quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

JESUS NÃO ESTÁ DE FÉRIAS

O cristianismo tem mais de 2,3 bilhões de seguidores (cerca de um terço da população mundial), mas a maioria aparentemente não sabe o que Jesus está fazendo na atualidade. Dos que sabem, talvez nem todos consigam explicar os detalhes do seu ministério celestial. No máximo, reconhecem que Ele intercede por nós “à direita” Deus, expressão repetida muitas vezes no Novo Testamento.

Criticada e distorcida por uns, defendida apaixonadamente por outros, a doutrina do santuário celestial tem sido uma parte fundamental da teologia adventista desde o início do movimento. Pode-se dizer que ela começou a ser elaborada já no dia seguinte ao desapontamento de 22 de outubro de 1844, com a descoberta de Hiram Edson de que, nessa data, Jesus entrara no santíssimo para inaugurar uma nova fase de seu ministério.

Para o adventista do século 21, o papel do santuário precisa continuar a ser valorizado, até para entender a real vindicação do caráter de Deus e evitar enfoques humanos de salvação. Como ponto de partida, há cinco verdades básicas que precisamos compreender:

1. O santuário é o lugar da habitação de Deus. “E me farão um santuário, para que Eu possa habitar no meio deles”, disse o Senhor (Êx 25:8). A presença divina era simbolizada por uma espetacular nuvem de glória acima ou dentro do tabernáculo/templo. No Antigo Testamento, esse fenômeno/conceito é mencionado várias vezes. Isso significa que, pela fé, podemos ir ao santuário celestial para encontrar Deus e, portanto, perdão, reconciliação, refúgio e esperança.

2. O santuário celestial e o terrestre são estruturas reais. Deus enfatizou a Moisés que ele deveria seguir o “modelo” que lhe fora “mostrado” (Êx 25:9, 40). A palavra hebraica tabnit (“modelo”, “padrão”), derivada do verbo banah (“construir”), ocorre 23 vezes no Antigo Testamento com o sentido geral de “semelhança” (como em uma imagem), “forma” (como em aparência), “modelo” (como usado para fazer uma cópia) e “plano” (como em um desenho ou esboço).

3. O santuário celestial e o terrestre tinham uma íntima relação tipológica. Os dois santuários eram separados em termos cósmicos/geográficos, mas suas funções eram conceitualmente inseparáveis. A correlação é mais funcional e vertical do que espacial e material. O santuário terrestre era uma “figura” e “sombra” do celestial (Hb 8:5). Tinha três áreas e cada uma simbolizava um aspecto da obra de Cristo: pátio (sacrifício na cruz), lugar santo (mediação no Céu) e lugar santíssimo (julgamento). Os dois rituais (serviços diários e anuais) prefiguravam as duas fases do ministério celestial de Cristo: intercessão (do ano 31 até o fim, pois o ministério dos sacerdotes não cessava durante o Dia da Expiação e o de Cristo não cessa no período investigativo) e julgamento (pós-1844).

4. O santuário celestial tem múltiplas funções. Conforme o teólogo Elias Brasil demonstrou em sua tese doutoral defendida na Universidade Andrews, o santuário é o lugar (de) onde Deus administra e supervisiona o cosmos, realiza reuniões com o conselho celestial, exerce atos de julgamento, faz expiação pelo pecado e perdoa os pecadores, ouve as orações dos necessitados e recebe adoração dos habitantes do Universo. Uma das funções mais importantes de Deus no santuário é ministrar a justiça, o que conforta os que vivem num mundo ao mesmo tempo “judicializado” e injusto.

5. O ministério de Cristo no santuário celestial é a garantia de acesso ao trono da graça. Como único caminho ao Pai (Jo 14:6; Hb 9:8; 10:19, 20), Jesus é o liturgista (leitourgos, “ministro”) que atua no santuário celestial em nosso favor (Hb 8:2). Ele não está de férias por 2 mil anos, mas age para “salvar totalmente os que por Ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles” (Hb 7:25). “Com efeito, nos convinha um sumo sacerdote como este, santo, inculpável, sem mácula, separado dos pecadores e feito mais alto do que os céus” (v. 26). Assim, você pode contar com um defensor 100% sem pecado, mas 100% em favor dos pecadores, na mais alta corte do Universo.

Marcos De Benedicto (via Revista Adventista)

"O santuário do Céu, no qual Jesus ministra em nosso favor, é o grande original, de que o santuário construído por Moisés foi uma cópia. [...] Cristo está no santuário celestial e faz expiação pelo povo. Apresenta ao Pai Seu lado ferido e Suas mãos cicatrizadas. Intercede por Sua igreja na Terra. Ele está purificando o santuário dos pecados do povo. Qual é nossa parte? Nossa parte é estar em harmonia com a obra de Cristo. Pela fé, devemos trabalhar com Ele, estar em união com Ele" (Ellen G. White - Review and Herald, 28/01/1890).

POLÍTICA, FUTEBOL E RELIGIÃO SE DISCUTEM?

“Política, futebol e religião não se discutem. Se quiser ser meu amigo, não me fale de seu partido político, de seu time de futebol ou de sua religião. Cada um que vote em quem quiser, torça para quem quiser e escolha a religião que quiser”.

Certamente essas frases (ou suas variantes) já foram usadas inúmeras vezes para tentar aplacar ou prevenir uma discussão entre dois ou mais dialogantes. Em nosso país, onde a fragmentação política é grande, a paixão futebolesca arrebata e a diversidade religiosa cresce, as pessoas tendem a ficar cada vez mais divididas por esses temas tão pessoais. As preferências são formadas geralmente mais com os sentimentos que com a inteligência. Em consequência da defesa inflamada de um favoritismo pessoal, a violência não é rara quando as divergências estão ladeadas, como em comícios, eleições e jogos. Também as inimizades e discussões muitas vezes brotam quando as pessoas apresentam suas crenças religiosas.

Em novembro de 2022, ocorrerá o mais repercutido evento esportivo do mundo. Milhões de pessoas em nosso país interromperão suas atividades para, de forma entusiasmada, acompanhar as partidas de futebol da Copa. Um pouco antes, em outubro, serão realizadas as eleições gerais no Brasil. Apesar da natureza distinta desses dois eventos, a torcida pelos candidatos não costuma ser muito diferente da torcida pelos times de futebol. Frequentemente os eleitores torcem pelos seus candidatos preferidos com muita paixão, substituindo frequentemente a racionalidade adequada a uma escolha eleitoral por uma devoção impensada.

Como o cristão, que busca a paz, deve se posicionar diante de divergências que envolvem convicções pessoais? Num passado relativamente recente, os evangélicos brasileiros mantinham-se um tanto alheios e indiferentes à coisa mundana que era considerada a política, e as igrejas reprimiam as paixões esportivas. Mas o crescimento das denominações cristãs coincidiu com as maiores oportunidades de participação política dos diversos setores da sociedade (incluindo as igrejas), e as recreações esportivas deixaram de ser condenadas, a ponto de os novos conversos nem saberem que um dia o futebol foi censurado nos sermões.

Hoje as denominações evangélicas contam com um número de adeptos na casa dos milhões. Os candidatos se dirigem esfomeados às igrejas buscando eleitores entre os fiéis, reescrevendo com linguagem bíblica suas agendas políticas. E, como as ideologias sociais contém tanto elementos convergentes quanto divergentes à fé cristã, há cristãos que passam a aceitar ou rejeitar determinadas ideologias com um fervor religioso, como se uma doutrina política específica fosse parte de sua doutrina cristã.

Surpreendentemente, existe agora a figura do cristão politizado. Ele confunde valores com conservadorismo ou caridade com progressismo. A ideologia é uma doutrina a mais no seu credo de fé. Assim, a cristandade está sendo dividida não somente pelas diferentes interpretações doutrinárias, mas também pelo sincretismo entre cristianismo e política. Essa situação leva à pergunta: “O ativismo partidário enriquece ou corrompe o cristianismo?”

É indiscutível que a pregação do evangelho resulta em transformação social. Mas a mensagem de Cristo vai além. Seu foco é a redenção espiritual: um ser humano perdido em pecado sendo salvo após o arrependimento por meio da fé em Cristo. Salvo do pecado e da morte eterna. Salvo para uma vida renovada, com pensamentos e atitudes alinhados com a revelação da vontade de Deus encontrada na Bíblia. Mudanças sociais podem ser um caminho para tocar o coração de uma pessoa quanto à necessidade de redenção espiritual, ou são consequências dessa redenção. Não combina com o discurso de Cristo substituir a redenção espiritual pela redenção social.

Nem Jesus nem os primeiros cristãos tiveram como meta mudar as estruturas sociais e políticas de seu tempo. João Batista, por exemplo, esteve mais preocupado com a condição espiritual de seu governante que com suas políticas públicas (Mt 14:3, 4). O apóstolo Paulo orientou os fiéis que a mudança de condição social é questão secundária (1Co 7:20-24), e Cristo recusou Se aproveitar de qualquer posição de liderança política para favorecer Sua missão (Jo 6:15).

Nenhuma ideologia política leva em conta a realidade espiritual, a condição do pecado e o plano da redenção. Respostas mais ou menos satisfatórias para os problemas sociais podem ser dadas, mas a política não apresenta a saída para o mais profundo dilema humano: o pecado, mal que verdadeiramente rouba a dignidade pessoal. Ideais políticos podem traçar caminhos para tirar pessoas da pobreza, da violência, dos vícios, da incultura e da doença, mas são incapazes de oferecer contentamento, paz interior, temperança, conhecimento da Verdade e cura para a alma. Podem melhorar o mundo, mas não melhorar as pessoas. Isso só Cristo faz.

Em vista disso, é irrazoável que o cristão aplique ao ativismo partidário o mesmo fervor que deveria devotar à Grande Comissão de Cristo (Mt 28:19, 20). Pode, e deve até certo ponto, se interessar pelas questões da sociedade, mas seu interesse e sua atuação sempre serão secundárias e subordinadas à missão maior de apresentar Cristo como única esperança para os problemas humanos. Mesmo se trabalhar na política, nenhuma agenda partidária substitui os valores do Reino de Deus. Davi, acima de ser rei, era um homem segundo o coração de Deus. Daniel, antes de ser um estadista, era um profeta do Altíssimo. José, além de ser o governador de uma nação, era principalmente um homem que sonhava os sonhos de Deus. Ester, adiante das preocupações da corte medo-persa, preocupava-se com o povo de Deus.

Numa sociedade polarizada, o cristão não tem a missão de acentuar as diferenças, mas a tarefa de convidar todas as pessoas a uma convergência em torno do Rei Jesus. Só assim as soluções humanas que dividem serão substituídas pela solução divina que une.

Texto adaptado de Fernando Dias (via Revista Adventista)

quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

ENTREVISTA COM ELLEN WHITE SOBRE O NATAL

Qual foi o conselho de Ellen White a respeito de celebrar ou não o Natal? Algumas pessoas esperam que, com base em sua autoridade profética, ela tenha condenado essa prática. Essas pessoas costumam associar o Natal às influências católicas e pagãs que atribuíram a data de 25 de dezembro ao nascimento de Jesus. Os que assim pensam não encontram na Bíblia nenhuma referência ou orientação sobre a celebração do Natal, e questionam se o modo de ser comemorado esse feriado se harmoniza com os valores cristãos. Ellen White tinha consciência dessa inquietação sobre o Natal.

Então, muitos interrogam: É certo fazermos comemoração do Natal, uma vez que não sabemos nem o dia em que Jesus nasceu? É certo darmos presentes na época do Natal? É certo colocarmos uma árvore de Natal na igreja para alegria das crianças? Ellen White, nesta entrevista fictícia, nos orienta a respeito deste assunto. As perguntas são formuladas por nós, mas as respostas são literalmente da pena de Ellen White. Fonte no final da entrevista.

Pergunta: Sra. White, podemos saber exatamente o dia em que Jesus nasceu?

EGW: “O dia 25 de dezembro é supostamente o dia do nascimento de Jesus Cristo, e sua observância tem-se tornado costumeira e popular. Entretanto não há certeza de que se esteja guardando o verdadeiro dia do nascimento de nosso Salvador. A História não nos dá certeza absoluta disto. A Bíblia não nos informa a data precisa. Se o Senhor tivesse considerado este conhecimento essencial para a nossa salvação, Ele Se teria pronunciado através de Seus profetas e apóstolos, para que pudéssemos saber tudo a respeito do assunto. Mas o silêncio das Escrituras sobre este ponto dá-nos a evidência de que ele nos foi ocultado por razões as mais sábias.”

Pergunta: Se não sabemos o dia exato do nascimento de Jesus, é lícito realizarmos algum tipo de comemoração no dia 25 de dezembro, dia em que o mundo cristão comemora esse acontecimento?

EGW: “Sendo que o 25 de dezembro é observado em comemoração do nascimento de Cristo, e sendo que as crianças têm sido instruídas por preceito e exemplo que este foi indubitavelmente um dia de alegria e regozijo, ser-vos-á difícil passar por alto este período sem lhes dar alguma atenção. Ele pode ser utilizado para um bom propósito.”

Pergunta: O que a senhora acha sobre o costume de dar presentes na época do Natal?

EGW: “As festas estão chegando rapidamente com sua troca de presentes, e jovens e idosos estão estudando intensamente o que poderão dar a seus amigos como sinal de afetuosa lembrança. É agradável receber um presente, mesmo simples, daqueles a quem amamos. É uma afirmação de que não estamos esquecidos, e parece ligar-nos a eles mais intimamente… Está certo concedermos a outros demonstrações de amor e afeto, se em assim fazendo não esquecermos a Deus, o nosso melhor amigo. Devemos dar nossos presentes de tal maneira que se provem um real benefício ao que recebe. Eu recomendaria determinados livros que fossem um auxílio na compreensão da Palavra de Deus, ou que aumentem nosso amor por seus preceitos. Sejam os presentes que façais, da espécie que espalhe raios de luz sobre o caminho que conduz ao Céu.

Pergunta: E como podemos manifestar a Jesus nosso reconhecimento nas festividades do Natal?

EGW: “Irmãos e irmãs, enquanto estais planejando dar presentes uns aos outros, desejo lembrar-vos nosso Amigo celestial, para que não passeis por alto Suas reivindicações. Não se agradará Ele se mostrarmos que não O esquecemos? Jesus, o Príncipe da Vida, deu tudo a fim de pôr a salvação ao nosso alcance. Ele sofreu mesmo até a morte, para que nos pudesse dar a vida eterna… Não deve nosso Benfeitor celestial participar das provas de nossa gratidão e amor? Vinde, irmãos e irmãs, vinde com vossos filhos, mesmo os bebês em vossos braços, e trazei ofertas a Deus, segundo vossas possibilidades. Cantai ao Senhor em vosso coração, e esteja em vossos lábios o Seu louvor.”

Pergunta: A senhora vê alguma forma mais sensata de comemorarmos o Natal do que aquela que é frequentemente praticada entre os cristãos?

EGW: “Pelo mundo, os feriados são passados em frivolidades e extravagância, glutonaria e ostentação. Milhares de dólares serão gastos de modo pior do que se fossem lançados fora, no próximo Natal e Ano Novo, em condescendências desnecessárias. Mas temos o privilégio de afastar-nos dos costumes e práticas desta época degenerada; em vez de gastar meios meramente na satisfação do apetite, ou com ornamentos desnecessários ou artigos de vestuário, podemos tornar as festividades uma ocasião para honrar e glorificar a Deus. Cristo deve ser o objetivo supremo; mas da maneira em que o Natal tem sido observado, a glória é desviada dEle para o homem mortal, cujo caráter pecaminoso e defeituoso tornou necessário que Ele viesse ao nosso mundo. Jesus a Majestade do Céu, o nobre Rei do Céu, pôs de lado Sua realeza, deixou Seu trono de glória, Sua alta posição, e veio ao nosso mundo para trazer ao homem caído, debilitado nas faculdades morais e corrompido pelo pecado, auxílio divino… Os pais deviam trazer essas coisas ao conhecimento de seus filhos e instruí-los mandamento sobre mandamento, regra sobre regra, em suas obrigações para com Deus.”

Pergunta: E como fazer isso de tal forma que as crianças compreendam e aceitem de boa vontade?

EGW: “Há muita coisa que pode ser planejada com gosto e muito menos dispêndio do que os desnecessários presentes que são frequentemente oferecidos a nosso filhos e parentes, podendo assim ser mostrada cortesia e a felicidade de ser levada ao lar. Podeis ensinar uma lição aos vossos filhos enquanto lhes explicais a razão por que tendes feito uma mudança no valor de seus presentes, dizendo-lhes que estais convencidos de que tendes até então considerado o prazer deles mais que a glória de Deus… Como os magos do passado, podeis oferecer a Deus vossos melhores dons e mostrar por vossas ofertas a Ele que apreciais Seu dom por um mundo pecaminoso. Levai os pensamentos de vossos filhos através de um canal novo, altruístico, incitando-os a apresentar ofertas a Deus pelo dom do Seu Unigênito Filho.

Pergunta: E quanto ao costume de se colocar uma árvore de Natal na igreja?

EGW: “Deus muito se alegraria se no Natal cada igreja tivesse uma árvore de Natal sobre a qual pendurar ofertas, grandes e pequenas, para essas casas de culto. Têm chegado a nós cartas com a interrogação: Devemos ter árvore de Natal? Não seria isto acompanhar o mundo? Respondemos: Podeis fazê-lo à semelhança do mundo, se tiverdes disposição para isto, ou podeis fazê-lo muito diferente. Não há particular pecado em selecionar um perfumoso pinheiro e pô-lo em nossas igrejas, mas o pecado está no motivo que induz à ação e no uso que é feito dos presentes postos na árvore. A árvore pode ser tão alta e seus ramos tão vastos quanto o requeiram a ocasião; mas os seus galhos estejam carregados com o fruto de ouro e prata de vossa beneficência, e apresentai vossas doações santificadas pela oração. As festividades de Natal e Ano Novo podem e devem ser celebradas em favor dos necessitados que têm família grande para sustentar.”

Todas as respostas acima encontram-se no livro O Lar Adventista, capítulo 77 "Natal", pp. 477-483.

terça-feira, 14 de dezembro de 2021

O ERRO DOS OUTROS

Gastar tempo pensando no pecado, nos erros ou nos defeitos dos outros não é algo comum apenas entre cristãos. É algo comum ao ser humano. Não é por menos que existem pessoas que ganham a vida profissionalmente comentando as falhas que pessoas famosas cometem.

Mas, como cristãos, apesar de termos os aspectos morais saltando constantemente diante de nossos olhos, temos razões para não nos concentrarmos tanto em pensar sobre como as outras pessoas violam as diferentes normas que existem.

Relacionei abaixo quatro razões pelas quais não devemos gastar nosso tempo pensando nos erros dos outros. É possível que você consiga pensar ainda em outras razões. Irei me deter em comentar apenas estas quatro:

1. Quando você gasta muito tempo pensando nos erros dos outros, você acaba gastando pouco tempo pensando em seus próprios erros.

Analisar o comportamento das outras pessoas é muito mais fácil que analisar o nosso próprio comportamento. Quando estamos dentro de uma situação, nossa perspectiva é muito contaminada com nossas distorções cognitivas, nossas justificativas e crenças limitantes que interferem diretamente em nossa avaliação sobre os nossos comportamentos. Por isso, ao pensarmos sobre nossos próprios comportamentos, corremos o risco de emitirmos, rapidamente, justificativas que nos impedem de avaliar corretamente nossos maus atos.

Quando nós estamos do lado de fora de uma situação, a perspectiva que temos é, de certa forma, privilegiada. Não emitimos esse pensamento rápido de justificar, mas levantamos hipóteses sobre a conduta alheia. E levantar hipóteses requer mais tempo do que produzir uma desculpa para si.

E se o comportamento inadequado do outro nos fere de alguma forma, aí que o pensamento sobre ele pode se tornar ainda mais demorado. Quer um exemplo prático? Conflitos de casais!

Quando, em meus atendimentos online atendo casais, percebo algo que é muito recorrente: cada cônjuge sabe dizer precisamente e com riqueza de detalhes os defeitos e as falhas do outro. E quando vão falar sobre suas próprias falhas, elas já vêm acompanhadas das justificativas que, em geral, acaba sendo uma nova lista de erros do outro.

Uma esposa ou um esposo que gasta muito tempo pensando naquilo que o cônjuge faz de errado ou precisa melhorar, geralmente é alguém que pensa pouco sobre suas próprias falhas e como mudar a si mesmo.

2. Concentrar-se muito no erro dos outros pode levar você a desenvolver sentimentos ruins.

Aquilo que sentimos é um produto do que pensamos, de como nossa mente percebe e interpreta as coisas. Quando nós pensamos que algo ruim pode acontecer, isso nos gera ansiedade. Quando avaliamos, em uma situação, que estamos sendo tratados com injustiça, isso pode provocar em nós o sentimento de indignação. Quando nos lembramos de algo triste que aconteceu, sentimos tristeza. E quando pensamos nos pecados dos outros constantemente?

Podemos sentir tristeza e compaixão, é claro. Esses sentimentos são bem-vindos. Eles nos ajudam a sermos empáticos, a nos colocarmos em oração pelo nosso próximo e a nos dispormos a ajudá-lo. Mas podemos também sentir raiva, porque o outro vive fazendo aquela coisa errada e nada parece acontecer com ele, por exemplo.

Corremos, também, o risco de nos sentirmos superiores, julgando que não somos tão maus como aquela pessoa. Não é assim que as pessoas se sentem quando falam dos políticos corruptos enquanto esquecem de suas pequenas corrupções diárias? Aqui, cabe bem as palavras de Jesus: “E por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu olho?” (Mateus 7:3).

E também podemos desenvolver o sentimento de solidão, de que estamos sozinhos e todo o restante das pessoas estão contra o que é correto. Elias experimentou esse último sentimento. Um sentimento que nos impede de perceber outros que se encontram em situação semelhante a nossa e nos coloca, indevidamente, em posição de vítimas.

3. Concentrar-se muito nos erros dos outros aumenta a probabilidade de desenvolver o comportamento de falar mal dos outros.

“Pois a boca fala do que está cheio o coração” (Mateus 12:34). É simples assim. Quanto mais nossa mente se ocupa de algo, mais nossa língua se ocupa disso também. A ordem bíblica é: “Finalmente, irmãos, tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama, se houver algo de excelente ou digno de louvor, pensem nessas coisas” (Filipenses 4:8). É quando nossa mente se concentra naquilo que é do bem, que nossos lábios podem falar do que é bom.

A esposa que se concentra nos defeitos do marido acaba por ser uma mulher caracterizada por reclamar muito. Aquele que se concentra nas falhas dos irmãos acabam por se deleitar em fofocas. A ordem das coisas é muito natural: os lábios não podem ser puros se a mente não é pura!

4. Você é moldado pelo mal em que você pensa constantemente.

E esse é, para mim, o ponto mais esquecido de todos. Uma das leis que governa a nossa mente diz que somos transformados pela contemplação. E contemplar não é apenas ver. É, também, pensar.

“O próprio ato de olhar para o mal nos outros desenvolve o mal em quem olha. Detendo-nos sobre as faltas do próximo, somos transformados na sua imagem. Mas contemplando Jesus, falando do Seu amor e da perfeição de Seu caráter, imprimimos em nós as Suas feições. Contemplando o alto ideal que Ele colocou diante de nós, subiremos a uma atmosfera santa e pura, que é a própria presença de Deus. Quando aí permanecemos, sairá de nós uma luz que irradia sobre todos os que estiverem em contato conosco” (Ellen White – A Ciência do Bom Viver, p. 492).

Eu não quero dizer que devemos ser alienados, que pensam que tudo é certo ou que tudo é bom. É claro que, enquanto vivemos em um mundo de pecado onde falhas existem continuamente ao nosso redor, nós as perceberemos. Também não seria correto que fizéssemos vista grossa para o erro das outras pessoas. A Palavra de Deus é clara: “Meus irmãos, se algum de vocês se desviar da verdade e alguém o trouxer de volta, lembrem-se disso: Quem converte um pecador do erro do seu caminho, salvará a vida dessa pessoa e fará que muitíssimos pecados sejam perdoados” (Tiago 5:19,20).

Mas não ajudamos as pessoas ao nosso redor gastando tempo em pensar sobre seus erros. Muito menos em falar deles para outras pessoas. É claro que uma esposa pode identificar as falhas do esposo e conversar com ele sobre isso. É claro que podemos identificar condutas inadequadas de nossos governantes, especialmente para que tomemos uma decisão melhor no momento das eleições. É claro que, se um irmão pecar, eu devo olhar para o seu pecado como algo que aborrece a Deus e coloca em risco sua salvação, e devo ajudá-lo em sua jornada espiritual.

Precisamos apenas nos lembrar que nenhuma dessas coisas requer que gastemos muito tempo pensando sobre o erro dos outros! Precisamos nos lembrar que o pecado que contemplamos nos modela. E a única coisa que deveria nos modelar é a imagem do nosso Salvador!

Karyne Correia (via Mente Saudável)

"Demorando-se continuamente nos erros e defeitos dos outros, muitos se tornam dispépticos religiosos. Os que criticam e condenam uns aos outros estão transgredindo os mandamentos de Deus, e são-Lhe uma ofensa. Irmãos e irmãs, afastemos o entulho da crítica e suspeita e murmuração, e não desgastei os nervos externamente. Se todos os cristãos professos usassem suas faculdades investigadoras para ver quais os males que neles mesmos carecem de correção, em vez de falar dos erros alheios, existiria na igreja hoje uma condição mais saudável. Precisamos olhar às faltas dos outros, não para condenar, mas para restaurar e curar. Vigiai em oração, ide avante crescendo, obtendo mais e mais do espírito de Jesus, e semeando o mesmo sobre todas as águas" (Ellen White - Mente, Caráter e Personalidade, vol. 2, pp. 635-638).

segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

INFLUENCERS DE CRISTO

Digitals influencers têm se tornado cada vez mais comuns e mais procurados; são a nova celebridade. São indivíduos que utilizam uma rede social para expressar análises e influenciar a opinião de outros indivíduos, através de publicações em texto ou vídeo online e, que são seguidos por um determinado público.

Influencer nada mais é do que Influenciador. Todos nós somos influencers na vida de alguém. Já parou pra pensar nisso? Suas escolhas, suas ações, seus sentimentos, sua vida podem ser o que está guiando uma pessoa. Uau!! Chega a ser assustador quando pararmos pra analisar de fato. 

Para a psicóloga Carolina Raupp é possível identificar o tipo de influência que se está exercendo. “Devemos avaliar o seguinte: as pessoas sentem prazer em estar na nossa companhia? Nossas conversas estão focadas mais em necessidades próprias ou em ouvir quem nos procura?”, exemplifica.

Além disso, é necessário exercitar constantemente a disposição em servir. “Estar disposto a ser um agente de mudança, buscando e aproveitando oportunidades para isso, já é uma grande contribuição. Como diz um ditado popular, ‘uma ação vale mais que mil intenções’”, completa Carolina.

O ponto é que, num mundo tão carente de boas referências, a sociedade espera bons exemplos, sobretudo dos cristãos. São vários os métodos utilizados na pregação do evangelho, mas talvez o mais eficaz deles seja a influência pessoal. E, segundo Ellen G. White, o cristão deve utilizá-la em favor da humanidade. “Mediante Cristo, Deus conferiu ao homem uma influência que lhe tornaria impossível viver para si próprio. […] É propósito de Deus que cada um se sinta imprescindível ao bem-estar dos outros, e procure promover a sua felicidade” (Serviço Cristão, p. 26).

Vejamos também o que Ellen G. White nos diz sobre a importância dos efeitos de nossa influência como cristãos:

"Nós mantemos uma soleníssima relação uns com os outros. Nossa influência é sempre ou a favor ou contra a salvação de pessoas. Estamos ou juntando com Cristo, ou espalhando por volta. Devemos andar humildemente e fazer retos caminhos, para que não desviemos outros do caminho certo. 

Devemos observar a mais estrita castidade, em pensamento, na palavra e no comportamento. Lembremo-nos de que Deus põe nossos pecados secretos à luz do Seu rosto. Há pensamentos e sentimentos sugeridos e despertados por Satanás, os quais molestam mesmo o melhor dos homens; mas se eles não são acalentados, se são repelidos como odiosos, a mente não se mancha com culpa, e nenhuma outra pessoa é desonrada por sua influência. Oh! que cada um de nós se possa tornar um cheiro de vida para vida aos que nos cercam! 

As boas qualidades que muitos possuem acham-se ocultas e, em vez de atrair pessoas para Cristo, eles as repelem. Caso essas pessoas pudessem ver a influência de suas maneiras descorteses e rudes expressões, sobre os incrédulos, e quão ofensiva é tal conduta aos olhos de Deus, haviam de reformar seus hábitos; pois a falta de cortesia é uma das maiores pedras de tropeço para os pecadores. Cristãos egoístas, azedos, queixosos, barram o caminho, de modo que os pecadores não se interessam em aproximar-se de Cristo.

Que Cristo seja visto em tudo que fazeis. Vejam todos que sois vivas epístolas de Jesus Cristo. Cada palavra que proferis, cada ato que praticais, tem para com os que convosco se associam uma influência para bem ou para mal; e, oh! quão necessário é que, pela fé, tenhais a Cristo habitando em vosso coração, a fim de que vossas palavras sejam palavras de vida, e vossas obras, atos de amor. 

Aquele que procura transformar a humanidade deve compreender ele próprio a humanidade. Unicamente pela simpatia, fé e amor podem os homens ser atingidos e enobrecidos. Neste ponto, Cristo Se revela o Mestre por excelência; de todos os que viveram sobre a Terra, somente Ele tem perfeita compreensão da alma humana" (Mente, Caráter e Personalidade 2, pp. 431-440).

Então, se você se assusta em pensar que alguém pode estar sendo influenciado por você, sugiro que mude esse sentimento. Se espelhe em Cristo, e deixe que Ele apareça através de você, todos os dias.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2021

OS ADVENTISTAS E OS DIREITOS HUMANOS

A Declaração Universal dos Direitos Humanos completa 73 anos nesta sexta-feira. O documento foi proclamado pela Assembleia Geral da ONU no dia 10 de dezembro de 1948, com o objetivo de assegurar a dignidade de todos os seres humanos, por meio da defesa de valores como a liberdade de expressão, a igualdade e a não discriminação. Seus 30 artigos compõem a base de todas as leis contemporâneas que defendem os direitos essenciais de todo o ser humano, como o direito à vida, à integridade física, à livre expressão e à associação, sem qualquer distinção de raça, cor, sexo, religião ou visão política (leia aqui).

O tema desse ano é a redução das desigualdades. Em mensagem, o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que o mundo está numa “encruzilhada” com pandemia, crise climática e a expansão das tecnologias digitais ameaçando os direitos humanos. Para ele, a exclusão e a discriminação crescem em meio à diminuição da esfera pública. Guterres lembrou que a pobreza e a fome estão aumentando, pela primeira vez em décadas, e milhões de crianças estão perdendo o seu direito à educação.

Baseada nos valores bíblicos, a Igreja Adventista do Sétimo Dia defende os direitos humanos desde que foi fundada em 1863. Segundo a Igreja, todo e qualquer ser humano deve ser livre para tomar decisões de qualquer natureza, bem como desfrutar de dignidade, igualdade e respeito. Muito antes da elaboração da Declaração Universal dos Direitos Humanos, Jesus esteve aqui na terra e disse: amem uns aos outros. E mais: amem aos seus inimigos e orem pelos que vos perseguem.

Segue abaixo, documento oficial da Igreja Adventista sobre a Declaração dos Direitos Humanos:

Em meados do século 19, os adventistas do sétimo dia defenderam, desde o seu inicio, os direitos humanos. Inspirados pelos valores bíblicos, os adventistas pioneiros estiveram envolvidos na luta contra a escravatura e a injustiça, e reivindicaram o direito de cada pessoa escolher uma crença de acordo com a sua consciência e de exercer e ensinar livremente a sua religião de forma não discriminatória, respeitando sempre a igualdade de direitos dos demais. Os adventistas do sétimo dia acreditam que na religião o uso da força é contrário aos princípios de Deus. Os adventistas do sétimo dia afirmam a dignidade do ser humano criado à imagem de Deus, promovendo a liberdade religiosa, a vida familiar, a educação, a saúde, a ajuda mútua e satisfazendo as prementes necessidades humanas.

A Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948 foi escrita e adotada por indivíduos que conheceram a destruição, o desespero e as dificuldades sem precedentes da Segunda Guerra Mundial. Esta experiência dolorosa concedeu-lhes a visão e o desejo de um mundo futuro de paz e liberdade. Ao brotar do melhor e mais nobre do coração humano, a Declaração Universal é um documento basilar que defende firmemente a dignidade, liberdade e igualdade humana, e a não discriminação de minorias. O artigo 18, que protege incondicionalmente a liberdade religiosa na crença e na prática, é de especial importância, pois a liberdade religiosa é o direito humano fundamental que sustém e suporta todos os direitos humanos.

Atualmente, a Declaração Universal dos Direitos do Homem é muitas vezes violada, especialmente o Artigo 18. A intolerância levanta frequentemente a sua cara feia, apesar dos progressos alcançados em muitos países. A Igreja Adventista do Sétimo Dia desafia as Nações Unidas, as autoridades governamentais, os líderes religiosos e os crentes e as organizações não governamentais a trabalharem consistentemente para a implementação desta Declaração. Os políticos, os líderes dos sindicatos, os professores, os empregadores, os representantes da comunicação social e todos os líderes de opinião deveriam apoiar fortemente os direitos humanos. Isso constituiria a resposta e a solução para a redução do crescente e violento extremismo religioso, a intolerância, os crimes passionais e a discriminação baseada na religião ou no secularismo anti-religioso. Deste modo, a Declaração Universal crescerá na sua importância prática e no seu esplendor, sem nunca correr o risco de se tornar num documento irrelevante.

Esta declaração foi votada em 17 de Novembro de 1998 pelo Conselho Administrativo da Conferência Geral e emitida pelo Gabinete de Relações Públicas da Conferência Geral.

Ellen G. White diz: "Toda religião falsa ensina seus adeptos a serem descuidados para com as necessidades, sofrimentos e direitos humanos. O evangelho dá alto valor à humanidade, como resgate do sangue de Cristo, e ensina uma terna solicitude pelas necessidades e misérias do homem" (O Desejado de Todas as Nações, p. 287).

Assim, para os adventistas, a dignidade humana é um valor essencial. Não devemos apoiar de modo algum uma política ou atitude que negue a dignidade de qualquer segmento da humanidade. Como igreja, devemos ser prudentes e sábios ao falarmos oficialmente, mas ser uma igreja silenciosa sobre questões vitais é envergonhar-se de Jesus, nosso Salvador e de Deus, nosso Criador. Como membros da igreja, não devemos tomar parte em nenhum empreendimento que transforme alguém feito à imagem de Deus em uma coisa ou objeto. A questão não tem a ver somente com coerência, mas também com testemunho. Nunca devemos nos esquecer de que somos embaixadores do reino de Deus na Terra, e arautos de uma nova criação que restaura e estabelece para sempre a dignidade humana. Só então, "romperá a tua luz como a alva, a tua cura brotará sem detença, a tua justiça irá adiante de ti, e a glória do Senhor será a tua retaguarda" (Isaías 58:8).

quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

BURNOUT DIGITAL

Hoje a internet tornou-se condição sine qua nom na vida da maioria das pessoas. É fato que ela, quando bem utilizada, amplia nossa visão de mundo e de informações. Da mesma forma, esse excesso de velocidade, de informações, de prontidão, nos deixa cada vez mais agitados e ansiosos. 

Falo por mim, antes tinha paciência de ficar 5 minutos em uma fila e, como hoje consigo resolver em alguns segundos com a tecnologia, esses 5 minutos viraram uma eternidade e não tenho mais plenitude de ficar parada. E quantas vezes fico atualizando sequencialmente: caixa de e-mail, WhatsApp, feed de todas as mídias sociais, portais, volto e faço tudo de novo e, quando vejo, estou há uma hora fazendo as mesmas coisas.

Um relatório de 2021 do Pew Research Center mostrou que 31% dos adultos norte-americanos estão online quase constantemente e 48% estão online várias vezes ao dia. Estar online, responder com agilidade, estar disponível em qualquer lugar e a qualquer momento, tornou-se sinônimo de eficiência (e ai de você se esquecer de responder alguém). 

O home office e trabalhos híbridos com certeza foram e são essenciais em diversas vertentes e, nesse momento de pandemia, entretanto é necessário impor limites e definir horário de trabalho. Esse ponto é crucial e precisa estar preestabelecido com a empresa, para não cometer excessos —porém, muitos de nós, por ansiedade e eficiência, queremos resolver; independente do que foi combinado, e acabamos não respeitando os nossos horários.

O que precisamos saber é que o burnout não acontece só no trabalho presencial, e isso vai muito além, pois tem muito mais a ver com sua sobrecarga mental do que de fato com o que está fazendo. Estar disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana pode causar o chamado burnout digital ou esgotamento digital e, por isso, é necessário entender como lidar com esse processo.

Burnout digital ou esgotamento digital
O esgotamento profissional, conhecido como síndrome de burnout, foi incluído na Classificação Internacional de Doenças da OMS em 2019, no capítulo de "problemas associados" ao emprego ou ao desemprego.

O problema foi descrito como "uma síndrome resultante de um estresse crônico no trabalho que não foi administrado com êxito" e que se caracteriza por três elementos: "sensação de esgotamento, cinismo ou sentimentos negativos relacionados a seu trabalho e eficácia profissional reduzida."

O esgotamento digital ou burnout digital aparece como uma nova versão do burnout, de acordo com o McLean Hospital (afiliado da Harvard Medical School), esse tipo de "esgotamento digital, ou os sentimentos de ansiedade, exaustão e apatia causados por gastar muito tempo em dispositivos digitais, é um problema crescente. Conforme a tecnologia nos torna mais interconectados e a pandemia obriga mais de nós a depender de computadores, tablets e smartphones para trabalhar, o risco do burnout aumenta cada vez mais. O esgotamento digital pode ser difícil de diagnosticar, entretanto, porque o problema se desenvolve gradualmente e as pessoas podem não saber que estão esgotados."

As causas podem ser diversas como passar muito tempo online sem realizar pausas, excesso ou sobrecarga de informações, realizar inúmeras tarefas ao mesmo tempo em dispositivos diferentes; desencadeando alguns sinais e sintomas de esgotamento digital, que podem incluir problemas de sono (como dificuldade persistente para adormecer ou um sono cada vez menos repousante), diminuição de energia ou fadiga constante, efeitos físicos como dores no peito e diminuição do interesse no trabalho.

O que devemos estar atentos é que não nos damos conta do esgotamento digital, pois, como o mundo da internet está no nosso dia a dia e o tempo todo, é difícil de detectar. Entretanto, temos que entender que existe, pois essa fadiga pode levar a problemas de saúde mental mais duradouros, estando relacionada a condições de saúde mental como depressão e ansiedade e, geralmente, pode fazer você se sentir mal consigo mesmo.

Percebam quantas pessoas têm relatado que ficarão um tempo off da internet ou mesmo farão um detox digital? Quantas pessoas estão exaustas de calls ou mesmo de eventos online? Esse processo de fato tem crescido e as pessoas, intuitivamente, têm se afastado das redes por um tempo, pelo simples fato de estarem esgotadas —muitas vezes sem perceber que estão enfrentando um problema.

Entretanto, não gosto muito de terceirizar culpa, isto é, culpar a internet como causadora do esgotamento. Acredito que esse problema seja bem mais nosso de impor os limites do que da internet. A internet sempre estará aí, a porteira de informações está aberta, as pessoas sempre gerarão cada vez mais conteúdo e cabe a nós filtrarmos, parar um pouco, dizer "não" e estabelecermos regras e limites do que, para nós, é o ideal e importante.

Fique atento a algumas formas de detectar o esgotamento digital, de acordo com a Mayo Clinic:

- Sentir que tem que estar sempre online e não consegue desligar no final do dia;

- Dificuldade em separar trabalho e tempo pessoal;

- Sentir que precisa trabalhar horas extras para provar seu valor.

Como lidar com esse processo?
Como qualquer coisa na vida, precisamos impor limites. Ninguém sabe, mais que nós mesmos, nossas fragilidades e como devemos lidar com tudo isso. Porém temos que ter maturidade para saber quando é hora de parar. Por isso, antes que a "bomba exploda" e saia tudo do nosso controle, temos que sentar, planejar e definir regras e limites que permitam que você tenha uma relação saudável com a tecnologia.

Faça uma limpa
Apps, documentos, fotos; viramos acumuladores digitais (acabei de inventar isso, mas é assim que sinto). Acho sempre que o aplicativo ou aquele print de tela será importantíssimo em algum momento da minha vida —no final nem sei para o que aquilo serve. Existem apps que podem auxiliar em uma limpa na galeria de fotos/vídeos (eu uso um que se chama Gemini e separa fotos duplicadas, similares, capturas de tela; assim você consegue gerenciar tudo e até apagar conteúdos excessivos). No seu e-mail, cancele inscrições, dê uma limpa no spam e deixe tudo o mais clean possível. Pode ter certeza que aquela poluição visual diminuirá.

Desligue notificações desnecessárias
Sempre que baixamos um app vem de brinde a notificação. Às vezes deixamos de lado e acabamos ativando as notificações. E daí fica o app de compras avisando que tem um novo produto disponível para você, o supermercado sinalizando uma promoção, o aplicativo de beber água lembrando que está na hora de se hidratar, a caixa de e-mails apitando sem parar, as mensagens que não param de chegar, além das notificações das redes sociais. Respire, dê uma revisada nos seus ajustes e deixe notificando apenas o que é necessário.

Coloque horários
Quando você acorda é para acordar, despertar, ter uma rotina da manhã, tomar seu café etc. Não é para acordar (nem dormir) checando e-mails. Não percebemos, mas, depois que desligamos o despertador, já checamos as mensagens, olhamos a caixa do e-mail, atualizamos o feed...

Temos que aprender a dar tempo ao tempo e saber que nosso corpo precisa de uma rotina. Rotina de acordar, despertar o corpo, tomar o café da manhã, deitar, ficar em silêncio e dormir. Por isso, a rotina é extremamente essencial para nosso organismo e para criarmos um hábito. Dê pelo menos 30 minutos, ou até uma hora, se puder, antes de verificar seus e-mails ou mensagens pela manhã, assim terá um tempo para descomprimir antes de lidar com os problemas de trabalho. O mesmo se aplica para dormir. Dê tempo para relaxar e se prepare para dormir. Com sua mente focada no trabalho o tempo todo, pode ser muito difícil prestar atenção em outras coisas.

Tente identificar o que está te estressando
Para identificar o que está estressando você, note pequenas mudanças no comportamento, como roer ou cutucar as unhas, mexer nos cabelos de forma repetitiva, ficar inquieto, sentir enjôo ou a boca seca. Assim que a fonte ficar clara para você, fica mais fácil de buscar uma solução, como conversar com alguém de sua equipe ou encontrar tempo para desconectar.

Aprenda a dizer não
Não posso! Não tenho tempo. Isso não vai fazer com que se torne menos eficiente, pelo contrário. Quando falamos não, não é porque não sabemos fazer, e sim porque não daremos o nosso máximo naquela função. Por isso, quando detectamos que estamos sobrecarregados e que não conseguimos mais dar conta de uma nova função, conseguimos executar com maestria o que nos foi delegado. Dizer NÃO é importante.

Tenha momentos do seu dia offline
Já fiz aqui muitos textos sobre os prejuízos de ficar muito tempo sentado. Então já estamos cansados de saber a importância de passar mais tempo realizando atividades e em movimento. Por isso, como sempre reforço, levante de tempos em tempos, dê uma caminhada pelo seu ambiente de trabalho e, além disso, destine um tempo para realizar exercícios —seja na academia ou ao ar livre. Há também técnicas bem legais de respiração, meditação e atenção plena que auxiliam no controle do estresse e da ansiedade.

Paola Machado (via UOL)

Nota do blog: Segue abaixo mais algumas dicas práticas para fugir do esgotamento e experimentar melhor qualidade de vida.

1. Primeiro Deus: Separe tempo para nutrir sua comunhão diária com o Senhor. O estudo das Escrituras, a oração e a reflexão espiritual logo ao início do dia proporcionam direcionamento, crescimento e paz. Vivemos dias conturbados e precisamos realmente nos apropriar da promessa de Cristo: “Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas” (Mateus 6:33).

2. Dê atenção à sua família: Muitos profissionais se frustram porque dedicam muito tempo ao trabalho e pouco tempo à família. Recentemente, um conhecido apresentador da televisão brasileira demonstrou publicamente sua insatisfação por não ter sido o pai que gostaria. Em suas palavras “eu fui um péssimo pai por força da profissão, porque tive que viajar a vida inteira, ganhava muito mal. Tive que viajar e ficava mais tempo fora do que dentro de casa. Então eu fui muito relapso na educação dos meus filhos”. Procure separar algum momento do dia para estar junto de seu cônjuge e filhos. No passado, as refeições serviam como elo entre os familiares. Atualmente, os dispositivos de comunicação se interpuseram entre as pessoas e têm roubado parte desse tempo precioso em família. Deixe a televisão e o smartphone de lado, sente-se com seus familiares em torno da mesa e enriqueça seus vínculos domésticos.

3. Invista em sua saúde: Entre os adventistas é comum se ouvir falar acerca dos “oito remédios naturais”. A ideia é antiga, mas suas aplicações são mais atuais do que nunca. Portanto, busque ter uma alimentação saudável, ingerir água regularmente, respirar ar puro, expor-se ao sol, praticar exercício físico, dormir regularmente, exercer a temperança e confiar em Deus. Infelizmente, o cuidado com o físico tem implicações mentais e emocionais que têm sido amplamente negligenciadas. Não caia nessa armadilha!

4. Relacione-se bem com as pessoas: Nutrir amizades sadias e edificantes é um fator importante para prevenir-se do burnout. Portanto, semanalmente, dedique tempo para conversar com amigos e desenvolver atividades que não estejam relacionadas com o trabalho. Pode ser a prática de um esporte coletivo, o engajamento em um projeto social, a participação em alguma atividade musical, enfim, algo que aproxime você das pessoas e lhe permita experimentar satisfação.

5. Monitore suas emoções: Busque recursos para administrar seus sentimentos. Alguns se utilizam de diários, outros de amizades sólidas (e do mesmo sexo), e ainda há aqueles que procuram o auxílio de um psicólogo ou conselheiro cristão. Encontre o meio mais adequado para você e não abra mão disso. Sobretudo, entregue ao Senhor, em oração, suas lutas e frustrações. Nele há não somente um Amigo, mas, sobretudo um Deus preocupado com você!

Embora essas dicas pareçam muito simples, elas demandam um alto nível de disciplina e força de vontade para ser seguidas. Entretanto, a fim de se ver livre do esgotamento e experimentar plenitude de vida, valem muito a pena!