quinta-feira, 25 de junho de 2026

MEDITAÇÃO #23 - NÃO DIRÁS FALSO TESTEMUNHO

"Não dirás falso testemunho contra o teu próximo" (Êxodo 20:16).

Ao olharmos para o nono mandamento do decálogo, logo nos vem à mente a idéia de mentira, ou o ato de mentir. Contudo, o nono mandamento deve ser entendido de forma mais profunda, pois assim como os outros mandamentos, não se limita a uma simples sentença negativa ou a uma simples regra, mas a uma norma de conduta e de relacionamento entre Deus e os homens.

“Não dirás falso testemunho” pode ser entendido como falar falsamente, dizer algo com o intuito de enganar, contrariar a verdade. Ellen White amplia o alcance do texto ao dizer que “por um relance de olhos, um movimento da mão, por uma expressão do rosto pode-se dizer falsidade tão eficazmente como por palavras” (Patriarcas e Profetas, p. 218). Essa afirmação é confirmada pelo texto original, na língua hebraica, no qual a palavra “ta’aneh”, traduzida como “dirás”, também pode ser expressa como “dar a entender”, portanto, não se refere apenas ao falar, mas também ao agir.

Se recorrermos ao dicionário, poderemos ter definições ainda mais enriquecedoras, e abrangentes como: dar indicação contrária à realidade, cessar de ser bom, criar intriga, tirar a boa fama, desacreditar… e por este primeiro grupo de definições podemos entender outra implicação do nono mandamento: a difamação, ou seja, o esforço no sentido de prejudicar a reputação, a “fama” de alguém. 

Podemos adicionar ainda outra tradução possível para o termo em hebraico mencionado anteriormente: “concordar”. Desta forma, não somente aquele que difama, mas também aquele que concorda com o que é falado ou permite que falem enganosamente de outro sem se manifestar contra, transgride o nono mandamento, uma vez que possibilita a outros serem tentados a acreditar e repetir tudo o que é indigno para aqueles cuja opinião ou atitude pretendem reprovar. Também está incluso aqui a paradoxal declaração “mentir para o bem”, isto é, “insinuar ou divulgar informações à desvantagem pessoal de outros, como se fossem justificados em pensar mal de alguém que entendem estar agindo errado” espalhando suspeitas sobre as motivações da conduta ou do outro. Motivo pelo qual os homens atraem tanta culpa a si próprios e criam tantos problemas para outros.

Em um segundo grupo de definições, observamos outra possibilidade de aplicação: disfarçar, encobrir as intenções, fingir, simular, não revelar os sentimentos, ocultar... essas definições demonstram uma intenção que não consiste somente em prejudicar o próximo, como na anterior, mas em obter algum benefício próprio por não mostrar a verdade ou por mostrá-la de forma incompleta. Podemos mencionar diversos exemplos, como simular uma doença para receber atenção, fingir simpatia por alguém importante para ganhar algum beneficio de sua amizade, forjar uma prova para inocentar-se de alguma acusação ou para acusar outro em seu lugar... tudo isto também é dizer falso testemunho. 

Apocalipse 14:3 menciona um grupo especial: os 144 mil. Não vem ao caso explicar quem são eles; mas uma coisa é clara: uma das razões porque esses 144 mil desfrutarão do favor de Deus é que “não se achou mentira na sua boca” (Apocalipse 14:5). Em outras palavras, são pessoas que praticaram a veracidade.

Você é uma pessoa verdadeira? No fundo, no fundo, todos nós temos uma natureza que tende para a mentira, para o engano; ninguém é melhor do que ninguém. Neste momento, Deus lhe diz: “Minha filha, meu filho, eu tenho para você um lugar especial no meu reino. Mas o meu reino é um lugar onde impera a verdade, porque EU SOU A VERDADE. Por isso, viva de modo verdadeiro, em tudo, até aquele dia em que vou levar você para um lugar de eterna paz. Eu prometo que vou fazer isso. Enquanto esse dia não chegar, conte comigo para vencer suas dificuldades e tentações. Eu estarei com você todos os dias da sua vida. Palavra de quem nunca mente”.

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