segunda-feira, 15 de março de 2021

O DEDO APONTADO

O gesto de apontar o dedo é muito comum. Apontamos nosso indicador em uma variedade de situações, com diversas finalidades, mas, em geral, o que esse gesto faz é colocar algo, que não somos nós, no centro das atenções. Se alguém me pergunta, por exemplo, onde fica determinada rua e eu aponto o dedo em uma direção, o que meu dedo põe no foco não sou eu, mas, sim, a tal rua. Se eu mostro uma pessoa com o meu dedo, o assunto em questão é a pessoa, não eu. Portanto, invariavelmente, o gesto de apontar tira quem aponta dos holofotes e põe em destaque quem é apontado. Devemos, porém, tomar cuidado com o que o dedo apontado para o outro diz a nosso respeito.

Uma das maneiras de fugir das próprias responsabilidades é desviando as atenções para os erros alheios. Muitas vezes, quando não queremos encarar os nossos problemas e as nossas falhas, usamos como estratégia apontar o dedo para os erros de outra pessoa qualquer, a fim de que todos os olhos se voltem para ela e, com isso, nossas questões deixem de ser o assunto em pauta. É por essa razão que, por exemplo, candidatos a cargos eleitorais costumam atacar seus adversários, para afastar as atenções dos próprios podres, jogando os podres do outro no ventilador. É uma tática comum e bastante usual.

Por que esse assunto é espiritualmente importante? Porque a fé cristã exige de nós uma atenção constante aos nossos defeitos. O que devo trabalhar prioritariamente são as minhas deficiências; as dos outros vêm depois. O evangelho nos confronta a todo instante com nossas falhas e exige de nós arrependimento. Porém, como se arrepender se sempre tentamos nos justificar de nossas falhas apontando o dedo para o próximo?

Costumo desconfiar de gente que só vive botando o dedo na cara dos outros. Cristãos que dedicam a vida a apontar a falha alheia muito provavelmente deveriam se preocupar com os próprios pecados com muitíssimo mais atenção. E, para pôr em prática o que estou defendendo neste texto, deixe-me apontar o dedo para a minha cara e não a sua: anos atrás, na época em que eu agia como o “apologeta da verdade” e dedicava meus pensamentos, meus textos, minhas horas e minhas energias a “denunciar os erros da Igreja” e a atacar os hereges e os equivocados, foi o período da minha vida em que eu mais deveria ter prestado atenção aos meus defeitos. Algo errado com denunciar os hereges e equivocados? Claro que não. Mas eu deveria, antes disso, ter prestado atenção e tratado os meus próprios conceitos, modos de agir, valores e motivações. O resultado de ter posto o dedo na cara alheia e não na minha: acabei doente, física e espiritualmente.

Esse fenômeno acontece em diversas instâncias. Esposas e maridos conformados com seus procedimentos antibíblicos apontam o dedo para o cônjuge ao serem confrontados com seus pecados e dizem “ah, mas você…”. Pronto. Tirou o foco das próprias atitudes horríveis e o pôs na falha do outro para não ter de se reconhecer errado e fazer algo a respeito. Patrões que não querem se assumir como exploradores dos empregados põem o dedo na cara do governo e dizem “ah, mas o governo…”. Cidadãos comuns que dão propina a policiais ou funcionários do governo tentam aliviar sua consciência apontando o dedo para o Planalto e dizendo “ah, mas os políticos…”. E assim por diante.

Você tem apontado o dedo? Nenhum problema quanto a isso, se a sua motivação for apontar para corrigir com amor e se, antes, tenha feito uma profunda autoanálise. Nossa prioridade é examinar a nós mesmos e buscarmos, nós, o arrependimento. Responda, com sinceridade e transparência: seu dedo apontado tem como motivação a amorosa edificação e correção do seu próximo ou uma pretensa superioridade moral e espiritual sua? Será que você aponta as falhas dos demais por amor a eles ou porque, afinal de contas, você é o tal, o defensor da verdade, o paladino mascarado do evangelho? Pior: será que seu dedo apontado não tem por finalidade tirar as atenções das próprias falhas?

Temos de tomar cuidado para não apontar dedos com motivações espúrias. Porque, na maioria das vezes em que apontamos para o próximo sem que nossa motivação seja, única e simplesmente, o amor, estamos incorrendo em dois pecados abomináveis: a hipocrisia e a arrogância.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,

Maurício Zágari (via Apenas)

Textos selecionados de Ellen G. White

Digo com tristeza que existem entre os membros de igreja línguas desenfreadas. Há línguas falsas, que se alimentam com a maldade. Há línguas astutas, que segredam. Há loquacidade, impertinente intrometimento, insinuações hábeis. Entre os amantes da tagarelice, alguns são atuados pela curiosidade, outros pela inveja, muitos pelo ódio contra aqueles por meio dos quais Deus falou para os reprovar. Alguns ocultam seus sentimentos reais, enquanto outros estão ansiosos por divulgar tudo que sabem, ou mesmo suspeitam, dos males alheios. Enquanto muitos negligenciam sua própria alma, vigiam ansiosamente por uma oportunidade para criticar e condenar os outros.

Foram os cristãos autorizados por Deus a criticarem-se e condenarem-se mutuamente? Será honroso, ou mesmo honesto, extrair dos lábios de alguém, à guisa de amizade, segredos que lhe foram confiados, e em seguida fazer reverter em seu prejuízo o conhecimento assim alcançado? Será caridade cristã, apanhar todo boato que por aí flutue, desenterrar tudo que lance suspeita sobre o caráter de outro, e então ter prazer em empregá-lo para o prejudicar? [1]

Demorando-se continuamente nos erros e defeitos dos outros, muitos se tornam dispépticos religiosos. Os que criticam e condenam uns aos outros estão transgredindo os mandamentos de Deus, e são-Lhe uma ofensa. Irmãos e irmãs, afastemos o entulho da crítica e suspeita e murmuração, e não desgastei os nervos externamente. Se todos os cristãos professos usassem suas faculdades investigadoras para ver quais os males que neles mesmos carecem de correção, em vez de falar dos erros alheios, existiria na igreja hoje uma condição mais saudável. [2]

Há os que pensam de si mais do que convém. Falam mal de seus irmãos porque, feito por estes um trabalho, o examinam e dizem quão diferentemente eles o teriam feito; no entanto, sua previsão não teria sido nada melhor do que a de seus irmãos, tivessem eles estado em seu lugar.

Mantende-vos afastados da cadeira de juiz. Todo julgamento é dado ao Filho de Deus. Satanás atua zelosamente para levar os homens a pecar neste ponto. Satanás exulta quando pode difamar ou ferir um seguidor de Cristo. Ele é o "acusador dos irmãos". Deverão os cristãos ajudá-lo em sua obra? O espírito de tagarelice e maledicência é um dos instrumentos especiais de Satanás para semear discórdia e luta, para separar amigos e minar a fé de muitos na veracidade de nossas crenças. Aqueles cuja língua é tão franca em proferir palavras de crítica, os habilidosos interrogadores que sabem extorquir expressões e opiniões que foram introduzidas no espírito mediante o lançar sementes de separação, esses são missionários seus. Sabem repetir as expressões extorquidas de outros, como sendo originadas por aqueles que eles tão astutamente levaram para terreno proibido. Essas pessoas parecem ver sempre algo que deva ser criticado e condenado. Entesouram tudo que seja de natureza desagradável, e então envenenam outros. Sua língua está pronta para exagerar todo o mal. Que grande bosque um pequeno fogo incendeia! Nunca permitais que vossa língua e voz sejam empregados em descobrir e exagerar os defeitos de vossos irmãos; pois o registro do Céu identifica os interesses de Cristo com aqueles que Ele comprou com Seu próprio sangue. “Quando o fizestes a um destes Meus pequeninos irmãos”, diz Ele, “a mim o fizestes” (Mateus 25:40).

Devemos aprender a ser leais uns aos outros, ser verdadeiros como o aço na defesa de nossos irmãos. Olhai para vossos próprios defeitos. É melhor descobrirdes um de vossos próprios defeitos, do que dez de vosso irmão. Lembrai-vos de que Cristo orou por esses irmãos Seus, para que pudessem ser um, como Ele é um com o Pai. Lutai, no máximo de vossa capacidade, para estar em harmonia com vossos irmãos segundo a extensão da medida de Cristo, assim como Ele é um com o Pai. [3] Sede todos compassivos, amando os irmãos. O verdadeiro valor moral não procura elevar-se a um lugar mediante pensar mal e falar mal, desmerecendo outros. Toda inveja, todo ciúme, toda maledicência e incredulidade têm de ser afastados dos filhos de Deus. [4]

Não devemos permitir que nossas perplexidades e desapontamentos nos corroam a alma, tornando-nos impertinentes e impacientes. Não haja discórdia, nem suspeitas ou maledicência, para não ofendermos a Deus. Meu irmão, se abrires teu coração à inveja e a vis suspeitas, o Espírito Santo não poderá habitar contigo. Busca a plenitude que há em Cristo. Trabalha de modo por Ele indicado. Que cada pensamento, palavra e ato O revele. Precisas de um diário batismo do amor que nos dias dos apóstolos os tornava todos de um mesmo comum acordo. Esse amor trará saúde ao corpo, espírito e alma. Circunda tua alma com uma atmosfera que fortaleça a vida espiritual. Cultiva a fé, a esperança, o ânimo e o amor. Reine a paz de Deus no teu coração. [5]

1. Testemunhos Seletos, vol. 2, p. 22-24
2. Mente, Caráter e Personalidade, vol. 2, p. 635-638
3. Nos Lugares Celestiais, p. 181
4. Manuscrito 144
5. Testemunhos Seletos, vol. 1, p. 493

domingo, 14 de março de 2021

COMO NÃO SURTAR

"Um ano desde o começo oficial da pandemia do coronavírus... 
É fato que a saúde mental das pessoas piorou durante este período. E vamos levar muito tempo para nos recuperar disto que já pode ser chamado de trauma coletivo. Creio que não só eu, mas muita gente que tem feito e mantido isolamentos mais estritos que o meu, está esgotada. Seja pela incompetência do governo em tomar atitudes para combater a pandemia, seja pela inconsequência das pessoas em continuar saindo e se aglomerando sem necessidade, o que acarreta medidas cada vez mais restritivas. Pensemos nas pessoas que estão em casa, em frangalhos, tentando achar alguma normalidade na nova rotina. Pensemos também nas pessoas que fingem que nada está acontecendo e transformam sua rotina num eterno 'La La Land'. Pensemos também nas pessoas que continuam negando a realidade de forma raivosa. Todas estão com o psicológico cheio de problemas, e algumas, caso das últimas, em nível até patológico", disse Mari Rodrigues em seu artrigo na UOL.

O artigo abaixo, "Mantendo sua saúde mental em tempos de COVID-19" da Adventist Review, é particularmente útil e recomendamos que você o leia. Ele relaciona nossa situação durante a COVID-19 aos conselhos de Jesus em Mateus 6:25-27 sobre como superar a ansiedade.

A pandemia atual está trazendo todos os tipos de desafios psicológicos: ansiedade de morte, isolamento social, incerteza, preocupação em ter acesso às necessidades básicas e manter nossos empregos. As palavras isolamento, confinamento, prisão e coisas semelhantes têm um poderoso peso mental. Não apenas a mente, mas também o corpo paga um preço substancial.

Existem muitas recomendações boas sobre a melhor forma de lidar com esta pandemia, especialmente se você estiver confinado em casa. Deixe-me lembrar o que Jesus disse em Mateus 6:25-27: “Por isso eu digo a vocês: não se preocupem com a comida e com a bebida que precisam para viver nem com a roupa que precisam para se vestir. Afinal, será que a vida não é mais importante do que a comida? E será que o corpo não é mais importante do que as roupas? Vejam os passarinhos que voam pelo céu: eles não semeiam, não colhem, nem guardam comida em depósitos. No entanto, o Pai de vocês, que está no céu, dá de comer a eles. Será que vocês não valem muito mais do que os passarinhos? E nenhum de vocês pode acrescentar uma hora que seja à sua vida, por mais que se preocupe com isso.” (NTLH).

Agora, se alguém lhe disser “não se preocupe”, você pararia de se preocupar? A maioria de nós teria dificuldade em seguir o conselho. Mas Jesus nos dá cinco recomendações:

1. Observe a natureza em detalhes (Mateus 6:26, 28-30). Não se trata apenas de um “mero olhar”, mas de uma observação detalhada da beleza. Isso gera uma sensação de admiração, que tem um impacto positivo em suas emoções e o ajuda a valorizar a mão do Criador. Se você não puder sair, certifique-se de procurar fotos da natureza. Passe algum tempo observando as cores, imaginando a textura do que você vê e “cheirando” com sua mente como seria estar ali.

2. Permaneça no amor compassivo de Deus (v. 26). Você pode achar útil fazer um breve diário sobre as maneiras pelas quais viu a mão de Deus em sua vida hoje. Veja pelo que você pode ser grato ao Senhor, e passe algum tempo meditando nisso.

3. Viva de acordo com os valores do reino de Deus (v. 33). Quando nos sentimos ameaçados, somos tentados a pensar primeiro em nossas necessidades e esquecer os outros. Encontre maneiras simples de se estender a outras pessoas. Você pode enviar mensagens de texto, e-mail ou ligar para aqueles que você conhece. Decidi que continuarei a fornecer serviços psicológicos aos meus pacientes, quer receba ou não uma compensação pela duração desta pandemia. Você também pode encontrar uma maneira de continuar a servir os outros.

4. Não acredite em tudo que você pensa (v. 27). Nossos cérebros são uma criação maravilhosa. Jesus pergunta ironicamente se poderíamos acrescentar uma única hora às nossas vidas, preocupando-nos. Claro que não! Na verdade, estamos fadados a tirar horas de nossa vida se nos preocuparmos demais. Os terapeutas cognitivos chamam esses pensamentos de "distorções cognitivas":
- Pensamento tudo ou nada: quando tendemos a ver as coisas em termos extremos.
- Generalização exagerada: quando pegamos um evento negativo e acreditamos que ele representa um padrão abrangente.
- Filtro mental negativo: quando vemos as coisas com lentes pessimistas.

E assim por diante. Você pode facilmente pesquisar “distorções cognitivas” no Google e encontrará listas exaustivas.

É melhor se você anotar o que o preocupa, depois consultar a lista de “distorções cognitivas”, e ver qual delas se aplica. Desafie a distorção. Lembre-se: “A verdade o libertará” (João 8:32).

5. Estabeleça limites para o tempo que você se preocupa (v. 34). Jesus aparentemente reconheceu que Sua recomendação de “não se preocupar” (v. 25) não seria necessariamente facilmente seguida, e sugeriu que mantivéssemos as preocupações do dia para dentro daquele dia. Os especialistas concordam que, se você for se preocupar, estabeleça um horário para isso. Por exemplo, quando chegar às 17h, dedique meia hora inteira para se preocupar com tudo o que você precisa se preocupar. Não se distraia com mais nada. Se, durante o dia, você notar uma preocupação surgindo, diga a si mesmo que estará dedicando meia hora inteira a ela no horário combinado.

Finalmente, junte-se ao apóstolo Paulo em Filipenses 4:6-7: “Não se preocupe com nada. Não importa o que aconteça, conte a Deus sobre tudo. Peça, ore e agradeça a ele. Então a paz de Deus cuidará de seus corações e mentes. Ele fará isso porque você pertence a Cristo Jesus. A paz de Deus nunca pode ser completamente entendida.”

Sim! Conte tudo a Deus. Paulo quer dizer, não deixe nada de fora! Ao abrir o seu coração a Deus, saiba que você pertence a Cristo Jesus. Pois nEle não há medo nem pandemia que possa nos separar de Seu amor (Romanos 8:38, 39).

"Achamo-nos num mundo de sofrimento. Dificuldades, provações e dores nos aguardam em todo o percurso para o lar celestial. Muitos existem, porém, que tornam duplamente pesados os fardos da vida por estarem continuamente antecipando aflições. Se têm de enfrentar adversidade ou decepção, pensam que tudo se encaminha para a ruína, que a sua situação é a mais dura de todas, e que vão por certo cair em necessidade. Trazem assim sobre si o infortúnio e lançam sombras sobre todos os que os rodeiam. A própria vida se lhes torna um fardo. Entretanto não precisa ser assim. Custará um decidido esforço mudar a corrente de seus pensamentos. Mas essa mudança pode acontecer. Sua felicidade, tanto nesta vida como na futura, depende de que fixem a mente em coisas animadoras. Desviem-se eles do sombrio quadro, que é imaginário, voltando-se para os benefícios que Deus lhes tem espargido na estrada, e para além destes, aos invisíveis e eternos" (Ellen G. White - A Ciência do Bom Viver, p. 247 e 248).

sábado, 13 de março de 2021

O SÁBADO NO TEMPO DO FIM

Os adventistas creem que a fidelidade ao quarto mandamento representará parte do grande teste no tempo do fim. Lembre-se: a adoração é um conceito central nos capítulos 13 e 14 do Apocalipse. O verbo adorar aparece oito vezes nessa seção. Iremos adorar a Deus ou adorar a besta. Por que o sábado desempenha um papel de importância no tempo do fim? Por três razões básicas.

Primeira razão
Se corretamente entendido, o sábado é a resposta ideal ao evangelho. O evangelho nos ensina que Cristo fez por nós o que não podíamos fazer (Rm 3:21-23). Nada podemos acrescentar ao que Ele fez. O sábado está fundamentado no princípio do repouso, depois da obra completa de Cristo. O sábado é o convite para o descanso no que Cristo fez, não naquilo que nós tentamos fazer. O primeiro “trabalho” dos cristãos é repousar naquilo que Cristo realizou por nós.

Segunda razão
O sábado estabelece um teste ideal de obediência. Todos os outros mandamentos envolvem uma razão lógica para serem obedecidos. O quarto mandamento, contudo, está fundamentado unicamente na Palavra de Deus. O mandamento do sábado é como a “árvore da ciência do bem e do mal”. A única razão para não se comer do fruto proibido era aceitar a autoridade divina. No tempo do fim, vozes humanas, mesmo entre religiosos, estarão insistindo que você se esqueça daquilo que Deus lhe ordenou lembrar. O elemento central, então, será uma questão de autoridade. Com que autoridade você fica? A quem, afinal, você adora?

Terceira razão
O sábado será o elemento central do último teste porque ele é parte de nossa determinação de seguir a Jesus de modo pleno. Jesus guardou o sábado. Ele nos legou o exemplo. Se quisermos segui-Lo, devemos imitá-Lo também nesse aspecto. A insistência do repouso no sábado parecerá algo estranho ou absurdo, mesmo para pessoas consideradas cristãs. Elas terão extrema dificuldade em ver lógica no quarto mandamento. E o diabo saberá explorar essa aparente “falta de lógica”. O engano será tão severo que todas as evidências dos sentidos indicarão que outras vozes parecerão corretas. Apenas aqueles que aprenderam a confiar em Deus verão coerência no aparentemente arbitrário teste de lealdade.

Amin A. Rodor (via Meditações Diárias: Encontros com Deus, p. 234)

Nota: Segue abaixo algumas mensagens de Ellen G. White sobre a importância do sábado no tempo do fim:

"A questão do sábado será o ponto controverso no grande final conflito em que o mundo inteiro há de ser envolvido. Os homens exaltaram os princípios do diabo acima dos que regem nos Céus. Aceitaram o sábado espúrio instituído por Satanás como o sinal de sua autoridade. Entretanto, Deus imprimiu o Seu selo ao Seu estatuto real. Cada instituição sabática traz o nome de Seu Autor, a marca indestrutível que revela Sua autoridade. Nossa missão é levar o povo a compreender isto. Devemos mostrar-lhe no que importa trazer o sinal do reino de Deus ou do reino da rebelião, porque cada qual se reconhece súdito do reino cujo distintivo aceita. Deus nos chamou para desfraldar o estandarte do Seu sábado, que está sendo calcado a pés. Que importância tem, pois, que o nosso exemplo de guardar o sábado seja correto!" (Testemunhos Seletos, vol. 3, p. 10).

“O sábado será a pedra de toque da lealdade; pois é o ponto da verdade especialmente controvertido. Quando sobrevier aos homens a prova final, será traçada a linha divisória entre os que servem a Deus e os que não o servem” (O Grande Conflito, p. 605).

"O sábado é a grande questão decisiva. Ele é a linha demarcatória entre os leais e sinceros e os desleais e transgressores. Este sábado foi ordenado por Deus, e os que afirmam ser observadores dos mandamentos e creem que estão agora sob a proclamação da terceira mensagem angélica, verão a parte importante que o sábado do quarto mandamento mantém nessa mensagem. Ele é o selo do Deus vivo. Eles não diminuirão as reivindicações do sábado para acomodá-lo a suas conveniências" (Manuscrito 34, 1897).

"O sábado é sempre o sinal que distingue os obedientes dos desobedientes. Com magistral poder tem Satanás procurado tornar nulo e inútil o quarto mandamento, a fim de que o sinal de Deus seja perdido de vista. O mundo cristão tem calcado sob os pés o sábado do Senhor e observa o sábado instituído pelo inimigo. Deus, porém, tem um povo leal a Ele. Esta obra deve ser levada avante da maneira devida. O povo que leva o Seu sinal deve estabelecer igrejas e instituições como monumentos a Ele. Esses monumentos, conquanto humildes na aparência, testificarão constantemente contra o falso sábado instituído por Satanás, e em favor do sábado instituído pelo Senhor no Éden, quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam e todos os filhos de Deus rejubilavam" (Conselhos sobre Saúde, p. 235).

sexta-feira, 12 de março de 2021

COMO GUARDAR O SÁBADO?

A Igreja Adventista do Sétimo Dia reconhece o sábado como sinal distintivo de lealdade a Deus (Êx 20:8-11; 31:13-17; Ez 20:12, 20), cuja observância é pertinente a todos os seres humanos em todas as épocas e lugares (Is 56:1-7; Mc 2:27). Quando Deus “descansou” no sétimo dia da semana da criação, Ele também “santificou” e “abençoou” esse dia (Gn 2:2, 3), separando-o para uso sagrado e transformando-o em um canal de bênçãos para a humanidade. Aceitando o convite para deixar de lado seus “próprios interesses” durante o sábado (Is 58:13), os filhos de Deus observam esse dia como uma importante expressão da justificação pela fé em Cristo (Hb 4:4-11).

A observância do sábado é enunciada em Isaías 58:13, 14 nos seguintes termos: “Se desviares o pé de profanar o sábado e de cuidar dos teus próprios interesses no Meu santo dia; se chamares ao sábado deleitoso e santo dia do Senhor, digno de honra, e o honrares não seguindo os teus caminhos, não pretendendo fazer a tua própria vontade, nem falando palavras vãs, então, te deleitarás no Senhor.” Com base nesses princípios, a Divisão Sul-Americana da Igreja Adventista do Sétimo Dia reafirma neste documento seu compromisso com a fidelidade à observância do sábado.

Vida de santificação. A verdadeira observância do sábado se fundamenta em uma vida santificada pela graça de Cristo (Ez 20:12, 20); pois, “a fim de santificar o sábado, os homens precisam ser santos” (O Desejado de Todas as Nações, p. 283). A Igreja Adventista do Sétimo Dia reconhece o sábado como sinal distintivo de lealdade a Deus (Êx 20:8-11; 31:13-17; Ez 20:12, 20) 

Crescimento espiritual. Como “um elo de ouro que nos une a Deus” (Testemunhos Para a Igreja, v. 6, p. 352), o sábado provê um contato mais próximo de Deus. Como tal, não devemos permitir que outras atividades, por mais nobres que sejam, enfraqueçam nossa comunhão com Deus nesse dia.

Preparação para o sábado. Antes do pôr do sol da sexta-feira (cf. Lv 23:32; Dt 16:6; Ne 13:19), as atividades seculares devem ser interrompidas (cf. Ne 13:13-22); a casa deve estar limpa e arrumada; as roupas, lavadas e passadas; os alimentos, devidamente providenciados (cf. Êx 16:22-30); e os membros da família, já prontos.

Início e término do sábado. O sábado é um dia de especial comunhão com Deus, e deve ser iniciado e terminado com breves e atrativos cultos de pôr do sol, com a participação dos membros da família. Nessas ocasiões, é oportuno cantar alguns hinos, ler uma passagem bíblica, seguida de comentários pertinentes, e expressar gratidão a Deus em oração. (Ver Testemunhos Para a Igreja, v. 6, p. 356-359.)

Pessoas sob nossa influência. O quarto mandamento do Decálogo orienta que, no sábado, todas as pessoas sob nossa influência devem ser dispensadas das atividades seculares (Êx 20:10). Isso implica os demais membros da família, bem como os empregados e hóspedes; que também sejam estimulados a observar o sábado.

Espírito de comunhão. Como dia por excelência de comunhão com Deus (Ez 20:12, 20), o sábado deve se caracterizar por um prazeroso e alegre compromisso com as prioridades espirituais, com momentos especiais de leitura da Bíblia, oração e, se possível, de contato com a natureza (cf. At 16:13). Esse compromisso deverá ser mantido na escolha dos assuntos abordados também em nossos diálogos informais com familiares e amigos.

Reuniões da igreja. Somos admoestados a não deixar “de congregar-nos, como é costume de alguns” (Hb 10:25). Portanto, as programações e atividades regulares da igreja aos sábados devem ter precedência sobre outros compromissos pessoais e sociais, mesmo que estes sejam pertinentes para o sábado.

Casamentos e festas. O convite para deixar de lado nossos “próprios interesses” no sábado (Is 58:13) indica que casamentos e festas, incluindo seus devidos preparativos, devem ser realizados fora desse período sagrado. Casamentos e algumas festas mais suntuosas não devem ser planejados para os sábados à noite, pois seus preparativos envolvem expectativas e atividades não condizentes com o espírito de comunhão com Deus.

Mídia secular. A mídia secular, em todas as suas formas, deve ser deixada de lado durante as horas do sábado, para que este, rompendo com a rotina da vida, possa ser um dia “deleitoso e santo” (Is 58:13).

Esportes e lazer. Muitas atividades esportivas e de lazer, aceitáveis durante a semana, não são condizentes com a observância do sábado, pois desviam a mente das questões espirituais (Is 58:13).

Horas de sono. A Bíblia define o sábado como dia de “repouso solene” (Êx 31:15), e não como dia de recuperar o sono atrasado da semana. Ricas bênçãos advirão de levantar cedo no sábado, dedicando esse dia ao serviço do Senhor. (Ver Conselhos Sobre a Escola Sabatina, p. 170.)

Viagens. A realização de viagens por questões de trabalho ou interesses particulares é imprópria para o sábado. Existem, porém, ocasiões excepcionais em que se torna necessário viajar no sábado para atender a algum compromisso religioso ou situações emergenciais. Sempre que possível, os devidos preparativos, incluindo a compra de passagens e o abastecimento de combustível, devem ser feitos com a devida antecedência. (Ver Testemunhos Para a Igreja, v. 6, p. 359, 360.)

Excursões e acampamentos. A realização de excursões e acampamentos pode promover a socialização cristã (cf. Sl 42:4). Mas seus organizadores e demais participantes devem chegar ao devido local antes do início do sábado e montar sua estrutura, incluindo suas barracas, de modo que o santo dia possa ser observado segundo o mandamento. Além disso, as atividades durante as horas do sábado devem ser condizentes com o espírito sagrado desse dia.

Restaurantes e alimentação. A recomendação de que o alimento deve ser provido com a devida antecedência (Êx 16:4, 5; 22-30) significa que ele deve ser comprado fora das horas do sábado, e que a frequência a restaurantes comerciais nesse dia deve ser evitada.

Medicamentos. A compra de medicamentos durante o sábado é aceitável em situações emergenciais (cf. Lc 14:5), e imprópria quando a pessoa já os necessitava, e acabou postergando sua compra para esse dia.

Estágios e práticas escolares. O quarto mandamento do Decálogo (Êx 20:8-11) desabona a realização de atividades seculares no sábado, que gerem lucro ou benefício material. Envolvidos em tais atividades estão os programas de planejamento e preparo para a vida profissional, incluindo a frequência às aulas e a participação em estágios, simpósios, seminários e palestras de cunho profissional, concursos públicos e exames seletivos. Em caso de confinamento para a prestação de exames após o término do sábado, as horas desse dia devem ser gastas em atividades espirituais.

Escolha e exercício da profissão. A estrutura da sociedade em geral nem sempre favorece a observância do sábado, e acaba disponibilizando profissões e atividades que, embora sejam dignas, dificultam essa prática. Os adventistas do sétimo dia devem escolher e exercer profissões condizentes com a devida observância do sábado. Somos advertidos de que, se alguém, “por amor ao lucro, consente em que o negócio em que tem interesses seja atendido no sábado pelo sócio incrédulo, esse alguém é tão culpado quanto o incrédulo; e tem o dever de dissolver a sociedade, por mais que perca por assim proceder” (Evangelismo, p. 245).

Instituições de serviços básicos. A orientação de não fazer “nenhum trabalho” durante o sábado (Êx 20:10) indica que os observadores do sábado devem se abster de trabalhar nesse dia, mesmo em instituições seculares de serviços básicos. Instituições denominacionais que não podem fechar aos sábados (cf. Jo 5:17), incluindo os internatos adventistas, devem ser operadas nesse dia por um grupo reduzido e em forma de rodízio.

Atividades médicas e de saúde. Existem situações emergenciais que os profissionais da saúde devem atender, com base no princípio de que “é lícito curar no sábado” (Lc 14:3). Os hospitais adventistas necessitam dos préstimos de uma equipe médica, de enfermagem e de outros serviços básicos para o funcionamento nas horas do sábado. Mas os plantões rotineiros, tanto médicos quanto de enfermagem, em hospitais não adventistas, são impróprios para as horas do sábado. (Ver Ellen G. White Estate, “Conselhos de Ellen G. White Sobre o Trabalho aos Sábados em Instituições Médicas Adventistas e Não Adventistas”, em www.centrowhite.org.br.)

Projetos assistenciais. Cristo disse que “é licito, nos sábados, fazer o bem” (Mt 12:12). Isso significa que “toda atividade secular deve ser suspensa, mas as obras de misericórdia e beneficência estão em harmonia com o propósito do Senhor. Elas não devem ser limitadas a tempo ou lugar. Aliviar os aflitos, confortar os tristes, é um trabalho de amor que faz honra ao dia de Deus” (Beneficência Social, p. 77). Portanto, é lícito nas horas sagradas do sábado visitar enfermos, viúvas e órfãos, encarcerados e compartilhar uma refeição. Ações sociais que podem ser realizadas em outro dia não devem tomar as sagradas horas do sábado.

Atividades missionárias. O apóstolo Paulo usava o sábado para persuadir “tanto judeus como gregos” acerca do evangelho (At 18:4, 11; cf. 17:2), demonstrando a importância de se reservar um tempo especial nesse dia para atividades missionárias. Sempre que possível, os membros da família devem participar juntos dessas atividades, para desfrutar a socialização cristã e desenvolver o gosto pelo cumprimento da missão evangelística.

Como adventistas, somos convidados a seguir o exemplo de Deus ao descansar no sétimo dia da semana da criação (Gn 2:2-3; Êx 20:8-11; 31:13-17; Hb 4:4-11), de modo que o sábado seja, para cada um de nós, um sinal exterior da graça de Deus e um canal de Suas incontáveis bênçãos.

quinta-feira, 11 de março de 2021

DEUS NO MEIO DA RUA

Desde sempre o ser humano busca saber onde encontrar Deus. Antes de Cristo nascer, por exemplo, a nação de Israel possuía um lugar definido para a manifestação do Todo-poderoso. Por isso, certa vez uma mulher perguntou para Jesus qual era o lugar certo para encontrar Deus (Jo 4:20). Logo após o período de formação do cristianismo, mais e mais a resposta a essa pergunta passou a limitar o contato do homem com Deus a um prédio.

Resultado: nos últimos séculos, aprisionamos Deus em um local. Limitamos a experiência religiosa ao horário do culto em uma igreja-prédio. Sendo assim, visitamos o Eterno de vez em quando e, depois, voltamos para o nosso dia a dia no qual Deus, aparentemente, não está.

Nas últimas décadas, principalmente no lado ocidental do planeta, uma mudança de postura filosófica liderou a descrença em instituições, inclusive nas religiosas. O que chamamos de igreja tem ficado sob suspeita para muitos. Um efeito positivo de tudo isso é que começamos a rever a pergunta: onde encontramos Deus?

De repente, notamos que por toda a narrativa bíblica Deus também aparece em lugares comuns, pitorescos e até estranhos. Lugares que não são vistos como sagrados. Na Bíblia, Deus Se comunicou com a humanidade num jardim, no topo de uma montanha, na barriga de um peixe, numa caverna, num arbusto velho e seco, e até numa balada tipo rave (é verdade que Ele não apareceu lá para dançar, e sim comunicar Sua desaprovação – veja Daniel 5).

O que começamos a perceber é que o que chamamos de espiritualidade cristã é o encontro entre eu e Deus. Muitos parecem imaginar e até ensinar a outros que esse encontro pode apenas acontecer em certos lugares sagrados. Mas o que torna um lugar sagrado? Apenas dizermos que é sagrado ou a presença dAquele que é santo?

A Bíblia diz que quando Deus apareceu em um arbusto meio abandonado e seco mandou Moisés tirar as sandálias porque aquele lugar tinha se tornado santo. O princípio da espiritualidade que funciona no século 21 e urbano é o de redescobrir que onde Deus Se encontra com as pessoas se torna um lugar santo. Redescobrir essa presença de Deus que pode ser percebida em qualquer lugar e hora.

Por isso, de súbito, lugares “comuns” podem se tornar lugares de encontro com Deus e de transformação significativa para o homem. O Deus no meio da rua pode ser encontrado na praça, no metrô, no ponto de ônibus, no engarrafamento, no pátio da escola ou no banheiro do escritório.

Ele está acessível em qualquer lugar e horário em que a saudade apertar, a insegurança aparecer, a alegria brotar, o medo se revelar e a verdadeira fragilidade humana se mostrar em sua feição mais nua. Essa é a hora de você se refugiar em alegria ou em busca de proteção no lugar sagrado: Deus.

E esse exercício espiritual depende tanto de fé quanto da imaginação. Isso mesmo! Imaginação nos foi dada por Deus para construirmos nossos templos móveis onde podemos nos encontrar com Ele e ficar em paz, a qualquer hora, em qualquer lugar. Experimente!

Paulo Cândido (via Conexão 2.0)

quarta-feira, 10 de março de 2021

A ÚLTIMA ADVERTÊNCIA

Houve uma reunião no Céu para definir qual seria a última mensagem a ser dada ao planeta em rebelião. “É essencial incluir o evangelho eterno, porque ele expressa o amor demonstrado pelo Meu Filho amado para salvar o mundo”, disse Deus. “Deve ser um chamado para adorar o Criador do Céu, da Terra e das fontes das águas”, ponderou o Filho, que sempre buscou glorificar o Pai. “Além disso, precisamos incluir as consequências de ficar do lado errado na guerra entre o bem e o mal”, acrescentou o Espírito Santo, com Seu toque de sensibilidade. E assim o aviso final chegou a João, que viu três anjos voando pelo meio do Céu, o espaço de Deus, um lugar de grande visibilidade, e o registrou em Apocalipse 14.

A reunião é imaginária, mas o conteúdo é real. Encapsulada em sete dos 404 versos do Apocalipse (14:6-12), essa tríplice mensagem tem um roteiro impressionante: vem de Deus, sintetiza conteúdo teológico riquíssimo, aplica-se a um momento crítico, é proclamada com senso de urgência, visa a uma audiência global e deve ser pregada por um povo especial.

Não é por acaso que líderes da igreja, editores, teólogos, evangelistas, dissidentes, todos gostam de falar da mensagem dos três anjos. Por sua importância, precisamos proclamá-la com poder e rapidez, não com lentidão e timidez, a fim de alcançar cada nação, tribo, língua, povo, pessoa e neurônio… E na ordem correta, uma mensagem servindo de fundamento para a outra, embora as três sejam cumulativas: (1) temam a Deus, deem-Lhe glória e adorem o Criador, pois chegou a solene hora do julgamento; (2) está caindo o gigantesco sistema de Babilônia, a cidade da conspiração que engana o mundo com a mentira e o embriaga com o vinho da corrupção moral e espiritual; (3) quem adorar o monstro imperial e aderir ao seu falso sistema de adoração sofrerá penalidade eterna.

Desde o início do adventismo, essas mensagens foram compreendidas como a síntese do plano da redenção, pois falam da criação, destacam o sábado como o sinal de lealdade ao Criador, indicam que o julgamento começou em 1844 e denunciam o antievangelho promovido pela trindade satânica descrita no Apocalipse.

Na textura do Apocalipse, com reflexos no capítulo 14, há um choque de cosmovisões, valores, filosofias, métodos e comportamentos. A linguagem não reflete primariamente a cultura da época, mas a intertextualidade dos profetas; o foco não está somente na brutalidade do Império Romano, mas no conflito entre o dragão e o Cordeiro; o tempo não é exclusivamente o 1º século, mas toda a história; o escopo não é simplesmente geográfico, mas cósmico. Os pioneiros perceberam esses detalhes e suas implicações para a identidade e a missão da igreja.

Aos adventistas, acentuou Ellen White, “foi confiada a última mensagem de advertência a um mundo a perecer”, que é a proclamação das três mensagens angélicas. “Nenhuma obra há de tão grande importância” (Testemunhos Para a Igreja, v. 9, p. 19). Por isso, o Comitê Executivo da Associação Geral agiu bem ao decidir, em 14 de outubro de 2020, dar-lhe uma ênfase especial.

Curiosamente, dias atrás um líder cogitou se a igreja deveria comprar um satélite para potencializar a pregação global, o que é um plano ousado. Mas, acima de qualquer tecnologia no espaço, os verdadeiros “anjos” somos nós. Quem não viver e não compartilhar essas verdades agora, dificilmente vai defendê-las no momento da crise final.

Marcos De Benedicto (Editorial da edição de março de 2021 da Revista Adventista)

segunda-feira, 1 de março de 2021

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Esperança é um sentimento ou virtude, mas também é o nome do “robô” que atende interessados em estudar a Bíblia. A Esperança “conversa”, em média, com 10 mil pessoas por dia. Ela é, em termos técnicos, um Chatbot, programa de computador que utiliza Inteligência Artificial para interagir com usuários de plataformas on-line e aplicativos. No caso da Rede Novo Tempo de Comunicação, a finalidade é ensinar sobre o livro sagrado.

Basicamente, o serviço oferecido via WhatsApp se destina a dois grupos. O primeiro deles envolve aqueles que desejam aprender sobre a Bíblia. Basta que a pessoa clique no link (adv.st/estudobiblico) e inicie a conversa com a seguinte mensagem: “Olá, quero estudar a Bíblia.”

Pelo fato de ser uma assistente virtual, a Esperança só entende respostas diretas e específicas (ou seja, escolhendo-se uma das opções oferecidas), como informa a mensagem que aparece na tela do smartphone poucos segundos depois.

Mas ela tem ficado cada vez mais inteligente. É o que afirma o pastor Natanael Castro, que a projetou em 2018 e hoje trabalha na equipe de Evangelismo Digital da Novo Tempo, setor coordenado pelo pastor William Timm. “Estamos investindo em Inteligência Artificial e o próximo passo é deixar a Esperança apta para responder perguntas abertas sobre a Bíblia”, Natanael explica.

Isso significa que, em tese, a pessoa poderá perguntar o que quiser, seja por mensagem de texto ou de voz, e que a assistente virtual será capaz de responder. Com o aperfeiçoamento previsto para este ano, a ideia é de que, além da resposta, a Esperança recomende artigos relacionados ao assunto sobre o qual a pessoa perguntar, a partir de uma busca no acervo dos sites oficiais da igreja. O sistema vai fazer uma varredura nessas páginas e sugerir os melhores artigos sobre o assunto. Além disso, também buscará vídeos relacionados na playlist do programa Na Mira da Verdade.

Trata-se de um sistema artificial, mas não necessariamente desumanizado. Isso porque, além da equipe que responde às mensagens e oferece aconselhamento de maneira personalizada, a própria tecnologia também se propõe a ser uma ferramenta de engajamento missionário. Ou seja, aqueles que desejam estudar a Bíblia com seus amigos podem fazer uma “dupla missionária” com a Esperança (acesse: adv.st/ensinarabiblia). “Se você quer dar estudos bíblicos para alguém, basta criar um grupo no WhatsApp e inserir o contato da pessoa e da Esperança. O passo seguinte é enviar a mensagem ‘estudo bíblico’ ao grupo. A partir daí, a assistente virtual entrará em ação, permitindo que você acompanhe o interessado, faça o ‘meio de campo’ e responda outras dúvidas que surgirem ao longo do processo”, esclarece Natanael.

Segundo ele, essa modalidade de estudos (em grupo) representa hoje 40% do público atendido pelo Chatbot. Foi dessa forma, aliás, que Natanael estudou a Bíblia com o irmão dele, batizado em janeiro do ano passado. Como na época o pastor estudava Teologia no Peru e o irmão morava no Brasil, a tecnologia acabou facilitando o trabalho.

O uso de Inteligência Artificial tem ajudado a igreja a responder à crescente demanda por estudos bíblicos durante o período de isolamento social. Se antes da pandemia o setor de Web da Novo Tempo registrava entre 100 e 150 novos interessados em estudar a Bíblia por dia, recentemente esse número chegou a 1,2 mil, média diária que se manteve durante dois meses. A meta tem sido atender esse público virtualmente, mas também construir pontes entre os que estão estudando a Palavra de Deus e as comunidades adventistas presenciais.

Márcio Tonetti (Reportagem publicada na edição de fevereiro de 2021 da Revista Adventista)