morte (Gn 3:19). Contudo, Deus não deixou o homem sem esperança. Mesmo diante da rebelião, o Senhor fez vestimentas de peles e os vestiu e prometeu o Descendente Salvador (Gn 3:15, 21).

Em correlação a esta narrativa do jardim do Éden está a descrição da árvore da vida na nova Jerusalém no meio da praça principal de uma a outra margem do rio da vida (Ap 22:2). Porém, há um aspecto transformado. É possível perceber a ausência da árvore do conhecimento do bem e do mal, não havendo nenhuma referência à ela. Manifestando, assim, que o período de prova está acabado e que o povo de Deus foi reivindicado. O relato da nova Terra revela que aqueles que lavaram as suas vestes no sangue do Cordeiro terão direito à árvore da vida e nunca mais será posto diante dela querubins com espadas flamejantes para impedir que seres humanos tenham acesso a seu fruto (Ap 22:2, 14; Gênesis 3:24).

Finalizamos com esta linda descrição de Ellen White da árvore da vida na nova Terra: 

"Os santos remidos, que aqui houverem amado a Deus e observado os Seus mandamentos, entrarão pelas portas da cidade, e terão direito à árvore da vida. Dela comerão livremente, como nossos primeiros pais, antes da queda. As folhas daquela árvore frondosa e imortal será para a cura das nações. Todos os seus ais terão desaparecido. Nunca mais sofrerão doença, tristeza ou morte, pois foram curados pelas folhas da árvore da vida. Jesus, então, verá o trabalho da Sua alma e ficará satisfeito, quando os remidos que estiveram sujeitos à tristeza, aos trabalhos e aflições, que gemeram sob a maldição, se reunirem ao redor da árvore da vida, para comer o seu fruto imortal, a que nossos primeiros pais perderam todo o direito, quando transgrediram os mandamentos de Deus. Não haverá perigo de jamais perderem novamente o direito à árvore da vida, pois aquele que tentou nossos primeiros pais a pecar será destruído pela segunda morte" (The Youth’s Instructor, outubro de 1852).

MEDITAÇÃO #85 - INADIMPLENTES

"A ninguém fiqueis devendo coisa alguma, exceto o amor" (Romanos 13:8).

Mona Lisa Santana, 32 anos, comemorou cada novo cartão de crédito como uma pequena conquista pessoal. Com os cartões passou a ter acesso a limites de R$ 50 mil, R$ 60 mil e até R$ 150 mil mesmo sem comprovação de renda. 

Foi a partir da pandemia que Santana acumulou 44 cartões de crédito de bancos tradicionais, digitais e de lojas. Ela relata que conseguia crédito em seu nome, da irmã e da mãe, sem precisar de confirmação de renda. Usava um cartão para cobrir o outro ou pegava um empréstimo para pagar o mínimo da fatura de um dos cartões. Nisso, os juros sobre juros transformaram a dívida dela em um bolo de R$ 1,4 milhão. (via UOL)

A história de Santana ilustra os dados por trás do endividamento e inadimplências recordes. Em agosto, o Mapa da Inadimplência da Serasa mostrava 83,9 milhões de pessoas com dívidas atrasadas há mais de 90 dias, o que representa pouco mais da metade (51%) da população adulta.

A cultura do consumismo, a facilidade de se obter crédito e a falta de educação financeira são algumas das justificativas para esse fato. A verdade é que há muita gente acumulando “compromissos financeiros” por aí. Isso traz estresse, afeta os relacionamentos e limita inclusive a utilidade no reino de Deus. 

Uma definição de dívida é “viver hoje com base naquilo que você espera ganhar no futuro”. Hoje em dia a dívida parece ser um estilo de vida, mas isso não deve ser a norma para os cristãos. A Bíblia desencoraja a dívida. Nas Escrituras há pelo menos 26 referências à dívida, e todas são negativas. Por que então a dívida é um flagelo quase internacional em todos os níveis – pessoal, corporativo e governamental? 

Toda sociedade sempre teve pelo menos uma pequena porcentagem de pessoas endividadas. No presente, uma parcela muito maior de pessoas está endividada, e quase nunca é em seu benefício. Por que, afinal, contraímos dívidas? Ellen White apresenta no livro Conselhos sobre Mordomia, (p. 176), o processo de três etapas de eliminação de dívidas:

1. "Decida nunca incorrer em outra dívida. Negue-se mil e uma coisas antes de entrar em outra dívida. Essa tem sido a maldição de sua vida: entrar em dívida. Evite-a como você evitaria a varíola".

2. "Faça com Deus o pacto solene de, com a bênção Dele, pagar suas dívidas e a ninguém dever coisa alguma, ainda que tenha de viver a pão e água".

3. "Não vacile, não desanime nem desista. Negue seu gosto, negue a satisfação do apetite, economize seu dinheiro e pague suas dívidas. Esforce-se para pagá-las o mais depressa possível. Quando você puder se apresentar novamente como uma pessoa livre, não devendo nada a ninguém, terá alcançado uma grande vitória".

Agora, se precisar de ajuda prática para se livrar das dívidas, o plano é simples: uma premissa e três passos. A premissa é um compromisso para com Deus de ser fiel ao devolver Seu dízimo sagrado para obter Sua sabedoria e bênção. Ele está ansioso para abençoar aqueles que Lhe obedecem. Os passos: (1º) Estabeleça um orçamento simples e registre as suas receitas e despesas durante três meses. Muitos ficam surpresos ao saber quanto gastam em itens desnecessários. (2º) Destrua cartões de crédito, que são uma das principais causas de dívidas. São muito fáceis de usar e difíceis de pagar. Se você não está pagando os cartões em sua totalidade no fim de cada mês, ou os está usando para comprar itens que não compraria de outra forma, você deve destruir os cartões de crédito antes que eles destruam você, seu casamento ou ambos. (3º) Adote medidas econômicas. Tenha cuidado com as coisas pequenas que compra. Elas rapidamente se acumulam.

Deus pode oferecer alívio para qualquer situação de dívida. Na maioria dos casos, porém, Deus coloca a solução para o problema da dívida em nossas mãos. Afinal, somos Seus mordomos e devemos agir de acordo com Sua vontade e sob Sua bênção. E colocando Deus em primeiro lugar, receberemos Sua sabedoria e bênção para gerenciarmos o que Ele confiou a nós.

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

MEDITAÇÃO #84 - PALAVRÕES

"Tenham cuidado com a maneira de falar. Nunca saia da boca de vocês nenhuma besteira ou baixaria. Falem apenas o que é útil e que ajude os outros! Cada palavra de vocês deve ser um presente" (Efésios 4:29 - A Mensagem).

Em uma época em que a linguagem vulgar parece se tornar cada vez mais comum – em músicas, redes sociais, filmes e até mesmo em ambientes de trabalho -, é importante refletir sobre o que a Bíblia ensina a respeito da maneira como falamos. As palavras não são neutras. Elas têm poder para edificar ou destruir, abençoar ou ferir. Por isso, o cristão é chamado a santificar também a sua fala.

Palavras de baixo-calão, palavrões e obscenidades não combinam com a vida de quem deseja refletir o caráter de Cristo. Elas são formas de perversão. São cristalizações, no idioma, da alienação total de si e do outro pela busca de um prazer sempre deslocado, desgarrado, fora da alma: um prazer masoquista, misturado a ódio e desespero. Por que essas expressões tão opostas ao amor de Deus deveriam povoar a linguagem de um cristão?

Deus leva a sério aquilo que falamos. Ellen White reforça essa visão ao comentar o sermão do monte: “As palavras de Cristo no monte condenam as zombarias, as futilidades, as conversas impuras. Exigem que nossas palavras sejam, não somente verdadeiras, mas puras” (O Maior Discurso de Cristo, p. 68). Se nossas palavras devem ser puras, isso significa que palavrões, sarcasmos cruéis e obscenidades não devem ter espaço em nossa boca.

Nossas palavras não são apenas expressões casuais que não afetam realmente aqueles que nos rodeiam. As palavras têm um poder incrível. Elas podem construir ou destruir nações, famílias, igrejas, carreiras ou negócios. Enquanto palavras negativas podem machucar outras pessoas e desonrar a Deus, palavras positivas podem abençoar aos outros e honrar a Deus. Deus em Sua Palavra nos convida a participar na oração do Salmo 19:14 que exorta: “Que as palavras da minha boca e a meditação do meu coração sejam agradáveis aos teus olhos, ó Senhor, Rocha minha e Redentor meu”.

Ellen White nos adverte: "O poder da palavra é um talento que deve ser cultivado diligentemente. De todos os dons que recebemos de Deus, nenhum é capaz de se tornar maior bênção que este. Com a voz convencemos e persuadimos; com ela elevamos orações e louvores a Deus, e também falamos a outros do amor do Redentor. Não se deve proferir uma única palavra imprudentemente. Nenhuma maledicência, palavreado frívolo algum, nenhuma murmuração impertinente nem sugestão impura sairá dos lábios do seguidor de Cristo. Palavras torpes não significam somente palavras vis. Denotam qualquer expressão contrária aos santos princípios e à religião pura e imaculada. Incluem idéias impuras e insinuações malévolas. Se não forem repelidas imediatamente, conduzem a grande pecado. Nossas palavras devem ser expressões de louvor e ações de graças. Se o coração e a mente estiverem repletos do amor de Deus, isto será revelado na conversação" (E Recebereis Poder, p. 197).

Jesus disse que a boca fala do que está cheio o coração (Lucas 6:45). Isso significa que a pureza da fala começa com a pureza do coração. Quanto mais nos enchemos da Palavra de Deus e da presença de Cristo, mais nossas palavras refletirão graça, bondade e amor. Por isso, ao invés de palavrões, o cristão é chamado a cultivar uma fala que edifica, consola e abençoa. Afinal, fomos chamados a ser “sal da terra” e “luz do mundo” – e isso também se manifesta nas palavras que escolhemos.

Que nossa boca seja instrumento para glorificar a Deus e transmitir vida aos que nos ouvem. “Que a palavra dita por vocês seja sempre agradável, temperada com sal, para que saibam como devem responder a cada um” (Colossenses 4:6).

MEDITAÇÃO #83 - APOSTAS

Os sistemas de apostas possuem muitos riscos para a vida de pessoas que se pautam pela Bíblia. Ultimamente, por exemplo, as apostas online são uma das tendências da era digital para apostar em eventos esportivos, cassinos, loterias e outros tipos de jogos de azar por meio da internet. A facilidade de acesso e a disponibilidade 24 horas por dia podem levar as pessoas ao desenvolvimento de comportamentos compulsivos e ao vício. Além disso, a ilusão de controle e a promessa de ganhos fáceis aumentam o risco de se gastar dinheiro de forma irresponsável.

Apostar em jogos de azar ou em qualquer empreendimento de retorno duvidoso é condenado pela Bíblia e pelos escritos de Ellen White. Apostas podem ser uma forma de idolatrar o dinheiro, enquanto as Escrituras Sagradas dão importância a valores como trabalho honesto e contentamento com o que se tem. Ellen White afirma no livro Mente, Caráter e Personalidade, volume 2, página 736, que “esses divertimentos abrem a porta para grandes males. Não são benéficos em sua tendência e têm uma influência excitante, produzindo em alguns espíritos uma paixão por esses jogos que levam ao jogo de azar e à dissipação. Todos esses jogos devem ser condenados pelos cristãos”.

Na Bíblia, Deus disse a Adão: “No suor do teu rosto comerás o teu pão” (Gênesis 3:19). Longe de ser uma maldição, nosso Pai Celeste deseja que Seus filhos sejam felizes ao receber um salário honesto, ganho não às custas das esperanças vazias de milhares de apostadores, mas como fruto de trabalho útil que agrega valor à sociedade.

O Senhor também não deseja que arrisquemos perder os bens que Ele nos deu, trazendo sofrimento para nós e nossas famílias. “A riqueza obtida de forma desonesta diminuirá, mas quem a ajunta aos poucos terá cada vez mais.” (Provérbios 13:11).

Querido amigo, desejo que Deus abençoe a sua vida. Se você está passando por dificuldades e está sendo tentado, o conselho bíblico não é de lançar sortes, mas de lançar tudo sobre o Senhor porque Ele tem cuidado de nós (1Pe 5:7). A promessa de Deus é que Ele nunca nos deixará nem nos desamparará (Hb 13:5). Este Senhor bondoso e poderoso sabe o que necessita o Seu filho comprado pelo sangue de Cristo (Mt 6:32), e, com amor, suprirá “muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos; segundo o poder que em nós opera” (Ef 3:20). 

Sem dúvida, Deus pode suprir as nossas necessidades de maneiras extraordinárias, mas deve ser observado que é Ele quem faz tais prodígios. Espere no Senhor e achará alivio em Seu tempo para a glória de Deus (Is 40:31). Ele exorta-nos a buscarmos em primeiro lugar o Seu reino e Sua justiça: “Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas” (Mt 6:33).

Por fim, Ellen White diz: "As apostas, o jogo de azar... são todas de sua [de Satanás] própria invenção, e ele tem induzido homens a levarem avante esses divertimentos com tanto zelo como se estivessem ganhando para si a própria dádiva da vida eterna. Despendem os homens somas imensas em busca desses prazeres proibidos; e o resultado é que, as faculdades que Deus lhes deu, que foram compradas pelo precioso sangue do Filho de Deus, são degradadas e corrompidas. As faculdades físicas, morais e mentais que por Deus são dadas aos homens, e que pertencem a Cristo, são zelosamente usadas em servir a Satanás, e para desviar os homens da justiça e da santidade" (Conselhos sobre Mordomia, p. 84).

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

MEDITAÇÃO #82 - VOTO DE SILÊNCIO

Sejam quais forem as opiniões que tenhais em relação a dar o vosso voto em questões políticas, não as deveis proclamar pela pena ou pela voz. Irmãos, não vos lembrais de que a nenhum de vós foi imposta pelo Senhor qualquer responsabilidade de publicar suas preferências políticas ou de sobre elas falar na congregação, quando o povo se reúne para ouvir a Palavra do Senhor.

Os que ensinam a Bíblia em nossas igrejas e escolas não se acham na liberdade de se unir aos que manifestam seus preconceitos a favor ou contra homens e medidas políticos, pois assim fazendo, incitam o espírito dos outros, levando cada um a defender suas idéias favoritas. Existem, entre os que professam crer na verdade presente, alguns que serão assim incitados a exprimir seus sentimentos e suas preferências políticas, de maneira que se introduzirá na igreja a divisão.

O Senhor quer que Seu povo enterre as questões políticas. Sobre esses assuntos, o silêncio é eloquência. Cristo convida Seus seguidores a chegarem à unidade nos puros princípios evangélicos que são positivamente revelados na Palavra de Deus. Não podemos, com segurança, votar por partidos políticos; pois não sabemos em quem votamos. Não podemos, com segurança, tomar parte em nenhum plano político.

Os que ocupam o lugar de educadores, de pastores, de colaboradores de Deus em qualquer sentido, não têm batalhas a travar no mundo político. Sua cidadania se acha nos Céus. Os que são genuinamente cristãos são ramos da Videira verdadeira, e darão o mesmo fruto que ela. Agirão em harmonia, em comunhão cristã. Não usarão distintivos políticos, mas os de Cristo.

Não devemos, como um povo, envolver-nos em questões políticas. Todos fariam bem em dar ouvidos à Palavra de Deus: Não vos prendais a um jugo desigual com os incrédulos em luta política, nem vos vinculeis a eles em suas ligações. Não há terreno seguro em que possam estar e trabalhar juntos. O fiel e o infiel não têm terreno neutro em que possam encontrar-se.

Aquele que transgride um dos preceitos dos mandamentos de Deus é transgressor de toda a lei. Mantende secreto o vosso voto. Não acheis ser vosso dever insistir com todo o mundo para fazer como fazeis.

Que devemos então fazer? - Deixai os assuntos políticos em paz.

(Ellen White, Mensagens Escolhidas, v. 1, pp. 336-337 / Obreiros Evangélicos, pp. 391-392).

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

MEDITAÇÃO #81 - NESSUN DORMA

"Chegou a hora de vocês despertarem do sono, porque agora a nossa salvação está mais próxima do que quando cremos" (Romanos 13:11).

Se você gosta de música erudita, talvez conheça estas palavras em italiano: "Nessun dorma! Nessun dorma! Tu purê, o Principessa." Trata-se do início da famosa ária "Nessun Dorma" (Ninguém Durma), que faz parte da ópera Turandot, composta por Giacomo Puccini. Interpretada por nomes como Plácido Domingo, José Carreras, Sarah Brightman, Paul Potts, David Phelps e Andréa Bocelli, foi Luciano Pavarotti quem a tornou popular ao redor do mundo, especialmente com a versão apresentada durante a Copa do Mundo da Itália, em 1990.

A história de Turandot, nome que significa "a filha de Turan", uma região da Ásia central, parte do antigo império persa, foi extraída de uma coleção de contos intitulada Mil e Um Dias. A linda e fria princesa Turandot, em vingança pela morte de uma ancestral, não quer se apaixonar e propõe três enigmas que devem ser respondi­dos por qualquer pretendente. Quem não conseguir é morto. O príncipe Calaf, apai­xonado, bate no gongo e anuncia seu desejo de se candidatar. Ele acerta os enigmas, mas dá uma chance à desolada princesa: ela poderá matá-lo se descobrir seu verda­deiro nome até o dia seguinte. Turandot então determina que ninguém durma, para tentar descobrir o nome do príncipe desconhecido.

O ato 3 se inicia com o príncipe Calaf, certo da vitória, cantando confiantemente a ária: "Que ninguém durma! Que ninguém durma! Você também, ó Princesa, em seu quarto frio, olhe as estrelas, tremendo de amor e de esperança, mas meu segredo permanece guardado dentro de mim..." Por fim, depois de cenas dramáticas, Calaf diz seu nome para que a princesa o anuncie. Ele está pronto para morrer por ela. Vencida e conquistada, a princesa revela que o nome dele é amor, e terminam abraçados.

Em outro enredo, que daria a maior das óperas e a mais bela das árias, outro Príncipe (Jesus) fez uma proposta a uma princesa (igreja), que, assim como Turandot, parece assustada com a ideia de se unir a ele. Num gesto incompreensível para muitos, esse Príncipe foi além de Calaf, não apenas propondo um enigma e se dispondo a morrer, mas dando realmente a vida pela princesa.

Assim como a princesa da ópera, apavorada com a ideia do amor, ordenou que seu reino não dormisse, o escritor bíblico, deslumbrado pela demonstração de amor, conclama o reino da luz a despertar do sono. Indiferentes à situação ao redor, muitos estão dormindo. Não percebem o drama ao redor. É hora de acor­dar, de descobrir o verdadeiro nome do Príncipe, que é Amor.

Que ninguém durma! Que ninguém durma!
"O fim está próximo, chegando-nos tão furtivamente, tão imperceptivelmente, tão silenciosamente, como os abafados passos do ladrão à noite, a fim de surpreender desprevenidos os dormentes, sem o devido preparo. Conceda o Senhor que Seu Santo Espírito sobrevenha aos corações que se encontram agora à vontade, para que não continuem por mais tempo dormindo como os outros, mas vigiem e sejam sóbrios. Despertemos da sonolência espiritual, e consagremos ao Senhor tudo que temos e somos. Despertai, irmãos e irmãs, despertai! Não continueis a dormir. Sem a graça de Cristo nada podeis fazer" (Ellen White - Serviço Cristão, p. 30).

terça-feira, 15 de setembro de 2026

MEDITAÇÃO #80 - ELEVADORES

Elevadores são lugares estranhos. Uma caixa de ferro onde se encontra gente desconhecida que lhe acompanha em uma pequena viagem - para cima ou para baixo. As pessoas não se tocam, não se falam, não se olham... Preferem assistir todas juntas o espetáculo dos números luminosos que acendem e apagam, mudos.

Elevadores são uma parábola do mundo que criamos - um lugar lotado, impessoal, onde anonimato, isolamento e independência são a regra e a doença.

Na geração dos relacionamentos descartáveis, pouco se sabe sobre envolvimento de verdade. Uma das estratégias do diabo hoje é banalizar a existência humana, enfeitiçando-nos com explicações vazias, como a pressão do tempo, exigências do trabalho, crises pessoais, e passamos pela vida nulos, sem dividir nem somar.

Cristo viveu de um modo diferente. Ele, o pensamento audível de Deus, foi o mestre na arte de parar para ouvir lamentos de cegos, tocar leprosos, ouvir histórias de gente sofrida, comer com quem não tinha companhia, lavar pés empoeirados.

Jesus não era do tipo apressado, que deixa para falar depois. Não tinha secretária, não marcava hora, não entrava em elevadores.

E você? O que acha de resgatar as refeições significativas, as noites em família sem ruído de televisão, sem celular, sem internet? Que tal encontrar ocasiões para um envolvimento real com pessoas necessitadas, ao invés de somente orar por elas?

Pare o mundo que eu quero descer. Cuidado com o elevador.
"Cristo é nosso exemplo. Ele era a Majestade do Céu, e no entanto fez mais por nossos semelhantes do que possivelmente qualquer de nós fará. Se todos fizessem o máximo ao seu alcance para ajudar os que se encontram em necessidade de seu auxílio, de sua abnegada simpatia e amor, que bendita obra seria feita! Oh! que cada um de nós se possa tornar um cheiro de vida para vida aos que nos cercam" (Mente, Caráter e Personalidade 2, p. 431 / Beneficência Social, p. 223).

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

MEDITAÇÃO #79 - TEMPERAMENTOS

Com as inúmeras responsabilidades da vida nos sobrecarregando, é comum que o estresse resultante afete nossa saúde, bem como nossos relacionamentos. Muitas vezes, podemos evitar mal-entendidos e consequências negativas ao aprender a compreender e gerenciar nosso temperamento. Podemos evitar desentendimentos com familiares ou amigos ao aprender a controlar nossas atitudes e nossas ações.

Em situações difíceis, podemos nos perguntar: como posso controlar meu temperamento e meus índolos naturais? Dedicar um tempo para compreender e controlar se é especialmente prudente se os conflitos envolvem membros da família, sejam parceiros ou filhos.

Não é incomum que o estresse ambiental afete sua saúde e seus relacionamentos familiares. Compreender como você se comporta e reage pode ser a chave para melhorar sua capacidade de lidar com o estresse, bem como sua interação com a família. O livro de Provérbios nos diz que "A sabedoria do homem lhe dá paciência; é para sua glória ignorar as ofensas" (Provérbios 19:11 ).

Na meditação de hoje, discutiremos 6 maneiras de controlar nosso temperamento e sermos mais felizes vivendo em harmonia com nossa família e amigos.

1. Conheça seu temperamento. Quer saber como começar a controlar seu temperamento? Primeiro, conheça-o. Existem quatro tipos de temperamento: sanguíneo (otimista, ativo e sociável), colérico (impulsivo, irritável), melancólico (analítico, saudável e tranquilo) e fleumático (relaxado e pacífico). Analise como você costuma lidar com suas emoções. O que te irrita e por quê? Como você reage? Como um acesso de raiva? Você está controlando? Fica de mau humor? Descobrir isso pode te ajudar a conhecer melhor. Ellen White diz: "Embora seja doloroso para nós nos conhecermos como realmente somos, devemos orar para que Deus nos revele a nós mesmos, assim como Ele nos vê" (Mensagens Escolhidas 1, p. 312).

2. Observe a si mesmo. Um dos passos importantes, quando você já conhece seu temperamento, é observar como ele afeta seus relacionamentos. Quais características desse temperamento são específicas e quais são benéficas? Você guarda tudo para si? Talvez isso seja bom, pois significa que você não reage impulsivamente com palavras ou ações das quais não poderá se arrepender. Isso é algo que você pode trabalhar. No entanto, pode não ser bom, pois significa que você nunca resolverá os problemas. Isso também é algo que precisa ser trabalhado. Com essas informações, tente mudar o que não está mais funcionando em seus relacionamentos. "Examinem-se para ver se vocês estão na fé; provem a si mesmos. Ou não autorizam que Jesus Cristo está em vocês?" (2 Coríntios 13:5).

3. Quando estiver mais relaxado, fale sobre o que o incomoda. Aproveite os momentos de calma e relaxamento para conversar com sua família ou amigos sobre o que está incomodando. Expresse o que a perturba sem atacá-los, simplesmente expondo seu ponto de vista. "Mas não se esqueçam de fazer o bem e de repartir com os outros, pois com tais sacrifícios Deus se agrada" (Hebreus 13:16).

4. Controle seus pensamentos. Pode parecer impossível, mas todos podemos escolher o que pensar. Muitas vezes, permitimos que pensamentos negativos ocupem nossas mentes e nos deixem levar por eles. Preste atenção ao que você pensa e como isso te afeta. Não alimente pensamentos que estimulem o comportamento que você deseja mudar. Gostaria de ser menos crítico com as pessoas? Toda vez que você começa a pensar em algo negativo sobre alguém — seu chefe, sua participação, seus filhos, seu pastor — pare. Encontre algo positivo sobre essa pessoa. “Porque, como imagina em seu coração, assim ele é” (Provérbios 23:7).

5. O bom humor é sempre o melhor remédio. Procure manter uma atitude positiva diante dos contratempos da vida. Não há como ficar de mau humor com uma visão bem-humorada da vida. O otimismo pode ser uma ótima arma para enfrentar as dificuldades do dia a dia. "O coração alegre é como um bom remédio, mas o espírito abatido faz secar os ossos" (Provérbios 17:22).

6. Não hesite em pedir ajuda. Às vezes, quando enfrentamos problemas sérios na vida, pensamos que podemos resolver tudo sozinhos. Saber quando pedir ajuda e ter certeza de que é a coisa certa a fazer é fundamental. Busque ajuda de um amigo e/ou de um profissional. Nosso Pai Celestial está sempre disposto a ajudar Seus filhos a transformarem seu caráter para que se tornem mais semelhantes ao Seu. Nunca hesite em pedir a ajuda Dele. "Cada um ajudava o seu próximo e dizia ao seu irmão: 'Seja forte!'" (Isaías 41:6).
"Frequentemente, existe na mesma família acentuada diversidade de disposição e de caráter, pois está no plano de Deus que pessoas de temperamento variado se associem umas às outras. Quando assim se dá, todo o membro da família deve considerar sagradamente os sentimentos e respeitar o direito dos outros. Dessa maneira serão cultivadas a consideração mútua e a paciência, os preconceitos serão abrandados e aplainadas as arestas do caráter. Pode-se alcançar harmonia, e a fusão dos vários temperamentos pode ser um benefício para cada um" (Ellen White - Orientação da Criança, p. 205).

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

MEDITAÇÃO #78 - 25 ANOS DO 11/9

Há vinte e cinco anos, uma série de ataques terroristas nos Estados Unidos marcariam para sempre o dia 11 de setembro na memória de milhões de pessoas em todo o planeta. Naquela data, em 2001, terroristas sequestraram e tomaram o controle de quatro aviões de passageiros. Um deles foi atirado contra o Pentágono, em Washington. Outro caiu em um campo aberto na Pensilvânia. Os dois últimos aviões protagonizaram cenas tão assustadoras quanto impressionantes, ao serem lançados contra as duas torres gêmeas do World Trade Center, em Nova Iorque.

O mundo inteiro parou quando a primeira aeronave atingiu a torre norte, às 8h46 da manhã, no horário local. Os canais de TV passaram a transmitir ao vivo imagens do prédio em chamas, e o desespero das pessoas que tentavam sair de lá. Poucos minutos depois, às 9h03... até parecia que a televisão estava exibindo um replay do impacto, mas era o segundo avião sequestrado que atingia a torre sul do World Trade Center.

Duas horas depois, as duas torres desabaram na Ilha de Manhattan, levando consigo milhares de vítimas que não conseguiram sair dos prédios. 2.996 pessoas morreram nos quatro ataques, e mais de seis mil ficaram feridas. Nove membros da Igreja Adventista do Sétimo Dia faleceram ou foram declarados desaparecidos entre as vítimas fatais da tragédia.

No plano adventista, alguns associaram os eventos de 11 de setembro com afirmações de Ellen White de que ela havia testemunhado cenas de fogo destruindo altos prédios “supostamente à prova de fogo” (Testemunhos Para a Igreja, v. 9, p. 12, 13; Eventos Finais, p. 99). Seria 11/9 o cumprimento de profecias da mensageira do Senhor? Alguns acham que sim, pois há similaridades nas descrições; outros defendem que não, pois ela não viu aviões, nem torres gêmeas, e não diz que isso ocorreu em Nova York, mas que ela estava lá ao presenciar as cenas. O mais provável é que ela teria utilizado sua visão para ilustrar o julgamento divino e o fim dos tempos, alertando que a ambição humana e as estruturas modernas são vulneráveis diante dos eventos finais da Terra.

Em outra frente, poderia 11 de setembro ter contribuído para o fortalecimento ideológico dos Estados Unidos em seu papel de dragão, o “monstro” perseguidor no fim dos tempos, ou “besta da terra”, conforme Apocalipse 13? Se levarmos em conta o desenrolar dos fatos, incluindo o desejo de manter a supremacia militar, política, econômica e cultural a qualquer preço e a tentativa de potencializar o cristianismo na versão da direita cristã, que mistura política e religião, a resposta é um inequívoco sim. A “besta” foi ferida, mas não morreu. Ao contrário, teve seus instintos aguçados.

Por fim, vale a pena observar que 11/9, o arquétipo do terrorismo, é uma lembrança de que o terror amedronta nosso planeta todos os dias, há milênios. Estamos em guerra cósmica. O mundo vive um constante 9/11 (nine-eleven), como os norte-americanos passaram a chamar a data. Por isso, precisamos de uma linha direta com o verdadeiro 911 (para contextualizar, 911 é o número do serviço de emergência nos Estados Unidos), acima do plano terrestre. O salmo 91 diz que aquele que habita no abrigo do Altíssimo não precisa temer o terror noturno nem as setas (em forma de avião ou não) que voam de dia. Num mundo em guerra, a torre do Altíssimo é o abrigo mais seguro para nós.

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

MEDITAÇÃO #77 - DARK HORSE

A expressão "Dark Horse" ganhou destaque recentemente como o nome do filme sobre a trajetória do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro. O filme ganhou mais relevância quando foi revelado que o senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pressionava o banqueiro Daniel Vorcaro para ajudar a financiar o filme. Dono do Banco Master, Vorcaro está preso em São Paulo, acusado de chefiar um esquema bilionário de fraudes financeiras que podem chegar a R$ 12 bilhões, segundo a PF.

E nesta quarta (9), o ministro André Mendonça do STF homologou a delação premiada de Antônio Carlos Freixo Júnior, doleiro ligado a Vorcaro, onde detalha em sua colaboração premiada os repasses feitos pela empresa Entre Investimentos e Participações para a produção do filme "Dark Horse".

O termo "Dark Horse" surgiu no século XIX, no universo das corridas de cavalos na Inglaterra. Ele era usado para descrever cavalos de corrida que não tinham histórico de vitórias ou que eram desconhecidos pelos apostadores, tornando difícil prever o seu desempenho. O termo foi adotado no título do filme tanto pelo seu significado de "azarão político" (devido à vitória de Jair Bolsonaro em 2018) quanto pelas analogias simbólicas com o colapso econômico representado pelo cavaleiro preto das Escrituras. E é especificamente sobre este cavalo preto e seu significado que vamos falar neste artigo.

Muitas vezes ouvimos falar dos 7 selos, os quatro cavalos e os 4 cavaleiros do Apocalipse. Todos eles formam parte da mesma profecia. Os 4 cavaleiros com seus respectivos cavalos aparecem nos 4 primeiros selos. Os acontecimentos representados nos sete selos devem ser entendidos no contexto das maldições da aliança do Antigo Testamento, especificadas em termos de espada, fome, pestes e feras do campo (Lv 26:21-26). Ezequiel os chamou de os “quatro terríveis juízos” de Deus (Ez 14:21). Eram juízos disciplinares pelos quais o Senhor, buscando despertar Seu povo para sua condição espiritual, castigou-o quando ele se tornou infiel à aliança. Semelhantemente, os quatro cavaleiros são o meio que Deus usa para manter Seu povo desperto enquanto aguarda o retorno de Jesus.

O cavaleiro do cavalo preto é o terceiro dos quatro cavaleiros que aparecem no Apocalipse na abertura do livro selado com sete selos. Portanto, o cavaleiro do cavalo preto do Apocalipse é mencionado na abertura do terceiro selo, e seu significado simbólico fala sobre a pobreza e a fome.

Em Apocalipse 6:5 e 6 lemos – “E, havendo aberto o terceiro selo, ouvi dizer ao terceiro animal: Vem, e vê. E olhei, e eis um cavalo preto e o que sobre ele estava assentado tinha uma balança na mão. E ouvi uma voz no meio dos quatro animais, que dizia: Uma medida de trigo por um denário, e três medidas de cevada por um denário; e não danifiques o azeite e o vinho.”

O terceiro selo representa o período da igreja de Pérgamo. A visão retrata um cavalo preto e seu cavaleiro que tinha nas mãos uma balança. Sua oferta de trigo e cevada significa a escassez e a fome presentes. Representa o terceiro período da igreja, quando as trevas espirituais começaram a envolver o cristianismo ao ele se aliar com o Estado. A cor preta muitas vezes representa nas Escrituras as trevas morais, o pecado, a apostasia ou o erro. Corresponde ao período que vai desde 313 a 538 dC. Durante esse período, houve o processo de paganização da igreja. O espírito de materialismo contaminou o cristianismo. A maioria acompanha o processo de deterioração da verdade, porém uns poucos fiéis (remanescentes) seguem respeitando as doutrinas bíblicas. O azeite representa o Espírito Santo (Zc 4:2-6), e o vinho representa o sangue de Cristo derramado pelos pecadores (Mt 26:27-29).

Esse cavaleiro continua montado em seu cavalo cavalgando pela Terra. A fome, a exploração, a opressão e a injustiça assombram o mundo cada vez mais. Com relação ao povo de Deus, ainda hoje, muitos cristãos passam por terríveis necessidades por seu compromisso com Cristo. Em várias partes do mundo, muitos crentes têm dificuldades de sustentarem suas famílias, porque não aceitam participar dos esquemas corruptos que caracterizam este mundo e desagradam ao Senhor.

E o cavaleiro do cavalo preto do Apocalipse continuará espalhando opressão até o dia em que Deus dará um basta em tudo isso.

terça-feira, 8 de setembro de 2026

MEDITAÇÃO #76 - SUPREMO TRIBUNAL DO UNIVERSO

O Supremo Tribunal Federal (STF), instância superior ou última instância do poder judiciário brasileiro, atravessa a crise institucional mais grave de sua história, impulsionada por disputas internas e desdobramentos de investigações sensíveis. As tensões cresceram após investigações envolvendo o Banco Master e seu ex-controlador, gerando suspeitas e atritos públicos e internos entre ministros. O julgamento dos envolvidos, inegavelmente, inspira apreensão, pois determina destinos.

Entretanto, o que ocorre neste tribunal terreno é apenas um reflexo pálido do que se desenrola no Supremo Tribunal do Universo: o santuário celestial. Este tribunal não é presidido por um juiz vestido de toga preta, mas pelo “Juiz de toda a Terra” (Gn 18:25), que é Jesus, nosso Sumo Sacerdote, Rei e “reto Juiz” (2Tm 4:8). Lá não haverá ministros indicados, mas um Juiz Todo Poderoso que conhece plena e profundamente os pensamentos e ações, presentes e passadas, de todos os seres humanos. Ele é aquele a quem o Pai confiou “todo julgamento” (Jo 5:22). O profeta Daniel descreve Seu governo nos seguintes termos: “Foi-Lhe dado o domínio, a glória e o reino, para que as pessoas de todos os povos, nações e línguas O servissem. O Seu domínio é domínio eterno” (Dn 7:14).

A Bíblia está repleta de referências ao julgamento celestial, destacando especialmente o caráter irrepreensível do Juiz. O livro de Salmos, por exemplo, enfatiza que a justiça divina não é apenas um meio de punição contra o mal, mas também um instrumento de salvação para aqueles que depositam sua confiança na graça divina.

O Salmo 71:2 diz: “Livra-me por Tua justiça e resgata-me; inclina-me os ouvidos e salva-me.” Vivemos na época em que “é chegada a hora em que Ele vai julgar” (Ap 14:7). Mas o julgamento pré-advento não deve ser motivo de ansiedade ou desespero. Pelo contrário, é a melhor notícia para aqueles que permanecem ao lado de Deus no conflito cósmico. Em outras palavras, para aqueles que aceitam a graça de Cristo, o juízo divino é uma mensagem de esperança.

Em uma época em que o liberalismo teológico opõe o amor de Deus ao Seu juízo, devemos nos firmar no ensino bíblico de que o julgamento divino é intrínseco às boas-novas do evangelho. O salmista afirma que Deus “ama a justiça e odeia a iniquidade” (Sl 45:7).

O juízo é a realização da esperança e dos anseios da humanidade. Em nossa mente, além de transmitir a ideia de crime e castigo, ele inspira medo e apreensão. A Bíblia, porém, apresenta o juízo do ponto de vista dos oprimidos, da vítima sofredora e, assim, coloca-o no contexto da salvação e da vitória sobre o opressor e o mal.
"O assunto do santuário e do juízo investigativo deve ser claramente compreendido pelo povo de Deus. Cada indivíduo tem uma alma a salvar ou a perder. Cada qual tem um caso pendente no tribunal de Deus. Cada um há de defrontar face a face o grande Juiz. O Juiz de toda a terra apresentará uma decisão justa. Ele não será subornado; Ele não pode ser enganado" (Evangelismo, p. 221).

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

MEDITAÇÃO #75 - ONEVOICE27

“Quem é você? O Messias prometido? O profeta Elias?” João não se apresentou como o Messias nem como um profeta em busca de glória pessoal. Com humildade, identificou-se como aquele que cumpria a profecia: “Eu sou ‘a voz do que clama no deserto: Endireitem o caminho do Senhor’, como disse o profeta Isaías” (João 1:23).

João era o mensageiro, não a mensagem. Uma voz que anunciava a chegada do Verbo divino (João 1:1-3, 14). A voz é ouvida por um instante, mas a Palavra permanece para sempre. Por isso, sua mensagem era clara: “Não olhem para mim; ouçam o Senhor que vem depois de mim.” João anunciou não apenas a chegada do reino dos Céus, mas também a vinda de seu Rei. Enquanto o mundo buscava reconhecimento e títulos, João escolheu ser apenas uma voz, tendo sua identidade plenamente submetida à missão que Deus lhe confiara.

Na antiguidade, um arauto era enviado à frente do rei para preparar o caminho, tapando buracos e endireitando curvas. João, porém, não reparava estradas; conclamava o povo a preparar o coração. Endireitar o caminho significava confessar os pecados, aceitar a graça, abandonar a hipocrisia religiosa e viver em harmonia com a justiça de Deus. Para cumprir o propósito divino, uma voz precisa cultivar qualidades que continuam sendo um modelo para nós:

Integridade. João não se submetia ao poder político de Herodes nem ao poder religioso dos fariseus. Ellen White diz: “Ele admirou o Rei em Sua beleza, e o próprio eu foi esquecido. […] Sentia-se incapaz e indigno. Estava disposto a ir como mensageiro do Céu, sem ter medo do ser humano, pois tinha contemplado Aquele que é divino” (O Desejado de Todas as Nações, p. 71).

Humildade. “Convém que Ele cresça e que eu diminua” (João 3:30). Ellen White afirma: “Podia ficar em pé e sem medo na presença de monarcas terrestres, porque se ajoelhara diante do Rei dos reis” (Idem).

Foco. Seu único objetivo era apontar para Cristo, o Salvador. “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (João 1:29).

O projeto OneVoice27 oferece a todos a oportunidade de encontrar Jesus e estabelecer uma conexão com a igreja local. Trata-se de uma celebração missionária global dos 2 mil anos do batismo e do início do ministério de Jesus, com ênfase em setembro de 2027. A iniciativa utilizará todas as mídias disponíveis para motivar o estudo da Bíblia e anunciar a segunda vinda de Cristo.

O lema geral da campanha é “Jesus faz tudo novo”, e suas principais ênfases são o crescimento espiritual, a centralidade da igreja local e um plano integrado de proclamação, colheita e celebração, de maneira simples e eficiente. Em um mundo que continua marcado por desertos de esperança e atônito diante do ruído de tantas vozes confusas, precisamos nos lembrar de que só seremos ouvidos em alta voz quando proclamarmos juntos, em uma só voz.

João Batista era um representante dos que vivem nos últimos dias, a quem Deus tem confiado sagradas verdades. Ellen White conclui: “A profecia cumprida pela missão de João esboça nossa obra: ‘Preparem o caminho do Senhor, endireitem as Suas veredas’ (Mateus 3:3). Assim como João preparou o caminho para o primeiro advento de Cristo, nós devemos prepará-lo para o segundo advento do Salvador” (Testemunhos para a Igreja 7, p. 118).

Vamos todos juntos, em uma só voz!

domingo, 6 de setembro de 2026

MEDITAÇÃO #74 - DEPENDÊNCIA OU MORTE

Segundo o jornalista Laurentino Gomes, no livro 1822, o famoso grito de “Independência ou morte” dado pelo imperador D. Pedro I foi envolvido em mais simplicidade do que se imagina. Para quem não se recorda, a tal frase foi dita na tarde do dia 7 de setembro de 1822.

Gomes diz, em seu livro, que o imperador estava montado provavelmente em uma mula e subia a serra do Mar, em São Paulo, às margens do riacho Ipiranga. Dom Pedro era um jovem prestes a completar 24 anos e, naquele dia, estava com dor de barriga. Chegou a tomar um chá para aliviar o incômodo.

Histórias curiosas à parte, o tal grito marcou simbolicamente a decisão de o Brasil, governado naquele período pela monarquia, libertar-se politicamente de Portugal e deixar de ser uma colônia para se posicionar como nação independente.

A independência do Brasil teve motivações ideológicas, políticas e econômicas. Isso se deu, aliás, com grande parte das nações e muitas somente conseguiram se desconectar dos países colonizadores após guerras e conflitos sangrentos.

Mas será que sempre é saudável ser independente? Independência implica, também, seguir na vida de maneira autônoma e sem uma ajuda maior. Alguns jovens, por exemplo, gostam de se sentir independentes dos pais, principalmente na hora de sair com os amigos.

Espiritualmente, a Bíblia apresenta os riscos da independência. Lúcifer, o anjo portador de luz, resolveu agir de maneira independente do amor e das leis divinas e houve guerra no céu. O resultado foi que ele se transformou em Satanás, o adversário de Deus, que trabalha para destruir o ser humano. Adão e Eva também optaram por seguir independentes diante da orientação de Deus para não comerem da árvore da ciência do bem e do mal. O apóstolo Pedro, desejoso de caminhar sobre as águas como Jesus havia feito, afundou quando parou de depender de Cristo e não confiou mais em Seu poder.

No evangelho de João, capítulo 15, está a síntese da necessidade de dependência. Cristo, referindo-se a Si mesmo, declara nos versículos 1 e 2 que “eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que, estando em mim, não der fruto, ele o corta; e todo o que dá fruto limpa, para que produza mais fruto ainda”. O ser humano é o ramo que precisa estar ligado à Videira verdadeira.

No versículo 4, a ênfase é maior ainda na dependência de Deus. O Senhor mesmo diz que devemos permanecer nEle. Depender de Cristo é se submeter a Ele em todos os aspectos da vida. É deixar que Ele controle as vontades, pensamentos e, por consequência, as ações. Isso exige uma decisão diária amparada por constante oração, meditação profunda na Palavra de Deus e no testemunho visível dessa atuação.

Parafraseando o imperador, nosso grito espiritual deve ser “dependência ou morte”. Ou aprendemos a depender de nosso Senhor e Salvador e entendemos que nosso eu precisa ser soterrado para dar lugar a Deus, ou corremos risco de morrermos espiritualmente. O dramático é que essa morte quase não é percebida e acontece aos poucos. Por isso, o alerta individual precisa soar logo. Dependência já de Deus!
"Fazei de Deus vossa inteira dependência. Deus quer que removamos toda espécie de egoísmo, e a Ele nos acheguemos, não como donos de nós mesmos, mas como uma possessão adquirida pelo Senhor" (Ellen White - Mente, Caráter e Personalidade, vol. 1, p. 261).

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

MEDITAÇÃO #73 - UNÇÃO DE ENFERMOS

A unção era uma prática comum na igreja apostólica. Ela se tornou um recurso espiritual confortante e uma manifestação de fé no poder restaurador do Espírito Santo. Tiago instruiu: “Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo, em nome do Senhor. E a oração da fé salvará o enfermo, e o Senhor o levantará; e se houver cometido pecados, eles lhe serão perdoados” (Tg 5:14, 15). Ao pedir que um pastor ou ancião (sob autorização do pastor distrital) ministre a unção, o enfermo reconhece seu grave estado de saúde e sua entrega completa à vontade de Deus.

Atualmente parece que essa prática tem perdido um pouco de sua importância, talvez por falta de conhecimento sobre o assunto. Neste espaço, desejo expor resumidamente como se deve proceder com respeito à unção de enfermos.

A iniciativa. Espera-se que a unção seja ministrada a partir do desejo da pessoa enferma. Para tanto, o doente precisa estar inteirado de sua condição física e consciente no momento da unção. Caso ele ainda não compreenda a importância dessa cerimônia, um familiar, o pastor, um líder da igreja ou membro deve informá-lo quanto a essa prática, para benefício de sua saúde e fé.

O azeite. O azeite de oliva era considerado um dos remédios mais comuns entre os antigos, usado tanto para se ingerir como para untar. No clima quente da Palestina, friccionar o corpo com óleo era uma prática frequente. Na Bíblia, o azeite simboliza a presença e atuação do Espírito Santo (Zc 4:2-6).

A circunstância. A cerimônia da unção não deve ser usada diante de qualquer mal-estar comum. Ela deve ser reservada para doenças graves, mas não somente para as fatais. O ato de ungir significa que reconhecemos um grave problema físico e o enfrentamos colocando nossa confiança em Deus acima, mas não em substituição, de todos os recursos da medicina.

O local. A Bíblia não fala de um lugar específico para realizá-la. Portanto, cremos que ela pode ser feita na casa da pessoa enferma, no hospital ou no asilo. Por ser uma cerimônia reservada, normalmente se convida a família, algum parente próximo e mais alguém que a pessoa deseje.

O preparo. Tanto o oficiante quanto a pessoa que está enferma devem rogar o perdão de seus pecados, fazer os devidos acertos e se entregar completamente nas mãos do Senhor, a fim de que a oração seja atendida segundo a Sua vontade (1Jo 5:14, 15).

A cerimônia. O rito deve ser realizado de forma simples, curta e objetiva. Antes da leitura dos textos bíblicos e da oração, cabe ao oficiante esclarecer que nem sempre as pessoas ungidas são curadas. Deus pode restaurar todas as enfermidades; contudo, se essa não for Sua vontade, o Senhor pode prover forças à pessoa enferma para que ela suporte o sofrimento e, então, permitir que ela descanse em Cristo, na esperança da ressurreição. O oficiante e os participantes podem orar ajoelhados ou em pé, dependendo das circunstâncias. Se o doente desejar orar, poderá fazê-lo. Nesse caso, o oficiante orará por último e aplicará o azeite com as pontas dos dedos na fronte da pessoa enferma.

A leitura. Há muitos textos e passagens bíblicas que podem ser usados nessas ocasiões, como Tiago 5:13 a 16; Números 21:8 e 9; Salmo 103:1 a 5 e Marcos 16:15 a 20. Trechos de algum livro devocional também podem ser lidos. Entretanto, a cerimônia não deve ser demorada. Logo após o encerramento, não é recomendável que os participantes fiquem conversando no recinto. O ideal é que deixem a pessoa em paz, com seus pensamentos voltados a Deus.

É importante destacar que não podemos impedir ninguém de receber a unção. Se a Santa Ceia é facultada a todos, o mesmo princípio deve ser aplicado com respeito a essa cerimônia. No entanto, faz-se necessário uma explicação sobre o significado do rito antes de sua realização. O perdão, a cura e a salvação estão disponíveis a todos os pecadores.

A Bíblia diz: “Então, na sua angústia, clamaram ao Senhor, e Ele os livrou das suas tribulações. Enviou-lhes a Sua palavra, e os sarou, e os livrou do que lhes era mortal” (Sl 107:19, 20). Ellen White comentou: “Deus está hoje tão desejoso de restabelecer os doentes como quando o Espírito Santo proferiu essas palavras por intermédio do salmista. E Cristo é agora o mesmo compassivo médico que era durante Seu ministério terrestre. Nele há bálsamo curativo para toda doença, poder restaurador para toda enfermidade. Seus discípulos de nossos dias devem orar pelos doentes tão verdadeiramente como os de antigamente” (A Ciência do Bom Viver, p. 135, 136).

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

MEDITAÇÃO #72 - CORRUPTOS

"Não aceite dinheiro para torcer a justiça, pois esse dinheiro faz com que as pessoas fiquem cegas e não vejam o que é direito, prejudicando assim a causa daqueles que são inocentes" (Êx 23:8 NTLH).

Corrupção vem do latim corrupta que por sua vez é uma junção de palavras cor (coração) e rupta (quebra, rompimento). É bonita essa origem porque a origem da corrupção como nos foi revelado no livro do Gênesis é justamente no coração, ou seja, na realidade mais intima da pessoa, que rompe com Aquele que é a própria vida, ou seja, Deus mesmo. Conhecemos esse movimento como pecado original e é a partir dele que os cristãos entendem toda a classe de corrupção que apareceu depois no mundo.

Seja a corrupção mais escandalosa ou aquela mais silenciosa, ambas possuem sua origem no coração que rompeu sua ligação com o Senhor. Também não existe grande ou pequena corrupção. O que muda é apenas o valor envolvido. Um político que rouba bilhões dos cofres públicos não é mais corrupto do que o cristão que dá propina a fiscais. Ambos estão no mesmo barco, precisam se arrepender do mesmo modo, pedir perdão do seu pecado e se humilhar diante de Deus. E, claro, responder diante da justiça humana pelo seu crime.

Permita-me perguntar: será que você praticou ou tem praticado atos de corrupção? Transgressões que considera “insignificantes” ou “menores”? Você tem burlado normas? Tem cedido a pressões para alcançar seus objetivos? Tem fechado os olhos ao erro e fingido que não está sabendo de nada? Se esse é o caso, eu gostaria de convidá-lo ao arrependimento. Ao abandono da prática. E, se foi um ou mais de um evento isolado, o convido à confissão desses pecados e à tomada de responsabilidade por eles. Só assim você terá condições morais de criticar políticos ladrões, empreiteiros corruptos, governantes desonestos.

Lembre-se da história de Zaqueu, o corrupto. Foi somente no dia em que ele decidiu, “se nalguma coisa tenho defraudado alguém, restituo quatro vezes mais” (Lc 19:8) que Jesus lhe disse: “Hoje, houve salvação nesta casa” (Lc 19:9). Esse é um relato contundente de como aquele que cedeu à tentação da corrupção deve proceder. Zaqueu não deu justificativas, tampouco “boas desculpas”, não procurou mostrar os benefícios que ter agido de modo ilícito proporcionaram, nada disso. Ele simplesmente reconheceu seu pecado, o confessou e tomou atitudes práticas para consertar o que tinha feito. Fora disso não há salvação.

Convido você a um exame de consciência. Se queremos um Brasil mais honesto e livre da corrupção nas altas esferas, precisamos começar por nós mesmos, nas pequenas esferas. Não negocie o inegociável. Só assim teremos moral para exigir o mesmo dos outros. Se você transgride por ações ou omissões, isso te tira o direito de exigir o fim da transgressão dos outros. Como diz a conhecida passagem bíblica, “Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio? Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, quando tens a trave no teu. Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás claramente para tirar o argueiro do olho de teu irmão” (Mt 7:3-5).

Meu irmão, minha irmã, não seja hipócrita. Busque agir com correção em tudo, mesmo que isso custe algo a você. Pode ser que haja prejuízo na terra, mas, pode ter certeza, haverá um enorme lucro nos céus.
“A maior necessidade do mundo é a de homens – homens que se não comprem nem se vendam; homens que no íntimo da alma sejam verdadeiros e honestos; homens que não temam chamar o pecado pelo seu nome exato; homens cuja consciência seja tão fiel ao dever como a bússola o é ao polo; homens que permaneçam firmes pelo que é reto, ainda que caiam os céus” (Ellen White - Educação, p. 40).

terça-feira, 1 de setembro de 2026

MEDITAÇÃO #71 - EVENTOS FINAIS

Algo que fascina e intriga qualquer estudante da Bíblia são as profecias, principalmente aquelas que ainda estão por se cumprir. Como adventistas, temos uma visão muito ampla dos acontecimentos finais da história. Tão ampla que, às vezes, nos perdemos em meio ao grande volume de informações.

Para não se confundir, você encontra a seguir uma visão panorâmica dos eventos que antecederão a segunda vinda de Cristo. A sequência não é rígida, mas procura seguir a ordem mais lógica e natural dos acontecimentos mencionados na Bíblia e nos escritos de Ellen White. Momentos difíceis nos aguardam no futuro, mas a felicidade de estar com Jesus compensará tudo.

1. REAVIVAMENTO E REFORMA
Significa a completa mudança de mentalidade, hábitos e práticas entre o povo de Deus. Requisito para a chuva serôdia, só ocorrerá por meio de verdadeira conversão (Jl 2:12; 13, 23, 28, 29).

2. CHUVA SERÔDIA
Concessão especial do poder do Espírito Santo, é semelhante à experiência do Pentecostes (Jl 2:23, 28-31; At 2) e indispensável para a conclusão da missão. Requer profunda consagração (Jl 2:12, 13, 15-17).

3. ALTO CLAMOR
Como resultado da chuva serôdia, a igreja desperta e se envolve intensamente na pregação global do evangelho eterno (Ap 14:6-12; 18:1), dando oportunidade para cada ser humano decidir sobre a própria salvação (Mt 24:14; Mc 16:15).

4. SACUDIDURA
A mornidão espiritual, as falsas doutrinas, a crise final e a perseguição gerada pelo decreto dominical vão "peneirar" o povo de Deus. O "trigo" permanece na igreja enquanto o "joio" sai dela e se une aos perseguidores (Am 9:9; Mt 13:24-30).

5. SELAMENTO
Conduzido pelo Espírito Santo, esse processo se inicia na conversão e termina com a morte do crente ou o fim do juízo pré-advento (Ef 1:13; 4:30). O selo invisível, que prepara a pessoa para o tempo da angústia (Ap 7:2 3), confirma que ela pertence a Deus e é fiel à Sua lei (Is 8:16; Ez 20:20).

6. DECRETO DOMINICAL E PERSEGUIÇÃO
A união do poder religioso (papado) com o político (Estados Unidos) resultará na imposição por lei da guarda do domingo (Ap 13). Os guardadores da lei de Deus serão perseguidos e terão que fugir das grandes cidades.

7. ENGANOS SATÂNICOS
O inimigo concentrará seus maiores esforços nos últimos dias, usando principalmente o espiritismo e o protestantismo desvirtuado. Porém, o clímax do engano ocorrerá no tempo de angústia, quando ele imitará os milagres e o retorno de Cristo (2Co 11:14; Mt 24:23-27).

8. TEMPO DE ANGÚSTIA PRÉVIO
Breve período, possivelmente entre o decreto dominical e o fechamento da porta da graça, quando tribulações deixarão o mundo perplexo (Lc 21:25, 26; Ellen White - Primeiros Escritos, p. 85, 86).

9. FIM DO TEMPO DA GRAÇA
Quando Cristo concluir o juízo pré-advento no Céu, os salvos terão sido selados na Terra e o destino eterno de cada ser humano estará definido (Ap 22:11). O Espírito Santo deixará de atuar no coração dos ímpios e começará o tempo de angústia e o derramamento das pragas.

10. TEMPO DE ANGÚSTIA E AS SETE PRAGAS
Depois de terminada a intercessão no Céu (Ap 15:5-8), haverá um período de aflição sem precedentes (Dn 12:1), em que os anjos não mais conterão a fúria dos homens, da natureza e do mal (Ap 7:1-3). As sete pragas castigarão apenas os ímpios. Com exceção, talvez, da sexta e sétima pragas, esses flagelos não terão alcance global (Ap 16).

11. DECRETO DE MORTE
Os ímpios culparão o povo de Deus pelas pragas. Os fiéis serão perseguidos com o apoio de um decreto de morte promulgado pela coalizão entre as duas bestas de Apocalipse 13.

12. ANGÚSTIA DE JACÓ
Com a perseguição batendo à porta, o povo de Deus passará por um breve período de intensa angústia, assim como Jacó (Gn 32:22-32; Jr 30:7). Eles clamarão pela certeza do perdão dos pecados e por livramento da perseguição. Deus estará com eles.

13. ARMAGEDOM
É a última batalha entre o bem e o mal, que incluirá aspectos políticos, militares e religiosos. Terá alcance global e ocorrerá entre a sexta e a sétima pragas (Ap 16:12-16). Cristo e seu povo triunfarão (Ap 19:11-21).

14. LIVRAMENTO
A sétima praga inclui relâmpagos, trovões, um terremoto gigantesco, chuva de granizo e outros fenômenos cataclísmicos (Ap 16:17-21). Colocará fim à perseguição e culminará com o juízo de Deus contra a Babilônia mística e a ressurreição especial dos que precisam testemunhar a volta de Cristo (Dn 12:2; Ap 1:7).

15. SEGUNDA VINDA DE CRISTO
Ela será visível, audível e gloriosa. Jesus virá numa nuvem branca acompanhado de todos os seus anjos (Mt 24:30; Ap 1:7) para ressuscitar os justos mortos, transformar os justos vivos (1Co 15:51, 52), fulminar os ímpios (2Ts 2:8) e levar os salvos para o Céu (1Ts 4:16, 17). Lá eles passarão mil anos (Ap 20:4), e retornarão com Cristo à Terra para testemunhar a destruição de pecado e pecadores (Ap 20:5; 7-15) e a restauração do planeta, no qual irão morar eternamente (Ap 21:1-4).