terça-feira, 13 de maio de 2025

QUEM SÃO OS 24 ANCIÃOS DO APOCALIPSE?

“Ao redor do trono há também vinte e quatro tronos e assentados nele vinte e quatro anciãos vestidos de branco, em cujas cabeças estão coroas de ouro” (Apocalipse 4;4).

Os 24 anciãos são mencionados pela primeira vez na Bíblia pelo apóstolo João ao registrar a visão que teve do trono Deus (Apocalipse 4:4,10; 5:8,14). Depois, na sequência do mesmo livro, o escritor bíblico menciona os vinte e quatro anciãos algumas outras vezes (ex. Apocalipse 11:16-18; 19:4). Nas passagens bíblicas, os vinte e quatro anciãos aparecem vestidos com roupas brancas e com coroas de ouro em suas cabeças. Eles se assentam em vinte e quatro tronos e possuem harpas e taças de ouro com incenso.

Ao longo dos séculos muitos intérpretes buscaram definir a identidade dos vinte e quatro anciãos de Apocalipse. Como este elemento é novo na literatura apocalíptica e não encontra correspondência em nenhuma outra literatura do mesmo gênero foram sugeridas várias possibilidades de definição da identidade dos mesmos. As que mais se destacam são duas: seres angelicais ou redimidos pelo sangue de Cristo. Apresentaremos algumas interpretações sugestivas dos vinte e quatro anciãos no Apocalipse, como segue: 

1. Seres Angelicais: esta interpretação sustenta que são anjos que ministram louvores e adoração diante de Deus. Estes anjos são para alguns os que guardam e protegem todos os filhos de Deus e que, por conseguinte, os representam no céu.

2. A divisão dos turnos dos Levitas: para alguns os vinte e quatro anciões são uma alusão à divisão de turnos dos levitas que se ocupavam dos deveres do templo (1Cr 24:3-18). 

3. Divisão de músicos do templo: os descendentes de Levi que cuidavam da música do templo eram divididos assim como os sacerdotes, em vinte e quatro turnos (1Cr 25:1-31).  

4. Representantes de Israel e da Igreja: uma combinação entre os doze patriarcas (filhos de Jacó) e os doze apóstolos de Cristo. A interpretação neste sentido é dada pela soma dos doze patriarcas e doze apóstolos resultando em vinte e quatro. Esta é a linha de interpretação que mais alcançaram adeptos. 

5. Mártires: aqui todos os cristãos, que selaram sua fé através do martírio e, que agora estão glorificados e participando da exaltada vida celestial. 

6. Os santos do AT: são figuras transformadas do antigo pacto, anciãos sábios do antigo Israel.  

7. Figuras da mitologia astral: para alguns comentaristas João estaria fazendo uso da astrologia babilônica que afirmava existirem estrelas aos quais doze estavam ao norte e doze ao sul. Estas estrelas seriam juízes dos vivos e dos mortos.  

8. Grupo seleto de arrebatados: aqueles que foram arrebatados antes da tribulação compõe este grupo da visão de João no Santuário Celestial. 

As interpretações mencionadas revelam a grande dificuldade em se identificar os vinte e quatro anciãos mencionados em Apocalipse 4:4. Algumas interpretações, como observados à cima, buscam compreender o texto a luz da cultura adjacente, outras através de possíveis paralelos existentes nas escrituras que em certo sentido às vezes não possuem uma conexão congruente com o contexto em que os vinte e quatro anciãos estão inseridos em Apocalipse. 

Alguns intérpretes afirmam que os 24 anciãos são anjos, não seres humanos. Eles destacam que os anciãos são retratados ministrando as orações dos santos (Ap 5:8), obra que, segundo acreditam, dificilmente seria confiada a homens. Achamos improvável que sejam seres angélicos, assim como alguns sugerem. O fato de que se sentam em tronos indica que reinam com Cristo. Em nenhum lugar nas Escrituras os anjos governam ou sentam-se em tronos. Além disso, a palavra grega traduzida aqui como “anciãos” nunca é usada para se referir a anjos, apenas a homens, particularmente a homens de uma certa idade que são maduros e capazes de governar a Igreja. A palavra ancião seria inadequada para se referir aos anjos, os quais não envelhecem. Seu modo de vestir também indica que são homens. Embora os anjos apareçam em branco, roupas brancas são mais comumente usadas pelos crentes, simbolizando a justiça de Cristo a nós imputada na salvação (Apocalipse 3:5,18; 19:8).

A interpretação de que os 24 anciãos representam os santos que ressuscitaram quando Cristo ressuscitou, é a mais aceita pelos adventistas. Baseia-se no fato de que os capítulos 4 e 5 de Apocalipse apresentam uma visão do trono de Deus. Como os capítulos 4 e 5 falam do começo do Juízo Investigativo, isto coloca esta visão na data de 1844. Nessa data não existiam outros seres humanos no Céu, além dos que ressuscitaram quando Jesus ressuscitou.

"Quando Jesus, estando suspenso na cruz, clamou: 'Está consumado', as pedras se partiram, a terra tremeu e algumas das sepulturas se abriram. Quando Ele surgiu, vitorioso sobre a morte e o túmulo, enquanto a terra vacilava e a glória do Céu resplandecia em redor do local sagrado, muitos dos justos mortos, obedientes à Sua chamada, saíram como testemunhas de que Ele ressurgira. Aqueles favorecidos santos ressurgidos saíram glorificados. Eram escolhidos e santos de todos os tempos, desde a criação até os dias de Cristo. Assim, enquanto os chefes judeus procuravam esconder o fato da ressurreição de Cristo, Deus preferiu suscitar, do túmulo, um grupo a fim de que testificasse que Jesus ressuscitara e declarasse Sua glória" (Ellen G. White - Primeiros Escritos, p. 184).

Nos primórdios, entre os intérpretes adventistas: Josiah Litch, J. H. Waggoner, Uriah Smith e Steven Nelson Haskell já desenvolviam uma interpretação dos vinte e quatro anciãos. Aludiam que a veste branca e a coroa de ouro eram elementos identificadores daqueles quem levaram uma vida em conflito direto contra o pecado e que o venceu somente pelos méritos de Cristo. Suas conclusões eram similares, os anciãos representavam os redimidos de toda terra. Somente a linha de seus pensamentos que sofreram pequenas nuances. 

Litch estabeleceu uma analogia com os turnos sacerdotais de 1Cr 24 que, segundo ele, eram típicos dos ministros que auxiliam a Cristo no Santuário Celestial, assim, os anciãos são tipificados pelos doze patriarcas e os doze apóstolos. Waggoner adiciona o fato de que as taças cheias de incenso são as orações dos santos e que revela o caráter funcional de assistentes de Jesus Cristo em seu ministério Sumo-Sacerdotal Celestial. 

Smith assegura que o cântico ao cordeiro em Apocalipse 5:9-10 é cantado pelos redimidos, e o seu conteúdo declara que Jesus os comprou com seu sangue para serem sacerdotes de Deus, e foram comprados de todos os povos da terra, evidenciando, assim, sua identidade. Ele, portanto, estabelece uma ligação textual entre Mt 27:52-53, onde Mateus apresenta a ressurreição dos redimidos juntamente com Cristo e, Efésios 4:8, onde Paulo trata da ascensão de redimidos com Ap 4:4 que trata da visão de João daqueles que já estão glorificados no Céu. Haskell em três publicações diferentes ratifica esta posição. 

Uriah Smith interpreta da seguinte forma os 24 anciãos: "Quem são estes seres que rodeiam o trono de glória? Observe-se que estão vestidos de branco e têm na cabeça coroas de ouro, que são sinais tanto de um conflito terminado como de uma vitória ganha. Daqui concluímos que participaram anteriormente na luta cristã, trilharam outrora, com todos os santos, esta peregrinação terrena, mas venceram, e, com antecipação à grande multidão dos remidos, estão com suas coroas de vitória no mundo celeste. A página sagrada dá, pois, a resposta à nossa pergunta. Estes são alguns dos que saíram dos sepulcros quando Cristo ressuscitou, e foram contados entre a ilustre multidão que Ele tirou do cativeiro do sombrio domínio da morte quando subiu em triunfo ao Céu. Mateus fala de Sua ressurreição, Paulo de Sua ascensão, e João os contempla no Céu, fazendo os sagrados deveres para o cumprimento dos quais foram ressuscitados" (Considerações sobre Daniel e Apocalipse, pp. 408-410).

Quando Cristo morreu na cruz, esses santos ressuscitados não foram deixados na Terra para morrerem pela segunda vez. Foram levados para o Céu com Jesus, como as primícias de Seu sacrifício, e são hoje os vinte e quatro anciãos no Céu que foram mártires para Deus, desde o tempo da criação até o tempo de Cristo. Pode ser que Abel e João Batista estejam incluídos entre eles.

Em Apocalipse 4 o número 24 é usado simbolicamente. A cena toda é uma representação simbólica da realidade. Não devemos deduzir que há um número literal de 24 anciãos no Céu. Esse número chama nossa atenção para as funções dos anciãos. Como havia 24 divisões ou classes de sacerdotes que labutavam no santuário antigo, assim a obra dos anciãos é auxiliar a Cristo, nosso Sumo Sacerdote, em Seu ministério celestial.

Na Biblioteca dos Pioneiros Adventistas, Haskel escreve em A Cruz e Sua Sombra: "O sacerdócio levítico era dividido em vinte e quatro turnos. Cada turno tinha seu chefe ou governador do santuário. Isso continuou até o tempo de Cristo. Quando o Salvador subiu ao Céu, conduziu uma multidão de cativos; e quando em visão foi mostrado a João o primeiro compartimento do santuário celestial, com as suas sete lâmpadas de fogo acesas diante do trono de Deus, viu vinte e quatro anciãos assentados em vinte e quatro tronos, e adoravam o Cordeiro, dizendo: 'Tu... com o Teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação e para o nosso Deus os constituíste reino e sacerdotes'. Nisto, vemos o antítipo dos vinte e quatro turnos dos sacerdotes. Os chefes, ou anciãos de cada turno têm assentos de honra e são reis e sacerdotes segundo a ordem de Melquisedeque. O restante da multidão que Cristo levou ao Céu não é mencionado, mas seria razoável supor que eles constituam os turnos dos quais os vinte e quatro anciãos são os chefes."

Além de seus deveres sacerdotais no santuário, os antigos sacerdotes israelitas eram juízes adjuntos. Assim também, os anciãos celestiais ajudam a Cristo em Sua obra de julgamento.

Entre os intérpretes adventistas mais atuais mencionamos Francis D. Nichol, Richard Fredericks, Edwin Richard Thiele, Marvyn Maxwell, William H. Shea, Ranko Stefanovic, Jacques B. Doukan e Henry Feyerabend que exceto Maxwell, também são concordes sobre a identidade dos anciãos como sendo os redimidos. A linha de raciocínio desses estudiosos é equivalente à lógica já desenvolvida pelos seus antecessores com algumas variantes na construção da argumentação bíblica.

Como se pode observar entre os estudiosos adventistas há um consenso de que os anciãos são seres humanos ressurretos nos céu. Tal conclusão se baseia nos seguintes argumentos: os elementos a) vestes brancas: um traje de vitória, pois simboliza a justiça de Cristo; b) coroas de ouro: emblema de vitória sobre o pecado; c) trono: que é a promessa feita aos santos que vencessem o pecado em sua luta terrena (Ap 3:21). Disto posto, os autores adventistas fazem a harmonização de três textos fundamentais para sua argumentação: Ap 5:8-10, Ef 4:8 e Mt 27:52,53, declarando que em Mateus é apresentada a ressurreição, em Efésios, a ascensão e, em Apocalipse o seu estado celestial de glorificados. E os turnos sacerdotais, perfazem o pano de fundo para os doze patriarcas e os doze apóstolos, sendo os representantes de todo o povo de Deus, tanto da antiga convenção como da nova. Desta forma, o texto nunca se refere a anjos, mas a homens.

Nenhum comentário:

Postar um comentário