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terça-feira, 19 de dezembro de 2023

ADORAÇÃO E CULTO QUE AGRADAM A DEUS

O que é adoração/culto? Uma das definições diz que “’é a resposta positiva, submissa, obediente e integral do homem redimido à iniciativa de Deus de revelar seus atributos e ações, sobretudo de criação, redenção e providência.”[1] A seguir, eu gostaria de compartilhar algumas características e implicações gerais da adoração/culto que agrada a Deus:

1. A adoração/culto que agrada a Deus é fundamentada somente na Escritura, não apenas em uma parte dela, mas em toda a Bíblia (Lucas 24:27). Como o princípio Sola Scriptura constitui a primeira crença adventista do sétimo dia[2], nosso modelo de adoração/culto deve ser autorizado pela Bíblia, pois “as Escrituras Sagradas são a revelação infalível, suprema e repleta de autoridade de Sua vontade... o padrão de caráter, a prova da experiência, o revelador definitivo de doutrinas e o registro fidedigno dos atos de Deus na história (Salmo 119:105; Provérbios 30:5, 6; Isaías 8:20; João 17:17; 1 Tessalonicenses 2:13; 2 Timóteo 3:16, 17; Hebreus 4:12; 2 Pedro 1:20, 21).”[3]

Na adoração e “culto cristão, Deus é o centro, não o ser humano.”[4] Além de Deus ser o Autor da vida e da nossa salvação (Gênesis 2:7; João 1:1-3; 3:16), “num culto tudo vem de Deus”[5], inclusive “a iniciativa do culto pertence a Deus” (Mateus 18:20).[6]

O princípio da Sola Scriptura envolve a suficiência da Bíblia para nos conceder sabedoria para salvação (2Timóteo 3:15). Todas as doutrinas e experiências devem ser testadas pelas Escrituras (Isaías 8:20; João 17:17; 2Timóteo 3:16, 17; Hebreus 4:12).[7] Isso inclui adoração/culto. Sola Scriptura também envolve a primazia da Bíblia sobre as culturas e tradições humanas (Mateus 15:3, 6; Colossenses 2:8); a ciência humana (1Timóteo 6:20); as emoções e faculdades mentais humanas (Gênesis 3:1-6) e a natureza (Gênesis 3:17, 18).[8]

Canale lembra que “entre os diversos projetos teológicos produzidos pelas igrejas cristãs não há nenhum que se baseie totalmente nas Escrituras do Antigo e Novo Testamentos”.[9] As doutrinas “imortalidade da alma”, “santificação do domingo”, “predestinação”, “uma vez salvo para sempre salvo”, “dicotomia entre o Antigo e Novo Testamentos”, “antinomianismo”, “sofrimento eterno” demonstram como projetos teológicos evangélicos foram influenciados e secularizados pela filosofia e tradições. Logo, “não é seguro tomar emprestado estilos litúrgicos de denominações evangélicas sem nenhuma crítica”.[10]

2. A adoração/culto que agrada a Deus é centrada no Cordeiro provido por Deus, e em Seu único e todo suficiente sacrifício na cruz. Isaque perguntou a Abraão: “Meu pai!...Eis o fogo e a lenha, mas onde está o cordeiro para o holocausto? Respondeu Abraão: Deus proverá para si, meu filho, o cordeiro para o holocausto” (Gênesis 22:7, 8). Cristo, o Cordeiro de Deus está no centro da adoração e culto em toda Escritura (Isaías 53:7; João 1:29; 1 Coríntios 5:7; Apocalipse 13:8). “Não há salvação em nenhum outro” (Atos 4:12), pois “Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras” (1 Coríntios 15:3).

O sacrifício único e todo-suficiente de Cristo na cruz é “o centro de nossa esperança. Nele nos cumpre fixar a nossa fé.”[11] Segundo as Escrituras o sacrifício de Cristo não pode ser repetido, reproduzido ou refeito (Hebreus 9:27, 28; 10:10). Após Sua morte, o Senhor “foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras” (1Coríntios 15:4; Lucas 24:46; Romanos 4:25). E após “quarenta dias” subiu ao Céu e “assentou-se à destra de Deus” (Atos 1:3; Hebreus 10:12).

3. Na adoração/culto que agrada a Deus, o adorador segue Jesus, o Cordeiro ao Santuário Celestial. Nos dias finais da história, os verdadeiros adoradores se distinguem dos que seguem a besta (Apocalipse 13:3, 4), como “seguidores do Cordeiro por onde quer que vá” (Apocalipse 14:4, 12).

Isso implica seguir pela fé a Cristo, o Cordeiro de Deus não somente à cruz, mas também ao santuário celestial, onde o Senhor ressuscitado ministra por nós como sumo sacerdote (Hebreus 8:1-3; 7:20-28; 4:16), e juiz (Daniel 7:9-22; 8:13, 14; João 5:22, 23; 2 Coríntios 5:10; Hebreus 9:27, 28; Apocalipse 14:6, 7).[12]

4. Na adoração/culto que agrada a Deus o adorador compreende a expiação como um processo bíblico histórico sequencial. Ou seja, temos expiação prometida, expiação provida, expiação aplicada e expiação realizada. Na fase da expiação prometida, o pecador exercia fé no futuro sacrifício histórico de Cristo na cruz, simbolizado e tipificado pelo sacrifício dos cordeiros (Gênesis 22:7-13; João 8:56; Êxodo 29:38, 39). Já na fase da expiação provida, Jesus, o Cordeiro de Deus (João 1:29), de fato morreu na cruz garantindo o perfeito sacrifício expiatório (1 Coríntios 5:7; 1 Pedro 1:18, 19; 3:18).

Embora “a morte vicária e expiatória de Cristo seja o âmago dessa expiação; abrange também o ministério de nosso Senhor como nosso sumo sacerdote celestial.”[13] Como no serviço simbólico diário, sacerdotes entravam no santuário terrestre oferecendo o sangue de sacrifícios em favor dos pecadores penitentes (Levíticos 4:13-20). Na fase chamada expiação aplicada, Cristo, o perfeito Sumo Sacerdote, entrou no santuário celestial para aplicar por Sua intercessão contínua os méritos do Seu perfeito sacrifício em favor do suplicante (Romanos 3:26; 4:25; 8:34; Hebreus 8:1-6; 9:1-6, 24; 1João 2:1).[14]

Finalmente, a fase da expiação realizada iniciou quando o Senhor Jesus Cristo passou ao lugar santíssimo do mesmo santuário em 1844.[15] Como juiz e sumo sacerdote, Ele realiza a purificação/eliminação legal dos registros dos pecados do Seu povo (Levíticos 16; 23:26-30; Daniel 7:9, 10; 8:13, 14; Hebreus 9:23; Apocalipse 11:19; 14:7).[16] Nesta fase, o Senhor ainda intercede pelas pessoas (Hebreus 9:7; 1 João 2:1), mas logo o processo finalizará. Cristo voltará como Rei dos reis em glória e majestade a esta terra, a fim de estarmos para sempre com o Senhor (Hebreus 9:27, 28; Apocalipse 22:11, 12; 14:14; 1Tessalonicenses 4:16-17). Amém!

5. A adoração/culto que agrada a Deus deve ser em Espírito e em verdade (João 4:23, 24). O verdadeiro culto “é fruto da operação do Espírito Santo. É pelo Espírito que toda prece sincera é ditada, e tal prece é aceitável a Deus.”[17] O Espírito Santo é o “Espírito da verdade”, e ao rogarmos por Sua direção, Ele nos guiará em “toda verdade” bíblica (João 16:13), capacitando-nos a aceitar os “princípios divinos”.[18] A verdadeira adoração não é emocionalismo e fanatismo. Implica no culto racional, uma adoração/culto “espiritual e inteligente”.[19]

Por outro lado, a verdadeira adoração/culto não é racionalismo e frio formalismo, pois, pela atuação do Espírito Santo, a Palavra de Deus alcança e transforma o coração (Salmo 119:11; 2Timóteo 3;16, 17). “Se Satanás não consegue prender as almas no gelo da indiferença, ele procurará impeli-las para o fogo do fanatismo.”[20] Logo, o adorador que agrada a Deus não perguntará “com que tipo de estilo de adoração posso ser feliz”, mas sim, “que farei Senhor” para ser renovado, transformado e experimentar “a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”? (Atos 22:10; Romanos 12:2).

6. Na adoração/culto que agrada a Deus “tudo” é feito “com ordem e decência” (1Coríntios 14:40). A recomendação do apóstolo implica que na Casa de Deus devem existir “regulamentos quanto ao tempo, lugar e maneira de adorar.”[21] Isto inclui vestuário e música adequada. Temos de cuidar para não imitar o estilo de adoração/culto de denominações evangélicas com suas ‘excitações’, ‘exorcismos’, ‘danças’, ‘improvisações’, narrações de ‘sonhos’ e ‘visões’, ‘expressões físicas e espirituais’.[22]

“Alguns dançavam para cima e para baixo, cantando: "Glória, glória, glória, glória, glória” ...Toda manifestação de fanatismo desvia a mente da evidência da verdade - a própria Palavra.”[23] Enquanto, “adventistas frequentemente copiam seus “estilos de adoração” das denominações protestantes”[24] temos de “decidir se deveríamos continuar a adotar cada novo “estilo” de liturgia criado pelos evangélicos ou se deveríamos, ao invés disto, alicerçar a nossa liturgia no pensamento escriturístico.”[25]

7. Na adoração/culto que agrada a Deus a pregação/ensino ocupa lugar central. A pregação/ensino ocupou lugar central na Igreja apostólica (Atos 2:14-41; 3:12-26; Romanos 10:14, 15; 1 Coríntios 1:21; 1 Timóteo 4:13; 2 Timóteo 4:2). No século XVI, os reformadores restabeleceram a “centralidade da Palavra e da pregação nos cultos públicos.”[26] Por exemplo: “a pregação de Lutero, expondo as plenas verdades da Palavra de Deus, e depois a própria Palavra, posta nas mãos do povo comum” resultou em “pessoas de todas as classes com a Bíblia nas mãos, defendendo as doutrinas da Reforma.”[27]

E quanto aos pioneiros adventistas? “A ênfase no estudo da Bíblia e das profecias causou forte impacto sobre os guardadores do sábado, e seu estilo de adoração...Em certo sentido equilibrava o lado intelectual e emocional da adoração.”[28]

E como proteger a Igreja do emocionalismo/fanatismo? Dando primazia à pregação/ensino da Palavra de Deus.[29] Verdadeiros pastores “satisfazem-se com a simplicidade nos cultos...volvem sua atenção principalmente para o estudo da Palavra”.[30]

8. A adoração/culto que agrada a Deus é comunitária, presencial e participativa. No deserto, Israel acampava-se em torno do tabernáculo da tenda da congregação (Números 2:1; Êxodo 40:2, 32). A Igreja apostólica se tornou um modelo bíblico de comunidade reunida para adorar a Deus (Atos 1:12-15; 5:12; 6:2; 12:12; 13:1-3; 1 Coríntios 1:2; 1Tessalonicenses 1:1). Os primeiros cristãos “estavam todos reunidos” quando receberam o Espírito Santo (Atos 2:1), e como resultado das primeiras pregações “todos os que creram estavam juntos” (Atos 2:44).

Já na Idade Média, as igrejas valdenses “rejeitando a supremacia do papa e prelados, mantinham a Escritura Sagrada como a única autoridade suprema, infalível...o povo congregava-se, não em igrejas suntuosas ou grandes catedrais, mas à sombra das montanhas nos vales alpinos, ou, em tempo de perigo, em alguma fortaleza rochosa, a fim de escutar as palavras da verdade proferidas pelos servos de Cristo”.[31] O verdadeiro crente se alegra com a adoração comunitária e presencial. “Alegrei-me quando me disseram: Vamos à Casa do Senhor” (Salmo 122:1), e anela habitar “na casa do Senhor para todo o sempre” (Salmo 23:6). Portanto, “não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima” (Hebreus 10:25).

Nos reunimos para adorar e anunciar “a morte do Senhor, até que Ele venha” (1 Coríntios 11:26). Nos reunimos fim de “cultivar as qualidades do amor perfeito”, e sermos “habilitados para as moradas celestiais que Cristo foi preparar para os que O amam”.[32] A adoração que agrada a Deus, no entanto, é participativa.

A propósito, “o canto não deve ser sempre feito por uns poucos. O mais frequentemente possível, una-se toda a congregação”[33], pois “o canto é um ato de adoração tanto como a oração”.[34] Por outro lado, “o testemunho pessoal durante o culto é um meio poderoso de cativar a congregação na adoração”.[35]

9. A adoração/culto que agrada a Deus requer obediência pela fé em Cristo à santa Lei dos Dez Mandamentos (Deuteronômio 4:13; Provérbios 28:16; Mateus 5:17-27; Apocalipse 11:19; 14:12). O primeiro mandamento revela que há somente um Deus: “Eu Sou o Senhor teu Deus”, portanto: “Não terás outros deuses diante de mim” (Êxodo 20:1, 2). Já o segundo mandamento explicitamente proíbe a manufatura, adoração/culto às imagens de escultura (Êxodo 20:4-6). As expressões “não as adorarás, nem lhes darás culto” são inseparáveis. A santificação do sábado do sétimo dia, conforme o quarto mandamento da Lei de Deus é para todos das nossas “portas para dentro” (Êxodo 20:8-11).

E, também, “assim diz o Senhor” a todos os habitantes do mundo que: “guardam os meus sábados, escolhem aquilo que me agrada e abraçam a minha aliança” (Isaías 56:4), porque “a minha casa será chamada Casa de oração para todos os povos”. “Precisamos nutrir e cultivar o espírito do verdadeiro culto, o espírito de devoção no dia santo do Senhor”.[36] A propósito, a guarda do domingo é vã tradição pagã eclesiástica.[37] Àqueles que invalidam a Palavra de Deus com tradições e falsos ensinos o Senhor declara: “em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens” (Mateus 15:9).

10. Na adoração/culto que agrada a Deus prazerosamente reconhecemos o Senhor como Criador, Redentor, Mantenedor, e a nós como Seus mordomos. Devolver dízimos honestos e ofertas de amor é um legítimo ato de adoração a Deus (Gênesis 14:20; 28:20-22; Levítico 27:30-32; Deuteronômio 16:17; Ageu 1:4-6; Malaquias 3:8-10; Mateus 23:23; 1Coríntios 4:1, 2; Hebreus 7:4-10). “Examine cada um regularmente sua renda, a qual é toda uma bênção de Deus, e ponha de parte o dízimo como um fundo separado, para ser sagradamente do Senhor. Esse fundo não deve em caso algum ser empregado em qualquer outro fim; unicamente para sustento do ministério do evangelho. Depois de separado o dízimo, sejam tirados donativos e ofertas, segundo a “prosperidade” que Deus lhe deu”.[38]

11. A adoração/culto que agrada a Deus resulta em compromisso e serviço na missão do Senhor. Como ocorreu com o profeta Isaías na Casa do Senhor, nós também contemplamos a santidade divina. Arrependidos, confessamos nossos pecados. Pela graça de Cristo somos perdoados, transformados e capacitados para a missão (Isaías 6:1-8).[39] "Entramos para adorar, saímos para servir."[40] Logo: “Deve ser feita a indagação: “O que estou fazendo, e qual é minha obra e missão neste tempo?”.[41]

Deus nos deu uma missão mundial: Mateus 24:14; 28:18-20; Marcos 16:15, 16; Atos 1:8; Apocalipse 14:6-12. “Não somente sobre o pastor ordenado repousa a responsabilidade de sair a cumprir esta missão. Todo que haja recebido a Cristo é chamado a trabalhar pela salvação de seus semelhantes.”[42] A propósito, a tríplice mensagem angélica é o derradeiro e solene convite a ser feito pelos membros da Igreja remanescente a cada habitante deste planeta, para adorar “Aquele que fez o Céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas” (Apocalipse 14:6-12). “O capítulo dezoito do Apocalipse revela a importância de apresentar a verdade, não de maneira acanhada, mas com ousadia e autoridade.”[43]

Adoração e culto aceitáveis ao Senhor andam juntos e levam, portanto, cada adorador a uma ativa participação como missionários do Senhor.

Wilson Borba (via Notícias Adventistas)

Referências:

[1]PLENC, Daniel Oscar. El culto que agrada a Dios, 1ª ed. Buenos Aires: Asociación Casa Editora Sudamericana, 2007, p. 30. A seguir: PLENC.

[2]CANALE, Fernando. ¿Adventismo secular? 1ª ed. Lima: Universidad Peruana Unión, 2012, p. 32.

[3]Manual da igreja, 23ª ed. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2022, p. 173.

[4]MORAES, Natanael B. P. "Sugestões teológicas à liturgia adventista" em Bases bíblicas da adoração, org. Emilson dos Reis, Rodrigo Follis e Felipe Carmo, 1ª ed., Engenheiro Coelho, SP: Unaspress, 2015, p. 120. A seguir: Bases bíblicas da adoração.

[5]SILVA, Horne P. Culto e adoração, SP: Seminário Adventista Latino-Americano de Teologia, 1984, p. 7,

[6]Ibidem, p. 9.

[7]DAVIDSON, Richard M. “Interpretação Bíblica”, em Tratado de teologia adventista do sétimo dia, 1ª ed. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2011, p. 70.

[8]Ibidem.

[9]CANALE, Fernando. “Completando la teología adventista: El proyecto teológico adventista y su impacto en la iglesia – Parte II”, DavarLogos 6.2 (2007): p. 129.

[10]_______. “Principios de Adoración”, Revista SAIT 1.1 (octubre 2011), p. 6.

[11]WHITE, Ellen G. O Desejado de Todas as Nações, 22ª ed. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2013, p. 660. A seguir: O Desejado de Todas as Nações.

[12]Para um estudo sobre o sacerdócio de Jesus Cristo ler: HOLBROOK, Frank B. O sacerdócio expiatório de Jesus Cristo, 1ª ed. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2013.

[13]Questões de doutrina, 1ª ed. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2009, p. 257, 258.

[14]Quando o Senhor ressuscitado subiu ao Céu, não entrou no Lugar Santíssimo ou Santo dos Santos, mas no Lugar Santo do Santuário. A versão Almeida Corrigida assim traduz Hebreus 9:12: “nem por sangue de bodes e bezerros, mas por seu próprio sangue, entrou uma vez no santuário, havendo efetuado uma eterna redenção”. Ver: Alwyn P. Salom, “Ta Hagia na Epístola aos Hebreus”, editado por HOLBROOK, Frank B. A luz de hebreus, 4ª ed. Engenheiro Coelho, SP: Unaspress, 2021, p. 267.

[15]Para um estudo mais detido sobre a data 1844, e a segunda fase do ministério de Cristo no Santuário Celestial, ler: MAXWELL, C. Mervyn, Uma nova era segundo as profecias de Daniel, 2ª ed. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2011, p. 203-278; GOLDSTEIN, Clifford. 1844, 7ª ed. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2022; O grande conflito, p. 317-342; 409-450.

[16]Ver a Crença Fundamental sobre o Ministério de Cristo no Santuário Celestial: Nisto cremos, 10ª ed. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2022, p. 391-415.

[17]O Desejado de Todas as Nações, p. 189.

[18]WHITE, Ellen G. Atos dos apóstolos, 9ª ed. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2013, p. 140.

[19]“Comentário de Romanos 12:1”. Bíblia Andrews, versão Almeida Revista e Atualizada, 2ª ed. da Sociedade Bíblica do Brasil, Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2015, p. 1474.

[20]WHITE, Ellen G. Mente, caráter e personalidade, 5ª ed. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, v. 1, 2012, p. 38.

[21]WHITE, Ellen G. Testemunhos para a igreja, 1ª ed. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, v. 5, 2013, p. 491. Ver também: Manual da igreja, p. 127-139.

[22]PLENC, p. 43.

[23]WHITE, Ellen G. Mensagens escolhidas, 3ª ed. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, v. 3, 2012, p. 372.

[24]CANALE, Fernando. “Principios de Adoración”, Revista SAIT 1.1 (octubre 2011), p. 3.

[25]Ibidem.

[26]A igreja: adoração, ministério e autoridade, p. 39.

[27]O grande conflito, p. 195.

[28]A igreja: adoração, ministério e autoridade, p. 73.

[29]Bases bíblicas da adoração, p. 121.

[30]WHITE, Ellen G. Evangelismo, 3ª ed. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2012, p. 502. A seguir: Evangelismo.

[31]O grande conflito, p. 68.

[32]WHITE, Ellen G. Fé pela qual eu vivo, MM 1959, p. 37.

[33]Evangelismo, p. 507.

[34]WHITE, Ellen G. 9ª ed. Educação, Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2013, p. 168.

[35]A igreja: adoração, ministério e autoridade, p. 194.

[36]WHITE, Ellen G. A fé pela qual eu vivo, MM 1959, p. 35.

[37]BACCHIOCCHI, Samuele. Crenças populares: o que as pessoas acreditam e o que a Bíblia realmente diz, 1ª ed. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2016, p. 187-235.

[38]WHITE, Ellen G. Conselhos sobre a escola sabatina, 7ª ed. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2012, p. 130.

[39]_______. Profetas e reis, 8ª ed. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2013, p. 303-310.

[40]PLENC, p. 23.

[41]WHITE, Ellen G. Eventos finais, 1ª ed. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2012, p. 44.

[42]_______. A fé pela qual eu vivo, MM 1959, p. 359.

[43]Evangelismo, p. 230.

segunda-feira, 9 de março de 2020

A igreja não é um parque de diversões

Para Henry H. Halley, ministro e autor evangélico na primeira metade do século 20, a maior fraqueza do protestantismo é a ausência dos membros nas reuniões da igreja. Isso, contudo, é agravado pela atitude de muitos dos que ainda frequentam os cultos, enfadados e negativos.

Por que tanta relutância em relação à igreja? A lista das razões pode ser longa, todas iniciadas com um “se”: “se o coral cantasse melhor”; “se a pianista tocasse mais alto”; “se a música fosse mais animada”; “se voltássemos a cantar os hinos antigos”; “se o pregador falasse apenas 20 minutos”; “se os bancos fossem mais confortáveis”; “se o serviço de som fosse melhor”; “se tivéssemos ar-condicionado”, etc. Pode você identificar-se com essas desculpas? O problema não está com a igreja, mas com a má compreensão dela.

A igreja não é primariamente um lugar para o qual vamos com a finalidade de sermos entretidos. Não é um local em que uma plateia se assenta de braços cruzados para assistir a um show. A igreja não apresenta um espetáculo aos sentidos, em que alguns “atores” devem se esforçar para agradar pessoas mal-humoradas. A igreja não é um lugar em que pessoas com carrancas de desaprovação dizem ao pregador que não estão gostando de seu desempenho. A igreja não é um parque de diversões para distrair pessoas enfadadas.

A igreja é primariamente um lugar de culto. Jesus disse: “A Minha casa será casa de oração.” (Lucas 19:46). A igreja, note bem, não é um lugar aonde você vai primariamente para receber qualquer coisa. Em vez disso, você vai oferecer seu louvor e sua adoração, oferecer a vida a Deus e aos outros, em serviço alegre e voluntário. Alguns perguntam: “O que tem a igreja para me oferecer?” Se tal pergunta não é feita em palavras, ela é manifestada em nossa atitude consumista, camuflada de cristianismo.

Acostumados a nos assentar passivamente diante da TV, vemos a igreja com o mesmo espírito. Mas, se estamos buscando um espetáculo, a igreja não pode competir com Hollywood, que, além de contar com tecnologia, recursos e estímulos para anestesiar os sentidos, manipula a natureza caída que se alimenta daquilo que é oferecido. A mensagem da igreja é precisamente contrária à nossa natureza básica, que precisa ser redimida e transformada. Gostaria de fazer algumas sugestões que poderiam tornar mais significativa sua ida à igreja para a adoração:

1. Comece orando na noite anterior à sua ida à igreja. Ore para que Deus fale a você pessoalmente por meio do sermão, da música, do estudo das Escrituras ou de qualquer outro aspecto do culto. Ore para que o pregador seja livre no Espírito. Livre do medo, da insegurança humana, das distrações. Ore para que a Palavra de Deus o alcance com poder, de forma clara, oportuna, efetiva e redentora. Ore pela conversão de alguém.

2. Vá à igreja para ter um encontro com Deus. Você percebeu quantos itens na lista dos “ses” estavam relacionados com Deus? Exatamente. Nenhum deles. Isso acontece porque permitimos que o culto esteja centralizado em nós. O culto tornou-se o que nós queremos, focalizado naquilo que nos satisfaz. O culto verdadeiro está relacionado com Deus. Vá à igreja com alegria, júbilo (Sl 100:2, 4), reverência e gratidão. Há pessoas que realmente vão à igreja para adorar, não para se distrair, ficar nos corredores, no saguão, nos degraus ou nas salas dos departamentos. Outras pessoas vão à igreja, mas nunca chegam até ela.

3. Antes de ir à igreja, faça uma lista de pelo menos dez coisas pelas quais você louva a Deus. Leve a lista com você. Quando chegar o instante da oração, medite nesses dons divinos. Reconheça que Deus é bom, que “toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança” (Tg 1:17). O louvor convida a presença de Deus. Leia 2 Crônicas 5:11-14. Imagine o espetáculo, como descrito nesse texto. O louvor convida a presença da glória de Deus. Mude o foco dos problemas ou das situações da vida para Aquele que resolve os problemas e muda situações adversas.

4. Leve caneta e papel para a igreja. Faça anotações. Não fique apenas assentado, esperando receber o alimento na boca. Leve sua Bíblia. Procure as passagens. Escreva os pontos e ideias principais do sermão. Isso ajudará você a ficar conectado. Faça um sumário do sermão para enviar a alguém que não tenha ido à igreja. Isso aumentará sua habilidade de ouvir Deus falando a você e abençoará outros.

5. Escolha os bancos na primeira metade da igreja. Por que muitos competem pelos últimos bancos? Indo ao teatro, no campo de esportes ou em qualquer espetáculo, as pessoas procuram se assentar o mais próximo possível do palco. As primeiras cadeiras custam mais caro. Os mais interessados querem estar perto da ação. Na igreja, muitos agem de forma inversa. Observadas as exceções, como pais com crianças pequenas e pessoas enfermas, os últimos lugares podem significar desinteresse ou falta de compromisso. Como professor, raríssimas vezes vi bons alunos nos últimos bancos. Se você se assentar atrás, possivelmente terá sua atenção distraída. Vá para a frente, onde aquilo que desvia a atenção é mínimo. Lá você pode ver melhor, ouvir melhor e receber a bênção que o Senhor tem para você.

6. Pense em ser uma bênção para os outros, em vez de meramente buscar uma bênção para você. Peça que Deus o desperte para alguém que necessite de um sorriso, um abraço, uma palavra de encorajamento, uma oração. Não fique satisfeito em sair do culto até que você tenha tornado a ida de alguém à igreja significativa para ela. Isso é precisamente o que dá sentido à igreja. A igreja não é o carpete, um sistema de som perfeito, computador, apresentação multimídia. A igreja tem que ver com pessoas preocupadas em servir e abençoar. Não espere por outros. Tome a iniciativa!

7. Finalmente, quando você for à igreja, vá em atitude de perdão e aceitação. Procure, pela graça divina, desintoxicar-se do ódio, da hostilidade, da rejeição e da amargura contra outros irmãos e irmãs. Lembre-se, nosso inimigo não é nenhum ser humano. Por menos que gostemos de algumas pessoas, elas também são vítimas dele. Segundo Jesus, “se, pois, ao trazeres ao altar a tua oferta, ali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; e, então, voltando, faze a tua oferta” (Mt 5:23, 24). Isso é difícil? Sem dúvida. Gostaria que Ele não tivesse dito isso. Mas Ele disse, e não posso mudar Sua ordem.

Amin A. Rodor (Meditações Diárias: Encontros com Deus, pp. 207-209)

Nota do blog: Em um artigo intitulado Um Templo ou um teatro?, Charles H. Spurgeon escreveu:

"Por meio de apresentações dramatizadas, os pastores fazem com que as casas de oração se assemelhem a teatros; transformam o culto em shows musicais e os sermões, em arengas políticas ou ensaios filosóficos. Na verdade, eles transformam o templo em teatro e os servos de Deus em atores cujo objetivo é entreter os homens. Não é verdade que o Dia do Senhor está se tornando, cada vez mais, um dia de recreação e de ociosidade; e a Casa do Senhor, um templo pagão cheio de ídolos ou um clube social onde existe mais entusiasmo por divertimento do que o zelo de Deus?"

Creio que precisamos de forma genuinamente bíblica, nos voltar para o culto que arranca o orgulho do nosso coração e nos constrange a dizer: ai de mim, pecador! Assombrar-nos pela presença poderosa de Deus com um santo temor reverente e profunda admiração pela Sua glória e livre graça soberana!

Com relação ao comportamento na casa de Deus, Ellen G. White nos advertiu:

"Houve uma grande mudança, não para melhor mas para pior, nos hábitos e costumes do povo com relação ao culto religioso. As coisas sagradas e preciosas, destinadas a prender-nos a Deus, estão quase perdendo sua influência sobre nosso espírito e coração, sendo rebaixadas ao nível das coisas comuns. A reverência que o povo antigamente revelava para com o santuário onde se encontrava com Deus, em serviço santo, quase deixou de existir completamente. Entretanto, Deus mesmo deu as instruções para Seu culto, elevando-o acima de tudo quanto é terreno" (Testemunhos Seletos, vol. 2, p. 193).

"Todo o culto deve ser efetuado com solenidade e reverência, como se fora feito na visível presença do próprio Deus. Deus deve ser a razão exclusiva de nossos pensamentos e de nossa adoração; qualquer coisa tendente a desviar a mente de Seu culto solene e sagrado constitui uma ofensa a Ele" (Conselhos para a Igreja, p. 258).

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Levantar as mãos na adoração

Há base bíblica para a prática, cada vez mais comum, de levantar as mãos durante o canto congregacional? 

Essa pergunta pode parecer sem importância, porém revela que estamos muito interessados em um tipo de culto que esteja biblicamente fundamentado e que não viole as instruções bíblicas. Mostra, também, que o movimento das mãos enquanto cantamos está criando certa tensão. Vou falar do uso das mãos durante os atos de adoração. Ficará claro que, na Bíblia, o ritual do uso das mãos acontecia, principalmente, durante a oração.

1. Atos não-verbais.
 As expressões corporais desempenham papel importante na expressão de ideias e emoções. Estudos sobre o papel dos atos não-verbais na adoração nos ajudam a entender um pouco melhor seu significado. Na Bíblia, temos apenas a linguagem da postura, gestos, movimentos e expressões faciais. As artes do antigo Oriente Médio ilustram muitos desses gestos. Os gestos das mãos, mencionados na Bíblia, eram também comuns no ambiente de adoração e culto no antigo Oriente Médio.

2. Levantar das Mãos. As expressões "levantar as mãos [yãdím]" ou "levantar as palmas (mãos) [kappayim]" são praticamente sinônimas. São usadas em diferentes contextos e, em alguns casos, expressam significados distintos. "O ato de levantar as mãos" é um gesto que expressa adoração no contexto do culto. Os que ministravam no templo eram exortados assim: "Levantem as mãos na direção do santuário e bendigam o SENHOR!" (Sl 134:2, NVI).

O gesto indicava que o objeto de louvor era o Senhor e que todo o indivíduo estava envolvido nesse ato. Era também usado para apresentar ao Senhor as orações e súplicas (Sl 28:2), como se a oração fosse colocada na palma da mão e levantada ao Senhor pedindo-Lhe que aceitasse (Sl 141:2).

Em outros casos, o gesto aparece para expressar a vontade do adorador de receber do Senhor o que pediu (Sl 63:4, 5; Lm 2:19). Mas o levantar das mãos parece expressar algo profundo, algo relacionado com o coração humano: "Derrame o seu coração como água na presença do Senhor. Levante para Ele as mãos" (Lm 3:41, NVI). O levantar das mãos correspondia ao levantar do íntimo do ser adorador ao Deus adorado, em comunhão com Ele.

3. Movimentar as Mãos. Neste caso, o verbo é pãrash ("acenar"), expressando a ideia de que as mãos acenam em frente da pessoa, não necessariamente levantadas. Às vezes, parece que o adorador acena as mãos em direção ao templo, ao Céu (1Rs 8:38, 39, 54; Sl 44:20) ou ao Senhor (Êx 9:33). O movimentar das mãos era usado, particularmente, durante as orações de súplica (1Rs 8:54; Is 1:15; Êx 9:29; Lm 1:17) ou quando havia uma profunda necessidade da presença de Deus (Sl 143:6). No salmo 88:9, lemos: "A minha vista desmaia por causa da aflição. SENHOR, tenho clamado a Ti todo o dia, tenho estendido para Ti as minhas mãos".

A necessidade do salmista é tão intensa que ele implora pela ajuda do Senhor. Embora em necessidade profunda, o adorador vai ao Senhor e estende as mãos a Ele, pedindo ajuda. Esse gesto mais intenso era uma expressão pessoal de dependência de Deus (Sl 44:20) e a devoção do coração ao Senhor (Jo 11:13).

4. E Então? Tanto quanto posso apurar, não há aceno com as mãos durante o culto na Bíblia. O levantar das mãos é comum (cf. 1Tm 2:8). A Bíblia não prescreve gestos das mãos na adoração, mas os descreve como prática comum aceitável. A arte dos cristãos primitivos indica que eles costumavam orar com os braços e as mãos estendidas para os lados, formando um crucifixo com o corpo. Hoje, unimos nossas mãos, tanto atrás como na frente do corpo, ou simplesmente as deixamos soltas. Ocasionalmente, podemos juntar as palmas das mãos e entrelaçar os dedos, uma prática comum entre os antigos romanos e sumerianos. Em outros tempos, as palmas eram colocadas juntas com os dedos estendidos, ato comum no budismo e hinduísmo.

A introdução de novidades em nossas igrejas, influenciadas pelo sistema carismático de adoração, pode perturbar um culto que deveria estar centrado em nosso Criador e Redentor e na Sua Palavra. Seria melhor seguir as práticas comuns da congregação onde coletivamente adoramos o Senhor. 

Angel Manuel Rodríguez (via Música e Adoração)

terça-feira, 25 de junho de 2019

A igreja não é um parque de diversões

Para Henry H. Halley, ministro e autor evangélico na primeira metade do século 20, a maior fraqueza do protestantismo é a ausência dos membros nas reuniões da igreja. Isso, contudo, é agravado pela atitude de muitos dos que ainda frequentam os cultos, enfadados e negativos.

Por que tanta relutância em relação à igreja? A lista das razões pode ser longa, todas iniciadas com um “se”: “se o coral cantasse melhor”; “se a pianista tocasse mais alto”; “se a música fosse mais animada”; “se voltássemos a cantar os hinos antigos”; “se o pregador falasse apenas 20 minutos”; “se os bancos fossem mais confortáveis”; “se o serviço de som fosse melhor”; “se tivéssemos ar-condicionado”, etc. Pode você identificar-se com essas desculpas? O problema não está com a igreja, mas com a má compreensão dela.

A igreja não é primariamente um lugar para o qual vamos com a finalidade de sermos entretidos. Não é um local em que uma plateia se assenta de braços cruzados para assistir a um show. A igreja não apresenta um espetáculo aos sentidos, em que alguns “atores” devem se esforçar para agradar pessoas mal-humoradas. A igreja não é um lugar em que pessoas com carrancas de desaprovação dizem ao pregador que não estão gostando de seu desempenho. A igreja não é um parque de diversões para distrair pessoas enfadadas.

A igreja é primariamente um lugar de culto. Jesus disse: “A Minha casa será casa de oração.” (Lucas 19:46). A igreja, note bem, não é um lugar aonde você vai primariamente para receber qualquer coisa. Em vez disso, você vai oferecer seu louvor e sua adoração, oferecer a vida a Deus e aos outros, em serviço alegre e voluntário. Alguns perguntam: “O que tem a igreja para me oferecer?” Se tal pergunta não é feita em palavras, ela é manifestada em nossa atitude consumista, camuflada de cristianismo.

Acostumados a nos assentar passivamente diante da TV, vemos a igreja com o mesmo espírito. Mas, se estamos buscando um espetáculo, a igreja não pode competir com Hollywood, que, além de contar com tecnologia, recursos e estímulos para anestesiar os sentidos, manipula a natureza caída que se alimenta daquilo que é oferecido. A mensagem da igreja é precisamente contrária à nossa natureza básica, que precisa ser redimida e transformada. Gostaria de fazer algumas sugestões que poderiam tornar mais significativa sua ida à igreja para a adoração:

1. Comece orando na noite anterior à sua ida à igreja. Ore para que Deus fale a você pessoalmente por meio do sermão, da música, do estudo das Escrituras ou de qualquer outro aspecto do culto. Ore para que o pregador seja livre no Espírito. Livre do medo, da insegurança humana, das distrações. Ore para que a Palavra de Deus o alcance com poder, de forma clara, oportuna, efetiva e redentora. Ore pela conversão de alguém.

2. Vá à igreja para ter um encontro com Deus. Você percebeu quantos itens na lista dos “ses” estavam relacionados com Deus? Exatamente. Nenhum deles. Isso acontece porque permitimos que o culto esteja centralizado em nós. O culto tornou-se o que nós queremos, focalizado naquilo que nos satisfaz. O culto verdadeiro está relacionado com Deus. Vá à igreja com alegria, júbilo (Sl 100:2, 4), reverência e gratidão. Há pessoas que realmente vão à igreja para adorar, não para se distrair, ficar nos corredores, no saguão, nos degraus ou nas salas dos departamentos. Outras pessoas vão à igreja, mas nunca chegam até ela.

3. Antes de ir à igreja, faça uma lista de pelo menos dez coisas pelas quais você louva a Deus. Leve a lista com você. Quando chegar o instante da oração, medite nesses dons divinos. Reconheça que Deus é bom, que “toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança” (Tg 1:17). O louvor convida a presença de Deus. Leia 2 Crônicas 5:11-14. Imagine o espetáculo, como descrito nesse texto. O louvor convida a presença da glória de Deus. Mude o foco dos problemas ou das situações da vida para Aquele que resolve os problemas e muda situações adversas.

4. Leve caneta e papel para a igreja. Faça anotações. Não fique apenas assentado, esperando receber o alimento na boca. Leve sua Bíblia. Procure as passagens. Escreva os pontos e ideias principais do sermão. Isso ajudará você a ficar conectado. Faça um sumário do sermão para enviar a alguém que não tenha ido à igreja. Isso aumentará sua habilidade de ouvir Deus falando a você e abençoará outros.

5. Escolha os bancos na primeira metade da igreja. Por que muitos competem pelos últimos bancos? Indo ao teatro, no campo de esportes ou em qualquer espetáculo, as pessoas procuram se assentar o mais próximo possível do palco. As primeiras cadeiras custam mais caro. Os mais interessados querem estar perto da ação. Na igreja, muitos agem de forma inversa. Observadas as exceções, como pais com crianças pequenas e pessoas enfermas, os últimos lugares podem significar desinteresse ou falta de compromisso. Como professor, raríssimas vezes vi bons alunos nos últimos bancos. Se você se assentar atrás, possivelmente terá sua atenção distraída. Vá para a frente, onde aquilo que desvia a atenção é mínimo. Lá você pode ver melhor, ouvir melhor e receber a bênção que o Senhor tem para você.

6. Pense em ser uma bênção para os outros, em vez de meramente buscar uma bênção para você. Peça que Deus o desperte para alguém que necessite de um sorriso, um abraço, uma palavra de encorajamento, uma oração. Não fique satisfeito em sair do culto até que você tenha tornado a ida de alguém à igreja significativa para ela. Isso é precisamente o que dá sentido à igreja. A igreja não é o carpete, um sistema de som perfeito, computador, apresentação multimídia. A igreja tem que ver com pessoas preocupadas em servir e abençoar. Não espere por outros. Tome a iniciativa!

7. Finalmente, quando você for à igreja, vá em atitude de perdão e aceitação. Procure, pela graça divina, desintoxicar-se do ódio, da hostilidade, da rejeição e da amargura contra outros irmãos e irmãs. Lembre-se, nosso inimigo não é nenhum ser humano. Por menos que gostemos de algumas pessoas, elas também são vítimas dele. Segundo Jesus, “se, pois, ao trazeres ao altar a tua oferta, ali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; e, então, voltando, faze a tua oferta” (Mt 5:23, 24). Isso é difícil? Sem dúvida. Gostaria que Ele não tivesse dito isso. Mas Ele disse, e não posso mudar Sua ordem.

Amin A. Rodor (Meditações Diárias: Encontros com Deus, pp. 207-209)

Nota: Em um artigo intitulado Um Templo ou um teatro?, Charles H. Spurgeon escreveu:

"Por meio de apresentações dramatizadas, os pastores fazem com que as casas de oração se assemelhem a teatros; transformam o culto em shows musicais e os sermões, em arengas políticas ou ensaios filosóficos. Na verdade, eles transformam o templo em teatro e os servos de Deus em atores cujo objetivo é entreter os homens. Não é verdade que o Dia do Senhor está se tornando, cada vez mais, um dia de recreação e de ociosidade; e a Casa do Senhor, um templo pagão cheio de ídolos ou um clube social onde existe mais entusiasmo por divertimento do que o zelo de Deus?"

Creio que precisamos de forma genuinamente bíblica, nos voltar para o culto que arranca o orgulho do nosso coração e nos constrange a dizer: ai de mim, pecador! Assombrar-nos pela presença poderosa de Deus com um santo temor reverente e profunda admiração pela Sua glória e livre graça soberana!

Com relação ao comportamento na casa de Deus, Ellen G. White nos advertiu:

"Houve uma grande mudança, não para melhor mas para pior, nos hábitos e costumes do povo com relação ao culto religioso. As coisas sagradas e preciosas, destinadas a prender-nos a Deus, estão quase perdendo sua influência sobre nosso espírito e coração, sendo rebaixadas ao nível das coisas comuns. A reverência que o povo antigamente revelava para com o santuário onde se encontrava com Deus, em serviço santo, quase deixou de existir completamente. Entretanto, Deus mesmo deu as instruções para Seu culto, elevando-o acima de tudo quanto é terreno" (Testemunhos Seletos, vol. 2, p. 193).

"Todo o culto deve ser efetuado com solenidade e reverência, como se fora feito na visível presença do próprio Deus. Deus deve ser a razão exclusiva de nossos pensamentos e de nossa adoração; qualquer coisa tendente a desviar a mente de Seu culto solene e sagrado constitui uma ofensa a Ele" (Conselhos para a Igreja, p. 258).

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Ellen White contra o culto chato

Sim, existem cultos chatos e até Ellen White, uma escritora do século 19 concorda com isso. Não, os cultos não devem ser chatos, e Ellen White fala sobre isso claramente. Nenhuma de nossas reuniões deve causar tédio pela falta de vida, de ânimo, pela desorganização ou pela impontualidade. Sim, existem pregadores monótonos e que falam demais, e até Ellen White concorda com isso. Não, os sermões não devem ser um teste de resistência para a Grande Tribulação por vir.

Notem que estou falando de uma antiga escritora que viveu num dos períodos de maior fervor do adventismo, onde os cultos eram vibrantes e marcados pela profunda busca da presença do Senhor. 

Boa parte do tempo de nossas reuniões são dedicadas ao sermão. Um culto de uma hora e meia chega a ter uma hora dedicada apenas ao que, em teoria, deveria ser a exposição da Palavra. Ellen White dedicou muitos parágrafos a esse assunto, e deveríamos dar mais atenção a eles. De acordo com ela, muitas reuniões se tornam desinteressantes justamente por causa do modo como o sermão é apresentado. Em resumo: um culto pode se tornar chato, se o pregador não seguir algumas diretrizes.

Esses parágrafos anteriores se fazem necessários, pois é normal colocar a culpa do culto frio e monótono em cima dos adoradores, não dos que planejam e dirigem o culto. No entanto, quem fica no púlpito divagando por mais de uma hora num discurso sem vida, não pode simplesmente jogar a culpa nos membros e ir para casa com a consciência limpa de que “fiz a minha parte”. Na luta contra o culto-entretenimento, pode surgir a ideia implícita de que há virtude no culto desagradável e morto, mas Ellen White não endossa esse tipo de culto.

Ao contrário do que supõe algumas pessoas, Ellen White orienta que nossas reuniões sejam interessantes e cheias de vida. E para isso, ela frequentemente sugere o sair da rotina, usar novas idéias e abordagens, e especialmente cuidar com o horário.

Cultos devem ser interessantes
“Deve imperar ali a própria atmosfera do Céu. As orações e discursos não devem ser prolixos e enfadonhos, apenas para encher o tempo. Todos devem espontaneamente e com pontualidade contribuir com sua parte e, esgotada a hora, a reunião deve ser pontualmente encerrada. Deste modo será conservado vivo o interesse. Nisto está o culto agradável a Deus. Seu culto deve ser interessante e atraente, não se permitindo que degenere em formalidade insípida. Devemos dia a dia, hora a hora, minuto a minuto viver para Cristo; então Ele habitará em nosso coração e, ao nos reunirmos, seu amor em nós será como uma fonte no deserto, que a todos refrigera, incutindo nas almas esmorecidas um desejo ardente de sorver da água da vida”. (Testemunhos Seletos, vol. 2, p. 252) 

“Não canseis jamais os ouvintes com sermões longos. Isso não é sábio. Durante muitos anos estive empenhada nesse assunto, tratando de que nossos irmãos preguem menos e dediquem o seu tempo e energia para simplificar os pontos importantes da verdade, pois todo ponto será motivo de ataque de nossos oponentes. Todos quantos estejam relacionados com a obra devem manter idéias novas; … e com tato e previsão fazei todo o possível para interessar os vossos ouvintes.” (Carta 48, 1886)

Pontualidade ajuda a evitar cultos e reuniões chatas
“As reuniões de conferências e oração não devem tornar-se tediosas. Todos devem estar prontos, se possível, na hora indicada; e se há retardatários, que estejam atrasados meia hora, ou mesmo quinze minutos, não se deve esperar por eles. Se houver apenas dois presentes, podem reivindicar a promessa. A reunião deve ser iniciada na hora marcada, se possível, estejam presentes muitos ou poucos.” (Review and Herald, 3 de maio de 1871)

Sermões Longos e Tediosos
“Que a mensagem para este tempo não seja apresentada em discursos longos e elaborados, mas em prática breves e incisivas, isto é, que vão diretamente ao ponto. Sermões prolongados fatigam a resistência do orador e a paciência dos ouvintes. (…) Dai lições curtas, em linguagem clara e simples, e repeti-as muitas vezes. Os sermões curtos serão muito mais lembrados do que os longos. Aqueles que falam devem lembrar que os assuntos que estão apresentando talvez sejam novos para alguns dos ouvintes; portanto, os pontos principais devem ser repassados uma e outra vez.” (Obreiros Evangélicos, pp. 167 e 168) 

“Sejam os discursos curtos, espirituais e elevados.” (Testemunhos para Ministros e Obreiros Evangélicos, p. 338) [1]

Muitos rodeios preliminares antes de ir ao ponto central
“Muitos oradores perdem o tempo e as energias em longos preliminares e desculpas. Alguns gastam cerca de meia hora em apresentar escusas; assim se perde o tempo e, quando chegam ao assunto e procuram firmar os pontos da verdade no espírito dos ouvintes, estes se acham fatigados e não lhes podem sentir a força.” (Obreiros Evangélicos, p. 169)

Falem pouco
“Falai pouco. Vossos discursos geralmente têm o dobro do que deviam ter. É possível lidar com uma boa coisa de tal maneira que ela perca seu sabor. Quando um discurso é longo demais, a última parte da pregação diminui a força e o interesse do que a precedeu. Não divagueis, mas ide diretamente ao ponto. Dai ao povo o próprio maná do Céu e o Espírito testificará com vosso espírito que não sois vós que falais, mas que o Espírito Santo fala por vosso intermédio.” (Testemunhos para Ministros e Obreiros Evangélicos, p. 311) [2]

Se você trabalha com jovens: não fale demais
“Os que dão instruções à infância e à juventude, devem evitar observações enfadonhas. Falar com brevidade, indo direto ao ponto, terá uma feliz influência. Se há muita coisa para dizer, substituí pela freqüência aquilo de que a brevidade os privou. Algumas observações interessantes, feitas de quando em quando, serão mais eficazes do que comunicar todas as instruções de uma só vez. Longos discursos fatigam a mente dos jovens. Falar demasiado levá-los-á mesmo a aborrecer as instruções espirituais, da mesma maneira que o comer em excesso sobrecarrega o estômago e diminui o apetite, conduzindo ao enjoo da comida. Nossas instruções à igreja, e especialmente à juventude, devem ser dadas, mandamento sobre mandamento, regra sobre regra, um pouco aqui, um pouco ali. As crianças devem ser atraídas para o Céu, não asperamente, mas com muita brandura. Não imagineis que vos seja possível despertar o interesse dos jovens indo à reunião missionária e pregando longo sermão. Planejai meios pelos quais se possa despertar um vivo interesse.” (Obreiros Evangélicos, pp. 208-210)

Alguns sermões podem se transformar em três
“Alguns de vossos discursos longos teriam muito melhor efeito sobre as pessoas se os dividísseis em três. As pessoas não podem digerir tanto; sua mente tampouco os pode apreender, e chegam a cansar-se e confundir-se ao ser-lhes apresentada tanta matéria em um único sermão. Duas terças partes dos sermões tão longos perdem-se, e o pregador esgota-se. Muitos de nossos pastores há que erram nesse sentido. O resultado sobre eles não é bom, porque se tornam cérebros cansados e sentem que estão carregando para o Senhor cargas pesadas e suportando durezas.” (Evangelismo, pp. 176 e 177)

Duas razões para se fazer sermões mais curtos
“Duas razões existem, pelas quais deveis fazê-lo. Uma é que podeis conquistar a reputação de ser pregador interessante; a outra é que podeis preservar a vossa saúde.” (Carta 112, 1902)

Ter muitos sermões num mesmo período não é bom
“E quando se amontoam tantos discursos, um após outro, o povo não tem tempo de assimilar o que ouve. A mente fica-lhes confusa, e os serviços se lhes tornam enfadonhos e fatigantes.” (Obreiros Evangélicos, p. 407)[3]

Por vezes, o sermão deve ser reduzido 
“Ocasiões há em que convém fazerem os nossos pastores, no sábado, em nossas igrejas, breves discursos, cheios de vida e do amor de Cristo. Os membros da igreja não devem, porém, esperar um sermão cada sábado.” (Testemunhos Seletos, vol. 3, p. 82) 

“Aquele que é designado para dirigir cultos aos sábados, deve estudar a maneira de interessar os ouvintes nas verdades da Palavra. Não convém que faça sempre tão longos discursos que não haja oportunidade para os presentes confessarem a Cristo. O sermão deve ser, frequentemente, breve, a fim de o povo exprimir seu reconhecimento para com Deus. Ofertas de gratidão glorificam o nome do Senhor. Em cada assembléia dos santos, anjos de Deus escutam o louvor rendido a Jeová em testemunhos, canto e oração. A reunião de oração e testemunhos, deve ser um período de especial auxílio e animação. Todos devem sentir que é um privilégio tomar parte nela. Que todos os que confessam a Cristo tenham alguma coisa para dizer na reunião de testemunhos. Estes devem ser curtos, e de molde a servir de auxílio aos outros. Não há nada que mate tão completamente o espírito de devoção, como seja uma pessoa levar vinte ou trinta minutos num testemunho. Isso significa morte para a espiritualidade da reunião.” (Obreiros Evangélicos, p. 171)

Momentos de louvor estropiados
“O canto é uma parte do culto de Deus, porém na maneira estropiada por que é muitas vezes conduzido, não é nenhum crédito para a verdade, nenhuma honra para Deus. Deve haver sistema e ordem nisto, da mesma maneira que em qualquer outra parte da obra do Senhor. Organizai um grupo dos melhores cantores, cuja voz possa guiar a congregação, e depois todos quantos queiram se unam com eles. Os que cantam devem esforçar-se para cantar em harmonia; devem dedicar algum tempo a ensaiar, de modo a empregarem esse talento para glória de Deus.” (Evangelismo, p. 506)

Não devemos fazer orações longas e tediosas publicamente
“A oração feita em público deve ser breve, e ir diretamente ao ponto. Deus não requer que tornemos fastidioso o período do culto, mediante longas petições. Cristo não impõe a Seus discípulos fatigantes cerimônias e longas orações. 'Quando orares,' disse Ele, 'não sejas como os hipócritas, pois se comprazem em orar em pé nas sinagogas e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens' (Mateus 6:5). (…) Há muitas orações enfadonhas, que parecem mais uma preleção feita ao Senhor, do que o apresentar-Lhe um pedido. Seria melhor se os que assim procedem se limitassem à prece ensinada por Cristo a Seus discípulos. Orações longas são fatigantes para os que as escutam, e não preparam o povo para escutar as instruções que se devem seguir. É muitas vezes devido à negligência da oração particular, que em público elas são longas e fastidiosas. Não ponham os pastores em suas petições uma semana de negligenciados deveres, esperando expiar essa falta e tranquilizar a consciência. Tais orações dão freqüentemente em resultado o enfraquecer a espiritualidade de outros.” (Obreiros Evangélicos, pp. 175 e 176)

Fazer orações públicas simples e não com palavras difíceis
“A linguagem floreada é inadequada à oração, seja a petição feita no púlpito, no círculo da família, ou em particular. Especialmente o que ora em público deve servir-se de linguagem simples, para que os outros possam entender o que diz, e unir-se à petição.” (Obreiros Evangélicos, p. 177)

Perceba o padrão de Ellen White: nada deve ser desagradável e inconveniente no culto. Nem o sermão, nem o testemunho, nem as orações, nem a música. “Não seja chato”, essa é a mensagem geral. No que depender de você, não permita que o “Alegrei-me quando me disseram: vamos à Casa do Senhor” (Sl 122:1) se transforme em “fiquei entediado quando me disseram: vamos à Casa do Senhor”.

Profundidade não é sinônimo de prolixidade. 
Brevidade e objetividade não são sinônimos de superficialidade. 
Alegria não é sinônimo de irreverência. 
Reverência não é sinônimo de monotonia e chatice. 

Pr. Isaac Malheiros (via Música Sacra e Adoração)

[1] Alguém pode estar pensando: “Mas a própria Ellen White relata ocasiões em que ela pregou durante uma hora ou mais”. Sim, mas isso não era o rotineiro. Eram ocasiões especiais, onde muitas vezes ela era usada por Deus para fazer revelações proféticas ao povo. O ponto aqui é: o normal e rotineiro deve ser sermões curtos. Podem existir exceções, ocasiões especiais onde maior tempo será gasto, mas a regra da pontualidade e dos sermões curtos deve prevalecer em nossos cultos.
[2] Escrevendo a um pregador chamado Stephen Belden, ela aconselhou: “Não segure o povo mais que trinta minutos em seus discursos”. Ele estava se tornando prolixo em seus sermões. (Manuscript Releases, vol. 10, p. 130) 
[3] O contexto dessa advertência eram as reuniões campais, onde enorme quantidade de sermões eram apresentados em sequência.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Vamos falar sobre... celular na igreja



O que distrai você, destrói a sua adoração. Então, que tal deixar o seu celular no modo "adoração"?

segunda-feira, 10 de julho de 2017

7 dicas que poderiam tornar mais significativa sua ida à igreja

Para Henry H. Halley, ministro e autor evangélico na primeira metade do século 20, a maior fraqueza do protestantismo é a ausência dos membros nas reuniões da igreja. Isso, contudo, é agravado pela atitude de muitos dos que ainda frequentam os cultos, enfadados e negativos.

Por que tanta relutância em relação à igreja? A lista das razões pode ser longa, todas iniciadas com um “se”: “se o coral cantasse melhor”; “se a pianista tocasse mais alto”; “se a música fosse mais animada”; “se voltássemos a cantar os hinos antigos”; “se o pregador falasse apenas 20 minutos”; “se os bancos fossem mais confortáveis”; “se o serviço de som fosse melhor”; “se tivéssemos ar-condicionado”, etc. Pode você identificar-se com essas desculpas? O problema não está com a igreja, mas com a má compreensão dela.

A igreja não é primariamente um lugar para o qual vamos com a finalidade de sermos entretidos. Não é um local em que uma plateia se assenta de braços cruzados para assistir a um show. A igreja não apresenta um espetáculo aos sentidos, em que alguns “atores” devem se esforçar para agradar pessoas mal-humoradas. A igreja não é um lugar em que pessoas com carrancas de desaprovação dizem ao pregador que não estão gostando de seu desempenho. A igreja não é um parque de diversões para distrair pessoas enfadadas.

A igreja é primariamente um lugar de culto. Jesus disse: “A Minha casa será casa de oração.” (Lucas 19:46). A igreja, note bem, não é um lugar aonde você vai primariamente para receber qualquer coisa. Em vez disso, você vai oferecer seu louvor e sua adoração, oferecer a vida a Deus e aos outros, em serviço alegre e voluntário. Alguns perguntam: “O que tem a igreja para me oferecer?” Se tal pergunta não é feita em palavras, ela é manifestada em nossa atitude consumista, camuflada de cristianismo.

Acostumados a nos assentar passivamente diante da TV, vemos a igreja com o mesmo espírito. Mas, se estamos buscando um espetáculo, a igreja não pode competir com Hollywood, que, além de contar com tecnologia, recursos e estímulos para anestesiar os sentidos, manipula a natureza caída que se alimenta daquilo que é oferecido. A mensagem da igreja é precisamente contrária à nossa natureza básica, que precisa ser redimida e transformada. Gostaria de fazer algumas sugestões que poderiam tornar mais significativa sua ida à igreja para a adoração:

1. Comece orando na noite anterior à sua ida à igreja. Ore para que Deus fale a você pessoalmente por meio do sermão, da música, do estudo das Escrituras ou de qualquer outro aspecto do culto. Ore para que o pregador seja livre no Espírito. Livre do medo, da insegurança humana, das distrações. Ore para que a Palavra de Deus o alcance com poder, de forma clara, oportuna, efetiva e redentora. Ore pela conversão de alguém.

2. Vá à igreja para ter um encontro com Deus. Você percebeu quantos itens na lista dos “ses” estavam relacionados com Deus? Exatamente. Nenhum deles. Isso acontece porque permitimos que o culto esteja centralizado em nós. O culto tornou-se o que nós queremos, focalizado naquilo que nos satisfaz. O culto verdadeiro está relacionado com Deus. Vá à igreja com alegria, júbilo (Sl 100:2, 4), reverência e gratidão. Há pessoas que realmente vão à igreja para adorar, não para se distrair, ficar nos corredores, no saguão, nos degraus ou nas salas dos departamentos. Outras pessoas vão à igreja, mas nunca chegam até ela.

3. Antes de ir à igreja, faça uma lista de pelo menos dez coisas pelas quais você louva a Deus. Leve a lista com você. Quando chegar o instante da oração, medite nesses dons divinos. Reconheça que Deus é bom, que “toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança” (Tg 1:17). O louvor convida a presença de Deus. Leia 2 Crônicas 5:11-14. Imagine o espetáculo, como descrito nesse texto. O louvor convida a presença da glória de Deus. Mude o foco dos problemas ou das situações da vida para Aquele que resolve os problemas e muda situações adversas.

4. Leve caneta e papel para a igreja. Faça anotações. Não fique apenas assentado, esperando receber o alimento na boca. Leve sua Bíblia. Procure as passagens. Escreva os pontos e ideias principais do sermão. Isso ajudará você a ficar conectado. Faça um sumário do sermão para enviar a alguém que não tenha ido à igreja. Isso aumentará sua habilidade de ouvir Deus falando a você e abençoará outros.

5. Escolha os bancos na primeira metade da igreja. Por que muitos competem pelos últimos bancos? Indo ao teatro, no campo de esportes ou em qualquer espetáculo, as pessoas procuram se assentar o mais próximo possível do palco. As primeiras cadeiras custam mais caro. Os mais interessados querem estar perto da ação. Na igreja, muitos agem de forma inversa. Observadas as exceções, como pais com crianças pequenas e pessoas enfermas, os últimos lugares podem significar desinteresse ou falta de compromisso. Como professor, raríssimas vezes vi bons alunos nos últimos bancos. Se você se assentar atrás, possivelmente terá sua atenção distraída. Vá para a frente, onde aquilo que desvia a atenção é mínimo. Lá você pode ver melhor, ouvir melhor e receber a bênção que o Senhor tem para você.

6. Pense em ser uma bênção para os outros, em vez de meramente buscar uma bênção para você. Peça que Deus o desperte para alguém que necessite de um sorriso, um abraço, uma palavra de encorajamento, uma oração. Não fique satisfeito em sair do culto até que você tenha tornado a ida de alguém à igreja significativa para ela. Isso é precisamente o que dá sentido à igreja. A igreja não é o carpete, um sistema de som perfeito, computador, apresentação multimídia. A igreja tem que ver com pessoas preocupadas em servir e abençoar. Não espere por outros. Tome a iniciativa!

7. Finalmente, quando você for à igreja, vá em atitude de perdão e aceitação. Procure, pela graça divina, desintoxicar-se do ódio, da hostilidade, da rejeição e da amargura contra outros irmãos e irmãs. Lembre-se, nosso inimigo não é nenhum ser humano. Por menos que gostemos de algumas pessoas, elas também são vítimas dele. Segundo Jesus, “se, pois, ao trazeres ao altar a tua oferta, ali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; e, então, voltando, faze a tua oferta” (Mt 5:23, 24). Isso é difícil? Sem dúvida. Gostaria que Ele não tivesse dito isso. Mas Ele disse, e não posso mudar Sua ordem.

Amin A. Rodor (Meditações Diárias: Encontros com Deus, pp. 207-209)

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Ellen White contra o culto chato

Sim, existem cultos chatos e até Ellen White, uma escritora do século 19 concorda com isso. Não, os cultos não devem ser chatos, e Ellen White fala sobre isso claramente. Nenhuma de nossas reuniões deve causar tédio pela falta de vida, de ânimo, pela desorganização ou pela impontualidade. Sim, existem pregadores monótonos e que falam demais, e até Ellen White concorda com isso. Não, os sermões não devem ser um teste de resistência para a Grande Tribulação por vir.

Notem que estou falando de uma antiga escritora que viveu num dos períodos de maior fervor do adventismo, onde os cultos eram vibrantes e marcados pela profunda busca da presença do Senhor. 

Boa parte do tempo de nossas reuniões são dedicadas ao sermão. Um culto de uma hora e meia chega a ter uma hora dedicada apenas ao que, em teoria, deveria ser a exposição da Palavra. Ellen White dedicou muitos parágrafos a esse assunto, e deveríamos dar mais atenção a eles. De acordo com ela, muitas reuniões se tornam desinteressantes justamente por causa do modo como o sermão é apresentado. Em resumo: um culto pode se tornar chato, se o pregador não seguir algumas diretrizes.

Esses parágrafos anteriores se fazem necessários pois é normal colocar a culpa do culto frio e monótono em cima dos adoradores, não dos que planejam e dirigem o culto. No entanto, quem fica no púlpito divagando por mais de uma hora num discurso sem vida não pode simplesmente jogar a culpa nos membros e ir para casa com a consciência limpa de que “fiz a minha parte”. Na luta contra o culto-entretenimento, pode surgir a idéia implícita de que há virtude no culto desagradável e morto, mas Ellen White não endossa esse tipo de culto.

Ao contrário do que supõe algumas pessoas, Ellen White orienta que nossas reuniões sejam interessantes e cheias de vida. E para isso ela frequentemente sugere o sair da rotina, usar novas idéias e abordagens, e especialmente cuidar com o horário.

Cultos devem ser interessantes
“Deve imperar ali a própria atmosfera do Céu. As orações e discursos não devem ser prolixos e enfadonhos, apenas para encher o tempo. Todos devem espontaneamente e com pontualidade contribuir com sua parte e, esgotada a hora, a reunião deve ser pontualmente encerrada. Deste modo será conservado vivo o interesse. Nisto está o culto agradável a Deus. Seu culto deve ser interessante e atraente, não se permitindo que degenere em formalidade insípida. Devemos dia a dia, hora a hora, minuto a minuto viver para Cristo; então Ele habitará em nosso coração e, ao nos reunirmos, seu amor em nós será como uma fonte no deserto, que a todos refrigera, incutindo nas almas esmorecidas um desejo ardente de sorver da água da vida”. (Testemunhos Seletos, vol. 2, p. 252)
“Não canseis jamais os ouvintes com sermões longos. Isso não é sábio. Durante muitos anos estive empenhada nesse assunto, tratando de que nossos irmãos preguem menos e dediquem o seu tempo e energia para simplificar os pontos importantes da verdade, pois todo ponto será motivo de ataque de nossos oponentes. Todos quantos estejam relacionados com a obra devem manter idéias novas; … e com tato e previsão fazei todo o possível para interessar os vossos ouvintes.” (Carta 48, 1886)
Pontualidade ajuda a evitar cultos e reuniões chatas
“As reuniões de conferências e oração não devem tornar-se tediosas. Todos devem estar prontos, se possível, na hora indicada; e se há retardatários, que estejam atrasados meia hora, ou mesmo quinze minutos, não se deve esperar por eles. Se houver apenas dois presentes, podem reivindicar a promessa. A reunião deve ser iniciada na hora marcada, se possível, estejam presentes muitos ou poucos.” (Review and Herald, 3 de maio de 1871)
Sermões Longos e Tediosos
“Que a mensagem para este tempo não seja apresentada em discursos longos e elaborados, mas em prática breves e incisivas, isto é, que vão diretamente ao ponto. Sermões prolongados fatigam a resistência do orador e a paciência dos ouvintes. (…) Dai lições curtas, em linguagem clara e simples, e repeti-as muitas vezes. Os sermões curtos serão muito mais lembrados do que os longos. Aqueles que falam devem lembrar que os assuntos que estão apresentando talvez sejam novos para alguns dos ouvintes; portanto, os pontos principais devem ser repassados uma e outra vez.” (Obreiros Evangélicos, pp. 167 e 168)
“Sejam os discursos curtos, espirituais e elevados.” (Testemunhos para Ministros e Obreiros Evangélicos, p. 338) [1]
Muitos rodeios preliminares antes de ir ao ponto central
“Muitos oradores perdem o tempo e as energias em longos preliminares e desculpas. Alguns gastam cerca de meia hora em apresentar escusas; assim se perde o tempo e, quando chegam ao assunto e procuram firmar os pontos da verdade no espírito dos ouvintes, estes se acham fatigados e não lhes podem sentir a força.” (Obreiros Evangélicos, p. 169)
Falem pouco
“Falai pouco. Vossos discursos geralmente têm o dobro do que deviam ter. É possível lidar com uma boa coisa de tal maneira que ela perca seu sabor. Quando um discurso é longo demais, a última parte da pregação diminui a força e o interesse do que a precedeu. Não divagueis, mas ide diretamente ao ponto. Dai ao povo o próprio maná do Céu e o Espírito testificará com vosso espírito que não sois vós que falais, mas que o Espírito Santo fala por vosso intermédio.” (Testemunhos para Ministros e Obreiros Evangélicos, p. 311) [2]
Se você trabalha com jovens: não fale demais
“Os que dão instruções à infância e à juventude, devem evitar observações enfadonhas. Falar com brevidade, indo direto ao ponto, terá uma feliz influência. Se há muita coisa para dizer, substituí pela freqüência aquilo de que a brevidade os privou. Algumas observações interessantes, feitas de quando em quando, serão mais eficazes do que comunicar todas as instruções de uma só vez. Longos discursos fatigam a mente dos jovens. Falar demasiado levá-los-á mesmo a aborrecer as instruções espirituais, da mesma maneira que o comer em excesso sobrecarrega o estômago e diminui o apetite, conduzindo ao enjoo da comida. Nossas instruções à igreja, e especialmente à juventude, devem ser dadas, mandamento sobre mandamento, regra sobre regra, um pouco aqui, um pouco ali. As crianças devem ser atraídas para o Céu, não asperamente, mas com muita brandura. Não imagineis que vos seja possível despertar o interesse dos jovens indo à reunião missionária e pregando longo sermão. Planejai meios pelos quais se possa despertar um vivo interesse.” (Obreiros Evangélicos, pp. 208-210)
Alguns sermões podem se transformar em três
“Alguns de vossos discursos longos teriam muito melhor efeito sobre as pessoas se os dividísseis em três. As pessoas não podem digerir tanto; sua mente tampouco os pode apreender, e chegam a cansar-se e confundir-se ao ser-lhes apresentada tanta matéria em um único sermão. Duas terças partes dos sermões tão longos perdem-se, e o pregador esgota-se. Muitos de nossos pastores há que erram nesse sentido. O resultado sobre eles não é bom, porque se tornam cérebros cansados e sentem que estão carregando para o Senhor cargas pesadas e suportando durezas.” (Evangelismo, pp. 176 e 177)
Duas razões para se fazer sermões mais curtos
“Duas razões existem, pelas quais deveis fazê-lo. Uma é que podeis conquistar a reputação de ser pregador interessante; a outra é que podeis preservar a vossa saúde.” (Carta 112, 1902)
Ter muitos sermões num mesmo período não é bom
“E quando se amontoam tantos discursos, um após outro, o povo não tem tempo de assimilar o que ouve. A mente fica-lhes confusa, e os serviços se lhes tornam enfadonhos e fatigantes.” (Obreiros Evangélicos, p. 407)[3]
Por vezes, o sermão deve ser reduzido 
“Ocasiões há em que convém fazerem os nossos pastores, no sábado, em nossas igrejas, breves discursos, cheios de vida e do amor de Cristo. Os membros da igreja não devem, porém, esperar um sermão cada sábado.” (Testemunhos Seletos, vol 3, p. 82)
“Aquele que é designado para dirigir cultos aos sábados, deve estudar a maneira de interessar os ouvintes nas verdades da Palavra. Não convém que faça sempre tão longos discursos que não haja oportunidade para os presentes confessarem a Cristo. O sermão deve ser, frequentemente, breve, a fim de o povo exprimir seu reconhecimento para com Deus. Ofertas de gratidão glorificam o nome do Senhor. Em cada assembléia dos santos, anjos de Deus escutam o louvor rendido a Jeová em testemunhos, canto e oração. A reunião de oração e testemunhos, deve ser um período de especial auxílio e animação. Todos devem sentir que é um privilégio tomar parte nela. Que todos os que confessam a Cristo tenham alguma coisa para dizer na reunião de testemunhos. Estes devem ser curtos, e de molde a servir de auxílio aos outros. Não há nada que mate tão completamente o espírito de devoção, como seja uma pessoa levar vinte ou trinta minutos num testemunho. Isso significa morte para a espiritualidade da reunião.” (Obreiros Evangélicos, p. 171)
Momentos de louvor estropiados
“O canto é uma parte do culto de Deus, porém na maneira estropiada por que é muitas vezes conduzido, não é nenhum crédito para a verdade, nenhuma honra para Deus. Deve haver sistema e ordem nisto, da mesma maneira que em qualquer outra parte da obra do Senhor. Organizai um grupo dos melhores cantores, cuja voz possa guiar a congregação, e depois todos quantos queiram se unam com eles. Os que cantam devem esforçar-se para cantar em harmonia; devem dedicar algum tempo a ensaiar, de modo a empregarem esse talento para glória de Deus.” (Evangelismo, p. 506)
Não devemos fazer orações longas e tediosas publicamente
“A oração feita em público deve ser breve, e ir diretamente ao ponto. Deus não requer que tornemos fastidioso o período do culto, mediante longas petições. Cristo não impõe a Seus discípulos fatigantes cerimônias e longas orações. 'Quando orares,' disse Ele, 'não sejas como os hipócritas, pois se comprazem em orar em pé nas sinagogas e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens' (Mateus 6:5). (…) Há muitas orações enfadonhas, que parecem mais uma preleção feita ao Senhor, do que o apresentar-Lhe um pedido. Seria melhor se os que assim procedem se limitassem à prece ensinada por Cristo a Seus discípulos. Orações longas são fatigantes para os que as escutam, e não preparam o povo para escutar as instruções que se devem seguir. É muitas vezes devido à negligência da oração particular, que em público elas são longas e fastidiosas. Não ponham os pastores em suas petições uma semana de negligenciados deveres, esperando expiar essa falta e tranquilizar a consciência. Tais orações dão freqüentemente em resultado o enfraquecer a espiritualidade de outros.” (Obreiros Evangélicos, pp. 175 e 176)
Fazer orações públicas simples e não com palavras difíceis
“A linguagem floreada é inadequada à oração, seja a petição feita no púlpito, no círculo da família, ou em particular. Especialmente o que ora em público deve servir-se de linguagem simples, para que os outros possam entender o que diz, e unir-se à petição.” (Obreiros Evangélicos, p. 177)
Perceba o padrão de Ellen White: nada deve ser desagradável e inconveniente no culto. Nem o sermão, nem o testemunho, nem as orações, nem a música. “Não seja chato”, essa é a mensagem geral. No que depender de você, não permita que o “Alegrei-me quando me disseram: vamos à Casa do Senhor” (Sl 122:1) se transforme em “fiquei entediado quando me disseram: vamos à Casa do Senhor”.
Profundidade não é sinônimo de prolixidade. 
Brevidade e objetividade não são sinônimos de superficialidade. 
Alegria não é sinônimo de irreverência. 
Reverência não é sinônimo de monotonia e chatice.
Pr. Isaac Malheiros (via Música Sacra e Adoração)

[1] Alguém pode estar pensando: “Mas a própria Ellen White relata ocasiões em que ela pregou durante uma hora ou mais”. Sim, mas isso não era o rotineiro. Eram ocasiões especiais, onde muitas vezes ela era usada por Deus para fazer revelações proféticas ao povo. O ponto aqui é: o normal e rotineiro deve ser sermões curtos. Podem existir exceções, ocasiões especiais onde maior tempo será gasto, mas a regra da pontualidade e dos sermões curtos deve prevalecer em nossos cultos.
[2] Escrevendo a um pregador chamado Stephen Belden, ela aconselhou: “Não segure o povo mais que trinta minutos em seus discursos”. Ele estava se tornando prolixo em seus sermões. (Manuscript Releases, vol. 10, p. 130) 
[3] O contexto dessa advertência eram as reuniões campais, onde enorme quantidade de sermões eram apresentados em sequência.