terça-feira, 16 de setembro de 2025

FACE A FACE

Era uma cena impressionante. Ao longe, as pessoas viam Moisés entrando na tenda do encontro, enquanto a coluna de nuvem se punha à porta. Aquele era o lugar em que o líder do povo de Deus se encontrava visivelmente com o Soberano de Israel. A distância não era casual, mas representava o contraste entre a santidade do Senhor e a pecaminosidade de Seu povo.

Naquele contexto, no qual Israel havia se rebelado e transgredido a aliança recém-estabelecida no deserto do Sinai, Moisés pediu uma coisa ao Senhor: “Se a Tua presença não for comigo, não nos faças sair deste lugar” (Êx 33:15). Diante da confirmação divina à sua súplica, o profeta deu um passo além e Lhe fez outro pedido: “Peço que me mostres a Tua glória” (v. 18).

Mais do que contemplar a luz que irradia de Deus, Moisés desejava ver Sua face. A resposta divina pressupõe a intenção do profeta (v. 20). Contudo, a barreira imposta pelo pecado impedia esse tipo de aproximação. Pouco tempo antes, o Senhor havia indicado o caminho pelo qual demonstraria Sua presença no meio do povo: o tabernáculo (Êx 25:8). Ali, ritos, móveis e utensílios representariam a permanência divina e ação salvífica em favor de Israel.

Apesar das limitações, Deus não privou Moisés de uma visão privilegiada e, em resposta, lhe disse: “Farei passar toda a Minha bondade diante de você […]. Quando a Minha glória passar, Eu porei você numa fenda da rocha e o cobrirei com a mão, até que Eu tenha passado. Depois, quando Eu tirar a mão, você Me verá pelas costas; mas a Minha face ninguém verá” (Êx 33:19, 22, 23). Ellen diz que "Moisés foi maior do que qualquer que haja vivido antes dele. Foi altamente honrado por Deus, tendo tido o privilégio de falar com o Senhor face a face, como um homem fala a seu amigo. Foi-lhe permitido ver a luz resplandecente e excelente glória que rodeava o Pai" (Primeiros Escritos, p. 162).

Séculos depois, em uma estrebaria na cidade de Belém, o Deus que utilizou um santuário para Se esconder e colocou Moisés na fenda de uma rocha para preservá-lo agora usava a encarnação para Se revelar. O apóstolo João afirmou: “E o Verbo Se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a Sua glória, glória como do Unigênito do Pai” (Jo 1:14). Quanta profundidade em um único versículo!

A segunda pessoa da Divindade, assumindo natureza divino-humana, “tabernaculou” entre nós, tradução mais apropriada do verbo habitar (em grego skēnóō). Assim, a estrutura que havia sido estabelecida para demonstrar didaticamente o plano da salvação agora podia ser compreendida no Salvador. Jesus é a manifestação visível e concreta da “graça” (bondade e misericórdia) e da “verdade” (fidelidade e consistência) de Deus, a revelação plena da glória do Pai, que antes ficava escondida no lugar santíssimo do tabernáculo.

Ellen G. White diz: "Aquele que pôs de lado Suas vestes reais e Sua real coroa e, disfarçando-Se com humanidade, veio ao nosso mundo e levou sobre Si nossos pecados, para que nos erguesse e nos desse uma revelação de Sua glória e majestade. Veremos Jesus face a face, se agora nos sujeitarmos a ser por Ele moldados e adaptados, em preparo para um lugar no reino de Deus" (Cuidado de Deus, p. 150). Em Jesus “habita corporalmente toda a plenitude da divindade” (Cl 2:9), e é Ele que “a tudo enche em todas as coisas” (Ef 1:23). Ele é nossa alegria, nossa esperança e nossa salvação. Em breve O veremos “face a face” (1Co 13:12).

Finalizo com um trecho do hino Face a Face do Novo Hinário Adventista (477):

Quanto almejo ver a Cristo!
Ver-Lhe o rosto, que prazer!
Quando, enfim, no lar eterno
Poderei pra sempre O ver!

Face a face eu hei de vê-Lo
Quando vier em glória e luz!
Face a face lá na glória
Hei de ver meu bom Jesus!

[Texto adaptado da Revista Adventista]

Nenhum comentário:

Postar um comentário