segunda-feira, 31 de março de 2025

NADA A COMEMORAR!

A Ditadura Militar iniciada há 61 anos em 31 de março do ano de 1964 e que durou até 1985, sacramentada pela derrubada do então presidente João Goulart, foi um regime marcado pela violência e repressão, a democracia foi abolida e o estado de direito deixou de existir. Segue abaixo, dez razões para não ter saudades dos tempos da ditadura:

1. Tortura e ausência de direitos humanos
As torturas e assassinatos foram a marca mais violenta do período da ditadura. Pensar em direitos humanos era apenas um sonho. Havia até um manual de como os militares deveriam torturar para extrair confissões, com práticas como choques, afogamentos e sufocamentos.

Os direitos humanos não prosperavam, já que tudo ocorria nos porões das unidades do Exército. "As restrições às liberdades e à participação política reduziram a capacidade cidadã de atuar na esfera pública e empobreceram a circulação de ideias no país", diz o diretor-executivo da Anistia Internacional Brasil, Atila Roque. 

Sem os direitos humanos, as torturas contra os opositores ao regime prosperaram. Segundo a Comissão Nacional da Verdade, instituída durante o governo Dilma Rousseff (PT), 434 brasileiros foram mortos ou “desaparecidos” durante a ditadura militar entre os anos de 1964 e 1985. A comissão também concluiu que mais de 8,3 mil indígenas perderam a vida naquele período em razão de ações praticadas ou toleradas pelo regime então em vigor. Estima-se que 50 mil pessoas tenham sido presas por razões políticas, tendo cerca de 20 mil delas submetidas a torturas.

"Os agentes da ditadura perpetraram crimes contra a humanidade --tortura, estupro, assassinato, desaparecimento-- que vitimaram opositores do regime e implantaram um clima de terror que marcou profundamente a geração que viveu o período mais duro do regime militar", afirma. 

Para Roque, o Brasil ainda convive com um legado de "violência e impunidade" deixado pela militarização. "Isso persiste em algumas esferas do Estado, muito especialmente nos campos da justiça e da segurança pública, onde tortura e execuções ainda fazem parte dos problemas graves que enfrentamos", complementa. 

2. Censura e ataque à imprensa 
Uma das marcas mais conhecidas da ditadura foi a censura. Ela atingiu a produção artística e controlou com pulso firme a imprensa. 

Os militares criaram o "Conselho Superior de Censura", que fiscalizava e enviava ao Tribunal da Censura os jornalistas e meios de comunicação que burlassem as regras. Os que não seguissem as regras e ousassem fazer críticas ao país, sofriam retaliação --cunhou-se até o slogan "Brasil, ame-o ou deixe-o." 

Não são raras histórias de jornalistas que viveram problemas no período. "Numa visita do presidente (Ernesto) Geisel a Alagoas, achamos de colocar as manchetes no jornalismo da TV: 'Geisel chega a Maceió; Ratos invadem a Pajuçara'. Telefonaram da polícia para o Pedro Collor [então diretor do grupo] e ele nos chamou na sala dele e tivemos que engolir o afastamento do jornalista Joaquim Alves, que havia feito a matéria dos ratos", conta o jornalista Iremar Marinho, citando que as redações eram visitadas quase que diariamente por policiais federais. 

Para cercear o direito dos jornalistas, foi criada, em 1967, a Lei de Imprensa. Ela previa multas pesadas e até fechamento de veículos e prisão para os profissionais. A lei só foi revogada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) em 2009. 

Muitos jornalistas sofreram processos com base na lei mesmo após a redemocratização. "Fui processado em 1999 porque publiquei declaração de Fulano contra Beltrano. A Lei de Imprensa da Ditadura permitia isso: punir o mensageiro, que é o jornalista", conta o jornalista e blogueiro, Mário Magalhães. 

3. Amazônia e indígenas sob risco 
No governo militar, teve início um processo amplo de devastação da Amazônia. O general Castelo Branco disse, certa vez, que era preciso "integrar para não entregar" a Amazônia. A partir dali, começou o desmatamento e muitos dos que se opuseram morreram. "Ribeirinhos, indígenas e quilombolas foram duramente reprimidos tanto ou mais que os moradores das grandes cidades", diz a jornalista paraense e pesquisadora do tema, Helena Palmquist. 

A ideia dos militares era que Amazônia era "terra sem homens", e deveria ser ocupada por "homens sem terra do Nordeste." Obras como as usinas hidrelétricas de Tucuruí e Balbina também não tiveram impactos ambientais ou sociais previamente analisados, nem houve compensação aos moradores que deixaram as áreas alagadas. Até hoje, milhares que saíram para dar lugar às usinas não foram indenizados. 

A luta pela terra foi sangrenta. "Os Panarás, conhecidos como indígenas gigantes, perderam dois terços de sua população com a construção da BR-163 --que liga Cuiabá a Santarém (PA). Dois mil Waimiri-Atroaris, do Amazonas, foram assassinados e desaparecidos pelo regime militar para as obras da BR-174. Nove aldeias desse povo desapareceram e há relatos de que pelo menos uma foi bombardeada com gás letal por homens do Exército", afirma. 

4. Baixa representação política e sindical 
Um dos primeiros direitos outorgados aos militares na ditadura foi a possibilidade do governo suspender os direitos políticos do cidadão. Em outubro de 1965, o Ato Institucional número 2 acabou com o multipartidarismo e autorizou a existência de apenas dois: a Arena, dos governistas, e o MDB, da oposição. 

O problema é que existiam diversas siglas, que tiveram de ser aglutinadas em um único bloco, o que fragilizou a oposição. "Foi uma camisa-de-força que inibiu, proibiu e dificultou a expressão político-partidária. A oposição ficou muito mal acomodada, e as forças tiveram que conviver com grandes contradições", diz o cientista político da Universidade Federal de Pernambuco, Michael Zaidan. 

As representações sindicais também foram duramente atingidas por serem controladas com pulso forte pelo Ministério do Trabalho. Isso gerou um enfraquecimento dos sindicatos, especialmente na primeira metade do período de repressão. "Existiam as leis trabalhistas, mas para que elas sejam cumpridas, com os reajustes, é absolutamente necessário que os sindicatos judicializem, intervenham para que os patrões respeitem. Essas liberdades foram reprimidas à época. Os sindicatos eram compostos mais por agentes do governo que trabalhadores", lembra Zaidan. 

5. Saúde pública fragilizada 
Se a saúde pública hoje está longe do ideal, ela ainda era mais restrita no regime militar. O Inamps (Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social) era responsável pelo atendimento, com seus hospitais, mas era exclusivo aos trabalhadores formais. "A imensa maioria da população não tinha acesso", conta o cardiologista e sindicalista Mário Fernando Lins, que atuou na época da ditadura. Surgiu então a prestação de serviço pago, com hospitais e clínicas privadas. "Somente após 1988 é que foi adotado o SUS (Sistema Único de Saúde), que hoje atende a uma parcela de 80% da população", diz Lins. 

Em 1976, quase 98% das internações eram feitas em hospitais privados. Além disso, o modelo hospitalar adotado fez com a que a assistência primária fosse relegada a um segundo plano. Não existiam planos de saúde, e o saneamento básico chegava a poucas localidades. "As doenças infectocontagiosas, como tuberculose, eram fonte de constante preocupação dos médicos", afirma Lins. 

Segundo estudo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), "entre 1965/1970 reduz-se significativamente a velocidade da queda [da mortalidade infantil], refletindo, por certo, a crise social econômica vivenciada pelo país". 

6. Linha dura na educação 
A educação brasileira passou por mudanças intensas na ditadura. "O grande problema foi o controle sobre informações e ideologia, com o engessamento do currículo e da pressão sobre o cotidiano da sala de aula", sintetiza o historiador e professor da Universidade Federal de Alagoas, Luiz Sávio Almeida. 

As disciplinas de filosofia e sociologia foram substituídas pela de OSPB (Organização Social e Política Brasileira, caracterizada pela transmissão da ideologia do regime autoritário, exaltando o nacionalismo e o civismo dos alunos e, segundo especialistas, privilegiando o ensino de informações factuais em detrimento da reflexão e da análise) e Educação, Moral e Cívica. Ao mesmo tempo, com o baixo índice de investimento na escola pública, as unidades privadas prosperaram. 

Na área de alfabetização, a grande aposta era o Mobral (Movimento Brasileiro para Alfabetização), uma resposta do regime militar ao método elaborado pelo educador Paulo Freire, que ajudou a erradicar o analfabetismo no mundo na mesma época em que foi considerado "subversivo" pelo governo e exilado. Segundo o estudo "Mapa do Analfabetismo no Brasil", do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), do Ministério da Educação, o Mobral foi um "retumbante fracasso." 

Os problemas também chegaram às universidades, com o afastamento delas dos centros urbanos e a introdução do sistema de crédito. "A intenção do regime era evitar aglomeração perto do centro, enquanto o sistema de crédito foi criado para dispersar os alunos e não criar grupos", diz o historiador e vice-reitor do Fejal (Fundação Educacional Jayme de Altavila), Douglas Apratto. 

7. Corrupção e falta de transparência 
No período da ditadura, era praticamente impossível imaginar a sociedade civil organizada atuando para controlar gastos ou denunciando corrupção. Não havia conselhos fiscalizatórios e, com a dissolução do Congresso Nacional, as contas públicas não eram analisadas, nem havia publicidade dos gastos públicos, como é hoje obrigatório. 

"O maior antídoto da corrupção é a transparência. Durante a ditadura, tivemos o oposto disso. Os desvios foram muitos, mas acobertados pela força das baionetas", afirma o juiz e um dos autores da Lei da Ficha Limpa, Márlon Reis. 

Reis afirma que, ao contrário dos anos de chumbo, hoje existem órgãos fiscalizatórios, imprensa e oposição livres e maior publicidade dos casos. "Estamos muito melhor agora, pois podemos reagir", diz. 

Outro ponto sempre questionado no período de ditadura foram os recursos investidos em obras de grande porte, cujos gastos eram mantidos em sigilo. "Obras faraônicas como Itaipu, Transamazônica e Ferrovia do Aço, por exemplo, foram realizadas sem qualquer possibilidade de controle. Nunca saberemos o montante desviado", disse Reis. "Durante a ditadura, a corrupção não foi uma política de governo, mas de Estado, uma vez que seu principal escopo foi a defesa de interesses econômicos de grupos particulares." 

8. Nordeste mais pobre e migração 
A consolidação do Nordeste como região mais pobre do país teve grande participação do governo do militares. "Nenhuma região mudou tanto a economia como o Nordeste", diz o doutor em economia regional Cícero Péricles Carvalho, professor da Universidade Federal de Alagoas. 

Com as políticas adotadas, a região teve um crescimento da pobreza. "Terminada a ditadura, o Nordeste mantinha os piores indicadores nacionais de índices de esperança de vida ao nascer, mortalidade infantil e alfabetização. Entre 1970 e 1990, o número de pobres no Nordeste aumentou de 19,4 milhões para 23,7 milhões, e sua participação no total de pobres do país subiu de 43% para 53%", afirma Péricles 

O crescimento urbano registrado teve como efeito colateral a migração desregulada. "O modelo urbano-industrial reduziu as atividades agropecuárias, que eram determinantes na riqueza regional, com 41% do PIB, para apenas 14% do total em 1990", diz Péricles. Enquanto o campo era relegado, as atividades urbanas saltaram, na área industrial, de 12% para 28% e, na área do comércio e serviços, de 47% para 58%. "A migração gerou mais pobreza nas cidades, sem diminuir a miséria no campo. A população do campo reduziu-se a um terço entre 1960 e 1990", acrescenta Péricles. 

9. Desigualdade: "milagre brasileiro" 
"É preciso fazer o bolo crescer para depois dividi-lo". A frase do então ministro da Fazenda Delfim Netto é, até hoje, uma das mais lembradas do regime militar. Mas o tempo mostrou que o bolo cresceu, sim, ficou conhecido como "milagre brasileiro", mas poucos comeram fatias dele. 

A distribuição de renda entre os estratos sociais ficou mais polarizada durante o regime: os 10% dos mais ricos que tinham 38% da renda em 1960 e chegaram a 51% da renda em 1980. Já os mais pobres, que tinham 17% da renda nacional em 1960, decaíram para 12% duas décadas depois. Assim, na ditadura houve um aumento das desigualdades sociais. "Isso levou o país ao topo desse ranking mundial", diz o professor de Economia da Universidade Federal de Alagoas, Cícero Péricles. 

Entre 1968 e 1973, o Brasil cresceu acima de 10% ao ano. Mas, em contrapartida, o salário mínimo --que vinha recuperando o poder de compra nos anos 1960-- perdeu com o golpe. "Em 1974, em pleno 'milagre', o poder de compra dele representava a metade do que era em 1960", acrescenta Péricles. "As altas taxas de crescimento significavam mais oportunidades de lucros altos, renda e crédito para consumo de bens duráveis; para os mais pobres, assalariados ou informais, restava a manutenção de sua pobreza anterior", explica o economista. 

10. Precarização do trabalho 
Apesar de viver o "milagre brasileiro", a ditadura trouxe defasagem aos salários dos trabalhadores. "Nossa última ditadura cívico-militar foi, em certo ponto, economicamente exitosa porque permitiu a asfixia ao trabalho e, por consequência, a taxa salarial média", diz o doutor em ciências sociais e blogueiro, Leonardo Sakamoto. 

Na época da ditadura, a lei de greve, criada em 1964, sujeitava as paralisações de trabalhadores à intervenção do Poder Executivo e do Ministério Público. "Ir à Justiça do Trabalho para reclamar direitos era possível, mas pouco usual e os pedidos eram minguados", explica Sakamoto. 

"Nada é tão atrativo ao capital do que a possibilidade de exercício de um poder monolítico, sem questionamentos", diz Sakamoto, que cita a asfixia dos sindicatos, a falta de liberdade de imprensa e política foram "tão atraentes a investidores que isso transformou a ditadura brasileira e o atual regime político e econômico chinês em registros históricos de como crescimento econômico acelerado e a violência institucional podem caminhar lado a lado". 

Carlos Madeiro (via UOL)

Nota do blog: A conversão a Cristo, a obra do Espírito Santo, é o golpe mais radical e profundo que se pode efetuar para conseguir um mundo melhor. Esta foi a única revolução que Cristo ensinou. Esta é a revolução da graça, silenciosa, pacífica, eficaz e profunda, que Deus pode operar hoje em teu coração. E que a esperança na volta de Cristo molde nossas ações em todas as esferas da vida. Inclusive na política.

sexta-feira, 28 de março de 2025

ELLEN WHITE CONTRA O CULTO CHATO

Sim, existem cultos chatos e até Ellen White, uma escritora do século 19, concorda com isso. Não, os cultos não devem ser chatos, e Ellen White fala sobre isso claramente. Nenhuma de nossas reuniões deve causar tédio pela falta de vida, de ânimo, pela desorganização ou pela impontualidade. Sim, existem pregadores monótonos e que falam demais, e até Ellen White concorda com isso. Não, os sermões não devem ser um teste de resistência para a Grande Tribulação por vir.

Notem que estou falando de uma antiga escritora que viveu num dos períodos de maior fervor do adventismo, onde os cultos eram vibrantes e marcados pela profunda busca da presença do Senhor.

Boa parte do tempo de nossas reuniões são dedicadas ao sermão. Um culto de uma hora e meia chega a ter uma hora dedicada apenas ao que, em teoria, deveria ser a exposição da Palavra. Ellen White dedicou muitos parágrafos a esse assunto, e deveríamos dar mais atenção a eles. De acordo com ela, muitas reuniões se tornam desinteressantes justamente por causa do modo como o sermão é apresentado. Em resumo: um culto pode se tornar chato, se o pregador não seguir algumas diretrizes.

Esses parágrafos anteriores se fazem necessários, pois é normal colocar a culpa do culto frio e monótono em cima dos adoradores, não dos que planejam e dirigem o culto. No entanto, quem fica no púlpito divagando por mais de uma hora num discurso sem vida, não pode simplesmente jogar a culpa nos membros e ir para casa com a consciência limpa de que “fiz a minha parte”. Na luta contra o culto-entretenimento, pode surgir a ideia implícita de que há virtude no culto desagradável e morto, mas Ellen White não endossa esse tipo de culto.

Ao contrário do que supõe algumas pessoas, Ellen White orienta que nossas reuniões sejam interessantes e cheias de vida. E para isso, ela frequentemente sugere o sair da rotina, usar novas idéias e abordagens, e especialmente cuidar com o horário.

Cultos devem ser interessantes
“Deve imperar ali a própria atmosfera do Céu. As orações e discursos não devem ser prolixos e enfadonhos, apenas para encher o tempo. Todos devem espontaneamente e com pontualidade contribuir com sua parte e, esgotada a hora, a reunião deve ser pontualmente encerrada. Deste modo será conservado vivo o interesse. Nisto está o culto agradável a Deus. Seu culto deve ser interessante e atraente, não se permitindo que degenere em formalidade insípida. Devemos dia a dia, hora a hora, minuto a minuto viver para Cristo; então Ele habitará em nosso coração e, ao nos reunirmos, seu amor em nós será como uma fonte no deserto, que a todos refrigera, incutindo nas almas esmorecidas um desejo ardente de sorver da água da vida” (Testemunhos Seletos, vol. 2, p. 252).

“Não canseis jamais os ouvintes com sermões longos. Isso não é sábio. Durante muitos anos estive empenhada nesse assunto, tratando de que nossos irmãos preguem menos e dediquem o seu tempo e energia para simplificar os pontos importantes da verdade, pois todo ponto será motivo de ataque de nossos oponentes. Todos quantos estejam relacionados com a obra devem manter idéias novas; … e com tato e previsão fazei todo o possível para interessar os vossos ouvintes” (Carta 48, 1886).

Pontualidade ajuda a evitar cultos e reuniões chatas
“As reuniões de conferências e oração não devem tornar-se tediosas. Todos devem estar prontos, se possível, na hora indicada; e se há retardatários, que estejam atrasados meia hora, ou mesmo quinze minutos, não se deve esperar por eles. Se houver apenas dois presentes, podem reivindicar a promessa. A reunião deve ser iniciada na hora marcada, se possível, estejam presentes muitos ou poucos” (Review and Herald, 3 de maio de 1871).

Sermões Longos e Tediosos
“Que a mensagem para este tempo não seja apresentada em discursos longos e elaborados, mas em prática breves e incisivas, isto é, que vão diretamente ao ponto. Sermões prolongados fatigam a resistência do orador e a paciência dos ouvintes. (…) Dai lições curtas, em linguagem clara e simples, e repeti-as muitas vezes. Os sermões curtos serão muito mais lembrados do que os longos. Aqueles que falam devem lembrar que os assuntos que estão apresentando talvez sejam novos para alguns dos ouvintes; portanto, os pontos principais devem ser repassados uma e outra vez” (Obreiros Evangélicos, pp. 167 e 168).

“Sejam os discursos curtos, espirituais e elevados” (Testemunhos para Ministros e Obreiros Evangélicos, p. 338).[1]

Muitos rodeios preliminares antes de ir ao ponto central
“Muitos oradores perdem o tempo e as energias em longos preliminares e desculpas. Alguns gastam cerca de meia hora em apresentar escusas; assim se perde o tempo e, quando chegam ao assunto e procuram firmar os pontos da verdade no espírito dos ouvintes, estes se acham fatigados e não lhes podem sentir a força” (Obreiros Evangélicos, p. 169).

Falem pouco
“Falai pouco. Vossos discursos geralmente têm o dobro do que deviam ter. É possível lidar com uma boa coisa de tal maneira que ela perca seu sabor. Quando um discurso é longo demais, a última parte da pregação diminui a força e o interesse do que a precedeu. Não divagueis, mas ide diretamente ao ponto. Dai ao povo o próprio maná do Céu e o Espírito testificará com vosso espírito que não sois vós que falais, mas que o Espírito Santo fala por vosso intermédio” (Testemunhos para Ministros e Obreiros Evangélicos, p. 311).[2]

Se você trabalha com jovens: não fale demais
“Os que dão instruções à infância e à juventude, devem evitar observações enfadonhas. Falar com brevidade, indo direto ao ponto, terá uma feliz influência. Se há muita coisa para dizer, substituí pela freqüência aquilo de que a brevidade os privou. Algumas observações interessantes, feitas de quando em quando, serão mais eficazes do que comunicar todas as instruções de uma só vez. Longos discursos fatigam a mente dos jovens. Falar demasiado levá-los-á mesmo a aborrecer as instruções espirituais, da mesma maneira que o comer em excesso sobrecarrega o estômago e diminui o apetite, conduzindo ao enjoo da comida. Nossas instruções à igreja, e especialmente à juventude, devem ser dadas, mandamento sobre mandamento, regra sobre regra, um pouco aqui, um pouco ali. As crianças devem ser atraídas para o Céu, não asperamente, mas com muita brandura. Não imagineis que vos seja possível despertar o interesse dos jovens indo à reunião missionária e pregando longo sermão. Planejai meios pelos quais se possa despertar um vivo interesse” (Obreiros Evangélicos, pp. 208-210).

Alguns sermões podem se transformar em três
“Alguns de vossos discursos longos teriam muito melhor efeito sobre as pessoas se os dividísseis em três. As pessoas não podem digerir tanto; sua mente tampouco os pode apreender, e chegam a cansar-se e confundir-se ao ser-lhes apresentada tanta matéria em um único sermão. Duas terças partes dos sermões tão longos perdem-se, e o pregador esgota-se. Muitos de nossos pastores há que erram nesse sentido. O resultado sobre eles não é bom, porque se tornam cérebros cansados e sentem que estão carregando para o Senhor cargas pesadas e suportando durezas” (Evangelismo, pp. 176 e 177).

Duas razões para se fazer sermões mais curtos
“Duas razões existem, pelas quais deveis fazê-lo. Uma é que podeis conquistar a reputação de ser pregador interessante; a outra é que podeis preservar a vossa saúde” (Carta 112, 1902).

Ter muitos sermões num mesmo período não é bom
“E quando se amontoam tantos discursos, um após outro, o povo não tem tempo de assimilar o que ouve. A mente fica-lhes confusa, e os serviços se lhes tornam enfadonhos e fatigantes” (Obreiros Evangélicos, p. 407).[3]

Por vezes, o sermão deve ser reduzido
“Ocasiões há em que convém fazerem os nossos pastores, no sábado, em nossas igrejas, breves discursos, cheios de vida e do amor de Cristo. Os membros da igreja não devem, porém, esperar um sermão cada sábado” (Testemunhos Seletos, vol. 3, p. 82).

“Aquele que é designado para dirigir cultos aos sábados, deve estudar a maneira de interessar os ouvintes nas verdades da Palavra. Não convém que faça sempre tão longos discursos que não haja oportunidade para os presentes confessarem a Cristo. O sermão deve ser, frequentemente, breve, a fim de o povo exprimir seu reconhecimento para com Deus. Ofertas de gratidão glorificam o nome do Senhor. Em cada assembléia dos santos, anjos de Deus escutam o louvor rendido a Jeová em testemunhos, canto e oração. A reunião de oração e testemunhos, deve ser um período de especial auxílio e animação. Todos devem sentir que é um privilégio tomar parte nela. Que todos os que confessam a Cristo tenham alguma coisa para dizer na reunião de testemunhos. Estes devem ser curtos, e de molde a servir de auxílio aos outros. Não há nada que mate tão completamente o espírito de devoção, como seja uma pessoa levar vinte ou trinta minutos num testemunho. Isso significa morte para a espiritualidade da reunião” (Obreiros Evangélicos, p. 171).

Momentos de louvor estropiados
“O canto é uma parte do culto de Deus, porém na maneira estropiada por que é muitas vezes conduzido, não é nenhum crédito para a verdade, nenhuma honra para Deus. Deve haver sistema e ordem nisto, da mesma maneira que em qualquer outra parte da obra do Senhor. Organizai um grupo dos melhores cantores, cuja voz possa guiar a congregação, e depois todos quantos queiram se unam com eles. Os que cantam devem esforçar-se para cantar em harmonia; devem dedicar algum tempo a ensaiar, de modo a empregarem esse talento para glória de Deus” (Evangelismo, p. 506).

Não devemos fazer orações longas e tediosas publicamente
“A oração feita em público deve ser breve, e ir diretamente ao ponto. Deus não requer que tornemos fastidioso o período do culto, mediante longas petições. Cristo não impõe a Seus discípulos fatigantes cerimônias e longas orações. 'Quando orares,' disse Ele, 'não sejas como os hipócritas, pois se comprazem em orar em pé nas sinagogas e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens' (Mateus 6:5). (…) Há muitas orações enfadonhas, que parecem mais uma preleção feita ao Senhor, do que o apresentar-Lhe um pedido. Seria melhor se os que assim procedem se limitassem à prece ensinada por Cristo a Seus discípulos. Orações longas são fatigantes para os que as escutam, e não preparam o povo para escutar as instruções que se devem seguir. É muitas vezes devido à negligência da oração particular, que em público elas são longas e fastidiosas. Não ponham os pastores em suas petições uma semana de negligenciados deveres, esperando expiar essa falta e tranquilizar a consciência. Tais orações dão freqüentemente em resultado o enfraquecer a espiritualidade de outros” (Obreiros Evangélicos, pp. 175 e 176).

Fazer orações públicas simples e não com palavras difíceis
“A linguagem floreada é inadequada à oração, seja a petição feita no púlpito, no círculo da família, ou em particular. Especialmente o que ora em público deve servir-se de linguagem simples, para que os outros possam entender o que diz, e unir-se à petição” (Obreiros Evangélicos, p. 177).

Perceba o padrão de Ellen White: nada deve ser desagradável e inconveniente no culto. Nem o sermão, nem o testemunho, nem as orações, nem a música. “Não seja chato”, essa é a mensagem geral. No que depender de você, não permita que o “Alegrei-me quando me disseram: vamos à Casa do Senhor” (Sl 122:1) se transforme em “fiquei entediado quando me disseram: vamos à Casa do Senhor”.

Profundidade não é sinônimo de prolixidade. Brevidade e objetividade não são sinônimos de superficialidade. Alegria não é sinônimo de irreverência. Reverência não é sinônimo de monotonia e chatice.

Isaac Malheiros (via Música Sacra e Adoração)

[1] Alguém pode estar pensando: “Mas a própria Ellen White relata ocasiões em que ela pregou durante uma hora ou mais”. Sim, mas isso não era o rotineiro. Eram ocasiões especiais, onde muitas vezes ela era usada por Deus para fazer revelações proféticas ao povo. O ponto aqui é: o normal e rotineiro deve ser sermões curtos. Podem existir exceções, ocasiões especiais onde maior tempo será gasto, mas a regra da pontualidade e dos sermões curtos deve prevalecer em nossos cultos.

[2] Escrevendo a um pregador chamado Stephen Belden, ela aconselhou: “Não segure o povo mais que trinta minutos em seus discursos”. Ele estava se tornando prolixo em seus sermões. (Manuscript Releases, vol. 10, p. 130)

[3] O contexto dessa advertência eram as reuniões campais, onde enorme quantidade de sermões eram apresentados em sequência.

quarta-feira, 26 de março de 2025

JUSTIÇA NA BÍBLIA

O direito do Estado de decretar, interpretar e executar as leis desempenha papel importante na sociedade. É difícil definir em detalhes o sistema legal no Antigo Testamento, embora as linhas básicas sejam bem claras. Como qualquer sistema legal, Israel procurou restabelecer a justiça, harmonia social e a ordem perturbada pela afronta civil ou criminal. A princípio, o tribunal judicial estava interessado em encontrar e revelar a verdade no contexto do debate legal.

1. Moisés e os Juízes
Após o Êxodo, Moisés exercia a função de juiz de Israel (Êxodo 18:12 e 16). Essa prática era baseada na família ou na lei tribal, onde o pai era responsável por preservar ou restabelecer a justiça. No caso de Moisés, essa se tornou uma responsabilidade impossível, então foi implantado um novo sistema que influenciou o sistema legal em todo o Antigo Testamento (Êxodo 18:17-27). Ele era composto por três elementos: Primeiro, as pessoas deviam aprender as leis que regulariam a nova sociedade para que agissem com responsabilidade. Segundo, havia tribunais inferiores em todo o acampamento. A jurisdição desses tribunais era restrita às pequenas causas. Os juízes eram cuidadosamente selecionados, comprometidos com o Senhor – ética e moralmente confiáveis (Êxodo 18:11). Terceiro, havia um tribunal superior onde Moisés era o juiz. Esse não era um tribunal de apelação, mas aquele onde as questões legais mais importantes eram resolvidas (Êxodo 18:22). O sistema legal foi ligeiramente modificado antes de os israelitas entrarem em Canaã (Deuteronômio 17:8-13). Os tribunais inferiores estavam localizados nos bairros ou nos portões das cidades (Deuteronômio 17:2; conforme Rute 4:1-12). Os juízes provavelmente eram os idosos do lugar. Na época, o tribunal superior funcionava no local onde estava o santuário e julgava os casos de “crimes de sangue, litígios ou agressões” (Deuteronômio 17:8, NVI). Um juiz e um sacerdote deviam decidir a questão legal e final (Deuteronômio 17:9). Durante o período dos juízes, havia juízes como governantes em cada localidade (Josué 24:1), e alguns exerciam funções judiciais (Juízes 4:4-5; 1 Samuel 8:1-3).

2. O Rei como Juiz
Quando o povo pediu um rei para julgá-los, a monarquia foi instituída (1 Samuel 8:20; 1 Reis 3:9). Ele se tornou o juiz da terra (conforme 2 Samuel 15:4), mas não podia agir sozinho. Davi nomeou juízes (1 Crônicas 26:29), provavelmente para legislar em tribunais inferiores. Os tribunais dos reis eram para casos mais difíceis e, talvez, para apelação (2 Samuel 14:5-10). É difícil determinar como o tribunal do rei funcionava, mas as reformas legais instituídas por Josafá podem ser úteis para nossa compreensão. Ele nomeou “juízes em cada uma das cidades fortificadas de Judá” (2 Crônicas 19:5). O tribunal superior, em Jerusalém, era composto por sacerdotes, levitas e alguns dos “chefes das famílias de Israel” (2 Crônicas 19:8; os anciãos). Ali eram julgados os casos mais difíceis, talvez enviados pelos tribunais inferiores (2 Crônicas 19:10), que podiam ser casos religiosos, civis e criminais. O rei nomeava seus representantes para esse tribunal superior (2 Crônicas 19:11). Obviamente, ele tinha sua autoridade judicial, mas não temos dados específicos.

3. Significado Teológico
Em Israel, Deus era o supremo juiz, não apenas de Seu povo, mas de todos os povos da Terra. Ele era o único que podia restaurar a justiça, a harmonia e a integridade na sociedade terrestre. Os juízes eram nomeados “não para julgar para o homem, mas para o Senhor, que estará com vocês sempre que derem um veredicto” (2 Crônicas 19:6). No Novo Testamento, Jesus assume o papel de Deus como juiz universal. Ele é o juiz, o sacerdote e o rei que, por meio do Seu sacrifício revela a malignidade do mal e o amor de Deus, podendo, então, pronunciar o veredicto final na suprema corte do universo, no templo celestial, contra Seus inimigos e a favor do Seu povo.

Ángel Manuel Rodríguez (via Revista Adventist World)

terça-feira, 25 de março de 2025

CRISTÃOS EM BUSCA DO ÊXTASE

Num belo dia, Aristóteles resolveu inventar que o homem é dividido em três: corpo, alma e espírito (ou mente). A ideia se tornou popular, acabou ganhando os séculos, alcançou guarida na teologia católica e grassa absoluta ainda hoje. Corolário dessa ideia é a de que o mundo do corpo é baixo e ruim, ao passo que o mundo superior é o da mente e do espírito, o mundo das ideias e do êxtase.

Êxtase vem do grego ékstasis, que significa estar separado de si. Pessoas espiritualizadas de nossos dias fazem da corrida atrás dele o grande sentido de suas vidas. Experiências místicas, transes sobrenaturais, sensações de arrebatamento em que o corpo, aquela coisa baixa e vil, fica lá longe, e o espírito se desdobra para viver o gozo da plenitude espiritual.

Infelizmente, muitos cristãos pregam a necessidade de se experimentar algo assim, também. Infelizmente porque a Bíblia jamais afirma que somos seres divididos em corpo, alma e mente, como se nosso verdadeiro eu estivesse aprisionado numa casca imperfeita e Deus só Se comunicasse plenamente ao nos libertar dessa casca, e não descreve nenhuma experiência mística como essa.

Ao contrário, a Bíblia afirma que somos seres unos. Diz que nosso corpo, somado a fôlego de vida, forma um ser vivente (Gênesis 2:7), o que equivale dizer que corpo e fôlego de vida separados um do outro não são nada.

A experiência mística que Jesus prega é mais sutil. Acontece quando estamos dentro de nós mesmos, muitas vezes sentindo uma dorzinha nas pernas, uma coceira em algum canto ou frio na ponta do nariz. Passa pela razão, ao invés de subvertê-la, e o arrebatamento que provoca não torna a criatura uma espécie de bêbado ou catatônico, mas alguém que, com espírito e com entendimento, alça louvores a Deus.

Ellen G. White alerta: "Encontramo-nos em constante perigo de colocar-nos acima da simplicidade do evangelho. Há intenso desejo da parte de muitos, de causar sensação ao mundo com alguma coisa original, que exalte o povo a um estado de êxtase espiritual, e mude a presente ordem de conhecimento pessoal. Há, certamente, grande necessidade de uma mudança na presente ordem de experiência; pois a santidade da verdade presente não é apreciada como devia ser, mas a mudança de que necessitamos é uma mudança de coração, e só pode ser obtida buscando individualmente a Deus em procura de Sua bênção, pleiteando com Ele por Seu poder, orando fervorosamente para que Sua graça venha sobre nós, e para que nosso caráter seja transformado. Esta é a mudança de que necessitamos hoje, e para cuja consecução devemos exercer perseverante energia e manifestar sincera resolução" (The Review and Herald, 22 de Março de 1892).

Estamos sujeitos o dia todo a estímulos cujo intuito é não nos permitir olhar para dentro de nós mesmos, parar para pensar. São luzes, cheiros, sons e imagens que vendem experiências, baratos, êxtases. É a cerveja que resolve nossos problemas de desajustamento social, é a roupa ou a bolsa que impõe respeito, é a promessa de ver estrelas comendo um chocolate ou da realização plena num ato sexual libertário.

Cristo propõe um tipo de desafio diferente. Convida a fazermos uma auto-análise honesta e iluminada pela Sua lei. Sugere que passemos tempo com Ele em oração e refletindo em Sua Palavra. Pede que depositemos nEle nossos sentimentos e aspirações, e que esperemos. Esse negócio de esperar não tem muito que ver com êxtases, não é mesmo? É mais parecido com o sacrifício de começar um programa de exercícios físicos: as banhas acumuladas só vão desaparecer depois de um bom período de luta, lentamente, depois que cada exercício for repetido incontáveis vezes com o mesmo zelo, com persistência, e a nova forma alcançada vai demandar prática constante para ser mantida.

Esse é o tipo de arrebatamento que devemos buscar. Ellen White diz: "A vida em Cristo é uma vida de descanso. Pode não haver êxtase de sentimentos, mas deve existir uma constante, serena confiança. Vossa esperança não está em vós mesmos; está em Cristo. Vossa fraqueza se acha unida à Sua força, vossa ignorância à Sua sabedoria, vossa fragilidade ao Seu eterno poder. Não deveis, pois, olhar para vós mesmos, nem permitir que o pensamento demore no próprio eu, mas olhai para Cristo. Que o pensamento demore em Seu amor, na formosura e perfeição de Seu caráter. Cristo em Sua abnegação, Cristo em Sua humilhação, Cristo em Sua pureza e santidade, Cristo em Seu incomparável amor — este é o tema para a contemplação da alma. É amando-O, imitando-O, confiando inteiramente nEle, que haveis de ser transformados na Sua semelhança" (Caminho a Cristo, p. 70).

Infelizmente, o cristianismo de hoje é um cristianismo de êxtase. O problema é que o cristianismo não é uma religião de êxtase. Nunca foi. O cristianismo é uma religião racional. Não racionalista, me entenda. Racional por acreditar que Deus fala ao homem através da razão. Obviamente, há espaço para a fé, pois ela não é contrária à razão. Contudo, a fé cristã consiste em confiar em Deus além das circunstâncias, ou seja, além do êxtase. A fé não é o motor do êxtase, ela é seu carrasco. Os cristãos nunca precisaram do êxtase, pois sempre tiveram Cristo. O Desejado de Todas as Nações torna o êxtase indesejável. A fé não sente Deus. A fé transcende o sentir. E é por isso que ela se apega à Palavra, pois a Palavra transcende o Homem. 

Ellen White adverte: "Satanás leva o povo a pensar que, por terem sentido um êxtase de sentimento, estão convertidos. Sua vida, porém, não experimenta mudança. Seus atos são os mesmos de antes. Sua vida não mostra bons frutos. Eles oram frequente e longamente, e constantemente se referem aos sentimentos que tiveram em tal ou qual ocasião. Mas não vivem a nova vida. Estão enganados. Sua vivência não vai além dos sentimentos. Constroem sobre areia, e ao virem ventos adversos, sua casa é arrebatada" (Youth's Instructor, 26 de setembro de 1901).

O êxtase é o substituto satânico para aqueles que nunca conheceram a Cristo. É disto que a igreja tem que se lembrar: enquanto ela tiver êxtase, ela nunca terá Cristo.

P.S.: O título do artigo faz referência ao livro Cristãos em Busca do Êxtase de Vanderlei Dorneles, que discute o fenômeno religioso contemporâneo marcado por intensa busca pela espiritualidade. Esta obra é recomendada a todos aqueles que buscam uma análise abalizada da explosão mística e existencialista que está transformando o cristianismo do ponto de vista litúrgico e comportamental. A obra provê uma chave explanatória para se compreender as raízes, tendências e ênfases da cultura carismática atual, ao mesmo tempo em que oferece uma visão equilibrada do culto bíblico. Trata-se de uma obra esclarecedora, uma leitura recomendada para todos que desejam compreender o fenômeno da religiosidade pós-moderna, suas causas, consequências e implicações futuras.

sexta-feira, 21 de março de 2025

SACUDIDURA: OS 14 GRUPOS QUE DEIXARÃO A IGREJA

“Sacudidura” é uma palavra figurativa usada em nossa igreja que designa uma experiência especial de seleção entre o povo de Deus. A palavra vem do ambiente agrícola. Após a colheita, os grãos são peneirados e sacudidos, método que descarta os grãos quebrados e a palha é soprada para fora.

"Vou dar ordem e vou separar os bons dos maus em Israel, como quem separa o trigo da casca, sem perder um só grão" (Amós 9:9).

A sacudidura escatológica, conforme ensinam os adventistas, é um período que acontecerá antes da segunda vinda de Jesus Cristo, finalizando com o término do juízo investigativo no santuário celestial (fechamento da porta da graça), abrangendo tanto indivíduos como grupos.

Ellen G. White alerta: “A sacudidura deve em breve acontecer para purificar a igreja” (Carta 46, 1887, p. 6). "Haverá uma sacudidura da peneira. No devido tempo, a palha precisa ser separada do trigo. Por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos está esfriando. Este é precisamente o tempo em que o genuíno será o mais forte" (Eventos Finais, p. 173).

Quem são os que deixarão a Igreja, sob a ação da sacudidura, identificados de forma geral sob as figuras do “joio”, “palha” e “mornos”? Em diferentes fontes, nos escritos de Ellen G. White, encontramos pelo menos 14 grupos que, eventualmente, deixarão a igreja:

1. Os autoenganados (Testemunhos para a Igreja, v. 4, p. 89, 90; v. 5, p. 211, 212).

2. Os descuidados e indiferentes (Testemunhos para a Igreja, v. 1, p. 182).

3. Os ambiciosos e egoístas (Primeiros Escritos, p. 269).

4. Os que recusam sacrificar-se (Primeiros Escritos, p. 50).

5. Os orientados pelo mundanismo (Testemunhos para a Igreja, v. 1, p. 288).

6. Os que comprometem a verdade (Testemunhos para a Igreja, v. 5, p. 81).

7. Os desobedientes (Testemunhos para a Igreja, v. 1, p. 187).

8. Os invejosos e críticos (Testemunhos para a Igreja, v. 1, p. 251).

9. Os fuxiqueiros, que acusam e condenam (Olhando Para o Alto, p. 236).

10. A classe conservadora superficial (Testemunhos para a Igreja, v. 5, p. 463).

11. Os que não controlam o apetite (Testemunhos para a Igreja, v. 4, p. 31).

12. Os que promovem desunião (Review and Herald, 18 de junho de 1901).

13. Os estudantes superficiais das Escrituras (Testemunhos para Ministros, p. 112).

14. Os que perderam a fé no dom profético (Mensagens Escolhidas, v. 3, p. 84).

Dois fatos aqui são convergentes. Primeiramente, a ampla variedade desse catálogo. Em segundo lugar, todas essas categorias estão hoje representadas na igreja. 

Ellen White afirma: "Ao aproximar-se a tempestade, uma classe numerosa que tem professado fé na mensagem do terceiro anjo, mas não tem sido santificada pela obediência à verdade, abandona sua posição, passando para as fileiras do adversário" (O Grande Conflito, p. 608). Novamente, a ênfase é colocada no fato de que são os infiéis que abandonarão a igreja.

"Ele, porém, respondeu: Toda planta que meu Pai celestial não plantou será arrancada" (Mateus 15:13). Neste texto, Jesus nos adverte contra as heresias teológicas do rigorismo farisaico como plantas que Deus não plantou. As heresias, contudo, não se limitam às doutrinas. Há também as heresias do comportamento, que serão também eliminadas.

Confira estes outros dois textos de Ellen White: "Introduzir-se-ão divisões na igreja. Desenvolver-se-ão dois partidos. O trigo e o joio crescerão juntos para a ceifa" (Mensagens Escolhidas, vol. 2, p. 114). "É uma solene declaração que faço à igreja, de que nem um entre vinte dos nomes que se acham registrados nos livros da igreja, está preparado para finalizar sua história terrestre, e achar-se-ia tão verdadeiramente sem Deus e sem esperança no mundo, como o pecador comum" (Eventos Finais, p. 172).

O extraordinário a respeito desse processo é que ele ocorrerá naturalmente, como resultado da incompatibilidade fundamental entre a verdade e tudo aquilo que é contrário a ela. Nosso desafio é: "Quando a religião de Cristo for mais desprezada, quando Sua lei mais desprezada for, então deve nosso zelo ser mais ardoroso e nosso ânimo e firmeza mais inabaláveis. Permanecer em defesa da verdade e justiça quando a maioria nos abandona, ferir as batalhas do Senhor quando são poucos os campeões - essa será nossa prova. Naquele tempo devemos tirar calor da frieza dos outros, coragem de sua covardia, e lealdade de sua traição" (Testemunhos Seletos, vol. 2, p. 31).


A purificação da igreja virá, mas administrada pelo Senhor da igreja. "Mas quem suportará o dia da Sua vinda? E quem subsistirá, quando Ele aparecer? Porque Ele será como o fogo do ourives e como o sabão dos lavandeiros. E assentar-Se-á, refinando e purificando a prata; e purificará os filhos de Levi, e os refinará como ouro e como prata" (Malaquias 3:2 e 3).

Ellen White adverte: "Estamos no tempo da sacudidura, tempo em que cada coisa que pode ser sacudida, sacudir-se-á. O Senhor não desculpará os que conhecem a verdade, se não obedecem a Seus mandamentos por palavra e ação" (Eventos Finais, p. 173).

Contudo, a igreja não cairá, e por fim, novos conversos ocuparão os lugares dos que se retirarem: "A igreja talvez pareça como prestes a cair, mas não cairá. Ela permanece, ao passo que os pecadores de Sião serão lançados fora na sacudidura - a palha separada do trigo precioso. É esse um transe terrível, não obstante importa que tenha lugar" (Mensagens Escolhidas, vol. 2, p. 380).

"Os lugares vagos nas fileiras serão preenchidos pelos que foram representados por Cristo como tendo chegado na hora undécima. Há muitos com quem o Espírito de Deus está lutando. O tempo dos juízos destruidores da parte de Deus é o tempo de misericórdia para aqueles que [agora] não têm oportunidade de aprender o que é a verdade. O Senhor olhará para eles com ternura. Seu coração compassivo se enternece, e a mão do Senhor ainda está estendida para salvar, enquanto a porta é fechada para os que não querem entrar. Será admitido um grande número de pessoas que nestes últimos dias ouvirem a verdade pela primeira vez" (Eventos Finais, p. 182).

quinta-feira, 20 de março de 2025

ADOLESCÊNCIA

Recém lançada na Netflix, a minissérie "Adolescência" lidera a lista de séries mais vistas da plataforma no Brasil com uma história perturbadora. Em uma noite tranquila, a polícia invade a casa da família de Jamie Miller (Owen Cooper) e prende o garoto de 13 anos pelo assassinato de uma colega de classe. Dividida em quatro episódio gravados em plano sequência (quando não há cortes entre as cenas), a produção revela como o crime vira de ponta cabeça a vida da família. 

Com uma narrativa densa e provocativa, a obra convida o público a refletir sobre as dinâmicas familiares, a vulnerabilidade dos jovens e os desafios da comunicação entre pais e filhos. A série não apenas expõe as dificuldades enfrentadas pelos adolescentes, mas também escancara o impacto das escolhas, ou da falta delas, dos adultos ao seu redor.

“PAI, VOCÊ NÃO ESTÁ ENTENDENDO. VOCÊ ESTÁ PERDIDO.”
Essa frase dita pelo adolescente Adam, filho do policial Luke Bascombe, é um dos momentos mais impactantes da minissérie. Ela traduz a desconexão entre adultos e adolescentes, tema central da obra. O que acontece quando os adultos acreditam que estão no controle, mas, na realidade, estão perdidos em relação ao que seus filhos sentem, pensam e vivenciam? Adolescência não busca oferecer respostas prontas, mas sim levantar questionamentos profundos sobre essa fase da vida. 

UMA NARRATIVA QUE PROVOCA E DESAFIA EXPECTATIVAS
A minissérie conta a história de Jamie, um garoto de 13 anos acusado de cometer um crime chocante. Desde o início, a narrativa conduz o público a um jogo de percepção: Jamie é franzino, branco, aparentemente um “bom moço”. Sua fragilidade é enfatizada em cenas impactantes, como quando urina nas calças no início da série, evidenciando o medo e a vulnerabilidade. Esse conjunto de elementos desperta no espectador uma inclinação à empatia, gerando a esperança de que ele seja inocente.

Ao longo dos episódios, no entanto, a série vai desconstruindo essa visão inicial. Não existem respostas simples, e os personagens são apresentados de maneira complexa e multifacetada. Jamie representa muito mais do que um adolescente específico: ele é um símbolo da adolescência negligenciada, das dores silenciadas, da dificuldade em se expressar e da falta de espaço seguro para que os jovens sejam ouvidos.

O PAPEL DA ESCOLA E A SOCIEDADE QUE JULGA
O ambiente escolar é um dos cenários centrais de "Adolescência", e a série faz questão de mostrar como a escola falha em proteger seus alunos. O bullying está presente em toda parte, e não apenas Jamie sofre com isso. Katie Leonard, a própria vítima do crime, também era alvo de ataques constantes e, além disso, sofreu sexting, tendo uma foto íntima exposta e ridicularizada, um retrato cruel da misoginia na sociedade.

Ao mesmo tempo, os professores se mostram completamente despreparados para lidar com essas questões. A falta de intervenção eficaz transforma a escola em um espaço onde o sofrimento é normalizado e os problemas dos alunos são ignorados até que se tornem graves demais para serem contornados.

E então surge a sociedade que julga. Os pais de Jamie passam a ser condenados e rotulados. A irmã também carrega o peso de um sobrenome que agora se tornou um estigma. Mas a grande ironia é que as mesmas pessoas que apedrejam essa família, que se perguntam “como não viram?”, são aquelas que também fecham os olhos para o que acontece dentro de seus próprios lares.

A REFLEXÃO BRUTAL DOS PAIS: ATÉ ONDE PODERIAM TER EVITADO?
Um dos momentos mais emocionantes da série é a reflexão dos pais de Jamie. O pai admite que sofreu violência doméstica na infância e quis criar o filho de uma maneira diferente. A mãe lembra que sempre tentaram oferecer o melhor: um quarto bem montado, um videogame, conforto. Mas, ao mesmo tempo, confessa que notava que o filho passava cada vez mais tempo isolado no quarto. E ela não viu problema nisso.

O pai se lembra da cena em que não conseguiu olhar para o filho, quando ele não atendeu às expectativas por não ser bom nos esportes. Ele também admite que, mesmo vendo o vídeo, não quis acreditar, não soube lidar.

E quantos pais não fazem o mesmo? Acreditamos que o perigo está nos grandes sinais: nas explosões de raiva, nas agressões físicas, nos comportamentos que fogem completamente da normalidade. Mas e as pequenas coisas? Os silências prolongados, os afastamentos sutis, as mudanças imperceptíveis no comportamento?

A grande lição de "Adolescência" é que é preciso equilibrar responsabilidade e auto-perdão. Sim, os pais concluem que poderiam ter feito mais. Mas também precisam aceitar que não existe uma fórmula perfeita para criar um filho e que, muitas vezes, os sinais de alerta são quase invisíveis.

O IMPACTO DA PSICÓLOGA E A IMPORTÂNCIA DO TRABALHO PROFISSIONAL
Outro ponto forte da série é a relação entre Jamie e a psicóloga, Dra. Briony Ariston. Essa cena é fundamental porque mostra como um profissional bem preparado pode acessar as verdades que estão escondidas sob camadas de silêncio e autodefesa.

Jamie chega a comparar o trabalho da psicóloga com o de outro profissional que o atendeu anteriormente, mencionando que “ele não fazia perguntas difíceis”. Essa diferença é crucial: enquanto um apenas tocava na superfície, o outro realmente conseguiu penetrar nas camadas emocionais do adolescente, criando um espaço onde ele, finalmente, se abriu.

E isso levanta uma questão importante: quantos profissionais estão realmente preparados para lidar com adolescentes? Quantos conseguem sair da trivialidade e mergulhar nos dilemas dessa fase da vida?

A VIDA SEGUE, MAS O QUE MUDAMOS COM ISSO?
A série termina sem um desfecho fechado porque a vida continua. Os policiais seguirão fazendo seu trabalho. Os pais precisarão encontrar um jeito de seguir em frente e reconstruir sua família. A irmã de Jamie precisará lidar com o peso do que aconteceu. A sociedade seguirá julgando, e a maioria das pessoas continuará não enxergando o que acontece dentro de suas próprias casas. E fica o questionamento final: será que vamos aprender algo com essa reflexão? Ou apenas assistiremos à série "Adolescência" e deixaremos tudo seguir como sempre foi?

Deixo aqui algumas advertências de Ellen G. White para refletirmos sobre esse tema tão desafiador:

"É impossível descrever os males que resultam de deixar a criança entregue à sua própria vontade. Alguns que se extraviam porque são negligenciados na infância, mais tarde, incutindo-se-lhes lições práticas, voltarão a si, mas muitos se perdem para sempre porque na infância e juventude receberam apenas uma cultura parcial, unilateral" (Conselhos aos Professores, Pais e Estudantes, p. 112).

"A má influência em torno de nossos filhos é quase avassaladora; ela lhes está corrompendo a mente e arrastando-os à perdição. Pais e mães muitas vezes deixam os filhos escolher seus próprios entretenimentos. Se se deseja formar hábitos corretos e estabelecer retos princípios, há uma fervente obra a ser feita. Se se deseja corrigir hábitos errôneos, requer-se na realização da tarefa diligência e perseverança" (O Lar Adventista, p. 466).

"Os filhos não devem ser deixados a vagar pelos caminhos a que estão acostumados, a penetrar nas avenidas que se abrem por todos os lados, afastando-se do caminho reto. Ninguém está em tão grande perigo como os que não reconhecem qualquer perigo e não têm a paciência da cautela e do conselho" (Testemunhos para a Igreja 5, p. 545).

"É obra especial de Satanás nestes últimos dias, tomar posse da mente dos jovens, corromper os pensamentos e inflamar as paixões, pois sabe que assim fazendo, pode levar a ações impuras, e assim se tornarão vis todas as nobres faculdades da mente, e ele poderá dirigi-las para satisfazer aos seus próprios propósitos" (Orientação da Criança, p. 287).

"Pais que têm negligenciado as responsabilidades que Deus lhes deu, terão de enfrentar essa negligência no juízo. O Senhor inquirirá: 'Onde estão os filhos que vos entreguei para os educardes para Mim? Por que não estão a Minha mão direita?' Muitos pais verão então que o amor irrazoável cegou-lhes os olhos para as faltas de seus filhos e deixou que estes adquirissem caráter deformado, inadequado para o Céu. Outros verão que não deram a seus filhos tempo e atenção, amor e bondade; sua própria negligência do dever fez dos seus filhos o que são" (Conselhos sobre Educação, p. 38).

"A juventude de hoje é um indicativo certo do futuro da sociedade e, ao vê-la, que podemos esperar desse futuro? Os jovens, em geral, não são educados a formarem hábitos de diligência. As cidades e até as povoações rurais estão tornando-se como Sodoma e Gomorra, e como o mundo nos dias de Noé. A disciplina dos jovens naqueles dias era semelhante à forma em que as crianças estão sendo educadas e disciplinadas nesta época, a saber: amar a excitação, glorificar a si mesmas e seguir após a imaginação de seu perverso coração. Agora, como naquele tempo, a depravação, a crueldade, a violência e o crime são os resultados. Que se deve fazer para salvar a nossos jovens? Nós podemos fazer pouco, mas Deus vive e reina, e Ele pode fazer muito" (Fundamentos da Educação Cristã, p. 317).

terça-feira, 18 de março de 2025

A VIOLÊNCIA ESTÁ COM OS DIAS CONTADOS

O sangue e a crueldade, todos os dias, são estampados nos jornais do mundo todo. Mas o caso Vitória, sobre a adolescente de 17 anos que desapareceu e foi encontrada morta em Cajamar, na Grande São Paulo, tem dominado as atenções de todo o país nas últimas semanas.

Vitória Regina de Souza desapareceu no fim de fevereiro depois que saiu do trabalho, em um shopping de Cajamar, na Grande São Paulo. Naquela noite, a jovem pegou um ônibus e mandou mensagem para uma amiga dizendo que estava com medo de estar sendo seguida. O corpo dela foi encontrado no dia 5 de março, com facadas no tórax, pescoço e rosto. A vítima estava nua e com a cabeça raspada. Até o momento, uma pessoa foi presa pelo crime, apontado pela Polícia Civil como o único suspeito. A investigação preliminar aponta que ele sequestrou Vitória por vingança.

Dados assustadores: mais de 21 milhões de brasileiras, 37,5% do total de mulheres, sofreram algum tipo de agressão nos últimos 12 meses, de acordo com pesquisa do Datafolha encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Uma mulher é vítima de feminicídio a cada 17 horas no Brasil, aponta Rede de Observatórios da Segurança. Uma mulher é assassinada pelo parceiro ou por um parente a cada 10 minutos no mundo, aponta relatório da ONU.

É difícil dizer se houve, em algum momento da história, uma indiferença e crueldade tão imensuravelmente maior contra a vida. O que sabemos é que, pelas notícias diárias de criminalidade, nada mais parece chocar, assustar, assombrar, surpreender ou aterrorizar a sociedade de uma maneira tão impactante, marcante e perturbadora. Veja o que Ellen G. White diz: "Satanás está empregando todos os meios para tornar populares o crime e o vício aviltante. A mente é educada de maneira a familiarizar-se com o pecado. A conduta seguida pelos que são baixos e vis é posta perante o povo nos jornais do dia, e tudo que pode provocar a paixão é trazido perante eles em histórias excitantes. Ouvem e leem tanto acerca de crimes aviltantes que a consciência, que já fora delicada, e que teria recuado com horror de tais cenas, se torna endurecida, e ocupam-se com tais coisas com ávido interesse" (Patriarcas e Profetas, p. 336).

Parece estranho, mas o que fica evidente é que um surto de espanto e pavor de ontem não é muito diferente do surto de hoje e, claro, não será diferente do surto de amanhã. A diferença mesmo está na intensidade, pois na medida em que o tempo passa, a selvageria, desumanidade, truculência e improbidade se tornam maiores, intensas e, infelizmente, cada vez mais comuns. Ellen G. White afirma: "Os relatos de homicídios e crimes de toda a espécie chegam até nós diariamente. A iniquidade está-se tornando uma coisa tão comum que não ofende mais as suscetibilidades como em tempos passados" (Eventos Finais, p. 23).

O que desejo dizer é que nos assustamos não tanto mais pela hediondez do crime, mas pela onda ou intensidade em que essas coisas têm se tornado corriqueiras. Paulo, o Apóstolo, ao contemplar o futuro, não observou nada diferente quanto à realidade da natureza moral e racional do que vemos hoje. Não fomos pegos de surpresa porque a Palavra de Deus já havia nos alertado do aumento da maldade humana. O apóstolo afirmou o que “os homens maus e impostores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados” (2 Timóteo 3:13).

Esta tônica da profecia de Paulo é desconcertante e temerosa, pois, segundo sua perspectiva, melhor dizendo, segundo a perspectiva de Deus, no mundo não haverá dias melhores. Jesus também não foi otimista quando, ao descrever os dias finais da história, com ênfase em Sua segunda vinda, retratou o mundo como se parecendo com os dias de Noé (Lucas 17). Naqueles dias, o pecado mais agravante, além de outros, era a violência em todo seu viés. O mesmo juízo que recaiu sobre a geração de Noé será o mesmo juízo que recairá sobre o mundo impenitente de hoje. Deus intervirá hoje como interveio no passado. A qualquer momento Ele fará a Sua visitação extraordinária.

Ellen G. White alerta: "Nenhuma teoria científica pode explicar a firme marcha de obreiros iníquos sob o comando de Satanás. Em toda multidão, anjos ímpios estão em operação, instando homens a cometer atos de violência. A perversidade e crueldade dos homens alcançarão tal altitude que Deus Se revelará em Sua majestade. Muito em breve a impiedade do mundo terá atingido seu limite e, como nos dias de Noé, Deus derramará os Seus juízos" (Olhando para o Alto, p. 372).

Não há dúvidas de que estamos todos chocados com o terror em cada esquina. A vida se tornou tão insignificante que muitos torturam e matam uma pessoa como se ela fosse um mero inseto. Amor, sentimento, dor, sofrimento humano ser tornaram profundamente banais para muitos. Mas, o que conforta é saber que a justiça honrará a todos os que foram humilhados e pisoteados pelo pecado. Uma certeza bem gratificante é que o mal, na agenda de Deus, está com data marcada para acabar.

Por mais que pareça tardia, a justiça de Deus não tarda e não falha. Na verdade, ela ocorre no tempo oportuno e certeiro. Viva confiante e com a certeza da providência divina. Olhe para sua sombra e contemple a presença do anjo do Senhor ao seu lado. Viva com os olhos no céu com a convicção da justiça de Deus.

Jamais deixe de orar antes de inserir os seus pés para fora de casa. Sempre peça a Deus que conserve ao seu lado a presença do anjo protetor. Lembre-se que todos os que confessam o nome de Deus e vivem ao Seu lado podem, mesmo em meio a tanta tribulação, viver na paz de espírito. Ele está atento a todas as desordens que tem trazido dor e medo e fará justiça por cada uma delas. Alegre-se, porque a nossa estadia nesta terra está chegando ao fim. Lembre-se:

“Porque Deus conduzirá a Juízo tudo quanto foi realizado e até mesmo o que ainda está escondido; quer seja bem, quer seja mal” (Eclesiastes 12:14).

“Porque determinou um dia em que julgará o mundo com o rigor de sua justiça, por meio do homem que para isso estabeleceu. E, quanto a isso, Ele deu provas a todos, ao ressuscitá-lo dentre os mortos!” (Atos 17:31).

“Porquanto, todos nós deveremos comparecer diante do tribunal de Cristo, a fim de que cada um receba o que merece em retribuição pelas obras praticadas por meio do corpo, quer seja o bem, quer seja o mal. Perfeita reconciliação com Deus” (2 Coríntios 5:10).

Ellen G. White complementa: "Na grande obra de finalização, nos defrontaremos com perplexidades que não saberemos contornar, mas não nos esqueçamos de que as três grandes potestades do Céu estão atuando, que a divina mão está posta ao leme, e Deus fará cumprir os Seus desígnios" (Evangelismo, p. 65).

Mateus 24:12 diz que “por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de quase todos”, mas no verso 13 encontramos outra fórmula atual: “Aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo”. Resumindo, somos chamados a perseverar em Cristo, nossa única esperança, e que nos prometeu um mundo novo e sem violência. Você pode acreditar.

segunda-feira, 17 de março de 2025

VOCÊ TEM AMADO DE FATO SEU PRÓXIMO?

A escritora e cientísta política Ilona Szabó de Carvalho escreveu certa vez: "Olhe para o lado. Olhe nos olhos de quem está ao seu lado. Comece por onde se sente confortável, na sua casa, e em seus círculos mais próximos. Mas vá além. Ande pelas ruas e olhe nos olhos de quem cruza seu caminho nas calçadas. Preste atenção para não perder ninguém, pois pode passar por alguém que está sentado no chão, ou grudado na janela de um ônibus lotado. Reconheça o outro, não o evite. Reconheça-se no outro, seja pelas semelhanças, seja pelas diferenças e privilégios."

A Bíblia diz que nos últimos tempos o amor de muitos esfriaria. Se “o amor esfriar” não é ignorar as pequenas necessidades do próximo, não sei o que é. Infelizmente, é muito difícil mudarmos as outras pessoas. Mas o que podemos fazer é mudar a nós mesmos. Por isso proponho a você uma reflexão sobre suas atitudes. Será que você tem amado de fato o próximo?

Entenda que o amor ao próximo não se demonstra apenas em gestos grandiosos. Não é sendo missionário na África, tornando-se a Madre Teresa de Calcutá ou doando milhões de reais para a caridade que você será alguém que ama o próximo. Até porque, convenhamos, essas são ações que não estão ao alcance da esmagadora maioria das pessoas. Mas você tem a possibilidade de exercer o amor ao próximo diariamente, em pequenos gestos.

Ellen G. White declara: "Não aguardeis grandes oportunidades, negligenciando as pequenas oportunidades atuais para praticar pequeninos atos de bondade. Nas palavras, no tom da voz, nos gestos, na expressão do rosto podeis representar o Espírito de Jesus. Quem negligencia essas coisinhas e ainda alimenta a ilusão de estar preparado para realizar coisas maravilhosas para o Mestre, estará em perigo de fracassar redondamente. A vida não se compõe de grandes sacrifícios e maravilhosas realizações, mas de pequenas coisas. Bondade, amor e cortesia são as características do cristão" (Este Dia com Deus, p. 147).

Ceder o lugar no ônibus, abrir a porta para senhoras passarem, puxar a cadeira no restaurante, ceder a vez no trânsito, permitir que gente idosa passe à sua frente na fila, deixar que o último pão da padaria seja comprado por outra pessoa, abrir mão do seu tempo para ouvir quem está triste, fazer elogios, dar de comer a quem tem fome e de beber a quem tem sede… Atitudes como essas custam muito barato ou nada e, acredite, não doem.  

Você pode achar que pequenos gestos como esses não fazem a diferença. Mas lembre-se de que é do acúmulo de uma grande quantidade de tijolos bem pequenos que você constrói um enorme edifício de dezenas de andares. Ellen G. White diz: "A edificação de vosso caráter de maneira alguma está terminada. Cada dia é colocado na estrutura um bom ou mau tijolo. Ou estais construindo tortuosamente, ou com exatidão e correção que formarão um belo templo para Deus" (Carta 16, 1886).

Pequenos gestos de amor fazem toda a diferença. Jesus morreu pela humanidade, e isso foi um gesto grandioso. Mas Ele também providenciou comida para pessoas que estavam com fome. Ele chorou em solidariedade à tristeza daqueles que estavam abatidos com a morte de Lázaro. Ele criou as galáxias, mas também as pequenas sementes, o que demonstra que dá atenção ao macro e também ao micro. Perceba: Deus se preocupa com amor e não apenas com grandes gestos de amor. Se for amor, pode ter a dimensão que tiver, será apreciado pelo Senhor e fará toda a diferença para o próximo.

Em Lucas 10:25-37 encontramos uma história que nos ensina muitas verdades, e cada vez que a lemos, aprendemos muitas lições. Ela é conhecida como O Bom Samaritano. Ellen G. White escreveu que nessa história, Cristo ilustra “a natureza da verdadeira religião. Mostra que a religião consiste, não em sistemas, credos ou ritos, mas no cumprimento de atos de amor, no proporcionar aos outros o maior bem, na genuína bondade. Na história do bom samaritano, Jesus apresentou um retrato de Si mesmo e de Sua missão. A humanidade tem sido ferida, roubada e deixada quase morta por Satanás, mas o Salvador deixou a Sua glória para vir nos resgatar. Ele curou nossas feridas, nos cobriu com Seu manto de justiça e, à própria custa, tomou todas as providências em nosso favor. Mostrando Seu próprio exemplo, Ele diz aos Seus seguidores: 'Como Eu os amei, vocês devem amar-se uns aos outros' (Jo 13:34)" (O Desejado de todas as Nações, p. 497).

Amor é amor. O que revela o amor, seja “grande” ou “pequeno”, é um coração que abre mão de si pelo próximo. Ellen G. White diz: "Qualquer ser humano que necessite de nossa simpatia e de nossos préstimos é nosso próximo. Os sofredores e desvalidos de toda classe são nosso próximo; e quando suas necessidades são trazidas ao nosso conhecimento, é nosso dever aliviá-los tanto quanto nos seja possível. Devemos cuidar de todo caso de sofrimento e considerar-nos a nós mesmos como instrumentos de Deus para aliviar os necessitados até o máximo de nossas possibilidades. Devemos amar a Deus sobre todas as coisas, e ao nosso próximo como a nós mesmos. Sem o exercício desse amor, a mais alta profissão de fé não passa de hipocrisia" (Beneficência Social, p. 45-46).

Amar o próximo é mandamento. É preceito que está no topo da pirâmide. Dizer que ama a Deus, mas não amar o próximo, em verdade e de forma prática, é atitude que faz de nós mentirosos, diz a Palavra. A olhos humanos limitados por sua humanidade, amor pode ser uma opção, uma escolha. Mas, para Deus, não é. Amor ao próximo é mandamento. É ordenança divina. É dever sagrado e inegociável.

Peço a Deus, meu irmão, minha irmã, que você faça a diferença, que entenda que vivemos dias de muito desamor e que o amor é um item extremamente necessário e cada vez mais raro em nosso meio. Nem que sejam pequenas gotas de amor. Porque uma gota de amor após a outra, após a outra, após a outra… acaba gerando uma inundação de amor. Faça a sua parte. Ame. Por favor, ame. Pelo amor de Deus, ame. Abra mão de si em benefício do próximo, assim como Jesus abriu mão de si em nosso benefício. Acredito que, ao chegar diante do Pai celestial, o teu pequeno sacrifício será reconhecido como um grandioso gesto de amor.

Ellen G. White conclui: "O egoísmo e a fria formalidade quase têm extinguido o fogo do amor, dissipando as graças que deveriam deixar o caráter perfumado. Muitos dos que professam o nome de Jesus têm esquecido que os cristãos devem representar Cristo. A menos que mostremos sacrifício prático para o bem dos outros onde quer que estejamos, não somos cristãos, não importa o que declaremos ser" (O Libertador, p. 293).

quarta-feira, 12 de março de 2025

OS CINCO "ISMOS" DO MAL

Estamos em guerra! Essa é a principal lembrança de Apocalipse 12 para aqueles que vivem no fim do tempo do fim. Uma batalha contra o maior “sedutor” (Ap 12:9) de todos os tempos. Para ­enfrentá-lo, nosso coração não pode ser apenas controlado pelos desejos, mas precisa ser comandado pela Palavra. Fique alerta contra cinco “ismos” destruidores.

Comodismo. É a doença daqueles que vivem confortáveis com o pouco que possuem, subnutridos espiritualmente e mantidos pelo consumismo espiritual. Não usam seus dons, não participam em ministérios, não se aprofundam na mensagem, não cumprem a missão e, o pior, não passam um legado espiritual às novas gerações. Para eles, receber é uma obrigação e oferecer é um sacrifício. Pensam estar alertas, mas estão dormindo.
"Não nos sentemos em indolente comodismo, sem fazer nenhum esforço especial para realizar nossa obra. Façamos a escolha em alguma parte da grande vinha do Mestre e realizemos uma obra que exija exercício de tato e talento. Os que amam o comodismo não praticam a abnegação e paciente perseverança; e quando há necessidade de homens para realizarem grandes proezas para Deus, esses não se acham dispostos a responder: 'Eis-me aqui; envia-me a mim' (Isaías 6:8). Há trabalho árduo e penoso a ser feito, e felizes os que estiverem dispostos a efetuá-lo quando seus nomes forem chamados. Deus não recompensará homens e mulheres no mundo futuro por procurarem viver comodamente neste mundo" (E Recebereis Poder, p. 345).
Institucionalismo. É a doença do triunfalismo religioso e do formalismo espiritual, a síndrome de Laodiceia, que se julga rica, mas é miserável (Ap 3:17, 18). Seus adeptos acreditam que o fato de cumprir regras, manter cerimônias, proteger tradições e viver uma vida repetitiva os manterá seguros e agradará a Deus. Também se encantam com resultados, aplausos, notícias, curtidas, investimentos, eventos e outras formas de parecer relevantes. Suas atitudes fazem a igreja deixar de ser movimento para se tornar monumento, deixar de ser conhecida pela mensagem para ser aplaudida pela grandeza. A relevância social se torna mais importante que o crescimento espiritual. Causar boa impressão passa a ser mais importante que o cumprimento da missão. Sobram glórias e falta coração. Sua mensagem é defendida, mas não encarnada.
"A mensagem à igreja de Laodicéia é uma impressionante acusação, e é aplicável ao povo de Deus no tempo presente. O povo de Deus é representado como em uma posição de segurança carnal. Sentem-se bem, pois se imaginam em exaltada condição de realizações espirituais. Eles não sabem que sua condição é deplorável à vista de Deus. Enquanto aqueles que são abordados se lisonjeiam de achar-se em exaltada condição espiritual, a mensagem da Testemunha Verdadeira destrói sua segurança com a surpreendente denúncia de seu verdadeiro estado espiritual de cegueira, pobreza e miséria" (Testemunhos Seletos 1, p. 327).
Achismo. É apenas um sintoma do secularismo que vê a simplicidade da vida cristã como um suicídio intelectual. Busca uma religião racional, cheia de lógica, vazia de fé e distante de Deus. Seus adeptos não adoram o “Deus Eu Sou”, mas o “Deus que querem que Ele seja”. Para seu racionalismo Deus não é suficiente e para sua independência Deus não é necessário. Não notam que estão envolvidos num ciclo de deterioração da verdade, criado pelo próprio “sedutor”. No Jardim do Éden éramos guiados pela verdade. Na tentação, a serpente questionou a verdade. Séculos mais tarde, a igreja romana modificou a verdade. Anos depois, a Revolução Francesa tentou destruir a verdade. Mais perto de nós, o pós-modernismo estabeleceu que cada um é dono de sua própria verdade. E a multimodernidade, em nossos dias, trouxe a intolerância com a verdade do outro.
"A verdade é de Deus; o engano, em todas as suas múltiplas formas, é de Satanás; e quem quer que, de alguma maneira, se desvia da reta linha da verdade, está-se entregando ao poder do maligno. Não é, todavia, coisa leve ou fácil falar a exata verdade; e quantas vezes opiniões preconcebidas, peculiares disposições mentais, imperfeito conhecimento, erros de juízo, impedem uma justa compreensão das questões com que temos de lidar! Não podemos falar a verdade, a menos que nossa mente seja continuamente dirigida por Aquele que é a verdade" (O Maior Discurso de Cristo, p. 68).
Criticismo. É consequência do achismo e efeito colateral do egoísmo. Pessoas contaminadas por esse mal se importam apenas consigo mesmas. Tudo o que foge aos seus padrões pessoais e não atende aos seus interesses particulares serve de vitamina para a crítica. Seus adeptos estão em busca de justiça para todos e esperam misericórdia para si mesmos. Falam sem conhecer, machucam sem se importar e derrubam sem levantar. Descarregam suas frustrações sobre pessoas, situações ou instituições. A igreja sofre com esses “reformadores” modernos, que são capazes de corrigir a todos, menos a si mesmos. São especialistas em apontar falhas, mas incapazes de construir soluções. Cultivam pouca gratidão e muita indignação, muita desconfiança e pouca esperança, muito zelo e pouco amor. Podem ter até boas intenções, tentando ser instrumentos do “Consolador” (Jo 14:26), mas acabam se tornando agentes do “acusador” (Ap 12:10).
"Ninguém engane sua própria alma nesta questão. Se abrigardes o orgulho, o amor-próprio, o desejo de supremacia, vanglória, ambição egoísta, murmuração, amargura, maledicência, mentira, engano e calúnia, não tendes Cristo em vosso coração, e as evidências demonstram que tendes a mente e o caráter de Satanás, e não o de Jesus Cristo, que era manso e humilde de coração. Podeis ter boas intenções, bons impulsos, podeis falar compreensivelmente a verdade, mas não estais habilitados para o reino dos Céus. [...] Se todos os cristãos professos usassem suas faculdades investigadoras para ver quais os males que neles mesmos carecem de correção, em vez de falar dos erros alheios, existiria na igreja hoje uma condição muito mais saudável" (Testemunhos para Ministros e Obreiros Evangélicos, p. 441 / Conselhos para a Igreja, p. 182 ).
Sensacionalismo. É a doença do superficialismo. Daqueles que têm pouco de Deus no interior e precisam de muito estímulo exterior. Navegam pelo mundo real e virtual em busca de novidades. Novas interpretações, novas datas, novos vídeos, novas descobertas, novos oradores carismáticos. Não se alimentam do “Assim diz o Senhor”, mas do “assim diz o pastor, o pregador, o influenciador”. Acabam afetados pela rotina, decepcionados pelo engano e destruídos pela apostasia.
"Tenho sido instruída de que não é de doutrinas novas e fantasiosas que o povo precisa. Não necessitam de conjecturas humanas. Precisam do testemunho de homens que conhecem e praticam a verdade. As notícias sensacionalistas prejudicam o desenvolvimento da obra. Não temos ânsia de excitação, de sensacionalismo; quanto menos disso tivermos, tanto melhor. O raciocínio tranquilo e fervoroso com base nas Escrituras, é precioso e frutífero" (Evangelismo, p. 170).
Por que não substituir esses “ismos” do mal pelos “ismos” do Senhor? Oferecer palavras de otimismo, desenvolver atitudes de altruísmo e cumprir a missão do adventismo.

[via Revista Adventista - Textos em vermelho de Ellen G. White]