quarta-feira, 19 de outubro de 2022

RELIGIOPATIA

Propósito sem identidade faz um oportunista - identidade sem propósito faz um relativista. Somente com estas duas grandezas n’alma é possível ter vida extraordinária. ⁣⁣

Explico: você tem que saber quem é para descobrir pra onde vai, e também precisa entender pra onde vai para conhecer quem você é. Deu um nó? Que nada! Ir e ser, chegar e se tornar, avançar e perpetuar, são conceitos interdependentes de uma história abundante. ⁣
Quem sabe seu destino eterno confirma sua origem divina. Quem entende que é propriedade exclusiva do Criador renorteia seu futuro pros braços dEle. Mas, o que vemos hoje são duvidosos vendendo certezas e indefinidos ostentado réguas de medir. Cuidado! O que escapa da Palavra vira falação sem conclusão.⁣
“Vocês, porém, são geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo exclusivo de Deus, para anunciar as grandezas daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1Pe 2:9). Leia um bilhão de vezes esta declaração universal de QUEM você é e PRA ONDE você vai. Todo resto é fuá, neblina e espuma. Pois o que tatua na memória sua cidadania eterna discute menos pra inspirar mais.⁣
Meu medo? Do chicote pra corda bamba, da lacração pra omissão, de Uzá pra Acã, os extremos dos achismos perigam distrair quem foi chamado pra construir. Se você sabe quem é, e para onde vai, ajude pra valer. Faça valer! Abençoe, acolha, socorra, auxilie e inunde sua esfera de ação de relevância amorosa. Religiosidade? Sem problemas. A desgraça é a religiopatia. ⁣
Chega de crentopatas evangelicidas! Que as noites da prepotência amanheçam num alvorecer de tolerância, hospitalidade e respeito. Identidade e propósito andam juntas. Quem está em paz não se atrai pra guerra. Segue firme e feliz. Vive no campo magnético da excelência servidora. ⁣
Vamos juntos? Troque o pêndulo pelo prumo, a pedrada pela Pedra Angular, e o escapismo pela entrega. Deus transforma e aperfeiçoa. Nós cremos e prosseguimos. Vai dar certo. Afinal, o errado já perdeu faz tempo. Até o ‘ser’ chegar onde sempre deveria ‘estar’. ⁣
A origem beija o destino.⁣
Odailson Fonseca (via instagram)

terça-feira, 18 de outubro de 2022

SATANÁS EXISTE DE VERDADE?

Há quem pense no diabo como um ser aterrador, vermelho com chifres, um longo rabo e patas de cavalo. Para muitos, a ideia de um diabo real é absurda. Entretanto, quando céticos presenciam fenômenos de possessão, e veem a transformação de natureza em pessoas possessas por um mau espírito, mudam de opinião quanto à existência de Satanás.

Deus criou Lúcifer, um anjo perfeito. Lúcifer, em latim, quer dizer “portador de luz”. Essa expressão vem de Isaías 14:12. Lúcifer era um “luzeiro”, ou “estrela do dia”. “Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado...” (Ezequiel 28:15).

Ellen G. White descreve Lúcifer assim: "Lúcifer fora o mais elevado de todos os seres criados, e o primeiro em revelar ao Universo os desígnios divinos. Deus o fez bom e formoso, tão semelhante quanto possível a Si próprio. Deus o havia feito nobre, havendo-lhe outorgado ricos dotes. Concedeu-lhe elevada posição de responsabilidade. Lúcifer era o querubim cobridor, o mais exaltado dentre os seres criados" (A Verdade sobre os Anjos, p. 23).

Mas Lúcifer se transformou em Satanás (o "adversário", significado da palavra em hebraico), porque abrigou iniquidade (Ezequiel 28:15). Aquele ser de extraordinária beleza e glória perverteu o seu livre arbítrio. Ao abrigar egoísmo, inveja e cobiça, Lúcifer transformou irreversivelmente sua natureza perfeita no temível Satanás.

Satanás tem muito interesse que as pessoas não acreditem em sua existência ou que o retratem como alguém ridículo ou desprezível. Ellen White alerta: "Ninguém está em maior perigo do que aqueles que negam a existência do diabo e de seus anjos. Muitos aceitam suas sugestões porque pensam estar seguindo a própria sabedoria. À medida que nos aproximamos do tempo do fim, no qual Satanás lançará mão de seu maior poder para enganar, o inimigo espalha por toda parte a crença de que ele não existe. Essa é sua tática para se esconder e seu modo de agir. O grande enganador tem medo de que nos familiarizemos com seus enganos. A fim de esconder seu real caráter, ele influenciou as pessoas a retratá-lo como algo ridículo ou desprezível. Agrada-se em ser retratado de forma cômica, disforme, metade animal e metade humano. Fica alegre ao ouvir seu nome ser usado em piadas e zombaria. Por ter se mascarado com habilidade fenomenal, muitas pessoas perguntam: 'Esse ser existe de verdade?' Como Satanás tem facilidade para controlar a mente daqueles que não estão cientes de sua influência, a Palavra de Deus nos revela suas forças secretas, e isso nos coloca em posição de alerta" (Os Resgatados, p. 264).

Agora vejamos o impressionante relato de Ellen White descrevendo Satanás como é agora: "Foi-me então mostrado Satanás como havia sido: um anjo feliz e elevado. Em seguida ele foi-me mostrado como se acha agora. Ainda tem formas régias. Suas feições ainda são nobres, pois é um anjo, ainda que decaído. Mas a expressão de seu rosto está cheia de ansiedade, cuidados, infelicidade, maldade, ódio, nocividade, engano e todo mal. Aquele semblante que fora tão nobre, notei-o particularmente. Sua fronte, logo acima dos olhos, começava a recuar. Vi que ele se havia degradado durante tanto tempo que toda boa qualidade se rebaixara, e todo mau traço se desenvolvera. Seu olhar era astuto e dissimulado, e mostrava grande penetração. Sua constituição era ampla; mas a carne lhe pendia frouxamente nas mãos e no rosto. Quando o vi, apoiava o queixo sobre a mão esquerda. Parecia estar em profundos pensamentos. Tinha um sorriso no rosto, o qual me fez tremer, tão cheio de maldade e dissimulação satânica era ele. Este sorriso é o que ele tem precisamente antes de segurar sua vítima; e, ao fixá-la em sua cilada, tal sorriso se torna horrível" (Primeiros Escritos, pp. 152, 153).

Satanás existe e tem poder até para tomar posse das pessoas. Porém, é necessário entender que o poder de Cristo é superior e que os espíritos imundos tremem diante de Jesus. 

Só existe um modo de ser vitorioso: viver uma vida de comunhão permanente com Jesus. Devemos colocar tudo nas mãos de Deus e pedir que Ele expulse o inimigo de nossa vida. Não precisamos ter medo de nada. O inimigo já está vencido, seus dias estão contados. Leia o que João viu em visão, a respeito do que está para acontecer: “Mas a besta foi aprisionada, e com ela o falso profeta que, com os sinais feitos diante dela, seduziu aqueles que receberam a marca da besta e eram os adoradores da sua imagem. Os dois foram lançados vivos dentro do lago de fogo que arde com enxofre. O diabo, o sedutor deles, foi lançado para dentro do lago de fogo e enxofre, onde já se encontram não só a besta como também o falso profeta; e serão atormentados de dia e de noite, pelos séculos dos séculos. Então, a morte e o inferno foram lançados para dentro do lago de fogo. Esta é a segunda morte, [a morte eterna] (Apocalipse 19:20; 20:10 e 14).

Ele não terá mais o direito de atormentar nossa vida! Aleluia! Deus seja louvado pelos séculos sem fim da eternidade, porque nos amou e derramou seu sangue para o perdão dos nossos pecados. Essa é a grande oferta gratuita do evangelho. Aceite-a e seja feliz para sempre!

"MESSIAS"

Um dos poucos cantores do meio gospel a se posicionar contra o presidente Jair Bolsonaro, Leonardo Gonçalves lançou nesta segunda-feira, 17, uma canção de protesto contra o político popular em igrejas evangélicas. A faixa, batizada de Messias, é uma parceria do cantor com Kleber Lucas, Dona Kelly, Clóvis, Sarah Renata, Tiago Arrais, João Carlos Jr., e o rapper MN NC. A canção começa com vozes de pregadores falando de política, depois, ela compara os líderes religiosos que se renderam aos excessos da polarização aos “mercadores do templo”, grupo que irritou Jesus como descreve o texto bíblico.

Em determinado ponto, Gonçalves declama o seguinte trecho: “A real é que eu tô triste, a gente não tá com raiva, a gente tá triste. Pessoas com quem tivemos experiências incríveis se voltaram contra a gente, questionam nossa fé, dizem que não somos cristãos e falam da gente como se não nos conhecessem, como se não tivéssemos partilhado o pão incontáveis vezes. Tudo isso por causa de política. Por causa de um falso pânico moral promovido por donos de igrejas que tiveram o perdão de uma dívida de 1,4 bilhão de reais decretada pelo presidente da república. Alguém, aliás, que com quase 700.00 mortos não foi capaz de uma palavra de solidariedade, um mínimo de empatia, um olhar sequer de misericórdia ou compaixão. E a gente que não é cristão?”. Escute abaixo:


[Com informações de Veja]

segunda-feira, 17 de outubro de 2022

OS ANJOS NA CRISE FINAL

Aparecerão anjos bons e maus
Agentes satânicos sob forma humana tomarão parte neste último grande conflito, para opor-se à edificação do reino de Deus. Anjos celestiais em aparência humana também estarão no campo de ação. Os dois partidos antagônicos prosseguirão existindo até o encerramento do último grande capítulo da história deste mundo. Satanás utilizará cada oportunidade para induzir os homens a apartar-se de seu concerto com Deus. Ele e os anjos que com ele caíram aparecerão na Terra como homens, procurando enganar. Os anjos de Deus igualmente aparecerão como homens, e farão uso de todos os meios em seu poder para derrotar os propósitos do inimigo. Temos uma parte a desempenhar. 

A obra dos anjos malignos através do Espiritismo
Satanás tem há muito estado a preparar-se para um esforço final a fim de enganar o mundo. Pouco a pouco ele tem preparado o caminho para a sua obra-mestra de engano: o desenvolvimento do espiritismo. Até agora não conseguiu realizar completamente seus desígnios; mas estes serão atingidos no fim dos últimos tempos. Com exceção dos que são guardados pelo poder de Deus, pela fé em Sua Palavra, o mundo todo será envolvido por esse engano. Anjos maus aparecem sob a forma dos que morreram, relatando incidentes ligados à vida deles e desempenhando atos que eles realizaram enquanto viviam. Desta forma [os anjos maus] levam as pessoas a acreditar que seus amigos mortos são anjos, os quais podem estar a seu lado e comunicar-se com eles. Esses anjos maus, que se apresentam como os queridos mortos, são tratados com uma certa idolatria, e sua palavra é considerada como de muito maior peso que a Palavra de Deus. 

Milagres no Tempo do Fim
Antes do fim do tempo ele [Satanás] operará maravilhas ainda maiores. Até onde chegar o seu poder, ele há de realizar verdadeiros milagres. Dizem as Escrituras: "E engana os que habitam na Terra com sinais que lhe foi permitido que fizesse" (Ap 13:14) - não meramente os que ele pretende fazer. Esse texto apresenta alguma coisa mais que simples ilusões. Não precisamos ser enganados. Cenas assombrosas, com as quais Satanás estará intimamente ligado, terão lugar em breve. A Palavra de Deus declara que Satanás operará milagres. Fará com que as pessoas fiquem doentes, e depois, de repente removerá delas seu poder satânico. Serão consideradas então como curadas. Essas obras de cura aparente levarão os adventistas do sétimo dia à prova. Cumpre buscarmos todos armar-nos para o combate em que nos havemos de em breve empenhar. A fé na Palavra de Deus, o estudo apoiado pela oração e aplicado praticamente, será nossa proteção contra o poder de Satanás, levando-nos à vitória pelo sangue de Cristo. 

Espíritos malignos ativos entre o remanescente
Anjos maus na forma de crentes trabalharão em nossas fileiras para introduzir um forte espírito de descrença. Não permitam que nem isto os desanime, mas apresentem um coração sincero para auxílio do Senhor contra os poderes de instrumentos satânicos. Esses poderes do mal se ajuntarão em nossas reuniões, não para receber uma bênção, mas para neutralizar as influências do Espírito de Deus. Satanás e seus anjos aparecerão na Terra como homens e se misturarão com aqueles acerca dos quais a Palavra de Deus diz: "Nos últimos tempos, apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios" (1Tm 4:1). 

Anjos realizarão a obra negligenciada pelos homens
Quando o poder divino se combinar com os esforços humanos, a obra espalhar-se-á como o fogo na palha. Deus empregará meios cuja origem os homens não serão capazes de discernir. Anjos realizarão uma obra que os homens teriam sido abençoados em empreender, não houvessem eles negligenciado os reclamos de Deus. 

Anjos suprirão as necessidades do povo de Deus
Vi os santos deixarem as cidades, e vilas, reunirem-se em grupos e viverem nos lugares mais solitários da Terra. Anjos lhes proviam alimento e água, enquanto os ímpios estavam a sofrer de fome e sede. No tempo de angústia, precisamente antes da vinda de Cristo, os justos serão preservados pelo ministério de anjos celestiais; não haverá segurança para o transgressor da lei de Deus. Anjos magníficos em poder os protegerão, e em favor deles Jeová Se revelará como "Deus dos deuses", capaz de salvar perfeitamente os que nEle puseram a sua confiança. 

Personificações de Satanás
Nessa época aparecerá o anticristo, como o Cristo verdadeiro, e então a lei de Deus será anulada completamente entre as nações do mundo. Amadurecerá a rebelião contra a santa lei de Deus. Mas o verdadeiro líder de toda essa rebelião é Satanás disfarçado em anjo de luz. Os homens serão iludidos e o exaltarão ao lugar de Deus, deificando-o. Mas a Onipotência intervirá, e às igrejas apostatadas que se unirem na exaltação de Satanás, se expedirá a sentença: "Portanto, num dia virão as suas pragas: a morte, e o pranto, e a fome; e será queimada no fogo, porque é forte o Senhor Deus, que a julga" (Ap 18:8). Disfarçado de anjo de luz, Satanás percorrerá a Terra operando maravilhas. Em bonita linguagem apresentará ternos sentimentos. Realizará boas ações. Cristo será personificado, mas em um ponto haverá marcante distinção. Satanás apartará o povo da lei de Deus. Apesar de tudo, a contrafação será tão perfeita que, se possível, os próprios eleitos seriam enganados. Cabeças coroadas, presidentes, governantes em elevada posição, prostrar-se-ão ante suas falsas teorias.

Anjos maus estimulam a perseguição
Satanás está em constante operação para agitar os poderes do inferno de sua confederação do mal contra os justos. Ele capacita instrumentos humanos com seus próprios atributos. Anjos malignos, unidos com homens maus, empreenderão esforços para prejudicar, perseguir e destruir. Ao deixarem os santos as cidades e vilas, eram perseguidos pelos ímpios, que os procuravam matar. Mas as espadas que se levantavam para matar o povo de Deus, quebravam-se e caíam tão impotentes como uma palha. Anjos de Deus protegiam os santos. 

Após o encerramento da Graça
A ira de Satanás aumenta à medida que seu tempo encurta, e sua obra de engano e destruição alcança o clímax. Findou a longanimidade de Deus. O mundo rejeitou Sua misericórdia, desprezou Seu amor e transgrediu Sua lei. Os ímpios ultrapassaram os limites da graça e o Senhor retira deles Sua proteção, deixando-os à vontade do líder que escolheram. Como ato culminante no grande drama do engano, o próprio Satanás personificará Cristo. A igreja tem há muito tempo professado considerar o advento do Salvador como a realização de suas esperanças. Assim, o grande enganador fará parecer que Cristo veio. Em várias partes da Terra, Satanás se manifestará entre os homens como um ser majestoso, com brilho deslumbrante, assemelhando-se à descrição do Filho de Deus dada por João no Apocalipse (cap. 1). A glória que o cerca não é excedida por coisa alguma que os olhos mortais já tenham contemplado. Ressoa nos ares a aclamação de triunfo: "Cristo veio! Cristo veio!" O povo se prostra em adoração diante dele, enquanto este ergue as mãos e sobre eles pronuncia uma bênção, assim como Cristo abençoava Seus discípulos quando aqui na Terra esteve. Sua voz é meiga e branda, cheia de melodia. Em tom manso e compassivo apresenta algumas das mesmas verdades celestiais e cheias de graça que o Salvador proferia; cura as doenças do povo, e então, em seu pretenso caráter de Cristo, alega ter mudado o sábado para o domingo, ordenando a todos que santifiquem o dia que ele abençoou. Declara que aqueles que persistem em santificar o sétimo dia estão blasfemando de seu nome, pela recusa de ouvirem seus anjos a eles enviados com a luz e a verdade. É este o poderoso engano, quase invencível. 

Anjos e o Decreto Universal de Morte
As sentinelas celestiais, fiéis ao seu encargo, continuam com sua vigilância. Visto que um decreto geral haja fixado um tempo em que os observadores dos mandamentos poderão ser mortos, seus inimigos nalguns casos se antecipam ao decreto e, antes do tempo especificado, se esforçam por tirar-lhes a vida. Mas ninguém pode passar através dos poderosos guardas estacionados em redor de toda alma fiel. 

Deus Se interpõe quando os ímpios tentam matar o Seu povo
O povo de Deus - alguns nas celas das prisões, outros escondidos nos retiros solitários das florestas e montanhas pleiteia ainda a proteção divina, enquanto por toda parte grupos de homens armados, instigados pelas multidões de anjos maus, se estão preparando para a obra de morte. É então, na hora de maior aperto, que o Deus de Israel intervirá para o livramento de Seus escolhidos. É à meia-noite que Deus manifesta o Seu poder para o livramento de Seu povo. O sol aparece resplandecendo em sua força. Sinais e maravilhas se seguem em rápida sucessão. Os ímpios contemplam a cena com terror e espanto, enquanto os justos vêem com solene alegria os sinais de seu livramento. 

A Segunda Vinda de Cristo
Cristo vem com poder e grande glória. Vem com Sua própria glória e com a glória do Pai. Vem com todos os santos anjos. Ao passo que o mundo todo estará mergulhado em trevas, haverá luz em todos os lares dos santos. Eles hão de captar os primeiros raios de luz de Sua segunda aparição. Surge logo no oriente uma pequena nuvem negra, aproximadamente do tamanho da mão de um homem. É a nuvem que rodeia o Salvador, e que, a distância, parece estar envolta em trevas. O povo de Deus sabe ser esse o sinal do Filho do homem. Em solene silêncio fitam-na enquanto se aproxima da Terra, mais e mais brilhante e gloriosa, até se tornar grande nuvem branca, mostrando na base uma glória semelhante ao fogo consumidor e encimada pelo arco-íris do concerto. À sua volta, milhares e dezenas de milhares de anjos cantam a mais adorável canção. Sobre ela assenta-Se o Filho do homem. Nenhuma linguagem humana é capaz de descrever as cenas da segunda vinda do Filho do homem nas nuvens do Céu. Virá vestido nos trajes de luz, os quais tem usado desde os dias da eternidade. 

Os anjos e os ressuscitados
Por entre as vacilações da Terra, o clarão do relâmpago e o ribombo do trovão, a voz do Filho de Deus chama os santos que dormem. Ele olha para a sepultura dos justos e, levantando as mãos para o céu, brada: "Despertai, despertai, despertai, vós que dormis no pó, e surgi!" Ele morreu por nós, e ressuscitou em nosso favor, a fim de que pudéssemos sair da sepultura para um glorioso companheirismo com os anjos celestiais, encontrar-nos com nossos entes queridos e reconhecer-lhes a fisionomia, pois a semelhança com Cristo não destrói sua imagem, mas a transforma à gloriosa imagem dEle. Todos os santos ligados aqui por laços familiares conhecerão ali uns aos outros. Os justos vivos são transformados "num momento, num abrir e fechar de olhos" (1Co 15:52). À voz de Deus foram eles glorificados; agora tornam-se imortais, e com os santos ressuscitados, são arrebatados para encontrar seu Senhor nos ares. Os anjos ajuntarão "os Seus escolhidos, desde os quatro ventos, da extremidade da Terra até a extremidade do céu" (Mc 13:27). Existem colunas de anjos em ambos os lados, e os redimidos de Deus entram por entre querubins e serafins. Cristo lhes dá as boas-vindas e pronuncia sobre eles a bênção: "Bem está, servo bom e fiel... entra no gozo do teu Senhor" (Mt 25:21). 

Satanás e os anjos maus são confinados à Terra
A Terra inteira se parece com um deserto assolado. As ruínas das cidades e vilas destruídas pelo terremoto, árvores desarraigadas, pedras irregulares lançadas pelo mar ou arrancadas da própria terra, espalham-se pela superfície, enquanto vastas cavernas assinalam o lugar em que as montanhas foram separadas de sua base. Aqui deverá ser a morada de Satanás com seus anjos maus durante mil anos. Restrito à Terra, andará de um lado para outro em sua arrebentada superfície, para observar os efeitos de sua rebelião contra a lei de Deus. Durante mil anos poderá "desfrutar" dos resultados da rebelião que provocou. Não terá acesso a outros mundos, para tentar e molestar os que jamais caíram. 

Ellen G. White - A Verdade Sobre os Anjos, pp. 261-282

sexta-feira, 14 de outubro de 2022

POR QUE O PECADO FOI PERMITIDO?

Muitos vêem a obra do mal, com suas misérias e desolação, e põem em dúvida como isto pode existir sob o reinado de um Ser que é infinito em sabedoria, poder e amor. Os que se dispõem a duvidar, aproveitam-se disso como desculpa para rejeitar as palavras dos Sagrados Escritos. A tradição e a interpretação errônea têm obscurecido o ensino da Bíblia relativo ao caráter de Deus, à natureza de Seu governo e aos princípios que regem Seu trato com o pecado. 

É impossível explicar a origem do pecado de maneira a dar a razão de sua existência. Todavia, pode-se compreender o bastante em relação à origem e disposição final do pecado, para que se faça amplamente manifesta a justiça e benevolência de Deus. Ele não foi, de algum modo, responsável pela manifestação do pecado; não houve qualquer retirada arbitrária de Sua graça, nenhuma deficiência em Seu governo, para dar motivo ao irrompimento da rebelião. O pecado é um intruso, para cuja presença nenhuma razão pode ser oferecida. Desculpá-lo corresponde a defendê-lo. Se fosse possível encontrar uma desculpa para ele, deixaria de ser pecado. O pecado é a operação de um princípio em conflito com a lei do amor, que é o fundamento do governo divino. 

Antes da manifestação do mal, havia paz e alegria por todo o Universo. O amor a Deus era supremo; imparcial o amor de uns para com os outros. Cristo, o Unigênito de Deus, era um com o eterno Pai em natureza, caráter e propósito — o único Ser que poderia entrar nos conselhos e propósitos de Deus. “Pois nEle foram criadas todas as coisas, nos Céus e sobre a Terra, [...] sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades” (Colossences 1:16). 

Sendo a lei do amor o fundamento do governo de Deus, a felicidade de todos os seres criados dependia de sua perfeita harmonia com seus princípios de justiça. Deus não tem prazer na submissão forçada, e a todos confere vontade livre, para que possam prestar-Lhe serviço voluntário. 

Houve, porém, um ser que preferiu perverter essa liberdade. O pecado originou-se com aquele que, abaixo de Cristo, fora o mais honrado por Deus. Antes da queda, Lúcifer era o primeiro dos querubins cobridores, santo e incontaminado. “Assim diz o Senhor Deus: Tu és o sinete da perfeição, cheio de sabedoria e formosura. Estavas no Éden, jardim de Deus; de todas as pedras preciosas te cobrias. [...] Tu eras querubim da guarda, ungido, e te estabeleci; permanecias no monte santo de Deus, no brilho das pedras andavas. Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que se achou iniqüidade em ti. [...] Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor.” “Estimas o teu coração como se fora o próprio coração de Deus.” “Tu dizias no teu coração: Eu subirei ao Céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono, e no monte da congregação me assentarei. [...] Subirei acima das mais altas nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo” (Ezequiel 28:12-17; 28:6; Isaías 14:13, 14). 

Cobiçando a honra que o infinito Pai conferira a Seu Filho, esse príncipe dos anjos aspirou ao poder que era a prerrogativa de Cristo, unicamente, fazer uso. Uma nota dissonante deslustrava agora as harmonias celestiais. A exaltação do eu despertava prenúncios de males nas mentes para as quais a glória de Deus era suprema. Os concílios celestiais instavam com Lúcifer. O Filho de Deus lhe apresentava a bondade e justiça do Criador e a natureza sagrada de Sua lei. Afastando-se dela, Lúcifer desonraria a seu Criador e traria ruína sobre si mesmo. Mas a advertência tão-somente suscitou o espírito de resistência. Lúcifer permitiu que prevalecesse a inveja para com Cristo. 

O orgulho alimentou o desejo de supremacia. As honras conferidas a Lúcifer não despertavam gratidão para com o Criador. Ele aspirava ser igual a Deus. Todavia, o Filho de Deus era o reconhecido Soberano do Céu, igual ao Pai em autoridade e poder. Em todos os concílios de Deus, Cristo tomava parte, mas a Lúcifer não era permitido entrar no conhecimento dos propósitos divinos. “Por quê”, perguntava o poderoso anjo, “deveria Cristo ter a supremacia? Por que é Ele assim honrado acima de Lúcifer?” 

Descontentamento entre os anjos — Deixando seu lugar na presença de Deus, Lúcifer saiu difundindo o descontentamento entre os anjos. Operando em misterioso segredo, e escondendo seu real propósito sob a aparência de reverência para com Deus, esforçou-se por suscitar a insatisfação diante das leis que governavam os seres celestes, insinuando que elas impunham uma restrição desnecessária. Visto serem de natureza santa, insistia em que os anjos obedecessem aos ditames de sua própria consciência. Deus o tratara injustamente ao conferir honra suprema a Cristo. Alegava não estar pretendendo a exaltação própria, antes procurava conseguir liberdade para todos os habitantes do Céu, a fim de por este meio poderem alcançar condição mais elevada de existência. 

Deus suportou longamente a Lúcifer. Não foi degradado de sua posição elevada, nem mesmo quando começou a apresentar suas falsas pretensões diante dos anjos. Reiteradas vezes lhe foi oferecido o perdão, sob a condição de que se arrependesse e se submetesse. Esforços, que apenas o amor e a sabedoria infinitos poderiam conceber, foram feitos a fim de convencê-lo de seu erro. O descontentamento nunca antes fora conhecido no Céu. O próprio Lúcifer não compreendeu, a princípio, a verdadeira natureza de seus sentimentos. Sendo-lhe demonstrado que sua insatisfação era sem causa, convenceu-se de que as reivindicações divinas eram justas, e de que as deveria reconhecer como tais perante o Céu. Se ele tivesse feito isso, poderia ter salvo a si mesmo e a muitos anjos. Caso houvesse desejado voltar a Deus, satisfeito por preencher o lugar a ele designado, teria sido reintegrado em seu cargo. Mas o orgulho o impediu de submeter-se. Prosseguiu sustentando que não necessitava de arrependimento, e entregou-se por completo ao grande conflito contra seu Criador. 

Todas as faculdades de sua mente superior foram então aplicadas à obra de engano, a fim de conseguir a simpatia dos anjos. Satanás simulou haver sido mal julgado, e que se queria cercear a sua liberdade. Da falsa interpretação das palavras de Cristo, passou à falsidade direta, acusando o Filho de Deus de intentar humilhá-lo perante os habitantes do Céu. 

A todos quantos não pôde subverter e levar para o seu lado, acusou de indiferença aos interesses dos seres celestiais. Recorreu à falsa representação do Criador. Era sua tática tornar perplexos os anjos pelos capciosos argumentos relativos aos propósitos divinos. Tudo que era simples ele envolvia em mistério, e mediante artificiosa perversão lançava dúvida às mais compreensíveis declarações de Deus. Seu elevado cargo emprestava maior força às suas alegações. Muitos foram induzidos a unir-se a ele na rebelião.  

A desafeição converte-se em revolta ativa — Deus, em Sua sabedoria, permitiu que Satanás levasse avante sua obra, até que o espírito de dissabor amadurecesse em ativa revolta. Era necessário que seus planos se desenvolvessem completamente, para que sua verdadeira natureza pudesse ser vista por todos. Lúcifer era grandemente amado pelos seres celestiais, e sua influência sobre eles era forte. O governo de Deus incluía não somente os habitantes do Céu, mas de todos os mundos que Ele criara; e Satanás pensou que se fosse possível levar consigo à rebelião os anjos do Céu, poderia também levar outros mundos. Empregando sofismas e fraude, seu poder para enganar era grande. Mesmo os anjos fiéis não podiam discernir perfeitamente seu caráter, ou ver para onde levava a sua obra. 

Satanás fora tão altamente honrado, e todos os seus atos estavam de tal maneira revestidos de mistério, que era difícil desvendar aos anjos a verdadeira natureza de sua obra. Antes que se desenvolvesse completamente, o pecado não pareceria o mal que em realidade era. Seres santos não eram capazes de discernir as conseqüências de se pôr de parte a lei divina. Satanás a princípio alegara estar procurando promover a honra de Deus e o bem de todos os habitantes do Céu. 

Em Seu trato com o pecado, Deus somente poderia empregar a justiça e a verdade. Satanás podia fazer uso daquilo que Deus não usaria: lisonja e engano. O verdadeiro caráter do usurpador deveria ser compreendido por todos. Seria necessário tempo para que ele se manifestasse através de suas obras más. 

Satanás atribuiu a Deus a discórdia que o seu próprio procedimento determinara no Céu. Ele declarou que todo mal resultava da administração divina. Conseqüentemente, era necessário que demonstrasse a natureza de suas pretensões, provando o efeito de suas propostas mudanças na lei divina. Sua própria obra deveria condená-lo. Todo o Universo deveria ver o enganador desmascarado. 

Mesmo quando foi decidido que ele não poderia mais permanecer no Céu, a Sabedoria Infinita não destruiu a Satanás. A submissão das criaturas de Deus deve repousar sobre a convicção de Sua justiça. Os habitantes do Céu e de outros mundos, estando despreparados para compreender as conseqüências do pecado, não veriam a justiça e a misericórdia de Deus na destruição de Satanás. Se ele tivesse sido destruído imediatamente, os outros teriam servido a Deus por temor em lugar do amor. A influência do enganador não teria sido completamente extinta, tampouco desarraigado o espírito de rebelião. Para o bem do Universo através de infindáveis eras, Satanás devia desenvolver mais plenamente seus princípios, para que suas acusações contra o governo divino pudessem ser vistas sob sua verdadeira luz por todos os seres criados. 

A rebelião de Satanás deveria constituir para o Universo um testemunho dos terríveis resultados do pecado. Seu governo mostraria quais os frutos de rejeitar a autoridade divina. A história dessa terrível experiência de rebelião deveria constituir perpétua salvaguarda a todos os seres santos e inteligentes, livrando-os de cometer pecado e sofrer o seu castigo. 

Quando foi anunciado que, juntamente com todos os que com ele simpatizavam, deveria ser expulso das bem-aventuradas habitações, o chefe rebelde confessou ousadamente seu desdém pela lei do Criador. Denunciou os estatutos divinos como restrição à sua liberdade, declarando ser de seu intento conseguir a abolição da lei. Livres dessa restrição, as hostes angélicas poderiam entrar em condições de existência mais elevada. 

Banidos do Céu — Satanás e sua hoste lançaram a culpa de sua rebelião sobre Cristo; se eles não houvessem sido reprovados, não teriam se rebelado. Obstinados e arrogantes, ao mesmo tempo que, blasfemando, pretendiam ser vítimas inocentes do poder opressivo, o arqui-rebelde e seus sequazes foram banidos do Céu (Apocalipse 12:7-9). 

O espírito de Satanás ainda inspira a rebelião sobre a Terra, nos filhos da desobediência. Semelhantes a ele, prometem liberdade aos homens com base na transgressão da lei de Deus. A reprovação do pecado ainda suscita espírito de ódio. Satanás leva os homens a justificar-se e a procurar a simpatia de outros em seu pecado. Em vez de corrigirem seus erros, indignam-se contra aquele que reprova, como se fosse ele a causa da dificuldade. 

Pela mesma representação falsa do caráter divino por ele dada no Céu, fazendo com que Deus fosse considerado severo e tirano, Satanás induziu o homem a pecar. Declarou que as injustas restrições de Deus haviam motivado a queda do homem, assim como determinaram a sua própria rebelião. 

Banindo Satanás do Céu, Deus declarou Sua justiça e honra. Contudo, quando o homem pecou, Deus ofereceu uma prova de Seu amor, entregando Seu Filho para morrer pela raça caída. Na expiação revela-se o caráter de Deus. O poderoso argumento da cruz demonstrou que o pecado de maneira alguma era atribuível ao governo de Deus. Durante o ministério terrestre do Salvador, o grande enganador foi desmascarado. A ousada blasfêmia de sua pretensão, de que Cristo lhe rendesse homenagem, a malignidade vigilante que O assaltava de um lugar a outro, inspirando o coração de sacerdotes e povo a rejeitar Seu amor, e o brado: “Crucifica-O! Crucifica-O!” — tudo isto despertou o assombro e indignação do Universo. O príncipe do mal exerceu todo o seu poder e engano a fim de destruir Jesus. Satanás empregou homens como seus agentes, a fim de encher de sofrimento e tristeza a vida do Salvador. Os fogos da inveja e maldade, ódio e vingança, irromperam no Calvário contra o Filho de Deus. 

Agora a culpa de Satanás se apresentava sem desculpa. Ele revelou seu verdadeiro caráter. Suas mentirosas acusações contra o divino caráter apareceram sob sua verdadeira luz. Acusara a Deus de procurar a exaltação de Si mesmo ao requerer obediência de suas criaturas, e declarara que, ao passo que o Criador reclamava abnegação de todos os outros, Ele próprio não a praticava e não fazia sacrifício algum. Viu-se agora que o Governador do Universo fizera o máximo sacrifício que o amor poderia efetuar, pois “Deus estava em Cristo, reconciliando consigo o mundo” (2 Coríntios 5:19). Cristo, a fim de destruir o pecado, humilhou-Se a Si próprio e Se fez obediente até a morte. 

Argumento em favor do homem — Todo o Céu viu a justiça de Deus revelada. Lúcifer declarara que a raça pecadora se colocara para além da redenção. Mas a penalidade da lei recaiu sobre Aquele que era igual a Deus, ficando o homem livre para aceitar a justiça de Cristo e, através de arrependimento e humilhação, triunfar sobre o poder de Satanás. 

Mas não foi meramente para redimir o homem que Cristo veio à Terra e aqui morreu. Veio para demonstrar a todos os mundos que a lei de Deus é imutável. A morte de Cristo prova que ela não pode ser modificada e demonstra que a justiça e a misericórdia são o fundamento do governo de Deus. Na execução final do juízo será visto que não existe causa para o pecado. Quando o Juiz de toda a Terra perguntar a Satanás: “Por que te rebelaste contra Mim?”, o originador do mal não poderá apresentar resposta alguma. 

No brado agonizante do Salvador — “Está consumado!” — soou a sentença de morte de Satanás. A grande controvérsia foi então resolvida, a erradicação final do mal se tornou certa. “Pois eis que vem o dia, e arde como fornalha; todos os soberbos, e todos os que cometem perversidade, serão como o restolho; o dia que vem os abrasará, diz o Senhor dos exércitos, de sorte que não lhes deixará nem raiz nem ramo” (Malaquias 4:1).

Jamais o mal se manifestará outra vez. A lei de Deus será honrada como a lei da liberdade. Uma criação experimentada e provada nunca mais se desviará da fidelidade para com Aquele cujo caráter foi manifesto como expressão de amor infindável e infinita sabedoria.

Ellen G. White - O Grande Conflito (condensado), pp. 217-222

quarta-feira, 12 de outubro de 2022

JESUS, ENSINA-ME A PERDER!

Ninguém gosta de perder. E não é à toa, afinal, nossa sociedade nos ensina o tempo todo que perder é o que existe de pior na existência humana.

Os filmes que nos emocionam são os de superação. O documentário que nos cativa é o do homem que perdeu tudo, mas deu a volta por cima. O livro de romance que nos envolve é o da menina que perdeu seu amor mas conseguiu alguém melhor. Torcemos para o time ganhar. Queremos que o nosso candidato ganhe a eleição. E assim por diante. Nossa mente é social e pavlovianamente condicionada para que ganhemos, ganhemos, ganhemos, ganhemos e ganhemos.

Mas aí vem a pergunta: e se perdermos?

Bem... aí a coisa complica. Afinal, pessoas adestradas desde o berço a buscar a cada segundo a vitória e o triunfo perdem completamente o rebolado quando a perda chega. E, com isso, vêm frustração, impotência, prostração, depressão, melancolia, ansiedade, questionamentos a Deus e muito mais. "Deus, como posso estar perdendo tanto se sou mais que vencedor?!", questiona o irmão confundido pelo triunfalismo.

A resposta é simples: Deus ter-nos feito mais que vencedores não quer dizer que seremos vencedores em tudo, o tempo todo. A verdadeira vitória do cristão é a vida eterna, não um estado imutável de ganhos constantes. Em nenhum lugar da Escritura isso nos é prometido. Esse papo coach de que Deus nos fez para viver uma vida extraordinária é pura balela. A vida são altos e baixos, ganhos e perdas. E ponto final.

Meu irmão, minha irmã, todos nós, em algum momento da vida, perderemos algo. Você perdeu o emprego, a saúde, os bens, o dinheiro, a paz de espírito, alguém que amava? Não se deixe abater. Deus não foi pego de surpresa, ele sabia que essa perda viria. A única coisa que você jamais pode perder em sua vida é a fé, pois é ela que fará você ganhar o que de mais precioso te espera. Como escreveu Paulo: "prossigo para o alvo, a fim de ganhar o prêmio do chamado celestial de Deus em Cristo Jesus" (Fp 3:14).

Eis o ganho maior. Perdeu? Chore, lamente, pranteie, é lícito. Mas, depois, espane a poeira das roupas, alongue os músculos e siga, pois seu caminho ainda será sobremodo longo.

Maurício Zágari (via facebook) (Título original: Caminho Longo)

Nota do blog: Consigo entender a lógica arrebatadora de Jesus no sermão da Montanha, quando Ele diz que bem aventurado é aquele que chora, pois será consolado. Precisamos aprender a conviver com a derrota. Precisamos aprender a conviver com frustrações e sonhos não realizados. Saber perder não é conformar-se com a derrota, mas entendê-la como necessária para uma outra perspectiva da vida. Todas as vezes que perdemos, precisamos olhar a vida sem autocomiseração. Deus está nos dando uma nova chance de fazer aquilo que deixamos de fazer. Esta lição serve para muitas situações. Ellen G. White diz: "As mais difíceis experiências na vida do cristão, podem ser as mais abençoadas" (Para Conhecê-Lo, p. 254). Uma das orações mais difíceis que podemos fazer é esta: “Jesus, ensina-me a perder!”

segunda-feira, 3 de outubro de 2022

O PRIMEIRO CULTO DOS REMIDOS NO CÉU

(Dando asas à imaginação sobre um sonho tão sonhado)

Não é errado sonhar e nem tentar vislumbrar aquilo que tanto queremos. Deixei a imaginação fluir e construir um possível cenário do que seria o primeiro culto dos remidos no céu. Ainda que possa parecer presunçoso, eu me imagino lá, presente, pela graça, tão somente pela graça de Deus.

Embora saibamos que vamos estar na presença de Deus “de uma lua nova até a outra, de um sábado até o outro”, ou seja, diariamente, gosto da ideia de que esse culto se dará em um dia de sábado, celebrando assim a nova criação de Deus. Ao redor do trono, diante do nosso maravilhoso Pai, com vestes brancas, todos nós salvos, a grande multidão de remidos, homens, mulheres e crianças, pessoas de todas as épocas, justificados pela graça de Cristo, santificados pela ação do Espírito, glorificados pelo poder de Deus. Estamos circundados pelos exércitos de anjos celestes, em total reverência, com alegria sem fim no coração. Em nosso pobre planeta lá embaixo, o mal ainda não terá sido extinto, estamos iniciando o milênio de glória, mas já estamos livres dos efeitos do pecado, já sem lembrança de tudo de ruim que passamos.

O coro de anjos, a orquestra maravilhosa, instrumentos jamais vistos, todos a postos, prontos, aguardando o início daquele culto especial. A um sinal de Gabriel, o magnífico arcanjo, maestro maior de todos os coros, erguem-se as vozes celestes.

Perfeição completa, eis a música do céu! Finalmente a conhecemos, nós que sobre ela tanto falamos, discutimos e divergimos em nossa velha Terra. Como é diferente de tudo que pensávamos! Como era pobre nossa imaginação! Falávamos em tantos padrões, culturas, escolas musicais, gêneros, e a música de Deus agora nos surpreende a todos. Como teria sido tão melhor ter deixado, lá em nosso velho planetinha, o Espírito falar ao nosso coração, sempre, acima de qualquer erudição, acima de qualquer preconceito, acima da estratificação de nossas mentes!

E os músicos celestes nos brindam com um concerto extraordinário de boas vindas aos salvos. São momentos eternos que passam, que não sentimos, que não nos cansam nem incomodam. Criação musical coletiva, todos parecem pensar os mesmos acordes e sequências, e a música flui espontânea e bela, é mágica, impressiona os corações, alegra a alma dos salvos em Jesus.

De repente, a música muda. Cristo Jesus levanta-se ao lado do Pai e adianta-se. É o Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo, o Leão da tribo de Judá, o Príncipe da Paz. Para Ele voltam-se todos os olhares, as mentes e os corações. É para Ele a próxima música do céu. Os acordes são outros, é outra a cadência, os anjos mal conseguem conter a emoção. A letra, de poesia perfeita e maravilhosa repete: “Digno é o Cordeiro, que foi morto, de receber o poder, e riqueza, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e louvor”. Não dá pra descrever o que vai no coração de todos os presentes. Os remidos choram, mas é um choro de alegria, de agradecimento. São mais momentos eternos e inesquecíveis.

E agora, algo especial: a uma modulação maravilhosa, que o mais experimentado dos músicos terrestres jamais conseguiu sequer imaginar, a orquestra e o coro param. Jesus vai solar. Sua voz é completamente harmônica. Em alguns momentos suave e doce, a voz do Bom Pastor; em outras partes é como o som de muitas águas. Dispensa o acompanhamento. A letra diz, entre outras belezas: “Vinde, benditos de meu Pai. Possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo”. A orquestra e o coro de anjos, voltam em contracanto perfeito, respondem e devolvem a Cristo toda a honra, repetindo: “Digno é o Cordeiro, que foi morto, de receber o poder, e riqueza, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e louvor”. A participação do Salvador, do Rei dos Reis, é perfeita.

Mas ainda há mais emoção nesse culto difícil de narrar. Todos os remidos que estão prostrados diante do trono, agora se levantam. Sim, nós vamos agora cantar. E não vamos fazer feio, temos mentes transformadas e corpos glorificados, dons restaurados, alcançamos a perfeição em Cristo Jesus. E sobre o que cantamos? Ah, com toda certeza, cantamos da experiência humana, da experiência pessoal de cada um. Cantamos daquilo que vivemos e passamos. E os outros mundos, habitados por seres superinteligentes e sem pecado, a tudo assistem maravilhados, sendo que jamais poderão cantar como nós cantamos, pois serão incapazes de transmitir musicalmente aquilo que não viveram.

E cantamos o cântico de Moisés, servo de Deus, e o cântico do Cordeiro, dizendo: “Grandes e admiráveis são as tuas obras, ó Senhor Deus Todo-Poderoso; justos e verdadeiros são os teus caminhos, ó Rei dos séculos”.

E o grande culto, antecedendo a monumental Escola que virá depois, prossegue todo em música, alternando coro e orquestra de anjos, solos maravilhosos, corais de remidos triunfantes. Não existe mais cansaço, não mais tédio, não mais monotonia, o tempo não existe, estamos enfim na Eternidade, vivendo dentro do sonho!

No final, a bênção do Pai, o Deus dos Exércitos, o Criador de todos os mundos, que sobre nós levanta o Seu rosto, e nos dá a paz, a Sua paz, que excede a todo o entendimento.

Em seguida, o início do nosso aprendizado na grande Escola dos céus. Quantas perguntas, quanta curiosidade, quanta sede de saber e conhecimento. Deus, Cristo Jesus, os santos anjos, a influência esclarecedora do Espírito Santo, são os nossos Mestres nessa Escola eterna. Ali, diariamente, ouviremos de Suas bocas santas e sábias, tudo que não entendíamos, e com mente clara agora compreendemos perfeitamente, sem sofismas, sem enganos, sem dúvidas.

Depois, ao lado do rio da água da vida, encimados por um céu de azul perfeito, a ceia dos remidos, com os frutos da árvore da vida, alimento sadio que nos garante a vida eterna, sem doenças, sem dores, sem sofrimento, sem pecado.

Amigos, quando aqui cantamos o que vivemos, o canto sai livre, verdadeiro, consistente, autêntico e transmite um prenúncio da atmosfera do céu. Quando aqui estudamos e nos alimentamos da Palavra de Deus, estamos nos aprimorando no conhecimento de um Deus maravilhoso e um Salvador justificador. Deus queira, e Ele com certeza quer, que cada ser humano se arrependa e se salve. O fogo eterno não foi preparado para nós, mas para o diabo e seus anjos. Aquele culto maravilhoso, de cuja liturgia aqui consegui apenas arranhar um pouquinho a superfície, nos espera. Não podemos faltar, não iremos chegar atrasados! Deus nos abençoe, e mesmo em meio às nossas manias e aos nossos desencontros, nos conserve em união de propósitos e em amor fraterno, sem o que, não estaremos lá naquele dia. Sejam felizes.

Mário Jorge Lima (via Instantâneos do Reino)