quarta-feira, 20 de julho de 2016

Amigos nas bancas da feira

“Este é o meu mandamento: amem uns aos outros como Eu amei vocês. É a melhor maneira de amar. Deem a vida pelos amigos. Vocês mostram que são meus amigos quando fazem o que mando. Não os chamo de empregados, porque os empregados não entendem o que o patrão pensa ou planeja. Eu os chamo de amigos porque contei a vocês tudo o que vi de meu Pai” (João 15:12-15 – versão A mensagem).
Vivemos em um tempo de banalizações. Muitas coisas que antes eram consideradas raras e caras hoje são encontradas aos montes de maneira largada e barata nas feiras dos termos mal empregados nas conversas por aí.

Gosto do título de uma canção dos Titãs que deu nome ao álbum da banda na época que se chama: “A melhor banda de todos os tempos da última semana” e cito esse exemplo só para entendermos o quão raso somos quando não consideramos a integralidade e importância de muitas coisas que saem da nossa boca e não recheiam de sentido o que queremos dizer.

Creio que amizade seja um desses termos, a começar por designar “amigos” todos os que fazem parte do nosso “hall” de contatos do Facebook – quantos ali podemos realmente chamar de amigos? – ou então quando nos referimos aos conhecidos do passado ou do ambiente trabalho.

Parece bobagem irrelevante nos atermos a essa questão de semântica, mas sem perceber trilhamos os perigosos caminhos da impessoalidade, onde tudo é muito raso e pode ser descartado rapidamente, inclusive (e aterrorizantemente) as pessoas ao nosso redor.

Olhando para o Mestre e Amigo Jesus no evangelho segundo João, percebemos alguns indicadores de onde residem os traços de uma amizade verdadeira e gostaria de rapidamente refletir com você quatro deles.

O primeiro (não por ordem de importância) é na LIBERDADE (“Depois disso, muitos discípulos o abandonaram. Não queriam mais nenhuma ligação com Ele. Então, Jesus deu aos Doze a mesma oportunidade: “Vocês querem me abandonar?” João 6:66-67 – versão A mensagem) – Um relacionamento de cumplicidade deve nascer de convicção e consciência pessoal e não por despotismo ou obrigatoriedade, ou então é outra coisa completamente diferente de amizade.

O segundo é na PESSOALIDADE (“Jesus amava os três: Marta, a irmã dela e Lázaro, mas estranhamente quando soube que Lázaro estava doente, permaneceu onde estava mais dois dias (…) Quando Jesus a viu chorando (Maria) e o judeus com ela, sentiu grande indignação e perguntou: “Onde vocês o puseram?”. “Senhor, vem e vê”, disseram. Naquele momento, Jesus chorou” João 11:5a; 33-35 – versão A mensagem) – Jesus sabia o que aconteceria a respeito da morte de um querido amigo e também sabia que com apenas uma palavra poderia reverter todo o quadro que se instalou como o fez adiante, porém se compadeceu de tal forma com a dor dos seus amigos fraternos a ponto de chorar com a família porque os amava.

O terceiro é na DOAÇÃO (“Amem uns aos outros como Eu amei vocês. É a melhor maneira de amar. Deem a vida pelos amigos” – João 15:12 – versão A mensagem) – Em Jesus entendemos que uma relação de amizade deve transcender a lógica do egocentrismo e da teomania, pois o próprio Deus se entregou por todos, e quem somos nós para ficarmos aprisionados apenas nas relações que nos forneçam algum tipo de benefício?

O quarto e último é no PERDÃO (“Depois de terem se alimentado, Jesus disse a Simão Pedro: “Simão, filho de João, você me ama mais do que a estes?”. “Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo.” Jesus disse: “Alimente meus cordeiros” – João 21:15 – versão A mensagem) – Outra vez Jesus contraria a lógica da justiça humana e confia em um amigo que acabara de traí-lo. Ele conhecia o coração e as intenções de Pedro, sabia que o discípulo não tinha mentido quando afirmou que nunca negaria Jesus e também não estava preocupado com isso, Sua ligação estava além dos ressentimentos pontuais, estava firmada no amor.

Proponho que façamos uma breve avaliação do nosso próprio contexto de amigos, não para levantarmos um discurso de: “Agora sei distinguir quem é o meu amigo de verdade”, porque, como foi dito, essa afirmação é apenas a confirmação de um egocentrismo desvairado. Por que não vamos mais adiante e reconhecemos o quão falhos somos nos aspectos abordados acima que apontam para a pessoa de Jesus?

Deixemos um pouco o Facebook de lado, pois por trás das fotos de viagens incríveis e de sorrisos em restaurantes, pode haver alguém precisando do nosso abraço, e mais, da vida que emana de nós e chega ao outro fazendo-o descansar ainda que em uma sala vazia e sem nenhuma palavra trocada.

Seja amigo! Em nome do Amigo, Jesus!

Rodrigo Baia (via Minha Vida Cristã)

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