"Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos Céus" (Mateus 5:3).
Nos dias de Cristo, os guias religiosos do povo julgavam-se ricos em tesouros espirituais. A declaração de Jesus é justamente um ataque direto ao senso de autossuficiência espiritual, que impede a atuação de Deus na vida do crente. O termo ptochos também deriva de ptasso que é “humilhar-se”, “abaixar-se”. Assim, os “pobres de espírito” são pessoas humildes, que em primeiro lugar reconhecem sua pecaminosidade e se inclinam diante de Deus para serem agraciados por Ele.
Ellen G. White nos fala mais sobre o significado dessa expressão:
"Os que choram, os mansos que se sentem indignos do favor de Deus e os que têm fome e sede de justiça; todos estão incluídos no termo 'pobre de espírito'. Os pobres de espírito sentem sua pobreza, sua necessidade da graça de Cristo. Percebem que conhecem pouco a respeito de Deus e de Seu grande amor, e que precisam de luz a fim de conhecer e guardar o caminho do Senhor. Não ousam enfrentar a tentação amparados na própria força, pois sabem que não dispõem de força moral para resistir ao mal. Não encontram prazer em se lembrar de sua vida passada, e têm pouca confiança ao olhar para o futuro, pois são enfermos de coração. Para tais, Cristo diz: 'Bem-aventurados os pobres de espírito.' Cristo viu que aqueles que sentem sua pobreza podem ser feitos ricos. Porém, antes que possa existir o intenso desejo pela riqueza contida em Cristo, disponível a todos que sentem sua pobreza, deve existir o senso de necessidade. Quando o coração está repleto de presunção e preocupado com as coisas superficiais da Terra, o Senhor Jesus repreende e disciplina a fim de que a pessoa possa se dar conta de sua verdadeira condição. Achegue-se a Jesus com fé e sem demora. A provisão dEle é farta e gratuita, Seu amor é abundante, e Ele lhe concederá graça para tomar Seu jugo e levar Seu fardo com alegria" (Perto do Céu, p. 180).
Diante da maravilhosa e rica graça de Deus somos extremamente pobres. Nosso primeiro dever ao nos aproximar de Deus é reconhecer nossa condição. Como disse C. H. Spurgeon: “Para subirmos no reino é preciso rebaixarmo-nos em nós mesmos”. Aqueles que se humilham diante de Deus recebem Sua maravilhosa graça e são exaltados por Ele já no presente (1Pd 5:5 e 6), porém, acima de tudo, receberão Seu reino eterno no futuro (Mt 5:3). Por isso, bem-aventurados os pobres de espírito!

Nenhum comentário:
Postar um comentário