segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Parábola do balde


Era uma vez um garoto normal, vivendo uma infância normal, num lugar normal, cercado de pessoas normais. Ele era o primeiro filho de um casal feliz e normal. Assim, cercado de amor, o menino foi crescendo normalmente. Cada ano, seus pais preparavam uma bonita festa de aniversário, convidavam os amigos e enchiam o primogênito de presentes. Eram bonecos, carrinhos, quebra-cabeças, bolas, jogos... Mas num dos anos, numa das festas, um dos brinquedos deu brilho especial aos olhos do garoto. Não era caro, nem importado. Não falava, não acendia luzes... Era inexplicável a preferência que um balde ganhou na vida do pequeno.

A família achava uma graça ver o menino para cima e para baixo com o balde. Na praia era festa. No quintal, inseparável. Na hora do banho, essencial. Independente do que fosse fazer, o menino só fazia de balde. Um dia, o pegaram dormindo com o balde. Todos na casa sorriam, contavam para os amigos e vizinhos. Era a conversa dos encontros de família... até que chegou o primeiro dia de aulas do garoto e ele foi de balde para a escola. Os olhos se arregalaram, o riso acabou e o que era bonito passou a preocupar os pais. Mas o balde continuava lá. Tudo era de balde.

O menino cresceu e virou homem, mas sempre de balde. Os momentos marcantes de sua vida foram assistidos de perto pelo balde. Arranjou um bom emprego de balde. Comprou o primeiro carro de balde. Recebeu seu diploma de balde. Casou-se de balde. Viu o primeiro filho nascer de balde.

Um dia, já se sentindo meio velho, sentou-se sobre o balde e começou a pensar na vida. Um frio estranho correu-lhe a espinha ao sentir que tivera uma vida normal, mas vivera de balde... e de balde vazio.

Não se apresse para sentar. Mas quando for a hora, observe bem onde senta. Envelhecer é normal. Sentar, inevitável. Só tome cuidado com os baldes. Quem lê, entenda.

Cândido Gomes (via Uma janela aberta para reflexão)

"Quando somos tentados a pôr nossas afeições nalgum objeto terreno que tem a tendência de absorver o nosso amor, precisamos buscar graça para afastar-nos disso e não permitir que se interponha entre nós e o nosso Deus. Temos de manter diante de nós as ricas promessas que Ele deixou registradas em Sua Palavra. Devemos estudar os grandes indicadores que assinalam os tempos em que vivemos. Sabemos que estamos muito perto do fim da história terrestre, e tudo que é de natureza terrena deve estar subordinado ao serviço de Deus. [...] A pessoa que aceita a verdade verá desaparecer o seu amor pelas coisas terrenas. Vê a insuperável glória das coisas celestiais, e aprecia a excelência do que se relaciona com a vida eterna. Fica enlevada pelo que é invisível e eterno. Desfaz-se o seu apego às coisas terrenas; ela fixa o olhar com admiração nas glórias invisíveis do mundo celestial." (Ellen G. White - The Review and Herald, 23 de Junho de 1896)

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