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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025

A ORAÇÃO-MODELO

Uma dúvida frequente entre os recém-convertidos é como orar, especialmente para aqueles que vêm de religiões ou denominações cristãs nas quais a prece consiste, basicamente, em repetir palavras. Muitos se frustram ao descobrir que a Bíblia não prescreve nenhuma lista de “rezas”. De fato, a maior parte das orações encontradas nas Escrituras, sobretudo nos Salmos, são espontâneas, fruto do extravasar sincero do coração perante Deus. Contudo, embora a Bíblia não determine nenhuma prece em particular, Cristo nos deixou um modelo de oração, o qual deve inspirar nossas conversas com o Criador.

A chamada Oração do Senhor, ou Pai Nosso, está registrada em Mateus e Lucas (Mt 6:9-13; Lc 11:2-4). A forma mais conhecida é a do evangelho de Mateus. Essa preciosa e bela oração nos ensina alguns princípios muito importantes para nossa vida devocional. O primeiro deles é derivado da própria estrutura da oração, composta por seis petições divididas em duas partes: os interesses do reino de Deus (Mt 6:9, 10) e os nossos interesses (v. 11-13). Em outras palavras, os temas relativos ao Reino devem sempre ser prioridade em nossas orações.

A oração-modelo de Jesus começa chamando Deus de Pai (v. 9), o que sublinha a importância de cultivarmos intimidade com o Senhor. No entanto, essa intimidade não implica irreverência, pois, em seguida, pede-se que Seu nome seja santificado, ou honrado. Pede-se também que o reino de Deus venha (v. 10a), súplica que se torna incoerente se não estamos envolvidos com a pregação do evangelho e o estabelecimento do Reino (Mt 14:14). Junto a essa petição, solicita-se que seja feita a vontade de Deus, “assim na Terra como no Céu” (v. 10b). Isso demanda renúncia de nossa parte e a disposição, por vezes difícil, de trocar nossa vontade pela vontade do Senhor. Com isso, encerra-se o primeiro bloco do Pai Nosso.

O segundo bloco começa com um pedido pelo “pão nosso de cada dia” (v. 11). Essa petição nos lembra que somente Deus pode suprir nossas necessidades – não apenas de alimento, mas de todo tipo. É importante ressaltar também que o “pão” que Deus nos dá deve ser compartilhado, pois ele é “nosso” e não apenas “meu”, assim como o Pai é nosso (v. 9). Isso nos move à solidariedade. Em seguida, Jesus nos ensina a pedir perdão pelos nossos pecados (“nossas dívidas”); porém, o recebimento do perdão divino é proporcional ao perdão que concedemos aos outros (v. 12). Nesta parte da oração, somos convidados a nos reconciliar e a nos reconectar com o nosso próximo (ver Mt 5:23, 24). Por fim, o Salvador nos incentiva a pedir que Deus nos livre do mal e nos dê vitória sobre a tentação (v. 13). O Senhor não nos livrará dos convites de Satanás ao pecado, mas Ele pode nos fortalecer para que não caiamos nas armadilhas que o inimigo coloca em nosso caminho (ver 1Co 10:13).

Em várias traduções da Bíblia consta uma doxologia ao final do Pai Nosso (v. 13b: “pois Teu é o Reino, o poder e a glória para sempre. Amém”). Embora essa nota de louvor provavelmente não estivesse presente no texto original (por isso, geralmente fica entre colchetes), tendo sido uma adição posterior inserida como parte da tradição litúrgica cristã, ela reflete bem o espírito da oração como um todo e aponta para o seu começo: a realidade de um Pai soberano, que reina sobre todo o Universo, mas está atento às nossas necessidades e deseja atendê-las com indescritível amor.

Eduardo Rueda Neto (Revista Adventista)

"Deus fala-nos constantemente através da Natureza, através da Escritura, e através das Suas muitas interacções providenciais. Mas isso não basta para nos manter em íntima relação com Ele. Também precisamos de falar com Ele. Orar é abrir os nossos corações a Deus, como fazemos a um amigo. A oração não traz Deus até nós; ela eleva-nos até Ele. Quando Jesus viveu aqui na Terra, ensinou os Seus discípulos a orar. Disse-lhes que contassem a Deus as suas necessidades e que partilhassem com Ele as suas lutas e dificuldades. Jesus falava por experiência. Tudo o que Ele suportava dia após dia, rodeado pelo pecado, partilhava com o Seu Pai. Era assim que Ele encontrava conforto e forças para continuar. Se Jesus sentia necessidade de orar regularmente, constantemente, quanto mais necessitamos nós de fazer o mesmo. A oração diária contínua mantém as nossas vidas unidas a Deus, por isso nunca devemos permitir que nada interrompa essa ligação através da oração. Orem com outras pessoas, orem com a família, mas, acima de tudo, tomem tempo para a oração privada, pessoal, porque ela constitui a verdadeira corrente de vida da vossa alma. Nunca sejam relutantes em orar, porque a oração é a chave na mão da fé para abrir o tesouro do Céu. Sem oração regular corremos o risco de crescermos descuidadamente e de nos perdermos" (Ellen G. White - Um Convite à Diferença, pp. 36-37).

terça-feira, 11 de junho de 2024

A ORAÇÃO DO PAI NOSSO

Existem muitas orações registradas na Bíblia, mas sem dúvida a mais conhecida é a chamada "Oração do Pai Nosso".

Os discípulos de Jesus frequentemente O viam em oração e testemunhavam o impacto disso em Sua vida e ministério. Um dia, ao ouvirem Jesus orar, os discípulos ficaram especialmente comovidos e, sentindo sua própria necessidade, pediram a Ele que os ensinassem a orar.

Em resposta, Ele apresentou novamente a oração familiar que proferiu pela primeira vez em Seu Sermão da Montanha, registrada em Mateus 6:9-13. Era como se Cristo estivesse dizendo: "Vocês devem compreender o que já lhes dei. Isso encerra uma profundeza de sentido que vocês ainda não sondaram" (O Maior Discurso de Cristo, p. 103).

O Pai Nosso nos ensina a fazer parte da família do Céu
A oração do Pai Nosso oferece ricas recompensas para aqueles que a consideram cuidadosamente. Em vez de uma oração estereotipada em que simplesmente repetir as palavras de cor concederá nossos desejos, Jesus ensina princípios celestiais que nos aproximam da família celestial e uns dos outros.

Ele começa com a bela invocação de "Pai Nosso", assegurando-nos que Deus é realmente nosso Pai, somos Seus filhos e filhas e, como tal, todos os Seus filhos são nossos irmãos e irmãs.

"Mas se chamais a Deus vosso Pai," escreve Ellen White, "vós vos reconheceis Seus filhos, para ser guiados por Sua sabedoria, e ser obedientes em todas as coisas, sabendo que Seu amor é imutável. Aceitareis Seu plano para vossa vida...mantereis, como objeto de vosso mais elevado interesse Sua honra, Seu caráter, Sua família, Sua obra" (O Maior Discurso de Cristo, p. 105).

O Pai Nosso nos convida à santidade
A oração de Jesus continua, "santificado seja o teu nome; venha o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu" (Mateus 6:9-10). Quando oramos, devemos falar o nome de Deus com reverência. "Santo e tremendo é o seu nome," nós lemos em Salmo 111:9. Mas significa mais do que isso. Quando oramos: "Santificado seja o teu nome", estamos pedindo que seja santificado em nós. Nós lemos, "Deus vos envia ao mundo como representantes Seus. Em cada ato da vida deveis tornar manifesto o nome de Deus. Esta petição é um convite para que possuais o caráter dEle... Isto só podereis fazer mediante a aceitação da graça e justiça de Cristo" (O Maior Discurso de Cristo, p. 107).

O Pai Nosso pede a vinda do reino de Deus
Nós ansiamos pela vinda de Jesus, e o fato de que Jesus ensinou Seus discípulos a orar "Venha o teu reino" é evidência de que um dia certamente virá. E temos uma parte em apressar Sua vinda, pois nos é dito, "quando nos entregamos a Deus, e ganhamos outras almas para Ele, apressamos a vinda de Seu reino" (O Maior Discurso de Cristo, p. 108).

A petição, "seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu" é um apelo para que o reinado do mal nesta terra termine, o pecado seja destruído para sempre e o reino da justiça de Deus estabelecido - algo que pela fé esperamos ansiosamente!

O Pai Nosso é certeza de que Deus sustenta completamente
Depois de focar no nome, reino e vontade de Deus, a oração se volta para nossas necessidades.

"O pão nosso de cada dia nos dá hoje" inclui não só o alimento físico, mas também o pão espiritual que alimenta a alma. Jesus disse, "Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá eternamente" (João 6:51). E assim como precisamos de alimento físico, precisamos desse alimento espiritual todos os dias.

O Pai Nosso nos convida a perdoar e ser perdoados
"Perdoa-nos os nossos pecados, pois também nós perdoamos a todo o que nos deve" (Lucas 11:4). Aqui somos convidados a pedir perdão a Deus, que será "rico em perdoar" (Isaías 55:7). Jesus explica que também devemos perdoar aqueles que nos ofenderam. Isso nem sempre é fácil, mas quando percebemos o amor e o perdão que Deus nos mostrou, Ele nos ajuda a mostrar compaixão e perdão aos outros.

O Pai Nosso nos ensina que Deus está no controle
Satanás procura nos levar à tentação, para que nos reivindique como seus, mas ao nos voltarmos para Deus em oração, Ele nos livrará. Devemos orar, "e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal" (Mateus 6:13).

Embora não devamos nos colocar deliberadamente em situações que levem à tentação, devemos orar para que Deus não permita que sejamos levados para onde seremos atraídos pelos desejos de nossos próprios corações malignos. Nós lemos, "Ao fazer a oração que Jesus nos ensinou, submetemo-nos à guia de Deus, pedindo-Lhe guiar-nos por caminhos seguros... Esperaremos Sua mão para nos conduzir; escutar-Lhe-emos a voz, dizendo: 'Este é o caminho, andai nele' (Isaías 30:21)" (O Maior Discurso de Cristo, p. 117).

Cristo termina Sua oração como começou — apontando para nosso Pai Celestial. "Pois teu é o Reino, o poder e a glória para sempre. Amém" (Mateus 6:13).

Essa garantia maravilhosa nos dá confiança de que Deus está no controle e que o que Ele promete será cumprido. Lemos esta magnífica promessa no final deste capítulo em O Maior Discurso de Cristo: "A Majestade do Céu tem a Seu cargo o destino das nações, bem como os interesses de Sua igreja... Aquele que não tosqueneja, que opera continuamente pelo cumprimento de Seus desígnios, há de levar avante a Sua obra... Quando forem derribadas as fortalezas dos reis, quando as setas da ira penetrarem o coração de Seus inimigos, a salvo se encontrará Seu povo em Suas mãos" (O Maior Discurso de Cristo, p. 121).

Oração
Que Deus maravilhoso! E que privilégio temos de orar a Ele. Convido você a inclinar sua cabeça comigo agora.

Pai nosso que estás nos céus, obrigado por nos dares instruções sobre como orar, como formular nossas petições ao céu, como orar sinceramente de coração. Senhor, nós Te pedimos que agora aceites esta oração, pois ela representa nossos desejos mais queridos e calorosos de nos conectarmos Contigo em todos os momentos, seja em oração silenciosa ou em oração oral pública. Senhor, nós nos colocamos sob Teu cuidado, sabendo que Tu nos responderás pelos sussurros do Espírito Santo, e também nos darás até mesmo as palavras para dizer em nossas orações. Obrigado por nos ouvir! Em nome de Cristo, amém.

Ted Wilson (via Notícias Adventistas)

quinta-feira, 22 de dezembro de 2022

ORAÇÃO ABOMINÁVEL

"O que desvia os seus ouvidos de ouvir a lei, até a sua oração é abominável" (Pv 28:9).

Uma das grandes diferenças entre os seres humanos e os animais é a capacidade de dialogar. Os animais até se comunicam entre si através de sons, mas dialogar é uma característica essencialmente humana. O diálogo é uma via de mão dupla, acontece entre pelo menos duas pessoas que escutam e são escutadas. Em um relacionamento saudável deve haver mutualidade. Os sentimentos, o respeito, a atenção, devem ser reciprocamente trocados.

No entanto, existem pessoas que querem ser respeitadas, mas não respeitam, querem ser ouvidas, mas não ouvem, querem ser amadas, mas não amam. Muitas vezes agimos assim com Deus. Exigimos que Deus nos ouça, mas nos recusamos a ouvir a Deus. Provérbios 28:9 apresenta um grupo de pessoas que buscam serem ouvidas por Deus, mas se recusam a ouvi-Lo.

Que mensagem dura! É isso mesmo?

Quando me deparei com este verso pela primeira vez, fiquei pensativo por algum tempo me perguntando: será que é isso mesmo que Deus queria dizer? É uma mensagem muito dura. Deus realmente pensa assim? Será que o tradutor não se equivocou ao traduzir este verso do original?

Para sanar minhas inquietações, resolvi pesquisar um pouco mais a fundo este verso. Descobri, por exemplo, que o verbo ouvir também poderia ser traduzido como obedecer ou guardar (2Sm 18:12 é um caso desses). A palavra lei (Torah) é uma referência à toda a Bíblia que eles tinham na época, ou seja, o Pentateuco. Portanto, ela também inclui Êxodo 20, ou seja, a lei moral de Deus, os dez mandamentos. Outra tradução possível para a palavra “abominável” seria “detestável”, o que torna a expressão ainda mais séria. Finalmente fui buscar outras traduções para comparar a versão que eu havia lido (ARA) com outras possibilidades. Todas as versões que eu consultei (NVI, Almeida século XXI, BV, NTLH, ARC, NKJV, BJ) concordam entre si em relação à tradução deste verso.

A única coisa que podemos concluir, portanto, é que Deus realmente quis dizer o que está escrito em nossa Bíblia. Contudo, vamos analisar um pouco mais este verso.

De quem o verso fala?

O verso deixa transparecer algumas características que nos ajudam a identificar a quem ele se refere. Duas características se destacam. A primeira é que as pessoas descritas nesse verso recusam ouvir (obedecer, guardar) a lei. Isso significa que essas pessoas conhecem a lei de Deus, conhecem a palavra de Deus, mas voluntariamente se recusam a obedecer.

Uma segunda característica que podemos observar é que estas pessoas de Provérbios 28:9 oram a Deus. São pessoas religiosas, que frequentam uma igreja, que professam um credo. Essas pessoas dizem que servem a Deus, mas querem servir do seu jeito, sem compromisso real com as ordens do Senhor. É importante também destacarmos que o verso não está se referindo a quem é ignorante em relação às leis da Bíblia. Deus não cobrará de quem não conhece (At 17:13).

O que tudo isso significa?

A aplicação deste texto deve nos fazer refletir profundamente a respeito da nossa vida cristã. A rebelião impede o contato com Deus. Rebelião é colocar-se conscientemente contra uma clara ordem Divina. A palavra de Deus nos revela várias leis para as quais devemos dar toda atenção. A Lei moral é, sem dúvida, a mais importante delas. Todos os dez mandamentos, inclusive o sábado, devem ser alvo de nossa atenção e obediência. Encontramos outras leis de Deus em Sua palavra: a lei dos dízimos e ofertas, as leis de saúde dentre outras.

Quando estudamos os textos sagrados, precisamos estar alerta aos pequenos detalhes. No texto que estamos analisando, há um detalhe importante. A palavra “até” tem muito a nos dizer. Ela é uma palavra inclusiva. Não são somente as orações dos que são rebeldes que são abomináveis. Qualquer manifestação em direção a Deus é abominável. Músicas, culto, pregação, todas são abomináveis, ou seja, detestáveis a Deus. O profeta Amós deu uma mensagem de Deus a pessoas que estavam em uma situação de rebeldia em relação ao Pai eterno:

“Aborreço, desprezo as vossas festas, e não me deleito nas vossas assembleias solenes. Ainda que me ofereçais holocaustos, juntamente com as vossas ofertas de cereais, não me agradarei deles; nem atentarei para as ofertas pacíficas de vossos animais cevados. Afasta de mim o estrépito dos teus cânticos, porque não ouvirei as melodias das tuas liras" (Amós 5:21-23).

O povo ao qual Amós dirigiu estas palavras ia para a igreja, fazia sacrifícios, cantavam bonitas músicas, mas, eram voluntariamente desobedientes aos mandamentos divinos. Para Deus sua adoração era desprezível. Através do profeta Isaías, Deus confirmou este pensamento:

“Eis que a mão do Senhor não está encolhida, para que não possa salvar; nem surdo o seu ouvido, para que não possa ouvir; mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados esconderam o seu rosto de vós, de modo que não vos ouça" (Isaías 59:1, 2).

Se Deus aceitasse adoração dos desobedientes, estaria aprovando a rebeldia.

Ellen G. White confirma estes conceitos em diversos momentos:

“Deus não aceitará uma obediência voluntariosa e imperfeita. Os que presumem estar santificados, mas desviam os ouvidos de ouvir a lei, demonstram ser filhos da desobediência, cujo coração carnal não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar” (Mensagens Escolhidas, vol. 3. p. 199).

Comentando a primeira mensagem angélica, ela escreveu:

“Pelo primeiro anjo os homens são chamados a temer a Deus e dar-Lhe glória, e adorá-Lo como o Criador do céu e da Terra. A fim de fazer isto devem obedecer à Sua lei. Diz Salomão: 'Teme a Deus e guarda os Seus mandamentos; porque este é o dever de todo homem' (Ec 12:13). Sem a obediência a Seus mandamentos nenhum culto pode ser agradável a Deus. 'Este é o amor de Deus: que guardemos os Seus mandamentos.' 'O que desvia os seus ouvidos de ouvir a lei, até a sua oração será abominável' (1Jo 5:3; Pv 28:9)" (O Grande Conflito, pp. 435 e 436).

Completando este pensamento, ainda lemos:

“Não bastava que a arca e o santuário estivessem no meio de Israel. Não bastava que os sacerdotes oferecessem sacrifícios, e que o povo fosse chamado filhos de Deus. O Senhor não toma em consideração o pedido daqueles que acariciam a iniquidade no coração; está escrito que 'o que desvia os seus ouvidos de ouvir a lei, até a sua oração será abominável' (Pv 28:9)" (Patriarcas e Profetas, p. 584).

Conclusão

A mensagem contida em Provérbios 28:9 é muito importante e profunda. Deus não considera as orações daqueles que voluntariamente O desobedecem. O culto, as músicas, por mais bem executadas que sejam, e outras formas de adoração também são rejeitados por Deus.

Há um desafio para o povo remanescente: dar uma mensagem de advertência àqueles que necessitam mudar de vida. Não podemos ter orgulho espiritual, mas é preciso ter consciência que aqueles que conhecem e guardam a lei de Deus precisam pregar àqueles que se rebelaram contra Deus. Eles devem aprender sobre a verdadeira adoração com quem obedece e não o contrário.

Aqueles que professam estar entre o povo remanescente, também devem analisar-se diariamente para saber se estão “ouvindo” a lei de Deus. O Senhor não levará em consideração a placa de sua igreja na hora do julgamento, naquele dia é só o ser humano e Deus.

É importante terminarmos esta reflexão destacando que há solução para todos aqueles que estão em rebelião contra Deus. João escreveu:

“Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1 João 1:9).

A oração de arrependimento sempre será ouvida por Deus.

Que possamos estar sempre atentos à voz do Senhor!

quarta-feira, 10 de agosto de 2022

POR QUE DEUS NÃO ATENDE MINHA ORAÇÃO?

Por que Deus não responde à oração é uma questão tão antiga quanto o princípio do mal. Quando o pecado surgiu, ele nos separou da presença de Deus e consequentemente das respostas diretas de Deus. Desde Abel que morreu provavelmente perguntando “Por quê Senhor?" ou mesmo Moisés que pediu para entrar na terra prometida e o pedido lhe foi negado. Davi passou uma semana orando por seu filho recém-nascido que veio a morrer. Santo Agostinho pedia em oração, quando criança, que os professores não lhe batessem, mas continuava apanhando na escola.

E você? Você acreditou. Teve fé. Concentrou todo o poder de seu pensamento positivo (como se houvesse algo de sobrenatural nele). Acima de tudo, você orou para que o mais desejado pedido do seu coração fosse satisfeito. Resultado: nada. Deus não “moveu um dedo” para concretizar seu sonho. A frustração parece ser maior quando você escuta relatos incríveis de respostas à oração. A pergunta que fica é: “Será que isso só acontece com os outros?”

Se você pensa assim, a Bíblia tem resposta para esse dilema. Mesmo sabendo que Jesus garantiu “peçam, e lhes será dado” (Mt 7:7), devemos entender que há situações em que Deus não atua, para nosso bem e do Universo que Ele governa. Deus tem condições para atender nossas orações. E os critérios dele são mais justos do que os nossos. Conheça alguns deles: 

(1) Pedir especificamente. Não faça uma oração genérica do tipo “abençoa minha vida, amém!”, mas seja específico em seus pedidos (Tg 4:2). Ellen G. White diz: "Vossas petições não devem ser débeis, ocasionais e apressadas, mas fervorosas, perseverantes e constantes. Que vosso coração se eleve de contínuo, em silêncio, pedindo auxílio, luz, força, conhecimento. Que cada respiração seja uma oração" (A Ciência do Bom Viver, p. 510);

(2) Orar com frequência (Lc 18:1-7). Tem gente que fala com Deus como se estivesse solicitando um serviço de delivery. Só que o Pai deseja passar tempo de qualidade em conversas descontraídas e amigáveis com seus filhos. Quem costuma ouvir a voz de Deus, sabe melhor o que pedir. Ellen White afirma: "A perseverança na oração é também uma condição para ser ela atendida. Devemos orar sempre, se quisermos crescer na fé e experiência” (Caminho a Cristo, p. 97); 

(3) Pedir certo (Tg 4:3; 1Jo 5:14). Deus não atende orações que contrariam seus propósitos de amor para o ser humano, como os pedidos egoístas. Talvez Ele não lhe dê um dia de sol para ir à praia, porque precisa mandar chuva para o agricultor que depende da colheita. Porém, se pedir aquilo que Ele já prometeu, o “sim” é garantido (2Co 1:20). Por isso, conheça e reivindique as promessas bíblicas, entre em sintonia com a vontade de Deus (Pv 28:9), e peça, sobretudo, a orientação e a transformação que vem por meio do Espírito (Lc 11:13). Ellen White adverte: "Somos tão falíveis e curtos de vistas que às vezes pedimos coisas que não nos seriam uma benção, e nosso Pai Celestial amorosamente nos atende às orações dando-nos aquilo que é para o nosso maior bem – aquilo que nós mesmos desejaríamos se com vistas divinamente iluminada, pudéssemos ver todas as coisas tais como elas são na realidade" (Caminho a Cristo, p. 96).

Ellen White conclui: "Quando nossas orações ficam aparentemente indeferidas, devemos apegar-nos à promessa; pois virá por certo a ocasião de serem atendidas, e receberemos a bênção de que mais carecemos. Mas pretender que a oração seja sempre atendida exatamente do modo e no sentido particular que desejamos, é presunção. Deus é muito sábio para errar, e bom demais para reter qualquer benefício dos que andam sinceramente. Não receeis, pois, confiar nEle, ainda que não vejais a resposta imediata às vossas orações. Apoiai-vos em Sua segura promessa: 'Pedi, e dar-se-vos-á' (Mateus 7:7)".

Não sei lhe dizer por que Deus não responde às vezes a oração, mas sei, por experiência própria, que quando isso acontece Ele continua me amando. Quais são suas dúvidas e lágrimas, perguntas e questionamentos? Ouça Deus lhe dizendo hoje: Vinde e arrazoemos, vamos conversar, questione, duvide, mas não se afaste de mim. Não desista e permaneça firme até o dia em que Ele responderá todas as dúvidas e enxugará todas as lágrimas.

segunda-feira, 11 de abril de 2022

O VERDADEIRO SÍMBOLO DA PÁSCOA

Lendo a Bíblia encontramos a origem da celebração da Páscoa. É uma história bem conhecida e emocionante. Naqueles dias o povo de Deus, o povo de Israel, era escravo do Egito. Mas chegara a hora em que Deus queria dar um ponto final nessa situação. Moisés foi o escolhido para liderar o povo na difícil empreitada. Colocado diante do Faraó, Moisés levou a mensagem de Deus: “Deixa o povo de Israel ir embora”. Coração duro, Faraó disse não.

A partir desse primeiro não, outros nove se seguiram mesmo com o derramamento de pragas terríveis sobre o povo egípcio. Até que finalmente chegou a décima praga. Deus sabia que era o momento final e mandou que o povo se preparasse para sair do Egito.

A décima praga envolveu a morte de todo primogênito. Todo o primeiro filho na casa dos egípcios, na casa dos israelitas e até entre os animais estava condenado a morrer. Mas havia uma saída. Conforme orientação dada por Deus, através de Moisés, cada família israelita matou um cordeiro e espalhou seu sangue nos umbrais da porta de entrada de sua casa. Na noite determinada por Deus, o anjo da morte passou. Houve pranto, choro e muita dor nas casas egípcias. Mas nos lares israelitas houve paz. Nenhuma morte. O anjo “passou por cima” das casas israelitas e poupou seus filhos. Daí vem o nome “Páscoa”, do hebraico, “Pessach”, que significa, “Passagem”.

A história tem mais detalhes que enriquecem essa breve descrição. Se você quiser, leia o texto completo nos primeiros capítulos do livro bíblico de Êxodo.

O tempo passou e Jesus veio a este mundo. Viveu e morreu por nós. Foi o Cordeiro perfeito que derramou Seu sangue por todos. Hoje, a cristandade comemora, na Páscoa, a ressurreição de Jesus. Quer dizer… Será que comemora mesmo?

Pesquisando sobre o assunto, na internet, encontrei as seguintes informações: “Os símbolos da Páscoa são: os ovos (que simbolizam vida), o chocolate (criado na Europa e rapidamente se espalhou pelo mundo), o coelho (atualização do símbolo pascoalino, a lebre, considerada sagrada para a deusa Eostre) e a pomba (um símbolo cristão)”.

Além disso, encontrei as seguintes tradições pascoalinas: no Canadá as crianças acreditam que o coelho da Páscoa lhes trará ovos coloridos, normalmente confeitados. Todos compram roupas novas para a ocasião. Na Suécia há uma superstição sobre as bruxas. Dizem que elas ficam mais poderosas nessa semana e voam para todos os lados em suas vassouras.

Pergunto: onde está Jesus?

Jesus foi ao extremo quando entregou Sua vida por nós na cruz. Morrer do modo como Ele morreu era a pior forma de tortura naquele tempo. E Ele fez tudo aquilo pensando em você e em mim.

É hora de ensinarmos nossas crianças e jovens o que é a Páscoa. Agora, é um ótimo momento para reflexão. Mas não é só na Páscoa que devemos nos lembrar do sacrifício feito por Jesus na cruz do Calvário. Lembrar disso é tarefa para todos os dias. Em todos os momentos devemos ter bem claro em nossa mente o tamanho do sacrifício feito por Ele.

E se há um símbolo para o Páscoa, esse símbolo é o sangue do Cordeiro perfeito, o sangue de Jesus.

Márcia Ebinger (via CPB)

Nota do blog: Confira também essas declarações de Ellen G. White:

"A páscoa devia ser tanto comemorativa como típica, apontando não somente para o livramento do Egito, mas, no futuro, para o maior livramento que Cristo cumpriria libertando Seu povo do cativeiro do pecado. O cordeiro sacrifical representa o 'Cordeiro de Deus', em quem se acha nossa única esperança de salvação. Diz o apóstolo: 'Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós' (1Co 5:7). Não bastava que o cordeiro pascal fosse morto, seu sangue devia ser aspergido nas ombreiras; assim os méritos do sangue de Cristo devem ser aplicados à alma. Devemos crer que Ele morreu não somente pelo mundo, mas que morreu por nós individualmente. Devemos tomar para o nosso proveito a virtude do sacrifício expiatório" (Patriarcas e Profetas, p. 192).

"O sangue da Páscoa representava para os judeus o sangue de Cristo. No tempo determinado, Deus lhes daria Seu querido Filho como sacrifício, assim como o cordeiro havia sido sacrificado de modo que todo aquele que cresse nEle pudesse ser salvo da morte eterna. Cristo é chamado a 'nossa Páscoa'. Somos redimidos por Seu sangue, através da fé" (Vida de Jesus, p. 13).

sexta-feira, 30 de abril de 2021

A LINGUAGEM DAS LÁGRIMAS

Criador dos Céus e da Terra, Rei das estrelas e dos átomos, Senhor do macro e do micro, Tu que habitas a eternidade e cujo nome é Santo, bendito sejas do nascer ao pôr do sol, de eternidade a eternidade, do norte ao sul, do oriente ao ocidente, das profundezas às alturas, dos buracos negros às galáxias iluminadas!

Do Teu trono no templo do Céu, rodeado por milhões de anjos, lança Teu olhar sobre este pequeno planeta dominado por agentes nanométricos do mal.

Inclina os ouvidos e ouve as respirações ofegantes de pacientes com saturação mínima e hipóxia silenciosa em busca do ar precioso.

Nestes tempos terríveis, em que pessoas se vão sem um ritual de despedida, relembra os mais de 3 milhões de vítimas do vírus e escreve o nome dos santos em Teu memorial.

Num cenário de distopia, cura o povo, sara a Terra, renova a criação.

Nesta época de conspiração e negacionismo, livra-nos da inversão da realidade e dos discursos da estupidez.

Na disrupção evidenciando que não temos controle sobre nada, ajuda-nos a perceber nossa transitoriedade.

Sê nossa esperança em meio ao desespero, nossa paz em meio à inquietação, nossa certeza em meio à incerteza.

Guia os pesquisadores e abençoa os que arriscam a vida para vencer a doença.

Dirige os governantes para que tenham visão, sabedoria, senso de justiça e um pouco de humanidade.

Além dos que não têm teto, abrigo e amor, lembra-Te dos que não podem trabalhar em casa e precisam enfrentar coletivos lotados.

Transforma nossas doações e ações em pão de trigo para os desnutridos e em oferta do Pão da Vida aos famintos.

Cessa a praga para mostrar Tua glória, se esse for o Teu propósito, porque Tu vês o invisível, realizas o impossível e mudas o irreversível.

Cicatriza as escoriações e usa o lenço do futuro para enxugar as lágrimas do presente.

Ensina-nos a dizer “o Senhor o deu, o Senhor o levou; louvado seja o nome do Senhor” e “passa de mim este cálice, mas não seja feito o que eu quero, e sim o que Tu queres”.

Faze da catástrofe triunfo e da maldição bênção, porque Tu podes construir cosmos no caos, fazer crescer flores no deserto, tirar vida da morte.

Derrama sobre nós o Teu Espírito, a ­Bênção acima de todas as bênçãos, para levar vida aos que só têm por companhia a morte.

Guia-nos em segurança pelo território não mapeado do futuro, usando o GPS da profecia.

Em todas as circunstâncias, que encontremos refúgio na Rocha eterna, ao abrigo da Tua mão!

Talvez esta prece imperfeita seja torta aos Teus olhos, mas combina as letras e cria o enredo que Te parecer agradável. Que ela suba a Ti no incenso do Sacrifício, no voo de anjos, no gemido do Espírito!

Criador do Universo, Senhor das nações, Soberano dos povos, que Tua justiça prevaleça e Teu reino seja definitivamente estabelecido.

Que esta oração tenha um efeito borboleta, desperte conexões e ajude a combater o mal!

No Nome acima de todos os nomes, o A e o Z, o Primeiro e o Último, o Rei dos reis e Senhor dos senhores, o Indescritível, o Incomparável, o Inquestionável, o Superlativo, o conquistador da Morte e o Doador da vida, oramos. Amém!

Marcos De Benedicto (via Revista Adventista)

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

NÃO SEI ORAR BONITO

Falar sobre oração é sempre assunto complicado e controverso. Algumas pessoas logo deixam de ler ou de ouvir qualquer palavra, ensino ou comentário sobre oração. Talvez, algumas tenham medo da pergunta: “Como anda sua vida de oração?" Essa é uma típica pergunta que todos deveriam responder: “Minha vida de oração poderia ser melhor." Essa seria uma boa resposta dada por qualquer um, mesmo por um grande pastor ou até pelo papa.


A verdade é que o maior exemplo de pessoa de oração que temos é Jesus Cristo. Ele não teve grandes momentos de ensino acerca da oração, mas sua vida demonstrava a importância de se tecer a vida com a oração. Quando o apóstolo Paulo escreveu orai sem cessar, se remetia a Cristo. Não significa que devemos não parar de orar um único segundo (o que não seria má ideia), mas sim que deveríamos tecer nossa vida com a oração.

Permita-me utilizar todos os meus conhecimentos filosóficos, sociológicos, teológicos, políticos, sociais e culturais para definir oração: oração é conversar com Deus. É simples tal como deve ser uma oração. Sendo assim, tecer a vida com oração, orando sem cessar é tão somente conversar com Deus em todo o tempo. Assim: você está dirigindo e conversando com Deus; você está na mesa do trabalho, digitando no celular e conversando com Deus; ao acordar, você conversa com Deus, e antes de ir dormir, você conta a Deus como foi o seu dia.

Orar é conversar com Deus, humildemente, respeitosamente e informalmente. Quando questionado sobre a maneira de orar, Jesus disse primeiro aos discípulos como não orar. Quando orardes não façam como as pessoas religiosas. Engraçado Jesus dizer que o exemplo de como não orar são justamente as pessoas que mais pareceriam ser o exemplo de como orar. Digo isso: quando orar não olhe para os grandes televangelistas, para o papa, para o pastor sênior da sua igreja. Assim como Jesus instruiu, vá para o quarto e diga Pai nosso…

Orar é conversar com Deus, o tendo como Pai. Sinceramente, quando vou pedir a meu pai, por exemplo, para me emprestar o carro, não faço assim: “Poderoso pai, venho te pedir que o senhor me empreste o seu carro, para que eu possa…”. Não há necessidade. É melhor e mais bonito uma oração que se faz humildemente, respeitosamente e informalmente: “Pai, o senhor poderia me emprestar o carro…”. Orar é conversar com Deus.

Pessoas não oram porque pensam não saber orar “bonito” como o irmão o faz. Deus não quer orações com palavras difíceis, mãos erguidas e carinha de coitado. Deus quer um coração puro e sincero, orando humildemente, respeitosamente e informalmente. E, conforme diz Ed Rene Kivitz: “O resultado da oração não é necessariamente a mudança da realidade a respeito da qual se ora, mas a mudança da pessoa que ora.”

Para concluir, vejamos estes textos de Ellen G. White: 
 
"A oração é o abrir do coração a Deus como a um amigo" (Caminho a Cristo, p. 93).

“A linguagem floreada é inadequada à oração, seja a petição feita no púlpito, no círculo da família, ou em particular. Especialmente o que ora em público deve servir-se de linguagem simples, para que os outros possam entender o que diz, e unir-se à petição. É a oração de fé, que vem do coração, que é ouvida no Céu, e atendida na Terra. Deus compreende as necessidades humanas. Sabe o que desejamos antes de Lho pedirmos. Ele vê o conflito da alma com a dúvida e a tentação. Observa a sinceridade do suplicante. Aceita a humilhação da alma e sua aflição" (Obreiros Evangélicos, p. 177).
 
Hoje daremos início ao projeto 10 Dias de Oração e Jejum em nossas igrejas. Dos dias 18 a 27 de fevereiro, vamos aprender juntos sobre como melhorar nossos relacionamentos familiares usando as ferramentas encontradas na Bíblia. Participe!!!

terça-feira, 22 de dezembro de 2020

ORAÇÃO PELOS DOENTES

Diz a Escritura que os homens devem "orar sempre e nunca desfalecer" (Lucas 18:1); e, se há um tempo em que eles sintam sua necessidade de orar, é quando lhes faltam as forças, e a própria vida lhes parece fugir.

Frequentemente os que estão com saúde esquecem as maravilhosas misericórdias a eles feitas continuadamente, dia após dia, ano após ano, e não rendem a Deus tributo e louvor por Seus benefícios. Ao sobrevir a doença, porém, Ele é lembrado. Ao faltarem as forças humanas, sentem os homens a necessidade do auxílio divino. E nunca o nosso misericordioso Deus Se afasta da alma que para Ele em sinceridade se volve em busca de auxílio. Ele é nosso refúgio na enfermidade assim como na saúde.

"Como um pai se compadece de seus filhos, assim o Senhor Se compadece daqueles que O temem. Pois Ele conhece a nossa estrutura; lembra-Se de que somos pó." (Salmos 103:13 e 14)

"Por causa do seu caminho de transgressão e por causa das suas iniquidades", os homens "são afligidos. A sua alma aborreceu toda comida, e chegaram até às portas da morte" (Salmos 107:17 e 18).

"Então, clamaram ao Senhor na sua angústia, e Ele os livrou das suas necessidades. Enviou a Sua palavra, e os sarou, e os livrou da sua destruição" (Salmos 107:19 e 20).

Deus está hoje tão desejoso de restabelecer os doentes como quando o Espírito Santo proferiu estas palavras por intermédio do salmista. E Cristo é agora o mesmo compassivo médico que era durante Seu ministério terrestre. NEle há bálsamo curativo para toda doença, poder restaurador para toda enfermidade.

Seus discípulos de nossos dias devem orar pelos doentes tão verdadeiramente como os de outrora. E seguir-se-ão as curas; pois "a oração da fé salvará o doente" (Tiago 5:15). Temos o poder do Espírito Santo, a calma certeza da fé, de que podemos reivindicar as promessas de Deus. A promessa do Senhor: "Imporão as mãos sobre os enfermos e os curarão" (Marcos 16:18), é tão digna de fé hoje como nos dias dos apóstolos. Ela apresenta o privilégio dos filhos de Deus, e nossa fé deve lançar mão de tudo quanto aí se encerra. Os servos de Cristo são os instrumentos de Sua operação, e por meio deles deseja exercer Seu poder de curar. É nossa obra apresentar o enfermo e sofredor a Deus, nos braços da fé. Devemos ensinar-lhes a crer no grande Médico.

O Salvador deseja que animemos os enfermos, os desesperançados, os aflitos a apegarem-se a Sua força. Mediante a fé e a oração, o quarto do doente pode se transformar numa Betel. Por palavras e atos, os médicos e as enfermeiras podem dizer, tão positivamente que não possa ser mal compreendido: "Deus está neste lugar" para salvar, e não para destruir. Cristo deseja manifestar Sua presença no quarto do doente, enchendo o coração dos médicos e enfermeiros com a doçura de Seu amor. Se a vida dos assistentes do enfermo é de maneira a Jesus os poder acompanhar ao leito dele, ao mesmo sobrevirá a convicção de que o compassivo Salvador está presente, e essa convicção por si só fará muito em benefício tanto de sua alma como do corpo.

E Deus ouve a oração. Cristo disse: "Se pedirdes alguma coisa em Meu nome, Eu o farei" (João 14:14). Noutro lugar, Ele diz: "Se alguém Me serve, ... Meu Pai o honrará" (João 12:26). Se vivemos em harmonia com Sua palavra, toda preciosa promessa dada por Ele em nós se cumprirá. Somos indignos de Sua misericórdia, mas, ao entregar-nos a Ele, recebe-nos. Ele operará em favor e por intermédio daqueles que O seguem.

Mas unicamente vivendo em obediência a Sua palavra podemos pedir o cumprimento das promessas que nos faz. O salmista diz: "Se eu atender à iniquidade no meu coração, o Senhor não me ouvirá" (Salmos 66:18). Se Lhe prestamos apenas uma obediência parcial, com a metade do coração, Suas promessas não se cumprirão em nós.

Temos na Palavra de Deus instruções relativas à oração especial pelo restabelecimento de um doente. Mas tal oração é um ato soleníssimo, e não o devemos realizar sem atenta consideração. Em muitos casos de oração pela cura de um doente, o que se chama fé não é nada mais que presunção.

Muitas pessoas chamam sobre si a doença pela condescendência consigo mesmas. Não têm vivido segundo as leis naturais ou os princípios da estrita pureza. Outros têm desconsiderado as leis da saúde em seus hábitos de comer e beber, vestir ou trabalhar. Freqüentemente é alguma forma de vício a causa do enfraquecimento mental ou físico. Obtivessem essas pessoas a bênção da saúde, e muitas delas continuariam a seguir o mesmo rumo de descuidosa transgressão das leis naturais e espirituais de Deus, raciocinando que, se Ele as cura em resposta à oração, elas se acham em liberdade de prosseguir em suas práticas nocivas, condescendendo sem restrições com apetites pervertidos. Se Deus operasse um milagre para restaurar à saúde essas pessoas, estaria animando o pecado.É trabalho perdido ensinar o povo a volver-se para Deus como Aquele que cura suas enfermidades, a menos que seja também ensinado a renunciar aos hábitos nocivos. Para que recebam Sua bênção em resposta à oração, devem cessar de fazer o mal e aprender a fazer o bem. Seu ambiente deve ser higiênico, corretos os seus hábitos de vida. Devem viver em harmonia com a Lei de Deus, tanto a natural como a espiritual.

Deve-se tornar claro aos que desejam orações por seu restabelecimento que a violação da Lei de Deus, quer natural quer espiritual, é pecado, e que, a fim de receber Suas bênçãos, ele deve ser confessado e abandonado.

A Escritura nos ordena: "Confessai as vossas culpas uns aos outros e orai uns pelos outros, para que sareis" (Tiago 5:16). Ao que solicita orações, sejam apresentados pensamentos como este: "Nós não podemos ler o coração, nem conhecer os segredos de vossa vida. Estes são conhecidos unicamente por vós mesmos e por Deus. Se vos arrependeis de vossos pecados, é o vosso dever fazer confissão deles." O pecado de natureza particular deve ser confessado a Cristo, o único mediador entre Deus e o homem. Pois "se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo" (1 João 2:1). Todo pecado é uma ofensa a Deus, e Lhe deve ser confessado por intermédio de Cristo. Todo pecado público, deve ser do mesmo modo publicamente confessado. A ofensa feita a um semelhante deve ser ajustada com a pessoa ofendida. Se alguém que deseja recuperar a saúde se acha culpado de maledicência, se semeou a discórdia no lar, na vizinhança ou na igreja, suscitando separação e dissensão, se por qualquer má prática induziu outros a pecar, essas coisas devem ser confessadas diante de Deus e perante os agravados. "Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar... e nos purificar de toda a injustiça" (1 João 1:9).

Havendo os erros sido endireitados, podemos apresentar as necessidades do enfermo ao Senhor com fé tranquila, como Seu espírito nos indicar. Ele conhece cada indivíduo por nome, e cuida de cada um como se não houvesse na Terra nenhum outro por quem houvesse dado Seu bem-amado Filho. Por ser o amor de Deus tão grande e inalterável, o doente deve ser estimulado a confiar nEle e ficar esperançoso. Estar ansioso quanto a si mesmo tende a causar fraqueza e doença. Se eles se erguerem acima da depressão e da tristeza, será melhor sua perspectiva de restabelecimento; pois "os olhos do Senhor estão sobre... os que esperam na Sua misericórdia" (Salmos 33:18).

Ao orar pelos doentes, cumpre lembrar que "não sabemos o que havemos de pedir como convém" (Romanos 8:26). Não sabemos se a bênção que desejamos será para o bem ou não. Portanto, nossas orações devem incluir este pensamento: "Senhor, Tu conheces todo segredo da alma. Estás familiarizado com estas pessoas. Jesus, seu Advogado, deu a vida por elas. Seu amor por elas é maior do que é possível ser o nosso. Se, portanto, for para Tua glória e o bem dos aflitos, pedimos, em nome de Jesus, que sejam restituídas à saúde. Se não for da Tua vontade que se restaurem, rogamos-Te que a Tua graça as conforte e a Tua presença as sustenha em seus sofrimentos."

Deus conhece o fim desde o princípio. Conhece de perto o coração de todos os homens. Lê todo segredo da alma. Sabe se aqueles por quem se fazem as orações haviam ou não de resistir às provações que lhes sobreviriam, houvessem eles de viver. Sabe se sua vida seria uma bênção ou uma maldição para si mesmos e para o mundo. Esta é uma razão pela qual, ao mesmo tempo que apresentamos nossas petições com fervor, devemos dizer: "Todavia, não se faça a minha vontade, mas a Tua" (Lucas 22:42). Jesus acrescentou estas palavras de submissão à sabedoria e vontade de Deus, quando, no jardim de Getsêmani, rogava: "Meu Pai, se é possível, passe de Mim este cálice" (Mateus 26:39). Se elas eram apropriadas para Ele, o Filho de Deus, quanto mais adequadas são nos lábios dos finitos e errantes mortais!

A atitude coerente é expor nossos desejos a nosso sábio Pai celeste e então, em perfeita segurança, tudo dEle confiar. Sabemos que Deus nos ouve se pedimos em harmonia com a Sua vontade. Mas insistir em nossas petições sem um espírito submisso não é direito; nossas orações devem tomar a forma, não de uma ordem, mas de uma intercessão.

Há casos em que o Senhor opera decididamente por Seu divino poder na restauração da saúde. Mas nem todos os doentes são sarados. Muitos são postos a dormir em Jesus. João, na ilha de Patmos, foi mandado escrever: "Bem-aventurados os mortos que, desde agora, morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem dos seus trabalhos, e as suas obras os sigam" (Apocalipse 14:13). Vemos por aí que, se as pessoas não forem restituídas à saúde, não devem ser por isso consideradas sem fé.

Todos nós desejamos respostas imediatas e diretas às nossas orações, e somos tentados a ficar desanimados quando a resposta é retardada ou vem por uma maneira que não esperávamos. Mas Deus é demasiado sábio e bom para atender nossas petições sempre justamente ao tempo e pela maneira que desejamos. Ele fará mais e melhor por nós do que realizar sempre os nossos desejos. E como podemos confiar em Sua sabedoria e Seu amor, não devemos pedir que nos conceda a nossa vontade, mas buscar identificar-nos com Seu desígnio, e cumpri-lo. Nossos desejos e interesses devem-se fundir com Sua vontade. Estas experiências que provam a fé são para nosso bem. Por elas se manifesta se nossa fé é verdadeira e sincera, repousando unicamente na Palavra de Deus, ou se depende de circunstâncias, sendo incerta e instável. A fé é revigorada pelo exercício. Devemos permitir que a paciência tenha a sua obra perfeita, lembrando-nos de que há preciosas promessas nas Escrituras para aqueles que esperam no Senhor.

Nem todos compreendem esses princípios. Muitos dos que buscam as restauradoras graças do Senhor pensam que devem ter uma resposta direta e imediata a suas orações, ou se não sua fé é falha. Por essa razão os que estão enfraquecidos pela doença precisam ser sabiamente aconselhados, para que procedam prudentemente. Eles não devem desatender ao seu dever para com os amigos que lhes sobreviverem, nem negligenciar o emprego dos agentes naturais.

Há muitas vezes perigo de erro nisto. Crendo que hão de ser curados em resposta à oração, alguns temem fazer qualquer coisa que possa indicar falta de fé. Mas não devem negligenciar o pôr em ordem os seus negócios como desejariam se esperassem ser tirados pela morte. Nem também temer proferir palavras de ânimo ou de conselho que estimariam dirigir aos seus amados na hora da partida.

Os que buscam a cura pela oração não devem negligenciar o emprego de remédios ao seu alcance. Não é uma negação da fé usar os remédios que Deus proveu para aliviar a dor e ajudar a natureza em sua obra de restauração. Não é nenhuma negação da fé cooperar com Deus, e colocar-se nas condições mais favoráveis para o restabelecimento. Deus pôs em nosso poder o obter conhecimento das leis da vida. Este conhecimento foi colocado ao nosso alcance para ser empregado. Devemos usar todo recurso para restauração da saúde, aproveitando-nos de todas as vantagens possíveis, agindo em harmonia com as leis naturais. Tendo orado pelo restabelecimento do doente, podemos trabalhar com muito maior energia ainda, agradecendo a Deus o termos o privilégio de cooperar com Ele, e pedindo-Lhe a bênção sobre os meios por Ele próprio fornecidos.

Temos a sanção da Palavra de Deus quanto ao uso de remédios. Ezequias, rei de Israel, estava doente, e um profeta de Deus levou-lhe a mensagem de que haveria de morrer. Ele clamou ao Senhor, e Este ouviu a Seu servo, e mandou-lhe dizer que lhe seriam acrescentados quinze anos de vida. Ora, uma palavra de Deus haveria curado instantaneamente a Ezequias; mas foram dadas indicações especiais: "Tomem uma pasta de figos e a ponham como emplasto sobre a chaga; e sarará" (Isaías 38:21).

"Porque no dia da adversidade me esconderá no Seu pavilhão; no oculto do Seu tabernáculo me esconderá; pôr-me-á sobre uma rocha. Também a minha cabeça será exaltada sobre os meus inimigos que estão ao redor de mim; pelo que oferecerei sacrifício de júbilo no Seu tabernáculo; cantarei, sim, cantarei louvores ao Senhor" (Salmos 27:5 e 6).

Certa ocasião, Cristo ungiu os olhos de um cego com terra, e mandou-lhe: "Vai, lava-te no tanque de Siloé. ... Foi, pois, e lavou-se, e voltou vendo" (João 9:7). A cura poderia ser operada unicamente pelo poder do grande Médico; todavia, Cristo fez uso de simples agentes da natureza. Conquanto Ele não favorecesse as medicações de drogas, sancionou o emprego de remédios simples e naturais.

Ao termos orado pela restauração de um enfermo, seja qual for o desenlace do caso, não percamos a fé em Deus. Se formos chamados a sofrer a perda, aceitemos o amargo cálice, lembrando-nos de que é a mão de um Pai que no-lo chega aos lábios. Mas, sendo a saúde restituída, não se deveria esquecer que o objeto da misericordiosa cura se acha sob renovada obrigação para com o Criador. Quando os dez leprosos foram purificados, apenas um voltou em busca de Jesus para dar-Lhe glória. Que nenhum de nós seja como os inconsiderados nove, cujo coração ficou insensível diante da misericórdia de Deus. "Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança, nem sombra de variação" (Tiago 1:17).

(Ellen G. White - A Ciência do Bom Viver, pp. 225-233)

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Quando a oração é abominável

"O que desvia os seus ouvidos de ouvir a lei, até a sua oração é abominável." (Pv 28:9)

Uma das grandes diferenças entre os seres humanos e os animais é a capacidade de dialogar. Os animais até se comunicam entre si através de sons, mas dialogar é uma característica essencialmente humana. O diálogo é uma via de mão dupla, acontece entre pelo menos duas pessoas que escutam e são escutadas. Em um relacionamento saudável deve haver mutualidade. Os sentimentos, o respeito, a atenção, devem ser reciprocamente trocados. 

No entanto, existem pessoas que querem ser respeitadas, mas não respeitam, querem ser ouvidas, mas não ouvem, querem ser amadas, mas não amam. Muitas vezes agimos assim com Deus. Exigimos que Deus nos ouça, mas nos recusamos a ouvir a Deus. Provérbios 28:9 apresenta um grupo de pessoas que buscam serem ouvidas por Deus, mas se recusam a ouvi-Lo. 

Que mensagem dura! É isso mesmo? 

Quando me deparei com este verso pela primeira vez, fiquei pensativo por algum tempo me perguntando: será que é isso mesmo que Deus queria dizer? É uma mensagem muito dura. Deus realmente pensa assim? Será que o tradutor não se equivocou ao traduzir este verso do original? 

Para sanar minhas inquietações, resolvi pesquisar um pouco mais a fundo este verso. Descobri, por exemplo, que o verbo ouvir também poderia ser traduzido como obedecer ou guardar (2Sm 18:12 é um caso desses). A palavra lei (Torah) é uma referência à toda a Bíblia que eles tinham na época, ou seja, o Pentateuco. Portanto, ela também inclui Êxodo 20, ou seja, a lei moral de Deus, os dez mandamentos. Outra tradução possível para a palavra “abominável” seria “detestável”, o que torna a expressão ainda mais séria. Finalmente fui buscar outras traduções para comparar a versão que eu havia lido (ARA) com outras possibilidades. Todas as versões que eu consultei (NVI, Almeida século XXI, BV, NTLH, ARC, NKJV, BJ) concordam entre si em relação à tradução deste verso. 

A única coisa que podemos concluir, portanto, é que Deus realmente quis dizer o que está escrito em nossa Bíblia. Contudo, vamos analisar um pouco mais este verso.

De quem o verso fala? 

O verso deixa transparecer algumas características que nos ajudam a identificar a quem ele se refere. Duas características se destacam. A primeira é que as pessoas descritas nesse verso recusam ouvir (obedecer, guardar) a lei. Isso significa que essas pessoas conhecem a lei de Deus, conhecem a palavra de Deus, mas voluntariamente se recusam a obedecer. 

Uma segunda característica que podemos observar é que estas pessoas de Provérbios 28:9 oram a Deus. São pessoas religiosas, que frequentam uma igreja, que professam um credo. Essas pessoas dizem que servem a Deus, mas querem servir do seu jeito, sem compromisso real com as ordens do Senhor. É importante também destacarmos que o verso não está se referindo a quem é ignorante em relação às leis da Bíblia. Deus não cobrará de quem não conhece (At 17:13). 

O que tudo isso significa? 

A aplicação deste texto deve nos fazer refletir profundamente a respeito da nossa vida cristã. A rebelião impede o contato com Deus. Rebelião é colocar-se conscientemente contra uma clara ordem Divina. A palavra de Deus nos revela várias leis para as quais devemos dar toda atenção. A Lei moral é, sem dúvida, a mais importante delas. Todos os dez mandamentos, inclusive o sábado, devem ser alvo de nossa atenção e obediência. Encontramos outras leis de Deus em Sua palavra: a lei dos dízimos e ofertas, as leis de saúde dentre outras. 

Quando estudamos os textos sagrados, precisamos estar alerta aos pequenos detalhes. No texto que estamos analisando, há um detalhe importante. A palavra “até” tem muito a nos dizer. Ela é uma palavra inclusiva. Não são somente as orações dos que são rebeldes que são abomináveis. Qualquer manifestação em direção a Deus é abominável. Músicas, culto, pregação, todas são abomináveis, ou seja, detestáveis a Deus. O profeta Amós deu uma mensagem de Deus a pessoas que estavam em uma situação de rebeldia em relação ao Pai eterno: 

“Aborreço, desprezo as vossas festas, e não me deleito nas vossas assembleias solenes. Ainda que me ofereçais holocaustos, juntamente com as vossas ofertas de cereais, não me agradarei deles; nem atentarei para as ofertas pacíficas de vossos animais cevados. Afasta de mim o estrépito dos teus cânticos, porque não ouvirei as melodias das tuas liras" (Amós 5:21-23). 

O povo ao qual Amós dirigiu estas palavras ia para a igreja, fazia sacrifícios, cantavam bonitas músicas, mas, eram voluntariamente desobedientes aos mandamentos divinos. Para Deus sua adoração era desprezível. Através do profeta Isaías, Deus confirmou este pensamento: 

“Eis que a mão do Senhor não está encolhida, para que não possa salvar; nem surdo o seu ouvido, para que não possa ouvir; mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados esconderam o seu rosto de vós, de modo que não vos ouça" (Isaías 59:1, 2). 

Se Deus aceitasse adoração dos desobedientes, estaria aprovando a rebeldia. 

Espírito de Profecia 

Ellen G. White confirma estes conceitos em diversos momentos: 

“Deus não aceitará uma obediência voluntariosa e imperfeita. Os que presumem estar santificados, mas desviam os ouvidos de ouvir a lei, demonstram ser filhos da desobediência, cujo coração carnal não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar” (Mensagens Escolhidas, vol. 3. p. 199). 

Comentando a primeira mensagem angélica, ela escreveu: 

“Pelo primeiro anjo os homens são chamados a temer a Deus e dar-Lhe glória, e adorá-Lo como o Criador do céu e da Terra. A fim de fazer isto devem obedecer à Sua lei. Diz Salomão: 'Teme a Deus e guarda os Seus mandamentos; porque este é o dever de todo homem' (Ec 12:13). Sem a obediência a Seus mandamentos nenhum culto pode ser agradável a Deus. 'Este é o amor de Deus: que guardemos os Seus mandamentos.' 'O que desvia os seus ouvidos de ouvir a lei, até a sua oração será abominável' (1Jo 5:3; Pv 28:9)." (O Grande Conflito, pp. 435 e 436). 

Completando este pensamento, ainda lemos: 

“Não bastava que a arca e o santuário estivessem no meio de Israel. Não bastava que os sacerdotes oferecessem sacrifícios, e que o povo fosse chamado filhos de Deus. O Senhor não toma em consideração o pedido daqueles que acariciam a iniquidade no coração; está escrito que 'o que desvia os seus ouvidos de ouvir a lei, até a sua oração será abominável' (Pv 28:9)." (Patriarcas e Profetas, p. 584). 

Conclusão 

A mensagem contida em Provérbios 28:9 é muito importante e profunda. Deus não considera as orações daqueles que voluntariamente O desobedecem. O culto, as músicas, por mais bem executadas que sejam, e outras formas de adoração também são rejeitados por Deus. 

Há um desafio para o povo remanescente: dar uma mensagem de advertência àqueles que necessitam mudar de vida. Não podemos ter orgulho espiritual, mas é preciso ter consciência que aqueles que conhecem e guardam a lei de Deus precisam pregar àqueles que se rebelaram contra Deus. Eles devem aprender sobre a verdadeira adoração com quem obedece e não o contrário. 

Aqueles que professam estar entre o povo remanescente, também devem analisar-se diariamente para saber se estão “ouvindo” a lei de Deus. O Senhor não levará em consideração a placa de sua igreja na hora do julgamento, naquele dia é só o ser humano e Deus. 

É importante terminarmos esta reflexão destacando que há solução para todos aqueles que estão em rebelião contra Deus. João escreveu: 

“Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1 João 1:9). 

A oração de arrependimento sempre será ouvida por Deus. 

Que possamos estar sempre atentos à voz do Senhor! 

terça-feira, 11 de junho de 2019

A parábola do juíz injusto

"Então Jesus contou aos seus discípulos uma parábola, para mostrar-lhes que eles deviam orar sempre e nunca desanimar. Ele disse: Em certa cidade havia um juiz que não temia a Deus nem se importava com os homens. E havia naquela cidade uma viúva que se dirigia continuamente a ele, suplicando-lhe: ‘Faze-me justiça contra o meu adversário’. Por algum tempo ele se recusou. Mas finalmente disse a si mesmo: ‘Embora eu não tema a Deus e nem me importe com os homens, esta viúva está me aborrecendo; vou fazer-lhe justiça para que ela não venha me importunar’. E o Senhor continuou: Ouçam o que diz o juiz injusto. Acaso Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que clamam a ele dia e noite? Continuará fazendo-os esperar? Eu lhes digo: ele lhes fará justiça, e depressa. Contudo, quando o Filho do homem vier, encontrará fé na terra?" (Lucas 18:1-8).

Resumo da parábola 
Duas pessoas fazem parte desta parábola de Jesus: um juiz que não temia a Deus e nem respeitava os homens e uma viúva que implorava por justiça. Essa mulher tinha uma causa justa contra uma pessoa, e ia até aquele juiz para clamar que ele julgasse o seu processo, porém, o homem da lei a ignorava totalmente. No entanto, por causa da insistência daquela viúva e pelo incômodo que esta estava lhe causando, o juiz decidiu que atenderia o seu caso. 

Ellen G. White assim descreve: 

"O juiz que nos é descrito, não tinha respeito ao direito, nem piedade pelos sofredores. A viúva que lhe apresentou sua causa com insistência, foi repelida pertinazmente. Repetidas vezes a ele apelara, porém, só para ser tratada com desprezo e expulsa do tribunal. O juiz sabia que a causa era justa, e poderia havê-la auxiliado imediatamente, mas não o quis. Desejava mostrar seu poder arbitrário, e comprazia-se em deixá-la suplicar e pedir em vão. Todavia ela não quis deixar-se desanimar. Apesar da indiferença e dureza de coração dele, tanto insistiu em sua petição, que o juiz enfim consentiu em atender sua causa. Para preservar sua reputação e evitar tornar pública sua sentença arbitrária e parcial, fez justiça à perseverante mulher" (Parábolas de Jesus, pp. 164-165).

O que podemos aprender? 

1) A importância da oração 
Ao contar essa parábola, Jesus não quis falar propriamente da oração, mas sim sobre um dos mais importantes aspectos da oração: a perseverança. A Bíblia nos fala algumas vezes sobre o poder da perseverança na oração. Veja: "Alegrem-se na esperança, sejam pacientes na tribulação, perseverem na oração" (Romanos 12:12); "Orem no Espírito em todas as ocasiões, com toda oração e súplica; tendo isso em mente, estejam atentos e perseverem na oração por todos os santos" (Efésios 6:18); "Perseverem na oração, estejam alertas e sempre agradecidos" (Colossenses 4:2). Vejamos o que Ellen White afirma:

"O Senhor diz: 'Invoca-Me no dia da angústia' (Salmos 50:15). Convida-nos a Lhe expormos nossas perplexidades e carências, e nossa necessidade de auxílio divino. Exorta-nos a perseverar na oração. Logo que surjam dificuldades, devemos apresentar-Lhe nossas petições sinceras e francas. Pelas orações insistentes evidenciamos nossa forte confiança em Deus. O senso de nossa necessidade nos induz a orar com fervor, e nosso Pai celestial é movido por nossas súplicas. Não há perigo de que o Senhor despreze as orações de Seu povo. O perigo está em que desanimem na tentação e prova e deixem de perseverar em oração" (Idem, p.172).

Ellen White também aborda outro aspecto interessante:

"A petição da viúva: 'Faze-me justiça contra o meu adversário' (Lucas 18:3), representa a oração dos filhos de Deus. Satanás é o grande adversário. É 'o acusador de nossos irmãos', que os acusa de dia e de noite perante Deus (Apocalipse 12:10). Instantemente trabalha para mal representar e acusar, para enganar e destruir o povo de Deus. Nesta parábola, Cristo ensina os discípulos a pedirem salvação do poder de Satanás e de seus instrumentos" (Idem, p. 166).

2) O rancor não vale a pena 
Por mais que aquela mulher pudesse sentir raiva ou mágoa daquele homem que ela havia processado, em nenhum momento da parábola a viúva pede vingança contra seu adversário, muito menos que aquele juiz o prejudique de alguma forma. Ela somente quer que a justiça seja feita. Isso mostra que nós podemos usar a nossa fé e perseverança para buscar em Deus a solução das nossas causas, mas não podemos pedir que Deus “pese a mão” sobre tal pessoa e a faça pagar por tudo que ela fez de ruim. A Bíblia diz: "Amados, nunca procurem vingar-se, mas deixem com Deus a ira, pois está escrito: "Minha é a vingança; eu retribuirei", diz o Senhor" (Romanos 12:19). Vejamos o que diz Ellen White:

"Na parábola do juiz injusto, mostrou Cristo o que devemos fazer. Cristo, nosso exemplo, nada fez para Se justificar e livrar. Confiou Sua causa a Deus. Assim Seus seguidores não devem acusar nem condenar, ou recorrer à violência, para se livrarem. Se surgem provações que parecem inexplicáveis, não devemos permitir que nossa paz nos seja roubada. Conquanto sejamos tratados injustamente, não demonstremos raiva. Alimentando o espírito de represália, prejudicamo-nos a nós mesmos. Destruímos nossa confiança em Deus e entristecemos o Espírito Santo" (Idem, pp. 171-172).

3) Deus é bom e nos ama 
Para mostrar como o poder de Deus é grande, Jesus ilustrou essa parábola com um representante do cargo mais importante e respeitado pela sociedade e, do outro, uma mulher viúva que, naquela época, era marginalizada e sobrevivia graças às boas ações de algumas pessoas de bom coração. Como aquele homem da lei era cheio de si mesmo, não temia ao Senhor e não respeitava ninguém, ele atendeu a viúva apenas para que ela não o incomodasse mais. Já Deus nos atende por amor! Jesus quer que nós entendamos que, se aquele juiz injusto atendeu o pedido de uma pessoa humilde e sofredora, o Deus Todo-Poderoso, o nosso justo juiz, fará muito mais por nós todos, com o maior prazer do mundo, pois Ele nos ama! Ellen White nos diz:

"Cristo traça aqui um vivo contraste entre o juiz injusto e Deus. O juiz cedeu ao pedido da viúva só por egoísmo e para esquivar-se à contínua importunação. Não sentia por ela compaixão nem piedade; sua indigência lhe era indiferente. Que diversa é a atitude de Deus para com os que O procuram! Os apelos dos necessitados e aflitos são atendidos com infinita misericórdia. O injusto juiz não tinha interesse particular na viúva que o importunava pelo veredicto; porém, para subtrair-se a suas súplicas comoventes, ouviu a petição, e fez-lhe justiça contra o adversário. Deus, porém, ama Seus filhos com infinito amor" (Idem, p. 165).

4. Não confiar em juízes terrestres
Ellen White nos deixa aqui um importante alerta: 

"O caráter do juiz, na parábola, que não temia a Deus nem respeitava os homens, foi apresentado por Cristo para mostrar a espécie de justiça então exercida, e que seria brevemente testemunhada em Seu julgamento. Deseja que, em todo o tempo, os Seus reconheçam quão pouco, no dia da adversidade, podem confiar em governantes e juízes terrestres. Frequentemente o povo eleito de Deus precisa comparecer perante homens que desempenham funções oficiais, e não fazem da Palavra de Deus seu guia e conselheiro, antes seguem seus próprios impulsos não consagrados nem disciplinados" (Idem, p. 167).

5. A perseverança da fé 
No último versículo da parábola, Jesus faz um questionamento que deveria nos deixar envergonhados: "Contudo, quando o Filho do homem vier, encontrará fé na terra?" (Lucas 18:8). Ao fazer essa pergunta, Jesus afirma que muitos de nós deixamos de lado a nossa fé por causa do imediatismo. Queremos tudo “para ontem” e nos esquecemos que temos um Deus que é dono do tempo e de todas as coisas. Nada foge do controle e da soberania dEle. Muitas pessoas perguntam: "Até quando devo ficar orando por uma situação?" E a resposta é: "Até Deus atender!" Quase sempre não entendemos o porquê da "demora" de Deus, mas se perseverarmos até o final, veremos que Ele age no tempo perfeito! Por isso eu te pergunto: "Será que temos a mesma perseverança que aquela viúva teve? Ou será que, ao ouvir o primeiro "não" durante uma provação, abandonaremos a nossa fé e decidiremos resolver as situações com as nossas próprias forças?" 

"Não abandoneis, portanto, a vossa confiança; ela tem grande galardão. Com efeito, tendes necessidade de perseverança, para que, havendo feito a vontade de Deus, alcanceis a promessa. Porque, ainda dentro de pouco tempo, Aquele que vem virá e não tardará" (Hebreus 10:35-37). 

"Eis que o lavrador espera o precioso fruto da terra, aguardando-o com paciência, até que receba a chuva temporã e serôdia. Sede vós também pacientes, fortalecei o vosso coração; porque já a vinda do Senhor está próxima" (Tiago 5:7 e 8).

Concluo com este texto de Ellen White:

"O mundo tornou-se ousado na transgressão da lei de Deus. Por causa de Sua longa clemência os homens Lhe espezinharam a autoridade. Fortaleceram-se na opressão e crueldade contra Sua herança, dizendo: 'Como o sabe Deus? Ou: Há conhecimento no Altíssimo?' (Salmos 73:11). Há, porém, um limite além do qual não podem passar. Próximo está o tempo em que atingirão o limite prescrito. Mesmo agora quase excederam os termos da longanimidade de Deus, e a medida de Sua graça e misericórdia. O Senhor Se interporá para vindicar Sua própria honra, para livrar Seu povo e reprimir os excessos da injustiça" (Idem, p. 178).

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Quando a oração é abominável

"O que desvia os seus ouvidos de ouvir a lei, até a sua oração é abominável." (Pv 28:9)

Uma das grandes diferenças entre os seres humanos e os animais é a capacidade de dialogar. Os animais até se comunicam entre si através de sons, mas dialogar é uma característica essencialmente humana. O diálogo é uma via de mão dupla, acontece entre pelo menos duas pessoas que escutam e são escutadas. Em um relacionamento saudável deve haver mutualidade. Os sentimentos, o respeito, a atenção, devem ser reciprocamente trocados.

No entanto, existem pessoas que querem ser respeitadas, mas não respeitam, querem ser ouvidas, mas não ouvem, querem ser amadas, mas não amam. Muitas vezes agimos assim com Deus. Exigimos que Deus nos ouça, mas nos recusamos a ouvir a Deus. Provérbios 28:9 apresenta um grupo de pessoas que buscam serem ouvidas por Deus, mas se recusam a ouvi-Lo.

Que mensagem dura! É isso mesmo?
Quando me deparei com este verso pela primeira vez, fiquei pensativo por algum tempo me perguntando: será que é isso mesmo que Deus queria dizer? É uma mensagem muito dura. Deus realmente pensa assim? Será que o tradutor não se equivocou ao traduzir este verso do original?

Para sanar minhas inquietações, resolvi pesquisar um pouco mais a fundo este verso. Descobri, por exemplo, que o verbo ouvir também poderia ser traduzido como obedecer ou guardar (2Sm 18:12 é um caso desses). A palavra lei (Torah) é uma referência à toda a Bíblia que eles tinham na época, ou seja, o Pentateuco. Portanto, ela também inclui Êxodo 20, ou seja, a lei moral de Deus, os dez mandamentos. Outra tradução possível para a palavra “abominável” seria “detestável”, o que torna a expressão ainda mais séria. Finalmente fui buscar outras traduções para comparar a versão que eu havia lido (ARA) com outras possibilidades. Todas as versões que eu consultei (NVI, Almeida século XXI, BV, NTLH, ARC, NKJV, BJ) concordam entre si em relação à tradução deste verso.

A única coisa que podemos concluir, portanto, é que Deus realmente quis dizer o que está escrito em nossa Bíblia. Contudo, vamos analisar um pouco mais este verso.

De quem o verso fala?
O verso deixa transparecer algumas características que nos ajudam a identificar a quem ele se refere. Duas características se destacam. A primeira é que as pessoas descritas nesse verso recusam ouvir (obedecer, guardar) a lei. Isso significa que essas pessoas conhecem a lei de Deus, conhecem a palavra de Deus, mas voluntariamente se recusam a obedecer.

Uma segunda característica que podemos observar é que estas pessoas de Provérbios 28:9 oram a Deus. São pessoas religiosas, que frequentam uma igreja, que professam um credo. Essas pessoas dizem que servem a Deus, mas querem servir do seu jeito, sem compromisso real com as ordens do Senhor. É importante também destacarmos que o verso não está se referindo a quem é ignorante em relação às leis da Bíblia. Deus não cobrará de quem não conhece (At 17:13).

O que tudo isso significa?
A aplicação deste texto deve nos fazer refletir profundamente a respeito da nossa vida cristã. A rebelião impede o contato com Deus. Rebelião é colocar-se conscientemente contra uma clara ordem Divina. A palavra de Deus nos revela várias leis para as quais devemos dar toda atenção. A Lei moral é, sem dúvida, a mais importante delas. Todos os dez mandamentos, inclusive o sábado, devem ser alvo de nossa atenção e obediência. Encontramos outras leis de Deus em Sua palavra: a lei dos dízimos e ofertas, as leis de saúde dentre outras.

Quando estudamos os textos sagrados, precisamos estar alerta aos pequenos detalhes. No texto que estamos analisando, há um detalhe importante. A palavra “até” tem muito a nos dizer. Ela é uma palavra inclusiva. Não são somente as orações dos que são rebeldes que são abomináveis. Qualquer manifestação em direção a Deus é abominável. Músicas, culto, pregação, todas são abomináveis, ou seja, detestáveis a Deus. O profeta Amós deu uma mensagem de Deus a pessoas que estavam em uma situação de rebeldia em relação ao Pai eterno: 
“Aborreço, desprezo as vossas festas, e não me deleito nas vossas assembleias solenes. Ainda que me ofereçais holocaustos, juntamente com as vossas ofertas de cereais, não me agradarei deles; nem atentarei para as ofertas pacíficas de vossos animais cevados. Afasta de mim o estrépito dos teus cânticos, porque não ouvirei as melodias das tuas liras" (Amós 5:21-23).
O povo ao qual Amós dirigiu estas palavras ia para a igreja, fazia sacrifícios, cantavam bonitas músicas, mas, eram voluntariamente desobedientes aos mandamentos divinos. Para Deus sua adoração era desprezível. Através do profeta Isaías, Deus confirmou este pensamento: 
“Eis que a mão do Senhor não está encolhida, para que não possa salvar; nem surdo o seu ouvido, para que não possa ouvir; mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados esconderam o seu rosto de vós, de modo que não vos ouça" (Isaías 59:1, 2).
Se Deus aceitasse adoração dos desobedientes, estaria aprovando a rebeldia. 

Espírito de Profecia
Ellen G. White confirma estes conceitos em diversos momentos: 
“Deus não aceitará uma obediência voluntariosa e imperfeita. Os que presumem estar santificados, mas desviam os ouvidos de ouvir a lei, demonstram ser filhos da desobediência, cujo coração carnal não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar” (Mensagens Escolhidas V. 3. p. 199).
Comentando a primeira mensagem angélica, ela escreveu: 
“Pelo primeiro anjo os homens são chamados a temer a Deus e dar-Lhe glória, e adorá-Lo como o Criador do céu e da Terra. A fim de fazer isto devem obedecer à Sua lei. Diz Salomão: 'Teme a Deus e guarda os Seus mandamentos; porque este é o dever de todo homem' (Ec 12:13). Sem a obediência a Seus mandamentos nenhum culto pode ser agradável a Deus. 'Este é o amor de Deus: que guardemos os Seus mandamentos.' 'O que desvia os seus ouvidos de ouvir a lei, até a sua oração será abominável' (1Jo 5:3; Pv 28:9)." (O Grande Conflito, pp. 435 e 436).
Completando este pensamento, ainda lemos: 
“Não bastava que a arca e o santuário estivessem no meio de Israel. Não bastava que os sacerdotes oferecessem sacrifícios, e que o povo fosse chamado filhos de Deus. O Senhor não toma em consideração o pedido daqueles que acariciam a iniquidade no coração; está escrito que 'o que desvia os seus ouvidos de ouvir a lei, até a sua oração será abominável' (Pv 28:9)." (Patriarcas e Profetas, p. 584).
Conclusão
A mensagem contida em Provérbios 28:9 é muito importante e profunda. Deus não considera as orações daqueles que voluntariamente O desobedecem. O culto, as músicas, por mais bem executadas que sejam, e outras formas de adoração também são rejeitados por Deus.

Há um desafio para o povo remanescente: dar uma mensagem de advertência àqueles que necessitam mudar de vida. Não podemos ter orgulho espiritual, mas é preciso ter consciência que aqueles que conhecem e guardam a lei de Deus precisam pregar àqueles que se rebelaram contra Deus. Eles devem aprender sobre a verdadeira adoração com quem obedece e não o contrário.

Aqueles que professam estar entre o povo remanescente, também devem analisar-se diariamente para saber se estão “ouvindo” a lei de Deus. O Senhor não levará em consideração a placa de sua igreja na hora do julgamento, naquele dia é só o ser humano e Deus.

É importante terminarmos esta reflexão destacando que há solução para todos aqueles que estão em rebelião contra Deus. João escreveu: 
“Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (I João 1:9). 
A oração de arrependimento sempre será ouvida por Deus. 

Que possamos estar sempre atentos à voz do Senhor!