quinta-feira, 18 de setembro de 2025

FAMOSO ADVENTISTA ABANDONA MINISTÉRIO E SE TORNA ASTRO DE ROCK SATÂNICO!

Meu título chamou sua atenção? Aposto que sim. É provável que tenha sido a primeira coisa que você viu na sua timeline hoje. Sim, eu admito, é pura caça-cliques. Na verdade, é completamente inventado. Desculpe, mas não me arrependo!

Agora, antes de clicar no xzinho na aba do navegador, me escute. Acho que temos um problema.

Indignação. De uma forma um tanto distorcida, ela pode realmente nos dar uma descarga de dopamina. A maioria das plataformas e algoritmos da internet depende disso! Ter a possibilidade de fofocar, reclamar ou se posicionar contra algum escândalo, questão, pessoa ou situação se tornou a moeda do mundo online. E todos nós somos culpados disso.

A produção de conteúdo frequentemente incorreto, incompleto e certamente irracional que inunda bilhões de mentes todos os dias não dá sinais de parar. Não conseguimos nos conter. Os humanos adoram o escandaloso e o ultrajante.

Nossa natureza pecaminosa anseia por qualquer distração que melhor desvie nossa atenção de nós mesmos, que somos defeituosos. É muito mais fácil babar sobre o escândalo ou a miséria de outra pessoa do que encarar a nossa própria.

Infelizmente, como adventistas do sétimo dia, frequentemente fazemos exatamente a mesma coisa. Sejam youtubers independentes, blogueiros ou veículos de mídia (em ambos os lados do caminho); ou — mais perto de casa — você e eu individualmente, em nossas igrejas locais. Infelizmente, um "bom" escândalo parece "inspirar" e "capacitar" os santos à ação, muitas vezes muito mais do que o sermão mais comovente do púlpito. A indignação vem facilmente.

Escândalo no meio cristão
No meio cristão volta e meia somos surpreendidos por um escândalo. Como nossa fé prega a santidade e o apego inegociável aos valores éticos, ficamos profundamente chocados quando tomamos conhecimento de falhas morais ou atitudes reprováveis de algum irmão ou irmã – seja de nosso círculo próximo de relacionamentos, seja alguém com mais notoriedade. É compreensível. O pecado nos choca, confronta, entristece, abate, revolta. Nessas horas, nosso senso de justiça nos leva a querer sangue, exigir punição dos pecadores, hereges e canalhas. A minha pergunta é: como exatamente devemos proceder quando explode um escândalo no meio cristão?

Pastores que falharam em sua santidade, irmãos que pecaram na sexualidade, líderes que desonraram pai e mãe, cristãos famosos que disseram ou fizeram algo estranho em público, bons pregadores que passaram a pregar heresias… a lista das causas de um escândalo entre nós é interminável. No centro de todas, uma única causa: pecado. Deus é santo e não tem parte com o pecado, é certo. Mas Deus também é gracioso e sua misericórdia dura para sempre. Diante dessa realidade, eis minha sugestão sobre como devemos nos posicionar diante de um escândalo:

1. Não tenha prazer no escândalo
Quedas morais, pecados e heresias são tragédias. São desastres. Não são motivo de piada. Devemos tratá-los como o horror que representam: com lamento, choro e profunda tristeza. O pecado jamais deve se tornar motivo para tricotadas, fofocadas, “você soube da última?” ou disse-me-disse. Não faça piada com o horror. Não se deleite na tragédia. Isso é papel do diabo.

"A língua que se deleita no dano que causa, a língua parladora que diz: Conte, e eu o espalharei, diz o apóstolo Tiago que é inflamada pelo inferno. Espalha tições de fogo por toda parte. Só se lhe dá condescender com a sua inclinação de amar o escândalo. Mesmo professos cristãos fecham os olhos a tudo que é puro, honesto, nobre e amável, entesourando tudo que é objetável e desagradável, e publicando-o ao mundo" (Conselhos sobre Educação, p. 87).

2. Fale com Deus
Converse sobre o escândalo com as demais pessoas apenas o estritamente necessário. A pessoa com quem você deve conversar intensamente e longamente sobre o escândalo é o Senhor. O nome disso é oração. Portanto, ore a Deus, peça misericórdia sobre a vida dos envolvidos, clame por arrependimento e restauração. Ficar de tititi com as pessoas, pessoalmente ou nas redes sociais, não adianta absolutamente nada; orar adianta tudo.

"Falem menos; muito tempo precioso é perdido em conversas que não trazem luz. Reúnam-se os irmãos com jejum e oração em busca da sabedoria que Deus prometeu fornecer liberalmente. Levem ao conhecimento de Deus as suas dificuldades. Jamais devem deixar de consultar a grande Fonte de toda a sabedoria. Fortalecidos e iluminados pelo Obreiro-Mestre, serão capacitados a permanecer firmes contra pecaminosas influências e a discernir entre o certo e o errado, o bem e o mal" (Liderança Cristã, p. 65).

3. Não conclua antes de saber de todos os fatos
Cansei de ver escândalos em que as pessoas criam mil conjecturas acerca do que houve sem saber direito as informações. “Ouviram falar” e, por causa disso, tomam comentários colhidos ao vento como verdades absolutas. Para emitir uma opinião, assumir uma postura, tomar lados, se posicionar, antes é preciso ter total conhecimento da situação. Nesse sentido, uma das virtudes do fruto do Espírito é essencial: a paciência. Espere. Não corra para emitir uma opinião. Deixe a verdade ser exposta totalmente e, só então, se posicione.

"Entre os amantes da tagarelice, alguns são atuados pela curiosidade, outros pela inveja, muitos pelo ódio contra aqueles por meio dos quais Deus falou para os reprovar. Alguns ocultam seus sentimentos reais, enquanto outros estão ansiosos por divulgar tudo que sabem, ou mesmo suspeitam, dos males alheios. Será caridade cristã, apanhar todo boato que por aí flutue, desenterrar tudo que lance suspeita sobre o caráter de outro, e então ter prazer em empregá-lo para o prejudicar?" (Testemunhos Seletos 2, p. 22).

4. Olhe para os culpados com firmeza, mas com misericórdia
A ética de Cristo não é a da punição, é a da restauração. Como filhos de Deus, o desejo do nosso coração deve ser sempre ver os que erraram arrependidos e restaurados espiritualmente. Não queira mandar os hereges e os pecadores para o inferno, queira vê-los de lágrimas no pó e coração sinceramente compungido. Como embaixadores do reino daquele que veio para os doentes, devemos ser médicos da graça e não carrascos da desgraça. Uma vez que se comprove a culpa, seja movido por compaixão pela vida dos culpados, para que sejam resgatados do poço de trevas em que se enfiaram e que, se tiverem de arcar com as consequências humanas de seu pecado, que pelo menos sua alma seja salva.

"Não se deve recorrer a medidas drásticas ao se lidar com os que erram; medidas mais suaves produzirão muito mais efeito. Lancem mão de métodos mais suaves com a maior perseverança, e se não surtirem efeito, esperem pacientemente. Jamais se apressem em desligar um membro da igreja. Orem por ele e vejam se Deus não mudará o coração do errante. Precisamos olhar às faltas dos outros, não para condenar, mas para restaurar e curar" (The Review and Herald, 14 de Maio de 1895).

5. Entenda que a disciplina dos culpados é necessária
Determinados tipos de escândalos vão gerar consequências no plano humano. Um pastor que adultera precisa ser afastado do cargo até que sua vida esteja restaurada. Um pregador que diz uma heresia precisa se retratar em público. Um líder que desonra pai e mãe tem de ser tratado fora dos púlpitos e cargos antes de continuar liderando. Uma pessoa qualquer que comete um crime deve ser punida de acordo com o que prevê o código penal, mesmo que esteja arrependida e tenha sido perdoada por Deus: há consequências no plano humano para nossos atos, e devemos enfrentá-las.

"Deus quer ensinar a Seu povo que a desobediência e o pecado são excessivamente ofensivos a Seus olhos, e não devem ser considerados levianamente. Ele mostra a necessidade de purificar a igreja de erros. Um pecador pode difundir trevas que excluam a luz de Deus de toda a congregação. Ao compreenderem as pessoas que se estão adensando trevas sobre elas, sem que saibam a causa, devem buscar diligentemente a Deus, em grande humildade e abatimento do próprio eu, até que os erros que ofendem o seu Espírito sejam descobertos e afastados" (Testemunhos para a Igreja 3, p. 265).

6. Olhe para as vítimas com compaixão
Esposas traídas, pessoas enganadas, ovelhas feridas… muitas pessoas ficam machucadas quando explode um escândalo. As vítimas devem ser abraçadas, devemos chorar com elas, conduzi-las a perdoar quem as machucou, amparar seu coração em frangalhos. Nunca se aproxime dos feridos para obter mais detalhes sobre o escândalo ou algo assim. O nosso papel é amar, sofrer com quem sofre e auxiliar na sua restauração física, emocional e espiritual.

"Toda pessoa que sofre faz jus à simpatia de outros, e os que estão imbuídos do amor de Cristo e repletos de Sua piedade, ternura e compaixão atenderão a todo apelo a sua simpatia" (Exaltai-O, p. 234).

7. Lembre-se dos seus próprios pecados
Jesus presenciou um escândalo. Mais do que isso: ele foi instigado a emitir um parecer sobre o escândalo. Afinal, uma mulher fora flagrada em adultério. Adúltera! Pecadora! Escandalosa! Opróbrio! Digna de apedrejamento aos olhos da Lei! Mas a resposta de Jesus aos que queriam apedrejá-la foi que cada um olhasse para si. Afinal, em maior ou menor intensidade, todos temos telhado de vidro. E isso Ele nos diz, hoje: olhe para si. Quando ocorre um escândalo, devemos agir com humildade, sem nos considerarmos megassantos, pessoas acima do bem e do mal. Mais do que jogar pedras, precisamos usar o escândalo alheio para ver como nós mesmos somos frágeis e passíveis de errar. Se há algo de positivo no escândalo é o alerta que ele lança sobre nós, para que, estando de pé, não caiamos. Vigie sempre.

"Se todos os cristãos professos usassem suas faculdades investigadoras para ver quais os males que neles mesmos carecem de correção, em vez de falar dos erros alheios, existiria na igreja hoje uma condição mais saudável. Ao procurarmos corrigir os erros de um irmão, o Espírito de Cristo nos levará a resguardá-lo tanto quanto possível até das críticas dos próprios irmãos, quanto mais de censura do mundo incrédulo. Nós mesmos somos falíveis, e necessitamos da piedade e do perdão de Cristo, e da mesma maneira que desejamos que Ele nos trate, pede-nos que nos tratemos uns aos outros" (Manuscrito 144).

8. Seja parte da solução e não do problema
Que tudo o que você pensar, falar ou fizer em relação ao escândalo seja para edificação das pessoas e para a glória de Deus. Fora disso, o melhor é não fazer nada, manter-se calado e ficar quieto.

"Nossos obreiros, quando tentados a falar palavras precipitadas de crítica e juízo, devem lembrar-se de que silêncio é ouro" (The Review and Herald, 14 de Novembro de 1907).

9. O como importa
As pessoas erram. Você erra. Eu também. Muito. E as pessoas que nos observam, queiramos ou não, são influenciadas pelo que fazemos e dizemos. Ao lidar com os problemas, o que importa é o como. Escândalos são inevitáveis. No entanto, a obsessão por eles é uma escolha. A maneira como reagimos aos fracassos, erros e decisões de outras pessoas — sejam de uma figura pública ou de um irmão qualquer, sentado três bancos atrás — pode e deve ser influenciada por muita oração, conselho bíblico e graça cristã.

“O próprio ato de olhar para o mal nos outros desenvolve o mal em quem olha. Detendo-nos sobre as faltas do próximo, somos transformados na sua imagem. Mas contemplando Jesus, falando do Seu amor e da perfeição de Seu caráter, imprimimos em nós as Suas feições” (A Ciência do Bom Viver, p. 492).

10. Um escândalo para ficar obcecado
Posso sugerir que existe apenas um "escândalo" que realmente vale a pena ser obcecado? E esse é o escândalo da cruz. "Mas nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus [grego skandalon] e loucura para os gregos" (1 Coríntios 1:23). Quanto mais contemplamos o "escândalo" da cruz e como ele revela o coração de Deus, a dinâmica da salvação e o impacto transformador que ela tem, menos sentiremos o desejo de fofocar, vangloriar-nos ou rebaixar ainda mais as pessoas destruídas. A descarga de dopamina da indignação é então substituída pela alegria da salvação, pela esperança da restauração e por uma atitude de amor infundida pela graça que deseja edificar e apoiar, em vez de destruir. A cruz nos ajuda a enxergar através de qualquer hipocrisia que possamos perceber e a cuidar do ser humano por trás de tudo — um filho do Rei, a quem Deus ama mais do que a Si mesmo.

"Faria muito bem para nós passar diariamente uma hora refletindo sobre a vida de Jesus. Deveríamos tomá-la ponto por ponto, e deixar que a imaginação se apodere de cada cena, especialmente as finais. Ao meditar assim em Seu grande sacrifício por nós, nossa confiança nEle será mais constante, nosso amor vivificado, e seremos mais profundamente imbuídos de Seu espírito. Se queremos ser salvos afinal, teremos de aprender ao pé da cruz a lição de arrependimento e humilhação" (O Desejado de Todas as Nações, p. 50).

Conclusão
Meu irmão, minha irmã, infelizmente sempre haverá escândalos entre nós, pois vivemos debaixo do pecado. Devemos saber como falar e agir no momento que isso acontecer, sempre com amor, graça e palavras temperadas, chorando com quem chora e pacificando. Nosso papel não é chutar quem está caído. Muito menos execrar vítimas. Exerça misericórdia. Busque a justiça, sim, mas que seja em amor e não com ira, vingança, ódio, destempero. Fale e faça aos outros como gostaria que falassem e fizessem a você se a queda fosse sua. E, acima de tudo, ore a Deus. Pois Ele é quem tudo sabe, quem exerce a perfeita justiça e quem governa a nossa vida como Justo juiz e Príncipe da paz. Como ordena a Palavra do Senhor:

“Amados, nunca se vinguem; deixem que a ira de Deus se encarregue disso, pois assim dizem as Escrituras: ‘A vingança cabe a mim, eu lhes darei o troco, diz o Senhor’. Pelo contrário: ‘Se seu inimigo estiver com fome, dê-lhe de comer; se estiver com sede, dê-lhe de beber. Ao fazer isso, amontoará brasas vivas sobre a cabeça dele’. Não deixem que o mal os vença, mas vençam o mal praticando o bem” (Romanos 12:19-21).

[Com informações de Adventist Review e Apenas]

As inserções dos textos de Ellen G. White em vermelho foram feitas pelo blog.

Nenhum comentário:

Postar um comentário