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quarta-feira, 26 de junho de 2024

GOGUE E MAGOGUE

Hoje estudaremos a última profecia do livro de Ezequiel. Uma intrigante mensagem contra Gogue, da terra de Magogue.

Esta profecia está nos capítulos 38 e 39 de Ezequiel e foi feita em torno do ano de 587 a.C. É uma profecia grande – uma das maiores que encontramos em toda a Bíblia. E de difícil compreensão. As afirmações do eminente comentarista Adam Clarke são valiosas: “É reconhecida ser esta a mais difícil profecia no Velho Testamento. Este estudo é difícil para nós porque não conhecemos nem o rei e nem o povo mencionados por ele: mas estou satisfeito porque eram bem conhecidos no tempo em que o profeta escreveu”.

Vamos conferir alguns trechos dessa profecia? “… profetiza contra ela, e dize: Assim diz o Senhor Deus: Eu sou contra ti, ó Gogue, príncipe e chefe de Meseque e de Tubal. Eu te farei voltar, e porei anzóis nos teus queixos, e te levarei a ti, com todo o seu exército. Depois de muitos dias serás visitado. No fim dos anos virás a terra que se recuperou da espada, ao povo que se congregou dentre muitos povos sobre os montes de Israel, que sempre estavam desolados. Aquela terra foi tirada dentre os povos, e todos eles habitarão seguramente” (Ezequiel 38:1,3,4,8).

Sempre é bom lembrar que um profeta dava uma mensagem para as pessoas de seus dias e, outras vezes, apresentava profecias para um futuro a médio ou longo prazo. Disso não podemos nos esquecer. Há também um outro detalhe importante: todas as profecias que dizem respeito a glória futura de Israel e de Jerusalém dependiam – ou estavam condicionadas – à obediência do povo (Jeremias 18:7-10). Após o fracasso de Israel, um novo conceito começou a ser apresentado sobre quem era de fato um israelita. O próprio apóstolo Paulo escreveu: “Porque nem todos os que são de Israel, são israelitas” (Romanos 9:6).

Isto nos dá a entender, que além do Israel literal, há também o que passaremos a chamar de o Israel espiritual. As profecias não cumpridas pelo Israel literal, Deus espera vê-las cumpridas pelo Israel espiritual. Em Apocalipse 20:8, temos uma revelação posterior ao que Ezequiel já havia apresentado. “…e sairá a enganar as nações que estão nos quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, cujo numero é como a areia do mar, afim de ajuntá-los para a batalha.”

Precisamos responder algumas perguntas: Quem é Gogue, da terra de Magogue? Que guerra é essa que João menciona no Apocalipse? Quando esta profecia se cumprirá?

Vejamos o que diz o Comentário Bíblico Adventista: "O princípio [para determinar o que é imediato e o que é futuro ou escatológico nesta profecia] pode ser declarado da seguinte forma: as profecias com respeito à glória futura de Israel e de Jerusalém eram primariamente condicionais e dependiam da manutenção da aliança (ver Jr 18:7-10; PR, 704). Elas teriam um cumprimento literal nos séculos subsequentes se Israel tivesse aceitado totalmente os planos de Deus. O fracasso de Israel tornou impossível o cumprimento dessas profecias em seu propósito original. … Ezequiel 38 e 39 teria se cumprido literalmente depois que os judeus retornaram do exílio, caso eles tivessem atendido às condições apresentadas pelos profetas. Pelo fato de eles as haverem recusado persistentemente, a condição de prosperidade aqui retratada nunca se cumpriu. Consequentemente, não pôde haver o ataque combinado dos pagãos contra um povo que habitasse na prosperidade mencionada. A profecia terá uma aplicação futura? … tal aplicação pode ser estabelecida com certeza apenas por uma revelação subsequente. No NT, há apenas uma referência direta aos símbolos usados nesta profecia: Apocalipse 20:8. Nesta passagem, João diz como esta profecia, que teria se cumprido literalmente em época anterior, terá certo grau de cumprimento na luta final contra Deus empreendida pelas hostes dos ímpios, chamadas de Gogue e Magogue. ... Em realidade não há necessidade de encontrar um Gogue nos registros históricos. O mais provável é que Gogue seja um nome ideal empregado por Ezequiel para denominar a ultima força pagã que lançaria um ataque final contra Israel, depois de sua restauração, em um tempo quando os Israelitas estivessem gozando da prosperidade prometida por Deus, como fruto de sua obediência” (p. 773-775).

A Andrews Study Bible diz: "Gogue é um misterioso inimigo de Deus e Seu povo, cuja identidade não é clara, provavelmente de propósito. A predição do ataque e derrota de Gogue e seus aliados, contudo, nunca ocorreu na história, mesmo que possa ter ocorrido de forma parcial em algumas circunstâncias … em Cristo … na Igreja. De acordo com o livro de Apocalipse, esta profecia tem cumprimento específico, tanto ao tempo da Segunda Vinda de Cristo quanto ao final do milênio. Jesus é o vitorioso na última guerra (Ap 17:14) e todo aquele que O escolhe, identifica-se e permanece com Ele, pode compartilhar de Sua vitória".

Em resumo, o que poderíamos dizer sobre Gogue, seria isto. É uma palavra que descreve o último ataque de Satanás contra Israel. É bom lembrar que este ataque não aconteceu até hoje ao Israel literal. Também não se conhece quem poderia ser este Gogue, inimigo de Israel. Mas não podemos esquecer que as profecias que não se cumpriram com o Israel literal, poderão se cumprir com o Israel espiritual.

A melhor interpretação para esta profecia é que as palavras Gogue e Magogue são apenas símbolos para descrever os inimigos que surgiriam contra o Israel literal após a volta do cativeiro babilônico. Se eles fossem fiéis a Deus, os inimigos iriam surgir, mas seriam destruídos por Ele.

E quando se cumpriria esta profecia? Segundo Ezequiel 38:8, isto aconteceria após alguns anos do cativeiro em Babilônia. Ao retornarem, iniciariam um processo de reabilitação, restauração e destruição de todos os inimigos de Israel, pois haviam tomado posse das terras que lhes pertenciam. Esta profecia, porém, nunca se cumpriu. Israel nunca esteve disposto a obedecer a Deus por muito tempo.

E que guerra é esta, mencionada no Apocalipse? A interpretação mais aceita é que as palavras Gogue e Magogue usadas em Apocalipse 20:8 e em Ezequiel são apenas para simbolizar as nações ímpias, a quem Satanás reúne depois do milênio para atacar a Cristo e tentar tomar a Nova Jerusalém. Perceba que em todo o capitulo 38 e 39 de Ezequiel há uma descrição da ultima coalizão de nações pagãs contra o povo de Deus. Segundo o apostolo João, Satanás reunirá todas as suas forças, como a última e desesperada tentativa para atacar a Deus e ao povo dEle. "Vista em seus aspectos mais amplos, a batalha aqui descrita é apenas a culminação da luta milenar entre os poderes do mal e o povo de Deus, e há frequente menção disso em profecias anteriores. A mais antiga vem do jardim do Éden, na maldição pronunciada sobre a serpente. … qualquer sucesso da parte do povo de Deus encontra a mais violenta oposição do adversário" (CBASD, vol. 4, p. 780).

Querido leitor, assim é o mal. Ele nunca desiste. Satanás sabe que foi vencido, quando Cristo morreu na cruz, mas hoje ele se comporta como se fosse o vitorioso. Satanás sempre esteve em oposição a Deus. Foi assim desde o inicio do mundo, e continuou por todos os séculos e milênios. E quando Jesus voltar terceira vez, após o milênio, o diabo fará uma ultima investida contra Deus e os salvos de todos os tempos. Porém será destruído para sempre e Deus implantará, finalmente, um novo céu e uma nova terra. Um novo tempo que jamais passará.

"À medida que o conflito se aproxima de seu clímax, os elaborados estratagemas do enganador serão desmascarados, e será revelada a debilidade e falsidade de suas reivindicações. Demônios e homens vão reconhecer que há apenas um que é supremo, e que seu modo de agir no grande conflito visava a promover o bem eterno de Seu povo e do universo em geral (ver GC, 671)" (CBASD, vol. 4, p. 781).

segunda-feira, 7 de agosto de 2023

GUIA DOS EVENTOS FINAIS

Algo que fascina e intriga qualquer estudante da Bíblia são as profecias, principalmente aquelas que ainda estão por se cumprir. Como adventistas, temos uma visão muito ampla dos acontecimentos finais da história. Tão ampla que, às vezes, nos perdemos em meio ao grande volume de informações.

Para não se confundir, você encontra a seguir uma visão panorâmica dos eventos que antecederão a segunda vinda de Cristo. A sequência não é rígida, mas procura seguir a ordem mais lógica e natural dos acontecimentos mencionados na Bíblia e nos escritos de Ellen G. White. Momentos difíceis nos aguardam no futuro, mas a felicidade de estar com Jesus compensará tudo.

1. REAVIVAMENTO E REFORMA
Significa a completa mudança de mentalidade, hábitos e práticas entre o povo de Deus. Requisito para a chuva serôdia, só ocorrerá por meio de verdadeira conversão (Jl 2:12; 13, 23, 28, 29).

2. CHUVA SERÔDIA 
Concessão especial do poder do Espírito Santo, é semelhante à experiência do Pentecostes (Jl 2:23, 28-31; At 2) e indispensável para a conclusão da missão. Requer profunda consagração (Jl 2:12, 13, 15-17).

3. ALTO CLAMOR
Como resultado da chuva serôdia, a igreja desperta e se envolve intensamente na pregação global do evangelho eterno (Ap 14:6-12; 18:1), dando oportunidade para cada ser humano decidir sobre a própria salvação (Mt 24:14; Mc 16:15).

4. SACUDIDURA
A mornidão espiritual, as falsas doutrinas, a crise final e a perseguição gerada pelo decreto dominical vão "peneirar" o povo de Deus. O "trigo" permanece na igreja enquanto o "joio" sai dela e se une aos perseguidores (Am 9:9; Mt 13:24-30).

5. SELAMENTO
Conduzido pelo Espírito Santo, esse processo se inicia na conversão e termina com a morte do crente ou o fim do juízo pré-advento (Ef 1:13; 4:30). O selo invisível, que prepara a pessoa para o tempo da angústia (Ap 7:2 3), confirma que ela pertence a Deus e é fiel à Sua lei (Is 8:16; Ez 20:20).

6. DECRETO DOMINICAL E PERSEGUIÇÃO
A união do poder religioso (papado) com o político (Estados Unidos) resultará na imposição por lei da guarda do domingo (Ap 13). Os guardadores da lei de Deus serão perseguidos e terão que fugir das grandes cidades.

7. ENGANOS SATÂNICOS
O inimigo concentrará seus maiores esforços nos últimos dias, usando principalmente o espiritismo e o protestantismo desvirtuado. Porém, o clímax do engano ocorrerá no tempo de angústia, quando ele imitará os milagres e o retorno de Cristo (2Co 11:14; Mt 24:23-27).

8. TEMPO DE ANGÚSTIA PRÉVIO
Breve período, possivelmente entre o decreto dominical e o fechamento da porta da graça, quando tribulações deixarão o mundo perplexo (Lc 21:25, 26; Ellen G. White - Primeiros Escritos, p. 85, 86).

9. FIM DO TEMPO DA GRAÇA
Quando Cristo concluir o juízo pré-advento no Céu, os salvos terão sido selados na Terra e o destino eterno de cada ser humano estará definido (Ap 22:11). O Espírito Santo deixará de atuar no coração dos ímpios e começará o tempo de angústia e o derramamento das pragas.

10. TEMPO DE ANGÚSTIA E AS SETE PRAGAS
Depois de terminada a intercessão no Céu (Ap 15:5-8), haverá um período de aflição sem precedentes (Dn 12:1), em que os anjos não mais conterão a fúria dos homens, da natureza e do mal (Ap 7:1-3). As sete pragas castigarão apenas os ímpios. Com exceção, talvez, da sexta e sétima pragas, esses flagelos não terão alcance global (Ap 16).

11. DECRETO DE MORTE
Os ímpios culparão o povo de Deus pelas pragas. Os fiéis serão perseguidos com o apoio de um decreto de morte promulgado pela coalizão entre as duas bestas de Apocalipse 13.

12. ANGÚSTIA DE JACÓ
Com a perseguição batendo à porta, o povo de Deus passará por um breve período de intensa angústia, assim como Jacó (Gn 32:22-32; Jr 30:7). Eles clamarão pela certeza do perdão dos pecados e por livramento da perseguição. Deus estará com eles.

13. ARMAGEDOM
É a última batalha entre o bem e o mal, que incluirá aspectos políticos, militares e religiosos. Terá alcance global e ocorrerá entre a sexta e a sétima pragas (Ap 16:12-16). Cristo e seu povo triunfarão (Ap 19:11-21).

14. LIVRAMENTO
A sétima praga inclui relâmpagos, trovões, um terremoto gigantesco, chuva de granizo e outros fenômenos cataclísmicos (Ap 16:17-21). Colocará fim à perseguição e culminará com o juízo de Deus contra a Babilônia mística e a ressurreição especial dos que precisam testemunhar a volta de Cristo (Dn 12:2; Ap 1:7).

15. SEGUNDA VINDA DE CRISTO
Ela será visível, audível e gloriosa. Jesus virá numa nuvem branca acompanhado de todos os seus anjos (Mt 24:30; Ap 1:7) para ressuscitar os justos mortos, transformar os justos vivos (1Co 15:51, 52), fulminar os ímpios (2Ts 2:8) e levar os salvos para o Céu (1Ts 4:16, 17). Lá eles passarão mil anos (Ap 20:4), e retornarão com Cristo à Terra para testemunhar a destruição de pecado e pecadores (Ap 20:5; 7-15) e a restauração do planeta, no qual irão morar eternamente (Ap 21:1-4).

Fontes: O Grande Conflito e Eventos Finais, de Ellen G. White; e Preparação para a Crise Final (CPB, 2011), de Fernando Chaij 

Edição do texto: Eduardo Rueda (via Revista Adventista)

terça-feira, 27 de junho de 2023

A ÚLTIMA CRISE DA TERRA

O tempo presente é de dominante interesse para todo o vivente. Governadores e estadistas, homens que ocupam posições de confiança e autoridade, homens e mulheres pensantes de todas as classes, têm sua atenção posta nos acontecimentos que tomam lugar ao nosso redor. Estão observando as relações que existem entre as nações. Eles examinam a intensidade que está tomando posse de cada elemento terreno, e reconhecem que algo grande e decisivo está para acontecer — que o mundo está no limiar de uma crise estupenda. 

O mundo está-se tornando cada vez mais iníquo. Em breve surgirá grande perturbação entre as nações — perturbação que não cessará até que Jesus venha. Estamos no limiar da crise dos séculos. Em rápida sucessão os juízos de Deus se seguirão uns aos outros — fogo, inundações e terremotos, com guerras e derramamento de sangue. Há perante nós tempos tempestuosos, mas não pronunciemos uma só palavra de incredulidade ou desânimo.

As calamidades em terra e mar, as condições sociais agitadas, os rumores de guerra, são portentosos. Prenunciam a proximidade de acontecimentos da maior importância. As forças do mal estão-se arregimentando e consolidando-se. Elas se estão robustecendo para a última grande crise. Grandes mudanças estão prestes a operar-se no mundo, e os acontecimentos finais serão rápidos.

O tempo de angústia, que há de aumentar até o fim, está muito próximo. Não temos tempo a perder. O mundo está agitado com o espírito de guerra. O tempo de angústia — angústia qual nunca houve, desde que houve nação (Daniel 12:1) — está precisamente sobre nós, e somos semelhantes às virgens adormecidas. Acham-se diante de nós perplexidades com que dificilmente sonhamos. Devemos acordar e pedir que o Senhor Jesus ponha debaixo de nós os Seus braços eternos e nos conduza durante o tempo de provação à nossa frente.

O mundo está-se tornando cada vez mais iníquo. Em breve surgirá grande perturbação entre as nações — perturbação que não cessará até que Jesus venha. Estamos no limiar da crise dos séculos. Em rápida sucessão os juízos de Deus se seguirão uns aos outros — fogo, inundações e terremotos, com guerras e derramamento de sangue. Há perante nós tempos tempestuosos, mas não pronunciemos uma só palavra de incredulidade ou desânimo.

Deus sempre tem dado aos homens advertência dos juízos por vir. Aqueles que tiveram fé na mensagem por Ele enviada para seu tempo, e agiram segundo sua fé, em obediência aos Seus mandamentos, escaparam aos juízos que caíram sobre os desobedientes e incrédulos. 

A Noé veio a palavra: “Entra tu e toda a tua casa na arca, porque te hei visto justo diante de Mim” (Gênesis 7:1). Noé obedeceu, e foi salvo. A Ló foi enviada a mensagem: “Levantai-vos, saí deste lugar, porque o Senhor há de destruir a cidade” (Gênesis 19:14). Ló colocou-se sob a guarda dos mensageiros celestes, e foi salvo. Assim os discípulos de Cristo tiveram aviso da destruição de Jerusalém. Os que estavam alerta quanto ao sinal da próxima ruína, e fugiram da cidade, escaparam à destruição. Assim agora estamos dando aviso da segunda vinda de Cristo e da destruição impendente sobre o mundo. Os que ouvirem a advertência, serão salvos.

Antes de Sua crucifixão o Salvador explicou a Seus discípulos que Ele deveria ser morto, e do túmulo ressuscitar; anjos estavam presentes para gravar-lhes Suas palavras na mente e no coração (Marcos 8:31-32; Marcos 9:31; Marcos 10:32-34). Mas os discípulos aguardavam livramento temporal do jugo romano, e não podiam tolerar a idéia de que Aquele em quem se centralizavam todas as suas esperanças devesse sofrer uma morte ignominiosa. As palavras de que necessitavam lembrar-se, fugiram-lhes do espírito; e, ao chegar o tempo da prova, esta os encontrou desprevenidos. A morte de Cristo destruiu-lhes tão completamente as esperanças, como se Ele não os houvesse advertido previamente. 

Assim, nas profecias, o futuro se patenteia diante de nós tão claramente como se revelou aos discípulos pelas palavras de Cristo. Os acontecimentos ligados ao final do tempo da graça e obra de preparo para o período de angústia, acham-se claramente apresentados. Multidões, porém, não possuem maior compreensão destas importantes verdades do que teriam se nunca houvessem sido reveladas.

Devemos estudar os grandes sinais que indicam os tempos em que estamos vivendo. Os que se colocam sob a direção de Deus, para ser por Ele guiados, compreenderão a constante corrente dos acontecimentos que Ele ordenou. Precisamos ver na História o cumprimento da profecia, estudar as atuações da Providência nos grandes movimentos reformatórios e compreender a progressão dos acontecimentos na arregimentação das nações para o conflito final da grande controvérsia.

Deus estabeleceu, porém, um dia para o término da história deste mundo: “Será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então virá o fim.” A profecia se cumpre rapidamente. Mas, muito mais deve ser dito acerca destes assuntos tremendamente importantes. Perto está o dia em que será decidido para sempre o destino de toda alma. 

Deve-se fazer um grande esforço para manter este assunto perante o povo. O solene fato de que o dia do Senhor virá repentina e inesperadamente deve ser mantido não só perante as pessoas do mundo, mas também diante de nossas próprias igrejas. A terrível advertência da profecia é dirigida a toda alma. Ninguém julgue estar isento do perigo de ser apanhado de surpresa. Não permitais que a interpretação profética de pessoa alguma arrebate a convicção do conhecimento de ocorrências que revelam que este grande acontecimento está bem próximo.

Não somos agora capazes de descrever acuradamente as cenas a serem representadas em nosso mundo no futuro; isto, porém, sabemos: que este é um tempo em que precisamos velar em oração; pois o grande dia do Senhor está às portas. 

[Ellen G. White - Eventos Finais, pp. 11-17]

quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

RELÓGIO DO JUÍZO FINAL

O Relógio do Juízo Final, que mede simbolicamente o fim dos tempos, marcou, nesta terça-feira (24), que a humanidade jamais esteve tão perto do cataclismo planetário devido à guerra na Ucrânia, às tensões nucleares e à crise climática.

O Boletim dos Cientistas Atômicos, que descreve o relógio como uma "metáfora do quão próxima está a humanidade da auto aniquilação", moveu os ponteiros de 100 segundos para 90 segundos para a meia-noite.

A cada ano, a junta de ciência e segurança do Boletim e seus patrocinadores, entre os quais figuram 11 prêmios Nobel, tomam a decisão de reposicionar os ponteiros deste relógio simbólico. Até agora, o mais próximo que esteve da meia-noite, a hora fatídica que esperam que nunca chegue, tinha sido 100 segundos. O relógio permaneceu nessa posição por dois anos, desde janeiro de 2020.

Mas as coisas pioraram. Em um comunicado, o Boletim afirma que, neste ano, adianta os ponteiros "devido, em grande parte, mas não exclusivamente, à invasão da Ucrânia por parte da Rússia e ao maior risco de uma escalada nuclear". Também pesam "as ameaças contínuas representadas pela crise climática e o colapso das normas e instituições globais necessárias para mitigar os riscos associados com o avanço das tecnologias e as ameaças biológicas como a covid-19", acrescentou.

Quando o Relógio do Juízo Final foi criado, em 1947, depois da Segunda Guerra Mundial, faltavam sete minutos para a meia-noite. O relógio chegou a ficar a 17 minutos para o horário do apocalipse depois do fim da Guerra Fria, em 1991.

O Boletim dos Cientistas Atômicos foi fundado em 1945 por Albert Einstein, J. Robert Oppenheimer e outros cientistas que trabalharam no Projeto Manhattan, que produziu as primeiras armas nucleares. (G1)


O pastor Odailson Fonseca analisou com muita sabedoria o comunicado dos cientistas:

"É só uma ilustração. No entanto, os cientistas estão realmente alarmados com o futuro. ⁣Nada novo para quem já sabe que será feito tudo novo (Ap 21:5), concorda? Mesmo assim, refletir profundamente sobre a nossa vida na balança virou uma emergência. “Visto que tudo será desfeito, que tipo de pessoas é necessário que vocês sejam? Vivam de maneira santa e piedosa, esperando o dia de Deus e apressando a sua vinda” (2Pe 3:11,12). Que estes ponteiros também mexam com as nossas decisões. Já foi o tempo da soneca à beira do abismo. Despertemos agora enquanto o Altíssimo ainda segura os ventos.⁣.. Chegou a hora.⁣ Se estamos a somente 90 segundos do Filho do Homem rasgar céus e terra, não é momento para distração, desunião, inveja, competição e incoerência. Guardemos as canetadas e afrouxemos as gravatas da retórica. Cristo está voltando! Foquemos no que importa. (via instagram)

⁣Para nós, a vinda do fim tem a ver com a consumação do Reino de Deus (1Co 15:24), e não com guerras, epidemias e agitações políticas (“mas ainda não é o fim”; Mt 24:6; Lc 21:11) ou com riscos relacionados ao meio ambiente e às mudanças climáticas. Para isso, o evangelho do Reino será pregado por todo o mundo, “então, virá o fim” (Mt 24:14). A Bíblia enfatiza Cristo, Seu Reino, Sua Igreja e Sua missão. Para nós, Cristo é o ‘evento’ que mais importa nestes “últimos segundos para a meia-noite”.

"É necessário que os terrores do dia de Deus sejam mantidos diante de nós, a fim de sermos compelidos à ação correta pelo medo? Não devia ser assim. Jesus é atraente” (Ellen G. White, Review and Herald, 02/08/1881).

segunda-feira, 16 de janeiro de 2023

PROFECIA "DIFÍCIL" DE ACREDITAR

Ao lermos o livro O Grande Conflito, de Ellen G. White, capítulo 1, encontramos Cristo no topo do Monte das Oliveiras contemplando Jerusalém e seu magnífico templo, chorando incontrolavelmente. Nós ouvimos Suas palavras enquanto Ele se dirige à cidade condenada:

"Ah! Se você soubesse, ainda hoje, o que é preciso para conseguir a paz! Mas isto está agora oculto aos seus olhos. Pois virão dias em que os seus inimigos cercarão você de trincheiras e apertarão o cerco por todos os lados; e vão arrasar você e matar todos os seus moradores. Não deixarão pedra sobre pedra, porque você não reconheceu o tempo em que Deus veio visitá-la" (Lucas 19:42-44, NAA).

Na época em que essa profecia foi proferida, parecia totalmente impossível que ela fosse cumprida. As muralhas da cidade eram altas e bem fortificadas. O templo era uma visão espetacular, brilhando em branco e dourado.

No entanto, apenas 40 anos depois que a triste profecia de Cristo foi proferida, ela foi cumprida exatamente como predita. A pena inspirada dá esta descrição horrível:

"Era um espetáculo pavoroso... Todo o cimo da colina que dominava a cidade, chamejava como um vulcão. Um após outro caíram os edifícios, com tremendo fragor, e foram absorvidos pelo ígneo abismo. Os tetos de cedro assemelhavam-se a lençóis de fogo; os pináculos dourados resplandeciam como pontas de luz vermelha; as torres dos portais enviavam para cima altas colunas de chama e fumo. As colinas vizinhas se iluminavam; e grupos obscuros de pessoas foram vistas a observar com horrível ansiedade a marcha da destruição... As aclamações da soldadesca romana, enquanto corriam de uma para outra parte, e o gemido dos rebeldes que estavam perecendo nas chamas, misturavam-se com o rugido da conflagração e o rumor trovejante do madeiramento que caía... ao longo de todo o muro ressoavam alaridos e prantos..." (O Grande Conflito, p. 34).

Surpreendentemente, porém, nenhum cristão morreu na destruição. Como eles escaparam? Cristo dera advertência a Seus discípulos e todos os que criam em Suas palavras aguardavam o sinal prometido. Ele disse: "Quando, porém, vocês virem Jerusalém sitiada de exércitos, saibam que está próxima a sua devastação. Então os que estiverem na Judeia fujam para os montes; os que se encontrarem dentro da cidade saiam dela; e os que estiverem nos campos não entrem na cidade" (Lucas 21:20-21, NAA).

A história nos conta que os romanos, sob o comando de Céstio, cercaram a cidade; então, de repente, eles se retiraram inesperadamente. Ellen White escreve: "Entretanto, a misericordiosa providência de Deus estava dirigindo os acontecimentos para o bem de Seu próprio povo. O sinal prometido fora dado aos cristãos expectantes, e agora se proporcionou a todos oportunidade para obedecer ao aviso do Salvador" (O Grande Conflito, p. 30).

Quando os romanos retornaram sob o comando de Tito, todos os que atenderam ao aviso do Salvador já haviam fugido.

A profecia nos adverte que essas cenas se repetirão, mas de uma forma muito maior. Nós lemos: "A profecia do Salvador relativa aos juízos que deveriam cair sobre Jerusalém há de ter outro cumprimento, do qual aquela terrível desolação não foi senão tênue sombra. Na sorte da cidade escolhida podemos contemplar a condenação de um mundo que rejeitou a misericórdia de Deus e calcou a pés a Sua lei... Terríveis têm sido os resultados da rejeição da autoridade do Céu. Entretanto, cena ainda mais tenebrosa se apresenta nas revelações do futuro" (O Grande Conflito, p. 36).

No entanto, não precisamos temer! Assim como Jesus alertou Seus seguidores sobre a destruição de Jerusalém, "Ele também advertiu o mundo quanto ao dia da destruição final, e lhes deu sinais de sua aproximação para que todos os que queiram, possam fugir da ira vindoura" (O Grande Conflito, p. 37).

Assim como o povo de Deus foi liberto da destruição de Jerusalém, Seu povo, aqueles que ouvem e obedecem à Sua voz hoje, serão salvos da destruição vindoura.

Você vê os sinais de Sua vinda? Você acredita que o fim está próximo? Você está pronto para a tempestade que está prestes a cair sobre o mundo, "implacável em sua fúria?" (Testemunhos para a Igreja, v. 8, p. 315).

Você pode estar. A Bíblia nos garante, "Creiam no Senhor, seu Deus, e vocês estarão seguros; creiam nos profetas do Senhor e vocês serão bem-sucedidos" (2 Crônicas 20:20).

Concluindo com estas duas maravilhosas orientações de Ellen White: 

"Deus sempre tem dado aos homens advertência dos juízos por vir. Aqueles que tiveram fé na mensagem por Ele enviada para seu tempo, e agiram segundo sua fé, em obediência aos Seus mandamentos, escaparam aos juízos que caíram sobre os desobedientes e incrédulos. A Noé veio a palavra: "Entra tu e toda a tua casa na arca, porque te hei visto justo diante de Mim" (Gn 7:1). Noé obedeceu, e foi salvo. A Ló foi enviada a mensagem: "Levantai-vos, saí deste lugar, porque o Senhor há de destruir a cidade" (Gn 19:14). Ló colocou-se sob a guarda dos mensageiros celestes, e foi salvo. Assim os discípulos de Cristo tiveram aviso da destruição de Jerusalém. Os que estavam alerta quanto ao sinal da próxima ruína, e fugiram da cidade, escaparam à destruição. Assim agora estamos dando aviso da segunda vinda de Cristo e da destruição impendente sobre o mundo. Os que ouvirem a advertência, serão salvos" (O Desejado de Todas as Nações, p. 634).

"Perto está o dia em que será decidido para sempre o destino de toda alma. Deve-se fazer um grande esforço para manter este assunto perante o povo. O solene fato de que o dia do Senhor virá repentina e inesperadamente deve ser mantido não só perante as pessoas do mundo, mas também diante de nossas próprias igrejas. A terrível advertência da profecia é dirigida a toda alma. Ninguém julgue estar isento do perigo de ser apanhado de surpresa. Não permitais que a interpretação profética de pessoa alguma arrebate a convicção do conhecimento de ocorrências que revelam que este grande acontecimento está bem próximo" (Fundamentos da Educação Cristã, pp. 335 e 336).

[Texto adaptado de Notícias Adventistas]

sexta-feira, 13 de janeiro de 2023

FILHOS NO TEMPO DO FIM

A maternidade, que até pouco tempo atrás era um “caminho natural” para toda mulher, tem sido cada vez mais questionada, adiada ou nem mesmo entrado nos planos. Medo de perder a liberdade, dificuldades econômicas ou preocupação com o meio ambiente são algumas das razões apontadas para não ter filhos atualmente. Entre os sem filhos também há aqueles que não apenas lutam para que sua escolha vital seja respeitada, mas tentam convencer que sua decisão é a moralmente correta. Desigualdades sociais, racismo, delinquência, pobreza, medo de transmitir uma doença, também são alguns dos motivos usados ​​para renunciar à prole pensando no sofrimento da criança hipotética. Dados fornecidos pela Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) junto à Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE, o número de casais sem filhos teve aumento de 13,5% para 18,8% num período de dez anos.

Diante dos perigos dos últimos dias, a questão que fica para os cristãos a respeito desse assunto tão recorrente e polêmico é: ter ou não ter filhos neste tempo do fim? O que a Bíblia e o Espírito de Profecia dizem sobre esse tema tão complexo?

A Palavra de Deus predisse que o tempo do fim seria marcado por guerras, terremotos, fome, epidemias e terror (Dn 8:17, 19; Lc 21:9, 10, 11, 26). A Bíblia alertou também que esse período decisivo na história humana seria um tempo de grandes mudanças sociais. Transtornos na vida familiar e imoralidade sexual estariam entre as coisas “difíceis de manejar” nestes críticos últimos dias (2Tm 3:1-5; Lc 17:28-30; Jd 1:7). Por que, neste tempo do fim, esses fatos tão amplos e poderosos poderiam influenciar a decisão dos cristãos quanto a ter ou não ter filhos?

Ellen G. White apoiou amplamente o plano original de Deus em relação ao matrimônio e a paternidade com bênçãos divinas para o homem. Ela comprovou com seu próprio exemplo ao casar-se e ter quatro filhos. Com respeito a oportunidade de ter ou não ter filhos neste tempo, é evidente que não vamos encontrar uma citação direta. Ellen White não escreveu muito acerca de ter filhos no tempo do fim, apesar de mencionar a atuação dos filhos e jovens ao serem usados por Deus na pregação final do evangelho.

“Nas cenas finais da história deste mundo, muitas destas crianças e jovens encherão de admiração o povo pelo seu testemunho em favor da verdade, o qual será dado de modo simples, no entanto com espírito e poder. Foi-lhes ensinado o temor do Senhor, e o coração se lhes abrandou por um estudo da Bíblia cuidadoso e acompanhado de oração. No próximo futuro, muitas crianças serão revestidas do Espírito Santo, e farão na proclamação da verdade ao mundo uma obra que, naquela ocasião, não pode bem ser feita pelos membros mais idosos das igrejas” (Conselhos aos Pais Professores e Estudantes, p. 166).

Ellen White também menciona que Deus permitirá que alguns filhos descansem antes dos tempos difíceis e finais.

“Frequentemente o Senhor me tem revelado que muitos pequeninos hão de ser levados ao descanso antes do tempo de angústia. Veremos nossos filhos outra vez. Encontrar-nos-emos com eles e os reconheceremos nas cortes celestes. Ponde no Senhor a vossa confiança, e não temais" (Carta 196, 1899 - Orientação da Criança, p. 566).

Ao verificarmos o que Ellen White escreveu sobre matrimônio e família (O Lar Adventista) e sobre filhos e paternidade (Orientação da Criança), não vemos nada que possamos supor que o plano do Senhor para os matrimônios é que evitem ter filhos. Presume-se que esses temas delicados são deixados para consideração da consciência de cada um, a busca por uma resposta concreta em oração e reflexão.

Também é fato que Ellen White notava de maneira muito conveniente que alguns matrimônios que ela conhecia, optaram por não ter filhos. As seguintes declarações ilustram essa questão:

“O egoísmo, que se manifesta de variadas formas, segundo as circunstâncias e a constituição peculiar dos indivíduos, deve morrer. Se tivessem filhos, e seu pensamento fosse compelido a desviar-se de si mesmo para o cuidado deles, para instruí-los e ser-lhes um exemplo, ter-lhes-ia sido isso uma vantagem. [...] O cuidado de crianças em uma família exige bastante tempo no lar, com as atenções comuns da vida doméstica, dando oportunidade para o cultivo da mente e do coração” (Testemunhos para a Igreja, vol. 2, pp. 230-231).

“Daquilo que me foi mostrado, os adventistas guardadores do sábado têm um fraco sendo do imenso lugar que o mundo e o egoísmo ocupam em seu coração. Se têm desejo de fazer o bem o glorificar a Deus, há muitos modos de fazê-lo. Mas vocês não sentiram que esse é o resultado da verdadeira religião. Esse é o fruto que cada árvore boa produzirá. Não perceberam que lhes é requerido interessar-se pelos outros, considerar os casos deles como se fossem seus, e manifestar interesse altruísta por aqueles que estão em maior necessidade de ajuda. Vocês não têm se achegado aos mais necessitados. Se tivessem filhos próprios para exercitarem cuidado, afeição e amor, não estariam tão encerrados em si mesmos com seus interesses pessoais. Se os que não têm filhos e a quem Deus fez mordomos de recursos, abrissem o coração para amparar crianças que necessitam de amor, cuidado e afeição e de serem ajudadas com os bens deste mundo, poderiam ser muito mais felizes do que são hoje” (Testemunhos para a Igreja, vol. 2, p. 328-329).

Há uma carta que menciona o tema de forma direta, e um dos parágrafos foi publicado numa compilação dos escritos de Ellen White:

“Na realidade não é prudente ter filhos agora. O tempo é curto, os perigos dos últimos dias estão sobre nós, e as criancinhas, em grande parte, serão levadas antes disso” (Carta 48, 1876 - Eventos Finais, p. 36).

Até onde se pode constatar, essa é a única consideração sobre o tema nos escritos de Ellen White. É pertinente verificar que, mais do que em qualquer outra apresentação, as cartas pessoais devem ser analisadas em seu contexto e em harmonia com as circunstâncias que as motivaram. Assim, impõe-se a necessidade de complementar de maneira breve as informações relativas aos conselhos de Ellen White acerca de não ter filhos no tempo do fim.

Esse parágrafo da obra Eventos Finais foi retirado de uma carta de três páginas do Arquivo de Cartas e Manuscritos do Centro White (Carta 48, 1876). Ellen White se dirige nessa ocasião ao pastor Van Horn e sua esposa Adélia. Suas palavras são proferidas com compaixão, porém também são firmes, e ao escrever, ela se manifesta com um sentimento de pena. A família Van Horn tinha ido trabalhar em Oregon, onde uma grande obra evangelizadora a esperava. Ao mesmo tempo, Ellen White os adverte que Satanás tinha planos para frustrar os propósitos de Deus.

A maior parte da carta se aplica especialmente a Adélia, uma mulher com grandes talentos, mas ao mesmo tempo com perigosas limitações. A irmã White a descreve como uma pessoa emotiva, perigosa, às vezes negligente e muito ansiosa. Ellen White lhe diz que o cuidado dos filhos intensifica ainda mais essas características e cessa a obra que ela poderia realizar.

“Adélia, meu coração sente muito pesar porque você tem falhado, porque rouba a Deus. Você é naturalmente temerosa e se apossa de dificuldades emprestadas. Você não poderia ter descanso ou paz mental separada dos seus filhos, e por sua disposição ansiosa, o caminho para a realização da sua obra se fechou. E isso não é tudo: o trabalho é grandemente realizado de maneira descuidada.”

É evidente que o conselho de não ter filhos se dirige a uma mulher com características peculiares e com desafios especiais como esposa de pastor. Não parece sensato aplicar esses conselhos a todos os matrimônios em qualquer circunstância. De qualquer maneira, apesar das exigências da obra de Deus e da adequação pessoal para uma paternidade responsável, é um dever inevitável para todo filho de Deus que está avaliando o fato de trazer filhos ao mundo nesse tempo especial.

A paternidade é, sem dúvida, um privilégio e uma sagrada responsabilidade. Porque os filhos hão de ser preparados para este tempo e para a eternidade.

“A todos os pais que professam crer na breve volta de Cristo, é dada uma solene obra de preparo, para que eles e seus filhos possam estar prontos para receber o Senhor, na Sua vinda" (Nos Lugares Celestiais, p. 212).

Sobre esses assuntos complexos, o Pai do céu outorgará sabedoria do alto a todos os que agirem com humildade.

[Com informações do Centro White]

segunda-feira, 24 de outubro de 2022

O SEGREDO PARA SE MANTER FIEL NO TEMPO DO FIM

"À lei e aos mandamentos! Se eles não falarem conforme esta palavra, vocês jamais verão a luz!” (Is 8:20). O povo de Deus é encaminhado às Santas Escrituras como salvaguarda contra a influência dos falsos ensinadores e do poder ilusório dos espíritos das trevas.

Satanás emprega todo artifício possível para impedir as pessoas de obter conhecimento da Bíblia; pois os claros ensinos dela põem a descoberto seus enganos. Em todo avivamento da obra de Deus, o príncipe do mal está desperto para a atividade mais intensa; aplica atualmente todos seus esforços em preparar-se para a luta final contra Cristo e Seus seguidores.

O último grande engano deve logo patentear-se diante de nós. O anticristo vai operar suas obras maravilhosas à nossa vista. Tão meticulosamente a contrafação se parecerá com o verdadeiro que será impossível distinguir entre ambos sem o auxílio das Escrituras Sagradas. Pelo testemunho da Palavra de Deus toda declaração e todo prodígio deverão ser avaliados e provados.

Os que se esforçam por obedecer a todos os mandamentos de Deus defrontarão oposição e escárnio. Somente em Deus lhes será possível subsistir. A fim de suportarem a prova que diante deles está, devem compreender a vontade do Senhor como se acha revelada em Sua Palavra; somente poderão honrá-Lo tendo uma concepção correta de Seu caráter, governo e propósitos, e agindo de acordo com esses. Pessoa alguma poderá resistir no último grande conflito, a não ser os que fortaleceram a mente com as verdades das Escrituras.

A toda pessoa virá a inquiridora prova: obedecerei a Deus de preferência aos homens? A hora decisiva está mesmo agora às portas. Estão nossos pés firmados na rocha da imutável Palavra divina? Estamos preparados para permanecer firmes em defesa dos mandamentos de Deus e da fé de Jesus?

Antes de Sua crucifixão, o Salvador explicou a Seus discípulos que Ele deveria ser morto, e do túmulo ressuscitar. Anjos estavam presentes para gravar Suas palavras na mente e no coração deles. Mas os discípulos aguardavam livramento temporal do jugo romano, e não podiam tolerar a ideia de que Aquele em quem se centralizavam todas suas esperanças devesse sofrer morte vergonhosa. As palavras de que necessitavam lembrar-se fugiram-lhes da mente; e, ao chegar o tempo da prova, esta os encontrou desprevenidos. A morte de Cristo destruiu-lhes tão completamente as esperanças como se Ele não os houvesse advertido previamente.

Assim, nas profecias, o futuro se patenteia diante de nós tão claramente como se revelou aos discípulos pelas palavras de Cristo. Os acontecimentos ligados ao fim do tempo da graça e a obra de preparo para o período de angústia acham-se claramente apresentados. Porém, multidões não possuem maior compreensão dessas importantes verdades do que teriam se nunca houvessem sido reveladas. Satanás vigia para impedir toda impressão que os faria sábios para a salvação, e o tempo de angústia os encontrará sem o devido preparo.

AUTORIDADE HUMANA X DIVINA
Quando Deus envia aos seres humanos advertências tão importantes que são representadas como proclamadas por santos anjos a voar pelo meio do céu, Ele requer que toda pessoa dotada de faculdade de raciocínio atenda à mensagem. Os terríveis juízos pronunciados contra o culto à besta e sua imagem (Ap 14:9-11) deveriam levar todos a diligente estudo das profecias para aprender o que é o sinal da besta e como devem evitar recebê-lo.

Contudo, as massas populares tapam os ouvidos à verdade, preferindo as fábulas. Olhando para os últimos dias, o apóstolo Paulo declarou: “Virá tempo em que não sofrerão a sã doutrina” (2Tm 4:3). Já chegamos a esse tempo. As multidões rejeitam a verdade das Escrituras, por ser ela contrária aos desejos do coração pecaminoso; e Satanás lhes oferece os enganos que desejam.

Entretanto, Deus terá sobre a Terra um povo que mantenha a Bíblia, e a Bíblia somente, como norma de todas as doutrinas e base de todas as reformas. As opiniões de homens ilustrados, as deduções da ciência, os credos ou as decisões dos concílios eclesiásticos, tão numerosos e discordantes como são as igrejas que representam a voz da maioria – nenhuma dessas coisas, nem todas em conjunto, deveriam considerar-se como prova em favor ou contra qualquer ponto de fé religiosa. Antes de aceitar qualquer doutrina ou preceito, devemos pedir em seu apoio um claro “Assim diz o Senhor”.

Satanás se esforça constantemente por atrair a atenção para o homem, em lugar de Deus. Ele induz o povo a olhar para os bispos, pastores, professores de teologia, como seus guias, em vez de examinarem as Escrituras a fim de que, por si mesmos, aprendam seu dever. Então, dominando a mente desses dirigentes, o diabo pode influenciar as multidões de acordo com sua vontade.

Quando Cristo veio para falar as palavras de vida, o povo comum O ouvia alegremente; e muitos, mesmo dos sacerdotes e príncipes, creram Nele. Mas os líderes máximos da nação estavam decididos a condenar e repudiar os ensinos Dele. Fossem embora frustrados todos seus esforços para encontrar acusações contra Ele, e sem mesmo poder fugir à influência do poder e sabedoria divinos, que acompanhavam Suas palavras, encerraram-se, entretanto, no preconceito; rejeitaram a mais clara evidência de Seu caráter messiânico, receosos de que fossem constrangidos a se tornarem Seus discípulos.

Esses oponentes de Jesus eram homens que, desde a infância, o povo havia sido ensinado a reverenciar e a cuja autoridade os israelitas haviam se acostumado implicitamente a se curvarem. Eles perguntavam: “Como é que nossos príncipes e doutos escribas não creem em Jesus? Não O receberiam esses homens piedosos se Ele fosse o Cristo?” Foi a influência desses ensinadores que levou a nação judaica a rejeitar seu Redentor.

O espírito que atuava naqueles sacerdotes e príncipes ainda é manifesto por muitos que fazem alta profissão de piedade. Eles se recusam a examinar o testemunho das Escrituras relacionados às verdades especiais para este tempo. Apontam para seu número, riqueza e popularidade, e olham com desdém os defensores da verdade, sendo esses poucos, pobres e impopulares, e que sustentam uma fé que os separa do mundo.

Cristo previu que aquela postura de acatar a autoridade humana não se limitaria a seu tempo. Olhando profeticamente, Ele viu que, no futuro, a obra de exaltação da autoridade humana teria o objetivo de controlar a consciência individual, postura que tem sido uma terrível maldição para a igreja em qualquer época. É por isso que as tremendas acusações de Jesus contra os escribas e fariseus, bem como as advertências Dele ao povo para que não seguisse aqueles guias cegos, foram registradas como aviso às gerações futuras. [...]

FUNDAMENTADOS NA PALAVRA
Deus nos deu Sua Palavra para que pudéssemos nos familiarizar com Seus ensinos e saber, por nós mesmos, o que Ele requer de nós. Quando o doutor foi ter com Jesus com a pergunta: “Que farei para herdar a vida eterna?”, o Salvador lhe fez referência às Escrituras, dizendo: “Que está escrito na lei? Como lês?” A ignorância não desculpará jovens nem idosos, nem os livrará do castigo devido pela transgressão da lei de Deus, pois têm ao seu alcance uma exposição fiel daquela lei, de Seus princípios e requisitos.

Não basta termos boas intenções; não basta fazermos o que se julga ser direito, ou o que o ministro diz ser correto. A salvação de nossa alma está em jogo, e devemos examinar as Escrituras por nós mesmos. Por mais fortes que possam ser nossas convicções, por maior confiança que tenhamos de que o ministro sabe o que é a verdade, não seja esse nosso fundamento. Na jornada em direção ao Céu, temos um mapa dando todas as indicações do caminho, e não devemos conjeturar a respeito de coisa alguma. [...]

Estamos vivendo no período mais solene da história deste mundo. O destino das imensas multidões da Terra está prestes a ser decidido. Nosso próprio bem-estar futuro, e também a salvação de outras pessoas dependem do caminho que agora seguimos. Necessitamos ser guiados pelo Espírito da verdade. Todo seguidor de Cristo deve fervorosamente perguntar: “Senhor, que queres que eu faça?”

Precisamos nos humilhar perante o Senhor, com jejum e oração, e meditar muito em Sua Palavra, especialmente nas cenas do juízo. Cumpre-nos buscar agora uma experiência profunda e viva nas coisas de Deus. Não temos um momento a perder. Acontecimentos de importância vital estão a ocorrer ao redor de nós; estamos no terreno encantado de Satanás. Não durmam, sentinelas de Deus! O adversário está perto, de emboscada, pronto para a qualquer momento, caso haja negligência e sonolência, saltar sobre vocês.

Muitos estão enganados quanto à sua verdadeira condição diante de Deus. Orgulham-se dos maus atos que não cometem; porém, se esquecem de enumerar as boas e nobres ações que Deus exige deles, mas negligenciaram cumprir. Não basta que sejam árvores no jardim de Deus. Devem corresponder à Sua expectativa, produzindo frutos. Ele os responsabiliza pela sua falta em cumprir todo o bem que poderiam fazer, mediante Sua graça que os fortalece. Nos livros do Céu, a vida dessas pessoas está registrada como uma árvore que em vão ocupa o terreno. Contudo, mesmo o caso dessa classe não é inteiramente desesperador. […]

Quando o tempo de prova vier, serão revelados os que fizeram da Palavra de Deus sua regra de vida. No verão, nenhuma diferença se nota entre os ciprestes e as outras árvores; porém, ao soprarem as rajadas hibernais, os ciprestes permanecem inalteráveis, enquanto as outras árvores perdem a folhagem.

Assim, aquele que com coração falso professa a religião pode agora não ser diferente do cristão verdadeiro; contudo, está diante de nós justamente o tempo em que a diferença entre eles aparecerá. Levante-se a oposição, de novo exerçam domínio o fanatismo e a intolerância, acenda-se a perseguição, e os insinceros e hipócritas vacilarão, renunciando a fé. No entanto, o verdadeiro cristão permanecerá firme como uma rocha, tornando sua fé mais forte e sua esperança mais viva do que nos dias da prosperidade.

Este artigo foi extraído das páginas 593 a 602 do livro O Grande Conflito de Ellen G. White.

terça-feira, 20 de setembro de 2022

EVENTOS FINAIS

Algo que fascina e intriga qualquer estudante da Bíblia são as profecias, principalmente aquelas que ainda estão por se cumprir. Como adventistas, temos uma visão muito ampla dos acontecimentos finais da história. Tão ampla que, às vezes, nos perdemos em meio ao grande volume de informações.

Para não se confundir, você encontra a seguir uma visão panorâmica dos eventos que antecederão a segunda vinda de Cristo. A sequência não é rígida, mas procura seguir a ordem mais lógica e natural dos acontecimentos mencionados na Bíblia e nos escritos de Ellen G. White. Momentos difíceis nos aguardam no futuro, mas a felicidade de estar com Jesus compensará tudo.

1. REAVIVAMENTO E REFORMA
Significa a completa mudança de mentalidade, hábitos e práticas entre o povo de Deus. Requisito para a chuva serôdia, só ocorrerá por meio de verdadeira conversão (Jl 2:12; 13, 23, 28, 29).

2. CHUVA SERÔDIA 
Concessão especial do poder do Espírito Santo, é semelhante à experiência do Pentecostes (Jl 2:23, 28-31; At 2) e indispensável para a conclusão da missão. Requer profunda consagração (Jl 2:12, 13, 15-17).

3. ALTO CLAMOR
Como resultado da chuva serôdia, a igreja desperta e se envolve intensamente na pregação global do evangelho eterno (Ap 14:6-12; 18:1), dando oportunidade para cada ser humano decidir sobre a própria salvação (Mt 24:14; Mc 16:15).

4. SACUDIDURA
A mornidão espiritual, as falsas doutrinas, a crise final e a perseguição gerada pelo decreto dominical vão "peneirar" o povo de Deus. O "trigo" permanece na igreja enquanto o "joio" sai dela e se une aos perseguidores (Am 9:9; Mt 13:24-30).

5. SELAMENTO
Conduzido pelo Espírito Santo, esse processo se inicia na conversão e termina com a morte do crente ou o fim do juízo pré-advento (Ef 1:13; 4:30). O selo invisível, que prepara a pessoa para o tempo da angústia (Ap 7:2 3), confirma que ela pertence a Deus e é fiel à Sua lei (Is 8:16; Ez 20:20).

6. DECRETO DOMINICAL E PERSEGUIÇÃO
A união do poder religioso (papado) com o político (Estados Unidos) resultará na imposição por lei da guarda do domingo (Ap 13). Os guardadores da lei de Deus serão perseguidos e terão que fugir das grandes cidades.

7. ENGANOS SATÂNICOS
O inimigo concentrará seus maiores esforços nos últimos dias, usando principalmente o espiritismo e o protestantismo desvirtuado. Porém, o clímax do engano ocorrerá no tempo de angústia, quando ele imitará os milagres e o retorno de Cristo (2Co 11:14; Mt 24:23-27).

8. TEMPO DE ANGÚSTIA PRÉVIO
Breve período, possivelmente entre o decreto dominical e o fechamento da porta da graça, quando tribulações deixarão o mundo perplexo (Lc 21:25, 26; Ellen G. White - Primeiros Escritos, p. 85, 86).

9. FIM DO TEMPO DA GRAÇA
Quando Cristo concluir o juízo pré-advento no Céu, os salvos terão sido selados na Terra e o destino eterno de cada ser humano estará definido (Ap 22:11). O Espírito Santo deixará de atuar no coração dos ímpios e começará o tempo de angústia e o derramamento das pragas.

10. TEMPO DE ANGÚSTIA E AS SETE PRAGAS
Depois de terminada a intercessão no Céu (Ap 15:5-8), haverá um período de aflição sem precedentes (Dn 12:1), em que os anjos não mais conterão a fúria dos homens, da natureza e do mal (Ap 7:1-3). As sete pragas castigarão apenas os ímpios. Com exceção, talvez, da sexta e sétima pragas, esses flagelos não terão alcance global (Ap 16).

11. DECRETO DE MORTE
Os ímpios culparão o povo de Deus pelas pragas. Os fiéis serão perseguidos com o apoio de um decreto de morte promulgado pela coalizão entre as duas bestas de Apocalipse 13.

12. ANGÚSTIA DE JACÓ
Com a perseguição batendo à porta, o povo de Deus passará por um breve período de intensa angústia, assim como Jacó (Gn 32:22-32; Jr 30:7). Eles clamarão pela certeza do perdão dos pecados e por livramento da perseguição. Deus estará com eles.

13. ARMAGEDOM
É a última batalha entre o bem e o mal, que incluirá aspectos políticos, militares e religiosos. Terá alcance global e ocorrerá entre a sexta e a sétima pragas (Ap 16:12-16). Cristo e seu povo triunfarão (Ap 19:11-21).

14. LIVRAMENTO
A sétima praga inclui relâmpagos, trovões, um terremoto gigantesco, chuva de granizo e outros fenômenos cataclísmicos (Ap 16:17-21). Colocará fim à perseguição e culminará com o juízo de Deus contra a Babilônia mística e a ressurreição especial dos que precisam testemunhar a volta de Cristo (Dn 12:2; Ap 1:7).

15. SEGUNDA VINDA DE CRISTO
Ela será visível, audível e gloriosa. Jesus virá numa nuvem branca acompanhado de todos os seus anjos (Mt 24:30; Ap 1:7) para ressuscitar os justos mortos, transformar os justos vivos (1Co 15:51, 52), fulminar os ímpios (2Ts 2:8) e levar os salvos para o Céu (1Ts 4:16, 17). Lá eles passarão mil anos (Ap 20:4), e retornarão com Cristo à Terra para testemunhar a destruição de pecado e pecadores (Ap 20:5; 7-15) e a restauração do planeta, no qual irão morar eternamente (Ap 21:1-4).

Fontes: O Grande Conflito e Eventos Finais, de Ellen G. White; e Preparação para a Crise Final (CPB, 2011), de Fernando Chaij 

Edição do texto: Eduardo Rueda (via Revista Adventista)

Ilustração: Phil McKay - The Three Angels

quarta-feira, 11 de maio de 2022

NÃO VAI TARDAR

A questão sobre o suposto atraso da vinda de Cristo é complexa, e seria necessário muito tempo para uma discussão detalhada. Aqui apresento apenas os elementos que devem ser tomados em consideração ao procurar responder a essa preocupação.
 
1. Atraso? Por alguma razão, muitos presumem que Jesus tenha atrasado Seu retorno em glória. A tendência geral tem sido culpar a condição espiritual da igreja: ainda estamos aqui devido ao nosso fracasso espiritual. Dá-se então a impressão de que, se mudarmos essa situação, o Senhor virá. Mas e se Jesus não tiver atrasado Sua vinda? Há na Bíblia alguma evidência que indique que Deus esteja adiando a retorno de Cristo? Não parece ser o caso. Podemos afirmar com certeza: entre a primeira vinda e a segunda epifania de Cristo, Ele está realizando Seu trabalho sacerdotal no Céu, e a igreja está cumprindo sua missão na Terra.
 
2. A missão da igreja. Cristo disse claramente aos Seus discípulos que o tempo entre Suas duas aparições deveria ser preenchido com a missão da igreja (Mt 24:45, 46; At 1:8). Foi exatamente no contexto de tentar descobrir quando Cristo estabeleceria Seu reino que Ele indicou a missão da igreja, proibindo assim especulações sobre o tema (At 1:6, 7). Ele sabia que os debates sobre o tempo da Sua vinda distrairiam Seu povo do cumprimento da missão, causando divisões e criando conflitos entre eles. Segundo Jesus, aqueles que dizem “Meu Senhor está demorando” são os que suscitam controvérsias e prejudicam outros (Mt 24:48, 49). Portanto, Cristo enfatizou a missão, não a especulação nem a fixação de datas em relação ao Seu retorno. 
 
3. Sacerdócio de Cristo. Após Sua ascensão, Jesus assentou-Se à direita do Pai e deu início ao Seu trabalho sacerdotal (At 2:32, 33; Hb 4:14; 8:1). Ele está lá intercedendo por nós, disponibilizando aos pecadores arrependidos os benefícios expiatórios da Sua morte substitutiva (Rm 8:34; Hb 7:25; 9:24). No início do Seu trabalho sacerdotal, o primeiro pedido de Cristo ao Pai foi enviar ao Seu povo na Terra o Espírito Santo, habilitando-o assim a cumprir sua missão. O Pai atendeu ao pedido do Filho (At 1, 8; 2:33). Cristo permaneceria lá até o momento de restaurar todas as coisas (At 3:21; 2:34, 35), a consumação de Sua obra salvadora (cf. Ef 1:10). Agora Ele é inacessível ao olho humano natural, mas, uma vez terminado Seu trabalho no santuário celestial, “aparecerá [harao, passivo, ‘para ser visto’] segunda vez [...] para trazer salvação aos que O aguardam” (Hb 9:28, NIV). Enquanto O aguarda, a igreja está cumprindo sua missão. 
 
4. Momento sigiloso. A segunda vinda de Jesus faz parte do plano da salvação, elaborado por Deus desde a eternidade e incluiu o momento da primeira vinda de Cristo. Deus determinou que, ao final das 70 semanas, o Messias viria, quer as pessoas estivessem prontas ou não (Dn 9:24-27). Deus sempre esteve no comando do tempo e da razão (Dn 2:21; Atos 1:7). Em algum momento, Cristo irá declarar que o destino de todos os seres humanos foi determinado e Ele retornará em glória, encerrando a espera da igreja (Ap 22:11) e o conflito cósmico.

Ángel Manuel Rodríguez (via Revista Adventista)
 
A cronologia dos eventos finais, segundo as profecias bíblicas, está ilustrada nesse gráfico:
  
O conselho inspirado de Ellen G. White para nós hoje é:
 
“'Se eu soubesse que Cristo havia de voltar dentro de alguns anos', diz alguém, 'eu viveria de modo bem diferente'. Mas se cremos que Ele virá, quando quer que seja, devemos viver justamente com a mesma fidelidade que demonstraríamos se soubéssemos que havia de vir dentro de poucos anos. Não podemos ver o fim desde o princípio, mas Cristo proveu suficiente auxílio para cada dia do ano. Tudo com que temos que nos haver, é este dia de hoje. Hoje devemos ser fiéis ao nosso legado. Hoje devemos amar a Deus de todo o coração, e ao nosso próximo como a nós mesmos. Hoje é que nos cumpre resistir às tentações do inimigo, e pela graça de Cristo alcançar a vitória. Isto é vigiar e aguardar a vinda de Cristo. Devemos viver cada dia como se soubéssemos ser ele nosso último dia na Terra. Se soubéssemos que Cristo viria amanhã, não haveríamos então de comprimir no dia de hoje todas as palavras bondosas, todos os atos desinteressados que nos fosse possível? Devemos ser pacientes e amáveis, e possuídos de fervor intenso, fazendo tudo que está em nosso poder para ganhar pessoas para Cristo" (Cuidado de Deus, pp. 368-369).
 
“Sejamos animados pelo pensamento de que o Senhor logo virá. Que essa esperança alegre nosso coração. ‘Porque, ainda dentro de pouco tempo, Aquele que vem virá e não tardará’ (Hb 10:37)” (Testemunhos Para a Igreja, v. 9, p. 287).

terça-feira, 1 de março de 2022

ARMAGEDOM

Embora a maioria das pessoas, inclusive muitos cristãos, não tenha muito conhecimento sobre o livro do Apocalipse, uma imagem ou palavra desse livro alcançou a cultura popular: Armagedom. Mesmo na cultura secular, a palavra passou a representar uma luta final em que o destino da Terra está em jogo. Hollywood produziu um filme chamado Armagedom, a respeito de um asteroide gigante pronto para destruir o planeta. Até certo ponto, a ideia do fim do mundo também está na mente das pessoas seculares.

Muitas teorias especulativas têm sido propostas na tentativa de interpretar o Armagedom mencionado em Apocalipse 16:12-16. Hoje, uma das mais populares é a de que ele será uma guerra nuclear de grandes proporções. Como já ocorreram duas guerras mundiais, e o texto bíblico fala que nesse confronto estarão envolvidos os “reis do mundo inteiro” (verso 14), muitos imaginam que o Armagedom só poderá ser uma terceira guerra mundial.  Ainda mais agora que o fantasma da terceira guerra mundial volta a assombrar o Ocidente. Tudo cortesia do embate subjacente à guerra que se desenrola na Ucrânia: a disputa entre Moscou e o conglomerado Estados Unidos/Otan, centrada no desenho das fronteiras de segurança do Leste Europeu. Por mais fascinante e lógica que essa ideia possa parecer, ela não passa de uma teoria especulativa, sem base bíblica.

Conflitos bélicos certamente continuarão existindo, e mesmo se intensificando, até o fim dos tempos (ver Mt 24:6-8). Mas o Armagedom é descrito no livro do Apocalipse como “a peleja do grande Dia do Deus todo-poderoso” (16:14), travada entre os poderes demoníacos da “besta” e dos “reis da terra, com os seus exércitos”, de um lado, e o “Rei dos reis e Senhor dos senhores” e “o seu exército”, do outro (19:16 e 19).

A natureza essencialmente espiritual desse conflito é confirmada pela participação nele tanto de Cristo, o “Rei dos reis e Senhor dos senhores” que monta o “cavalo branco” (Ap 19:11, 16, 20), quanto do “dragão”, que é Satanás, e de outros “espíritos de demônios” (Ap 16:13 e 14 e 12:9). Os dois grupos conflitantes serão definidos pelo seu relacionamento com os “mandamentos de Deus” e o “testemunho de Jesus” (Ap 12:17). De um lado, estarão “os que guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus”, e que, consequentemente, não adoram “a besta e a sua imagem”; e, do outro, estarão os que adoram “a besta e a sua imagem”, e que, por conseguinte, não “guardam os mandamentos de Deus” e que não “têm o testemunho de Jesus” (Ap 12:17, 14:12).

A palavra “Armagedom” é a junção de duas palavras: (1) o termo hebraico har, que é “monte”; e (2) o nome Magedon, que é a transliteração do hebraico Megiddo para o grego. Assim, Armagedom, literalmente, quer dizer “Monte de Megido”. No Apocalipse, portanto, o Armagedom não deve ser exatamente um “monte geográfico”, mas um “evento escatológico” que se estenderá por toda a superfície da Terra. Longe de ser um mero conflito bélico-nuclear, o Armagedom será o confronto cósmico final entre as forças do bem e os poderes do mal, no qual será decidido, para sempre, quem é digno de adoração (comparar com 1Rs 18). 

Embora os ímpios se prepararão belicamente para a batalha (Ap 16:14; ver também 20:7-9), cremos que os justos jamais assumirão uma postura de combatência militar (ver Mt 5:38-48, Rm 12:17-21). Nesse conflito espiritual (ver Ef 6:10-18), Cristo e os Seus anjos pelejarão em favor dos justos, triunfando definitivamente sobre Satanás e suas hostes (Ap 20:1-21:8).

"Pelejarão eles contra o Cordeiro, e o Cordeiro os vencerá, pois é o Senhor dos senhores e o Rei dos reis; vencerão também os chamados, eleitos e fiéis que se acham com Ele" (Apocalipse 17:14).

Ellen G. White assim descreve este evento:

"Precisamos estudar o derramamento da sétima taça. Os poderes do mal não darão por encerrado o conflito sem uma peleja. Mas a Providência divina tem uma parte a desempenhar na batalha do Armagedom. Quando a Terra for iluminada com a glória do anjo de Apocalipse 18, os elementos religiosos, bons e maus, despertarão do sono, e os exércitos do Deus vivo tomarão o campo.

Toda forma de mal há de lançar-se em intensa atividade. Anjos maus unem seus poderes com homens maus, e, como têm estado em constante conflito e obtido uma experiência nos melhores métodos de engano e combate, tendo-se fortalecido durante séculos, eles não capitularão na última grande contenda sem uma furiosa luta. O mundo inteiro estará de um lado ou do outro da questão. Será travada a batalha do Armagedom, e esse dia não deverá encontrar nenhum de nós adormecido. Devemos estar bem despertos, como as virgens prudentes, tendo azeite em nossas vasilhas e em nossas lâmpadas.

O poder do Espírito Santo deve estar sobre nós, e o Capitão do exército do Senhor estará à frente dos anjos do Céu para dirigir a batalha. Ainda ocorrerão diante de nós solenes acontecimentos. Soará uma trombeta após a outra, será derramada uma taça após a outra sobre os habitantes da Terra. Cenas de estupendo interesse estão precisamente diante de nós.

Quatro poderosos anjos seguram os poderes da Terra até que os servos de Deus sejam assinalados na fronte. As nações do mundo são ávidas de conflito; mas elas são detidas pelos anjos. Quando for removido esse poder repressor, haverá um tempo de aflição e angústia. Serão inventados mortíferos instrumentos de guerra. Navios, com sua carga viva, serão sepultados nas profundezas do mar. Todos os que não possuem o espírito da verdade unir-se-ão sob a liderança de agentes satânicos. Mas devem ser mantidos sob controle até chegar o tempo para a grande batalha do Armagedom" (Meditação Matinal – Maranata, O Senhor Vem!, 1977, p. 255).

[Com informações do Centro White]

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

VENTOS DE GUERRA

Um clima de guerra ronda a fronteira entre Ucrânia e Rússia, países de significativa importância no contexto geopolítico mundial. A presença da tropa russa (cerca de 100 mil soldados) nos limites das nações do leste europeu tem sido vista, por analistas, como indicativo de risco de guerra. A discussão tem ganhado o noticiário internacional e se tornou objeto de preocupação da parte de lideranças globais, com mais intensidade, desde dezembro de 2021.

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, pediu na quinta-feira (10) aos cidadãos americanos que estão na Ucrânia para que saiam do país devido à ameaça de uma invasão russa.

"Os cidadãos americanos deveriam sair agora. As coisas podem acelerar rapidamente", declarou Biden durante uma entrevista para a NBC News. Biden descartou novamente a ideia de enviar soldados à Ucrânia, nem mesmo para ajudar a retirar os cidadãos americanos em caso de invasão. Isso seria "uma guerra mundial. Quando os americanos e os russos começam a atirar uns nos outros, entramos num mundo muito diferente", afirmou Biden.

Contenção divina
Segundo as profecias, o destino da Terra não está sujeito à boa-vontade de líderes humanos. O Soberano do universo intervém para conduzir o mundo a um desfecho específico. Quando parece que os povos vão se destruir, Deus age para contê-los. No Apocalipse, isso é representado pela imagem de quatro anjos segurando os quatro ventos do céu (Apocalipse 7:1).

A chave para se compreender essa simbologia está no sexto selo (Apocalipse 6:12-17). Nessa seção, fala-se de eventos cataclísmicos, que culminam no recolhimento das nuvens e a fuga dos “reis da terra” e de “todo escravo e todo livre”, que se abrigam “nas cavernas e nos penhascos dos montes” (ou seja, refere-se aos “eventos finais que conduzirão para a segunda vinda de Cristo”).[1] Pedem que os montes e rochedos caiam sobre eles e os escondam “da face daquele que se assenta no trono e da ira do Cordeiro”. E a seção termina com uma pergunta contundente: “chegou o grande Dia da ira deles e quem é que pode suster-se?” (v. 17).

O capítulo 7, que constitui um parêntese entre o sexto e o sétimo selos, parece responder à pergunta feita em 6:17. Nele, apresentam-se “quatro anjos em pé nos quatro cantos da terra, conservando seguros os quatro ventos da terra, para que nenhum vento soprasse sobre a terra, nem sobre o mar, nem sobre árvore alguma” (Apocalipse 7:1). Na Bíblia e no simbolismo apocalíptico, o número quatro representa as quatro direções (norte, sul, leste e oeste), transmitindo a ideia de uma abrangência global, a totalidade do mundo (1Crônicas 9:24; Isaías 11:2; Jeremias 49:36; Ezequiel 7:2; Zacarias 2:6).

Os quatro anjos representam “os agentes divinos no mundo, retendo as foças do mal até que a obra de Deus no coração dos seres humanos seja concluída e o povo do Senhor receba o selo na testa”.[2] Assim como as casas dos israelitas foram marcadas com sangue para serem protegidas antes da última praga e do próprio êxodo, e algo semelhante tenha ocorrido no tempo do exílio (Ezequiel 9:1-11), no tempo do fim, o povo de Deus receberá um sinal distintivo para ser protegido contra as imensas destruições reservadas para os últimos momentos antes da volta de Jesus (Mateus 24:30, 31; 1Tessalonicenses 4:16-18).

Na Bíblia, Deus é o Senhor dos ventos (Amós 4:13). O Criador os utiliza para cumprir seus propósitos na Terra (Gênesis 8:1; Êxodo 10:13; 14:21). Ventos servem para destruir e proteger, trazer alimento (Números 11:31) ou a privação dele (Gênesis 41:6); nas mãos de Deus, o “vento abrasador” é um instrumento de juízo (Salmos 11:6; 48:7), como elemento desagregador (Salmos 18:42; 35:5). Na metáfora poética, Deus “cavalga um querubim”, voa “nas asas do vento” (Salmos 18:10; 104:3).

Porém, é nos textos dos Profetas que a imagem do vento assume um significado mais útil para a compreensão do símbolo apocalíptico. Vento se torna uma metáfora para a ação destruidora das nações que resulta na dispersão e no cativeiro (Jeremias 4:11-13; 18:17; 22:22; 49:32, 36; 51:1, 16; Ezequiel 5:2, 10; 13:11, 13; 17:21; Oseias 8:7; 12:1; 13:15; Hebreus 1:11). É tomado como símbolo apocalíptico em Daniel 7:1 a 8 e se apresenta com o mesmo significado no Apocalipse.

Na fase final da história humana, a Divindade atua para conter os impulsos violentos das nações. O livro de Daniel nos dá um vislumbre da ação dos mensageiros divinos junto aos governantes humanos – “o príncipe do reino da Pérsia me resistiu por vinte e um dias; porém Miguel, um dos primeiros príncipes, veio para ajudar-me, e eu obtive vitória sobre os reis da Pérsia” (Daniel 10:13). Os quatro anjos simbólicos de Apocalipse 7 representam a ação de anjos reais, sem desconsiderar a atividade imprescindível do Espírito Santo, simbolizada pelos “sete espíritos de Deus enviados por toda a terra” (Apocalipse 5:6; comparar com 1:4; 3:1; 4:5).

Consciência e ação
Para a escritora Ellen White, a mensagem apocalíptica dos quatro anjos segurando os quatro ventos tem implicações espirituais profundas quanto à consciência sobre o tempo em que vivemos, à condição espiritual de cada um e, especialmente, quanto à missão. Destaco a seguir algumas de suas mensagens sobre os quatro anjos e a contenção dos ventos:

1) “Os (…) ventos serão a incitação das nações para um combate fatal”, por parte de Satanás (Maranata, p. 173).

2) Apesar de a paz mundial se encontrar num estado de “incerteza”, com as nações “iradas” e fazendo “grandes preparativos de guerra”, “está ainda em vigor a ordem dada nos anjos, de segurarem os quatro ventos” (Maranata, p. 241).

3) Os acontecimentos são iminentes, apesar de ainda não ter chegado a hora da “batalha final” (Eventos Finais, p. 229).

4) Mesmo agora o “refreador Espírito de Deus está (…) sendo retirado do mundo. Furacões, tormentas, tempestades, incêndios e inundações, desastres em terra e mar, seguem-se um ao outro em rápida sequência” (Serviço Cristão, p. 52).

5) Tudo depende do fim da intercessão de Cristo no santuário celestial. Quando isso ocorrer, os anjos deixarão de segurar os ventos, e virão “as sete últimas pragas”, que são juízos divinos (Eventos Finais, p. 245).

6) Não há espaço para complacência. Devemos travar uma inevitável luta espiritual pela transformação do caráter (Testemunhos Seletos, v. 2, p. 217).

7) Agora é o momento de alcançar o mundo com a mensagem para este tempo (Testemunhos Seletos, v. 2, p. 374).

A paz entre as nações é apenas um verniz de civilidade e respeito mútuo. Se as paixões humanas pervertidas assumem o controle, toda a diplomacia desmorona. “Quando andarem dizendo: Paz e segurança, eis que lhes sobrevirá repentina destruição” (1 Tessalonicenses 5:3). Somente o Rei dos Reis pode impedir que nos destruamos uns aos outros. Ele refreia o ímpeto destrutivo das nações, para preservar a vida. Portanto, como Jesus disse, não precisamos viver “assustados”, pois as guerras são um dos sinais do fim, mas não o fim (Marcos 13:7).

De nossa parte, cabe orar “em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranquila e mansa, com toda piedade e respeito” (1 Timóteo 2:2). Precisamos ter consciência de que a paz e a liberdade religiosa são uma dádiva, a qual devemos ajudar a preservar, como os maiores pacifistas. O tempo de graça e liberdade que temos deve ser aproveitado ao máximo para salvar pessoas. Nos dias atuais, não podemos brincar de ser cristãos. Devemos levar a sério nossa identidade e missão.

Adaptação de texto de Diogo Cavalcanti (via Apocalipses)

Referências
[1] Ranko Stefanovic, Revelation of Jesus Christ. Berrien Springs, MI: Andrews University Press, 2ª ed., 2009, p. 259.
[2] Francis Nichol (ed.). Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, vol. 7, 2014, p. 864.