quinta-feira, 3 de abril de 2014

Noé, muito além de um filme


Nada contra a iniciativa de produzir um filme com a história de Noé. Considero uma ideia interessante e que tem seus nobres objetivos. Mas, como quase tudo o que diz respeito à Bíblia hoje em dia, está gerando polêmica. Há os que consideram o conteúdo da película uma afronta ao texto bíblico original e outros que já aclamam o material por sua adaptação. Como eu não vi o filme ainda, quero pensar um pouco além dessas questões.

Filme comercial é e sempre será um filme. O que quero dizer com isso? Que para vender e conseguir audiência esse tipo de produto precisa apresentar elementos capazes de prender a atenção de quem vai, por exemplo, a um cinema e paga para assistir a uma sessão. É a lógica comercial há décadas em vigor e que funciona hoje plenamente. Digo isso para que ninguém se iluda ou espere que uma produção de aproximadamente 125 milhões de dólares, com nítido interesse em ser um sucesso na escola holywoodiana, tenha sido pensada para outra finalidade a não ser dar lucro. Diretor, produtores, distribuidores, todos unidos para que o filme venda.

Mas e o conteúdo? Bem, certamente levará em conta essa lógica comercial e não a opinião necessariamente de quem lê a Bíblia em casa há anos e já meditou nos capítulos de Gênesis que narram a trajetória do patriarca orientado por Deus para construir uma arca antes do dilúvio anunciado para destruir o mundo da época.

Minha reação diante de um filme como esse é a de senso de oportunidade. A produção não reflete exatamente o que talvez eu pense acerca da biografia de Noé? Pois bem, então diante disso uma dica que dou é a de ler o que o texto bíblico deixou registrado, debruçar-me sobre outros livros de comentaristas e tirar minhas próprias conclusões. Isso se chama pensar. O filme foi feito sobretudo para entretenimento, mas se eu quero profundidade de conhecimento tenho livros para me auxiliar. Preciso sair da crítica ao trabalho cinematográfico e criar eu mesmo minha concepção sobre o assunto.

Minha fé não precisa ser abalada sobre o que aprendi acerca de Noé. Sabe por quê? Porque não li apenas os quatro ou cinco capítulos referentes a sua vida para ter saciada minha curiosidade ou para ter argumento a fim de discutir nas redes sociais com amigos ou desconhecidos. Li para que eu mesmo fosse edificado espiritualmente.

Eu precisava entender que somente um homem muito bem relacionado com Deus poderia ouvir tão nitidamente Sua voz a ponto de aceitar fazer um barco gigante em um lugar onde nunca havia chovido torrencialmente.

Eu tinha de absorver por mim mesmo o conceito de que os habitantes da terra nos dias de Noé representavam os que desprezam os ensinos de Deus e não confiam no Seu amor a ponto de preferir morrer afogados a entrar em uma arca cheia de animais e até insalubre, mas vivos.

Eu precisava pessoalmente dessas palavras alentadoras e dessa narrativa fantástica.

Quem sabe compreendi melhor que os sonhos de um pai para seus filhos podem ser muitas vezes frustrados diante das escolhas que eles fazem apesar de todo o carinho e consideração demonstrados. Que o diga Cão!

Enfim, Noé fora do filme, sem a interpretação de Russel Crowe, sem maquiagem, sem cenário, sem figurantes, sem luzes especialmente feitas para causar sensações, sempre será para mim o Noé de fé, perseverança, humildade e lealdade ao Deus invisível e que se fez presente de maneira significativa na vida dele.

Se alguém não crê na história da Bíblia e vê tudo como mito e Noé apenas como ícone a ser explorado por outros ângulos, tudo bem. Respeito. Mas eu quero tirar vantagem de saber que as atitudes dele, o jeito como ele reagiu diante do pedido inusitado do Senhor e sua conduta me ensinam lições valiosas.

Muito se falará sobre o filme, suas especificadades técnicas, a performance dos atores e todos os comentários associados. Mas sugiro que você se aprofunde em Noé, um homem visionário segundo a vontade divina. Será, também, um incrível espetáculo pessoal.

Nenhum comentário:

Postar um comentário