quarta-feira, 4 de abril de 2012

Deve o cristão praticar artes marciais?

“Fui batizado há pouco tempo, mas enfrento um problema: pratico artes marciais e os irmãos da igreja acham que isso não está certo. Só que até agora eles não me deram explicações convincentes. Por favor, me ajude a entender essa questão.” 
Não é fácil convencer alguém sobre esse tema. Por isso, os irmãos de sua igreja estão com dificuldades. Primeiro, porque as artes marciais são vistas como uma coisa comum. Que mal existe em algo tão popular, se algumas dessas lutas são adotadas como esportes olímpicos? Também há benefícios como autocontrole, autoconfiança, defesa pessoal, dentre outros. O argumento lógico passa a ser: se esse tipo de esporte promove benefícios, então é saudável. Além disso, você está envolvido e gosta do que faz há bastante tempo. Não é fácil convencer alguém nessa situação, porque o gosto pessoal acaba falando mais alto. 

Antes de qualquer avaliação, você precisa entender o que está por trás das coisas. Por isso, quero focalizar dois pontos, esperando que isso o ajude a tomar uma decisão adequada. 

1. A filosofia oriental e a Nova Era estão por trás do conceito das artes marciais. Se você estudar a origem do Kung Fu, verá que ele era praticado em mosteiros, por monges budistas. O Taekwondo, o que mais se difundiu em todo o mundo, exige intensa disciplina mental. O Tai Chi era muito apreciado pelo monge Chang San-Feng, fundador de um mosteiro para a prática do Taoísmo. Ele trabalhava exaustivamente a harmonia entre o yin e o yang, para melhorar o desenvolvimento entre a mente e o corpo. 

O povo chinês foi o que mais desenvolveu as artes marciais, relacionando-as com conhecimentos místicos e filosóficos. Ao ler impressos ou visitar sites sobre o assunto, você depara com promoções e ofertas do tipo: “energize-se”, “aprofunde sua vida espiritual”, além da oferta paralela de cursos de Yoga e outras atividades do gênero. As roupas, os gestos, a linguagem, os mestres, os conceitos – tudo está ligado às filosofias orientais e à Nova Era, propondo uma vida holística. Os mestres reverenciados pelo movimento são, entre outros, Lao Tsé, Buda e Confúcio. Isso já explica tudo. 

A proposta central de toda filosofia oriental e dos conceitos da Nova Era, é colocar o homem como o centro de tudo, canalizando positivamente sua energia interior e seu mundo interior. A Bíblia, no entanto, ensina que não somos deuses, mas que dependemos de Deus. A idéia de que poderíamos nos tornar como Deus foi o primeiro engano apresentado pela serpente, no Jardim do Éden (Gênesis 3:5). 

Portanto, existe um choque muito forte entre os princípios que movem as artes marciais e as orientações que Deus dá por meio da Bíblia. Por mais que você não se envolva filosoficamente, é conduzido e envolvido inconscientemente. 

2. A “defesa pessoal” é a base do aprendizado de qualquer dos gêneros de luta das artes marciais. O Kung Fu é uma luta que, em sua origem, tinha o objetivo de ajudar as pessoas a defender-se de animais ferozes e outros inimigos. O Judô tem por objetivo derrubar ou imobilizar o adversário. O Taekwondo usa muito as pernas. Já os braços são explorados de maneira semelhante ao pugilismo. O problema é que qualquer uma dessas lutas de autodefesa se torna uma arma. Num momento de cabeça quente, tensão, ameaça ou agressão, a luta extrapola, causando estragos irreparáveis. É assim com a maioria das pessoas que compram uma arma de fogo, para ter em casa ou no carro, para se defender. Ela não está lá para agredir ou ameaçar, mas você sabe quantos estragos pode causar. 

Por mais que essas lutas ensinem autocontrole e domínio próprio, você não pode esquecer que as emoções e impulsos humanos não são dignos de confiança. Além disso, vivemos em um mundo de pecado, onde o tentador faz tudo o que é possível para que você use sua “arma” para o mal, especialmente quando sabe que você quer ser fiel a Deus. 

Vamos avaliar um pouco mais. Quando você aprende técnicas de defesa pessoal, está buscando se defender de quê ou de quem? Contra quais inimigos nós lutamos hoje? 

Existem, basicamente, duas batalhas: a espiritual e a social. A maior é a espiritual, contra os principados e potestades, contra o poder do mal (Efésios 6:12). Para essa batalha é preciso buscar defesas na Bíblia, na oração, na fé. 

A outra batalha é contra a violência social. As pessoas vivem em condomínios, atrás de casas com muros altos, andam em carros blindados e compram armas para se defender. Nessas circunstâncias, porém, a orientação dos especialistas é: “Não reaja”. 

Como cristãos, não buscamos a paz ou a defesa através da violência. A orientação da Bíblia é outra. Nossa defesa é a fé no poder de Deus. É Ele quem nos protege e salva. Em todo o tempo, quando esteve na Terra, Jesus condenou toda atitude violenta. Pedro cortou a orelha do servo do sumo sacerdote (João 18:10) e foi duramente repreendido. Os ensinamentos de Jesus são claros: “Mas, a qualquer que te ferir na face direita, volta-lhe também a outra.” (Mateus 5:39). Isso não quer dizer que devemos sair por aí apanhando de qualquer pessoa. Jesus queria dizer: “Não revide.” A violência sempre gera violência. Esse é um terreno perigoso, no qual o jovem adventista não deve envolver-se. 

Seja fiel e prudente, pondo de lado seu gosto pessoal. Não se deixe envolver a ponto de não mais conseguir sair dessa prática. Deus é capaz de lhe dar forças e orientação para buscar outras opções que sejam saudáveis. 

5 comentários:

  1. Bendito amor honoráveis! Isso na visão do movimento cristianissmo né irmão? Eu não posso falar de outras ordens de vida da qual não sou e nem daquilo que eu não sou. Telefone sem fio, falar do outro de maneira como se a minha verdade fosse absoluta. Lembra-te de Salmo 101:4-5... Vai meditar que filho de peixe peixinho é, filho de Deus é cavalo é? - "EU DECLARO; SALMO 82:6-7 E EU CLAMO AO PODEROSO: SALMO 82:8

    "Como RASTAFARI, usamos vossas palavras de vossa majestade, que não buscamos a paz ou a defesa através da violência. Nossa defesa é a fé no poder de Deus. É JAH quem nos protege e salva. Em todo o tempo, quando esteve na Terra, CRISTO condenou toda atitude violenta. Pedro cortou a orelha do servo do sumo sacerdote (João 18:10) e foi duramente repreendido. Os ensinamentos de CRISTO são claros: “Mas, a qualquer que te ferir na face direita, volta-lhe também a outra.” (Mateus 5:39). Isso não quer dizer que devemos sair por aí apanhando de qualquer pessoa. CRISTO EM CARNE E OSSO quer dizer: “Não revide.” A violência sempre gera violência. Esse é um terreno perigoso, no qual o povo de DEUS não deve envolver-se."

    Deixo a meditação do MESTRE dos mestres: EU mandei vocês como ovelha para o meio de lobos. Sejam espertos como as cobras e sem maldade como as pombas.(Mateus 10:16)

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  2. Queria uma resposta referente. Estou voltando depois de 18 anos afastado da IASD. E pratico o Taekwondo, esporte pelo qual tenho paixão. Sou faixa preta segundo dan, e prático por esporte mesmo sem dar qualquer importância a filosofia. Gosto pelas habilidades de movimentos das pernas e braços. E onde presto exames de faixa, o mestre ensina que é uma diversão. Que ninguém vá para machucar alguém, zelando pela integridade física do colega. E que a prática seja para divertimento. E é dessa forma que pratico, apenas para manter o corpo saudável, e deixando de lado qualquer tipo de violência. Se servir para o momento em que realmente eu precise me defender, acho que qualquer um o faria, até mesmo sem ter prática em qualquer arte marcial. E se eu já tenho essa informação da prática de luta, é algo que já está em mim; Agora depende de como vou desenvolve-la. Eu escolho apenas para o meu bem estar, e não para machucar, ou qualquer que seja o tipo de violência.

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  3. Seu texto está muito bem escrito, parabens. Porem nao pode ser generalizado. Estude um pouco sobre o Judo (que é a arte que pratico e posso falar a respeito) e verá que o objetivo é muito maior que derrubar e imobilizar pessoas, vai alem do tatami. A orientação do judo justamente é a de nao praticar fora dos centros academico, nao se auto promover, ser humilde e respeitoso perante os outros. É facil quando nao conhecemos as intenções de algo, dizer que é ruim e errado. Temos que ser realista passamos todos os dias por provação, estamos inserido num mundo de pecado, onde Deus deixou para nossa escolha, seguir o certo ou o errado, ela poderia nao ter colocado a arvore no jardim, porem colocou e disse nao coma aquele fruto, porem o homem escolheu comer. Não é o Judo que fará uma pessoa violenta é a pessoa por si só. Ela nao precisa de judo para ser uma arma, basta coloca-la em uma situação de perigo, e sem instrução alguma de como atacar ou se defender o seu instinto selvagem, será talvez ate mais feroz do que um esportista que tem consciência. Buscando de armas brancas que estiverem a seu alcance para se defender. Entao nao é o esporte é a atitude, se voce pratica judo dentro do dojo ja aprenderá que nao deve ferir ninguem, e se voce é cristão praticante, saberá novamente que é errado ferir, mas a escolha de ferir ou nao, continua na suas maos, com judo ou sem judo. Eu defendo que sim, o estilo de vida que Judo ensina vem a somar a vida cristã, se houvesse mais judocas, teriamos mais respeito ao proximo.

    Um abraço.

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  4. Voce ja tem sua resposta, Eduardo. Não é o esporte que fará vc ser uma arma, é a sua atitude, Deus disse para o homem nao comer a maça e ele foi e comeu, ou seja, Deus deixou que a escolha partisse da gente, eu acredito inclusive que o esporte principalmente os oriundos do japao e ate mesmo o Taek vem a somar e ajudar nos a viver em sociedade, a ser tolerantes e principalmente respeitosos com o proximo, deferir textos que isso ou aquilo é errado sem conhecer os principios é facil, o que estou querendo dizer é que nao se pode generalizar, não sao todas as artes que tem intuito de machucar ou matar (aliais hoje em dia a grande maioria), elas te dao discernimento de o que fazer, mas deve partir de vc a intenção, pois com taek ou sem taek é possivel ser violento, e talvez ainda mais ferroz e selvagem do que se voce tivesse instrução. Se vc é conciente disso, não tem problema algum em aliar Taek ao seu ser Cristão.

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