quarta-feira, 14 de março de 2018

A nossa igreja está acomodada?

“A estabilidade e o conforto ainda vão enfraquecer o crescimento da igreja na América do Sul.” Havíamos acabado um seminário para líderes com a equipe da Divisão Sul-­Americana, e o professor, convidado de uma de nossas universidades norte-americanas, fez essa provocação.

Para ele, a estabilidade e o conforto foram grandes inimigos do crescimento da igreja do primeiro mundo. Sua análise foi direta: “Quanto mais confortáveis são as casas, com conexão rápida à internet, aparelhos de ar-condicionado e TV com múltiplas opções, mais exigentes as pessoas se tornam e menos envolvidas em atividades externas. Elas vão se concentrando mais em seus próprios interesses, e a igreja deixa de ocupar um papel central.”

Na visão dele, os países do Hemisfério Sul ainda têm muitas dificuldades que afetam seu desenvolvimento, mas que facilitam a pregação do evangelho. O professor deixou, porém, um alerta: “Fiquem atentos, pois a realidade também está mudando rapidamente por aqui.”

Foi uma conversa intrigante, que me fez pensar sobre o assunto. Realmente o perfil econômico e social de alguns países sul-americanos está mudando. As pessoas estão mais exigentes e sofisticadas, em busca de qualidade e conforto. Mas precisamos avaliar: a prosperidade está acelerando o avanço da igreja ou intensificando nossa acomodação? Seremos vítimas naturais desse processo ou poderemos ser uma exceção?

Para alguns, seria mais seguro se pudéssemos parar no tempo e fugir dessa tendência. Porém, diante da rapidez das mudanças, só nos resta pedir a Deus sabedoria para modernizar sem mundanizar e manter os princípios sem perder a relevância. Por isso, devemos avaliar permanentemente onde estamos e como deveríamos estar. Essa reflexão é fundamental para evitar o que Thom Rainer, escritor, pesquisador e pregador norte-americano, apresenta como os cinco grandes riscos de uma igreja que começa a lutar apenas pela própria estabilidade. Segundo ele:

- Uma igreja acomodada não é uma igreja em missão. A própria natureza da grande comissão nos impulsiona a estar em constante movimento e renovação.

- O conforto é inimigo da obediência. As histórias de pessoas fiéis na Bíblia mostram que, para obedecer, é preciso sair da zona de conforto.

- Igrejas acomodadas não atingem suas comunidades. Se uma igreja busca apenas estabilidade, ela não está disposta a fazer as mudanças necessárias para impactar a comunidade.

- Igrejas acomodadas não criam novos grupos. Não surgem novas atividades, projetos nem ministérios. É uma igreja que olha somente para o próprio umbigo.

- Membros de igrejas acomodadas buscam apenas suas preferências. Sua prioridade é manter o conforto, sem mexer no que estão acostumados.

Não podemos aceitar a simples tradição ou a boa acomodação. Quando Jesus precisou alcançar o mundo de Seus dias, convocou Seu povo para estudar, dialogar e orar intensamente. Enviou o Espírito Santo para agir poderosamente e, como resultado, “tremeu o lugar onde eles estavam reunidos” (At 4:31). A igreja saiu de seu conforto, foi ao encontro das pessoas, cumpriu a missão de forma poderosa e teve um crescimento explosivo. A fórmula continua sendo a mesma: somente “uma igreja que trabalha é uma igreja viva” (Ellen White, Medicina e Salvação, p. 332).

Pr. Erton Köhler (Texto publicado na edição de março de 2018 da Revista Adventista)

A capacidade de valorizar o outro

Helen Keller tem sido admirada por todo o mundo. Nem sempre, porém, foi um exemplo atraente. Nascida cega, surda e cheia de energia, expressava suas frustrações em acessos de ira e raiva. Com ou sem provocação, ela se tornava fisicamente violenta e golpeava a pessoa ou o objeto mais próximo. O que quer que suas mãos achassem, tornava-se objeto de seus atos agressivos. Ela chutava, mordia e batia se fosse contrariada. Sua mãe tentava ser amiga e compreensiva. Seu pai gritava (como se ela pudesse ouvir), e até mesmo sugeria que ela fosse enviada para um manicômio. Um autor descreveu sua primeira infância como a de “um animal descontrolado e selvagem”.

Mas quando Helen completou seis anos, uma pessoa nova entrou em sua vida.
Alguém com ternura e carinho. Alguém que cria em Helen e sentia através daqueles ouvidos surdos e olhos cegos. Alguém que sabia que Helen tinha um tremendo potencial encerrado em seu íntimo. Alguém que conhecia o milagre da valorização.

Ann Sullivan não era milagrosa. Ela própria tinha sido vítima de limitações, mas as tinha vencido e sabia que podia transmitir aquele toque inspirador sendo gentil e amorosa. Sabia como administrar disciplina e orientação, mas também sabia como fazê-lo com carinho e interesse. Durante os primeiros dias, Helen dava pontapés e mordia sua nova professora, jogava coisas nela e mostrava de todos os modos possíveis seu desafio e desobediência. Mas Ann era feita de fibra mais forte. Toda demonstração de raiva de Helen fazia com que Ann lhe mostrasse com firmeza que tais atos eram inaceitáveis. Ann lhe dava uma palmada gentil e lhe negava alimento, a menos que estivesse disposta a comer com boas maneiras, mas sempre recompensava Helen com um abraço ou um tapinha amável em resposta ao menor sinal de obediência de Helen.

Anos mais tarde, lembrando seu primeiro encontro, Helen escreveu: “Senti passos que se aproximavam e estendi a mão, como supunha, à minha mãe. Alguém a tomou, e fui abraçada e apertada. Ela viera revelar tudo para mim e, mais que qualquer outra coisa, amar-me”. Aquele amor abriu para Helen o belo mundo ao redor. Ela apegou-se a Ann Sullivan como a alguém que podia mudar sua vida, que podia dar visão sem olhos, audição sem a capacidade de ouvir e vida em toda a sua plenitude.

Como aconteceu isso? Ann Sullivan cria em Helen. Era positiva — sabia que um elogio pode extrair todas as possibilidades ocultas numa criança desamparada.

Que é valorização?
A palavra correspondente em inglês significa “tornar firme” ou “dar força a outro”. Os psicólogos nos dizem que tendemos a definir o que somos no contexto de como os outros nos consideram. Todos ansiamos por valorização e encorajamento por parte de outrem. Essa aceitação nos dá um sentimento de integração e identidade.

Quando encorajamos a alguém com comentários positivos, nós, com efeito, lhe damos força para reconhecer seus dons e a contribuição que fazem à vida. Sem esta valorização, é dificil superar os problemas que enfrentamos na vida, é difícil sobreviver numa comunidade, escola ou local de trabalho onde a competição é a ordem do dia. Com efeito, sem o calor e o carinho que acompanham a valorização, é provável que fiquemos alienados.

Elogiar é talvez o toque mais terno de um ser humano em outro — um toque que nos encoraja a reconhecer o potencial que nos é dado por Deus. Em todos os meus anos como conselheiro vim a compreender que não há crescimento pessoal sem valorização. Como disse alguém: “O maior bem que fazemos aos outros não é dar-lhes nossa riqueza, mas mostrar-lhes sua própria riqueza”. Ou como Salomão se expressa: “Não te furtes a fazer o bem a quem de direito, estando em tua mão o poder de fazê-lo”; “A alma generosa prosperará, e quem dá a beber será dessedentado” (Provérbios 3:27; 11:25).

Jesus e a valorização
Jesus conhecia o valor do elogio. Tudo o que Ele dizia e fazia visava a encorajar e edificar os outros. Suas palavras possuíam grande poder curativo. Seu toque gentil curava os feridos, restaurava os quebrantados de coração e confortava os ansiosos. Suas palavras de apreço encorajavam os indivíduos a se erguerem acima de suas frustrações e atingirem seu pleno potencial. Ele conferia poder às pessoas.

Jesus confortou o ladrão arrependido na cruz, quando lhe prometeu Sua companhia no paraíso. Jesus tranquilizou Zaqueu. Disse-lhe que, embora outros o desprezassem, Ele o considerava cidadão de Seu reino. “Hoje houve salvação nesta casa” (Lucas 19:9).

Jesus valorizou as criancinhas. Os discípulos queriam livrar-se delas, mas não Jesus. Ele cria na possibilidade de aquelas crianças se tornarem parte de Seu reino. “Deixai vir a Mim os pequeninos”, disse Ele, “e não os embaraceis, porque dos tais é o reino de Deus” (Lucas 18:16).

Considere a viúva que foi ao templo com uma oferta de apenas dois vinténs. Os dirigentes da sinagoga não tinham tempo nem emprego para ela. Mas Jesus reconheceu nela uma devoção total à causa de Deus: “Ela, porém, de sua pobreza deu tudo quanto possuía, todo o seu sustento” (Lucas 19:9). Isso é valorização.

Observe também como Jesus deu um voto de confiança à mulher apanhada em adultério. Seus acusadores estavam prontos, com a lei e as pedras. Queriam justiça. Farejavam sangue. Jesus não Se concentrou no pecado, mas na pecadora carente de graça. Ofereceu-lhe perdão, aconselhando-a: “Vai, e não peques mais” (João 8:11). Isto é fortalecer a auto-estima: crer que a mulher, embora pecadora, pudesse estender a mão e apegar-se à graça e ao perdão de Deus — e viver os desígnios de Deus para ela.

Esse otimismo edifica as pessoas. Fortalece-as para viver uma nova vida. Encoraja-as a ver o novo eu interior.

O desafio de edificar
Talvez seja tempo de lembrar as palavras do apóstolo: “Consolai-vos, pois, uns aos outros, e edificai-vos reciprocamente” (I Tessalonicenses 5:11). O apóstolo cria que devíamos estimular-nos uns aos outros “ao amor e às boas obras,...e tanto mais quanto vedes que o dia se aproxima” (Hebreus 10:24, 25). Mas como elogiar? Aqui estão três sugestões:

1. Simplesmente o faça! Não subentenda que os outros saibam o que você sente e quanto você os aprecia. Diga-lhes. A intenção de elogiar só é boa quando você lhe obedece.

2. Faça-o freqüentemente! Muitos de nós somos como um vazamento lento num pneu: precisamos ser “bombados” com frequência. Precisamos receber encorajamento e ânimo uns dos outros. Assim não só devíamos elogiar, mas fazê-lo freqüentemente.

3. Não se sinta repelido por aqueles que têm dificuldade em aceitar seus elogios. Alguns têm dificuldade para aceitar elogios. Podem retrucar dizendo: “Ah, você não precisava fazer isso”. Mas lembre-se de que a melhor maneira de receber um elogio é fazê-lo. Quanto mais você dá, tanto mais sobra.

Lembre-se do que Salomão disse: “Quem dá a beber será dessedentado” (Provérbios 11:25).

Bryan Craig (via Diálogo Universitário)

terça-feira, 13 de março de 2018

Quando paquerar é pecado

Se em sua região a palavra “paquera” é pejorativa ou não é muito bem vista, perdoe-nos e aceite esta explicação: usaremos a palavra “paquera”, como é entendida na maior parte do Brasil (o ato de observar alguém “interessante”, visando uma possibilidade de namoro).

Um sentimento especial
Homem e mulher sentem-se atraídos um pelo outro, algo diferente ocorre, uma certa sensação de conquista, que tem um aspecto interessante: O OLHAR! Olhos se cruzam, um certo charme “paira no ar”, e aquele sorriso discreto, traz um clima de expectativa e surpresa. Tudo acontece muito intensamente.

Paquera “saudável”
A paquera saudável é aquela onde tudo acontece naturalmente. Você está com um grupo de amigos conversando e de repente, alguém interessante aparece! Você começa a dar uma atenção especial à pessoa. Papo vai, papo vem… e como você está “solteiríssimo(a)” acaba gostando da história.

É o momento para conversar, conhecer o outro, encontrar afinidades, saber seus sonhos e alvos. Mas sempre de uma forma discreta, pura e sem malícia.

Este primeiro momento é decisivo, para continuar ou não com a ideia. Algumas vezes, acontece do outro nem perceber que foi alvo de suas intenções. Numa pequena conversa você já percebe que não daria certo, um namoro entre vocês.

Por outro lado, você também pode se surpreender. A cada momento que o papo se prolonga, o entusiasmo toma conta. Você dá a entender que gostaria de conversar novamente e convida para no próximo sábado, ir à reunião de jovens da sua Igreja.

A “prejudicial”
Pode um momento tão emocionante como este, ser prejudicial? Deus faz um comentário “preocupante”, sobre o coração do homem, quando fala ao profeta Jeremias:
“Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá ? Eu, o Senhor, esquadrinho o coração e provo os pensamentos; e isto para dar a um segundo o seu proceder, segundo o fruto de suas ações.” (Jr 17:9-10)
O coração do homem é enganoso. Uma coisa simples pode transformar-se em algo negativo, que pode magoar e deixar marcas. Analisando a paquera, à luz de alguns textos e princípios bíblicos, podemos dizer que ela é prejudicial, nestas situações:

1) quando não tem um ideal: desperta expectativas no outro e na hora “H”, pula fora sem assumir o que fez e ainda diz: “Foi uma brincadeira, você é que entendeu mal, você leva tudo a sério…”.
“Como louco que lança fogo, flecha e morte. Assim é o homem que engana o seu próximo e diz : fiz isso por brincadeira”. (Pv 26:18-19)
2) quando há uma intenção impura: quando a pessoa começa a paquera, com o principal pensamento na atração e sedução física, no desejo sexual e na malícia.
“Ouvistes o que foi dito: Não adulterarás. Eu porém vos digo : qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração já adulterou com ela.” (Mt 5:27-28)
3) quando envolve defraudação: cria-se uma ilusão, desperta-se um desejo físico no outro, que você sabe que não poderá ir adiante, por não ser namorado da pessoa. Isso é o que a Bíblia condena e chama de defraudação.
“E que nesta matéria, ninguém ofenda, nem defraude a seu irmão; porque o Senhor, contra todas estas coisas, como antes vos avisamos e testificamos claramente, é o vingador, porquanto Deus, não nos chamou para a impureza e sim para a santificação.” (1Ts 4:6-7)
Todo o cuidado é pouco
Já dizia o poeta: “A maior covardia de um homem, é despertar o amor de uma mulher, sem a intenção de amá-la.” Esta frase diz respeito aos homens, mas também é valida para as mulheres. Portanto, todo cuidado é pouco.

A sensatez é uma das grandes virtudes. Usar a paquera para enganar, afirmar-se e sentir-se seguro, é covardia e egoísmo. Não condiz com a integridade de alguém que quer levar Deus a sério.

O importante nos contatos e relacionamentos é desenvolver uma amizade sadia. Buscar conhecer o outro sem malícia e “segundas intenções”. Aí sim, valerá a pena!
“O Deus eterno vê o que acontece em toda a parte; Ele está observando todos, tanto os bons, como os maus.” (Pv 15:3)
Percebeu a responsabilidade? Não adianta querer trapacear. Deus conhece o seu coração e está observando suas atitudes. [via Novo Tempo]

Segue somente alguns de vários sábios conselhos de Ellen G. White sobre esse assunto: 
"A juventude confia demais no impulso. Não deve entregar-se demasiado facilmente, nem deixar-se cativar muito depressa pelo atraente exterior do pretendente. O namoro, tal como é seguido hoje, é um artifício de engano e hipocrisia, com o qual o inimigo das almas tem muito mais que ver do que o Senhor. Se há coisa em que seja preciso o bom senso comum, é esta; mas o fato é que ele pouco se emprega neste assunto." (O Lar Adventista, p. 55)
"Brincar com corações não é um crime de pequena magnitude aos olhos de um Deus santo. E todavia alguns mostrarão preferência por moças e lhes despertarão as afeições, e depois vão-se embora e esquecem tudo quanto disseram e o efeito que isto causou. Um novo rosto os atrai, e eles repetem as mesmas palavras, dispensam a outra as mesmas atenções." (Cartas a Jovens Namorados, p. 76)

"O verdadeiro amor não é uma forte, ardente e impetuosa paixão. Ao contrário, é calmo e profundo em sua natureza. Olha para além das meras exterioridades, sendo atraído pelas qualidades apenas. É sábio e apto a discernir, e sua dedicação é real e permanente." (Testemunhos Seletos, vol. 1, p. 208)

11 dores ligadas ao seu estado emocional

Você já parou para pensar se aquela dor nas costas ou a dor de cabeça persistente possa ter origem no seu estado emocional? Sim, isso é possível acontecer, como explica a psicóloga Rita Calegari, da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo: “Nosso corpo é um sistema único – a parte física e a emocional não estão desassociadas uma da outra – o que afeta o corpo mexe na emoção, o que afeta a emoção, mexe no corpo”.
"A relação existente entre a mente e o corpo é muito íntima. Quando um é afetado, o outro também o é." (Mente, Caráter e Personalidade 1, p. 59)
A dor funciona como um mecanismo do corpo para passar uma mensagem, mostrar que algo não vai bem. “Sem a dor, nós prejudicaríamos muito mais nosso organismo pelo simples descuido. Imagine as luzes do painel do carro que mostram quando a gasolina chegou na reserva, quando o motor está superaquecido, o óleo baixo, etc. Esse recurso mostra a tempo o que deve ser corrigido antes de nos colocarmos em risco. A dor é o nosso ‘sinal luminoso’ para prestarmos atenção”, conta Rita.

Quando a causa de uma dor é investigada, o especialista avalia vários sistemas que podem influenciar no seu surgimento. Por meio de exames, as possibilidades vão sendo descartadas até que se chegue ao diagnóstico. “Doenças podem ter diversas origens: vírus, bactérias, hereditariedade, processos inflamatórios, acidentes, alergias, poluição, má alimentação, mau uso de medicações e também estados emocionais nocivos. Somente uma boa consulta médica irá diagnosticar a causa da dor com segurança”, reforça a psicóloga.

Como o estado emocional pode influenciar na saúde?
Na presença do estresse, os músculos ficam tensos, causando dores específicas. A tensão, por sua vez, aumenta o cortisol no sangue, alterando o ritmo cardíaco. “Tudo isso altera o organismo de uma forma geral, inclusive a musculatura, ficando tensionada e refletindo-se em dor. Além disso, a pessoa com alteração emocional e deprimida tende a manter uma postura errada e acaba não realizando exercícios, ocasionando assim dores musculares”, ressalta Carlos Górios, ortopedista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.
"Grande parte das doenças que afligem a humanidade tem sua origem na mente e só pode ser curada restaurando-se a saúde da mente. Existem muito mais pessoas do que imaginamos, que estão doentes mentalmente." (Mente, caráter e Personalidade 1, p. 63)
O processo inflamatório desse tipo de dor é diferente da reação do corpo após um trauma físico. “O processo inflamatório causado por fatores emocionais está relacionado a alterações hormonais e erro de postura, enquanto que no outro caso pós-traumático ocorre uma resposta fisiológica do organismo ao dano tecidual ou alguma outra situação, como infecção. Esse envolve células do sistema imune, levando a vasodilatação como resposta vascular, aumento da permeabilidade vascular levando à edema, aumento da pressão do tecido causando dor”, explica Górios.

Como essas dores se manifestam
A região cervical, torácica e principalmente a lombar são as mais afetadas. Isso se dá porque a coluna é responsável pela sustentação do corpo e por isso as costas acabam recebendo uma carga maior em situações de estresse e alterações do emocional.

“Outro músculo que pode ser afetado é o músculo psoas, que liga a coluna vertebral às pernas. Em situação de alteração emocional, com descarga de adrenalina, esse músculo é tensionado, dificultando a postura e causando dor nas costas. Essa região é chamada de ‘músculo da alma’, segundo a medicina oriental”, revela ele.

A psicóloga destaca que a tensão emocional pode ser provocada pelos mais diversos âmbitos da vida, como trabalho, casamento, família, entre outros. “Alterações no ciclo vital, como mudanças nas fases comuns da vida, mas que acarretam sofrimento, como a morte de alguém querido, também são capazes de criar essas dores”, conta Rita. 
"O estado da mente afeta a saúde do sistema físico. Se a mente se acha despreocupada e feliz, em virtude da consciência de estar agindo corretamente, e do senso de satisfação por estar promovendo a felicidade de outros, isso cria uma disposição que agirá sobre todo o organismo, produzindo uma circulação mais livre do sangue e dando tono a todo o corpo. A bênção de Deus é um poder salutar, e aqueles que são copiosos em fazer o bem a outros perceberão essa maravilhosa bênção tanto no coração como na vida." (Conselhos Sobre Saúde, p. 28)
Confira algumas dores que podem surgir por causa do seu estado emocional e os motivos comuns que podem desencadeá-las, de acordo com a psicóloga:

1. Dor de cabeça
Tensão emocional e muitas preocupações. Pessoas que pensam demais e realizam pouco. Amargura com alguma recordação de eventos passados, entre outros.

2. Dor no pescoço/nuca
Forte tensão emocional, conflitos entre a razão e os sentimentos, entre outros.

3. Dor nos ombros
Sobrecarga de tarefas, tensão emocional, timidez, medo, insegurança, entre outros.

4. Dor nas costas
Medo, desamparo, insegurança, sobrecarga de tarefas, tensão emocional, entre outros.

5. Dor na lombar
Sobrecarga de tarefas, tensão emocional, medo, insegurança, entre outros.

6. Dor nas mãos
Sobrecarga de tarefas, tensão emocional, medo, insegurança, entre outros.

7. Dor nas articulações
Sentimento de impotência, grande tensão emocional, medo e tristeza. Rigidez de pensamentos, inflexibilidade, entre outros.

8. Dor muscular
Tensão, energia acumulada, tristeza, medo, raiva, conflitos existenciais, entre outros.

9. Dor de estômago
Tensão, irritabilidade, conflitos insolúveis, mágoa, raiva, nervoso, entre outros.

10. Dor nos quadris
Sobrecarga de tarefas, tensão emocional, medo, insegurança, entre outros.

11. Dor nos joelhos
Sobrecarga de tarefas, tensão emocional, medo, insegurança, entre outros.

Formas de tratamento
A terapia desse tipo de dor deve contar com uma abordagem multidisciplinar, que pode incluir médico, psicólogo, fisioterapeuta, educador físico, além de outros profissionais. “O tratamento medicamentoso inclui analgésicos e anti-inflamatórios, ‘antidepressivos’ (que na verdade seriam melhor denominados como moduladores de serotonina e noradrenalina), anticonvulsivantes e opióides”, conta a psiquiatra Milene Busoli. Ela também destaca a atividade física como um fator essencial para a recuperação. “Em geral, atividades na água, pilates ou atividades mais intensas, desde que supervisionadas. Outros tratamentos incluem fisioterapia, acupuntura e massagem. A terapia em geral visa a adaptação e aceitação do quadro, e enfrentamento dos medos relacionados a atividade, retorno ao trabalho, bem como a sensação de culpa e inadequação”, finaliza.
"Muitos sofrem doenças da alma, muito mais do que doenças do corpo, e só encontram alívio quando vão ter com Cristo, a fonte da vida. Cessarão então as queixas de cansaço, solidão e descontentamento. Alegrias satisfatórias dão vigor à mente, e saúde e energia vital ao corpo." (Mente, Caráter e Personalidade 2, p. 403)
[via MINHA VIDA] - As inserções de textos de Ellen G. White foram feitas pelo blog

segunda-feira, 12 de março de 2018

O que Ellen White disse sobre as competições esportivas?

Que ideia vem à sua mente quando ouve a palavra ESPORTE? Um pênalti que decidirá todo o jogo? Torcidas gritando? Uma enterrada de basquete? Um bloqueio emocionante de vôlei? Para algumas pessoas, é o prazer da competição, a demonstração de suas habilidades na quadra ou no campo ou o suspense por não saber quem vai ganhar. Para outros, é apenas diversão, fazer exercícios e passar tempo com os amigos. Esportes podem ser divertidos e empolgantes. 

Embora Ellen White condene a competição extrema que muitos esportes entusiastas sugerem, ela enfatiza a prática de exercícios, em especial ao ar livre. Seu conselho é que os esportes não desvirtuem algumas pessoas de sua educação, amizades e principalmente o relacionamento com Jesus. Com certeza, Ele ficaria triste em saber que algumas pessoas estão mais interessadas em destruir e vencer o outro time, não importando o quanto custe.

Aqui apresentamos alguns princípios dos escritos de Ellen White e também algumas dicas que podemos usar para fazermos nossas escolhas na área das atividades físicas, esportes e recreação: 

"Não condeno o simples exercício de brincar com uma bola; mas isto, mesmo em sua simplicidade, pode ser levado ao excesso. Preocupam-me muito os resultados quase sempre inevitáveis que vêm na esteira de esportes competitivos. Eles levam a um gasto de dinheiro que devia ser aplicado em levar a luz da verdade às almas que não conhecem a Cristo. Divertimentos e gasto de meios para satisfação própria, que levam passo a passo à glorificação do eu, bem como o treinamento nesses jogos para obtenção de prazer produzem amor e paixão pelas coisas que não favorecem o aperfeiçoamento do caráter cristão." (O Lar Adventista, p. 499)

"É a glória de Deus que se tem em vista nesses jogos? Eu sei que não é. O caminho de Deus e Seus propósitos são perdidos de vista. A maneira como seres inteligentes se aplicam, ainda em período de experiência, está se sobrepondo à revelada vontade de Deus e pondo em seu lugar as especulações e invenções do instrumento humano, com Satanás a seu lado a imbuir-lhes o espírito. ... O Senhor Deus do Céu protesta contra a ardente paixão cultivada pela supremacia nos jogos assim tão empolgantes." (O Lar Adventista, p. 500)

"Outros jogos atléticos, embora não tão embrutecedores, são pouco menos reprováveis, por causa do excesso com que são praticados. Estimulam o amor ao prazer, alimentando assim o desprazer pelo trabalho útil, a disposição de evitar os deveres práticos e as responsabilidades. Tendem a destruir a graça pelas sóbrias realidades da vida e seus prazeres tranquilos. Desta maneira, abre-se a porta para a dissipação e desregramento, com os seus terríveis resultados." (Educação, pp. 210 e 211) 

“Em regra, o exercício mais proveitoso aos jovens será encontrado nas ocupações úteis. Desde a infância os esportes devem ser tais que promovam não somente o crescimento físico, mas também o mental e espiritual. Ao adquirir força e inteligência, achará o melhor recreio para ela em alguma espécie de esforços que sejam úteis. Aquilo que treina as mãos para a utilidade e ensina o jovem a encarar com a sua participação nos encargos da vida é o mais eficaz na promoção do crescimento do espírito e do caráter.” (Educação, p. 215 - adaptado) 

“Quanto tempo é gasto por seres humanos inteligentes em jogos de bola! Mas acaso a satisfação nesses esportes dá aos homens o desejo de conhecer a verdade e a justiça? Mantêm a Deus em seus pensamentos? Levá-los-á a indagar: Como vai com a minha alma?” (Conselhos Professores, Pais e Estudantes, p. 456) 

“Não tenho conseguido encontrar nenhum caso em que Jesus tenha ensinado os Seus discípulos a empenharem-se na diversão do futebol [americano] ou em jogos de competição, a fim de fazerem exercício físico, ou em representações teatrais; e, no entanto, Cristo era nosso modelo em todas as coisas. Cristo, o Redentor do mundo, deu a cada um a sua obra, e ordena: 'Negociai [ocupai-vos, na versão inglesa] até que Eu venha.' (Lucas 19:13).” (Fundamentos da Educação Cristã, p. 229)

“Alguns dos mais populares divertimentos, tais como o futebol e o boxe, se têm tornado escolas de brutalidade. Estão desenvolvendo as mesmas características que desenvolviam os jogos da antiga Roma. O amor ao domínio, o orgulho da mera força bruta, o descaso da vida, estão exercendo sobre a juventude um poder desmoralizador que nos aterra.” (Conselhos sobre Saúde, p. 189) 

“Exercícios ginásticos ocupam um lugar útil em muitas escolas, mas se não houver uma supervisão cuidadosa eles podem ser levados ao extremo. Muitos jovens, pelas proezas de força que tentam realizar nos salões de ginástica, têm trazido sobre si lesões para toda a vida”. (O Lar Adventista, p. 499) 

"O lugar que devia haver sido ocupado por Jesus foi usurpado por vossa paixão por jogos. Preferistes vossos divertimentos aos confortos do Espírito Santo. Não seguistes o exemplo de Jesus, que disse: 'Eu desci do Céu, não para fazer a Minha vontade, mas a vontade dAquele que Me enviou.' (João 6:38)." (Mensagens Escolhidas 1, p. 136) 

"Os esportes enervantes despertam ao máximo todas as paixões." (Testemunhos Seletos 3, p. 231) 

"Aqueles cujos hábitos são sedentários devem, quando o tempo permitir, fazer exercício ao ar livre todos os dias, de verão e de inverno... O exercício aviva e equilibra a circulação do sangue, mas na ociosidade o sangue não circula livremente, e não ocorrem as mudanças que nele se operam, e são tão necessárias à vida e à saúde." (A Ciência do Bom Viver, p. 238 e 240) 

“Nós não deveríamos ignorar as atividades que proveem exercício e recreação. Contudo, essas atividades devem ser manejadas dentro dos limites, a fim de que não percam o seu propósito e alimentem o egoísmo”. (Manuscript Releases, v. 1, p. 391) 

"Na presente época a vida se tornou artificial e os homens degeneraram. Conquanto não possamos voltar completamente aos hábitos simples daqueles tempos primitivos, deles podemos aprender lições que tornarão nossos momentos de recreio o que este nome implica: momentos de verdadeira construção de corpo, espírito e alma." (Educação, p. 211)

Talvez, você tenha percebido que o Espírito de Profecia não é contra nós nos exercitarmos, pelo contrário, somos estimulados a movimentarmos nosso corpo em benefício do templo do Espírito Santo. Mas, para mostrar a preocupação de Ellen White com os esportes competitivos, confira um trecho do livro The Ellen G. White Encyclopedia, escrito por Denis Fortin e Jerry Moon:

"Ellen White evitou esportes competitivos em praticamente todas suas formas. De fato, seus escritos deixam claro que ela matinha pouco ânimo quanto a atividades esportivas de qualquer espécie. A origem de sua oposição se explica tanto pelo espírito combativo inerente à maioria dos esportes, como porque, de maneira geral, eles desviam a mente das atividades mais sérias da vida.” 

Ellen White nunca condenou um jogo de bola de fundo de quintal ou uma partida de basquete, mas ela advertiu sobre os perigos potenciais dos esportes. Ela alertou que os jogadores podem às vezes se tornar tão obcecados em demonstrar sua superioridade ou em vencer, que isso pode os levar à disputa e orgulho. Além do mais, os esportes às vezes trazem os piores prejuízos aos estudantes, pais, comunidade e fans. Ela observou que era a competição, a rivalidade e o desejo de ser melhor do que os outros que causou a queda de Satanás do Céu. O que ela quer que lembremos, é que os verdadeiros vencedores são aqueles que ajudam os outros a vencer. 

Talvez todos nós devamos fazer a pergunta: “Os esportes que eu escolho tornam mais fácil ou mais difícil pensar sobre o Céu?” (Colossenses 3:1-3). Bom esporte a todos!

domingo, 11 de março de 2018

Você já agradeceu porque Jesus chorou?

“Jesus chorou.” (João 11:35)

Cada vez que leio esse verso, lembro dos cultos em família. Depois de lindos louvores de gratidão, chegava a hora em que cada um devia falar um verso bíblico. Como algumas crianças não sabiam de grandes textos, a saída era certa: “Jesus chorou.” Então todos riam. Mas ao lembrar que Jesus chorou, me deparo com dois sentimentos. A tristeza pelo Salvador ter caído em pranto, e a gratidão por Ele ter Se feito homem e Se sujeitado a tanto. Quero me deter no segundo. 

Gratidão é um dos sentimentos mais passageiros do ser humano, pois é circunstancial. “Precisamos” de uma situação/ocasião para poder expressá-la: aniversário, curas, ganhos, vitórias... O perigo é usamos nosso termômetro para avaliar a temperatura das ocasiões, e isso, na maioria das vezes, não está em harmonia com a avaliação divina.

Agradecemos quando fazemos aniversário, quando ficamos curados ou quando conseguimos um emprego. Até aí isso é normal. Mas você já agradeceu porque Jesus chorou? O que isso representa? 

O choro é a maior expressão de dor. Quem não fica com o coração partido ao ver alguém chorando em desespero? O choro está ao alcance de todos os seres humanos. Já alcançou você inúmeras vezes. Até em momentos em que você não merecia. O que fazer nessa situação? Buscar alguém que sabe o que isso significa. Jesus. Ele chorou. Pode consolar você. 

O ministério de Jesus era, aparentemente, contraditório: quando repartiu pães e peixes, estava rodeado de milhares de pessoas; mas, quando sentiu fome, estava só. Quando curava, inúmeras vidas O acompanhavam e vibravam; quando estava ferido, foi abandonado. Quando pregava sorrindo, centenas de ouvintes O assistiam; mas quando chorou, estava só. Você sabe o que significa isso? Eu também.

Quando choramos, parece que estamos sós. Mas se você compreender o amor incalculável de Cristo, entenderá também que Ele sabe o que se passa no coração de quem chora. Jesus chorou... isso não é apenas triste, é maravilhoso! É paradoxal! É surpreendente! 

Nos tempos do Antigo Testamento, alguns ofereciam os filhos pequenos a deuses como Moloque, adorado pelos amonitas. O verdadeiro Deus ofereceu Seu filho pelos pecadores. Mas Jesus não fez apenas a “lição” que lhe havia sido apresentada. Ele passou fome, frio, solidão... Ele chorou. Conhecemos essas situações. Então, se precisamos de Alguém que possa nos ajudar, quem você deve chamar? O Salvador entende o que passamos. Ele não fica sentado num trono observando passivamente as lutas de Seus filhos. Ele entra em campo e luta com e por nós! 
“Suportei as vossas dores, experimentei as vossas lutas, enfrentei as vossas tentações. Conheço as vossas lágrimas; também Eu chorei.” (Ellen G. White - O Desejado de Todas as Nações, p. 483)
Por que devemos ser gratos? Por Deus ser Poderoso? Médico dos médicos? Por fazer milagres? Sim, sem dúvida. Mas agradeça por Ele ter chorado. Agradeça por Ele ser Deus.

Leonardo Carvalho (via Criacionismo)
"Não foi, porém, simplesmente pela simpatia humana para com Maria e Marta, que Jesus chorou. Havia em Suas lágrimas uma dor tão acima da simples mágoa humana, como o Céu se acha acima da Terra. [...] Pesava sobre Ele a dor dos séculos. Viu os terríveis efeitos da transgressão da lei divina. Viu que, na história do mundo, a começar com a morte de Abel, fora incessante o conflito entre o bem e o mal. Lançando o olhar através dos séculos por vir, viu o sofrimento e a dor, as lágrimas e a morte que caberiam em sorte aos homens. Seu coração pungiu-se pelas penas da família humana de todos os tempos e em todas as terras. Pesavam-Lhe fortemente sobre a alma as misérias da pecadora raça, e rompeu-se-Lhe a fonte das lágrimas no anelo de lhes aliviar todas as aflições. [...] Seu terno, compassivo coração está sempre pronto a compadecer-se perante o sofrimento. Chora com os que choram, e alegra-Se com os que se alegram." (Ellen G. White - O Desejado de Todas as Nações, p. 534)
Pense nestas palavras: Jesus viu, de uma forma que nenhum de nós jamais poderia ver, o ‘sofrimento da família humana de todos os tempos e em todas as terras’. Mal podemos suportar o pensamento sobre a dor daqueles que conhecemos ou de quem somos próximos. Então acrescente a isso a dor de outros a respeito dos quais lemos más notícias. No entanto, ali estava o Senhor, que conhece as coisas de um modo que não conhecemos, chorando pela dor coletiva da humanidade. Só Deus conhece a plena extensão da miséria e da tristeza humana. Deveríamos ser muito gratos porque temos apenas pálidos vislumbres dessa tristeza! E ainda, às vezes só isso já parece ser demais para nós. Tente imaginar os sentimentos que devem ter agitado o coração de Jesus naquele momento.

quarta-feira, 7 de março de 2018

Batalha dos Sexos - Macho e fêmea na perspectiva bíblica

Alguém observou que a batalha dos sexos nunca pode ser ganha porque há muita confraternização com o inimigo. Um relacionamento de amor e ódio marca o papel dos gêneros em muitas sociedades do mundo moderno. As mulheres protestam contra o assédio, a violência e o abuso masculinos. Os homens respondem com introversão, quer no ambiente de trabalho ou no campo de esportes.

Em muitas sociedades uma incerteza parece manter homens e mulheres presos aos seus papéis. Por outro lado, as mulheres, tendo ganho seu espaço no local de trabalho depois de séculos de exclusão, sentem-se esgotadas pela pressão de tentarem ser a “super-mulher”, provedora familiar, mãe, dona de casa e ativista. Além disto, uma mudança no papel masculino forçou os homens a se redefinirem. A década de 70 testemunhou os homens tentando desenvolver o lado feminino deles — o “macho suave”, para fazer frente às mulheres fortes que emergiam. Mas as mulheres, enquanto exigindo e saboreando a igualdade de direitos, ainda desejam os homens masculinos, para “usarem as calças na família”, e que sejam os provedores primários.1 Enquanto isto os homens estão procurando recuperar a masculinidade — mesmo enquanto eles tratam das feridas abertas pelo movimento feminista.2 Em meio aos conflitos macho-fêmea, uma atitude de saudosismo pelos românticos “velhos tempos” ainda ocorre: “Nós costumávamos nos apaixonar, lembra-se?”3

Contudo, não deveria surpreender-nos que tentar definir os papéis masculinos e femininos e seus relacionamentos no ambiente atual, é quase como andar por um terreno minado. Correndo o perigo de perder um braço ou uma perna, desejo partilhar o que tenho descoberto do paradigma bíblico “à imagem de Deus”. Parece-me que em tal paradigma podemos ver os papéis complementários do homem e da mulher. Parece também possível que pela observação de como os membros da trindade se relacionam um com o outro, podemos entender melhor o relacionamento masculino-feminino. Uma vez que meu estudo conduz-me a abraçar tanto o feminismo e os valores tradicionais, espero — como o indeciso soldado que na guerra civil usou calça azul e blusão cinza — receber tiros dos dois lados. Entretanto, proponho-me correr o risco, na esperança de contribuir com alguma perspectiva nova.

Deus divide Adão
Comecemos com Gênesis 1:27: “E criou Deus o homem [hebraico, adam], à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou.” O termo hebraico para homem é adam. A passagem, rica de significado, indica que Deus dividiu adam em dois seres, que juntos deveriam refletir Sua semelhança. O próprio Deus não é solitário, mas uma família amorosa. Deus (hebraico Elohim, plural), diz: “Façamos o homem a nossa imagem, conforme a nossa semelhança” (Gênesis 1:26). Esta é a conversação dentro da divindade — três pessoas, consultando, criando, e trabalhando juntas em harmonia. Deus em relacionamento criou o humano em relacionamento. Este relacionamento entre macho e fêmea constitui uma parte da imagem de Deus.

Na Criação, macho e fêmea formaram uma unidade. Esta unidade de certa forma reflete a imagem divina.4 Nos dois níveis, divino e humano, unidade é um tipo de relacionamento no qual diferentes pessoas completam-se uma à outra, formando uma unidade.

Claro, Deus não pode ser considerado em termos de gênero, mas Ele partilhou com macho e fêmea atributos particulares que residem nEle. Em Sua atividade criativa, quando Ele dividiu adam em macho e fêmea, Ele dividiu entre eles algo de Suas próprias qualidades especiais. Ao homem Ele deu Seu poder e força. À mulher Ele deu Seus atributos de cuidado e concepção da vida, que são partes de Sua natureza.

Garotos pequenos ao brincar de carro, e garotos maiores ao escorregar pelas encostas de colinas ou ao correr pelas ruas da cidade simulando sirenes, relembram-nos que os meninos gostam de velocidade, barulho, movimento e risco. Contudo, eles apenas palidamente refletem a “masculinidade” de Deus, que criou estrelas tão grandes como o sistema solar e então as encolheu dentro de imensos buracos negros, capazes de sugar tudo o que encontram em seu caminho. Deus é fantástico em Sua “masculinidade”.

Garotas pequenas ao acalentar bonecas, garotas maiores ao pacificar desentendimentos e ao beijar machucados, relembram-nos que gentileza e suavidade também refletem a imagem de Deus. A Bíblia compara Deus a uma mulher sofrendo em dores de parto (Deuteronômio 32:18; João 16:21, 22) e exprimindo a suavidade de uma mãe ao amamentar o seu filho (Isaías 49:15; Oséas 11:1-4).5 Deus é alentador, pleno em gentileza e desvelo em sua “feminilidade”.

Deus descreveu toda Sua criação como boa, mas quando Ele viu o homem, disse, “não é bom”: “Não é bom que o homem esteja só. Farei para ele uma adjutora que esteja como diante dele” (Gênesis 2:18). O homem estava incompleto até que Deus lhe fez “uma adjutora que esteja como diante dele”. Deus criou a mulher como uma ajudadora, uma auxiliar do homem. “Adjutora” ou “auxiliar” são termos de honra no Antigo Testamento, aplicados ao próprio Deus (como em Salmos 46:1).

“Ajudadora” indica que o homem e a mulher deveriam trabalhar juntos nas atividades da vida. A sociedade é empobrecida quando um único sexo funciona sozinho, pois tal singularidade reflete apenas uma parte da personalidade, em sua plena capacidade.6 O propósito criativo de Deus ao dividir Adão era que homem e mulher crescessem juntos em direção à unidade, um atributo do próprio Deus. Deus atribui grande valor à harmonia, interdependência e união.7

A complexidade da imagem divina
A história e tradição, em geral, têm atribuído diferentes papéis aos homens e às mulheres. Os meninos são treinados como os protetores e provedores, encorajando-se a predisposição biológica masculina de domínio e agressividade. As meninas são treinadas para assumirem o papel do cuidado doméstico, em harmonia com seu papel de concepção. O marido era para ser a cabeça; a esposa o coração.8 Mas o propósito criativo de Deus não é tão simples. Nem simples é a natureza humana.

Paralelo com as características dominantes de cada sexo, há também a “sombra do eu”, que contém elementos do sexo oposto. A evidência fisiológica desta afirmação é que cada sexo segrega pequenas quantidades de hormônios do sexo oposto. Assim as mulheres são capazes de agressividade, coragem e liderança e os homens de delicadeza e sensibilidade ao belo. A “sombra do eu” tem várias funções. Ela dá no campo comum aos sexos masculino e feminino, áreas de superposição um sobre o outro. Enquanto opostos totais têm maior contribuição a dar no relacionamento de uns com os outros, eles também têm as maiores dificuldades de relacionamento por causa de suas diferenças. A “sombra do eu” fornece áreas de similaridades onde eles podem se encontrar.

Em adição à “sombra do eu” do sexo oposto, os seres humanos têm funções dominantes e auxiliares através das quais eles percebem a realidade e fazem julgamentos. Algumas destas funções são relacionadas com o gênero. Por exemplo, a maioria dos homens tende a tomar decisões baseadas na lógica e objetividade, enquanto a maioria das mulheres tende a tomar decisões baseadas em sentimentos, intuição e as possíveis conseqüências de suas escolhas sobre outros.9 Qualquer que sejam as nossas funções dominantes e auxiliares, nos sentimos mais confortáveis com as dominantes. Ser forçado a depender das funções auxiliares produz tensão. Assim, se homens e mulheres assumem papéis que não sejam naturais a eles, o resultado será sentir pressão e angústia. Por esta razão, muitas pessoas experimentam alívio ao retornarem aos papéis tradicionais. O desconforto pode também resultar de pressões negativas por famílias e amigos, quando homens e mulheres agem em formas não tradicionais.

Embora homens e mulheres devam primeiro cumprir as tarefas que pertençam ao seu próprio gênero, a complexidade de suas naturezas indicam que eles não devem estar presos por estereótipos de natureza genérica. Mulheres têm se tornado extraordinárias líderes religiosas, presidentes de empresas e dirigentes governamentais. Homens têm demonstrado excelência em expressões emocionais, como em música, poesia e como conselheiros empáticos. A criatividade e o potencial humano, derivados da imagem de Deus, são ilimitados e imprevisíveis. Os dons não deveriam ser suprimidos, mas considerados e encorajados. O próprio Deus é complexo; assim também o é a humanidade, uma vez que somos feitos a Sua imagem.

O impacto do pecado
O impacto atômico do pecado separou “Adão”, e tal separação teve suas consequências inevitáveis na união macho-fêmea. O pecado profundamente alterou o relacionamento macho-fêmea. O egoísmo absorveu o amor; a suspeita colocou de lado a confiança, e a competitividade tomou o lugar da complementaridade. Deus predisse uma mudança no relacionamento entre homens e mulheres. “O teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará” (Gênesis 3:16). Com a entrada do pecado veio o abuso do amor — a manipulação feminina para alcançar o que a mulher deseja do homem e o uso da força masculina para dominar a mulher. Individualidade, separação e egoísmo substituíram a complementaridade. O dueto harmonioso tornou-se em gritos dissonantes.

Com o pecado entrou uma série de abusos — dominação, repressão, secessão da mulher, manipulação, sedução, amor livre, o ocultar das formas femininas ou a exposição e exploração delas, adultério, pornografia, violência sexual, para mencionar uns poucos.

A sexualidade, como um dom de Deus, foi intencionada para ser um bem. Ela está difusa por toda a personalidade humana, com cada célula do organismo sendo geneticamente masculina ou feminina. Deus deu o dom da expressão sexual por dois propósitos: procriador (“sede fecundos, multiplicai e enchei a Terra” (Gênesis 1:28), e unificador (“eles se tornarão uma só carne” (Gênesis 2:24). O propósito unificador deve ser o dominante, porque é apenas dentro da unidade do amor matrimonial que as crianças podem desenvolver e florescer. Deus designou a união sexual com o propósito de completar a harmonia mental e espiritual que um casal percebe um no outro, produzindo o maior dos êxtases que os humanos podem experimentar.

A perversão humana busca o êxtase sexual sem unidade, compromisso e amor duradouro. Qualquer coisa aquém do compromisso, torna os seres humanos descartáveis. As pessoas são usadas por um tempo limitado e então descartadas. Esta é a razão por que forçar o sexo contra a vontade de alguém causa tão intensa humilhação, violação, rejeição e perda da auto-estima. Pela mesma razão, o sexo fora do casamento pode ser devastador para o psiquismo humano. Esta é uma das maiores ironias da vida contemporânea que nossa sociedade, mesmo enquanto protesta contra o abuso sexual, busca o excitamento sexual fora do casamento.

Os relacionamentos humanos à imagem de Deus
Uma vez que entendamos que o pecado desviou os papéis masculinos e femininos da unidade da imagem divina, guiando-os na direção do divisionismo diabólico, a questão da restauração da igualdade dos gêneros e papéis torna-se uma questão de retorno ao foco bíblico original. Creio que ambos os sexos podem chegar a este foco se examinarem o relacionamento dentro da divindade, a qual eles originalmente deveriam refletir. O processo pode ser tanto surpreendente como inspirador. Aqui estão algumas das posições bíblicas que fornecem compreensão para o relacionamento macho-fêmea.

1. A afirmação paulina que “a cabeça da mulher é o homem” (I Coríntios 11:3), não é muito popular hoje. As mulheres se ressentem com a ideia da liderança masculina; frequüentemente a palavra tem sido mal-interpretada e mal-usada, levando ao abuso das mulheres, violência física e sexual, à diminuição do valor e dignidade pessoal e a restrições que impedem as mulheres de exercerem seus dons. Mas o que é freqüentemente esquecido é que o mesmo apóstolo também disse no mesmo texto que “Cristo é a cabeça de todo homem”, e que “Deus é a cabeça de Cristo”. O contexto das três afirmações nas quais a noção de liderança é mencionada não permite o domínio de um sobre o outro, que resulte em violência, abuso ou negação do valor e dignidade própria. Os pontos seguintes ilustram a verdadeira natureza desta liderança ou governo.

2. Embora Paulo fale de Deus como sendo a cabeça de Cristo, o claro ensino bíblico é que o Pai e o Filho são iguais em todos os aspectos. Semelhantemente, quando a questão se refere a humanos, Adão e Eva deveriam exercer igualmente o domínio sobre a ordem criada (ver Gênesis 1:28).

3. Pai e Filho consultaram-se mutuamente quanto aos alvos e estratégias. Há uma completa abertura em todas as transações da divindade: “O Pai ama o Filho e mostra-Lhe tudo o que faz” (João 5:20). Eles partilham todos os Seus planos um com o outro. Liderança de nenhuma forma indica superioridade ou inferioridade de um em relação ao outro.

4. Os membros da divindade agem em harmonia um com o outro (ver João 5:19). Afirmações de Jesus de que Ele não fez nada em Sua própria autoridade (João 5:19, 30) não indicam posição subordinada, mas sugerem que Ele trabalhou em união com Seu Pai. O Pai, da mesma forma, agiu em harmonia com o Seu Filho (João 5:22). Num casamento ideal não há decisões unilaterais. As decisões são tomadas quando o consenso é alcançado.

5. Os membros da divindade se realizam em fazer um a vontade do outro. Jesus extraiu grande satisfação ao fazer a vontade do Seu Pai (ver João 4:34) e cumprir Sua missão de resgate (ver João 17:4). Nós seres humanos rotineiramente buscamos satisfação através de nossas necessidades pessoais. Jesus demonstrou o gozo que vem da realização dos desejos de outro.

6. Cada um afirma o outro. Os membros da trindade continuamente glorificam um ao outro (João 8:54; 13:31; 16:14). Maridos e mulheres necessitam aprender a arte de expressar apreciação. Um bom casamento é uma sociedade de admiração mútua.

7. A trindade é um sistema modelo de apoio. Os membros atribuem poder um ao outro no cumprimento dos alvos partilhados. Jesus em Sua fraqueza humana foi fortalecido pelo Pai e pelo Espírito Santo para cumprir Sua missão (ver João 1:32; 14:10). Nossos sentimentos de inadequação deveriam ser aliviados se, como homens e mulheres, afirmássemos e fortalecêssemos uns aos outros. Nenhum sexo deveria buscar dominar o outro. A tendência do sexo masculino de coagir e do sexo feminino de manipular ilustra a perversão da pressuposição humana de que o poder está em escassez e deve-se lutar por ele. Na trindade nós vemos o princípio oposto: o poder é abundante e é livremente partilhado.10

8. Os papéis de liderança são intercambiáveis. O Pai põe todas as coisas nas mãos de Jesus (ver João 3:35), dando a Ele o governo sobre este mundo até que a batalha seja ganha; então ele voltará ao Pai (ver I Coríntios 15:24-28). De igual forma, em um bom casamento, a liderança é intercambiável, cada um liderando em suas áreas de especialidade.

9. Há unidade na divindade, tal proximidade que o sofrimento da separação é insuportável (ver Mateus 27:46). Jesus disse: “Eu e o Pai somos um” (João 10:30). Não há apenas união mas também intimidade: “Eu estou no Pai e… o Pai em Mim” (João 14:10). O amor é a força que Os une. Os seres humanos são convidados a experimentar íntima união com a divindade (17:21). Através da união com Deus, os esposos e esposas podem alcançar sublimes alturas e profundidades do amor em seus relacionamentos uns com os outros. Deus deu-lhes uma exclusiva forma de expressar “intimidade” através do abraço sexual. O casal que seja um com Deus e um no relacionamento de um para com o outro experimenta um nível de êxtase desconhecido e não disponível ao sexo casual. Além disto, as fibras do amor que os une constrói um ninho invulnerável para os jovens. Onde os pais genuinamente se amam, os filhos desenvolvem personalidades seguras.

Alguns argumentam que o relacionamento da divindade não é modelo adequado para os humanos por causa de nossa condição caída. Afirmam que modelos autoritários (“ele te dominará”, Gênesis 3:16) são mais apropriados para pecadores. Mas a meta para os cristãs é alcançar “a estatura perfeita de Cristo” (Efésios 4:13). Embora fiquemos aquém do ideal divino, devemos sempre manter tal alvo diante de nós e lutar para alcançá-lo.

O Criador nos dotou de dons extraordinários e o propósito dos gêneros era que um completasse o outro. Nós nos realizamos quando desenvolvemos estes dons e exploramos o relacionamento para os quais fomos criados. Não há limite para o potencial humano, na medida em que este se desenvolve dentro da imagem divina.

Beatrice S. Neall (via Diálogo Universitário)

Notas e Referências
1. Willard F. Harley, His Needs, Her Needs: Building an Affair- proof Marriage (Grand Rapids, Mich.: Fleming F. Revell, 1986), pp. 116-117.
2. Ver Robert Bly, Iron John: A Book About Men (New York: Vintage Books, 1992), pp. 2, 63.
3. Lance Morrow, “Men: Are They Really That Bad?”, Time, 14 de fevereiro de 1994, p. 57.
4. V. Norskov Olsen, The New Relatedness for Man and Woman in Christ: A Mirror of the Divine (Loma Linda, Calif.: Loma Linda University Center for Christian Bioethics, 1993), p. 49.
5. Para mais imagens femininas de Deus, ver Virginia R. Mollenkott, The Divine Feminine: The Biblical Imagery of God as Female (New York: Crossroad, 1987).
6. Donald M. Joy, Bonding: Relationships in the Image of God (Waco, Texas: Word Books, 1985), p. 19.
7. W. Peter Blitchington, Sex Roles and the Christian Family (Wheaton, Ill.: Tyndale House, 1981), p. 51.
8. Idem., pp. 54, 71.
9. Os tipos psicológicos de Myers-Briggs descrevem os processos mentais dominantes e auxiliares de uma pessoa e como eles se relacionam com o gênero. Ver Gordon Lawrence, People Types and Tiger Stripes: A Practical Guide to Learning (Gainesville, Fla.: Center for Applications of Psychological Type, 1979), pp. 17, 20.
10. Devo este conceito à monografia de S. Scott Bartchy, “Issues of Power and a Theology of the Family” (Consultation on a Theology of the Family, Fuller Theological Seminary, 1984). Ver também Rollo May, Love and Will (New York: Norton, 1969), que identifica cinco tipos de poder, um dos quais é benéfico — o tipo que atribui poder a outros.