quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Sete mentiras muito populares sobre Deus

Entre as mentiras com consequências mais trágicas, estão as mentiras sobre Deus. Deus é o Deus da verdade (Is 65:16), e é avesso à mentira (Pv 12:22; Hb 6:18). No entanto, o diabo existe e é o “pai da mentira” (Jo 8:44). Ele tem se empenhado em espalhar falsidades sobre Deus, a fim de que tenhamos um conceito incorreto de sua Pessoa divina (At 13:10; Gn 3:4, 5). As informações erradas sobre Deus são produto da especulação de filósofos sem compromisso com a revelação bíblica e justificativa para dogmas religiosos não fundamentados nas Escrituras Sagradas. Infelizmente, esses mitos levam muita gente a ter atitudes equivocadas para com o Único que pode salvar (At 4:12).

Com palavras poéticas, o profeta Isaías descreveu o estado de perdição espiritual em que se encontra quem crê numa mentira a respeito daquele que é a Verdade: 

“O seu coração enganado o iludiu, de maneira que não pode livrar a sua alma, nem dizer: Não é mentira aquilo em que confio?” (Is 44:20)

A seguir, menciono sete mentiras muito populares sobre Deus, com a respectiva apresentação do que a Bíblia tem a dizer sobre quem o Senhor realmente é.

1. Deus determina tudo o que acontece
Muita gente entende mal um dos atributos de Deus: a sua soberania. Imagina que o Todo-Poderoso, que tem autoridade sobre todo o Universo, comande tudo o que acontece em sua vasta criação a ponto de determinar cada coisa que vai acontecer. Na verdade nem tudo o que acontece é por que Deus quer. Se Deus realmente determinasse tudo, seria impossível desobedecer-lhe!

Deus intervém na história humana (Dn 2:21), mas não determina tudo. Ele concedeu ao ser humano a faculdade de tomar as decisões que determinarão seu próprio destino (Dt 30:15-20; Js 24:15; 1Rs 18:21). Pessoas podem optar por dedicar a vida a Deus (Mc 9:24; At 8:37; At 16:13), ou podem escolher permanecer sob o domínio do pecado (Gn 4:6, 7; Is 66:3, 4), mesmo que a vontade de Deus seja que todos escolham o arrependimento e a salvação (2Pe 3:9). Deus deixa as pessoas praticarem sua própria vontade, mesmo que a vontade humana seja contrariar a vontade de Deus (Rm 1:24, 25). Ele dá liberdade para você e eu escolhermos se queremos acreditar ou não nele (Jo 3:16).

2. Quando alguém morre, é porque foi a vontade de Deus
Muito ao contrário, Deus não quer que ninguém morra, mas que se arrependa e tenha a vida eterna (2Pe 3:9). Quem deseja que pessoas morram é o diabo, que “vem para roubar, matar e destruir”. Mas Deus quer nos dar “vida completa” (Jo 10:10, NTLH).

Para Deus, a morte de uma pessoa que tem a vida entregue a Ele é um momento especial (Sl 116:15). É algo comparado a um sono, do qual Deus deseja despertar-nos (Jo 11:11; 1Ts 4:14). Portanto, Deus, além de não desejar a morte de ninguém, ressuscitará aqueles que pertencem a Ele (1Ts 4:16).

3. Deus é energia
No imaginário popular, Deus frequentemente é descrito como sendo uma “energia”, uma “luz”, que permeia o Universo; uma espécie de grande fantasma, invisível, sem forma, um espírito sem corpo que está em todos os lugares, algo impessoal. Nada poderia estar mais longe da verdade. A Bíblia descreve Deus com um Ser pessoal, com aparência física, apesar de diferente da nossa natureza humana, e extremante grandioso (1Co 15:40; 1Rs 8:27).

Deus, o Pai, é apresentado na Bíblia como tendo boca (Nm 12:8), costas (Êx 33:18-23), cabeça (Ez 1:26; Dn 7:9), rosto (Lv 10:1; Dt 5:4, 1Ts 1:9), olhos (Am 9:8), dedo (Êx 8:19; 31:18; Dt 9:10), mão (Êx 9:3), pés (Êx 24:10), se assentando num trono (Is 6: 1-6; Ez 1:26-28), usando roupas (Is 6:1; Dn 7:9), com cabelos brancos (Dn 7:9); enfim, com aparência de um ser humano (Ez 1:26). E não é para menos que Ele seja parecido conosco, uma vez que nos fez semelhantes à sua imagem (Gn 1:26, 27). Apesar de Ele ser agora invisível para nós (Cl 1:15; 1Tm 1:17; Hb 11:27), um dia os salvos verão a Deus (Mt 5:8).

Deus também tem uma personalidade. Ele tem desejos (Ef 5:17), sente ira (Dt 6:15), faz reconsiderações (Gn 6:6), se compadece (2Rs 13:23), enfim, Deus tem emoções e gostos. Deus é pessoal, conhece nossa experiência. Por meio de seu Espírito Santo, pode estar em todos os lugares (Sl 139), e podemos nos aproximar dele e conversar com Ele (Hb 4:16).

4. Deus nunca vai desistir de alguém
Essa afirmação é muito próxima da verdade, mas não deixa de ser incorreta. Deus deseja que todos se salvem (2Pe 3:9), enviou Cristo para morrer por todas as pessoas do mundo (Jo 3:16), e trabalha para persuadir cada uma a aceitar a salvação (Rm 2:4). Mas, como há pessoas que desistem completamente de Deus, não há nada que Ele possa fazer para convencê-las a se arrependerem de sua vida de pecado (Hb 6:4-7).

A Bíblia descreve algumas pessoas que, apesar de Deus ter demonstrado seu favor para com elas e de terem sido agraciadas com ricos privilégios espirituais, rejeitaram de modo tão obstinado a vontade de Deus para sua vida que o Senhor não pôde fazer mais nada para salvá-las. Um exemplo bíblico claro é Saul, que rejeitou a Palavra de Deus e foi, por isso, rejeitado por Deus (1Sm 15:26).

5. Deus é Deus de bênção, não de maldição!
Esse lema pode até trazer segurança para o fiel, mas trata-se de uma inverdade. Deus abençoa aqueles que lhe obedecem e fazem a sua vontade (Dt 28:1, 2), mas adverte que maldições estão reservadas para os que não guardam os seus mandamentos (Dt 28:15-68).

6. Muitos caminhos levam a Deus
Não! Só há um único caminho, que é Jesus Cristo, e ninguém pode se achegar a Deus a não ser por meio dele (Jo 14:6). Cristo é o único mediador entre Deus e os homens (1Tm 2:5). Outras alternativas espirituais além de Jesus Cristo são “vaidade. Suas obras não são coisa alguma” (Is 41:29), e quem procurar se aproximar de Deus por outros caminhos, além de Jesus Cristo, está percorrendo “caminhos de morte” (Pv 14:12; 16:25), ou “caminho que conduz para a perdição” (Mt 7:13).

7. Deus não condena ninguém
Deus não enviou Cristo ao mundo “para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por Ele” (Jo 3:17). No entanto, pessoas que rejeitam a salvação oferecida a elas por Deus receberão a condenação reservada aos desobedientes e incrédulos (Jo 3:18-21). Um dia, Deus, por meio de Jesus Cristo, vai julgar os segredos de todos (Rm 2:16), e castigará aqueles que terão rejeitado Cristo como seu Salvador (Hb 10:29), condenando-os à morte eterna (Mt 25:41).

Infelizmente, muita gente tem sido enganada com mentiras sobre Deus. Mas a Palavra de Deus é “em tudo verdade” (Sl 119:160). E, na Bíblia, a Palavra de Deus, podemos conhecer a verdade sobre Ele, ser libertos pela verdade (Jo 8:38), e ter a vida eterna, que advém de conhecer verdadeiramente a Deus (Jo 17:3).

Fernando Dias (via Revista Adventista)

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Você tem apontado o dedo?

O gesto de apontar o dedo é muito comum. Apontamos nosso indicador em uma variedade de situações, com diversas finalidades, mas, em geral, o que esse gesto faz é colocar algo, que não somos nós, no centro das atenções. Se alguém me pergunta, por exemplo, onde fica determinada rua e eu aponto o dedo em uma direção, o que meu dedo põe no foco não sou eu, mas, sim, a tal rua. Se eu mostro uma pessoa com o meu dedo, o assunto em questão é a pessoa, não eu. Portanto, invariavelmente, o gesto de apontar tira quem aponta dos holofotes e põe em destaque quem é apontado. Devemos, porém, tomar cuidado com o que o dedo apontado para o outro diz a nosso respeito.

Uma das maneiras de fugir das próprias responsabilidades é desviando as atenções para os erros alheios. Muitas vezes, quando não queremos encarar os nossos problemas e as nossas falhas, usamos como estratégia apontar o dedo para os erros de outra pessoa qualquer, a fim de que todos os olhos se voltem para ela e, com isso, nossas questões deixem de ser o assunto em pauta. É por essa razão que, por exemplo, candidatos a cargos eleitorais costumam atacar seus adversários, para afastar as atenções dos próprios podres, jogando os podres do outro no ventilador. É uma tática comum e bastante usual.

Por que esse assunto é espiritualmente importante? Porque a fé cristã exige de nós uma atenção constante aos nossos defeitos. O que devo trabalhar prioritariamente são as minhas deficiências; as dos outros vêm depois. O evangelho nos confronta a todo instante com nossas falhas e exige de nós arrependimento. Porém, como se arrepender se sempre tentamos nos justificar de nossas falhas apontando o dedo para o próximo?

Costumo desconfiar de gente que só vive botando o dedo na cara dos outros. Cristãos que dedicam a vida a apontar a falha alheia muito provavelmente deveriam se preocupar com os próprios pecados com muitíssimo mais atenção. E, para pôr em prática o que estou defendendo neste texto, deixe-me apontar o dedo para a minha cara e não a sua: anos atrás, na época em que eu agia como o “apologeta da verdade” e dedicava meus pensamentos, meus textos, minhas horas e minhas energias a “denunciar os erros da Igreja” e a atacar os hereges e os equivocados, foi o período da minha vida em que eu mais deveria ter prestado atenção aos meus defeitos. Algo errado com denunciar os hereges e equivocados? Claro que não. Mas eu deveria, antes disso, ter prestado atenção e tratado os meus próprios conceitos, modos de agir, valores e motivações. O resultado de ter posto o dedo na cara alheia e não na minha: acabei doente, física e espiritualmente.

Esse fenômeno acontece em diversas instâncias. Esposas e maridos conformados com seus procedimentos antibíblicos apontam o dedo para o cônjuge ao serem confrontados com seus pecados e dizem “ah, mas você…”. Pronto. Tirou o foco das próprias atitudes horríveis e o pôs na falha do outro para não ter de se reconhecer errado e fazer algo a respeito. Patrões que não querem se assumir como exploradores dos empregados põem o dedo na cara do governo e dizem “ah, mas o governo…”. Cidadãos comuns que dão propina a policiais ou funcionários do governo tentam aliviar sua consciência apontando o dedo para o Planalto e dizendo “ah, mas os políticos…”. E assim por diante.

Você tem apontado o dedo? Nenhum problema quanto a isso, se a sua motivação for apontar para corrigir com amor e se, antes, tenha feito uma profunda autoanálise. Nossa prioridade é examinar a nós mesmos e buscarmos, nós, o arrependimento. Responda, com sinceridade e transparência: seu dedo apontado tem como motivação a amorosa edificação e correção do seu próximo ou uma pretensa superioridade moral e espiritual sua? Será que você aponta as falhas dos demais por amor a eles ou porque, afinal de contas, você é o tal, o defensor da verdade, o paladino mascarado do evangelho? Pior: será que seu dedo apontado não tem por finalidade tirar as atenções das próprias falhas?

Temos de tomar cuidado para não apontar dedos com motivações espúrias. Porque, na maioria das vezes em que apontamos para o próximo sem que nossa motivação seja, única e simplesmente, o amor, estamos incorrendo em dois pecados abomináveis: a hipocrisia e a arrogância.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,

Maurício Zágari (via Apenas)

"Demorando-se continuamente nos erros e defeitos dos outros, muitos se tornam dispépticos religiosos. Os que criticam e condenam uns aos outros estão transgredindo os mandamentos de Deus, e são-Lhe uma ofensa. Irmãos e irmãs, afastemos o entulho da crítica e suspeita e murmuração, e não desgastei os nervos externamente. Se todos os cristãos professos usassem suas faculdades investigadoras para ver quais os males que neles mesmos carecem de correção, em vez de falar dos erros alheios, existiria na igreja hoje uma condição mais saudável. Precisamos olhar às faltas dos outros, não para condenar, mas para restaurar e curar. Vigiai em oração, ide avante crescendo, obtendo mais e mais do espírito de Jesus, e semeando o mesmo sobre todas as águas." (Ellen G. White - Mente, Caráter e Personalidade, vol. 2, p. 635-638) 

No vídeo abaixo, o prof. Leandro Quadros aponta os danos das críticas:

terça-feira, 6 de agosto de 2019

O cálculo da Previdência

O Brasil passa por um grande debate sobre seu sistema previdenciário. É evidente que existem questões político-partidárias em jogo também, mas não há como negar que a população brasileira está envelhecendo, e isso é um fenômeno mundial. Ao analisar os dados disponibilizados pelo Banco Mundial, em 2017, podemos verificar que a expectativa de vida em vários países tem aumentado.

Na década de 1980, por exemplo, um brasileiro vivia em média 62 anos, enquanto que em 2017 a expectativa era de 75 anos (saiba mais aqui). Quando se trata dos adventistas, a julgar pelos estudos sobre longevidade e estilo de vida realizados há décadas na Universidade de Loma Linda (EUA), pode-se esperar que vivamos um pouco mais do que a população em geral.

A pergunta que muitas pessoas têm feito, e isso não se restringe aos idosos, é como se preparar para uma velhice mais longa. Pode a aposentadoria trazer felicidade? O preparo financeiro é um dos elementos mais importantes nessa equação. E isso tem que ver com o nível de controle que você pretende ter em relação à sua aposentadoria. Ou seja, quando, como, em que circunstâncias você gostaria de deixar de trabalhar formalmente?

Em função do envelhecimento da população e das possíveis reformas previdenciárias, algo que se deve levar em conta nesse planejamento daqui para a frente é que o trabalhador precisará esperar mais tempo para se aposentar e receberá um benefício menor quando parar. Portanto, precisará complementar sua renda, a fim de manter seu custo de vida atual ou até mesmo sua dignidade.

Infelizmente, a cultura previdenciária e de poupança do brasileiro segue muito baixa. Segundo matéria do jornal Valor ­Econômico de 6 de março, a taxa de poupança no Brasil (14,5% do PIB) é bem inferior à de outros países emergentes, como Índia (28,5%) e China (45%). Em geral, o brasileiro espera que sua aposentadoria seja financiada pelo sistema estatal (INSS), e que décadas de contribuição resultem numa renda que cubra seu orçamento mensal. Porém, como o rendimento médio do trabalhador fica bem abaixo do teto do INSS, muitos não se atentam para o fato de que receberão menos do que imaginam. Quando descobrirem isso, pode ser tarde demais.

Para fazer um bom planejamento, você precisa ter três fontes de renda no futuro: aposentadoria estatal (INSS), previdência privada e economias poupadas ao longo da vida. E, quanto mais cedo começar a poupar, menos precisará desembolsar por mês para formar essas reservas. Por exemplo, para você ter uma renda de mil reais a partir dos 65 anos, considerando uma taxa real de juros de 4,5% ao ano, basta poupar 167 reais por mês durante 35 anos. Mas, para ter a mesma renda com apenas 15 anos de contribuição, você terá que guardar 655 reais a cada mês.

Ao falar da necessidade de poupar, Ellen White, pioneira adventista, escreveu que deveríamos guardar economias mensalmente e não mexer nesse valor, a não ser por uma emergência relacionada à saúde (O Lar Adventista, p. 396). Esse conselho centenário tem se mostrado cada vez mais atual.

Elias Teixeira da Silva (Este artigo foi publicado na edição de julho de 2019 da Revista Adventista)

Nota: Uma curiosidade: Ellen White teve uma vida ativa até os 87 anos. Com 64, quando a maioria das pessoas se aproxima da aposentadoria, ela servia na Austrália como conselheira e missionária junto com outros intrépidos pioneiros da igreja, com o propósito de ajudar a estabelecer uma base para a obra do Senhor naquela ilha continente. Ela também era extremamente generosa. Numa época em que ainda não existiam planos de aposentadoria, sempre que ouvia falar de algum pastor idoso que estava precisando de ajuda financeira, ela não hesitava em lhe enviar algum dinheiro, a fim de socorrê-lo naquela emergência.

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

74 anos da bomba de Hiroshima: Todos os adventistas sobreviveram

Dia 6 de agosto de 1945, Hiroshima – Japão – primeira cidade na história a ser destruída por uma bomba atômica. Apesar da terrível devastação e perda de vidas, neste dia, no 74º ano deste evento fatídico, vamos refletir nas histórias impressionantes dos membros da Igreja Adventista do Sétimo Dia de Hiroshima. Todos sobreviveram!

Asako Furunaka
A HISTÓRIA DE ASAKO FURUNAKA
Asako Furunaka nasceu no dia 12 de agosto de 1921, filha de um empresário de sucesso no Japão. Independente e muito inteligente, frequentou a escola noturna após se formar como professora. Aos 32 anos de idade, tornou-se repórter de um jornal, algo incomum para uma mulher naqueles dias. 

Casou com um professor universitário e, embora não tivessem filhos, teve uma vida feliz. Um dia, porém, quando já se aproximava dos 50 anos, a vida de Asako foi abalada quando seu esposo confessou ter uma amante e pediu o divórcio. 

O desespero e a raiva a oprimiram e a tristeza e o ódio por seu marido enchiam seus dias e noites fazendo com que cresse que nunca mais confiaria em ninguém. Logo caiu em profunda depressão.

Quando sua vida estava no fundo do poço, alguém a convidou para ir à igreja, começando a frequentá-la regularmente. Ali, aprendeu sobre o perdão, encontrou esperança na Bíblia e a paz retornou ao seu coração. No entanto, naquela época não conseguiu se decidir pelo batismo.

Devido às suas habilidades e qualificações, ela foi convidada para ser a professora de Bíblia das crianças da igreja. Muito feliz, aceitou o cargo e começou a ensinar as lições da Escola Sabatina para as crianças. Um dia, a lição relatava a história do livro de Daniel, sobre os três jovens que foram salvos embora tivessem sido jogados na fornalha ardente por se negarem a adorar a imagem de ouro que o rei Nabucodonosor havia feito. (Daniel 3:23-27)

Ela contou a história, mas quando terminou, um dos garotos exclamou: ”Eu não acredito nisso!” Então uma menina disse: “Eu acredito porque minha avó sempre me conta como nenhum membro da igreja adventista em Hiroshima foi morto quando a bomba caiu naquela cidade.”

Ao ouvir isso a irmã Furunaka concluiu que, embora estivesse ensinando a lição, ela também não acreditava naquela história, nem podia acreditar no que a menina dissera. Ao mesmo tempo, porém, um pensamento veio à sua mente: “Eu sou jornalista, não sou? Então devo ser capaz de descobrir se o que esta menina está dizendo é verdade ou não. Eu realmente devo conferir esta história!”

Assim, começou sua pesquisa, visitando todos os membros da igreja que haviam estado em Hiroshima na época da bomba atômica.

DIA FATÍDICO 
O ataque nuclear ocorreu no final da Segunda Guerra Mundial contra o Japão, realizado pela Força Aérea dos Estados Unidos, na ordem do presidente americano Harry S. Truman, na manhã de uma segunda-feira dia 6 de agosto de 1945. 

Após seis meses de intenso bombardeio em 67 outras cidades japonesas, a bomba atômica "Little Boy" caiu sobre Hiroshima. Quando a primeira bomba atômica da história foi jogada (três dias depois lançaram outra bomba em Nagasaki matando 80 mil pessoas), tudo foi destruído, instantaneamente, num raio de 2 km; a temperatura do solo alcançou inimagináveis 6000º C. Todas as pessoas vivas, num raio de 4 km morreram queimadas. Foi provocada uma terrível ventania, com a velocidade de 4,4 km por segundo derrubando prédios inteiros e fazendo com que os estilhaços de vidro chegassem a até 16 km de distância. 

A radiação incrivelmente forte transmitida pela bomba, provocou, nos que estavam expostos a ela, a perda de todas as funções corporais e apoptose celular, um tipo de suicídio das células. Como resultado da explosão propriamente dita, os incêndios consequentes e as queimaduras pela radiação, 200 mil habitantes de Hiroshima perderam a vida.

NENHUM ADVENTISTA FERIDO
No meio de toda esta devastação, seria possível que nenhum membro da igreja, mesmo os que moravam a 1 km de distância de onde a bomba caiu, tivesse sido morto ou ferido? Incrédula, a irmã Furunaka começou a visitar um por um, os membros da igreja que estiveram lá na ocasião.

O que encontrou foi que, mesmo em meio às mais terríveis possibilidades de morte daquele dia, nenhum membro da igreja pereceu ou ficou ferido.

A garotinha que dissera acreditar que os três fiéis rapazes foram mantidos vivos dentro da fornalha ardente, porque a sua avó sempre lhe contava que nenhum dos membros da Igreja Adventista de Hiroshima fora ferido, dissera a verdade.

Durante a sua investigação, a irmã Furunaka ouviu o testemunho de um membro da igreja, Hiroko Kainou, que ao ser surpreendida pela fúria do vento, caiu de joelhos e orou. Embora todos os vidros da casa tenham quebrado e voado, ela saiu sem nenhum arranhão. 

Iwa Kuwamoto
A irmã Iwa Kuwamoto estava a 1km do local onde a bomba caiu. Quando ela conseguiu sair debaixo dos escombros, pôde ver a nuvem semelhante a um cogumelo gigante, que escondeu o sol e envolveu a terra com sua escuridão. 

Ela tentou desesperadamente ajudar seu esposo, descrente na época, a sair dos escombros, mas os incêndios ameaçavam engoli-los. Tomando a mão do marido e chorando, a irmã Iwa disse: “O fogo está chegando. Não posso fazer mais nada, então vamos morrer juntos. Deus sabe de tudo. Por favor, creia em Jesus Cristo. Eu não posso salvá-lo!” Seu esposo, porém, disse: “Não, vou morrer aqui, mas você deve correr por causa das crianças. Você precisa encontrar as crianças e buscar um lugar seguro. Faça isso pelas crianças!”

Mais uma vez ela disse: “Não, não tenho como escapar do fogo. Vou morrer aqui com você.” Mas seu esposo não quis ouvi-la. Ele disse: ”Não! Eu estou bem aqui. Por muito tempo me rebelei contra você e minha mãe, e não acreditava em Deus. Mas agora eu creio na salvação de Deus, assim poderemos nos ver outra vez. Por favor, por favor, vá encontrar as crianças. Por favor, vá!” Assim, com lágrimas de desespero ela deixou seu esposo ali. Jogando água em seu corpo enquanto caminhava escapou das chamas e, mais tarde encontrou seus filhos.

Tomiko Kihara
Tomiko Kihara era médica e tinha sua própria clínica. Havia estado de plantão na noite anterior e chegara em casa às duas da manhã, de modo que dormia quando a bomba explodiu. Embora estivesse a menos de 1 km de distância do centro da explosão, nada caiu sobre ela e não teve um ferimento sequer. Assustada com a explosão, correu para fora para ver o que estava acontecendo. Mas, tudo o que pode ver foi o chão queimado e escuro. Reconhecendo a seriedade da situação, correu para o hospital do outro lado da cidade, e ali, por uma semana, sem descansar ou dormir, ela atendeu as vítimas, pois era um dos poucos médicos da cidade a sobreviver à explosão. Nas semanas e meses seguintes à tragédia, ela continuou dando tudo de si para ajudar as vítimas.

CRENTE DE VERDADE
Como resultado de ouvir esses testemunhos, a irmã Iwa Furunaka veio a crer completamente em Deus e foi batizada. Recebeu, depois, um convite para falar da fidelidade do Salvador aos outros, e, aos 58 anos, matriculou-se no curso de teologia do Colégio Saniku Gakuin, no Japão. Após a formatura, tornou-se pastora da Igreja Adventista Kashiwa e, mais tarde, trabalhou como instrutora bíblica na Igreja Adventista Kisarazu. 

Mesmo depois de jubilada, continuou a ser uma ativa evangelista. Hoje, gozando de boa saúde aos 88 anos de idade, ela diz: “Não tenho mais família aqui na terra, mas Deus me ama e eu estou contente.”

A IGREJA ADVENTISTA DE HIROSHIMA
A Igreja Adventista do Sétimo Dia de Hiroshima foi construída em 1917. Em 1943, a instituição Grande Associação Patriótica Religiosa do tempo de Guerra no Japão eliminou toda religião que não estivesse em harmonia com o xintoísmo. Desta forma, a igreja foi demolida. O primeiro ancião Morita San foi obrigado a supervisionar a demolição de sua querida igreja.

Mas, o que a princípio parecia uma maldição, tornou-se uma bênção. Por causa da perseguição religiosa até 4 de agosto de 1945 (dois dias antes da bomba ser lançada), a maioria dos membros da igreja de Hiroshima já havia deixado a cidade. Alguns permaneceram, inclusive Morita e sua família que também estavam presentes quando a bomba foi lançada. Eles, e outros adventistas que ainda estavam em Hiroshima naquele dia, sobreviveram.

Após a guerra, os adventistas se reuniam nos lares dos membros da igreja nos arredores de Hiroshima. Em 1951 foi comprado um terreno dentro da cidade e construída uma nova igreja, assim como a casa pastoral, uma escola, e, mais tarde, uma clínica. Ao ,longo dos anos, seus membros têm sido ativos no trabalho missionário e a igreja de Hiroshima tem sido uma das mais fortes no Japão.

domingo, 4 de agosto de 2019

20 lições de vida que você precisa aprender

"Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio." (Salmos 90:12)

O salmo 90 é uma das mais sublimes composições sobre a vaidade da vida humana. Pudéssemos ver o fim de nossa vida e de muitas das coisas às quais atribuímos valor absoluto, certamente entenderíamos que muitos de nossos esforços e paixões não passam de insanidade. Ficaríamos horrorizados com nossa estupidez. O que podemos aprender de nossa vida e da observação de outras vidas quando, à luz da sabedoria divina, nós nos aplicamos a alcançar um coração sábio? Quero compartilhar com você vinte lições que você pode aprender na universidade da vida:

1. Tudo o que temos ao redor é temporário e um dia vai passar. Todas as coisas serão feitas novas pelo Criador. Em uma questão de tempo, os eventos que hoje parecem tão importantes serão vistos de outra perspectiva.

2. Excesso de compromissos e pressão do tempo são os principais assassinos dos relacionamentos. Qualquer relacionamento requer tempo para ser desenvolvido. Isso vale tanto para o relacionamento com Deus como entre esposos e com os filhos.

3. Trate as pessoas como você gostaria de ser tratado. Busque reprimir a centralização básica no “eu”. Nunca explore nem tire vantagens dos outros. Aproveite as oportunidades para tornar suas amizades mais fortes.

4. O valor humano não depende da aparência, inteligência nem de realizações.

5. A comparação é a base de todo sentimento de inferioridade. No momento em que começamos a examinar os pontos fortes dos outros, em oposição às nossas fraquezas, a autoestima começa a ser abalada. Muitos são como a rã que queria ser boi e acabou explodindo.

6. Como regra geral, nunca arrisque aquilo que você não se pode dar ao luxo de perder.

7. Se você está passando por tempos difíceis, permaneça firme. Isso vai passar. Se você está experimentando dias tranquilos, isso também vai passar. As únicas coisas que permanecem são as que, por natureza, são inabaláveis.

8. Um dos segredos da vida bem-sucedida encontra-se na palavra equilíbrio.

9. Seja cuidadoso nas escolhas, mesmo as pequenas, porque elas condicionam as grandes.

10. Recuse o complexo de vítima. Mude o que pode ser mudado e aceite o inevitável com confiança no poder dAquele que pode todas as coisas.

11. Longe de ser uma quadra de esportes ou um piquenique, a vida é uma sala de aulas. Por isso, reflita sobre suas experiências.

12. Muitos de nossos troféus de hoje estarão na lata de lixo amanhã. Assim, seja comedido em suas celebrações.

13. Em qualquer associação de dois seres humanos, cedo ou tarde, um acaba irritando ou ferindo o outro. Como responder aos atritos da vida? Há pelo menos três alternativas. Alguns internalizam os atritos, enviando-os para um “banco de memórias” e nunca mais os esquecem. Isso cria pressão e resulta em doença. Outra alternativa é tentar resolver os desacertos na base dos músculos ou ferir a outra pessoa verbalmente. Isso causa a morte de casamentos, amizades e sociedades. Finalmente, você pode tomar tempo para conversar, discutir os sentimentos, cuidando para não atacar a dignidade ou o valor da outra pessoa. Esse é o único caminho com resultados permanentes.

14. O corpo humano pode parecer indestrutível quando somos jovens. Contudo, ele não é tão forte assim. Digo sempre ao meu filho: “Se eu não cuidar do corpo, onde vou morar?”

15. Quem se “casa” com os valores de hoje estará viúvo amanhã. Não seja afoito com os modismos.

16. Satanás tentará você em suas áreas frágeis. O que você quer? Sexo, poder, dinheiro, prestígio? É isso que ele vai lhe oferecer.

17. As questões finais da vida são de extremo significado. Até que elas sejam resolvidas, sucesso, fama, dinheiro e realizações acadêmicas estão sobre fundamentos falsos.

18. A busca de significado tem sido a marca da cultura oriental. Misticismo, meditação transcendental, yoga e gurus falham porque buscam respostas dentro do homem, enquanto a resposta verdadeira está fora dele.

19. Imagine-se uma pessoa idosa, olhando para trás, através do tempo. As memórias de maior significado estarão ligadas às pessoas que amamos e que nos amaram, e àquilo que pudemos fazer no serviço de Deus.

20. Finalmente, lembre-se: experiência não é o que acontece com você, mas o uso que se faz com aquilo que acontece com você.

Amin A. Rodor (via Meditações Diárias - Encontros com Deus)

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

A vida é muito curta para ser esbanjada

Parece que foi ontem! Esta é uma frase que ouvimos com muita frequência. Ela entra para o nosso repertório mais cedo do que esperamos, e comumente fazemos uso dela quando sentimos a sensação de que a passagem do tempo nos pegou de surpresa. Muito mais do que uma frase feita ou meramente um clichê, ela expressa uma verdade universalmente admitida: a transitoriedade da experiência humana.

A Bíblia também fala sobre a efemeridade da vida. Esse é um tema recorrente e abordado por diversos autores inspirados. Uma passagem que chama especialmente minha atenção é aquela encontrada em Tiago 4:14, em que o autor coloca diante de nós uma pergunta que suscita reflexão: “O que é a vossa vida?”. Ele mesmo responde: “É um vapor que aparece por um pouco, e logo se desvanece."

Pensar sobre a vida, às vezes, gera um certo desconforto - exige profundidade. Mas algo que tortura ainda mais é pensar no que virá depois dela – provoca o desconhecido. No meio-termo dos pensamentos há a duração e o desenrolar da vida em seu curto espaço e rápido tempo.

Não é de hoje o falar, divagar e concluir sobre a nossa existência e em como a vida deve ser vivida. Muitos filósofos foram tão profundos que chegaram a um imenso vazio, e outros deixaram um valioso conhecimento. Sêneca, um filósofo que viveu nos tempos em que Jesus estava na Terra, abordou reflexões sobre a brevidade da vida até se chegar na questão de como viver plenamente. Oscar Wilde, no século 19, declarou que viver é a coisa mais rara do mundo, pois a maioria das pessoas apenas existe. Chaplin, no século passado, comparou a vida a uma peça de teatro que não permite ensaios, por isso o pretexto de vivermos a vida profundamente. 

Mas nenhum se compara ao sábio Salomão que desvendou o grande enigma de como devemos viver. De maneira especial, no capítulo 12 do livro de Eclesiastes, fala-se sobre a brevidade da vida e o quanto é necessário priorizarmos Deus em tudo o que fazemos enquanto somos jovens e temos tempo, e aguardamos ansiosos a vinda de Cristo. 

Salomão, em sua sabedoria, ensina-nos que devemos viver a vida intensamente (Ec 12:1). Como? Fazermos tudo o que dá vontade? Sim. Desde que a nossa vontade esteja em sintonia com a vontade de Deus. Desfrutar dos prazeres criados por Deus no tempo certo e de maneira correta. Aproveitar o dia. Entregar nossos melhores dias e o nosso vigor a Ele, o quanto antes pudermos. Viver à disposição de Deus.

Salomão também aconselha-nos a viver a vida esperançosamente. Na continuação do capítulo 12, o autor retrata a velhice. E com isso podemos alegrar-nos, pois quem envelhece servindo a Deus e esperando nEle, é estimulado e fortalecido (Is 40:31). 

E por último, viver a vida sabiamente, temendo a Deus e obedecendo aos Seus mandamentos. Dessa forma, “pensar na vida” torna-se mais leve, não é? E com certeza acende em nós uma felicidade, na medida em que entendemos que a morte não é o nosso fim se vivermos para recebermos a vida eterna em Cristo Jesus. 

Como vimos, a administração sensata do nosso tempo é um assunto muito espiritual. O Senhor nos deu graciosamente o tempo e somos responsáveis ​​pelo sábio uso dele. Concluindo, vejamos o que diz Ellen G. White:

"Nosso tempo pertence a Deus. Cada momento é Seu, e estamos sob a mais solene obrigação de aproveitá-lo para Sua glória. De nenhum talento que nos concedeu requererá Ele mais estrita conta do que de nosso tempo. Cristo considerava precioso todo momento, e assim devemos considerá-lo. A vida é muito curta para ser esbanjada. Temos somente poucos dias de graça para nos prepararmos para a eternidade. Não temos tempo para dissipar, tempo para devotar aos prazeres egoístas, tempo para contemporizar com o pecado. Agora é que nos devemos formar o caráter para a futura vida imortal. Somos advertidos a remir o tempo. O tempo esbanjado nunca poderá ser recuperado, porém. Não podemos fazer voltar atrás nem sequer um momento. A única maneira de podermos remir nosso tempo consiste em utilizar o melhor possível o que nos resta, tornando-nos coobreiros de Deus em Seu grande plano de redenção. A vida é muito solene para ser absorvida em negócios terrenos e temporais, em um remoinho de cuidados e ansiedades pelas coisas terrenas que são apenas um átomo em comparação com as de interesse eterno." (Parábolas de Jesus, pp. 342-345).

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Ellen White e os 9 piores tipos de marido

1. Opressor
Há na maioria das famílias filhos de várias idades, alguns dos quais necessitam não somente a atenção e sábia disciplina da mãe, mas também a mais severa, embora afetuosa, influência do pai. Poucos pais consideram esta questão na sua devida importância. Eles negligenciam o próprio dever e assim acumulam pesados encargos sobre a mãe, ao mesmo tempo que se sentem em liberdade de criticá-la e condenar-lhe as ações segundo o seu julgamento. Sob este senso opressor de responsabilidade e censura, a pobre esposa e mãe não raro experimenta culpas e remorsos pelo que fez inocente ou ignorantemente, e frequentemente quando fizera o que melhor lhe fora possível nas circunstâncias. Contudo quando seus exaustivos esforços deviam ser apreciados e aprovados e ela sentir-se alegre, é ao contrário obrigada a andar sob uma nuvem de pesar e condenação porque seu esposo, ao mesmo tempo que ignora o próprio dever, espera que ela cumpra a parte de ambos de maneira satisfatória, sem considerar as circunstâncias desfavoráveis. 

2. Exigente
Muitos maridos não compreendem e não apreciam suficientemente os cuidados e perplexidades que suas esposas suportam, geralmente confinadas o dia todo à incessante rotina dos deveres domésticos. Frequentemente eles retornam ao lar com a fisionomia carregada, não trazendo alegria ao círculo da família. Se a refeição não saiu na hora, a fadigada esposa, que é a um tempo, faxineira, enfermeira, cozinheira e ama, é saudada com censuras. O marido exigente pode condescender em tomar dos cansados braços da mãe a criança impertinente para que ela possa apressar o alimento da família; mas se a criança está inquieta, esperneia nos braços do pai, dificilmente ele compreenderá ser seu dever desempenhar o papel de ama e procurar acalmá-la. Ele não se demora a considerar quantas horas a mãe suportou a inquietude da criança, mas chama impaciente: "Mamãe, tome o seu filho." Não é de ambos o filho? Não está ele sob a natural obrigação de aceitar sua parte do fardo de criar os filhos? 

3. Ditatorial e dominador
Tua vida seria muito mais feliz se não sentisses que estás investido de absoluta autoridade porque és marido e pai. Tua conduta mostra que interpretas mal tua posição de marido, isto é, laço de união do lar. És nervoso e ditatorial e muitas vezes manifestas grande falta de senso, de maneira que em qualquer tempo que considerares tua conduta nessas ocasiões, ela não pode parecer razoável para com tua esposa e teus filhos. Uma vez havendo tomado uma posição, raramente te mostras disposto a dela afastar-te. Estás determinado a executar teus planos, quando muitas vezes não estás seguindo reto curso e devias notá-lo. O que necessitas é mais, muito mais, de amor, de longanimidade, e menos de determinação de seguir tua maneira de sentir tanto em palavras como em obras. No curso que estás agora perseguindo, em vez de seres um laço de união da família, serás como um torno para comprimir e martirizar a outros. 

4. Arbitrário
Procurando forçar outros a seguir tuas idéias em todo sentido, muitas vezes fazes maior mal do que se abrisses mão desses pontos. Isto é verdade mesmo quando tuas idéias são corretas em si mesmas, mas não o são em muitas coisas; eles são sobrecarregados como resultado das peculiaridades de tua administração; assim inculcas as coisas erradas de maneira forte e irrazoável. Tens pontos de vista peculiares com respeito à condução da família. Exerces um poder independente, arbitrário, que não permite liberdade de opiniões em torno de ti. Pensas que és suficiente para ser a cabeça em tua família e entendes que tua cabeça é suficiente para mover cada membro, como uma máquina funciona nas mãos do operador. Ditas e assumes autoridade. Isto desagrada o Céu e fere os santos anjos. Tens-te conduzido em tua família como se unicamente fosses capaz de autogoverno. Ofendes-te se tua esposa se aventura a opor-se a tuas opiniões ou questione tuas decisões. 

5. Irritadiço e rixento
Maridos, dai a vossas esposas uma oportunidade para sua vida espiritual. No que respeita a muitos a disposição de irritar-se é encorajada até que se tornam como crianças grandes. Não deixam este aspecto de sua vida infantil para trás. Acariciam esses sentimentos até que limitam e restringem o curso da vida por suas lamuriosas reclamações. E não somente sua própria vida, mas a vida de outros também. Levam consigo o espírito de Ismael, cuja mão era contra todos e a mão de todos contra ele. 

6. Egoísta e mal-humorado
O irmão B não é de um temperamento que leve alegria a sua família. Aqui está um bom lugar para ele começar a trabalhar. Ele é mais como uma nuvem do que como um raio de luz. É por demais egoísta para dizer palavras de aprovação a sua família, especialmente a um dentre os outros que deve ter seu amor e terno respeito. É mal-humorado, despótico, ditatorial; suas palavras frequentemente são cortantes, e deixam uma ferida que ele não procura sarar suavizando o espírito, reconhecendo suas faltas e confessando o erro praticado. Precisa abrandar-se; deve ele cultivar o refinamento e cortesia. Deve ser muito terno e amável para com sua esposa, que é sua igual em todos os sentidos; não deve proferir palavras que lancem sombra sobre o seu coração. Ele deve começar a obra de reforma no lar; deve cultivar a afeição e vencer os traços rudes e ásperos, insensíveis e egoístas de seu temperamento. O esposo e pai retraído, egoísta, despótico, não somente é infeliz em si mesmo, como lança sombras sobre todos os que o cercam em casa. Ele há de colher o resultado vendo a esposa desalentada e doentia, e os filhos manchados pelos desagradáveis traços de caráter. 

7. Intolerante
Esperas demasiado de tua esposa e filhos. Censuras demais. Se encorajasses em vós mesmo um temperamento alegre e feliz e lhes falasses bondosa e ternamente, levarias para teu lar luz em vez de sombras, tristezas e infelicidade. Preocupas-te demasiado com tua opinião; tomas posições extremas, e não tens permitido que tua esposa tenha no seio de tua família o peso que deveria ter. Não tens encorajado o teu próprio respeito por tua esposa nem educado os filhos para que lhe respeitem o julgamento. Não a tendes feito tua igual, antes tens tomado em tuas mãos as rédeas do governo e controle, e as tens mantido firmemente. Não possuis disposição de afeição e simpatia. Necessitas cultivar esses traços de caráter se queres ser um vencedor e se desejas as bênçãos de Deus em tua família. 

8. Que despreza a cortesia cristã
Tens considerado como fraqueza o ser bondoso, terno e compassivo, pensando ser abaixo de tua dignidade falar terna, gentil e amavelmente a tua esposa. Aqui erras no conceito do que seja a verdadeira varonilidade e dignidade. A disposição de deixar por praticar atos de bondade, é manifestar fraqueza e defeito de teu caráter. Aquilo que olhas como fraqueza, Deus considera verdadeira cortesia cristã, que deve ser praticada por todo cristão; pois foi esse o espírito manifestado por Cristo. 

9. Tirânico
Se o marido é tirânico, exigente, criticando os atos da esposa, não pode ele manter seu respeito e afeição, e a relação matrimonial lhe tornar-se-á odiosa. Não amará o marido, pois ele não procura tornar-se amável. Devem os maridos ser cuidadosos, atentos, constantes, fiéis e compassivos. Devem manifestar amor e simpatia. Quando o marido tem a nobreza de caráter, a pureza de coração, a elevação de espírito que deve possuir todo verdadeiro cristão isso será manifesto na relação matrimonial. Ele procurará conservar a esposa com boa saúde e ânimo. Esforçar-se-á por falar palavras de conforto, criar uma atmosfera de paz no círculo familiar. 

Ellen G. White (via O Lar Adventista, pp. 224-228)