sábado, 9 de outubro de 2021

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

“Maid”, a nova minissérie dramática de 10 capítulos, estreou na Netflix no último dia 01 de outubro. Maid foi baseada no impactante best-seller autobiográfico intitulado ‘Maid: Hard Work, Low Pay, and a Mother’s Will to Survive’, no Brasil lançado como “Superação, Trabalho Duro, Salário Baixo e o Dever de Uma Mãe.”, de Stephanie Land.

Criada por Molly Smith Metzler e estrelada por Margaret Qualley, Maid conta a história de Alex, uma mãe de 25 anos que, após mais um episódio de violência do marido, sai de casa com a filha no meio da madrugada em busca de ajuda.

A minissérie é genial e muito sensível ao retratar algumas verdades avassaladoras sobre a violência doméstica:

1- Não é preciso que exista agressão física para que exista violência doméstica. Após sua fuga, Alex tem dificuldades para compreender que, por nunca ter apanhado, sofria violência psicológica desde que ficou grávida. Seu companheiro bebia e, além de ameaças e frases pejorativas, arremessava coisas e até chegou a dar um soco na parede, mas nunca nela. Aos poucos, depois de receber um panfleto e ser encaminhada para um abrigo que recebia mulheres vítimas desse tipo de violência, ela finalmente conseguiu compreender que essa era a sua realidade. As agressões psicológicas, além de serem um estágio inicial que pode ser seguido de violência física em momentos posteriores, é tão violenta e destrutiva quanto as agressões físicas.

2- Não existe meritocracia simplesmente porque os direitos não são iguais! A história de Alex tem como cenário os EUA, o país do sonho americano onde a ideia de que com esforço todos podem vencer é quase um pilar. Na realidade, entretanto, Alex, que se torna faxineira para sobreviver com a filha, não varre apenas a sujeira de cima do tapete, mas também revela a verdade escondida pelo sistema sob o tapete, pois ela é um exemplo de pessoa sem rede de apoio (ela não tem com quem contar). Ela tem uma filha, quase nenhum dinheiro, pois o único emprego para ela é do tipo exploratório (muito trabalho e salário baixíssimo). Assim, ela precisa de ajuda do governo para moradia, tickets alimentação e toda uma gama de assistência pública que é enfadonha, humilhante e burocrática. Alex é capaz, inteligente e trabalhadora. Ela, há 4 anos, passou na faculdade, mas não pode cursar. Ela é a prova de que não basta ter força de vontade para se dar bem quando tudo que ela tem ao seu redor é uma mãe bipolar com sintomas gravíssimos e sem tratamento, um pai ausente e ex-alcoolista, abusador e que não reconhece o abuso que Alex sofre- e o ex-marido, também abusador.

3- Dificuldades para provar a violência psicológica. Assim como o assédio moral, a violência psicológica é uma violência difícil de provar para porque, na ausência de testemunhas, é uma violência que não deixa marcas no corpo. Assim, é importante que quem esteja passando por ela cerque-se de pessoas que possam comprovam os seus relatos. Boletins de ocorrência registrando danos ao patrimônio, como no caso do ex-marido de Alex que quebrava coisas e a ameaçava também podem são úteis. E, o mais importante: hoje ele não bate, mas ela vai ter que esperar que ele bata ou faça coisa pior? Alex não tinha como provar que falava a verdade, pois, como dito no item um, ela não sabia que sofria violência doméstica. Mas você que lê esse texto, se antes não sabia, agora sabe!

4- Por que essas mulheres voltam? A série é magnífica ao ilustrar como muitas mulheres podem sair diversas vezes de casa (às vezes 5-7 vezes) até que sejam capazes de abandonar, definitivamente, o abusador.

Se, no cotidiano ouvimos de pessoas que não conhecem esse assunto a fundo que essas mulheres são “sem vergonhas”, “burras” ou mesmo que “gostam de apanhar”, na realidade encontramos pessoas que tiveram sua autoestima destruída ao longo dos anos (ao ponto de, como em um exemplo da minissérie, não conseguirem dizer qual é a sua cor preferida).

Vemos também mulheres que são totalmente dependentes financeiramente do agressor e que não possuem uma rede de apoio de amigos e familiares que as possam ajudar a “fugir” dessa situação. Vemos, ainda, o medo das ameaças constantes de que algo possa ser feito com elas, com seus filhos ou mesmo que o agressor possa atentar contra a própria vida.

Para além disso, muitas mulheres ainda sentem vergonha de se encontrarem em situações tão degradantes que tentam ocultar de familiares e amigos (às vezes até de si mesmas) o quanto aquela situação é grave. Como mostrado na minissérie, a cada vez que se sujeitam, sua energia viral fica mais fraca, assim como sua coragem de reagir. A cada fracasso, cresce uma ideia de que nunca serão capazes de sair daquele ciclo de abusos.

5- Codependência com o agressor. A codependência é um aspecto complementar ao tópico anterior, mas que merece um espaço só para si.

Maid explora os traumas de seus personagens. Ela tenta mostrar como determinadas coisas que acontecem na infância podem refletir na idade adulta. Ela retrata com clareza como nós tendemos a repetir essas histórias escolhendo, sem perceber, parceiros que são parecidos com aqueles que nos fizeram mal no começo de nossas vidas. Vejam, por exemplo, como o marido de Alex tinha inúmeras características similares ao de seu pai.

A série mostra como Alex foi negligenciada por seus pais ao ponto de inverter os papeis e se tornar responsável por sua mãe assim que teve idade mínima para isso. Durante toda a sua vida Alex não teve um minuto de paz com relação a sua mãe (codependência).

Pessoas que são sabem o que é amor podem confundir domínio com afeto. A pessoa que não se responsabiliza por seus próprios atos tende a responsabilizar o outro por suas escolhas ou não escolhas. Sean, o marido, culpava Alex por sua gravidez e a torturava por ter que se responsabilizar pela criança e mudar seus planos de vida. Depois a culpava por ter que trabalhar mais. Depois a culpava porque, se ela se separasse, ele não conseguiria deixar de beber. Também a culpou por não ter ereção com a outra namorada. Ou seja, enquanto ela se sujeitasse a esse discurso, ela seria refém da não responsabilização dele pela própria vida e a arrastaria para o abismo com ele.

Alex já tinha aprendido a ser codependente desde a infância, assim como sua mãe também o era com relação a homens abusivos. Esse era o único modelo que ela conhecia.

6- Sentimento de Impotência/paralisia. Quem sou eu quando tudo o que eu faço é definido pelo outro, seja porque o outro mandou, desejou ou porque eu o temo?

Impotência frente ao marido. Impotência frente ao sistema- receber benefício como favor. Impotência de ser humilhada no trabalho e não poder reagir porque não existe opção. Impotência ter que se sujeitar a um subemprego (salários muito baixos destinados a quem não tem opção de escolha: pessoas na miséria, na maioria negros e imigrantes ilegais). Impotência frente a falta de dinheiro. Impotência frente a um curso para mães ministrado por um homem. Impotência de não ter a quem recorrer e de não ter absolutamente nenhum exemplo a seguir
Impotência por não poder confiar em ninguém: mesmo um homem que parecia bom e a queria ajudar, queria algo em troca. Impotência pela invisibilidade social: a fala da dona da empresa de limpeza sobre as faxineiras que podem ser trocadas sem que os patrões deem falta, mesmo depois de anos de trabalho.

7- Compreender a própria história para poder reagir. Enquanto falamos sobre algo que nos acontece damos sentido aquele relato. As histórias possuem começo, meio e fim. Quando nos colocamos na pele de seus personagens nós tentamos entender os motivos de suas escolhas, sentimos a dor do que lhes aconteceu, tentamos encontrar explicações e justificativas para as coisas que acontecem. Alex começou a fazê-lo enquanto escrevia. A escrita lhe fazia sentir viva. Através dela ela ressignificava a realidade e encontrava novos sentidos e formas criativas e possíveis de ver a vida.

Já Paula, sua mãe, interpretada por Andie MacDowell, mostra uma outra forma de lidar com a vida e as histórias. Como ela não suportava a dureza de sua vida, a ponto de ter um rompimento psicótico com a realidade, ela cria realidades paralelas onde o que acontece parece bonito, onde ela é protagonista, onde ela é amada. Talvez Paula opte (se é que existe qualquer tipo de opção nisso!) por ser uma figura quase caricata por saber que o tratamento para sua bipolaridade a fará encarar uma dor que ela não sabe se será capaz de aguentar. Certamente ela já deve ter tentado em outros momentos de sua vida e ainda não se sente pronta. Quanta dor existe em cada nova mentira que é criada.

Cada personagem conta uma história. O que os difere, entretanto, é o momento em que eles deixam de ser vítimas das repetições de suas famílias e do que aprenderam na infância para assumir o protagonismo. É uma escolha que abala todo o sistema, que torna a pessoa se torne desconhecida às vezes até para si mesma, é um caminho ainda não trilhado.

Nos apaixonamos por Alex porque ela tem muito de nós e de nossos buracos internos. Talvez nem todos nós tenhamos nos sentido miseráveis por não ter como nos alimentar para trabalhar (mas muitos também o tiveram), mas existem muitas formas de miséria inclusive, como a minissérie também mostrou, a miséria que também pode morar na riqueza.

Maid não romantiza a pobreza, ela apenas abre a porta de serviços que muita gente ainda mantém: ora ignorando os pobres em um capitalismo que só visa o lucro, ora ignorando os próprios pedidos de socorro. [via Conti Outra]

Nota do blog: Para denunciar a violência doméstica, ligue para o número 180. Este serviço público e gratuito é uma Central de Atendimento à mulher em situação vulnerável e o seu registro é realizada de forma anônima/confidencial. Caso você esteja em outro país, consulte o número de telefone para denúncias clicando aqui: https://www.gov.br/mdh/pt-br/navegue-por-temas/politicas-para-mulheres/ligue-180.

E é possível realizar a denúncia também pelo 190 – Polícia Militar, serviço público e gratuito.

E para você que ainda não conhece sobre o assunto, deixamos como dica fundamental o site do Instituto Maria da Penha, organização sem fins lucrativos (ONG) lançada em 2009, que tem como um dos propósitos elevar a qualidade de vida física, emocional e intelectual das mulheres. Para conhecer, é só clicar aqui: https://www.institutomariadapenha.org.br/quem-somos.html.

Conheça também o projeto Quebrando o Silêncio, promovido desde 2002 pela Igreja Adventista do Sétimo Dia em oito países da América do Sul com o objetivo de prevenir a violência doméstica.

A ajuda a mulheres em situação de violência pode vir da sua rede de relacionamentos, como amigos, vizinhos, colegas de trabalho, entre outros. Pode ser que você conheça alguém que esteja passando por uma situação semelhante por perto, seja de violência física, verbal, psicológica ou sexual, ou quem sabe ser a própria vítima. O silêncio perpetua a ação do abusador ou agressor, portanto, o maior desafio de alguém que deseja ajudar, é vencer o medo e romper o silêncio.

"Devem os maridos ser cuidadosos, atentos, constantes, fiéis e compassivos. Devem manifestar amor e simpatia. Quando o marido tem a nobreza de caráter, a pureza de coração, a elevação de espírito que deve possuir todo verdadeiro cristão isso será manifesto na relação matrimonial" (Ellen G. White - O Lar Adventista, p. 227).

sexta-feira, 8 de outubro de 2021

NOBEL DA ETERNA PAZ

Os jornalistas Maria Ressa e Dmitry Muratov ganharam o prêmio Nobel da Paz de 2021 por seus esforços para defender a liberdade de expressão, anunciou o comitê norueguês do Nobel nesta sexta-feira (8).

A entidade afirmou que Ressa e Muratov receberam o Nobel da Paz "pela corajosa luta" nas Filipinas e na Rússia, respectivamente, e que a liberdade de expressão "é uma pré-condição para a democracia e para uma paz duradoura".

"[Os laureados] são representantes de todos os jornalistas que defendem este ideal em um mundo em que a democracia e a liberdade de imprensa enfrentam condições cada vez mais adversas", afirmou Berit Reiss-Anderson, presidente do conselho do Nobel.

"Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus" (Mateus 5:9).

Não podemos nos esquecer de que, por mais pacíficos que possamos ser, não estaremos livres de incompreensão e até perseguição, à semelhança do Príncipe da Paz. 

O conceito de paz domina toda a Bíblia. No Éden, ela foi estabelecida no coração do ser humano. Com o pecado, deu lugar à inimizade contra Deus, mas foi restaurada pela morte de Cristo na cruz. A aceitação de Seu sacrifício e a decorrente justificação restabelecem a paz do ser humano com Deus (Rm 5:1). Haverá paz na eternidade, quando se completar o plano da redenção.

Considerando que Jesus enche de paz o coração de Seus filhos, declarou felizes aqueles que a promovem entre os semelhantes. Esse ministério pacificador vai muito além das ações desenvolvidas pelos governantes, diplomatas, juristas, pela ONU e pelos vencedores do Prêmio Nobel da Paz. Esses lutam por um modelo transitório de paz. Jesus aqui Se refere especialmente à tarefa de induzir os seres humanos a que estejam em paz com Deus. Portanto, os pacificadores mencionados por Cristo oferecem paz divina, real, eterna! É a paz à qual o Mestre Se referiu quando disse: “Deixo-vos a paz, a Minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo” (Jo 14:27).

Estando em paz com Deus, o resultado natural na vida do cristão é ter paz com o semelhante. Paulo aconselhou: “Vivei em paz uns com os outros” (1Ts 5:13). E mais: “Façam todo o possível para viver em paz com todos” (Rm 12:18, NVI). “Esforcem-se para viver em paz com todos” (Hb 12:14, NVI). O cristão orará e se empenhará pela existência de paz na família, na igreja e na sociedade. Não criará embaraços nem forjará retaliações. Sua disposição de ceder em nome da paz não implica passividade, mas atividade corajosa e persistente na busca do objetivo maior.

Ser filhos de Deus significa ter caráter semelhante ao do Pai. Eles cumprem o plano divino de paz entre eles, Deus e os semelhantes.

E Ellen G. White diz: “O coração que se encontra em harmonia com Deus compartilha da paz do Céu, e difunde ao redor de si sua bendita influência. Os seguidores de Cristo são enviados ao mundo com a mensagem de paz. Qualquer ser humano que, pela serena, inconsciente influência de uma vida santa, revela o amor de Cristo; qualquer ser humano que, por palavras ou ações, leva outro a abandonar o pecado e entregar o coração a Deus é um pacificador” (O Maior Discurso de Cristo, p. 28).

quinta-feira, 7 de outubro de 2021

MUITAS ROTAS, UM CAMINHO

A ideia de buscar um nível mais elevado de espiritualidade é elogiável. Contudo, as rotas que pontuam o mapa religioso da atualidade podem confundir até os peregrinos mais sinceros. Embora o debate sobre o assunto seja menor no Brasil do que nos Estados Unidos e na Europa, pautamos o tema para esclarecer alguns aspectos. Temos que provar todas as coisas (1Ts 5:21), sabendo que, às vezes, o problema não está na totalidade do conceito, mas na mistura da verdade com o erro. Veja algumas trilhas problemáticas:

1. Rota do espiritualismo
Fundado na suposição de que o ser humano tem uma alma imortal e evolui mesmo depois da morte, o espiritualismo surgiu ainda no Éden e prometeu um conhecimento mais profundo (Gn 3:5). Ellen White predisse que, no fim dos tempos, o protestantismo dará “uma das mãos ao poder romano e a outra ao espiritismo” (Eventos Finais, p. 131). Além disso, viu o comboio do espiritualismo, cujo condutor era o próprio Satanás na forma de um anjo de luz, “avançando com a velocidade do relâmpago” e no qual “o mundo inteiro” embarcava (Primeiros Escritos, p. 88). Essas previsões deveriam deixar cada pessoa em estado de alerta.

2. Rota do isolamento
A partir do 3º século, milhares de monges fugiram para o deserto na busca de uma vida mais santa, dando origem ao monasticismo cristão. Atanásio escreveu que “o deserto se transformou em uma cidade”. Embora o movimento fosse bem intencionado, o cristianismo não é uma religião de eremitas e ascetas. Em algumas circunstâncias, o deserto pode ser útil. Porém, não é preciso viver isolado para se levar vida santa.

3. Rota do racionalismo
Apostando na razão para se chegar à verdade, trabalhando com intuição e dedução, o racionalismo se contrasta e rivaliza com o empirismo, que valoriza a experiência e a percepção sensória. Antigo, ele ganhou popularidade no século 17 e invadiu os domínios da religião. Até hoje tem adeptos. Entretanto, a razão por si só não dá conta de conectar o ser ao Criador. O conhecimento de fatos não muda o coração, embora a cosmovisão ajude a endireitar o raciocínio.

4. Rota do sentimento
Talvez você nunca tenha ouvido falar de Friedrich Schleiermacher (1768-1834), mas ele teve grande influência no cristianismo ocidental. Chamado de “pai da teologia moderna”, o alemão definiu a religião como o “sentimento imediato do Infinito e do Eterno”. Contudo, essa abordagem tem problemas. O sentimento é parte da religião, mas não pode ser o centro dela. O cristianismo é um equilíbrio entre mente e corpo, razão e sentimento, ser e fazer.

5. Rota do misticismo
Referindo-se inicialmente a rituais secretos e interpretações ocultas, o termo “misticismo” passou a denotar uma experiência direta/unitiva com o divino, algo não acessível pela percepção dos sentidos. Alguns preferem falar hoje em consciência mística. O misticismo está fora do âmbito bíblico. No entanto, o termo “experiência”, temido e descartado por alguns, tem feito parte do vocabulário de cristãos acima de qualquer suspeita. Tudo depende do uso das palavras.

6. Rota do panteísmo
O livro The Living Temple (O Templo Vivo), escrito em 1903 pelo médico John Harvey Kellogg, ensinava o panteísmo e despersonalizava Deus. Com clareza, Ellen White advertiu a igreja a se afastar da influência exercida pelo livro, que apresentava “o alfa de heresias letais” (Mensagens Escolhidas, vol. 1, p. 200). Usando a metáfora de “um navio envolto em cerração” a caminho de um iceberg (p. 205, 206), a mensageira transmitiu a ordem divina: “Enfrentai-o!”

Há muitas outras rotas estéreis e perigosas, mas fiquemos com essas. O importante é saber que Jesus é o único caminho (Jo 14:6; At 4:12). E que, mediante o poder ilimitado do Espírito Santo atuando em nós e a revelação da Palavra iluminando nossos passos, podemos levar uma vida vitoriosa livre do sincretismo e acima da crítica, da suspeita e do temor.

Marcos de Benedicto (via Revista Adventista)

"Não há muitos caminhos para o Céu. Não pode cada um escolher o seu. Cristo diz: 'Eu sou o caminho. [...] Ninguém vem a Meu Pai, senão por Mim' (João 14:6). Desde que foi pregado o primeiro sermão evangélico, quando no Éden se declarou que a semente da mulher havia de esmagar a cabeça da serpente, Cristo fora exaltado como o caminho, a verdade e a vida. Ele era o caminho ao tempo em que Adão vivia, quando Abel apresentava a Deus o sangue do cordeiro morto, representando o sangue do Redentor. Cristo foi o caminho pelo qual se salvaram patriarcas e profetas. Ele é o único caminho pelo qual podemos ter acesso a Deus" (Ellen G. White - O Desejado de Todas as Nações, p. 470).

quarta-feira, 6 de outubro de 2021

AS AVENIDAS DA ALMA

Todos devem vigiar os sentidos, do contrário Satanás alcançará vitória sobre eles; pois essas são as avenidas da alma. Deves tornar-te fiel sentinela de teus olhos, ouvidos e todos os sentidos, se quiseres dominar a mente e impedir que vãos e corruptos pensamentos te manchem a alma. Só o poder da graça pode realizar esta tão desejável obra. 

Satanás e seus anjos estão ativos, criando uma espécie de paralisia dos sentidos, de modo a não serem ouvidas as admoestações, advertências e repreensões, ou, se ouvidas, não terem efeito sobre o coração, transformando a vida. 

Meus irmãos, Deus vos convida, como seguidores Seus, a que andeis na luz. Importa que vos alarmeis. Há pecado entre vós, e não é considerado excessivamente pecaminoso. Os sentidos de muitos acham-se inativos pela familiaridade com o pecado. Precisamos avançar para mais perto do Céu. 

Quem pode prever, no momento da tentação, as terríveis consequências que resultarão de um passo errado e apressado! Nossa única segurança é abrigarmo-nos na graça de Deus cada momento, não confiando em nossa própria visão espiritual, para que não chamemos ao mal bem, e ao bem chamemos mal. Sem hesitação ou discussão precisamos cerrar e guardar as entradas da alma contra o mal.

Todo cristão deve manter-se em guarda continuamente, vigiando cada entrada da alma por onde Satanás possa ganhar acesso. Ele precisa orar pedindo auxílio divino e ao mesmo tempo resistir resolutamente a cada inclinação ao pecado. Mediante coragem, fé, perseverante esforço, pode tornar-se um vitorioso. Mas lembre-se de que para alcançar a vitória Cristo precisa habitar nele e ele em Cristo.

O apóstolo Pedro procurou ensinar aos crentes quão importante é guardar a mente de vagar por temas proibidos, ou de gastar sua energia em assuntos triviais. Os que não querem cair presa dos enganos de Satanás, devem guardar bem as vias de acesso à alma; devem-se esquivar de ler, ver ou ouvir tudo quanto sugira pensamentos impuros. Não devem permitir que a mente se demore ao acaso em cada assunto que o inimigo das almas possa sugerir. O coração deve ser fielmente guardado, pois de outra maneira os males externos despertarão os internos, e a alma vagará em trevas. 

Os que desejam ter a sabedoria que vem de Deus devem tornar-se néscios no pecaminoso conhecimento deste século, para serem sábios. Devem fechar os olhos, para não verem nem aprenderem o mal. Devem fechar os ouvidos, para que não ouçam o que é mau e não obtenham o conhecimento que lhes mancharia a pureza de pensamentos e de ação. E devem guardar a língua, para que não profira palavras corruptas e o engano se encontre em sua boca.

Não procureis saber quão perto podeis andar à beira do precipício e todavia estar seguros. Evitai a primeira aproximação ao perigo. Não se pode brincar com os interesses da alma. Vosso capital é vosso caráter. Acariciai-o, como faríeis a um áureo tesouro. A pureza moral, o respeito próprio, o forte poder de resistência, têm de ser acariciados firme e constantemente. Não deve haver um único afastamento da discrição; um ato de familiaridade, um deslize, podem pôr em perigo a alma, abrindo a porta da tentação, e tornar-se enfraquecido o poder de resistência.

Diz Paulo: “Tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai” (Filipenses 4:8). Isto exigirá oração fervorosa e incessante vigiar. Devemos ser auxiliados pela influência permanente do Espírito Santo, que atrairá a mente para cima, e habituá-la-á a ocupar-se com coisas puras e santas. E devemos fazer estudo diligente da Palavra de Deus. “Como purificará o mancebo seu caminho? observando-o conforme a Tua Palavra.” “Escondi a Tua Palavra no meu coração”, diz o salmista, “para eu não pecar contra Ti” (Salmos 119:9-11).

Ellen G. White - O Lar Adventista, p. 401-404

terça-feira, 5 de outubro de 2021

COMBATE À DESIGUALDADE

Recentemente, ministros da economia do G7, grupo formado por alguns dos países mais ricos do mundo, apresentaram a proposta de criar um imposto mínimo global sobre os lucros de empresas multinacionais. Até 2023, o plano é que 139 nações adotem esse novo imposto de pelo menos 15% sobre uma parcela dos lucros das grandes companhias. O imposto seria pago onde as empresas operam e vendem seus produtos.

A iniciativa tem como meta controlar uma estratégia comum entre grandes multinacionais, principalmente do setor de tecnologia: operar em vários países, mas registrar contabilmente seus lucros em paraísos fiscais, onde os impostos são menores. Para além da aparente confusão de números, estima-se que isso representaria para o Brasil, por exemplo, um acréscimo na arrecadação anual em torno de 5 bilhões de reais. Em condições ideais, esse aumento de recursos pode proporcionar aos países beneficiados, inclusive aos mais ricos, melhores condições para desenvolver políticas públicas de amparo social.

A proposta do G7 é significativa, entre outros fatores, por ser um reconhecimento das falhas e distorções de como gigantes transnacionais têm utilizado seus recursos. De fato, de acordo com a Bíblia, o problema não se encontra no dinheiro em si, mas no “amor ao dinheiro”, “a raiz de todos os males” (1Tm 6:10).

Por isso, logo no início da trajetória do povo de Deus, Israel foi ensinado a manter um sistema sólido de beneficência social, a fim de evitar que as injustiças prevalecessem. Entre as orientações específicas estavam a lei da respiga (Dt 24:19, 20); a permissão para se alimentar da plantação de alguém, caso estivesse passando por ela (Dt 23:25); a exortação para cuidar das pessoas necessitadas (Dt 15:11); o segundo dízimo, separado no terceiro e no sexto anos em cada ciclo de sete, destinado aos levitas, estrangeiros, órfãos e às viúvas (Dt 14:22-29); e a celebração do jubileu, a cada 50 anos (Lv 25:10). Essas instruções foram dadas para conter o egoísmo e evitar que a sociedade israelita fosse marcada pela exploração e desigualdade.

Apesar disso, Israel desobedeceu à ordem do Senhor e deu espaço para a injustiça avançar. Em certo sentido, o ministério dos profetas pré-exílicos foi marcado por fortes críticas a essa situação (Is 1:22-24; Jr 5:26-29; Am 2:6-8). Mesmo depois do exílio, Deus enviou mensagens de repreensão aos judeus, porque continuavam negligenciado o cuidado aos mais vulneráveis (Zc 7:9, 10; Ml 3:5), ainda que tivessem experimentado, eles mesmos, um longo período de aflição.

Essas orientações e repreensões do Antigo Testamento ecoam nos ensinos de Cristo e nas cartas apostólicas. Jesus declarou que Seus seguidores seriam recompensados no juízo pela compaixão genuína demonstrada aos desamparados (Mt 25:34-40), e a igreja em seus primórdios se destacou por sua generosidade (At 2:44, 45; 4:32-35; 1Co 16:1-4; Tg 1:27).

O testemunho bíblico, portanto, indica que Deus espera de nós uma atitude proativa em favor dos pobres e desamparados. Ainda que não sejamos protagonistas neste grande tabuleiro que se tornou a economia mundial, somos chamados a minimizar, com nosso exemplo, escolhas de consumo e recursos, os impactos da desigualdade social ao nosso redor. Por menor que seja nossa contribuição, Ellen White escreveu que “é o serviço feito de coração que torna a dádiva valiosa” (Conselhos Sobre Mordomia, p. 176). E o Senhor jamais Se esquecerá disso!

Wellington Barbosa (via Revista Adventista)

Nota do blog: A ligação entre o evangelho e a responsabilidade social é claramente representada no ministério de Cristo, e tanto no Velho como no Novo Testamentos. Quando os estragos da pobreza, injustiça e opressão estão bem presentes, a Palavra de Deus insiste que uma fé que fala somente das necessidades espirituais do povo, mas deixa de demonstrar sua compaixão mediante auxílio prático é vista como um culto falso (ver Isaías 58). Com efeito, como Gandhi certa vez disse: “Precisamos viver em nossas vidas as mudanças que queremos ver no mundo.”

Um discípulo de Cristo verdadeiramente crente não pode tratar com indiferença as desigualdades materiais e a manifestação de poder e privilégio que atingem a tantos e leva ao empobrecimento espiritual de outros. O evangelho convida o discípulo de Cristo e a igreja à solidariedade com todos os que sofrem, a fim de juntos podermos receber, incorporar e partilhar as boas-novas de Jesus, a fim de melhorar a vida de todos.

Sobre o plano de Deus para sanar a desigualdade em Israel, Ellen White diz: "O povo devia ser impressionado com o fato de que era a terra de Deus que se lhes permitia possuir por algum tempo; de que Ele era o legítimo possuidor, o proprietário original, e de que desejava se tivesse consideração especial pelos pobres e infelizes. A mente de todos devia ser impressionada com o fato de que os pobres têm tanto direito a um lugar no mundo de Deus como o têm os mais ricos. Tais foram as disposições tomadas por nosso misericordioso Criador a fim de minorar o sofrimento, trazer algum raio de esperança, lampejar uma réstia de luz na vida dos que são destituídos de bens e se acham angustiados" (Beneficência Social, p. 174).

E ela diz mais: "A obra de recolher o necessitado, o oprimido, o aflito, o que sofreu perdas, é justamente a obra que toda igreja que crê na verdade para este tempo devia de há muito estar realizando. Cumpre-nos mostrar a terna simpatia do samaritano em acudir às necessidades físicas, alimentar o faminto, trazer para casa os pobres desterrados, buscando de Deus todo dia a graça e a força que nos habilitem a chegar às profundezas da miséria humana, e ajudar aqueles que absolutamente não se podem ajudar a si mesmos. Isto fazendo, temos favorável ensejo de apresentar a Cristo, o Crucificado" (Beneficência Social, p. 190).

Ao vermos seres humanos em aflição, seja devido ao infortúnio, seja por causa do pecado ou outra coisa qualquer, nunca diga: “Não tenho nada com isso”. É necessário que haja sacrifício prático pelo bem-estar de outros, seja onde quer que estejamos, ou qual for nossa profissão; pois para isso também fomos criados, para sermos as mãos bondosas do Criador aqui neste planeta.

Jesus resumiu a lei moral dos dez mandamentos em apenas dois: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo” (Mateus 22:37-39). Como cristãos, deveríamos estar atentos às necessidades de nossos semelhantes, buscando sempre uma ocasião oportuna para prestar ajuda.

segunda-feira, 4 de outubro de 2021

STAIRWAY TO HEAVEN OU HIGHWAY TO HELL - VOCÊ DECIDE

Deus sabe quem vai ser salvo e quem se perderá, porque Ele é “perfeito em conhecimento” (Jó 37:16) e “conhece todas as coisas” (1Jo 3:20), inclusive “o que há de acontecer” (Is 46:10). Mas esse conhecimento divino não restringe de qualquer forma a liberdade humana de escolher o caminho da salvação ou da perdição.

Embora a salvação seja oferecida gratuitamente a todos indistintamente, somente aqueles que a aceitam pela fé serão salvos (ver Ef 2:8-10). “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito, para que todo o que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3:16). A perdição dos ímpios não é, portanto, o resultado de um decreto divino arbitrário, mas sim a consequência natural de haverem rejeitado individualmente a oferta de salvação.

A. W. Tozer comenta: “Certas coisas foram decretadas pelo livre-arbítrio de Deus, e uma delas é a lei da escolha e suas consequências. Deus declarou que todo aquele que voluntariamente se entrega a Seu Filho Jesus Cristo na obediência da fé, receberá a vida eterna e se tornará filho de Deus. Decretou também que aqueles que amam as trevas e continuam em sua rebeldia contra a suprema autoridade do Céu, permanecerão em estado de alienação espiritual e sofrerão afinal a morte eterna” (Mais Perto de Deus, p. 132).

Embora Deus haja predestinado à salvação todos os que voluntariamente aceitam a Cristo (ver Ef 1:314), Ele não predestinou ninguém para a perdição. Que compete ao próprio homem (e não a Deus) escolher o seu destino é óbvio nas seguintes palavras de Josué 24:15: “Porém, se vos parece mal servir ao Senhor, escolhei, hoje, a quem sirvais: se aos deuses a quem serviram vossos pais que estavam dalém do Eufrates ou aos deuses dos amorreus em cuja terra habitais. Eu e a minha casa serviremos ao Senhor.”

Toda a humanidade aguarda um de dois destinos: "Os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida; e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo" (João 5:29). "Ponho diante de ti a vida e a morte, a bênção e a maldição. Escolhe pois a vida, para que vivas com a tua posteridade" (Deuteronômio 30:19).

Stairway to Heaven (Escada para o Céu)
O Céu é uma realidade. É um lugar. É onde Deus vive com os outros membros da Divindade e uma hoste de anjos não-caídos. Também é o lugar em que viveremos durante mil anos, se permanecermos ao lado de Deus. Quando Cristo voltar e tiver lugar a primeira ressurreição, os santos ressuscitados acompanharão seu Senhor para o Céu, onde permanecerão por mil anos (Apocalipse 20:4-6). Depois disso, ocorrerá uma série de eventos culminando com a criação de um “novo céu” e uma “nova Terra” (Apocalipse 21:1), em que os remidos então viverão para sempre. 

O pastor e escritor Dr. Steven J. Lawson escreveu sobre o céu: "Não se enganem, o céu é um lugar real. Não é um estado de consciência. Nem uma invenção da imaginação humana. Nem um conceito filosófico. Nem abstração religiosa. Nem um sonho emocionante. Nem as fábulas medievais de um cientista do passado. Nem a superstição desgastada de um teólogo liberal. É um lugar real. Um local muito mais real do que onde você está agora... É um lugar real onde Deus vive. É o lugar real de onde Deus veio para este mundo. E é um lugar real para onde Cristo voltou na Sua ascensão – com toda a certeza!" (Heaven Help Us! Truths About Eternity That Will Help You Live Today, p. 16) 

Ellen G. White aconselha: "Muitos estão perdendo o caminho certo, por pensarem que têm de conquistar o Céu; que têm de fazer algo para merecer o favor de Deus. Procuram tornar-se melhores pelos próprios frágeis esforços. Isso jamais conseguirão realizar. Cristo abriu caminho morrendo como nosso sacrifício, vivendo como nosso exemplo, tornando-Se nosso grande sumo sacerdote. Diz Ele: 'Eu sou o caminho, e a verdade e a vida' (João 14:6). Se por qualquer esforço nosso pudéssemos subir um único degrau na escada, as palavras de Cristo não seriam verdadeiras. Mas quando aceitamos a Cristo, as boas obras aparecerão, como frutífera prova de que nos achamos no caminho da vida, que Cristo é nosso caminho, e que estamos palmilhando a vereda certa, que conduz ao Céu" (Mensagens Escolhidas, vol. 1, p. 368).

Highway to Hell (Estrada para o Inferno) 
Mas o inferno também é uma realidade. A crença popular de um lugar em que os pecadores serão atormentados e queimarão por toda a eternidade não tem apoio bíblico. Mas também não tem esse apoio a ideia popular de que, no fim, todos serão salvos. Os que rejeitam as boas-novas de salvação e recusam obediência a Deus serão julgados, condenados e enfrentarão uma morte da qual nunca haverá ressurreição. Os que creem que todos serão salvos argumentam que um Deus de amor não permitiria que ninguém perdesse a felicidade eterna. Eles têm certa razão até onde dizem que Deus é o amor personificado e quer salvar a todos. Mas, tragicamente, nem todos querem ser salvos. 

Sobre isso, Ellen G. White diz: “Uma distinção, porém, se faz entre as duas classes que ressuscitam. 'Todos os que estão nos sepulcros ouvirão a Sua voz. E os que fizeram o bem, sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal para a ressurreição da condenação' (João 5:28 e 29). Os que foram 'tidos por dignos' da ressurreição da vida, são 'bem-aventurados e santos'. 'Sobre estes não tem poder a segunda morte' (Apocalipse 20:6). Os que, porém, não alcançaram o perdão, mediante o arrependimento e a fé, devem receber a pena da transgressão: 'o salário do pecado'. Sofrem castigo, que varia em duração e intensidade, 'segundo suas obras', mas que finalmente termina com a segunda morte. Visto ser impossível para Deus, de modo coerente com a Sua justiça e misericórdia salvar o pecador em seus pecados, Ele o despoja da existência, que perdeu por suas transgressões, e da qual se mostrou indigno. Diz um escritor inspirado: 'Ainda um pouco, e o ímpio não existirá; olhará para o seu lugar e não aparecerá.' E outro declara: 'E serão como se nunca tivessem sido' (Salmos 37:10; Obadias 16). Cobertos de infâmia, mergulham, sem esperança, no olvido eterno” (O Grande Conflito, pp. 544, 545).

Você decide 
Vejamos o que os escritos de Ellen G. White dizem sobre essa fundamental decisão: 

"Há muitas almas que vacilam entre o caminho do Céu e o do inferno. Há sutis e enganadoras influências que desviam almas de Deus e das coisas celestiais" (Conselhos sobre a Escola Sabatina, p. 49).

"Toda alma tem um Céu a ganhar, e um inferno a evitar. E as instrumentalidades angélicas acham-se todas prontas a vir em auxílio da alma tentada e provada" (Mensagens Escolhidas, vol. 1, p. 96).

"A hora da graça vai-se rapidamente encerrando, e cada caso está a ponto de ser eternamente decidido. Poucos há que acreditem de alma e coração que temos um Céu a ganhar e um inferno de que fugir; estes, porém, revelam pelas obras a sua fé" (Conselhos aos Professores, Pais e Estudantes, p. 413).

"Homem algum cai no Céu por engano. Ninguém vai para lá de olhos vendados. Caso tome tempo para considerar, toda pessoa saberá se está no caminho reto e estreito, ou na estrada larga que conduz à morte e ao inferno" (A Fé Pela Qual Eu Vivo, p. 363).

"O mundo caído é o campo de batalha para o maior conflito que o universo celestial e os poderes terrestres já presenciaram.. entre o bem e o mal, entre o Céu e o inferno. Ninguém pode ficar em terreno neutro" (Exaltai-o, p. 290). 

"Se os homens resistissem à prova em que Adão falhou, e, na força de Jesus, obedecessem a todos os reclamos de Deus, porque estes reclamos são justos, jamais quereriam tornar-se familiarizados com o conhecimento objetável. Deus jamais desejou que o homem tivesse este conhecimento que vem da desobediência e que, introduzido na vida prática, termina em morte eterna. Quando os homens quase invariavelmente escolhem o conhecimento que Satanás apresenta; quando o seu gosto está de tal modo pervertido que anseiam por esse conhecimento como se ele fosse fonte de suprema sabedoria, estão dando então prova de que estão separados de Deus e em rebelião contra Cristo" (Conselhos sobre Educação, p. 108).

Vejamos o que a Palavra de Deus nos diz: "Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe. Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, ataviada como noiva adornada para o seu esposo. Então, ouvi grande voz vinda do trono, dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles. E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram. [...] Quanto, porém, aos covardes, aos incrédulos, aos abomináveis, aos assassinos, aos impuros, aos feiticeiros, aos idólatras e a todos os mentirosos, a parte que lhes cabe será no lago que arde com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte" (Apocalipse 21:1-4, 8).

Conclusão
Deus nos deu a vida, e durante a nossa existência temos uma escolha a fazer. A mais importante de todas, e esta decisão é com relação a nossa vida eterna. "Entrem pela porta estreita porque a porta larga e o caminho fácil levam para o inferno, e há muitas pessoas que andam por esse caminho. A porta estreita e o caminho difícil levam para a vida, e poucas pessoas encontram esse caminho" (Mateus 7:13-14). Aceitemos a Jesus e nos preparemos para o Céu. O Céu existe, sim, e está ao nosso alcance. O Céu é a morada de Deus, e será a morada daqueles que creem nEle. Jesus nos prometeu um lugar no Céu: “Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de Meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar. E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde Eu estou, estejais vós também” (João 14:1-3). 

O Céu pode ser nosso se escolhermos crer em Deus e estivermos dispostos a nos tornar discípulos de Seu Filho, Jesus Cristo. Portanto, sigamos o conselho de Ellen G. White: "Precisamos acostumar-nos a falar do Céu, do belo Céu. Falar daquela existência que perdurará enquanto Deus existir, e então esquecereis vossas pequenas provas e dificuldades. Seja a mente atraída para Deus" (Historical Sketches of the Foreign Missions of the Seventh Day Adventist, p. 146).

Nota: O título do artigo é uma alusão às canções "Stairway to Heaven", do Led Zeppelin e "Highway to Hell", do AC/DC.

sexta-feira, 1 de outubro de 2021

DIA DO IDOSO

Comemorado no dia 1º de outubro, o Dia Nacional do Idoso, instituído pela Lei nº 11.433/06, reforça a importância da inclusão social desta parcela da população, além da garantia de acesso aos benefícios já conquistados. Boa parte destas conquistas está listada no Estatuto do Idoso, que é o principal instrumento para assegurar seus direitos.

De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), o número de pessoas com idade superior a 60 anos chegará a 2 bilhões até 2050, o que representará um quinto da população mundial. Segundo dados do Ministério da Saúde, o Brasil, tema a quinta maior população idosa do mundo, e, em 2030, o número de idosos ultrapassará o total de crianças entre zero e 14 anos.

Envelhecer não é fácil! Mesmo com o avanço das tecnologias em saúde e a prática de hábitos saudáveis, o estigma de “ser velho” ainda traz o sentimento de sofrimentos, perda da autonomia, fragilidades, debilidades físicas e isolamento, criando um cenário instável, como se fosse o fim da possibilidade de se manter uma vida ativa. Esse contexto histórico de desvalorização, aliado à pandemia causada pela Covid-19, acentua a situação de vulnerabilidade, e fazem com que a sociedade precise repensar e criar estratégias para lidar corretamente com este público.

O ageísmo – preconceito e atitudes negativas contra certos grupos etários – contribui para que os indivíduos idosos tenham sentimentos de inutilidade e sensação de serem onerosos e sem valor. E a igreja, como ambiente social, pode ter um importante papel na socialização da pessoa idosa, pois proporciona atividades que integram o idoso numa comunidade amiga e de objetivos comuns, fazendo com que ele sinta-se mais adaptado e útil. 

O idoso, regular e profundamente integrado a uma comunidade religiosa que o ajude em seus novos dilemas e dê-lhe atividades úteis e prazerosas, poderá passar pela velhice com a certeza de que não é um “objeto usado”, que não tem mais valor, mas como uma pessoa viva, que pode continuar colaborando para o crescimento da sociedade no qual está inserido.

Esta fase é bastante propícia a uma reflexão do sentido espiritual da vida, fazendo o idoso buscar em Deus o auxílio necessário para elevar sua auto-estima e manter-se como integrante de um mundo onde todos querem sentir-se “vivos”. Uma outra grande importância da religião na velhice é proporcionar ao idoso uma esperança de vida eterna. A morte é inevitável ao homem pecador. Porém, a igreja traz uma certeza de que a vida não acaba com a morte. Vejamos o que diz Ellen G. White:

"O mais terno interesse deve ser nutrido para com aqueles cujo interesse vital é vinculado à causa de Deus. Não obstante suas muitas enfermidades, esses obreiros possuem talentos que os qualificam para estar na sua sorte e lugar. Deus deseja que ocupem posições de liderança em Sua obra. Permaneceram fiéis em meio aos temporais e provas e acham-se entre os mais valiosos conselheiros. Quão gratos deveríamos ser por poderem eles ainda usar seus dons no serviço do Senhor!... Não demorará, receberão vossa recompensa" (Testimonies, vol. 7, pp. 287 e 288).

A Bíblia apresenta os mais idosos como símbolo da pessoa repleta de sabedoria e do temor de Deus. Ela também revela que, em momentos decisivos, o conselho de anciãos se reunia para que o melhor caminho fosse procurado e indicado. Há amplo consenso no pensamento de que, quanto mais se vive, mais se acumula experiência. Velhice não é finalização das atividades, tampouco doença, mas uma fase de riqueza em sabedoria armazenada num arquivo vivo que, se for sensatamente “pesquisado”, mostrará como tomar decisões prudentes e como aprender sem dor desnecessária. Os mais idosos têm perdas no aspecto físico, mas, em contrapartida, ganham muito em espiritualidade e sensatez. Vejamos estes textos de Ellen G. White:

"Que não se perca de vista o fato de que no passado esses fervorosos lutadores tudo sacrificaram para promover a obra. O terem-se tornado idosos e grisalhos no serviço de Deus não é razão para deixarem de exercer uma influência superior à influência de homens que têm muito menos conhecimento da causa e muito menos experiência nas coisas divinas" (Mente, Caráter e Personalidade, vol. 2, p. 751).

"Sou instruída a dizer: respeite todo crente os idosos pioneiros que suportaram provas e dificuldades e muitas privações. São os operários de Deus e desempenharam parte preeminente na estruturação de Sua obra" (Testimonies, vol. 7, p. 289).

"Não é melhor estabelecer instituições para cuidar dos idosos, para que eles fiquem juntos, na companhia uns dos outros. Nem eles devem ser mandados para fora do lar a fim de receberem cuidados. Que os membros de cada família ministrem aos próprios parentes. Quando isto não é possível, essa obra pertence à igreja, e deve ser aceita igualmente como dever e como privilégio. Todos os que têm o espírito de Cristo hão de considerar os débeis e idosos com especial respeito e ternura" (Mente, Caráter e Personalidade, vol. 2, p. 746).

Não podemos encarar o envelhecimento como algo ruim e incapacitante, pois, apesar das limitações que a idade traz, Deus tem um propósito para o homem em todas as épocas da sua vida. “Agora, quando estou velho e de cabelos brancos, não me desampares, ó Deus, até que eu tenha anunciado a Tua força a esta geração e o Teu poder a todos os vindouros” (Salmos 71:18).

Deus é poderoso para fazer o “velho” semear novos frutos. Para Ele, a idade jamais será um obstáculo de renovar sonhos, dar novos planos e proporcionar experiências mais profundas de relacionamento com Ele. Que nós possamos, como igreja, ser justos para honrar a melhor idade dos que estão ao nosso redor e, assim, por meio das nossas vidas, mostrar a importância deles para o Criador. “O cabelo grisalho é uma coroa de esplendor, e se obtém mediante uma vida justa” (Provérbios 16:31).