O Supremo Tribunal Federal (STF), instância superior ou última instância do poder judiciário brasileiro, atravessa a crise institucional mais grave de sua história, impulsionada por disputas internas e desdobramentos de investigações sensíveis. As tensões cresceram após investigações envolvendo o Banco Master e seu ex-controlador, gerando suspeitas e atritos públicos e internos entre ministros. O julgamento dos envolvidos, inegavelmente, inspira apreensão, pois determina destinos.
Entretanto, o que ocorre neste tribunal terreno é apenas um reflexo pálido do que se desenrola no Supremo Tribunal do Universo: o santuário celestial. Este tribunal não é presidido por um juiz vestido de toga preta, mas pelo “Juiz de toda a Terra” (Gn 18:25), que é Jesus, nosso Sumo Sacerdote, Rei e “reto Juiz” (2Tm 4:8). Lá não haverá ministros indicados, mas um Juiz Todo Poderoso que conhece plena e profundamente os pensamentos e ações, presentes e passadas, de todos os seres humanos. Ele é aquele a quem o Pai confiou “todo julgamento” (Jo 5:22). O profeta Daniel descreve Seu governo nos seguintes termos: “Foi-Lhe dado o domínio, a glória e o reino, para que as pessoas de todos os povos, nações e línguas O servissem. O Seu domínio é domínio eterno” (Dn 7:14).
A Bíblia está repleta de referências ao julgamento celestial, destacando especialmente o caráter irrepreensível do Juiz. O livro de Salmos, por exemplo, enfatiza que a justiça divina não é apenas um meio de punição contra o mal, mas também um instrumento de salvação para aqueles que depositam sua confiança na graça divina.
O Salmo 71:2 diz: “Livra-me por Tua justiça e resgata-me; inclina-me os ouvidos e salva-me.” Vivemos na época em que “é chegada a hora em que Ele vai julgar” (Ap 14:7). Mas o julgamento pré-advento não deve ser motivo de ansiedade ou desespero. Pelo contrário, é a melhor notícia para aqueles que permanecem ao lado de Deus no conflito cósmico. Em outras palavras, para aqueles que aceitam a graça de Cristo, o juízo divino é uma mensagem de esperança.
Em uma época em que o liberalismo teológico opõe o amor de Deus ao Seu juízo, devemos nos firmar no ensino bíblico de que o julgamento divino é intrínseco às boas-novas do evangelho. O salmista afirma que Deus “ama a justiça e odeia a iniquidade” (Sl 45:7).
O juízo é a realização da esperança e dos anseios da humanidade. Em nossa mente, além de transmitir a ideia de crime e castigo, ele inspira medo e apreensão. A Bíblia, porém, apresenta o juízo do ponto de vista dos oprimidos, da vítima sofredora e, assim, coloca-o no contexto da salvação e da vitória sobre o opressor e o mal.
"O assunto do santuário e do juízo investigativo deve ser claramente compreendido pelo povo de Deus. Cada indivíduo tem uma alma a salvar ou a perder. Cada qual tem um caso pendente no tribunal de Deus. Cada um há de defrontar face a face o grande Juiz. O Juiz de toda a terra apresentará uma decisão justa. Ele não será subornado; Ele não pode ser enganado" (Evangelismo, p. 221).

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