“O cabelo grisalho é uma coroa de esplendor, e se obtém mediante uma vida justa” (Provérbios 16:31).
Há pessoas que carregam décadas de histórias dentro de uma igreja. Viram templos serem construídos, ministérios nascerem, famílias crescerem, crises serem atravessadas e orações serem respondidas. Algumas ensinaram crianças que hoje são líderes. Outras passaram anos evangelizando, visitando enfermos, preparando cultos, aconselhando casais ou simplesmente permanecendo firmes quando muitos já haviam desistido. Com o passar dos anos, porém, existe o risco de a igreja começar a olhar para essas pessoas apenas pelo que elas já fizeram, e não pelo que ainda podem fazer.
É justamente essa reflexão que o Dia Nacional do Idoso, celebrado nesta quinta-feira 1º de outubro, propõe às comunidades cristãs. Mais do que uma data para homenagens, a ocasião pode ser um convite para rever a maneira como a igreja trata quem envelheceu dentro dela. O idoso precisa de cuidado, certamente. Mas precisa também de espaço, voz, pertencimento e oportunidade para continuar servindo.
O Brasil já reúne 32,1 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, segundo o IBGE. Elas representam 15,8% da população. E de acordo com dados da OMS, o número de pessoas com idade superior a 60 anos chegará a 2 bilhões até 2050, o que representará um quinto da população mundial. O número ajuda a dimensionar uma transformação que também chega às igrejas: cada vez mais comunidades terão entre seus membros pessoas que viverão muitas décadas depois da aposentadoria, da criação dos filhos e de outras etapas tradicionalmente associadas à vida adulta.
Mas talvez a pergunta mais importante não seja quantos idosos existem. É outra: o que a igreja está fazendo com toda a experiência que existe entre eles?
O ageísmo – preconceito e atitudes negativas contra certos grupos etários – contribui para que os indivíduos idosos tenham sentimentos de inutilidade e sensação de serem onerosos e sem valor. E a igreja, como ambiente social, pode ter um importante papel na socialização da pessoa idosa, pois proporciona atividades que integram o idoso numa comunidade amiga e de objetivos comuns, fazendo com que ele sinta-se mais adaptado e útil.
O idoso, regular e profundamente integrado a uma comunidade religiosa que o ajude em seus novos dilemas e dê-lhe atividades úteis e prazerosas, poderá passar pela velhice com a certeza de que não é um “objeto usado”, que não tem mais valor, mas como uma pessoa viva, que pode continuar colaborando para o crescimento da sociedade no qual está inserido.
Esta fase é bastante propícia a uma reflexão do sentido espiritual da vida, fazendo o idoso buscar em Deus o auxílio necessário para elevar sua auto-estima e manter-se como integrante de um mundo onde todos querem sentir-se “vivos”. Uma outra grande importância da religião na velhice é proporcionar ao idoso uma esperança de vida eterna. A morte é inevitável ao homem pecador. Porém, a igreja traz uma certeza de que a vida não acaba com a morte.
A Bíblia apresenta os mais idosos como símbolo da pessoa repleta de sabedoria e do temor de Deus. Ela também revela que, em momentos decisivos, o conselho de anciãos se reunia para que o melhor caminho fosse procurado e indicado. Há amplo consenso no pensamento de que, quanto mais se vive, mais se acumula experiência. Velhice não é finalização das atividades, tampouco doença, mas uma fase de riqueza em sabedoria armazenada num arquivo vivo que, se for sensatamente “pesquisado”, mostrará como tomar decisões prudentes e como aprender sem dor desnecessária. Os mais idosos têm perdas no aspecto físico, mas, em contrapartida, ganham muito em espiritualidade e sensatez.
Não podemos encarar o envelhecimento como algo ruim e incapacitante, pois, apesar das limitações que a idade traz, Deus tem um propósito para o homem em todas as épocas da sua vida. “Agora, quando estou velho e de cabelos brancos, não me desampares, ó Deus, até que eu tenha anunciado a Tua força a esta geração e o Teu poder a todos os vindouros” (Salmos 71:18).
Deus é poderoso para fazer o “velho” semear novos frutos. Para Ele, a idade jamais será um obstáculo de renovar sonhos, dar novos planos e proporcionar experiências mais profundas de relacionamento com Ele. Que nós possamos, como igreja, ser justos para honrar a melhor idade dos que estão ao nosso redor e, assim, por meio das nossas vidas, mostrar a importância deles para o Criador.
"Todos os que têm o espírito de Cristo hão de considerar os idosos com especial respeito e ternura. Não obstante suas muitas enfermidades, esses obreiros possuem talentos que os qualificam para estar na sua sorte e lugar. Deus deseja que eles ocupem posições de liderança em Sua obra. Permaneceram fiéis em meio aos temporais e provas, e acham-se entre os mais valiosos conselheiros. Quão gratos deveríamos ser por poderem eles ainda usar seus dons no serviço do Senhor!... Não demorará, receberão vossa recompensa" (Ellen White - Testemunhos para a Igreja 7, pp. 287 e 288).

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