segunda-feira, 17 de março de 2025

VOCÊ TEM AMADO DE FATO SEU PRÓXIMO?

A escritora e cientísta política Ilona Szabó de Carvalho escreveu certa vez: "Olhe para o lado. Olhe nos olhos de quem está ao seu lado. Comece por onde se sente confortável, na sua casa, e em seus círculos mais próximos. Mas vá além. Ande pelas ruas e olhe nos olhos de quem cruza seu caminho nas calçadas. Preste atenção para não perder ninguém, pois pode passar por alguém que está sentado no chão, ou grudado na janela de um ônibus lotado. Reconheça o outro, não o evite. Reconheça-se no outro, seja pelas semelhanças, seja pelas diferenças e privilégios."

A Bíblia diz que nos últimos tempos o amor de muitos esfriaria. Se “o amor esfriar” não é ignorar as pequenas necessidades do próximo, não sei o que é. Infelizmente, é muito difícil mudarmos as outras pessoas. Mas o que podemos fazer é mudar a nós mesmos. Por isso proponho a você uma reflexão sobre suas atitudes. Será que você tem amado de fato o próximo?

Entenda que o amor ao próximo não se demonstra apenas em gestos grandiosos. Não é sendo missionário na África, tornando-se a Madre Teresa de Calcutá ou doando milhões de reais para a caridade que você será alguém que ama o próximo. Até porque, convenhamos, essas são ações que não estão ao alcance da esmagadora maioria das pessoas. Mas você tem a possibilidade de exercer o amor ao próximo diariamente, em pequenos gestos.

Ellen G. White declara: "Não aguardeis grandes oportunidades, negligenciando as pequenas oportunidades atuais para praticar pequeninos atos de bondade. Nas palavras, no tom da voz, nos gestos, na expressão do rosto podeis representar o Espírito de Jesus. Quem negligencia essas coisinhas e ainda alimenta a ilusão de estar preparado para realizar coisas maravilhosas para o Mestre, estará em perigo de fracassar redondamente. A vida não se compõe de grandes sacrifícios e maravilhosas realizações, mas de pequenas coisas. Bondade, amor e cortesia são as características do cristão" (Este Dia com Deus, p. 147).

Ceder o lugar no ônibus, abrir a porta para senhoras passarem, puxar a cadeira no restaurante, ceder a vez no trânsito, permitir que gente idosa passe à sua frente na fila, deixar que o último pão da padaria seja comprado por outra pessoa, abrir mão do seu tempo para ouvir quem está triste, fazer elogios, dar de comer a quem tem fome e de beber a quem tem sede… Atitudes como essas custam muito barato ou nada e, acredite, não doem.  

Você pode achar que pequenos gestos como esses não fazem a diferença. Mas lembre-se de que é do acúmulo de uma grande quantidade de tijolos bem pequenos que você constrói um enorme edifício de dezenas de andares. Ellen G. White diz: "A edificação de vosso caráter de maneira alguma está terminada. Cada dia é colocado na estrutura um bom ou mau tijolo. Ou estais construindo tortuosamente, ou com exatidão e correção que formarão um belo templo para Deus" (Carta 16, 1886).

Pequenos gestos de amor fazem toda a diferença. Jesus morreu pela humanidade, e isso foi um gesto grandioso. Mas Ele também providenciou comida para pessoas que estavam com fome. Ele chorou em solidariedade à tristeza daqueles que estavam abatidos com a morte de Lázaro. Ele criou as galáxias, mas também as pequenas sementes, o que demonstra que dá atenção ao macro e também ao micro. Perceba: Deus se preocupa com amor e não apenas com grandes gestos de amor. Se for amor, pode ter a dimensão que tiver, será apreciado pelo Senhor e fará toda a diferença para o próximo.

Em Lucas 10:25-37 encontramos uma história que nos ensina muitas verdades, e cada vez que a lemos, aprendemos muitas lições. Ela é conhecida como O Bom Samaritano. Ellen G. White escreveu que nessa história, Cristo ilustra “a natureza da verdadeira religião. Mostra que a religião consiste, não em sistemas, credos ou ritos, mas no cumprimento de atos de amor, no proporcionar aos outros o maior bem, na genuína bondade. Na história do bom samaritano, Jesus apresentou um retrato de Si mesmo e de Sua missão. A humanidade tem sido ferida, roubada e deixada quase morta por Satanás, mas o Salvador deixou a Sua glória para vir nos resgatar. Ele curou nossas feridas, nos cobriu com Seu manto de justiça e, à própria custa, tomou todas as providências em nosso favor. Mostrando Seu próprio exemplo, Ele diz aos Seus seguidores: 'Como Eu os amei, vocês devem amar-se uns aos outros' (Jo 13:34)" (O Desejado de todas as Nações, p. 497).

Amor é amor. O que revela o amor, seja “grande” ou “pequeno”, é um coração que abre mão de si pelo próximo. Ellen G. White diz: "Qualquer ser humano que necessite de nossa simpatia e de nossos préstimos é nosso próximo. Os sofredores e desvalidos de toda classe são nosso próximo; e quando suas necessidades são trazidas ao nosso conhecimento, é nosso dever aliviá-los tanto quanto nos seja possível. Devemos cuidar de todo caso de sofrimento e considerar-nos a nós mesmos como instrumentos de Deus para aliviar os necessitados até o máximo de nossas possibilidades. Devemos amar a Deus sobre todas as coisas, e ao nosso próximo como a nós mesmos. Sem o exercício desse amor, a mais alta profissão de fé não passa de hipocrisia" (Beneficência Social, p. 45-46).

Amar o próximo é mandamento. É preceito que está no topo da pirâmide. Dizer que ama a Deus, mas não amar o próximo, em verdade e de forma prática, é atitude que faz de nós mentirosos, diz a Palavra. A olhos humanos limitados por sua humanidade, amor pode ser uma opção, uma escolha. Mas, para Deus, não é. Amor ao próximo é mandamento. É ordenança divina. É dever sagrado e inegociável.

Peço a Deus, meu irmão, minha irmã, que você faça a diferença, que entenda que vivemos dias de muito desamor e que o amor é um item extremamente necessário e cada vez mais raro em nosso meio. Nem que sejam pequenas gotas de amor. Porque uma gota de amor após a outra, após a outra, após a outra… acaba gerando uma inundação de amor. Faça a sua parte. Ame. Por favor, ame. Pelo amor de Deus, ame. Abra mão de si em benefício do próximo, assim como Jesus abriu mão de si em nosso benefício. Acredito que, ao chegar diante do Pai celestial, o teu pequeno sacrifício será reconhecido como um grandioso gesto de amor.

Ellen G. White conclui: "O egoísmo e a fria formalidade quase têm extinguido o fogo do amor, dissipando as graças que deveriam deixar o caráter perfumado. Muitos dos que professam o nome de Jesus têm esquecido que os cristãos devem representar Cristo. A menos que mostremos sacrifício prático para o bem dos outros onde quer que estejamos, não somos cristãos, não importa o que declaremos ser" (O Libertador, p. 293).

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