segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Um apelo aos membros preguiçosos da igreja

É um mistério que não haja centenas de pessoas trabalhando onde hoje vemos apenas uma. O universo celeste acha-se pasmo em face da apatia, da frieza, da indiferença daqueles que professam ser filhos e filhas de Deus. Existe na Verdade um poder vivo. 

Jamais poderemos ser salvos na indolência e inatividade. Não há pessoa verdadeiramente convertida que viva vida inútil e ociosa. Não nos é possível deslizar para dentro do Céu. Nenhum preguiçoso pode lá entrar. Quem recusa cooperar com Deus na Terra, não cooperaria com Ele no Céu. Não seria seguro levá-los para lá. 

Todo o Céu olha com intenso interesse à igreja, para ver o que seus membros estão individualmente fazendo para iluminar os que estão em trevas.

Deveis considerar solenemente que estais tratando com o grande Deus, e deveis lembrar-vos sempre de que Ele não é uma criança com quem se brinque. Não podeis empenhar-vos em Seu serviço de acordo com sua vontade, e abandoná-lo quando muito bem o quereis. 

Seres celestiais têm esperado para cooperar com os instrumentos humanos, mas não temos discernido sua presença. Os anjos celestiais têm esperado longamente que os agentes humanos - os membros da igreja - com eles cooperem na grande obra a ser feita. Eles estão esperando por ti.

Muitos, muitos, se estão aproximando do dia de Deus sem fazer coisa alguma, eximindo-se às responsabilidades, e em resultado, são anões religiosos. No que respeita à obra de Deus, as páginas da história de sua vida apresentam-se lamentavelmente em branco. São árvores no jardim de Deus, mas apenas ocupam o terreno, ensombrando com seus improdutivos ramos o solo que árvores frutíferas poderiam ter ocupado. 

Há perigo para os que fazem pouco ou nada para Cristo. A graça de Deus não habitará por muito tempo na alma daqueles que, tendo grandes privilégios e oportunidades, permanecem silenciosos. 

Não há agora tempo para dormir - não há tempo para nos entregarmos a vãos pesares. Aquele que ousa cochilar agora, perderá preciosas oportunidades de fazer o bem. É-nos concedido o bendito privilégio de reunir molhos na grande ceifa; e cada alma salva será uma estrela a mais na coroa de Jesus, nosso adorável Redentor. Quem estará ansioso por depor a armadura quando, sustentando a batalha um pouquinho mais, alcançará novas vitórias e arrecadará novos troféus para a eternidade? 

Os mensageiros celestiais estão fazendo sua obra; mas, que estamos nós fazendo? Irmãos e irmãs, Deus nos convida a remirmos o tempo. Aproximai-vos de Deus. Despertai o dom que há em vós. Que aqueles que tiveram oportunidade de se familiarizar com as razões de nossa fé usem agora esse conhecimento para alguma finalidade. 

Como podereis vós, que fazeis a oração do Senhor: "Venha o Teu reino, seja feita a Tua vontade, assim na Terra como no Céu" (Mt 6:10), assentar-vos comodamente em vossos lares, sem ajudar a levar a outros a tocha da verdade? Como podereis erguer as mãos a Deus e rogar Suas bênçãos sobre vós e vossas famílias, quando tão pouco fazeis para ajudar aos outros?

Há entre nós pessoas que, se tomassem tempo para observar, considerariam sua posição indolente como um descuido pecaminoso dos talentos que Deus lhes conferiu. Irmãos e irmãs, vosso Redentor e todos os santos anjos estão entristecidos com a vossa dureza de coração. Cristo deu Sua própria vida para salvar almas e, não obstante, vós, que Lhe haveis provado o amor, pouco esforço fazeis para partilhar as bênçãos de Sua graça com aqueles por quem Ele morreu. Semelhante indiferença e negligência do dever assombra os anjos. No juízo tereis que encontrar-vos com as almas de que vos haveis descuidado. Naquele grande dia, sentir-vos-eis culpados e condenados. Oxalá o Senhor vos induza agora ao arrependimento e perdoe ao Seu povo o haver descuidado a obra que Ele lhes deu para fazerem em Sua vinha.

Que podemos dizer ao membro da igreja ocioso, a fim de fazer-lhe reconhecer a necessidade de desenterrar o seu talento e entregá-lo aos banqueiros?

Não haverá no reino dos Céus ociosos nem preguiçosos. Que Deus apresente este assunto em toda a sua importância às igrejas dormentes! Oxalá se levante Sião e vista as suas roupagens de gala! Oxalá resplandeça!

Existe uma obra a fazer em benefício daqueles que não conhecem a verdade, uma obra idêntica àquela que foi feita por vós quando vos acháveis em trevas. É demasiado tarde para dormir, tarde demais para ser indolentes que nada fazem. O Pai de família deu a cada um a sua obra. Avancemos, não retrocedamos. Necessitamos diariamente de uma nova conversão. Necessitamos que o amor de Jesus palpite em nosso coração, a fim de podermos ser instrumentos em salvar muitas almas.

O mundo tem de ser advertido da breve volta do Senhor. Temos apenas pouco tempo para trabalhar. Passaram para a eternidade anos que poderiam ter sido aproveitados para buscar primeiramente o reino de Deus e Sua justiça, e para difundir a luz aos outros. Deus agora convoca o Seu povo que possui grande luz e está firmado na verdade, e com o qual teve muito trabalho, para trabalharem por si mesmos e pelos outros como nunca dantes o fizeram. Fazei uso de toda aptidão; ponde em exercício toda faculdade, todo talento confiado; empregai toda a luz que Deus vos concedeu, para fazer bem aos outros. Não procureis tornar-vos pregadores, mas tornai-vos ministros de Deus.

Textos de Ellen G. White extraídos do livro Serviço Cristão, pp. 88-92.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Os tempos difíceis chegaram

Entre tantas evidências dos últimos dias da Terra estão também fenômenos sociais e humanos. Jesus pede que estejamos atento aos tempos, assim como alguém se atenta para o dia da colheita de uma figueira (Mateus 24). É costume dos cristãos que aguardam a volta de Jesus tentar se atentar a sinais mais literais e físicos, como o escurecimento do sol, queda das estrelas, etc. No entanto, existem outros fatores tão evidentes quanto, mas que por sua natureza subjetiva são menos observados. Mas talvez sejam os mais evidentes.

Na segunda carta a Timóteo, no capítulo 3, Paulo fala sobre o estado do homem no tempo do fim. Cada sentença poderia virar um texto diferente desta coluna, mas vou me ater a apenas uma dessas afirmações. Paulo diz que “nos últimos dias sobrevirão tempos difíceis”. O que há de difícil nesses dias Paulo?

“Os homens serão egoístas, avarentos, presunçosos, arrogantes, blasfemos, desobedientes aos pais, ingratos, ímpios, sem amor pela família, irreconciliáveis, caluniadores, sem domínio próprio, cruéis, inimigos do bem, traidores, precipitados, soberbos, mais amantes dos prazeres do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando o seu poder”.

Cumprimento imediato e futuro
É verdade que o autor da epístola se refere a todo o período entre a primeira vinda de Cristo e Sua segunda vinda (período nomeado pela Bíblia como “os últimos dias”, a última fase de tempo da história do pecado). Porém, suas palavras são, como toda profecia, para cumprimento imediato e futuro. Sendo assim, temos aqui uma afirmação que narra o que Timóteo está vivendo. E o que nós também estamos vivendo, aqueles que estão na ponta do tempo mais próximos da segunda vinda.

Cada dia mais vemos as características que Paulo mencionou na humanidade. Nosso egoísmo se agrava com o tempo e nossa presunção também. Amamos mais o entretenimento que a Deus, os prazeres pessoais que o Criador. E aqui está a frase que quero destacar: Neste tempo, temos a forma de piedade, a aparência de piedade, mas negamos o poder de Deus.

Cada vez mais escuto discursos de amor. Todos vazios, embora muito coloridos e deslumbrantes. Fala-se muito dessa palavra. Bandeiras são erguidas e balançadas no horizonte em nome desse tal amor. Mas o que é amor sem Deus?

Sem Deus, o amor é a suposta benfeitoria do eu. É aqui que ele se esvazia. Se o que você faz de bom para o próximo não vem de Deus, então quem fez? Você, certo? Então quem é bom? Você! A usurpação do amor pelo eu é o ego procurando um enfeite para si mesmo. O amor legítimo esconde o ego. Deus nos deu o único meio de amarmos de verdade mesmo no estado do pecado: “Nós amamos porque ele nos amou primeiro” (1 João 4:19). “E Ele morreu por todos para que aqueles que vivem já não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou” (2 Coríntios 5:15).

Deus nos deu o único caminho possível para amarmos sem a interjeição do eu. Amamos por causa dEle. O que conseguirmos fazer de bom pelos outros, não veio de nós, mas do nosso Pai. É Ele quem nos dá do Seu amor para que possamos compartilhar. A fonte, a inspiração e mais do que tudo isso, a razão para amar. A única. Qualquer outra coisa parece amor, mas fica só na aparência.

Porque, sem Deus, não há razão para o amor que não esteja no próprio eu. E o eu é todo o problema do homem, tanto nas palavras de Paulo, como no tempo em que vivemos. Que Ele nos salve do nosso eu, todos os dias (Lucas 9:23 – desafio a ir ler).

Diego Barreto (via O Reino)

"Os seres humanos pertencem a uma grande família - a família de Deus. Determinou o Criador que respeitassem e amassem uns aos outros, manifestando sempre puro e abnegado interesse no bem-estar mútuo. Mas tem sido o alvo de Satanás levar os homens a pôr o eu em primeiro lugar; e, entregando-se eles ao seu controle, têm desenvolvido um egoísmo que enche o mundo de miséria e luta, pondo os seres humanos em desavença uns com os outros.

O egoísmo é a essência da depravação, e, devido a se terem os seres humanos submetido ao seu poder, o que se vê no mundo é o oposto à fidelidade a Deus. Nações, famílias, e indivíduos estão cheios do desejo de fazer do eu um centro. O homem almeja governar sobre os seus semelhantes. Afastando-se de Deus e de seus semelhantes em seu egoísmo, segue suas irrefreadas inclinações. Age como se o bem dos outros dependesse de se submeterem a sua supremacia.

O egoísmo tem causado discórdia na igreja, enchendo-a de ambição não santificada. ... O egoísmo destrói a semelhança com Cristo, enchendo o homem de amor-próprio. Leva a contínuo afastamento da justiça. Cristo diz: 'Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai, que está nos Céus' (Mt 5:48). Mas o amor-próprio é cego para com a perfeição que Deus requer. ...

Cristo veio ao mundo para revelar o amor de Deus. Devem Seus seguidores continuar a obra que Ele começou. Esforcemo-nos por ajudar e fortalecer uns aos outros. A maneira em que se pode alcançar a verdadeira felicidade é buscar o bem alheio. Não trabalha o homem contra os seus próprios interesses, quando ama a Deus e aos seus semelhantes. Quanto mais destituído de egoísmo for o seu espírito, tanto mais feliz será, porque está cumprindo o propósito de Deus para Ele. O fôlego divino é soprado através dele, tornando-o pleno de alegria. Para ele, a vida é um sagrado depósito, preciosa aos seus olhos porque foi dada por Deus para ser gasta no serviço em favor dos outros." (Ellen G. White - Conselhos sobre Mordomia, pp. 24-25)

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Quando a oração é abominável

"O que desvia os seus ouvidos de ouvir a lei, até a sua oração é abominável." (Pv 28:9)

Uma das grandes diferenças entre os seres humanos e os animais é a capacidade de dialogar. Os animais até se comunicam entre si através de sons, mas dialogar é uma característica essencialmente humana. O diálogo é uma via de mão dupla, acontece entre pelo menos duas pessoas que escutam e são escutadas. Em um relacionamento saudável deve haver mutualidade. Os sentimentos, o respeito, a atenção, devem ser reciprocamente trocados.

No entanto, existem pessoas que querem ser respeitadas, mas não respeitam, querem ser ouvidas, mas não ouvem, querem ser amadas, mas não amam. Muitas vezes agimos assim com Deus. Exigimos que Deus nos ouça, mas nos recusamos a ouvir a Deus. Provérbios 28:9 apresenta um grupo de pessoas que buscam serem ouvidas por Deus, mas se recusam a ouvi-Lo.

Que mensagem dura! É isso mesmo?
Quando me deparei com este verso pela primeira vez, fiquei pensativo por algum tempo me perguntando: será que é isso mesmo que Deus queria dizer? É uma mensagem muito dura. Deus realmente pensa assim? Será que o tradutor não se equivocou ao traduzir este verso do original?

Para sanar minhas inquietações, resolvi pesquisar um pouco mais a fundo este verso. Descobri, por exemplo, que o verbo ouvir também poderia ser traduzido como obedecer ou guardar (2Sm 18:12 é um caso desses). A palavra lei (Torah) é uma referência à toda a Bíblia que eles tinham na época, ou seja, o Pentateuco. Portanto, ela também inclui Êxodo 20, ou seja, a lei moral de Deus, os dez mandamentos. Outra tradução possível para a palavra “abominável” seria “detestável”, o que torna a expressão ainda mais séria. Finalmente fui buscar outras traduções para comparar a versão que eu havia lido (ARA) com outras possibilidades. Todas as versões que eu consultei (NVI, Almeida século XXI, BV, NTLH, ARC, NKJV, BJ) concordam entre si em relação à tradução deste verso.

A única coisa que podemos concluir, portanto, é que Deus realmente quis dizer o que está escrito em nossa Bíblia. Contudo, vamos analisar um pouco mais este verso.

De quem o verso fala?
O verso deixa transparecer algumas características que nos ajudam a identificar a quem ele se refere. Duas características se destacam. A primeira é que as pessoas descritas nesse verso recusam ouvir (obedecer, guardar) a lei. Isso significa que essas pessoas conhecem a lei de Deus, conhecem a palavra de Deus, mas voluntariamente se recusam a obedecer.

Uma segunda característica que podemos observar é que estas pessoas de Provérbios 28:9 oram a Deus. São pessoas religiosas, que frequentam uma igreja, que professam um credo. Essas pessoas dizem que servem a Deus, mas querem servir do seu jeito, sem compromisso real com as ordens do Senhor. É importante também destacarmos que o verso não está se referindo a quem é ignorante em relação às leis da Bíblia. Deus não cobrará de quem não conhece (At 17:13).

O que tudo isso significa?
A aplicação deste texto deve nos fazer refletir profundamente a respeito da nossa vida cristã. A rebelião impede o contato com Deus. Rebelião é colocar-se conscientemente contra uma clara ordem Divina. A palavra de Deus nos revela várias leis para as quais devemos dar toda atenção. A Lei moral é, sem dúvida, a mais importante delas. Todos os dez mandamentos, inclusive o sábado, devem ser alvo de nossa atenção e obediência. Encontramos outras leis de Deus em Sua palavra: a lei dos dízimos e ofertas, as leis de saúde dentre outras.

Quando estudamos os textos sagrados, precisamos estar alerta aos pequenos detalhes. No texto que estamos analisando, há um detalhe importante. A palavra “até” tem muito a nos dizer. Ela é uma palavra inclusiva. Não são somente as orações dos que são rebeldes que são abomináveis. Qualquer manifestação em direção a Deus é abominável. Músicas, culto, pregação, todas são abomináveis, ou seja, detestáveis a Deus. O profeta Amós deu uma mensagem de Deus a pessoas que estavam em uma situação de rebeldia em relação ao Pai eterno: 
“Aborreço, desprezo as vossas festas, e não me deleito nas vossas assembleias solenes. Ainda que me ofereçais holocaustos, juntamente com as vossas ofertas de cereais, não me agradarei deles; nem atentarei para as ofertas pacíficas de vossos animais cevados. Afasta de mim o estrépito dos teus cânticos, porque não ouvirei as melodias das tuas liras" (Amós 5:21-23).
O povo ao qual Amós dirigiu estas palavras ia para a igreja, fazia sacrifícios, cantavam bonitas músicas, mas, eram voluntariamente desobedientes aos mandamentos divinos. Para Deus sua adoração era desprezível. Através do profeta Isaías, Deus confirmou este pensamento: 
“Eis que a mão do Senhor não está encolhida, para que não possa salvar; nem surdo o seu ouvido, para que não possa ouvir; mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados esconderam o seu rosto de vós, de modo que não vos ouça" (Isaías 59:1, 2).
Se Deus aceitasse adoração dos desobedientes, estaria aprovando a rebeldia. 

Espírito de Profecia
Ellen G. White confirma estes conceitos em diversos momentos: 
“Deus não aceitará uma obediência voluntariosa e imperfeita. Os que presumem estar santificados, mas desviam os ouvidos de ouvir a lei, demonstram ser filhos da desobediência, cujo coração carnal não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar” (Mensagens Escolhidas V. 3. p. 199).
Comentando a primeira mensagem angélica, ela escreveu: 
Pelo primeiro anjo os homens são chamados a temer a Deus e dar-Lhe glória, e adorá-Lo como o Criador do céu e da Terra. A fim de fazer isto devem obedecer à Sua lei. Diz Salomão: 'Teme a Deus e guarda os Seus mandamentos; porque este é o dever de todo homem' (Ec 12:13). Sem a obediência a Seus mandamentos nenhum culto pode ser agradável a Deus. 'Este é o amor de Deus: que guardemos os Seus mandamentos.' 'O que desvia os seus ouvidos de ouvir a lei, até a sua oração será abominável' (1Jo 5:3; Pv 28:9)." (O Grande Conflito, pp. 435 e 436).
Completando este pensamento, ainda lemos: 
“Não bastava que a arca e o santuário estivessem no meio de Israel. Não bastava que os sacerdotes oferecessem sacrifícios, e que o povo fosse chamado filhos de Deus. O Senhor não toma em consideração o pedido daqueles que acariciam a iniquidade no coração; está escrito que 'o que desvia os seus ouvidos de ouvir a lei, até a sua oração será abominável' (Pv 28:9)." (Patriarcas e Profetas, p. 584).
Conclusão
A mensagem contida em Provérbios 28:9 é muito importante e profunda. Deus não considera as orações daqueles que voluntariamente O desobedecem. O culto, as músicas, por mais bem executadas que sejam, e outras formas de adoração também são rejeitados por Deus.

Há um desafio para o povo remanescente: dar uma mensagem de advertência àqueles que necessitam mudar de vida. Não podemos ter orgulho espiritual, mas é preciso ter consciência que aqueles que conhecem e guardam a lei de Deus precisam pregar àqueles que se rebelaram contra Deus. Eles devem aprender sobre a verdadeira adoração com quem obedece e não o contrário.

Aqueles que professam estar entre o povo remanescente, também devem analisar-se diariamente para saber se estão “ouvindo” a lei de Deus. O Senhor não levará em consideração a placa de sua igreja na hora do julgamento, naquele dia é só o ser humano e Deus.

É importante terminarmos esta reflexão destacando que há solução para todos aqueles que estão em rebelião contra Deus. João escreveu: 
“Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (I João 1:9). 
A oração de arrependimento sempre será ouvida por Deus. 

Que possamos estar sempre atentos à voz do Senhor!

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Havia relações sexuais entre os filhos de Adão e Eva?

A Bíblia ensina que os primeiros seres humanos criados por sobre a Terra foram Adão e Eva: ‘Pois assim está escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito alma vivente. O último Adão, porém, é espírito vivificante’ (1 Coríntios 15:45). ‘O primeiro homem, formado da terra, é terreno; o segundo homem é do céu. Como foi o primeiro homem, o terreno, tais são também os demais homens terrenos; e, como é o homem celestial, tais também os celestiais’ (1 Coríntios 15:47-48). Naturalmente, isto suscita-nos uma pergunta: houve relações sexuais entre os filhos de Adão e Eva? Cremos que sim, pois a Palavra de Deus em nenhum momento afirma que Deus criou seres humanos “além de” ou “separados” de Adão, mas sim que todos “descendem dele”. Além disto, a única explicação plausível em relação à identidade da esposa de Caim encontra-se em Gênesis 5:4 que afirma que Adão teve, além de Caim, Abel e Sete, “filhos e filhas”.

Seria isto incesto? Não, porque naquela época tais uniões não eram consideradas incesto, pois Deus ainda não havia instituído a lei que proibia a união marital entre parentes, ou seja, não existia o incesto. Isso aconteceu depois (Levítico 18:6-17), quando o pecado estava em um estágio mais avançado, o que contribuiu para que o ser humano sofresse transformações genéticas. Deus teve de proibir estas uniões. Além disto, era necessário que houvesse tal união para que as gerações posteriores fossem formadas.

Era possível que os filhos de Caim não nascessem deformados? Certamente, pois na época a estrutura genética do ser humano não havia corrompido-se da mesma forma que hoje. Se nos tempos modernos, mesmo alguns casais de primos de primeiro grau têm filhos saudáveis (o que não ocorre sempre), obviamente a possibilidade do povo antigo (com muito mais vitalidade e melhor estrutura genética) ter filhos com saúde é bem maior. O naturalista Harry J. Baerg em seu livro O Mundo Já Foi Melhor, explica-nos na página 22 que “Adão e Eva eram perfeitos; portanto, seus descendentes podiam se casar seguramente sem correr o risco de receber em sua herança genética uma característica anormal. Seus descendentes não estariam expostos a doenças físicas e mentais”.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Splanchnizomai: Jesus sente a tua dor

Não há nada mais distante da realidade do que a ideia de um Jesus distante da nossa realidade. Imaginar Deus como alguém distante é um dos maiores erros que podemos cometer em nossa vida de fé. Essa concepção equivocada, aliás, gera muitos problemas, como a suposição de que Ele não ouve nossa oração, de que não está conosco, de que os olhos do Senhor não estão atentos a nós, de que estamos sozinhos no mundo, de que o pecado é capaz de surpreender Cristo e montes de outras ideias erradas que assombram milhares de milhares de cristãos. Sabe quando Jesus fica distante de nós e alheio a nossos problemas? Nunca. Jamais. Em nem um único instante de nossa vida.

A presença diária de Cristo é um fato incontestável da Bíblia, uma realidade que não tem um bilionésimo de possibilidade de ser incorreta. “E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos” (Mt 28:20), assegurou o Deus encarnado, em sua última fala antes de subir aos céus. Ele é Emanuel, “Deus conosco”. Sua permanência onipresente é uma garantia. Uma promessa. E Deus não mente. “Deus não é homem para que minta” (Nm 23:19). Se Jesus falou, tá falado.

Esse mesmo Jesus que deu sua palavra imutável de que nunca estaria longe de nós, passou por tudo aquilo que eu e você passamos nesta vida. Frio? Jesus sentiu. Dor? Jesus sentiu. Abandono? Jesus sentiu. Tristeza? Jesus sentiu. Mais ainda: Cristo foi tentado em tudo. E sabe o que significa tudo? Significa… tudo. Portanto, “visto que temos um grande sumo sacerdote que adentrou os céus, Jesus, o Filho de Deus, apeguemo-nos com toda a firmeza à fé que professamos, pois não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas, mas sim alguém que, como nós, passou por todo tipo de tentação, porém, sem pecado. Assim, aproximemo-nos do trono da graça com toda a confiança, a fim de recebermos misericórdia e encontrarmos graça que nos ajude no momento da necessidade.” (Hb 4:14-17). Se Jesus passou por todo tipo de tentação, não seria pecado dizer que ele foi tentado para roubar, fornicar, sonegar, corromper, faltar com a ética, trair, amar o dinheiro… a lista é interminável. Foi tentado, sim, mas não pecou. Ele conhece bem o doce gosto da venenosa tentação, que é o amargo sabor de se tornar humano.

A grande conclusão: Jesus entende você totalmente. Ele sentiu na pele tudo o que você sente. Ele sentiu na alma tudo o que te machuca. E Jesus está com você, perto. Portanto, o Deus que tudo pode compreende com absoluta clareza o que você está enfrentando e ele está ao seu lado para auxiliá-lo. Você poderia se perguntar se Deus se identifica com sua humanidade. Sobre isso escreveu Paulo: “… embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens” (Fp 2:6-7). Sim, Deus sabe o que é ser gente.

E aqui entra uma das maiores realidades sobre o Deus que se fez homem: a palavra grega usada em diferentes passagens dos evangelhos para se referir a compaixão é splanchnizomai. É curioso que, na medicina, “esplancnologia” é o estudo das vísceras, das entranhas. Os conceitos têm a mesma raiz. Assim, a compaixão de Jesus por pessoas como eu e você não é comum: Jesus sente a nossa dor em suas entranhas. Como escreveu Max Lucado, Ele “sentiu a deficiência dos mancos, a dor dos enfermos, a solidão do leproso, o constrangimento dos pecadores”. Por isso, quando Jesus encontra pessoas que estão sofrendo, ele sente a dor delas nas próprias entranhas.

Sabe a sua dor? Tenha certeza de que o Cordeiro de Deus a está sentindo no mais íntimo de seu ser divino e humano. Se dói em você dói nEle. Se te aflige, aflige o Mestre. Sabe o seu abatimento, a decepção, a solidão, o amor-próprio ferido, a falta de paz e tudo mais que você está sentindo? Jesus sente também. Você foi traído? Jesus soltou um gemido. Você foi esquecido? Jesus sofreu. Você foi desamparado? Jesus cerrou os dentes. Você foi agredido? Jesus sentiu o golpe. Doeu? Jesus disse “Ai…”.

Isso só ocorre porque Ele sente splanchnizomai. Compaixão. Co-paixão, paixão compartilhada. Ele compartilha sua dor.

Assim que Jesus sente o seu sofrimento, porém, Ele se lembra do Calvário. Recorda-se dos cravos e da coroa de espinhos. E, por fim, lança sobre a cruz toda essa enorme carga de sofrimento – as suas mágoas, tristezas, aflições, decepções. Você tem carregado suas aflições nas costas? Então siga o exemplo do compassivo Deus: lance-as sobre a cruz, pois há dois mil anos ela espera por cada uma de suas dores.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,

Maurício Zágari (via Apenas)

"Que maravilhoso pensamento este, de que Jesus tudo sabe acerca das dores e aflições que sofremos! Em todas as nossas aflições foi Ele aflito. Alguns dentre nossos amigos nada sabem da miséria humana e da dor física. Nunca ficam doentes, e portanto não podem penetrar plenamente nos sentimentos daqueles que se acham doentes. Jesus, porém, Se comove com o sentimento de nossa enfermidade. Ele é o grande missionário médico. Tomou sobre Si a humanidade e colocou-Se à cabeceira de uma nova dispensação, a fim de que possa reconciliar justiça e compaixão." (Ellen G. White - Manuscrito 19, 1892)

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Desculpas “cristãs” para continuar fazendo besteira

Nós, cristãos, somos chamados a sempre fazer a coisa certa. A fazer o bem. A promover a paz. A lutar pela restauração de vidas, relacionamentos, comunidades, corações. A ser porta-vozes da mais extraordinária, bonita, transformadora e pulsante mensagem que já foi anunciada nos céus e na terra: as boas-novas da salvação de Jesus de Nazaré, o Filho de Deus, o Criador encarnado em forma humana. A ser santos. A resistir ao pecado. Lamentavelmente, nossa natureza foi contaminada pela Queda e, mesmo salvos pela graça transbordante do Senhor, seguimos na jornada com Cristo sendo assolados por inclinações más, impulsos reprováveis, tentações cíclicas, desejos malignos, pensamentos maquiavélicos. É normal e previsível que seremos atraídos diariamente pelo pecado enquanto habitamos este corpo mortal, sujeito à corrupção, mesmo sendo ele habitação do Espírito de Deus (Rm 7:14-25). Portanto, somos seduzidos diariamente pelo pecado. A grande questão é: ceder ou não.

Quando um cristão autêntico peca, inevitavelmente age como Pedro após trair pela terceira vez seu amigo e Mestre: chora amargamente, com tristeza verdadeira, pede perdão aos céus e empenha todas as suas forças para não voltar a repetir o erro. O grande, enorme, gigantesco, monumental problema que ocorre é quando, em vez de reconhecermos, confessarmos e abandonarmos as nossas más práticas, arranjamos desculpas esfarrapadas para continuar fazendo as mesmas besteiras de sempre.

Em geral, existem duas estratégias principais que nós, cristãos, costumamos usar a fim de justificar nossos pecados. Em outras palavras, são jeitinhos que damos para continuar pecando sem dor de consciência.

A primeira é quando arranjamos uma desculpa esfarrapada, aparentemente baseada na Bíblia, que nos dá paz de consciência para seguirmos fazendo nossas besteiras. Jesus contou uma parábola que ilustra bem esse tipo de comportamento: 
“Dois homens foram ao templo orar. Um deles era fariseu, e o outro, cobrador de impostos. O fariseu, em pé, fazia esta oração: ‘Eu te agradeço, Deus, porque não sou como as demais pessoas: desonestas, pecadoras, adúlteras. E, com certeza, não sou como aquele cobrador de impostos. Jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo que ganho’. Mas o cobrador de impostos ficou a distância e não tinha coragem nem de levantar os olhos para o céu enquanto orava. Em vez disso, batia no peito e dizia: ‘Deus, tem misericórdia de mim, pois sou pecador’. Eu lhes digo que foi o cobrador de impostos, e não o fariseu, quem voltou para casa justificado diante de Deus. Pois aqueles que se exaltam serão humilhados, e aqueles que se humilham serão exaltados.” (Lc 18:10-14)
Perceba que o cidadão tentava compensar seus pecados pelo fato de jejuar e dar o dízimo. Na cabeça dele, funcionava assim: “Já que cumpro essas regras religiosas, posso continuar com meus muitos pecados, sem problema, estou de boa”. É desse jeito que pensamos quando, por exemplo, tentamos dar um jeitinho para seguirmos sendo agressivos, porque, afinal, “Sou crente, mas não sou banana” ou “Deus muda o caráter, mas não o temperamento”. Tudo, sofismas que nos deem paz para continuarmos sendo tão estúpidos como antes da conversão, só que com uma capa “gospel”. Afinal, convenhamos, não é preciso ser bruto para não ser banana. E Deus muda, sim, o temperamento.

Teólogos e seminaristas mandam para o inferno quem eles consideram ser hereges com brutalidade no tom e nas palavras “porque Jesus derrubou as mesas dos cambistas”. Maridos tratam mal a esposa “porque ela não é submissa”. Esposas tratam mal o marido “porque ele não me ama como Cristo amou a Igreja”. Pais vivem berrando com os filhos porque “quem manda aqui sou eu e você tem de me honrar” e filhos vivem desonrando os pais “porque eles não me entendem e me levam à ira”. Pastores oprimem membros “porque sou ungido do Senhor”. Membros articulam contra o pastor “porque ele é autoritário”. Pregadores se referem a não cristãos com fúria e desrespeito “porque eles são filhos da ira”. Tudo desculpas esfarrapadas, supostamente “bíblicas”, a fim de fazer pessoas se autorizarem a agir como mundanos e pecarem em suas palavras e atitudes “em nome de Jesus”. Na verdade, isso não passa de paganismo travestido de cristianismo.

A segunda estratégia principal que nós, cristãos, costumamos usar a fim de justificar nossos pecados é a tática do dedo apontado. É uma estratégia que começou no Éden: Adão culpou Eva e Eva culpou a serpente, sempre justificando as próprias besteiras com base nas besteiras alheias. É uma fuga ao estilo “boi de piranha”, isto é, jogo a culpa alheia no rio para que ela fique no foco enquanto tento sair de fininho da história – e das minhas responsabilidades. Assim, para justificar o fato de eu ser uma gastadeira, vivo culpando o marido de ser pão-duro. Para justificar o fato de eu viver olhando para outras mulheres, vivo culpando minha esposa de ser ciumenta demais. Para justificar o fato de eu não dar atenção para meus filhos porque fico horas com a cara enfiada no smartphone, vivo culpando as crianças de serem carentes demais. Para justificar o fato de eu ser um ogro na hora de falar, vivo culpando o alvo de minha fúria de “não saber lidar comigo”. E assim por diante.

Quanto a esse tipo de estratégia, Paulo foi claro, direto e objetivo: 
“Assim, cada um de nós será responsável por sua vida diante de Deus.” (Rm 14:12)
Todo cristão deveria viver diariamente se examinando, a fim de melhorar sempre mais e mudar de rumo naquilo que está errando. Viver jogando seus erros na conta do outro é a mais desvairada loucura, porque cada um, individualmente, prestará contas de si. Pode ser que essa estratégia lhe permita fazer besteiras nesta vida e sair numa boa. Porém, quando, no dia do juízo, Deus olhar você nos olhos e cobrar cada palavra inútil que você tenha dito para justificar seus erros em razão das atitudes alheias, posso garantir que essa tática não vai mais colar. Afinal, Jesus mesmo afirmou: 
“Eu lhes digo: no dia do juízo, vocês prestarão contas de toda palavra inútil que falarem. Por suas palavras vocês serão absolvidos, e por elas serão condenados.” (Mt 12:36-37)
Meu irmão, minha irmã, fica a sugestão: arrependa-se. Arrependa-se!

Não semeie hoje um comportamento reprovável que parece vantajoso a curto prazo, mas que a longo prazo gerará frutos de dor, sofrimento e morte espiritual. Você está entristecendo Deus. Não busque desculpas “cristãs” ou “bíblicas” a fim de justificar ou desculpar comportamentos infelizes.

Você deve se arrepender daquilo que faz de errado — sem justificativas, sem desculpas! —, consertando os seus problemas, sem ficar focando os do outro. Portanto, se você tem pecados de cabeceira, sejam eles quais forem — agressividade, arrogância, egoísmo, religiosismos, cobiças, rebeldia ou o que for — e você os pratica numa boa, escorado em desculpas ou justificativas “cristãs”, só há uma coisa que eu posso lhe dizer.

Arrependa-se.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,

Maurício Zágari (via Apenas)

"O arrependimento compreende tristeza pelo pecado e afastamento do mesmo. Não renunciaremos ao pecado enquanto não reconhecermos a sua malignidade; enquanto dele não nos afastarmos sinceramente, não haverá em nós uma mudança real da vida." (Ellen G. White - Caminho a Cristo, p. 23)

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Onde Deus está quando as tragédias acontecem?

Tragédias! Elas são indescritíveis. Não têm hora para chegar, não pedem licença e interrompem os sonhos, no início ou na melhor parte deles. Elas não têm a cortesia de esperar os sonhos terminarem. Em geral, parecem acontecer só com as outras pessoas. Mas quando ocorrem conosco, uma insistente pergunta paira no ar: Por quê?

Onde está Deus quando a tragédia ataca? Ele sabe onde estamos e o que está acontecendo conosco? Ele vê quando estamos sofrendo? Ele realmente Se importa? Se sim, por que não vem nos socorrer?

Jamais entenderemos os problemas; jamais compreenderemos os incêndios, as inundações, os terremotos e todas as desgraças, enquanto não buscarmos desvendar o que se passa por trás de tudo isso. Não há meio de entendermos o sofrimento, enquanto não entendermos a Deus. Precisamos entender o dilema divino. Deus não queria brinquedos para manipular e controlar. Ele não criou robôs. Ele queria gente de verdade a quem pudesse amar e de quem pudesse receber amor. Queria que fossem livres para escolher. Vamos ler o que se encontra em Josué 24:15: “Porém, se vos parece mal aos vossos olhos servir ao Senhor, escolhei hoje a quem sirvais; se os deuses a quem serviram vossos pais, que estavam dalém do rio, ou os deuses dos amorreus, em cuja terra habitais. Porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor.” 

Essa foi a liberdade de escolha que Deus deu aos anjos e a todos os seres criados. E quando Deus fez isso, correu um tremendo risco: alguém, em algum lugar, poderia escolher se rebelar. E foi exatamente o que aconteceu.

O profeta Isaías escreveu a esse respeito: “Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filho da alva! Como foste lançado por terra, tu que debilitavas as nações! E tu dizias no teu coração: eu subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono, e no monte da congregação me assentarei, da banda dos lados do norte. Subirei acima das mais altas nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo” (Isaías 14:12 a 14). Lúcifer era o filho da alva! Era o anjo mais elevado do céu, que ficava junto ao trono! Mas, ele ficou orgulhoso e quis ocupar o lugar de Deus! 

Aprendemos mais sobre esse assunto no livro do profeta Ezequiel. “Tu eras querubim ungido para proteger, e te estabeleci; no monte santo de Deus estavas, no meio das pedras afogueadas andavas. Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que se achou iniquidade em ti… Elevou-se o teu coração por causa da sua formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor; por terra te lancei, diante dos reis te pus, para que olhem para ti” (Ezequiel 28:14,15 e 17).

Que lindo anjo deve ter sido! Mas o coração dele se exaltou por causa da sua beleza. Ele corrompeu sua sabedoria por causa de seu resplendor. Há pessoas que dizem que Deus é o responsável pelo mal por ter criado Lúcifer. Afirmam que Deus criou o diabo. Mas isso é realmente verdade? Não! O que a Bíblia nos revela é que ele era perfeito nos seus caminhos desde o dia em que foi criado. Portanto, Deus o criou perfeito, mas deu-lhe o poder e a liberdade de escolha, da mesma maneira como faz conosco. Ao exercer a sua liberdade de escolha, Lúcifer transformou-se no diabo. Diante disso, o que Deus faria? Observe o dilema divino: Deus poderia ter impedido a rebelião, deixando de criar pessoas. Poderia ter preenchido o universo com sóis, galáxias e planetas, deixando-os desabitados. Deus, no entanto, preferiu criar as pessoas porque só elas podem amar. Depois da rebelião de Lúcifer que pôs fim à harmonia perfeita do Universo, ainda restaram várias opções. Deus poderia ter optado por forçar Seus súditos ou poderia descartá-los, jogando-os fora – como se faz com brinquedos quebrados. Se tivesse agido dessa maneira, não teria sido compreendido.

Se Ele realmente tivesse procedido assim, provaria apenas que, de fato, queria robôs e não pessoas que pudessem exercer a liberdade de escolha. Deus poderia explicar as razões pelas quais expulsou os anjos rebeldes do céu; mas explicar a natureza do pecado estaria além da compreensão de seres que nunca tinham presenciado o pecado. Talvez Ele pudesse simplesmente ignorar a rebelião; mas se tivesse agido assim, o resultado seria o caos. A rebelião poderia se alastrar e o Universo inteiro cairia. Só havia um jeito, apenas uma maneira segura de lidar com a rebelião: teria que ser permitido ao pecado demonstrar seu caráter. E isso levaria tempo, muito tempo. Implicaria em milhares de anos de sofrimento, guerras, catástrofes, ódio e violência. Tudo isso causado pelo anjo rebelde. Seria necessário tempo suficiente para que seres humanos, anjos e habitantes de outros mundos vissem a verdadeira face do pecado. Deus então poderia finalmente destruir o pecado sem nenhuma voz de reprovação.

O pecado será destruído um dia. A segurança do Universo exige isso. Mas Deus não tomará essa decisão extrema se não tiver a aprovação de todos os seres inteligentes. Entretanto, a rebelião demandou uma ação imediata da parte de Deus. E o resultado foi uma guerra no céu: “E houve batalha no céu: Miguel e os seus anjos batalhavam contra o dragão, e batalhava o dragão e os seus anjos; Mas não prevaleceram, nem mais o seu lugar se achou nos céus. E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, chamada o Diabo, e Satanás, que engana todo o mundo; ele foi precipitado na terra, e os seus anjos foram lançados com ele” (Apocalipse 12:7-9). Guerra no céu! Miguel (outro nome para Jesus) e Seus anjos lutaram contra o dragão (antes Lúcifer, agora Satanás) e seus anjos. E Satanás e seus adeptos foram expulsos do céu. A rebelião de Lúcifer havia trazido uma assustadora nota de discórdia à harmonia perfeita do céu. A ameaça da rebelião se espalhar pelo Universo era real. Uma decisão devia ser tomada.

A despeito de saber do risco que envolveria o nosso planeta, o plano da criação seria mantido? Os seres humanos, como todas as demais criaturas, seriam criados com poder e liberdade de escolha. E quando o plano da criação deste mundo foi executado, como Deus se sentiu? Deus estava tranquilo, porque sabia exatamente o que fazer caso Adão e Eva aceitassem a rebelião proposta por Satanás. Deus enfrentaria não com força ou armas, mas com uma cruz. A Trindade havia concordado que, se os seres humanos se juntassem à conspiração, Deus o Filho, (a segunda pessoa da Trindade) viria à Terra para morrer em lugar do homem. Mesmo tendo descansado naquele primeiro sábado, Ele já possuía o Calvário em Seu coração.

“E adoraram-na todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo” (Apocalipse 13:8). Que declaração! Ela nos conta uma tremenda história. O Cordeiro (Jesus) estava pronto para morrer desde a fundação do mundo. Essa seria a arma com a qual Deus combateria o pecado: o Cordeiro morto numa cruz. E com essa arma, seria vencedor! E agora, o que faria Satanás? Abandonaria sua guerra contra Deus? Não, claro que não.

Ainda assim é impossível entender as tragédias, se não atentarmos para esse conflito cósmico que está em andamento. O sofrimento será sempre um mistério, até que compreendamos o que está acontecendo nos bastidores. Somos afligidos pela triste tendência humana de creditarmos a nós mesmos todos os sucessos e as coisas boas da vida, e de culparmos a Deus por todas as desgraças e tragédias.

A Bíblia nos relata a interessante experiência de Jó. Ao lê-la, nos tornamos participantes dos acontecimentos que estão por trás das cenas. Somos informados que ocorreu uma conversa entre Deus e Satanás. Deus expressou plena confiança na lealdade de Seu servo Jó. Satanás, por sua vez, declarou que Jó servia a Deus somente por ser favorecido. Com isso, Deus deu permissão para que Satanás fizesse o que bem entendesse, desde que não tocasse em Jó pessoalmente. Apesar de tudo o que sobreveio a ele, Jó manteve total confiança em Deus. Então Satanás disse que não seria assim, se tivesse permissão para atingir a pessoa de Jó. Deus permitiu a Satanás prosseguir, desde que poupasse a vida de Jó. Aí vieram as chagas. E como doíam! E os que se diziam amigos, sentaram- se e olharam para ele durante sete dias sem dizer uma só palavra. Que tortura! E quando abriram a boca, disseram a Jó que ele deveria ser um terrível pecador para merecer tamanho castigo. Eles pensaram que Deus estava provocando tudo aquilo. E afinal de contas, era Deus o responsável ou não? Muitas pessoas ficam confusas nesse ponto. Jó 1:11 e 12 afirma: “Mas estende a tua mão, e toca-lhe em tudo quanto tem, e verás se não blasfema de Ti na Tua face! E disse o Senhor a Satanás: Eis que tudo quanto tem está na tua mão; somente contra ele não estendas a tua mão. E Satanás saiu da presença do Senhor.” Deus deu a Satanás permissão para destruir os bens de Jó, mas não devia estender a mão em sua pessoa. Jó ainda confiava em Deus, e assim Satanás voltou à presença do Senhor e falou: “Estende, porém, a Tua mão, e toca-lhe nos ossos, e na carne, e verás se não blasfema de Ti na Tua face! E disse o Senhor a Satanás: Eis que ele está na tua mão; poupa, porém, a sua vida. Então saiu Satanás da presença do Senhor, e feriu a Jó duma chaga maligna, desde a planta do pé até o alto da cabeça” (Jó 2:5 a 7).

É Satanás quem se delicia em sair e levar sofrimento e desgraça aos seres humanos. Não é Deus, mas o impiedoso e cruel inimigo de Deus! A exemplo do que fez no passado, Jesus gostaria de andar pelos caminhos e vilas, pelos hospitais e clínicas e não deixar nenhum doente, de impedir que os carros colidissem, de impedir que os aviões caíssem e que os acidentes ocorressem, etc… Mas se Deus realmente gostaria de impedir que todas essas coisas acontecessem, por que não o faz? Por que não se apresenta e acaba com o sofrimento? Estaria Lhe faltando poder? Deus não pode fazer alguma coisa pelos nossos problemas, além de expressar Sua simpatia? Seria justo mencionar falta de poder para Aquele que falou e tudo se fez? Não, não há falta de poder. Seria então ausência de amor? Mas se fosse falta de amor, Deus entregaria Seu filho para morrer em nosso lugar? Dificilmente! Mas então qual é o problema? Se Ele é poderoso, o suficiente e ama o bastante, por que deixa todas as tragédias acontecerem?

Deus age assim porque é sábio. Se fosse enfrentar a rebelião dessa maneira, isso faria somente com que ela se alastrasse ainda mais. Se fizesse o que gostaria, se fizesse o possível para tornar a vida suave para nós, jamais entenderíamos o quanto o pecado é cruel, impiedoso e mortífero. No entanto, o maior de todos os mistérios é a razão pelo qual o inocente deve sofrer com o culpado.

A discussão entre Deus e Satanás não terminou. E até que termine muitas coisas ruins acontecerão a todos. E se Deus protegesse e curasse Seus filhos, e respondesse a todas as orações como gostaria de fazer, deixando a tragédia cair somente sobre aqueles que rejeitam a Sua graça, Satanás O acusaria de ser injusto. E mais, ele afirmaria que servimos a Deus por causa de Seus favores especiais.

É impossível compreender as lágrimas e o sofrimento a não ser que entendamos o conflito que está caminhando rumo à solução final. É um conflito a ser decidido entre Deus e Satanás, entre o bem e o mal. Você e eu estamos envolvidos nessa questão. Anjos do bem e do mal estão batalhando por nossa lealdade. Se nossos olhos se abrissem para o mundo invisível, veríamos como essas batalhas são ferozes! Um dia muito em breve, Deus explicará os estranhos mistérios da vida. E entenderemos e aprovaremos o modo como Ele conduziu as coisas.