Os filmes e séries sobre zumbis são muito populares. Desde o primeiro filme chamado A Noite dos Mortos-Vivos (1968) ao revolucionário clipe musical de Thriller (1983) de Michael Jackson, até as séries Walking Dead (2010), All Of Us Are Dead (2020), Newtopia (2024), Marvel Zombies (2025), os zumbis permeiam o imaginário popular.
Mas o que seria exatamente um zumbi? Segundo o wikipédia, zumbi ou zombie é uma criatura cujo estereótipo se define, nos livros e na cultura popular, como um cadáver reanimado usualmente de hábitos noturnos, que vive a perambular e a agir de forma estranha e instintiva; um morto-vivo; sem personalidade. O zumbi, de fato, é o resultado lógico de ser um escravo: alguém privado de vontade própria, sem nome e preso em uma espécie de morte em vida.
Saindo da ficção e voltando para a realidade, uma igreja pode se tornar zumbi quando possuí essas mesmas características: apresentam aparência e dinâmica de viva, mas na verdade estão mortas. Quando olhamos para a igreja de Sardes, no livro de Apocalipse, ela se parece muito com uma igreja de zumbis. Jesus conhecia as obras daquela igreja, ela tinha nome de que vive, mas estava morta. "Ao anjo da igreja de Sardes escreva o seguinte: [...] Eu sei o que vocês estão fazendo. Vocês dizem que estão vivos, mas, de fato, estão mortos. Acordem e fortaleçam aquilo que ainda está vivo, antes que morra completamente; pois sei que o que vocês fizeram não está ainda de acordo com aquilo que o meu Deus exige” (Apocalipse 3:1-3).
Sardes era uma pequena, mas muito forte e próspera cidade da conhecida Ásia menor. A igreja orgulhava-se de sua produção de lã e tinturaria. Era o centro de adoração à deusa Cibele (deusa da religião de mistérios cuja imoralidade e degeneração eram notáveis), apesar de haver alguns naquela igreja que ainda permaneciam fiéis a Deus, retendo a fé e a vida piedosa como princípios fundamentais de sua religião.
Mas o que definia a Igreja de Sardes como uma igreja de zumbis? A maioria esmagadora estava insensível à espiritualidade, ao compromisso cristão. A falta de dedicação era notável. O ponto de apoio espiritual dos cristãos de Sardes era o inicio glorioso daquela igreja. Porém o Senhor conhecia as suas obras: "Eu sei o que vocês estão fazendo. Vocês dizem que estão vivos, mas, de fato, estão mortos". Essa igreja era apática, sem vida e sem amor. Tinha aparência, mas carecia de poder. Aparentemente estavam vivos, mas aos olhos dAquele que tudo vê, estavam mortos.
Mas o que seria uma igreja morta? O que seria um cristão que ‘está morto’? Os membros da Igreja em Sardes tinham a reputação de que estavam espiritualmente vivos, mas não possuíam fé viva. Consequentemente, suas obras não podiam ser aceitas por Deus. A igreja de Sardes tornara-se indolente e letárgica, manifestando alarmante satisfação consigo mesma – uma forma de morte espiritual. Cristo não vivia mais no coração dos membros; sua fé era morta, e suas obras eram obras mortas, que Cristo não podia aceitar. E quais os sintomas de uma igreja morta? Simples, ela deixou de fazer as coisas que a igreja viva faz. A igreja viva guarda os mandamentos de Deus e tem fé em Jesus (Apocalipse 14:12). A igreja viva ama perdidamente o ser humano (João 13:35). A igreja viva é uma comunidade de conforto, consolo, estímulo, ânimo e paciência (1 Tessalonicenses 5:14).
E o que Cristo veio propor à humanidade? Segundo o apostolo Paulo, o cristão é alguém que morreu para o mundo e agora vive para Deus.
"Antigamente, por terem desobedecido a Deus e por terem cometido pecados, vocês estavam espiritualmente mortos. Naquele tempo vocês seguiam o mau caminho deste mundo e faziam a vontade daquele que governa os poderes espirituais do espaço, o espírito que agora controla os que desobedecem a Deus. De fato, todos nós éramos como eles e vivíamos de acordo com a nossa natureza humana, fazendo o que o nosso corpo e a nossa mente queriam. Assim, porque somos seres humanos como os outros, nós também estávamos destinados a sofrer o castigo de Deus. Mas a misericórdia de Deus é muito grande, e o seu amor por nós é tanto, que, quando estávamos espiritualmente mortos por causa da nossa desobediência, ele nos trouxe para a vida que temos em união com Cristo. Pela graça de Deus vocês são salvos. Por estarmos unidos com Cristo Jesus, Deus nos ressuscitou com ele para reinarmos com ele no mundo celestial. Deus fez isso para mostrar, em todos os tempos do futuro, a imensa grandeza da sua graça, que é nossa por meio do amor que ele nos mostrou por meio de Cristo Jesus. Pois pela graça de Deus vocês são salvos por meio da fé. Isso não vem de vocês, mas é um presente dado por Deus. A salvação não é o resultado dos esforços de vocês; portanto, ninguém pode se orgulhar de tê-la. Pois foi Deus quem nos fez o que somos agora; em nossa união com Cristo Jesus, ele nos criou para que fizéssemos as boas obras que ele já havia preparado para nós" (Efésios 2:1-10).
Em Lucas 12:42-46 Jesus nos apresenta a um mau servo, que perde de vista o espírito de vigilância, a noção de que seu senhor voltará de sua viagem ao estrangeiro a qualquer momento. Ele começa a espancar os seus conservos. Ele é um morto se alimentando da carne dos vivos, ferindo os vivos, tornando-os mortos como ele, mortos à sua imagem e semelhança.
Será que justamente quando acreditamos estar vivendo mais é que vamos concluir que nós somos os mortos? Será que a realidade é distante demais da nossa expectativa? Ellen G. White declara: "Muitos que complacentemente ouvem as verdades da Palavra de Deus estão mortos espiritualmente, embora professem estar vivos. Por anos têm eles ido e vindo em nossas congregações, mas parecem cada vez menos sensíveis ao valor da verdade revelada. Não estão famintos e sedentos de justiça. Não sentem o menor prazer nas coisas espirituais. Concordam com a verdade, mas não são santificados por ela. Nem a Palavra de Deus nem os testemunhos de Seu Espírito fazem qualquer impressão definitiva sobre eles" (Testemunhos para a Igreja 5, p. 76).
O verdadeiro cristão não é um zumbi, alguém que morreu espiritualmente e foi reanimado para continuar entre os vivos, como vivo (embora permaneça morto). Cristo não veio nos reanimar, ele veio nos ressuscitar; gerar-nos outra vez; Fazer de nós novas criaturas, seres dotados de uma nova mentalidade para o oficio do bem.
Zumbis não tem sentimento. Não pensam criticamente, nem defendem suas convicções. Temos, como a igreja de Sardes, muitos zumbis entre nós, que não conseguem entender ainda a razão de sua existência; o propósito da manifestação do amor de Deus em favor deles. Nem sabem se foram ressuscitados ou apenas reanimados.
Não é difícil diferenciar um cristão genuíno de um zumbi com nome de cristão. O zumbi não sabe pra onde vai, o que faz; se está vivo ou morto; suas ações são aparentemente desconexas e desprovidas de responsabilidades, não avalia consequências, o que ele faz é somente com base no momento. O verdadeiro cristão em contrapartida reconhece sua filiação com o Deus pai. Sabe que um preço foi pago pela sua ressurreição espiritual e física no futuro. Sabe de suas responsabilidades como filho de Deus e como servo de Cristo. Manifesta o amor que por Deus lhe foi comunicado em questões espirituais e físicas. Sabe enfrentar as tribulações da vida, na certeza de que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, e que são chamados segundo o seu propósito.
Aqui vale uma análise: o que temos sido? Cristãos verdadeiros ou apenas zumbis espirituais?
Em Ezequiel 37:5 eu leio estas palavras: "Diga que eu, o SENHOR Deus, estou lhes dizendo isto: Eu porei respiração dentro de vocês e os farei viver de novo”.

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