Há exatos 3 anos, no dia 8 de janeiro de 2023, apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro invadiram Brasília, depredando prédios públicos e chocando o país. O Palácio do Planalto, o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF) foram alvo de atos de vandalismo, com móveis destruídos, paredes pichadas e imagens que marcaram a história recente do Brasil.
O episódio resultou em mais de 1.500 identificações e dezenas de prisões, além de investigações criminais por organização criminosa, danos ao patrimônio público e crimes contra a democracia. Especialistas afirmam que o 8 de janeiro permanece como um alerta sobre a importância da defesa das instituições democráticas e do Estado de Direito. A data é lembrada nacionalmente como um marco de tensão política, reforçando a necessidade de vigilância e participação cívica para a proteção da democracia.
Cabe a nós cristãos, um momento de reflexão sobre o que aconteceu neste dia. É um convite para o pensamento crítico e introspecção. Se tem algo que precisa ser observado por nós com atenção é a explosão da violência e as motivações para o que gerou esse grave contexto social.
Há um sentimento em curso capaz de enfraquecer os esforços pela cultura de paz. O ódio parece despontar como sentimento dominante. Ellen G. White alerta: "O espírito de anarquia está invadindo todas as nações, e as explosões sociais que de tempos em tempos provocam horror ao mundo não são senão indicações dos fogos contidos das paixões e ilegalidades, os quais, havendo escapado à sujeição, encherão a Terra com miséria e ruína. O quadro que a Inspiração nos deu do mundo antediluviano representa mui verdadeiramente a condição a que rapidamente a sociedade moderna caminha" (Serviço Cristão, p. 39).
A igreja precisa ser o contraponto a essa explosão de sentimentos ruins que se manifesta em forma de ódio físico e virtual extremo, contra o semelhante ou contra instituições. É um esforço que precisa ser institucional e pessoal. Existem formas de levar esta ideia adiante. Basta as igrejas dedicarem tempo a criar uma cultura de paz, no bairro onde estão inseridas, com representantes participando ativamente do debate com governos e sociedades e com fiéis evitando a cultura de ódio que prolifera no país.
Essa é a grande responsabilidade do cristianismo, inspirar os cristãos a não incorrerem neste mapa de ódio, mas apregoar o amor pelo outro, subverter as cadeias da violência, oferecer a outra face como um ato de contracultura e demonstrar que é possível, sim, viver em paz e com esperança.
Vale a pena mencionar uma outra citação inspirada de Ellen White, que esclarece alguns pontos: “O governo sob que Jesus viveu era corrupto e opressivo; clamavam de todo lado os abusos — extorsões, intolerância e abusiva crueldade. Não obstante, o Salvador não tentou nenhuma reforma civil. Não atacou nenhum abuso nacional, nem condenou os inimigos da nação. Não interferiu com a autoridade nem com a administração dos que se achavam no poder. Aquele que foi o nosso exemplo, conservou-Se afastado dos governos terrestres. Não porque fosse indiferente às misérias do homem, mas porque o remédio não residia em medidas meramente humanas e externas. Para ser eficiente, a cura deve atingir o próprio homem, individualmente, e regenerar o coração” (O Desejado de Todas as Nações, p. 358).
Estamos neste mundo com uma mensagem especial que é preparar um povo para o encontro com o Senhor! Cremos que a nossa força não deve estar nas manifestações por justiça, mas em anunciar a volta do Senhor Jesus, a verdadeira causa! Não desmerecendo as questões políticas e sua importância, entendemos ser um dever dar o devido destaque ao nosso verdadeiro papel, que é desenvolver práticas que resultem no fortalecimento da fé e promovam a esperança na iminente volta do Senhor Jesus Cristo. Reconhecemos que a vocação de pregar o evangelho envolve executar ações de solidariedade que expressem amor ao próximo e produzam alívio ao sofrimento humano. Por isso, todo esforço e toda energia devem ser canalizados para o serviço desinteressado em favor das pessoas, revelando profundo interesse na sua salvação.
Seja nossa oração: “Vem, Senhor Jesus” (Apocalipse 22:20).

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