O egocentrismo não tem lugar na igreja. Nem devíamos dizer isso, mas, desde o alvorecer da era apostólica até hoje, o amor próprio em todas as suas formas tem prejudicado incessantemente a comunhão dos santos.
Em nosso estado caído, estado de carnalidade, somos todos assediados por uma tendência para o egocentrismo. Isto não é uma ofensa insignificante, nem um pequeno defeito de caráter, nem uma ameaça irrelevante à saúde de nossa fé. O amor próprio é a mãe de todas as heresias. De fato, o egocentrismo é herético porque é a própria antítese de tudo que Jesus ensinou ou exemplificou. E produz sementes que dão origem a todas as outras heresias imagináveis.
Ellen White diz que "aquele que é egocêntrico perde inúmeras oportunidades para fazer aquilo que haveria trazido bênçãos aos outros e a ele próprio. É o dever do servo de Cristo, em toda circunstância, perguntar-se a si mesmo: 'Que posso fazer para ajudar a outros?' Havendo feito tudo a seu alcance, deve deixar as consequências com Deus" (Mensagens Escolhidas 1, p. 86).
Esse fato é ressaltado também pelos muitos “uns aos outros” que lemos no Novo Testamento. Somos ordenados: a amar “uns aos outros” (Jo 13:34-35; 15:12, 17); a não julgar “uns aos outros” (Rm 14:13); a seguir “as coisas da paz e também as da edificação de uns para com os outros” (Rm 14:19); a ter “o mesmo sentir de uns para com os outros” e acolher “uns aos outros, como também Cristo nos acolheu para a glória de Deus” (Rm 15:5, 7). Somos instruídos a levar “as cargas uns dos outros” (Gl 6:2); a sermos benignos uns para com os outros, “perdoando… uns aos outros” (Ef 4:32); e a sujeitar-nos “uns aos outros no temor de Cristo” (Ef 5:21). Em resumo, “Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo” (Fp 2:3).
No Novo Testamento, há muitos mandamentos semelhantes que governam nossos relacionamentos mútuos na igreja. Todos eles exigem altruísmo, sacrifício e serviço aos outros. Combinados, eles excluem definitivamente toda expressão de egocentrismo na comunhão de crentes.
Ellen White também afirma que "a vontade de Deus, nosso Criador, deve ser feita evidente em nós, não apenas no nome que trazemos, mas em nossa vida de abnegação. Devemos dar provas de que somos influenciados e controlados por princípios altruístas. Todos os nossos propósitos e atividades devem permanecer em distinto contraste com o egocentrismo do mundo" (Beneficência Social, p. 296).
No entanto, isso não é tudo. O apóstolo Paulo comparou a igreja com um corpo que tem muitas partes, mas uma só cabeça: Cristo. Cristãos individuais são como partes do corpo, existem não para si mesmos, mas para o bem de todo o corpo. Além disso, cada parte é dependente de todas as outras, e todas estão sujeitas à Cabeça. Somente a Cabeça é preeminente. Ellen White nos alerta que "somos naturalmente egocêntricos e opiniosos. Mas, ao aprendermos as lições que Cristo nos deseja ensinar, tornamo-nos participantes de Sua natureza; daí em diante, vivemos a Sua vida" (A Ciência do Bom Viver, p. 157).
Não posso terminar sem ressaltar que este princípio tem uma aplicação específica para aqueles que estão em posições de liderança na igreja. É um lembrete especialmente vital nesta era de líderes religiosos que são superestrelas e pastores jovens que agem como estrelas de rock. Se Deus chamou você para ser um presbítero ou mestre na igreja, ele o chamou não para sua própria celebridade ou engrandecimento. Deus o chamou a fazer isso para a glória dele mesmo. Nossa comissão é pregar não “a nós mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor e a nós mesmos como vossos servos, por amor de Jesus” (2Co 4:5).
Portanto, não há lugar para egocentrismo na igreja. Tudo no evangelho, tudo que igreja tem de ser e tudo que aprendemos do exemplo de Cristo golpeia a raiz do orgulho e do egocentrismo humano.

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