terça-feira, 4 de outubro de 2016

Dia Mundial dos Animais, a Bíblia, Ellen White e a Nova Terra


O Dia Mundial dos Animais é comemorado todos os anos em 4 de Outubro. Tudo começou em Florença, Itália, em 1931, em uma convenção de ecologistas. Neste dia, a vida animal em todas as suas formas é celebrada, e eventos especiais são planejadas em locais por todo o mundo. O 4 de Outubro foi originalmente escolhido para o Dia Mundial dos Animais, porque é o dia da festa de São Francisco de Assis, amante da natureza e padroeiro dos animais e do meio ambiente.

A Bíblia é clara quanto ao dever do justo de respeitar todas as criaturas.
"O justo atenta para a vida dos seus animais." (Provérbios 12:10)
O assunto é tão sério que Deus faz um alerta aos que não cumprirem o dever de cuidar da natureza.
“Chegou o tempo de (…) destruir os que destroem a terra.” (Apocalipse 11:18)
A Bíblia também fala do cuidado protetor de Deus pelos animais (Salmos 104:21; Deuteronômio 22:6 e 7; Mateus 6:26), e é cheia de conselhos de amor e respeito aos animais. Vamos ver alguns? 
“Se você vir o jumento de alguém que o odeia caído sob o peso de sua carga, não o abandone, procure ajudá-lo.” (Êxodo 23:5)
Até a guarda do sábado deve servir de descanso para os animais.
“Nesse dia não farás trabalho algum, nem tu, nem teus filhos ou filhas, nem teus servos ou servas, nem teus animais.” (Êxodo 20:10)
Os animais não vivem ansiosos, pois Deus garante seu sustento.
“Observem os corvos: não semeiam nem colhem, não têm armazéns nem celeiros; contudo, Deus os alimenta.” (Lucas 12:24)
“Os leõezinhos rugem pela presa e buscam de Deus o sustento” (Salmo 104:21) 
Se devemos buscar a santidade e permitir que a imagem e semelhança de Deus novamente se reproduzam em nós, devemos imitá-Lo também nesse aspecto.

Aqueles que reconhecem sua dependência de Deus e fragilidade devem entender um pouco a afeição demonstrada pelos animais e seu desejo de proteção e afeição. Ellen G. White comenta:
“Os animais domésticos conhecem aquele que os alimenta diariamente. Até os seres irracionais sabem onde encontrar seu alimento, e por isso sentem certo carinho pela pessoa que os sustenta.” (Comentário Bíblico Adventista, vol. 4, p. 137)
A escritora e educadora Ellen White dispensava um carinho todo especial, não apenas a seu cãozinho de estimação (leia aqui), como a todos os demais animais com que tinha contato. No livro Histórias de Minha Avó, p. 17 (CPB), a neta de Ellen, Ella M. Robinson, narra o seguinte: 
“Independentemente de onde morássemos, se houvesse algum animal doméstico por perto, vovó fazia amizade com ele. Assim que os pés dela tocavam o chão do potreiro, o pônei relinchava as boas-vindas e estendia o pescoço para o afago que ele já sabia que receberia. Vovó não suportava ver os animais sendo maltratados porque, dizia ela, ‘eles não podem contar-nos os seus sofrimentos’.”
O nosso papel, dado a Deus no Éden, é cuidar, proteger as criaturas dEle. Ellen White nos fala mais:
"Aquele que maltrata os animais porque os tem em seu poder, é tão covarde quanto tirano. A disposição para causar dor, quer seja ao nosso semelhante quer aos seres irracionais, é satânica. Muitos não compreendem que sua crueldade haja de ser conhecida, porque os pobres animais mudos não a podem revelar. Mas, se os olhos desses homens pudessem abrir-se como os de Balaão, veriam um anjo de Deus, em pé, como testemunha, para atestar contra eles no tribunal celestial. Um relatório sobe ao Céu, e aproxima-se o dia em que se pronunciará juízo contra os que maltratam as criaturas de Deus." (Patriarcas e Profetas, p. 324)
Aqueles que têm animais de estimação, volta e meia são surpreendidos com a inteligência e o carinho manifestados por esses animais. A respeito disso Ellen White escreveu: 
“A inteligência apresentada por muitos mudos animais chega tão perto da inteligência humana, que é um mistério. Os animais vêem e ouvem, amam, temem e sofrem. ... Manifestam simpatia e ternura para com seus companheiros de sofrimento. Muitos animais mostram pelos que deles cuidam uma afeição muito superior à que é manifestada por alguns membros da raça humana. Criam para com o homem apegos que se não rompem senão à custa de grandes sofrimentos de sua parte.” (A Ciência do Bom Viver, pp. 315 e 316)
Noutra ocasião, Ellen White escreveu a seus filhos Edson e Willie: 
“Uma pessoa não pode ser cristã e permitir que seu mau gênio se acenda diante de qualquer pequeno acidente ou aborrecimento que se lhe depare, pois revela que nela está Satanás em lugar de Jesus Cristo. O colérico espancar de animais ou a tendência de se mostrar como dominador, é frequentemente exibido nas ruas com animais criados por Deus. Desabafam sua ira ou impaciência sobre objetos indefesos, que mostram serem superiores aos seus donos. Tudo suportam sem represália. Filhos, sejam bondosos com os animais, que não podem falar. Jamais lhes causem desnecessariamente dores. Eduquem-se a si mesmos em hábitos de bondade. Então ela se tornará habitual. Vou mandar para vocês um recorte de jornal, e decidam por vocês mesmos se alguns animais irracionais não são superiores a alguns homens que se permitiram embrutecer-se pelo cruel procedimento com os animais.” (Life Sketches, p. 26, citado em Perguntas que Eu Faria à Irmã White, p. 57)
Não é por acaso que o ser humano foi encarregado, logo nos primeiros momentos da história deste mundo, de cuidar dos animais. Era essa nossa missão, não persegui-los e utilizá-los como alimento. Muito menos divertir-nos às custas do sofrimento dessas criaturas com quem dividimos o globo. 

Com o pecado, houve separação em todos os níveis de relacionamento: entre o ser humano e Deus, entre o homem e a mulher, e entre os seres humanos e os animais. Os bichos, que antes tinham prazer em estar perto das pessoas, agora fugiam amedrontados daquele que aos poucos tornava-se seu principal predador – o homem. Que tristeza! 

O convite do evangelho é para permitirmos que Deus nos transforme, a fim de que sejamos uma vez mais Sua imagem e semelhança. Essa transformação se evidencia, também, pela manifestação do fruto do Espírito, em cujos “gomos” encontramos a bondade. E a bondade dos filhos de Deus deve se manifestar no trato com todas as criaturas.
“Deus requeira supremo amor a Deus e amor imparcial ao próximo, o vasto alcance dos seus reclamos toca também às criaturas mudas que não podem expressar em palavras suas necessidades e sofrimentos. 'O jumento que é de teu irmão ou o seu boi não verás caídos no caminho e deles te esconderás; com ele os levantarás, sem falta (Dt 22:4).' Aquele que ama a Deus, não somente amará o seu semelhante, mas considerará com terna compaixão as criaturas que Deus fez. Quando o Espírito de Deus está no homem, leva-o a aliviar o sofrimento antes que a criá-lo.” (Beneficência Social, p. 48)
Esse assunto é tão importante que Ellen White recomenda até observar o relacionamento do futuro cônjuge com os animais, a fim de se ter uma ideia de sua sensibilidade e humanidade.

Concluindo, gosto de pensar na harmonia e boa convivência que existirão na Nova Terra. Lá ninguém mais olhará um bezerrinho ou uma ovelhinha como um “suculento churrasco”. A cadeia alimentar na qual existem presas e predadores não mais existirá, pois o “lobo habitará com o cordeiro, e o leopardo se deitará junto ao cabrito; o bezerro, o leão novo e o animal cevado andarão juntos... a vaca e a ursa pastarão juntas, e as suas crias juntas se deitarão; o leão comerá palha como o boi ... não se fará mal nem dano algum em todo o Meu santo monte, diz o Senhor” (Isaías 11:6 e 65:25). 

Você consegue imaginar esta cena? É bom ir se habituando a ela, pois será assim em nosso novo lar.

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