quinta-feira, 7 de abril de 2016

Cristianismo simplesmente não existe

“Cristianismo simplesmente não existe.” Søren Kierkegaard

E quem seria capaz de contestar esta afirmação de Kierkegaard? Há, de fato, um Cristianismo que não existe. Mas antes de afirmar a não-existência de um Cristianismo aparentemente existente, faz-se necessário explorar o que a própria Bíblia diz a respeito desta palavra.

Em que lugar da Bíblia algum autor inspirado cita a palavra Cristianismo? Em nenhum lugar.

Peter Leithart nota que na Bíblia ninguém é convidado a proclamar o Cristianismo, a ensinar o Cristianismo, ou sequer a aceitar o Cristianismo. Ainda assim, a palavra existe no nosso vocabulário. Os Evangelhos falam de Cristo e de seus seguidores que eventualmente passaram a ser chamados de Cristãos. Mas a base, a visão, o fundamento da palavra “Cristão” se centrava em Cristo, Suas palavras, Sua vida, e a missão por Ele deixada.

Na Bíblia não encontramos a palavra nem o conceito de Cristianismo. Mas após inúmeras expansões territoriais e evangelísticas o “Cristianismo” invadiu o mundo. No entanto, em algum momento desta milenar jornada, o Cristianismo parece ter perdido sua ligação com os Evangelhos. Se tornou um corpo de doutrinas professado por Cristãos, ou uma maneira de adorar o Cristo ressurreto. Tudo muito objetivo e cognitivo. Cristianismo é “isso” e se você aceitar “isso” você se torna um Cristão. Mortes e guerras encontraram suas justificativas no palavra (e no conceito) Cristianismo, riquezas foram acumuladas em nome do Cristianismo e povos foram oprimidos em nome da cruz. Ao se distanciar dos Evangelhos, o Cristianismo –que já não é um conceito Bíblico per se– se tornou algo que, quando muito, remotamente se assemelha à religião bíblica descrita nos Evangelhos.

Dostoiévski no capítulo “O Grande Inquisidor” de seu livro Irmãos Karamazov descreve o problema da seguinte maneira: a tentação que o homem Jesus divinamente rejeitou –de poder, honras e glória– foram aceitos pela Igreja Cristã através de seus líderes falhos e humanos. Desta maneira, ao longo de séculos e milênios, a religião Cristã se tornou uma antítese dos ensinamento e da vida de Cristo. Por isto a afirmativa de Kierkegaard: afinal, os atos, a postura e a religião de Jesus nos Evangelhos, era irreconhecível no Cristianismo de sua época.

Hoje em dia a situação não é diferente. Por mais que muitas pessoas ainda de fato vivem um novo tipo de existência ao se decidirem por seguir a Cristo, ainda existe muito charlatão, muito líder religioso corrupto, muito fiel egoísta em busca apenas de riquezas, bênçãos e realizações pessoais, além da evidente ausência de ética tanto na esfera pública como religiosa; e isto debaixo da bandeira do Cristianismo e em países que se denominam Cristãos. E se “Cristianismo” é tudo isto, ele não é nada; porque uma palavra que pode significar tantas coisas diferentes –e até opostas– perde seu significado.

As palavras de Cristo, o texto Bíblico através do qual Ele ainda hoje se quer fazer entender nos interessam de forma parcial nos dias de reuniões de nossas comunidades religiosas, quando muito. Nos púlpitos ao redor do mundo somos dificilmente confrontados com a realidade do texto. São poucos os pregadores que estão dispostos a deixar suas agendas particulares (ou de suas instituições religiosas) de lado para, em contrição, simplesmente buscar transmitir o que o texto disse e ainda diz. Há poucos profetas.

Para preencher o tempo e desviar a atenção da nossa indisposição de estudar o texto a fundo, costumamos dar ênfase a discussões menores, menos relevantes e paralelas. Define-se um comportamento padrão e discute-se uma infinidade de variações ou “desvios” deste comportamento denominado “padrão”. Discute-se a relação entre fé e evidências (no caso, evidências extra-bíblicas). Discute-se a relação entre fé e ciência. Como o texto não é interessante, fazemos apologética. Procuramos –às vezes até inventamos– um inimigo em comum do qual precisamos nos defender, ou melhor: defender a fé. Aliás, preferimos defender a fé do que viver a fé, debater a fé do que entender que fé é esta. E esta busca incessante por discussões paralelas e menores apenas confirma uma triste realidade: o texto bíblico não é interessante o suficiente. Damos prioridade a discussões de “fatos” externos (científicos/arqueológicos/metafísicos) sem perceber que tais discussões são no máximo secundárias. O desafio deixado por Kierkegaard continua até hoje: desenvolver a honestidade e a coragem de dizer que o “Cristianismo” nos nossos dias (junto com suas discussões, ética, e prioridades estranhas) não existe.

Que esta confissão nos conduza de volta ao texto Bíblico, aos Evangelhos de Genesis, Êxodo e João. Precisamos redescobrir o que significa Cristianismo, pois, atualmente, ele simplesmente não existe.

Leonardo Gonçalves (via Terceira Margem do Rio)

quarta-feira, 6 de abril de 2016

10 dicas para reconhecer uma "falsiane" e conselhos da Bíblia


Quem não quer se manter longe das falsianes? Afinal, ninguém quer ficar perto de uma pessoa duas caras, fingida, dissimulada, mentirosa, enganadora e traidora. Para evitar que isso aconteça, vamos te dar algumas dicas para reconhecer essas "amigas da onça" e mantê-las bem afastadas.

1. Ela sempre quer tirar o seu brilho
Não importa se é o dia mais importante da sua vida, ela vai dar um jeito de aparecer mais que você.

"Se alguém se considera alguma coisa, não sendo nada, engana-se a si mesmo." Gálatas 6:3

2. Ela já "furou" seu olho algumas vezes
Sabe aquele menino que você sempre esteve a fim e está toda apaixonadinha? Então, é esse mesmo que ela vai escolher para dar investidas. Se não der certo com um, ela tenta com outro. 

"A integridade dos justos os guia, mas a falsidade dos infiéis os destrói." Provérbios 11:3

3. Se faz de inocente para atacar depois
"Amiga, não entendi, me explica?" e "Você é tão fofa, não consigo ficar sem você" fazem parte do vocabulário de um falsiane. Ainda tem os mimos diários que recebe dela. Isso tudo até ela não precisar mais de você e começar a espalhar seus segredos por aí. 

"A testemunha sincera não engana, mas a falsa transborda em mentiras." Provérbios 14:5

4. Sempre conta seus micos e gafes na frente de todo mundo
"Lembra aquela vez que...?", "Você sabia que ela já fez...", e, aí, você já vai mudando de cor num misto de raiva por ela ter falado aquilo na frente de todo mundo e vergonha por seu segredo ter sido revelado. 

"Sempre que alguém vem visitar-me, fala com falsidade, enche o coração de calúnias e depois as espalha por onde vai." Salmos 41:6

5. É superinteresseira
A falsiane é aquela pessoa que vai te fazer de escada para alguma conquista muito importante e, quando conseguir seu objetivo, vai te descartar como se vocês nunca tivessem sido amigas um dia. 

"Mantém longe de mim a falsidade e a mentira; não me dês nem pobreza nem riqueza; dá-me apenas o alimento necessário." Provérbios 30:8

6. É amiga de todos e sempre fica em cima do muro quando tem que te defender
A vida da falsiane é baseada em agradar e ser amada por todos. Nessa tentativa, ela vai acabar se entregando porque, fatidicamente, haverá uma briga e ela ficará em cima do muro, apoiando as partes individualmente. Com isso, ela acaba falando mal de todo mundo pelas costas. 

"O Senhor abomina a testemunha falsa que espalha mentiras e aquele que provoca discórdia entre irmãos." Provérbios 6:19

7. Te chama de queridinha
"Queridinha", "lindinha" e "amorzinho" são as palavras mais ditas por uma falsiane. 

"Quem odeia disfarça as suas intenções com os lábios, mas no coração abriga a falsidade." Provérbios 26:24

8. É uma pessoa diferente em cada grupo de "amigos" que tem 
Uma falsiane nunca é ela mesma, ela sempre se adapta para agradar as pessoas. Por isso, ela possui uma cara para cada grupo de "amigos" que frequenta. 

"A testemunha que fala a verdade salva vidas, mas a testemunha falsa é enganosa." Provérbios 14:25

9. Te dá conselhos que, na verdade, a favorecem
"Isso, amiga, termina mesmo, ele só te faz sofrer", enquanto ela já está de olho no seu ex. "Está linda, amei sua sombra", mas, na verdade, parece que você levou um soco na cara. "Faz essa parte do trabalho, é bem tranquila" e acaba te dando a tarefa mais difícil de todas. 

"Felizes são aqueles que não se deixam levar pelos conselhos dos maus." Salmos 1:1

10. Ri de qualquer coisa que você fala
Não importa se o que disse é a pior piada que ela já escutou na vida, ela vai soltar uma boa gargalhada, só para te agradar e fazer você se sentir bem perto dela.

"A risada dos tolos é como os estalos de espinhos no fogo - não quer dizer nada." Eclesiastes 7:6

terça-feira, 5 de abril de 2016

Igreja Adventista do Sétimo Dia supera a marca de 19 milhões de membros


A Igreja Adventista do Sétimo Dia superou a marca de 19 milhões de membros batizados pela primeira vez na história, e o número de igrejas locais dobrou em todo o mundo para mais de 80 mil em apenas duas décadas, de acordo com dados recentemente divulgados.

No dia 31 de dezembro de 2015 havia cerca de 19.126.447 adventistas do sétimo dia em todo o mundo, um aumento líquido de 647.144 pessoas, ou 3,5 por cento em relação ao ano anterior, de acordo com os dados estatísticos do Centro de Arquivos, Estatística e Investigação da Igreja.

"Louvado seja Deus por este crescimento maravilhoso", disse Ted NC Wilson, presidente da Igreja Adventista a nível mundial. "Isto me diz que mesmo com a auditoria apropriada e cuidadosa dos registros de membros em todo o mundo que a Secretaria iniciou nos últimos anos, a Palavra de Deus está indo adiante de maneira maravilhosa através do poder do Espírito Santo, e a obra de Deus está em expansão."

"O rápido crescimento da Igreja é um testemunho da promessa em 2 Crônicas 20:20, 'Crede no Senhor vosso Deus, e estareis seguros; crede nos seus profetas, e prosperareis.' A igreja tem prosperado porque estamos seguindo fielmente as instruções de Deus em Mateus 24:14 para evangelizar o mundo", disse GT Ng, secretário-executivo da Igreja Adventista a nível mundial.

Com informações de Adventist Review

Tenho saudade do Céu


Você já sentiu uma nostalgia inexplicável, uma saudade do que você não viveu ou do que você ainda nem sabe exatamente o que é? É uma sensação de necessitar alcançar algo, que parece distante e desconhecido, mas fundamental para a nossa existência transcender e se completar.

Muitas vezes, fui acometida por essa falta esmagadora que me levava a uma insatisfação crônica com a forma como vivia os meus dias, especialmente quando sentava na janela do ônibus e a chuva lá fora, me fazia refletir profundamente sobre o que tem aqui dentro de mim. Até que em um desses dias, tocou na minha playlist: “Se é só Você que tem a cura pro meu vício de insistir nessa saudade que eu sinto de tudo o que eu ainda não vi”, cantada por Renato Russo, na música ‘Índios’.

Deus criou o homem num ato de graça e bondade. Apesar disso, o homem decidiu rebelar-se contra o seu Criador e, com isso, Cristo decide dar-se por completo para que o mundo inteiro pudesse um dia retornar ao seu lugar de origem, de onde jamais deveríamos abrir mão. Jesus fala pouco do céu, mas seu ministério lembra-nos insistentemente do Reino de Deus. É uma convocação constante de Jesus para que desejemos embarcar rumo a nossa verdadeira casa, onde estaremos completamente preenchidos e bem alocados.

Temos, porém, sido bombardeados com pregações sobre como obter sucesso e prosperidade nessa terra, além de campanhas para ‘mover a mão de Deus’ a nosso favor e até músicas que clamam pela restituição do nosso ego e orgulho ferido. Esquecemo-nos, assim, do real propósito para o qual fomos criados, que é ter um relacionamento íntimo com Deus. Estamos aqui apenas nos preparando para a vida que nos aguarda, entretanto como nos aprontaremos para ela, se não estamos preocupados em conhecer ao nosso Criador, mas nos focamos apenas no que esse tempo palpável e fugaz pode nos oferecer? C. S. Lewis, anos atrás, já nos alertava dos perigos de não recordarmos que o Céu, por tudo o que ele nos representa (morar eternamente com Deus), deve ser o nosso anseio, quando nos escrevia que: “foi quando os cristãos deixaram de pensar no outro mundo que se tornaram tão incompetentes nesse aqui. Se você aspirar ao Céu, ganhará a terra “de lambuja”: se aspirar a Terra, perderá ambos”, na página 179 de seu livro Cristianismo Puro e Simples.

O perfume dEle ainda não se foi, a Sua Luz ainda brilha aqui para nos lembrar de que há mais vida além daqui. Jesus aguarda ansiosamente, junto com toda a Sua criação, pela permissão do Pai para que Ele volte para buscar a todos os que não se esqueceram de onde são e para onde vão. Entenda que sua alma anseia pela eternidade, que você foi criado para muito mais do que esse mundo passageiro pode te oferecer. Não se contente em caminhar como alguém que já se conformou com este lugar, mas seja como aqueles que prosseguem para o alvo, o prêmio da vocação celestial. Que você não permita que sua alma pare de dizer para onde ela quer voltar, mas que você esteja viva aqui como quem tem sempre saudade do Céu.

Aline Lacerda (via Minha Vida Cristã)

Nota: Ellen White teve o privilégio de conhecer este Céu e, quando ela voltou de sua visão, escreveu: 
“Oh! quão escuro pareceu-me este mundo! Chorei quando me encontrei aqui, e senti saudade. Eu tinha visto um mundo melhor, e o atual perdeu o seu valor” (Visões do Céu).
A ler este lindo texto, lembrei-me também de mais duas citações de C. S. Lewis e do hino Saudade:
“Somos criaturas sem entusiasmo, brincando bobos e inconsequentes com bebida, sexo e ambições, quando o que se nos oferece é a alegria infinita. Agimos como uma criança sem noção, que prefere continuar fazendo bolinhos de lama num cortiço porque não consegue imaginar o que significa a dádiva de um fim de semana na praia. Muito facilmente, nós nos contentamos com pouco” (O Peso da Glória).
“As criaturas não nascem com desejos, a menos que exista satisfação para eles. Um bebê sente fome: bem, existe uma coisa chamada comida. Um patinho quer nadar: bem, existe uma coisa chamada água. ... Se eu encontrar em mim mesmo um desejo que nenhuma experiência neste mundo pode satisfazer, a explicação mais provável é que fui feito para outro mundo” (Cristianismo Puro e Simples).

Não há dúvida de que o que nos aguarda é algo realmente grandioso e maravilhoso.

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Pr. Ivan Saraiva fala sobre o assassinato de Martin Luther King há 48 anos


O mundo e principalmente os EUA lembram hoje os 48 anos do assassinato de Martin Luther King Jr., um dos mais notórios ativistas dos direitos civis e o mais jovem vencedor do Prêmio Nobel da Paz. King foi morto em um hotel em Memphis, nos Estado do Tennessee em 4 de abril de 1968. Ele havia viajado para a cidade para apoiar uma greve de lixeiros

Luther King nasceu em 1929 em Atlanta, no Estado americano da Geórgia, e se graduou no Morehouse College, em 1948, com um bacharelado em sociologia. Ele se casou com Coretta Scott King em 1953. O casal teve quatro filhos. O ativismo político de Luther King começou em 1955 em Montogomery (Alabama) - onde era pastor da Igreja Batista -, quando Rosa Parks, uma mulher negra, se negou a dar seu lugar em um ônibus para uma mulher branca e foi presa. Os líderes negros da cidade organizaram um boicote aos ônibus de Montgomery para protestar contra a segregação racial em vigor no transporte. Durante a campanha de 381 dias, co-liderada por King, muitas ameaças foram feitas contra a sua vida, ele foi preso e viu sua casa ser atacada.

O boicote foi encerrado com a decisão da Suprema Corte Americana em tornar ilegal a segregação em transporte público. Depois disso, Luther King organizou e liderou marchas a fim de conseguir o direito ao voto, o fim da segregação, o fim das discriminações no trabalho e outros direitos civis básicos. A maior parte destes direitos foi, mais tarde, agregada à legislação americana com a aprovação da Lei de Direitos Civis (1964) e da Lei de Direitos Eleitorais (1965).

Em 1964, ele foi a pessoa mais jovem a receber o Prêmio Nobel da Paz, que lhe foi entregue em reconhecimento à sua liderança na resistência não-violenta e pelo fim do preconceito racial nos Estados Unidos. As palavras mais famosas do líder pacifista foram ditas em 1963, em frente ao monumento em homenagem ao ex-presidente americano Abraham Lincoln (1861-1865), em Washington: "I have a dream" ("Eu tenho um sonho"). Luther King referia-se ao sonho de que um dia seu país vivesse sob a certeza de que todos os homens foram criados para viver em igualdade.

Martin Luther King era odiado por muitos segregacionistas do sul dos Estados Unidos, o que culminou em seu assassinato no dia 4 de abril de 1968, momentos antes de uma marcha, num hotel da cidade de Memphis (Tennessee). King foi alvejado na sacada de seu aposento no Lorraine Motel. Meses após o ocorrido, James Earl Ray, um fugitivo da Penitenciária Estadual do Missouri, foi capturado no Aeroporto de Londres Heathrow e extraditado para os Estados Unidos, onde foi acusado pelo assassinato de Martin Luther King. Em 1969, Ray assumiu o crime e recebeu uma sentença de 99 anos de regime fechado no Tennessee. Após inúmeras tentativas de negar o crime novamente, Ray morreu na prisão em 1998, aos 70 anos de idade.

Assista o pastor Ivan Saraiva na Série "Os Sete Maiores Acontecimentos do Cristianismo" apresentando o tema: O Assassinato de Martin Luther King.

sábado, 2 de abril de 2016

Leonardo Gonçalves anuncia pausa na carreira – sem prazo para retorno


Foi com surpresa que os 1,3 milhão de seguidores de Leonardo Gonçalves no Facebook receberam a notícia, na tarde desta sexta-feira, que o cantor gospel planeja uma pausa na carreira. O choque não foi à toa. Afinal, são raros os hiatos que acontecem quando um músico está em seu melhor momento, caso de Gonçalves. 

Nos dois últimos anos, o cantor de 36 anos saltou do nicho cristão para encontrar lugar no mainstream - com shows ao redor do país, alguns até em praças organizados por prefeituras; participação em programas de TV aberta, como o Esquenta com Regina Casé, na Globo, e presença em eventos badalados, como quando cantou no casamento de Thiaguinho e Fernanda Souza.

A boa fase e o aumento da fama, na verdade, deram um empurrão na decisão da pausa. Em conversa com o site de VEJA, Gonçalves fala sobre as dificuldades de lidar com o excesso de exposição, o mercado da música gospel e afirma que, por enquanto, não tem planos de voltar do período sabático.

A notícia da pausa veio junto com a divulgação de uma turnê de despedida, feita em teatros pelo Brasil, com o repertório do seu disco/DVD Principio. Por que a decisão da pausa neste momento já que este trabalho foi tão bem-recebido? 
No total, tenho 22 anos de carreira. E estou bem cansado, especialmente da exposição que eu não esperava. Comecei a cantar quando vim para o Brasil em 1994, e logo já estava viajando pelo país com um grupo. O primeiro disco solo veio em 2002. Não quero soar ingrato, mas meu projeto de vida nunca foi ser cantor. Sou uma pessoa mais reservada, tem a ver com minha personalidade.

Quais eram seus planos antes de ser cantor e o que o fez mudar o rumo? 
Saí do Brasil com 2 anos de idade e morei na Alemanha até os 15. Eu era muito interessado em linguística, tradução, leitura. Pra mim, escrever veio primeiro. Com sete anos escrevi meu primeiro conto. Minha família decidiu voltar pro Brasil, mas como eu estava distante há tanto tempo, meu português era muito rudimentar. Então, no auge da adolescência, quando você já não sabe muito bem quem é, eu perdi minha maior referência que era a linguagem, eu não conseguia me comunicar. Foi nesse contexto que eu descobri a música, o cantar. E isso foi me realizando. A experiência da música enriqueceu muito minha vida espiritual. E fiz um trato com Deus que eu ia cantar enquanto Ele quisesse que eu cantasse. Ao mesmo tempo, fiz Letras na Unicamp, pois ainda planejava seguir a carreira acadêmica. Queria ser escritor e professor.

Mas como a exposição se tornou um problema na sua vida? 
A cultura do selfie é algo que me incomoda profundamente, por razões diversas. Demorei dez anos para gravar um DVD e atrasei ao máximo o lançamento. Me deu aflição por razões inexplicáveis. Sei que a gente vive no mundo da imagem. Mas me incomoda o fato de que hoje em dia a gente vê musica, não ouve.

A fama não tem sido uma boa experiência? 
Não me considero famoso.

Isso não muda o fato que você é bastante conhecido, especialmente para um nicho que tem crescido no Brasil. 
Sim, não quero desprezar, mas pra mim famoso de verdade é a Britney Spears e os cem paparazzi atrás dela o tempo todo (risos). Meu conceito de fama é esse. Eu sempre fui o menino nerd da turma. Tirava boas notas e apanhava dos outros garotos na escola, pelo menos duas vezes na semana (risos). Vivia lendo e não tinha amigos. Era muito pequeno, estrangeiro... foi uma série de coisas que ajudou a definir quem eu sou, minha personalidade.

Mas ao mesmo tempo em que não gosta de exposição, você se expõe em shows, atendimento aos fãs, programas de TV. Não prefere colocar limites? 
É contraditório mesmo, eu sei, mas já coloco bastante limite. Apesar de não gostar, sei que a exposição é necessária, porque acredito que a mensagem é relevante. E não tem jeito de levar essa mensagem sem se expor. Não é a exposição da arte que me incomoda, é a cultura do selfie, quando a arte fica em segundo plano.

Ainda planeja ser um escritor? 
Está na agenda escrever um livro, mas, se fizer isso, dificilmente vou lançar com meu nome. Adoraria escrever uma fantasia. Sou fã de escritores como George R.R. Martin e J. R. R. Tolkien.

O mercado da música gospel cresceu muito, o que movimenta uma série de críticas de diversos lados, religiosos ou não. O que acha disso? 
Não gosto do preconceito que aponta que algo é ruim só no meio religioso. O que é ruim é ruim. Não é mais ou menos nocivo. A hipocrisia é ruim em qualquer lugar. O egocentrismo é ruim, ponto. Minha expectativa em relação ao ser humano é que ele seja humano, crendo ou não em Deus. Não segmento a música entre religiosa e não religiosa. Porém a carreira artística cristã envolve outras coisas no imaginário do público. E isso é intensificado com as redes sociais. Eu acredito que Deus não criou nenhum ser humano para ser famoso, para parecer mais importante que o outro. Somos todos iguais. A gente vive em um mundo de tantos ruídos e críticas, que, sinceramente, minha opinião não importa. O que eu tenho a dizer eu digo através da minha arte. Só porque tenho seguidores no Facebook, preciso dar opinião sobre tudo? Manter a sanidade nos dias de hoje não é fácil. A tentação de ser hipócrita é diária. De falar o que as pessoas querem ouvir.

No ano passado, sua vida pessoal, especialmente a separação, foi assunto em sites especializados em fofocas sobre celebridades gospel.
Pois é, esse tipo de site existe (risos). Eu vi isso, e dizer que não me incomoda seria mentira. O que mais incomoda são as conclusões que se chegam. Mas eu entendo, pois sou uma pessoa muito reservada, não falo da vida particular. Não tenho nada a esconder, mas com as redes sociais as pessoas perderam a noção da esfera pública e privada.

O que planeja para o futuro? 
Já tinha combinado com a gravadora entregar este ano a turnê e também um EP ao vivo, acústico. Vamos documentar os shows e depois veremos o que fazer com o material. Também vou lançar um selo este ano, com alguns jovens artistas do meio. Quero viabilizar a carreira deles para que caminhem sozinhos. No fundo, tenho esse desejo de passar o bastão. Vou trabalhar bastante este ano, e no próximo fico fora. Não sei se volto.

Para onde vai? 
Ainda não defini pra onde ir. Estou considerando um projeto de voluntariado, talvez no Oriente Médio, na Ásia. Estou sondando alguns lugares. Outro plano é ficar um ano em Israel para estudar hebraico. Sei que não quero trabalhar com música. Meu sonho seria dar aula de inglês para crianças refugiadas na Palestina de dia e a noite estudar hebraico em Jerusalém (risos). Não sei se isso existe, mas seria perfeito.

Fonte: Veja

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Spoilers apocalípticos


Quem gosta de saber o final do filme antes de começar? Ninguém! Eu acho…

Tenho um amigo que vai com a minha cara até o momento que a gente fala de filmes e seriados. Porque eu tento – sério! – mas sempre acabo sucumbindo perante a vontade de contar o que sei. E ele? Detesta qualquer dica que estrague a surpresa de assistir algo inédito. Portanto, nossa amizade só dura até o próximo spoiler!

Spoiler?! Ação antipática de contar antes da hora o que deveria se descobrir somente “na hora”. Exemplos: “sabe o mocinho do filme? Pois é, morre eletrocutado no final!” (raiva); “o casal lindo? Hum, ficam juntos não – ela pega câncer e ele Alzheimer…” (mais raiva); “final da temporada? Ele vira Presidente da República” (muita raiva); “quem matou o mordomo? A sogra do jardineiro albino!” (raiva infinita); “o playback do jogo? Ah, o timão perdeu de 3 a 1…” (chega, saia daqui!). Conhece gente assim? E quando os spoilers passam a exagerar, distorcer ou mesmo inventar? 

Existem verdadeiros especialistas na arte de antecipar o caos ou profetizar o avesso. São os viralizadores do pânico com seus spoilers apocalípticos.

O impeachment vai engolir o país numa crise pré-golpe militar.

Donald Trump acelerará o decreto dominical.

A Coreia do Norte é o gatilho para a Terceira Guerra Mundial.

Algoritmos são marcas da besta.

O Papa Francisco é o Papa do Fim do Mundo.

Percebe? Se você quiser fama meteórica anuncie algum spoiler sensacionalista que o sucesso tolo será garantido – e passageiro. Por isso tem tanta gente por aí se exibindo com criatividade demais e juízo de menos. Ou você nunca recebeu nos grupos do WhatsApp alguma teoria conspiratória cativando sua atenção por alguns fúteis momentos? A verdade é que o futuro sempre vira um mistério que gostamos de desvendar. E, das datas escatológicas às conjecturas globais, as promessas beirando bizarrices desfilam nas passarelas das expectativas humanas.

Cuidado! Não faça planos que Deus não tenha feito. Nem ouse revelar o que o Roteirista do Universo não revelou. Como humanos, gostamos de cortar a orelha de Malco (João 18:10), segurar a Arca para ela não cair (II Samuel 6:6), ou prever que vamos morrer perante o Mar Vermelho (Êxodo 14:11). Isso tudo nos desmascara do quanto somos traiçoeiramente atraídos pela vontade de saber mais do que Deus.

Quer saber do maior de todos os spoilers mentirosos e arrogantes? Uma árvore misteriosa, uma fruta deliciosa, uma serpente hipnotizante e uma mulher curiosa – pronto! – eis a receita da desgraça. Foi só lançar a isca, “é certo que você não morrerá” (Gênesis 3:4), e acrescentar a miragem, “ainda saberá mais que o Altíssimo” (Gênesis 3:5), pro maior atentado terrorista da História acontecer. Dois mil anos depois, mais um spoiler: “façamos uma torre para que outro Dilúvio não nos destrua” (Gênesis 11:4) – e a humanidade rachou num quebra-cabeças de idiomas para nunca mais se juntar. Outros dois milênios depois? Surge o maior traidor, com o nome menos copiado da Bíblia, tentando escrever o final do “seu” filme com 30 moedas de prata. O que Judas fez foi uma tentativa esdrúxula e egoísta de acelerar o “foram felizes para sempre”. Foi tudo diferente: Jesus acabou na cruz, ele se enforcou, e os planos redentores de Deus seguiram seu curso.

Moral da história? 
Deus sabe o que é melhor do que o seu melhor. Se o Colecionador de Galáxias conhece quantos cílios emolduram seus olhos, não saberá o fim desde o começo? Portanto acredite, confie e fale menos, se preciso for. Esteja certo de que “não há encoberto que não seja revelado, nem oculto que não seja conhecido” (Mateus 10:26), e isso é tudo o que precisamos saber. Ponto final.

Na próxima vez que alguém “viralizar o caos” para você, ore mais e compartilhe menos. Espero ansiosamente que sejamos a “última das novas gerações”, mas longe dos futurólogos falsificados com suas próprias imaginações – e se é Jesus Quem nos promete vir “sem demora” (Apocalipse 22:12) acreditemos que tudo ficará bem.

Odailson Fonseca (via Notícias Adventistas)